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O treino comanda a vida

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O treino comanda a vida
A20
ID: 62705488
16-01-2016 | Revista E
Tiragem: 92120
Pág: 89
País: Portugal
Cores: Preto e Branco
Period.: Semanal
Área: 23,50 x 29,70 cm²
Âmbito: Lazer
Corte: 1 de 3
vícios
“PESSOAS SEM VÍCIOS TÊM POUCAS VIRTUDES”
Espe
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Fitnovo
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GETTY
O treino
comanda a vida
O CrossFit, o TRX e as modalidades do programa
Les Mills são a última moda nos ginásios. E são
também das mais exigentes. Exercícios para
super-heróis ao alcance de todos. Só custa começar
TEXTO JOÃO MIGUEL SALVADOR
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C
omeçar é o verbo primordial
para quem pretende atingir
resultados, mas o primeiro
passo custa sempre. Há que chegar à
porta e seguir com o pé direito. Entrar no ginásio é já de si uma prova de
esforço para todos os que nunca fizeram exercício — ou que se desleixaram nos últimos meses — e ficar por
lá custa ainda mais. O importante é
não perder a motivação.
Não há que temer. Nos últimos
anos, o mundo do fitness mudou, e o
número de modalidades disponíveis
e espaços de treino acessíveis tem
vindo a crescer. Se a ida ao ginásio
era um hábito elitista, hoje está ao
alcance de grande parte da população. Há soluções com mensalidades
baixas e sem fidelização para motivar os que ainda resistem a tornar-se mais saudáveis. A seguir, entra a
persistência.
Para Nick Coutts, CEO e proprietário da cadeia de ginásios Fitness
Hut, “a primeira e a segunda semanas são as mais fáceis, mas o desafio é manter a motivação a partir da
quinta ou sexta semanas”. Para isso,
é importante arranjar estratégias que
alterem a rotina de treino e que funcionem como barreira. Talvez a melhor forma de explicar a diminuição
de interesse na ida ao ginásio seja
compará-la a um rio. Na nascente
(ou na altura em que se decide passar
à ação) há uma frescura que não volta
a repetir-se tão cedo. O rio corre em
direção ao mar, vai perdendo vivacidade, e a vontade de correr mistura-se com outros afluentes.
É também assim no que toca ao
fitness. A repetição dos movimentos
cansa, à vontade inicial juntam-se outros fatores — como o cansaço após o
trabalho, as responsabilidades quotidianas e os fatores monetários — e rapidamente se deixa de aparecer. “As
pessoas não querem ficar presas à sua
decisão e ganhar uma nova obrigação”, explica Nick Coutts, para quem
a quebra de amarras é um passo importante para que os sócios se mantenham nas instalações dos ginásios
e não quebrem as resoluções do novo
ano. Ninguém se sente confiante se, na
altura em que decide mudar, o obrigam a assinar um contrato de permanência. “Para a maior parte das pessoas, o fitness não é um gosto e não passa
de uma necessidade. Muitas pessoas
não gostam de treinar, pelo que o desafio é ainda maior”, conclui o homem
que trouxe a cadeia Holmes Place para
Portugal em 1998.
Portugal não tem os preços mais
baixos, é verdade, mas é cada vez mais
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fácil encontrar uma boa oferta a um
preço competitivo. Claro que o mercado europeu é diferente, e na maior
parte dos países os ginásios low-cost
funcionam na perfeição, mas por cá
a preferência vai para o premium low-cost. Não há saunas, banhos turcos
ou massagens, mas o principal está lá.
DIVERSIFICAR PARA VENCER
Quando o espaço de treino é grande
e as condições oferecidas são boas, é
mais fácil permanecer conectado a
este mundo. Para isso, as aulas e as
modalidades dão uma ajuda, uma vez
que ninguém aguenta fazer todos os
treinos entre a passadeira de corrida,
a bicicleta e a elíptica. As aulas em
salas ou estúdios preparados para o
efeito, com um instrutor a coordenar
Novas
modalidades
CROSSFIT
Organizada em circuitos e
preparada em formato WOD
(Workout of The Day, ou treino
do dia, em português), esta
modalidade é das que mais cresce
em Portugal. Dos mais puristas
aos que juntam outras valências
ao desporto, são cerca de 40 os
clubes e ginásios que têm uma
box dedicada ao CrossFit. Fora da
esfera do franchising oficial ficam
todas as derivações do desporto,
disponíveis em grande parte dos
espaços dedicados ao fitness.
TRX
Criado para treinar os militares
norte-americanos dos Seals, o TRX
(Total-body Resistance Exercise)
combina diversas técnicas e
exercícios num aparelho simples
que pode ser instalado em qualquer
superfície fixa. Com menos de
um quilograma, este kit formado
por uma faixa de alta resistência
e duas pegas permite exercitar
os principais grupos musculares
de forma simples. Este treino de
resistência em suspensão faz parte
da família dos treinos funcionais
e pode ser feito fora do ginásio —
inclusive em casa.
LES MILLS
O nome do programa até pode
ser pouco conhecido, mas as
modalidades disponíveis neste
sistema de aulas de grupo são das
mais famosas. O BodyCombat,
o BodyPump e o RPM são
apenas três das 13 aulas Les Mills
disponíveis em Portugal.
