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sistema de banco de dados orientados a objetos - Fatec-SP

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sistema de banco de dados orientados a objetos - Fatec-SP
FACULDADE DE TECNOLOGIA DE SÃO PAULO
SISTEMA DE BANCO DE DADOS
ORIENTADOS A OBJETOS
GUILHERME CANTUÁRIA DE CARVALHO
SÃO PAULO
2011
FACULDADE DE TECNOLOGIA DE SÃO PAULO
SISTEMA DE BANCO DE DADOS
ORIENTADOS A OBJETOS
GUILHERME CANTUÁRIA DE CARVALHO
TECNÓLOGO EM PROCESSAMENTO DE DADOS
GABRIEL ISSA JABRA SHAMMAS - ORIENTADOR
SÃO PAULO
2011
AGRADECIMENTOS
Agradeço aos meus pais, que me apoiaram durante toda a minha vida e sem o
apoio e incentivos de ambos não teria chegado a este momento.
A Deus, por estar presente em todos os momentos e me fornecendo força nas
dificuldades enfrentadas.
Aos meus amigos, que contribuíram para o meu crescimento pessoal e tornaram
o período do desenvolvimento do trabalho mais prazeroso.
Por fim agradeço ao meu orientador e a todos que contribuíram de alguma forma
para a criação deste trabalho.
iii
SUMÁRIO
LISTA DE FIGURAS......................................................................................................vi
LISTA DE SIGLAS........................................................................................................vii
RESUMO.........................................................................................................................ix
ABSTRACT......................................................................................................................x
1 INTRODUÇÃO..............................................................................................................1
1.2 OBJETIVOS................................................................................................................2
2 CONCEITOS DE BANCO DE DADOS.......................................................................3
2.1 DADOS.......................................................................................................................4
2.2 ABSTRAÇÃO DE DADOS........................................................................................4
3 MODELOS DE DADOS................................................................................................6
3.1 MODELO HIERÁRQUICO........................................................................................6
3.2 MODELO DE REDE..................................................................................................7
3.3 MODELO RELACIONAL..........................................................................................8
3.4 MODELO RELACIONAL NÃO-NORMALIZADO.................................................9
3.5 MODELO ENTIDADE-RELACIONAMENTO......................................................10
4 PARADIGMA DA ORIENTAÇÃO A OBJETOS......................................................12
4.1 O QUE É UM OBJETO ? .........................................................................................13
4.2 CLASSE DE OBJETOS............................................................................................14
4.3 HERANÇA................................................................................................................15
4.4 POLIMORFISMO.....................................................................................................16
4.5 ENCAPSULAMENTO.............................................................................................16
5 BANCO DE DADOS ORIENTADOS A OBJETOS..................................................18
5.1 O QUE SÃO ? ..........................................................................................................19
5.3 CONCEITO DE ORIENTAÇÃO A OBJETOS PARA BDOO................................21
5.3.1 PERSISTÊNCIA DOS OBJETOS.........................................................................21
iv
5.3.2 OBJETOS PARA BANCO DE DADOS...............................................................22
5.3.2.1 OBJETOS COMPLEXOS...................................................................................23
5.3.2.2 IDENTIFICADOR DE OBJETOS......................................................................23
5.3.3 HIERARQUIA DE CLASSES E HERANAÇA PARA BDOO............................23
5.3.4 ENCAPSULAMENTO..........................................................................................24
5.4 CONCEITOS DE BANCO DE DADOS PARA BDOO..........................................25
5.4.1 TRANSAÇÕES......................................................................................................25
5.4.1.1 TRANSAÇÕES DEMORADAS........................................................................26
5.4.1.2 TRANSAÇÕES ANINHADAS..........................................................................27
5.4.1.3 TRANSAÇÕES EM COOPERAÇÃO................................................................27
5.4.2 CONCORRÊNCIA.................................................................................................27
5.4.3 GERENCIAMENTO DE RECUPERAÇÃO.........................................................29
5.4.4 VERSIONAMENTO..............................................................................................30
5.4.5 CONSULTAS.........................................................................................................30
6 EXEMPLOS DE BDOO..............................................................................................32
6.1 O2...............................................................................................................................32
6.2 OBJECTSTORE........................................................................................................34
6.3 POSTGRES...............................................................................................................36
6.4 JASMINE..................................................................................................................37
7 CONCLUSÃO..............................................................................................................39
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS............................................................................41
v
LISTA DE FIGURAS
Figura 2.1 – Conceitos de bancos de dados
Figura 2.2 – Os níveis de abstração
Figura 3.1 – Modelo Hierárquico
Figura 3.2 – Modelo de Rede
Figura 3.3 – Modelo Relacional
Figura 3.4 – Modelo Relacional Não-Normalizado
Figura 3.5 – Relacionamento do MER
Figura 4.1 – Declaração de Classes
Figura 4.2 – Herança entre Classes
Figura 5.1 – Estrutura de BDOO
Figura 6.1 – Declaração de Dados do O2
Figura 6.2 – Manipulação de Dados do O2
Figura 6.3 – Declaração de Dados do Objectstore
Figura 6.4 – Manipulação de Dados do Objectstore
Figura 6.5 – Declaração de Dados do Postgres
Figura 6.6 – Manipulação de Dados do Postgres
Figura 6.7 – Declaração de Dados do Jasmine
Figura 6.8 – Manipulação de Dados do Jasmine
vi
LISTA DE SIGLAS
BD
-
Banco de Dados
SGBD
-
Sistema Gerenciador de Banco de Dados
MR
-
Modelo Relacional
1FN
-
Primeira Forma Normal
MRNN
-
Modelo Relacional Não-Normalizado
CAD
-
Computer-Aided Design
CAM
-
Computer-Aided Manufacture
CASE
-
Computer-Aided Software Enineering
GIS
-
Geographic Information System
SQL
-
Structure Query Language
OQL
-
Object Query Languade
ODQL
-
Object Database Query Language
MER
-
Modelo de Entidade-Relacionamento
OO
-
Orientação a Objetos
Xerox PARC -
Xerox Palo Alto Research Center
POO
-
Programação Orientada a Objeto
BDOO
-
Banco de Dados Orientados a Objetos
OID
-
Identificadores de Objetos
ACID
-
Atomicidade, Coerência, Isolamento e Durabilidade
TPS
-
Transações por Segundo
vii
SGBDOO
-
Sistemas Gerenciador de Banco de Dados Orientados a
Objetos
viii
RESUMO
Sistemas de banco de dados representam um papel fundamental em aplicações
de processamento de informação não-numérica, onde a utilização de tais sistemas
permite facilitar a manutenção de dados consistentes que podem ser compartilhados por
diversas aplicações, as quais não precisam conhecer o modo como tais dados são
internamente armazenados ou representados. A tecnologia de banco de dados já está
madura para diversas aplicações, principalmente nas áreas administrativas e comerciais.
