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Guia do Diagnóstico Participativo

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Guia do Diagnóstico Participativo
Guia do
Diagnóstico Participativo
Mary Garcia Castro e Miriam Abramovay
GUIA DO DIAGNÓSTICO PARTICIPATIVO
ÍNDICE
Introdução ........................................................................................................................... 7
Diagnóstico participativo .................................................................................................. 9
O que é diagnóstico? .......................................................................................................... 9
Elementos básicos de um Diagnóstico ............................................................................ 9
Questões chaves................................................................................................................ 10
O que é Diagnóstico Participativo? ................................................................................ 10
Para que serve o Diagnóstico Participativo? ................................................................. 11
Como se faz um Diagnóstico Participativo? ................................................................. 11
Qual a importância do Diagnóstico Participativo? ....................................................... 12
Passos do Diagnóstico Participativo .............................................................................. 12
Estratégias de coleta de informações ............................................................................. 13
Pesquisa-ação .................................................................................................................... 13
Entrevista não estruturada ............................................................................................. 13
Entrevista semi-estruturada ............................................................................................ 14
Mapeamento participativo .............................................................................................. 14
Referências bibliográficas ................................................................................................ 15
Introdução
Luciano Cerqueira1
O fim dos regimes ditatoriais na América Latina foi acompanhado pelo surgimento
de novas formas de organização dos grupos sociais excluídos pelas elites hegemônicas,
que até então governavam. As novas organizações se destacavam não apenas por
seu ativismo político, mas também pelo intenso envolvimento dos participantes no
processo decisório. Comunidades eclesiais de base, sindicatos, movimentos sociais
urbanos e conselhos de fábrica desempenharam um papel importante na transição para
a democracia, em função do atendimento as reivindicações populares e pelo fato de se
tornarem “escolas” de prática participativa para a sociedade civil.
A importância atribuída a esses experimentos colaborou para que fossem
incluídas no texto constitucional, garantias à participação popular no controle das
ações governamentais e na tomada de decisões concernentes às políticas públicas.
Descentralização, cidadania, participação cívica e transparência nas contas públicas
tornaram-se referências obrigatórias nos discursos dos mais variados atores políticos2.
A partir de então, o termo participação passou a ser utilizado como palavra-chave,
especialmente para dar legitimidade às ações realizadas por organizações e instituições
políticas e sociais, assim como outras, em seu devido tempo, passou a ser utilizada como
palavra mágica. Aquela que serviria para qualquer ocasião e solucionaria qualquer problema.
Essa dinâmica serviu, em primeiro momento, para controlar a participação do povo
nas decisões e debates mais importantes. Esse tipo de participação se insere em um
processo de educação que não liberta as pessoas, que não permiti, de acordo com
Freire (1979), a apreensão do conhecimento em questão. Nesta nova fase, a educação e
participação assumem uma nova cara, mas infelizmente com a antiga estrutura.
_______________
1
Pesquisador da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais e doutorando do Programa de Políticas Públicas e
Formação Humana da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (PPFH da UERJ).
2
CERQUEIRA, L. Participação cidadã na gestão pública: avanços e retrocessos com a implantação da estratégia de
desenvolvimento local integrado e sustentável. 2004. 80 folhas. Dissertação (Mestrado em Ciência Política), Instituto
Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2004.
GUIA DO DIAGNÓSTICO PARTICIPATIVO
7
Mas as escolas de participação (local de trabalho, escolas, associação de moradores,
paróquias, cooperativas etc.) na verdade acabaram criando a ilusão de participação
política e social (BORDENAVE, 1995), pois o poder de influenciar (naquele momento)
era baixo, quase nulo. Mas não podemos negar que esse processo, também, promoveu
uma mudança entre as massas populares. Seja qual for a forma de participação, ela
“criou” algumas lideranças populares que conseguiram ascender no cenário político
municipal, estadual e, até mesmo, federal.
Segundo Bordenave (1995) existem quatro de formas de participação: imposta,
voluntária, manipulada e concedida. Na participação imposta, o indivíduo é obrigado
a fazer parte de grupos e realizar certas atividades consideradas indispensáveis. O
voto obrigatório pode ser considerado um exemplo desta forma de participação. Na
participação voluntária, o grupo é criado pelos próprios participantes, que definem sua
própria organização e estabelecem seus objetivos e métodos de trabalho. São exemplos
os sindicatos, as cooperativas, os partidos políticos etc. Mas este tipo de participação
também pode ser provocada por agentes externos, o que (em alguns casos pode) constituir
a participação manipulada. E a participação concedida, e este é tipo de participação que
ocorre na grande maioria dos Diagnósticos e Planejamentos participativos desenvolvidos
em diversos âmbitos do dia-a-dia social pós-redemocratização.
