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PDL 0070/2006
JUSTIFICATIVA
A Congregação de Nossa Senhora - Cônegas de Santo Agostinho é uma associação civil com
fins não econômicos de caráter educacional, cultural e de assistência social.
Nasceu originalmente em 1597, em Mattaincourt, na Lorena, França, tendo como fundadora a
Madre Alix Le Clerc (1576-1622) e Pedro Fourier (1565-1640). Madre Alix, suas quatro
primeiras companheiras, e Pedro Fourier acreditavam que pela educação se poderia
transformar a sociedade. Para alcançar seu projeto Alix desejou ter uma comunidade de irmãs
vivendo no meio do povo, dedicadas à educação e à ação apostólica. O pensamento e a
irradiação do trabalho de Alix e de suas companheiras atraiu dezenas de jovens, que buscavam
e buscam ainda hoje uma consagração e engajamento de suas vidas a serviço do próximo, na
construção de um mundo mais fraterno, justo e de paz.
No início, o projeto atravessou muitas dificuldades, mas com coragem e tenacidade a
Congregação foi se expandindo, atravessando os séculos, atravessando oceanos até chegar na
Ásia, na África e na América.
Em 1906, cinco irmãs vieram de Jupille, na Bélgica, para fundar em São Paulo, uma casa na
qual se "fizesse todo o bem possível". No dia 18 de dezembro de 1906 as irmãs chegaram em
São Paulo e foram morar numa casa alugada na Avenida Paulista, n° 61 ".
Para desenvolver as atividades educacionais as irmãs adquiriram a propriedade da Rua Caio
Prado, n° 232, onde permaneceram por aproximadamente 70 anos.
Foi fundada a Escola Santa Mônica para crianças do bairro onde o Colégio se instalara.
Muitas gerações de alunas por lá passaram. Em 1924, ocorreu a fundação do Colégio Stella
Maris, em Santos, e da Escola Santa Teresa, também naquela cidade.
No mesmo ano de 1924, em São Paulo, a Revolução Tenentista abalou a Capital. As alunas
foram encaminhadas às suas famílias e o Colégio se transformou num hospital. Abriu suas
portas para acolher os feridos da revolução e um corpo médico para atendimento.
As décadas de 1920 - 1930, no Brasil e, especialmente em São Paulo, foram marcadas por
fortes tensões sociais, em meio à turbulência de greves, revoluções, guerra civil que não
impediram o florescimento das atividades sociais e educativas da Congregação.
Por iniciativa das Cônegas de Santo Agostinho, Mademoiselle de Loneaux, diretora da Escola
Católica de Serviço Social de Bruxelas, acompanhada de Mademoiselle de Hemptine, veio a
São Paulo, Para, no Colégio, realizar um curso intensivo de formação social, de 1 ° de abril a
15 de maio de 1932. Um numeroso grupo de jovens participou assiduamente deste curso, o
primeiro realizado em São Paulo. No encerramento do curso, foram aclamados os nomes das
pessoas que deveriam constituir a comissão encarregada de estudar o plano para a formação
de um núcleo de ação social. As reuniões dessa comissão foram o início das atividades do
"Centro de Estudos e Ação Social". As sócias Maria Kiehl e Albertina Ferreira Ramos, em
novembro de 1932, partiram para a Europa para completar seus estudos na Escola Católica de
Serviço Social de Bruxelas. De volta ao Brasil, as duas primeiras assistentes sociais brasileiras
recém formadas, colaboraram na fundação da primeira Escola de Serviço Social no Brasil que,
em 1947, passou a integrar a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, na qualidade de
Faculdade Agregada. A primeira Escola de Serviço Social de São Paulo deu origem a várias
outras no Brasil, na América Latina e na Espanha.
Diante de uma juventude feminina motivada para a cultura e o desenvolvimento social, Irmã
Santo Ambrósio, religiosa de origem belga, se engajou na fundação de um curso superior
destinado ao desenvolvimento da cultura feminina, principalmente das moças que pretendiam
dedicar-se ao professorado secundário. Em 1933, as Irmãs da Congregação de Nossa Senhora
- Cônegas de Santo Agostinho decidiram fundar o "Instituto Superior de Pedagogia, Ciências
e Letras Sedes Sapientiae". Entre os anos de 1944/1945, o Instituto Sedes Sapientiae se
estruturou como Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras e em 1947 foi anexada como
faculdade agregada à Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, criada em 1946.
Em 1951 foi inaugurado o Externato Madre Alix, acolhendo no Jardim Paulistano, o curso
primário do Colégio das Cônegas de Santo Agostinho.
