...

análise espacial da mudança do leito do rio taquari entre

by user

on
Category: Documents
3

views

Report

Comments

Transcript

análise espacial da mudança do leito do rio taquari entre
CENTRO UNIVERSITÁRIO UNIVATES
CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLÓGICAS
CURSO DE ENGENHARIA AMBIENTAL
ANÁLISE ESPACIAL DA MUDANÇA DO LEITO DO RIO TAQUARI
ENTRE OS MUNICÍPIOS DE MUÇUM E ARROIO DO MEIO/RS
Marcelo Capra
Lajeado, Junho de 2014
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
Marcelo Capra
ANÁLISE ESPACIAL DA MUDANÇA DO LEITO DO RIO TAQUARI
ENTRE OS MUNICÍPIOS DE MUÇUM E ARROIO DO MEIO/RS
Monografia apresentada na disciplina de
Trabalho de Conclusão de Curso II, na linha
de formação específica em Engenharia
Ambiental,
do
Centro
Universitário
UNIVATES, como parte da exigência para a
obtenção do título de Bacharel em
Engenharia Ambiental.
Orientador: Prof. Ms. Rafael Rodrigo Eckhardt
Co-orientador: Prof. Ms. Henrique Carlos
Fensterseifer
Lajeado, Novembro de 2014.
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
“Dedico este trabalho a minha
família, que é meu exemplo, meu porto
seguro, por toda compreensão, amor, paz
e pela educação que me deram tornando
o homem que sou hoje.”
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
Agradecimentos
Agradeço aos meus pais Elise e Pedro pela educação e ensinamentos que
me deram, que sem eles hoje não estaria onde estou e nem seria a pessoa que sou,
paciência e poio quando precisava
Aos meus irmãos André e Renato pela preocupação, atenção, apoio e
incentivo nos momentos de dificuldade.
A minha namorada Marina Valduga pelo amor, compreensão, carinho,
companheirismo, por ter ajudado nas horas difíceis, por me tranquilizar em
momentos de tensão e por estar sempre ao meu lado.
A minha chefa Lucilene Mallmann por ser compreensiva, pelos
conhecimentos transmitidos e pela oportunidade de trabalho durante a minha
graduação.
Ao meu orientador Rafael Rodrigo Eckhardt, que através de seu
conhecimento e competência esteve compromissado com o auxílio na elaboração
desta monografia.
Ao professor Henrique Carlos Fensterseifer, pela disponibilidade de me ajudar
quando mais precisava, pelo aprendizado transmitido.
Por fim, aos professores do curso de Engenharia Ambiental, pela dedicação
em ensinar e de mostrar o caminho do saber.
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
RESUMO
Os ambientes fluviais sofrem mudanças no seu traçado com passar dos anos em
função de fatores naturais ou de ações antrópicas. As modificações naturais são
decorrentes da interação de vários fatores físicos, climáticos e bióticos. O presente
estudo tem o objetivo de analisar a dinâmica espacial do leito do Rio Taquari, de
Muçum até Arroio do Meio. O estudo foi desenvolvido com a utilização de imagens
obtidas por sensoriamento remoto e ferramentas de geoprocessamento. Foram
utilizadas as bandas 3, 4 e 5 do sensor TM, do satélite Landsat 5, datada de 13 de
dezembro de 1987 e as bandas 4, 5 e 6, do sensor OLI, do satélite Landsat 8,
datada de 20 de dezembro de 2013. Tais imagens foram selecionadas por
representarem vazões similares do rio em datas defasadas no tempo. Após a etapa
de georreferenciamento, foi vetorizado o leito do Rio Taquari, mediante digitalização
em tela. Foram realizadas operações de álgebra de mapas para avaliar a variação
da área na largura do Rio Taquari, além de avaliações do deslocamento lateral do
rio, das áreas de sedimentação e da formação das ilhas. A avaliação da variação da
largura foi realizada com o traçado de seções transversais espaçadas em um km.
Com o resultado dos levantamentos constatou-se que, entre os anos de 1987 e
2013, houve um aumento da área e da largura em vários segmentos do Rio Taquari,
decorrente da erosão das margens e proporcionando o surgimento de ilhas fluviais.
Em outros setores, ocorreu o estreitamento da calha fluvial, decorrente do acumulo
de sedimentos. Com o levantamento constatou-se que no trecho houve uma
migração lateral do rio na direção da margem direita. Estas mudanças no sistema
fluvial, ao longo do tempo, são definidas pela interação de fatores como o
embasamento geológico do percurso, a resistência relativa das rochas, o volume e a
velocidade do corpo hídrico em cada segmento, do volume e natureza da carga
sedimentar, do comportamento dinâmico de fluxos hídricos, da forma da calha e as
interferências da vegetação insular, marginal e da planície de inundação.
Palavras-chave: PAISAGEM, EROSÃO, DINÂMICA FLUVIAL, SENSORIAMENTO
REMOTO, GEOPROCESSAMENTO.
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
ABSTRACT
The fluvial environments suffer changes in its layout over the years due to natural
factors or anthropic actions. Natural modifications result from the interaction of
several physical, climatic and biotic factors. The present study aims to analyze the
spatial dynamics of the Taquari riverbed from Muçum to Arroio do Meio. The study
was developed with the use of images obtained by remote sensing and
geoprocessing tools. The bands 3, 4 and 5 of TM sensor of the Landsat 5, dated
from December 13th, 1987 and the bands 4, 5 and 6, of OLI sensor of the Landsat 8,
satellite, dated from December 20th, 2013 were used. These images were selected
because they represent similar flows in the river with a time span. After
georeferencing, the Taquari riverbed was vectored by scanning from the computer
screen. Map algebra operations were performed to evaluate the variation in the width
of the Taquari area, the river’s lateral displacement, and the sedimentation areas and
the formation of islands. The evaluation of the width variation done through the
drawing of cross sections evenly spaced by one kilometer. With the results of the
survey it was found that between the years of 1987 and 2013, there was an increase
in the area and width in different segments of the Taquari river, due to bank erosion,
providing the emergence of river islands. In other sectors, the narrowing of the
riverbed, due to sediment accumulation occurred. The study also shows that, through
the surveyed length, there was a lateral migration of the riverbed towards the right
bank. These changes in the fluvial system, over time, are defined by the interaction
of factors such as the bedrock of the riverbed, the relative resistence of the rock, the
volume and speed of the water body in each segment of the volume and nature of
sediment load, the dynamic behavior of water flows, the shape of the riverbed and
the interference of vegetation in islands, banks and in the floodpain.
Keywords: LANDSCAPE, EROSION, DYNAMIC RIVER, REMOTE SENSING, GIS.
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
LISTA DE FIGURAS
Figura 1- Perfil Longitudinal Ilustrando as Mudanças de um Curso de Água ............ 20
Figura 2 – Evolução de meandro .............................................................................. 24
Figura 3 - Zona de manejo ripário ............................................................................. 25
Figura 4 – Processos Fluviais ................................................................................... 28
Figura 5 – Processo de Captação de dados ............................................................. 33
Figura 6 - Localização da bacia Taquari-Antas no estado do Rio Grande do Sul ..... 36
Figura 7 - Mapa da bacia Taquari-Antas ................................................................... 37
Figura 8 - Mapa da Bacia Taquari-Antas mostrando a parte alta média e baixa ....... 40
Figura 9 – Área de estudo entre os municípios de Muçum e Arroio do Meio ............ 42
Figura 10 - Fluxograma ............................................................................................. 46
Figura 11 – Ilustração da mudança do Leito do Rio .................................................. 48
Figura 12 - Análise da extensão das margens do Rio Taquari .................................. 50
Figura 13 – Demonstração do procedimento de estudo da Largura do Rio Taquari
através dos vetores ................................................................................................... 53
Figura 14 – Ilustração do Processo de Medição do leito do rio através da
sobreposição ............................................................................................................. 56
Figura 15 – Ilustração do método utilizado de avaliação das ilhas no Rio Taquari ... 58
Figura 16 – Pontos de sedimentos no leito do Rio Taquari ....................................... 61
Figura 17 - Foto da rocha promontória situada no município de Roca Sales ........... 64
Figura 18 - Depósitos de cascalho e conglomerado nas margens do Rio Taquari ... 65
Figura 19 - Ilha fluvial consolidada entre os municípios de Encantado e Roca Sales
.................................................................................................................................. 66
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 – Quantidade da área de variação do leito do Rio Taquari ........................ 47
Tabela 2 - Extensão das margens do Rio Taquari nos anos de 1987 e 2013 ........... 49
Tabela 3 - Largura do Rio Taquari através de vetores em 1987 e 2013. .................. 51
Tabela 4 – Resultados da Quantidade de Área da Migração do Rio Taquari entre
1987 e 2013 .............................................................................................................. 54
Tabela 5 – Quantidade de Área das ilhas ................................................................. 57
Tabela 6 – Áreas de sedimentação no Rio Taquari .................................................. 59
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
LISTA DE ABREVIATURAS
ANA
-
Agência Nacional de Águas
FEPAM
-
Fundação Estadual de Proteção Ambiental
GIS
-
Geographic Information System
IBGE
-
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
INPE
-
Instituto Nacional de Pesquisa Espacial
RGB
-
Red, Green e Blue
RMS
-
Root-Meant-Square
RS
-
Rio Grande do Sul
SIG
-
Sistema de Informação Geográfica
UTM
-
Universal Transverse Mercartor
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................... 11
2 OBJETIVO ......................................................................................................... 14
2.1
Objetivo Geral ................................................................................................. 14
2.1.1
Objetivos Específicos .................................................................................. 14
3 REFERENCIAL TEÓRICO ................................................................................. 15
3.1
Paisagem........................................................................................................ 15
3.2
Dinâmica Fluvial ............................................................................................. 18
3.2.1
Erosão, Sedimentação e Transporte........................................................... 21
3.2.2
Vegetação Ripária e Dinâmica Fluvial ........................................................ 24
3.2.3
Relação das Enchentes e Inundações com a Dinâmica Fluvial .................. 26
3.3
Geotecnologias ............................................................................................... 29
3.3.1
Geoprocessamento e SIG ........................................................................... 30
3.3.2
Sensoriamento Remoto .............................................................................. 32
3.4
A bacia hidrográfica Taquari-Antas ................................................................ 34
3.4.1
Geomorfologia da bacia Taquari-Antas....................................................... 37
3.4.2
Principais processos Dinâmicos da Bacia Taquari-Antas ........................... 39
4 METODOLOGIA ................................................................................................ 41
4.1
Caracterização da área de estudo .................................................................. 41
4.2
Materiais e Software ....................................................................................... 42
4.3
Imagens .......................................................................................................... 43
4.4
Metodologia .................................................................................................... 43
4.5
Georreferenciamento ...................................................................................... 44
4.6
Vetorização..................................................................................................... 45
4.7
Avaliação do leito fluvial do Rio Taquari ......................................................... 45
5 RESULTADOS E DISCUSSÕES ....................................................................... 47
5.1.1
Variação do Leito do Rio ............................................................................. 47
5.1.2
Variação da Margem do Rio ....................................................................... 49
5.1.3
Análise da Largura do Rio ........................................................................... 51
5.1.4
Análise da Migração do Leito ...................................................................... 54
5.1.5
Avaliação das Ilhas do Rio Taquari ............................................................. 57
5.1.6
Análise do depósito de Sedimentos ............................................................ 59
5.2
Processos que Interferem na Modificação do Leito do Rio............................. 62
6 CONCLUSÃO .................................................................................................... 68
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 70
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
11
1 INTRODUÇÃO
A paisagem em que vivemos é formada a partir de vários sistemas, ou seja,
um conjunto de elementos que mantém relações entre si. Assim, o solo, a água, a
vegetação são elementos estruturais do meio que mantém relações entre si através
de fluxos e ciclos. As ligações entre os elementos do sistema resultam em um grau
de organização, num certo espaço e num determinado tempo (BERTRAND, 1972).
Essas organizações que ocorrem na paisagem são desencadeadas pela ação
de agentes naturais e humanos. Esses agentes que se manifestam no tempo e no
espaço, são conhecidos como fenômenos, desta forma, erosão, inundação,
enchente e assoreamento são fenômenos que normalmente depositam os
sedimentos e afetam as áreas mais baixas onde ficam localizados os rios e canais
fluviais (SANTOS, 2007).
Os rios são os principais e os mais importantes agentes modeladores
topográficos, sendo que o escoamento nos canais fluviais exibem diversas
características dinâmicas, que são responsáveis pelas qualidades atribuídas aos
processos fluviais. A dinâmica fluvial é um dos elementos que integram o sistema
físico e ambiental de uma bacia, tendo como objetivo os processos de transporte,
erosão e deposição de sedimentos. Sendo um grande contribuinte para a formação
geomorfológica das paisagens e pela permanente esculturação do relevo superficial
terrestre (CHRISTOFOLETTI, 1980).
12
Um dos elementos de grande influência sobre a dinâmica fluvial é a
vegetação ripária, por exercer uma resistência mecânica do solo em barrancos,
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
resistência ao fluxo, no armazenamento de sedimentos, estabilidade do leito e na
dinâmica do canal. A vegetação na zona ripária também tem a função de modificar a
eficiência da dinâmica fluvial dos eventos de inundação (KOBIYAMA, 2003).
A inundação é um fenômeno natural que ocorre nos cursos fluviais, sendo
que as elevações dos níveis da água variam de pequena a grande dimensão,
causando transbordamento do seu canal principal, transportando os sedimentos, e
depositando as frações mais grosseiras nas margens (SANTOS 2007).
O transporte de sedimentos nos canais fluviais não ocorre diretamente das
nascentes para os oceanos, sendo que partes dos sedimentos são estocadas ao
longo da trajetória do canal do rio, gerando as planícies fluviais. As relações entre a
dinâmica das correntes fluviais e os tipos e quantidades de cargas sedimentares
determinam os regimes de transporte e estabelecem uma variedade na forma do
canal fluvial. Estes processos de transformação ou os ajustes dos padrões do canal
fluvial com a combinação das variáveis ao longo do tempo e do espaço, são
denominados de processos dinâmicos fluviais (ZANCOPÉ, 2008).
Esses processos dinâmicos estão relacionados com os fenômenos de
inundação e transporte de sedimentos, entre outros. Essa mudança na dinâmica
fluvial pode ser observada e analisada a partir da utilização das ferramentas
geotecnológicas. Dentre essas ferramentas pode-se ressaltar o geoprocessamento,
SIG (Sistema de Informação Geográfica) e sensoriamento remoto (SANTOS, 2004).
As geotecnologias podem ser entendidas como o conjunto de tecnologias que
envolvem o processamento, análise, coleta e disponibilização de informação com
uma posição definida no espaço, ou seja, tendo referências geográficas. Dentre as
geotecnologias se destacam: SIG, sensoriamento remoto e o geoprocessamento.
Sendo que estas se tornaram importantes para o desenvolvimento de estudos
espaciais e temporais dos movimentos terrestres globais, locais e regionais,
tornando as geotecnologias importantes para o estudo aprofundado da dinâmica
fluvial e da paisagem (SANTOS, 2004).
13
A importância de estudar o leito do Rio Taquari é que as mudanças no canal
podem influenciar nos componentes que estão ao seu redor, ocasionando a perda
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
da vegetação ripária, tornando o solo mais vulnerável aos processos erosivos.
No alto curso do rio das Antas o escoamento fluvial apresenta elevada
declividade, tendo uma ação erosiva intensa. Além dessa característica também
conta a falta da vegetação ciliar, a falta de normas técnicas e aplicações de métodos
racionais de plantio. Normalmente, ocorre a intensificação da erosão das margens
do rio Taquari nos períodos de chuvas prolongadas, que consequentemente
provocam sua cheia. Estes materiais provenientes da erosão são transportados
pelas águas do rio para seu baixo curso, que está localizado no município de Muçum
à jusante (FERRI, 1991).
O trabalho tem como finalidade analisar os processos dinâmicos do rio
Taquari no trecho de Muçum até Arroio do Meio, tendo como foco a análise das
mudanças do canal como mudança do leito, a variação da largura e os locais de
sedimentação e acúmulo de cascalhos, com auxílio das geotecnologias.
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
14
2 OBJETIVO
2.1 Objetivo Geral
O objetivo geral deste estudo é avaliar a mudança do leito do rio Taquari de
Muçum até Arroio do Meio com o propósito de identificar os locais com maior
deposição de sedimentos e a modificação de sua trajetória durante o tempo, com o
auxílio das ferramentas de sensoriamento remoto, geoprocessamento e SIG.
2.1.1 Objetivos Específicos
I.
Analisar a mudança do leito e a variação da largura do rio Taquari no
Trecho de Muçum a Arroio do Meio;
II.
Avaliação das áreas de acúmulo de sedimentos e a formação de ilhas;
III.
Avaliar a migração do leito do rio e seus possíveis danos a áreas
circunvizinhas.
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
15
3 REFERENCIAL TEÓRICO
3.1 Paisagem
O planeta Terra apresenta variações em sua história a mais de 4,5 milhões de
anos, desenvolvendo uma longa história, complexa e repleta de constantes
