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“Este livro é um volume bastante conciso do falecido Ronald Nash
“Este livro é um volume bastante conciso do falecido Ronald Nash
que traz bom conteúdo em quantidade considerável. É uma apologética para o cristianismo por meio da comparação com outras
cosmovisões: naturalismo e espiritualidade da Nova Era. Nash emprega pressuposições, lógica e evidências para demonstrar a veracidade da cosmovisão cristã. Acredito que o livro faz por merecer a
tradução em outros idiomas.”
— Dr. John Frame,
Professor de Filosofia e Teologia Sistemática
Reformed Theological Seminary
“Como o título sugere, neste livro Ronald Nash lida com o assunto
das cosmovisões. Uma cosmovisão, explica ele, “é um conjunto de
crenças sobre as questões mais importantes na vida”. É um sistema
de pensamento. E para ser sólido, o sistema de crenças de uma pessoa deve ser racional; mas também deve ser capaz de responder as
questões e resolver os problemas que são encontrados na vida. Nesta
monografia, Dr. Nash explica que o “teísmo cristão”, baseando-se na
Palavra de Deus inspirada, torna a humanidade apta e plenamente preparada para toda boa obra (2 Timóteo 3.16-17). Ele abrange
todas as necessidades da vida. Em meio a um mundo de ideias, o
cristianismo é a visão de mundo e de vida que deve ser escolhida.”
— W. G. Crampton, Th.D.
Autor de “Em Direção a uma Cosmovisão Cristã”
“Cosmovisões em Conflito de Ronald Nash é excelente. O livro não
só apresenta com clareza a cosmovisão cristã, como também demonstra de forma convincente, pela crítica lógica, as inconsistências
internas de todas as principais cosmovisões alternativas. O resultado? Um argumento convincente de que somente a cosmovisão cristã
fornece o fundamento para um entendimento racional e viável tanto
do mundo exterior como do interior, e uma base firme para o entendimento ético comum que uma sociedade livre e justa requer.”
— Dr. E. Calvin Beisner
Porta-voz nacional
Cornwall Alliance for the Stewardship of Creation
Escolhendo o Cristianismo
em um Mundo de Ideias
EDITORA MONERGISMO
BRASÍLIA, DF
Copyright @ 1992, de Ronald H. Nash
Publicado originalmente em inglês sob o título
Worldviews in Conflict
pela Zondervan Publishing House,
Grand Rapids, Michigan, 49530, EUA.
Todos os direitos em língua portuguesa reservados por
Editora Monergismo
Caixa Postal 2416
Brasília, DF, Brasil - CEP 70.842-970
Telefone: (61) 8116-7481
www.editoramonergismo.com.br
1ª edição, 2012
1000 exemplares
Tradução: Marcelo Herberts
Revisão: Felipe Sabino de Araújo Neto
Capa: Raniere Maciel Menezes
Projeto gráfico: Marcos R. N. Jundurian
Proibida a reprodução por quaisquer meios,
salvo em breves citações, com indicação da fonte.
Todas as citações bíblicas foram extraídas da
Versão Nova Versão Internacional (NVI),
© 2001, publicada pela Editora Vida
salvo indicação em contrário.
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Nash, Ronald H.
Cosmovisões em Conflito: Escolhendo o Cristianismo em um Mundo
de Ideias / Ronald H. Nash, tradução: Marcelo Herberts – Brasília, DF:
Editora Monergismo, 2012.
232 p.; 21cm.
Título original: Worldviews in Conflict-Choosing Christianity
in a World of Ideas
ISBN 978-85-62478-61-1
1. Apologética - século XX 2. Naturalismo 3. Movimento
Nova Era I. Título
CDD 230
A
Gerald e Dolly
e
Sua Família
Sumário
1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
8.
9.
10.
