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cruzamento industrial e mercado internacional de carne

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cruzamento industrial e mercado internacional de carne
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CRUZAMENTO INDUSTRIAL E MERCADO
INTERNACIONAL DE CARNE
Na última década, o uso do cruzamento industrial em bovinos de corte, surgiu como uma
interessante opção para elevar a produção de carne nos diferentes sistemas produtivos do Brasil. Isto
ocorreu, principalmente, pela popularização do uso da inseminação artificial nos rebanhos e,
conseqüente, oferta de sêmem de touros de diversas raças.
Este fato propiciou que muitos pecuaristas usassem o cruzamento simplesmente porque estava
na moda, sem objetivos bem definidos, sem critério técnico adequado para escolher as raças que melhor
caberiam em seu sistema de produção, ou ainda, sem uma estrutura operacional e gerencial capaz de
garantir o sucesso na adoção desta ferramenta genética.
Dentre estes pecuaristas, muitos foram os casos de fracasso com o cruzamento industrial e, de
uma maneira geral, este passou a ser visto com maus olhos, por uma boa parte dos produtores
nacionais. Paralelo a isto o melhoramento genético dos zebuínos evoluía e estes animais melhorados,
alcançaram grande valorização no mercado de reprodução a campo.
Neste mesmo período as exportações de carne brasileiras foram incrementadas e o país
atualmente figura como um dos maiores exportadores do mundo, atingindo todos os continentes. Não
bastasse isso, alcançamos mercados bastante exigentes, onde a qualidade do produto enviado é o
maior diferencial. As campanhas do governo brasileiro pleiteando o aumento da nossa cota Hilton
(exportação para o Mercado Comum Europeu) ainda estão em atividade e o país vive uma situação
bastante incomum com os frigoríficos exigindo melhores carcaças dos pecuaristas. Qualquer projeto de
premiação de carcaça esbarra hoje em barreiras sanitárias e outras relativas à rastreabilidade, e não se
traduzem em ganhos muito atrativos aos pecuaristas. Por outro lado existem muitos programas sérios
dentro deste cenário, principalmente no sul do país, onde as carcaças de alguns cruzamentos com
determinadas raças são premiadas de maneira bastante satisfatória. Porém, na grande parte das
iniciativas, quem fica com os maiores lucros são as unidades frigoríficas.
Neste contexto surge a grande dúvida: vale a pena investir em cruzamento industrial? A resposta
a este questionamento passa por um bom planejamento. Este deve ter início a partir da escolha da
localização da propriedade, pois sendo o Brasil, um país de dimensões continentais, as características
regionais devem ser consideradas. Primeiramente, as características climáticas, que podem prejudicar
muito o desempenho de algumas raças, não adaptadas ao clima dos trópicos. As raças zebuínas, por
outro lado, podem não ter a mesma resistência apresentada no centro-oeste do Brasil, quando
colocados para produzir no sul, por exemplo. Outro ponto está relacionado com o mercado local, pois é
fundamental que se consiga preços diferenciados na comercialização de animais com melhores
carcaças e carne de melhor qualidade.
Outro fator importante a ser considerado dentro do sistema de produção, está diretamente
relacionado com a capacidade da propriedade em produzir alimentos, pois se a fazenda é explorada de
maneira muito extensiva (sem suplementação de inverno e com baixa disponibilidade de forragem nos
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pastos), certamente terá mais dificuldades em obter sucesso com animais mais exigentes em sua
alimentação.
Informações deste gênero vão nos conduzir a escolha de uma ou outra raça com desempenhos
bem diferentes. Respeitando estes preceitos a tecnologia é bastante interessante e realmente auxilia no
incremento de rentabilidade em pecuária de corte.
