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Artigo 4.p65
Turismo - Visão e Ação - volume 5 - n.1 - jan/abr 2003
Turismo e Responsabilidade Social –
Uma Reflexão sobre os Direitos das Pessoas com
Necessidades Especiais1
Tourism and Social Responsibility – A Reflection on the
Rights of People with Special Needs1
Yolanda Flores e Silva*
Yolanda Irene Keller Boia**
Resumo
Abstract
O artigo faz uma reflexão sobre o turismo com
responsabilidade social, ao discutir a temática a
partir do enfoque da sociabilização das pessoas
que, em caráter permanente ou provisório, são
portadoras de necessidades especiais. Discute
também o que seja sociedade inclusiva e turismo
inclusivo: uma sociedade onde o turismo é
redimensionado, aberto a todas as pessoas,
oferecendo espaços acessíveis e adequados e
dispondo de recursos humanos capacitados
para o atendimento, o que requer mudanças
comportamentais e atitudinais que diminuam
o preconceito em relação às pessoas com
necessidades especiais e evitem a segregação.
This article is a reflection on socially responsible
tourism, and discusses the theme from a
perspective of socialization of people with special
needs, whether of a permanent or temporary nature.
It also discusses the concepts of inclusive society
and inclusive tourism: a society where tourism is
approached in a new way, where it is open to all,
offering spaces that are accessible and suitable and
providing human resources that are specially
trained to deal with these people. This requires
changes in behavior and attitudes, to reduce
prejudice towards people with special needs, and
avoid segregation.
Palavras-chave: Responsabilidade Social, Turismo, Deficientes - Serviços, Inclusão Social, Direitos Humanos.
Key words: Social Responsability, Tourism, Disabled
Persons - Services, Social Inclusion, Human Rights.
1. TURISMO E DIREITOS:
CONSIDERAÇÕES INICIAIS
1. TOURISM AND RIGHTS:
INITIAL CONSIDERATIONS
“Iguais, porém diferentes”.
Esta frase expressa um dos pontos-chaves
dos estudos culturais nos últimos anos, que é a
questão da diferença, o que na Antropologia
“Equal, but different”.
This phrase encapsulates one of the key
aspects of cultural studies in recent years, which is
the question of difference, which in Anthropology
*Doutora em Filosofia da Saúde, Docente e Pesquisadora do Mestrado em Turismo e Hotelaria da Universidade do Vale
do Itajaí – UNIVALI.
Doctor of Philosophy and Health, Teacher and Researcher for the Master’s Degree Program in Tourism and Hotel
Management at the University of Vale do Itajaí – UNIVALI.
**Mestre em Turismo e Hotelaria, Docente e Pesquisadora do Curso de Graduação em Fonoaudiologia da Universidade do
Vale do Itajaí – UNIVALI.
Master in Tourism and Hotel Management, Teacher and Researcher for the Undergraduate Program in Speech Therapy
and the University of Vale do Itajaí – UNIVALI.
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Yolanda Flores e Silva e Yolanda I. Keller Bola - Turismo e Responsabilidade Social - Uma Reflexão sobre os Direitos das Pessoas com
Necessidades Especiais
denominamos de alteridade.2 Como é possível
tratar das diferenças em meio ao que se
denomina de multiculturalismo3 ? Observando
muito concretamente, a diferença é uma realidade,
mesmo que perante as leis devamos ser tratados
com igual dignidade e respeito.
Mas, como tudo neste país, desde quando as
leis são colocadas em prática? Desde quando
negros, mulheres, crianças, velhos, deficientes,
pessoas faveladas, entre muitas outras minorias,
são tratadas como os outros “iguais” que estão no
alto da pirâmide social?
As diferenças, que deveriam ser utilizadas
para garantir a igualdade de direitos e deveres, são
muito pouco refletidas, discutida e até mesmo
questionadas, naquelas “igualdades” discrepantes,
que alteram ou aumentam as diferenças sociais,
culturais e econômicas que vivenciamos.
É muito importante, portanto, iniciar este
artigo discutindo os direitos humanos e universais
relacionados ao turismo, este fenômeno que atua
frente a frente com o pluralismo étnico e cultural,
que ultrapassa fronteiras, disseminando idéias e
valores culturais.
Embora o turismo ainda seja observado a
partir de um enfoque predominantemente econômico,
no qual o lazer e as viagens são vendidos como
mercadorias, transformando os turistas em meros
consumidores, existe, na atualidade, um movimento
dentro da área que imagina um turismo mais
abrangente, no qual a auto-realização e conhecimento
sejam também prioridades para quem planeja e faz
turismo.
Desta forma, o turismo está sendo revisto em
suas características e potencialidades, tentando
responder, antes de qualquer coisa, às necessidades
e fatores psicológicos, políticos, sociais, culturais e
morais (BOULLÓN, 1998)4 das pessoas que
chamamos de turistas. Estes, por sua vez, estão mais
exigentes e, conforme Krippendorf (1989)5 , partem
do princípio de que suas necessidades básicas
ligadas aos serviços oferecidos serão perfeitamente
satisfeitas, e exigirão entre outras coisas, o
atendimento de suas necessidades sociais, como
por exemplo, a inclusão com outras pessoas, com o
propósito de realizarem, por meio de experiências
criativas ou culturais, descobertas e amizades,
enfim, a ampliação de seus horizontes contextuais.
Neste sentido, saímos daquela perspectiva de
turismo como mercadoria, e passamos a vê-lo como
um fenômeno social, onde a sociabilidade e a cultura
levam a um campo de aprendizado e experiências
que podem levar à união e não ao desequilíbrio, tão
comum no modelo turístico fordista onde, entre os
muitos desequilíbrios possíveis, está o modelo de
tensão cultural e social entre turistas, planejadores
e anfitriões (DONAIRE, 1998).6
É sob o enfoque de sociabilização que o
turismo para a pessoa portadora de necessidades
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we term alterity.2 How is it possible to deal with the
differences in an environment which is labeled
multiculturalism3 ? Observing in concrete terms, the
difference is very real, even though by law,
everybody should be treated with equal dignity and
respect.
But, as with everything in this country, since
when have the laws been put into practice? Since
when have black people, women, children, the
elderly, people with disabilities, inhabitants of
slums and many other minority groups, been treated
the same as the other “equals” at the top of the
social pyramid?
These differences, which ought to form the
basis for ensuring equality of rights and obligations,
have been little reflected upon, discussed or even
questioned, in terms of those discrepant
“equalities” that alter or increase the social, cultural
and economic differences that we experience.
It is very important, therefore, to begin this
article by discussing human and universal rights as
they relate to tourism, a phenomenon which is at the
vanguard of ethnic and cultural pluralism, crossing
frontiers and disseminating cultural ideas and
values.
Although tourism is still seen from a
predominantly economic perspective, in which
leisure and travel are sold as goods and tourists are
transformed into mere consumers, there is also a
trend nowadays towards a wider image of tourism,
in which self-realization and knowledge are also
priorities for those who plan and practice tourism.
Thus, tourism is undergoing a revision in
terms of its characteristics and potential, in an
attempt to meet, above all, the psychological,
political, social, cultural and moral needs and
factors (BOULLÓN, 1998)4 of those whom we call
tourists. These people, in turn, have become more
demanding and, according to Krippendorf (1989)5,
take for granted the principle that their basic needs,
linked to the services offered, will be perfectly met,
and will demand, among other things, that their
social meets are met, such as meeting other people,
with the aim of making new discoveries and forming
friendships, through creative or cultural experiences,
in short, to widening their contextual horizons.
