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Pais querem escolas e professores mais rigorosos

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Pais querem escolas e professores mais rigorosos
KADIDJA FERNANDES/AT
AGÊNCIA ESTADO
Homens
de olho na
amiga da
mulher >AT2
Novos
condomínios
nas praias mais
valorizadas >34 e 35
Dilma, Lula e
Marina na
intimidade >54 e 55
ARTE: ANDRÉ FELIX
R$ 2,00
2ª Edição
VITÓRIA-ES | DOMINGO, 10 DE NOVEMBRO DE 2013 | ANO LXXV | Nº 24.710 | FUNDADO EM 22/09/1938 | EDIÇÃO DE 148 PÁGINAS
Vinte multinacionais vão
contratar 15.600 no Estado
São empresas do setor petrolífero, construção de navios, metalmecânica e comércio,
originárias de países como Noruega, Japão, Arábia Saudita, França, Itália e outros. >38 e 39
KADIDJA FERNANDES/AT
Mais mulheres
ficam grávidas
depois dos
quarenta anos >6
FUTURA PRESS
LÚCIO OTÁVIO E JOÃO MANOEL usam o computador mas sob o controle da mãe, a empresária Luciana Ribeiro, e apenas quando obedecem às regras
Pais querem escolas e professores mais rigorosos
Preocupação não é mais só com a formação intelectual, mas também com o caráter dos alunos >2 a 4
TV TUDO
Personagem de
Danielle Winits em
novela se torna vilã
ao tentar separar
um casal gay.
Fla garante
mais um ponto
para seguir
tranquilo
>76
AT EM
FAMÍLIA
HENRIQUE
MEIRELLES
PEDRO VALLS
FEU ROSA
DORA
KRAMER
Atividade física
usada por tropas
de elite conquista
mulheres.
O debate sobre a
economia do País
antecipa a disputa
eleitoral. >42
Dicionário da
Língua Portuguesa
está sob tratamento
psicológico. >33
É temeridade tomar
as pesquisas atuais
como projeção fiel
das urnas. >65
Bandido sai armado de igreja e toma o carro de dona de casa em Vila Velha >24
2
ATRIBUNA VITÓRIA, ES, DOMINGO, 10 DE NOVEMBRO DE 2013
Reportagem Especial
EDUCAÇÃO E FAMÍLIA
Pais querem mais rigor no ensino
KADIDJA FERNANDES/AT
Eles exigem postura
mais firme de escolas
e professores. Além da
formação intelectual,
preocupação é com o
caráter dos estudantes
Kelly Kalle
les não querem apenas que
seus filhos estudem, passem
em boas faculdades e sejam
profissionais bem-sucedidos. Pais
de alunos não estão só preocupados com a formação intelectual,
mas também com o caráter dos estudantes. Por isso, especialistas
afirmam que os pais querem escolas e professores mais rigorosos.
Segundo estudiosos em Educação, a intenção de buscar instituições rigorosas – que transmitam
valores e princípios semelhantes
ao que é trabalhado dentro de casa
– é um pedido de ajuda para reforçar a educação, uma vez que muitos pais trabalham fora boa parte
do dia.
O doutor em Educação e professor da Universidade Federal de
São Carlos (UFSCar), São Paulo,
Marcos Zorzal frisou que se antes
os pais se preocupavam mais com
que os filhos terminassem os estudos, hoje percebem que isso é pouco, e entendem que diplomas não
garantem nada na vida.
REGRAS
Limites dentro
de casa
Para manter as regras e os limites dentro
de casa, a empresária
Luciana Ribeiro, 38,
disse que controla o
uso do computador
dos filhos Lúcio Otávio,
6, e João Manoel, 8,
alunos do Salesiano.
“Se eles têm prova,
vou trabalhar, mas digo para irem estudar.
Mando desligar a TV e
o videogame. Na escola, tem de ser a
mesma coisa e é isso
que acontece. Na hora certa, tem de parar
de brincar e estudar.
Senão, tem de tirar de
sala e chamar os pais.
São esses limites que
eles vão guardar para
o resto da vida.”
