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SOCIALISMO: CAVALO DE TRÓIA A SERVIÇO DO COMUNISMO *

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SOCIALISMO: CAVALO DE TRÓIA A SERVIÇO DO COMUNISMO *
SOCIALISMO: CAVALO DE TRÓIA A SERVIÇO DO COMUNISMO *
D. GERALDO DE PROENÇA SIGAUD, S. V. D.
1. Social ismo e comun ismo
D. Sigaud (1909-19 99): o s oci ali smo é condenado pelo direito natural, e não pode hav er social ismo crist ão.
O socia lismo ensina a mesma doutrina marxista que o comunismo. Tem o mesmo objetiv o, a Rev olução, e quer a mesma organização
econômic a da sociedade. É materia lista, rejeita a Religião, a moral , o direito, Deus, a Igreja, os direitos da famíli a, do in div íduo. Quer que
todos o s meios de produção estejam nas mãos do Estad o, e igualmente toda a educação, t odos o s transportes, as finanças , e que o Estado
seja o soberano senhor de todas as forças da naçã o. Deseja a supressão da d iferença entre as classes so ciais . Também para o s ociali smo, a
pessoa existe para o Estado, não o E stado para a pessoa ( cf. Leão XIII, Enc íc lica Rerum Nov arum, Edit. Vozes, pp. 5 e 6).
A diferença que há entre os socia lista s e os comunistas é uma diferença de método. Os comunistas desejam a implantaç ão imedia ta da
ditadura do proletariado para realizar a Rev olução. Os so cia lista s recorrem a meios "legais" para obter o mesmo objetiv o. Rec orrem às
eleições, às grev es legais, às agitações sem derramamento de sangue, para conseguir leis de nacionaliz açã o, de ensin o laic o. Vão fazendo a
nação deslizar para o c omunismo em geral sem conv ulsões v iolentas. O socia lismo é uma rampa pela qual as nações v ão resv aland o para o
comunismo quase sem perceberem.
2. Social ismo e seus mat iz es
A v antagem tática do socia lismo , pa ra os que dirigem a seita comunista, é que o sociali smo pode tomar co lorid os mais suav es. O comunismo é
v ermelho-sangue. O socialism o pode ir do rubro ao cor -de-rosa . O comunismo tem dificuldade de se fazer passar por cristão. O socia lismo
arranja modos de se dizer cristão, e assim realizar a Rev olução paulatiname nte e por etapas.
3. Social ismo cristão
Os fautores da Rev olução realizaram esta proeza de enfeitarem o socialismo com o rótulo de cristã o. Com um semblante comov ido tais
soci alist as cristã os c ondenam o capitali smo com o intrinsecamente mau, pior do que o comunismo. E com c omoç ão dizem que no comunismo
há muita coisa boa. Seu ódio à América do Norte é v iolento.
Suas simpatias pela Rússia são dif íceis de esconder. Consideram o capita l uma abomina çã o quando nas mãos daquele que o amealhou com seu
suor, mas o acham admiráv el quando nas mãos do Estado. Têm uma confianç a cega no Estado, e uma desconfiança irremediáv el da i niciativ a
particular. Têm antipatia à ordem desigual e hierárquica de uma socied ade de classes, e têm prazer de se proletarizar. Mas confessam -se e
comungam, e se dizem católic os progressistas .
É possível um soci al ismo cristã o?
Sua Santidade o Papa Pio XI já respondeu a esta questão na Encíclic a Quadragesimo Anno: "Se este erro, c omo todos os mais , encerra algo de
v erdade, o que os Sumos Pontífices nunca negaram, funda -se contudo numa concepç ão da so ciedade humana diametralmente oposta à
v erdadeira doutrina católi ca. So cia lism o religioso , soc iali smo cat óli co sã o termos contraditóri os: ninguém pode ser ao mesmo tempo bom
cató lic o e v erdadeiro socialista" ( Edit. Vozes, p. 44, n.° 119 ).
E se o socia lism o for muito moderado? Mesmo neste caso continua incompat í v el com o Catolic ismo. Pi o XI é explicito também nes te ponto.
Ouçamo-l o: "E se o so cia lismo estiv er tão moderado no tocante à luta de cla sses e à propriedade particular, que não mereça nisto a mínima
censura? Terá por isto renunciado à sua natureza essencialmente anticristã? Eis uma dúv ida que a muitos traz suspensos. Muití ssimos
cató lic os, c onv encidos de que os princípios cristão s não podem abandonar -se nem jamais obliterar -se, v olv em os olhos para esta Santa Sé e
suplicam instantemente que definamos se este social ismo repudiou de tal maneira as suas falsas doutrinas, que já se po ssa abraçar e quase
batizar, sem prejuízo de nenhum princípio cristão.
