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Dislexia - Pearson Clinical Brasil

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Dislexia - Pearson Clinical Brasil
Aprendizagem
de A a Z
Dislexia
Cartilha de
Apren dizagem.
O mundo tem mais de sete bilhões de habitantes
e cada um de nós é um ser humano diferente.
Este fato é comprovado não apenas pela impressão
digital única, mas pelas características individuais
de aprendizagem. Quer um exemplo? Duas crianças
que receberem a mesma informação, na mesma
escola, com os mesmos professores, podem entender
o mesmo assunto de maneiras diferentes. A vivência
diária, os valores, o apoio emocional dos familiares
e, principalmente, as habilidades cognitivas inatas
do indivíduo transformam cada um de nós em um
ser único com relação à aprendizagem.
Nesta cartilha vamos abordar as informações
acerca das características específicas da DISLEXIA.
Acompanhe com a gente uma verdadeira jornada
pelo universo da aprendizagem!
2
3
Cartilha de Aprendizagem
Dislexia
Simplificando, seu jeito de aprender
dependerá tanto de habilidades
que nasceram com você quanto
de habilidades que precisaram ser
ensinadas, fazendo com que o
valor que a educação tem em sua
cultura e suas oportunidades de
ensino sejam fundamentais para
sua aprendizagem. O acolhimento
e o apoio emocional dos pais/
educadores nos primeiros anos de
vida também são fundamentais.
APRENDIZAGEM
Você já parou para pensar como
conseguimos APRENDER? Cada um de nós
tem um jeito de aprender: tem gente
que aprende rápido e impressiona pela
“FACILIDADE” com que aproveita suas
experiências para responder aos mais
diversos problemas do cotidiano. Outras
pessoas precisam se “ESFORÇAR” mais. Então,
de onde vêm essas diferenças individuais?
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Quanto mais a curiosidade própria
de cada um é incentivada, melhor!
Um conhecimento é mais bem
aproveitado quando o educador
sabe maximizar as capacidades
individuais: se uma tarefa é
absurdamente difícil, o educando
pode se sentir incapaz e desistir.
Se uma tarefa é absurdamente
fácil, ele também pode não se sentir
instigado a se esforçar mais e mais.
Quanto mais a
curiosidade própria
de cada um é
incentivada, melhor!
Uma tarefa que desafie o potencial
do educando, no “meio do caminho”,
seria o mais indicado. É sabido que
esse “meio do caminho” é diferente
para cada um. Por isso, torna-se
um verdadeiro desafio trabalhar
em grupos em que os educandos
têm um potencial cognitivo e um
nível de motivação pessoal para
aprender variados.
Uma educação desafiadora num
nível médio vai funcionar para
a maioria, mas vai ser muito
fácil para quem tem habilidades
cognitivas elevadas e muito difícil
para quem tem dificuldades
relacionadas a problemas do
neurodesenvolvimento, o que vai
impactar diretamente sua motivação
e autoeficácia.
Sendo a ssim , se a s mesma s
oportunidades de educação são
oferecidas para um grupo de
estudantes, aqueles com o menor
desempenho serão apontados como
tendo dificuldade de aprendizagem.
Já os que têm uma dificuldade
muito acentuada e que persiste
ao longo de seu desenvolvimento,
apesar de inúmeros esforços para
que tenham um desempenho mais
próximo do esperado para a sua
idade, escolaridade e aparente
capacidade cognitiva geral, são os
que provavelmente apresentam um
transtorno de aprendizagem.
Além da capacidade cognitiva e das
oportunidades de aprendizagem
(método de ensino, aprendizagem
direta pela observação e exemplo
5
Cartilha de Aprendizagem
capacidade
cognitiva
Inteligência!
Atenção! Planejar,
manter, monitorar!
Intuição matemática!
Consciência dos
sons das letras!
personalidade
Confiança em
si mesmo!
Responsabilidade,
organização,
autocontrole
e esforço!
Capacidade de
esperar e se sentir
recompensado:
motivação!
experiências
de educação e
oportunidades
culturais
das pessoas com quem o educando
convive, a importância da educação
para a cultura do estudante e
conseq uente incentivo nessa
direção, etc.), a motivação individual
tem alto potencial para influenciar
o jeito de cada um aprender.
Se uma tarefa é muito complexa,
muito longa, pouco clara quanto aos
seus objetivos e o aluno não entende
sua utilidade em curto prazo, fica
mais difícil para ele se interessar e
aprender. Muitas vezes, o estudante
pode ser levado a se esforçar para
melhorar seu desempenho mais
por medo de tirar notas baixas
6
Dislexia
do que pela vontade de aprender.