transformações que evidenciam uma sucessão de estados que se alteram entre
situações de não equilíbrio e equilíbrio, resultando em diferentes paisagens
(SANTOS 2007).
Segundo Befete e Fachini (2008), para o geógrafo francês Jean Tricart
paisagem
é: “uma porção perceptível a um observador onde se inscreve uma
combinação de fatores visíveis e invisíveis e interações as quais, num dado
momento, não percebemos senão o resultado global”.
Para Santos (2007) paisagem é uma sequência de mudanças que ocorrem ou
que ocorreram na paisagem em uma determinada fração do tempo. Já o geógrafo
francês Georges Bertrand (1972), conceituou a paisagem como sendo uma
determinada porção do espaço que resulta da combinação dinâmica dos elementos
físicos, biológicos e antrópicos, os quais interagindo dialeticamente uns sobre os
outros, formam um conjunto único e indissociável em perpétua evolução.
16
O sistema de evolução é definido por uma série de agentes e de processos,
onde os agentes naturais se evidenciam pela biologia e clima, que determinam o
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
processo natural da paisagem (BERTRAND 1972).
A paisagem no ambiente em que vivemos se forma a partir de vários
sistemas, ou seja, um conjunto de elementos que mantém relações entre si. Assim
sendo, o solo, a água, a vegetação são elementos estruturais do meio que mantém
relações de fluxos e ciclos. As ligações entre os elementos do sistema resultam em
um grau de organização, num certo espaço e num determinado tempo (BERTRAND,
1972).
Sendo assim, a paisagem tem se formado por inúmeros componentes, desde
elementos microscópicos até elementos com alta capacidade de controle e
apropriação sobre o seu meio, como o homem. A paisagem está sob a influência de
fatores químicos, bióticos, físicos, culturais e sociais. São tantos os fatores que
mudam a dinâmica da paisagem que dificilmente pode-se compreender em sua
totalidade. Para entender a importância da paisagem é necessário compreender
frações de tempo muito maiores do que a existência do homem na Terra, e obter
uma sistêmica que considere os diferentes elementos de composição do meio, onde
se sobrepõem os espaços e arranjos antes formados pelos elementos naturais,
interferindo, de maneira conclusiva, nas relações e dinâmicas antes de nossa
existência, estabelecidas no decorrer dos anos por fatores naturais e não naturais.
Este
fato
é
facilmente
constatado
pelo
rastro
de
degradação
e
pelo
comprometimento das paisagens que hoje se vivencia (SANTOS 2007).
Segundo Santos (2007), o que vemos hoje nada mais é que um retrato dos
acontecimentos do passado e, sem dúvida, não será o mesmo no futuro da nossa
paisagem. A água da chuva e o vento são exemplos de agentes naturais que
modificam a paisagem, separando e transportando grãos da superfície de um solo
para acumular em outro local. Manifestando-se no tempo e no espaço, causando
transformações oriundas da ação dos agentes, chamados de fenômeno, hora
resultantes exclusivamente de agentes naturais, hora acelerados ou induzidos pelas
ações humanas. Cada um desses fenômenos citados pode ser descrito pelo seu
próprio processo e a cada estado que se identifica, nesse processo é chamado de
17
evento. Eventos não ocorrem na mesma velocidade, porém podem ocorrer no
mesmo espaço.
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
Segundo Santos (2007), a paisagem dentro de seu espaço dinâmico, que
associa diferentes padrões, apresentam mecanismos e condições específicas.
Quando o objetivo é evitar ou minimizar a ocorrência de um impacto negativo de
grande magnitude, como a erosão e assoreamento, é necessário, em primeiro lugar,
perceber os principais padrões, mecanismos e fatores que a paisagem apresenta,
para depois tomar decisões sobre o seu controle. Os mecanismos e condicionantes
originados pelas forças da natureza se apresentam por variações de longas datas,
assim explicando a formação de paisagens. Cada uma delas apresenta uma
determinada vulnerabilidade à ação humana, devido às características e funções de
seus componentes. Porém, é necessário considerar que componentes como o clima,
a composição terrestre, as características e propriedades dos terrenos são
elementos do sistema que não podem ser facilmente alterados pelo homem. Em
uma escala maior, os efeitos da ação humana podem ser muito mais sentidos pelo
próprio homem do que pela natureza. Nada melhor para ilustrar esse fato como
apresentar o comportamento da água em diferentes escalas de observação e em
diferentes níveis de interferência. Entretanto, é importante destacar que em estudos
de paisagem, a água e a vegetação representam elementos fundamentais para
entender a dinâmica e a vulnerabilidade de um território, em função de suas
sensibilidades às condições impostas.
Quanto à instabilidade paisagística a dinâmica tem como princípio base à
morfogênese e pedogênese. Com isso, o balanço morfogenético é estabelecido
pelos componentes perpendicular e paralelo. O perpendicular é a ação da infiltração,
facilitada pela cobertura vegetal, na qual implica na modificação da natureza
bioquímica e com isso iniciando o processo de pedogênese. Já o paralelo é a ação
do efeito erosivo, que é intensificado pela retirada da cobertura vegetal e iniciando o
processo da morfoescultura (CASSETI, 1991).
As mudanças que ocorrem na paisagem são desencadeadas pela ação de
agentes naturais e humanos, também conhecidos como fenômenos, desta forma,
erosão, inundação, enchente e assoreamento são fatores responsáveis pelo
18
depósito de sedimentos afetando as áreas mais baixas onde se localizam os rios e
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
canais fluviais (SANTOS 2004).
3.2 Dinâmica Fluvial
A dinâmica fluvial é a área que estuda os cursos da água e as bacias
hidrográficas. Sendo considerada uma área de extrema importância por discutir o
funcionamento natural ou por ações antrópicas nos canais fluviais. Podendo ser
dada ênfase à drenagem da bacia, à variação da quantidade de sedimentos
transportados, sua geometria, alargamento e estreitamento, bem como, a
composição das margens e a quantificação da erosão a partir de vários fatores
naturais ou antrópicos, levando em conta a topografia, a cobertura vegetal e o clima
(PENTEADO, 1983)
A geometria de um sistema fluvial reflete em um estado de quase equilíbrio
entre vários fatores inter-relacionados, tais como, carga sedimentar, diâmetro dos
sedimentos transportados e descarga, que são controlados por agentes externos,
como a litologia, relevo e clima. Sendo o declive do canal um fator dependente,
ajustado aos processos atuantes dentro do canal. Outros agentes dependentes são
a largura e profundidade do canal, a velocidade de fluxo e a rugosidade do leito
(SUGUIO; BIGARELLA 1979).
Os canais fluviais constituem os agentes mais importantes no transporte de
sedimentos, funcionando como condutores de escoamento das áreas elevadas para
as mais baixas, sendo os receptores finais das alterações que ocorrem na bacia
hidrográfica. Isto é, os processos de erosão, transporte e deposição de um sistema
fluvial variam no decorrer do tempo e, espacialmente, são interdependentes,
resultando não apenas das mudanças do fluxo, como também da carga existente.
Portanto, quando se faz uma análise geral de uma bacia hidrográfica, não se podem
considerar os processos de erosão, transporte e deposição separadamente, além de
outros elementos que interferem na dinâmica e funcionamento desse sistema
(CHRISTOFOLETTI, 1980).
19
Uma bacia hidrográfica é subdividida em canais cada vez menores de jusante
para montante. Os cursos iniciais que fluem diretamente do subsolo para gerar a
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
bacia são chamados de cursos de primeira ordem. Esses cursos de primeira ordem
se juntam com os cursos de segunda ordem e assim por diante, até que todos se
juntam e formam um único rio. Conforme a quantidade de água de um rio aumenta,
o declive tende a diminuir, na direção jusante, ou seja, o declive é a função inversa
da vazão (PENTEADO, 1983).
A água que escoa em um canal fluvial está sujeita as forças gravitacional,
inércia, pressão e atrito. Essas forças lançam a água em direção jusante, onde se
encontram as regiões mais baixas da bacia hidrográfica, dependendo do perfil
longitudinal de um dado segmento do canal de drenagem. O perfil longitudinal
(FIGURA 1) do canal fluvial representa a relação entre a altimetria e o comprimento
do canal em diferentes pontos da nascente à foz. Normalmente o perfil longitudinal
tem a forma côncava, que representam a declividade alta com o sentido para a
nascente e a baixa com o sentido para a jusante, o perfil longitudinal define o nível
base de um rio, onde não ocorre mais a erosão fluvial. O nível de base para um
canal fluvial que despeja suas águas no oceano é o nível do mar, já para os rios que
não despejam suas águas no mar, como os rios de primeira ordem, o nível base
deles é dado pelo perfil longitudinal do canal de segunda, terceira ou quarta ordem
no ponto de confluência.
20
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
Figura 1- Perfil Longitudinal Ilustrando as Mudanças de um Curso de Água
Fonte: FISRWG (1998)
Conforme a medida da vazão de um rio, no sentido jusante, a profundidade, a
largura e a velocidade da corrente do canal aumentam, tornando os rios mais largos
e mais profundos à medida que o volume e a vazão cresçam a jusante.
Com o aumento da vazão, a energia e a velocidade da corrente fluvial tendem
a aumentar, e com isso estão sujeitas a dois tipos de forças: força bruta e força
líquida. A força bruta é a energia do escoamento de uma corrente num determinado
ponto do canal. Já a força líquida é a força da energia bruta reduzida da energia
usada no atrito e no transporte dos sedimentos. Se a força bruta for menor que a
força líquida o rio tende a cavar, mas se a força bruta for maior que a força líquida o
rio tende a depositar e se a força bruta for igual à energia absorvida pelo atrito mais
a energia absorvida pelo transporte, resulta que a força líquida é igual à zero, ou
seja, o rio não cava e nem deposita sedimentos, apenas transporta. Quando a força
líquida for negativa o rio tende a perder parte da carga, fazendo com que o leito seja
levantado. Com isso a declividade do fundo do leito também tende a aumentar,
consequentemente aumentando a velocidade do fluxo e a força bruta (PENTEADO,
1983).
Assim, o canal fluvial tende a estabelecer uma inclinação onde as correntes
não possam mais erodir e nem depositar, tendo o canal fluvial em equilíbrio, ou seja,
o canal apenas transporta sedimentos (PENTEADO, 1983).
21
Este estado de equilíbrio pode ser alterado com o resultado das atividades
humanas, como a substituição da vegetação ripária por cultivo agrícola, movimento
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
tectônico inclinando o leito modificando o declive, também as mudanças climática
podem modificar o estado de equilíbrio, como a contribuição do rio (volume) e o
abaixamento no nível do mar dando lugar a retomada erosiva do rio principalmente
em sua foz (SUGUIO e BIGARELLA 1990).
Sabendo que a declividade de um rio é mais baixa a jusante que a montante,
ele tende a modificar o seu leito por erosão ou deposição, para estabelecer o
equilíbrio entre a energia e a resistência, mas quando a energia da corrente começa
a diminuir, ocorre o processo de deposição da carga iniciando pelos sedimentos
mais grossos. À medida que as águas do rio se elevam, ele tende a escavar o canal
no sentido das margens e no fundo, modificando o seu leito. Com a velocidade
crescendo favorece o transporte aumentando a carga vinda da montante
(CHRISTOFOLETTI, 1980).
Quando ocorre a diminuição da velocidade, novamente a carga é depositada.
Esse material que pavimentava o leito do rio move-se para baixo e o leito é ocupado
por novos sedimentos vindos de montante.
3.2.1 Erosão, Sedimentação e Transporte.
Segundo Florenzano (2008), os rios são poderosos agentes modeladores
capazes de erodir, transportar e depositar sedimentos. A potência de um rio é
definida pela sua capacidade de erosão e de transporte dos sedimentos.
Segundo Coelho (2008), o potencial de erosão, o transporte e a deposição de
sedimentos das margens de um rio estão ligados à velocidade, turbulência e a vazão
da corrente fluvial, resultando em uma condição de equilíbrio do canal. Qualquer
mudança que ocorra em seu canal fluvial acarretará no rompimento do equilíbrio,
modificando as condições de intensificação da erosão, deposição e transporte até
achar um novo estado de equilíbrio. Isto é, os processos de erosão, transporte e
deposição de um sistema fluvial variam no decorrer do tempo e, espacialmente, são
interdependentes, resultando não apenas das mudanças do fluxo, como também da
carga existente.
22
Dessa forma, a erosão, o transporte e a sedimentação estão interligados,
sendo processos diferentes da mesma dinâmica, consequentemente resultado dos
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
diferentes fluxos existentes no canal. O período de maior erosão das laterais e dos
sedimentos transportados ocorre quando o rio está cheio devido às altas
precipitações. A percepção do potencial erodido só é visível quando o nível do rio
volta ao seu estado normal, assim podendo perceber inúmeros acúmulos de
deposição dos sedimentos no seu trajeto (CARNEIRO et al, 2009).
A erosão do solo é um processo natural, praticamente impossível de ser
extinto, com dificuldade em ser controlado e facilmente acelerada pela atividade
antrópica, como em função da retirada da cobertura vegetal original, o manejo
impróprio de solos produtivos, a exploração inadequada de terras próximas aos
cursos de água, com a ocupação das terras por usos inadequados, e principalmente,
com a falta de planejamento de ocupação. Mas a intensidade e a magnitude da
erosão têm relação com as condições naturais do meio, como a declividade,
vulnerabilidade do terreno, tipo de solo e relação entre o volume de água
precipitada, infiltrada e escoada (CHRISTOFOLETTI, 1980).
O deslocamento e o transporte do sedimento dependem da força e do
escoamento exercido sobre ele, tendo em consideração o tamanho, peso do
sedimento, ou seja, quanto maior e mais pesada for a partícula maior será o
escoamento e a força exercida sobre ele. Quando não há mais força para deslocar a
partícula, ocorre o processo de deposição. Esses depósitos podem ser transitórios
ou permanentes, assim ocorrendo o processo de assoreamento. Um depósito
permanente de sedimentos sofre o efeito do seu próprio peso e do peso da água,
compactando-o. A capacidade máxima de transporte de sedimentos de um rio é
conhecida como valor de saturação. Esse valor depende de muitos fatores, tais
como declividade do rio, vazão, peso específico e granulometria do sedimento, ou
seja, haverá depósito se a quantidade do material for maior que o valor de
saturação. Se o valor for menor ocorrerá erosão fluvial e transporte ao longo do
canal (CARNEIRO et al, 2009).
Segundo Suguio e Bigarella (1980), os canais aumentam seu comprimento
devido à erosão remontante, que resulta do solapamento da base, principalmente
onde a camada superficial é protegida por vegetação ou solo. Já o alargamento dos
23
canais ocorre devido à rigorosa corração lateral, (processo químico entre a água e
as rochas), contra as paredes durante as enchentes, ou quando a migração dos
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
meandros (curvas do rio) age contra as laterais do canal. Normalmente, o
alargamento dos vales ocorre como resultado do intemperismo e de consequentes
movimentos de massa nas vertentes do vale conforme o rio aprofunda seu leito.
Já Guerra e Cunha (2007), dizem que a causa da erosão das paredes do
fundo do leito ocorre através de três formas: pelas ações corrasivas ou efeito
abrasivo das partículas em transporte contra as rochas tentando reduzir a
rugosidade do leito. Já a ação corrosiva tem como resultado a dissolução de
material solúvel no decorrer do curso da água ainda no solo e o impacto hidráulico
que resulta da força da água chocando-se contra o leito do canal fluvial, fazendo
com que as partículas do solo se desprendam, e sejam transportadas para outro
local.
Segundo Florenzano (2008), o rio pode erodir seu canal verticalmente,
cavando o fundo, ou lateralmente, fazendo o trabalho de alargamento do canal. O
processo de cavar o rio é denominado como erosão vertical e o de alargamento do
leito é denominado como erosão lateral. A erosão vertical dos canais fluviais ocorre
quando existe a remoção de areia e cascalho do seu leito. A erosão lateral acontece
quando as margens do canal são removidas.
Entretanto, uma outra formação responsável por determinar o alargamento do
canal fluvial é a formação de meandros (curvas do traçado de um rio FIGURA 2),
sendo o resultado do trabalho da corrente, de escavação na margem côncava e de
deposição na margem convexa, que pode mudar a forma do rio conforme a
intensidade e a energia fluvial do canal (PENTEADO, 1983).
24
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
Figura 2 – Evolução de meandro
Fonte: Penteado (1983).
Nos canais fluviais que apresentam a formação de meandros o fluxo da água
com uma elevada aceleração expressa um excesso de pressão sobre o lado externo
do meandro, fazendo com que ocorra a erosão do canal, e na margem interna
ocorre à falta dessa pressão fazendo com que o sedimento se deposite. O material
erodido da margem côncava de um meandro, normalmente é depositado na próxima
margem convexa do meandro seguinte, a jusante, e não na margem oposta. Ou
seja, na parte interna do canal meandrante ocorre o acúmulo de sedimentos, e
enquanto isso do lado externo do mesmo meandro ocorre à erosão do canal fluvial
(SUGUIO E BIGARELLA, 1990).
3.2.2 Vegetação Ripária e Dinâmica Fluvial
Segundo Lima et al, (2006), a mata ciliar é conhecida também com a
denominação de zona ripária, que vem do latim “ripariu”, que significa marginal. O
limite da zona ripária em tese se daria até o alcance da planície de inundação e da
superfície livre de água até o fundo da zona de transição entre a água subterrânea e
a água superficial, conforme ilustra a Figura 3.
25
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
Figura 3 - Zona de manejo ripário
Fonte: Kobiyama, (2003).
Segundo Rodrigues e Leitão Filho (2001), a zona ripária é de suma
importância por desempenhar uma eficiente filtragem superficial dos sedimentos,
defensivos agrícolas, poluentes e sedimentos que seriam transportados para o curso
d’água. Outra função importante associada com a recuperação da vegetação ciliar é
contribuir para o aumento do armazenamento da água na microbacia ao longo da
zona ripária no período de seca.
A interação entre a mata ciliar e o meio aquático tem uma grande influência
para abastecer constantemente o rio com material orgânico, galhos e troncos. Esses
materiais orgânicos cumprem sua função como alimento para a biota aquática
(RODRIGUES e LEITÃO FILHO 2001). Já a rugosidade das margens tem seu
aumento por causa da mata ciliar, galhos e troncos caídos, que também favorecem
para a desaceleração das zonas turbulentas e assim diminuindo o processo de
deposição de partículas e sedimentos ao longo do rio, tendo como função a
estabilização das margens, evitando o deslizamento do solo e consequentemente o
seu assoreamento (SACHÄFFER. et al, 2011).
Segundo Silva (2003), as zonas ripárias apresentam muitas funções para a
dinâmica fluvial. Algumas dessas funções são descritas a seguir:
26

