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centro universitário fundação santo andré stephanie bonna toneto
CENTRO UNIVERSITÁRIO FUNDAÇÃO SANTO ANDRÉ
STEPHANIE BONNA TONETO
IDENTIFICAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DE ESPÉCIES
VEGETAIS INVASORAS NO CAMPUS DO CENTRO
UNIVERSITÁRIO FUNDAÇÃO SANTO ANDRÉ
SANTO ANDRÉ
2013
STEPHANIE BONNA TONETO
IDENTIFICAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DE ESPÉCIES
VEGETAIS INVASORAS NO CAMPUS DO CENTRO
UNIVERSITÁRIO FUNDAÇÃO SANTO ANDRÉ
Relatório final do PIIC – Programa de
Incentivo à Iniciação Científica apresentado
como exigência à Pró-Reitoria de Pós
Graduação, Pesquisa e Extensão do Centro
Universitário Fundação Santo André.
Orientadora:
Profa. Dra. Dagmar Santos Roveratti
SANTO ANDRÉ
2013
"Quando o homem aprender a respeitar até o menor ser da Criação, seja animal ou vegetal,
ninguém precisará ensiná-lo a amar seu semelhante”.
Albert Schweitzer
Dedicatória
Aos meus pais Rubens e Rose, sem eles esse
sonho não seria possível.
Aos meus irmãos Lucas e Rubinho.
Aos meus avós maternos Miltes e Dario, e
paternos Célia e Lindinho (in memórian).
Aos meus professores e principalmente a minha
orientadora e professora Drª Dagmar Santos
Roveratti que me incentivou e ajudou na
elaboração desse trabalho.
AGRADECIMENTOS
À Deus, pela constante presença em minha vida.
À minha orientadora Prof.ª Dra. Dagmar Santos Roveratti pela orientação, confiança e apoio
na realização do trabalho.
À Michelly Rodrigues do Prado e Sonia Cordeiro pela colaboração e auxílio nos
levantamentos.
Ao Prof.º Dr. Roberto Carlos Sallai pelos conselhos e orientações durante toda a realização do
trabalho.
Aos meus amigos, pelo carinho e por sempre estarem ao meu lado nos momentos bons e
ruins.
À todas as pessoas que de alguma forma me ajudaram para que esse trabalho se concretizasse.
Por fim, agradeço especialmente aos meus familiares, pelo amor, apoio e incentivo a minha
carreira profissional, sempre colaborando para que, enfim, esse sonho se tornasse uma
realidade.
RESUMO
Conhecida pela grande capacidade de adaptação e dispersão fora de sua área de distribuição
natural, a espécie exótica invasora, pode dominar o espaço de nativas, provocando grandes
alterações na dinâmica da comunidade local. Atualmente, em áreas urbanas, a maioria dessas
espécies é introduzida através de atividades antrópicas para fins ornamentais que quase nunca
consideram a importância da biodiversidade original. Em terrenos abandonados na malha
urbana, a vegetação espontânea é quase toda artificial, de plantas introduzidas pelo homem.
Estudos sobre espécies exóticas invasoras ainda são recentes e insuficientes, principalmente
no Brasil. O objetivo do presente trabalho consistiu na identificação e caracterização de
espécies invasoras, no campus do Centro Universitário Fundação Santo André, localizado no
município de Santo André/SP – Brasil. O levantamento das espécies foi feito no período de
Março a Abril de 2013. Foi considerado exemplar arbóreo, todo vegetal de caule lenhoso com
diâmetro à altura do peito (DAP), igual ou superior a 5 cm. Foram considerados também, os
exemplares ramificados desde a base que apresentassem pelo menos um dos troncos com
DAP superior a 5 cm. As palmeiras com estipe superior a 5 cm de DAP foram consideradas
integrantes do componente arbóreo.
Os indivíduos observados foram identificados no nível de espécie e família e as espécies
enquadradas em “nativas regionais” (NR), “exóticas” (E) e “exóticas invasoras” (EI). As
espécies invasoras foram classificadas de acordo com a capacidade de invasão: A - alta, M –
moderada; B – baixa. Foram identificados 1376 indivíduos até o nível de espécie,
pertencentes a 33 famílias e 79 espécies distintas. As espécies predominantes foram:
Archontophoenix alexandrae (158 indivíduos), Cedrela fissilis (131), Syagrus romanzoffiana
(124), Melia azedarach (61) e Eugenia uniflora (59). Das espécies identificadas, 33 % são
nativas regionais, 42% exóticas e 25% são exóticas invasoras, e em relação ao número de
indivíduos, 32% são nativas regionais, 27% exóticas e 41% exóticas invasoras. As espécies
exóticas invasoras observadas no campus foram: Coffea arabica, Spathodea nilotica, Tipuana
tipu, Morus nigra, Syzygium cumini, Triplaris caracasana, Hovenia dulcis, Eriobotrya
japônica, Pinus elliottii, Pinus echinata, Schefflera actinophylla, Leucaena leucocephala,
Pittosporum undulatum, Melia azedarach, Eucalyptus paniculata, Ligustrum lucidum,
Jacaranda mimosaefolia, Archontophoenix alexandrae, Caesalpinia peltophoroides, Pachira
aquatica. Foi feito também um levantamento qualitativo com as espécies arbustivas exóticas
invasoras do local: foram observadas 7 espécies, sendo que 6 são de alta capacidade de
invasão: Aglaia odorata Agave sp., Phyllostachys sp., Melinis minutiflora, Impatiens
walleriana, Tradescantia zebrina, Hedychium coronarium.O levantamento realizado no
campus constatou um alto número de indivíduos de espécies exóticas invasoras e na sua
maioria com alta capacidade de invasão. Durante o levantamento foi observado o surgimento
espontâneo de novos indivíduos de Melia azedarach, Morus nigra e Leucaena leucocephala.
Propõe-se a substituição gradativa das espécies arbóreas invasoras presentes no campus do
Centro Universitário Fundação Santo André, com introdução de espécies nativas da região
fitoecológica local, tendo em vista a preservação da identidade biológica da região.
Palavras-chave: Exótica invasora, Levantamento arbóreo, Arborização Urbana, Invasão
Biológica, Preservação
LISTA DE FOTOGRAFIAS
Fotografia 1 -
Quaresmeira (Tibouchina granulosa)...................................................33
Fotografia 2 -
Quaresmeira (Tibouchina granulosa)...................................................33
Fotografia 3 -
Cinamomo (Melia azedarach)..............................................................40
Fotografia 4 -
Cinamomo (Melia azedarach)..............................................................40
Fotografia 5 -
Amoreira (Morus nigra).......................................................................41
Fotografia 6 -
Leucena (Leucaena leucocephala).......................................................41
Fotografia 7 -
Maria-sem-vergonha (Impatiens walleriana).......................................43
Fotografia 8 -
Oficial-da-sala (Asclepias curassavica).....................................................44
LISTA DE MAPAS
Mapa 1 -
Vista aérea do Sítio Tangará em 1958 –Santo André/SP............................21
Mapa 2 -
Vista aérea do Campus Universitário Fundação Santo André – Santo
André/SP......................................................................................................23
Mapa 3 -
Estado de São Paulo. Cidade de Santo André e localização do Campus
Universitário Fundação Santo André em destaque......................................24
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1 -
Espécies arbóreas mais frequentes...............................................................32
Gráfico 2
Tipo de dispersão de sementes e frutos - % do total de indivíduos.............34
Gráfico 3
Tipo de polinização - % do total de indivíduos...........................................34
Gráfico 4 -
Quantidade de indivíduos por espécies........................................................37
Gráfico 5 -
Número de indivíduos de espécies exóticas invasoras de acordo com
a capacidade de invasão...............................................................................38
Gráfico 6 -
Categorias de Procedência: Porcentagem por número de espécies..............38
Gráfico 7 -
Categorias de Procedência: Porcentagem por número de indivíduos..........39
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 -
Lista de espécies amostradas no Campus Universitário Fundação Santo
André.............................................................................................................27
Tabela 2 -
Classificação por origem, número de indivíduos e de espécies.....................31
Tabela 3 -
Espécies exóticas invasoras arbóreas que se observaram no campus............36
Espécies exóticas invasoras arbustivas que foram identificadas no
Tabela 4 -
Campus...........................................................................................................42
SUMÁRIO
1
Introdução
14
2
Objetivos
19
2.1
2.2
Objetivos gerais
Objetivos específicos
3
Metodologia
20
3.1
Área de estudo
3.1.1 Histórico
3.1.2 Caracterização e localização
3.2
Coleta de dados
20
20
22
24
4
Resultados e discussão
27
4.1
4.2
4.3
Levantamento das espécies arbóreas
Espécies Arbóreas Invasoras
Espécies Arbustivas Invasoras
27
36
42
5
Considerações Finais
45
Referências
48
Anexo A – Mapa dos setores
52
Anexo B – Ficha de identificação
53
Anexo C - Fichas de identificação das espécies arbóreas invasoras observadas no campus
54
Anexo D - Fichas de identificação das espécies arbustivas invasoras observadas no
74
campus
14
1
INTRODUÇÃO
A Invasão Biológica é um processo que ocorre quando qualquer espécie não natural de
um ecossistema é introduzida, adaptando-se e passando a se dispersar e a alterar esse
ecossistema, afetando o funcionamento natural do mesmo e podendo até tirar o espaço das
espécies nativas da região (ZILLER, 2001).
A disseminação em grande escala de espécies exóticas é a segunda causa mundial de
perda de diversidade biológica e tem sido tratada como invasão biológica, um problema
ambiental que está preocupando especialistas do mundo todo, incluindo o Brasil (SANCHES,
2009; ZILLER; CARPANEZZI; CAMPOS, 2012).
Após se instalar em um novo ambiente, as espécies introduzidas podem se tornar
invasoras conseguindo proliferar e competir com as espécies nativas de uma forma desleal,
pois seus predadores não estão presentes neste novo ambiente (ZILLER; ZALBA; ZENNI,
2007; PEREIRA, 2012).
Os seres humanos são os principais agentes causadores das invasões biológicas
podendo introduzir, intencionalmente ou não, novas espécies num ecossistema. Ao longo de
sua história, a humanidade tem transportado milhares de espécies para outros países ou para
outros ambientes do mesmo país. Muitas dessas espécies foram movidas propositalmente
com o objetivo de assegurar alimentos, disponibilidade de combustível e materiais de
construção, medicamentos, suprir necessidades agrícolas e florestais, pelo seu uso como
quebra-vento e principalmente no comércio de plantas ornamentais. Outras espécies viajam
despercebidas em carregamentos de sementes ou madeira, via água de lastro de navios ou por
animais (ZILLER, 2001;MATTHEWS, 2005).
A dispersão de espécies invasoras é um problema global e mesmo que a severidade
dos impactos sobre a sociedade, economia, saúde e herança natural variem entre diferentes
regiões, está criando desafios complexos e de grande extensão uma vez que ameaçam tanto as
riquezas biológicas naturais quanto o bem-estar das populações humanas. Assim, as soluções
também devem variar de acordo com os valores, necessidades e prioridades específicas de
cada região afetada (MATTHEWS, 2005).
Segundo Matthews (2005) e Silva L. (2011), as espécies invasoras têm o potencial de
determinar a extinção das espécies endêmicas levando a uma homogeneização da flora a nível
