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12 1.º TEMA JMJ: Jesus no Meio dos Jovens 1.º Encontro «A fé

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12 1.º TEMA JMJ: Jesus no Meio dos Jovens 1.º Encontro «A fé
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1.º TEMA
JMJ: Jesus no Meio dos Jovens
1.º Encontro
«A fé cristã não é só crer em verdades, mas é antes de tudo uma relação pessoal
com Jesus Cristo, é o encontro com o Filho de Deus, que dá a toda a existência um novo
dinamismo. Quando entramos em relação pessoal com Ele, Cristo revela-nos a nossa
identidade e, na sua amizade, a vida cresce e realiza-se em plenitude. Há um momento,
quando somos jovens, em que cada um de nós se pergunta: que sentido tem a minha vida,
que finalidade, que orientação lhe devo dar? […] Ao ouvir Jesus, ao caminhar juntamente
com Ele torno-me deveras eu mesmo» (Bento XVI).
Experiência humana
Convidar os jovens a pesquisar no Google o tópico «Quem é Jesus Cristo?» e a
apreciar o número de páginas obtidas nas fracções de segundo utilizadas na procura e,
depois, a abrir algumas delas. Conferir se estão de acordo com a visão «tradicional» de Jesus
ou se são leituras mais «modernas». Num segundo momento, podem fazer uma chuva de
ideias, recolhendo tudo que são capazes de dizer sobre Jesus e apontando-o no
computador/projector (onde nasceu, viveu, morreu… o que fez, o que disse… quem era
sua família, seus amigos, seus «inimigos»…). Também é possível fazer algumas entrevistas
de rua e partilhar os resultados ou ainda tentar comparar os conhecimentos que os jovens
têm da imagem de Jesus presente nos Evangelhos e a que oferece, por exemplo, Dan
Brown em «O Código da Vinci».
Palavra de Deus
A pergunta sobre quem foi e quem é Jesus atravessa todos os tempos. Para muitos,
Jesus é apenas uma personagem histórica; para outros, foi um importante revolucionário;
para outros, um pacifista; para alguns, um fundador de uma religião e para outros um
património espiritual da humanidade. Em todo caso, ninguém consegue ficar indiferente
diante da referência a Jesus. Mesmo se para muitos não chega a ser «Jesus Cristo». Na
verdade, esta questão pôs-se também aos primeiros discípulos e muito particularmente aos
doze apóstolos. Certa ocasião, foi o mesmo Jesus quem puxou a conversa e, ao chegar a
uma terra chamada Cesareia de Filipe, perguntou-lhes à queima-roupa: «Quem dizem os
homens que Eu sou?» (cfr. Mt 16, 13-20. Este texto encontra-se preparado em jogral para
download na página do DNPJ). As respostas foram as mais diversas… Alguns diziam que
era João Baptista (na altura já tinha sido decapitado por Herodes) ou Elias ou outro dos
antigos profetas que ressuscitara. É verdade que é difícil aceitar a modernidade de Jesus, é
sempre mais fácil dizer que é uma personagem do passado e identificá-lo com os
mensageiros de Deus doutros tempos e não como uma pessoa viva de hoje que nos
reclama um olhar. Não ficando satisfeito, Jesus volta à perguntar, directamente – como a
nós - : «e vós (e tu…?!) quem dizeis que Eu sou?». Nessa hora, os discípulos ficaram
calados e apenas Simão Pedro se atreveu a responder: «Tu és o Cristo, o Filho de Deus
vivo».
Na resposta de Pedro – a única acertada… - encontramos um esforço de
conhecimento pessoal e, ao mesmo tempo, a voz e a figura da Igreja que nos apresenta
Jesus como quem Ele é realmente. «Cristo» ou «Messias» significa «Ungido» ou, por outras
palavras, aquele que foi designado ou enviado por Deus com uma missão especial: trazer
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Deus ao mundo, ou, melhor, ser Deus no meio de nós («Emanuel» - outro dos nomes que
a Bíblia atribui simbolicamente a Jesus significa mesmo «Deus connosco»… é interessante
notar esta ressonância na resposta litúrgica da Eucaristia: «Ele está no meio de nós»). Sim,
Jesus é Deus no meio de nós e, por isso, é de todos os tempos e o nosso encontro com Ele
pode ser tão real – embora diferente - como o dos discípulos há dois mil anos atrás (este
será o assunto da próxima reunião deste mesmo tema).
Já te submeteste à fadiga de descobrir quem é Jesus para ti neste momento? Em que
ponto estás da tua relação com Ele? Por vezes, procuramos auxílio para saber e decidir
quem é Jesus através de pessoas ou livros ou grupos que não tiveram direito à confirmação
que Jesus dirigiu a Pedro após a sua resposta: «Feliz de ti, Simão […] porque foi o Pai do
Céu que to revelou. Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja» (vv. 17-18).