Estabilização dos taludes e encostas: a vegetação ripária auxilia na
formação junto ao solo uma camada protetora contra a erosão causada
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
pelo escoamento superficial e pela chuva. Nas encostas as raízes
atuam como estabilizadora de taludes, contribuindo para a fixação do
solo acima de rocha;

Manutenção da morfologia do rio e proteção a inundações: a
vegetação preserva os meandros dos rios, e com isso diminui a
velocidade do escoamento e também a erosão, aumentando a
infiltração da água no solo durante as inundações. A vegetação
também diminui a quantidade de água que chega ao rio através do
processo de infiltração, desta maneira a quantidade de água
transportada é menor e consequentemente menor serão os danos.
A vegetação ripária tem uma grande influência sobre a dinâmica fluvial, por
exercer uma resistência mecânica do solo em barrancos, resistência ao fluxo, no
armazenamento de sedimentos, estabilidade do leito e na morfologia do canal. A
vegetação na zona ripária também tem a função de modificar a eficiência da
dinâmica fluvial dos eventos de inundação e enchente (KOBIYAMA, 2003).
3.2.3 Relação das Enchentes e Inundações com a Dinâmica Fluvial
Enchente é um fenômeno natural que ocorre nos cursos de água. Sendo que
enchente consiste na elevação dos níveis de um curso da água, variando de
pequenas a grandes dimensões, causando transbordamento do seu canal principal
(SANTOS 2007). Segundo Oliveira et al, (2010), enchente é a elevação do nível de
água de um rio, acima de sua capacidade natural de escoamento, em período de
alta precipitação, podendo causar inundações nas áreas conhecidas como planície
de inundação.
Segundo Christofoletti (1980), as planícies de inundação normalmente são
conhecidas no Brasil como várzeas, que são constituídas da maneira mais comum
de sedimentação fluvial.
27
Essa definição é propicia porque nas inundações parte dessa área é
inundada, tornando-se o leito do rio.
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
No período de cheia, ao transbordar, as águas têm a sua velocidade
bruscamente diminuída, assim provocando à deposição da fração mais grosseira de
sua carga em suspensão nas margens do canal formando os depósitos de diques
naturais, que são muros de sedimentos ao redor do leito do rio aumentado a altura
de suas margens. Já os sedimentos mais finos constituídos como sendo a carga em
suspensão é espalhada pela planície de inundação, originando os depósitos de
planície de inundações ou de várzea (SUGUIO e BIGARELLA, 1990).
Segundo Suguio e Bigarella (1990), nas planícies de inundação existem dois
modos de formação das deposições, um é a acreção lateral e a acreção vertical. Da
acreção vertical se faz através da carga suspensa durante as cheias, sendo
responsável pelos depósitos dos diques marginais e das bacias de inundação. A
acreção lateral se faz da carga do leito, resultando nas barras de meandros e as
ilhas aluviais. Conforme a ilustração abaixo na Figura 4.
As cheias do canal tem como resultado os processos entre a acreção vertical
e a acreção lateral, apesar de que os depósitos aluviais forma-se de sedimentos da
carga do leito ou da carga em suspensão. Quando ocorre a cheia na planície de
inundação normalmente tem a formação da acreção lateral, mas para ocorrer a
acreção vertical é necessário que tenha a ação de dois fatores o interno e o externo.
Os fatores internos é a velocidade do fluxo, a taxa de imigração dos canais e o
tamanho do grão da carga em suspensão. Os fatores externos são relacionados
com as mudanças do nível de base da corrente ou com o soerguimento do aterro.
28
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
Figura 4 – Processos Fluviais
Fonte: Christofolleti 1980
Nas regiões de clima úmido, que é o caso da bacia Taquari-Antas, as
planícies de inundação são responsáveis por caracterizar a paisagem do fundo do
vale. Nos rios que se encontram em climas úmidos, por regra, tem como a alta
velocidade do transbordamento junto com o forte fluxo da água, sendo que a
deposição resultante é formada por sedimentos grosseiros, conglomerados e areia.
A sedimentação inicia-se com areia, e logo após torna-se silte e argila.
Normalmente, nota-se na intercalação dos sedimentos finos, a presença de uma
camada grosseira, depositada de uma única enchente, o que prova a flutuação da
quantidade de água durante a cheia, na planície de inundação (SUGUIO;
BIGARELLA 1980).
A deposição de matérias oriundas de enchentes e inundação contribui para a
mudança da dinâmica fluvial. Para se ter uma visão mais detalhada dessa mudança
na dinâmica fluvial, são usadas ferramentas geotecnologias para conhecimento mais
29
detalhado. Dentre essas ferramentas pode-se ressaltar o geoprocessamento, SIG e
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
sensoriamento remoto.
3.3 Geotecnologias
Através dos tempos, cresce a cada dia, os números de problemas em que as
geotecnologias e suas ferramentas podem ser utilizadas. A utilização e a aplicação
das ferramentas desenvolvidas pelas geotecnologias vêm do fato de que, os
espaços urbanos, rurais e ambientais podem ser conhecidos, controlados e
monitorados em relação ao uso e modificações do solo. Os dados adquiridos por
essas tecnologias podem ser um importante instrumento para compor o controle e o
desenvolvimento das modificações da paisagem, tanto por órgãos públicos e
privados. Assim o uso das geotecnologias torna-se vantajoso por apresentar baixo
custo, facilidade e agilidade no desenvolvimento dos resultados (PRADO, 2004).
As geotecnologias constituem-se em um conjunto de tecnologias que
envolvem o processamento, análise, coleta e disponibilização de informação com
uma posição definida no espaço, ou seja, tendo referência geográfica. Dentre as
geotecnologias se destacam: o SIG, sensoriamento remoto e o geoprocessamento.
Sendo que estas se tornaram indispensáveis para o desenvolvimento de estudos
espaciais e temporais dos movimentos terrestres globais, locais e regionais,
(PANTOJA et al, 2009).
Para o futuro dos cursos hídricos é de fundamental importância o papel das
geotecnologias,
especialmente
as
ferramentas
de
sensoriamento
remoto,
geoprocessamento e sistemas de informação geográfica que disponibilizam dados
adequados para a construção e validação, onde podem ser citadas três vantagens
das geotecnologias em recursos hídricos (TEIXEIRA, 2008):

