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treinamento de piscicultura

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treinamento de piscicultura
I – QUALIDADE DA ÁGUA PARA PISCICULTURA
1 – Introdução:
Para qualquer ser vivo, o lugar onde ele vive é muito importante. As relações
entre o ser vivo e o meio ambiente são estudadas pela ecologia.
Se observarmos ao nosso redor, teremos exemplos muito bons sobre o efeito
que o ambiente tem nos animais e nas plantas.
O peixe, como ser vivo, é um animal que depende, principalmente da água e de
tudo que nela ocorrer para sobreviver, viver e produzir.
Para atender as relações entre o peixe e o ambiente onde ele vive, são
necessários conhecimentos profundos de ciências como química, física, biologia e
matemática.
Para ser um produtor de peixes, porém não é necessário que se estude tanto.
O importante é ter gosto pela criação e conhecer alguns princípios básicos e o seus
efeitos. Depois todos os estudos começam por algum lugar e, a curiosidade
juntamente com as oportunidades e a prática, levarão ao aperfeiçoamento.
A temperatura da água:
A influência da temperatura em uma criação de peixes é muito grande. Ela
determina que espécies de peixes serão criados, a quantidade de peixes de um açude,
o consumo de alimentos, o crescimento dos mesmos está diretamente ligado a ela,
assim como as quantidades de adubo a serem utilizados em uma criação mais
intensiva.
A temperatura ideal para os peixes de água quente situa-se entre 25°C a 35ºC.
Nos meses de inverno, nas regiões temperadas, a temperatura da água encontra-se
abaixo do ideal, o que compromete o crescimento dos peixes bem como a sua
alimentação.
A fertilização da água e a quantidade de alimentos consumidos também diminui
durante os meses frios, em função da temperatura.
Quanto mais quente a água, mais rápida é a digestão do alimento, a velocidade
de produção de algas, microorganismos e outras formas vivas da água que fazem
parte da alimentação dos peixes. A quantidade de oxigênio dissolvido é menor,
conforme o aumento da temperatura.
Dependendo da profundidade de um tanque, açude ou viveiro, teremos
variação da temperatura da água. Isto se chama estratificação termal.
O peso da água diminui com a temperatura acima de 4ºC.
A temperatura da água depende também da quantidade de sol que esta
recebe. Quando se quiser água mais quente, evita-se a sombra.
A hora do dia em que a temperatura da água é mais alta, em dias de sol e sem
nuvens, fica por volta das 15 horas e a temperatura mínima é no amanhecer, em
torno das 6h30min.
Os peixes suportam a variação da temperatura; cada espécie conforme a sua
capacidade de adaptação, porém elas não devem ser bruscas. Pode-se dizer que paras
as espécies criadas no Estado, a mudança do quente para o frio, quando brusca, é
mais prejudicial do que do frio para o quente. Isto ocorre em função da adaptação da
velocidade do metabolismo dos peixes que é regulada pela temperatura.
Transparência da água:
É importante que se situe entre 0,30 a 0,60 metros e, que não ocorra turbidez
(partículas de solo suspensas na água e que dão a cor do solo).
Com esta profundidade, a produção de alimentos naturais da água é
considerada muito boa.
O produtor pode fazer em casa um aparelho para avaliar a transparência do seu
açude. Seu nome é disco de Secchi.
60 cm
A transparência desejada proporciona que seja produzido plancton em uma
profundidade de até 1,20 m, em quantidade significativa para a produção de peixes
em uma lotação normal tanto no que diz respeito a sua alimentação quanto aos
aspectos de qualidade da água. Ou seja um ambiente equilibrado.
Turbidez:
A turbidez é a presença de partículas em suspensão na água e que diminuem a
sua transparência.
A falta de transparência (turbidez) pode acontecer por diversos fatores, porém
a mais prejudicial à piscicultura é a tubidez causada pelas partículas do solo. É comum
vermos açudes que tem este problema, principalmente onde são criadas carpas.
Outras forma de turbidez benéfica para a piscicultura, é a causada pelo
plâncton e caracteriza-se pela cor esverdeada ou verde-amarelada.
A cor escura na água é um tipo de turbidez causada pelo excesso de matéria
orgânica, e é comum ocorrer em açudes que são rodeados de mato ou que recebem
enxurradas com folhas.
Os problemas decorrentes de turbidez por solo ou excesso de matéria orgânica,
são basicamente a acidez, baixa produção de plâncton e em alguns casos problemas
de excesso de nitrogênio em forma tóxica para os peixes.
