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a fada madrinha e o papel da cinderela na era da tecnologia
A FADA MADRINHA E O PAPEL DA CINDERELA NA ERA
DA TECNOLOGIA EDUCACIONAL
Marta Ouchar de Brito
1
RESUMO
O texto que segue apresenta uma síntese histórica das iniciativas em relação à
tecnologia educacional e uma discussão acerca do papel da escola e do
educador nesse contexto, abordando a relação do docente com as novas
tecnologias. Ele discute ainda os conceitos de alfabetização e inclusão digital,
terminando com uma reflexão acerca das novas linguagens dentro do
planejamento escolar.
Palavras-chave: educação; tecnologia; linguagens; escola.
ABSTRACT
The text that follows provides a historical overview of the initiatives regarding
educational technology and a discussion about the role of school and the teacher
in that context, addressing the relationship of teaching with new technologies. It
also discusses the concepts of literacy and digital inclusion, finishing with a
reflection on the new languages within the school planning.
Keywords: education, technology, languages; school.
1 Mestre em Educação e Assessora Pedagógica do CEDITEC/DITEC/SEED
2
1. INTRODUÇÃO
O que pensar da tecnologia num mundo repleto de linguagens que
mesclam a palavra, o som, as cores, o movimento e a imagem? O computador, a
televisão e o cinema são meios privilegiados em relação a essa expansão de
linguagens
e
eles
parecem
produzir
nos
homens
uma
sensação
de
encantamento, como se tudo dependesse do toque mágico da tecnologia.
A Escola, instituição inserida nessa sociedade de múltiplas linguagens, não
ficou no entorno desses movimentos de criação e adaptação, pois como já foi
dito, não é vizinha, é parte da sociedade.
É notório que a reboque da evolução tecnológica vêm as mudanças em
relação ao conhecimento e à construção desse conhecimento, visto que
precisamos conhecer mais e diferente. Exemplo disso é a organização docente e
discente na modalidade EAD, para a construção de um conhecimento que passa
quase que obrigatoriamente pela postura ativa e investigativa do aluno, ou seja,
a busca, o interesse e a iniciativa modificam a forma de construção desse
conhecimento.
Mas como conhecer o novo? Como construir conhecimentos “antigos” num
meio novo? Como ensinar o que já é sabido? Como sistematizar um
conhecimento nativo, que já não precisa ser ensinado, visto que já é aprendido
no dia-a-dia?
São muitas perguntas a serem respondidas e muitas discussões que
extrapolam as fronteiras da discussão metodológica, entre elas a discussão
sobre currículo. O que ensinar na sociedade do conhecimento? O que ensinar a
um jovem nativo dessa sociedade? Enfim, o que, por que e como ensinar, hoje?
3
2. UM POUCO DE HISTÓRIA
Imagem: Victor Henrique de Brito Okagawa
A imagem acima apresenta a idéia que permeará este texto, ou seja, a
tecnologia em si pode realizar nossos desejos? A fada madrinha, apenas com seu
encantamento, consegue fazer a Cinderela feliz?
Para entender melhor a pergunta é importante conhecer um pouco da
História da tecnologia, buscando-se alguns marcos cronológicos que mostram
onde estão os nativos, aqueles que já nasceram na sociedade de informação e
comunicação e onde estão aqueles que precisaram se adequar a essa sociedade.
As primeiras iniciativas na área da tecnologia na educação datam dos
anos 70.
4
De acordo com o livro Projeto EDUCOM, as entidades responsáveis pelas
primeiras investigações sobre o uso de computadores na educação
brasileira foram as universidades Federal do Rio de Janeiro - UFRJ,
Estadual de Campinas - UNICAMP e Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS.
2
Antes da década de 70, o computador era utilizado como objeto de
pesquisa e estudo, gerando disciplinas voltadas para aula de informática.
Seguem–se a esse momento algumas iniciativas com alunos de graduação e
pós-graduação, destinando ao uso do computador nas universidades um outro
olhar. Segundo Morais (
) “O computador era visto como recurso auxiliar do
professor no ensino e na avaliação, enfocando a dimensão cognitiva e afetiva ao
analisar atitudes e diferentes graus de ansiedade dos alunos em processos
interativos com o computador.”