In the sense, we depart from that view of
tourism as a commodity, and begin to view it as a
social phenomenon, where sociability and culture
lead to a field of learning and experiences that can
lead to harmony, and not the imbalance that is so
common in the Fordist model of tourism which
includes, among the many possible imbalances, the
model of cultural and social tension between
tourists, planners and hosts (DONAIRE, 1998).6
It is from this perspective of socialization that
tourism for people with special needs is understood
Turismo - Visão e Ação - volume 5 - n.1 - jan/abr 2003
especiais será entendido neste estudo. A análise se
insere na perspectiva pós-fordista, que se caracteriza
pela renovação, a responsabilidade social com
turistas e anfitriões e por uma possibilidade de
definir melhor os conceitos e as práticas dos
direitos humanos. O turismo, neste novo “olhar”,
segundo moldes que ultrapassam as estratégias
tradicionais, procura, a partir do respeito as
igualdades mesmo nas diferenças, diminuir o
reducionismo e o elitismo tão comuns no modelo que
apresentou o turismo ao mundo (CAMPÊLO, 2001).7
in this study. The subject is analyzed from a postFordist perspective, which is characterized by
renewal, social responsibility with tourists and
hosts and an opportunity to better define the
concepts and practices of human rights. Tourism
within this new “look”, which follows models that
go beyond the traditional strategies and seeks to
lessen, through a respect for equality in spite of
differences, the reductionism and elitism that are so
common in the model that presented tourism to the
world (CAMPÊLO, 2001).7
A PESSOA PORTADORA DE
NECESSIDADES ESPECIAIS
THE PERSON WITH SPECIAL
NEEDS
Existem diferentes termos que fazem referência
às pessoas portadoras de necessidades especiais:
aleijado, deficiente, defeituoso, paralítico, deformado,
excepcional, inválido, entre muitos outros. Estes
nomes retratam a percepção que se tem dessas
pessoas e os pré-julgamentos e rótulos que
reforçam situações de discriminação, segregação e
marginalização.
De acordo com Ribas (1993)8, muito do que
falamos faz parte da imagem que construímos ao
longo de nossas vidas sobre o que seja a deficiência
e sobre quem são essas pessoas com deficiências.
Essas imagens são permeadas por concepções que
adquirimos socialmente, nas quais a deficiência é
vista a partir de um prisma distorcido. Com isto
passamos a ter atitudes influenciadas por estas
imagens.
Na intenção de definir melhor o que é uma
pessoa deficiente e distingui-la de outra não
deficiente, a Organização das Nações Unidas (ONU),
na assembléia geral de nove (09) de dezembro de
1975, homologou a primeira “Declaração dos
Direitos das Pessoas Deficientes”, que em seu
artigo primeiro, diz:
Different terms are used to refer to people with
special needs, e.g. cripple, disabled, defective,
paralytic, deformed, exceptional and invalid, among
many others. These names reflect the view that is
held of these people and the prejudices and
labels that reinforce situations of discrimination,
segregation and marginalization.
According to Ribas (1993)8 , much of what we
say forms part of the image that we construct
throughout our lives concerning what is disability
and who are these disabled people. These images
are permeated by ideas that we acquire socially, in
which disability is seen from a distorted
perspective. Our attitudes then become influenced
by these images.
In order to better define what is a disabled
person and distinguish him or her from a nondisabled person, the United Nations Organization
(UNO), in its general assembly of 9th December
1975, ratified the first “Declaration of Rights of
Disabled Persons”, which in its first article states:
“O termo pessoa deficiente refere-se a qualquer pessoa
incapaz de assegurar por si mesma, total ou parcialmente as necessidades de uma vida individual ou social
normal, em decorrência de uma deficiência, congênita
ou não, em suas capacidades físicas ou mentais”.
(FIGUEIRA, 1995:35)9
A partir daquela data, outras definições foram
apresentadas na tentativa de esclarecer melhor e
uniformizar o uso de determinados termos, tendo
sido apresentada à comunidade internacional, pela
Organização Mundial da Saúde (OMS), em 1980,
uma Classificação Internacional com os termos
relacionados à deficiência. Apesar da boa intenção,
a ONU e a OMS não conseguiram diminuir a
ambigüidade e o preconceito expresso na linguagem
das definições que se seguiram à primeira declaração
em 1975.
Conforme Figueira (idem), as classificações
que se seguiram continuaram sendo preconceituosas
“The term disabled person refers to any person who is
incapable of ensuring by himself or herself, wholly or
partly, the necessities of a normal individual and/or
social life, as a result of some deficiency, congenital
or otherwise, in his or her physical or mental
capabilities”. (FIGUEIRA, 1995:35)9
Since then, other definitions have been
presented in an attempt to clarify and bring
uniformity to the use of certain terms. In 1980, an
International Classification of terms relating to
disability was presented to the international
community by the World Health Organization
(WHO). In spite of their good intentions, the UNO
and the WHO did not manage to lessen the
ambiguity and prejudice expressed in the language
of definitions that followed the first declaration
in 1975.
According to Figueira (idem), the
classifications that followed continued to be
prejudiced because they presented people with
disabilities as incomplete beings, unable to perform
their daily activities satisfactorily. This occurred
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Yolanda Flores e Silva e Yolanda I. Keller Bola - Turismo e Responsabilidade Social - Uma Reflexão sobre os Direitos das Pessoas com
Necessidades Especiais
porque apresentavam a pessoa portadora de
deficiência como um ser incompleto que não
desempenhava de forma satisfatória suas funções
cotidianas. Isto porque a palavra “deficiência”
possui um significado social que se opõe ao de
“eficiente”, quando relacionada às pessoas com
alterações físicas, sensoriais ou mentais. A produção
da noção de incapacidade fica ligadaàa não
capacidade e à falta de eficiência e aptidão para o
trabalho, à educação e qualquer outra atividade.
Segundo Werneck (1997)10 , é importante
ressaltar que deficiência não é doença, é um
processo que pode ser transitório ou permanente,
não necessariamente em progressão constante.
Mas, o que seriam, portanto, as pessoas
portadoras de necessidades especiais? De acordo
com Sassaki, o termo refere-se a pessoas:
“que – em caráter temporário ou permanente –
possuem necessidades decorrentes de sua condição
atípica e que, por essa razão, estão enfrentando
barreiras para tomar parte ativa na sociedade com
oportunidades iguais às da maioria da população”.
(SASSAKI, 1997:15)11
Observando esta definição, percebemos que
as necessidades especiais podem resultar de
condições atípicas, tais como: deficiência mental,
física, auditiva e múltipla; dificuldades de
aprendizagem; insuficiências orgânicas; problemas
de conduta; distúrbios emocionais e superdotação
(SASSAKI,idem), havendo em muitas áreas a
ampliação deste conceito, considerando-se grávidas,
velhos, obesos, entre outras possibilidades, como
pessoas em estados provisórios ou permanentes de
necessidades especiais.
Para nós, a terminologia e conceituação
adotada – pessoas portadoras de necessidades
especiais – em seu caráter mais descritivo do que
valorativo, centram o problema na situação
vivenciada e não na pessoa. Conforme Telford e
Sawrey (1988:88)12 , quando o problema “é centrado
na situação, sua correção é direcionada no sentido
de mudança do sistema sócio-econômico-cultural”,
isto significa dizer que não se tentará buscar as
soluções através da modificação da pessoa como é
comum em nossa sociedade ocidental. De acordo
com Amaral, (1999:241)13 “cada um de nós que vive
a condição de diferença/deficiência precisa e quer
ser reconhecido nela mas não identificado com ela”.