Cor da Água:
A cor desejada da água é esverdeada ou verde azulada.
A cor é formada por partículas em suspensão na água, deseja-se que estas seja
de algas verdes que compõe o fitoplâncton. Podem ocorrer algas marrons porém as
verdes são preferíveis pelo fato de realizarem a fotossíntese de modo mais eficiente.
Ocorrem ainda outras cores;
-Amarelada; Águas ácidas
-Pretas; Indicam a presença de humatos, pelo excesso de matéria orgânica
Ainda podemos ter a ocorrência de águas cristalinas que indicam valores
excessivos de alcalinidade ou de acidez. As águas cristalinas indicam que não são
produtivas no estado em que se encontram.
Condutividade:
A condutividade está relacionada pela quantidade de sais presentes na água.
Considerando os sais que fazem parte da solução do solo e que são detectadas
pela análise do solo, pode-se ter idéia da produtividade de um açude.
pH:
O pH é o chamado potencial de hidrogênio e dá a idéia da acidez ou
alcalinidade. Em uma escala de “0 a 14” temos e neutralidade no ponto 7, acidez
abaixo deste e alcalinidade acima.
Quanto mais próximo de “0”, maior será a acidez, assim como quanto mais
próximo de “14”, mais alcalinidade teremos.
Como acontece com as plantas, a acidez ou a alcalinidade influi na produção da
água, tanto a produção de plâncton como a produção de peixes.
O pH sofre a influência da temperatura, dos gases, dos sais minerais
dissolvidos, bem como do solo onde encontra-se o açude.
O açude que apresentar pH de 6,5 a 9,0 ao amanhecer, terá as melhores
condições de produção para a piscicultura.
Escala de pH:
Ponto Neutro
0 1
14 14
2
3
4
5
6
Ácido
4
5
7
8
9
10
11
12
13 14
Alcalino
Ponto de acidez letal,
não há crescimento.
crescimento lento
6
7
Nível desejado para piscicultura
8
9
10
11
Ponto de alcalinidade letal
Efeito do pH em águas para piscicultura.
BOYD et alli, 1979.
10
9
8
7
18h
noite
6h
12h
Hora do dia
18h
Flutuações diárias no pH em águas para piscicultura
Alcalinidade:
É a quantidade de bases, ou seja, os carbonatos e bicarbonatos existentes na
água. Através destas bases a acidez tende a se controlar.
Quando ocorre excesso de acidez, dever ser feita a correção da alcalinidade da
água através da calagem.
Oxigênio dissolvido:
Para a produção de peixes, o Oxigênio dissolvido na água é de importância
vital.
As quantidades de Oxigênio dissolvido em um açude variam em função das
possibilidades de ganhos e perdas deste.
Níveis esperados de ganhos e perdas e Oxigênio dissolvido, causados por
diferentes processos em água para piscicultura, com profundidades entre 1,00 e
1,50m.
Processo
Níveis (mg/l)
Ganhos:
 Fotossíntese do fitoplâncton
5 a 20
 Difusão
1a5
Perdas:
 Respiração planctônica
5 a 15
 Respiração dos peixes
2a6
 Respiração dos organismos bentônicos 1 a 3
 Difusão
1a5
BOYD et alli, 1979.
A temperatura é um fator que limita a quantidade de Oxigênio dissolvido na água.
Quanto maior for a temperatura, menor é a quantidade de Oxigênio dissolvido na
água.
0
0,3
Pequenos peixes sobrevivem por pouco tempo.
Letal por tempo prolongado
1,0
2,0
3,0
Os peixes sobrevivem, porém comprometem o seu
desenvolvimento por tempo prolongado.
4,0
5,0
Nível desejado
Efeito das concentrações de Oxigênio dissolvido em água para piscicultura.
BOYD et alli, 1979.
Gás Carbônico Dissolvido:
A presença de Gás Carbônico no açude é muito importante porque este gás
participa da formação de plâncton (Vegetais e animais microscópicos) e do sistema
que estabiliza o pH da água (H+ - Ca++ e Mb++).
Amônia, Nitrato e Nitrito:
O Nitrogênio apresenta-se na água de três formas principais:
 Nitrogênio amoniacal ou amônio = NH4OH
 Nitritos N02
 Nitratos NO3
A amônia em presença de oxigênio é oxidada a nitrito e este a nitrato.