As possibilidades metodológicas ainda estavam por
vir
e
seriam
imensamente ampliadas a partir daí.
Em 1975, alguns pesquisadores da UNICAMP pensam o uso do computador
em escolas de Ensino Médio e em 1977 as pesquisas se estendem para o uso do
computador pelas crianças.
Como a utilização dos computadores estava crescendo, houve necessidade de
propiciar momentos contínuos de reflexão entre os pesquisadores, promovendo
a troca de informações que sustentasse teoricamente a inserção dessa
tecnologia na educação.
Realizou-se então, de 25 a 27 de agosto de 1981 o I Seminário Nacional de
Informática na Educação, na Universidade de Brasília, que, até hoje, continua
apontando rumos para a condução do processo de utilização de tecnologias na
educação. Algumas das recomendações feitas por aquele Seminário são
relevantes e devem ser revistas neste momento:
Dentre as recomendações, destacavam-se aquelas relacionadas à
importância de que as atividades de informática na educação fossem
balizadas por valores culturais, sócio-políticos e pedagógicos da realidade
brasileira, bem como a necessidade do prevalecimento da questão
pedagógica sobre as questões tecnológicas no planejamento de ações,
computador foi reconhecido como um meio de ampliação das funções do
professor e jamais como forma de substituí-lo.3
2
3
http://edutec.net/Textos/Alia/MISC/edmcand1.htm
http://edutec.net/Textos/Alia/MISC/edmcand1.htm
5
As recomendações apontadas reforçam o cerne desse texto que enfatiza a
capacitação docente e discente como caminho para a real e eficaz utilização das
tecnologias na Educação.
No decorrer do processo, outros encontros se realizaram para a já citada
troca de informações da comunidade científica. O II Seminário Nacional de
Informática na Educação, realizado na Universidade Federal da Bahia, em agosto
de 1982, apontou:
...a necessidade de que a presença do computador na escola fosse
encarada como um recurso auxiliar ao processo educacional e jamais
como um fim em si mesmo. Para tanto, propunha-se que o computador
deveria submeter-se aos fins da educação e não determiná-los, reforçando
assim a idéia de que o computador deveria auxiliar o desenvolvimento da
inteligência do aluno, bem como possibilitasse o desenvolvimento de
habilidades intelectuais específicas requeridas pelos diferentes conteúdos.
4
A partir dessa breve apresentação das origens da tecnologia educacional
voltada especificamente para o uso de computadores nas escolas, é possível
perceber que as primeiras ações em relação a essa tecnologia procuraram
resguardar os aspectos pedagógico e humanista, busca que se mantém até hoje
em pesquisadores e professores.
Quando se fala em tecnologia na educação logo vem à mente a imagem
do computador, mas ele não é o único meio tecnológico que pode ser utilizado
para educar. No bojo da tecnologia educacional pode-se encontrar a Educação a
Distância, modalidade de Educação que se apropria de toda gama de recursos
tecnológico para encurtar distâncias, promover a interação entre professores e
alunos e democratizar o ensino.
Diferente das iniciativas em relação aos computadores, a teleducação não
teve grande preocupação pedagógica em suas origens, absorvendo modelos
técnicos e pouco ou nada pedagógicos.
Atualmente, os modelos de EAD sérios e comprometidos buscam respeitar
o aspecto pedagógico relacionando-o de maneira harmoniosa com o aspecto
4
http://edutec.net/Textos/Alia/MISC/edmcand1.htm
6
técnico necessário à EAD. Porém nem sempre foi assim, como aponta Maria
Cândida Moraes, quando se refere ao período do Governo Militar no Brasil:
Os projetos de teleducação daquela época, por sua vez, adotavam a
abordagem tecnicista, eram planejados e desenvolvidos sem ouvir a
comunidade interessada, descontextualizados, desvinculados de uma
realidade política e social, sem conhecer os agentes locais, as
necessidades de seus beneficiários, bem como a capacidade técnicooperacional das organizações envolvidas no subsistema de utilização dos
programas e projetos governamentais.5
De lá para cá, muita coisa mudou, inclusive a quantidade e disponibilidade
de ferramentas de interação durante as teleaulas, tais como telefone (0800)
programas de mensagens instantâneas, fóruns, chats, e-mails e outros.