PREFÁCIO À EDIÇÃO BRASILEIRA 11
PREFÁCIO 15
QUE É UMA COSMOVISÃO? 25
A COSMOVISÃO CRISTÃ 47
COMO ESCOLHER UMA COSMOVISÃO 71
UM OLHAR ADICIONAL NO TESTE DA RAZÃO 95
CRISTIANISMO E O TESTE DA RAZÃO 119
UM OLHAR ADICIONAL NO PROBLEMA DO MAL 137
NATURALISMO 149
O MOVIMENTO DA NOVA ERA 167
A ENCARNAÇÃO E A RESSURREIÇÃO 189
VENCENDO A BATALHA NO MUNDO DAS IDEIAS 211
SUGESTÕES PARA LEITURA ADICIONAL 219
ÍNDICE 223
P R E FÁ C I O À E D I Ç Ã O B R A S I L E I R A
Prefácio à Edição Brasileira
O que poderia ser mais importante do que saber, no nível
mais fundamental, em que acreditamos e sobre que base agimos? Penso que conhecer a Deus seria algo levado em conta.
Mas como poderíamos estar certos de que o Deus que pensamos
conhecer é o único Deus verdadeiro?
É onde as cosmovisões se tornam extremamente importantes. Se realmente conhecermos a nossa própria cosmovisão,
se soubermos como ela pode ser comparada a outras cosmovisões e por que confiamos que a nossa é verdadeira, estaremos
preparados para nos mover com mais profundidade não só no
conhecimento e na compreensão de Deus, mas também no conhecimento das coisas mais importantes da realidade como um
todo. Deus, os seres humanos e o universo entrarão nitidamente em foco. Como resultado, seremos capazes de navegar pelo
mundo moderno, do qual estamos emergindo, como também
pelos mundos pós-moderno e pós-pós-moderno em que chegamos para viver. Nossos mundos cultural e intelectual estão mudando; às vezes, tão rapidamente que quase não percebemos, e
acabamos nos encontrando em meio ao caos do momento.
11
C O S M OV I S Õ E S E M C O N F L I T O
Precisamos, então, de uma forma de compreender a nós
mesmos — nossos compromissos, nossos valores, as coisas pelas quais vivemos e como e por que estas são coisas que o nosso Deus amoroso em Cristo quer para nós e para a sua glória.
Ronald Nash identifica e explica uma chave mestra, a qual desvendará os mistérios do nosso tempo e até mesmo os que nos
precederam.
A análise de cosmovisões é fundamental para vivermos na
presença constantemente mutável do mundo dentro e em torno
de nós.
Você consegue identificar a sua própria visão fundamental
da realidade?
Você sabe por que veio a ter essa visão?
Você sabe por que age com base nela?
Você sabe por que pensa que vale a pena viver com base
nela? Isto é, por que, entre todas as alternativas, você acha que
ela é verdadeira?
Você sabe a razão de ser tão importante esclarecer e confirmar a fé?
Você sabe no que consistem as alternativas de cosmovisão?
O que, por exemplo, seus vizinhos, seus amigos, seus políticos,
seu chefe, sua igreja pensa sobre Deus e seu mundo?
Já ouviu falar alguma vez de naturalismo ou Nova Era?
Você deveria. Para viver como um cristão sério, você realmente deveria.
Siga as orientações de Ron Nash neste livro e você saberá.
Claro, às vezes você poderá achar isso pesado. Mas realmente não é. É básico, é esclarecedor e é bíblico.
Que você possa de fato se aproximar mais do Deus vivo em
Cristo à medida que não só aprende a pensar melhor e mais pro12
P R E FÁ C I O À E D I Ç Ã O B R A S I L E I R A
fundamente, mas também a seguir o entendimento que estará
ganhando com as ações que seguem da verdade.
James W. Sire
2012
13
P R E FÁ C I O
Prefácio
Assim que passei a guarda de segurança e deixei a entrada
do meu hotel em Moscou, vi o ônibus que em breve me levaria
com o grupo do qual eu fazia parte à minha primeira palestra
na União Soviética. Era maio de 1991 — só algumas semanas
antes do fracassado golpe de Estado que involuntariamente
precipitaria o fim do comunismo soviético. Eu estava em Moscou
como parte de uma equipe que fora convidada pelo Ministério
da Educação russo para falar a centenas de professores escolares.
Nenhum de nós sabia muito bem o que esperar dos funcionários
que nos escoltavam, e tampouco, aliás, do nosso público.