As raças bovinas são divididas em dois grandes grupos: os Zebuínos (Nelore, Guzerá, Tabapuã,
etc.) e os Taurinos (Europeus), que se subdividem em: Europeus Continentais (Charolês, Limousin,
Simental, etc.) e Europeus Britânicos (Angus, Devon, Hereford, etc.). Conhecer as virtudes e limitações
de cada uma e principalmente as diferenças básicas entre elas é fundamental para o planejamento de
um bom programa de cruzamentos, e até mesmo para definir os critérios a serem selecionados dentro
de um rebanho.
Se considerarmos que em sua maioria, os pecuaristas brasileiros têm como base de seu
rebanho animais zebuínos, principalmente os da raça Nelore, a decisão entre selecionar animais em
busca de melhores índices zootécnicos dentro de seu rebanho ou introduzir outra raça visando maior
eficiência e produtividade, deve levar em conta os objetivos que se pretende atingir e do sistema de
produção de cada produtor.
A criação de uma raça zebuína pura, principalmente a Nelore, ganhou muita força nos últimos
anos, graças aos avanços genéticos obtidos via melhoramento e seleção e ao mercado, que se
apresentou muito favorável. Portanto, é possível produzir animais de alto desempenho, sem perder, no
entanto, a rusticidade, principal característica da raça, e comercializá-los com grande liquidez.
Porém, não é tão simples obter esses animais diferenciados (mais férteis e precoces), pois a
herdabilidade (probabilidade de uma característica genética aparecer nos descendentes) é muito baixa
para algumas características desejadas.
Desta maneira, a seleção, como única ferramenta para trazer melhorias a um rebanho, pode
demorar muito a proporcionar resultados satisfatórios, sendo fundamental para tanto, a adoção de
critérios técnicos para determinar quais as características a serem selecionadas e um grande
conhecimento das linhagens de animais da raça, para definir os cruzamentos, que poderão propiciar
maiores ganhos genéticos.
Já os cruzamentos entre raças exploram três benefícios principais: a heterose, ou vigor de
híbrido, que é o ganho que se têm quando ocorre o “choque de sangue” entre duas raças distintas,
sendo maior, quanto mais distintas forem as raças; a complementaridade que nada mais é que a
combinação das melhores características de cada raça envolvida no cruzamento; e a genética aditiva,
que é o que se soma em um rebanho, com o uso de bons animais, comprovadamente melhoradores.
Varias são as opções de sistemas de cruzamentos para serem trabalhados (terminal,
rotacionado, contínuo, three cross, etc.), e devem ser escolhidos, de acordo com os objetivos do
produtor.
Todo programa de cruzamento, se bem conduzido, independente do número de raças ou do
sistema utilizado, pode chegar ao sucesso e, para isso, é necessário o uso de reprodutores de
qualidades superiores, de preferência, registrados e provados (em avaliações genéticas), pois assim os
riscos de fracassos no desempenho e na adaptação de seus filhos serão bem menores.
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Assim visa-se, com o cruzamento industrial, um produto (cruza), capaz de reunir um conjunto de
características, previamente almejadas, de modo a ser inserido com sucesso no sistema de produção
para o qual foi projetado, com boa adaptabilidade e atendendo as exigências de mercado da região.
A bovinocultura de corte caracteriza-se por duas fases distintas, a cria, atividade na qual o
rebanho cresce em número e a terminação, etapa em que o rebanho aumenta em peso. As
características de maior importância na primeira fase são precocidade sexual, fertilidade, intervalo de
partos, produção de leite, habilidade materna, rusticidade e tamanho adulto da vaca. Na etapa de
terminação, têm maior importância velocidade de ganho de peso, eficiência alimentar e características
que determinam o mérito da carcaça. O cruzamento entre raças pode ser benéfico tanto para a cria
quanto para a terminação.
Em uma compilação de dados de experimentos com animais cruzados, o pesquisador da
Embrapa Pecuária Sudeste, Pedro Franklin Barbosa, apresentou resultados de desempenho bastante
satisfatórios para diversas características avaliadas. Quando ele combinou dados, em índices como:
idade/peso à puberdade, idade/peso ao primeiro parto e ainda a taxa de gestação, ele observou que as
fêmeas cruzadas foram, em média 50,10%, 18,98% e 13,50% mais eficientes do que as zebuínas, para
as três características avaliadas, respectivamente.
