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Somos uma Geração Enterrada

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Somos uma Geração Enterrada
“Somos uma Geração Enterrada”
Discriminação e Violência Contra Minorias Sexuais no Irã
Resumo
No Irã não temos homossexuais como você tem no seu país. Isso não existe
em nosso país.
—Presidente Mahmoud Ahmadinejad, Universidade de Columbia, Nova
Iorque, 24 de setembro de 2007.
Agora a negação infame do presidente Mahmoud Ahmadinejad’s, em setembro de 2007,
sobre a existência de homossexualidade em seu país parece tão oca quanto na ocasião em
que o presidente fez tal declaração perante uma platéia na Universidade de Columbia em
Nova Iorque há mais de três anos atrás.
As autoridades iranianas continuam a processar centenas de pedidos de homens que
procuram isenção do serviço militar obrigatório alegando serem gays ou transsexuais.
Vários psiquiatras, psicólogos e sexólogos importantes que trabalham em conivência com o
estado, tem aconselhado centenas de iranianos gays, lésbicas,bissexuais e transsexuais
(LGBT) a diagnosticar e “tratar”sua orientação sexual “desviante”. Além disso, o Irã tornouse famoso em todo o mundo pelo número relativamente alto de cirurgias de redesignação
sexual—algumas das quais foram realizadas por iranianos que provavelmente se autoidentificavam como gays, lésbicas ou bissexuais mas que se sentiram compelidos a se
submeter a tal procedimento para apagar a “mancha” da homossexualidade e tornarem-se
“legais” na lei iraniana.1
A posição de Ahmadinejad de que o Irã está livre da homossexualidade é coerente como a
negativa e intolerância do governo iraniano para com suas minorias sexuais. O clima no Irã
atualmente é tal que as minorias sexuais, que são frequentemente s vítimas de abuso e
violência,são tratadas como culpadas; o estado parece sancionar oficialmente o assédio e o
1
Os transgêneros iranianos são reconhecidos no Irã desde 1987 quando o Ayatolá Khomeini emitiu uma fatwa, ato religioso,
garantindo a eles permissão para submeterem-se à cirurgia para reorientação sexual.
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Human Rights Watch | Dezembro 2010
abuso das pessoas LGBT por agentes privados e até mesmo pela polícia e as pessoas LGBT
são frequentemente vistas como doentes, criminosos ou agentes corruptores da cultura
ocidental.
Apesar das declarações oficiais, no entanto, acredita-se que milhares de iranianos se autoidentificam como membros da comunidade LGBT do Irã, enquanto muitos outros se
envolvem em atos homossexuais consensuais proibidos pela lei iraniana. Naturalmente não
há estatística oficial sobre o tamanho da população LGBT do Irã, mas a sua existência é
reconhecida em muitas das maiores áreas urbanas do país, como Teerã, Isfahan e Shiraz.
Na capital Teerã, por exemplo, existem áreas públicas onde os LGBT iranianos se encontram.
Algumas dessas áreas, tais como cafés e restaurantes estão associados com os mais
afluentes e a classe média LGBT, enquanto outras áreas, inclusive vários parques
conhecidos, são frequentados por LGBT que foram rejeitados por suas famílias e vivem às
margens da sociedade – especialmente homens gays, mulheres transsexuais, e outros que
recorrem à prostituição como forma de sustento.
Este relatório se baseia em entrevistas com mais de 125 lésbicas, gays, bissexuais e
transsexuais iranianos dentro e fora do Irã nos últimos cinco anos e documenta
discriminação e violência contra as cidadãs lésbicas, gays, bissexuais e transsexuais
iranianos e outros cidadãos cujas práticas sexuais e expressão de gênero não conformam
com as normas sócio-religiosas. A Human Rights Watch analisa esses abusos no contexto
de violações sistemáticas infringidas pelo governo iraniano contra seus cidadãos, inclusive
através de detenção e prisões arbitrárias, invasão de privacidade, maus-tratos e tortura de
detidos, e falta de devido processo e direito a um julgamento justo.
As forças de segurança do Irã, incluindo a polícia e as forças linha-dura paramilitares, basij,
contam com leis discriminatórias para perseguir, prender e deter indivíduos que eles
suspeitam serem gays.