NH4OH
N02
O2
NO3
O2
A amônia (NH4OH) e os nitritos são relativamente tóxicos para os animais e
vegetais aquáticos. O nitratos são os principais estimulantes da produtividade primária
aquática.
O nitrogênio na água, é originado pela mineralização da matéria orgânica; também é
fixado diretamente da atmosfera pelas algas cianofícias (azuis) a partir de N nitroso e
N nítrico, oriundos de tempestades.
Fosfatos:
O fósforo é um elemento de essencial importância para toda a produção
aquática e deve ser observado como necessidade a partir da região onde se instala o
açude. Já foi observado que em locais onde a aplicação do fósforo é necessária, que
após alguns anos se torna ineficiente e antieconômica, isto se deve ao fato do fósforo
ser um elemento móvel e também rapidamente recicláveis.
Proveniência:
O abastecimento de água de um açude pode ocorrer por diversas formas.
Chuvas: que são captadas e depositadas no fundo de um vale de uma bacia
hidrográfica. Para a criação extensiva de peixes nativos é uma ótima opção.
Rios e riachos: quando servem para abastecer açudes por derivação, ou seja,
são desviados por valores e por gravidade e atingem o açude.
 Neste caso deve-se ter em mente que é praticamente impossível evitar a
entrada de peixes, rãs, sapos e outros animais que não aqueles que
desejamos criar. Mesmo com o uso de telas, é muito difícil este controle,
que também ocasiona acidentes em função de entupimentos.
 Por outro lado, se o rio ou riacho não possuir peixes (nascente próxima),
já há uma situação mais favorável.

Dentro da questão rios e riachos, cabe ainda chamar a atenção para o
fato de que muitos açudes são construídos atravessando a taipa por sobre
o curso da água. Isto além de necessitar autorização do IBAMA, também
traz uma realidade que é muito peculiar. Muitos dos açudes assim
construídos não enchem em função de que a taipa apenas ataca a água
superficial do rio ou riacho, mas não segura a água que normalmente
corre embaixo do seu leito; são os chamados “foges”.
 A questão de enxurradas e os problemas de assoreamento de açudes
assim abastecidos, também deve ser considerada.
Nascentes, fontes ou vertentes: atualmente representam a maior segurança
de água para abastecimento, desde que não tenha problemas de erosão,
contaminação de agrotóxicos e estejam protegidas pelo menos por
reflorestamento, ficando está área como uma zona de preservação.
 O cuidado a ser tomado para a utilização de água de nascentes está em
não construir muito próximo, pois pode ocorrer que a pressão da água no
açude, quando a nascente fica dentro, faça a inversão e a veia da
nascente passe a ser um dreno.
 Outro aspecto que também é importante está no fato da água que vem
de baixo do solo ser pobre em oxigênio, plâncton e normalmente ser rica
em gases, que não são interessantes, assim como também são frias e
sabemos que quanto mais quente e oxigenada a água, melhor é para a
criação.
 Neste caso, a solução é construir o açude fora da nascente e do local por
onde ela escorre e conduzir a água por um canal que permita o
aquecimento da água, assim como aumente a quantidade de oxigênio e
permita a saúde de gases do subsolo.
 Isto consegue-se com pedras, degraus ou obstáculos que façam a água
borbulhar.

Isento de:
- Esgoto
- Pesticidas
- Herbicidas
- Outros contaminantes

A entrada de água deve compensar:
- Evaporação
- Infiltração
Sistema de controle de nível:
Questão básica; Quando retirar excesso de água do açude e qual a água
ideal para os peixes?
A luz solar penetra na água com quantidade suficiente para a produção
de plancton (conjunto de organismos que se desenvolve na água), de forma
significativa até 1,2m de profundidade.
Deste fenômeno resulta que nesta profundidade teremos a melhor taxa de
oxigênio dissolvido, a maior temperatura e produção de alimento natural. Esta então
será a melhor profundidade para as espécies cultivadas no RS.
O desenvolvimento de macrófitas (plantas que crescem do fundo do
tanque ou açude em direção à superfície), se dá em profundidades
inferiores a 80 cm
Por este fato recomenda-se que as laterais do tanque para piscicultura não
tenham menores profundidades do que 80 cm.
A temperatura da água muda mais lentamente do que a
temperatura do ar. Num grande volume de água as mudanças de
temperatura serão mais lentas
Dependendo da sensibilidade às mudanças de temperatura da espécie ou
espécies a serem criadas devemos observar da necessidade de termos maior ou
menor profundidade.