O reconhecimento de pequenos
avanços e a recompensa por eles é
fundamental para que o indivíduo
continue se esforçando. Fornecer
a cada estudante uma estratégia
individual mais adequada para o
seu modo particular de aprender
pode demandar mais esforço, mas
vale a pena para todos.
Um transtorno da aprendizagem
pode ser específico, fazendo com que
o estudante tenha dificuldade apenas
em alguns aspectos particulares
do seu funcionamento. Algumas
crianças apresentam dificuldade
específica de leitura, mas vão bem
em matemática e vice-versa. Por
isso são chamados transtornos
específicos de aprendizagem e
incluem a dislexia e a discalculia do
desenvolvimento. Esses transtornos
específicos estão dentro de um grupo
mais geral, chamado transtornos
do neurodesenvolvimento.
Muitas vezes,
o estudante pode ser
levado a se esforçar
para melhorar seu
desempenho mais por
medo de tirar notas
Baixas do que pela
vontade de aprender.
Eles são do neurodesenvolvimento
porque desde muito cedo afetam
a capacidade da criança de ter um
desempenho semelhante ao de
outras crianças em diversas áreas
do cotidiano. Entre os transtornos
que causam prejuízos mais globais
estão o transtorno de déficit de
atenção/hiperatividade, o transtorno
do espectro autista e as deficiências
intelectuais.
Lembre-se de que as crianças
aprendem melhor quando são
in str uída s diretamente sobre
o que aprender e quando as
expectativas e regras são simples
e claras. Métodos que focam muito
a intuição para a aprendizagem
podem atrapalhar principalmente
as crianças com transtornos do
neurodesenvolv imento. Essas
crianças têm dificuldade para
construir e organizar o próprio
conhecimento em resposta aos
estímulos externos e com base
puramente em suas experiências.
TRANSTORNOS ESPECÍFICOS
DE APRENDIZAGEM
10 em cada 100 pessoas
em todo o mundo têm
um TRANSTORNO ESPECÍFICO
DE APRENDIZAGEM.
Os Transtornos Específicos
de Aprendizagem são
bastante complexos
em sua origem. Por ora,
basta saber que algumas
crianças nascem com uma
sensibilidade genética
maior aos acontecimentos
do dia a dia.
7
Cartilha de Aprendizagem
Essa combinação entre
vulnerabilidade genética e ambiente
pode levar a pequenas alterações
no cérebro da criança, ficando,
assim, muito mais difícil para ela
conseguir aprender conteúdos
específicos. É importante dizer que
essa dificuldade, para ser específica,
não se deve à inteligência da
criança, a problemas sensoriais ou
emocionais e, claro, não se deve a
uma educação inadequada.
Vamos conhecer alg un s dos
transtor nos mais comuns da
aprendizagem e como podemos
ajudar um pouquinho quem os
tem. Muitas vezes esses transtornos
podem ocorrer juntos, aumentando
a necessidade de apoio individual
e acolhimento durante o processo
de aprendizagem. Vale lembrar:
reforce cada pequeno avanço e
alimente a autoconfiança da criança!
DISLEXIA
Dislexia é uma dificuldade
de aprendizagem de or igem
neurobiológica. É caracterizada
pela dificuldade com a fluência
correta na leitura e por dificuldade
na habilidade de tradução dos
sons em letras e das letras em seus
sons. Essas limitações geralmente
resultam de uma dificuldade de
linguagem, ou seja, a criança não
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Dislexia
entende bem que cada palavra
é formada por partes menores,
os sons das sílabas e das letras,
mais que isso: ela tem dificuldade
para manipular esses sons e não
percebe que novas palavras podem
ser formadas quando sons são
acrescentados, tirados, invertidos
ou mesmo substituídos.
Crianças com dislexia geralmente
demoram mais para começar a falar,
têm mais dificuldade para pronunciar
e aprender novas palavras, custam
a aprender rimas, a ler palavras,
cometem mais erros ao escrever
(trocam, por exemplo, “t” por “d”
ou “f” por “v”) e, quando crescem,
mesmo que superem algumas
dificuldades, podem ficar mais
lentas para ler e escrever, ter mais
dificuldade para compreender o
que leem e costumam evitar tarefas
que exijam leitura.
Na medida do possível,
os PROFESSORES podem
tomar algumas
providências que
auxiliam estudantes
com dislexia, como:
• C o n s t r u i r e n u t r i r s u a
autoconfiança: garanta que as
tarefas sejam adequadas ao
nível de habilidade da criança.
• Sentar o aluno perto do professor.
• Ensinar individualmente ou
em pequenos grupos, sempre
que possível.
• Descobrir como o aluno aprende
melhor.