Para lhes respondermos, como pede a Nossa paterna solicitude, decl aramos: o soci ali smo, quer se considere como doutrina, quer como fato
históric o, ou com o "açã o", se é v erdadeiro so cialismo , mesmo depois de se aproximar da verdade e da justiça nos pontos sobreditos , não pode
conci liar- se com a doutrina cató lica , pois c oncebe a sociedade de um modo completamente av esso à verdade cristã" (Encíc lica Quadragesim o
Anno, Edit. Vozes, p. 43 , n.° 117).
Realmente, Deus estabeleceu uma ordem natural, que não é licito ao homem v iolar, e a esta ordem pertencem dois pontos que tod o
soci alism o v iola. Sã o os seguintes:
a) O papel subsidiário do Est ado. O Estad o não existe para absorv er ou subst ituir os indiv íduos, as família s e as associ aç ões, mas para
realizar as tarefas que estes elementos não podem realizar por si mesmos. Assim João XXIII, na Encí cli ca Mater et Magistra: " Essa ação d o
Estado , que protege, estimula, coordena, supre e complemen ta, apóia-se no "princípio de subsidiaridade" (A. A. S., XXIII, 1931, p. 203 ),
assim formulad o por Pio XI na Encíc lica Quadragesimo Anno: "Permanece, co ntudo, firme e constante na filos ofia s oci al aquele
importantíssimo princíp io que é inamov ível e imutáv e l: assim como não é líc ito subtrair aos indiv íduos o que eles podem realizar com as
próprias forç as e indústria para confiá - lo à co letiv idade, do mesmo modo pa ssar para uma sociedade maior e mais elev ada o que sociedades
menores e inferiores poderiam conse guir, é uma injustiça ao mesmo tempo que um grav e dano e perturbação da boa ordem. O fim natural da
sociedade e de sua ação é coadjuv ar os seus membros e não destruí -los nem absorv ê -los" (ib id., p. 203 ) (apud "Catol icism o", n.° 129 , de
setembro de 1961).
b) O indiv íduo, as famílias, as ass oc iaç ões têm direito de possuir bens de raiz, bens móveis e bens produtiv os. O Estado não pode açambarcar
estes bens para si. Os homens têm o direito e o dever de prov erem às suas necessidades, e o Estado não p ode se ar v orar em Prov idência e
suprimir este direito ou substituir -se a este dever.
Por isto tudo, o so cia lismo é condenado pel o direito natural, e não pode haver sociali smo cristã o.
4. A Igreja primitiv a foi co munista? As ordens religiosas são comun istas?
Amados Filho s, prov av elmente já tereis ouv ido ou lido afirmarem que a Igreja primitiv a foi comunista e que as atuais Ordens Re ligiosas o sã o.
Depois do que dissemos a respeito do marxismo, compreendereis que somente um ignorante ou uma pessoa de má fé pod e afirmar uma
monstruosidade tal.Mas , mesmo se abstrairmos do marxismo, nem a Igreja primitiv a praticou, nem as Ordens Religiosas praticam o
comunismo. Vede bem que o essencial do comunismo é a negação do direito de propriedade.
Ora, examinemos sob este aspecto a Igreja primitiv a. Lev adas da v ontade de seguir de perto o exemplo do Div ino Mestre e realizar os
conselho s ev angélicos , v árias famílias cri stãs de Jerusalém resolv eram v iv er no v oto de pobreza. Para isto v enderam tudo o qu e tinham e
entregaram o dinheiro aos Apóstolo s para que com ele fosse mantida a comunidade. Notai bem: os indiv íduos desta comunidade renunciav am
a seus bens porque queriam. Quem não quisesse v iver na pobreza, não precisav a. Assim disse São Pedro a Ananias: "Conserv ando o campo, ele
não ficav a teu? E v endendo-o, não dependia de ti o que farias com o dinheiro?" (At. 5, 4).
A Igreja permitia que os que quisessem v iv er sem possuir nada pessoalmente, o fizessem. Mas, de um lado, isto era liv re; de o utro, o imóv el
ou o dinheiro apurado passav a a ser propriedade da comunidade. Ficav a pois de pé o direito de propriedade da comunidade; não era negado
nem transferido ao Estado.
Para desiludir os comunistas utópi cos , dev emos dizer que a primeira tentativ a de realizar o ideal da pobreza n ão foi bem sucedida.
Consumidos os c apitais apurad os na v enda dos imóveis, criou -se em Jerusalém uma situação difíci l, e foi precis o as outras comunidades
cristãs env iarem periodicamente esmolas para Jerusalém a fim de sustentarem os irmãos que tinham renu nciado a seus bens.
