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Português
TIPO DE PROVA: A
erros, mas e quanto aos erros cometidos ao
longo dos 500 anos de nossa história?
Luís Alberto da Conceição
REDAÇÃO
Redija uma dissertação a tinta, desenvolvendo um tema comum aos textos abaixo. Se necessário, utilize o verso da folha para concluir
seu trabalho.
Texto I
Raça é o grupo populacional que se distingue no interior da espécie por características que variam abruptamente, sem formas intermediárias. A genética provou que a espécie
humana não se divide em raças. As “raças
humanas” foram inventadas pelo racismo
“científico”, que se desenvolveu no século
XIX, oferecendo solução para o problema de
justificar a escravidão e a opressão colonial
num mundo impregnado pela noção de igualdade natural entre os seres humanos. A fraude científica do racismo permitia conciliar a
idéia de que “todos nascem livres e iguais”
com a convicção da inferioridade intelectual
de negros, ameríndios ou amarelos.
Comentário
Tema polêmico e que reflete discussão recente
em relação à reserva de vagas para negros no
Ensino Superior. A proposta permite diversos posicionamentos e possibilidades de desenvolvimento a partir da coletânea, como, por exemplo,
o aprofundamento quanto ao preconceito racial.
Texto para as questões de 01 a 03
Adaptado de Demétrio Magnoli
Texto II
É lógico que o sistema de cotas nas universidades, isto é, a reserva de um número de
vagas para negros, não é dos melhores, mas
pelo menos tirou a sociedade da letargia no
que tange aos problemas de educação dos negros no Brasil.
Adaptado de Lander Silva
Texto III
Antes de tudo, o sistema de cotas deveria
ser inconstitucional, pelo fato de discriminar
as pessoas pela cor. Só vem dar continuidade
a um sistema educacional que está falido há
muito tempo.
Marysol Bertolin Damasceno
Texto IV
Pela primeira vez a população branca
sentiu na pele os efeitos da discriminação racial. É certo que o sistema de cotas tem seus
Questão 1
O texto permite afirmar que
a) o menino, contradizendo seu novo lema, se
entristece com o julgamento feito pelo tigre.
b) o menino, antes mesmo de optar pelo lema
que comunica ao tigre, levava uma vida despreocupada.
c) a frustração experimentada pelo menino o
levava à preocupação, que o incomodava.
d) o menino grita, no terceiro quadrinho, para
enfatizar seu estado de preocupação.
e) o menino, antes de se decidir por sua nova
postura em face da vida, se preocupava com
tudo.
português/redação 2
alternativa E
alternativa C
A fala de Calvin, no primeiro quadrinho, justifica a
alternativa: "Eu decidi parar de me preocupar com
tudo".
Calvin se mostra radical e intransigente ao afirmar
que decidiu parar de se preocupar com tudo. A
expressão "Que se dane!!" denota, no texto, descaso.
Questão 2
Texto para as questões de 04 a 06
Seu metaléxico
Sobre o segundo quadrinho, é correto afirmar que
a) a expressão facial do menino evidencia satisfação e entusiasmo com as constatações
que acaba de fazer.
b) a ausência de vírgula depois da oração Se
você se preocupa comprova que ela tem função sintática distinta da desempenhada por
Se não se preocupa.
c) por retomar uma lista de fatos já mencionados pelo menino, a expressão nada disso
está adequadamente empregada no trecho.
d) a palavra você é utilizada para se referir
ao tigre e também para tornar o que se diz
válido para as pessoas em geral.
e) a posição das mãos do menino enfatiza o
estado colérico em que ele se encontra.
A palavra economiopia segue o mesmo modelo de formação lexical presente em
a) “aguardente”.
b) “pé-de-moleque”.
c) “passatempo”.
d) “minissaia”.
e) “antidemocrático”.
alternativa D
alternativa A
Você, além de pronome de tratamento de 3ª pessoa, também pode ter um caráter genérico, indefinido: alguém.
Em economiopia (economia + miopia), há a perda
de fonema, o que caracteriza o processo de aglutinação, tal como em aguardente: água + ardente.
economiopia
desenvolvimentir
utopiada
consumidoidos
patriotários
suicidadãos
José Paulo Paes
Questão 4
Questão 3
Questão 5
Assinale a alternativa correta sobre o trecho
Esse lema é meio forte.
a) O tigre é direto e indelicado ao expor sua
opinião contrária ao lema proposto pelo menino.
b) O tigre, por ser muito sutil e elegante com
as palavras, impede a compreensão de sua
opinião pelo menino.
c) O uso de meio forte sugere que, para o tigre, a postura do menino contém uma dose de
radicalismo e intransigência.
d) Chamar o lema de forte significa considerá-lo coerente e capaz de derrotar com facilidade outros lemas.
e) O tigre aceita as idéias do pequeno companheiro e manifesta seu apreço por opiniões
radicais.