Entretanto, novas categorias de aplicações têm demandado o gerenciamento de
dados mais complexos. Para essas aplicações, o paradigma de orientação a objetos surge
como alternativa adequada para a representação e manipulação dos dados, mas é preciso
ainda integrar de forma adequada esta tecnologia a sistemas de banco de dados.
Sistemas gerenciadores de bancos de dados orientados a objetos constituem a
proposta corrente para a solução desse problema. Neste trabalho apresentam-se os
aspectos básicos da modelagem e da tecnologia de tais sistemas, com um breve estudo
sobre a evolução dos bancos de dados e seus respectivos modelos, analise dos
paradigmas da orientação a objetos e dos conceitos de banco de dados.
ix
ABSTRACT
Database systems represent an essential part in the nom-numeric information
processing application, where the use of such systems allows to make easier the
maintenance of consistent data and can be shared by various applications without
needing to know the way where such data are internally stored or represented. The
database technology is already mature for various applications, mainly in administrative
and commercial areas.
However, new categories of application have demanded more complete data
management. For those application, the object-oriented paradigm emerges as a suitable
alternative for representation and handling of data, but it’s still needed a properly
integration of this technology to database systems.
Object-oriented database management systems form a current proposal for
solving this problem. In this paper are presented the basic aspects of the modeling and
of the technology of such systems with a brief study about the evolution of database and
their respective models, object-oriented paradigms and database concepts.
x
1 INTRODUÇÃO
A cada dia as empresas dependem mais de grandes e crescentes volumes de
informação para suas decisões de negocio, e essa informação deve estar sempre correta
e de fácil acesso. Por isso essas empresas exigem sistemas de informação que atendam
não só a suas necessidades funcionais, mas também estejam integrados com a
necessidade de mudanças no negocio.
Para atender essas necessidades, surgem inúmeros avanços computacionais a fim
de possibilitar esse desenvolvimento dos negócios. Entre todos esses avanços
computacionais pode-se citar a tecnologia de orientação a objetos.
“As tecnologias de orientação a objetos estão cada vez mais presentes em todas
as áreas da computação, desde linguagens de programação até os bancos de dados.
Através do modelo orientado a objeto pode-se expressar problemas do mundo real de
forma mais fácil e naturalmente usando-se componentes modularizados.” [KHO94]
Está nova tecnologia ao mesmo tempo em que trouxe inúmeras vantagens
computacionais, também trouxe alguns problemas, dentre eles o fato que sistemas que
utilizam a técnica de orientação a objetos necessitam armazenar seus registros e estes
são armazenados em banco de dados relacionais, dos quais tem uma enorme difusão no
mercado. Entretanto tal medida não é uma boa prática, pois o mundo real está sendo
representado na forma de tabelas e uma possível adaptação do modelo orientado a
objetos para o modelo relacional exige um gasto enorme de tempo e produção. Além
desses motivos, bancos de dados relacionais apresentam-se inadequados a algumas
necessidades dos novos avanços de sistemas computacionais.
1
Diante disso, este trabalho aborda uma das possíveis soluções para a correção
desta divergência entre sistemas baseados no paradigma da orientação aos objetos e
banco de dados relacionais. Solução esta denominada como Banco de Dados Orientados
a Objetos.
Os bancos de dados orientados a objetos integram os conceitos de orientação a
objetos como herança, identidade do objeto e tipo abstrato de dados com aptidões de um
banco de dados como transações, segurança, recuperação, etc. Através de construções
orientadas a objetos, os usuários podem esconder os detalhes de implementação de seus
módulos, compartilhar a referencia a objetos e expandir seus sistemas através de
módulos existentes. As aptidões de banco de dados são necessárias para assegurar o
compartilhamento simultâneo e a continuidade das informações nas aplicações.
[KHO94]
1.1 OBJETIVOS
O objetivo deste trabalho é abordar a área de Bancos de Dados Orientados a
Objetos de uma forma unificada, através de uma visão conceitual tendo por base o
Modelo de Entidade e Relacionamento.
Serão apresentados os conceitos das tecnologias de Banco de Dados e suas
respectivas evoluções seguidas pelos conceitos de Orientação a Objetos. Diante disso
estabelece-se uma base para o desenvolvimento da tecnologia de Bancos de Dados
Orientados a Objetos.
Com isso espera-se preencher todo tipo de lacuna e dúvidas a respeito dessa
tecnologia de Banco de Dados que é pouco utilizada pelo mercado, entretanto é uma
tecnologia de alto desempenho.
2
2 CONCEITOS DE BANCOS DE DADOS
Bancos de Dados (BD) é uma expressão que se impôs na língua portuguesa. A
expressão vem do inglês, onde se usou por pouco tempo a original Databanks, que foi
logo substituída por Database, isto é, Base de Dados. Esse nome é bem mais sugestivo,
pois um banco de dados não funciona como um banco, emprestando dados. Funciona
muito mais como um repositório de dados, que são usados em diversas aplicações, isto
é, uma base sobre a qual atuam essas aplicações, e que esta disponível para o
desenvolvimento de outras que usam os mesmos dados [SET05].
Explorando a referencia citada acima, BD são gerenciadores de grandes grupos
de informações. Esse gerenciamento consiste em definir a estrutura para o
armazenamento de informações e o fornecimento de mecanismo para manipulá-las.
Esse gerenciamento é executado pelos Sistemas de Gerenciamento de Banco de Dados
(SGBD), softwares que possuem recursos para efetuar esse tipo de manipulação. Além
disso, os BD precisam fornecer segurança para que informações não sejam
disponibilizadas a usuários não autorizados e possuir integridade uma vez que as
informações serão disponibilizadas para diversos usuários.
A Figura 2.1 ilustra os conceitos de bancos de dados.
3
Para compreender melhor o conceito de BD, é necessário compreender alguns
conceitos como:
• Dados
• Abstração de Dados
2.1 DADOS
Dado é a estrutura fundamental sobre a qual um sistema de informação é
constituído. Símbolo intencionalmente destacado para representar uma característica ou
propriedade da realidade a ser tratada. [Pompilho, 1995].
2.2 ABSTAÇÃO DE DADOS
Uma das maiores proposta de BD é fazer com que os usuários acessem e
recuperem os dados eficientemente de uma forma abstrata, ou seja, uma vez que os
usuários não são treinados em computação, a complexidade dessas operações fica
escondida deles através de diversos níveis de abstração que simplifiquem a interação do
usuário com os BD.
• Nível Físico é o nível mais baixo de abstração. Descreve como os dados estão
realmente armazenados. Num Nível Físico, complexas estruturas de dados de
baixo nível são descritas em detalhes.
• Nível Conceitual de abstração descreve quais são de fatos os dados que devem
pertencer aos BD e suas respectivas relações. Esse nível é bastante usado pelos
administradores de BD. Nesse nível o banco de dados inteiro é descrito em
termos de um pequeno número de estruturas relativamente simples.