Potencial de obter dados sobre a superfície terrestre de grandes áreas;

Obtenção de registros das imagens para análise das mudanças da
paisagem;

Potencial de adquirir dados especializados sobre um lugar de
observação pontual.
30
Outra vantagem da integração dos Sistemas de Informações Geográficas nos
levantamentos de dados sobre os recursos hídricos são o suporte que os mesmos
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
podem proporcionar na obtenção e na análise de informações espaciais, fornecendo
dados para modelos de simulação e sistemas de suporte para decisões.
3.3.1 Geoprocessamento e SIG
A evolução da tecnologia de geoprocessamento e de Softwares gráficos,
fizeram com que muitos termos surgiram para as várias especialidades encontradas.
A tecnologia de SIG é um nome muito utilizado e por isso que em muitos casos é
confundida com o geoprocessamento. O geoprocessamento reproduz qualquer tipo
de processamento de dados que esteja georreferenciado, enquanto isso o SIG
processa dados gráficos e não gráficos alfanuméricos que tenham destaque em
modelagem de superfície em análise espacial (ROSA, 2005).
O termo geoprocessamento vem do inglês geomatics, que é uma ciência ou
tecnologia
relacionada
ao
armazenamento,
levantamento,
mapeamento,
sensoriamento remoto e SIG. O geoprocessamento é dado como um campo de
atividade que integra todos os meios de gerenciamento de dados espaciais, usados
em aplicações cientifica, técnicas, legais e administrativas, envolvidas no
gerenciamento e produção de informação espacial (FILHO, 1997).
No
Brasil,
conhecimentos
o
geoprocessamento
como,
por
exemplo,
é
uma
área
sensoriamento
que
envolve
remoto,
vários
cartografia,
fotogrametria, geologia, geodésia, ciência da computação e SIG (FILHO, 1997).
O geoprocessamento é um conjunto de ferramentas que utiliza técnicas
matemáticas e computacionais para que possa ser feito o tratamento das
informações geográficas, ao mesmo tempo considera-se que o geoprocessamento é
uma ferramenta que tem a capacidade de processar as funções que representam os
processos ambientais. Esse conjunto de ferramentas também é conhecido como
geotecnologias. As ferramentas que se incluem nas geotecnologias são: os sistemas
de desenho assistido por computador, os sistemas de cartografia digital, os sistemas
de informações geográficas e os sistemas de processamento de imagens
(DUCATTI, 2010).
31
Mas no momento de abordar sobre as técnicas de geoprocessamento de uma
maneira mais ampla, pode-se encontrar uma dificuldade. Essa dificuldade consiste
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
em representar todas as vareáveis e propriedades do mundo real, pois estas são
mais complexas do que a capacidade atual dos programas de geoprocessamento
em representá-las (COUTO, 2007).
Entretanto, para se obter uma boa representação do mundo real, mais perto
da realidade pelo geoprocessamento, não se pode dispensar uma base cartográfica
confiável, e adequada à integração dos dados georreferenciados, do local em estudo
(COUTO, 2007).
Assim para obter os benefícios proporcionados pela tecnologia de
geoprocessamento são citados quatro aspectos de georreferenciamento: a
localização geográfica do local que o dado representa, a descrição geográfica do
local que cada dado representa, o intervalo de tempo em que o local geográfico
existe e o relacionamento entre o local geográfico com outros locais representados
no sistema. Tais aspectos representam fenômenos ou entidades geográficas,
naturais ou criadas pelo homem, da qual são distribuídas na superfície da terra,
sendo que necessário para sua captura o empregado de técnicas de levantamento
de campo e sensoriamento remoto, os quais devem ser convertidos em dados
digitais para o seu armazenamento. Para que ocorra o armazenamento de dados
foram criados vários programas, mas entre tantos programas tem um que se
destaca, que é o SIG. O SIG oferece o armazenamento de dados de diversas fontes,
onde qualquer pessoa pode manipular e analisar estas informações de maneira de
fácil compreensão (FILHO 1997).
O SIG (sistema de informação geográfico), que também pode ser conhecido
como GIS (geographic information systems), é um conjunto de ferramentas
composto por software e hardware que estão submetidos a uma organização de
pessoas interligadas e integradas em um banco de dados georreferenciados visando
à possibilidade de capturar, recuperar, modelar, armazenar, manipular e analisar as
questões ligadas ao espaço físico geográfico através dos produtos gerados pelo
sistema de arquivos alfanuméricos (tabela) e gráficos (mapas). Para que o usuário
possa gerar arquivos alfanuméricos e gráficos com os dados do SIG é necessário
que ele tenha algum conhecimento em determinados campos da ciência humano,
32
tais como: cartografia, gerenciamento das informações, conhecimento em
informática, topografia, geografia e processamento de imagens digitais (SANTOS,
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
2004).
Embora o SIG fosse criado como uma ferramenta para os cartógrafos, nas
últimas duas década, ele ganhou um uso generalizado nos projetos e análises das
engenharias, em especial nos campos da qualidade de água, da hidrologia e da
hidráulica. Muito esforço tem sido investido para conectar o SIG com os modelos
matemáticos, para uma visualização facilitada dos dados. Permitindo que os SIG
funcionem como uma ferramenta do planejamento, sendo que os dados hidráulicos
sejam utilizados para estudos da dinâmica dos rios e para os mapeamentos das
áreas inundáveis (ECKHARDT, 2008).
Com isso, o SIG e o geoprocessamento são entendidos como ferramentas
fundamentais que processam dados e informações georreferenciadas para que
possa ser analisado o desenvolvimento na dinâmica fluvial e da dinâmica da
paisagem, com o passar do tempo. Sendo que através do geoprocessamento e do
conjunto de técnicas que possibilita a aquisição de informações sobre a área em
estudo, e analisando os dados espaciais através do SIG que por sua vez permite à
compatibilidade das informações provenientes dos sensores remotos (SILVA;
ZAIDAN, 2009). Assim podendo ser realizado os processos de criação de mapas de
sobreposição do canal fluvial do rio Taquari e da paisagem ao seu redor, bem como
uma análise multitemporal da área em estudo, com imagens de satélites atuais e
ultrapassadas, mostrando de forma gradual a dinâmica ocorrida no local.
3.3.2 Sensoriamento Remoto
O sensoriamento remoto foi desenvolvido para captar informações, como
imagens da superfície Terrestre a uma distância remota. Segundo a INPE (2014)
conceitua que “O sensoriamento remoto é o conjunto de técnicas que possibilita a
obtenção de informações sobre objetos, áreas e fenômenos na superfície terrestre,
através do registro da interação da radiação eletromagnética com a superfície,
realizado por sensores distantes, ou remotos”.
33
As informações obtidas da superfície terrestre são coletadas por sensores
remotos que são aparelhos capazes de detectar a radiação eletromagnética em
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
determinada faixa do espectro, registrando e gerando um produto numa forma
adequada para ser interpretada e entendida pelo usuário. O sensoriamento remoto é
o conjunto de sensores que são utilizados em equipamentos de processamento de
dados, como satélites e aeronaves que tem como objetivo estudar o ambiente
terrestre através das análises entre a radiação eletromagnética e as matérias que
compõem a superfície terrestre, ou seja, quando o sol ilumina a terra a energia por
ele gerada é refletida pela superfície terrestre em direção ao sensor, onde parte é
captada e registrada por ele, e os dados registrados são enviados para uma central
(FLORENZANO, 2002). O processo de captação de dados está ilustrado abaixo na
Figura 5.
Figura 5 – Processo de Captação de dados
Fonte: Florenzano (2002).
Na atualidade, existem muitos sensores remotos em satélites, que fornecem
imagens para estudos e análise da cobertura terrestre. Entre eles existem os de
resolução espacial que são apropriados para o monitoramento da dinâmica da
paisagem, como o que estava a bordo do satélite Landsat 5 e atualmente está
abordo do Landsat 8 (RODRÍGUEZ, 2010).
34
As imagens dos satélites Landsat 5 e 8 estão disponíveis gratuitamente na
internet, já as imagens do satélite QuickBird são comercializadas por possuir uma
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
alta resolução espacial. A partir da obtenção destas imagens em diferentes
períodos, pode-se detectar as mudanças do uso do solo, permitindo a análise do
espaço temporal da paisagem e da dinâmica fluvial, podendo assim monitorar as
mudanças da margem do rio.
As imagens obtidas do sensoriamento remoto tem como propósito o estudo
dos elementos que compõem a superfície da terra, mapeando e monitorando, com o
objetivo de avaliar como cada elemento da paisagem se relaciona um com o outro
espacialmente e temporalmente. As classes de uso e cobertura do solo são
espacializadas, quantificadas, identificadas e caracterizadas pela radiação refletida
da superfície terrestre para os sensores remotos. O acompanhamento das imagens
sobre uma mesma paisagem em diferentes épocas mostra as mudanças e a
velocidade com que ela está ocorrendo, assim podendo construir os cenários atuais
e até reconstruir cenários passados. Esse processo trata-se de encontrar soluções
relativas à conservação de ecossistemas naturais utilizando imagens orbitais
(MOREIRA, 2005).
A utilização das imagens orbitais para o estudo da dinâmica fluvial e da
paisagem ao seu redor tem sido cada dia mais utilizada para entender a
movimentação e as consequências podem ser causadas. A abordagem por
sensoriamento remoto permite a rápida interpretação de eventos recentes ocorridos
na superfície terrestre, como por exemplo, a modificação do seu canal fluvial devido
a grandes cheias, assim podendo ocasionar a modificação do seu leito e da
paisagem.
3.4 A bacia hidrográfica Taquari-Antas
Segundo Ferreira e Pereira Filho (2009), bacia hidrográfica é uma área
topográfica de captação natural das águas precipitadas, que são drenadas por
canais, ravinas e tributários até um curso principal onde escoa para um único ponto
de saída, podendo desaguar no mar ou em um lago. Cada bacia hidrográfica é
35
formada por sub-bacias que deságuam em outro rio. Assim cada bacia hidrográfica é
formada pela ligação de outras pequenas bacias.
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
Segundo Santos (2004), uma bacia hidrográfica demarca um território que é
drenado por um rio principal, seus afluentes e subafluentes perenes ou
intermitentes. As drenagens das bacias hidrográficas possuem uma hierarquização,
ou seja, a água escoa do ponto mais alto para o mais baixo. O significado de
drenagem é o traçado produzido pelas águas fluviais, assim modelando o relevo.
Sendo que a drenagem fluvial é composta pela união de canais de escoamento
formando a bacia de drenagem, definida como a área drenada de um rio, onde a
água precipitada é captada para um único ponto de saída da bacia.
A bacia Taquari-Antas está localizada na Região Nordeste do estado do Rio
Grande do Sul, abrangendo uma área de 26.428 Km², equivalente a 9% do território
estadual, tendo como limite a bacia do rio Pelotas ao norte, a bacia Jacuí ao oeste e
sul e a bacia Caí e Sinos a leste. Já as regiões fisiográficas e as províncias
geomorfológicas abrangidas por ela são Planalto Meridional, Campos de Cima da
Serra, Depressão Central, Encosta Inferior do Nordeste, Encosta Superior do
Nordeste. Logo abaixo, na Figura 6, pode-se ver a localização da bacia TaquariAntas no estado do RS. Morfologicamente, a bacia ocupa uma parte da chamada
Planalto da Serra Geral, Patamares e Encosta, onde predominam as rochas
basálticas da Formação Serra Geral, com uma cota máxima, dentro da bacia, em
torno dos 1.200 metros (FEPAM, 2014).
36
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
Figura 6 - Localização da bacia Taquari-Antas no estado do Rio Grande do Sul
Fonte: Autor (2014).
Na região dos Aparados da Serra no extremo leste, a altitude da bacia
Taquari-Antas varia os 1.200 metros, até aproximadamente o nível do mar, na
junção dos rios Taquari e Jacuí (FERRI E TOGNI, 2012). O rio Taquari-Antas tem
sua nascente no extremo leste do Planalto dos Campos Gerais no município de São
José dos Ausentes, com a denominação de rio das Antas. Após, percorre 390 Km,
até a confluência com o rio Carreiro, nas proximidades de São Valentim do Sul/RS
(Rio Grande do Sul), passando então a se chamar rio Taquari, percorrendo uma
direção de norte-sul o Taquari tem uma extensão de 140 Km até desembocar no rio
Jacuí junto na cidade de Triunfo (FERRI E TOGNI 2012).
Segundo Ferri (1991), no percorrer de sua extensão, o rio Taquari-Antas
recebe águas de suas sub-bacias, onde que na parte inicial do rio das Antas, os
afluentes que estão localizados na margem esquerda, são de pouca extensão e com
37
pouco volume. Já os afluentes da margem direita são de maior importância tendo
maior extensão e volume. Figura 7.
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
Os principais afluentes que contribuem com o rio das Antas são: rio Lajeado
Grande, Tainhas, Camisas, Prata e o Carreiro, além de pequenos cursos d’água. Já
no rio Taquari os principais afluentes são: rio Guaporé, Forqueta e Taquari-mirim
(FERRI, 1991).
Figura 7 - Mapa da bacia Taquari-Antas
Fonte: CERAN (2014).
3.4.1 Geomorfologia da bacia Taquari-Antas
A bacia Taquari-Antas apresenta duas regiões que pertencem ao domínio
morfoestrutural das bacias e coberturas sedimentares às quais são:

Depressão Central Gaúcha: estendeu-se pelo Vale do Taquari em
direção a Bom Retiro do Sul, de onde avança até Arroio do meio,
ocupando pequenas áreas basálticas, na região dos municípios de
Estrela e Lajeado. As áreas são de menores altitudes, não
ultrapassando 150 metros, onde a erosão foi esculpindo em rochas
sedimentares da bacia do Paraná com formato alongado, conhecida
como coxilhas no Rio Grande do Sul (FERRI, 1991).
38

Planalto das Araucárias: sua formação tem formas esculpidas nas
rochas ácidas e efusivas da formação Serra Geral. Esta formação tem
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
ocorrência normalmente nas rochas efusivas basálticas que formam os
relevos. A região Geomorfológica Planalto das Araucárias é cruzada
pelos rios Caí, Pelotas, Sinos e Taquari-Antas (FERRI E TOGNI,
2012).
Segundo Ferri e Togni (2012), são quadro unidades geomorfológicas que
podem ser identificadas nas partes nordeste e central da bacia hidrográfica TaquariAntas:

Patamares da Serra Geral: tem seu relevo conforme a drenagem do rio
Taquari-Antas, os vales fluviais são de pouca profundidade não
passando de 32 a 50 metros.

Serra Geral: esta unidade na bacia Taquari-Antas desenvolve-se sobre
as rochas de origem vulcânicas básicas, onde o entalhamento da
drenagem foi capaz de dividir-se em seções de derrames, expondo as
rochas areníticas da formação Botucatu.

Planalto dos Campos Gerais: tem como característica o relevo
relativamente plano, representado pelas superfícies planas desnudas e
por extensas áreas nas posições inter-fluviais dos rios Caí e Antas até
com o rio Pelotas em seu alto curso. As superfícies de aplanamento
ocorrem por causa do processo de pediplanação que indicam a
predominância dos processos de erosão areolar, cortando rochas sãs
ou pouco alteradas. Na sua maioria se apresentam no estágio de
degradação.

Planalto de Santo Ângelo: está unidade é caracterizada por um relevo
de dissecação homogênea, com densidade de drenagem grosseira, e
exclusivamente em algumas áreas com profundidade dos vales fluviais
entre 22 e 28 metros. Essa unidade encontra-se na parte noroeste da
bacia do Taquari-Antas.
O rio Taquari-Antas obteve acúmulo de sedimentos ao longo de seu curso
durante o período quaternário. Esses sedimentos apresentam-se em médias faixas
ao longo curso do rio e também em alguns de seus afluentes (FERRI, 1991).
39
Segundo Ferri (1991), no alto e médio curso do rio Taquari-Antas, ainda
encontra-se em fase juvenil, transportando junto com suas águas uma grande
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
quantidade de cascalho. Já no baixo curso, de Muçum à jusante, inicia uma fase de
senilidade progressiva, ou seja, aglomerações de cascalho que se depositam nos
canais de inundação, necessitando a dragagem para a manutenção da profundidade
requerida. Neste trecho há uma declividade de 0,18 m/Km, tendo características dos
rios de planície. O rio Taquari-Antas transporta uma grande quantidade de material
sólido, principalmente em seu período de inundação, acelerando os processos de
erosão.
3.4.2 Principais processos Dinâmicos da Bacia Taquari-Antas
Segundo Christofoletti (1980), uma bacia hidrográfica é definida como sendo
uma área drenada por um determinado rio ou por um sistema fluvial. A quantidade
de água que pode atingir os recursos fluviais depende do tamanho da área ocupada
pela bacia, da precipitação total e de seu regime.
O escoamento nos canais fluviais de uma bacia hidrográfica apresenta
diversas características dinâmicas, que se tornam responsáveis pelas quantidades
atribuídas aos processos fluviais. A dinâmica do escoamento, no que se refere à
perspectiva geomorfológica, ganha algum significado quando tem a atuação das
águas sobre os sedimentos do leito fluvial, no transporte dos sedimentos, nos
mecanismos deposicionais e na esculturação do seu canal fluvial (PENTEADO
1983).
A bacia hidrográfica do rio Taquari-Antas apresenta variações na dinâmica do
canal, devido à erosão, deposição e transporte de sedimentos. Esses processos
fizeram com que o rio se caracterizasse como um rio meandrante com processos de
anastomosamentos fluviais, ou seja, é um rio caracterizado por apresentar curvas
harmoniosas e semelhantes ao longo de seu percurso, tendo um trabalho contínuo
de escavação na margem côncava (ponto de maior velocidade da corrente) e de
deposição de sedimentos na margem convexa (ponto de menor velocidade). Já o
processo de anastomosamento começa devido a deposição de pequenas barras de
sedimento grosseiro durante as cheias, uma vez iniciada esse processo a barra
40
cresce, chegando aproximadamente na altura das planícies de inundação, assim
originando as ilhas fluviais, que se tornam estáveis devido a vegetação. A repetição
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
desse processo pode originar um canal anastomosado marcado por numerosas ilhas
na seção transversal (PENTEADO 1983).
Esses processos ocorrem na bacia hidrográfica Taquari-Antas, sendo que o
surgimento das ilhas pelo processo de anastomosamento fluvial encontra-se na
parte média e baixa da bacia ilustrado na Figura 8 abaixo.
Figura 8 - Mapa da Bacia Taquari-Antas mostrando a parte alta média e baixa
Fonte: Autor
41
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
4 METODOLOGIA
4.1 Caracterização da área de estudo
A área de estudo compreende o trecho do rio Taquari, de Muçum-RS entre as
coordenadas, Latitude: 29,16º Sul, Longitude: 51,88º Oeste, até Arroio do Meio-RS
entre as coordenadas, Latitude: 29,39º Sul, Longitude: 51,94º Oeste. Os municípios
estão localizados à margem direita do rio, no Vale do Taquari-RS (FIGURA 9), tendo
o município de Muçum uma distância de 168 km e Arroio do Meio 126 km da cidade
de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul – Brasil. Os municípios apresentam
um relevo de média e baixa ondulação. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatísticas 2010), o município de Muçum tem 4.791, habitantes e
possui uma área de 110,893 Km², e o município de Arroio do Meio tem 18.783
habitantes e possui uma área de 157,957 Km² (IBGE 2010). O trecho do rio taquari
que compreende entre os municípios tem uma vazão média de 80 m³/s, conforme
registro da ANA, essa parte do rio se encontra com características de médio a final
do curso da bacia, ou seja, a sua principal função é de transporte e deposição de
sedimentos, com isso pode se averiguar que o leito do rio taquari está ficando mais
raso e consequentemente as suas margens mais largas.
42
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
Figura 9 – Área de estudo entre os municípios de Muçum e Arroio do Meio
Fonte: Autor (2014).
4.2 Materiais e Software
Para a realização do trabalho foram utilizados os seguintes materiais e
softwares.

Imagem digital do satélite Landsat 5 datada em 13 de dezembro de
1987 nas bandas RGB (Red, Green, Blue) 5, 4 e 3.

Imagem digital do satélite Landsat 8 datada 20 de dezembro de 2013
nas bandas RGB 6, 5 e 4, referente a mesma composição que o
satélite Landsat 5.

Imagem digital geocover, como referência para o georreferenciamento
das demais imagens, ou seja, a imagem geocover já é fornecida
43
georreferenciada. Obtida do acervo digital da Global Land Cover
Facility;
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)

