...

Portugal estreia-se no milho para pipocas

by user

on
Category: Documents
1

views

Report

Comments

Transcript

Portugal estreia-se no milho para pipocas
24
Expresso, 10 de maio de 2014
ECONOMIA
AGRICULTURA
Portugal estreia-se no milho para pipocas
Agromais, associação agrícola do norte do vale do Tejo, lidera projeto em parceria com cinemas da Zon
As pipocas querem-se doces em
Portugal. Na Europa, ao contrário, a preferência recai nas
salgadas. Daí que a pesquisa que
os produtores de milho portugueses tiveram de fazer para
chegar à variedade deste cereal
mais adaptada ao gosto luso tenha sido profunda: foi preciso
testar variedades, fazer ensaios
de campo e provas de degustação. Até há pouco tempo, não
existia produção de milho para
pipocas em território português.
Agora, a partir da região norte
do vale do Tejo saem milhares
de toneladas deste milho, mais
miúdo, para adocicar as sessões
de cinema nas mais de 200 salas
da Zon Lusomundo.
Uma vez por mês, do centro
de secagem e armazenamento da Azinhaga (Golegã), segue
um camião de 25 toneladas para
os dois centros de receção da
cadeia de cinemas, no Carregado e no Porto. Uma porção
ainda pequena para responder
à procura. Os primeiros grãos
de origem nacional foram colhidos na campanha de 2013
(quase 120 mil toneladas), mas
o projeto arrancará oficialmente
aquando da colheita deste ano,
lá mais para setembro. Nele, estão envolvidos uma dezena de
produtores da Agromais, uma
associação de agricultores da
Lezíria a norte do Tejo.
Sozinha, representa quase
30% da produção nacional de
milho transacionada, mais de
118 mil toneladas — embora
Portugal produza quase 800 mil
toneladas deste cereal, apenas
metade disso entra no circuito
normal de comercialização, já
que a outra parte se destina ao
consumo próprio dos produtores, sobretudo para a alimentação dos animais.
Serão quase 70 hectares de
terra dedicados a esta variedade
de milho popcorn e, por agora,
apenas uma parte deles está a
produzir. Financiado pelo Proder — Programa de Desenvolvimento Rural, este projeto tem
um investimento modesto, cerca
de €18 mil, mas outro mais avultado (€250 mil) que se destina
a custear as infraestruturas e
equipamentos necessários.
Jorge Neves dirige a
Agromais, que lidera
o projeto pioneiro de
produzir milho para
pipocas em Portugal
FOTO NUNO BOTELHO
de rações; os restantes 40% são
para a alimentação humana (papas de bebé, flocos de cereais,
cerveja, entre outros produtos).
A Agromais, que explora 13 mil
hectares na região, produz ainda
trigo, cevada, batata para indústria e consumo, tomate, cebola,
brócolos ou pimentos. “Somos
uma cooperativa que dá lucro.
Não temos qualquer problema
em assumi-lo”, afirma o responsável por esta organização de
produtores.
Ao redor da Golegã, a Agromais tem vários centros de operação: a Agrotejo, que presta
apoio e formação aos agricultores da zona; e Agromais Plus,
empresa criada em 1999 que
disponibiliza fatores de produção aos agricultores, como sementes, adubos, fitofármacos
ou componentes de rega. “No
ano passado, dos €13 milhões de
vendas que a Agromais Plus fez,
mais de €8 milhões foram feitas
através de créditos dados aos
nossos associados que, depois,
nos pagam com a produção.
Tentamos que isto seja um círculo virtuoso e beneficie todos”,
assume Jorge Neves.
Em marcha, a Agromais tem
vários investimentos. Um deles,
de €2 milhões, visa aumentar a
capacidade de secagem na estrutura detida pela Agromais em
Riachos (Torres Novas). “Desde
a nossa criação, dos €15 milhões
que já investimentos, só cerca
de €200 mil é que não foram
objeto de apoio. Isto mostra
bem a importância que nós damos aos fundos comunitários.
Se eles existem são para serem
Outro empreendimento maior está a acontecer bem mais
abaixo do Tejo, em Ferreira