Além dessas ferramentas, a concepção de educação a distância também
se afasta de uma modalidade “menor” e assume suas potencialidades, ancorada
na relação entre técnicos e educadores. Assim, quem trabalha na Educação a
Distância hoje são os mesmos professores que trabalham na Educação
presencial.
Para continuar na trilha da História das tecnologias não é permitido deixar
de dizer que a educação já se fez no Brasil e no mundo através de diversos
meios, entre eles o próprio livro, ou material impresso de outra natureza. A
educação a distância utilizou inicialmente o material impresso, que também é
tecnologia.
A educação a distância tem uma longa história de sucessos e fracassos.
Sua origem está nas experiências de educação por correspondência
iniciadas no final do século XVIII e com largo desenvolvimento a partir de
meados do século XIX (chegando atualmente a utilizar várias mídias,
desde o material impresso a simuladores online com grande interação
entre o aluno e o centro produtor, quer fazendo uso de inteligência
artificial, ou mesmo de comunicação síncrona entre professores e alunos).
6
A tecnologia segue ampliando seus limites porque ela própria
enquanto possibilidade amplia-se.
5
http://edutec.net/Textos/Alia/MISC/edmcand1.htm
6 http://virtual.epm.br/material/tis/enf/apostila.htm)
7
A história da tecnologia é quase tão velha quanto a história da
humanidade, e se segue desde quando os seres humanos começaram a
usar ferramentas de caça e de proteção. As tecnologias mais antigas
converteram recursos naturais em ferramentas simples. A descoberta e o
conseqüente uso do fogo foi um ponto chave na evolução tecnológica do
homem, permitindo um melhor aproveitamento dos alimentos e o
aproveitamento dos recursos naturais que necessitam do calor para
serem úteis. A madeira e o carvão de lenha estão entre os primeiros
materiais usados como combustível. 7
Da etimologia da palavra tecnologia as concepções adotadas por
pesquisadores e estudiosos em relação a ela, há uma ampliação que decorre da
aplicação humana.
A palavra Tecnologia é de origem grega, o prefixo “techne” significa
"ofício" e o sufixo “logia” corresponde a "que diz". Tecnologia é um termo
bastante abrangente que envolve entre outros, o conhecimento técnico /
científico e as ferramentas, processos e materiais criados e/ou utilizados a
partir de tal conhecimento.8
Ou...
Tecnología. Aplicación del conocimiento científico u organizado a las
tareas prácticas por medio de sistemas ordenados que incluyen las
personas, las organizaciones, los organismos vivientes y las
máquinas.9
Essa última concepção apresentada inclui pessoas. Não se quer aqui
fechar o conceito porque seria um risco. Porém, cabe com certeza a afirmação
de que a postura das pessoas tem papel fundamental no processo de evolução
tecnológica.
Para concluir, é importante citar que o aspecto histórico destaca aqui o
papel dos profissionais da educação que não se recusaram e não se recusam a
tentar uma nova possibilidade, um novo caminho, reafirmando a idéia de que a
7 http://www.avaliacao.faefi.ufu.br/index.php?id=10
8 http://www.avaliacao.faefi.ufu.br/index.php?id=10
9 http://bibliotecadigital.ilce.edu.mx/sites/ciencia/volumen3/ciencia3/159/htm/sec_9.htm
8
fada madrinha precisa da
boa
vontade da
Cinderela para operar os
encantamentos.
3. OS PROFESSORES E AS NOVAS TECNOLOGIAS DE EDUCAÇÃO
Não é possível mais dizer que todos os professores da rede de ensino são
filhos de uma cultura pré-computador. Muitos dos jovens professores que estão
nas escolas atualmente já nasceram nativos da vida tecnológica e conseguem
acompanhar
as
mudanças
propostas por
várias
iniciativas
em
âmbito
governamental.
