...

48 LIMITES E POSSIBILIDADES DA ATUAÇÃO PROFISSIONAL EM

by user

on
Category: Documents
1

views

Report

Comments

Transcript

48 LIMITES E POSSIBILIDADES DA ATUAÇÃO PROFISSIONAL EM
LIMITES E POSSIBILIDADES DA ATUAÇÃO PROFISSIONAL EM
HIDROGINÁSTICA COM IDOSOS: UMA APROXIMAÇÃO INICIAL
Amanda Leite Novaes
Pedro Henrique da Silva Santos
Lays Aninger de Barros Rocha
Lucas Andrade da Silva Freitas
Everton Medeiros Araujo
Matheus Cerqueira França
Resumo: O presente trabalho é resultado de uma atividade avaliativa do componente
Prática Curricular I, do curso de Licenciatura em Educação Física, da Universidade
Estadual de Feira de Santana (UEFS), em que nos propusemos a conhecer o trabalho
desenvolvido com hidroginástica para idosos, realizado na piscina do Serviço Social da
Indústria (SESI), Unidade de Feira de Santana, identificando limites e possibilidades
da atuação do profissional de educação física, o que nos permitiu uma aproximação
inicial com esta área e o reconhecimento do papel do professor em diferentes espaços
profissionais.
Introdução
O presente trabalho se propõe a apresentar os resultados de uma atividade de
campo de um grupo que se disponibilizou a visitar aulas de hidroginástica para idosos
no Serviço Social Da Indústria (SESI), em Feira de Santana. Tratou-se de atividade
avaliativa da disciplina Prática Curricular I, do curso de Licenciatura em Educação
Física, da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), na qual temos o objetivo
de discutir a docência como atividade profissional em qualquer campo de atuação
escolhido, assim como identificar os diferentes espaços profissionais, partindo de uma
visão crítica, analisando o contexto sócio-econômico e político bem como suas relações
com o processo de formação e exercício profissional. Nessa disciplina, tivemos a
oportunidade de reconhecer e analisar os campos de atuação do profissional de
educação física.
Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - PNAD 2009, o Brasil
contava com uma população de cerca de 21 milhões de pessoas de 60 anos ou mais de
idade. Devido a esse aumento da população idosa brasileira ocasionada pelo avanço
tecnológico na área médica, assim como progressos sociais e econômicos, houve uma
ampliação nas possibilidades de intervenção profissional voltada para a terceira idade.
Na Educação Física, a hidroginástica se apresenta como atividade eficiente para
essa parcela populacional, por que:
A hidroginástica consiste então em um programa de exercícios aquáticos
específicos, composta de movimentos rítmicos, coreografados ou não,
utilizando-se da água com suas propriedades como recurso principal para
oferecer resistência e sobrecarga natural aos movimentos, além de ser uma
atividade contagiante e divertida. (LUCCHESI, 2013, p. 27)
Por ser uma atividade que amplia a motricidade humana através de aulas
sistematizadas, esse exercício aquático é um campo de intervenção do profissional de
educação física.
Anais do V Congresso Nordeste de Ciências do Esporte. Guanambi, Bahia, Brasil, setembro, 2014.
ISSN: 2179-815X. Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte.
48
Ao visitar esse espaço, tivemos como objetivo conhecer a atuação do
profissional de educação física e identificar limites e possibilidades no trabalho de
hidroginástica com idosos. Para que isso se concretizasse, o Serviço Social da Indústria,
unidade Feira de Santana, se apresentou como uma referência de preocupação com a
qualidade de vida da parcela populacional que atende e se mostrou um espaço viável
para nossa experimentação.
Metodologia
No dia 11 de julho de 2014, foi realizada a visita ao espaço do SESI/Feira de
Santana, em que foi realizada observação de 1 hora/aula da turma de hidroginástica com
idosos e entrevista com o profissional de educação física através de um roteiro
previamente elaborado, além de registros fotográficos. A entrevista foi filmada e
transcrita, onde pudemos analisar aspectos da formação acadêmica e humana do
profissional, ao mesmo tempo em que analisamos como e por que ele escolheu o