mundial. De fato, algumas das espécies introduzidas substituem as espécies locais,
transformando a estrutura e a composição das espécies destes ecossistemas por repressão ou
15
exclusão de espécies nativas, seja de forma direta, pela competição por recursos, ou
indiretamente, pela alteração na forma com que nutrientes circulam através do sistema. Esses
impactos e danos à natureza podem ocorrer de médio a longo prazo e, muitas vezes, são
irreversíveis. Desta forma, a invasão biológica é reconhecida hoje como uma das maiores
ameaças para a preservação da biodiversidade, a par de outras alterações globais como a
destruição dos habitats naturais e as alterações climáticas.
Outros problemas que as plantas invasoras podem causar são: produzir mudanças e
alterações nas propriedades ecológicas do solo, na ciclagem de nutrientes, nas cadeias
tróficas, na estrutura da comunidade vegetal (dominância, densidade, distribuição e funções
de espécies), na distribuição da biomassa, na taxa de decomposição, nos processos evolutivos,
nas relações entre polinizadores e dispersores e produzir híbridos ao cruzar com espécies
nativas e eliminar genótipos originais (PARANÁ, 2012). Podem modificar o ciclo hidrológico
e o regime de incêndios, levando à seleção das espécies e, em geral, ao empobrecimento do
ecossistema (ZILLER, 2001).
Este sério problema ambiental aumenta gradativamente e se agrava com o passar do
tempo, com as mudanças globais e por perturbações químicas e físicas sobre as espécies e
ecossistemas. Sem nenhuma medida de controle, os impactos tendem a não serem absorvidos
pelo meio, contrariamente ao que acontece com a maioria dos outros problemas ambientais
conforme afirmam Matthews (2005) e Ziller e Galvão (2012).
Segundo o art. 61 da Lei 9605/1998, é crime ambiental disseminar doença, praga ou
espécies que possam causar danos à agricultura, à pecuária, à fauna, à flora ou aos
ecossistemas (MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE, 2012).
Os impactos das plantas invasoras variam de acordo com cada espécie, ambiente e
tempo de invasão, sendo que algumas delas causam sérios impactos e consequências
(MATTHEWS, 2005).
Quanto mais próximo às características do local onde a espécie invasora foi
introduzida for do habitat natural desse indivíduo, maiores serão as chances da planta
sobreviver e ter um crescimento vigoroso, aumentando assim o seu potencial de invasão
(HEIDEN; BARBIERI; STUMPF, 2006). Entre outras características que elevam o grau do
potencial de invasão de uma planta estão a produção de sementes pequenas e em grande
quantidade, dispersão eficiente (em especial pelo vento), alta longevidade no solo, maturação
precoce, reprodução por brotação, floração e frutificação mais longas, pioneirismo, adaptação
a áreas degradadas, eficiência reprodutiva e liberação de toxinas capazes de impedir o
crescimento de outras plantas nas imediações (alelopatia) (ZILLER, 2005).
16
O comportamento das espécies pode mudar drasticamente entre sua área de origem e a
área de introdução. Desta forma, o melhor indicador de potencial de invasão de uma espécie é
o seu histórico de invasão em outros locais do planeta onde também é invasora, comparando
também a similaridade climática dessas regiões (ZILLER; ZALBA; ZENNI, 2007).
O grave problema das espécies invasoras é mundial e muitos países ainda não se
deram conta dessa gravidade, assim, não tendo registros confiáveis, planos de controle e
erradicação e nem medidas de prevenção. Os países que melhor têm registrado as invasões
biológicas são: África do Sul, Nova Zelândia, Austrália e Estados Unidos (ZILLER, 2001).
De acordo com Ziller (2001), na África do Sul, estima-se que a metade das 491
espécies exóticas presentes tenham sido introduzidas para fins ornamentais, seguido do uso
para barreiras (quebra-ventos), no florestamento, em culturas agrícolas, na forragem animal
(pastos) e na produção florestal. Na Austrália, 65% das plantas ali naturalizadas nos últimos
25 anos seriam de uso ornamental e na Nova Zelândia são cerca de 24 mil espécies
introduzidas, mais de 70% para fins ornamentais, dessas, em torno de 240 plantas tornaram-se
invasoras. Segundo a mesma autora, nos Estados Unidos a introdução de espécies é estimada
em mais de 4,6 mil nas ilhas havaianas, 1045 na Califórnia e 1180 na Flórida. Cerca de um
terço dos parques nacionais do país tem parte de sua área invadida por espécies exóticas,
totalizando cerca de 3,5 milhões de hectares.
Carvalho e Jacobson (2005) afirmam que no Brasil não existe um estudo de âmbito
nacional que registre as espécies exóticas invasoras, mas estima-se que 20% das espécies
presentes são introduzidas e o interesse dos cientistas pelo assunto vem crescendo a cada dia.
Segundo os mesmos autores, algumas das espécies já consagradas como invasoras no Brasil
são Pinus taeda e Pinus elliottii (pinheiro), Casuarina equisetifolia (casuarina), Melia
azedarach (cinamomo), Hovenia dulcis (uva-do-japão), Tecoma stans (amarelinho),
Dodonaea viscosa (vassoura-vermelha), Ligustrum japonicum (alfeneiro), Eucalyptus spp
(eucalipto), Riccinus communis (mamona), Zea mays (milho), Solanum sp (tomate) e os
capins africanos Brachiaria spp (braquiara), Eragrostis spp (capim-anoni) e Mellinis
minutiflora (capim-gordura).
No Estado de São Paulo, devido ao processo de urbanização, nos últimos cem anos a
cobertura vegetal quase se perdeu por completo. Por razões culturais, preconceito com as
plantas nativas e a alta valorização das plantas ornamentais oriundas de outros países, a
vegetação plantada nas ruas é na sua maioria exótica, e a maioria das plantas que observamos
atualmente em jardins, paisagismo e lojas também são exóticas. Entre as plantas mais comuns
encontradas em São Paulo estão piteira (Agave sp.), aglaia (Aglaia odorata), alfeneiro
17
(Ligustrum sp.), amoreira (Morus sp.), bambu-vara-de-pescar (Phyllostachys sp.), café
(Coffea arabica), capim–braquiária ( Brachiaria sp.), capim - gordura ( Melinis minutiflora),
cheflera
(Schefflera
arboricola),
espada-de-são
jorge
(Sansevieria
trifasciata),
bisnagueira (Spathodea campanulata), figueira-lacerdinha (Ficus microcarpa), incenso
(Pittosporum undulatum), jacarandá-mimoso (Jacaranda mimosaefolia), jambolão (Syzygium
jambolanum), lambari (Tradescantia zebrina), leucena (Leucaena leucocephala), lírio-dobrejo (Hedychium coronarium), maria-sem-vergonha (Impatiens walleriana) (AMIGOS DAS
ÁRVORES DE SÃO PAULO, 2012).
De acordo com Loboda e Angelis (2005), juntamente com a infraestrutura e
desenvolvimento econômico-social, as áreas verdes são fatores determinantes que estão
relacionados com a qualidade de vida urbana. Influenciam na saúde física e mental da
população; são fundamentais para o bem estar da comunidade podendo proporcionar ao meio
diversos benefícios como a estabilização climática, embelezar a cidade, fornecer abrigo e
alimento à fauna e disponibilizar sombra e lazer nas praças, parques, jardins, ruas e avenidas
de nossas cidades.
Porém, conforme Dantas e Souza (2004), se a arborização for mal planejada, não
colocando as espécies corretas, poderá acarretar prejuízos sérios ao meio ambiente e também
para a civilização em geral.
Um dos principais pontos que fazem com que a arborização urbana não se desenvolva
de uma forma eficiente é a falta de uma política pública para esse sistema de áreas arborizadas
(FERREIRA, 2011).
Para que um paisagismo seja sustentável é preciso priorizar a utilização de espécies
regionais, preservando a identidade biológica, que consequentemente oferecem abrigo e
alimentação à fauna local, conectam a população com sua história, valorizam a qualidade de
vida local e contribuem para a proteção da flora nativa (KULCHETSCKI et al., 2006;
PRADO; ARMAS; ROVERATTI, 2012). Portanto, é preciso fazer a arborização urbana de
forma planejada e ordenada ou substituir as plantas exóticas já existentes preferencialmente
por nativas (SAMPAIO et al., 2011).
Para o controle de uma espécie exótica invasora, os métodos a utilizar dependem de
cada situação, visando à condição local. A melhor oportunidade para erradicação e controle é
quando a espécie ainda está na fase de latência (período de estabelecimento antes que passe a
se disseminar). Nesse período as populações ainda estão restritas geograficamente, não
existindo muitos indivíduos e ainda não há banco de sementes. Tendo em vista que a
população ainda é pouca, com menor ameaça à natureza local e a intervenção é mais
18
acessível, é necessário que a prioridade da ação seja nesse período, detectando as espécies
invasoras o mais rápido possível, para a retirada imediata da espécie (ZILLER; ZALBA;
ZENNI, 2007; SANCHES, 2009).
A falta de referências complica a realização de muitos processos relacionados às
invasões biológicas, desde a divulgação para a informação pública, estabelecimento de
medidas de controle, desenvolvimento de marcos legais específicos e até mesmo o julgamento
de casos que inclui espécies exóticas invasoras. Uma lista oficial das espécimes exóticas
invasoras que ordenasse as espécies em categorias de risco ou ameaça à diversidade e associar
aos ambientes e regiões onde são invasoras seria indispensável para iniciar, fazendo uma
referência no país (ZILLER; ZALBA; ZENNI, 2007).
Os países precisam tomar providências concretas e agir com rapidez para evitar a
expansão de novas espécies de risco, admitindo protocolos de análise de risco que contenham
parâmetros ambientais, estabelecendo sistemas de prevenção eficientes, criando capacidade
para responder com agilidade à identificação precoce das espécies e acrescentando marcos
legais e políticas públicas para definir problemas e soluções em sistemas naturais e de
produção. Estes eventos se forem realizados juntando com um trabalho de educação e
conscientização da população sobre as espécies exóticas invasoras e desenvolvimento de
ferramentas econômicas, obterão apenas resultados benéficos (MATTHEWS, 2005).
Considerando a seriedade do problema que as espécies invasoras podem causar, é de
extrema importância ter estudos nesse âmbito, uma vez que não existem muitas referências
bibliográficas e pesquisas relacionadas às espécies invasoras no Brasil.
O Campus do Centro Universitário Fundação Santo André (CUFSA) dispõe de um
espaço com uma grande extensão de paisagem urbana e natural que abriga diversas espécies
de animais e vegetais, contribuindo com a biodiversidade da região.
Considerando a importância dos fragmentos de área verde do CUFSA para a região e
para a fauna, sua conservação deve ser priorizada a fim de assegurar sua biodiversidade. Os
dados obtidos a partir deste trabalho podem incentivar e conduzir ações para amenizar o
impacto que as árvores invasoras podem estar causando, colaborando para definir futuras
soluções de controle e erradicação das espécies invasoras assim contribuindo para a
preservação da identidade biológica e conter a perda da diversidade do CUFSA ou poderão
ser usados nos próximos projetos de interferência na arborização do ambiente do campus.
Visto que a invasão biológica é um tema com uma problemática séria que ameaça o
ecossistema e a diversidade natural do Centro Universitário Fundação Santo André, esse
estudo destina-se a identificação e caracterização de espécies vegetais invasoras do local.
19
2
OBJETIVOS
2.1
Objetivos gerais

