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ppooorrrtttuuuggguuuêêêss
P O RT U G U Ê S
Redação
Redija uma dissertação a tinta, desenvolvendo um
tema comum aos textos abaixo.
Texto I
Reagan morreu como homem respeitado, possivelmente até amado. Enquanto estava na Presidência, sua
popularidade sobreviveu ao caso Irã-Contras, mas a
popularidade não é teste confiável de grandeza. Harry
Truman, hoje entre os quase grandes ou entre os grandes, deixou o cargo com índice de aprovação de só
23%. Em última análise, não são os elogios dos admiradores que vão determinar a posição que um homem
vai ocupar. Só poderá fazê-lo aquilo que o historiador
Arthur Schelesinger chamou de “o olhar da história”,
dentro de muitos e muitos anos.
Adaptado de R. W. Apple Jr.
Texto II
Sábio é o homem que consegue ascender da babaquice da popularidade à sabedoria do anonimato.
Millôr Fernandes
Texto III
Quem tem fama, quem é célebre, notável, pode
também ser famigerado, ser tristemente afamado, ser
célebre por fatos e obras nada edificantes.
Comentário a respeito de
“Famigerado”, de Guimarães Rosa
Texto IV
Eu sou popular, me dou bem com todo mundo. Isso
me faz sentir amada. Quem não é assim deve ter
algum problema de relacionamento.
Depoimento de pessoa acerca
de sua popularidade
COMENTÁRIO SOBRE A REDAÇÃO
A popularidade na esfera política, social e midiática,
foi o tema proposto. Para desenvolver sua dissertação,
o candidato pôde contar com quatro textos, três dos
quais questionando o real valor da popularidade, restando apenas ao último fragmento a defesa dessa condição como algo imprescindível, revelador do grau de
afetividade que despertamos. Para além de analisar o
fenômeno de valorização da popularidade, observado
especialmente nas sociedades ocidentais, o candidato
deveria posicionar-se em relação a essa questão.
Caso optasse por defender a importância da popularidade, o vestibulando poderia ressaltar as vantagens
obtidas por aqueles que conseguem tornar-se célebres.
O Brasil poderia ser citado como exemplo: do político
eleito graças ao próprio carisma, passando pela modelo-atriz-“apresentadora”, até chegar ao anônimo que se
inscreve num reality show e instantaneamente passa a
figurar no panteão da fama, não faltam “amostras” que
comprovem a eficácia das “fórmulas” de sucesso.
OBJETIVO
M A C K E N Z I E - ( 1 º d i a - G r u p o I ) D e z e m b r o /2 0 0 4
Caso, porém, não visse da forma positiva a popularidade, o candidato poderia valer-se dos mesmos exemplos utilizados pelos defensores da fama – afinal, a
maioria daqueles que são agraciados pela popularidade
não contam propriamente com “fatos e obras” que justifiquem sua notoriedade. Prova disso estaria na fugacidade com que surgem e desaparecem, para dar lugar a
novas e igualmente voláteis personalidades.
Com esse olhar crítico, o candidato poderia arriscar
um vislumbre do que o futuro trará: um mundo em que
ficará cada vez mais difícil distinguir famosos de “famigerados”.
OBJETIVO
M A C K E N Z I E - ( 1 º d i a - G r u p o I ) D e z e m b r o /2 0 0 4
Português
Texto para as questões de 01 a 05
Os programas de lazer oferecidos pelo Sesc pri01
vilegiam
a confraternização entre as pessoas e são
02
norteados
pelo princípio da democratização. O Sesc
03
conta
com
uma ampla variedade de atividades re04
creativas
e
de
lazer para crianças, jovens, adultos e
05
idosos.
Em
todas
essas atividades estão sempre
06
presentes
a
integração
de idéias, o convívio com a
07
diferença
e
a
descoberta
de novos limites e pos08
sibilidades.
E
agora,
com
a inauguração do Sesc
09
Pinheiros,
muito
mais
pessoas
têm acesso a tudo
10
isso.
