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Aproximando gerações pela escrita

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Aproximando gerações pela escrita
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Aproximando gerações pela escrita1
Divina de Fátima dos Santos
Maria de Lourdes Franchi Lima e
Nadia Dumara Ruiz Silveira
A experiência aqui descrita ocorreu como parte de um processo pedagógico
realizado por meio de troca de cartas entre alunos de uma instituição de ensino
localizada na periferia da cidade de São Paulo, mais especificamente, entre
crianças do ensino fundamental e alunos da EJA (Educação de Jovens e
Adultos) em processo de alfabetização.
Embora o uso de cartas no meio educacional não seja novidade, o foco desta
vivência se direcionou não apenas para os ganhos pedagógicos, mas,
principalmente, para a perspectiva intergeracional, visando aproximar
estudantes de diferentes idades, períodos escolares e níveis sócioeconômicos. Nossa proposta foi de favorecer e estimular a construção de uma
convivência respeitosa, pautada em valores éticos e morais entre cidadãos
independentes da idade, gênero e classe social. Seguimos também o
pensamento de Paulo Freire (1983, p.27-8) segundo o qual “a educação tem
caráter permanente. Não há seres educados e não educados. Estamos todos
nos educando”.
Para Goldfarb e Lopes (2006), a aproximação de diferentes gerações,
sobretudo entre jovens e idosos, pode promover e facilitar o crescimento
emocional de ambos, enfraquecendo os preconceitos e estimulando o desejo
de viver plenamente a vida cultural e social. A relevância desta aproximação
entre gerações tem implicações sociais associadas ao sofrimento emocional e
ao decorrente custo econômico provocado por um indivíduo com baixa autoestima.
Por inúmeras razões, os alunos da EJA, sobretudo os mais idosos e em fase
de letramento, não tiveram oportunidade de aprender a ler e a escrever quando
eram crianças e, de certa forma, sentem-se inferiorizados, com baixa autoestima e excluídos da sociedade. Esse sentimento de inferioridade provoca um
retraimento que ocasiona um medo de escrever, de se colocar e de expressar
o que se pensa em palavras postas no papel, pois imaginam que ninguém se
interessará por suas produções.
Ao utilizar cartas como material de apoio pedagógico, muitas barreiras podem
ser quebradas, pois o adulto, ao ver que uma criança escreveu a ele, sente-se
na mesma “obrigação” no sentido de não decepcionar aquele pequeno ser que
ainda em formação espera por sua resposta e “necessita” ser estimulado na
1
Esta experiência obteve o Primeiro Prêmio, Categoría Personas Naturales, na Quarta Edição do Concurso de
Experiências Gerontológicas “Una Sociedad para todas las edades”, organizado pela Red Latinoamericana de
Gerontologia:http://www.gerontologia.org/portal/archivosUpload/archivosConcurso2010/Personas_Naturales_Primer_Pr
emio_2010.pdf
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escola, para levar os estudos a sério e para não passar pelos mesmos
sofrimentos aos quais os adultos interlocutores foram submetidos ao longo de
suas vidas.
Por outro lado, hoje, a comunicação das crianças, seja na internet, seja por
meio de torpedos em celulares, é fragmentada e composta por inúmeros
códigos eletrônicos e informais, visto que elas crescem em um mundo cercado
por outras formas de comunicação igualmente válidas (CUNHA, 2002).
Ao escrever uma carta, é possível produzir um maior contato com a própria
história e com a história do outro; isto possibilita a troca de informação e
aproxima as pessoas no ato de compartilhar suas experiências, abrindo espaço
para a imaginação e para a criatividade, bem como para a cumplicidade, além
de banir o sentimento de solidão (BOLLÉME, 1988).
Um dos problemas enfrentados no mundo contemporâneo e mais precisamente
nas grandes cidades é a dificuldade de convívio entre as diferentes gerações
em função das inúmeras responsabilidades às quais as pessoas estão sujeitas.
Desde muito cedo, crianças cada vez menores vão à escola, e passam a
conviver apenas com outras crianças de sua faixa etária e alguns poucos
educadores e cuidadores adultos. Também os adolescentes ficam a maior
parte do tempo nas escolas e convivem com outros jovens muitas vezes unidos
pelos mesmos comportamentos, idéias e valores.
Os pais frequentemente buscam seus filhos na escola ao final de um dia de
trabalho e em função dos afazeres domésticos ocorre pouca ou nenhuma
interação entre eles. O universo dos adultos em grande parte se resume ao
mundo do trabalho, e alguns espaços de convivências sociais, políticas ou
religiosas; nestes locais, boa parte dos adultos se relaciona apenas com outros
adultos (FERRIGNO, 2003).