Os incidentes ocorrem frequentemente em parques e cafés, mas a Human Rights Watch
também documentou casos em que as forças de segurança invadiram casas e monitoraram
sites da internet com a finalidade de deter pessoas suspeitas de envolvimento em conduta
sexual ou expressão de gênero fora do padrão.
O relatório também documenta casos em que a polícia e a basij supostamente maltrataram
e em alguns casos torturaram pessoas que eram realmente LGBT e outras suspeitas,tanto
em espaços públicos como em locais de detenção. Várias pessoas entrevistadas alegaram
que foram abusadas sexualmente ou estupradas por membros das forças de segurança.
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Também são discutidos abusos resultantes da aplicação da lei iraniana. Por exemplo,
pessoas acusadas de crimes sexuais, muitas vezes são submetidas a julgamentos sumários
que não aderem aos princípios de justiça. Juizes que supervisionam os casos de sodomia
muitas vezes ignoram diretrizes estritas para provas contidas no Código Penal iraniano e
usam métodos questionáveis de investigação e inclusão de provas que deveriam ser
inadmissíveis na decisão sobre a culpa ou inocência do réu. As condenações
frequentemente se baseiam em confissões obtidas sob tortura e pressão psicológica
extrema, e os tribunais tem condenado réus acusados de sodomia com base unicamente no
“conhecimento do juiz” apesar de haver provas da defesa e da falta de elementos da
acusação. Por fim, o relatório documenta a situação dos refugiados LGBT que fogem do Irã
para outros países (Turquia, em particular), bem como os perigos enfrentados por iranianos
que trabalham em questões ligadas aos direitos das minorias sexuais.
O Direito iraniano reflete a atitude hostil do governo em relação às minorias sexuais,
inclusive as lésbicas, gays, bissexuais e transsexuais. O Código Penal iraniano criminaliza
toda e qualquer relação sexual fora do casamento formal e proíbe especificamente a
conduta homossexual independente se é consensual ou não. A ameaça real de acusação e
punição séria que se aplica a condenados por “crimes de mesmo sexo” constitui uma
discriminação contra os membros da minoria LGBT cujas práticas sexuais consensuais são
criminalizadas em toda e qualquer circunstância. Por exemplo, a lei iraniana proíbe a
sodomia, definida como relações sexuais consensuais e coagidas entre dois homens. A
punição para relações sexuais entre dois homens (lavat) é a morte e para relações sexuais
entre duas mulheres (mosahegeh) é de 100 chicotadas para os três primeiros delitos e pena
de morte para o quarto delito. Evidências indicam que esse tipo de punição já foi imposta
no Irã e a ameaça de execução é real para a comunidade vulnerável LGBT iraniana.
As disposições legais que tipificam e impõem a pena capital para conduta consensual
homossexual está em conflito com as obrigações do Irã sob o Pacto Internacional de
Direitos Civis e Políticos (PIDCP), ratificado pelo Irã em 1975, que proíbe a pena de morte,
exceto para os “crimes mais graves”.2 Além disso, a Convenção sobre os Direitos da Criança
(CDC) proíbe o Irã de condenar a morte indivíduos que tenham cometido sodomia (ou
qualquer outro crime) quando menores de 18 anos.3 O Comitê de Direitos Humanos, que
interpreta o PIDCP, instou todas as partes do estado a revogar as lei que criminalizam a
2
O Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos (PIDCP), adotado em 16 de dezembro de 1966, G.A. Res. 2200ª (XXI), 21
ONU GAOR Supp. (No. 16) at 52, ONU Doc. A/6316 (1966), 999 U.N.T.S. 171, entrou em vigor em 23 de março de 1976.
3
Convenção sobre os Direitos da Criança (CDC), adotada em 20 de novembro de 1989, 1577 U.N.T.S. 3 (entrou em vigor em 2
de setembro de 1990), art. 37 (a).
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homossexualidade ou conduta do mesmo sexo. O governo iraniano está legalmente
obrigado a cumprir a lei e tratados internacionais de direitos humanos assim como o direito
consuetudinário, e as obrigações e compromissos assumidos pelos governos iranianos
anteriores.4 As proteções do PIDCP estabelecem mandado de ação sobre autoridades
iranianas, inclusive funcionários que são responsáveis pela manutenção da segurança e do
cumprimento da lei no Irã.