4
• Nível Visual é o mais alto nível de abstração e descreve apenas parte do banco
de dados representado por uma visão. Este nível é definido para simplificar a
interação dos usuários com os BD.
A Figura 2.2 ilustra os níveis de abstração
5
3 MODELO DE DADOS
Modelo de Dado é uma coleção de ferramentas conceituais que ajudam a formar
e descrever a estrutura de dados de um SGBD. Os primeiros modelos de dados
utilizados foram o modelo hierárquico e o modelo de rede. Em meados anos 70 um
novo modelo se impôs como padrão nos SGDB da época. Esse modelo foi o modelo
relacional, que possuía uma estrutura extremamente simples, sendo essa uma das razões
pela sua rápida difusão entre os ambientes comercias. Acompanhado por essa rápida
difusão estavam suas limitações que não demoraram a aparecer. Decorrente a essas
limitações, não demorou a surgir novas extensões do modelo relacional a fim de efetuar
correções e melhorias.
Dentre todas as novas extensões, destaca-se o modelo relacional nãonormalizado. Outro destaque desse período é o surgimento de alguns modelos
conceituais, com o objetivo de facilitar a modelagem de dados, em um nível mais
elevado que no modelo relacional. Nessa categoria será abordado o modelo de entidade
e relacionamento.
3.1 MODELO HIERÁRQUICO
O modelo hierárquico provavelmente foi o primeiro modelo a ser
comercializado. Seu desenvolvimento só ocorreu devido à consolidação dos discos de
armazenamento endereçáveis, pois esses discos possibilitaram o estudo da representação
hierárquica da informação nas estruturas de endereçamento físico. Este modelo consiste
em um conjunto ordenado de arvores, em que cada nó da arvore representa um tipo de
registro do qual cada registro é uma coleção de campo (atributos), cada um contendo
somente uma informação. Estes registros são conectados através de ligações entre si.
6
Cada registro pode ter quantos registros-filho quiser, porém só poderá ter apenas
um registro-pai. Diante disso as ligações entre registro-pai para registro-filho é de um
para zero ou muitos.
Devido à restrição citada acima, o conteúdo de um registro-pai pode ser
repetidos diversas vezes. Este fato pode ocasionar tanto desperdício de espaço devido à
quantidade de informações repetidas, como tornar o banco inconsistente caso uma
possível atualização não seja efetuada em todos os registros repetidos.
A Figura 3.1 ilustra o Modelo Hierárquico.
3.2 MODELO DE REDE
O modelo de rede consiste em um conjunto de registros que são conectados um
ao outro por meio de ligações. Cada registro, assim como no modelo hierárquico, é uma
coleção de campos (atributos), cada um dos quais contendo apenas um valor de dado. Já
as ligações são as associações entre dois registros.
O modelo de rede é bastante semelhante ao modelo hierárquico apresentado
anteriormente, sendo que a principal diferença entre ambos consiste em que no modelo
7
hierárquico, cada registro-filho possui exatamente um registro-pai, enquanto no modelo
de rede cada registro-filho pode possuir qualquer número de registros-pai.
Esta diferença se deve ao fato da substituição da estrutura de armazenamento em
árvore por uma estrutura de armazenamento, citada anteriormente, na forma de uma
coleção de registros conectados através de ligações.
A Figura 3.2 ilustra o Modelo de Rede.
3.3 MODELO RELACIONAL
O modelo relacional (MR) assim que apresentado foi logo aderido pelo
comercio, no qual se estabeleceu como modelo principal para aplicativos de
processamento de dados. Ainda hoje diversos SGBD utilizam seus conceitos básicos.
Tendo como base a teoria dos conjuntos e a álgebra relacional, o MR foi
desenvolvido por Codd em meados anos 70.
8
De acordo com [NAU99], o MR consiste em dados armazenados em tabelas
denominadas relações. Cada linha da tabela representa um elemento do conjunto de
dados e cada coluna da tabela contém valores de um conjunto definido, denominado
domínio. Uma linha da relação é chamada de tupla.
Em sua primeira publicação, Codd definiu que os valores dos domínios
deveriam ser atômicos, sendo assim, não se podem armazenar atributos compostos,
conjuntos, vetores ou listas em uma célula da tabela. Esta restrição leva o nome de
Primeira Forma Normal (1FN). Isto torna o MR bem mais simples, porém deixa
engessada a modelagem de dados em algumas situações que a 1FN não é convencional.
Algumas das melhorias evidenciadas com o MR são:
• Aumento da independência dos dados nos SGBD.
• Prover um conjunto de funções apoiadas em álgebra relacional para
armazenamento de recuperação de dados.
Nome
Matéria
Média
José
Lógica
5
Carlos
Cálculo
7
Figura 3.3 ilustra o Modelo Relacional.
3.4 MODELO RELACIONAL NÃO-NORMALIZADO
O modelo relacional não-normalizado (MRNN) é bastante semelhante ao MR se
diferenciando somente no fato que a 1FN não é uma restrição. Diante disso o MRNN
9
permite a representação de atributos multivalorados ou compostos ou, de uma forma
geral, valores que são relações.
Segundo [NAU99], soluções com o MRNN, além de diminuir a redundância das
chaves das relações e o número destas, é mais simples e eficiente. Com esse modelo
ainda é possível a representação de listas, textos e outras estruturas que são necessárias
para algumas aplicações avançadas, tal como CAD/CAM.
Nome
Matéria
Nota
José
Lógica
7
8
Carlos
Cálculo
7
7
A Tabela 3.4 ilustra o Modelo Relacional Não-Normalizado.
3.5 MODELO ENTIDADE-RELACIONAMENTO
“O modelo entidade-relacionamento (MER) é baseado na percepção do mundo
real que consiste em um conjunto de objetos básicos chamados entidades e nos
relacionamentos entre esses objetos. Ele foi desenvolvido para facilitar o projeto de
banco de dados permitindo a especificação de um esquema de empresa. Tal esquema
representa a estrutura lógica geral do banco de dados.” [KOR93]
O MER trata-se de um modelo conceitual, representado em forma de gráfico,
que inicialmente foi introduzi por Peter Chen em 1976, porém desde então já sofreu
algumas atualizações em sua estrutura.
10
Como citado anteriormente, a estrutura do MER consiste em dois pilares, assim
como propõem seu nome. São eles:
• Entidades: são nada mais que uma representação abstrata de entes (objetos) do
mundo real. Um grupo de entidade que possui a mesma natureza no mundo real
pode ser denominado como conjunto de entidades. Essas entidades possuem
atributos que as distinguem uma das outras, através da representação das
informações que cada entidade possui. Os atributos podem receber algumas
classificações como compostos, onde o atributo pode ser composto por vários
subatributos; multivalorados, onde o atributo leva um elemento do conjunto de
entidades a um conjunto de valores; determinante, onde o valor do atributo não
se repete em mais de um elemento do conjunto entidade.
