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8º ano - sistemas construtivos do brasil colonial

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8º ano - sistemas construtivos do brasil colonial
D epa r ta m e nt o d e De se nh o e
Colégio Pedro II
Departamento de Desenho e Artes Visuais
1Ar t e s Visua is
Campus São Cristóvão II – Coordenador Pedagógico de Disciplina: Shannon Botelho
8º ano. TURMA: ________
NOME: ____________________________________________________ nº ______
SISTEMAS CONSTRUTIVOS DO BRASIL COLONIAL
Quando em 1500 a Frota de Cabral avistou as terras brasileiras, iniciou-se oficialmente a posse de
um vasto território. O que fazer? Como povoar toda aquela vastidão territorial? Como proteger?
Ou melhor, como construir casas, igrejas, fortes e outros prédios, que garantissem a proteção e o
povoamento daquele lugar e de seus novos habitantes?
Na praia, os homens que já habitavam a terra, possuíam respostas iniciais para um rápido
assentamento de todas as pessoas que vinham com Cabral. Mas como fundar uma Colônia de
Portugal apenas com casas compridas, de madeira e bambus, cobertas de palha? Seguramente,
estes materiais seriam muito utilizados durante todo o período colonial para a construção civil
garças à sua fartura na natureza.
“Madeira, palha, pedra. Faltava apenas o barro para completar a lista de materiais com os
quais os portugueses edificaram uma nação, agenciando-os de formas variadas,
incorporando e sincretizando técnicas de povos conquistados em suas viagens ultramarinas”1
Era necessário povoar, viver, construir de forma rápida, ocupando as terras com feitorias. Nem
tudo dava certo, por vezes as construções ruíam, eram tentativas com erros e acertos, até que
fosse definido um sistema de construção eficiente, resistente e duradouro que atendesse ao clima
tropical desconhecido pelos portugueses.
O desafio estava posto. Como construir um modelo que estivesse definido, quando ao sul não
houvesse a matéria prima necessária para a execução do projeto? A riqueza de nossa arquitetura
colonial reside justamente na criatividade e inventividade dos povos indígenas, africanos e
portugueses que somando seus conhecimentos e tradições, deram soluções a todos os tipos de
desafios que o novo território lhes impunha.
TIPOS DE ARQUITETURA
1- Arquitetura Civil
A arquitetura civil pertence ao período colonial brasileiro é composta por modelos arquitetônicos
distintos e específicos. Ainda que em pouca quantidade, cada edifício possuía uma função
específica dentro do sistema sociopolítico. Podemos destacar, entretanto, as tipologias que
figuram em maior importância dentro deste cenário.
1
Mendes, Francisco Roberval. Arquitetura no Brasil: de Cabral a D. João VI. Rio de Janeiro: Ed. Imperial Novo Milênio,
2011. pg. 73
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Casas de Câmara e Cadeia
Possuía função administrativa e representava o poder
real sobre a colônia. Acumulava além de suas funções
administrativas, funções judiciárias e penitenciárias.
Dependendo das necessidades, o projeto arquitetônico
poderia ser muito extenso, incluindo salas de
audiência, arsenal de milícia, sala do juiz, plenários,
etc.
3
Casa Térrea e Sobrados
As casas térreas, ou habitações urbanas
de único pavimento, eram residências de
cidadãos da colônia. Possuíam janelas e
porta para a rua, com telhado
predominantemente dividido em duas
águas. Janelas de madeiras pintadas
com verniz de navio e paredes brancas
(caiadas).
Os sobrados por sua vez, constituíam a moradia de cidadãos com
maiores recursos financeiros. Neles, as salas da frente do piso
superior tinham a função de receber. Percebem sacadas das quais as
pessoas que frequentavam a sala de receber poderiam observar a
movimentação da rua.
4 - Arquitetura Religiosa
Os primeiros templos religiosos construídos no Brasil
seguiram o estilo tardio-renascentista ou maneirista
português. Este estilo é caracterizado por possuir fachadas
geometrizadas, com formas geométricas básicas, frontões
triangulares, janelas simples e paredes marcadas pelo
contraste entre pedra e superfícies brancas (paredes). A
decoração, inicialmente, é quase inexistente. Os elementos
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decorativos existentes estão normalmente fixados nas portadas, nos altares interiores com
pinturas e azulejos.
Características:
* Ausência de ornamentação na fachada, inspiração Maneirista.
* Austeridade, rigidez formal.
* Traçado geométrico, arcos plenos, linhas retas, frontão triangular, janelas retangulares.
5 - Arquitetura Militar
Nos primeiros anos da colonização uma das maiores preocupações
da metrópole portuguesa era asseguração a vigilância e proteção da
do território, ou seja, a posse das terras brasileiras. As primeiras
fortificações foram povoadas com muralhas. Os fortes ou fortalezas
apresentavam simplicidade em suas formas, ausência de decoração e
contraste entre paredes brancas e pedras aparentes.
Características:
* Simplicidade das Formas
* Ausência de Decoração.