Em todas as sociedades, as crianças necessitam adquirir algum tipo de
habilidade valorizada no meio em que vivem, e aprender a ler, a escrever, a
contar e a utilizar computadores são alguns dos exemplos de atividades
importantes encontradas nas sociedades atuais. Estes aprendizados ajudam,
deste modo, na ampliação da auto-estima do ser humano em desenvolvimento.
Nesse sentido, as crianças participantes desta atividade, ao serem solicitadas a
escreverem cartas para outros estudantes também em fase de alfabetização e
com idades mais avançadas que elas, tiveram a oportunidade de realizar uma
tarefa – “trabalho” – que de certa forma exigiu responsabilidade e dedicação
delas, pois desde o recebimento da carta até o envio de uma resposta, elas
necessitaram refletir, elaborar e executar tarefas que exigem organização e
que levam a um produto final – a carta – visto que, do outro lado do processo,
existia uma pessoa à espera da resposta.
O encontro de gerações pode ser positivo e benéfico e dessa forma trazer
enriquecimento mútuo, mas pode também significar tristezas se o convívio for
conflituoso. É preciso salientar que existem inúmeras diferenças sociais e
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comportamentais impostas pela cultura, além da questão da idade. Assim, o
ser humano necessita aprender a conviver com pessoas de diferentes etnias,
credos e gêneros, bem como com as diferenças de ordem econômica, política
e cultural.
Pode-se dizer que, a educação tem um papel primordial, pois possibilita maior
reflexão e altera comportamentos negativos no que se refere ao processo de
envelhecimento. Todas as pessoas, independentemente da idade, podem
preparar-se para viver as diferentes fases da vida, livres de preconceitos se a
convivência intergeracional for estimulada. A co-educação entre diferentes
gerações pode ao longo da vida de uma pessoa torná-la mais humana e mais
tolerante, além de melhorar a qualidade de vida de todos na sociedade
(FERRIGNO, 2003).
Razão de ser da experiência
O encontro intergeracional e a co-educação, como a vivenciada pelos
estudantes desta instituição, ocorreram como parte de uma programação
pedagógica escolar e constituiram-se de uma vivência de caráter
interdisciplinar, numa interface entre a educação, a comunicação, a
gerontologia e a psicologia, uma vez que as diferentes áreas do saber
dialogaram entre si, permitindo uma formação mais completa e significativa
para os estudantes, numa relação de respeito e valorização do conhecimento
prévio de cada um e promovendo uma integração real entre os sujeitos
(FAZENDA, 2008).
No mundo atual, assistimos à configuração e ao fortalecimento da lógica do
capital numa sociedade cada vez mais globalizada e voltada para o consumo.
Assim sendo, a escola necessita rever seu verdadeiro papel de educar, não se
limitando à simples transmissão de conhecimentos a serem assimilados pelos
alunos, mas sendo flexível no sentido de realizar novas experiências em seu
interior, e possibilitar a ressignificação do ensinar e do aprender envolvendo
toda a comunidade escolar. A escola necessita conceber o aluno como “uma
pessoa, uma identidade em formação, acolhendo as dimensões afetivas,
subjetivas, estéticas, culturais a ele inerentes” (NADAL, 2009 p. 30).
Dessa forma, devemos enfatizar que cabe à escola preocupar-se com o
desenvolvimento dos alunos no seu sentido mais amplo e tendo em vista uma
formação voltada para todas as fases da vida, além de torná-lo autônomo,
crítico e consciente em relação ao mundo em que vive, preservando valores
éticos em favor de uma sociedade solidária (LIBÂNEO, OLIVEIRA e TOSCHI,
2006)
A partir das reflexões apresentadas e destacando o novo papel que se espera
da escola na atualidade, torna-se perceptível o valor da vivência
intergeracional, como no caso desta experiência, que revela o significado da
co-educação entre crianças e idosos o que permitiu, por meio da realização de
um processo diferenciado de comunicação, desencadear novas formas de
consciência em relação ao mundo em que vivem.
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A atividade baseou-se em trocas mensais de cartas escritas pelos estudantes
da EJA e crianças do ensino fundamental I.
A cada troca de carta, tanto no momento da sua elaboração envolvendo a
escrita e envio como no momento do recebimento e leitura das respostas, os
alunos envolvidos tiveram a oportunidade de trocar idéias e refletir sobre os
assuntos ali descritos, levando-os a rever suas posturas diante de diferentes
fatos e situações, uma vez que as cartas eram socializadas com todos os
colegas da sala de aula.