Todavia, não somos uma maioria tecnologicamente alfabetizada, somos
uma passagem, uma mutação e é com essa mutação provisória que devemos
trabalhar.
Procurando entender, definir e produzir conhecimento a respeito desta
sociedade tecnológica, a partir da década de 60, muitos teóricos das
ciências humanas, como Marcuse (1967), Ferkiss (1972), Morais (1978),
Fromm (1984), Silva (1992), utilizaram termos como “transição” e
“revolução tecnológica” para definir este momento histórico, buscando
entender e interpretar esse fenômeno.10
Quando os profissionais da secretarias de Educação chegavam às salas de
capacitação há 15 ou 20 anos, tinham ciência de
que todos os professores
sabiam ler e escrever; hoje, quando esses profissionais chegam ao ambiente de
capacitação eles encontram uma heterogeneidade, muitas vezes intransponível.
Essa heterogeneidade é, todavia, inevitável tendo em vista o período de
transição pelo qual passamos. Diante desse fato, é possível apontar algumas
situações que devem ser equacionadas.
Ferkiss (1972) aponta a incapacidade de a tecnologia, sozinha, acabar
com as desigualdades sociais do sistema capitalista. Conclui ser
necessária a criação de um homem tecnológico em detrimento ao homem
burguês da sociedade industrial. Esse homem teria o controle de seu
próprio desenvolvimento com uma concepção plena do papel da
tecnologia no processo da evolução humana, “acostumado à ciência e à
tecnologia, dominando ambas ao invés de ser por elas dominado” (p.167).
11
10 http://www.avaliacao.faefi.ufu.br/index.php?id=10
11 http://www.avaliacao.faefi.ufu.br/index.php?id=10
9
A idéia apresentada por Ferkiss, de que a tecnologia sozinha não dá conta
das desigualdades sociais deve ser estendida ao ambiente escolar, ou seja, a
implementação da rede física e lógica de computadores não garante o uso dessa
rede, muito menos o uso pedagógico dessa rede.
Apresentar-se-á neste momento uma metáfora banal, mas potencialmente
ilustrativa relacionada aos conceitos de leitura.
A leitura pode ser tomada em dois aspectos: Leitura é decodificação e
leitura é construção de sentido. É consenso que busca-se em relação ao aluno, o
processo de leitura no sentido amplo, ou seja, a construção de sentidos
coerentes. Ocorre, todavia, que o aluno não conseguirá atribuir sentido a uma
palavra ou uma frase se não conseguir decodificá-la corretamente no início do
processo.
Movimento similar acontece com a interpretação de textos. O primeiro
obstáculo a ser vencido na interpretação de textos é o vocabulário. Saber o
vocabulário não garante uma boa interpretação, mas não conhecer o
vocabulário, com certeza, impede qualquer interpretação.
O que se pretende exemplificar é que, tanto na leitura como na
interpretação, quanto na utilização de novas tecnologias na educação, o
conhecimento da linguagem e a implementação da estrutura são processos
atrelados, que se completam, que se articulam.
Então, se mudamos a linguagem, precisamos necessariamente aprender a
ler essa nova linguagem. Isso acontece com qualquer alteração de códigos,
como o Cinema, Libras, Braile, e a linguagem WEB.
4. INCLUSÃO OU ALFABETIZAÇÃO DIGITAL?
Os debates acerca dos termos são constantes, mas a despeito de tais
debates segue a necessidade de encaminhamentos que aproximem as pessoas
de novas tecnologias que facilitem seu dia-a-dia e, muitas vezes, seu exercício
social.
Há controvérsias, ainda, sobre o termo que melhor denota o significado e
mesmo na interpretação que se dá ao mesmo. Assim, por exemplo,
10
Bonilla (2004) vê a alfabetização digital defendida pelo SOCINFO apenas
como a habilitação básica para usar as novas tecnologias numa
perspectiva do usuário consumidor de bens, serviços e informações.