• Relacionamentos: são nada mais que representações conceituais que os objetos
(representados pelo conjunto de entidade) do mundo real possuem entre si, ou
seja, dados dois conjuntos de entidades, elementos de um podem se relacionar
com elementos de outro.
A Figura 3.5 ilustra o Relacionamento do MER.
11
4 PARADIGMA DA ORIENTAÇÃO A OBJETOS
A orientação a objetos (OO) não é um conceito novo. Seu roteiro pode ser
evidenciado pela Noruega, no inicio dos anos 60 do qual se encontrava conectada com
uma linguagem chamada Simula-67, desenvolvida por Kristen Nygaard e Ole-Johan
Dahl no Centro Norueguês de Computação. A Simula-67 apresentou pela primeira vez
os conceitos de classes, rotinas correlatas e subclasses muito parecidas com as atuais
linguagens orientadas a objetos.
Depois, em meados da década de 70, cientistas do Xerox Palo Alto Research
Center (Xerox PARC) criaram a primeira e robusta linguagem orientada a objeto
denominada Smalltalk.
Apesar da boa divulgação nos circuitos universitários, tanto a Simula-67 quanto
a Smalltalk eram relativamente inacessíveis para a comunidade de desenvolvimento.
Nos ano s 80, a linguagem C tornou-se muito popular entre os desenvolvedores e diante
disso proporcionou sua expansão para a linguagem C++, que suporta programação
orientada a objeto (POO) e sendo criada por Bjarne Stroustrup. As subseqüentes versões
comerciais e os incrementos nas ferramentas da linguagem C++, assim como um maior
número de distribuidoras, ajudaram a chamar a atenção da comunidade de
desenvolvimento à POO. Com isso os profissionais da comunidade de desenvolvedores
estavam aptos a aprender o paradigma da POO.
A OO, portanto não é nova e como será apresentado propõe abstrações do
mundo real e traz vantagens como a reutilização não apenas do código, mas também de
requisitos, analise, projeto e especificação, permitindo maior produtividade, pois
permite capturar processos, procedimentos e regras das empresas.
12
Modelos orientados a objetos são mais flexíveis, permitem manutenção mais
fácil e melhor administração do domínio do problema. Tendo o objeto como ponto
central das analise e do desenvolvimento, é possível tratar as funções (operações ou
métodos) e os dados (atributos ou propriedades) em uma mesma unidade. Mecanismos
como herança e polimorfismo permitem acrescentar novas operações e atributos a
classes já existentes, possibilitando a escrita de código reutilizável e extensível.
4.1 O QUE É UM OBJETO?
Segundo do dicionário, objeto é “tudo que é apreendido pelo conhecimento, que
não é o sujeito do conhecimento; tudo que é manipulável e/ou manufaturável; tudo que
é perceptível por qualquer um dos sentidos; coisa, peça, artigo de compra e venda;
matéria, assunto; o que é conhecido, pensado ou representado, em oposição ao ato de
conhecer, pensar ou representar”.
Portanto objeto é a representação de elementos físicos do mundo real, que
descobrimos estudando suas características (atributos) e seus comportamentos (ações).
Para a OO, após estudar e analisar os objetos do mundo real, separamos mentalmente
aqueles que interessam num exercício de abstração.
Recorrendo novamente ao dicionário, abstração é o “ato de separar mentalmente
um ou mais elementos de uma totalidade complexa (coisa, representação, fato), os quais
só mentalmente podem subsistir fora dessa totalidade; o resultado de abstrações (termo,
conceito, idéia, elemento de classe etc.)”.
Assim, a OO trata-se de uma modelagem dos objetos do mundo real, estudandoos e criando classes a partir de suas características e comportamentos. Esse trabalho é
13
executado pelo analista que usando um processo intelectual é capaz de abstrair esse
estudo da realidade e representar os objetos dentro de um contexto.
4.2 CLASSE DE OBJETOS
Ao comparar diferentes objetos, notamos que eles possuem atributos e
comportamentos semelhantes, dependendo da finalidade para a qual são analisados.
Usando a abstração podemos agrupar alguns objetos de acordo com seus atributos e
comportamentos em comum.
Uma classe, portanto, é um modelo onde os objetos são originados
(instanciados). Ela possui a definição dos atributos e das ações de um tipo de objeto e é
obtida pela classificação de objetos com a mesma estrutura de dados e o mesmo
comportamento. Assim por exemplo, em um dado modelo, José, Antonio, João etc.
podem ser instancias da classe Pessoa, uma vez que possuem atributos comuns (nome) e
comportamentos comuns (andar, deitar, etc.).
A declaração de uma classe é dividida em geral em duas partes: as variáveis de
instancias (atributos de um objeto a ser instanciado) e a sua interface, que são operações
(métodos) disponíveis para a classe.
A Figura 4.1 ilustra a declaração de classes.
14
4.3 HERANÇA
Comparando e analisando objetos do mundo real, podemos evidenciar atributos
e comportamentos em comuns entre objetos, fazendo com que esses sejam agrupados
em um mesmo tipo de classes. Entretanto, aprofundando um pouco mais na analise e
observação, descobre-se que alguns desses objetos pertencentes a essa classe ainda
possuem características próprias alem daquelas em comum. Diante disso o mecanismo
de herança consegue suprir essa diferença entre as características dos objetos.
De um modo mais especifico podemos definir herança como a capacidade de
uma classe herdar os atributos e comportamentos de outra classe. Neste casso a classe
herdada é denominada de superclasse e a classe herdeira é denominada de subclasse.
Assim a subclasse herda atributos e comportamentos da classe imediatamente superior –
a superclasse.
A Figura 4.2 ilustra a herança entre classes.
15
A herança na OO pode ser única onde uma classe herda características de apenas
uma classe ou múltipla onde uma classe pode herdar características de uma ou mais
classes. Não são todas as linguagens de POO que tem suporte para heranças múltiplas.
Um fator muito importante na herança é o fato de que se deve tomar um enorme
cuidado na manutenção desse recurso, pois qualquer tipo de mudança de uma
superclasse acarreta imediatamente a propagação para as subclasses.
4.4 Polimorfismo
Pelo dicionário temos a seguinte definição de polimorfismo: “Particularidade de
certas substancias que tomam formas muito diversas; multiforme; que se apresenta sob
numerosas formas”.
Para OO, polimorfismo é o principio em que classes derivadas de uma mesma
superclasse
podem
invocar
operações
que
têm
a
mesma
assinatura,
mas
comportamentos diferentes em cada subclasses e produzindo resultados diferentes
dependendo de como cada objeto implementa a operação.
Com outras palavras, é a capacidade de objetos diferentes possuírem operações
com o mesmo nome e a mesma lista de argumentos, mas que executam tarefas de forma
diferentes.
4.5 ENCAPSULAMENTO
O encapsulamento ou também conhecido como ocultação de informações, é uma
técnica que consiste em separar os aspectos internos dos aspectos externos de um
objeto, isto é determinados detalhes ficam ocultos, assim como o nome sugere, aos
demais objetos tendo como referencia apenas ao próprio objeto. De outra forma pode-se
16
afirmar que encapsulamento é a proteção da estrutura interna do objeto por traz dos
métodos.