A escolha dos seus interlocutores ocorreu de forma aleatória. A carta inicial que
originou todo o processo de troca de correspondências foi escrita pelos alunos
da EJA e o seu destinatário não foi identificado. No envelope da primeira carta
constava apenas “para o (a) amigo (a)”, isto porque os estudantes ainda não
tinham os nomes das crianças com as quais iriam se corresponder. O mesmo
ocorreu com as crianças que, antes de receberem as cartas, também não
sabiam quem era a pessoa que tinha escrito para elas.
Tanto em 2008 quanto em 2009, a primeira carta foi escrita no mês de julho e a
última, em dezembro com a construção de um cartão de natal. É importante
lembrar que embora os adultos e as crianças estudem na mesma instituição e
estejam no Ensino Fundamental I, a programação e o plano das aulas são
diferentes.
A decisão de que as cartas fossem escritas a partir do segundo semestre se
deu em função dos alunos estarem ainda em processo de alfabetização.
Devido a este fato, necessitavam melhorar as habilidades de escrita para que a
correspondência se tornasse viável e ao mesmo tempo trouxesse algum ganho
pedagógico e uma maior articulação no desenvolvimento dos assuntos
abordados.
Alguns alunos da EJA não conseguiram escrever suas cartas sozinhos,
necessitando do auxilio de colegas e da professora, pois ainda não estavam
completamente alfabetizados e tinham dificuldades para realizar a tarefa. Estes
alunos tiveram suas cartas lidas e redigidas por colegas já alfabetizados a
quem ditavam o conteúdo que gostariam que fosse escrito. Esta vivência
permitia uma interação e troca intergeracional na própria sala da EJA, pois,
como relatado anteriormente, a idade da turma variava entre 18 e 72 anos.
Para motivar os alunos e iniciar a experiência com as cartas, foram exibidos e
debatidos dois filmes com os alunos da EJA. O primeiro foi “Central do Brasil”
(Brasil, 1998), um filme dirigido por Walter Salles, tendo no elenco Fernanda
Montenegro, Vinícius de Oliveira e Marília Pêra, entre outros. O filme conta a
história de uma professora aposentada que complementa sua renda
escrevendo cartas para pessoas analfabetas que circulam pela estação de
trem Central do Brasil, no Rio de Janeiro; lá ela conhece e ajuda um garoto –
após a morte de sua mãe vítima de atropelamento – cujo sonho é encontrar
seu pai no interior do nordeste.
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O segundo filme foi “Narradores de Javé” (Brasil, 2003), dirigido por Eliane
Caffé e tendo em seu elenco José Dumont, Matheus Nachtergaele, Jorge
Humberto e Santos, Gero Camilo e Nélson Dantas. O filme conta a história do
povoado de Javé que – na trama – será alagado e desaparecerá do mapa após
a criação de uma usina hidroelétrica. O povoado local resolve, então, escrever
sua história como único patrimônio local; contudo, apenas uma pessoa poderá
escrever a memória da vila, pois todos os demais são analfabetos.
Os alunos participaram de algumas pesquisas sobre os diferentes tipos de
cartas na biblioteca da escola e tiveram ainda a oportunidade de conhecer a
história do surgimento das cartas e de toda técnica de produção e elaboração
dos diferentes tipos epistolares.
Os principais objetivos deste trabalho foram:
• Utilizar cartas como método pedagógico de apoio no sentido de
estimular o encontro intergeracional e o significado desse encontro para
os envolvidos.
• Contribuir para se repensar o modelo educacional de modo a possibilitar
a aprendizagem por meio de cartas numa perspectiva co-educativa e de
construção de valores éticos sociais importantes no mundo atual.
• Educar para o envelhecimento.
Os participantes desta experiência foram estudantes de diferentes idades,
períodos escolares e níveis sócio-econômicos de uma instituição de ensino
localizada num bairro periférico da cidade de São Paulo nos anos de 2008 e
2009, por iniciativa das professoras, autoras desta proposta. Os alunos do
curso noturno da EJA (Educação de Jovens e Adultos) estavam em fase de
letramento (1a a 4a séries) e tinham idades entre 18 e 72 anos. No ano de
2008, as crianças estavam no 4º ano do ensino fundamental I, no período
vespertino e tinham aproximadamente 10 anos. Já no ano de 2009, as crianças
cursavam o 3º ano do novo currículo escolar, na modalidade integral, e tinham
na sua maioria cerca de 8 anos de idade.
A grande maioria das crianças faziam cursos extra-curriculares envolvendo, por
exemplo, esportes, música, teatro e inglês, e eram filhos de funcionários que
trabalhavam nas indústria da região.