O conceito de participação, no âmbito dos processos de diagnósticos e planejamentos
participativos, pressupõe divisão de poder no processo decisório, passando pelo controle
das partes sobre a execução e a avaliação dos resultados pretendidos. Ou seja, participar,
neste caso, é tomar parte das decisões e ter parte dos resultados.
Nesse contexto recente de promoção da participação popular na construção de
políticas públicas se destaca o surgimento de um grande número de técnicas participativas
para diagnosticar e, especialmente, planejar as novas propostas para o desenvolvimento
socioeconômico do país.
8
GUIA DO DIAGNÓSTICO PARTICIPATIVO
Diagnóstico participativo
O Diagnóstico Participativo é um dos métodos de investigação da realidade. Mas
para entender em que consiste o método é importante termos a compreensão dos
conceitos e elementos básicos que orientam qualquer método de diagnóstico social.
O que é diagnóstico?
•
•
•
Diagnosticar significa conhecer, levantar informações, pesquisar. Significa fazer uma avaliação
de uma realidade determinada, baseada em dados e informações;
Diagnosticar implica: conhecer/pesquisar, interpretar e propor;
O objetivo do diagnóstico é gerar um novo conhecimento sobre um aspecto da realidade
(realidade desconhecida e/ou que precisa aprofundar o conhecimento).
Sem diagnóstico não se pode saber quais são as necessidades próprias de cada lugar
e os programas oferecidos acabam sendo inadequados.
Elementos básicos de um Diagnóstico
•
•
•
•
•
•
Expressa novas formas de conhecimento sobre as áreas específicas;
Deve ter um foco, um eixo orientador;
É Centrado na comprovação de algumas hipóteses/curiosidades;
Procura à relação entre os fatos, os processos sociais, sujeitos e referências conceituais;
Quem realiza pode ou não está envolvido no processo (protagonista);Problematiza, de modo a
conseguir uma nova visão da realidade;
Mesmo focalizando objetivos delimitados tem relação com o todo.
Para elaboração de um diagnóstico é fundamental trabalhar algumas categorias ou
conceitos elementares:
Realidade: aquilo que existe efetivamente, que é real, concreto;
GUIA DO DIAGNÓSTICO PARTICIPATIVO
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Sujeito social: são as pessoas ou grupos que fazem parte da realidade que queremos
conhecer. Pessoas ou grupos que, atuando na realidade, são capazes de transformá-la;
Problema: é um obstáculo que queremos conhecer ou enfrentar. É um pedaço
inaceitável, para nós, da realidade que percebemos;
Foco: é um recorte da situação-problema que queremos conhecer;
Potencialidade: são as vocações, vantagens da realidade;capacidades dos sujeitos que,
se dinamizadas, podem contribuir para superar os problemas.
Questões chaves
•
•
•
•
Qual a situação-problema que quero conhecer?
Que informações eu preciso para conhecer a situação-problema?
Onde buscar as informações? Quais as formas de coleta?
Como sistematizar e disseminar as informações?
Uma das escolhas metodológicas para se realizar um diagnóstico, que prime pela
participação dos sujeitos sociais no processo de coleta e análise das informações é o
diagnóstico participativo.
O que é Diagnóstico Participativo?
Diagnóstico Participativo é um método utilizado para fazer levantamento da
realidade local. Este levantamento é feito com a participação das lideranças locais, ou por
qualquer outro integrante de um grupo definido, deve conter os principais problemas
da localidade em todas as áreas (social, econômica, cultural, ambiental, físico-territorial
e político-institucional);
O Diagnóstico Participativo deve captar também as potencialidades locais, ou seja,
as vocações e as vantagens da localidade em relação a outros lugares. Porque são estas
as potencialidades que devem ser dinamizadas para que a localidade, ou grupo, possa
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GUIA DO DIAGNÓSTICO PARTICIPATIVO
superar os problemas identificados e atingir o desenvolvimento sustentável, caminhando
com as próprias pernas.
Para que serve o Diagnóstico Participativo?