* Racionalidade.
* Emprego de formas geométricas.
* Formas Estáticas, Regulares e Equilibradas.
TÉCNICAS CONSTRUTIVAS
As Fundações
A maneira mais simples e rápida de assentar paredes era o pau a pique, sistema utilizado pelos
povos indígenas. Este consistia no fincamento de varas ou toras de madeira muito próximas, cujas
bases eram queimadas no fogo para evitar o apodrecimento pela umidade.
Existiu também a fundação corrida, denominada baldrame, confeccionada por
pedras brutas, dispostas em uma cava de largura
variável de 1,5m de profundidade, aplicada para
receber as paredes em cima de si. Neste caso, para
proteger a fundação e as paredes da água da chuva, a
última fileira de pedras dispostas nesta cava, era
elevada em relação ao terreno, formando um degrau
acima do chão, impedindo assim, que a água
umedecesse a parede e a fundação.
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Tipos de Paredes
As paredes, ou elementos verticais, podem ser classificados segundo suas características
estruturais. Elas são: Paredes Autoportantes, que acumulam função de vedação e sustentação
do edifício; e, Paredes de Vedação, possuem somente função de vedação.
1- Paredes de Pedra
As paredes de pedra (autoportantes) foram largamente utilizadas na Colônia tanto por sua
abundância como pela resistência às intempéries.
Este método de construir resultava em muros e
paredes de grande largura, que resistiam a alturas
superiores a de outras técnicas.
Características:
* Paredes resistentes, grande largura, alturas elevadas.
* Mão de obra numerosa, comandada por mestres de obras especializados.
*Dificuldade para abrir grandes vãos (janelas e portas pequenas como
resultado).
2- Adobe e Tijolo
As peças de Adobe ou Tijolos eram paralelepípedos que mediam em torno de 20 cm x 20 cm x 40
cm. Eram compactos e maciços, feitos de barro, fibras de vegetais e água, prensados
manualmente em formas de madeira. Este material era conhecido há muito tempo pelos
construtores e mestres de obras. Foi utilizado desde a
Mesopotâmia, e assimilado pelos romanos em grandes
construções, graças à sua resistência e força.
A diferença entre as peças de adobe e os tijolos esta no
modo de preparo. Os Tijolos são cozidos em fogueiras ou
olarias, enquanto as peças de adobe são secas
primeiramente à sombra e depois são colocados ao sol.
Entre estes dois, o mais resistente é o tijolo, pois devido à
queima, apresenta maior resistência à umidade. No Brasil
colonial, a escolha entre os dois decorria principalmente da disponibilidade de madeira para a
queima das peças.
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Características:
* Feitos de barro, fibras de vegetais e água.
* Prensados em formas de madeira.
*Resistência e força.
3- Taipa de Pilão
Esta técnica também é milenar. A taipa de pilão foi utilizada
em todos os continentes ao longo da história devido a sua
relativa facilidade de execução. Trata-se de um método
construtivo que utiliza água, barro, fibras vegetais e
aglomerantes (estrume ou sangue de animais). Esta mistura é
assentada dentro de uma forma de madeira denominada
taipal, dispostas ao longo das fundações corridas.
Para a construção a mistura é compactada dentro do taipal em camadas de no máximo 20 cm.
Quando a camada está seca, sobrepõem-se outra camada de 20 cm, até alcançar a altura
desejada. Devido à fragilidade do barro para a sustentação, as paredes devem ter no mínimo 60
cm de largura, proporcionando um bom isolamento térmico. Outro fator de risco para este tipo de
parede é a umidade, por isto, assentam-se estas construções acima do nível do chão, sob uma
base de pedra, e protegem-se as paredes com largos
beirais.
Características:
* Mão de obar numerosa, pois se trata de um processo
artesanal.
*Não pode ser executada em dias chuvosos.
* Paredes largas (60 cm),
*As janelas devem ser previamente demarcadas
*Deve ser bem protegida da chuva e da umidade do terreno.
4- Madeira
A utilização de tabuado como elemento de vedação,
técnica amplamente utilizada pelos imigrantes do sul
do país, não era uma prática comum entre os
portugueses. A forma mais comum de fixação,
devido à ausência de pregos era a “saia de camisa”
(uma tábua madeira por cima e outra por baixo
sequencialmente), também aplicada em forros e
tetos.
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5- Taipa de Mão ou Pau a Pique
Esta técnica também foi largamente utilizada devido
a sua praticidade. Trata-se de uma malha vertical de
madeiras, bambus, varas ou cipós, apoiada na
fundação, em que de ambos os lados, manualmente
os construtores vão aplicando uma mistura de barro
molhado e fibras vegetais. É comum que depois de
concluídas as paredes, seja aplicada uma camada
de argamassa de barro para homogeneizar a
estrutura, tapas fissuras e proteger a construção de
intempéries.
