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Eider Freire Varela

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Eider Freire Varela
Observação
Solicitamos aos eventuais leitores que, caso disponham de outras informações que possam
enriquecer este verbete, favor encaminhá-las à Fundação José Augusto através do seu
Centro de Estudos e Pesquisas Juvenal Lamartine-CEPEJUL, situado na Rua Jundiaí, 641,
Tirol, CEP 59020-120, ou, pelo E-mail [email protected]
Eider Freire Varela
Agronômo
Surgiu como uma das mais promissoras lideranças políticas do Rio Grande do Norte, na década de
1950, mas encerrou sua vida pública com apenas um mandato parlamentar de deputado federal (1954-1958),
quando tinha todas as condições para exercer uma liderança sólida na política. Alto, bonitão, elegante, Eider
enchia os olhos do eleitorado por sua postura, além de excelente orador.
Cursou os três primeiros anos de Agronomia na Faculdade de Lavras, em Minas Gerais, considerada
uma das melhores escolas do país, na época, mas concluiu o curso pela Universidade Federal de
Pernambuco, em 1945. Retornou a Natal, onde se casou com sua prima Ione, filha do usineiro Luís Lopes
Varela, cafeísta histórico, com atuação política marcante.
A convite do sogro, foi diretor da usina São Francisco, no Vale do Ceará-Mirim, de onde saiu para a vida
pública, depois que Café Filho foi eleito vice-presidente da República, assumindo posteriormente a Presidência,
em razão do suicídio de Vargas em 24.08.1954. Começava, então, sua carreira política.
Foi nomeado, a pedido de Café, ainda no governo Vargas, diretor do Fomento Agrícola no Rio Grande
do Norte, o equivalente hoje à Delegacia Regional do Ministério da Agricultura. No cargo, Eider articulou sua
candidatura, contando com o respaldo do sogro Luiz Varela e o apoio integral do vice e posteriormente
presidente da República, amigo pessoal e correligionário da família Varela. Seu trabalho no Fomento viabilizou
sua pretensão de ingressar na vida política norte-rio-grandense.
Candidatou-se a deputado federal pelo PSP (Partido Social Progressista), com o apoio ostensivo de
Café Filho, já no exercício da Presidência da República. Fez uma campanha cara e inovadora para a época.
Criou fatos novos na maneira de fazer proselitismo político. Surgiu como um relâmpago na vida pública e dela
desapareceu com a mesma intensidade.
Trouxe para a política novidades desconhecidas nos anos 50 como, por exemplo, as carreatas do
Aeroporto “Augusto Severo”, percorrendo as ruas dos poucos bairros existentes na capital. Contratou artistas
populares que antecediam os seus comícios, trazendo o povo para a praça pública, antecipando-se aos
“showmícios” criados nos anos 80 para atrair multidões. Distribuía pentes e espelhos de bolso, com seu nome
estampado atrás, objetos indispensáveis aos rapazes da época, de cabelos assentados com brilhantina.
Depois do “show”, como atração maior, surgia a figura esbelta e elegante de Eider Varela, esbanjando
charme com discursos bem ao gosto do povo, embora numa linguagem fluente, levando as multidões ao
delírio, principalmente o público feminino. Eider obteve uma consagradora votação para deputado federal, pelo
Rio Grande do Norte, na sua primeira e única eleição. Seu afastamento do Estado, com a conseqüente
desistência da vida pública foi uma grande frustração para seus eleitores.
Durante a sucessão de Sylvio Pedroza, em 1955, o presidente Café Filho, que tinha assumido o governo
após o suicídio de Getúlio, quis fazer de Eider seu candidato ao governo do Rio Grande do Norte. Dinarte
Mariz, que era o candidato natural da UDN, protelava sua decisão, alegando que sua empresa exportadora de
algodão estava passando por problemas financeiros e exigia a sua presença mais perto dos negócios.
Café, que aguardava a decisão de Dinarte, impacientou-se e deu-lhe um ultimato: “ou você aceita a sua
candidatura, ou então indicarei Eider Varela e quero o seu apoio”. Diante da encruzilhada, Dinarte resolveu
assumir a sua candidatura e recebeu o apoio do presidente Café Filho. O cafeísta Djalma Maranhão seria
nomeado prefeito de Natal pelo governador eleito.
Concluindo o mandato, isolou-se no Rio de Janeiro e nunca mais se interessou pela política. Aos amigos
correligionários que o procuravam no Rio, Eider dizia, segundo se afirmava na época, que queria apenas um
mandato, liberando-os para outras opções. Dele ficou a lembrança. Da sua figura elegante e carismática que
marcou a política do Estado nos anos 50, da qual desapareceu como que por encanto, quando tinha tudo para
marcar sua presença em vôos mais altos com o desejo de todo homem público.