Era uma tremenda oportunidade. De fato, quando me aproximei do ônibus e de nossos acompanhantes, não pude deixar de
pensar que tudo o que eu tinha feito até esse ponto em minha vida
era uma preparação para este dia. As décadas de estudo e ensino,
os diplomas, os escritos e as publicações — era tudo como treinamento nas ligas secundárias de beisebol. Eu me sentia o novato
que vem para bater pela primeira vez nas ligas principais.
Minha tarefa era ajudar a alicerçar minha plateia de bacharéis universitários em informação que os ajudaria a explicar
15
C O S M OV I S Õ E S E M C O N F L I T O
a fé cristã aos seus alunos. Que fazíamos isso a convite e com
assistência de funcionários do governo russo, é algo que ainda
me surpreende. Como a minha participação era limitada a duas
apresentações, fui forçado a me perguntar como poderia dar o
melhor de mim em tão curto espaço de tempo. Outros oradores estariam discutindo aspectos importantes da fé cristã. Decidi
que não poderia fazer nada mais importante que explicar o que
queremos dizer com a cosmovisão cristã, e contrastar isso com
as crenças alheias que eram tão centrais à educação na União
Soviética desde a Revolução Comunista em 1917.
Aqueles poucos dias em Moscou foram inesquecíveis. Meus
esforços para contrastar a cosmovisão bíblica com o ateísmo, materialismo, naturalismo e relativismo com que gerações de soviéticos foram doutrinadas mais que ajudaram aquelas pessoas na
minha plateia a ver uma nova forma de abordar e compreender
o mundo. Para muitas delas, tratava-se de uma cosmovisão que
agora queriam para si.
É uma triste ironia que as características básicas da cosmovisão naturalista, que tantas pessoas nos países outrora marxistas estavam agora rejeitando, continuam atraentes a um grande
número de pessoas educadas no ocidente. Uma das principais
razões para isso, estou convencido, é que poucos americanos
têm sido ensinados a pensar em termos de cosmovisões. Eles
não sabem o que é uma cosmovisão, não conseguiriam enunciar
o conteúdo de sua própria cosmovisão se sua vida dependesse
disso e não têm consciência de como vários aspectos de cosmovisões conflitantes se chocam logicamente.
Basicamente o que tento neste livro é comunicar a mesma
mensagem que transmiti à minha plateia na União Soviética.
Elevar o nível de autoconsciência sobre as cosmovisões é uma
16
P R E FÁ C I O
parte essencial da maturidade intelectual. Mas também quero
que o leitor adquira uma compreensão mais clara do conteúdo
da cosmovisão cristã. Após isso, oferecerei uma breve descrição
das duas cosmovisões que nos Estados Unidos têm sido os principais adversários da perspectiva cristã. Um dos concorrentes é
chamado de naturalismo. Como iremos ver, o naturalismo ressoa com elementos importantes da antiga cosmovisão marxista.
Na verdade, o marxismo tem sido uma das expressões dominantes do naturalismo no século XX.
A outra cosmovisão concorrente que irei examinar é o chamado movimento da Nova Era, que segue ganhando um considerável número de adeptos. Em muitos aspectos, o pensamento
da Nova Era contradiz o naturalismo e é antitético a quase tudo
no que cristãos informados e solidamente bíblicos acreditam. É
importante notar também que à medida que as pessoas da União
Soviética se afastam do marxismo, as crenças da Nova Era estão
preenchendo o vácuo de cosmovisão resultante.
Inicialmente eu tinha pensado intitular este livro de Vencendo a Batalha no Mundo das Ideias. Não havia, de minha parte, qualquer intenção de sugerir alguma nota de triunfalismo
nestas palavras. De maneira alguma eu estava sugerindo que a
batalha estava ganha ou que a vitória estava logo ali, virando na
próxima esquina. Cristãos ativos e racionais estão envolvidos em
batalhas todos os dias de sua vida. Embora seja compreensível
que a maioria dos cristãos tende a pensar nessa batalha em suas
dimensões moral e espiritual, lidarei aqui com o lado intelectual
do conflito. Esta é uma luta que não queremos perder; assim,
minha preocupação é fornecer um modelo de como agirmos
para nos preparar melhor e atuar de modo efetivo no mundo
das ideias.