A Human Rights Watch apela ao governo iraniano que elimine todas as leis e demais
legislação no âmbito do Código Penal Islâmico que criminalizem o comportamento entre
mesmo sexo consensual, especialmente aqueles que impõem a pena de morte, que cesse o
assédio, as detenções, as prisões, os julgamentos e as condenações de pessoas do LGBT
ou de pessoas que tem relações consensuais com o mesmo sexo. A Human Rights Watch
também exorta as autoridades a proibir o assédio do público, abuso ou detenção de
minorias sexuais, de pessoas que se suspeitam serem membros da comunidde LGBT, ou
outros (como os “homens afeminados”) pelas forças de segurança, inclusive as unidades
Basij do Irã, e para investigar e processar membros das forças de segurança que estão
envolvidos em tais ações. Qualquer uso de testemunhos ou confissões obtidos ou que
tenham sido obtidos por meio de tortura ou ameaça de tortura ou outros maus-tratos pelas
forças de segurança devem ser proibidos.
A Human Rights Watch também apela a outros Estadose ao Escritório do Alto Comissariado
das Nações Unidas para os Refugiados para que implementem recomendações para
salvaguardar os direitos dos refugiados vulneráveis LGBT do Irã e daqueles que requerem
asilo.
4
A Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados, aberta à assinatura em 23 de maio de 1969, 115 UNTS 331, estabelece
que as obrigações sob os acordos internacionais não são terminadas por uma mudança de governo.
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Recomendações
Ao Governo do Irã:
•
Abolir todas as leis e demais legislação no âmbito do Côdigo Penal Islâmico que
criminalizem a conduta sexual consensual entre o mesmo sexo, inclusive mas não
se limitando ao:
•
Artigo 110-11, que criminalizam a sodomia ou o lavat e prescreve pena de morte para
tais atos “desde que ambos os sócios ativos e passivos sejam maduros, de boa
mente e tenham agido de livre vontade”;
Artigo 121-22, que criminalizam atos sem penetração “preliminares” (tafkhiz) entre
os homens, e prescreve chicotadas como punição (e morte após a quarta
condenação);
Artigos 123-24, que criminalizam o “beijo lascivo” entre homens e deitar-se nu baixo
a mesma coberta sem necessidade” e prescreve chicotadas como punição;
Artigos 129-31, que criminalizam o mosaheqeh, ou relações sexuais entre mulheres
e prescreve chicotadas como punição (e pena de morte após a quarta
condenação);
•
•
•
•
Abolir ou alterar o artigo 120 do Código Penal Islâmico que permite condenações,
incluindo as relacionadas à conduta do mesmo sexo, com base unicamente no
conhecimento do juiz da Sharia como “obtida por métodos tradicionais”, que
permite que os juizes se baseiem em indícios tênues para determinar a
ocorrência do crime;
•
Alterar o Código Penal Islâmico para incluir uma provisão única criminal nãodiscriminatória de gênero para estupro, inclusive a criminalização do estupro intramatrimônio;
•
Cessar a perseguição, detenção, prisão, julgamento e condenação de minorias
sexuais com base em crimes contra a moral pública ou castidade, inclusive a
violação de santidades religiosas em publico (artigo 638), a organização de (ou
participação em) uma reunião imoral ou corrupta (artigo 639 (a)), e encorajar outras
pessoas a participar em actos de corrupção e obscenas (artigo 639(b));
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•
Cessar o assédio, detenção, prisão, julgamento e condenação de pessoas LGBT com
base nas disposições do Código Penal Islâmico, Lei de Imprensa e a Lei de
Cibercrimes, que proíbem a produção, utilização e divulgação de material
considerado “imoral”, inclusive sites LGBT, literatura e outros apetrechos;
•
Anular imediatamente todas e quaisquer condenações e sentenças relacionadas à
punição de indivíduos que se envolveram em relações sexuais consensuais com o
mesmo sexo e libertar imediatamente todas e todos os detentos que atualmente
servem penas de prisão por tais condenações;
•
Anular imediatamente todas as sentenças de morte ilegais relacionadas a pessoas
suspeitas de terem cometido o crime de lavat ou sodomia quando eram menores de