Os alunos da EJA frequentavam um curso específico para a alfabetização de
adultos e, na mesma sala de aula, existiam alunos em diferentes idades (18 a
72 anos) e etapas do processo da alfabetização. Esses estudantes são na sua
maioria pessoas oriundas de estados do nordeste brasileiro e não tiveram
oportunidade de frequentar escolas ao longo de suas vidas, por inúmeros
motivos. Alguns viveram em locais em que não existia escola pública há 40 ou
50 anos; outros trabalharam desde criança para ajudar financeiramente os pais
e os irmãos
A maioria dos estudantes da EJA pertence a uma classe social menos
favorecida; em geral, são aposentados ou ocupam funções com pouca
qualificação e reconhecimento no mercado de trabalho, como faxineiro,
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ajudante, diarista, padeiro, doméstica, borracheiro e gari, devido a sua
condição de semi-analfabetos.
As atividades propostas percorreram vários contextos e dimensões do
processo educativo como: ensinar os alunos a escrever; aprimorar a escrita
daqueles que já escreviam; estimular e ampliar os vínculos intergeracionais e a
co-educação entre alunos de diferentes idades por meio da troca de cartas nos
dois anos da experiência, por meio de reflexão e debate acerca dos assuntos
abordados nas diferentes cartas; trabalhar todo processo de elaboração,
estética e coesão de texto, de acordo com as exigências da norma culta da
língua portuguesa.
Se eu escrever sobre mim...
As cartas iniciais trouxeram em seus conteúdos palavras de curiosidade que
evidenciavam um interesse em saber um pouco mais sobre as pessoas com as
quais os alunos se correspondiam, tais como descrições físicas e
comportamentais, bem como um forte desejo de conhecerem-se.
Os alunos da EJA de inicio desconfiaram da capacidade de crianças tão
pequenas serem capazes de compreendê-los, bem como demonstraram temor
sobre se seriam aceitos, como registrado nos relatos a seguir:
“Pra que vou escrever para uma criança? Elas não sabem nada da vida!”; “Na
minha vida só tem desgraça, se eu escrever sobre mim, ou essa criança vai rir
da minha cara ou vai chorar de tristeza!”; “Desde quando uma criança vai ligar
para o que uma velha escreve? Criança não gosta de gente velha não!”
Um dado relevante foi o fato de as crianças envolveram-se bastante com os
assuntos de seus interlocutores da EJA, chegando inclusive a emocionarem-se
ao ler determinados assuntos, o que foi relatado pelos funcionários da escola.
Alguns deles entristeceram-se ao descobrir que as pessoas com as quais se
correspondiam eram mais velhos que seus pais ou avós e ainda não sabiam
escrever, chegando a questionar a professora e os pais sobre estas
constatações, o que denotou uma tomada de consciência sobre a sociedade
em que vivem.
Com o passar do tempo, observou-se que os ganhos indiretos deste trabalho
foram muito significativos, em virtude das falas e das expressões dos alunos,
sobretudo dos alunos da EJA (Educação de Jovens e Adultos), como pode ser
observado nas falas de estudantes da EJA apresentadas a seguir: “Ninguém,
nunca escreveu para mim, esta é a primeira carta que recebo na vida” e “As
palavras dessa menina me emocionam tanto que perco as idéias na hora de
responder a ela”.
Outro dado extremamente relevante constatado logo no início desta
experiência foi a reação de alguns alunos da EJA contrários a um possível
encontro com as crianças ao final do ano letivo como revelam este relatos:
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“Meu Deus! Eu não quero conhecer essas crianças não! Na hora que elas
virem a gente vão ficar decepcionadas, é melhor a gente só escrever sem se
conhecer. A gente é tudo feia e velha, elas não vão gostar de saber que a
gente é desse jeito!”; “Deus me livre! Já pensou a cara que vão fazer quando
virem que a gente é tudo velha e burra! Nem ler a gente sabe direito!”
Esses depoimentos revelaram sentimentos quanto à possibilidade de
decepcionar as crianças por não se enquadrarem nos padrões de beleza que
acreditam pertencerem apenas às pessoas jovens, uma vez que se acham
velhas. Estas palavras traduzem uma opinião sobre o ser velho, que não é
apenas o que o corpo mostra, mas principalmente a sensação de velhice da
qual parece que algumas alunas da EJA se ressentiam.