• Incentivar o aluno a repetir as
instruções dadas (incentivar
autoinstrução).
• U s a r u m a a b o r d a g e m
multissensorial estruturada
para alfabetização e leitura.
• O método fônico é um grande
aliado no ensino da leitura
para todas as crianças.
• Diferenciar o material e a
abordagem didática:
D
>>Dar mais tempo para a
realização das tarefas.
>> Não pedir ao aluno que leia
em voz alta na frente de muitos
colegas.
>> Evite listas longas de palavras
para aprender a cada semana.
>> Não exija que consiga copiar
muitos exercícios da lousa.
>> E v i t e l u g a r e s m a i s
bar ulhentos ou cheios de
distrações.
• Fornecer planilhas claras com
menos escrita e mais diagramas
e figuras.
• Concentrar-se no conteúdo
e não na apresentação das
respostas do aluno (por exemplo,
valorizar respostas orais).
•Incentivar a repetição exaustiva
de conteúdos recentemente
aprendidos, dando oportunidade
para muita prática e sempre
recompensando o aluno por
seu esforço.
•Procure recompensar e incentivar
sempre que possível, incluindo
incentivos concretos associados
ao elogio (por exemplo, adesivos,
balas, etc.).
•N ã o c o r r i g i r o s e r r o s
excessivamente, e sim valorizar,
sempre que possível, as respostas
corretas.
•E s p e r a r v a r i a b i l i d a d e n o
desempenho do aluno.
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Cartilha de Aprendizagem
A lição de casa pode,
muitas vezes, frustrar
e chatear tanto as
crianças com DISLEXIA
quanto seus pais.
Quem sabe as dicas
abaixo possam ajudar
a melhorar essa
experiência!?
Lembre-se: o objetivo das tarefas
de casa é praticar algo já familiar
para a criança. Se a lição de casa
estiver muito difícil, converse com
o(a) professor(a). Evite o máximo
possível que as tarefas de casa sejam
uma experiência desagradável ou
desmotivadora para o(a) seu(sua)
filho(a) por estarem acima das suas
habilidades ou por serem muito
longas e demoradas.
Tente ajudar a criança dividindo
a lição de casa em blocos menores
de atividade e permita tempo
adicional sempre que necessário.
Estabelecendo
uma ROTINA
É importante que se estabeleça
uma ROTINA para a lição de
casa. O ideal, principalmente se a
criança ainda não aprendeu a ler, é
escrever o plano de estudos para a
lição de casa e deixá-lo num lugar
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Dislexia
de fácil visualização, como na
parede do quarto de estudos.
Seu plano de estudos deve deixar
claro o que a criança pode fazer
depois que chegar da escola, em
que lugar ela deve realizar as
atividades, as pausas para descanso,
o momento de buscar ajuda,
a recompensa ao terminar as
atividades etc. Ele deve ser flexível
a ponto de permitir eventuais
atividades depois da escola e de
respeitar o tempo que a criança
consegue se dedicar a ele. Ao
corrigir a lição de casa, lembre-se
de sempre apontar mais acertos do
que erros.
PLANO DE ESTUDOS
PARA CASA
15h
1. Desligar a TV e lavar o rosto.
2. Ir para a mesa de estudos, no quarto.
3. Separar o material para a lição de casa.
4. Colocar o alarme para descanso a
cada 15 minutos: respirar calmamente
por 30 segundos e voltar às atividades.
5. Ao terminar cada bloco de atividades,
peça à mamãe para corrigi-lo com você.
6. Ao final de cada bloco, se você
se dedicar, ganhará um adesivo!
7. Ao terminar, guarde o material
e peça ajuda à mamãe para
preparar a mochila do dia seguinte.
Bons estudos! =)
Prepare um lugar adequado
O lugar da lição de casa precisa
ser o mais silencioso possível, com
espaço suficiente para o trabalho e
com os itens necessários à mão (por
exemplo, caneta, lápis, borracha,
livros etc.). A mesa da cozinha pode
ser adequada nos momentos em
que você está muito ocupado(a),
mas a criança precisa de supervisão
constante.
Encontre a hora certa!
Cada criança tem um horário
mais produtivo. Logo depois da
escola, o estudante pode estar
muito cansado; por isso, talvez esse
não seja o melhor momento para
a lição de casa, especialmente
porque crianças com dislexia
precisam se esforçar mais.
Uma pausa antes do início das
atividades pode ser necessária.
Cada criança
tem um horário
mais produtivo.
Logo depois
da escola,
o estudante
pode estar
muito cansado.
Algumas crianças, por exemplo,
fazem melhor as tarefas pela manhã
depois de uma boa noite de sono!
A leitura diária é essencial!