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os movimentos e uma decoração que
convida ao movimento (com potentes
sistemas de som e de luzes a completar o panorama), são o ideal para não
se desistir. Entre os programas mais
conhecidos estão os preparados pela
Les Mills. Há atualmente em Portugal 13 modalidades distintas, sendo as
mais conhecidas o BodyPump, o BodyCombat e o RPM. Aqui não há desculpas para não treinar, uma vez que
os exercícios estão pensados para aliar a modelação do corpo à diversão.
Claro que ninguém é obrigado a
aderir a aulas para se manter em movimento, e outra das grandes tendências do momento são os treinos funcionais. Se no passado era preciso
contratar os serviços de um personal
trainer para aceder à maior parte destes equipamentos, agora estes estão à
disposição de todos os frequentadores de um ginásio. A mudança de paradigma é defendida por Nick Coutts,
para quem a proximidade entre serviços premium e standard é uma prioridade. “Aqui não há divisões e todos
treinam no mesmo espaço.” Para o
CEO do grupo Fitness Hut, que segue
a evolução do fitness em Portugal desde os anos 90, os melhores exercícios
não podem ser apenas para uma parte dos sócios. Os levantamento de pesos, as kettlebell (bolas de pesos usadas desde a Antiguidade para o treino
físico) e as fitas elásticas (que estamos
habituados a ver nos treinos de futebol) podem ser usados por todos, mas
é necessário saber manobrá-los. Para
isso, há instrutores preparados para
dar qualquer explicação.
Os frequentadores mais assíduos costumam dizer aos amigos novatos que é preciso alternar os treinos
para fazer renascer (e manter) a motivação, mas quem entra pela primeira vez num ginásio não acredita. É a
mais pura das verdades. Às vezes basta uma pequena aula de exercícios intervalados de alta intensidade (HIIT —
High-Intensity Interval Training) para
fazer subir os níveis de adrenalina e
fintar a rotina da passadeira. O espaço é partilhado por todos e, segundo a
metodologia e o exercício em questão,
bastam oito a dez minutos para limpar
as ideias e entrar em força no exercício seguinte. “Os sócios que praticam
aulas ficam mais tempo connosco e
atingem mais facilmente os resultados
estabelecidos do que quem prescinde
destes serviços”, explica Coutts.
EM BUSCA DE NOVOS DESAFIOS
A ida ao ginásio deve ser vista para lá
da febre da perda de peso ou da tonificação muscular. “É preciso tratar o
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fitness por tu e esquecer as três horas
no ginásio. A globalização do fitness
passa pela diversão”, defende Bruno Salgueiro, vlogger da série “Dicas do Salgueiro” no YouTube e autor de um livro homónimo. Este preparador físico não tem dúvidas de
que “o CrossFit veio para ficar e que
esta água fresca no mundo do fitness
vai continuar a ganhar adeptos”. A
frescura da modalidade acabará por
se diluir, mas a fidelização e o “vício” de quem a pratica vão manter-se durante algum tempo. O segredo do exercício do momento consiste
em cruzar diversas técnicas e modalidades (como ginástica, atletismo,
alterofilismo, levantamento de pesos
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ou kettlebell) e ter uma componente
competitiva forte.
Bruno Salgueiro é instrutor em
duas boxes (nome dado aos espaços
dedicados aos treinos), na CrossFit
Restelo e na CrossFit Rato, mas a oferta é cada vez maior. A nível nacional
são mais de 40 os espaços credenciados pela sede norte-americana e
multiplicam-se os casos de ginásios que têm ofertas semelhantes com
outros nomes (e algumas derivações).
É o caso do CrossTonik — disponível nos ginásios da cadeia Tonik — e
dos CrossMoves (nos ginásios Fitness
Hut), mas o importante é, independentemente do nome, continuar a
treinar para obter resultados.
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“É preciso tratar
o fitness por tu
e esquecer as três
horas no ginásio.
A globalização
do fitness passa
pela diversão”
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País: Portugal
Cores: Cor
Period.: Semanal
Área: 23,50 x 29,70 cm²
Âmbito: Lazer
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O segredo talvez seja mesmo
esse, uma vez que a prática de CrossFit estimula a maior parte dos grupos musculares de forma intensa.
Como em qualquer desporto, é preciso ter alguns cuidados. As pessoas
que só agora começam a fazer exercício não devem estrear-se com um
desporto tão duro e quando for hora
de entrar na box não é aconselhável que “comecem logo a aumentar
a carga”.
TREINAR EM CASA
A febre do fitness não se esgota no
ginásio — e aos runners que todos
os dias se veem pelas ruas juntam-se aficionados do exercício em
casa. O TRX é um dos desportos
que quase todos podem fazer dentro de portas, e a internet pode dar
uma ajuda para quem não quer perder o rumo. Nick Coutts usa o TRX
como um ginásio portátil e considera que “há vídeos bons no YouTube,
feitos por profissionais” que ensinam qualquer pessoa a manobrar
o sistema.
Este é o mundo de Bruno Salgueiro, que apresenta no seu site (http://
dicasdosalgueiro.pt/) duas secções a
fixar: uma com treinos avançados,
“O Meu Treino do Dia”, e outra chamada “Treino para Casa” (para iniciantes). Mas o importante mesmo é
nunca desistir. b
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