Jesus confiou a Pedro, isto é, a Pedro e seus sucessores, o Papa e os Bispos – por outras
palavras, à Igreja – a missão de O conhecer profundamente, sabendo que é Deus quem a
guia, e de O dar a conhecer a todos.
Aprofundamento
O que é preciso para conhecer Jesus? O que é preciso para ser amigo de Jesus?
Como podemos fazer hoje experiência do encontro com Ele? Basta «saber coisas» sobre
Jesus como sabemos de outras personagens históricas? A nossa relação referencial e prática
com Ele pode ser a mesma que mantemos com Dom Afonso Henriques, Vasco da Gama
ou Aristides de Sousa Mendes…? É possível «ver» Jesus hoje? Certa ocasião, também um
grupo de gregos foram ter com o discípulo Filipe e disseram-lhe: «nós [também] queremos
ver Jesus» (Jo 12,20).
Pouco antes de morrer, na Última Ceia, Jesus deu aos apóstolos o autêntico critério
para ser seus amigos e conhecê-l’O: «vós sois meus amigos se fazeis o que eu vos mando
[…] o que vos mando é que vos amei uns aos outros […] como eu vos amo» (Jo 15,
14.17.12). Por isso, não basta dizer que somos cristãos católicos nem tampouco basta dizer
«eu não sou crente mas admiro Jesus e sou boa pessoa» ou, então «eu cá tenho a minha fé».
Para ser amigos de Jesus é imperativo fazer o que Ele nos manda e «amar» não significa
apenas ter um vago sentimento de bondade ou afecto pelos outros porque Jesus precisa o
modo desse amar: «como eu vos amo». Jesus amou a cada momento, até ao sacrifício de si.
E para compreender este gesto de Jesus que morre em prova e em consequência do seu
amor é preciso conhecer bem a sua vida. Logo ser amigos de Jesus implica amar como
Jesus e, para isso, é preciso conhecer a vida e a palavra de Jesus para a pôr em prática. Já
não é suficiente dizer: «eu sei umas coisas» ou «eu fui baptizado…». A amizade com Jesus é
um processo que começa e não mais acaba, aliás, como toda amizade verdadeira.
Ao introduzir-se nesta relação pessoal com Cristo, descobrimos, pouco a pouco,
que ela vem ao encontro dos nossos mais íntimos desejos de felicidade e de sentido. O
Papa escreveu «todas as gerações sentem este impulso de ir mais além do habitual. Faz
parte do ser jovem desejar algo mais do que a vida quotidiana regular de um emprego
seguro e sentir o anseio pelo que é realmente grande. O desejo de uma vida “maior” é um
sinal impresso em nós de que Deus nos criou, de que temos a sua “marca”». Por isso,
seguir Jesus é uma questão de felicidade. É isso mesmo que a Bíblia e a Igreja chamam
«salvação»: é viver numa felicidade profunda que nos liberta do mal, nos potencia para o
bem e não termina neste mundo que conhecemos mas transcende as fronteiras do tempo e
do espaço. «Ser salvos» é ser felizes em Jesus Cristo. Aliás é a única forma verdadeira e
profunda de ser felizes.
A vida de Jesus e a sua pregação foram para ensinar-nos o caminho da felicidade.
Ontem e hoje Jesus vem ao nosso encontro para nos ensinar a viver uma vida boa e bela. E
vem ao nosso encontro através de Pedro que descobriu quem é mesmo Jesus. Já o
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sabemos, a voz de Pedro está hoje na Igreja e ela tem como missão transmitir-nos a Vida e
Palavra de Jesus sobre e para a nossa felicidade. «JMJ» significam, em rigor, «Jornada
Mundial da Juventude», esse grande evento calendarizado para 16 a 21 Agosto de 2011, em
Madrid, com dois milhões de jovens! Mas «JMJ» é também uma metáfora para dizer que
toda a vida da Igreja e dos cristãos é a presença de Jesus no seu meio e, de modo especial,
dos que estão a construir a sua existência, os jovens: «Jesus no meio dos Jovens». É a isso
que és convidado pelo Papa, a fazer experiência de Jesus vivo e ressuscitado na Igreja.