Quando a comunidade está interessada em iniciar um projeto participativo, o
agente de desenvolvimento, educador ou liderança que esteja facilitando do processo
deve ajudar no sentido de se fazer uma análise da realidade da comunidade, focando o
problema mais específico que a mesma quer resolver.
Esta análise ajudará a comunidade a compreender melhor sua situação.
Permitirá identificar os problemas e obstáculos que impedem seu desenvolvimento,
proporcionando os elementos para priorizar seus problemas.
Ademais, o diagnóstico servirá como base para o planejamento conjunto de
atividades para melhorar a situação de vida da comunidade ou grupo.
Portanto, o processo de Diagnóstico Participativo serve para:
•
•
•
•
•
Possibilitar a tomada de consciência, tanto da comunidade como da entidade que realizando o
diagnóstico, sobre os aspectos relacionados à sua realidade sócio-econômica, política e cultural;
Promover a participação de diferentes grupos comunitários nos espaços de elaboração de
políticas públicas (em particular as mulheres, pessoas indigentes, jovens, negros);
Proporcionar uma base para a planificação de atividades educativas, organizativas e
mobilizadoras;
Coletar dados que possam proporcionar uma base para o sistema de avaliação da realidade e
proposição de políticas e projetos;
Contribuir para dar maior poder de decisão à comunidade.
Como se faz um Diagnóstico Participativo?
Uma análise participativa implica num diálogo entre os membros do grupo, ou da
comunidade, e o agente de desenvolvimento. Portanto trata-se de um processo contínuo
que requer tempo. Pode ser realizado num tempo curto de um a dois meses, mas pode
tomar mais tempo, de acordo com os objetivos que se quer alcançar.
GUIA DO DIAGNÓSTICO PARTICIPATIVO
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A informação para a análise participativa da realidade pode ser coletada de vários
modos: entrevistas semi-estruturadas, individuais ou de grupos, técnicas de visualização,
observação participativa, análise das tradições culturais, oficinas e levantamentos, além
de outros.
O facilitador do processo de diagnóstico deve ajudar o grupo a resumir os resultados
do diagnóstico, a discuti-los e a priorizar os problemas que surjam.
Dos resultados do diagnóstico inicial, realizado durante a fase preparatória, podese elaborar uma lista de verificação dos temas a serem considerados com o grupo, ou
comunidade, dando particular atenção a qualquer aspecto que corresponda aos principais
objetivos da pesquisa. Com o fim de complementar e completar os resultados pode-se
coletar dados adicionais em outras fontes (IBGE, Secretarias de governos, Institutos,
Pastorais, Entidades, ONGs, entre outras).
Qual a importância do Diagnóstico Participativo?
Os projetos participativos têm como meta principal apoiar grupos específicos na
seleção de alternativas que assegurem melhoria da qualidade de vida da população.
Mediante um diálogo entre o facilitador e a grupos, os projetos participativos permitem
aos usuários decidir que mudanças, inovações ou intervenções seriam mais adequadas
para melhorar suas condições de vida.
As soluções podem ser mais apropriadas e eficazes quando se baseiam numa análise
dos problemas pelas pessoas afetadas e em suas opiniões. No processo de análise
participativa, os membros da comunidade participam na caracterização da realidade e na
identificação das causas dos problemas relacionados, segundo sua própria compreensão
da realidade. O papel da pessoa que está coordenando o processo de diagnóstico é de
um facilitador.
Passos do Diagnóstico Participativo
•
•
•
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Analisar a realidade econômica, social e cultural do grupo ou comunidade;
Identificar os problemas existentes relacionados com as condições de vida;
Ajudar os grupos a priorizar seus problemas, identificando as causas e os efeitos;
GUIA DO DIAGNÓSTICO PARTICIPATIVO
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•
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•
•
Identificar as potencialidades do grupo e dos atores sociais;
Identificar a correlação de forças entre os grupos sociais e o poder local;
Identificar os aliados e parceiros;
Resumir e chegar a um acordo sobre os resultados do diagnóstico;
Análise dos resultados do diagnóstico;
Elaboração de proposições ou um plano de ação para enfrentamento dos problemas.
Para finalizar, vale lembrar que existe uma diversidade de metodologias que permitem
os grupos, organizações e comunidades discutirem seus problemas e definirem melhor
as formas de enfrentamento dos problemas. Portanto, a metodologia do Diagnóstico
Participativo é parte de um conjunto mais amplo de métodos que integram uma
estratégia de intervenção social que primam pela participação popular.
