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QUALIDADE DE SEMENTES DE CEBOLA CULTIVAR BAIA

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QUALIDADE DE SEMENTES DE CEBOLA CULTIVAR BAIA
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Manejo de Agroecosistemas Sustentaveis Monferrer
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143 - QUALIDADE DE SEMENTES DE CEBOLA CULTIVAR BAIA
PRODUZIDAS SOB SISTEMA AGROECOLÓGICO E AVALIAÇÃO DAS
MUDAS RESULTANTES
Dércio Dutra1; Derblai Casaroli2; Marlove Fátima Brião Muniz3.
RESUMO
As sementes constituem um importante componente da produção e, estas assumem redobrada
importância e atenção quando se objetiva alcançar uma boa produtividade. Objetivando avaliar a
qualidade de lotes de sementes de cebola, cultivar Baia, produzidas pelo sistema agroecológico,
foram conduzidas avaliações de germinação, vigor, sanidade e emergência de plântulas no
campo. Os testes de germinação e de sanidade foram realizados mensalmente. Para comparação
foram utilizadas sementes da mesma cultivar, produzidas pelo sistema convencional. As
avaliações de germinação revelaram um alto índice de sementes mortas, estando este resultado
relacionado à presença de fungos, detectados pelo teste de sanidade das sementes, sendo que, o
vigor dessas sementes apresentou decréscimo no decorrer de cinco meses de avaliações. As
sementes que foram produzidas pelo sistema convencional apresentaram valores superiores nas
avaliações de emergência, assim como na avaliação de plântulas a campo.
Palavras-chave: cebola, sementes, vigor, sanidade, emergência
INTRODUÇÃO
Como se sabe a qualidade das sementes é de vital importância para que se
obtenha sucesso em uma lavoura e as sementes de cebola não fogem a esta regra.
Vários autores relatam a importância da qualidade sanitária das sementes, no que se
refere à presença de microrganismos patogênicos, fungos, vírus e bactérias,
constantemente associadas às mesmas (Machado, 1988; Mentem, 1995).
Por esta razão, o tratamento de sementes com produtos químicos, tais como
fungicidas e antibióticos, é considerado como uma prática usual e eficiente para aumento
da produção (Reis & Forcelini, 1994). Porém, quando se busca a produção de alimentos
sem o uso de produtos químicos, as sementes estão incluídas neste contexto, por serem
o início de qualquer atividade cultivo.
1
Aluno de Graduação em Agronomia, Universidade do Sul de Santa Catarina – UNISUL, Tubarão – SC, Email: [email protected]
2
Eng.º Agr.º, Mestrando, Universidade Federal de Santa Maria - UFSM, CEP 97105-900, Santa Maria, RS,
E-mail: [email protected]
3
Prof. Dra. Depto de Fitossanidade, Universidade Federal de Santa Maria - UFSM, CEP 97105-900, Santa
Maria, RS.
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Com o objetivo de avaliar a qualidade das sementes de cebola, cultivar Baia,
produzidas sem o uso de produtos químicos em qualquer uma das suas etapas de
produção, foram realizados estes experimentos.
MATERIAIS E MÉTODOS
Este trabalho foi desenvolvido no Laboratório de Fitopatologia e Sementes e na
área experimental da Faculdade de Agronomia da UNISUL
(Universidade do Sul de Santa Catarina), Tubarão, SC. Foram utilizadas sementes de
cebola cultivar Baia, produzidas pela COOPERAL (Cooperativa Regional dos Agricultores
Assentados LTDA), sementes estas registradas e comercializadas pela marca BIONATUR
– Sementes Agroecológicas. As sementes foram produzidas dentro dos padrões
agroecológicos de produção, sem o uso de qualquer substância química, em todo o seu
processo de cultivo, pós-colheita e enlatamento.
As sementes foram submetidas ao Teste Padrão de Germinação, conforme
determina as Regras Brasileiras para Análise de Sementes (Brasil, 1992), sendo
utilizadas 400 sementes por avaliação. Foram distribuídas 50 sementes por caixa gerbox,
sendo estas forradas com três folhas de papel de filtro umedecido em água, e incubadas
a 20°C, com fotoperíodo de 12 horas. As avaliações foram realizadas aos 6 e aos 12 dias,
sendo determinado à percentagem de plântulas normais, anormais, sementes duras e
mortas. O vigor das sementes foi avaliado pelo teste de primeira contagem e pelo número
de plântulas emergidas a campo. O teste de primeira contagem foi conduzido em conjunto
com o Teste de Germinação, sendo considerada a avaliação realizada aos seis dias,
contando-se o número de plântulas que apresentavam desenvolvimento normal. As
sementes foram avaliadas quanto à presença de fungos e bactérias, onde 200 sementes,
desinfestadas com hipoclorito de sódio a 1%, por cinco minutos, foram colocadas em
caixas gerbox contendo três folhas de papel filtro umedecido em água e incubadas a
25°C, com fotoperíodo de 12 horas e, avaliadas aos sete dias. A avaliação de sanidade foi
realizada através da observação das sementes sob microscópio estetoscópio e os
resultados são expressos em porcentagem de colônias de microorganismos presentes
nas sementes.