17
C O S M OV I S Õ E S E M C O N F L I T O
A ideia deste livro surgiu com o gerente de uma livraria em
Boise, Idaho. Este homem e alguns de seus amigos, ao se debaterem com várias questões importantes num grupo de estudos,
acharam uma série de meus escritos anteriores úteis. Ele sugeriu
então que eu considerasse a possibilidade de adaptar alguns desses escritos a um público mais popular. Este livro é uma resposta
à sua boa ideia.
Escrevi, portanto, tendo as necessidades e interesses do
leitor comum em mente. Mas também planejei o livro para ser
útil como livro texto suplementar na faculdade e nos cursos de
seminário onde é dada uma introdução ao pensamento de cosmovisão. Embora eu tenha dado o melhor de mim para tornar
os argumentos do livro acessíveis ao maior número possível de
leitores, tive dificuldade em alcançar essa meta em alguns pontos onde as questões são excepcionalmente complexas. Simplificação é uma coisa; simplismo é outra. Aqui a parte mais difícil é
o capítulo cinco; lido com dois desafios complicados à fé cristã,
isto é, com as alegações de que a fé é logicamente contraditória
devido a sua insistência que Jesus Cristo é plenamente Deus e
plenamente homem, e a afirmação adicional de que a existência
de mal no mundo é logicamente incompatível com a natureza do
Deus cristão. Não há nenhuma forma de lidar com estes desafios
que seja ao mesmo tempo simples e responsável. Portanto, meu
conselho ao leitor é não se atolar neste capítulo. Então, tendo
concluído a leitura do livro, volte ao capítulo cinco e trabalhe
com o material, ou simplesmente mantenha em mente onde esses argumentos estão para o caso de alguma vez eles serem necessários. Pode-se ter uma vida rica, plena e feliz sem entender
todos os detalhes do capítulo cinco.
A maioria dos cristãos que conheço adora desafios de algum tipo. Eles podem praticar esportes e tentar correr certa dis18
P R E FÁ C I O
tância num dado tempo; podem tentar uma boa marca numa
partida de golfe ou escalar uma montanha. Ou, para citar um
dos maiores feitos da vida, podem decidir criar filhos.
Para mim é um grande mistério por que tantas pessoas
que respondem heroicamente a outros desafios evitam aqueles
que são tão abundantes no mundo das ideias. Embora muitos
busquem levar seu corpo ao limite, qualquer uso fútil de nossa mente é algo pelo qual mostramos o mesmo desdém que,
quando crianças, tínhamos sobre comer espinafre ou brócolis.
Eu gostaria de pensar que este livro acabará de alguma forma
nas mãos de milhares de homens e mulheres que começarão a
exercitar sua mente, que se tornarão mentalmente alertas e preparados, que se tornarão mais conscientes da batalha no mundo
das ideias e que se tornarão equipados para começar a vencer
essa batalha.
A maioria dos cristãos está familiarizada com as seguintes
palavras de Paulo:
Fortaleçam-se no Senhor e no seu forte poder. Vistam toda a armadura de Deus, para poderem ficar
firmes contra as ciladas do Diabo, pois a nossa luta
não é contra seres humanos, mas contra os poderes e
autoridades, contra os dominadores deste mundo de
trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões
celestiais. Por isso, vistam toda a armadura de Deus,
para que possam resistir no dia mau e permanecer
inabaláveis… (Ef 6.10-13)
Apesar da familiaridade com essa passagem, muitos de nós
não conseguimos compreender a plena extensão dos pensamentos de Paulo. Sabemos que ele passa a enumerar os vários elementos da armadura do cristão, como a couraça da justiça, o escudo da fé e o capacete da salvação. Mas com frequência deixa19
C O S M OV I S Õ E S E M C O N F L I T O
mos de relacionar toda essa armadura a uma questão básica: por
que alguém precisaria de uma armadura defensiva como essa
junto da única arma ofensiva mencionada no texto, a espada do
Espírito, que é a Palavra de Deus? A resposta é simplesmente
esta: os cristãos precisam de armadura porque são combatentes
numa guerra.