Menino de calças curtas, mas curioso, assisti aos comícios de Eider Varela em Assu, arrastando
multidões e apoiados pelo ex-prefeito Manoel Pessoa Montenegro (Manezinho), pai do ex-deputado Olavo
Montenegro. Pude revê-lo 30 anos depois, no Palácio Potengi, durante uma audiência que solicitou ao então
governador José Agripino, durante seu primeiro mandato, para tratar de assuntos empresariais em CearáMirim, onde era plantador e fornecedor de cana de açúcar.
A elegância era a mesma, o corpo esguio e bem cuidado. O cabelo cuidadosamente penteado, sem um
fio revolto fora do lugar. O terno bem cortado e uma conversa agradável chamavam a atenção de todos que
estavam presentes no salão de despachos do Palácio. As funcionárias mais jovens perguntavam quem era
aquele homem charmoso que, apesar da maturidade, provocava-lhes a atenção. Nasceu em Ceará Mirim, no
dia 07.03.1922, e faleceu no Rio de Janeiro, em 27.01.2004, aos 81 anos de idade, onde residia com
familiares.
Dois anos após sua morte, a prefeita de Ceará-Mirim, Edinólia Melo inaugurou em fevereiro de 2006, na
Avenida Luiz Lopes Varela, a praça Eider Varela, em homenagem ao ex-deputado federal que nasceu naquela
cidade. Proprietário do Engenho Igarapé, que produzia açúcar bruto, vinha todo ano inspecionar o andamento
da produção até vendê-la ao empresário Geraldo Melo.
Nesse período freqüentava a praia de Muriu para o reencontro com familiares e amigos. Nos anos 50,
Eider Varela foi um dos primeiros veranistas a usar uma moderna lancha para conhecer as belezas naturais do
“buraco da velha”, hoje uma das atrações turísticas daquela praia. Somente quando se fixou no Rio de Janeiro
e não tinha mais negócios em Ceará-Mirim, foi que deixou de freqüentar a cidade e a praia. Esporadicamente,
quando vinha a Natal, hospedava-se na casa do tio Edgar Varela, ex-prefeito da cidade onde ele nasceu.
No Rio, Eider morava na Avenida Rainha Elizabeth II, esquina com a Atlântica, um dos espaços mais
caros e valorizados da “cidade maravilhosa”, onde vive a burguesia carioca. Além de outras atividades
empresariais, investia seus rendimentos, como venda de imóveis, nas aplicações do mercado financeiro e na
bolsa de valores, no qual era especialista. Convivia com a sociedade local, e seu apartamento era ponto de
encontro de homens de negócio, em requintados jantares, promovidos pelo casal Eider e Ione Varela. Era um
gentleman que soube aproveitar as chances que a vida lhe deu.
Segundo seu cunhado, Roberto Varela, ex-prefeito de Ceará-Mirim, Eider o ajudou muito, quando ele
governava aquele município, conseguindo a liberação de verbas para construção de estradas e do primeiro
hospital maternidade de Ceará-Mirim, cujo primeiro diretor foi o médico Murilo Barros, que posteriormente foi
também prefeito da cidade. “Todas as obras importantes da cidade daquela época tiveram a participação de
Eider”, conclui Roberto Varela.
Extraído do livro “Resgate da Memória Política”, de autoria de João Batista Machado, Natal-RN, Departamento Estadual de Imprensa, 2006, 452 ps.
Maria Antonieta Pereira Varella
Por Denise Gaspar
Filha de Maria Madalena Antunes Pereira e Olímpio Varella Pereira,
Maria Antonieta Pereira Varella nasceu em Ceará-Mirim no dia 09 de maio
de 1906.
Fez seus primeiros estudos com a professora Adele de Oliveira e
depois na Escola Doméstica de Natal, tendo se destacado sempre pela sua
inteligência, educação, discrição, beleza e simplicidade.
Casou no dia 01 de maio de 1924 com Luiz Lopes Varella, primo,
fidalgo de nascimento e logo usineiro de sucesso, prefeito de Ceará-Mirim,
suplente do Senador Kerginaldo Cavalcanti, empresário, dono dos cinemas
Nordeste e São Pedro, algumas sociedades com Luiz de Barros e outras
com Jessé Pinto Freire.
Do seu casamento com Luiz Varella nasceram 5 filhos: Marilda,
Mariza, Manoel, Roberto e Ione.
1) Marilda nasceu em 31/01/1925 e casou em 1946, na usina São
Francisco em Ceará-Mirim, com o oficial de Marinha João Carlos de Freitas
Raulino. Tiveram 5 filhos: Marildinha, Luiz Eduardo, Regina Laura, Carlos
Eduardo e Branda Maria.
2) Marilza faleceu com um ano e oito meses.