As avaliações de germinação, vigor (Teste de Primeira Contagem) e sanidade
foram realizados mensalmente e quando da primeira avaliação, foi utilizado como
comparativo, sementes produzidas pelo sistema convencional, da mesma variedade.
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Para a avaliação do número de plântulas emergidas no campo, foram utilizadas
100 sementes por linha, semeadas a uma profundidade de 1,5 cm. As contagens foram
realizadas semanalmente, considerando-se o número de plântulas emergidas até a 5ª
semana após a semeadura, quando houve estabilização do estande.
RESULTADOS E DISCUSSÕES
Na tabela 1 encontram-se os resultados dos testes de germinação de sementes
realizada pelo período de cinco meses, onde se pode verificar um decréscimo dos valores
de vigor das sementes, especialmente a partir do 4º mês de avaliação. A taxas de
germinação também apresentaram um ligeiro declínio. No entanto, desde a primeira
avaliação pode-se observar uma elevada quantidade de sementes mortas, com taxas
variando entre 11 e 18%, o que pode ser relacionado com a presença de patógenos nas
sementes e na avaliação de sanidade (Tabela 3), pode-se verificar a presença dos fungos
Alternaria alternata, Stemphylium spp. e Aspergillus spp.
Os dados de avaliação de germinação e vigor das sementes de cebola, cultivadas
no sistema agroecológico e no sistema convencional, estão disponíveis na Tabela 2.
Pelos dados da tabela, pode-se perceber que tanto na avaliação de primeira contagem,
como na de germinação, que as sementes produzidas pelo sistema convencional
mostraram-se numericamente superiores àquelas produzidas no sistema agroecológico
Os dados sobre sementes mortas, no Teste de germinação e, de presença de
fungos, no Teste de sanidade, podem estar relacionados com os resultados da
Emergência de plântulas no campo, como demonstra a Tabela 4, onde as sementes que
foram produzidas pelo sistema agroecológico apresentaram valores menores. Talvez isso
se deva a incidência de organismos patogênicos associados às sementes.
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Tabela 1: germinação e vigor de sementes de cebola, cultivar Baia, em diferentes
épocas de avaliação.
Avaliações
Meses
Vigor (%)
Germinação (%)
Sementes mortas (%)
NOV/98
72,00
80,25
18,75
DEZ/98
82,75
88,00
11,50
FEV/99
60,50
79,50
13,75
MAR/99
53,75
75,50
17,50
ABR/99
23,25
73,00
18,75
Tabela 2. Germinação e vigor de sementes de cebola produzidas em diferentes sistemas
de cultivo.
Avaliações
Sistemas
Vigor (%)
Germinação (%)
Nº sementes mortas
Agroecológico
72,00
80,25
18,75
Convencional
86,25
93,75
6,00
Tabela 3. Presença de microrganismos associados às sementes de cebola produzidas no
sistema agroecológico, em diferentes épocas de avaliação.
Microorganismos presentes (%)
Avaliações
Alternaria alternata
Stemphylium spp
Aspergillus spp.
NOV/98
2,75
3,25
4,75
DEZ/98
1,00
2,00
6,75
FEV/99
1,50
2,75
7,25
MAR/99
3,50
2,75
7,75
ABR/99
2,50
0,75
8,75
Tabela 4. Avaliação de emergência de plântulas procedentes de sementes de cebola em
dois sistemas de cultivo.
Sistemas
Avaliações
1ª
2ª
3ª
4ª
5ª
Agroecológico
0,00
25,25
28,50
24,25
23,25
Convencional
0,00
46,75
37,75
37,75
40,50
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LITERATURA CITADA
BRASIL. Ministério da Agricultura. Departamento Nacional de Produção Vegetal – Divisão
de Sementes e Mudas. Regras para Analise de Sementes. Brasília, 1992. 365 p.
MACHADO, J.C. Padrões de tolerância de patógenos associados às sementes. Revisão
Anual de Patologia de Plantas. V.2. p. 229 – 263. 1994.
MENTEN, J. O. M. Patógenos em sementes: detecção, danos e controle químico.
Piracicaba: ESALQ/USP, 1995. 320p.
REIS, E. M. c, C. A. Manual de Fungicidas: guia para o controle de doenças. Passo
Fundo: Pe. Berthier, 1994. 100p.
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