Muita prát ic a é de ex t rem a
importância para quem tem dislexia,
de modo que possa desenvolver
as habilidades de leitura. Leia em
voz alta com a criança quando
ela começar a ficar frustrada. Isso
a ajuda a entender e a gostar do
que está lendo, além de ajudá-la a
continuar aprendendo. A criança
também pode ler acompanhada
por um vídeo ou um CD. Se um
adulto ler uma história um pouco
mais complexa do que a criança
consegue ler sozinha, por exemplo,
para ela dormir, isso pode ajudá-la
a aprender novas palavras.
Aprendendo a ler!
Comece pela s palav ra s mais
comuns do dia a dia da criança.
• Comece por uma história bem
conhecida e apropriada para
a idade da criança. Historinhas
i l u s t ra d a s , g i b i s , re v i s t a s
com atividades podem ser
motivadoras. Leia com a criança,
apontando cada palav ra à
medida que segue a leitura; ao
se deparar com uma palavra
que você acha que a criança
conhece, incentive-a a ler em
voz alta.
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Cartilha de Aprendizagem
• Trabalhe até seis palavras por
vez, no máximo.
• Nas primeiras vezes, leia primeiro
as palavras para a criança e
depois peça a ela para repetir.
• Fale sobre a forma das palavras,
seu tamanho e a exata sequência
das letras.
>> “gato”: essa palavra tem
quatro letras, tem uma letra
com “cauda” no início, depois
tem uma letra redonda com
perninha, uma letra alta e uma
letra redonda no final.
• Você pode escrever as palavras
em cartões e pedir para a
criança ler. Se ela acertar a
palavra de primeira, coloque-a
num envelope, mas, se ela errar,
leia em voz alta e coloque-a de
novo na pilha de cartões para
que ela tenha a oportunidade
de vê-la novamente.
• Revise as palavras até que a
criança realmente as conheça,
de modo automático.
quando a criança
ler corretamente,
elogie-a e descreva
para ela exatamente
o que acertou!
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Dislexia
• Ensine sua criança com jogos.
Os jogos que incentivam a
velocidade, além de serem
color idos e didáticos, são
interessantes na visão da criança
(ela tem que achar divertido!) e
são ótimas ferramentas.
Quando você estiver escutando a
criança lendo:
• Leitura correta: quando a criança
ler corretamente, elogie-a e
descreva para ela exatamente o
que acertou!
• Leitura difícil, mas em progresso:
quando a criança tiver problemas
com uma palavra, permita que
tente um pouco mais sozinha
(por uns cinco segundos) e
dê dicas para que ela chegue
à palavra correta (fale sobre
a forma, o tamanho ou sobre
outras dicas que foram dadas
nos exercícios anteriores com
aquela palavra).
• Leitura incorreta: Se a criança
ler errado, pare a leitura e ajude-a
a entender o que está errando.
Diga: “Você leu bonca... Isto faz
sentido para você? Veja, faltou
uma letra no meio da palavra,
uma vogal com o som aberto...
leia, a palavra é? Boneca! Muito
bem! Tente novamente.” Se ela
continuar errando, por exemplo,
B O L O
duas vezes seguidas, apenas a
incentive a continuar lendo.
• I n c e n t i v e c a d a p e q u e n o
avanço e deixe claro como a
criança se esforçou. Ao elogiar,
seja específico e descreva
ao máximo como a criança
fez para acertar cada palavra.
O objetivo é incentivar a
Incentive cada
pequeno avanço
e deixe claro
como a criança se
esforçou. O objetivo
é incentivar a
criança e não
apontar seus erros.
criança e não apontar seus erros!
• Sempre que possível, ensine
à sua criança estratégias para
que ela consiga entender a
leitura e achá-la interessante.
Pergunte o que ela achou da
história, invente com ela finais
alternativos, dê novos títulos,
pergunte sobre personagens
favoritos!
• E x plore todos os sentidos
na aprendizagem! Use lápis
de cor para escrever, papéis
coloridos, figuras, vídeo, música,
incentive a criança a tentar
explicar o que aprendeu para
outra pessoa, escreva na areia
ou no açúcar etc.
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Créditos:
Danielle de Souza Costa (Psicóloga)
Leandro Fernandes Malloy-Diniz (Psicólogo)
Débora Marques de Miranda (Pediatra)
Núcleo de Investigação da Impulsividade e da Atenção – Nitida
da Universidade Federal de Minas Gerais - Ufmg
apoio:
REalização:
14
Conheça as outras cartilhas sobre os transtornos de
aprendizagem e faça o download da versão digital gratuitamente:
www.pearsonclinical.com.br/cartilhadeaprendizagem
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