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requisitos funcionais e físicos em próteses totais
ISSN 1677-6704
REQUISITOS FUNCIONAIS E FÍSICOS EM
PRÓTESES TOTAIS
Functional and fisicals aspects in complete denture
Humberto GENARI FILHO1
RESUMO
Os pacientes que são submetidos à reabilitação com prótese total esperam que
a mesma possa lhes dar conforto e que sejam estéticas. Estes dois fatores estão
intimamente vinculados aos requisitos funcionais, representados pela retenção,
suporte e estabilidade do aparelho protético bem como aos requisitos físicos
relacionados principalmente à extensão, recorte muscular e selamento periférico.
Estes requisitos e sua interdependência são capazes de explicar os motivos pelas
quais as próteses permanecem aderidas aos maxilares desdentados quando forças
tendem desaloja-las, ou a resistência às forças que as comprimem contra os tecidos
de sustentação.
Assim, o objetivo deste trabalho é mostrar para aqueles que trabalham com próteses,
especificamente as próteses totais, a necessidade do conhecimento destes requisitos
e de sua aplicação, para garantir melhor qualidade traduzida por boa retenção,
suporte e estabilidade adequados, propiciando o conforto esperado tanto pelo
profissional como pelo paciente.
UNITERMOS: Prótese Total; Retenção; Estabilidade em dentadura
INTRODUÇÃO
Uma dentadura quando em função, na
mastigação, deglutição, fonação e outros atos,
recebe forças que em determinados momentos
tendem a deslocá-la ou então comprimi-la contra os
tecidos que a suportam, que se caracterizam como
forças extrusivas ou intrusivas, respectivamente.
Assim, as forças extrusivas promovem o
desalojamento, e as intrusivas, aquelas que
tendem a comprimir a prótese (Saizar10,1972).
Pensando dessa forma, poderíamos
questionar os motivos pela qual uma prótese
permanece aderida a um maxilar desdentado ou
seja, por que e como, em uma boca desdentada,
a dentadura permanece aderida, mesmo sofrendo
a ação das forças acima citadas?
Para encontrarmos a resposta temos
que entender os princípios que regem esta ação
e seus efeitos tanto sobre a fibromucosa de
revestimento, quanto sobre a prótese. Podemos
partir do princípio de que a dentadura inferior é
beneficiada pela ação da gravidade enquanto a
superior, ao contrário, padece sob sua ação, sendo
o entendimento elucidado pela compreensão dos
Requisitos Funcionais e Físicos.
Quadro I - Requisitos Funcionais e Físicos das próteses totais
O quadro I explica, de forma didática, as
condições determinantes que irão se contrapor
às forças intrusivas e/ ou extrusivas para criar
estabilidade, retenção e suporte à prótese,
fenômenos estes vinculados aos Requisitos
Funcionais das dentaduras.
A Retenção é a capacidade da dentadura
de resistir às forças extrusivas como na mastigação,
tosse, espirro, fala (Figura 1). Jacobson e
Krol4,1983, relatam que ela é uma propriedade
1 - Professor Titular da Disciplina de Prótese Total da Faculdade de Odontologia de Araçatuba - UNESP
Revista Odontológica de Araçatuba, v.26, n.1, p. 36-43, Janeiro/Junho, 2005
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que pode realmente ser menos importante, contudo
propicia conforto psicológico ao paciente. Se a
dentadura é facilmente deslocada durante a fala
ou a mastigação, a perturbação experimentada
pode ser mentalmente traumática. Para que
possamos entender melhor a própria definição
temos que estudar alguns princípios físicos como:
adesão, coesão, tensão superficial e pressão
atmosférica (Figura 2).
Figura 1 - Esquema representativo das forças extrusivas.
Figura 2 - Ilustração dos fatores que atuam na retenção da
dentadura.
A adesão é a atração entre as moléculas de
dois corpos de naturezas diferentes, quando estão
em contato. O exemplo mais característico deste
fenômeno acontece quando duas placas de vidro
molhadas, em contato, permanecem aderidas entre
si criando dificuldade para a sua separação. Fica
evidente que as moléculas da água e das placas
de vidro (dois corpos de natureza diferente) atraemse, promovendo a retenção. Ao considerarmos a
mucosa de revestimento da área de sustentação,
a base resinosa da dentadura em contacto e
uma substância umectante, que é a saliva, temos
todos os elementos necessários para promover
retenção.
