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Lectio Divina - Paróquia Divino Espírito Santo

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Lectio Divina - Paróquia Divino Espírito Santo
Lectio Divina
Paróquia Divino Espírito Santo
Lâmpada para os meus pés...
A prática cristã ancestral de
Oração Centrante tem suas
raízes e é alimentada pela
oração de escuta da Palavra
de Deus na Sagrada Escritura,
especialmente nos Evangelhos
e Salmos.
O que é a Lectio Divina?
A Lectio Divina vem do latim
e tem como significado,
“leitura
divina”,
“leitura
espiritual” ou ainda “leitura
orante da Bíblia”, é um
alimento necessário para a
nossa vida espiritual. A partir
desta oração, conscientes do
plano de Deus e a sua
vontade, pode-se produzir os
frutos espirituais necessários
para a salvação.
O que é a Lectio Divina?
A expressão latina Lectio
Divina, designa uma leitura
espiritual da Bíblia, ou como
geralmente
é
traduzida,
“Leitura Orante da Bíblia”.
Esta expressão foi elaborada
por Orígenes (185-253)… .
As origens
Os princípios da Leitura
Orante foram expressos por
volta
do
ano
220
e
praticados
por
monges
católicos,
especialmente
nas regras monásticas de
São Pacômio (292-348),
Santo Agostinho (354-430),
São Basílio (329-379) e
São Bento (480-547).
O tempo diário dedicado à Lectio Divina
sempre foi grande e no melhor momento do
dia. A espiritualidade monástica sempre foi
bíblica e litúrgica. A sistematização do
método da Lectio Divina chegou até nós
através dos escritos de Guido (1173-1180),
o monge cartucho francês.
Certo dia, ainda jovem, enquanto Guido realizava
alguns trabalhos manuais, trazia em mãos uma
escada. Em dado momento, com a escada nas
mãos, pediu a Deus que lhe desse a graça de subir
até a sua presença.
Foi então que recebeu a
graça
de
ter
uma
belíssima visão espiritual,
na qual pode ver uma
escada
com
apenas
quatro
degraus
sustentados na Palavra,
mas que levava até Deus
e perscrutava os segredos
do Céu.
Monges diziam que a Lectio Divina é a escada
espiritual dos monges, mas é também de todo
o cristão.
Só ou acompanhado?
A Lectio Divina tradicionalmente é uma
oração individual, porém, pode-se fazê-la
em grupo. O importante é rezar com a
Palavra de Deus lembrando o que dizem os
bispos no Concílio Vaticano II, relembrando
a mais antiga tradição católica, que
conhecer a Sagrada Escritura é conhecer o
próprio Cristo.
Bento XVI
O Papa fez a seguinte observação num
discurso de 2005: “Eu gostaria, em especial
recordar e recomendar a antiga tradição da
Lectio Divina, a leitura assídua da Sagrada
Escritura, acompanhada da oração que traz
um diálogo íntimo em que a leitura, se
escuta Deus que fala e, rezando, respondelhe com confiança a abertura do coração”.
Vaticano II
O Concílio Vaticano II, em
seu decreto Dei Verbum 25,
ratificou e promoveu com
todo
o
peso
de
sua
autoridade, a restauração da
Lectio Divina, que teve um
período de esquecimento por
vários séculos na Igreja.
Vaticano II
O Concílio exorta igualmente, com ardor e
insistência, a todos os fiéis cristãos,
especialmente aos religiosos, que, pela
frequente leitura das divinas Escrituras,
alcancem
esse
bem
supremo:
o
conhecimento de Jesus Cristo (Fl 3,8).
Porquanto “ignorar as Escrituras é ignorar a
Cristo” (São Jerônimo, Comm. In Is., prol).
Santa Terezinha Do Menino Jesus dizia, em
período de aridez espiritual, que quando os livros
espirituais não lhe diziam mais nada, ela busca no
Evangelho o alimento de sua alma.
Os Papas
São Gregório Magno bem salientava que o
principal objetivo da Lectio Divina é
“conhecer o Coração de Deus através da
Palavra de Deus”.
Nas palavras do Santo Padre, o Papa Bento
XVI: “Quando promovida eficazmente, a
Lectio Divina traz à Igreja – estou
convencido
–
uma
nova
primavera
espiritual” .
“Este encontro com a Palavra divina deve
levar a uma profunda mudança de vida, uma
identificação radical com o Senhor e seu
Evangelho, para se tornar plenamente
consciente
da
necessidade
de
estar
firmemente enraizado em Cristo”.
Bento XVI
Praticando...
 Preparar o ambiente;
 Silenciar;
 Invocar o Espírito Santo;
– O que diz o texto?
 Leia, com calma e atenção,
um pequeno trecho da
Sagrada
Escritura
(aconselha-se
que
nas
primeiras vezes utilize-se os
textos dos Evangelhos).
 Leia o texto quantas vezes
forem necessárias. Procure
identificar
as
coisas
importantes desta perícope:
o ambiente, os personagens,
os diálogos, as imagens
usadas,
as
ações.
É
importante que identificar
tudo com calma e atenção,
como se estivesse vendo a
cena.