Essa característica é muito importante, pois possibilita uma maior independência
de dados, uma vez que a implementação das estruturas de dados dos objetos não precisa
ser conhecida por quem utiliza os objetos.
Vale lembra que o encapsulamento estabelece uma dependência com a relação
de herança, pois objetos da subclasse herdam todas as definições de atributos e
operações da superclasse.
17
5 BANCOS DE DADOS ORIENTADOS A OBJETOS
“O propósito dos sistemas de banco de dados é o gerenciamento de grandes
corpos de informação. Os primeiros bancos de dados desenvolveram-se a partir do
sistema de gerenciamento de arquivos. Esses sistemas evoluíram primeiro em bancos de
dados hierárquicos e de rede, depois em bancos de dados relacionais.” [KOR93]
Inicialmente os primeiros bancos de dados originaram-se a partir dos sistemas de
gerenciamentos de arquivos. Com isso foi possível separar pela primeira vez a aplicação
dos dados. Acompanhado dos novos bancos de dados, vieram às modelagens de dados
que no atual momento se tornaram muito eficiente para o desenvolvimento de
aplicações, cujas estruturas se apresentavam de forma uniforme e simplificada e
também eram sempre orientadas ao registro. Estes modelos ficaram conhecidos como
modelo hierárquico e modelo de rede. Ambos os modelos não possuíam forte
fundamentos teóricos e também não suportavam noções de independência de dados
físicos e lógicos.
Os bancos de dados relacionais surgiram logo em seqüência aos modelos
mencionados acima. Este modelo trouxe muitas vantagens em relação aos modelos
hierárquicos e de rede. O formato relacional, tabelado é simples e fácil de entender. A
álgebra relacional oferece fundamentos matemáticos capazes de suportar metodologias
de análises de dados e a possibilidade de agrupar dados dinamicamente em tabelas
virtuais em tempo de execução, possibilitou, aos bancos de dados relacionais, o
desenvolvimento de aplicações com um nível mais elevado de independência dos dados
do que seus predecessores. Diante disso o modelo relacional caiu nas graças dos
desenvolvedores e ainda hoje serve como base para inúmeros SGBD.
18
“Os sistemas gerenciadores de bancos de dados relacionais existem, na verdade,
para registros de dados. Mas a maior parte do mundo real não é feita de registros.”
[Whiting, 1989].
O avanço computacional em diversas áreas, a difusão das redes e de novas
tecnologias, evidenciou novas necessidades que os bancos de dados relacionais se
mostraram inadequados. Dentre os novos usos da capacidade computacional, podemos
destacar o CAD/CAM (projeto/manufatura auxiliado por computador), o CASE
(desenvolvimento de sistemas de computação auxiliado por computador), o GIS
(sistemas de informação geográfica) e etc.. Todas essas aplicações manipulam dados
com uma estrutura extremamente complexa.
Na década de 80, visando aumentar a produtividade do desenvolvimento,
facilitar a reutilização e manutenção da analise, requisitos, projetos e especificações, a
POO se tornou muito popular entre a comunidade de desenvolvimento, sendo
considerada por alguns como uma revolução na forma de se fazer sistemas.
Visando acompanhar a tendência da época e também possibilitar resolver as
limitações que os bancos de dados relacionais possuíam, foi proposto um novo sistema
de banco de dados, o banco de dados orientados a objetos (BDOO).
5.1 O QUE SÃO?
De uma forma bem simples pode-se dizer que BDOO são nada mais que a
junção entre conceitos de OO com conceitos de SGBD, ou seja, ele é todo baseado nos
paradigmas da OO unido aos objetivos básicos dos SGBD.
19
Um BDOO é basicamente um sistema em que a unidade de armazenamento é o
objeto, com o mesmo conceito das linguagens de POO. A diferencia fundamental está
no fato que em BDOO, os dados não deixam de existir após o encerramento do
programa, ou seja, os objetos continuam a existir mesmo se o sistema venha a ser
encerrado. Com isso os dados, isto é, os valores dos atributos que fazem referência a
seus respectivos objetos não deixam de existir. Este conceito é conhecido como
persistência.
Outra característica essencial dos BDOO é que eles oferecem suporte a versões,
ou seja, os objetos podem ser vistos de todas ou varias versões.
A Figura 5.1 ilustra a estrutura de BDOO.
20
5.3 CONCEITO DE ORIENTAÇÃO A OBJETOS PARA BDOO
Em BDOO, os objetos são tratados em um nível lógico e também possuem
características que não são encontradas na POO. Essas características serão tratadas ao
decorrer do trabalho, porém podemos destacar a persistência de dados, ou melhor,
dizendo a persistência de objetos. Desta forma conceitos como “classes” e “herança”
sofrem adaptações a fim de possibilitar a aplicação em BDOO.
Para [NAU99], os conceitos de OO básicos e necessários para a estrutura de um
BDOO são:
• Persistência de Objetos.
• Objetos complexos.
• Presença de identificadores de objetos.
• Mecanismos de herança.
• Métodos.
5.3.1 PERSISTÊNCIA DE OBJETOS
Sem duvida nenhuma, a persistência de objetos é uma característica primordial
para os BDOO, pois alem de ser uma característica que possibilita diferenciar BDOO
das linguagens de POO, ela também é fundamental para os BDOO.
Persistência de objetos consiste em não deixar com que objetos deixem de
existir, ou seja, ao finalizar a execução de um programa que tenha como base uma
linguagem de POO, todos os objetos instanciados deixam de existir. Com isso os
valores dos atributos do objeto também desaparecem. Se isso fosse aplicado aos BDOO,
o resultado seria uma catástrofe, pois os dados que serão inseridos em um BDOO na
21
forma de atributos de objetos devem existir mesmo após o encerramento do programa
de gerenciamento, tendo seu estado armazenado em um meio físico persistente, a menos
é claro que os atributos sofram algum tipo de alteração ou exclusão, sendo estas
solicitadas pelo usuário.
Para que os BDOO possam funcionar, é preciso aplicar a persistência de objetos
em sua estrutura, a fim de que os dados não desapareçam.
Existem diversas maneira de torna o objeto persistente e todas elas variam
conforme o sistema utilizado. Dentre essas formas podem-se considerar as seguintes:
•
Por tipo de classe onde os objetos pertencentes às classes assim
declaradas serão persistentes.
•
Por chamada explícita onde o objeto pode se tornar persistente após a sua
criação através de comandos reservados.
•
Por referência onde objetos referenciados por objetos persistentes
(objetos raízes) também se tornam persistentes.
5.3.2 OBEJOS PARA BANCO DE DADOS
O modelo de OO suporta a representação das abstrações e comportamento dos
objetos. Com isso os BDOO incorporam as características dos objetos da linguagem de
POO integrada com noções de estrutura de dados e de comportamento. O conjunto de
atributos descreve o estado interno dos objetos. Cada “ocorrência” do objeto no banco
de dado é denominada de instancia do objeto.