No entanto, somente a adesão não seria
capaz de resistir às forças da mastigação o que
levaria a retenção a falhar. Um outro fator físico,
a coesão, atua conjuntamente na melhoria desta
união. A coesão, por sua vez, é a atração entre as
moléculas de um mesmo corpo. No exemplo das
placas de vidro, enquanto ocorre a atração entre as
moléculas de dois corpos de naturezas diferentes,
ocorre também a atração entre as moléculas da
água interposta, favorecendo sobremaneira a
retenção. Para melhor entendimento, podemos
exemplificar comparando um copo de água e um
copo de mel. Ao vertermos ambos, observamos
que o copo de mel demora mais para esvaziar-se
devido à alta coesividade ou associação íntima
entre suas moléculas. Fica evidente, dessa forma,
que a saliva é um fator coadjuvante imprescindível
da retenção, pois age como elo molecular entre
mucosa e base da dentadura. No entanto, deve
ficar claro que uma saliva serosa (mais fina)
promove melhor retenção que a mucosa (mais
grossa) por formar uma película mais fina entre
as estruturas, evitando deslizamento. Márton et
al.7, 2004, enfatizam que as propriedades de alta
viscosidade da mucosa influenciam a retenção e
estabilidade da dentadura maxilar, devido à lenta
mobilidade da camada do líquido dentro do filme
saliva durante as forças de deslocamento. Bláhova
e Neuman2,1971 afirmam que a viscosidade da
saliva auxilia na prevenção do deslocamento da
dentadura, especialmente na fase inicial, e assim,
torna-se um fator muito importante.
“Muitos fatores biológicos e físicos têm
sido descritos como determinantes da relação
entre a superfície da dentadura com os tecidos
moles circunjacentes determinando o sucesso
ou o fracasso da retenção. Embora os implantes
e as reconstruções cirúrgicas sejam usados em
determinadas circunstâncias, não podem substituir
a consciência dos princípios científicos envolvidos
na retenção das dentaduras como a adesão,
coesão, tensão superficial, gravidade, contato
íntimo, selamento periférico, pressão atmosférica
e controle neuromuscular”4.
A tensão superficial ou tensão de superfície
interfacial é considerada, em prótese, como sendo
a capacidade da película de saliva de resistir
à ruptura. Assim, ela possui certa elasticidade,
garantida pela sua integridade que permite a
formação de um menisco que acompanha os
movimentos das próteses impedindo a penetração
do ar entre a mucosa e as bordas das mesmas.
A Figura 3 mostra uma gota de água sobre uma
folhagem que não se rompe devido à ação da
tensão de superfície do líquido. O mesmo ocorre
com a saliva ao redor de todo o contorno da
dentadura que, mesmo sofrendo a ação de forças
resiste à ruptura.
Quando uma determinada força atua em
um dos lados da prótese, o lado oposto tende
a deslocar-se tanto mais, quanto maior for a
intensidade da força. A presença da saliva é um
fator de garantia da manutenção da retenção,
pois acompanhando o movimento da borda da
prótese, impede a entrada de ar assegurando o
funcionamento perfeito da mesma. Se o movimento
for excessivo, a tal ponto de ultrapassar o limite da
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tensão superficial da saliva, teremos o rompimento
do menisco, a penetração do ar e o desprendimento
da prótese (Figura 4).
maior, a prótese será novamente empurrada para
a sua posição original, tal qual aconteceu com o
êmbolo da seringa (Figura 6). Por este motivo é
que dizemos que a pressão atmosférica somente
atua em momentos de trabalho. Há necessidade
de movimentação da prótese para que se crie
a câmara de pressão reduzida no seu interior,
possibilitando a atuação da pressão externa. Um
fato evidenciador que pode dar credibilidade a
este acontecimento é a realização de um pequeno
furo na região do palato de uma dentadura nova
que tenha comprovada retenção. O pequeno furo
permitirá que as pressões interna e externa se
igualem, tornando débil a retenção.