São
36
mil
metros
quadrados
de área que
11
reúnem
ginásios
poliesportivos,
piscinas,
12
Internet,
oficinas
de
arte.
E
mais:
teatro
com
13
1.000
lugares,
auditório,
clínica
odontológica
e
14
a
Comedoria
Sesc,
um
espaço
de
encontro
e
15
16 celebração para o ato de comer de uma forma
17 saudável e agradável. O Sesc Pinheiros é o
18 lugar onde todos se encontram com o lazer, a
cultura, o esporte e a saúde.
1 c
De acordo com o texto, é correto afirmar que
a) o Sesc, tradicionalmente, restringe suas atividades à
área esportiva.
b) teatro espaçoso, auditório, clínica odontológica e
comedoria são áreas freqüentemente encontradas
em espaços dedicados ao lazer e à cultura.
c) atividades de lazer e recreação propiciam o estabelecimento de contatos e a percepção de novos desafios.
d) a instituição atendia a pouquíssimas pessoas antes
da inauguração da unidade Pinheiros.
e) no teatro, no auditório e na comedoria, pode-se
comer de forma saudável e agradável.
Resolução
A alternativa c resume adequadamente as nove primeiras linhas do texto.
OBJETIVO
M A C K E N Z I E - ( 1 º d i a - G r u p o I ) D e z e m b r o /2 0 0 4
2 a
Considere as seguintes afirmações.
I.Palavras como confraternização, democratização,
integração, convívio ajudam a construir a idéia de
que o lugar abriga diferentes grupos.
II.As palavras crianças, jovens, adultos, idosos, todos
reforçam a idéia de que a programação do Sesc é
diversificada.
III.A palavra celebração (linha 15) indica que a comedoria é um lugar também destinado à realização de
eventos religiosos.
Assinale:
a) se apenas I e II estiverem corretas.
b) se apenas II e III estiverem corretas.
c) se apenas I estiver correta.
d) se apenas II estiver correta.
e) se I, II e III estiverem corretas.
Resolução
O erro da afirmação III é bastante evidente, pois celebração não implica evento religioso, nem o contexto em
que aparece a palavra admite tal associação. As duas
outras afirmações são evidentemente corretas.
3 d (teste defeituoso)
Sobre a descrição do Sesc Pinheiros (linhas 09 a 16),
diz-se, com correção, que
a) apresenta grande detalhamento do aspecto estético
das áreas mencionadas.
b) é apresentada em ordem rigorosamente inversa à
dos termos que, no final do texto, nos remetem à utilização possível do local (lazer, cultura, esporte e
saúde).
c) se restringe ao espaço físico e às atividades atléticodesportivas que nele podem ser desenvolvidas.
d) associa a grandiosidade do espaço físico aos benefícios que podem advir de sua utilização.
e) expõe, em detalhes, a função social de cada um dos
espaços em que se subdivide a nova unidade.
Resolução
A alternativa dada como correta é apenas a “menos
errada”, e terá sido apenas por tal motivo que muitos
dos melhores candidatos a tenham porventura assinalado. Com efeito, o texto não se refere à “grandiosidade” do local, mas sim à sua grandeza. É fato que grandiosidade pode ter o sentido de “grandeza”, mas em
seu uso corrente indica “pompa”, significando “qualidade do que é grandioso”. Outro problema – mais sério
este – está em que a grandeza do local é associada às
atividades que propicia, não propriamente aos “benefícios” de tais atividades (a não ser no caso da
Comedoria, de que se apontam os benefícios do convívio, do prazer e da saúde – mas tudo isso não tem relação com a “grandiosidade” do local). De qualquer
forma, não há alternativa melhor.