O objetivo deste trabalho foi o de identificar e quantificar as espécies vegetais
invasoras no campus do Centro Universitário Fundação Santo André em Santo André, SP,
caracterizando, de acordo com literatura pertinente, o seu potencial de invasão.
2.2
Objetivos específicos

Identificar as espécies arbóreas do Centro Universitário Fundação Santo André.

Caracterizar as espécies arbóreas de acordo com a localidade original da espécie.

Quantificar as espécies exóticas invasoras, exóticas e as nativas da região, observando
a sua frequência, e distribuição no campus.

Identificar espécies arbustivas exóticas invasoras.

Contribuir para a definição de ações mitigadoras e preservação da identidade biológica
do Campus Universitário Fundação Santo André.
20
3
METODOLOGIA
3.1
Área de estudo
3.1.1
Histórico
O local que hoje ocupa o Campus Universitário Fundação Santo André era
antigamente domínio da Mata Atlântica. Na Mata Atlântica vivem mais de 20 mil espécies de
plantas, sendo 8 mil endêmicas. É uma das áreas mais ricas em biodiversidade e mais
ameaçadas do mundo, restando apenas 8,5 % de remanescentes florestais acima de 100
hectares do que existia originalmente. O município de Santo André está inserido na
distribuição natural da Mata Atlântica, porém atualmente tem apenas uma parte preservada,
localizada na divisa da cidade, junto à Serra do Mar (FUNDAÇÃO SOS MATA
ATLÂNTICA, 2013).
Para construção do campus foi necessário uma grande alteração no “Sítio Tangará”
que ocupava o local onde hoje está o Centro Universitário Fundação Santo André. O Sítio
Tangará pertenceu à família Murray e contava com aproximadamente 25 alqueires. A parte da
mata existente na área foi derrubada para plantio de um gramado a fim de ser um campo de
golfe com nove buracos. O sítio contava com duas áreas de mata preservada: uma localizada
onde hoje é o atual Instituto de Teologia, até as proximidades da FAECO (Faculdade de
Ciências Econômicas e Administrativas) e outra onde hoje se situa o campo de futebol
pertencente à Faculdade de Medicina do ABC. O restante foi modificado para construção do
sítio. Havia um pomar de frutas exóticas onde é o atual Departamento de Informática e outro
de frutas nativas próximo à Casa Amarela. Em relação à fauna local, encontravam-se
exemplares de paca, tatu, preá e porco do mato, que eram caçados e usados para alimentação.
Havia também cobras como, jararaca, coral e cobra d’água, e aves como sabiá, rolinha,
nhambu, marreco, pato e frango d’água que também eram da mesma forma caçados com
bastante frequência (LAPORTA; COSTA, 2002).
No Mapa 1 pode-se observar o Sítio Tangará em 1958 que deixou de existir pela
construção do Centro Universitário Fundação Santo André em 1962.
21
O pássaro que dá nome ao sítio é o Chiroxiphia caudata, conhecido popularmente
como Tangará. Esta ave é encontrada em áreas preservadas de Mata Atlântica e não é mais
observada no local, assim como diversas espécies típicas (LAPORTA; COSTA, 2002).
Hoje, no local onde era o Sítio Tangará, está a Fundação Santo André, uma
instituição de caráter público e de direito privado, que foi originada em 1962 pela Lei
Municipal nº 1.840 da Prefeitura de Santo André. Seu propósito foi manter a Faculdade de
Ciências Econômicas e Administrativas (FAECO), fundada em 1953. A FAECO teve suas
atividades iniciadas nas instalações da Escola Técnica Júlio de Mesquita e foi a primeira
escola de ensino superior da região do Grande ABC. A Prefeitura permitiu a instalação da
segunda unidade em 1966, chamada Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FAFIL).
A instituição criou sua escola de ensino médio, o Colégio da Fundação Santo André,
no final da década de 80, e na década de 90 foi criado o Centro de Pós-Graduação. No final
dos anos 90 fundou-se a Faculdade de Engenharia Celso Daniel – FAENG.
Atualmente, a Fundação Santo André é mantenedora do Centro Universitário, que
abriga as três faculdades e o colégio (CENTRO UNIVERSITÁRIO FUNDAÇÃO SANTO
ANDRÉ, 2013a).
MAPA 1: Vista aérea do Sítio Tangará em 1958 –Santo André/SP (GEOPORTAL, 2013).
22
3.1.2
Caracterização e localização
O presente estudo de identificação e caracterização de espécies vegetais invasoras foi
realizado na área externa do campus do Centro Universitário Fundação Santo André
(Mapa 2), localizado no município de Santo André, SP, Brasil (Mapa 3).
Santo André localiza-se na Sub-Região Metropolitana Sudeste de São Paulo, no
principal centro econômico do país. Distante somente 18 km da maior metrópole da América
Latina, São Paulo, a cidade possui 66,45 km2 de área urbana e 107,93 km2 de área de
proteção ambiental.
Situado nas coordenadas 23°39’33’’S e 46°33’13’’W, a faculdade está localizada na
Avenida Príncipe de Gales, 821, no bairro Vila Príncipe de Gales em Santo André, englobada
na região chamada Grande ABC.
O CUFSA apresenta um terreno de 58,4 mil m², sendo que 30,3 mil m² são de área
construída. O campus é constituído por três faculdades com 125 salas de aula, um colégio,
três auditórios, um teatro, uma biblioteca e um estacionamento com capacidade de mil e cem
vagas (CENTRO UNIVERSITÁRIO FUNDAÇÃO SANTO ANDRÉ, 2013b). A área restante
é composta por áreas verdes caracterizadas por uma vegetação predominantemente arbórea,
entremeadas por áreas ajardinadas com espécies arbustivas ornamentais.
Além das áreas verdes, de acordo com Roupa (2013) e Reis e Almeida (2012), o
campus apresenta uma significativa diversidade de fauna, o qual se relaciona com a flora que
desta forma contribui para as suas diversas necessidades, como refúgio, nidificação e recursos
alimentares.
De acordo com o trabalho de Roupa (2013) foram registradas no campus CUFSA, 14
espécies de borboletas totalizando 1124 exemplares.
O campus também oferece refúgio a diversas espécies de aves, contribuindo com a
riqueza da avifauna do local, considerando que foi observada a ocorrência de 44 espécies
nesse ambiente, inclusive uma espécie endêmica da Mata Atlântica, o periquito-rico
(Brotogeris tirica). Como espécies mais avistadas se destacam as seguintes aves: cambacica
(Coereba flaveola), sabiá-laranjeira (Turdus rufiventris) e bem-te-vi (Pitangus sulphuratus)
(REIS; ALMEIDA, 2012).
Entre as espécies vegetais nativas da Mata Atlântica na CUFSA, há aquelas que
mesmo desconhecidas da população têm atividade medicinal. Foram observadas 10 espécies
23
arbóreas nativas da Mata Atlântica no campus com atividade medicinal, além das arbustivas e
herbáceas que foram 5 (SILVA, 2001).
Muitos animais e plantas que habitavam o campus e o município de Santo André até o
momento que ainda era a Mata Atlântica original, foram substituídos por espécies que
conseguiram se adaptar ao ambiente urbano (LAPORTA; COSTA, 2002).
Em relação à fauna exótica no CUFSA, foram encontrados mosquitos do gênero Aedes
em criadouros do campus, como o Tigre-asiático (Aedes albopictus), e aves exóticas invasoras
como pombo-doméstico (Columba lívia), o bico-de-lacre (Estrilda astrild) e o pardal (Passer
domesticus) ( RUANO, 2001; REIS; ALMEIDA, 2012).
MAPA 2 : Vista aérea do Campus Universitário Fundação Santo André – Santo André/SP
24
MAPA 3 – Estado de São Paulo. Cidade de Santo André e localização do Campus Universitário Fundação Santo
André em destaque (REIS;ALMEIDA, 2012).
3.2
Coleta de dados
As coletas de dados foram feitas através de visitas semanais no período de Março a
Abril de 2013.
A área de estudo foi dividida em oito setores (ANEXO A) e as espécies observadas
foram colocadas na ficha de identificação, que foram demarcadas por setores. A ficha de
identificação está apresentada no Anexo B.
Os exemplares arbóreos foram identificados até o nível de espécie. A grafia dos nomes
das espécies e seus autores seguiu o proposto por Lorenzi, 1992, 1996; Lorenzi & Souza,
1999; Lorenzi et al., 2003, 2006.
A identificação do material botânico foi feita utilizando fotografias, livros e auxilio de
pessoas técnicas especializadas.
Foi considerado exemplar arbóreo, todo vegetal de caule lenhoso com diâmetro à
altura do peito (DAP), igual ou superior a 5 cm. Foram considerados, também, os exemplares
25
ramificados desde a base que apresentassem pelo menos um dos troncos com DAP superior a
5 cm. As palmeiras com estipe superior a 5 cm de DAP foram consideradas integrantes do
componente arbóreo.
Com base na literatura científica, foi feita uma análise de cada espécie amostrada no
sentido de verificar sua correta determinação taxonômica, suas origens e seus limites de
ocorrência natural e, enfim, o potencial de invasão biológica. A partir dos resultados e
discussões do presente estudo, as informações de procedência, capacidade de invasão,
mecanismos de dispersão e de polinização foram colocadas em categorias, especificadas a
seguir:
Categoria de Procedência:

Nativa Regional (NR): quando de ocorrência natural da região onde se insere o
município

Exóticas (E): aquelas que se encontraram fora de sua área de distribuição natural
original

Exótica Invasora (EI): quando além de exótica, têm capacidade de invasão.
Categoria de capacidade de invasão de acordo com Instituto Hórus de Desenvolvimento e
Conservação Ambiental (2013), Amigos das árvores de São Paulo (2012) e Daher (2007):

Baixa (B)

Média (M)

Alta (A)
Categoria de mecanismos de dispersão de sementes e frutos:

Zoocóricas (ZOO): frutos e sementes disseminados por animais

Anemocóricos (ANE): frutos e sementes se dispersam pelo vento

Autocóricos (AUTO): apresentam mecanismos de auto dispersão
26
Categoria de síndrome de polinização utilizados por Yamamoto et al., (2007):

Entomofilia (ENT): polinização efetuada por insetos

Melitofilia (MEL): polinização efetuada principalmente por abelhas

Anemofilia (ANE): polinização pelo vento

Ornitofilia (ORN): polinização efetuada por aves

Quiropterofilia (QUI): polinização feita por morcegos
27
4
RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.1
Levantamento das espécies arbóreas
O Centro Universitário Fundação Santo André apresentou uma vegetação arbórea
composta por 1446 indivíduos, sendo que 21 encontravam-se mortos no momento da
avaliação e 49 indivíduos não foram identificados. Foram identificados 1376 indivíduos até o
nível de espécie, distribuídos em 33 famílias e 79 espécies. Verificou-se que o número de
indivíduos por categoria de origem foi: 441 de nativas, 373 de exóticas e 562 de exóticas
invasoras, e o número de espécies por categoria foram: 26 espécies de nativas, 33 de exóticas
e 20 de exóticas invasoras (Tabelas 1 e 2).
Quantidade (QTD) - quantidade de indivíduos encontrados por espécie. Tipo – Nativa
Regional (NR), Nativa Brasileira (RB), Exótica (E), Exótica Invasora (EI). Capacidade de
Invasão (INV) – Baixa (B), Moderada (M), Alta (A). Dispersão das Sementes (DIS) –
Anemocórica (ANE), Autocórica (AUTO), Zoocórica (ZOO). Tipo de Polinização (POL) –
Entomofilia (ENT), Melitofilia (MEL), Ornitofilia (ORN), Quiropterofilia (QUI).
GRUPO
NOME POPULAR
QTD TIPO
DIS
POL
INV
Família
Espécie
PTERIDÓFITAS
Dicksoniaceae
Dicksonia sellowiana
Hook
GIMNOSPERMAS
Araucariaceae
Araucaria angustifolia
(Bertol) Kuntze
Cupressaceae
Thuja orientalis L.
Pinaceae
Pinus elliottii Engel.
Pinus echinata Mill.
ANGIOSPERMAS
Anacardiaceae
Mangifera indica L.
Samambaia-Açu
1
NR
Pinheiro do Paraná
8
E
Thuja
1
E
ANE
ANE
Pinheiro
Pinus
46
13
EI
EI
ANE
ANE
ANE A
ANE A
Mangueira
25
E
ZOO
MEL
AUTO/ZOO ANE
28
Schinus terebinthifolius
Raddi
Annonaceae
Annona squamosa L.
Apocynaceae
Plumeria rubra L.
Arecaceae
Syagrus romanzoffiana
(Cham.) Glassman
Archontophoenix
alexandrae
Acrocomia intumescens
Drude
Livistona chinensis (N. J.
Jacquin)
Acrocomia aculeata
(Jacq.) Lodd. Ex Mart.
Aroeira
13
NR
ZOO
MEL
Fruta-do-conde
4
E
ZOO
ENT
Jasmim Manga
9
E
ANE
ANE
Jerivá
124
E
ZOO
ENT
Seafórtia
158
EI
ZOO
ENT
Palmeira Barriguda
1
E
ZOO
ENT
Palmeira Leque
7
E
ZOO
ENT
Macaúba
6
NR
ZOO
ENT
A
MEL
Araliaceae
Schefflera actinophylla
(Endl.)Harns
Asparagaceae
Dracaena fragrans (L.)
Ker Gawl
Bignoniaceae
Spathodea nilotica Seem
Cheflera
3
EI
ZOO
ND
Dracena
25
E
NDA
ENT
Espatódea
28
EI
ANE
ENT
M
Jacaranda mimosaefolia
Jacarandá Mimoso
20
EI
ANE
ORN
MEL
M
Jacaranda micrantha
Cham.
Tabebuia chysotricha
Mart.
Tabebuia ochracea
(Cham.) Standl
Tabebuia alba (Cham.)
Sandw
Tabebuia umbellata
(Sond.) Sand.
Tabebuia heptaphylla
(Vell.) Tol
Tabebuia impertiginosa
(Mart.) Standl.
Tabebuia pentaphylla
Hemsl.
Bombacaceae
Pachira aquatica Aubl.
Caroba
2
NR
ANE
MEL
Ipê Amarelo
47
NR
ANE
ENT
Ipê Amarelo
22
E
ANE
ENT
Ipê Amarelo
6
NR
ANE
ENT
Ipê Amarelo
12
NR
ANE
ENT
Ipê Rosa
32
NR
ANE
ENT
Ipê Roxo
9
NR
ANE
ENT
Ipê Balsamo
3
E
ANE
MEL
Castanha do
Maranhao
Paineira
1
EI
ZOO
ENT
6
NR
ZOO/ANE
ORN
Chorisia speciosa A. St.
Hil.
A
M
29
Combretaceae
Terminalia catappa L.
Fabaceae
Leucaena leucocephala
(Lam.) R. de Wit
Delonix regia (Bojer ex
Hook.) Raf.
Erytrina speciosa
Andrews
Bauhinia forticata Link
Caesalpinia
peltophoroides Benth.
Tipuana tipu (Benth.)
Kuntze
Inga uruguaiensis Hooker
at Arnott
Caesalpinia equinata
Lam.
Caesalpinia ferrea Mart.
Ex Tul. Var. leiostachya
Benth.
Schizolobium parahyba
(Vell.)
Hymenaea courbaril L.
Peltophorum dubium
(Spreng.) Taub.
Senna macranthera
(Collad.) Irwin et Barn.
Fagacea
Castanea sativa Mill.
Lamiaceae
Pittosporum undulatum
Vent.
Lauracea
Persea americana Mill
Lythraceae
Lagerstroemia indica L.
Melastomataceae
Tibouchina granulosa
Cong.
Tibouchina mutabilis
Cong.
Meliaceae
Melia azedarach L.
Cedrela fissilis Vell.
Mimosaceae
Anadenanthera colubrina
(Vell.) Brenan
Chapéu-de-sol
1
E
Leucena
13
EI
Flamboiã
12
E
ANE/ZOO
ENT
AUTO/ZOO MEL
ANE
ENT
A
Eritrina
15
E
ZOO
MEL
ORN
Pata de vaca
Sibipiruna
3
28
NR
EI
AUTO
AUTO
ENT
MEL
M
Tipuana
10
EI
ANE
MEL
M
Ingá
10
NR
ZOO
ENT
Pau Brasil
4
E
AUTO
ENT
Pau Ferro
1
E
AUTO
ENT
Guapuruvu
3
NR
AUTO
MEL
Jatobá
Tamboriu Bravo
6
1
NR
E
ZOO
AUTO
QUI
MEL
Sena
4
NR
ZOO
MEL
Castanha
Portuguesa
7
E
ZOO
ENT
Pau Incenso
22
EI
ZOO
ORN A
Abacate
9
E
ZOO
MEL
Resedá
11
E
ANE
MEL
Quaresmeira
31
NR
ANE
ENT
Manacá da serra
25
NR
ANE
ENT
Cinamomo
Cedro
61
131
EI
NR
ZOO
ANE
ENT
ENT
2
NR
ZOO
ENT
Angico
A
30
Mimosa caesalpiniifolia
Benth
Sansão-do-campo
7
E
ZOO
ENT
MEL
Moraceae
Artocarpus heterophyllus
Lam.
Ficus sp.
Ficus benjamina L.
Ficus graranitica Schodat
Ficus elastica Roxb.
Morus nigra L.
Myrtaceae
Eugenia uniflora L.
Psidium cattleianum L.
Psidium guajava L.
Eucalyptus paniculata
Sm.
Callistemon viminalis
(Sol.ex Gaertn.) G.Don ex
Loud.
Syzygium jambos (L.)
Alston
Syzygium cumini (L.)
Skeels
Myrciaria cauliflora
(Mart.) O. Berg.
Eugenia pyriformis
Cambess
Oleaceae
Ligustrum lucidum W.T.
Aiton
Polygonaceae
Triplaris caracasana
Cham.
Proteaceae
Grevillea robusta A.
Cunn. ex R.Br.
Rhamnaceae
Hovenia dulcis Thunb
Rosaceae
Eriobotrya japonica
Loquat
Rubiacea
Coffea arabica L.
Rutaceae
Citrus sinensis L.
Citrus limon (L.) Burm. F.
Citrus reticulata L.
Sterculiaceae
Dombeya wallichii
Jaca
2
E
ZOO
ENT
Ficus
Figueira Benjamim
Mata Pau
Falsa Seringueira
Amoreira
18
11
4
3
29
E
E
NR
E
EI
ZOO
ZOO
ZOO
ZOO
ZOO
ENT
ENT
ENT
ENT
M
Pitangueira
Araçá
Goiabeira
Eucalipto
59
2
23
47
NR
NR
NR
EI
ZOO
ZOO
ZOO
ANE
ENT
ORN
MEL
MEL
A
Escova de Garrafa
1
E
AUTO
ENT
Jambo
11
E
ZOO
ENT
Jambolão
7
EI
ZOO
ENT
Jabuticaba
1
NR
ZOO
ENT
Uvaia
1
NR
ZOO
ENT
Alfeneiro
18
EI
ZOO
ENT
A
Pau formiga
1
EI
ANE
ANE
M
Grevílea
15
E
ANE
ENT
Uva Japonesa
8
EI
ZOO
MEL
M
Ameixeira
30
EI
ZOO
ENT
M
Café
19
EI
ZOO
MEL
B
Laranja
Limão
Mexirica
3
3
7
E
E
E
ZOO
ZOO
ZOO
ENT
ENT
ENT
Astrapéia
1
E
ND
ENT
M
31
(Lindl.) K. Schum.
Urticaceae
Cecropia sp.
Embaúba
2
NR
ZOO
ANE
Pingo de Ouro
1
E
ZOO
ENT
Verbenaceae
Duranta repens L.
Total (identificadas e
vivas)
1376
Não identificadas
49
Mortas
21
Total
1446
Tabela 1 – Lista de espécies amostradas no Campus Universitário Fundação Santo André.
Classificação
Nº de indivíduos
Nº de espécies
Nativas
441
26
Exóticas
373
33
Exóticas invasoras
562
20
Total
1376
79
Tabela 2: Classificação por origem, número de indivíduos e de espécies.
As espécies predominantes foram: Archontophoenix alexandrae (158 indivíduos),
Cedrela fissilis (131), Syagrus romanzoffiana (124), Melia azedarach (61) e Eugenia uniflora
(59), Eucalyptus paniculata (47), que representaram aproximadamente 42,3% do total
analisado, ressaltando que, Archontophoenix alexandrae, a espécie com o maior número de
indivíduos, a Melia azedarach e Eucalyptus paniculata são exóticas invasoras com alta
capacidade de invasão e o Syagrus romanzoffiana é uma espécie exótica (AMIGOS DAS
ÁRVORES DE SÃO PAULO, 2012). (Gráfico 1)
32
Gráfico 1 – Espécies arbóreas mais frequentes (%)
Apesar de terem sido encontradas 79 espécies, apenas 24 apresentam mais do que 15
indivíduos. Vinte e nove espécies encontradas no CUFSA apresentam menos do que cinco
indivíduos. As espécies nativas regionais representam 32% do total tanto em número de
espécies como em número de indivíduos.
As espécies americanas Caesalpinia peltophoroides, Leucaena leucocephala, Persea
americana e Pinus sp que foram encontradas na CUFSA são muitas vezes consideradas como
nativas por serem árvores muito encontradas no Brasil. Das espécies de países vizinhos como
