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Marina declara apoio a Aécio Dilma: `Programas deles se parecem`

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Marina declara apoio a Aécio Dilma: `Programas deles se parecem`
SEGUNDA-FEIRA | 13 de outubro de 2014 ■ 5
CORREIO DO POVO
MARCELO BRAMMER / FOLHAPRESS / CP
Tucano diz que adversária está ‘desesperada’
Política
■ Em visita ao Santuário de Nossa Senhora Aparecida, no interior paulista, ontem,
o candidato à Presidência Aécio Neves (PSDB) agradeceu o apoio da candidata derrotada Marina Silva (PSB) e voltou a dizer que a adversária Dilma Rousseff está
“desesperada”. “Estamos vendo uma candidata desesperada e à beira de ataque de
nervos. Os ataques que ela faz estão no meu currículo. Eu ocupei cargos com dignidade, aqueles para os quais fui nomeado e os outros que ocupei pelo voto popular.
Eu os honrei. Não podemos dizer o mesmo dos indicados da presidente.”
AGATHA GAMEIRO / FUTURAPRESS / CP
ZANONE FRASSAT / FOLHAPRESS / CP
Anúncio foi feito na manhã de ontem, em São Paulo, ao lado do ex-vice Beto Albuquerque
‘Tem coisa que eu não incorporo nem que a vaca tussa’, disse a presidente em São Paulo
Marina declara
apoio a Aécio
Dilma: ‘Programas
deles se parecem’
Ex-candidata do PSB descartou que anúncio seja ‘aliança’
A
candidata derrotada no primeiro
turno da corrida presidencial Marina Silva (PSB) anunciou ontem
apoio ao tucano Aécio Neves. O anúncio
já era esperado e foi feito em São Paulo.
A definição do apoio se deu depois de Aécio divulgar, no sábado, uma carta-compromisso na qual se compromete com a
incorporação em seu programa de governo de tópicos que envolvem reforma agrária, questões indígenas e ambientalismo,
consideradas cruciais por Marina.
“Prefiro ser criticada lutando por aquilo que acredito que é melhor para o Brasil”, disse, ao lado de seu vice Beto Albuquerque, citando os tópicos do documento de Aécio alinhados às suas ideias para
justificar o apoio. “Declaro meu voto e
meu apoio à sua candidatura. Faço essa
declaração como cidadã brasileira”, completou, descartando que o anúncio seja
“acordo ou aliança para governar”.
Já quando saiu o resultado do primei-
ro turno, Marina sinalizou que anunciaria apoio a Aécio, desde que ele se comprometesse com propostas defendidas
por ela nas áreas social e de sustentabilidade. Na carta apresentada no sábado, o
tucano faz referência à candidata que se
lançou pelo PSB ao dizer que “é natural
que contemos, nesta etapa, com as sugestões dos que, comprometidos com a mudança, se lançaram à campanha e, mesmo não obtendo votos suficientes para
chegar ao segundo turno, contribuíram
com ideias para melhorar a democracia”.
Uma das bandeiras do PSDB, a redução da maioridade penal para 16 anos,
chegou a ser citada como entrave para o
acordo, já que a Rede Sustentabilidade,
partido que Marina tentou criar, é contra
a proposta. A carta-compromisso do tucano caminha no sentindo de um meio-termo: propõe que a sociedade seja convocada para “debater e encontrar soluções generosas para nossa juventude”.
NOVA POLÍTICA
Decisão causa desconforto
A decisão de Marina Silva de
apoiar o candidato do PSDB ao
Palácio do Planalto, Aécio Neves, gerou desconforto e provocou um racha na executiva paulista da Rede Sustentabilidade,
partido que a ex-ministra do
Meio Ambiente tentou criar sem
sucesso e que foi abrigado informalmente dentro do PSB. Uma
carta conjunta deve ser apresentada hoje, na qual integrantes
da executiva estadual renunciarão às suas funções, alegando
que a decisão de Marina não representa a “nova política”, tampouco condiz com o discurso
adotado no 1˚ turno, de que era
preciso superar a velha polarização entre PT e PSDB.
A ideia é que o movimento deflagre uma onda de manifestações semelhantes nos grupos re-
gionais da Rede. Integrantes de
outros estados que discordam
da decisão de Marina também já
articulam um desagravo em nível nacional. Segundo Valfredo
Pires, que deixou a executiva da
Rede-SP depois que o grupo recomendou voto em branco, nulo
ou em Aécio a seus seguidores,
há dentro da Rede um movimento expressivo pela neutralidade
que foi “desrespeitado”. Para o
coordenador de Comunicação
do grupo, Emílio Franco, “acompanhar qualquer um dos dois
projetos não representa a essência da Rede”. Também o coordenador de Finanças da Rede em
SP, Gerson Moura, disse não
compactuar com a decisão de
Marina. O presidente interino do
PSB, Roberto Amaral, declarou
individualmente apoio a Dilma.