OBJETIVO
M A C K E N Z I E - ( 1 º d i a - G r u p o I ) D e z e m b r o /2 0 0 4
4 b
Assinale a alternativa correta.
a) ampla variedade (linha 04) é um pleonasmo vicioso,
já que o significado das duas palavras é o mesmo.
b) Em o lugar onde todos se encontram (linha 17), o
artigo e o pronome destacam o caráter particularmente democrático da instituição.
c) pelo Sesc (linha 01) e pelo princípio (linha 03)
desempenham diferentes funções sintáticas.
d) sempre (linha 06) e agora (linha 09) são índices da
contradição entre os serviços democráticos do passado e as atividades elitistas programadas para o
novo Sesc.
e) Nas linhas 11, 12 e 13, o substantivo piscina é o único não acompanhado de adjunto.
Resolução
O artigo definido empregado antes de lugar emprestalhe especificidade, que é atribuída a Sesc Pinheiros,
sem antecedente, e ao advérbio onde. Todos, como
pronome indefinido, generaliza de forma democrática o
público freqüentador e reforça o sentido de especial de
o lugar.
5 e
Comedoria n.f. [Abstrato de ação] refeição lauta e festiva; comezaria: Natal não é pretexto para festas, bebedeiras, vendas e comedorias; levando-o para sua casa,
para as comedorias judaicas.
O verbete acima foi extraído do Dicionário de usos do
português do Brasil, de Francisco da Silva Borba e
colaboradores. É correto afirmar que a palavra comedoria, no texto sobre o Sesc,
a) exemplifica um dos usos do termo previstos pelo
dicionário.
b) é empregada no gênero masculino, contradizendo a
orientação do dicionário.
c) difere da palavra definida pelo dicionário na medida
em que se refere às refeições saudáveis e não às
festivas.
d) apresenta raiz diferente daquela que encontramos
em comezaria.
e) equivale a “restaurante” – sentido ausente do verbete – e permite supor que o espaço seja diferente,
original.
Resolução
O texto refere-se à “Comedoria Sesc” como “um espaço de encontro e celebração para o ato de comer de
uma forma saudável e agradável”. Celebração, nesse
caso, indica a importância do ato de comer e da escolha dos alimentos; por isso, empregou-se “comedoria”,
que se refere não só ao espaço físico, mas também ao
significado do ritual de “alimentar-se”, tanto no sentido
de “nutrir-se” quanto no de “integrar-se”.
OBJETIVO
M A C K E N Z I E - ( 1 º d i a - G r u p o I ) D e z e m b r o /2 0 0 4
Textos para as questões de 06 a 10
Texto I
Eis os versos que outrora, ó Mãe Santíssima,
te prometi em voto
vendo-me cercado de feroz inimigo.
Enquanto entre os Tamoios conjurados,
pobre refém, tratava as suspiradas pazes,
tua graça me acolheu
em teu materno manto
e teu poder me protegeu intactos corpo e alma.
José de Anchieta
Texto II
Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada,
Cobrai-a; e não queirais, pastor divino,
Perder na vossa ovelha a vossa glória.
Gregório de Matos
6 e
Os versos do texto I
a) revelam a intenção pedagógica e moral de Anchieta,
ao tratar do seu desejo de conversão dos indígenas
à religião católica.
b) documentam o cronista religioso debruçado sobre a
terra e o nativo, desejando informar sobre a natureza
e o homem brasileiro.
c) são um legado da era colonial brasileira, em que se
exprime a religiosidade do nativo da terra recém-descoberta.
d) tematizam a paisagem social primitiva da colônia e
demonstram a visão pragmática do jesuíta colonizador, preocupado em “dilatar a fé e o império”.
e) expressam o sentimento religioso do apóstolo e deixam entrever uma específica experiência sua na paisagem americana.
Resolução
A apóstrofe ó Mãe Santíssima expressa a religiosidade
do texto e a citação dos índios Tamoios ilustra a paisagem americana.