Mas mesmo quando este ponto é compreendido, alguns
cristãos erram por não verem as plenas dimensões dessa batalha. Alguns estão amiúde tão preocupados com as coisas “superiores” ou coisas “espirituais” — uma mentalidade voltada para
outro mundo — que até naquelas ocasiões em que percebem
que a vida cristã os envolve numa espécie de guerra, eles tendem
a pensar nessa guerra somente em termos espirituais e morais.
Longe de mim denegrir esta dimensão da guerra do cristão —
ela é espiritual e moral. Mas é algo mais. E é esta outra dimensão
da participação do cristão numa guerra que eu pretendo enfocar
neste livro.
Desde os seus primórdios, a Igreja cristã tem se envolvido
em batalhas envolvendo ideias, teorias, sistemas de pensamento,
pressuposições e argumentos. Sinais dessas batalhas no mundo
das ideias podem ser encontrados por todo o Novo Testamento.
Eles ocorrem nos evangelhos, na questão da identidade de Jesus.
“Quem os outros dizem que o Filho do homem é?”, perguntou
Jesus a Pedro (Mt 16.13). Ocorrem no início do livro de Atos, sobre o fato da ressurreição corporal de Cristo. Surgem em conexão
com o relacionamento do cristianismo com a lei do Antigo Testamento: é necessário se tornar um bom judeu para ser bom cristão?
Para ser cristão, precisa-se obedecer às leis do Antigo Testamento?
E esses sinais de guerra no mundo das ideias aparecem também
no Novo Testamento em referências ocultas a crenças que se asse20
P R E FÁ C I O
melham a elementos do gnosticismo, uma ameaça que se desenvolveu mais plenamente no século segundo.1
A batalha de ideias continuava nos primeiros séculos da
Igreja à medida que líderes cristãos lutavam contra proponentes
de ideias heréticas. Esses desafios à fé forçaram a Igreja a formular e sistematizar seu pensamento sobre doutrinas importantes,
tais como a divindade de Cristo, a divindade e personalidade
do Espírito Santo e a Trindade. Durante a Reforma, a batalha
no mundo das ideias envolveu esforços para resgatar a pureza
das crenças do Novo Testamento das perversões desse ensino
que adentrara furtivamente a Igreja durante a Idade Média. No
século XVIII, a batalha se concentrou na incredulidade advinda do Iluminismo. No século XIX, a Igreja lidou com desafios à
autoridade da Bíblia e problemas novos levantados pelo darwinismo. Já no início do século XX, os cristãos lutaram contra o
modernismo religioso.
Durante as primeiras décadas do século XX, os conflitos
no mundo das ideias pareciam distantes da vida cotidiana do
cristão comum. Tais batalhas eram usualmente travadas nos círculos acadêmicos — nas mais proeminentes faculdades e universidades e em seminários teológicos. Naquele tempo, quando
o número de norte-americanos frequentando a faculdade ainda
era pequeno, a maioria dos cristãos comuns tinha a tendência de
dar pouca importância a esses assuntos.
Essa desatenção, contudo, trouxe um alto preço consigo.
Por fim, as ideias anticristãs que ganharam predominância nos
centros intelectuais dos Estados Unidos se infiltraram em muitos
1
Para saber mais sobre isso, veja o meu livro The Gospel and the Greeks: Was the
New Testament Influenced by Pagan Thought? (Dallas: Probe Books, 1992).
21
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seminários teológicos e, finalmente, se apossaram dos departamentos de religião de várias faculdades confessionais. É lamentável que o processo continue hoje, como muitos observadores
informados podem relatar acerca de faculdades e seminários
que se autodenominam evangélicos. Essa incredulidade também alcançou o púlpito de várias igrejas outrora fiéis. Porque
muitas das pessoas nos bancos das igrejas eram teologicamente
leigas ou indiferentes, o fato de alguns pastores pregarem agora
um novo evangelho — um evangelho que praticamente negava
todas as principais doutrinas da fé do Novo Testamento — era
algo que passou despercebido. Denominações norte-americanas
de primeira linha foram perdidas para o liberalismo e a incredulidade porque no século seguinte à Guerra Civil Americana a
Igreja cristã tinha perdido a batalha no mundo das ideias. Mas
este não é um livro sobre essas batalhas de outrora, ainda que a
Igreja cristã deva estar preparada para lidar com antigos erros
que continuam a ser propagados em alguns círculos, incluindo
aqui não poucos departamentos de religião de seminários e faculdades. Ao contrário, este é um livro sobre passos importantes
que os cristãos de hoje devem dar para se preparar para as batalhas intelectuais que nos confrontam.