Buzato (2003) acredita que alfabetização está relacionada somente a
codificação/decodificação da escrita e sugere o termo “letramento digital”
relacionando-o à habilidade para construir sentido, capacidade para
localizar, filtrar e avaliar criticamente informação eletrônica. Silva (2002),
por sua vez, relaciona alfabetização com construção social e, portanto,
alfabetização tecnológica seria a capacitação para utilização inteligente e
crítica da tecnologia: saber quando e porquê utilizá-la e exercer a
cidadania.12
Esse intenso debate acerca dos termos inclusão ou alfabetização, ou outro
ainda, nasceu por conta da rápida chegada de computadores pessoais às
residências, ao uso crescente da internet, às políticas governamentais ligadas à
área e a ausência de acesso da população às informações.
Esses fatores causam um impacto relevante no ambiente escolar, pois
muitas vezes o professor e a escola estão em dissonância com o movimento de
veiculação de informações que acontece na sociedade.
Segundo Cabral (2004) há uma analogia entre inclusão e alfabetização digital.
A inclusão digital se assemelha, portanto, à idéia de alfabetização digital,
numa equivalência com a perspectiva da alfabetização no processo de
inclusão social, voltando o foco para aqueles que também se encontram
no próprio contexto de exclusão social, acrescentando a temática da
tecnologia digital no sentido de somar esforços para atenuar essa
diferença.13
A exclusão se concretiza novamente na escola na medida em que a
implementação física e lógica de uma rede tecnológica no sistema educacional
não resolve os problemas metodológicos, que nascem na incapacidade de
manuseio dos equipamentos e dos softwares.
Democratizar a informação não pode, assim, envolver somente programas
para facilitar e aumentar o acesso à informação. É necessário que o
indivíduo tenha condições de elaborar este insumo recebido,
transformando-o em conhecimento esclarecedor e libertador, em
12 http://www.cinform.ufba.br/v_anais/artigos/jussaraborgeslima.html
13 http://www.uniritter.edu.br/w2/comuni/1/artigos/4.html
11
benefício
próprio
e
da
sociedade
onde
vive
(BARRETO,1994.http://www.cinform.ufba.br/v_anais/artigos/jussaraborgesli
ma.html)
Porém, o problema levantado não está relacionado apenas à chegada das
TICs. Para exemplificar esse fato é necessário relembrar que, quando Johannes
Guttenberg inventou a imprensa no século XV, os professores das universidades
acreditaram no fim de suas carreiras, pois os alunos não teriam mais que anotar
o que eles falavam. Esse tipo de resistência às transições não é novo e esbarra
na ainda cultura de um professor que para de aprender para ensinar.
As instituições escolares têm o papel essencial de orientar os indivíduos
nesse processo de aprendizagem, pois na Escola circulam informações
constantemente. A partir desse processo de aprendizagem, o sujeito
absorve informações e é estimulado a criar e recriar conceitos utilizando
as novas informações, suas experiências e conceitos elaborados
anteriormente. A interação constante entre sujeito e objeto (informação),
acarretará a formulação de novos conhecimentos, que por sua vez
possibilitarão a criação de novas informações.14
Num contexto tão dinâmico em relação ao conhecimento e à circulação de
informações, não é possível entender-se pronto, acabado. Cabe aqui a postura
de aprendiz, de discípulo e de questionador, ou seja, a Cinderela deve ter
vontade de ir ao baile antes de subir à carruagem.
5. AS NOVAS LINGUAGENS DENTRO DO PLANEJAMENTO ESCOLAR
Ensinar pressupõe aprender e o aprender do professor deve superar as
barreiras disciplinares, visto que os paradigmas tendem a mudar, trazendo uma
ótica complexa, total, íntegra em relação às ciências.