Verificou -se que o v oto de pobreza só é possív el junto do v oto de castidade, e que o estado de pobreza ev angélica não é possív el quando há
família , mulher e filhos. Para pessoas casad as o caminho da santidade está no trabalho e na reta administração das riquezas temporais. Mais
tarde a Igreja retomou a experiência, primeiro com indiv íduos isol ados , os a nacoretas, depois c om pequenas comunidades de ere mitas, os
cenobitas; s ó depois que raiou a liberdade para o Cristianismo é que dois gra ndes Santos organizaram a v ida de pobreza ev angélica aliad a à
obediência e à castidade: no Oriente, São Basíli o; no Ocidente, São Bento. Mas, se o monge renuncia a toda propriedade pessoa l, o mosteiro
passa a ser o proprietário. Verifica - se o que se dá muitas vezes na família: s e os indiv íduos não são donos, a famí lia é a proprietária.
Vejamos agora o v alor que tem a afirmação de que as Ordens Religiosas são comunistas ou so cia listas . Ninguém afirmará que as doutrinas
filo só fica s, so cio lógi cas, teo lógic as do comunismo se encontram realizadas n as Ordens Religiosas. Tal af irmaçã o é tão absurda, que ninguém
a tomaria a sério. Restaria então o tipo de v ida econômica das Ordens Religiosas. Perguntamos: o tipo de v ida econômica que o comunismo
pretende implantar é aquele que as Ordens Religiosas realizam há tantos séculos? Para respondermos com c lareza a este absurdo, que no
entanto se repete com enfadonha monotonia, v amos anali sar um pouco mais de perto o tipo de v ida econômica das Ordens Mendican tes. É
sabido que são elas que realizam o ideal de pobreza ev angélica mais abso lut o entre as comunidades religiosas. Verific ado que nelas nã o há
sombra do tipo econ ômic o comunista, fi ca prov ado que as outras Ordens e Congregações, em que o tipo de pobreza é mais suave, a fortiori
não podem ser tachadas de comunistas.
Nas Ordens Mendicantes mais rigorosas, não só o s Religiosos indiv idualmente nada possuem de próprio, mas nem mesmo a Ordem, a s
Prov íncias ou conv entos são os titulares das propriedades. Em lugar deles a San ta Sé ou a Diocese são os proprietário s formais . A
administraçã o dos bens destinados à Ordem, à Prov íncia ou ao conv ento é realizada por pesso as nomeadas pela Santa Sé ou pela Diocese.
Mas, se a propriedade não é nominalmente da Ordem, etc., os frutos do p atr imônio que existir, ou as esmolas dadas pelos fiéis , se aplicam
formalmente à manutenção daquele conv ento e daquela comunidade para que são destinados. Assim, os Religio sos não têm os ônus da
propriedade e de sua administração, carid osamente suportados pela Autorid ade Eclesiást ica , mas têm as rendas necessárias para se
manterem. É a realização da pobreza de Cristo e da fé na Prov idência. É o "nihil habentes, et omnia possidentes" de São Paulo (2 Cor. 6, 10 )
.
Assim, as Ordens Mendicantes são a mais formal refut ação do comunism o. Porque:
a) A renúncia às propriedades é uma afirmação c lara da existência do direito de propriedade, pois ninguém renuncia seriamente ao que não
existe.
b) Cada comunidade e cada Religioso tem o direito de v iv er dos frut os do patrimônio e das esmolas que tocam ao conv ento, e que são
administrados pela Autoridade Ec lesiást ica em fav or da comunidade, e não arbitrariamente.
c) O Religioso renuncia ao direito de propriedade v oluntariamente. O comunismo nega este direito e confisca as propriedades v iolentamente.
d) O Religioso abraça a pobreza v oluntária para melhor seguir a Nosso Senhor Jesus Cristo e santificar melhor sua alma na esp erança da v ida
eterna. O comunismo diz que destrói a propriedade particular para proporc ionar a todos os homens a maior soma de prazeres nesta terra,
uma vez que não existe a v ida eterna.
e) Na realidade, a pobreza v oluntária dos Religiosos os lev a a maior liberdade no serv iço de Deus. O comunismo, prometendo a maior soma de
prazeres, realmente tem por fim escrav izar os homens, e depois, por meio da fome, obrigá -l os à total ap ostas ia de Deus.
f) A pobreza v oluntária das Ordens Religiosas serv e a Deus. O comunismo serv e a Satanás.
Concluindo , dev emos pois dizer que a afirmação de que a s Ordens Religiosas realizam o tipo econômi co do comunismo é uma verdadeira
blasfêmia.
* Carta Pastoral Sobre a Seita Comunista – seus erros, sua ação rev olucionári a e os deveres dos católic os na hora presente. D. Geraldo de
Proença Sigaud, S. V. D. P ublicada em 6 de janeiro de 1962 na cidade de Diamantina, MG. 2º. Ediçã o, Edit ora Vera Cruz, São Paulo, 1963.
Cap. IV, pp. 94-1014.
http://www.ternuma.com.br/sigaud.htm
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