Argentina, Paraguai e Bolívia que são também muito confundidas como nativas brasileiras
são o Jacaranda mimosifolia e a Tipuana tipu, mesmo não sendo encontradas em florestas
nativas do território brasileiro (BLUM; BORGO; SAMPAIO, 2008).
A espécie Tibouchina granulosa, popularmente chamada de Quaresmeira, é uma
espécie nativa regional muito usada na arborização urbana, porém alguns autores consideramna como invasora no Estado de São Paulo. Nos campos-cerrado ela é considerada exótica
invasora muito agressiva, sombreando rapidamente o ambiente por causa do seu crescimento
extremamente rápido. No CUFSA foram encontrados 31 indivíduos adultos dessa espécie,
além de ter sido observado uma grande variedade de indivíduos jovens em diferentes fases de
crescimento como se observa nas figuras 1 e 2 (AMIGOS DAS ÁRVORES DE SÃO
PAULO, 2012).
33
Fotografia 1: Quaresmeira (Tibouchina granulosa)
Autor: Dagmar Santos Roveratti, 2013
Fotografia 2: Quaresmeira (Tibouchina granulosa)
Autor: Dagmar Santos Roveratti, 2013
A vegetação pode estar contribuindo significativamente para a permanência de
espécies animais na região uma vez que 58% das espécies vegetais arbóreas encontradas na
área são zoocóricas revelando um padrão predominante deste tipo de dispersão, além disso, no
trabalho de Reis e Almeira (2012) mostrou que há predominância das aves em locais
arborizados, sendo observadas em 100% do levantamento em árvores e em 46,6% em
arbustos. Obteve-se também 31% de espécies com o tipo de dispersão anemocóricas e 11%
autocóricas (Gráfico 2).
34
Gráfico 2: Tipo de dispersão de sementes e frutos - % do total de indivíduos
Como a maioria dos indivíduos e das espécies são exóticos, existe necessidade de se
fazer uma revegetação com espécies nativas regionais para que possam contribuir de forma
mais significativa para a conservação da fauna característica do local. A presença de espécies
vegetais nativas é fundamental para a manutenção da diversidade original da flora e fauna no
ambiente urbano.
Com relação à síndrome de polinização, ficou clara a importância desta comunidade
vegetal para a conservação de grupos de insetos, inclusive abelhas, pois os tipo de polinização
predominante dos indivíduos do campus foram entomofilia (59%) e Melitofilia (25%)
(Gráfico 3).
Gráfico 3: Tipo de polinização - % do total de indivíduos
35
O CUFSA precisa visar à preservação das espécies nativas já existentes além de retirar
as espécies exóticas invasoras para não prejudicá-las. Porém, analisando-se o trabalho de
Silva (2001) podemos verificar que alguns indivíduos nativos da Mata Atlântica foram
retirados em um período de doze anos. Entre as espécies que tiveram maior número de
indivíduos retirados estão a Quaresmeira, que de 50 espécies encontradas em 2001, hoje se
encontram apenas 31, e o Manacá que foram retiradas 5 indivíduos.
Ressaltando a importância da conservação de áreas naturais em espaços densamente
urbanizados, a falta de plantas nativas restringe a distribuição de borboletas, destacando-se
que as espécies da CUFSA mostra preferência por plantas espontâneas, uma vez que há uma
alta especificidade relacionada aos seus recursos alimentares (ROUPA, 2013).
Além da importância biológica das plantas nativas, existe a importância econômica e
fisioterápica que algumas apresentam. No campus encontraram-se espécies nativas que
possuem atividade medicinal, como a Aroeira (Schinus terebinthifolius), Goiabeira (Psidium
guajava), Ipê Amarelo (Tabebuia chysotricha), Jatobá (Hymenaea courbaril), Manaca
(Tibouchina mutabilis), Paineira (Chorisia speciosa), Pata-de-vaca (Bauhinia forticata ), PauBrasil (Caesalpinia equinata ), Pitangueira (Eugenia uniflora ) e Araçazeiro (Psidium
cattleianum) (SILVA,2001).
36
4.2
Espécies Arbóreas Invasoras
No levantamento realizado no CUFSA foram identificados 562 indivíduos distribuídos
entre 20 espécies de arbóreas exóticas invasoras. As espécies exóticas invasoras que possuem
maior quantidade de indivíduos são a Archontophoenix alexandrae (158), Melia azedarach
(61 indivíduos), Eucalyptus paniculata (47 indivíduos), Pinus elliottii (46 indivíduos), as
quatro com alta capacidade de invasão. Uma espécie apresenta baixa capacidade invasora, 10
espécies com capacidade moderada e 9 espécies apresentam alta capacidade de invasão. Em
relação ao número de indivíduos, 381 apresentaram alta capacidade de invasão, 162 moderado
e 19 baixa capacidade (Tabela 3 e Gráficos 4 e 5). Informações adicionais sobre cada uma das
espécies arbóreas invasoras foram compiladas no Anexo C.
NOME POPULAR
NOME CIENTÍFICO
CAPACIDADE
DE INVASÃO
Nº DE INDIVÍDUOS
Café
Coffea arabica
Baixa
19
Espatódea
Spathodea nilotica
Moderada
28
Tipuana
Tipuana tipu
Moderada
10
Amoreira
Morus nigra
Moderada
29
Jambolão
Syzygium cumini
Moderada
7
Pau formiga
Triplaris caracasana
Moderada
1
Uva Japonesa
Hovenia dulcis
Moderada
8
Ameixeira
Eriobotrya japonica
Moderada
30
Pachira aquatica
Moderada
1
Jacaranda mimosaefolia
Moderada
20
Moderada
28
Alta
46
Alta
158
Castanha do
Maranhão
Jacarandá Mimoso
Sibipiruna
Pinheiro
Seafórtia
Caesalpinia
peltophoroides
Pinus elliottii
Archontophoenix
alexandrae
Pinus
Pinus echinata
Alta
13
Cheflera
Schefflera actinophylla
Alta
3
Leucena
Leucaena leucocephala
Alta
13
Pau Incenso
Pittosporum undulatum
Alta
22
Cinamomo
Melia azedarach
Alta
61
37
Eucalipto
Eucalyptus paniculata
Alta
47
Alfeneiro
Ligustrum lucidum
Alta
18
TOTAL
20
Tabela 3 – Espécies exóticas invasoras observadas no Campus
Gráfico 4 - Quantidade de indivíduos por espécies
562
38
Gráfico 5 – Número de indivíduos de espécies exóticas invasoras de acordo com a capacidade de invasão
De acordo com as categorias de procedência, 42% das espécies são exóticas, 25%
espécies exóticas invasoras e 33% nativas regionais. E com relação ao número de indivíduos,
27% são exóticas, 41% são exóticas invasoras e 32% nativas regionais (Gráficos 2 e 3).
Gráfico 6 – Categorias de Procedência: Porcentagem por número de espécies
39
Gráfico 7 – Categorias de Procedência: Porcentagem por número de indivíduos
O levantamento realizado no campus do Centro Universitário Fundação Santo André
constatou a alta incidência de espécies arbóreas com capacidade invasora. Vale ressaltar que
espécies invasoras podem se dispersar para áreas naturais e/ou protegidas a partir de vias
públicas, florestas ciliares e áreas degradadas (BLUM; BORGO; SAMPAIO, 2008) o que
reforça a necessidade de controle destas espécies no ambiente urbano como é o caso da área
de estudo.
Durante o levantamento foi observado o surgimento espontâneo de novos indivíduos
de Melia azedarach como se observa nas figuras 3 e 4. Essa espécie considerada agressiva
tem uma com alta capacidade de invasão de acordo com o Instituto Hórus de
Desenvolvimento e Conservação Ambiental (2013). É relevante ressaltar que ambientes
degradados facilitam o seu desenvolvimento, pois esta não resiste a ambientes com muita
sombra, como uma mata fechada (informação verbal).1
Informação fornecida por José Marcelo Torezan da Universidade Estadual de Londrina na palestra “Espécies
Exóticas Invasoras na Restauração Ecológica” no XI Congresso Aberto aos Estudantes de Biologia, em
Campinas (SP), em julho de 2013.
1
40
Fotografia 3: Cinamomo (Melia azedarach)
Autor: Dagmar Santos Roveratti, 2013
Fotografia 4: Cinamomo (Melia azedarach)
Autor: Dagmar Santos Roveratti, 2013
41
Além da M. Azedarach foram observados no campus como se vê nas fotos 5 e 6,
indivíduos jovens em desenvolvimento de Morus nigra, popularmente chamada de Amoreira
e de Leucaena leucocephala. A amoreira, exótica invasora de capacidade de invasão
moderada, mesmo originária da China pode estar oferecendo alimento para a avifauna local,
pois sua dispersão é feita através de pássaros. Já a Leucena apresenta mecanismos próprios de
dispersão e tem a capacidade de invasão extremamente agressiva, podendo prejudicar a
vegetação nativa (AMIGOS DAS ÁRVORES DE SÃO PAULO, 2012).
Fotografia 5: Amoreira (Morus nigra)
Autor: Dagmar Santos Roveratti, 2013
Fotografia 6: Leucena (Leucaena leucocephala)
Autor: Dagmar Santos Roveratti, 2013
42
Além do problema das plantas invasoras, podemos salientar que a ação antrópica na
CUFSA foi uma das principais causas no surgimento de criadouros com capacidade de armazenar