A água do fundo é pobre em oxigênio dissolvido e devido ao acúmulo de
material orgânico não decomposto muitas vezes contém amônia dissolvida o que pode
intoxicar os peixes. Deste modo é necessário que toda a água que saia naturalmente
do açude seja da parte inferior e daí resultam os sistemas utilizados com canos de
PVC ou monge.
Quando a água está parada ela apresenta camadas de temperaturas diferentes
(Estratificação Termal), o que para o crescimento dos peixes não é bom. Para evitar
este fenômeno natural a construção do açude deve ser dimensionada de acordo com a
disponibilidade de água ou pode-se utilizar mecanismos de movimentação da água
como os aeradores observando-se o custo operacional.
O ponto inicial para o sistema de controle de nível do açude é a passagem da
canalização de drenagem por baixo da taipa. Normalmente usa-se colocar a
canalização antes da construção da barragem.
Apenas em casos extremos, abre-se um rasgo na taipa para colocação do cano,
esse processo gera graves riscos de infiltração neste local. A experiência tem
mostrado que os canos de PVC são os melhores para acomodação abaixo da
barragem pois tem pequeno diâmetro e possibilitam boa compactação da terra.
As canalizações de cimento necessitam de uma base para assentamento dos
canos pois, se estes deslocarem-se na compactação da taipa, gerarão vazamentos e
rompimento.
Nas emendas dos canos deve-se ter muito cuidado com a vedação. O uso do
PVC é mais prático e seguro, e os canos de cimento são recomendados para obras
maiores que necessitam grande vazão de água.
Sistema de controle de nível com canos de PVC – Cachimbo Móvel
Sobrecano (8 cm mais alto do que o cano
de drenagem), para retirar a água do
fundo.
Nível máximo da água
TAIPA
O excesso de água entra aqui
Saída de água
Cano PVC = 100 mm
O 0,2 m do fundo
Este é o sistema mais simples a ser utilizado. No cano de drenagem, coloca-se uma
curva de 90º e anexo um cano com a altura necessária ao nível desejado. Para apoiar
esta curva é necessário um braço de apoio que pode ser de madeira ou de ferro. Este
braço evita que algum animal raspe na canalização e solte a curva esvaziando o
açude.
No manejo do sistema, se deitarmos a curva de 90º abaixo do nível, começará
a sair água até que ela esteja fora da água com o rebaixamento do nível.
Sistema Cachimbo
Vantagens
Baixo custo para pequenos
açudes
Não necessita mão-de-obra
especializada
Retira a água do fundo
Desvantagens
Máximo 600m2 para canos de 100mm
Amassamentos por pressão da água e má
compactacão
Com cachimbo dentro - necessita de sobrecano
em torna de 8 cm mais alto e com diâmetro pelo
menos 1/3 maior que o cano.
Com cachimbo fora - apresenta entupimentos
pela entrada de peixes ou necessita de telas ou
furos que também entopem e como ficam no
fundo não são observados.
- o cano do lado de fora pode quebrar ou
deslocar mais facilmente.
Cachimbo por fora esvazia mais
Cachimbo por fora esvazia mais rapidamente o
rapidamente o que permite
que pode comprometer a estrutura da taipa por
melhor manejo da drenagem.
deslizamento da região encharcada
Cachimbo por dentro esvazia o
Cachimbo por dentro esvazia o tanque
tanque lentamente o que permite lentamente o que faz com que a drenagem
que a água de dentro da taipa
demore mais, dificultando o manejo. Dependendo
saia sem que ocorra deslizamento do tanque o produtor precisará entrar na água
de terra.
para baixá-lo.
Sistema de controle de nível com monge de tijolos
O monge é recomendado para açudes maiores, onde o sistema de PVC se torne
insuficiente. É uma construção de tijolos e concreto que deve ter sua metade seca
com as paredes rebocadas. No centro da construção, se utiliza uma parede de tijolos
central e traspassando-a canos de PVC com tampões plásticos. Estes canos
permanecem fechados durante o período de criação dos peixes e são abertos quando
se quer rebaixar o nível do açude.
As dimensões do monge ( largura e comprimento) estão correlacionadas a dois
fatores: a canalização de saída, onde a área livre do lado alagado não pode ser
gargalo para o volume de esgotamento do cano da saída de água, e a possibilidade de
uma pessoa entrar nos dois lados, para manejo de limpeza e esgotamento de água.