A estrutura de objetos em banco de dados é muito similar ao conceito de
entidades, quando aplicado ao MER.
22
5.3.2.1 OBJETOS COMPLEXOS
Para uma representação direta de objetos complexos, dos quais nos modelos
relacionais não possuem representação, proposta a utilização do modelo de dados das
linguagens orientadas a objetos. Nota-se que a primeira forma normal não é respeitada
nos BDOO, pois podemos representar em um objeto valores não atômicos, como
conjuntos, listas, vetores etc..
Assim como nas linguagens orientadas a objetos, a representação se torna
extremamente fácil devido a esse fato (não normalizado).
5.3.2.2 IDENTIFICADOR DE OBJETOS
Nos BDOO, os identificadores de objetos (OID) têm uma identidade muito mais
forte que na linguagem de POO, pois nos BDOO, os objetos têm a necessidade de
continuarem a existir mesmo após a execução do programa. Isto ocorre devido ao fato
que os objetos podem voltar a serem usados futuramente.
O OID deve ser único e imutável durante toda a existência dos objetos e também
deve ser valido para todo o banco de dados uma vez que ajudam na recuperação do
objeto e são utilizados para estabelecer relacionamentos entre os objetos.
5.3.3 HIERARQUIA DE CLASSES E HERANÇA PARA BDOO
Todo o conceito e característica de classe e herança da OO devem estar
presentes em BDOO. Diante disso outra importante capacidade em BDOO é o
gerenciamento do conceito de herança dentro de uma hierarquia de classes
armazenáveis. Da mesma forma que em linguagem de POO, os BDOO podem criar
novas classes em função de classes já existentes.
23
Uma hierarquia de classes oferece muito mais flexibilidade para efetuar
alterações na estrutura de um BDOO (incluindo novos atributos ou métodos nos
objetos) bem como possibilita a evolução do esquema de banco de dados através da
adição de classes novatas na hierarquia.
As “classes do sistema” são um exemplo típico da característica de herança
dentro de um SGBD orientado a objeto. Isto porque a maioria dos SGBD orientado a
objetos possuem uma coleção de classes e objetos dentro de sua estrutura. Essa coleção
esta estruturada de forma hierárquica. Caso necessário, uma determinada aplicação pode
herdar atributos e métodos dessas classes de sistema a fim de implementar suas próprias
classes. Em ressumo essas classes do sistema de SGBD orientado a objetos possuem
métodos que têm como propósito o armazenamento, manipulação, controle de
concorrência entre outras funções.
5.3.4 ENCAPSULAMENTO
De acordo com [NAU99], o conceito de encapsulameno para BDOO continua
sendo o mesmo, porém, quando se faz uma consulta ao banco de dados, não é possível
prever todas as consultas e atualizações que o usuário possa desejar. Assim, não se pode
agregar todos os métodos nas classes de antemão.
Sendo assim pode-se considerar que o encapsulamento não é adequado aos
BDOO em algumas situações, entretanto o encapsulamento é uma das características
fundamentais para POO e descartar o seu uso em BDOO pode descaracterizar
parcialmente o conceito de OO.
24
5.4 CONCEITOS DE BANCO DE DADOS PARA BDOO
Os BDOO sofrem adaptações em sua forma de gerenciamento assim como
sofrem adaptações na implantação dos conceitos de OO. Como mencionado
anteriormente, essas adaptações possibilitam o uso desses recursos nos BDOO.
Transações, concorrência, consultas são alguns exemplos dos quais necessitam
de uma adaptação para que possam ser usados em BDOO. A seguir será apresentado
todos esses recursos entre outros.
5.4.1 TRANSAÇÕES
“Tradicionalmente, uma transação é um programa que lê ou grava objetos
persistentes”. [KHO94]
Transação é um conceito fundamental de todo sistema de banco de dados. O
conceito fundamental de transação é englobar vários passos em uma única operação. Os
espaços intermediários entre esses passos não são vistos pelas demais transações
simultâneas e caso alguma falha impeça por ventura a finalização da transação, então
nenhum dos passos intermediários irá afetar o banco de dados, esteja ela em estado de
executado, em execução ou a executar.
Uma transação deve levar o banco de dados de um estado coerente para outro.
Para que essa coerência ocorra, cada transação de um banco de dados deve passar pelo
teste de ACID (Atomicidade, Coerência, Isolamento e Durabilidade).
• Atomicidade emprega o conceito de que uma transação é executada por
completo ou não é executada.
25
• Coerência emprega o conceito de que as transações mapeiam um banco
de dados persistente de um estado coerente para o outro.
• Isolamento emprega o conceito de que transações não lêem resultados
intermediários de outras transações não efetivadas.
• Durabilidade emprega o conceito de que uma vez que uma transação é
efetivada, seus efeitos ficam permanentemente no banco de dados,
mesmo que ocorram falhas.
As transações em BDOO podem ser definidas em três vertentes que serão
apresentadas a seguir.
5.4.1.1 TRANSAÇÕES DEMORADAS
Algumas transações em BDOO como CAD, CAM e CASE, exigem um modelo
diferenciado do modelo de banco de dados mais tradicionais.
Em SGBD mais tradicionais, as transações interagem (atualizam ou referenciam)
somente alguns registro, diante isto, tornam-se mais curtas. Alem disso esses tipos de
SGBD dão muita ênfase em medidas de performance (em tempos de TPS – transações
por segundo) e robustez (capacidade de recuperação). Já em SGBDOO, algumas
transações tendem a levar um tempo relativamente longo, isto porque SGBDOO
interagem com muitos objetos complexos, tornando as transações mais complexas e ao
mesmo tempo mais demoradas.
5.4.1.2 TRANSAÇÕES ANINHADAS
Transações aninhadas são utilizadas para melhorar as transações mais
demoradas. Esse modelo consiste em decompor a transação principal (transação de alto
26
nível) em subtransações, a fim de executá-las. Todas as subtransações devem ser
executadas com êxito para que se possa obter o resultado da transação principal.
Caso uma subtransações venha por ventura falhar, fica a critério da transação de
alto nível tentar executá-la novamente ou ate mesmo cancelá-la. Seguindo o conceito de
ACID, quando uma transação de alto nível é cancelada, por conseqüência todas as suas
subtransações também serão canceladas, independente do fato dessas terem sido
executadas com sucesso.
5.4.1.3 TRANSAÇÕES EM COOPERAÇÃO
Este modelo de transação é utilizado para resolver os problemas de transações
que necessitam trabalhar em conjunto para serem concluídas, sendo que essas
transações podem ser executadas por diversos usuários. Em um contraste das transações
mais tradicionais, as transações em cooperação podem ver os resultados imediatos umas
das outras.