Existe aqui, por parte dos alunos idosos, uma grande preocupação com suas
aparências – se acham velhos e feios – e com a possibilidade de desapontar
seus interlocutores, que são jovens e bonitos. Há, por parte de alguns alunos, o
sofrimento com suas aparências envelhecidas e sofridas; por isso, acreditavam
que podiam assustar as crianças. Na verdade, os alunos da EJA são vítimas da
condição social que prega que a beleza e a juventude são necessárias para o
sucesso na vida; eles não se incluem neste roteiro, pois estão fora do padrão
imposto pela sociedade, que é refletido e reforçado pela mídia.
A troca de cartas entre os estudantes permitiu que, ao longo do processo, os
alunos que estavam receosos fossem se acalmando a cada nova carta
recebida ou escrita por eles, pois foram aos poucos escrevendo sobre si
mesmos. Com o tempo, ganharam segurança e foram percebendo, ao tomar
conhecimento do conteúdo das cartas recebidas, que seus interlocutores não
estavam preocupados com suas aparências físicas, mas sim com suas
palavras.
Segundo Mucida (2004), uma pessoa encontra a velhice quando perde o
desejo pela vida. No entanto, os alunos da EJA, sobretudo os mais idosos,
voltaram para a escola justamente porque desejam aprender a ler e escrever, e
só não o fizeram antes porque não tiveram oportunidade quando criança: eles
voltam aos bancos escolares com um sonho que desejam realizar. Portanto, se
encontraram a velhice, não perderam o desejo pela vida. Ao contrário, estão
vivendo plenamente o novo momento – aprendendo a ler e a escrever.
No início, as primeiras cartas escritas pelos alunos da EJA se limitavam
somente à redação de um texto. Contudo, assim que as primeiras respostas
das crianças chegaram, eles constataram que elas traziam em seus conteúdos
inúmeras ilustrações – pequenos desenhos feitos pelas crianças ou ainda
adesivos tanto nas cartas quanto nos envelopes – além de abusarem das
cores. Isso os influenciou imediatamente e a alegria tomou conta do grupo, pois
perceberam que foram aceitos pelas crianças e que elas não se limitavam a
apenas escrever: notaram, deste modo, a existência de uma comunicação
diversificada e personalizada, rica em cores e recursos gráficos.
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Com o objetivo de resolver as inúmeras dificuldades no momento de retribuir as
ilustrações das cartas recebidas, os alunos da EJA utilizaram-se de alguns
recursos: ou compraram adesivos infantis nas papelarias próximas à escola ou
recortaram figuras de diferentes revistas em sala de aula, ou ainda solicitaram
aos colegas para fazerem desenhos em suas cartas. Dessa forma,
presenciamos em sala um verdadeiro intercâmbio entre todos os alunos de
diferentes idades e gêneros.
Uma iniciativa de um senhor de 66 anos foi interessante: muito discretamente
ele chegou em sala com uma cartela de adesivo e acabou contagiando os
demais colegas que solicitaram a ele para que cedesse os adesivos que não
utilizaria, pois também desejavam colar figuras em suas correspondências.
Um jovem estudante da EJA de apenas 20 anos de idade chegou a fazer
algumas brincadeiras com os colegas mais velhos de turma dizendo que
desenho era coisa para mulher e que homem tinha que fazer carta de homem.
Porém, o colega, embora não tivesse colocado em suas cartas nenhuma
ilustração, não conseguiu desestimular os demais colegas com seu comentário
estereotipado. Ele foi um dos poucos alunos que preferiram não ilustrar suas
correspondências. “Processos de co-educação entre gêneros ou etnias são
exemplos de tentativas de aproximação dos diferentes” (FERRIGNO, 2009 p.
281). Abaixo, seguem algumas dessas ilustrações realizadas ao longo do
projeto por alunos de gêneros e idades diferentes e que foram enviadas aos
seus interlocutores.
(Adesivo) Aluno da EJA
(Desenho livre) Aluna da EJA
(Símbolo) Criança
(Desenho livre) Criança
(Desenho livre) Criança
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Nas cartas, várias crianças comunicaram seus pensamentos por meio dos seus
desenhos, sendo esta uma forma de comunicação social constituidora da
consciência humana: a linguagem está ligada, portanto, ao processo de
imaginação. O desenvolvimento da linguagem escrita na criança encontra-se
no deslocamento do desenho de coisas para o desenho de palavras. Pode-se
dizer que é nesse processo de transição que ocorre o desenvolvimento do
simbolismo no desenho.
Sabemos que a religiosidade no Brasil é muito forte e seu apelo se fez
presente na maioria das narrativas, aparecendo ou na saudação ou na
despedida das cartas. Vale destacar que a grande maioria dos alunos desta
unidade escolar é religiosa. Algumas frases das cartas demonstram
explicitamente esta característica:
[...]