OBJETIVO
M A C K E N Z I E - ( 1 º d i a - G r u p o I ) D e z e m b r o /2 0 0 4
7 b
Considerando os textos I e II, assinale a alternativa correta.
a) Em I e II, o eu lírico dirige-se ao ser divino: em I, para
suplicar-lhe conforto; em II, para pedir perdão pelos
pecados.
b) Nota-se distinta atitude do eu lírico: em I, o poema é
considerado uma oferenda por graça já alcançada;
em II, o poema constitui declaração de culpa.
c) A temática religiosa está presente nos dois poemas,
mas tratada diferentemente: em I, a divindade é
reverenciada (ó Mãe Santíssima); em II, é incriminada (Cobrai-a; e não queirais).
d) Manifestações artísticas de períodos culturais diferentes, os poemas deixam transparecer especificidades: I retrata a visão idílica do homem da terra; II, a
visão dual do ser humano.
e) I e II são manifestações exemplares de espíritos de
inclinação didática e ética, empenhados na divulgação dos ideais da Ilustração.
Resolução
Assinale-se que, nos versos de Gregório de Matos, a
admissão da culpa vem acompanhada do apelo à misericórdia divina, apelo que é predominante no texto.
8 c
Considerando o texto I, assinale a alternativa correta.
a) O terceiro verso — vendo-me cercado de feroz inimigo — expressa uma hipótese.
b) Em cercado de feroz inimigo, de expressa a mesma
idéia notada em “vestido de festa”.
c) A expressão pobre refém caracteriza o eu lírico.
d) Enquanto introduz a idéia de sucessividade entre a
ação de “tratar” e a de “acolher”.
e) O adjetivo intactos exerce a mesma função sintática
do termo grifado em “As águas serenas eram o
espelho da lua”.
Resolução
A indicação da primeira pessoa, por meio do verbo
“promete” e do pronome “me” em “vendo-me” e
“me colheu”, insere o eu-lírico no contexto de perigo
(“vendo-me cercado de feroz inimigo”) e depois de salvamento (“tua graça me colheu”), fazendo com que a
expressão “pobre refém”, contextualizada, temporalmente, entre os momentos citados, se refira à voz do
poema.
OBJETIVO
M A C K E N Z I E - ( 1 º d i a - G r u p o I ) D e z e m b r o /2 0 0 4
9 a
Considerando os textos I e II, assinale a alternativa correta.
a) Em II, de maneira indireta — pela presença da metáfora ovelha desgarrada —, o pronome a (Cobrai-a)
refere-se ao eu lírico.
b) Em II, estão em oposição os sentidos de a ovelha
desgarrada e vossa ovelha.
c) Em II, substituindo a vossa glória pelo pronome correspondente, a forma correta seria “lhe”.
d) Em I e II, o diálogo observado é estabelecido entre
um eu lírico e um interlocutor tratado na segunda
pessoa do singular.
e) Mãe Santíssima (em I) e Senhor (em II) exercem a
função sintática de aposto.
Resolução
O pronome oblíquo átono a remete à “a ovelha desgarrada” e funciona sintaticamente como objeto direto
de cobrar. Como “ovelha desgarrada” é uma metáfora
do eu-lírico, o pronome a, de forma indireta, refere-se a
ele.
10 d
Assinale a alternativa em que a expressão do texto I
está corretamente entendida.
a) versos que outrora... = poema que, na Antigüidade, ...
b) cercado de feroz inimigo = sitiado por forças invencíveis.
c) entre os Tamoios conjurados = integrantes dos
rituais da tribo Tamoio.
d) tratava as suspiradas pazes = tentava obter a tão
desejada concórdia.
e) tua graça me acolheu = tua santa beleza me inspirou.
Resolução
A sinonímia foi empregada adequadamente na alternativa correta.
Em a, “versos de outrora”, outrora significa passado
(em outra hora), e não Antigüidade; em b, “feroz inimigo” significa cruel ou perverso inimigo; em c, “conjurados” significa “que se associaram para um determinado fim”; em e, “graça” significa “bênção”, “auxílio sobrenatural”.