do Alentejo, onde a Agromais
acabou de investir €4 milhões
na construção de um centro de
secagem de milho. A água de
Alqueva propiciou o aumento
exponencial da cultura deste cereal e a organização de produtores do norte do vale do Tejo não
se fez rogada em descer mais a
sul para angariar mais produções. Não apenas de milho, mas
também de tomate e cebola (em
2013, mais de 50% da produção
de cebola da Agromais teve origem no Alentejo). “O nosso mo-
Milho mais
sustentável
“Não é um grande projeto, mas
pode ter um retorno muito
grande. O milho para alimentação humana tem um valor
acrescentado muito maior. E
ainda diminuímos as importações desta variedade”, explica
Jorge Durão Neves, diretor-geral da Agromais, organização
de produtores criada em 1987
e que, no ano passado faturou
€44,3 milhões.
O milho representa 86,3% do
negócio: cerca de 60% da produção destinam-se às empresas
Compro pintura portuguesa
e estrangeira de artistas
consagrados, pagamento a pronto,
máximo sigilo
Expandir além do Tejo
Em 2013, João Coimbra,
produtor da região a norte
do Tejo, colheu 16,7 mil
toneladas de milho em 350
hectares de campos de milho.
“Em 20 anos, os agricultores
de milho foram obrigados
a mais que duplicar a sua
produção por hectare”,
conta. O regadio e as novas
tecnologias associadas ao
MÉDIO ORIENTE
EXPORTAÇÃO
Empresa Luso/Árabe c/ instalações e sede no Dubai
árabe residente e fluente em inglês,
– Estrutura: Responsável
português e árabe.
3 comerciais operacionais locais.
– Assegura: Serviço de marketing e vendas, nos Emirados A.U.
Espaço para mostra de produtos no Dubai.
Apoio administrativo local.
Custo de aderência elegível em Prog. Internacionalização IAPMEI.
Cooperação/Ponte com Dubai, por empresa
partner Portuguesa.
– Produtos Objectivos:
Origem Portuguesa, de consumo e industriais.
l
l
l
l
l
l
l
TM: 931 106 164
Mail: [email protected]
delo de organização e de negócio é absolutamente replicável.
Daí descermos até ao Alentejo”,
conta o presidente da Agromais,
Luís Vasconcellos e Souza, que é
também o líder da Anpromis, a
Associação Nacional de Produtores de Milho e Sorgo.
Segundo o responsável, Portugal, que apenas produz milho para um terço das suas necessidades, “pode duplicar” a
produção anual de milho. Mas
não mais do que isso. Dependerá
dos grandes produtores mundiais, como os Estados Unidos, a
América Latina e a Europa do
Sul. Em 2013, das 1,6 milhões de
toneladas de milho que Portugal
importou, 826 mil chegaram da
Ucrânia e 508 mil do Brasil.
Joana Madeira Pereira
[email protected]
NÚMEROS
70
hectares vão ser
plantados com milho
para pipocas
18
toneladas por hectare
de milho cultivado foi
o recorde em Portugal
em 2012. O preço de venda
por tonelada de milho
em 2013 foi de €180
JOÃO COIMBRA, 51 ANOS, É DOS MAIORES PRODUTORES NACIONAIS DE MILHO
Cooperativa que dá lucro
COMPRA ARTE
utilizados. Caso contrário, são
devolvidos a Bruxelas”, remata.
l
Contacto: [email protected]
trabalho agrícola foram
cruciais nesta evolução.
Mas nem tudo vale: “A
intensificação das culturas é
necessária, mas numa lógica
de sustentabilidade”, declara.
É pioneiro na utilização
das energias renováveis ao
serviço da agricultura: a
sua exploração produz toda
a energia que consome; e
reduziu em 40% as emissões
de dióxido de carbono no
processo de irrigação. Tem
agora um novo projeto:
com vários investigadores
e estudantes está a
transformar as suas terras,
ainda que intensamente
exploradas, em abrigos
para a biodiversidade. Além
da já habitual rotação de
culturas, passou a semear
tremocilho e outras culturas
que são especialmente
atrativas para as abelhas,
construiu pequenos charcos
para répteis e anfíbios, criou
abrigos para morcegos e
zonas de refúgio (áreas
arborizadas) para a fauna
autóctone.
Fly UP