5.4.2 CONCORRÊNCIA
Concorrência para SGBD permite o acesso simultâneo aos dados para diferentes
usuários. O mais notável algoritmo de controle de concorrência existente para SGBD
são os bloqueios, que se baseiam em uma estratégia de não deixar transações serem
executadas através de bloqueios, caso haja conflito no acesso e/ou atualização de um
objeto. Em SGBDOO cada objeto persistente pode ser bloqueado. Isto normalmente é
feito por meio de uma tabela de bloqueio que armazena os OID dos objetos bloqueados.
Existem vários tipos (modos) de bloqueios, porém os dois modos mais simples
são:
27
• Modo de Leitura
• Modo de Gravação
O modo de leitura (modo compartilhado) permite que diversas transações de
operações de leituras sejam executadas no mesmo objeto concorrentemente. O modo de
gravação (modo exclusivo) reserva o acesso (operações de leitura e gravação) de um
objeto à transação que contem esse bloqueio no momento. Quando uma transação
mantém um bloqueio exclusivo, sobre um objeto, nenhum outro bloqueio pode ser
disponibilizado. Esse controle do uso de bloqueio é feito por um recurso conhecido
como “matriz de compatibilidade”. Essa matriz gerencia se a solicitação de bloqueio
pode ser concedida ou não.
Segundo [KHO94] existem dois aspectos relevantes no que diz respeito ao
controle de concorrência em SGBDOO.
• Bloqueio de hierarquia de classe: as classes em BDOO são organizadas
em hierarquias de herança. Caso uma superclasse venha a ser bloqueada,
o mesmo ocorrerá de forma implícita para todas as suas subclasses, que
são descendentes diretas da superclasse.
• Bloqueio de objeto complexo: os BDOO podem conter objetos que
referenciam ou incorporam outros objetos, isto pode causar problemas,
pois algum objeto complexe pode possuir subobjetos bloqueados,
ocasionando problemas de atualizações e/ou possíveis problemas de
acesso. Tal problema pode ser resolvido pelo bloqueio de intenção. Neste
bloqueio as subclasses de uma classe não são bloqueadas implicitamente.
28
Somente as instancia dependentes do objeto-pai são bloqueadas. Diante
disso as outras instancias ficam livres para serem acessadas.
5.4.3 GERENCIAMENTO DE RECUPERAÇÃO
Como já visto anteriormente, as transações em BDOO, assim como em banco de
dados tradicionais, utilizam o conceito de atomicidade, isto quer dizer, ou são
executadas por completo ou não executam nada.
A confiabilidade e a grata recuperação de falhas que possam ocorrer é um fator
muito importante e que se encontra presente tanto em banco de dados tradicionais como
em BDOO.
Os BDOO possuem muitas formas de contornar algum possível problema
relacionado à falha em seu sistema. Mecanismo de duplicação ou espelhamentos de
dados são exemplos de recursos usados no gerenciamento de recuperação nos BDOO,
porém o recurso mais utilizado é sem duvida nenhuma é a estrutura de logs, que
consiste e armazenar imagens anteriores e posteriores dos objetos atualizados. A
imagem anterior é o estado do objeto antes de sua atualização e a imagem posterior é o
estado do objeto após sua atualização.
Ambas as imagens são registradas no log durante a execução normal das
transações. Diante isto, assim que houver uma falha, o sistema gerenciador de
recuperação é acionado com o intuito de efetuar a correção a fim de tornar o banco de
dados coerente novamente, através dos logs e dos dados da memória secundaria (disco
rígido).
29
5.4.4 VERSIONAMENTO
O controle de versão é uma característica importante e presente em alguns
sistemas como, por exemplo, CAD ou CASE. A necessidade de armazenar versões
anteriores devido a uma possível situação que seja imprescindível o uso desta versão é
muito comum hoje em dia em determinadas aplicações. Com isto, assim que um objeto
sofre uma alteração no banco de dados, é essencial o armazenamento da versão recém
atualizada.
De acordo com [KHO94], o gerenciamento de versões de um BDOO consiste
em um conjunto de ferramentas e construções que automatizam ou simplificam a
construção e a organização de versões ou configurações. Sem estas ferramentas, caberia
ao usuário criar e manter suas próprias versões.
Assim que um objeto é versionado, uma espécie de raiz que aponta para todas as
versões do objeto é criada. Durante o versionamento, um objeto pode sofrer desde
alterações em seu estado até modificações estruturais. A OID é a propriedade comum
entre todas as versões de um objeto.
5.4.5 CONSULTAS
O acesso a dados armazenados é feito basicamente de duas formas. Uma é pela
linguagem de programação, da qual utiliza os OID dos objetos e a outra é por
linguagem de consulta, em geral derivadas as SQL.
O acesso aos dados por meio de linguagem de programação vem tentar resolver
umas das principais criticas que os SGBD relacionais sofrem o chamado “não
casamento de impedâncias”. Quando se utiliza uma linguagem de programação
30
qualquer para o desenvolvimento de uma aplicação, é necessário reestruturá-la para que
se possa interagir com as linguagens de consultas de bancos de dados relacionais, já que
a única estrutura do MR é a relação. Isto também é valido para o contrario, ou seja,
assim que se obtém o resultado de uma consulta através da linguagem de consulta, é
necessária uma adaptação dos dados para a estrutura da linguagem de programação.
Quando se usa uma linguagem e um banco de dados de uma única estrutura, este
trabalho é poupado, implicando em diminuição de código e de tempo de execução, além
de possibilitar o compartilhamento de estruturas entre aplicações.
31
6 EXEMPLOS DE BDOO
Nos últimos anos foram produzidas inúmeras implementações de BDOO, entre
protótipos de empresa, pesquisas de universidades e produtos comerciais. Pode-se citar
o O2,ObjectStore, Orion, Postgres entre outros.
A seguir serão apresentadas as principais características de alguns sistemas
existentes. Também serão abordadas as estruturas de linguagens de definição e de
manipulação de dados dos respectivos sistemas.
6.1 O2
O sistema O2 inicialmente foi criado na França em 1988 através de um projeto
experimental conveniado. Com o fim do convênio em 1991 o sistema passou de projeto
experimental para um produto sendo comercializado pela empresa recém criada O2
Technology.
O sistema O2 fornece um ambiente gráfico para criação de telas (O2Look), um
browser para navegar entre os objetos do banco de dados. Para facilitar a migração a
partir de SGBD relacionais, há uma ferramenta de conversão e migração
(O2DBAccess). O sistema O2 fornece integração com as linguagens de programação C,
C++ e recentemente Java.
A declaração de dados ocorre através de uma linguagem (O2C) que se originou a
partir da linguagem C. Esta linguagem permite herança múltipla e não tem distinção na
declaração de objetos persistentes dos não-persistentes.
32
Os tipos de dados do O2 são boolean, character, integer, real, string e bit.
Existem também construtores de tipos complexos de dados, que podem ser aplicados
recursivamente.
A Figura 6.1 ilustra a declaração de dados do O2 .