18 anos, independentemente se o ato foi consensual ou forçado;
•
Modificar os regulamentos militares que proíbem iranianos gays e transgêneros de
servir nas forças armadas, porque são considerados desviantes sexuais e da moral
com “distúrbios comportamentais”;
•
Cessar a utilização e a gestão de todos os testes físicos e psicológicos humilhantes
por profissionais de saúde privada e do governo destinados a provar que um
indivíduo é gay ou transsexual a fim de assegurar a isenção militar;
•
Proibir o assédio público, abuso, ou a detenção de minorias sexuais, de pessoas
que se suspeitam pertencer a comunidade LGBT, ou outros (como "homens
afeminados") pelas forças de segurança, inclusive as unidades iranianas do Basij, e
investigar e processar membros das forças de segurança que se envolvem em tais
ações;
•
Proteger e respeitar a privacidade de todos iranianos e cessar todos os alvos ou
armadilhas, inclusive armadilhas pela internet e invasões de domicílio, pelas forças
de segurança contra a comunidade LGBT do Irã ou os indivíduos que optam por se
envolver em relações homossexuais consensuais;
•
Proibir o assédio, abuso, maus-tratos, tortura e abuso sexual minorias sexuais ou
indivíduos que se acredita serem membros da minorias sexuais no Irã por forças de
segurança durante a detenção, e investigar e processar membros das forças de
segurança envolvidos em tais ações;
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•
Proibir o uso de testemunhos ou confissões obtidas ou que possam ter sido obtidas
sob tortura, ameaça de tortura ou outros maus-tratos em todos os processos,
incluindo aqueles relacionados com a conduta sexual entre mesmo sexo;
•
Assegurar que as autoridades policiais investiguem corretamente e processem os
autores de violência doméstica e abuso (incluindo medicação forçada e / ou
tratamento médico), independentemente de as vítimas serem minorias sexuais ou
não;
•
Tomar todas as medidas legislativas, administrativas e outras para respeitar e
reconhecer legalmente a auto-definição do gênero por cada um e para assegurar a
existência de procedimentos em que todos os documentos de identidade emitidos
pelo estado que indiquem o gênero/sexo de uma pessoa reflitam a auto-definição
de gênero de cada um;
•
Assegurar que alterações aos documentos de identidade sejam reconhecidos em
todos os contextos onde a identificação ou a desagregação de pessoas por sexo
seja exigida por lei ou política;
•
Assegurar que empregadores privados não discriminem pessoas com base na sua
orientação sexual ou gênero, e aprovar leis específicas para proteger transgêneros e
transsexuais iranianos que já sejam legalmente reconhecidas pelo governo iraniano
de tal discriminação;
•
Abster-se de encorajar ou persuadir as minorias sexuais, especialmente lésbicas,
gays e bissexuais iranianos, de se submeterem à cirurgia de mudança de sexo para
se tornarem “legais” nos termos da lei;
•
Proporcionar acesso adequado a serviços físicos e psicológicas para transgêneros
ou transsexuais iranianos, inclusive o acesso à terapia hormonal para transsexuais
iranianos que se submeteram à cirurgia de mudança de sexo;
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Ao Governo da Turquia e Outros Estados que Acolhem Refugiados na Região:
•
Garantir que os refugiados iranianos e requerentes de asilo não estejam sujeitos a
repulsão, quer na fronteira (ao recusar a entrada) ou após a entrada no país de
acolhimento e que todos tenham acesso aos procedimentos de asilo;
•
Assegurar que todos os policiais e outros funcionários do governo tratem com
dignidade e respeito aos direitos humanos todos os refugiados iranianos,
requerentes de asilo e imigrantes, sem exceção, incluisive proibindo qualquer
discriminação com base na orientação sexual ou gênero;
•
Proibir e processar atos de violência contra LGBT requerentes de asilo, refugiados e
migrantes;
•
Garantir a todos os refugiados e requerentes de asilo liberdade de movimento, e não
restringir os requerentes de asilo e refugiados LGBT a "cidades satélites", mas sim
permitir que eles residam em grandes centros urbanos, onde estarão menos