Software ArcGis 10.1 e o aplicativo ArcMap, considerado o módulo
central
e
fundamental
no
ArgGIS,
pois
é
nele
que
foram
confeccionados e manipulados os mapas.
4.3 Imagens
Para a escolha das imagens houve a necessidade de levar em consideração
a quantidade de vazão do rio, para que não houvesse alguma alteração no seu leito.
Através dos dados hídricos do site hidroweb, disponibilizados pela ANA,
pode-se escolher as imagens de 13 de dezembro de 1987 com vazão de 85 m³/s e a
20 de dezembro de 2013 com 87m³/s, onde a variação da vazão não teve uma
alteração significativa.
4.4 Metodologia
Para a realização da avaliação fluvial do leito do rio Taquari no trecho de
Muçum a Arroio do Meio, foi utilizado o software ArcGis 10.1, onde foi criado um
banco de dados geográficos com sistema de projeção UTM (Universal Transverse
Mercator) e referenciado ao sistema de referência Sirgas 2000 (Sistemas de
Referência Geocêntrico para as Américas 2000).
A etapa de pré-processamento constituiu no registro das cenas utilizando
como referência a imagem geocover, disponível no sistema UTM e referenciado no
sistema de referência WGS 84.
Após ter a base do levantamento para o estudo do leito do rio Taquari, foram
adquiridas as imagens do satélite Landsat 5 e Landsat 8. A imagem referente ao
Landsat 5 está disponível gratuitamente no acervo digital de imagens da INPE
(Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), referente a data de 13 de dezembro de
1987, já a imagem do satélite Landsat 8, está disponível gratuitamente no acervo
digital de imagens da EarthExplorer, referente a data de 20 de dezembro de 2013.
44
As imagens do satélite Landsat 5 e Landsat 8 apresentaram uma resolução
espacial de 30 x 30 metros, compatíveis com uma escala até 1:50.000. Após a
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
aquisição das imagens do satélite e da imagem geocover foi necessário fazer o
georreferenciamento, transferir para o mesmo sistema de coordenadas UTM e para
o sistema de referência Sirgas 2000.
4.5 Georreferenciamento
Segundo Roque et, al. (2006), o georreferenciamento é uma técnica de
processamento digital de imagens. Georreferenciar um mapa ou imagem é tornar
conhecidas as suas coordenadas num sistema de referência e corrigir as
deformações e erros decorrentes do processo de aquisição de imagens brutas do
satélite. O procedimento iniciou-se com a obtenção das coordenadas, pertencentes
ao sistema no qual se planeja georreferenciar, de pontos da imagem ou dos mapas
que foram georreferenciados. Conhecidos como ponto de controle, ou seja, são os
locais que ofereciam uma configuração física perfeitamente identificável, como
cruzamento de rodovias, rios, aeroportos, edifícios proeminentes, topos de
montanhas. O georreferenciamento é de suma importância para a criação de
projetos, baseados em SIG, uma vez que o espaço geográfico é formado por um
conjunto de diferentes planos de informação, os quais possuíam o mesmo sistema
de referência para que acontecesse a sobreposição.
Após obter a imagem geocover e configurá-la no sistema de coordenadas
UTM e referenciar no sistema de referência Sirgas 2000, foi realizado o
georreferenciamento da imagem do satélite Landsat 5 de 13 de dezembro de 1987,
com a utilização de 10 pontos de avaliação e 10 pontos para o georreferenciamento.
Esse mesmo processo também foi realizado com a imagem do satélite Landsat 8 de
20 de dezembro de 2013.
Após o processo de georreferenciamento foram organizadas as composições
coloridas RGB com as bandas 5, 4 e 3, cabendo a cada banda representar uma
região espectral, sendo que a banda 5 representa o infravermelho médio, o qual
apresenta um potencial para a captação das queimadas, uso do solo, vegetação,
rios, lagos, nuvens e neve, e a banda 4 representa o infravermelho próximo, que
45
apresenta um potencial para a captação da vegetação, silvicultura, geomorfologia,
solos, geologia e uso do solo, e a banda 3 representa o vermelho, a qual apresenta
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
um potencial para a captação da mancha urbana e identifica áreas agrícolas. Com
as composições RGB543 organizadas, mostraram-se claramente os limites entre o
solo e a água, com a vegetação mais discriminada, aparecendo em tonalidade de
verde e o solo com a cor magenta. Esse processo foi realizado com a imagem do
Landsat 5 e 8 sendo que a única diferença é que a composição colorida do Landsat
8 RGB654, para apresentar a mesma composição de cores. Depois de realizados
esses processos, foram feitas as vetorizações dos componentes das imagens.
4.6 Vetorização
O processo de vetorização é uma série de ações que transformam uma
imagem ou carta no formato matricial para o vetorial, ou seja, é a transformação das
informações de uma estrutura raster para a estrutura vetorial, sobre as quais é
possível fazer as operações algébricas diversas (VIEIRA, 1998). O procedimento de
vetorização foi realizado com base na vetorização manual em tela para todos os
períodos analisados. Optou-se por essa técnica porque a área não é de grande
extensão e nem de difícil compreensão entre os elementos nas imagens.
A vetorização foi realizada no software ArcGis 10.1. Nesta técnica foram
digitalizados os traçados que delimitam o leito do rio para cada ano analisado. Após
ser delimitada toda a área do leito do rio, efetuou-se a etapa de poligonalização, que
gerou um mapa temático do rio, representando o espaço de ocupação do rio na área
em estudo. Também foram vetorizadas as ilhas e as áreas de sedimentação nos
dois anos em estudo. Com todos os mapas digitalizados e com os polígonos
finalizados, foi possível saber a variação do leito fluvial do rio Taquari.
4.7 Avaliação do leito fluvial do Rio Taquari
Para a avaliação da mudança da posição do leito e variação de largura do rio
durante os 26 anos, foi realizada a vetorização manual gerando um polígono do leito
do rio, polígonos das ilhas fluviais e polígonos dos depósitos de sedimentos. Ao
longo do rio, na imagem de 13 de dezembro de 1987, foram inseridos 30 vetores
46
cruzando as margens, com espaçamento entre eles de 1 km, em seguida esses
vetores foram postos na imagem de 20 de dezembro de 2013, com o objetivo de
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
saber a mudança e a diferença de largura entre as margens. Também foi avaliada a
migração do leito, quantidade de sedimentos acumulados na superfície do canal e a
área das ilhas, ambas em metros quadrados.
Figura 10 - Fluxograma
Fonte: Autor
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
47
5 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Os resultados do estudo são expressos em mapas temáticos, contemplando a
variação da área, do perímetro, da largura e da migração do leito do rio Taquari,
além da avaliação das modificações nas ilhas e da área de sedimentos depositados
entre os municípios de Muçum e Arroio do Meio, nos anos de 1987 e 2013. Após a
sobreposição e a comparação entre as imagens, defasadas no tempo pegou-se a
área de cada elemento do ano de 2013, e subtraiu-se com os elementos
correspondentes do ano de 1987. Para obter o resultado da diferença de área, o
quanto e para onde o rio está migrando, realizaram-se cálculos algébricos, conforme
demonstram as tabelas 1, 2, 3, 4, 5, 6 e as imagens abaixo. Os cálculos da área
foram feitas a partir do software ArcGis 10.1 e realizados sobre a área ocupada por
água na calha. Estes mapa estão sendo representados na escala de 1:115.000.
5.1.1 Variação do Leito do Rio
Tabela 1 – Quantidade da área de variação do leito do Rio Taquari
-
1987 (ha)
2013 (ha)
Diferença
Absoluta - ha
Diferença
Relativa - %
Área
767,00
823,88
+56,90
+7,42
Fonte: Autor
Pela Tabela 1 disposta acima evidencia-se um aumento na área do rio de
56,90 hectares do decorrer do ano de 1987 para o ano de 2013, correspondendo
48
esse aumento de 7,42% em sua área demonstrado na figura 11 . Neste resultado da
variação do leito do rio verificou-se a remoção dos sedimentos e das ilhas.
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
Figura 11 – Ilustração da mudança do Leito do Rio
Fonte: Autor
49
A Figura 11 mostra a sobreposição da poligonal do leito do Rio Taquari de
1987 e 2013, evidenciando uma diferença do aumento na quantidade da área do
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
canal fluvial, essa diferença é mostrada pelo extravasamento da margem.
5.1.2 Variação da Margem do Rio
Tabela 2 - Extensão das margens do Rio Taquari nos anos de 1987 e 2013
_
1987
2013
Diferença
Absoluta - km
Diferença
Relativa - %
Extensão da
Margem Direita
48,18 km
48,08 km
-0,10
-0,21
Extensão da
Margem Esquerda
48,23 km
48,19 km
-0,04
-0,08
Fonte: Autor
A Tabela 2 acima demonstra a extensão das margens do leito do rio, onde foi
possível analisar uma diferença de ambas as margens, ilustradas na Figura 12,
tendo como resultado uma diminuição de sua extensão entre os anos mencionados.
Essa diminuição define que as margens do Rio Taquari estão ficando menos
curvadas e mais lineares. Observa-se que a margem direita teve uma redução de
sua extensão de -0,10 km, e a esquerda de -0,04 km. Como a medida é bem
pequena durante o período estudado, pode ser que essas diferenças estejam dentro
do erro do mapeamento.
50
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
Figura 12 - Análise da extensão das margens do Rio Taquari
Fonte: Autor
51
A Figura 12, ilustrada acima, apresenta o processo de modificação das
margens curvadas para lineares, sendo essa diferença pouca expressiva, onde as
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
margens mais antigas estão sobrepostas as mais recentes.
5.1.3 Análise da Largura do Rio
Tabela 3 - Largura do Rio Taquari através de vetores em 1987 e 2013.
Vetores
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
32
33
Vetores 1987 Vetores 2013
Largura (m)
Largura (m)
146,05
181,82
231,09
144,57
163,85
194,92
149,96
148,49
165,01
143,2
170,66
201,58
184,12
196,23
283,07
178,54
238,96
130,23
178,31
137,22
156,85
146,12
180,83
179,71
124,92
114,68
213,07
152,24
170,59
160,41
185,04
152,94
247,01
146,05
199,44
247,83
166,16
170,53
194,81
168,3
146,06
189,88
170,68
190,32
201,77
173,12
211,9
326,9
195,48
249,51
168,5
194,09
152,05
193,64
146,28
167,15
187,49
138,81
159,02
204,88
200,82
194,36
174,74
229,17
154,46
263,11
Diferença entre os
vetores
Largura (m) Largura (%)
0,00
17,62
16,75
21,59
6,68
-0,11
18,35
-2,44
24,87
27,48
19,66
0,19
-11
15,67
43,83
16,94
10,55
38,28
15,78
14,83
36,79
0,16
-13,68
7,78
13,88
44,34
-8,19
48,59
23,77
14,32
44,12
1,52
16,1
0,00
9,69
7,24
14,93
4,08
-0,06
12,23
-1,64
15,07
19,19
11,52
0,09
-5,97
7,99
15,48
9,49
4,41
29,39
8,85
10,81
23,46
0,11
-7,57
4,33
11,12
38,66
-3,84
31,91
13,93
8,93
23,85
0,99
6,52
52
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
Vetores
34
35
36
37
38
39
40
41
42
43
44
45
Vetores 1987 Vetores 2013
Largura (m)
Largura (m)
151,03
143,63
164,74
169,09
149,35
254,23
162,71
166,55
459,17
162,3
146,93
180,97
Média (m)
179,18
175,18
118,41
159,27
157,4
175,22
254,23
195,97
164,37
449,95
190,4
150,14
180,98
Média (m)
192,2
Diferença entre os
vetores
Largura (m) Largura (%)
24,15
-25,22
-5,47
-11,68
25,86
0,00
33,26
-2,18
-9,23
28,1
3,21
0,00
Média (m)
13,02
15,99
-17,56
-3,32
-6,91
17,32
0,00
20,44
-1,31
-2,01
17,31
2,18
0,01
Média (%)
8,16
Fonte: Autor
A Tabela 3 mostra os dados obtidos pelo procedimento de vetorização
utilizado como parâmetro para a medição da largura do Rio Taquari entre as suas
margens. Com a utilização dos vetores foi possível demonstrar que em alguns
segmentos houve a diminuição e em outros houve o alargamento do leito. Neste
levantamento, de cada segmento, pode-se obter um resultado individual e local do
leito do rio, conforme ilustrado na Figura 13, abaixo. Com esses resultados
constatou-se que o rio teve um aumento médio em sua largura de 8,16%,
correspondente a 585,82 metros. Este resultado é a media da soma de todos os
vetores, com isso pode se concluir que o rio teve um aumento de assoreamento no
seu canal, por isso pode ter resultado no alargamento.
53
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
Figura 13 – Demonstração do procedimento de estudo da Largura do Rio Taquari
através dos vetores
Fonte: Autor
54
A Figura 13, acima, ilustra o modo, a localização e o método adotado para a
avaliação da variação da largura do Rio Taquari, mediante a inserção de seções
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
transversais espaçadas em 1 km. Com isso foram realizadas as medições de cada
seção e subtraído o total do ano de 2013, imagens B, por a de 1987, imagens A,
resultando na largura média do leito, demonstrado na Tabela 3.
5.1.4 Análise da Migração do Leito
Tabela 4 – Resultados da Quantidade de Área da Migração do Rio Taquari entre
1987 e 2013
2013
Diferença Entre as
Margens
1987
Área
Área
Área
Área
Margem
Margem
Margem
Margem
Direita (ha) Esquerda (ha) Direita (ha) Esquerda (ha)
1,11
0,25
0,00
6,85
0,02
0,04
0,51
16,54
3,66
18,87
0,01
14,09
4,63
0,44
5,91
0,05
0,67
0,62
4,09
9,20
-
1,06
5,03
0,52
0,04
0,30
0,37
5,71
0,19
0,11
0,05
0,05
0,04
0,30
1,07
0,95
0,43
0,05
1,66
5,72
0,42
1,05
0,05
5,29
0,07
0,40
0,04
0,06
0,07
0,14
0,24
0,63
0,24
0,02
0,06
0,69
0,07
0,26
0,13
0,03
0,05
0,01
0,03
1,36
0,44
-
0,07
0,05
0,04
0,03
0,62
0,12
0,01
0,25
1,03
0,42
8,87
0,04
1,02
0,40
0,02
0,25
0,01
0,43
0,15
0,60
3,81
2,72
0,33
1,78
3,10
1,56
8,82
Direita Esquerda
(ha)
(ha)
1,04
0,11
-0,24
6,22
-0,22
0,02
0,45
15,85
3,59
18,61
-0,12
14,06
4,58
0,43
5,88
-1,31
0,23
0,62
4,09
9,20
-
0,99
4,98
0,48
0,01
-0,33
0,25
5,70
-0,07
-0,92
-0,38
-8,82
0,01
-0,71
0,67
0,93
0,19
0,05
1,23
5,56
-0,19
-2,77
-2,68
4,95
-1,71
-2,69
-1,52
-8,76
55
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
2013
Diferença Entre as
Margens
1987
Área
Área
Área
Área
Margem
Margem
Margem
Margem
Direita (ha) Esquerda (ha) Direita (ha) Esquerda (ha)
0,38
Total
Total
Total
(ha)
(ha)
(ha)
87,56
31,41
4,48
Média
Média
Média
(ha)
(ha)
(ha)
4,38
1,12
0,26
Diferença Absoluta Margem Direita (ha)
Diferença Absoluta Margem Esquerda (ha)
2,19
1,50
0,91
2,36
0,12
Total
(ha)
43,65
Média
(ha)
1,36
Direita Esquerda
(ha)
(ha)
Total
(ha)
83,08
Média
(ha)
4,25
-1,81
-1,50
-0,91
-2,36
-0,12
Total
(ha)
-12,23
Média
(ha)
-0,38
83,08
-12,23
Fonte: Autor