Concede o privilégio da dúvida de que é possível um encontro diferente com Jesus e com
os crentes, abre-te à possibilidade de descobrir a fé como algo que não tinhas imaginado,
aceita a aventura e o risco de poder pensar doutro jeito aquilo que entendes já saber e ter
decidido. Bento XVI escreveu: «convido-vos para este encontro tão importante para a
Igreja […]. E gostaria que todos os jovens, quer os que partilham a nossa fé em Jesus
Cristo, quer todos os que hesitam, que estão na dúvida ou não crêem n’Ele, possam viver
esta experiência, que pode ser decisiva para a vida: a experiência do Senhor Jesus
ressuscitado e vivo e do seu amor por todos nós». Aceitas o desafio…?!
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JMJ: Jesus no Meio dos Jovens
2.º Encontro
«Circulam por aí tantas imagens de Jesus que se fazem passar por científicas e O
privam da sua grandeza, da singularidade da Sua pessoa […] Abri e cultivai um diálogo
pessoal com Jesus Cristo, na fé. Conhecei-O mediante a leitura dos Evangelhos e do
Catecismo da Igreja Católica, entrai em diálogo com Ele na oração […] “A fé é uma adesão
pessoal do homem a Deus” […] assim podereis adquirir uma fé madura, sólida, que não
estará unicamente fundada num sentimento religioso ou numa vaga recordação da vossa
catequese de infância» (Bento XVI)
Experiência humana
Convidar os jovens a partilhar se já fizeram alguma experiência profunda de alegria,
de paz interior, de oração ou meditação ou contemplação (uma paisagem bonita, uma obra
de arte, uma imagem, uma fotografia, um filme, um powerpoint…) que lhes tenha ajudado
a ver e a sentir as coisas doutra forma. Quando alguém está longe e é difícil comunicar com
essa pessoa, como fazem para não perder a relação, a amizade, o amor…? Já
experimentaram a fragilidade das relações humanas em que as pessoas se tornam
totalmente estranhas ou até desagradáveis depois de terem sido «grandes amigos» ou
mesmo terem tido uma relação de namoro…?
Palavra de Deus
Há momentos que se tornam referências pela intensidade das palavras, do contexto,
das suas consequências. Assim como pouco antes de morrer, na Última Ceia, Jesus
entregou aos discípulos o amor ao Seu jeito como critério para a amizade com Ele, também
lhes confiou um gesto a guardar e transmitir para sempre: «fazei isto em memória de Mim»
(Lc 22,19). A palavra «memória», na linguagem que Jesus usava e que ficou registada na
Bíblia, significa muito mais do que uma «lembrança». Na verdade, «fazer memória» significa
tornar presente ou actualizar (não apenas imitar como no teatro…) uma situação ou uma
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pessoa. Por outras palavras, Jesus garante uma segunda forma de estar em contacto com
Ele e ser seus amigos, «fazendo memória» d’Ele.
A que se referia Jesus? O que estavam a fazer nessa noite? Celebravam a Páscoa e,
ontem como hoje, essa celebração tinha um conjunto de momentos ou etapas.
Eles liam os textos bíblicos e reflectiam sobre eles. Apesar de hoje pairar uma
nuvem de suspeita sobre a Bíblia, considerada muitas vezes como um livro ultrapassado e
mesquinho, a verdade é que ela nos apresenta a longa caminhada de Deus com a
humanidade e importa reconhecer que a história da humanidade nem sempre foi bela e
romântica. A Bíblia não ignora mas regista também as páginas negras da humanidade no
seu caminho para Deus e do caminho de Deus que abranda o passo para acompanhar a
lentidão humana. No que diz respeito ao Novo Testamento, e, em particular, aos
Evangelhos, eles são a testemunha mais fiel da Vida e da Mensagem de Jesus. Por isso, se
«queremos ver Jesus», temos de «querer ver/ler o Evangelho» onde realmente está o rosto
de Jesus.
Além de ler os textos bíblicos, nessa noite, oravam. O que é orar? É falar com Deus
e também (isto não é menos importante ainda que pouco lembrado) estar apenas diante
d’Ele. Para falar com Deus usavam algumas orações escritas como os Salmos (a nossa
reunião terminará com o Salmo 8) mas também se dirigiam a Deus com a simplicidade de
uma conversa de amigos, de filhos com um pai ou de irmãos. O Evangelho de São João
apresenta-nos uma longa oração em que Jesus abriu o coração a Deus e falou com Ele
mesmo diante dos apóstolos (Jo 17); certa ocasião até lhes demonstrara como falar com
Deus é algo simples, é dar-lhe graças pelo seu amor: «Pai… »; invocar a sua presença e
companhia: «venha o Teu Reino»; apresentar o que precisamos: «dá-nos hoje o pão de cada
dia […] livra-nos do mal»; e pedir o seu perdão no compromisso do nosso perdão aos
outros: «perdoa as nossas ofensas como nós perdoamos…». Orar é também estar diante de
Deus como estamos, por vezes, com a nossa família e os nossos amigos sem ter nada de
especial para dizer mas apenas gozando da sua companhia e afecto; mesmo sem palavras
ou gestos, apenas ao seu lado ou diante deles.