Figura 3 - Ilustração da tensão superficial do líquido.
Figura 5- Ilustração da atuação da pressão atmosférica
Figura 4- ilustração do rompimento do menisco salivar e
deslocamento da dentadura.
Monsenego e Proust,8 1989 ressaltam que
a alteração na espessura do líquido sobre a
borda da dentadura não influencia a retenção e
somente a curvatura do menisco de contato na
área do vedamento definirá a pressão capilar. Por
exemplo: a deglutição assenta a dentadura devido
à modificação do ângulo de contato da saliva.
A pressão atmosférica é o acontecimento
físico que tem maior influência na retenção das
dentaduras. Para entendermos a sua ação basta
observarmos o que acontece quando de posse de
uma seringa, vedamos a ponta de saída do líquido
e tracionamos o êmbolo. Neste instante cria-se,
dentro da seringa, uma câmara de pressão reduzida
(Figura 5). Pelo fato da pressão externa ser maior,
ao soltarmos o êmbolo, o mesmo será empurrado
pela pressão atmosférica do ambiente (maior) e
retornará à sua posição original. Este exemplo
tem aplicação se considerarmos que a base da
dentadura esta em íntimo contacto com a mucosa
e a saliva veda toda a extensão de sua borda.
Podemos imaginar que qualquer tração que tenda
a deslocá-la cria-se, no seu interior, uma câmara de
pressão reduzida. Pelo fato da pressão externa ser
Figura
6 - Ilustração
da pressão atmosférica
reduzida
na
Bláhová
e Neuman2,1971,
afirmam
que
retenção da dentadura.
nenhum dos fatores físicos envolvidos na retenção
das dentaduras pode ser totalmente explanado
apesar de que durante o seu deslocamento alguns
deles participam deste intrincado mecanismo.
Os autores citam que o fator mais importante na
retenção parece ser a atração capilar e a viscosidade
da saliva, a qual afeta o movimento da mesma sob
a dentadura.
Avant1,1973 assegura que a interdependência
dos fenômenos como a adesão, coesão, tensão
superficial, umedecimento e capilaridade cria
uma situação a qual torna muito difícil, se não
impossível, separá-los ou provar a sua relativa
contribuição na retenção das dentaduras.
Se por um lado a retenção é a capacidade
da dentadura de resistir às forças extrusivas, o
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suporte é a capacidade da dentadura de resistir
às forças intrusivas (mastigação, bruxismo, etc.)
(Figura 7). Portanto, nunca se deve creditar à
fibromucosa e ao tecido ósseo o suporte de
uma prótese, mas sim a ela mesma para que se
justifique a própria definição...”é a capacidade da
dentadura”...
Para Jacobson e Krol6,1983, o suporte efetivo
é realizado quando: 1) a dentadura é estendida
de tal forma a cobrir a máxima superfície de área
sem influenciar os tecidos moles ou friáveis; 2)
os tecidos são capazes de resistir à reabsorção
e, seletivamente, recebem carga durante a
função; 3) os tecidos são capazes de resistir ao
deslocamento vertical mantendo firme contato com
a base da dentadura, durante a função; 4) existir
uma compensação na resiliência da fibromucosa
para proporcionar um movimento uniforme da
prótese em função, mantendo uma relação oclusal
harmoniosa.
Assim, a capacidade de suporte de uma
dentadura irá depender de alguns fatores como: da
condição do osso e da fibromucosa, extensão da
base da dentadura e resiliência da fibromucosa.
Para que uma prótese possa assentarse corretamente tirando proveito de todos os
fenômenos físicos já descritos e, evitando sua
intrusão nos tecidos, os mesmos devem estar
saudáveis para prover sustentação. Tecidos moles
inflamados e/ou tecidos ósseos muito reabsorvidos,
não representam área de boa qualificação para a
ancoragem de uma prótese (Figuras 8 A e 8 B).
Figura 7 - Esquema representativo das forças intrusivas.
Figura 8A - Tecidos inflamados.
Figura 8B- Tecidos flácidos - característica de reabsorção.