água e servir de depósitos de ovos de mosquitos exóticos como o do gênero Aedes, o que é
preocupante e deve propiciar uma ação epidemiológica local, uma vez que a ameaça das referidas
doenças é um novo desafio à Saúde Pública (LAPORTA; COSTA, 2002; RUANO, 2001).
4.3
Espécies Arbustivas Invasoras
No presente trabalho foram observadas de uma forma qualitativa as espécies
arbustivas exóticas invasoras do Centro Universitário Fundação Santo André. Foram
identificadas 7 espécies que não são originarias da região e possuem capacidade de invasão de
acordo com Amigos das Árvores de São Paulo (2012) (Tabela 4). Informações adicionais
sobre cada uma dessas espécies foram compiladas no Anexo D.
NOME POPULAR
NOME CIENTÍFICO
CAPACIDADE DE
INVASÃO
Aglaia
Aglaia odorata
Moderado
Piteira
Agave sp.
Alta
Bambu-vara-de-pescar
Phyllostachys sp.
Alta
Capim - gordura
Melinis minutiflora
Alta
Maria-sem-vergonha
Impatiens walleriana
Alta
Lambari
Tradescantia zebrina
Alta
Lírio-do-brejo
Hedychium coronarium
Alta
Tabela 4 – Espécies exóticas invasoras arbustivas que foram identificadas no campus
Os resultados obtidos são de extrema preocupação, pois a maioria das espécies são de
capacidade de invasão alta. É importante relembrar que espécies exóticas invasoras podem
reduzir ou eliminar populações nativas, destruir ecossistemas, causar problemas ecológicos e
causar grandes perdas econômicas (JUNIOR, 2011).
43
Muitas dessas espécies como o Hedychium coronarium, Tradescantia zebrina,
Impatiens walleriana, Phyllostachys sp. foram introduzidas no Brasil como plantas
ornamentais ou para o paisagismo, só que ultrapassaram os limites dos jardins e foram
agressivamente para os ambientes naturais não deixando espaço para outras plantas ou
cobrindo enormes extensões nos sub-bosques das matas (AMIGOS DAS ÁRVORES DE
SÃO PAULO, 2012).
As espécies Impatiens walleriana e Hedychium coronarium, por exemplo,
foram introduzidas para atender o paisagismo, mas conseguiram estabelecer as populações e
avançaram e dominaram os ambientes naturais espontaneamente no Brasil todo, causando
impactos e danos econômicos (MOREIRA E BRAGANÇA, 2011).
O Capim - gordura (Melinis minutiflora) é uma espécie fortemente agressiva, reveste o
solo em cima da vegetação nativa, impedindo a germinação de espécies nativas, e se torna a
planta dominante da área. Ela já se desenvolve em todo o Brasil e quando está perto de áreas
de conservação é uma grande ameaça pois é uma planta inflamável e pode-se incendiar com
facilidade (AMIGOS DAS ÁRVORES DE SÃO PAULO, 2012; MOREIRA E BRAGANÇA,
2011).
No CUFSA a espécie arbustiva invasora que foi observada com mais frequência
cobrindo os sub-bosques em grandes extensões da área da Fundação foi a Impatiens
walleriana, popularmente chamada de Maria-sem-vergonha (Foto 7). Essa espécie originária
da África é considerada agressiva e já é considerada uma epidemia em matas urbanas de São
Paulo (AMIGOS DAS ÁRVORES DE SÃO PAULO, 2012).
Fotografia 7:
Maria sem-vergonha
(Impatiens walleriana)
Autor: Dagmar Santos
Roveratti, 2013
44
A espécie Asclepias curassavica, conhecida popularmente como oficial-de-sala (Foto
8), também foi encontrada no CUFSA. Essa espécie mesmo sendo nativa do Estado de São
Paulo, em uma pesquisa feita na Reserva Biológica do Alto da Serra de Paranapiacaba em
Santo André ela foi encontrada e considerada uma espécie ruderal no local, ou seja, ela cresce
indesejavelmente nesse ambiente. Em muitas literaturas ela é considerada invasiva, infestante
ou daninha. A A. Curassavica cresce rapidamente e domina os ambientes, principalmente em
pastagens e capineiras, além de ser altamente tóxica tanto para os homens quanto para
animais, podendo levar a óbito (MOREIRA E BRAGANÇA, 2011; PASTORE et al., 2012;
GUIA..., 2013).
Fotografia 8: Oficial-da-sala (Asclepias curassavica)
Autor: Dagmar Santos Roveratti, 2013
45
5
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Gradativamente o homem vem destruindo a natureza. No entanto, já vinha sendo
verificado desde o começo do século XX que o ritmo de destruição se acelerou
extraodinariamente, pressupondo que em pouco tempo haveria poucas áreas verdadeiramente
naturais. Assim pequenas reservas e parques, mesmo modificadas, constituirão no futuro a
única herança deteriorada, do que restou da rica e variada vegetação natural que uma vez
havia na Terra. (JOLY, 1970).
O crescimento da urbanização resulta modificações de fauna e flora locais, e ocasiona
a aproximação entre o homem e as éspécies exóticas (LAPORTA; COSTA, 2002).
O presente trabalho deixou claro a gravidade do problema de espécies exóticas no
local, uma vez que predominou as espécies não nativas (exóticas e exóticas invasoras), com
935 indivíduos (68% do total).
As espécies arbustivas invasoras também são preocupantes, uma vez que foram
também observadas por toda área do campus, se destacando principalmente a espécie
Impatiens walleriana.
Destacou-se a existência de um grande número de indivíduos de espécies exóticas
invasoras no local, em especial a Archontophoenix alexandrae, Melia azedarach, Eucalyptus
paniculata e Pinus elliottii. Assim considera-se necessária a elaboração de um plano de
manejo visando o enriquecimento da vegetação do local com espécies nativas para
incrementar o potencial da área como fonte de alimento e como corredor ecológico. A
princípio, para ter um risco menor de invasão, precisa-se manter o ecossistema sustentável,
possuir um mínimo de diversidade e com menos degradação possível (informação verbal)².
_________________________
2
Informação fornecida por José Marcelo Torezan da Universidade Estadual de Londrina na palestra “Espécies
Exóticas Invasoras na Restauração Ecológica” no XI Congresso Aberto aos Estudantes de Biologia, em
Campinas (SP), em julho de 2013.
46
Propõe-se a substituição gradativa das espécies arbóreas invasoras presentes no
campus do Centro Universitário Fundação Santo André, com introdução de espécies nativas
da região fitoecológica local, tendo em vista a preservação da identidade biológica da região.
É importante salientar que onde houve uma degradação intensa, como o caso do CUFSA, a
sucessão secundária não se faz sozinha, é preciso a intervenção humana (informação verbal)³.
Além de algumas dessas espécies não possuirem predadores, competidores, parasitas ou
patógenos naturais para ajudar a controlar sua quantidade (JUNIOR, 2011).
Deve-se enfatizar a substituição das espécies Archontophoenix alexandrae, Melia
azedarach, Eucalyptus paniculata e Pinus elliottii, principalmente, pois elas se destacaram na
quantidade de indivíduos entre as espécies exóticas invasoras encontradas, além de possuírem
um alto potencial de invasão, podendo assim causar graves prejuízos ambientais e sócioeconômicos nas regiões urbanas próximas.
Além de substituir as espécies exóticas invasoras, principalmente as com maior
quantidade de indivíduos e as que estão conseguindo se disseminar no campus, sugere-se que
se tenha a prevenção futura de mais invasoras, impedindo que elas sejam introduzidas e que
se estabeleçam, pois é a maneira melhor de diminuir as ameaças e impactos no ecossistema e
nas espécies nativas, porque uma vez que introduzida é muito difícil e caro conter sua
disseminação (JUNIOR, 2011).
Os resultados indicam a importância da comunidade arbórea da área como fonte de
recursos alimentares para a fauna local, ressaltando que borboletas da CUFSA foram
encontradas visitando espécies nativas, exóticas e espécies exóticas invasoras como capimgordura (Melinis minutiflora) e maria-sem-vergonha (Impatiens walleriana) (ROUPA, 2013).
Porém, pela quantidade de espécies exóticas do local considera-se necessária a
elaboração de um plano de manejo visando o enriquecimento da vegetação do local com
espécies nativas para incrementar o potencial da área como fonte de alimento e como corredor
ecológico.
_________________________
³ Informação fornecida por José Marcelo Torezan da Universidade Estadual de Londrina na palestra “Espécies
Exóticas Invasoras na Restauração Ecológica” no XI Congresso Aberto aos Estudantes de Biologia, em
Campinas (SP), em julho de 2013.
47
Além da importância biológica da biodiversidade e genética das florestas tropicais, a
riqueza também está diretamente relacionada com a diversidade cultural que se encontra entre
as comunidades que nelas vivem e dependem.
