...

1 - Cosmo-ufes

by user

on
Category: Documents
1

views

Report

Comments

Transcript

1 - Cosmo-ufes
Gil de Oliveira Neto – DF/UFJF
1.
2.
3.
4.
Relatividade Geral Quântica;
Cosmologia Quântica;
Um Modelo para o Início do Universo;
Conclusões.
1. Relatividade Geral Quântica
 1. Motivações e Domínio de Validade
 2. Formalismo ADM
 3. Quantização de Dirac
1.1 – Motivações e Domínio de
Validade


1.
2.
3.
Para resolver o problema das
singularidades, uma alternativa é a
quantização da Relatividade Geral.
O domínio de validade dessa teoria é:
escala de distâncias ≤ 10-33 cm;
escala de energias ≥ 1028 eV;
escala de tempos ≤ 10-34s
1.2 – Formalismo ADM
 Foi desenvolvido para obter-se uma formulação
Hamiltoniana da Relatividade Geral.
 A Relatividade Geral é uma teoria com vínculos.
 Das componentes do tensor métrico gαβ obtemos as
variáveis dinâmicas da teoria.
 Nesse formalismo separamos a métrica em 3 partes:
(i) 6 componentes independentes das métricas,
simétricas hij , de hipersuperfícies 3D; (ii) função
lapso N; (iii) vetor deslocamento Ni.
 Os ‘hij’ representam as variáveis dinâmicas da teoria.
 O espaço-tempo 4D é formado pela “evolução” de
seções espaciais com métricas hij.
Figura 1. Representação pictórica da “evolução” das seções espaciais de um
espaço tri-dimensional dando origem a um espaço-tempo quadri-dimensional.
 Vamos reescrever a métrica gαβ em função de Ni, N e hij
 A Hamiltoniana da teoria é dada por,
1.3 – Quântização de Dirac
 Quantização da Relatividade Geral
 Relatividade Geral: teoria vinculada
 Formalismo
de Dirac; transformar
vínculos em operadores e impormos
tais vínculos como condições a serem
satisfeitas pela função-de-onda do
sistema.
 Aplicando o formalismo de Dirac para a RG:
 Introduzimos a função-de-onda
 Superhamiltoniana e supermomentum
 Vínculos para Relatividade Geral
 Substituindo o operador,
na superhamiltoniana e no supermomentum, temos,
● A primeira é equação de Wheeler-DeWitt
descreve a dinâmica da função de onda.
a qual
2. Cosmologia Quântica
 Aplicação do formalismo de Relatividade Geral
Quântica para o estudo do Universo.
 Solução do problema da singularidade inicial ou ‘Big
Bang’.
 Podemos mencionar dois exemplos de como resolver
esse problema.
 (i) Resolvendo-se a equação de Wheeler-DeWitt para
modelos simples de universo observa-se que o valor
esperado do ‘tamanho’ do universo nunca é zero.
 (ii) Podemos, também, calcular a evolução do estado
inicial para o final do universo via integral de
caminhos.
 Em alguns modelos observa-se que existem caminhos
que correspondem a métricas com assinatura
inicialmente
Euclideanas
e
posteriormente
Minkowskianas que explicam de forma não singular o
aparecimento do Universo do nada.
 Nesses modelos o Universo teve origem no equivalente
quadri-dimensional do pólo Sul de uma esfera bidimensional.
Figura 2. Superfície esférica bi-dimensional representando
o universo inicialmente sem singularidades.
3 – Um Modelo para o Início do
Universo.
3.1 – Introdução.
3.2 – O Modelo Clássico.
3.3 – A Quantização do Modelo.
3.4 – Espectro de Energia, Pacote de
Onda e Valor Médio do Fator de Escala.
3.1 - Introdução
 Nesse modelo, vamos estudar a cosmologia quântica
aplicada a um modelo com geometria FRW, seções
espaciais com curvatura constante negativa,
constituído de matéria rígida e uma constante
cosmológica negativa.
 Um fluído perfeito de matéria rígida tem uma equação
de estado na forma p = αω, com α = 1, onde ω e p, são
respectivamente, a densidade de energia e a pressão do
fluído.
 A densidade de energia desse fluído é proporcional a
1/a(t)6. Assim, deve ter existido uma fase anterior
aquela dominada pela radiação, no nosso Universo,
que foi dominada pela matéria rígida.
 Uma importante conjectura proveniente da teoria das
supercordas e formulada por J. Maldacena, indica que
no início o Universo deve ter tido um setor antiDeSitter com cinco dimensões.
 Devido a esta conjectura e uma vez que nós estamos
interessados em descrever os momentos iniciais do
Universo,
vamos
considerar
uma
constante
cosmológica negativa.
3.2 – O Modelo Clássico
 O elemento de linha do presente modelo é,
(1)
 dr 2
2
2
,
ds   N (t ) dt  a(t ) 