campo. As fotografias foram utilizadas somente para registro. É importante ressaltar que
o professor entrevistado autorizou o uso de sua imagem e nome, sem qualquer ônus, ao
assinar o Termo de Autorização de uso de Imagem, Voz e Nome em duas vias, ciente
dos termos do documento.
Quadro teórico
A Resolução número 7, do dia 31 de março de 2004, do Conselho Nacional de
Educação/Câmara de Educação Superior, instituiu as diretrizes curriculares para os
cursos de graduação em Educação Física, em nível superior de graduação plena. O
artigo 3º dessa resolução a configurava como:
Art 3º. A educação física é uma área de conhecimento e de intervenção
acadêmico-profissional que tem como objeto de estudo e de aplicação o
movimento humano, com foco nas diferentes formas e modalidades do
exercício físico, da ginástica, do jogo, do esporte, da luta/arte marcial, da
dança, nas perspectivas da prevenção de problemas de agravo da saúde,
promoção, proteção e reabilitação da saúde, da formação cultural, da
educação e da reeducação motora, do rendimento físico-esportivo, do lazer,
da gestão de empreendimentos relacionados às atividades físicas, recreativas
e esportivas, além de outros campos que oportunizem ou venham a
oportunizar a prática de atividades físicas, recreativas e esportivas.
Tendo em vista o foco da Educação Física, esse profissional poderá atuar de
forma ampla e diversificada e de acordo com a lei que regulamenta o exercício
profissional do educador físico, lei 9696/98 de 1º de setembro de 1998 que afirma:
Art. 3o Compete ao Profissional de Educação Física coordenar, planejar,
programar, supervisionar, dinamizar, dirigir, organizar, avaliar e executar
trabalhos, programas, planos e projetos, bem como prestar serviços de
auditoria, consultoria e assessoria, realizar treinamentos especializados,
participar de equipes multidisciplinares e interdisciplinares e elaborar
informes técnicos, científicos e pedagógicos, todos nas áreas de atividades
físicas e do desporto.
A partir do exposto, este profissional poderá atuar amplamente em diversos
eixos como na educação, saúde, esporte, lazer, empresas, entre outros. Com limitação
Anais do V Congresso Nordeste de Ciências do Esporte. Guanambi, Bahia, Brasil, setembro, 2014.
ISSN: 2179-815X. Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte.
49
apenas para o bacharel que segundo a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) da educação
brasileira lei n° 9394/96 não tem os pré-requisitos necessários para atuar na educação.
O curso de licenciatura em Educação Física alia os conhecimentos específicos da
área com os da educação, o que como apresenta Gariglio (2010), é fundamental para os
primeiros anos da vida profissional do professor por diminuir o “choque da realidade”
assim como salienta a importância da teoria durante a formação acadêmica.
Para desenvolvimento do trabalho, foi escolhida a hidroginástica para terceira
idade como possibilidade de atuação do profissional de educação física, englobando os
eixos saúde e lazer tendo em vista que uma pesquisa sobre os “Indicadores Sociodemográficos e de Saúde no Brasil”, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) no ano de 2009, mostra que pirâmide etária brasileira, sofre alterações devido a
uma tendência do estreitamento da base (declínio da taxa de fecundidade) e aumento do
ápice (declínio da taxa de mortalidade) da pirâmide. Na pesquisa é observado com base
no gráfico abaixo que: “Focando o grupo etário de 60 anos ou mais, observa-se que o
mesmo duplica, em termos absolutos, no período de 2000 a 2020, ao passar de 13,9 para
28,3 milhões, elevando-se, em 2050, para 64 milhões.”
Tendo em vista o aumento dessa faixa populacional, há também um aumento nas
intervenções profissionais para um envelhecimento saudável. Shepard (2003), afirma
que é nessa fase que ocorre a “diminuição progressiva da capacidade funcional e a perda
da independência que comumente acompanha o envelhecimento. Além disso, foi
discutido o potencial para manter e/ou reverter essas mudanças relacionadas com idade