[...]
[...]
[...]
se Deus quiser logo estarei escrevendo melhor [...]
Deus te abençoe [...]
Deus te proteja [...]
Estou bem, graças a Deus [...]
Assuntos referentes à religiosidade apareceram em uma sucessão de cartas,
gerando vários debates envolvendo muitos estudantes, o que possibilitou um
grande aprendizado educacional, social e de valores, pois permitiu que os
alunos refletissem sobre suas condutas diante da grande diversidade de
pessoas existentes em nosso país, mostrando que o respeito à diversidade é
tão importante quanto a própria orientação religiosa, étnica, etária, de gênero,
política, econômica e social.
No trecho abaixo, a criança escreve para sua interlocutora que tem dificuldades
na escrita, mas que se esforça para aprender e também menciona a
necessidade de ser perseverante e que acreditar em Deus ajuda a superar
obstáculos.
[...] eu sei que com fé em Deus nós duas poderemos melhorar. Eu também
tenho minhas dificuldades na escrita [...] E tudo que coopera para o
bem daqueles que amam a Deus!!! Finalizo esta carta com beijos e
abraços!
Que Deus te abençoe!!! [...]
Já nesta outra carta a senhora faz uma pequena descrição de si e, responde a
sua interlocutora, afirmando que ela, assim como Deus, gosta de todas as
pessoas como pode ser observado:
[...] Eu sou uma pessoa de idade, minha leitura
Deus que vou aprender mais. Eu sou baixinha,
gosto de todas as pessoas, crianças e adultos.
assim [...] Seja sempre essa menina estudiosa.
ilumine seu caminho [...]
é pouca, mas espero em
cabelos grisalhos, mas
Deus gosta das pessoas
Que Deus te proteja e
Nas cartas, apareceram assuntos sobre aposentadoria e sobre a dificuldade de
recolocação no mercado de trabalho devido à falta de qualificação profissional
ou ainda pela idade avançada. Assim, as crianças tiveram a oportunidade de,
por meio de suas narrativas, depararem-se com essa nova realidade que
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estava de certa forma distante delas, além de refletir sobre o mundo do
trabalho e sobre a necessidade humana de sermos produtivos, independentes
e úteis à sociedade.
As palavras da aluna abaixo foram escritas após ela ter participado ao longo do
dia de alguns processos seletivos à procura de trabalho. Segundo a aluna, em
um dos locais a que compareceu, a entrevistadora disse que ela era velha
demais para o cargo e que não conseguiria dar conta do serviço ao qual se
candidatava. Muito angustiada e incomodada com sua condição de velha e
desempregada, ela desabafou com a criança.
[...] Fiquei feliz com sua carta, mas hoje estou triste por que
procurei trabalho e não consegui, acho que é por causa da minha idade.
[...]
Sou vó de 4 netos, são lindos e maravilhosos. Você tem vó?
Eu às vezes cuido dos meus netos. [...]
A seguir, apresentamos uma outra carta sobre aposentadoria:
[...] Gostei muito de receber sua carta, pois você me encheu de
alegria no meu coração. [...] eu sou uma pessoa de idade [...]
Estou tentando me aposentar, não posso mais trabalhar, minha idade não
dá mais [...]Gostaria de encontrar com você para te conhecer melhor e
te abraçar gostoso. Eu já sou bisavó e tenho netos da sua idade são
todos lindos. [...]
Neste caso, a senhora de 66 anos de idade e com a saúde um pouco debilitada
estava um pouco triste pela demora do recebimento de sua aposentadoria e
em função da idade, já não conseguia empregos, encontrando-se em séria
dificuldade econômica e financeira e vivendo apenas de alguns poucos “bicos”
que conseguia. Ela comentou na escola que já estava descrente de que
receberia o benefício do INSS, mas que após escrever a carta e dividir sua
angústia com uma criança, sentiu-se mais leve e com nova esperança,
sobretudo porque sentia uma força muito grande vinda da carta resposta da
criança. Segundo suas palavras, as cartas estavam guardadas em lugar muito
especial, pois depois de corresponder-se, conquistou mais energia para
continuar a viver.
As crianças, dentro das suas possibilidades, procuraram elevar a auto-estima
dos seus interlocutores, evidenciando que estavam na torcida por suas futuras
conquistas: aprender a ler e escrever, assim como se recolocar no mercado de
trabalho, realizar os sonhos e de não desistir ao deparar com os obstáculos,
como podem ser observado nos diferentes exemplos a seguir:
[...] Eu também fiquei feliz com sua carta.