2.1. Vivendo Com a Diferença: Percurso Histórico
da Segregação
Em diferentes momentos da história da
humanidade, várias foram as atitudes assumidas em
distintas sociedades em relação às pessoas com
necessidades especiais. Essas atitudes, em
diferentes momentos e contextos, refletiam e
refletem a estrutura econômica, social, política e
cultural que vivenciamos em nosso cotidiano.
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because the word “disabled” has a social meaning
that is opposed to “able”, when used to people with
physical, sensorial or mental alterations. The
production of the notion of incapacity is linked to
non-capacity and the lack of ability or capacity to
work, learn, or perform any other activity.
According to Werneck (1997)10 , it is important
to emphasize that disability is not a sickness, it is a
process which may be transitory or permanent, not
necessarily in constant progress.
But who, then, are people with special needs?
According to Sassaki, the term refers to people:
“who – either temporarily or permanently – have
needs arising from their atypical condition and
for this reason, are confronting barriers to taking an
active part in society with opportunities equal
to those of the majority of the population”.
(SASSAKI, 1997:15)11
Looking at this definition, we see that special
needs can result from atypical conditions such as:
mental, physical, auditory and multiple disabilities;
learning difficulties; organic problems; behavioral
problems; emotional disturbances and supergiftedness (SASSAKI, idem). This concept is
widened still further if one includes pregnant
women, the elderly or obese persons, as persons in
provisional or permanent states of special need.
For us, the terminology and concept adopted
– people with special needs – in its descriptive
rather than evaluative nature, focus the problem on
the situation experienced and not on the person.
According to Telford and Sawrey (1988:88)12 , when
the problem “is focused on the situation, its
correction is directed towards changing the social,
economic and cultural system”. This means that
solutions are not sought through changing the
person, as is common in our western society.
According to Amaral, (1999:241)13 “each one of us
that lives with a condition of difference/disability
needs and wants to be recognized as having it, but
not identified with it”.
2.1. Living with Difference: An overview of the
history of Segregation
At different periods throughout the history of
humanity, various societies have held different
attitudes towards people with special needs. These
attitudes, at different times and in different contexts,
have reflected and still reflect the economic, social,
political and cultural structure that we experience in
our daily lives.
Segregation has always existed, it is nothing
new, and its victims have always been seen as
incapable because of their disabilities, as though
they were part of a sub-culture.14 Furthermore, the
Turismo - Visão e Ação - volume 5 - n.1 - jan/abr 2003
A segregação sempre existiu, não é algo novo,
e suas vítimas sempre foram vistas como incapazes
em decorrência de suas deficiências, como se
fossem parte de uma sub-cultura.14 Além disso, as
noções que se tinha sobre deficiência muitas vezes
eram relacionadas ao misticismo exacerbado, não
havendo nada de concreto ou científico para afirmar
se alguém poderia ou não realizar esta ou aquela
atividade (MAZZOTTA, 1996).15
As leis de Esparta PINTO, 1999)16 e de Roma
condenavam à morte os bebês que nasciam com
qualquer deficiência visível, como forma de
prevenção, uma vez que acreditavam que a suas
“inferioridades” seriam transmitidas para as
próximas gerações.
Na Idade Média, as pessoas que apresentavam
quaisquer diferenças físicas, eram vistas como
monstros, pessoas que contrariavam a ordem
divina, sendo que por influência das Igrejas e
ordens cristãs eram consideradas produtos do
pecado (ROSS, 1998).17
Nesta época a ambigüidade diante das
pessoas com necessidades especiais era bastante
pronunciada; ora poderiam ser consideradas como
criaturas malignas, ora poderiam ser condenadas à
fogueira ou ao exílio, por serem consideradas
malignas (ROSS,idem). Somente no período
denominado de Iluminista, é que emerge uma
mentalidade mais aberta e se iniciam estudos sobre
as pessoas deficientes e a sua adaptação ao meio
social (FONTES & LANDI, 1997).18
Mas, embora com o avanço dos estudos e da
ciência haja uma melhor compreensão da condição
orgânica e dos processos mentais que envolvem as
pessoas que vivem situação permanente ou
provisória em que têm necessidades especiais,
ainda assim, influenciados pela cultura grega
antiga, nossa sociedade busca padrões de beleza e
perfeição humana que nos induzem a sentimentos
de pena por estas pessoas. Muitas vezes, em
decorrência de serem portadores de deficiências
mais visíveis e invasivas do ponto de vista social,
muitas pessoas são segregadas em instituições
totais ou fechadas, a fim de que não causem
distúrbios entre as pessoas tidas como “normais”
(ROSS, 1998b).19 Este tipo de instituição, a nosso
ver, corrobora cada vez mais a idéia de que a
sociedade deve manter os “diferentes” isolados e
ao mesmo tempo, mantê-los sobre vigília caritativa e
assistencialista.
Mas, nas muitas mudanças de pensamento e
visão sobre esse modelo, vem ocorrendo uma
abertura muito grande, com o aumento das
possibilidades de igualdade de oportunidades para
estas pessoas. E isto não poderia ser diferente, uma
vez que nos relatórios informativos sobre a situação
da saúde no mundo, a OMS – Organização Mundial
da Saúde estimou que a população mundial no
beliefs that were held regarding disability were
often related to an exacerbated form of mysticism,
unsubstantiated by any concrete or scientific
evidence that could confirm whether someone
could or could not perform a particular activity
(MAZZOTTA, 1996).15
The laws of Sparta (PINTO, 1999)16 and Rome
condemned to death any baby born with a visible
deformity, as a form of prevention, in the belief that
this “inferiority” would be passed on to future
generations.
In the Middle Ages, those who had any kind
of physical differences were seen as monsters,
people who contradicted the divine order, and who
were considered, under the influence of churches and
Christian orders, as products of sin. (ROSS, 1998).17
In that era, the marked ambiguity towards
people with special needs was particularly
pronounced; they could be seen as malignant
creatures, even burned at the stake or exiled, as they
were seen as evil (ROSS, idem). It was only during
the so-called period of Enlightenment that a more
open mentality emerged and studies were initiated
on disabled people and their adaptation into
society. (FONTES & LANDI, 1997).18
However, despite the advances in studies and
science that have led to a better understanding of
the organic condition and the mental processes of
those who live with a permanent or provisional
situation in which they have special needs, our
society, influenced by the ancient Greek culture, still
seeks high standards of human beauty and
perfection, which leads to feelings of pity for these
groups of people. Often, as a result of having
disabilities that are more apparent to the casual
observer and therefore more and invasive from the
social point of view, many people are segregated in
total or closed institutions, so as not to cause
disturbance among those considered “normal”
(ROSS, 1998b).19 This type of institution, in our
opinion, increasingly corroborates the notion that
society should keep those who are “different”
isolated and at the same time, keep them under
charitable and protective guard.
In the many changes in thinking and viewing
on this model, however, a large opening has been
occurring with the increase of opportunities of
equality for these people. And it cannot be any
different, since the information reports of the WHO
– World Health Organization - on the world’s health
situation, estimated that by the year 2000, the
world’s population would be around six billion, 10%
of which would be made up of people with special
needs, particularly disabilities, since this data
does not take into account non-permanent needs
(SASSAKI, 1998).20
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Yolanda Flores e Silva e Yolanda I. Keller Bola - Turismo e Responsabilidade Social - Uma Reflexão sobre os Direitos das Pessoas com
Necessidades Especiais
mundo após 2000 estaria na ordem dos seis bilhões,
e que 10% deste contigente populacional seria de
pessoas portadoras de necessidades especiais,
mais especificamente de deficientes, uma vez que
estes dados não levam em conta as necessidades
não permanentes (SASSAKI, 1998).20
Neste sentido, não há como continuar a ver as
pessoas portadoras de necessidades especiais como
exemplos típicos de desviantes da normalidade.