De forma geral, os monges tem dimensões médias que variam de 1,5x1,0 m a 2x1,5
m isto se deve principalmente a resistência das construções de alvenaria, das
necessidades de drenagem e ao tamanho dos tubos normalmente encontrados no
mercado.
Normalmente quando opta-se pelo monge utiliza-se canalização de cimento
(0,25m; 0,30m) para maior rapidez no esvaziamento do açude. São poucos os casos
aonde se utilizam tubos com diâmetros maiores pois necessitam de muitos cuidados
na sua colocação, tornando a obra mais cara e com maiores riscos.
Um cuidado especial é a construção de uma base de concreto para as paredes
de tijolos, caso contrário poderá ocorrer a desestabilização da obra. Em monges com
mais de dois metros de altura, recomendam-se paredes de tijolo deitado e cinta de
ferro no concreto para manutenção da estrutura.

Para o manejo do sistema;
Com parede central de tijolos e canos de PVC: - devemos destampar os canos de
cima para baixo até o total esvaziamento ele serão deslocados para dentro da
parte alagada de onde serão recolhidos. A altura que devem ficar os tubos é 0,2 m
do fundo, a 1/3 da altura da coluna de água e a 2/3 da coluna de água.
Em ambos os casos o uso de telas para evitar a fuga de peixes é recomendado.
Esta tela tem a função de manter o nível máximo de água do sistema.
a) Solo:
O indicado é o solo argilo-arenoso, que tenha 75% de argila e 25% de
areia, sendo o ideal o argiloso. Este solo permite uma boa compactação do
fundo e da taipa.
Outros solos podem trazer problemas como a acidez e não segurar a água.
Os solos com muita matéria orgânica (turfosos) normalmente necessitam
grandes quantidades corretivas (cal e calcário) e dão como resultado os
açudes com água escura (preta). O maior problema são os solos arenosos
ou que são formados por saibro. Estes não seguram a água e são de
compactação quase impossível.
Não é indicada a construção de açudes com estas características negativas,
a não ser que o proprietário assuma os riscos e seus custos, pois vários
casos tem solução. Entre as soluções possíveis para os açudes que não
seguram água, pode-se citar:
Serragem:
 Entupir o açude com serragem em grandes quantidade pode ser uma
alternativa barata e eficiente. Porém os peixes irão sofrer até que este
acúmulo de matéria orgânica se mineralize. Nem sempre dá bons
resultados.
Solo cimento:
 Uma forma de evitar a infiltração é preparar uma massa de três partes de
solo argiloso peneirado, com uma parte de cimento. É uma alternativa
muito boa para pequenos açudes, pois a mão-de-obra é trabalhosa e tem
custos altos com o cimento.
 Para a proteção das fontes de abastecimento de água potável, é
excelentes alternativa.
Tela cimentada:
 É uma técnica nova de engenharia que semelhante ao estuque, utiliza
uma tela fina que recebe chapisco, massa e arremate com uma espessura
entre 2,5 cm (uma tela) e aproximadamente 10 cm (com duas telas).
 A tela é fixada a uma malha de ferro fino do tipo usado para estribo de
pequenas vigas.
 A estrutura reproduz a resistência da casca de ovo e somente é funcionar
se for arredondada, não possuindo cantos.
 É uma técnica cara, porém mais econômica que a alvenaria convencional.
Lona plástica:
 Utiliza-se lona plástica de 200 micras que reveste o fundo e as taludes do
açude e onde as emendas são feitas por dobradura enterrada em
pequena valeta. Depois é colocada uma camada de 20 cm de terra sobre
toda a lona.


Para o uso desta técnica, os taludes não devem ter uma grande
inclinação; o açude dever ser cercado pois não é possível o acesso de
qualquer animal.
Esta alternativa de solução de vedação possibilita a retenção de água e
também a piscicultura.
III – CRIAÇÃO DOS PEIXES:
Peixe como alternativa de produção para pequenas propriedades rurais:
 O preço do pescado no mercado é e sempre foi bastante alto e, este custo, está
diretamente relacionado à armazenagem. Desta forma o pescado “in natura”
apresenta-se como ótima alternativa para conquistar o mercado, pois se o seu
custo for cotado em 50% do custo do peixe congelado, ainda haverá lucro na
comercialização.
 Para uma propriedade rural a criação de peixes à princípio representa uma fonte
extra de alimento de subsistência, como também a comercialização dos excedentes
poderá representar ganhos.
 O aproveitamento de resíduos alimentares é a melhor vantagem que se poder ter
para criação.