De acordo com Simões (2002) nos anos 1979 e 1980 a Associação
Brasileira de Tecnologia Educacional (ABT), submeteu aos participantes de
seu Seminário Nacional um conceito de TE que refletia e sintetizava uma
abordagem nova e mais ampla encarada pela direção da Associação como
uma evolução:
A
TE
fundamentava-se
em
uma
opção
14 http://www.cinform.ufba.br/v_anais/artigos/jussaraborgeslima.html
filosófica,
centrada
no
12
desenvolvimento integral do homem, inserido na dinâmica da
transformação social; concretiza-se pela aplicação de novas teorias,
princípios, conceitos e técnicas num esforço permanente de renovação da
educação. (ABT, 1982, p. 17 apud Simões, 2002, p.36)
Para Luckesi (1986) este conceito globaliza os três elementos
fundamentais de qualquer ação humana: uma opção filosófica, uma
contextualização social da ação e o uso de princípios científicos e
instrumentos técnicos de transformação.15
Os três elementos apontados por Luckesi poderiam assim ser traduzidos
para o ambiente escolar.
A opção filosófica teria que ser feita a partir da aceitação de que a
tecnologia não escravizaria o homem, mas o libertaria dos limites físicos e
geográficos na construção do conhecimento. Segundo Lévy
A verdadeira mutação se passa noutros aspectos. Em primeiro lugar, não
é mais o leitor que vai se deslocar diante do texto, mas é o texto que,
como um caleidoscópio, vai se dobrar e se desdobrar diferentemente
diante de cada leitor. O segundo ponto é que tanto a escrita como a
leitura vão mudar o seu papel, porque o próprio leitor vai participar da
mensagem na medida em que ele não vai estar apenas ligado a um
aspecto. O leitor passa a participar da própria redação do texto à medida
que ele não está mais na posição passiva diante de um texto estático,
uma vez que ele tem diante de si não uma mensagem estática, mas um
potencial de mensagem. Então, o espaço cibernético introduz a idéia de
que toda leitura é uma escrita em potencial. O terceiro ponto que, sem
dúvida, é o mais importante, é que estamos assistindo uma
desterritorialização dos textos, das mensagens, enfim, de tudo o que é
documento: tanto o texto como mensagem se tornam uma matéria. 16
A desterritorialização apontada por Levy, entendida como positiva diante
do maior e mais rápido acesso às informações contidas nesses textos, carece de
aceitação por parte dos profissionais da educação, pois a utilização de um
recurso pedagógico só é satisfatória quando provém de uma aceitação pessoal
de tal recurso.
O contexto social é determinante do contexto educacional ao entender-se
a escola como parte da sociedade e não como apêndice dela. Então, o contexto
pode determinar a necessidade de uso ou não de recursos tecnológicos no
processo educacional.
Dessa forma, volta-se às perguntas iniciais deste artigo: O que ensinar na
15http://www.avaliacao.faefi.ufu.br/index.php?id=10
16 http://caosmose.net/pierrelevy/aemergen.html
13
sociedade do conhecimento? O que ensinar a um jovem Hi tec? Enfim, o que ,
por que e como ensinar, hoje?
Seria então esse contexto contemporâneo que determinaria a opção por
novas metodologias, inclusive, tecnológicas.
Enquanto o trabalho com as novas tecnologias educacionais continuar a
ser “enxertado” no planejamento escolar, a opção de não inseri-lo ou inseri-lo
como “tapa buracos” continuará imperando.
Nesse sentido Lévy afirma que “Toda e qualquer reflexão séria sobre o
devir dos sistemas de educação e formação na cybercultura deve apoiar-se
numa análise prévia da mutação contemporânea da relação com o saber.”17
Como exemplo de modificação na postura da escola e do professor podese afirmar que, atualmente, o professor não pode levar seus alunos para o
laboratório de informática apenas porque é um professor super criativo ou como
uma iniciativa sem precedentes; ele deve levá-los ao laboratório porque essa
linguagem e esse meio fazem parte do currículo que esse momento, essa
sociedade reclamam; assim como é preciso aprender Língua Portuguesa, é
preciso aprender informática, pois não lemos apenas nos livros, lemos também
na tela do livro digital.