Devemos, a partir de um olhar mais holístico e
humano, não incentivar o culto à estética e à total
integridade física, levando a estigmatização às
pessoas que não se inserem nos padrões de beleza
vigentes.
De acordo com Velho,
“a estigmatização é uma forma de classificação social
pela qual um grupo – ou indivíduo – identifica outro
segundo certos atributos seletivamente reconhecidos
pelo sujeito classificante como negativo ou
desabonadores” (VELHO, 1981: 30).21
A partir deste ponto de vista nós poderíamos
classificar as sociedades como tendo grupos de
“normais” e grupos de “desviantes” ou “anormais”.
Isto é estigma que, conforme Goffman (1988)22 , foi
um termo que os gregos criaram para se referir a
tudo que evidenciava algo extraordinário, diferente
e considerado “mau” para o status moral de uma
pessoa. Ao ser estigmatizada, a pessoa passa a
viver situações de preconceito e discriminação, com
reduzidas chances de convivência social.
Segundo Goffman (idem), Ribas (1993) e
Amaral (1995), o estigma é resultante das relações
sociais, com a manifestação impositiva e prática
das rejeições àquelas pessoas que possuem uma
marca que as diferenciam negativamente das
demais pessoas. Para Mader (1997:44)23 , as
pessoas portadoras de necessidades especiais são
segregadas porque são estigmatizadas e o “estigma
cria preconceitos que, por si, geram medo e
provocam ignorância e afastamento”.
Amaral (idem) descreve o preconceito como
sendo uma atitude favorável ou desfavorável,
anterior a qualquer conhecimento. Com relação à
pessoa com necessidades especiais, o preconceito
pode ser baseado na aversão, na piedade ou na
supervalorização. Os estereótipos advindos dessas
atitudes levam a ações onde a pessoa é apresentada
à sociedade como alguém asqueroso, sofredor ou
herói.
Figueira (1996:41)24 afirma que estas imagens
existem porque “as pessoas deficientes são
encaradas como SUB ou SUPER seres, não existindo,
desta maneira, a visão de PESSOA”, vedando-se,
portanto, a estas o poder de se assumirem como
seres humanos, não reificadas ou estereotipadas.
Vale lembrar que estereótipo é uma opinião
preconcebida, é um julgamento qualitativo baseado
em preconceitos. Na opinião de Bardin,
58
We cannot, therefore, continue to view people
with special needs as examples of deviants from
normality. Based on a more holistic and human
approach, we should not continue to promote the
cult of aesthetic and physical perfection, which
leads to the stigmatization of those who do not fit
whichever the standard of beauty is the current
norm.
According to Velho,
“stigmatization is a form of social classification
whereby a group – or individual – identifies another
according to certain attributes that are selectively
recognized by the classifying subject as negative or
discrediting” (VELHO, 1981:30).21
From this point of view, we can classify
societies as having “normal” and “deviant” or
“abnormal” groups. This is stigma which, according
to Goffman (1988)22 , was a term created by the
ancient Greeks to refer to anything that was
extraordinary or different and considered “bad” for
the moral status of a person. The stigmatized
person experiences situations of prejudice and
discrimination, which lessens their chances of
social inclusion.
According to Goffman (idem), Ribas (1993)
and Amaral (1995), stigma is the result of social
relations, with the burdensome and practical
manifestation of rejection towards those who have
anything that differentiates them in a negative way
from other people. For Mader (1997:44)23 , people
with special needs are segregated because they are
stigmatized and “stigma creates prejudice which, in
turn, generates fear and leads to ignorance and
withdrawal”.
Amaral (idem) describes prejudice as a
favorable or unfavorable attitude that is taken
prior to real knowledge. In relation to people with
special needs, prejudice can be based on aversion,
pity or overvaluing. The stereotypes that result
from these attitudes lead to the person being
presented to society either as a someone
detestable, a sufferer or a hero.
Figueira (1996:41)24 affirms that these images
exist because “disabled people are viewed either as
SUB or SUPER beings, which precludes a realistic
view of the PERSON” prevents these people from
being seen simply as human beings, neither raised
on a pedestal nor stereotyped. It is worth
remembering that stereotype is a preconceived
opinion; a qualitative judgment based on
preconceived ideas. In the opinion of Bardin,
“...a stereotype is the idea we hold of ..., the image
that arises spontaneously (...). It is the representation
of an object (objects, persons, ideas), more or less
Turismo - Visão e Ação - volume 5 - n.1 - jan/abr 2003
“...um estereótipo é a idéia que temos de ..., a imagem
que surge espontaneamente (...). É a representação de
um objeto (coisas, pessoas, idéias) mais ou menos
desligadas da sua realidade objetiva, partilhada pelos
membros de um grupo social com uma certa estabilidade (...). Estrutura cognitiva e não inata (submetida à
influência do meio cultural, da experiência pessoal...),
o estereótipo, no entanto, mergulha as suas raízes
no afetivo e no emocional, porque está ligado ao
preconceito por ele racionalizado, justificado ou
engendrado”. (BARDIN, 1977:51)25
Para muitos pesquisadores, o estereótipo
enquanto imagem e representação, é fruto do
preconceito que, por sua vez, nasce da ignorância,
do desconhecido, seja em relação ao fato em si, às
emoções geradas ou às reações subjacentes.
É, contudo, um processo progressivo e cumulativo,
que gera constantes informações inadequadas e
tabus (RIBAS, 199526 ; AMARAL, 199527 e
WERNECK, 199728).
Política tão antiga quanto a humanidade,
a segregação apoia-se no tripé: preconceito,
estereótipo e estigma. Esse conjunto delineia a
configuração de contingências favorecedoras ou
não, que são os ingredientes de peso para a inclusão
das pessoas portadoras de necessidades especiais.
2.2. A Inclusão Social da Pessoa com Necessidades
Especiais
Nos distintos momentos da humanidade, as
práticas sociais relacionadas à pessoa com
necessidades especiais, aconteceram de formas
também distintas e em várias etapas. São notórios
os períodos em que estas pessoas eram consideradas
inválidas e, portanto, totalmente excluídas. Assim
como ocorreram os períodos de segregação em
instituições, quando o poder médico as qualificou
de doentes. Hoje, após séculos de uma política
explícita de isolamento, surge a idéia de integração
e, mais recentemente a filosofia de inclusão social
(FRITZEN, 1998).29
Na integração, de acordo com Sassaki (1997),
se consideram integradas socialmente as pessoas
que tenham um nível de competência compatível
com os padrões da sociedade. Isto significa que o
mérito para inserção leva em consideração que as
pessoas com necessidades especiais estejam de
alguma forma capacitadas a superar as barreiras
físicas, programáticas e atitudinais existentes nela.
Isto não significa inserção, mas uma adaptação da
pessoa ao contexto onde vive e precisa estar.
Na inclusão é que encontramos a verdadeira
inserção da pessoa com necessidades especiais
permanentes ou provisórias. Neste sentido, o
princípio da inclusão se constitui em um processo
bilateral: a sociedade se adapta para poder incluir e
a pessoa se prepara para assumir seu papel na
sociedade.
dissociated from its objective reality, which is shared
by the members of a social group with a certain
stability (...). However, stereotype, which is a
cognitive rather than an innate structure (under the
influence of the cultural environment, and personal
experience...), is rooted in the affective, in the
emotional, because it is linked to the pre-conception
that is rationalized, justified or engendered by it”.