Estratégias de coleta de informações
Pesquisa-ação
Pesquisa–Ação (THIOLLENT, 2000) é uma estratégia que está voltada para a
descrição de situações concretas e para a intervenção ou a ação orientada em função
da resolução de problemas efetivamente detectados nas comunidades consideradas.
A Pesquisa-Ação é um instrumento de trabalho e investigação, que envolve grupos e
propõe aos pesquisadores e ao grupo de participantes, meios de se tornarem capazes de
responder com maior eficiência aos problemas da situação em que vivem, sob formas
de diretrizes de ação transformadora.
Entrevista não estruturada (diálogo)
É baseada em um plano claro que é mantido em sua mente. É mais utilizada quando
você tem muito tempo e vai fazer um trabalho em longo prazo, em que poderá encontrar
o informante várias vezes. Esta técnica permite que as informações obtidas estejam
bem mais próximas da realidade.
Com o tempo, o entrevistado vai ficando mais à vontade e as informações mais completas.
Neste tipo de entrevista, o entrevistador aproxima-se mais do universo do entrevistado.
GUIA DO DIAGNÓSTICO PARTICIPATIVO
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Aqui são aproveitados, especialmente, os momentos de descontração da pesquisa,
envolvendo uma maior valorização da vivência do dia-a-dia da comunidade investigada.
Em alguns momentos, este tipo de entrevista se prolonga por diversas horas consecutivas.
Entrevista semi-estruturada
Nas situações em que não haverá uma nova chance para entrevistar alguém, a
entrevista semi-estruturada pode ser importante. Ela tem algumas das qualidades da
entrevista não estruturada, mas é baseada em um roteiro – lista escrita de questões e
tópicos que precisam ser abordados em uma ordem particular. O registro pode ser feito
com gravador ou com anotações. É interessante neste caso, ter mais de um entrevistador
por entrevista. Pode ser realizada com informante chave, com grupos, individualmente,
entre outros.
Segundo Marconi e Lakatos (2003), a entrevista é o encontro entre duas pessoas,
a fim de que uma delas obtenha informações a respeito de determinado assunto,
mediante uma conversação de natureza informal. No entanto, entende-se que este tipo
de entrevista também deve considerar certa informalidade, intercalando questões mais
fechadas e direcionadas com argumentações mais abertas.
Mapeamento participativo
É uma técnica baseada na coleta de informações baseadas na percepção e
conhecimento que os indivíduos, e grupos, têm do espaço em que vivem. Na construção
do mapa podem ser utilizados materiais locais, como folhas, pedras, entre outros.
Durante a elaboração do mapa pelos participantes, vários questionamentos podem ser
feitos, sobre as potencialidades e limitações, entre várias outras questões.
O mais importante é permitir que a comunidade desenvolva a técnica sem muita
interferência da equipe de diagnóstico. Esta deve apenas fomentar a construção do
mapa e o debate sobre as questões geradas pela atividade.
Ressalta-se a importância da equipe de diagnóstico que deve estar sempre
estimulando a construção do mapa e o debate dos temas. Os membros da equipe devem
anotar, literalmente, as informações repassadas durante o desenvolvimento da técnica.
Daí a importância de uma equipe multidisciplinar que tenha compreensões diversas da
realidade e consiga captar diferentes perspectivas do contexto de cada área pesquisada.
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GUIA DO DIAGNÓSTICO PARTICIPATIVO
Referências bibliográficas
BORDENAVE, J. E. D. O que é participação. 1. São Paulo: Brasilense, 1983. (Coleção
Primeiros Passos, 95).
CERQUEIRA, L. Participação cidadã na gestão pública: avanços e retrocessos com a
implantação da estratégia de desenvolvimento local integrado e sustentável. 2004. 80
folhas. Dissertação (Mestrado em Ciência Política), Instituto Universitário de Pesquisa
do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2004.
CHAMBERS, R.; GUIJT, I. DRP: después de cinco años, em qué estamos ahora?
Revista Bosques, Arboles y Comunidades Rurales, Quito: FAO, n. 26, p. 4-14, 1995.
COELHO, F. M. G. A arte das orientações técnicas no campo: concepções e métodos.
Viçosa:UFV, 2005.
FREIRE, P. Extensão ou comunicação? Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979.
GOMES, M. A. O. et al. Diagnóstico Rápido Participativo (DRP) como mitigador de
impactos socioeconômicos negativos em empreendimentos agropecuários. In: BROSE,
M. Metodologia participativa: uma introdução a 29 instrumentos. Porto Alegre: Tomo
Editorial, p. 63-78, 2001.
MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Fundamentos de metodologia científica. 5. ed.
São Paulo: Atlas, 2003.
PRETTY, J.; GUIJT, I.; THOMPSON, J.; SCOONES, I. Participatory learning and
action: a trainer’s guide. London: IIED, 1995.
TERRA. Relatório de diagnóstico e planejamento participativo do meio rural do
município de Cabo Verde – MG. Cabo Verde, 1997.
THIOLLENT, M. Metodologia da Pesquisa-Ação. 10ª ed. São Paulo: Cortez: Autores
Associados, 2000.(Coleção temas básicos de pesquisa-ação).
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Textos de referência na internet para construção do guia
http://crescentefertil.org.br/projetoriosesmaria/site/wp-content/uploads/6.-DRP.pdf
http://www.seer.ufu.br/index.php/revextensao/article/view/20380
http://www.icv.org.br/site/wp-content/uploads/2013/08/29132cartilha_cotriguacu.pdf
http://www.convibra.com.br/upload/paper/adm/adm_815.pdf
http://www.koinonia.org.br/outras/CARTILHA_TRD_2009.pdf
http://www.iapar.br/arquivos/File/zip_pdf/Ase/diag_participativo.pdf
http://www.mma.gov.br/estruturas/pda/_arquivos/prj_mc_103_pub_art_007_ec.pdf
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GUIA DO DIAGNÓSTICO PARTICIPATIVO
Perguntas
1.
2.
3.
4.
5.
Qual a importância do diagnóstico para realização de uma pesquisa?
O que é diagnóstico participativo?
Para que serve o diagnóstico participativo?
Como se faz um diagnóstico participativo?
Na sua opinião, qual a importância do diagnóstico participativo?
Dicas de filmes
- Filme “Escritores da Liberdade” conta a história de jovens de periferia que descobrem
suas identidades e percebem que podem transformar a sua realidade.
Sugestões de dinâmicas
OFICINA: Uma educação feita pelo e para o povo
Objetivo: Trabalhar o protagonismo e a importância de fazer parte das mudanças que
queremos.
1º momento
Eu, protagonista popular – 40 min.
Parte 1 – Solicitar que os participantes escrevam em um papel a resposta para 3 perguntas:
1. O que sei e gosto de fazer? (Pode ser qualquer ação. Ex.: Dormir, acessar a internet etc.);
2. O que sei e não gosto de fazer? (Pode ser qualquer ação. Ex.: Lavar os pratos, arrumar a
casa, estudar);
3. O que sei fazer e alguém já ganhou dinheiro fazendo? (Pode ser qualquer ação).
Após a escrita todos se apresentam e responde às 3 perguntas.
GUIA DO DIAGNÓSTICO PARTICIPATIVO
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Parte 2 – Depois, formar grupos por afinidade. A criação do grupo será com base nas
respostas, principalmente da resposta à pergunta 3. (Por exemplo, quem gosta de coisas
ligadas à arte forma o grupo da arte).
Com os grupos separados eles vão responder a mais uma pergunta:
Como isso que se sabe fazer pode contribuir com a transformação da realidade das pessoas, da
sociedade, da escola, do bairro?
Nesse momento o/a mediador os auxiliará a entender o objetivo e como eles podem contribuir com
os seus trabalhos e saberes socialmente, tanto individualmente como coletivamente, cada grupo deve
descrever numa cartolina suas conclusões.
Quando terminarem, eles apresentam as propostas e se inicia o debate sobre o que eles acharam
da atividade. Será que seria possível eles colocarem aquelas ideias na prática? Alguém teria um
exemplo de ação que surgiu dessa forma?
2º momento
A educação popular – 10 min.
Nesse momento o/a educador/a terá que usar o momento 1 como base para falar
sobre os processos e práticas da educação popular e dos movimentos sociais e da
importância da participação e iniciativa popular para solucionar problemas ou encontrar
soluções para ajudar a sociedade.
Recomenda-se uma leitura coletiva (se o grupo for de jovens e adultos) de algum
texto sobre educação popular.
OFICINA: Participação popular e formação política I
Objetivo: Discutir o modelo de uma sociedade ideal – refletir sobre como “o que
queremos” pode mudar “o que temos”.
1º momento
O que temos e o que queremos – 20 min.