Outro fator dominante que determina a
capacidade de suporte de uma dentadura é a
extensão de sua base. Fica claro entendermos
que uma prótese que não envolve corretamente
todo o limite da área de sustentação tenderá a
intruir-se nos tecidos, modificando sua relação
com a antagonista, caracterizando-se como uma
prótese iatrogênica (Figura 9 A). Daí a necessidade
do conhecimento prévio da anatomia protética dos
maxilares para que possamos estender as bordas
das dentaduras até seu limite máximo sem causar
injúrias aos tecidos que a suportam (Figura 9 B). Além destes, a resiliência da fibromucosa é um dos
fatores que têm uma relação muito estreita com o
suporte de uma dentadura. Quando os tecidos são
flácidos, podemos imaginar que a dentadura sofrerá
intrusão ao menor esforço, deslocando-se do seu
sítio. Quando isto acontece, evidentemente ocorre
a quebra do menisco salivar, permitindo a entrada
de ar e a conseqüente diminuição da retenção.
Este fato ocorrendo em todos os instantes traz
desconforto ao paciente, levando-o ao desuso
da prótese. Quando a fibromucosa apresenta-se
com resiliência média ou pouco resiliente (dura), o
suporte se dará de forma mais eficiente pelo fato
dos tecidos ampararem a prótese de forma eficaz.
O ideal é que a fibromucosa seja de resiliência
média porque esta trabalhará como um coxim
amortecendo as forças e cedendo juntamente com
o menisco de saliva, evitando o seu rompimento de
forma prematura.
A estabilidade pode ser definida como
sendo a capacidade da dentadura de manter-se em
equilíbrio, uma vez cessadas as forças intrusivas
e extrusivas (Figura 10). Para Farber3,1967, a
retenção é a propriedade das dentaduras de oporse às forças verticais, enquanto que a estabilidade
se opõe às forças horizontais. Saizar10,1972 cita
que a estabilidade protética tem dois significados
distintos e que podem ser complementares:
estabilidade no espaço e no tempo. No espaço,
refere-se à propriedade da prótese de conservarse em repouso ou de voltar a ele após os
movimentos funcionais e no tempo, de manterse por longo tempo em bom uso. Na primeira
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acepção, a estabilidade se confunde facilmente
com a retenção e com o suporte, porque os fatores
que intervêm são mais ou menos os mesmos.
Jacobson e Krol5, 1983, definem a estabilidade
como sendo a resistência das dentaduras às forças
horizontais e rotacionais, diferindo da retenção
que é a resistência às forças verticais. Enquanto
a retenção contribui com o conforto psicológico
do paciente, a estabilidade assegura o conforto
fisiológico e a carência da mesma freqüentemente
tornam ineficazes os fatores envolvidos na retenção
e suporte (Figura 11). A dentadura que se desloca
facilmente em resposta às forças aplicadas
lateralmente pode causar rompimento no selado de
borda ou impedir uma correta relação com os tecidos
de sustentação. Os autores5 citam que os fatores
que contribuem para a ocorrência da estabilidade
são: 1) a relação da base da dentadura com os
tecidos subjacentes, 2) a relação da superfície
externa e da borda com a musculatura circunjacente,
3) a relação das superfícies oclusais antagonistas.
Figura 9A - Representação de uma prótese com pouca
extensão
a musculatura adjacente (Figura 12C), para que
possa ocorrer uma adequação entre ambas de
maneira que a musculatura auxilie a retenção e
conseqüentemente a estabilidade; e da educação
funcional.
Figura 10 - Esquema representativo das forças que atuam
na estabilidade.
Figura 11 - Relação dos requisitos funcionais com o sucesso
da prótese.
Figura 12 - Fatores dos quais dependem a estabilidade.