1º degrau:
Lectio
(Leitura)
... a leitura deve garantir a
compreensão do texto em três
níveis:
a) Leitura: aproximar-se do texto
e, através de perguntas bem
simples, analisar o seu sentido:
Quem? O quê? Onde? Por quê?
Quando? Como o texto se situa no
contexto do livro de que faz parte?
b) Histórico:
1º degrau:
Lectio
(Leitura)
c) Teológico: descobrir, através do
texto, o que Deus tinha a dizer ao
povo naquela situação histórica;
2º degrau:
Meditatio
(Meditação)
– O que diz o texto para mim, para nós,
hoje?
 Começa, então, diligente meditação. Ela não
se detém no exterior, não para na superfície,
apoia o pé mais profundamente, penetra no
interior, perscruta cada aspecto.
2º degrau:
Meditatio
(Meditação)
O monge Guido dizia que: “a leitura sem meditação é
árida, e a meditação sem leitura é errônea”…
Guido, também ao falar da Meditação (Meditatio), usa o
termo “Ruminação”, porque, depois de nos alimentarmos
da Palavra de Deus na Leitura, o alimento da Palavra
retorna ao nosso coração para ser “ruminado” e
transformado em “alimento” de salvação.
Por isso, a Meditação é, antes de mais
nada, uma atualização do texto… .
Outras perguntas de apoio, você pode elaborar no seu
processo de Meditação, tais como:
 “O que há de semelhante e de diferente entre a
situação do texto, de ontem, e a situação de hoje?
 Quais os conflitos de ontem que existem hoje? Quais
são diferentes?
 Que personagem eu sou dentro do texto?
 E quem eu sou chamado a ser?
 O que o Espírito quer falar, quer comunicar?
Meditar é, então, mastigar, ruminar, atualizar e dialogar
com o texto bíblico.
3º degrau:
Oratio
(Oração)
– O que o texto me faz dizer a Deus?
Quanto à Oratio, toda boa meditação
desemboca naturalmente na oração. É o
momento de responder a Deus após havê-lo
escutado. Esta oração é um momento muito
pessoal que diz respeito apenas à pessoa e
Deus.
– O que o texto me faz dizer a Deus?
O monge Guido também dizia que “a leitura
sem meditação é morna, e a meditação sem
oração é infrutífera”. A Oração, nesse caso, é
falar com Deus, respondendo, de coração, ao
que Deus nos falou, por meio de sua Palavra.
A oração não pode ser considerada como uma
simples técnica. Deve conter o sentimento do
texto, porque as coisas sentidas no texto bíblico
são espelho de nós mesmos”.
Nesse degrau da Leitura Orante, você pode
reler o texto. Agora, com maior espírito de
Oração, assumindo, diante de Deus, um
compromisso de vida.
Não se preocupe em preparar palavras, fale o
que vai no coração depois da meditação: se for
louvor, louve; se for pedido de perdão, peça
perdão; se for necessidade de maior clareza,
peça a luz divina; se for cansaço e aridez, peça
os dons da fé e esperança. Enfim, os momentos
anteriores, se feitos com atenção e vontade,
determinarão esta oração da qual nasce o
compromisso de estar com Deus e fazer a sua
vontade.
4º degrau:
Contemplatio
(Contemplação)
- Estou pronto para a nova missão?
Guido colocou a Contemplação depois da
Oração, porque a verdadeira e mais profunda
Oração é a Contemplação.
Contemplar é saborear a Palavra de Deus com o
coração.
Desta etapa a pessoa não é
dona. É um momento que
pertence a Deus e sua presença
misteriosa, sim, mas sempre
presença. É um momento no qual
se permanece em silêncio diante
de Deus. Se ele o conduzirá à
contemplação,
louvado
seja
Deus! Se ele lhe dará apenas a
tranquilidade de uns momentos
de paz e silêncio, louvado seja
Deus! Se para você será um
momento de esforço para ficar na
presença de Deus, louvado seja
Deus!
Há, em nossos dias, uma preocupação muito
grande com a vida prática, com o exercício
prático da fé, de modo que alguns escritores
acrescentam a “Actio” (ou “Missio”) á
“Contemplatio”, ou seja, a Ação junto da
Contemplação, ou até mesmo um degrau
depois do outro.
É verdade,
cremos que não
há conversão para
Deus que não
passe pelo irmão.
“Toda a mística que se batize de
cristã tem de cristalizar numa
contemplação de Cristo e numa
vontade de encarnar sua vida”.
Santa Tereza de Ávila
A Sagrada Escritura é...
Palavra de Deus
escrita
LER
O que diz o
texto bíblico?
por inspiração do Espírito Santo
MEDITAR
O que nos diz o
Senhor por sua
Palavra
confiada à Igreja
para a salvação
ORAR
AGIR
O que dizemos
ao senhor por
sua Palavra?
A que conversões
e ações nos
convida o
Senhor?
Compreender a
Palavra...
Atualizar a
Palavra...
Orar a
Palavra...
Praticar a
Palavra...
para descobrir o
que Deus nos
ensina mediante
o autor sagrado.
para interpretar
a vida, conhecer
seu sentido,
melhorar nossa
missão e
fortalecer a
esperança.
para dialogar
com Deus e
celebrar nossa
fé em família
ou
comunidade.
para conduzir a
vida (agir)
segundo os
critérios de Deus
(conversão).
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