Para as características de crescimento do nascimento aos 24 meses de idade, os animais
cruzados foram, em média, 13,20% e 11,30% mais pesados nas fases pré e pós-desmama
respectivamente do que os animais Zebu.
Ao analisar os dados referentes ao mérito da carcaça, tanto em sistemas de terminação em
confinamento (média de 120 dias) como em pastagens, os animais cruzados foram abatidos, em média,
com idades 21% e 32% menores que as atingidas pelos zebuínos, em confinamento e a pasto,
respectivamente. Suas carcaças, também apresentaram pesos médios superiores; 5% nos animais
terminados em confinamento e 12% para os acabados no pasto, em relação aos pesos obtidos nas
carcaças zebuínas. No entanto, nos dois sistemas de terminação avaliados, os cruzados apresentaram
um menor grau de acabamento de carcaça que os zebuínos, indicando que eles devem ser abatidos
com pesos vivos maiores para alcançar o mesmo ou um melhor grau de acabamento da carcaça que os
animais Zebu.
Embora os efeitos benéficos do cruzamento sejam muitos, é importante frisar, que um animal 1/2
sangue zebuíno/taurino (europeu), não tem a mesma rusticidade que um zebuíno, entendendo-se por
rusticidade: resistência a calor e ectoparasitas, bem como, de deslocamento a grandes distâncias. Isto
pode inviabilizar o uso destes cruzamentos em determinadas propriedades e regiões do país. É por esta
razão que no sul do Brasil é bastante comum o cruzamento industrial considerar duas ou mais raças
européias, pois a grande vantagem das raças zebuínas é subutilizada em locais mais frios, que não
apresentam muitos ectoparasitos e com áreas de pastagens menores.
Além disso, estes animais filhos de cruzamento industrial são de alto desempenho,
demandando alimentação farta e de alto valor nutritivo, desde o aleitamento até o abate. Isto significa
que as vacas devem ter boa habilidade materna, a suplementação mineral deve ser bem feita, os pastos
devem ter uma boa qualidade e no confinamento, as dietas serem bem balanceadas.
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O uso das raças européias adaptadas, como, por exemplo, o Caracu, tem crescido muito nos
programas de cruzamento industrial com animais zebuínos, justamente, no intuito de minimizar os efeitos
climáticos sobre o desempenho animal, comum em cruzamentos entre zebuínos e taurinos (europeus).
Portanto a utilização de cruzamentos entre uma raça zebuína e uma raça taurina, embora com
muitos aspectos positivos para a produção de carne no país, só alcançará sucesso, se as condições de
criação e o clima da propriedade forem ideais para que estes animais possam explorar ao máximo todo o
seu potencial genético e o vigor do híbrido resultante deste cruzamento.
Um tipo de cruzamento que vêm obtendo resultados bastante satisfatórios, por produzir animais
mais rústicos, é aquele que visa explorar a heterose entre os zebuínos. Geralmente cruza-se o Nelore
com raças de melhor aptidão materna e mais precoces, como exemplo, a Tabapuã e a Brahman. É uma
alternativa para quem não quer abrir mão de fazer um cruzamento industrial e não possui em sua
propriedade características favoráveis para o uso de sangue europeu nos animais.
Como se pode observar são inúmeras as opções para se trabalhar com animais eficientes e
produtivos na pecuária de corte que se pratica atualmente, no entanto, é preciso definir com clareza
quais sãos os objetivos de cada produtor, conhecer a fundo o sistema de produção da propriedade e, a
partir daí, com um bom plano de ação em mãos, embasado em critérios técnicos, definidos por
profissionais qualificados, decidir qual a melhor opção para aumentar a eficiência produtiva de um
rebanho e conseqüentemente, a renda do pecuarista, com mínimas possibilidades de insucessos.
PAULO ARARIPE
Engenheiro Agrônomo
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