Presidente disse que não irá flexibilizar direito trabalhista
A presidente Dilma Rousseff, candidata do PT à reeleição, afirmou ontem, durante entrevista em São Paulo, que acha
“compreensível” o apoio da presidenciável derrotada do PSB, Marina Silva, à
candidatura de Aécio Neves, do PSDB, no
segundo turno. Para a presidente, há
mais semelhanças entre os programas
econômicos dos dois adversários do que
entre as propostas de Marina e do PT.
“Eu acho que esse anúncio, essa opção, é compreensível, porque a proximidade que ela tem é com o programa econômico do Aécio. E tem menos proximidade com o programa social do meu governo”, disse Dilma. A presidente disse não
acreditar que haja uma transferência de
votos automática de Marina para Aécio.
“Eles são a favor da independência do
Banco Central, nós não somos. Eles são
a favor de reduzir o papel dos bancos públicos, nós não somos. Porque reduzir o
papel dos bancos públicos significa aca-
bar com o Minha Casa Minha Vida concretamente. Tem coisa que eu não incorporo nem que a vaca tussa: reduzir o papel
de banco público, flexibilizar direito trabalhista”, disse a presidente.
Em evento relacionado ao Dia das Crianças, na zona Leste de São Paulo, a petista
criticou os programas sociais de Aécio para a área da infância quando ele era governador de Minas Gerais. Segundo ela, Minas
teve a menor redução da taxa de mortalidade infantil entre os grandes estados de
2003 a 2010.
Ontem, a presidente assinou compromisso com a Fundação Abrinq, mantida
por fabricantes de brinquedos, no qual
promete adotar políticas de proteção à infância previstas na Constituição, mas ainda não implementadas. Dilma prometeu
universalizar o acesso à pré-escola, para
crianças de quatro a cinco anos, até
2016. Atualmente, 89% das crianças nessa faixa etária já estão na escola.
BAHIA
ALIANÇA
VAZAMENTO
O diretório estadual do PSB
na Bahia declarou, na sexta-feira passada, apoio à reeleição da
presidente petista Dilma Roussef, contrariando decisão da
executiva nacional do partido. A
nota divulgada pela sigla diz
que, apesar da grande votação
de Marina Silva, prevaleceu a
polarização entre PT/PMDB e
PSDB/Dem.
O diretório, que é presidido
pela senadora Lídice da Mata,
candidata derrotada ao governo
baiano, diz que o PSDB no estado é “representado pelas forças
de direita”. Ela afirmou que a
preocupação é manter a coerência entre o discurso do partido e
compromissos de campanha,
protagonizando a quebra da polarização entre PSDB e PT.
Mesmo integrando a chapa
da presidente Dilma Rousseff
(PT), o PMDB já sinaliza para
uma composição na Câmara
com o PSDB, num eventual governo do candidato Aécio Neves.
“Não vejo dificuldade nenhuma
de se posicionar em apoio a um
futuro governo Aécio”, afirmou
ontem o líder do partido na Câmara, Eduardo Cunha, reeleito
no último dia 5 de outubro.
O primeiro sinal nesse sentido será dado hoje, quando a bancada deve se reunir em Brasília
para discutir se tomará alguma
posição oficial no segundo turno
das eleições. Eventual apoio do
PMDB ampliaria a base parlamentar de Aécio, que vem crescendo com os apoios que tem recebido nos últimos dias.
Após dizer que a oposição
usa as investigações da Petrobras para dar um “golpe” no
país, a presidente Dilma Rousseff afirmou no sábado, em Minas
Gerais, defender a divulgação total de informações sobre a apuração do caso. “Ou não se manipula esse processo e se abre todas as informações ou se usa
com grande prejuízo da democracia esse processo”, disse.
“O que considero incorreto é
que as provas e as denúncias
não estão sendo encaminhadas
direito nesta fase. Para se divulgar, divulga-se tudo. Vamos ver
todos os envolvidos, para que logo depois da eleição não se tenha surpresa de ver que denunciantes da véspera eleitoral são
parte da denúncia”, afirmou.
Socialistas estão PMDB sinaliza
ao lado do PT
acordo agora
Divulgação é
seletiva, diz petista
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