Figura 9B - Representação de uma prótese com extensão
correta
Assim, podemos dizer que a estabilidade
depende: da relação interdental ou seja, os dentes
devem manter uma oclusão confortável (Figura
12A), sem contatos prematuros e/ou deflectivos ao
primeiro contato para não gerar instabilidade; da
posição dos dentes em relação à crista do rebordo
alveolar (Figura 12 B), pois é sabido que os dentes
artificiais devem ser montados sobre ela para que
a transmissão das forças seja feita de tal forma a
não criar uma alavanca; da relação da base com
Como educação funcional, entendemos a
capacidade do indivíduo de adaptar-se à prótese
de tal forma que a mesma passe a fazer parte
integrante do organismo. Em algumas ocasiões,
pacientes com próteses fraturadas têm uma vida
de continuidade com as mesmas, como se nada
tivesse ocorrido. Isto nos faz pensar a respeito dos
requisitos funcionais, especialmente a retenção,
que é tão dependente da pressão atmosférica que
somente tem ação se houver vedamento total,
o que não ocorre com uma prótese fraturada.
O fato de o paciente usá-la tem relação íntima
com a educação funcional, o que faz com que a
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musculatura adjacente mantenha a prótese em
seu lugar.
A extensão que se enquadra nos requisitos
físicos das dentaduras pode ser entendida como
sendo a máxima cobertura que uma prótese pode
dar aos tecidos que a sustentam, dentro dos limites
permitidos (Figura 9). Este requisito físico é regido
por um único princípio que diz: “quanto maior é a
extensão da base, menor será a força que incidirá
sobre ela, por unidade de superfície”. Assim,
quando da execução das moldagens devemos
ter conhecimento anatômico das regiões que
serão moldadas, para sabermos os limites da área
chapeável e com isto estendermos ao máximo a
base da prótese, dentro dos limites permitidos,
para que as forças que incidam sobre ela sejam
dissipadas para uma área maior.
O recorte muscular é a relação de ajuste
da borda da moldeira ou da dentadura com os
tecidos, impedindo sua compressão (Figuras 13
A e 13 B). Este requisito está vinculado mais com
as moldeiras individuais que com as dentaduras.
Moldeiras sem recorte muscular comprimem
os tecidos e freios que após as moldagens
representarão modelos com compressão e
conseqüentemente dentaduras desconfortáveis.
Portanto, antes do início da moldagem final as
moldeiras devem ser ajustadas, na boca do
paciente, guardando uma boa relação com os
tecidos que a circundam.
Figura 13A- Prova da moldeira individual
Figura 13B - Recorte muscular. Ajuste da borda da moldei-
íntima relação das bordas das moldeiras ou das
dentaduras, com o fórnix do vestíbulo para impedir
a entrada de ar entre a base da dentadura e a
fibromucosa. O selamento ou fecho periférico
apesar de ser considerado um requisito físico
tem estreita relação com os requisitos funcionais
porque são interdependentes. A retenção seria
prejudicada se não houvesse o selamento e a
pressão atmosférica não atuaria, se isto não
ocorresse. O máximo aproveitamento de todos os
requisitos só pode ser garantido pelo selamento
periférico, impedindo a entrada de ar e isto deve
ser realizado com material apropriado para
moldagem de borda (Figura 14).
Figura 14- Selamento periférico
Sipahi e Bayramli11, 2001, com o objetivo de
avaliar o efeito da molhabilidade da camada de
saliva nos diferentes materiais de base, afirmam
que as resinas foto polimerizáveis e as termopolimerizáveis são os materiais que mais sofrem
esta característica, sugerindo que as termopolimerizáveis representam uma boa escolha para
uso clínico em função da manutenção do meio
umectante. Paralelamente a isto, Monsenego
et al.9, 1989, acredita que o efeito combinado
da aspereza, induzindo a gotícula de saliva a
penetrar nos poros do material eleva a atração
ao mais alto ângulo de contato observado. Com
base na análise física do mecanismo envolvido
na retenção da dentadura, acredita-se que o
material abrasionado é o mais conveniente para
a retenção.
Como o próprio nome diz, o requisito físico
de compressão e alívio está relacionado com a
topografia da área chapeável que represente maior
ou menor compressibilidade. Sabemos que em uma
mesma boca saudável, encontramos resiliência
variada dependendo do local examinado ( Figuras
15 A e 15 B). A rafe palatina, por exemplo, é uma
região de fibromucosa muito aderida portanto, de
pouca compressibilidade. Lateralmente à rafe, a
fibromucosa recobre uma grande quantidade de
pequenas glândulas salivares, portanto é uma área
O selamento
periférico
à 2005
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de Araçatuba,
v.26, n.1, p.diz
36-43,respeito
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de compressibilidade e dependendo do material de
moldagem utilizado podemos, inadvertidamente,
comprimir em excesso. Já, na área do fórnix,
a compressibilidade é muito grande, portanto
o cuidado extremo de se executar um recorte
muscular adequado e um selamento periférico
que estabeleça íntima relação da prótese com os
tecidos com uma compressão que não agrida nem
provoque ulcerações.