Não fique triste você vai achar seu trabalho.
Aposto que suas netas são lindas.
Logo, logo você vai aprender a ler e a escrever bem [...]
[...] Minha amiga, falo para você não perder essa garra e força pelos
estudos [...]
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[...] Você não pode ficar desanimada e triste, você tem que pensar
que pode e eu sei disso [...] Não desista! Fica com Deus.
Após ler as respostas das crianças, os alunos da EJA enviam em suas
respostas mensagens mostrando que foram tocados pelas escritas dos
pequenos.
[...] Nesta carta darei minha notícia, e será um prazer te conhecer.
[...] Seus pais te ajudam na escola e a minha professora também me
ajuda a escrever, eu espero que na próxima carta eu consiga fazer
sozinho. Mesmo com dificuldade eu não vou desistir de estudar, meu
objetivo é ler e escrever bem. Não existe vitória sem luta, quem tem
fé não tem derrota e sim vitória.
[...] Oi, tudo bem com você? Comigo está tudo bem. Fiquei feliz com
sua cartinha, pela força que está me dando. As vezes eu fico triste e
desanimada, mas não vou desistir. Assim como você, eu tenho esperança
que vou conseguir. [...]
[...] Fiquei feliz de você ter dado importância a minha carta, você
escreve muito bem, continue assim [...] Eu comecei a estudar agora,
tenho 3 anos, ainda não sei escrever, mas gosto de estudar
[...] Vou torcer para você se tornar uma grande professora, a minha me
ajudou a fazer esta carta. [...]
Um beijo da sua amiga [...]
A questão da alteridade apareceu na maioria das cartas, contudo para
aprofundar esse tema destacamos o trecho de uma carta abaixo, pois ele
permitiu um debate profundo entre os colegas de sala sobre alguns
estereótipos e generalizações sociais. A garota que redigiu o trecho revelou
outro lado do mundo infantil, desconhecido pelos idosos, após mencionar que
faltava com certa frequência à escola para tratamento médico. Isto de certa
forma surpreendeu não só a aluna da EJA, mas toda a sala. Quando sua carta
foi socializada com os colegas, ela comentou que, em seu imaginário, sempre
que olhava para uma criança, enxergava um ser jovem, saudável e feliz,
portanto sem problemas, mas, ao ler a carta, percebeu que a menina também
tinha dificuldades e necessitava de cuidados com a saúde. A aluna idosa que
se correspondia com a criança afirmou sensibilizar-se com a resposta da
menina e que, ao tomar conhecimento disso, mudou a forma de relacionar-se
com outras crianças:
[...] Olha, eu não tenho muito tempo para estudar porque estou sempre
faltando para ir ao médico porque tenho artrite [...] eu estudo no
SESI desde os 4 anos de idade.
[...] eu sou bem quieta e tímida [...]
Muitos beijos de sua amiga [...]
Esse tema foi muito debatido entre os estudantes, pois a grande maioria das
pessoas associa doença à velhice e saúde à juventude. Portanto, pode-se dizer
que o debate proporcionado por estas correspondências permitiu uma
aprendizagem significativa não só a ambas, mas também aos seus colegas de
classe e aos familiares.
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Em outro exemplo, uma criança emocionou não apenas sua correspondente
como todos os estudantes da EJA ao reconhecer os seus esforços pela
tentativa de alfabetizarem-se depois de tantos anos vividos, mencionando, em
suas palavras, as grandes oportunidades que em geral as crianças têm nos
dias atuais e das quais os alunos mais velhos foram excluídos quando tinham
as mesmas idades.
[...] gostei muito de ler a sua carta e saber que
esforçando para se alfabetizar.
[...] espero que você consiga seu objetivo de mostrar a
do estudo para nós crianças que
hoje em dia
oportunidades.
Eu contei para minha família e todos estamos torcendo
beijo minha amiga! [...]
você
está
se
todos o valor
temos tantas
por você! Um
Construção de uma convivência intergeracional: respeitosa, ética e moral
O tipo de experiência aqui relatado pode ser capaz de proporcionar mudanças
de comportamento e incentivar uma maior compreensão mútua entre alunos de
diferentes idades no seu convívio social. Neste caso, a proposta iniciou-se na
escola, mas estimulou desdobramentos diferenciados no âmbito das famílias e
em outros segmentos sociais. O estímulo para a construção de uma
convivência respeitosa e pautada em valores éticos e morais entre cidadãos de
diferentes idades foi a consequência mais importante deste trabalho.