O sistema O2 garante automaticamente a integridade referencial em seus
relacionamentos, ou seja, se um dos objetos for excluído do banco de dados, o sistema
automaticamente torna as referências a este objeto nulas.
A manipulação de dados no sistema O2 pode ser efetuada de duas formas: uma é
pela própria linguagem de programação nativa do sistema e a outra é pela OQL que é
uma linguagem de consulta do tipo SQL.
Já a persistência dos objetos é concedida ou através do comando “add name” que
faz com que o OID de um objeto seja associado a um nome de uma variável, para ser
recuperado posteriormente, ou quando um objeto é referenciado por um outro objetos
que já é persistente.
33
A Figura 6.2 ilustra a manipulação de dados do O2.
6.2 OBJECTSTORE
O sistema Objectstore é um banco de dados produzido pela empresa Object
Design Inc. Este sistema foi criado com o intuito de tornar a linguagem C++ uma
linguagem para banco de dados.
A principal característica do sistema Objectstore é a uniformidade no tratamento
de objetos comuns e persistentes, sem grande perda de desempenho, graças a um
esquema de uso de memória virtual.
34
Os objetos persistentes fazem parte da memória virtual, portanto ficam gravados
no disco.
Quando se faz um acesso as objeto, é gerada uma falha de página de memória no
sistema, que faz com que o objeto seja carregado na memória principal.
O sistema Objectstore usa tipos e a linguagem C++ como base. Diante disso as
declarações são quase idênticas ao C++, permitindo que programas escritos em C++
sejam convertidos para Objectstore.
A Figura 6.3 ilustra a declaração de dados do Objectstore.
O armazenamento de objetos no banco de dados ocorre ao declarar uma variável
do tipo database. Já a manipulação de dados ocorre através do uso de métodos.
35
A Figura 6.4 ilustra a manipulação de dados do Objectstore.
6.3 POSTGRES
O sistema Postgres é um protótipo desenvolvido na universidade da California,
Berkeley. Foi construído em linguagem C e teve como referência o Ingress (banco de
dados relacional).
O Postgres é baseado em um modelo relacional estendido, oferecendo objetos,
OID, objetos compostos, herança múltipla, versões, dados históricos (sendo esta uma
das principais características do banco de dados em questão) e uma linguagem de
consulta denominada Postquel.
A declaração de dados no Postgres tem como base o modelo relacional. O
sistema oferece um tipo abstrato de dados, para que se possa definir um novo tipo de
base de dados.
36
A Figura 6.5 ilustra a declaração de dados do Postgres.
Para a manipulação de dados, o sistema Postgres possui uma linguagem de
consulta derivada do Quel, linguagem de consulta do banco de dados relacional
antecessor (Ingres).
A Figura 6.6 ilustra a manipulação de dados do Postgres.
6.4 JASMINE
O sistema Jasmine foi criado no Japão pela empresa Fujitsu. Inicialmente o
gerenciador de objetos foi implementado como um tipo de “casca” de um banco de
dados relacional não-normalizado. Atualmente o Jasmine é comercializado pela
Computer Associates, sendo um dos primeiros BDOO a ser comercializado por uma
empresa de software de grande porte.
Para definição e manipulação de dados o Jasmine utiliza a linguagem ODQL
(Object Database Query Language). A ODQL pode ser usada tanto como linguagem de
consulta, como pode ser embutida em aplicativos escritos em C e C++.
37
O Jasmine possui recursos de herança múltipla. Sempre que uma classe é criada,
existe a necessidade de informar a qual família a mesma pertence. A unicidade do nome
da classe dentro de uma família é um fator fundamental.
A Figura 6.7 ilustra a declaração de dados do Jasmine.
Consultas no sistema Jasmine retornam normalmente retornam valores que são
atribuídos a uma variável, o que lembra o cursor de variável da linguagem SQL.
A Figura 6.8 ilustra a manipulação de dados do Jasmine.
38
7 CONCLUSÃO
Com o crescimento da utilização dos conceitos OO para desenvolvimento de
aplicações de alto nível, torna-se cada vez mais necessário que se utilize uma forma de
armazenamento em que os objetos possam ser modelados e armazenados sem que haja a
necessidade de transformação dos mesmos.
As necessidades de funcionalidade e desempenho da nova dimensão da
computação exigem bancos de dados que transcendam os limites do modelo relacional.
Com a utilização dos conceitos de OO é possível uma representação realista do mundo
dos dados complexos.
Ao estudar BDOO percebe-se que sua conceituação traz novos recursos antes
não existentes em bancos de dados puramente relacionais. Estes recursos surgiram pelo
largo uso de linguagens de programação orientada a objetos. Um dos desafios, em face a
este contexto de evolução da modelagem de dados sugerido pelos desenvolvedores de
bancos orientados a objetos, é a grande quantidade de aplicações estáveis que usam
bancos relacionais. Por isso, grande é o esforço em prol de padronizar as linguagens de
acesso aos BDOO de forma a difundir seu uso e aplicabilidade.
É errado pensar puramente que o BDOO são os substitutos da tecnologia atual
de banco de dados relacionais. Eles estão disponíveis para situações distintas, que
devem ser bem medidas para evitar sub aproveitamento de seus detalhes de
funcionamento.
Talvez motivado por esta situação que grandes projetos de bancos de dados
relacionais já adotaram alguns conceitos da orientação a objetos como a herança, tipos
abstratos de dados e funções personalizadas. Estes bancos, conhecidamente, como
39
objeto-relacional são cada vez mais usados em aplicações diárias como alternativas
mais estáveis, uma vez que boa parte dos projetos de BDOO não estão largamente
difundidos.
Diante disso pode-se afirmar que o trabalho contribui muito para o entendimento
do funcionamento dos BDOO, esclarecendo dúvidas e fixando novos conceitos sobre
esta tecnologia.
40
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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conhecimento, construa os seus / Valdemar W. Setzer e Flavio Soares Corrêa da Silva –
1º edição – São Paulo: Edgard Blucher, 2005.
[LIM09]
Lima, Adilson da Silva, 1959 – UML 2.2: do requisito à solução /
Adilson da Silva Lima. – 4. Ed ver. e atual – São Paulo: Érica, 2009.
[NAU99]
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Nassu, Valdemar W. Setzer – São Paulo: Blucher, 1999
[TON03]
Tonsig Sérgio Luiz – Engenharia de software / Sérgio Luiz Tonsig – São
Paulo: Futura 2003
[KOR93]
Korth, Henry F. – Sistemas de bancos de dados / Henry F. Korth,
Abrahem Silberschatz; tradução Mauricio Heihachiro Galvan Abe: revisão técnica
Sílvio Carmo Palmieri, - 2° Ed. – São Paulo: MAKRON Books, 1993.
[KHO94]
Khoshafian, Setrag – Banco de Dados Orientado a Objeto / Setrag
Khoshafian; tradução de Tryte Informática. – Rio de Janeiro: Infobook, 1994
41
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