(BARDIN, 1977:51)25
For many researchers, stereotype as an image
and representation, is the result of prejudice, which
in turn, is born of ignorance and a lack of
knowledge, whether of the fact itself, of the
emotions generated, or of the underlying reactions.
It is, however, a progressive and cumulative
process, which constantly generates inappropriate
information and taboos. (RIBAS, 199526 ; AMARAL,
199527 and WERNECK, 199728 ).
Segregation, which is as old as humanity itself,
is based on three aspects: prejudice, stereotype
and stigma. These three aspects make up the
configuration of contingences, favorable or
otherwise, which are the key ingredients for the
inclusion of people with special needs.
2.2. The Social Inclusion of People with Special
Needs
During different periods throughout the
history of humanity, social practices relating to
people with special needs have occurred in various
forms and in various stages. The periods in which
people were considered invalid, and therefore
totally excluded, are notorious. There were also
periods of segregation in institutions, when they
were deemed to be sick by the medical powers.
Today, after centuries of an explicit policy of
isolation, the idea of integration has arisen, and
more recently, the philosophy of social inclusion
(FRITZEN, 1998).29
In integration, according to Sassaki (1997),
people who have a level of competence that is
compatible with society’s standards are considered
socially integrated. This means the merit for inclusion
takes into consideration the fact that people with
special needs are in some way enabled and overcome
the physical, programmatic and attitudinal barriers
that exist. This is not an insertion, but an adaptation
of the person to the context in which he or she lives
and needs to be.
It is in inclusion that we find the true insertion
of people with permanent or provisional special
needs. In this sense, the principle of inclusion is a
bilateral process: society adapts so that it can
include, and the person prepares him or herself to
assume his or her role in society.
According to Ross (1998 b), the principles of
inclusion are as follows:
59
Yolanda Flores e Silva e Yolanda I. Keller Bola - Turismo e Responsabilidade Social - Uma Reflexão sobre os Direitos das Pessoas com
Necessidades Especiais
Conforme Ross (1998 b), são estes os princípios
da inclusão:
1.celebração das diferenças sem rótulos ou
preconceitos;
2.direito de decidir e tomar decisões;
3.valorização da diversidade humana;
4.direito de contribuir com sua experiência;
5.promoção do aprendizado cooperativo;
6.promoção da solidariedade humana;
7.valorização da cidadania e qualidade de vida.
Nesse sentido, a inclusão propõe um novo
modelo de integração social, no qual os valores e
atitudes, em relação aos seres humanos que vivem
em sociedade são revistos, exigindo, assim,
mudanças para que esta sociedade possa atender a
todos, independente de sua condição física, sensorial
ou mental.
Conforme Werneck (1997) a inclusão é
principalmente uma questão de ética e cidadania,
não se refere a auxílio ou prestar serviços dizendo
que se é “bonzinho”, ao contrário, é uma ação entre
cidadãos responsáveis pela qualidade de vida de
outros cidadãos.
2.3. Turismo Inclusivo
Por conta de pessoas mais conscientes de
seus direitos (cidadania plena e qualidade de vida),
a sociedade inclusiva proposta pela ONU –
Organização das Nações Unidas, em 1990, é uma
proposta social de compromisso com a inclusão
incondicional das minorias (CANEJO, 1998).30
A inclusão, em todos os setores da sociedade,
significa que esta deve, além de garantir espaços
adequados para todos, aceitar e valorizar a
diversidade humana. É com este enfoque que,
saindo do eixo econômico para representar seu papel
na sociedade inclusiva, o turismo é redimensionado,
assumindo nesse contexto histórico específico, um
papel de reorientação dos espaços e atitudes sociais.
O principal motivo para este redimensionamento do turismo está basicamente enfocado no
seu consumidor, o turista (principalmente aqueles
que são portadores de necessidades especiais), que
além de mais informado de seus direitos e mais
exigente, busca mais qualidade nos serviços
quando dedica seu tempo livre ao turismo.
Um turismo mais acessível a todas as pessoas,
sejam jovens ou crianças, deficientes físicos ou
pessoas pertencentes a minorias étnicas, culturais e
religiosas, torna-se uma realidade a cada dia na
opinião de Trigo (1993).31 Esta, a nosso ver, é uma
característica do turismo inclusivo: está aberto a
todas as pessoas, poder fornecer espaços físicos
acessíveis e recursos humanos capacitados para
atender às necessidades de todos os turistas
(BOIA, 2000).32
60
1.the celebration the differences without labels
or prejudice;
2.the right to decide and take decisions;
3.the valuing human diversity;
4.the right to contribute one’s experience;
5.the promotion of cooperative learning;
6.the promotion of human solidarity;
7.the valuing of citizenship and quality of life.
In this sense, inclusion proposes a new model
of social integration, in which the values and
attitudes towards the human beings that live in
society are revised, demanding changes so that this
society can meet the needs of all, irrespective of
their physical, sensorial or mental condition.
According to Werneck (1997) inclusion is
principally a question of ethics and citizenship, not
just a question of providing assistance or services,
saying that one is “good”, but rather, it is an action
among citizens who are responsible for the quality
of life of other citizens.
2.3. Inclusive Tourism
Due to those who are more aware of their
rights (full citizenship and full quality of life), the
inclusive society proposed by the UNO – United
Nations Organization, in 1990, is a social proposal of
commitment to the unconditional inclusion of
minority groups (CANEJO, 1998).30
Inclusion, in all sectors of society, implies,
besides guaranteeing adequate space for all,
accepting and valorizing human diversity. It is from
this focus that tourism, departing from the
economic basis to represent its role in an inclusive
society, is given a new dimension, taking on, within
this specific historical context, the role of reorienting
social spaces and attitudes.
The main motive for this re-dimensioning of
tourism is basically focused on its consumer, the
tourist (particularly the tourist with special needs)
who, besides being more informed of his or her
rights is also more demanding, seeking higher
quality services when dedicating his or her free time
to tourism.
A tourism that is more accessible to all, whether
young people or children, physically disabled
people or those belonging to ethnic, cultural and
religious minorities has, according to Trigo (1993)31 ,
become an everyday reality. In our view, this is a
characteristic of inclusive tourism: it is open to all,
providing accessible physical spaces and human
resources who are trained to meet the needs of the
tourists (BOIA, 2000).32
In terms of the suitability of the physical
spaces, Boia (idem), in her research on tourism for
Turismo - Visão e Ação - volume 5 - n.1 - jan/abr 2003
No que se refere à adequação dos espaços
físico, Boia (idem), em sua pesquisa sobre o turismo
voltado para pessoas com necessidades especiais,
constata que os usos de equipamentos, os
comprimentos e larguras de quartos, banheiros,
corredores e elevadores de hotéis, não seguem as
normas internacionais de inclusão e segurança.
Não que se considere o oferecimento de quartos
adaptados e o fácil acesso a todos os espaços do
hotel como sendo uma prática de turismo inclusivo.
A adaptação sem uma mudança de comportamento
e atitudes nada significa, apenas facilita a inserção e
é necessária, mas não é tudo.
Para Krippendorf (1989:220), “um turismo
humanizado supõe que todos os responsáveis pela
concepção das viagens, devem possuir uma sólida
formação humanista”. Ou seja, além da visão
econômica, os cursos de turismo devem ter uma
preocupação em oferecer leituras e discussão sobre
cultura e concepções holísticas do viver humano.
Isto significa dizer que os profissionais que atuam
no turismo deverão ter uma formação que considere
o ser humano em toda a sua “humanidade”, com
seus direitos e inclusive com as suas diferenças.