OBJETIVO
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Texto para as questões de 11 a 15
A valsa é uma deliciosa cousa. Valsamos; não
01
02 nego que, ao aconchegar ao meu corpo aquele
03 corpo flexível e magnífico, tive uma singular sensa04 ção, uma sensação de homem roubado. (...)
Cerca de três semanas depois recebi um convite
05
06 dele [Lobo Neves, marido de Virgília] para uma reu07 nião íntima. Fui; Virgília recebeu-me com esta gra08 ciosa palavra: — O senhor hoje há de valsar comi09 go. Em verdade, eu tinha fama e era valsista emé10 rito; não admira que ela me preferisse. Valsamos
11 uma vez, e mais outra vez. Um livro perdeu
12 Francesca; cá foi a valsa que nos perdeu. Creio que
13 nessa noite apertei-lhe a mão com muita força, e
14 ela deixou-a ficar, como esquecida, e eu a abraçá15 la, e todos com os olhos em nós, e nos outros que
16 também se abraçavam e giravam ... Um delírio.
17
Machado de Assis
Obs.: o amor luxurioso entre Francesca da Rimini e
Paolo Malatesta obriga Dante Alighieri a colocá-los no
Inferno, em sua Divina Comédia. O livro que os perdeu é a narrativa do amor adulterino de Lancelote do
Lago e Ginebra, mulher do Rei Artur – uma novela de
cavalaria pertencente ao ciclo bretão.
11 a
Assinale a alternativa correta sobre o fragmento de
Memórias póstumas de Brás Cubas citado.
a) Pelo trecho destacado em eu tinha fama e era valsista emérito (linhas 09 e 10), subentende-se que o
narrador acredita que nem sempre a reputação de
uma pessoa é merecida.
b) O narrador cita uma singular sensação (linhas 03 e
04), mas contraria o que diz ao caracterizar de maneira banal essa sensação “incomum”: uma sensação
de homem roubado (linha 04).
c) O emprego da dupla negação (não nego, linhas 01
02) revela que o narrador não quer admitir que a
valsa lhe dava prazer.
d) A frase não admira que ela me preferisse (linha 10)
expressa a causa do fato anteriormente mencionado.
e) A frase como esquecida (linha 14) equivale a “porque estava esquecida”.
Resolução
Ao confirmar a justeza da fama de que gozava, o narrador deixa subentendido que nem toda fama é justificada.
OBJETIVO
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12 c
Virgília recebeu-me com esta graciosa palavra: — O
senhor hoje há de valsar comigo.
Iniciando a frase acima com “Virgília recebeu-me”, e
transpondo o discurso direto para o discurso indireto, a
forma correta para completar o fragmento, sem alteração do sentido original, é:
a) acrescentando, graciosa, que eu, naquele dia, haveria de valsar com ela.
b) ao exclamar graciosamente que – O senhor hoje há
de valsar comigo!
c) dizendo com graça que eu, naquele dia, havia de valsar com ela.
d) sugerindo, graciosa, que a personagem devia valsar
com ela naquela hora.
e) declarando, com graça, que “o senhor tinha de valsar
comigo” naquele dia.
Resolução
A passagem para discurso indireto do trecho “Virgília
recebeu-me com essa graciosa palavra: — O senhor
hoje há de valsar comigo” produz as seguintes alterações: introdução do verbo declarativo dizer; o advérbio
hoje passa a “naquele dia”; o verbo no presente há
passa ao pretérito imperfeito “havia”; o pronome oblíquo comigo passa a “com ela”.
13 d
Um livro perdeu Francesca; cá foi a valsa que nos perdeu.