r
d

2
1 r

2
2
2
2
onde a(t) é o fator de escala, N(t) é a função lapse, dΩ2
é o elemento de linha da superfície esférica bidimensional com raio unitário e nós estamos usando o
sistema de unidades onde h/2π = c = 8πG = 1.
● Nesse modelo, as seções espaciais são sólidos
tridimensionais, compactos com curvatura constante
negativa, localmente isomórficos ao H3.
Figura 3. Exemplo de superfície bidimensional
que representa as seções espaciais do modelo
 O tensor momento-energia do fluído perfeito é dado
por,
(2)
Tμν = (ω+p)Uμ Uν – pgμν – Λgμν,
onde Uμ = δμ0 é a quadri-velocidade do fluído em um
sistema de coordenadas co-moventes e Λ é a constante
cosmológica.
 Usando Eqs. (1) e (2) e o formalismo canônico de
Schutz, nós podemos escrever a hamiltoniana total do
modelo N(t)Ӈ, como,
(3)
Ӈ = Pa2 /12 a + 3 a + Λ a3 + PT /a3 .
 As variáveis Pa e PT são os momentos canonicamente
conjugados as variáveis a e T, respectivamente. A
variável T é associada com o fluído perfeito.
 Nós podemos ter uma idéia do comportamento
clássico de a(t) observando a equação de Friedmann
do modelo,
(4)
(da(τ)/dτ)2 + Vc (a) = 0.
Onde o potencial Vc (a) é igual a,
(5)
Vc (a) = - a2 – Λ a4 /3 – PT /3 a2 ,
e τ é o tempo conforme que no presente gauge N = a é igual
a at.
 Observando Vc (a) notamos que, na presente situação
onde Λ < 0, as soluções para a(τ) são ligadas.
 Vamos considerar somente o caso em que as energias
do fluído perfeito são negativas, isso significa que PT <
0. É interessante observarmos que nesse caso o fator de
escala nunca se anula. O universo não tem início em
um ‘Big Bang’, esse é um universo do tipo bouncing.
 Um exemplo de Vc (a), com Λ = -0.1 e PT =-100, e dado
na Figura 4.
Figura 4. Vc (a) para Λ = -0.1 e PT = -100
3.3 – A Quantização do Modelo
 Nós iremos quantizar o modelo seguindo o formalismo
de Dirac para quantização de sistemas vinculados.
 Aplicando esse formalismo para a superhamiltoniana
(3), nós obtemos a equação de Wheeler-DeWitt,
(6)
 1 2
2
4
 

3
a


a
2
 12 a


1 
a,   i 2
a, ,
a 


onde introduzimos a nova variável τ = - T.
 As funções de onda, soluções da eq. (6), satisfazem o
produto interno,

(7)
(, )   da
0
1
 (a, )  (a, ).
2
a
Nós vamos restringir as soluções da eq.(6) ao conjunto
de funções que satisfazem: Ψ(0,τ) = 0.
● Nós vamos resolver a eq.(6) escrevendo o Ψ(a,τ) como,
(8)
Ψ(a,τ) = e-iEτ η(a)
● Assim, η(a) satisfará a seguinte equação de autovalores,
●
(9)
d 2 (a)
1


V
(
a
)

(
a
)

12
E
 (a)
2
2
da
a
 O potencial V(a) é dado por, V(a) = - 36 a2 – 12 Λ a4 .
 As energias E, eq. (9), são negativas e formam um
conjunto discreto de autovalores En, onde n = 1,2,3,...
Para cada autovalor En existe um autovetor
correspondente ηn (a).
 A solução geral para a equação de Wheeler-DeWitt (6)
é uma combinação linear desses autovetores.
 Nós vamos usar o método de Galerkin ou espectral
(ME), para resolver a equação de autovalor (9).
 No ME, nós escolhemos uma base de funções
orthonormais e expandimos a solução da equação de
autovalor.
 As soluções da eq. (9) devem ir a zero suficientemente
rápido para valores grandes do fator de escala.
 Logo, nós devemos restringir a, para um domínio
finito. Digamos, 0 < a < L, onde L é um número finito
que deve ser fixado.
 É conveniente escolhermos nossas funções de base
como sendo senos. Assim,