Considere as seguintes afirmações sobre o
texto.
I. Recupera a estética do poema-piada, produzido por Oswald de Andrade na primeira
fase do Modernismo brasileiro.
II. Denota influência do movimento concretista brasileiro, iniciado na década de 50.
III. Imita o estilo de João Cabral de Melo
Neto, o que se comprova pela busca da síntese poética e pelo aproveitamento do chiste.
Assinale:
a) se todas as afirmações estiverem corretas.
b) se todas as afirmações estiverem incorretas.
c) se apenas I e II estiverem corretas.
d) se apenas II e III estiverem corretas.
e) se apenas I estiver correta.
português/redação 3
alternativa C
I. (V): o autor busca com sua seqüência de neologismos produzir humor, levar o leitor ao riso, de
modo crítico: a miopia da economia (ou dos economistas), a mentira do desenvolvimento, etc.
II. (V): o concretismo propunha um intenso trabalho no nível dos significantes (forma) para chegar
a novos significados (conteúdo).
III. (F): João Cabral propõe a "engenharia de palavras", recusando, porém, o tratamento piadístico
do poema, muitas vezes comum entre os primeiros modernistas.
Questão 6
met(a)– . [Do gr. metá, adv. e prep.] Pref. 1. =
‘mudança’; ‘posteridade’, ‘além’; ‘transcendência’; ‘reflexão crítica sobre’: metafonia, metamórfico, metacronismo, metapsíquico, metalinguagem.
Dicionário Aurélio
Tendo por base o verbete de dicionário transcrito acima, é correto afirmar que, no poema,
a) o emprego de palavras inventadas evidencia a intenção de tornar o conteúdo secundário em relação à forma, tendência comum aos
poetas brasileiros do século XX.
b) a modificação de estruturas vocabulares
propõe ao leitor uma reflexão sobre a manipulação das palavras nos contextos político e
econômico, intenção reforçada pelo título.
c) as modificações feitas em palavras comuns
explicitam o objetivo de conferir-lhes um caráter transcendente, místico, metapsíquico.
d) o uso de palavras inventadas corresponde
a uma crítica à gramática normativa da língua portuguesa, fato reforçado pela mensagem que se depreende do texto.
e) as unidades utilizadas para criar os vocábulos tornaram-se irreconhecíveis, devido à
complexidade dos processos de formação de
palavras empregados.
alternativa B
Com suas "brincadeiras vocabulares", José Paulo
Paes procura pôr em evidência o quanto certas
palavras como "desenvolvimento", "patriota/patriotismo", etc. são usadas para seduzir e/ou manipular as pessoas.
Questão 7
Socorro
Alguém me dê um coração
Que este já não bate nem apanha.
Arnaldo Antunes e Alice Ruiz
Assinale a alternativa correta.
a) Apanhar pode ser entendido como “sofrer”,
o que inviabiliza a compreensão de bater
como “pulsar”.
b) O terceiro verso qualifica o termo coração
e, portanto, do ponto de vista sintático, é uma
oração adjetiva.
c) O terceiro verso funciona como explicação
para o pedido de socorro e, pela lógica, deveria ser o segundo verso do texto.
d) A utilização do verbo apanhar contribui
para a combinação de dramaticidade e humor
do texto.
e) O terceiro verso fornece um exemplo da
idéia veiculada no segundo, de necessidade
de um novo órgão físico.
alternativa D
O uso de apanhar junto a bater confere a este um
caráter polissêmico, significando tanto pulsar
quanto fazer sofrer, o que transmite a sensação
de dramaticidade. Por outro lado, o complemento
"nem apanha" é tão imprevisível que provoca um
imediato efeito de humor com a inesperada nova
significação que o verso pode assumir.