O que se pretende, na realidade, não é fazer um
turismo para pessoas com necessidades especiais,
mas elaborar propostas de turismo que possibilitem
a qualquer pessoa desfrutar da experiência de viajar
sem se defrontar com barreiras físicas e/ou
atitudinais. Isto é turismo inclusivo!
3. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O que seria um turismo com responsabilidade
social? Que lugar as pessoas portadoras de
necessidades especiais ocupam no turismo? Qual é
o lugar de todos os seres humanos e suas
imperfeições? Estas são questões que só o tempo e
a conscientização dos muitos grupos humanos vão
responder, em um futuro que, esperamos, não esteja
muito distante.
Como bem afirma Boff (1999)33 , a falta de
respeito, de solidariedade e de cuidado ao “outro”
são estigmas de nosso tempo, alguns dos muitos
sintomas de uma crise civilizacional que não se
iniciou neste século e nem no passado. Desde que o
mundo existe, a ética humana para aceitar as pessoas
consideradas diferentes, sempre foi duvidosa e
problemática. Muitas vezes negamos ou nos
desfazemos daqueles que não se encaixam nos
modelos e padrões que são criados em nossas
sociedades. Ou seja, podemos ficar obcecados e
cuidamos de uma forma invasiva e paternalista,
ou somos descuidados e preferimos não oferecer
cuidado algum.
Neste sentido, ainda segundo Boff(idem),
deixamos acontecer o fenômeno do descuido e do
descaso pela vida humana, pelo destino das pessoas,
people with special needs, notes that the facilities
and dimensions of hotel bedrooms, bathrooms,
corridors and elevators, do not meet the international
standards relating to inclusion and safety and that
even if they did, the offer of adapted rooms and
easy access to all the areas of the hotel does not, in
itself, constitute the practice of inclusive tourism.
Adaptation that is not accompanied by a change in
behavior and attitudes is of little value, it facilitates
insertion and is necessary, but it is not everything.
For Krippendorf (1989:220), “a humanized
tourism assumes that all those responsible for the
creation of travel, should have a solid humanist
education”. In other words, tourism courses should
offer, besides an economic view, lectures and
discussions on culture and holistic concepts of
human life. This means that the professionals
operating in the tourism industry should be taught
to value human beings in all their “humanity” with
their full rights and with all their differences.
The objective is not to create a tourism for people
with special needs, but rather, to create tourism
proposals that will enable everybody to enjoy the
experience of traveling, without having to confront
physical and/or attitudinal barriers. That is
inclusive tourism!
3. FINAL CONSIDERATIONS
What is socially responsible tourism? What is
the place of people with special needs in tourism?
What, indeed, is the place of all human beings with
their imperfections? These are questions that can
only be answered by time and the raising of
awareness among many human groups, in a future
which, we hope, is not too far away.
As Boff states well (1999)33 , the lack of respect,
solidarity and care for “the other” are stigmas of our
time, one of the many symptoms of a civilization
crisis which did not begin this century, nor in the
previous one. Since the world existed, the human
ethic of accepting those who are seen as different
has always been dubious and fraught with problems.
Often we deny or try to get rid of those who do not
fit the molds and standards created by our societies.
We either become obsessed, caring for them in an
invasive, paternalistic way, or else we do not care at
all and offer help to nobody.
In this sense, according to Boff (idem), we
allow the phenomenon to occur out of a lack of care
and the negligence for human life, people’s
destinies, or the fate of those who are unable to
fulfill their social functions and roles without help.
There is also a carelessness with cities, a lack of
preparation of spaces for the various moments of
human life, whether in health or during times of
61
Yolanda Flores e Silva e Yolanda I. Keller Bola - Turismo e Responsabilidade Social - Uma Reflexão sobre os Direitos das Pessoas com
Necessidades Especiais
pela sorte daqueles que não podem sozinhos assumir
suas funções e papéis sociais. Há inclusive um
descuido com as cidades, uma não preparação dos
espaços para os vários momentos da vida humana,
seja na saúde, ou durante processos mórbidos com
necessidades permanentes ou provisórias.
Esquecemos que a vida é frágil e que basta a
inadequação de uma escada, um corredor, um chão
deslizante no banheiro, para que, de uma situação
de normalidade, passemos a uma outra situação que,
quando permanente, nos faz avaliar as dificuldades
de se realizar o que antes era trivial e fácil.
Apesar de estarmos em um mundo dinâmico e
cheio de novos sistemas de valores e novas
culturas, aprendemos muito lentamente, sobre a
importância do respeito aos direitos humanos, e da
educação para a solidariedade. O mundo se liga
muito rapidamente a todos os espaços onde a rede
Internet esteja interligada, entretanto, pouco
conseguimos fazer para mudar comportamentos,
atitudes, valores e crenças preconceituosas.
Este artigo teve como intenção contribuir para
essas mudanças, iniciando uma reflexão com os
profissionais e estudantes da área do turismo, sobre
a importância de um turismo mais solidário e,
portanto, inclusivo, aberto a outras possibilidades
além da econômica. A inclusão de todas as pessoas
ao turismo, incluindo-se ai estas com necessidades
especiais, exige uma vontade política, planejamento,
esforço, preparação, cooperação e mudanças de
comportamento de todos os que fazem turismo.
Nossos estudos demonstram as distorções da
formação dos profissionais do turismo, que mesmo
nos tempos atuais, ainda é predominantemente
administrativa, econômica e, porque não dizer,
estética. Existe uma preocupação com a beleza e com o
que denominamos de camuflagem da realidade. Falta
uma preocupação maior com o potencial humano e
sua diversidade. Ainda se procura por um turista
ideal, aquele que não questiona e que não foge ao
padrão de normalidade social vigente.
Consideramos que, em decorrência dessas
crenças, se faz necessário uma formação guiada
por princípios éticos, que respeitem os valores
individuais das pessoas, independente de
apresentarem ou não necessidades especiais.
Mesmo considerando que a adaptação dos
recursos físicos e materiais no processo de inclusão
da pessoa com necessidade especiais no turismo é
importante, ainda assim isto só será possível
mediante um planejamento baseado em atitudes de
verdadeira e genuína crença no ser humano, em sua
dignidade e no respeito às pessoas como elas são.
É fato que as mudanças de apenas um aspecto
da realidade, no caso do turismo, não assegura uma
transformação global em seus múltiplos aspectos,
mas, enfatiza-la pode ser um meio de criar recursos
destinados à promoção humana e à libertação dos
seres humanos da dependência odiosa. Enfim,
62
sickness, when a person may have permanent or
provisional needs.
We forget that life is fragile and that it only
takes a small thing, such as a defective stairway or a
slippery floor in a corridor or bathroom, for us to go
from a situation of normality to another situation
which, when permanent, forces us to evaluate the
difficulties involved in performing tasks which we
formerly considered trivial and easy.
Despite being in a world that is dynamic and
full of new value systems and cultures, we still learn
very slowly when it comes to learning the importance
of respect for human rights and education for
solidarity. We have instant access to any part of the
world via the Internet, yet we remain practically
unable to alter our own behavior, attitudes, values
and preconceived beliefs.
The aim of this article is to contribute to these
changes, sparking off reflection among professionals
and students in the area of tourism, on the
importance of a tourism that is more sympathetic
and therefore inclusive, more open to possibilities
other than economic ones. The inclusion of all in
tourism, including those with special needs,
requires a political planning effort, preparation,
cooperation and changes in behavior of all those
involved in the creation of tourism.
Our studies show the distortions that exist in
the training of tourism professionals, which even
nowadays, is still predominantly administrative and
economic, and it should also be said, aesthetic.