Considerando o contexto, assinale a alternativa correta
a respeito da frase acima.
a) Ao citar Francesca, o narrador insinua que, na sua
relação com Virgília, o delírio se resumiria a uma
noite de valsas.
b) O leitor que não souber quem foi Francesca não
saberá o que ocasionou a perdição dessa personagem, nem perceberá o paralelismo gramatical estabelecido, no período, entre um livro e a valsa.
c) Equivale a: “Se um livro poderia perder Francesca,
aqui a valsa poderia chegar a nos perder”.
d) A partir de referência a situação similar, o narrador
prenuncia a relação de adultério que viverá.
e) A aproximação de livro e valsa é sugerida com o objetivo de mostrar que perdeu tem sentido distinto em
cada uma das frases.
Resolução
O narrador compara Virgília a Francesca. Um livro perdeu Francesca, tornando-a amante de Paolo. A valsa
perdeu Virgília, tornando-a amante de Brás Cubas.
OBJETIVO
M A C K E N Z I E - ( 1 º d i a - G r u p o I ) D e z e m b r o /2 0 0 4
14 e
Ao comentar a nova atitude narrativa assumida por
Machado de Assis a partir de Memórias póstumas de
Brás Cubas, um crítico assinala:
O próprio narrador é contestado continuamente em sua
versão dos “fatos” narrados, sendo desmistificado
pelos outros ou por seu próprio discurso. A “verdade”
do texto é uma questão de ponto de vista.
Assinale a frase do fragmento do romance transcrito
em que o próprio narrador insinua a dúvida sobre aquilo que está contando.
a) A valsa é uma deliciosa cousa.
b) não nego que, ao aconchegar ao meu corpo aquele
corpo flexível e magnífico, tive uma singular sensação.
c) Virgília recebeu-me com esta graciosa palavra: — O
senhor hoje há de valsar comigo.
d) Em verdade, eu tinha fama e era valsista emérito.
e) Creio que nessa noite apertei-lhe a mão com muita
força, e ela deixou-a ficar.
Resolução
A afirmação do narrador (“Creio”) não é taxativa, o próprio discurso do defunto-autor Brás Cubas deixa certa
dúvida quanto à total veracidade dos fatos relatados.
OBJETIVO
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15 b
Em texto sobre O primo Basílio, de Eça de Queirós,
Machado de Assis afirma: “o tom carregado das tintas,
que nos assusta, para ele é simplesmente o tom próprio”. Assinala que o escritor português já provocara
admiração dos leitores com O crime do Padre Amaro
e acrescenta: “Pois que havia de fazer a maioria,
senão admirar a fidelidade de um autor, que não
esquece nada, e não oculta nada? Porque a nova
poética é isto, e só chegará à perfeição no dia em
que nos disser o número exato dos fios de que se
compõe um lenço de cambraia ou um esfregão de
cozinha.”
Considerados o estilo de Machado e seu contexto,
deve-se compreender as palavras acima destacadas
como
a) elogio a uma prática inovadora que o autor brasileiro
adotou desde a obra inicial, tornando-se o maior
representante do Realismo no Brasil.
b) recusa do Realismo entendido como reprodução
fotográfica, que não propicia a escolha dos detalhes
mais significativos de uma situação ou perfil humano.
c) crítica à “velha poética”, que, mais sutil, mais sugeria do que explicitava, negando-se a descrições detalhadas.
d) negação dos procedimentos típicos dos escritores
românticos, que, evitando a observação da realidade,
em nada podiam contribuir para a formação da consciência da nacionalidade.
e) elogio ao público pelo reconhecimento do valor do
escritor português, fiel à descrição e avaliação da
sociedade burguesa que retrata em suas obras.
Resolução
Machado de Assis critica em Eça de Queirós a fidelidade mecanicista à reprodução fotográfica da realidade,
o simples inventário documental, minucioso. (“Só chegará à perfeição no dia em que nos disser o número
exato dos fios de que se compõe um lenço de cambraia”).
Machado ironiza na obra queirosiana a busca da objetividade total, a presença apenas de aspectos externos,
sem que se levem em conta os detalhes mais significativos de uma situação ou perfil humano.
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Texto para as questões 16 e 17
Eu insulto o burguês! O burguês-níquel,
o burguês-burguês!