Texto para as questões de 08 a 13
01
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Se, pela pronúncia, você está desconfiado
de que a nossa palavra xará surgiu de alguma expressão indígena, acertou. “Ela
tem origem em sa rara, um derivado de
se rera, que significa aquele que tem o
mesmo nome, em tupi”, diz o etimologista
Cláudio Moreno. No sul do Brasil, usa-se
também a palavra tocaio com o mesmo
significado. Vem do espanhol tocayo que,
por sua vez, tem origem na frase ritual latina que a noiva dizia ao noivo quando a
comitiva nupcial vinha buscá-la em casa:
“Ubi’tu Caius, ibi ego Caia” (Onde fores chamado Caio, ali eu serei Caia). Por
transmitir a idéia de que a noiva, ao se casar, passava a ter o mesmo nome do noivo,
a palavra passou a ser usada como sinônimo de xará.
Adaptado de Rodrigo Cavalcante
português/redação 4
Questão 8
Questão 10
De acordo com o texto, é correto afirmar que,
a) em todo o Brasil, as palavras xará e tocaio
são utilizadas com o mesmo sentido, isto é,
com o significado de “pessoa que tem o mesmo nome”.
b) quando se casavam, os romanos modificavam seus nomes originais para Caio ou Caia,
conforme o sexo.
c) entre os latinos, havia a palavra xará, que,
com o surgimento da tradição de chamar os
noivos de Caio ou Caia, passou a contar com
o sinônimo tocaio.
d) nas cerimônias religiosas, Onde fores chamado Caio, ali eu serei Caia era uma promessa da noiva latina dirigida à comitiva nupcial.
e) no tupi, a expressão Se rera, aquele que
tem o mesmo nome, apareceu antes de Sa
rara.
Sobre o trecho Se, pela pronúncia, você está
desconfiado de que a nossa palavra xará surgiu de alguma expressão indígena, acertou, é
correto afirmar que
a) corresponde a um trecho de diálogo real
travado entre o redator do texto e os especialistas em língua portuguesa.
b) explora a função referencial da linguagem,
que impõe certa distância entre o texto e o leitor.
c) exemplifica o que chamamos de discurso
direto livre, já que reproduz uma pergunta do
leitor, tal como foi elaborada.
d) corresponde a um trecho de diálogo entre o
redator do texto e o leitor Cláudio Moreno.
e) explora o recurso de simular um diálogo
entre o redator e o leitor do texto, a fim de
motivar a leitura.
alternativa E
O texto é claro na passagem: "Ela (a palavra
‘xará’) tem origem em sa rara, um derivado de
se rera..."
Questão 9
Depreende-se do texto que
a) palavras ou expressões de origem diferenciada devem apresentar significados diferentes.
b) o vocabulário do português do Brasil contém palavras de diversas origens, entre as
quais, a espanhola e a tupi.
c) palavras de uma língua incorporadas ao
vocabulário de outra mantêm a forma original inalterada.
d) o vocabulário do português do Brasil foi
formado entre os tupi, que incorporaram alguns termos espanhóis e latinos.
e) no sul do Brasil, o termo xará é desconhecido, porque naquela região existe o equivalente tocaio.
alternativa B
O texto aborda o fato de que o português no Brasil sofreu influência de várias línguas.
alternativa E
O pronome de tratamento "você" refere-se ao
receptor da mensagem, no caso, a um hipotético leitor, simulando desse modo uma conversa
entre quem fala (ou escreve) e quem lê: redator e leitor.
Questão 11
Depreende-se do texto que
a) a forma da palavra tocaio tem origem no
trecho da frase ritual latina que guarda semelhança de pronúncia com ela (Ubi’tu Caio).
b) frase ritual é uma frase mística que empregamos para evitar a má sorte dos cônjuges, como “Eu vos declaro marido e mulher”.
c) Cláudio Moreno é o responsável pelas informações sobre o significado das palavras
xará e tocaio.
d) etimologista é quem estuda a distribuição
das palavras da língua pelas diferentes regiões do país.
e) Onde fores chamado Caio, ali eu serei Caia
é uma construção informal e íntima, empregada em sentido literal.
alternativa A
"Tocaio" é a transformação fonética de tu Caio.
português/redação 5
Questão 12
Assinale a alternativa correta.
a) Em Se, pela pronúncia, você está desconfiado..., o uso de vírgulas isola uma expressão
que fragmenta a oração condicional.
b) Em quando a comitiva nupcial vinha buscá-la em casa, o termo em destaque tem o
mesmo valor de “sempre que”.
c) A expressão por sua vez (linha 10) tem o
mesmo valor de “por outro lado”, já que o trecho em que se insere opõe os sentidos do termo em espanhol e português.
d) Ao se casar agrega ao texto o sentido de
condição, tal como a oração inicial (Se ... você
está desconfiado).
e) Em diz o etimologista Cláudio Moreno (linhas 6 e 7), o segmento o etimologista Cláudio Moreno tem a função sintática de objeto
direto.
alternativa A
A expressão pela pronúncia está deslocada, intercalada no meio da oração condicional, fragmentando-a. Neste caso, a expressão intercalada
deve vir obrigatoriamente entre vírgulas.