2
 na 
(10)
 n (a)   An
sin 
,
n 1
L
 L 
 onde os An’s serão determinados pelo ME.
 No mesmo domínio de a, nós podemos também
expandir, na mesma base, as outras duas importantes
funções de a que aparecem na eq. (9). Explicitamente,
V(a) e 12/a2.
 Para podermos obter resultados numéricos, nós
devemos fixar um número finito de funções de base,
digamos N.
 Desta forma, a eq. (9) pode ser escrita em uma notação
compacta como,
(11)
D’-1 D A = E A,
 onde D and D’ são matrizes quadradas N x N com
todos os elementos conhecidos.
 A solução da eq. (11) dá os autovalores e seus
correspondentes autovetores para os estados ligados
do nosso modelo.
3.4 - Espectro de Energia, Pacote de
Onda e Valor Médio do Fator de Escala
 Para obtermos soluções numéricas da eq. (11), nós
devemos fixar valores para N, Λ e L.
 Depois de alguns estudos numéricos da eq. (11), nós
decidimos resolver a eq. (11) para N = 100. Desses 100
níveis nós usaremos somente as 18 primeiras autofunções
para construir o pacote de onda Ψ(a,τ).
 Fizemos isso pois, somente os primeiros 18 autovalores
são negativos.
 Depois de estudos numéricos da eq. (11), descobrimos que
quanto menor é o valor absoluto de Λ menor é o valor de
N que devemos usar para obtermos a mesma precisão.
 Levando em conta que Λ < 0, escolhemos Λ = - 0.1.
 Baseados em comparações com resultados de outros
modelos estudados com o ME, escolhemos L = 6.
 Usando todos esses valores na eq. (11), nós calculamos
os 100 autovalores de energia e mostramos os 18
primeiros na tabela abaixo.
E1=-380.2201284331828
E2=-342.1147751350869
E3=-305.9147225014253
E4=-271.6319016521779
E5=-239.2791871064332
E6=-208.8705235210961
E7=-180.4210774184946
E8=-153.9474207233139
E9=-129.4677552918257
E10=-107.0021912238143
E11=-86.57309703051190
E12=-68.20554802882278
E13=-51.92791264850499
E14=-37.77263895532904
E15=-25.77734426711615
E16=-15.98638945709977
E17=-8.453288958554614
E18=-3.244733126937446
 Para termos uma idéia de como o espectro de energia
depende de Λ, nós mostramos na próxima figura,
Figura 5, a curva de E1 versus Λ.
 Nós notamos que E1 diminui quando Λ aumenta.
Figura 5. Dependência de E1 com Λ, para N =100 e L = 6.
 Agora, nós escrevemos o pacote de onda como a
seguinte combinação linear,
18
(12)
 (a, )   Cn n (a)e iEn .
n 1
 Na equação acima, iremos fixar todos os Cn’s iguais a 1,
os ηn’s serão dados pela eq. (10) e os En’s serão dados
pelos valores na tabela anterior.
 Na próxima figura, Figura 6, nós mostramos, como um
exemplo, o módulo ao quadrado de um pacote de onda
construído para τ = 1000, L = 6 e Λ = - 0.1.
|Ψ(a,τ)|2
a
Figura 6. Módulo ao quadrado de um pacote de onda construído com os primeiros 18 níveis
de energia para τ = 1000, L = 6 e Λ = - 0.1.
 Finalmente, usando o pacote de onda eq. (12), nós
calculamos o valor esperado do fator de escala,
(13)

 a ( ) 


0

0
 Nós
a
1
 (a, ) da
2
a  2  (a, ) da
2
.
calculamos essa quantidade para muitos
intervalos de tempo diferentes. Em todos esses casos,
nós observamos que <a> oscila entre valores máximos
e mínimos e nunca assume o valor zero.
 Assim, confirmamos a nível quântico que nesse
modelo não temos a singularidade inicial ‘Big Bang’.
 Como um exemplo, mostramos, na Figura 7, o <a>
para o intervalo de τ = 0 até τ = 1000, L = 6 e Λ = - 0.1.
Figura 7. <a> calculado com o pacote de onda construído com os 18 primeiros
níveis de energia para o intervalo de τ = 0 até τ = 1000, L = 6 e Λ = - 0.1.
4- Conclusões.
 A Relatividade Geral aplicada a cosmologia prevê o
início do Universo na singularidade do ‘Big Bang’.
 A quântização da Relatividade Geral resolve o
problema das singularidades.
 Vários modelos em Cosmologia Quântica eliminam a
singularidade do ‘Big Bang’.
Fly UP