O passo mais importante para os cristãos é tornar-se informado sobre a cosmovisão cristã, uma visão abrangente e sistemática da vida e do mundo como um todo. Nenhum crente hoje
pode ser realmente eficaz na arena das ideias até que tenha sido
treinado a pensar em termos de cosmovisão. Como a cosmovisão cristã difere da cosmovisão dos adversários? Quais as fraquezas das cosmovisões concorrentes? Como podemos utilizar
os melhores argumentos contra elas?
O capítulo 1 introduz o leitor à noção de cosmovisão. Que
é uma cosmovisão? Por que é importante pensar em termos de
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P R E FÁ C I O
cosmovisão? O capítulo 2 tem por base a discussão anterior e
desenvolve uma análise clara e cuidadosa da cosmovisão cristã.
O capítulo 3 oferece testes amplamente reconhecidos para ajudar os crentes a fazerem escolhas racionais entre cosmovisões
concorrentes. Seria suicídio intelectual pensar que todas as cosmovisões são igualmente plausíveis e dignas de crença.
Um dos três testes a que toda cosmovisão deve ser submetida é o teste da razão, isto é, a lei da não contradição. O capítulo 4 analisa melhor este teste e, entre outras coisas, aconselha
os cristãos a não considerarem a razão ou lógica uma inimiga
da fé. Como é de vital importância que o cristianismo passe no
teste da razão, é uma questão bastante urgente que os cristãos
sejam capazes de defender sua fé de alegações que de alguma
forma ela é autocontraditória. São avaliados no capítulo 5 dois
desafios nesse sentido, isto é, a alegação de que a existência do
mal no mundo é logicamente incompatível com a crença cristã
num Deus onipotente, onisciente e bom, junto com a afirmação
de que a crença cristã que Jesus é tanto Deus como homem viola
a lei da não contradição. É oferecida ao leitor a resposta mais
simples possível para ambas as acusações.
Se a fé cristã deve dar conta de si mesma na arena das ideias,
ela deve ser capaz de lidar satisfatoriamente com outras questões
levantadas pelo problema do mal. Assim, o capítulo 6 faz uma
análise melhor dessa área difícil e fornece ajuda adicional ao leitor cristão.
O capítulo 7 examina aquele que tem sido, até o presente,
o principal concorrente do cristianismo no mundo ocidental, a
cosmovisão conhecida como naturalismo. O capítulo 8 explica
e avalia o desafio mais recente ao cristianismo, o movimento da
Nova Era. Estes dois capítulos concluem que tanto o pensamen23
C O S M OV I S Õ E S E M C O N F L I T O
to do naturalismo como o da Nova Era sofrem de sérios problemas que deveriam desqualificá-los como opções viáveis no
mundo das ideias.
O capítulo 9 examina a argumentação que pode ser feita
para apoiar as crenças cristãs básicas da encarnação e ressurreição de Cristo. O domínio desta informação pode permitir
que os cristãos saiam de uma postura defensiva e se ponham
na ofensiva. O capítulo 10 conclui a nossa discussão ao salientar
duas outras etapas que devem ser seguidas pelas pessoas que se
interessam em travar batalhas no mundo das ideias.
Toda semana fico sabendo de pessoas cujo pensamento
cristão foi revigorado pelas informações contidas neste livro.
Crentes não treinados no pensamento de cosmovisão são como
um boxeador com um dos braços amarrados às costas. O desejo
deles de um bom desempenho é prejudicado por uma limitação desnecessária; no caso, a de não terem acesso às ferramentas básicas. Meu propósito é fornecer essas ferramentas, a mais
importante delas sendo a capacidade de pensar em termos de
cosmovisões.
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