por meio da atividade física habitual”. Em seu livro “Envelhecimento, atividade física e
saúde”, ele encoraja a manutenção de um estilo de vida ativo através da prática de
exercícios físicos regulares, ao ressaltar que há um “aumento de contatos sociais,
Anais do V Congresso Nordeste de Ciências do Esporte. Guanambi, Bahia, Brasil, setembro, 2014.
ISSN: 2179-815X. Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte.
50
melhora da saúde física e emocional, um risco reduzido de doenças crônicas e a
manutenção de suas funções.”.
Nesse sentido, reconhece-se a hidroginástica como uma atividade eficiente para
os idosos porque, de acordo com Lucchesi (2013), as propriedades naturais da água são
utilizadas como recurso principal da atividade. Dentro da piscina, com a água na altura
dos ombros, há uma diminuição de aproximadamente 90% do peso total, o que facilita o
movimento e diminui a pressão sobre as articulações, além de que a flutuação na água
permite a prática de exercícios sem o risco de lesões por impacto.
Rocha (1994) separa uma aula de hidroginástica em três segmentos:
Aquecimento, que pode levar de 5 a 10 minutos com exercícios que promovam o
aumento da temperatura corporal; aula propriamente dita: com duração de 35 a 40
minutos, são feitos exercícios cujo objetivo seja de aumentar a capacidade aeróbica,
melhorar a agilidade e o ritmo, desenvolver resistência e força muscular, aumentar o
tônus muscular, melhorar a postura e a estética corporal; relaxamento: Ocorre no final
da aula e visa proporcionar o relaxamento muscular e restabelecer o equilíbrio
respiratório com duração de 5 a 10 minutos.
No trabalho com os idosos, a prática regular da hidroginástica pode apresentar
muitos benefícios, como destacado por Sova (1998): reduzir dor causada por artrite;
aumentar a capacidade pulmonar; manter bons padrões de sono; melhorar força e o
tônus muscular; reduzir a raiva, a ansiedade e a impulsividade; controlar a pressão
sanguínea; melhorar a regularidade das funções do organismo; melhorar a flexibilidade;
aumentar a capacidade pulmonar; manter a densidade óssea; reduzir dor crônica; manter
uma boa composição corporal; regular o colesterol, dentre outros aspectos advindos da
prática regular de atividade física, principalmente quando esta é prazerosa, em grupo e
envolve o ambiente aquático.
Além disso, a autora ressalta que não é necessário ter uma vida ativa para se
aproveitar dos benefícios da hidroginástica, idosos que estão sedentários também se
favorecem. Mas é necessário se atentar para as condições de saúde existentes e a
capacidade física de cada indivíduo para que o programa de exercícios físicos atenda às
suas necessidades.
Resultados e discussão
Na observação da aula de hidroginástica com a turma de idosos no SESI/Feira de
Santana, no dia 11 de julho de 2014, foi possível constatar que a metodologia utilizada
pelo professor era condizente com a literatura científica consultada, mesmo sendo
adequadas às necessidades específicas dos idosos e às estratégias complementares
adotadas pelo professor. Observamos, por exemplo, que para começar a aula, o
professor fez um trabalho de aquecimento que levou de 10 a 15 minutos com exercícios
como trote e pequenas corridas já dentro da piscina, em seguida foi feito o
desenvolvimento da aula com sequências de movimentos que teve duração de 20 a 25
minutos. O professor utilizou como recurso metodológico o instrumento musical
zabumba. Durante esse momento eram cantadas músicas populares brasileiras com
acompanhamento do instrumento e dos alunos, com intuito de tornar a aula lúdica. As
sequências foram desacelerando através de exercícios mais leves e posteriormente foi
realizado um alongamento para finalizar a aula. Dessa forma, identificamos os três
segmentos necessários para o desenvolvimento de uma aula de hidroginástica, conforme
apresentado por Rocha (1994).
Anais do V Congresso Nordeste de Ciências do Esporte. Guanambi, Bahia, Brasil, setembro, 2014.
ISSN: 2179-815X. Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte.
51