There is a preoccupation with beauty and what we
call masking reality. There is a lack of concern
with human potential and its diversity. The search
continues for the ideal tourist, one who neither
questions nor departs from the current standards of
social normality.
We believe that as a result of these beliefs,
there is a need for an education that is guided by
ethical principles which respect the individual value
of people, irrespective of whether or not they have
special needs.
Although the adaptation of physical
resources and materials in the process of inclusion
of people with special needs in tourism is important,
this can only be made possible through a planning
that is based on attitudes of genuine belief in the
dignity of human beings, and respect for people as
they really are.
It is a fact that altering just one aspect of
reality, in the case of tourism, does not guarantee a
total transformation in its multiple aspects, but
emphasizing it could be a means of creating
resources for the promotion of human beings and
Turismo - Visão e Ação - volume 5 - n.1 - jan/abr 2003
acreditamos que as mudanças de consciência
particularizadas podem funcionar como propulsoras
de mudanças mais amplas. A pertinência ao se propor
uma reflexão sobre esta particularidade do turismo,
serve como base para trazer à tona posturas e práticas
que, às vezes, são colocadas ou vivenciadas como
se fossem inquestionáveis.
freeing them from odious dependence. All in all, we
believe that changes in individual awareness can
act as catalysts for more far-reaching changes. The
relevance, proposing a reflection on this particular
aspect of tourism, serves as a basis for revealing
attitudes and practices that are often considered or
experienced as though they were unquestionable.
REFERÊNCIAS E NOTAS
EXPLICATIVAS
REFERENCES AND EXPLANATORY
NOTES
1 Este artigo foi elaborado a partir do capítulo de
revisão teórica da dissertação de mestrado de
Yolanda Irene Keller Boia e de pesquisas realizadas
por Yolanda Flores e Silva sobre Turismo e
Responsabilidade Social.
1 This article was written based on a chapter of
theoretical revision of the Masters Degree
dissertation of Yolanda Irene Keller Boia and the
research carried out by Yolanda Flores e Silva on
Tourism and Social Responsibility.
2 Quando falamos de alteridade na Antropologia,
estamos tratando das relações interpessoais e das
categorias abstratas que construímos sobre nós
mesmos e sobre o que consideramos como sendo
“outro”.
2 When we speak of alterity in Anthropology, we
are referring to interpersonal relations and abstract
categories which we construct around ourselves
and those whom we consider to be “other”.
3 Entendo multiculturalismo como sendo
um movimento de países metropolitanos ou
considerados desenvolvidos, que, no intuito de
controlar as minorias étnicas e sociais, vêm
argumentando a criação de uma cultura mundial
única a partir da inclusão das tradições culturais de
distintos grupos humanos. Isto, segundo nosso
ponto de vista, pode ser uma forma de impor as
culturas de pequenos grupos étnicos e sociais, as
culturas dos países com maior poder econômico e
midiático, e ao mesmo tempo, conter e controlar as
demandas dos grupos minoritários existentes no
planeta. Vale lembrar que, quando um povo
esquece sua cultura e sua história, ele tende ao
desaparecimento e à extinção.
4 BOULLÓN, R. C. Las actividades turísticas y
recreacionales: el hombre como protagonista.
México: Trilhas, 1998.
3 I understand multiculturalism as a movement of
metropolitan countries, or those considered
developed which, in the sense of controlling the
ethnic and social minorities, have argued for the
creation of a single global culture based on the
inclusion of the cultural traditions of separate
groups of humans. This, in our view, could be a way
of imposing the cultures of countries with greater
economic and media power on the cultures of small
ethnic and social groups, and, at the same time,
holding and controlling the demands of the minority
groups that exist in the world. It should be
remembered that when a people forgets its culture
and history, it tends to disappear gradually until it
finally becomes extinct.
4 BOULLÓN, R. C. Las actividades turísticas y
recreacionales: el hombre como protagonista.
Mexico: Trilhas, 1998.
5 KRIPPENDORF, J. Sociologia do turismo: para
uma nova compreensão do lazer e das viagens. Rio
de Janeiro: Civilização Brasileira, 1989.
5 KRIPPENDORF, J. Sociologia do turismo: para
uma nova compreensão do lazer e das viagens. Rio
de Janeiro: Civilização Brasileira, 1989.
6 DONAIRE, J. A . LA geografia del turismo después
del fordismo: turistas en las fábricas, turistas en los
centros comerciales. Sociedade e Território. Porto,
n.º 28, ago. 1998. p. 55 – 68.
6 DONAIRE, J. A . LA geografia del turismo después
del fordismo: turistas en las fábricas, turistas en los
centros comerciales. Sociedade e Território. Porto,
n.º 28, ago. 1998. p. 55 – 68.
7 CAMPÊLO, A. O autêntico e o banal: como
descrever a experiência turística? Antropologia e
Turismo. Porto, mar. 2001. Disponível em: http://
www.ufp.pt/units/ceaa/turismo2.htm. Acesso em 06
mar. 2001.
7 CAMPÊLO, A. O autêntico e o banal: como
descrever a experiência turística? Antropologia e
Turismo. Porto, March. 2001. Available at: http://
www.ufp.pt/units/ceaa/turismo2.htm. Access on 06
March 2001.
8 RIBAS, J. B. C. O que são pessoas deficientes. São
Paulo: Brasiliense, 1993.
8 RIBAS, J. B. C. O que são pessoas deficientes. São
Paulo: Brasiliense, 1993.
63
Yolanda Flores e Silva e Yolanda I. Keller Bola - Turismo e Responsabilidade Social - Uma Reflexão sobre os Direitos das Pessoas com
Necessidades Especiais
9 FIGUEIRA, E. Imagem e conceito social da
diferença. Temas sobre desenvolvimento. São
Paulo, n.º 25, jul./ago. 1995. p. 35 – 38.
9 FIGUEIRA, E. Imagem e conceito social da
diferença. Temas sobre desenvolvimento. São
Paulo, n.º 25, July/Aug. 1995. p. 35 – 38.
10 WERNECK, C. Ninguém mais vai ser bonzinho
na sociedade inclusiva. Rio de Janeiro: WVA, 1997.
10 WERNECK, C. Ninguém mais vai ser bonzinho
na sociedade inclusiva. Rio de Janeiro: WVA, 1997.
11 SASSAKI, R. K. Inclusão: construindo uma
sociedade para todos. Rio de Janeiro: WVA, 1997.
11 SASSAKI, R. K. Inclusão: construindo uma
sociedade para todos. Rio de Janeiro: WVA, 1997.
12 TELFORD, C. W. & SAWREY, J. M. O indivíduo
excepcional. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,
1988.
12 TELFORD, C. W. & SAWREY, J. M. O indivíduo
excepcional. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,
1988.
13 AMARAL, L. A. Pensando a diferença/
deficiência. In: CONGRESSO BRASILEIRO SOBRE
EDUCAÇÃO ESPECIAL, 1999, Curitiba. Anais...
Curitiba: UFPR, 1999. P. 235 –242.
13 AMARAL, L. A. Pensando a diferença/
deficiência. In: CONGRESSO BRASILEIRO SOBRE
EDUCAÇÃO ESPECIAL, 1999, Curitiba. Anais...
Curitiba: UFPR, 1999. P. 235 –242.
14 Este termo foi utilizado inicialmente pela Sociologia
para se referir a grupos marginais ou desviantes.
Posteriormente passou-se a utilizá-la para determinar
grupos étnicos, raciais ou sexuais, que dentro de
uma cultura dominante possuam traços culturais
tão específicos que os distingam dos demais.
14 This theme was initially used by Sociology to
refer to marginal or deviant groups. Later, it was
used to determine ethnic, racial or sexual groups
which, within a dominant culture, have cultural
traces so specific that they are distinguished from
the rest.