Este procedimento pode ser considerado uma técnica de larga utilização e duração. Ainda hoje
esta técnica é utilizada por populações de poucos recursos materiais e em projetos de arquitetura
que procurem se integrar a natureza.
Características:
*Pouca resistência a intempéries, necessita de beiral e soleira.
* Por não ser uma parede macia favorece a proliferação de
insetos.
* Técnica de fácil execução.
Obs. O estuque segue a mesma lógica que a Taipa de Mão,
entretanto ele somente é aplicado no interior das casas e é
preparado com materiais mais refinados. Confere a construção um acabamento mais delicado.
Soluções Arquitetônicas
1- Telhados e Coberturas
A disponibilidade de material determinou ainda mais uma vez a opção para as coberturas. Num
primeiro momento, aplicando-se a palha, como os índios. Eram utilizadas ainda cortes de cascas
de árvores, ou palha, sapê e outros materiais impermeáveis. Com o inicio efetivo da ocupação do
território e a crescente necessidade de edifícios mais resistentes e duradouros, implantaram-se as
olarias para a produção não apenas de tijolos, mas também das telhas capa-e-bica ou capa-ecanal, marco na arquitetura colonial brasileira.
Estas telhas ficaram também conhecidas como
telhas de coxa, por terem a modelagem de
coxas humanas. Muitas vezes, quando
necessário estas telhas eram moldadas em
coxas de mulheres africanas escravizadas,
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dispostas ao sol para secarem e posteriormente levadas ao forno.
As telhas eram dispostas predominantemente sobre madeiramentos de duas águas, podendo ser
acrescidos nos telhados outras águas (inclinações de telhas), águas-furtadas e camarinhas
conforme a complexidade do projeto.
2- Beirais
O Brasil é um país tropical em que a realidade de grandes
temporais é constante. Além disto, os índices de umidade
relativa do ar e dos terrenos estão sempre elevados.
Considerando a fragilidade de alguns materiais e métodos
construtivos do período colonial, os beirais veem atender a
demanda. Recorrendo a práticas desenvolvidas nas
possessões orientais (Índia e Extremo Oriente), os
construtores portugueses fizeram uso recorrente deste
elemento que se tornou um referencial para a arquitetura
colonial. Beirais alongados, com curiosos ou exóticos
acabamentos.
Este elemento é prioritariamente destinado à proteção contra as chuvas e seus efeitos danosos às
paredes das construções, além de proteger, da insolação nos dias de sol. São executados de
madeira, pedra ou argamassa, aplicados como arremates entre a parede e a projeção das últimas
telhas.
3- Forros
Os forros são utilizados para atender a solicitações diferentes nas
diversas construções do período colonial brasileiro. Em alguns casos
eles servem para rebaixar a altura do pé direito (altura do chão ao
telhado), em outras para a manutenção da ventilação, ou principalmente
para a valorização e decoração do ambiente. Predominantemente foi
utilizada a madeira para a aplicação e confecção de forros, seja na
arquitetura civil ou religiosa. Mas também foram utilizados outros
materiais para sua confecção como: esteiras e entrelaçados de bambus
recobertos com pós de mármore e barro. As forrações no período
colonial podem ser classificadas em: Forro Liso, Forro em Caixotão e
Forro em Saia e Camisa.
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4- Pisos
Assim como as coberturas, os revestimentos e pisos
evoluíram à medida que a mão de obra pode ser
especializar ou valorizavam-se os ambientes para
morar, trabalhar ou rezar. Os primeiros exemplos
utilizam seus materiais em estado bruto, como terra
batida ou pedra sem nenhum aparelhamento. No
caso da pedra, eram recolhidos fragmentos de
dimensões variadas, aplicados diretamente sobre o
solo, argamassados com barro. Com o avanço da
técnica e o aperfeiçoamento da mão de obra, as
pedras brutas foram sendo substituídas pelas pedras
aparelhadas, principalmente em locais de maior prestígio, como nas Igrejas ou Casas de Câmara
e Cadeia.
Por fim, com a evolução da marcenaria e carpintaria, associada a novos instrumentos de trabalho,
a madeira passou a compor uma nova forma de revestimento. Grandes tábuas de madeiras,
justapostas, eram fixadas no chão em esquemas de macho e fêmea, ou ainda, com juntas-secas,
compondo amplos e belos interiores.
Esquadrias e Janelas
A abertura de vãos na arquitetura colonial depende do
sistema construtivo das paredes, de sua função,
variando o acabamento e espessuras das peças. Mas
normalmente no período colonial, as construções civis
seguem a um padrão: Portas e Janelas retangulares,
arrematados por arcos abatidos; soleiras, vergas e
peitoris de pedra ou madeira.
Os tipos de janelas foram evoluindo ao longo
do período colonial, mas inicialmente eram
compostas
de
tábuas
justapostas
contraventadas pelo exterior, sem nenhuma
abertura. Por influência muçulmana, trazida de
Portugal, os muxarabis compunham um
conjunto que além de regular a ventilação e
climatização interior, conferiam descrição e
privacidade aos cômodos.
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