A Tabela 4, disposta acima, analisa a migração do leito do Rio Taquari no
período estudado. Para a obtenção do resultado da migração foi realizada a
sobreposição do leito do rio primeiramente a imagem mais antiga sobre a mais
recente, logo após foi refeita a sobreposição trocando a ordem. A partir desta foram
destacadas as migrações laterais ocasionadas pela mudança no rio, mostrando
assim o crescimento ou a diminuição no âmbito de cada margem. Dessa forma
foram realizados cálculos algébricos, os dados da margem direita foram subtraindos
da imagem mais recente pela mais antiga, resultando no valor do deslocamento de
83,08 hectares para o lado direito e com a margem esquerda foi realizado o mesmo
processo, que obteve um valor do deslocamento de -12,23 hectares, sendo esse
valor negativo para a margem esquerda, conclui-se que o rio teve a migração para o
lado direito. Com a migração do rio consequentemente ocorreram perdas de solo em
áreas de cultivo agrícola em sua maior extensão, entretanto com o levantamento em
campo observou-se que em um local essa perda foi mais agravante ocasionando
danos e perdas materiais.
56
Figura 14 – Ilustração do Processo de Medição do leito do rio através da
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
sobreposição
Fonte: Autor
57
A Figura 14 ilustra a sobreposição das imagens onde podem ser observadas as
margens exercidas, na imagem A mostra o leito do rio mais antigo sobre o mais
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
recente, e na imagem B ilustra o mesmo processo, mas, com a ordem inversa.
5.1.5 Avaliação das Ilhas do Rio Taquari
Tabela 5 – Quantidade de Área das ilhas
Ilhas
1987
Área (ha)
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
Diferença entre
as Ilhas
Área (ha) Área (ha) Área (%)
2013
2,81
1,64
20,62
17,44
3,44
1,24
1,25
4,49
3,44
0,14
0,20
2,07
1,12
2,66
1,98
1,65
1,89
5,34
3,71
3,42
2,11
0,43
0,99
3,24
1,95
0,23
4,13
3,19
2,42
2,16
Total
Total
59,10
42,29
Média
Média
3,28
2,35
Diferença Absoluta (ha)
Diferença Relativa (%)
-1,18
-41,84
-3,18
-15,42
-2,20
-64,01
-1,25
-1,05
-23,31
-0,14
-0,20
-0,96
-46,16
-0,68
-25,59
0,24
14,22
-1,62
-30,41
-1,32
-38,46
0,43
-0,99
-1,29
-39,82
-0,23
-0,94
-22,87
-0,26
-10,67
Total
Total
-16,82
-344,34
Média
Média
-0,93
-19,13
-16,82
-28,45
Fonte: Autor
A Tabela 5, disposta acima, evidencia a quantidade de área de cada ilha no
sentido Norte a Sul (de cima para baixo) que em 1987 existiam 17 ilhas e em 2013,
havia 13, portanto uma redução de 4 ilhas. Por sua vez, das 17 ilhas existentes em
1987, 12 permaneceram e 1 originou-se de 1987 a 2013, sendo que as demais
estavam submersas ou foram erodidas antes de 2013. Verificou-se também que
58
todas as existentes em 2013 tiveram uma redução em sua área, num total de
28,45%, correspondente a 16,82 hectares a menos da área total.
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
Figura 15 – Ilustração do método utilizado de avaliação das ilhas no Rio Taquari
Fonte: Autor
59
Para esta análise de comparação entre as ilhas, foi adotado um parâmetro no
momento da formatação das imagens, tendo sido caracterizada como ilha a
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
presença de vegetação (pixel verdes) sobre os depósitos aluviais. Conforme
ilustrado na Figura 15, podemos observar a redução da área e a redução da
quantidade de ilhas.
5.1.6 Análise do depósito de Sedimentos
Tabela 6 – Áreas de sedimentação no Rio Taquari
Área de
deposição
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
1987
Área (ha)
0,38
0,25
0,16
0,86
0,22
0,57
0,34
0,34
0,25
0,97
0,22
1,59
0,96
0,73
0,41
0,94
0,52
1,37
0,88
Diferença entre os
Sedimentos
Área (ha) Área (ha) Área (%)
2013
1,07
0,37
0,32
0,25
0,28
2,81
2,86
0,27
1,38
1,04
0,28
0,61
0,40
0,25
0,98
5,58
0,40
0,13
0,34
0,86
1,59
1,96
1,87
0,81
0,28
2,51
1,51
0,69
-0,25
0,21
0,32
0,25
-0,59
2,59
2,30
0,27
1,04
0,69
-0,25
0,28
0,61
-0,57
0,25
0,76
3,99
-0,96
0,40
0,13
0,34
0,86
1,59
1,22
1,87
-0,41
-0,13
-0,24
1,13
0,63
183,03
132,02
-67,97
1153,61
404,23
311,45
201,89
-58,69
345,39
250,12
166,60
-13,88
-45,43
82,55
71,16
60
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
Área de
deposição
32
33
34
35
36
37
38
39
40
41
42
43
44
45
46
47
48
49
50
51
1987
Área (ha)
Diferença entre os
Sedimentos
Área (ha) Área (ha) Área (%)
0,71
0,50
1,18
0,44
0,06
0,62
0,64
1,21
3,55
1,07
2,25
0,31
2,75
2,74
0,28
1,88
Total
32,17
Média
0,92
2013
0,37
0,54
2,13
1,19
3,62
1,05
1,42
4,94
4,37
4,54
3,86
2,37
0,50
0,48
Total
62,39
Média
1,52
0,37
0,54
1,42
-0,50
0,01
3,19
-0,06
-0,62
0,40
0,21
1,39
-1,07
2,11
-0,31
1,79
1,12
-0,28
0,49
0,50
0,48
Total
30,22
Média
0,59
199,88
1,03
730,94
62,77
17,25
39,28
93,91
64,87
40,85
26,15
Total
4393,01
Média
175,72
Diferença Absoluta (ha)
30,22
Diferença Relativa (%)
93,95
Fonte: Autor
A Tabela 6, acima, mostra um aumento no número de áreas de deposição
sedimentar no leito do Rio Taquari na ordem Sul a Norte (de baixo para cima). Em
1987, existiam 36 locais com sedimentos e, em 2013, 41, portanto um aumento de 5
setores. Por sua vez, dos 36 locais existentes em 1987, 25 permaneceram; 16 novos
se originaram e 10 locais existentes em 1987 não aparecem mais em 2013. Esse
aumento da área de sedimentos do ano mais antigo para o mais recente foi de
93,95%, correspondente a 30,22 hectares.
61
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
Figura 16 – Pontos de sedimentos no leito do Rio Taquari
Fonte: Autor
62
A Figura 16 mostra a quantidade de sedimentos no leito do rio e a diferença
da quantidade da área através do processo de sobreposição dos sedimentos entre o
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
período de estudo. Do mesmo modo podemos observar o surgimento de locais de
sedimentação, tendo como parâmetro na formatação o reconhecimento das áreas
de sedimentação os depósitos que não apresentam vegetação.
Depois de gerados todos os procedimentos acima, pode-se constatar que
houve uma migração lateral do rio, aumento da deposição de sedimentos, aumento
da área do rio, diminuição da área das ilhas e diminuição do comprimento das
margens entre os municípios.
Essas mudanças que ocorrem no sistema fluvial, ao longo do tempo, são
determinadas pela interação natural e antrópica de vários fatores apontados adiante.
5.2 Processos que Interferem na Modificação do Leito do Rio
Diversos fatores podem interferir na modificação do leito do rio ao longo do
tempo, tais como o embasamento geológico, a resistência relativa das rochas, o
volume e a velocidade do corpo hídrico em cada segmento, do volume e natureza da
carga sedimentar, do comportamento dinâmico de fluxos hídricos, da forma da calha
e as interferências da vegetação insular, marginal e da planície de inundação.
Um dos processos de interferência no leito do rio é o embasamento
geológico, sendo que na área em estudo ocorrem as seguintes unidades
litoestratigráficas:
Formação
Serra
Geral,
Formação
Botucatu
e
depósitos
quaternários pouco ou nada litificados.
A Formação Serra Geral, de idade juro cretácea, está representada nesse
trecho do rio estudado, por vários tipos de basalto, destacando-se basaltos vítreos,
amigdaloidais e basaltos microcristalinos.
A Formação Botucatu é formada por arenitos eólicos e geralmente bem
litificados. Essa formação ocorre em diversos pontos do rio, a partir de Colinas para
jusante.
63
Os depósitos quaternários estão representados por conglomerados pouco
litificados (cimento limonítico) e por argilas e siltes de diferentes episódios do
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
pleistoceno e holoceno.
Os conglomerados são as rochas desses depósitos do quaternário, que mais
influenciam e representam sobre essas mudanças do leito do rio, acima apontadas.
As unidades litoestratificadas acima citadas influem não somente na
topografia, como também no padrão de drenagem e na forma do rio.
O meio físico de drenagem de cada rio é caracterizado em função do Tipo de
calha existente, podendo ser encontradas calhas no formato de “V” ou “U”, sendo
que as calhas em formato de “V” se tornam mais propícias à erosão das margens,
pois, com a diminuição da área no fundo do leito, tem-se uma maior velocidade de
escoamento e transporte, tendendo assim a se transformarem em calhas no formato
de “U”. Portanto, as calhas em formato de “U” tornam-se propícias a erodir com
maior facilidade as margens alargando o leito do rio, podendo ser influenciadas pelo
embasamento geológico existente.
Através da percepção visual, pode-se averiguar que o Rio Taquari tende a ter
sua calha em formato de “U”, pois seu canal apresenta um maior alargamento
devido à erosão, sendo perceptível após os períodos de cheia. Sabe-se que na área
de estudo, o embasamento geológico, na maior parte, é formado de basalto.
As rochas basálticas encontradas no decorrer da área em estudo, possuem
alta resistência na forma de promontórios locais de difícil erosão. As rochas
basálticas são vistas em diversos pontos do rio, o que se pode observar na Figura
abaixo, 17, situada na cidade de Roca Sales.
64
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
Figura 17 - Foto da rocha promontória situada no município de Roca Sales
Fonte: Autor
Nos períodos de cheia, com o maior volume e velocidade na água do Rio
Taquari, aumenta o movimento e a energia das águas, gerando fluxo laminar e fluxo
turbulento. O primeiro ocorre quando as várias camadas do fluido deslizam umas em
relação às outras, sem que haja a mistura de material, levando em consideração que
o fluxo laminar pode ser observado não somente nos períodos de cheia. Já o fluxo
turbulento é originado quando através das linhas de fluxo verificam-se flutuações de
velocidades que excedem um valor crítico. Essas flutuações são causadas por
redemoinhos produzidos quando a água passa por obstáculos ou irregularidades de
superfícies ou contornos rugosos encontrados no fundo ou nas margens do rio. No
regime de fluxo turbulento, normalmente há a ocorrência de transportes de
sedimentos de maior granulometria, como cascalhos, conglomerados e seixos,
tendo carga suspensa e carga de fundo. A carga de fundo só ocorre por que o rio
apresenta uma maior eficiência, devido ao aumento de sua vazão, sendo o
transporte por deslizamento ou por saltação ao longo do leito, e a carga suspensa é
constituída de partículas de graduação reduzidas que se conservam em suspensão,
como areia e argila. Segundo Christofoletti (1981), em períodos de intensa
precipitação, a quantidade de carga sólida pode representar uma média de 70% a
90% do total de um ano hidrológico, podendo chegar a 99% de toda a carga sólida
transportada de um rio em eventos de maior pluviosidade. Conforme a eficiência vai
65
diminuindo, os sedimentos de maior granulometria vão se depositando no fundo do
leito do rio e em suas margens. Esse processo de transporte de sedimentos descrito
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
acima ocorre no Rio Taquari, sendo que os sedimentos mais grosseiros são
compostos por cascalho, e seixos que são evidenciados quando o rio está com o
sua vazão normal ou em épocas de seca, conforme Figura 18.
Figura 18 - Depósitos de cascalho e conglomerado nas margens do Rio Taquari
Fonte: Autor
O surgimento de sedimentos no meio da calha do Rio Taquari constitui uma
falta determinante do controle da velocidade das águas, no seu direcionamento na
calha e contra as margens, além de formar o acúmulo de sedimentos por represar,
muitas vezes, as águas. Outra possibilidade se dá por obter uma barreira natural,
onde em períodos de cheia, quando o rio transporta os sedimentos mais grosseiros,
ocorre uma rápida redução em sua vazão, assim fazendo com que esse sedimento
se deposite no fundo, servindo como uma barreira natural para outros sedimentos,
resultando em acúmulos. No período de seca esses acúmulos são perceptíveis,
acima da lâmina d’água, tornando-se ilhas fluviais, conforme ilustrado na Figura 19,
66
fixando-se nesse local através do surgimento de espécies florísticas, tornando difícil
o desprendimento (erosão) do solo. Esses processos das ilhas fluviais podem ser
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
observados em vários pontos da área em estudo no Rio Taquari, que apresentam
uma vegetação de pequeno a médio porte.
Figura 19 - Ilha fluvial consolidada entre os municípios de Encantado e Roca Sales
Fonte: Autor
A cobertura vegetal é de fundamental importância nas margens e na planície
de inundação nos períodos de precipitação pluviométrica para auxiliar na infiltração
d’água difundindo o fluxo e preservando o solo. Já a sua retirada acarreta o
escoamento superficial, e a partir disso diminui a capacidade de infiltração e
aumenta a capacidade do desprendimento (erosão) do solo, sendo transportado
para áreas mais baixas, ou seja, cursos hídricos.
Com este estudo, foi possível observar determinados processos que ocorrem
no Rio Taquari, sendo que alguns podem ser perceptíveis após períodos de cheias e
outros necessitam um período de maior estudo e acompanhamento da área.
67
Um dos pontos que se demonstraram mais vulneráveis na área de estudo
foram as margens e planícies de inundação, já que a migração do leito do rio
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
interfere direta e indiretamente sobre elas, especialmente onde as mesmas tiveram
suas vegetações suprimidas para o cultivo agrícola. Assim, houve maior facilidade
para a ação da erosão do solo, acarretando o assoreamento do canal, além da
perda do solo com a instalação inadequada em suas planícies de inundação,
resultando em prejuízo e perda para famílias e municípios.
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
68
6 CONCLUSÃO
O desenvolvimento deste trabalho de conclusão do curso de Engenharia
Ambiental, cujo objetivo foi gerar mapas multitemporais sobrepostos do leito do rio
Taquari e de seus elementos a partir de imagens do satélite Landsat 5 e 8, entre os
municípios de Muçum a Arroio do Meio. Para a geração deste processo foi preciso o
uso
de
software
específico
associado
ao
sensoriamento
remoto
e
geoprocessamento, com objetivo de realizar e gerar mapas multitemporais com a
demarcação da migração do canal e as modificações dos elementos do leito com o
passar do tempo.
Ao final do trabalho e das análises realizadas, é possível concluir que:

Durante o intervalo de 26 anos, entre as imagens pode-se averiguar
uma migração horizontal do rio para o lado direito, fazendo com que
ocorresse a perda do solo em determinados pontos, sendo em alguns
pontos com maior perda e em outros menores. Essa perda afeta em
sua maioria os produtores rurais, que têm sua área de cultivo reduzida,
exceto no ponto localizado na cidade de Encantado, onde essa perda
gerou
prejuízos
estabelecimento.
financeiros,
Contudo,
se
resultando
a
água
na
destruição
nesse
ponto
de
um
continuar
avançando, causará danos à rodovia RS-130.

Os sedimentos tiveram um crescimento em toda a extensão do rio,
intercorrendo esses acúmulos em ambos os lados, possivelmente pelo
direcionamento da água como também pela influência dos meandros.
69
Esse crescimento gera um benefício no setor financeiro, tendo em vista
que muitos empreendedores requerem a licença ao órgão competente
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
para fazer a extração da areia e dos cascalhos para fins da construção
civil.

As ilhas tiveram uma redução em sua área total. Esse fator pode se dar
pela possível mudança do leito e da direção das águas do rio.

Para que o presente trabalho tivesse uma variação temporal do leito,
foram adquiridas imagens de satélite de médio intervalo entre elas,
sendo que essas imagens apresentaram restrições, por ter uma
resolução de média a baixa qualidade. Optou-se por essas imagens
porque as de melhor resolução só começaram a ser comercializadas
cerca do ano de 1999. Portanto, não haveria como avaliar o leito do
Rio Taquari num período curto de 15 anos.

Devido à imagem apresentar uma média a baixa qualidade, encontrouse dificuldade para realizar o traçado de poligonização do leito do rio,
sendo que o erro médio quadrático pode ser no máximo de 30 metros.
A realização deste trabalho permitiu mais conhecimento e maior experiência
sobre as geotecnologias do que se possuía antes. Contudo, pode-se perceber a
necessidade de realizar mais pesquisas na área, principalmente em relação aos
problemas futuros que poderão surgir em virtude da migração, tanto para os
municípios como para os agricultores e para as pessoas que possuem residências
próximas do Rio Taquari.
O real objetivo deste trabalho de conclusão de curso foi o de agregar todo o
conhecimento obtido nas disciplinas estudadas no curso de Engenharia Ambiental,
proporcionando a evolução acadêmica e profissional pretendida.
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
70
REFERÊNCIAS
BEFETE, Jocilene; FACHINI, Margarida, P. Estudo da Paisagem por Meio do
Espaço de Vivência do Aluno. Maringá, 2008. 18 p.
BERTRAND, Georges. Paisagem e geografia física global: esboço
metodológico. Caderno de Ciências da Terra. São Paulo, 1972, p. 1-27.
CARNEIRO, Deize. S.; SOUZA, José, C. R.; VICENS, Raúl, S.; CARVALHO, José A.
L. Morfodinâmica do Rio Solimões e implicações Sociais: Uma Proposta de
Educação Ambiental Com o Suporte das Geotecnologias e do Conhecimento
Tradicional. Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto. Natal, 2009. p. 23812387.
CASSETI, Valter. Ambientes e Apropriação do Relevo. São Paulo. 1991. 147 p.
CERAN – CIA ENERGÉTICA RIO DAS ANTAS. Monitoramento
Hidrossedimentológico. Disponível em:
<http://aguaesolo.com/Cases/CERAN> Acesso em 1 de Out. 2014
CHRISTOFOLETTI, Antônio. Geomorfologia. 2. ed. São Paulo: Edgard Blucher,
1980. 188 p.
COELHO, André L. N. Geomorfologia Fluvial de Rios Impactados por Barragens.
Revista do Departamento de Geografia. Uberlândia, Jun. 2008, p. 16-32.
COUTO, Odir F. V. Geração de um Índice de Sustentabilidade Ambiental para
Bacias Hidrográficas em Áreas Urbanas Através do Emprego de Técnicas
Integradas de Geoprocessamento. Dissertação de Mestrado. Porto Alegre, 2007.
173 p.
DA SILVA, Roberto V. Estimativa de Largura de Faixa Vegetativa para Zonas
Ripárias: Uma Revisão. I Seminário de Hidrologia Florestal: Zonas Ripárias. Alfredo
Wagner, Set/2003. p. 13.
71
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
DUCATTI, Alexandre. Análise da Fragmentação Florestal da Bacia Hidrográfica
do Rio Forqueta entre os anos de 1989 e 2008 e Simulação Dinâmica da
Paisagem para 2018. Dissertação de Pós-Graduação. Lajeado, 2010. 85 p.
ECKHAEDT, Rafael R. Geração de Modelo Cartográfico Aplicado ao
Mapeamento das Áreas Sujeitas às Inundações Urbanas na Cidade de
Lajeado/RS. Dissertação de Pós-Graduação, Porto Alegre, 2008. p. 117.
Federal Interagency Stream Restoration Working Group – FISRWG. Stream
Corridor Restoration: Principle, Processes and Practices. The Federal
Interagency Stream Restoration Working Group, ISBN-0-934213-59-3, 1998
FEPAM – Fundação Estadual de Proteção Ambiental. Qualidade Ambiental
Regional Hidrográfica do Guaíba. Porto Alegre, 2011. Disponível em
<http://www.fepam.rs.gov.br/qualidade/qualidade_taquari_antas/taquariantas.asp>
Acesso em: 17de mai. 2014.
FERREIRA, Aline B.; FILHO, Waterloo P. Análise do Uso e Cobertura da Terra de
Três Sub-Bacias Hidrográficas – Rio Grande do Sul/Brasil. Revista Brasileira de
Geografia Física. Recife, V.2, n.03, p. 20-36, Set/2009.
FERRI, G. Antônio; TOGNI, A. Cecília. A história da bacia hidrográfica TaquariAntas. Lajeado: Ed. da Univates, 2012. 373 p.
FERRI, Gino. História do Rio Taquari-Antas. Encantado: Grafen, 1991. 320 p.
FILHO, Jugurta L. Modelos Conceituais de Dados para Sistemas de Informações
Geográficas. Dissertação de Pós-Graduação. Porto Alegre, 1997. 62 p.
FLORENZANO, Teresa G. Geomorfologia: conceitos e tecnologias atuais. São
Paulo: Oficina de Textos, 2008. 318 p.
FLORENZANO, Teresa G. Imagens de satélite para estudos ambientais. São
Paulo. Oficina de Textos, [2002]. 97 p.
GUERRA, Antonio J. T.; CUNHA, Sandra B. da. Geomorfologia: uma atualização
de bases e conceitos. 7. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2007. 472 p.
IBGE-Instituto Brasileiro de Geográfica e Estatística. IBGE Cidades. Muçum: IBGE
2010. Disponível em:
<http://www.cidades.ibge.gov.br/xtras/perfil.php?lang=&codmun=431260&search=||in
fogr%E1ficos:-informa%E7%F5es-completas>. Acesso em: 23 Mai. 2014.
IBGE-Instituto Brasileiro de Geográfica e Estatística. IBGE Cidades. Muçum: IBGE
2010. Disponível em:
<http://www.cidades.ibge.gov.br/xtras/perfil.php?lang=&codmun=430100&search=||in
fogr%E1ficos:-informa%E7%F5es-completas>. Acesso em: 23 Mai. 2014.
KOBIYAMA, Masato. Conceitos de zona ripária e seus aspectos
geobiohidrológicos. Florianópolis, set. 2003, p. 1-10.
72
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
LIMA, Walter De P.; ATTANASIO, Cláudia M.; GANDOLFI, Sergius.; ZAKIA, Maria J.
B.; JÚNIOR, José T. V. Método para a Identificação da Zona Ripária: Microbacia
Hidrográfica do Ribeirão São João (Mineiros do Tietê, SP). Revista Scientia
Forestalis. Piracicaba, n. 71, p.131-140, Ago/2006.
MOREIRA, Mauricio Alves. Fundamentos do Sensoriamento Remoto e
Metodologias de Aplicação. 2. ed. Viçosa: UFV, 2003.
OLIVEIRA, Guilherme G.; SALDANHA, Dejanira L.; GUASSELLI, Laurindo A.
Espacialização e Análise das Inundações na Bacia Hidrográfica do Rio Caí/RS.
Revista Geociências, São Paulo, V. 29, n. 3, p. 413-427, 2010 .
PANTOJA, Nara V.; SAITO, Érika, A.; FONSECA, Liana O.; SOARES, João V.;
VALERINO, Dalton de M. Detecção de Mudanças a Partir de Imagens
TM/Landsat na Amazônica Sul Ocidental. XIV Simpósio Brasileiro de
Sensoriamento Remoto, Natal, 2009. p. 6037-6044.
PENTEADO, Margarida M. Fundamentos de geomorfologia. 3. ed. Rio de Janeiro:
IBGE, 1983. 185 p.
PLANO DE BACIA TAQUARI-ANTAS. Relatório Técnico da Bacia Hidrográfica
Taquari-Antas. Porto Alegre, 2011. Disponível em
<http://www.taquariantas.com.br/site/home/pagina/id/35> Acesso em: 14 mai. 2014.
POLLO, Ronaldo A. Ribeirão Paraíso no Município de São Manuel (SP), Por Meio
de Geotecnologias. Dissertação de Mestrado, Botucatu, 2013. 74p.
PRADO, Rachael B. Geotecnologias Aplicadas À Análise Espaço Temporal do
Uso e Cobertura da Terra e Qualidade da Água do Reservatório de Barra
Bonita, SP, Como Suporte á Gestão de Recursos Hídricos. Dissertação de
Doutorado, São Carlos, 2004. p. 197.
RODRIGUES, Ana C. M. A Cartografia temática digital do estado de São Paulo
(SP). Dissertação de Doutora. São Paulo, 2010. 236 p.
RODRIGUES, Ricardo R.; FILHO, Hermogenes de F. L.. Matas ciliares:
conservação e recuperação. 2. ed. São Paulo: EDUSP, 2001. 320 p.
ROQUE, Cassiano G.; OLIVEIRA, Ivan C.; FIGUEIREDO, Priscila P. BRUM, Everton
V. P.; CAMARGO, Mairo F. Georreferenciamento. Revista de Ciências AgroAmbientais. Alta Floresta, V.4, n. 1, p. 87-102, 2006.
ROSA, Roberto. Geotecnologias na Geografia Aplicada. Revista do Departamento
de Geografia. Uberlândia, out. 2005, p. 81-90.
SANTOS, Rozely. F. Planejamento Ambiental: teoria e prática. São Paulo: Oficina
de Textos, 2004. 184 p.
73
BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu)
SANTOS, Rozely. F. Vulnerabilidade Ambiental: Desastres Naturais ou
Fenômenos Induzidos. Brasília: MMA, 2007. 192 p.
SCHÄFFER, Wigold B.; ROSA, Marcos R.; AQUINO, Luiz C. S.; MEDEIROS, João
D. Área de Preservação Permanente e Unidades de Conservação X Área de
Risco: O que uma Coisa Tem a Ver com a Outra?. Brasília, 2011. 99 p.
SILVA, Jorge X.; ZAIDAN, Ricardo T. . Geoprocessamento e análise ambiental:
aplicações. 3.ed. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 2009.
SUGUIO, Kenitiro; BIGARELLA, João J. Ambiente fluvial. Curitiba: Universidade
Federal do Parana, 1979. 183 p.
TEIXEIRA, Fabricio R. Detecção de Mudanças na Paisagem em Área de Floresta
Tropical Utilizando Técnicas de Sensoriamento Remoto e Imagens Landsat TM.
Dissertação de Pós-Graduação, Seropédica, 2008. p. 50.
VIEIRA, M. Bernardes. Vetorização e Análise de Tendência de Cartas de
Lineamentos Geológicos. Dissertação de Pós-Graduação. Belo Horizonte, 1998.
97 p.
ZANCOPÉ, Márcio H. C. Análise Morfodinâmica do Rio Mogi Guaçu. Dissertação
de Pós-Graduação. Campinas, 2008. 124 p.
Fly UP