Segundo Ferreira (2011), as áreas verdes urbanas não podem ser vistas como partes
isoladas, tendo apenas um tratamento estético ou como uma legislação a ser cumprida, mas
devem ser consideradas como aspecto essencial para a qualidade ambiental.
48
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52
ANEXO A – Mapa dos setores
53
ANEXO B - Fichas de observação em campo
Nome Vulgar
Nome Científico
Ht (m)
DAP
Hb (m)
Tipo
DIS
POL
INV
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
Legenda:
Ht (m)
DAP
Hb(m)
Tipo
1. 0-5
1. <10
1. < 1,80
1. Nativa Regional
2. 5-10
2. 10-15
2. > 1,80
2. Exótica
3. 10-15
3. 15-25
3. Exótica Invasora
4. >15
4. >25
Dispersão das sementes
1. Anemocórica
Tipo de Polinização
Capacidade de
invasão
1. Entomofilia
1. Baixa
2. Autocórica
2. Melitofilia
2. Moderada
3. Zoocórica
3. Ornitofilia
3. Alta
4. Quiropterofilia
5. Anemocórica
Anexo A – Ficha de identificação
Fonte: KULCHETSCKI et al., 2006; PRADO; ARMAS; ROVERATTI, 2012
54
ANEXO C - Fichas de identificação das espécies arbóreas invasoras observadas no
campus
Nome Científico: Ligustrum lucidum
Fotografias: Dagmar Santos Roveratti, 2013
Nomes Populares: Alfeneiro, alfenheiro, alfena, alfeneiro-do-japão.
Família: Oleaceae
Origem: Japão
Capacidade de invasão: Agressivo, colonizando todo o terreno disponível
Informações: Árvore de médio a grande porte muito usada na arborização urbana no século
passado, susceptível a cupins e que tem o hábito de germinar em frestas de construções onde
se desenvolve rapidamente. Dispersão ocorre de maneira rápida e é capaz de competir com
espécies de plantas nativas, impedindo sua regeneração.
55
Nome Científico: Archontophoenix alexandrae
Nomes Populares: Seafórtea, Palma-real-australiana, Palmera-de-alejandría, Palmeraalexandra, Palmera-real-de-australia , Palmera-alejandra
Família: Arecaceae
Origem: Austrália
Capacidade de invasão: Alta
Informações: Palmeira de porte bastante elegante e ornamental. Prefere solos bem úmidos,
suportando até encharcamentos temporários. Seu palmito é comestível e vem sendo também
cultivada para este fim. Apresenta rápido crescimento, chegando atingir até 1 m por ano.
56
Nome Científico: Coffea arabica
Fotografia: Dagmar Santos Roveratti, 2013
Nomes Populares: Café, Cafeeiro, cafezeiro
Família: Rubiacea
Origem: África
Capacidade de invasão: Moderado a agressivo.
Informações: A presença desta espécie exótica é constatada principalmente em fragmentos
florestais da região Sudeste do Brasil, mas também é encontrada em outras regiões do país.
Compete com espécies nativas nos estratos inferiores de formações florestais, interferindo no
processo de regeneração natural e de sucessão desses remanescentes.
57
Nome Científico: Pinus elliotti
Fotografia: Dagmar Santos Roveratti, 2013
Nomes Populares: Pinus, Pinheiro
Família: Pinaceae
Origem: América Central e do Norte.
Capacidade de invasão: Muito agressiva como invasora em áreas abertas, prolifera-se
rapidamente e domina ambientes naturais.
Informações: Aqui no Brasil, os pinheiros são amplamente cultivados nas zonas rurais para a
produção de madeira e celulose. Nas cidades, são comuns em quintais e áreas verdes. Suas
folhas possuem efeito alelopático, ou seja, quando caem eliminam substâncias no solo que
inibem o desenvolvimento de outras espécies de plantas. Substituição da vegetação nativa por
dominância e sombreamento de ecossistemas abertos e em áreas florestais degradadas.
Aumentam a acidez do solo. Alteração do regime hídrico em ecossistemas abertos, onde
substitui vegetação de pequeno porte. Deposição de serrapilheira de lenta decomposição
dificulta a germinação de espécies nativas. Redução da disponibilidade de água em ambientes
de baixa pluviosidade ou sazonalidade pluviométrica.
58
Nome Científico: Pinus echinata
Fotografia: Dagmar Santos Roveratti, 2013
Nomes Populares: Pinus
Família: Pinaceae
Origem: América Central e do Norte.
Capacidade de invasão: Agressivo, formando populações puras e muito densas.
Informações: Árvore muito utilizada em silvicultura, principalmente na década de 1960 a
1980. As existentes na malha urbana vieram principalmente de mudas dadas como brinde em
antigas ações ditas “ecológicas” nas décadas passadas e foram plantadas pela população.
59
Nome Científico: Leucaena leucocephala
Fotografia: Dagmar Santos Roveratti, 2013
Nomes Populares: Leucena
Família: Fabaceae
Origem: América Central
Capacidade de invasão: extremamente agressiva, formando populações puras que impedem
a vegetação nativa.
Informações: grande abundância de sementes resistentes e duráveis. A espécie pode formar
maciços densos, excluindo outras plantas e se não for controlada, pode avançar rapidamente
sobre áreas adjacentes. Largamente encontrada ao longo de rodovias, em áreas degradadas e
agrícolas, em pastagens e em afloramentos rochosos, principalmente nos domínios das de
formações florestais, mas também em restingas e mangues.
60
Nome Científico: Melia azedarach
Fotografia: Dagmar Santos Roveratti, 2013
Nomes Populares: Cinamomo, pára-raios ou santa - bárbara
Família: Meliacea
Origem: Ásia
Capacidade de invasão: agressiva, formando populações puras
Informações: foi introduzida no Brasil como ornamental e é muito comum na arborização
urbana. Compete com espécies nativas e elimina-as dos ambientes naturais por meio de
dominância, o que leva à uma redução na disponibilidade de recursos alimentares para a fauna
nos ambientes invadidos.
61
Nome Científico: Eucalyptus paniculata
Fotografia: Dagmar Santos Roveratti, 2013
Nomes Populares: Eucalipto
Família: Myrtacea
Origem: Austrália e Pacífico Sul
Capacidade de invasão: Alta
Informações: Dominância sobre vegetação nativa, deslocando espécies herbáceas. Ambientes
preferenciais de invasão: Ecossistemas abertos, expostos a insolação plena.
62
Nome Científico: Pachira aquatica
Fotografia: Dagmar Santos Roveratti, 2013
Nomes Populares: Castanha-do-Maranhão, monguba, castanhola, Carolina,
Família: Bombacaceae
Origem: México (sul) à Guiana e Brasil (norte).
Capacidade de invasão: Moderado
Informações: Árvore recentemente introduzida na arborização urbana paulistana, já aparece
no sub bosques de alguns fragmentos florestais na Zona Oeste.
63
Nome Científico: Spathodea nilotica
Fotografia: Dagmar Santos Roveratti, 2013
Nomes Populares: Espartódea, árvore-da-bisnaga, tulipa-africana, bisnagueira
Família: Bignoniaceae
Origem: África
Capacidade de invasão: Moderado
Informações: Árvore de grande porte, reconhecida pelas fores vermelhas ou laranjas e usada
na arborização urbana no passado. Invade desde ambientes abertos ou degradados por
agricultura ou sobrepastoreio até sub-bosques de florestas secundárias. Flores com alcalóides
tóxicos que podem causar envenenamento de beija-flores e abelhas. Impede a sucessão natural
das florestas que invade à medida que forma densos aglomerados e ocupa o espaço de
espécies nativas.
64
Nome Científico: Tipuana tipu
Fotografia: Dagmar Santos Roveratti, 2013
Nomes Populares: Tipuana, Amendoim-acácia
Família: Fabaceae
Origem: Bolívia e Argentina.
Capacidade de invasão: Moderado a agressivo
Informações: Trata-se da espécie mais comum na arborização urbana paulistana e quando
invade alguns terrenos chega a formar populações puras da espécie. As sementes da Tipuana
tem a capacidade de suportar uma grande variedade de condições adversas desde uma
temperatura de -4°C até uma terrível seca além de ser capaz de produzir massas de sementes e
grande parte dessas sementes consegue germinar.
65
Nome Científico: Morus nigra
Fotografia: Dagmar Santos Roveratti, 2013
Nomes Populares: Amora, amoreira
Família: Moraceae
Origem: China
Capacidade de invasão: Moderado
Informações: Foi introduzida para fins ornamentais e alimentares. Controle extremamente
difícil. Ambientes preferenciais de invasão: Formações florestais degradadas, em condições
de semi-sombra ou de ausência de sombra.
66
Nome Científico: Syzygium cumini
Fotografia: Dagmar Santos Roveratti, 2013
Nomes Populares: Jambolão, Jamelão, azeitona-da-terra, murta
Família: Myrtaceae
Origem: Índia (todo o subcontinente indiano, com exceção das regiões semi-áridas de Sind,
Rajasthan e Punjab).
Capacidade de invasão: Moderado
Informações: Árvore de médio a grande porte, é usado em arborização urbana em várias