Neste momento, é necessário discutir um conceito que se faz presente
sempre que falamos de linguagens, ou seja, a idéia de cidadania, de participação
social efetiva.
Gadotti (2001) define cidadania como a consciência de direitos e deveres
da democracia e defende uma escola cidadã como a realização de uma
escola pública e popular, cada vez mais comprometida com a construção
de uma sociedade mais justa e igualitária.18
A partir da afirmação de Gadotti, pode-se perceber a estreita ligação entre
o exercício da cidadania e a utilização da linguagem, enquanto objeto de
inserção e atuação social.
Em termos práticos é possível imaginar a situação dos analfabetos
funcionais, por exemplo, que não dominam a leitura, no sentido de construção
do significado textual e ficam a mercê de interpretações alheias. Inserir-se
socialmente e exercer a cidadania passa então pela capacidade de exposição de
17 http://caosmose.net/pierrelevy/educaecyber.html
18 http://www.webartigos.com/articles/1188/1/escola-participacao-e-cidadania/pagina1.html
14
idéias e argumentação, ou seja, pelo uso da linguagem verbal escrita e falada.
Há várias iniciativas governamentais em âmbito federal, estadual e
municipal que buscam a inserção e/ou implementação de novas tecnologias
educacionais, mas a vontade política e a existência dessa tecnologia não bastam
na educação porque a educação é feita basicamente por pessoas. Para
continuarmos a metáfora, a Cinderela deve dançar com o príncipe para seduzi-lo
e ser seduzida.
15
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O que ainda falta? Ao longo desse texto tentou-se apontar para uma
questão nuclear, ou seja, a simples implementação de redes tecnológicas nas
escolas não dá conta da utilização qualitativa das tecnologias educacionais.
Portanto, a despeito de iniciativas governamentais já mencionadas
(municipais, estaduais e federais), deve haver também uma disponibilidade para
mudar, um desejo de enfrentamento e um desarmamento em relação às novas
possibilidades metodológicas apresentadas.
Assim como os livros não substituíram os mestres no século XV, as
máquinas
não
substituirão
agora.
As
máquinas
aparecem
como
uma
possibilidade de realização de objetivos que os homens até então não
conseguiam por conta de limitações inerentes, uma delas a distância territorial,
por exemplo, hoje, vencida pela Educação a Distância.
Dessa forma, falta ainda uma congruência de objetivos, um caminhar
juntos, uma vontade coletiva ou, romanticamente falando, falta o beijo da
Cinderela no príncipe encantado, pois esse encantamento a fada madrinha não
pode realizar sozinha.
16
REFERÊNCIAS
http://edutec.net/Textos/Alia/MISC/edmcand1.htm. Acesso em 27/04/2008
http://virtual.epm.br/material/tis/enf/apostila.htm) . Acesso em 27/04/2008
http://www.avaliacao.faefi.ufu.br/index.php?id=10
-
ECNOLOGIAS
E
-
TECNOLOGIAS
E
TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS. Acesso em 27/04/2008
http://www.avaliacao.faefi.ufu.br/index.php?id=10
TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS. Acesso em 27/04/2008
http://bibliotecadigital.ilce.edu.mx/sites/ciencia/volumen3/ciencia3/159/htm/sec_
9.htm. Acesso em 27/04/2008
http://www.avaliacao.faefi.ufu.br/index.php?id=10. Acesso em 27/04/2008
http://www.cinform.ufba.br/v_anais/artigos/jussaraborgeslima.html.
Acesso
em
27/04/2008
http://www.uniritter.edu.br/w2/comuni/1/artigos/4.html. Acesso em 27/04/2008
http://www.avaliacao.faefi.ufu.br/index.php?id=10 . Acesso em 27/04/2008
http://caosmose.net/pierrelevy/aemergen.html. Acesso em 27/04/2008
http://caosmose.net/pierrelevy/educaecyber.html. Acesso em 27/04/2008
http://www.webartigos.com/articles/1188/1/escola-participacao-ecidadania/pagina1.html. Acesso em 27/04/2008
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