Mostrar a todos as imagens (http://goo.gl/0ls6YV)
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GUIA DO DIAGNÓSTICO PARTICIPATIVO
Em seguida, dividir todos em três grupos;
O primeiro deve conversar sobre a sociedade e a cidade que temos, refletindo sobre
o que há de bom e como conseguimos/ passamos a ter essas coisas boas;
O segundo deve refletir sobre o que há de ruim e como surgiram esses problemas,
qual a história e as causas;
O último deve conversar sobre a sociedade e a cidade que queremos e quais
caminhos/ações podemos tomar, pensando individualmente e também coletivamente.
Cada grupo deve registrar em uma folha todas as discussões, opiniões, ideias. Em
seguida, deve-se socializar as discussões de cada grupo com as dos demais.
2º momento
Em seguida, deve-se conversar coletivamente (todos os grupos) sobre o que
podemos fazer para transformar o que temos no que queremos, refletindo sobre o
histórico de transformações da humanidade, as lutas sociais, conquista de direitos,
revoltas e revoluções populares, movimentos sociais etc.
Após, todos devem desenhar na cartolina grande um mapa do/a “bairro/cidade/
sociedade ideal”, desenhando os prédios, casas, espaços de convivência, espaços de
utilidade pública, espaços privados etc. de acordo com a ideia do grupo sobre o/a
bairro/cidade/sociedade ideal, representando também as ações das pessoas para realizar
essa realidade.
OFICINA: Participação popular e formação política II
Objetivo: Aprofundar a reflexão sobre política, manifestações de rua e espaços de
controle social de políticas públicas.
Vídeo: http://goo.gl/yazTnw
1º momento
Poesia – 10 min.
Ler e refletir o poema:
GUIA DO DIAGNÓSTICO PARTICIPATIVO
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Poesia de Mauro Iasi, livro Meta Amor Fases.
SOMOS TODOS SEM TERRA
Somos todos sem terra
Asfaltos horizontes
Olhares edifícios
Obscuros poentes
Somos todos sem terra
Expropriados do planeta
Exilados das sementes
Apartados dos frutos
Sem terra somos todos nós
Operários sem terra/fábrica
Sem terra os que sozinho
Na multidão se acreditam sós
Somos todos sem terra
Todos os sem terra somos nós
Ali nas estradas, somos nós
Marchando, desatando nós
Pois se sem terra
Nada somos
Sem os sem terra
Que será de nós?
Levar a um debate sobre o poema.
2º momento
Manifestações no Brasil – 20 min.
Passar o vídeo “Manifestações no Brasil” e iniciar um debate sobre. Após, perguntar:
Qual a importância das manifestações para a nossa sociedade?
Qual foi a forma usada para reunir tantas pessoas?
Quem participou e se foi, por que foi?
O que acham das manifestações como forma de reivindicação dos direitos?
Por que se gritava que o gigante acordou nas manifestações? O que se queria dizer com isso?
20
GUIA DO DIAGNÓSTICO PARTICIPATIVO
3º momento
Formas de participação – 20 min.
Separar a turma em 4 grupos;
Informar que cada grupo ficara responsável por colher informações sobre os temas
descritos e apresenta-las para a turma. São eles:
1. Audiências Públicas
2. Conselhos de Direitos
3. Conferências (exemplo: Conferência Nacional dos Direitos das Crianças e Adolescentes, Saúde,
Juventude, Educação, Cultural)
4. Observatórios de Direitos
Após a pesquisa, cada grupo apresenta o seu tema pesquisado e a sua forma de
participação;
Debater com o grupo a importância de se conhecer sobre essas formas de
participação.
Bibliografia
COSTA, Eliane Porangaba. Técnicas de dinâmica: facilitando o trabalho com grupos.
Rio de Janeiro: WAK, 2002.
Juventude e Comunicação: faça você mesmo! Renajoc – Rede Nacional de Adolescentes
e Jovens Comunicadores. 2014.
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Occullacea expedicipis etusam sedis evendae provide lestrum
exerum est, verunti veliqui asitio consed untia volupta tinvend
ellaut qui acerorum reriae voluptate optia comnihi llabo. Ut
lacidem. Ro omni dolestem sequi culliqu asperferum dolectas
millaccum ea quo blanimendunt aut aut hillab ium adit qui
abor aut lam, adicima venime repelib usdandi gnimoluptam
untur, ut aborporibus volo tore niendam volupisquam quatecum
doluptatur. On eum faciis mi, volupta turiamus quam qui
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