propensos a ser segmentados com base em sua orientação sexual ou gênero;
•
Permitir que todos os refugiados e requerentes de asilo, incluindo as pessoas LGBT,
tenham garantido permissão de trabalho, e recebam isenção de cobrança de taxa e
apresentação de documentação quando necessário;
•
Proporcionar a todos os refugiados e requerentes de asilo, inclusive pessoas LGBT, o
acesso aos serviços de saúde e medicação ao menos nos mesmos padrões de
acesso de outros não-cidadãos no país;
•
Permitir que todos os refugiados e requerentes de asilo, incluindo as pessoas LGBT,
possam solicitar isenções de taxas de residência, e informá-los do direito de
requerer a isenção das taxas de residência, em conformidade com o artigo 88 da Lei
sobre a cobrança de taxas da Turquia (no. 492);
•
Treinar os agentes da polícia que conduzem entrevistas para “asilo
temporário”sobre as normas legais que regem a necessidade de proteger membros
de determinados grupos sociais, e sobre as técnicas de interrogatório usadas para
identificar a orientação sexual em potencial e as reivindicações de gênero, e sobre
métodos para extrair depoimentos relevantes de uma maneira não ameaçadora;
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Ao Escritório do Alto Comissáriado da ONU para Refugiados:
•
Fiscalizar e denunciar ataques e abusos com base na orientação e expressão sexual
e gênero no Irã e fornecer orientação aos governos dos países de acolhimento sobre
os pedidos de asilo dos requerentes de asilo iranianos que temem perseguição com
base na sua orientação sexual e ou gênero;
•
Intervir ativamente para a proteção LGBT requerentes de asilo e os refugiados de
abuso nos países de primeiro asilo na região, e para evitar qualquer ameaça de
repulsão;
•
Facilitar o rápido reassentamento de refugiados identificadas como necessitando
urgentemente de serem transportadas para fora da região em cooperação com os
países de primeiro asilo e os países de acolhimento;
•
Acomodar qualquer preferência de requerente de asilo LGBT para ser entrevistado e
ter como intérprete, funcionário do sexo masculino ou feminino;
•
Formar intérpretes sobre as melhores práticas para trabalhar com os requerentes de
asilo LGBT, incluindo questões de confidencialidade, imparcialidade e respeito, e
assegurar que os intérpretes estejam cientes e empreguem terminologia apropriada
no trabalho com requerentes de asilo LGBT;
•
Desenvolver e aplicar os materiais de treinamento, nos termos da Nota de
Orientação do ACNUR sobre as reinvidicações dos Refugiados relacionadas à
Orientação Sexual e Gênero e as Diretrizes de 2002 do ACNUR sobre Perseguição
relacionada ao Sexo;
•
Em coordenação com os "países de acolhimento", consultar refugiados
reconhecidos LGBT para o reassentamento em conjunto com seus parceiros.
Para outros Governos interessados, inclusive Estados-Membro da UE, Canadá, Austrália e
Estados Unidos:
•
Insistir para que todos os estados da região tratem os LGBT iranianos que fogem do
país em plena conformidade com as normas jurídicas internacionais para o
tratamento dos refugiados;
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•
Acompanhar e documentar os ataques e abusos com base na orientação e
expressão sexual e gênero no Irã;
•
Intervir para proteger os requerentes de asilo e refugiados LGBT de abusos nos
países de primeiro asilo da região;
•
Reconhecer que a integração no país de asilo e de regresso ao país de origem,
muitas vezes não é uma possibilidade para os refugiados e requerentes de asilo
LGBT, e insistir que os países de asilo ou de acolhimento proíbam a repulsão (real
ou ameaça) de refugiados LGBT ou requerentes de asilo do Irã com base na noção
de que não há perseguição sistemática das minorias sexuais no Irã, ou que as
pessoas LGBT podem viver confortavelmente no Irã desde que escondam sua
orientação sexual ou identidade;
•
Ser receptivo às necessidades de um rápido processo de reassentamento de
refugiados, inclusive pessoas LGBT, com necessidades urgentes de deixar a região.
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