cidades brasileiras. Compete com espécies nativas, dificultando o processo de regeneração e
interferindo na sucessão vegetal.
67
Nome Científico: Triplaris caracasana
Fotografia: Dagmar Santos Roveratti, 2013
Nomes Populares: Pau-formiga, formigueiro, pau-de-novato, pau-de-formiga
Família: Polygonaceae
Origem: Brasil na região amazônica e pantanal mato-grossense.
Capacidade de invasão: Moderado
Informações: Árvore extremamente ornamental, largamente empregada no paisagismo.
Planta de rápido crescimento e adapta a solos úmidos. Produz anualmente grande quantidade
de sementes viáveis, facilmente disseminadas pelo vento.
68
Nome Científico: Hovenia dulcis
Fotografia: Dagmar Santos Roveratti, 2013
Nomes Populares: Uva-do-japão, uva-japonesa
Família: Rhamnaceae
Origem: China, Japão e Coréia
Capacidade de invasão: Moderado
Informações: Invade áreas de floresta, competindo por espaço, luz e nutrientes com espécies
nativas, reduzindo a disponibilidades desses recursos. A espécie parece ter se naturalizado nos
ambientes do Estado e há muitas décadas as pessoas convivem com ela.
69
Nome Científico: Eriobotrya japonica
Fotografia: Dagmar Santos Roveratti, 2013
Nomes Populares: Ameixa-amarela, ameixeira, nêspera
Família: Rosaceae
Origem: Sudeste da China
Capacidade de invasão: Moderado
Informações: Aparece normalmente no sub-bosque de fragmentos de Mata Atlântica. Árvore
muito apreciada pelos frutos saborosos e comumente usada em paisagismo.
70
Nome Científico: Jacaranda mimosaefolia
Fotografia: Dagmar Santos Roveratti, 2013
Nomes Populares: Jacarandá-mimoso
Família: Bignoniaceae
Origem: Argentina
Capacidade de invasão: Moderado
Informações: Árvore de médio a grande porte muito usada no século passado para
arborização urbana na cidade de São Paulo, hoje é facilmente encontrada crescendo
espontâneamente em terrenos abandonados e áreas naturais.
71
Nome Científico: Caesalpinia peltophoroides
Fotografia: Dagmar Santos Roveratti, 2013
Nomes Populares: Sibipiruna, sebipira, coração-de-negro
Família: Fabaceae
Origem: Estado do Rio de Janeiro para o Norte e Mato Grosso do Sul.
Capacidade de invasão: Moderado
Informações: Árvore muito apreciada em arborização urbana, sendo uma das espécies mais
comuns nas ruas de São Paulo. Produz anualmente grande quantidade de sementes viáveis.
72
Nome Científico: Schefflera actinophylla
Fotografia: Dagmar Santos Roveratti, 2013
Nomes Populares: Cheflera, cheflera-gigante, árvore-guarda-chuva, árvore-polvo
Família: Araliaceae
Origem: Papua Nova Guiné, Indonésia, Austrália.
Capacidade de invasão: Agressivo e dominante.
Informações: Tolerante à sombra, capaz de invadir florestas primárias, várzeas úmidas e em
altas altitudes, desenvolvendo-se preferencialmente sobre troncos de árvores ou sobre rochas.
As sementes podem germinar na base de antigas árvores, crescendo como epífitas. Planta
também muito usada para vasos em interiores, quando plantada em áreas livres é espalhada
pela avifauna em forquilhas de árvores, ocupando agressivamente o espaço que seria das
bromélias, orquídeas e figueiras-bravas, e também cresce em frestas de edificações,
rompendo-as.
73
Nome Científico: Pittosporum undulatum
Fotografia: Dagmar Santos Roveratti, 2013
Nomes Populares: Pau-incenso, incenseiro
Família: Lamiaceae
Origem: Austrália.
Capacidade de invasão: muito agressivo em remanescentes da Mata Atlântica e terrenos
livres em São Paulo.
Informações: Forma aglomerados densos que impedem o crescimento de outras espécies. A
planta é extremamente alelopática, inibindo a germinação de outras espécies. O tronco não
abriga plantas epífitas, diminuindo a diversidade destas no ambiente invadido.
74
ANEXO D - Fichas de identificação das espécies arbustivas invasoras observadas no
campus
Nome Científico: Melinis minutiflora
Fotografia: Dagmar Santos Roveratti, 2013
Nomes Populares: capim-gordura,capim-meloso,capim-graxa, capim-melado.
Família: Poaceae
Origem: África
Capacidade de invasão: Extremamente agressivo, recobrindo completamente o solo e
inviabilizando a germinação de capins nativos e outras formas de vegetação, além de ser
muito inflamável. Controle muito difícil.
Informações: Foi introduzida no Brasil com a finalidade de atuar como forrageira e formar
pastagens por ser uma planta rústica e de rápido crescimento. No entanto naturalizou-se e
transformou-se em invasora de diversos ecossistemas, como o cerrado.
No processo de invasão, a planta cresce por cima da vegetação herbácea nativa causando
sombreamento e morte dessa vegetação, deslocando espécies nativas de flora e fauna.
75
Nome Científico: Impatiens walleriana
Fotografia: Dagmar Santos Roveratti, 2013
Nomes Populares: Maria-sem-vergonha, não-me-toque, balsamina, beijinho, beijo, beijo-defrade, beijo-turco, ciúmes
Família: Balsaminaceae
Origem: Continente africano, da Tanzânia a Moçambique.
Capacidade de invasão: Agressiva, formando densas populações no sub-bosque das matas
nativas.
Informações: Espécie herbácea perene que se desenvolve em todo o País, onde foi
introduzida como planta ornamental, extrapolou os limites do paisagismo e avançou para o
interior de áreas naturais, onde estabeleceu populações que podem ameaçar o meio ambiente.
Domina os estratos inferiores de áreas sombreadas, em especial ambientes úmidos,
deslocando plantas nativas de sub-bosque no caso de ambientes florestais, comprometendo a
sucessão ecológica. I. walleriana encontra-se naturalizada, ocupando trilhas e clareiras de
fragmentos florestais da Mata Atlântica e áreas destinadas à olericultura e fruticultura.
76
Nome Científico: Aglaia odorata
Fotografia: Dagmar Santos Roveratti, 2013
Nomes Populares: Aglaia, Murta-do-campo
Família: Meliaceae
Origem: Ásia
Capacidade de invasão: Moderado
Informações: É uma árvore ornamental, que tem floração constante. Muito utilizada no
começo do século passado para a confecção de cercas-vivas, onde em algumas décadas sem
poda viravam grande árvores.
77
Nome Científico: Agave sp.
Fotografia: Dagmar Santos Roveratti, 2013
Nomes Populares: Agave, piteira, sisal
Família: Agavaceae
Origem: México
Capacidade de invasão: extremamente agressivo, não deixa espaço para outras plantas.
Informações: Planta capaz de forrar toda a superfície de Mata Atlântica secundária e cerrado.
Expulsão de espécies nativas por ocupação do espaço e adensamento.
78
Nome Científico: Phyllostachys sp.
Fotografia: Dagmar Santos Roveratti, 2013
Nomes Populares: bambu alastrante, bambu-vara-de-pescar
Família: Poaceae
Origem: China
Capacidade de invasão: extremamente agressivo, não deixa espaço para outras plantas.
Informações: Planta comum no paisagismo, também é usada para evitar a erosão de encostas.
Dominante quando plantada em vegetação de cerrado, onde disputa a luz e ganha
invariavelmente.
79
Nome Científico: Tradescantia zebrina
Fotografia: Dagmar Santos Roveratti, 2013
Nomes Populares: Zebrina, lambari, judeu-errante, trapoeraba-roxa
Família: Commelinaceae
Origem: América Central.
Capacidade de invasão: agressiva, costuma cobrir grandes extensões de solo no sub-bosque.
Informações: Espécie muito usada no paisagismo, principalmente em passado recente.
Domina o sub-bosque de formações florestais e a regeneração em áreas degradadas,
eliminando espécies nativas por sombreamento ou competição, comprometendo, dessa forma,
o processo de sucessão natural.
80
Nome Científico: Hedychium coronarium
Fotografia: Dagmar Santos Roveratti, 2013
Nomes Populares: lírio-do-brejo, borboleta, borboleta-amarela, lírio-branco, cardamomo-domato, escalda-mão, flor-de-lis, jasmim, jasmim-borboleta, lágrima-de-moça.
Família: Zingiberaceae
Origem: Nepal (no Himalaia) e da Índia até a Indonésia.
Capacidade de invasão: extremamente agressiva, recobrindo extensas áreas de várzeas, sem
deixar espaço para a biodiversidade nativa.
Informações: É uma planta ornamental, tanto pela folhagem como pelas flores que exalam
um odor agradável, das quais se extrai uma essência para fabricação de perfumes. Planta que
dizimou a biodiversidade de parte significativa das várzeas e brejos de São Paulo e arredores,
outrora muito ricos em espécies nativas. A espécie forma densas touceiras que dificultam ou
impedem a sucessão ecológica da vegetação nativa em áreas úmidas e em sub-bosque de
florestas.
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