Questão 13
Assinale a alternativa correta.
a) Em ali eu serei Caia, o verbo “ser” tem por
significado “ter o nome de”, como em “Qual de
vocês é a Maria Cordeiro?”.
b) Em Onde fores Caio, ali eu serei Caia, a
presença da palavra ali é indispensável para
a apreensão do sentido do trecho da segunda
oração.
c) Em Onde fores Caio, ali eu serei Caia, a
forma fores corresponde à segunda pessoa do
plural (vós), o que acentua o seu caráter formal e cerimonioso.
d) Do trecho a comitiva nupcial vinha buscá-la em casa, deve-se entender que a casa
em questão é a do redator do texto.
e) No trecho a palavra passou a ser usada
como sinônimo de xará, deve-se entender
palavra como a frase ritual citada anteriormente.
alternativa A
Onde (tu) fores (chamado) Caio, ali eu serei (chamada) Caia.
Texto para as questões de 14 a 17
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Antes de concluir este capítulo, fui à
janela indagar da noite por que razão os
sonhos hão de ser assim tão tênues que
se esgarçam ao menor abrir de olhos ou
voltar de corpo, e não continuam mais. A
noite não me respondeu logo. Estava deliciosamente bela, os morros palejavam
de luar e o espaço morria de silêncio.
Como eu insistisse, declarou-me que os
sonhos já não pertencem à sua jurisdição. Quando eles moravam na ilha que
Luciano lhes deu, onde ela tinha o seu
palácio, e donde os fazia sair com as
suas caras de vária feição, dar-me-ia explicações possíveis. Mas os tempos mudaram tudo. Os sonhos antigos foram
aposentados, e os modernos moram no
cérebro da pessoa. Estes, ainda que quisessem imitar os outros, não poderiam
fazê-lo; a ilha dos Sonhos, como a dos
Amores, como todas as ilhas de todos os
mares, são agora objeto da ambição e da
rivalidade da Europa e dos Estados Unidos.
Machado de Assis – D. Casmurro
palejavam: tornavam pálidos
Questão 14
Assinale a alternativa correta sobre D. Casmurro.
a) A linguagem concisa e objetiva do autor
são recursos usados a fim de não prejudicar o
desenvolvimento linear da narrativa.
b) O aproveitamento da mitologia segue o
princípio da mimese (“imitação”) de tradição
clássico-renascentista.
c) A idealização da natureza é prova da influência que o Romantismo exerceu sobre o
estilo machadiano.
português/redação 6
d) A crítica ao determinismo cientificista é índice do estilo naturalista de Machado de
Assis.
e) A digressão permite ao narrador interromper o fluxo narrativo para tecer comentários
críticos em tom irônico.
alternativa E
A interrupção da narrativa (digressão), criando um
espaço para as reflexões do narrador, é uma
constante do estilo machadiano.
Questão 15
Assinale a alternativa correta.
a) fui à janela indagar da noite (linhas 1 e 2)
é conclusão de A noite não me respondeu logo
(linhas 5 e 6).
b) os sonhos hão de ser assim tão tênues (linhas 2 e 3) é conseqüência de que se esgarçam ao menor abrir de olhos (linhas 3 e 4).
c) a ilha dos Sonhos, como a dos Amores,
como todas as ilhas de todos os mares, são
agora objeto da ambição e da rivalidade da
Europa e dos Estados Unidos (linhas de 20 a
24) é explicação de não poderiam fazê-lo (linhas 19 e 20).
d) Como eu insistisse (linha 9) estabelece relação de comparação com declarou-me (linha 9).
e) por que os sonhos hão de ser assim tão tênues que se esgarçam ao menor abrir de olhos
(linhas de 2 a 4) é causa de Antes de concluir
este capítulo fui à janela indagar da noite (linhas 1 e 2).
alternativa C
"Estes [os sonhos modernos], ainda que quisessem imitar os outros, não poderiam fazê-lo,
[pois/porque] a ilha dos Sonhos, como a dos
Amores, como todas as ilhas de todos os mares,
são agora objeto da ambição e da rivalidade da
Europa e dos Estados Unidos."