15 MAZZOTTA, M. J. S. Educação especial no
Brasil: histórias e políticas públicas. São Paulo:
Cortez, 1996.
15 MAZZOTTA, M. J. S. Educação especial no
Brasil: histórias e políticas públicas. São Paulo:
Cortez, 1996.
16 PINTO, G. M. N. Edificações e transportes.
Cadernos Pestalozzi. Niterói, v. 1, n. 2, p. 70 -74, jul.
1999.
16 PINTO, G. M. N. Edificações e transportes.
Cadernos Pestalozzi. Niterói, v. 1, n. 2, p. 70 –74, Jul.
1999.
17 ROSS, P. R. Educação e trabalho: a conquista da
diversidade ante as políticas neoliberais. In:
BIANCHETTI, L. & FREIRE, I. M. (orgs.). Um olhar
sobre a diferença: interação, trabalho e cidadania.
Campinas: Papirus, 1998 a.
17 ROSS, P. R. Educação e trabalho: a conquista da
diversidade ante as políticas neoliberais. In:
BIANCHETTI, L. & FREIRE, I. M. (orgs.). Um olhar
sobre a diferença: interação, trabalho e cidadania.
Campinas: Papirus, 1998 a.
18 FONTES, R. de Souza & LANDI, M. de Lourdes
(orgs.). Estigma: uma prisão sem grades. Revista
Integração. Brasília, v. 7, n. 19, 1997. p. 41-46.
18 FONTES, R. de Souza & LANDI, M. de Lourdes
(orgs.). Estigma: uma prisão sem grades. Revista
Integração. Brasília, v. 7, n. 19, 1997. p. 41-46.
19 ROSS, P. R. Necessidades educacionais num
projeto de educação inclusiva. In: III CONGRESSO
IBERO-AMERICANO DE EDUCAÇÃO ESPECIAL,
3, 1998, Foz do Iguaçu. Anais... Foz do Iguaçu, 1998
b. p. 243 – 247.
19 ROSS, P. R. Necessidades educacionais num
projeto de educação inclusiva. In: III CONGRESSO
IBERO-AMERICANO DE EDUCAÇÃO ESPECIAL,
3, 1998, Foz do Iguaçu. Anais... Foz do Iguaçu, 1998
b. p. 243 – 247.
20 SASSAKI, R. K. Quantas pessoas têm deficiência?
Revista Nacional de Reabilitação. São Paulo, v. 11,
n. 6, set./out. 1998. p. 7 – 8.
20 SASSAKI, R. K. Quantas pessoas têm deficiência?
Revista Nacional de Reabilitação. São Paulo, v. 11,
n. 6, set./out. 1998. p. 7 – 8.
21 VELHO, G. (org.). Desvio e divergência: uma
crítica da patologia social. 4.ed. Rio de Janeiro:
Zahar, 1981.
21 VELHO, G. (org.). Desvio e divergência: uma
crítica da patologia social. 4.ed. Rio de Janeiro:
Zahar, 1981.
22 GOFFMAN, I. Estigma – notas sobre a
manipulação da identidade deteriorada. 4.ed. Rio
de Janeiro: Guanabara Koogan, 1988.
22 GOFFMAN, I. Estigma – notas sobre a
manipulação da identidade deteriorada. 4.ed. Rio
de Janeiro: Guanabara Koogan, 1988.
23 MADER, G. Integração da pessoa portadora de
deficiência: a vivência de um novo paradigma. In:
MANTOAN, M. T. E. e col. A integração da pessoa
com deficiência: contribuições para uma reflexão
sobre o tema. São Paulo: Memnon, 1997. p. 44 – 50.
23 MADER, G. Integração da pessoa portadora de
deficiência: a vivência de um novo paradigma. In:
MANTOAN, M. T. E. e col. A integração da pessoa
com deficiência: contribuições para uma reflexão
sobre o tema. São Paulo: Memnon, 1997. p. 44 – 50.
64
Turismo - Visão e Ação - volume 5 - n.1 - jan/abr 2003
24 FIGUEIRA, E. Imagem e conceito social da
deficiência. Temas Sobre Desenvolvimento. São
Paulo, v.5, n. 27, jul./ago. 1996. p. 38 – 41.
24 FIGUEIRA, E. Imagem e conceito social da
deficiência. Temas Sobre Desenvolvimento. São
Paulo, v.5, n. 27, jul./ago. 1996. p. 38 – 41.
25 BARDIN, L. Análise de conteúdo. Lisboa:
Edições 70, 1977.
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Edições 70, 1977.
26 RIBAS, J. B. C. Viva a diferença: convivendo
com nossas restrições ou deficiências. São Paulo:
Ed. Moderna, 1995.
26 RIBAS, J. B. C. Viva a diferença: convivendo
com nossas restrições ou deficiências. São Paulo:
Ed. Moderna, 1995.
27 AMARAL, L. A. Conhecendo a deficiência (em
companhia de Hércules). São Paulo: Robe, 1995.
27 AMARAL, L. A. Conhecendo a deficiência (em
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28 WERNECK, C. Ninguém mais vai ser bonzinho
na sociedade inclusiva. Rio de Janeiro: WVA, 1997.
28 WERNECK, C. Ninguém mais vai ser bonzinho
na sociedade inclusiva. Rio de Janeiro: WVA, 1997.
29 FRITZEN, S. Ética em dialética: elo da educação
especial. In: III CONGRESSO IBERO-AMERICANO
DE EDUCAÇÃO ESPECIAL. 2. 1998, Foz do Iguaçu.
Anais... Foz do Iguaçu, 1998. p. 299 – 302.
29 FRITZEN, S. Ética em dialética: elo da educação
especial. In: III CONGRESSO IBERO-AMERICANO
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30 CANEJO, E. Cegueira adquirida: reintegração
social. In: III CONGRESSO IBERO-AMERICANO
DE EDUCAÇÃO ESPECIAL. 3. 1998, Foz do Iguaçu.
Anais... Foz do Iguaçu, 1998. p. 309 –313.
30 CANEJO, E. Cegueira adquirida: reintegração
social. In: III CONGRESSO IBERO-AMERICANO
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31 TRIGO, L. G. G. Turismo e qualidade: tendências
contemporâneas. Campinas: Papirus, 1993.
31 TRIGO, L. G. G. Turismo e qualidade: tendências
contemporâneas. Campinas: Papirus, 1993.
32 BOIA, Y. I. K. O turismo e a pessoa portadora de
necessidades especiais. 2000. 140 f. Dissertação
(Mestrado em Turismo e Hotelaria) – Programa de
Pós-Graduação em Turismo e Hotelaria, Universidade
do Vale do Itajaí, Itajaí.
32 BOIA, Y. I. K. O turismo e a pessoa portadora de
necessidades especiais. 2000. 140 f. Dissertação
(Mestrado em Turismo e Hotelaria) – Programa de
Pós-Graduação em Turismo e Hotelaria, Universidade
do Vale do Itajaí, Itajaí.
33 BOFF, L. Saber cuidar: ética do humano compaixão pela terra. Petrópolis: Vozes, 1999.
33 BOFF, L. Saber cuidar: ética do humano compaixão pela terra. Petrópolis: Vozes, 1999.
Recebido em: Março de 2003
Aprovado em: Fevereiro de 2003
Received in: March 2003
Approved in: February 2003
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Yolanda Flores e Silva e Yolanda I. Keller Bola - Turismo e Responsabilidade Social - Uma Reflexão sobre os Direitos das Pessoas com
Necessidades Especiais
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