 O tempo que se gasta na manutenção de um açude é em torno de 10 minutos por
dia. Certamente haverá momentos em que o tempo gasto será maior, porém
haverá muitos dias onde não se gastará praticamente nada.
 O consórcio piscicultura com quaisquer animais como bovinos, eqüinos, suínos ou
aves é benéfico, desde que seja respeitada a qualidade da água, ou seja, as
quantidades de esterco não devem ultrapassar as necessidades de adubação
orgânica da água.
 A quantidade de esterco (adubo orgânico) que um açude pode receber é variável
em função da rapidez em que serão absorvidos. Como linha geral abaixo de 15ºC,
praticamente não se faz adubação em açudes que não tenham condições de
renovação de água.
 A biografia faz recomendações que devem servir como ponto de partida aos
produtores, que conforme o potencial do seus açudes poderão ser alterados.
 A UFSM ( Universidade Federal de Santa Maria ) em seu setor de piscicultura, no
ano de 1984, utilizada as seguintes recomendações:
 Esterco de suínos: 2.000 kg/ha/mês – Colhido no chiqueiro e lançado
diretamente (úmido) nos açudes.
 Esterco de aves: 500 a 1.000 kg/ha/mês – Já curtido e aventado para
eliminação do nitrogênio.
 Esterco de bovinos: 3.000 kg/ha/mês – Já curtido, colocado nas margens
para ser carreado lentamente ou parte colocado diretamente.
 Estas adulações eram realizadas semanalmente e durante os meses
onde a temperatura média da água superava os 18ºC.
 Criação de carpas:
Existem diversas espécies de carpa, as encontradas no Brasil hoje, são:
 Carpa de escama ou comum (USA);
 Carpa espelho (variedade real que veio da Alemanha);
 Carpa colorida (Japão);
 Carpa húngara (Hungria);
 Carpa cabeça-grande (China);
 Carpa prateada (China);
 Carpa capim (China);
A temperatura ideal para criação está entre 24 e 28ºC. Abaixo de 20ºC não se
reproduz e abaixo de 4ºC para de alimentar-se.
Na fase juvenil (até 100 a 150 g) necessita de alimentos com 30% Pb (Proteína
bruta) e 3.200 Kcal (kilocalorias) de EM (Energia Metabolizável) por quilo. (Pereira
Filho, et. al., 1978).
É um peixe prolífero, uma fêmea com um kg elimina de 100 a 150.000 ovos no
período de reprodução (meses quentes a partir da primavera). Seu sistema de desova
é total, podendo ocorrer mais de uma vez por período de reprodução.
Em média a reprodução ocorre a partir do segundo ano de vida e as melhores
desovas são provenientes de fêmeas com mais de 2,5 kg de peso. Os machos já
apresentam esperma no primeiro ano de vida.
Dicas de Piscicultura
As tendências de aumento de temperatura e número de horas dos dias nos leva
a dar maior atenção à criação de peixe.
A própria natureza nos mostra isto uma vez que a partir de setembro já ocorreu
as primeiras desovas e em outubro a oferta de alevinos para repovoamento de açudes
se repete anualmente.
Um dos fatos que preocupam é a alta mortalidade de alevinos ( filhotes de
peixes ) que ocorre. Muitos produtores já ficaram frustrados e trouxeram seu
descontentamento por encontrarem 40% ou menos, em casos mais graves, do
número de peixes colocados nos açudes.
Vários podem ser os fatores que concorrem para que isto ocorra, mas
produtores podem tomar certos cuidados que irão reduzir de modo eficiente estas
mortalidades:
- realizar a secagem total do tanque e retirar de todos os peixes;
- proceder a desinfecção do fundo do tanque ou açude com 10 dias de exposição ao
sol e/ou aplicação de cal virgem;
- fertilizar o fundo com adubos orgânicos ( que tem efeito mais lento ), utilizando os
químicos conforme recomendações;
- quinze dias antes de receber os alevinos, encher o tanque ou açude com 1/3 de
seu volume de água;
- introduzir os alevinos com orientação técnica, sabendo se as características de
qualidade da água do açude estão compatíveis com as do lugar aonde os alevinos
foram criados..
Na introdução dos alevinos observar:
1) Equilíbrio da temperatura – manter as embalagens 20 – 30 minutos sobre a água
do açude ( na sombra ) para que a temperatura seja a mesma do açude. 3ºC de
diferença já servem para provocar choque térmico e provocar mortalidade.