Confort and aesthetics are factors that should be
reached and established during treatment with
complete denture. These two factors are intimately
linked to functional and physical requirements like
these: retention support and stability; extension,
muscle trimming and peripheral scaled, respectively. These requirements and its interdependence
explain the reasons by which a complete denture
remain adhered to maxillary when any forces try to
dislodge it, as well as resist to compressive forces
against tissue sustentation. Thus the objective of
this investigation was to show the necessity these
requirements and its clinical application in order
to improve the prosthesis quality, confering benefits
for the patient, and allowing the continuous use of
the prosthesis.
Uniterms: Hyperplasia; coronid process;
coronoidectomy.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Figura 15 A e B - Alívio nos modelos para evitar a compressão.
CONCLUSÃO
A observação de todos os fatores descritos,
somados ao conhecimento clínico e prático
da técnica de construção das próteses totais,
executados por profissionais conscientes, resulta
em próteses estéticas e confortáveis, que
preencherão todas as expectativas do paciente.
Além disso, funcionarão com estabilidade,
atenuando as forças extrusivas e/ou intrusivas,
lesivas que são, dando ao aparelho maior retenção
e suporte.
ABSTRACT
1- Avant WE. A study of some factors associated
with denture retention. J Prosthet Dent 1973;
29(4): 383-9.
2- Bláhová Z, Neuman M. Physical factors in
retention of complete dentures. J Prosthet
Dent 1971; 25 (3):230-9.
3- Farber BL. Retention and stability of mandibular
dentures. J Prosthet Dent 1967; 17(3): 2108.
4- Jacobson TE, Krol AJ. A contemporary review
of the factors involved in complete denture
retention, stability, and support. Part I:
retention. J Prosthet Dent 1983; 49(1): 515.
5- Jacobson TE, Krol AJ. A contemporary review
of the factors involved in complete dentures.
Part II: stability. J Prosthet Dent 1983; 49(2):
166-72.
6- Jacobson TE, Krol AJ. A contemporary review
of the factors involved in complete dentures.
Part III: suport. J Prosthet Dent 1983; 49(3):
306-12.
7- Márton K, Boros I, Fejérdy P, Madléna M.
Evaluation of unstimulated flow rates of
whole and palatal saliva in healthy patients
wearing complete denture and in patients with
Sjogren’s syndrome. J Prosthet Dent 2004;
91(6): 577-81.
8- Monsenego P, Proust J. Complete denture
retention. Part I: physical analysis of the
mechanism. Hysterisis of the solid-liquid
contact angle. J Prosthet Dent 1989;
62(2):189-96.
Revista Odontológica de Araçatuba, v.26, n.1, p. 36-43, Janeiro/Junho, 2005
ISSN 1677-6704
9- Monsenego P, Baszkin A, Costa Ml, Lejoyeux J.
Complete denture retention. Part II: Wettability
studies on various acrylic resin denture base
materials. J Prosthet Dent 1989; 62(3): 30812.
10- Saizar P. Prosthodoncia total. Buenos Aires:
Ed Mundi; 1972.
11- Sipahi C, Bayramli E. The effect of acquired
salivary pellicle on the surface free energy and
wettability of different denture base materials.
J Dent 2001; 29(3):197-204.
Endereço para correspondência:
Humberto Gennari Filho
Rua José Bonifácio, 1193 - Vila Mendonça
CEP 16015-050 - Araçatuba - SP
Fone: (18) 3636-3245
E-mail: [email protected]
Recebido para publicação em 22/02/2005
Enviado para análise em 01/03/2005
Aprovado para publicação em 05/06/2005
Revista Odontológica de Araçatuba, v.26, n.1, p. 36-43, Janeiro/Junho, 2005
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