A digestão bem feita de São Paulo!
O homem-curva! O homem-nádegas!
O homem que sendo francês, brasileiro, italiano,
é sempre um cauteloso pouco-a-pouco!
Mário de Andrade
16 d
Em seu “Prefácio interessantíssimo”, de Paulicéia
desvairada, obra da qual se extraiu o fragmento transcrito, Mário de Andrade adverte:
“Aliás versos não se escrevem para leitura de olhos
mudos. Versos cantam-se, urram-se, choram-se”. Essas palavras e o que se lê no fragmento poético autorizam afirmar:
a) Quem não souber cantar não saberá ler a composição transcrita, em que o rigor métrico e o esquema
rígido de rimas produzem harmoniosa melodia, a serviço da manifestação da emoção.
b) Quem não souber desprezar padrões não entenderá
os versos, em que o desdém pelas regras gramaticais, notado na pontuação, na acentuação, na sintaxe, acarreta a falta de inteligibilidade.
c) Quem não souber sofrer não se emocionará com o
fragmento de rapsódia transcrito, em que se representa o padecimento do homem moderno (simbolizado no burguês) pelos insultos que o poeta-pesquisador lhe dirige.
d) Quem não souber urrar não deve ler os versos, em
que, por exemplo, os substantivos agregados a substantivos (com os quais estão ligados por analogia)
necessitam da força do grito para expressar a emoção do eu lírico.
e) Quem não souber perdoar não apreciará os versos,
em que o poeta, fazendo uso das palavras em liberdade (recurso de vanguarda), investe contra homens
bem-sucedidos, sem, entretanto, incentivar, devido
ao tom jocoso, a ira do leitor.
Resolução
O examinador associou o texto em que Mário de
Andrade faz uma consideração sobre o carácter emocional da poesia com o início de Ode ao Burguês. Nos
versos dessa ode (= canto de louvor), onde a celebração se transforma em ódio, a palavra “insulto”, as frases exclamativas, os substantivos compostos (“burguês-níquel”, “burguês-burguês”, “homem-curva”,
“homem-nádegas”) indicam a forte carga emocional do
eu-lírico.
OBJETIVO
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17 e
Assinale a alternativa correta.
a) A palavra burguês (primeiro verso) está corretamente grafada; para estar também correta, a forma, no
feminino, receberá acento circunflexo no sufixo
–êsa.
b) Se em vez de bem (terceiro verso) fosse empregado
seu antônimo, a forma correta seria “mau”.
c) A oração reduzida construída com a forma sendo
(quinto verso) expressa noção de conseqüência.
d) No quinto verso, o emprego de “franco-brasileiro”,
em lugar de francês, brasileiro e de “ítalo- brasileiro”, em lugar de brasileiro, italiano, não alteraria o
sentido original.
e) O eu lírico empresta ao adjetivo cauteloso (sexto
verso) um sentido pejorativo.
Resolução
Apesar de significar “prudente, cauto”, o adjetivo cauteloso empresta sentido depreciativo ao homem burguês, porque, no contexto, qualifica a expressão poucoa-pouco, que significa “gradativamente”, como se houvesse excesso de cautela, falta de atitudes decididas.
OBJETIVO
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18 b
Além de Mário de Andrade, outro escritor modernista
teve interesse pela cidade de São Paulo, observada
pelo ponto de vista das alterações que foram trazidas à
realidade urbana pela presença do imigrante.
Assinale a alternativa em que são citados o nome
desse prosador e um fragmento que exemplifica o que
dele se afirma.
a) Monteiro Lobato:
Quando adquiri esta gleba, disse ele, tudo era mata
virgem, de ponta a ponta. Rocei, derrubei, queimei
(...) plantei café — fiz tudo.
b) Alcântara Machado:
(...) o tripeiro Giuseppe Santini berra no corredor:
— Spegni la luce! Subito! Mi vuole proprio rovinare
questa principessa!