2) Equilíbrio do pH – quando houver diferença de mais de dois pontos na escala,
entre a água do transporte e a água do tanque ou açude esta mudança deve ser
lenta, pois também causa estresse. Para que não hajam problemas recomenda-se
que a adaptação seja de 30 minutos para cada ponto
3) A água de transporte dos alevinos também é um veículo de contaminação,
principalmente de parasitas externos. Durante o transporte de adaptação de pH e
temperatura sempre for necessário retirar água das embalagem, estas devem ser
colocadas fora do açude. No momento de liberar os alevinos no açude toda a água
da embalagem de transporte deverá ser escorrida fora
4) Cuidado com os predadores – as rãs, cobras, pássaros pescadores, tartarugas e
outros constituem também uma possibilidade de perda de alevinos, procure um
técnico da EMATER para maiores orientações.
Doenças Comuns
Gostaríamos de ressaltar que as chances de peixes ficarem doentes são muito
pequenas, desde que providencias de prevenção sejam tomadas, tais como: Higiene,
observar bem os peixes na hora da compra e de confiança com procedência. Mesmo
assim, peixes estão sujeitos a adquirir uma doença e aí tentamos relatar as mais
comuns doenças de Peixes , quais sintomas e providencias a serem tomadas.
Ictio:
Causado por protozoário, perfura rapidamente a epiderme e se estabelece
entre a ciclo epiderme e a derme, deixando um ponto branco . De fácil diagnóstico,
Parasita de reprodutivo dentro e fora do peixe. Infectam em pouco tempo. Geralmente
atacam peixes com baixa resistência, ou introduzidas a pouco. Deixe em temperatura
alta por volta dos 29 a 30 graus, introduza sal grosso, 15g a cada 10 litros por curto
período de tempo, 10 dias, (lembre sempre que o sal não é muito benéfico as
coridoras e peixes de couro), isso deve melhorar, eliminar o parasita. o Ictio é uma
doença que geralmente pode atacar pela baixa resistência do peixe pelo transporte,
mas não devemos nos desesperar, pois em pouco dias notaremos que ele
desaparecerá , assim que o peixe adquirir uma resistência melhor, não esquecendo
de aumentar a temperatura... Acredito que poderemos comparar a uma "gripe" que
nós seres humanos estamos sujeitos , claro que até uma gripe pode ser fatal quando
não cuidada...
Fungos:
Maiores causadoras de doenças em peixes, maioria ataca a pele, peixes
debilitados, com strees, por muita manipulação são seriamente sujeitos a adquirir
fungo, nas infeções causadas por traumatismo, lesões e brigas. O risco está em
atingir os olhos, podendo até afetar o cérebro. Devemos adquirir imediatamente um
remédio nas lojas especializadas, seguindo as recomendações do fabricante, sempre
usando um tanque hospital , para evitar novas lesões e contaminação do peixe.
Odium:
pillularis - Doença de 'poeira dourada' vulgarmente chamado. Ataca
principalmente alevinos e peixes novos, ataca quase todas as espécies de peixes
tropicais, Doença muito contagiosa, e se espalha rapidamente, produzindo uma perda
total dos peixes. Apresenta sinais parecidos do Ictio, em seguida apresenta uma
camada na pele em forma aveludada, branco ou amarelo. Nota-se um emagrecimento
e muita excitação do peixe. Retirar os peixes afetados, Pode ser usado como
medicamento o azul de metileno 5ml p/ 5 litros. Doença de difícil cura pela rapidez da
contaminação. Existem excelentes remédios importados para a tentativa de cura,
lembrando que deve-se seguir rigorosamente a bula dos fabricantes.
Tuberculose:
Esta doença é simplesmente uma das mais temidas, pode acabar com um
aquário inteiro caso não diagnosticado rapidamente, o peixe fica magro, com falta de
apetite, destruição das nadadeiras, deformação da coluna, nado obliquo, o peixe fica
desgovernado, Até o momento não se tem cura, devemos sacrificar o peixe sem dó,
pois a doença pode ser transmitida facilmente pela alimentação e pode-se correr o
risco de perder o aquário Todo!
Hidropsia:
Doença causada por uma bactéria, Aeromonas Punctatos, o peixe fica com o
abdomêm muito inchado, pára de se alimentar. nada em círculos, pode ficar com
escamas eriçadas, destruição de nadadeiras, manchas vermelhas em todo o corpo.
Muito difícil a cura, ainda não é conhecida um remédio realmente eficaz para essa
doença.