Com o desenvolvimento acelerado da cidade de São Paulo, a localização do Colégio em área
urbana central, vinha causando sérias dificuldades. Após inúmeras reuniões e consultas à
comunidade, aos amigos, aos colaboradores, foi decidida a venda do terreno da rua Augusta,
esquina da Rua Caio Prado para aquisição de uma área na região do Morumbi. Mas, ainda nos
dias atuais, o Colégio das Cônegas de Santo Agostinho continua vigoroso, atendendo a um
elevado número de alunos em seus cursos profissionalizantes, funcionando nas dependências
cedidas pelo Colégio Sion de São Paulo, na Rua Higienópolis.
No ano de 1964, na área adquirida no Morumbi, foi fundado o Colégio Nossa Senhora do
Morumbi, que contou desde o seu inicio com novos e eficientes métodos pedagógicos.
Cumpre destacar na Congregação das Cônegas de Santo Agostinho, o imenso e incessante
trabalho desenvolvido por Madre Cristina, educadora e psicóloga. Nascida Célia Sodré Dória,
em Jaboticabal - SP, no ano de 1916, formou-se professora e veio para a capital fazer
faculdade (1937-1940). Licenciou-se em Filosofia e Pedagogia pela Faculdade Sedes
Sapientiae, entrou para a vida religiosa e começou a lecionar para os universitários. Estudou
Freud sozinha e mais tarde foi para o exterior complementar os estudos em psicologia (1955),
freqüentando a Sorbonne, em Paris. Em 1954 doutorou-se em Psicologia, pela Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP). Proferiu palestras para estudantes, pais e
professores, a convite de universidades e outras entidades e publicou vários artigos e livros.
Graças ao empenho de Madre Cristina e de outros profissionais da área junto ao Ministério da
Educação, foi autorizada a abertura de cursos de psicologia, sendo que na Faculdade Sedes
Sapientiae, o primeiro curso começa a funcionar em 1964.
Lutou pela liberdade, pela igualdade de direitos e pela transformação social. Na época da
ditadura militar, lutou até o desespero para salvar vidas e ideais. Foi chamada de comunista,
radical. Recebia ameaças de morte e de prisão. Escondia perseguidos políticos e intermediava
encontros. Faleceu no dia 26/11/97.
Durante o ano de 1968, em meio às lutas da resistência estudantil à ditadura militar, o governo
brasileiro propôs uma reforma universitária que, dentre outras medidas, estabelecia exigências
que dificultavam a existência de faculdades isoladas no país. A Faculdade Sedes Sapientiae
estatutariamente agregada à PUC, gozava até então de autonomia acadêmica e administrativa.
Entretanto, as questões políticas e administrativa levaram a Associação Instrutora da
Juventude Feminina, mantenedora da faculdade a deliberar sobre sua doação onerosa à
Fundação São Paulo, passando a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras a integrar a
Pontifícia Universidade Católica - PUC. Referida doação excluiu a Clínica Psicológica, anexa
à faculdade, responsável pelo atendimento à população carente, que manteve suas atividades
e, por iniciativa de sua Diretora, Madre Cristina, vários cursos das áreas de Psicologia e
Educação passam a funcionar naquele estabelecimento. Em 1974 é autorizada a proposta de
ampliação da Clínica Psicológica e a criação do Instituto Sedes Sapientiae, adquirindo-se um
terreno de 3000m2 na Rua Ministro de Godoy, no bairro de Perdizes.
Foi a partir da iniciativa de Madre Cristina de criar um espaço de encontro entre pensamento,
atuação e trabalho junto à sociedade, comprometido com a defesa dos direitos humanos e da
liberdade de expressão que, em 1975, nasceu o Sedes, adquirindo estatuto jurídico em 1977.
Madre Cristina definiu o Instituto Sedes Sapientiae "como um espaço aberto aos que quiserem
estudar e praticar um projeto para a transformação da sociedade, visando atingir um mundo
onde a justiça social seja a grande lei".
O Instituto Sedes Sapientiae é uma instituição que em seus mais de 25 anos de existência tem
construído um trabalho sólido nas áreas da saúde mental, educação e filosofia, caracterizandose pelo compromisso em analisar e responder as exigências do contexto social para a
construção de uma sociedade baseada nos princípios da solidariedade e da justiça social.