E – raatá — uma cusparada daquelas.
c) Lima Barreto:
A alta autoridade levantou-se, pôs as mãos às cadeiras, concertou o “pince-nez” no nariz e perguntou:
“Então, sabe javanês?”. Respondi-lhe que sim; e à
sua pergunta onde o tinha aprendido, contei-lhe a
história do tal pai javanês.
d) Guimarães Rosa:
— Oh Seu Vinte e Um! Pois então você é casado?
(...) E é o primeiro filho?
— Nhor não, com esse é trêis... O primeiro morreu
de ano, e o outro, que era mulher, nasceu morto de
nascença.
e) Rubem Braga:
Era uma borboleta. Passou roçando em meus cabelos, e no primeiro instante pensei que fosse uma
bruxa ou qualquer outro desses insetos que fazem
vida urbana; mas como olhasse, vi que era uma borboleta amarela.
Resolução
Alcântara Machado retrata nos contos de Brás, Bexiga
e Barra Funda a incorporação do imigrante italiano à
cidade de São Paulo do início do século XX. No fragmento transcrito, nota-se a variante lingüística ítalo-paulistana, traço estilístico marcante desse livro modernista da fase heróica (1922-30).
OBJETIVO
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Texto para as questões 19 e 20
— A quem estais carregando,
irmão das almas,
embrulhado nessa rede?
Dizei que eu saiba.
— A um defunto de nada,
irmão das almas,
que há muitas horas viaja
à sua morada.
19 a
O fragmento pertence a Morte e vida severina, de
João Cabral de Melo Neto, poema que se tornou popular também pela sua encenação e musicalização, feita
por Chico Buarque. Nos versos transcritos,
a) a finalidade da pergunta presente na primeira fala
está enunciada no quarto verso: que eu saiba.
b) a expressão irmão das almas (segundo e sexto versos) remete, nos dois casos, à mesma personagem.
c) o pronome relativo que (sétimo verso) refere-se a
irmão das almas.
d) o diálogo se dá entre personagens de um mesmo
ritual, envolvidos com a tarefa de sepultamento do
falecido.
e) o processo de caracterização do defunto resume-se
à informação acerca de seu longo trajeto até a sepultura.
Resolução
A oração “que eu saiba” apresenta o valor adverbial de
finalidade (para que eu saiba) em relação à anterior
(“Dizei”).
20 c
Afirma um estudioso que João Cabral não apreciou o
sucesso da representação de seu poema: “Deve tê-lo
desgostado o emocionalismo que a ‘voz alta’ literalmente inflexionou, em momento agudo da vida política
brasileira”.
Com base no comportamento literário de João Cabral,
infere-se que ele julgou prejudicados os seguintes traços de seu estilo:
a) as formas espontâneas e o lirismo intimista.
b) o irracionalismo e a valorização do regionalismo.
c) a rudeza do discurso e o enxuto lirismo das cenas.
d) a forma disciplinada e o arroubo sentimental das
cenas.
e) o tom declamatório e o posicionamento combativo.
Resolução
Na poética de João Cabral de Melo Neto, o rigor semântico, a concisão e o carácter “antilírico” são características centrais. É um texto a palo seco, de “enxuto lirismo” e “rudeza do discurso”.
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COMENTÁRIO DE PORTUGUÊS
Prova que honra a recente tradição do vestibular de
Português do Mackenzie: composta de questões claras, baseadas em textos bem selecionados, bem distribuídas entre Interpretação de Textos (justificadamente
mais numerosas), Língua e Literatura. Louve-se a boa
integração das questões de texto com as referentes à
língua e à literatura. Lamente-se a falha que apontamos
no teste 3. Lamente-se também que a Banca
Examinadora não tenha esclarecido que os versos de
Anchieta transcritos na prova não são originais, mas tradução. Se fosse apontado o nome do tradutor, como
era devido, o jesuíta não receberia o ônus da autoria de
versos tão ruins.
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