Fungo nos olhos (pop-eye):
Os olhos ficam encobertos ou projetados (pop-eye). Pode se tornar mais
severo caso não seja tratado, pois ocorre infecção também por bactérias, além do
peixe desenvolver tuberculose. As vezes ocorre devido a quantidade excessiva de
matéria em decomposição na água. Tratamento: Deve ser feito com associação de
antifúgicida e antibiótico.
Nadadeiras Degeneradas:
Uma das causas desta doença é a alteração de pH, geralmente ácido. Outro
fator, mais preocupante, é a falta de higiene e a qualidade do alimento oferecida,
causando má condição da água e desnutrição, respectivamente. Estes fatores podem
ainda serem portas de entrada para outras doenças.
Cóstia:
Causado por três protozoários (Chilodonella, Costia (ichtybodo) e Cyclochaeta
(Trichodina) afetando a pele causando um embaçamento das cores, produção
excessiva de muco e debilidade. Em estágios mais avançados atingem as guelras
causando a morte do animal. O surgimento desta doenças ocorre devido a quedas de
temperaturas na água. Tratamento com remédios apropriados.
Hexamita:
O agente etiológico da doença é o Hexamita, protozoário flagelado.O nome
"Parasita do Disco". Existe uma doença chamada "Hole-in-the-head" (dç. do Buraco
na cabeça), frequentemente observada em Discos, Acarás, Oscar e outros Ciclídeos,
associando-se a presença do Hexamita, bem como a infecções bacterianas,
desnutrição, aquário sujo, além do uso de carvão ativado. Em muitos peixes a
infecção é inaparente, acometendo espécimes jovens. Por isso, quando observarmos
um peixe muito emagrecido devemos pensar, além dos distúrbios alimentares,
primeiro em Tuberculose e depois em Hexamita. Outro sinal observado na doença é o
escurecimento da pele. TRATAMENTO: A prevenção faz-se através da boa
alimentação, a qual evita lesões intestinais. Manter limpo e higiênico seu aquário. A
doença tem cura e deve ser adquirida seu medicamento em lojas especializadas...
Parasita do Disco:
É um protozoário presente no intestino nas espécies de Disco. Dissemina-se
lentamente para outros peixes. Sinais: causa doença inflamatória intestinal. O parasita
é detectado pelo exame microscópico do animal sacrificado. Tratamento:
Metronidazol pode ser eficaz.
Acidose:
Água ácida. Muitas espécies de peixes convivem bem em águas ácidas, outros
preferem águas alcalinas (pH > 7.0) ou neutras. Daí a importância de conhecermos o
pH ideal de cada espécie e mantermos monitorizado o aquário quanto ao pH.
Grandes acidoses podem levar à morte lenta ou rápida dos peixes que não convivem
em meio ácido. Os peixes morrem em posição natural, muitas vezes escondidos entre
as plantas. Sinais: observamos aumento na freqüência respiratória, boquejamento,
opacificação e depósitos de cor cinza nas brânquias, vegetações e secreção mucosa
(de muco) nas brânquias, escamas eriçadas, nadadeiras fechadas, pele avermelhada
e peixes que nadam em círculos.
Ascite Infecciosa (septicemia hemorrágica):
A doença é própria dos ciprínideos: Barbus, Brachydanio, Danio, Tanichthys.
Sinais: olhos saltados ou olhos fundos, ânus avermelhado e prolapsado (deslocado
do seu lugar habitual, caído), líquido amarelado (em alguns casos aquoso ou claro) na
cavidade abdominal, fígado amarelado ou castanho-amarelado ou cinza-esverdeado,
inflamação do intestino e bexiga natatória. TRATAMENTO: Devemos criar condições
para uma boa resistência e imunidade e as boas condições de higiene decidem o
curso da doença. Isolar o peixe doente.
Ferimentos:
Em meio natural, as lesões traumáticas resultam geralmente de ataques de
predadores. Essa lesões cicatrizam facilmente, a não ser que exista uma infecção
secundária na lesão. Os ataques de predadores ocorrem por incompatibilidade entre
as espécies ou lutas pelo território quando se introduz um peixe novo. As lutas entre
machos da mesma espécie são bem conhecidas, ou por falta de adaptação de peixes
em geral, sofrem lesões na pele como hematomas , hemorragias, nadadeiras
destruídas. TRATAMENTO: Isolar o peixe, Permanganato de potássio a 2%, pincelar
o ferimento com Tintura de iodo, oferecer pouco alimento.
Fonte: Emater-RS/Ascar
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