Não raro quando queremos estar com as pessoas de quem gostamos ou mesmo
quando precisamos tratar algum assunto, combinamos um café ou um copo, um lanche,
almoço ou jantar. Porque à volta da refeição partilhamos a vida, enquanto nos
alimentamos. Também isso ocorreu naquela noite pois os apóstolos celebravam a Páscoa,
sentados ou à volta da mesa, enquanto liam as Escrituras e oravam a Deus. Assim Jesus
escolheu dois alimentos – que não são apenas mantimentos mas sinais muito profundos e
eloquentes –, o pão e o vinho, e comprometeu a Sua Palavra de que esse mesmo Pão e esse
mesmo Vinho seriam Seu Corpo e Sangue, sempre que comidos «em sua memória». Por
outras palavras, nessa refeição, que chamamos Eucaristia, Jesus está verdadeiramente
presente no Pão e no Vinho consagrados (isto é, o pão e o vinho sobre os quais se
proclamam as palavras de Jesus na Última Ceia) e comungados. Na verdade, quando
amamos alguém não queremos separar-nos desse alguém e procuramos formas de estar
junto dessa pessoa; mas se não podemos mesmo permanecer a seu lado, queremos deixarlhe algo de nós para que não esqueça e levar algo dela connosco para a termos junto a nós.
Às vezes, é uma fotografia, uma mensagem, uma carta, um objecto, um gesto, uma frase,
uma música… que nos põem em contacto imediato com a pessoa ausente que, assim, se
torna presente. Porém, às vezes experimentamos a fragilidade das nossas emoções e nem
sempre os nossos gestos combinados são suficientemente fortes para manter o vínculo. Por
isso, Jesus comprometeu-Se em estar sempre presente no Pão e no Vinho eucaristizados,
para O encontrarmos deveras sempre que formos a Ele. Assim o valor da Eucaristia não
depende de nós ou do nosso sentimento. Mas sim depende de nós a decisão de ser fiéis ao
desejo ou à amizade, de facto, com Ele, pela participação na Eucaristia no dia em que
celebramos a Morte e a Ressurreição de Jesus, no Domingo.
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Finalmente, ao entregar a Sua «memória», isto é, a Sua presença aos apóstolos em
conjunto (estavam doze pessoas à mesa, contando Jesus, e outras por perto…), Jesus
garantiu que se encontrariam de novo para estar com Ele e uns com os outros. Ou seja, a
experiência da amizade com Jesus não é um acto privado mas necessariamente
comunitário. Não podemos crescer no conhecimento e na amizade com Jesus, de costas
voltadas para os outros amigos de Cristo. E o encontro comum com os amigos de Cristo,
por outras palavras, os cristãos, faz-nos ir à procura dos que estão longe ou passam
necessidade. «A nossa fé pessoal em Cristo, nascida do diálogo com Ele, está ligada à fé da
Igreja: não somos crentes isolados mas, pelo Baptismo, somos membros desta grande
família, e é a fé professada pela Igreja que dá segurança à nossa fé pessoal […] a caridade
que brota da fé leva-nos a dar um testemunho concreto nas palavras e nas acções: Cristo
não é um bem só para nós próprios, é o bem mais precioso que temos para partilhar com
os outros» - escreveu-nos Bento XVI.
Oração
Estas são as formas de manter um crescimento contínuo para que Cristo não se
torne um estranho para nós: os Evangelhos, a oração, a Eucaristia e vida em Igreja. E estas
são também as ferramentas para «enraizar e edificar a nossa vida n’Ele», conforme a
indicação de São Paulo (Col 2,7) e a lembrança ou chamada de atenção para estas palavras
por parte de Bento XVI. Quem for participar na JMJ terá a oportunidade de experimentar
todas estas possibilidades de encontro com Jesus. Por isso, propomos uma lenta e
progressiva mas firme redescoberta ou aprofundamento da relação com Jesus pela vida
espiritual.
Fica agora a sugestão de terminar o encontro com um momento de oração. Após
alguns minutos de silêncio, num ambiente cuidado, talvez com pouca luz e algum ícone e
velas e uma flor…, sentados no chão, acompanhados de música ambiente, proclamar calma
e intervaladamente os versículos de Jeremias 1, 4-11. No fim, podem rezar juntos o Salmo
138, 1-18 ou o Salmo 62, 2-9. Também podem terminar com a versão musical do Salmo
138 da Irmã Glenda / Claudine Pinheiro: «Tu me conheces».
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