Assim, desde sua fundação, quando fez da instituição uma rede de resistência através de seu
trabalho, possibilitando a' organização de um pensamento e de uma ação transformadora do
momento, até hoje quando, através de seus cursos e ações sociais diretas - independente de
modelos preestabelecidos -, o Sedes busca a realização do homem como cidadão consciente
de seus desejos, deveres e direitos. Mantém-se como espaço de resistência, antes à ditadura,
agora ao pensamento único que não é capaz de reconhecer e operar com a diversidade. Sua
trajetória em defesa dos direitos da pessoa humana fez dele berço de vários movimentos
sociais nas duas últimas décadas e mantém seus vínculos com vários deles.
Como um centro multidisciplinar de reflexão, um lugar permanente de formação e serviços, o
Sedes se compromete, segundo sua Carta de Princípios (1979), "em pautar suas atividades
pelas linhas fundamentais que consagram o homem como princípio; a realidade social
brasileira como campo de trabalho; o exercício da defesa dos direitos humanos como método
e a libertação como fim", Desta forma pretende "assumir sua parcela de responsabilidade na
transformação qualitativa da realidade social, estimulando todos os valores que acelerem o
processo histórico no sentido da justiça social, democracia, respeito aos direitos da pessoa
humana.".
Centro de excelência em educação permanente, o Sedes procura - através de fóruns,
seminários, debates, grupos de estudos, publicações - manter discussões sobre temas
inovadores e polêmicos nas áreas da saúde mental e da educação.
São mais de 210 professores, 357 terapeutas e 40 funcionários administrativos que
desenvolvem seus trabalhos nos departamentos de Formação em Psicanálise, Psicanálise,
Psicanálise da Criança, Psicodrama, Psicodinâmica: Intervenção Institucional e Clínica de
Adulto, Gestalt Terapia, Reichiano e Psicopedagogia; nos centros de Filosofia (Cefis),
Educação Popular (Cepis), Educação de Adultos (Cida Romano) e Centro de Referência às
Vítimas de Violência (CNRW); na Clínica, no núcleo de referência em Psicose (NRP); nos 30
cursos de especialização, aperfeiçoamento e mais de 20 de expansão.
É através do Centro de Educação Popular (Cepis), voltado para a formação política e
organização de movimentos populares em todo o país, e do Centro Cida Romano (Cecir),
especializado em educação de adulto, que o Sedes realiza um de seus mais importantes
trabalhos junto à comunidade. Sempre vinculados com movimentos populares, sindicatos,
prefeituras, os Centros estão articulados com outras instituições no Brasil e na América
Latina. O Centro de Filosofia (Cefis) propicia através de seus cursos e assessorias subsídios
teóricos a profissionais, instituições e movimentos sociais.
Uma das vertentes importantes do trabalho do Sedes é a formação contínua de profissionais
através de seus cursos que hoje atendem mais de 1 mil alunos. Formar pessoas capazes de
exercer seu trabalho com competência, ética e dignidade é o objetivo do corpo docente do
Instituto. Seus 30 cursos de especialização e aperfeiçoamento são dirigidos para o
aprimoramento de psicólogos, médicos, pedagogos, assistentes-sociais e outros profissionais
de nível superior, em qualquer momento de sua vida profissional.
Na Clínica Psicológica, profissionais e alunos terapeutas atendem crianças, adolescentes e
adultos através de uma rede interna de serviços - psicoterapias, oficinas de expressão,
atendimento psicopedagógico, orientação vocacional, acompanhamento psiquiátrico,
acompanhamento terapêutico e atendimentos em torno de temáticas específicas como
violência doméstica e psicose - voltados essencialmente para a população de baixa renda e que
inclui também o atendimento a pacientes pagantes. A Clínica do Sedes é referência no campo
da saúde mental. Além do atendimento terapêutico, desenvolve projetos de assessoria,
consultorias, formação profissional e intervenção na comunidade.
Vê-se assim, que a Congregação de Nossa Senhora - Cônegas de Santo Agostinho é
reconhecida por sua atuação educativa versátil e diversificada no Brasil e em todos os lugares
do mundo onde está presente, sempre ao lado das crianças, dos jovens, agricultores, mulheres,
artesãos, romeiros, alagados, nas ocupações, com os povos indígenas, soro-positivos,
ribeirinhos, nas assessorias de educação, nas assessorias às Pastorais, na música, na arte, na
dança, na defesa do meio ambiente.
Neste ano de 2006, a Congregação comemora seu centenário no Brasil.
Por todas essas razões, que demonstram os relevantes trabalhos prestados a esta cidade pela
Congregação de Nossa Senhora - Cônegas de Santo Agostinho, em um século de atuação
nesta Cidade, pedimos o apoio dos nobres pares para a aprovação desta justa homenagem.
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