Questão 16
No texto, o elemento noite é exemplo de
a) metáfora, devido à comparação explícita
entre noite e “Deus”.
b) metonímia, devido à analogia entre noite e
“sonhos”.
c) prosopopéia, já que noite é elemento inanimado que responde ao narrador.
d) hipérbole, pois seu sentido está ampliado.
e) catacrese, por ser uma metáfora cristalizada pelo uso popular.
alternativa C
Trata-se de um processo de personificação da natureza: "[A noite] declarou-me que os sonhos...".
Questão 17
Assinale a alternativa que apresenta fragmento da epopéia camoniana, extraído do
episódio “A ilha dos amores”, a que o texto
faz referência.
a) Volve a nós teu rosto sério, / Princesa do
Santo Gral, / Humano ventre do Império, /
Madrinha de Portugal.
b) Ali, em cadeiras ricas, cristalinas, / Se assentam dous e dous, amante e dama; / Noutras, à cabeceira, de ouro finas, / Está co’a
bela deusa o claro Gama.
c) Se encontrares louvada uma beleza,/ Marília, não lhe invejes a ventura,/ que tens quem
leve à mais remota idade/ a tua formosura.
d) Este lugar delicioso, e triste, / Cansada de
viver, tinha escolhido / Para morrer a mísera
Lindóia.
e) Choraram da Bahia as ninfas belas, / Que
nadando a Moema acompanhavam; / E vendo que sem dor navegam delas, / À branca
praia com furor tornavam.
alternativa B
O episódio de "A Ilha dos Amores" tem evidente
sentido erótico, tal como expresso, por exemplo,
no verso "Se assentam dous e dous, amante e
dama". Além disso, a referência a Vasco da
Gama associa imediatamente o texto à obra de
Camões.
Textos para as questões de 18 a 20
Texto I
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.
português/redação 7
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
Camões
Texto II
Amor é fogo? Ou é cadente lágrima?
Pois eu naufrago em mar de labaredas
Que lambem o sangue e a flor da pele
[acendem
Quando o rubor me vem à tona d’água.
E como arde, ai, como arde, Amor,
Quando a ferida dói porque se sente,
E o mover dos meus olhos sob a casca
Vê muito bem o que devia não ver.
Ilka Brunhilde Laurito
Questão 18
Assinale a alternativa correta sobre o texto I.
a) Expressa as vivências amorosas do “eu” lírico em linguagem emotivo-confessional.
b) Apresenta índices de linguagem poética
marcada pelo racionalismo do século XVI.
c) Conceitua o amor de forma unilateral, revelando o intenso sofrimento do coração apaixonado.
d) Notam-se, em todos os versos, imagens
poéticas contraditórias, criadas a partir de
substantivos concretos.
e) Conceitua positivamente o amor correspondido e, negativamente, o amor não-correspondido.
alternativa B
Camões procura conceituar o amor, ou seja,
apreendê-lo pela razão.
a) A liberdade formal dos quartetos, associada à contenção emotiva, é índice da influência parnasiana.
b) Por seguir os princípios estéticos clássicos,
sua expressão é de teor mais universalista
que individualista.
c) O caráter reflexivo das interrogativas iniciais impede que a linguagem seja marcada
por índices de emotividade.
d) Recupera, do estilo camoniano, a preferência por imagens paradoxais, como, por exemplo, mar de labaredas.
e) Vale-se de recursos estilísticos conquistados pelos modernistas, como, por exemplo,
versos decassílabos e expressão coloquial.
alternativa D
O texto II estabelece uma relação de intertextualidade com o texto I, associando ao tema alguns
paradoxos, como "mar de labaredas" e "o rubor
me vem à tona d’água".
Questão 20
Assinale a alternativa correta.
a) O texto I, com sua regularidade formal, recupera do texto II o rígido padrão da estética
clássica.
b) Os dois textos, ao negarem uma concepção
carnal do amor, enaltecem o platonismo amoroso.
c) O texto I e o texto II são convergentes no
que se refere à concepção do sentimento amoroso.
d) O texto II contesta o texto I no que se refere ao ponto de vista sobre o amor.
e) Os dois textos convergem quanto à forma
e à linguagem, mas divergem quanto ao conteúdo.
alternativa D
Questão 19
Assinale a alternativa correta sobre o texto II.
O texto II questiona a definição camoniana ("Amor
é fogo? Ou é cadente lágrima?"), bem como contesta explicitamente o texto I ao afirmar que "a ferida dói porque se sente".
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