3) Manoel faleceu com 8 meses.
4) Roberto nasceu em 04 de novembro de 1928 e casou-se em Natal, no ano de 1951, com Maria Elenir
Fonseca. Tiveram quatro filhos: Luiz Neto, Cinthia, Márcia e Sheila. Em 1985 uniu-se a Ana Anunciada Costa
com quem viveu até o seu falecimento em 04 de outubro de 2006.
5) Ione nasceu em 26 de janeiro de 1931 e casou em Natal em 1948, com o primo – agrônomo, depois
usineiro e deputado federal Eider Freire Varela. Tiveram três filhos: Tânia, Euler e Eudes.
Antonieta teve papel de grande destaque na vida do seu marido Luiz Lopes Varella. Quando da
Intentona Comunista em 1935, Luiz Varella, usineiro, foi paradoxalmente acusado de comunista, tendo sido
perseguido e forçado a viajar com toda a família, vivendo humildemente no bairro do Andaraí, costurando em
sua residência para o sustento de todos, inclusive sua sogra, a fidalga Dona Etelvina de Paula Lopes Varella.
Esta passagem enchia de orgulho o seu esposo, que costumava dizer à sua filha Marildinha: “Eu jamais
seria o que sou sem Antonieta – ame-a muito e sempre”.
Era excelente dona de casa, exímia na arte culinária e dotada de requinte ímpar nos menores detalhes.
Como anfitriã, recebeu com perfeição as maiores autoridades do Estado e do País, tais como os governadores
Aluizio Alves do Rio Grande do Norte, Ademar de Barros de São Paulo e o presidente da República João Café
Filho que foi seu hóspede inúmeras vezes.
Suas casas, quer na usina São Francisco em Ceará-Mirim, como em Natal, eram decoradas com a
mais requintada simplicidade, apesar das pratarias, cristais, porcelanas e quadros valiosos. Nelas, recebia não
apenas autoridades e políticos, mas também os humildes, os funcionários, os moradores, familiares e todo
aquele que precisasse de caridade ou do aconchego familiar. Suas casas eram abertas a todos, sem
discriminação de estado social.
Mas ela não era apenas uma excelente hostess. Eram inúmeras as qualidades dessa extraordinária
mulher: Dona de uma personalidade invejável e possuidora de forte caráter, foi também uma das primeiras
mulheres a dirigir automóvel no Rio Grande do Norte. Inteligente, altiva, porém, bastante sentimental e
carinhosa, era excelente filha, irmã e esposa, mãe, tia, sogra, avó e bisavó. Acima de tudo, era amiga de seus
amigos, e por isso muito bem relacionada em toda a sociedade.
Abel, Antonieta, Vicente e Ruy
Amava seus irmãos: Ruy, Vicente, Abel e Darquinha, assim como todos os sobrinhos.
Lembro-me do carinho que dedicou a minha família em 1947 quando meu pai Ruy Antunes Pereira,e
minha mãe Odette, resolveram morar em Natal. Como nossa casa estava em construção, ficamos todos –
meus pais, o afilhado Ruyzinho e eu – hospedados com os queridos tio Luiz e Antonieta. Época, em que
tivemos a honra de privar da hospitalidade desse casal ímpar, que se tornou meus compadres, padrinhos de
batismo de meu filho Sérgio Gaspar.
Como o mesmo afeto e elegância cederam a mansão da Praça Pio X, para a recepção dos casamentos
das sobrinhas Gipsy (com Dr. Antonio Montenegro) e Suely (com Dr. Emanoel Alves Afonso).
Antonieta Varella também fazia filantropia, isolada ou em grupo, ia, por exemplo, sozinha em seu
automóvel, para que ninguém soubesse, levar mantimentos aos detentos da penitenciária “João Chaves”, em
Natal.
Foi uma das fundadoras da ACF (Associação Cristã Feminina) – entidade que recebia moças que
vinham do interior para estudar em Natal. Atuou com destaque ao lado de Maria Alice Fernandes, Ivete
Bezerra, Cindinha Dumaresq e Lucia Viveiros, dentre outras. Segunda presidente, em sua gestão foi adquirida
a casa onde a associação funciona até hoje – Avenida Prudente de Morais, nº. 300.
Após perder seu marido, Luiz Varella em 15 de julho de 1976, residiu em seu apartamento no Rio de
Janeiro e voltou a morar em Natal e posteriormente em Ceará-Mirim, onde faleceu em 20 de janeiro de 1990.
Eleita por um jornal da Paraíba como “EXCELSA IMPERATRIZ DA FORMOSURA”, pode ser
considerada, pelas suas atitudes e pelo seu caráter, a – “GRANDE DAMA DOS VERDES CANAVIAIS E DO
RIO GRANDE DO NORTE”!
Jailton Augusto da Fonseca
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