Após o término da atividade aquática, o professor nos concedeu uma entrevista
com roteiro previamente elaborado pela equipe, na qual ele nos informou sobre sua
formação profissional e a importância da mesma para sua atuação, quais as suas
motivações, estratégias metodológicas, barreiras enfrentadas no trabalho de
hidroginástica com terceira idade e destacou o contato com os idosos como experiência
significativa para sua formação humana no referido campo.
Identificamos que o profissional entrevistado valoriza muito mais a experiência
prática do que sua formação acadêmica, uma vez que o mesmo relatou que durante sua
formação não houve contato significativo com o campo de atuação (hidroginástica)
através da universidade e alega que seu conhecimento foi adquirido por observação do
trabalho de hidroginástica em academias. Entretanto, destacou que obteve a
aprendizagem necessária em sua formação universitária para desenvolver as aulas e a
superar as adversidades enfrentadas na mesma, o que também condiz com a bibliografia
estudada, neste caso Gariglio (2010), quando trouxe relatos de professores para
confirmar a importância dessas experiências na construção da identidade profissional
durante a formação inicial.
Além disso, o professor entrevistado destacou que seus pais foram sua principal
motivação para trabalhar com idosos, tendo em vista que na época em que o professor
começou a trabalhar não havia muitas opções de atividades físicas para essa parcela
populacional e já era uma demanda anunciada no município de Feira de Santana.
Por fim, o professor deixou como dica para quem está no início da formação
acadêmica e quer se aproximar com da área de hidroginástica, especificamente em
relação a população idosa, que busque cursos e contato com professores conhecidos
para ampliar seus conhecimentos, com o intuito de aliar o estudo com a prática.
Considerações finais
A atuação do profissional de Educação Física que atua no campo da
hidroginástica, especificamente com idosos, depende principalmente do empenho
individual do profissional, como em toda profissão, buscando sempre se atualizar, e não
confiando somente na formação acadêmica para prover os conhecimentos necessários
para capacitá-lo e exercer sua profissão no campo escolhido. Além disso, percebemos
que trabalhar com idosos pode proporcionar ao professor a oportunidade de absorver
experiências e conhecimentos de pessoas mais experientes, assim como esse contato
favorece a reflexão das atitudes levadas até o momento para uma vida saudável e ativa
posteriormente.
Por fim, com esse trabalho tivemos a oportunidade de observar a atuação de um
professor de Educação Física e nos aproximar um pouco mais de um dos caminhos
possíveis para atuação profissional da área, o que fizemos também durante as aulas do
componente Prática Curricular I, e descobrimos possibilidades de atuação através da
leitura de textos e discussões em sala de aula e, a partir dessa experiência final,
pudemos relacionar o que foi aprendido em sala de aula com a realidade.
Referências
GARIGLIO, J. A. O papel da formação inicial no processo de constituição da
identidade profissional de professores de educação física. Revista Brasileira de
Ciências do Esporte, Florianópolis, v. 32, n. 2-4, p. 11-28, dez 2010.
Anais do V Congresso Nordeste de Ciências do Esporte. Guanambi, Bahia, Brasil, setembro, 2014.
ISSN: 2179-815X. Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte.
52
IBGE. Síntese de Indicadores Sociais: Uma Análise das Condições de Vida da
População Brasileira: 2010, p. 191.
LUCCHESI, G. A. Hidroginástica: “Aprendendo a ensinar”. 1ª edição. São Paulo:
Ícone, 2013. 141 p.
ROCHA, J. C. C. Hidroginástica Teoria e Prática. Rio de Janeiro: Sprint, 1994.
SHEPHARD, R. J. Envelhecimento, atividade física e saúde. São Paulo: Phorte, 2003.
SOVA, R. Hidroginástica na Terceira Idade. São Paulo: Manole, 1998.
Anais do V Congresso Nordeste de Ciências do Esporte. Guanambi, Bahia, Brasil, setembro, 2014.
ISSN: 2179-815X. Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte.
53
Fly UP