Nesse sentido, esta experiência possibilitou uma aproximação entre todos os
envolvidos direta ou indiretamente com o projeto. Foram vários os depoimentos
dados por diversos membros da comunidade escolar, como pais, professores,
funcionários e dirigentes da escola, sobre os efeitos decorrentes deste
trabalho, reafirmando a importância desta iniciativa de cunho interdisciplinar e
intergeracional nos espaços escolares. A troca de cartas entre os alunos foi
muito significativa para todos os envolvidos, como é revelado pelo relato da
mãe de uma das crianças: “Professora, eu me emocionei junto com meu filho
neste projeto, ao ler as cartas recebidas por ele e as palavras escritas pelos
estudantes idosos, suas histórias e experiências de vida certamente foram
muito estimuladoras não só para meu filho como para mim. Nós dois
aprendemos muito”.
O emocionante depoimento a seguir, dado por uma aluna idosa da EJA no
momento de escrever a carta de despedida, revela o envolvimento emocional
estabelecido entre ela e sua interlocutora: “Hoje eu estou triste, porque esta é a
ultima carta que escrevo para esta menina. Quando escrevo a ela esqueço
todos os meus problemas”.
Um outro desdobramento deste trabalho foi a intensa adesão dos alunos,
evitando o abandono dos estudos e a consequente evasão escolar por parte
dos estudantes da EJA que sempre foram grandes preocupações tanto de
professores quanto de dirigentes escolares. Tivemos relatos de alguns alunos
afirmando que embora estivessem muito cansados – devido ao trabalho – e
pensando em abandonar a escola, não o fizeram porque queriam continuar a
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se comunicar com as crianças. Esta é uma clara demonstração não só da força
das narrativas das crianças, mas também do envolvimento emocional
desencadeado por todo o processo de produção e troca das cartas: o seu
recebimento, a leitura, a elaboração da resposta, o envio da correspondência, a
expectativa de serem aceitos e o valor das palavras. Em geral, as crianças
estimulavam seus interlocutores a continuar e a não desistir dos estudos,
dando assim apoio a estes alunos tão carentes e sofridos ao longo de suas
vidas. Isto fica claro também pelo relato de estudantes da EJA que afirmaram
nunca ter recebido uma única carta em suas vidas. Já as crianças tiveram a
oportunidade de manter contato com uma outra realidade: a de uma pessoa
que, mesmo envelhecida, desejava participar do mundo letrado.
A possibilidade de trocar cartas entre os estudantes da EJA, sobretudo aqueles
com idades bem avançadas, e as crianças pode, deste modo, promover um
resgate do elo geracional perdido entre ambos, visto que nas sociedades
modernas, devido à fragmentação de muitas famílias, nota-se que a
impossibilidade de convívio entre avós e netos vem aumentando. As cartas
poderão resgatar valores adormecidos por uns e desconhecidos por outros.
Um ganho adicional ocorreu com os grandes debates vivenciados – não só na
escola – tanto por parte dos alunos da EJA quanto por parte das crianças, uma
vez que foram muitos os questionamentos e reflexões a respeito das diferenças
econômicas, sociais, culturais, religiosas, etárias e étnicas. Nesse sentido, o
processo vivenciado pelos alunos possibilitou uma tomada de consciência em
relação ao mundo em que vivem, promovendo o respeito pela diversidade e
educando para o envelhecimento.
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Divina de Fátima dos Santos - Pedagoga, Psicóloga, Psicopedagoga,
Psicodramatista e Mestre em Gerontologia pela PUC-SP. Consultora na área
do envelhecimento humano e realização de encontros co-educativos no litoral
norte de São Paulo. É voluntária da ABRINQ pelos direitos da criança e do
adolescente e do CREMI – Centro de Referência da Melhor Idade na Cidade
de Caraguatatuba-SP. E-mail: [email protected]
Maria de Lourdes Franchi Lima – Orientadora Educacional, Coordenadora
Pedagógica, Profª do Ensino Fundamental e Profª de Educação Artística.
Coordenadora Pedagógica de jardim à 4ª série. Orientadora Educacional de
Jardim à 4ª série. Professora de Educação Básica (1º ao 5º ano ) do ensino
fundamental, na Rede SESI de Ensino de São Paulo desde 2006, trabalhando
também com valores, ética e cidadania até o momento presente.
Nadia Dumara Ruiz Silveira - Dra. Ciências Sociais pela USP. Profª da
Faculdade de Educação e do Programa de Estudos Pós-Graduados em
Gerontologia da PUC/SP. Diretora Adjunta da Faculdade de Educação –
PUC/SP. E-mail: [email protected]
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