E
“O importante é ensinar o que é
válido, e com o devido rigor. Sem
rigor, caímos na permissividade e
no caos. Rigor não tem nada a ver
com autoritarismo, mas com coerência, sem medos quanto a dizer
'não'. Dizer 'não' não traumatiza
ninguém. O que traumatiza é a
violência, o descaso”, afirmou.
O psicopedagogo e terapeuta de
família frisou que as famílias querem o apoio da escola na formação
dos filhos, pois sabem o quanto isso
será importante no futuro deles.
“Um dos desafios dos pais é encontrar uma escola com um mínimo de
ENSINAMENTOS
excelência e propósito no desenvolvimento do trabalho educativo.”
A bancária Cândida Azevedo,
38, mãe de Louise, de 7 anos, afirmou que as escolas devem ser
mais rígidas para que os filhos
mantenham o padrão da educação
dada em casa.
“A escola tem de ter uma formação humana. Estou satisfeita com
a da minha filha, que tem meus valores e princípios. Se fazemos de
um jeito em casa e na escola o professor não mantém o padrão, a
criança não vai entender e aprender”, disse Cândida.
O QUE ELES DIZEM
KADIDJA FERNANDES/AT
DIVULGAÇÃO
Os pais pedem ajuda à
escola para que seja
mais rigorosa, pois percebem
que, embora nem sempre
entendam os motivos, não
conseguem mais se fazer
respeitar
“
“Rigidez lúdica”
As mães Maíra Cani, 32,
dentista, e Kátia Coutinho,
30, corretora de imóveis,
acreditam que na educação infantil não é necessário punição. Para elas, é
importante uma “rigidez
lúdica” com os filhos Antônia Cani, 3 anos, e Gustavo Coutinho, 4, e Pedro
Henrique Coutinho, 5.
“Se errou, a professora
tem de conversar, mostrar
de forma lúdica o jeito
certo de agir”, disse Kátia.
ANTONIO MOREIRA/AT
LEONE IGLESIAS/AT
”
Marcos Zorzal, doutor em Educação
CACÁ LIMA
Muitos pais querem
uma escola rigorosa
com os filhos para
complementar a educação
que é dada em casa. A
família busca escola com
seus princípios e valores
“
Edna Tavares, doutora em Educação
”
RODRIGO GAVINI - 02/12/2011
Rigor aprovado
Horários controlados
Os pais de alunos da Escola Estadual Desembargador Cândido Marinho, em Vila Velha, apoiam a rigidez e a organização. “Assim, nossos filhos se tornam
cidadãos”, disse Ivanilda Gonçalves, 47.
Assim como na escola, dentro de casa a filha da pedagoga Andreia Guimarães, 50, a estudante Amanda,
7, tem horários rígidos. “Ela tem hora para estudar,
dormir, acordar. Isso dá a ela responsabilidades.”
Muitos pais ficam
mergulhados no
trabalho e a cada dia sobra
menos tempo para eles
cuidarem de perto da
educação dos filhos,
passando isso para a escola
“
José Nazar, psiquiatra
”
VITÓRIA, ES, DOMINGO, 10 DE NOVEMBRO DE 2013 ATRIBUNA
3
Reportagem Especial
EDUCAÇÃO E FAMÍLIA
PRESENÇA
LEONE IGLESIAS/AT
Ajuda para impor
limites e regras
E
la afirma ser muito rigorosa
em casa e por isso quer o
mesmo da escola. A dona de
casa Regina Gomes Silva, 35 anos,
que é mãe da estudante Milena
Silva, de 15 anos, disse que pune
dentro de casa quando necessário.
“Sou rigorosa em casa e quero o
mesmo na escola. Já cheguei a bater quando o caso foi grave, tirar
por dias o computador dela e sei
que tudo valeu a pena. Agora ela
está mais velha e não tenho problemas. Minha filha é obediente.
Acho que devemos ser sim severos,
mas mostrando amor, que é para o
próprio bem dos nossos filhos.”
Ela disse ser a favor que todas as
famílias sejam rígidas em casa.
“Porque se os pais não fizerem
isso, não educarem seus filhos para as regras e para obedecer aos
superiores, como professores e coordenadores, a escola tem todo o
direito de ser rígida com eles. A escola vai ajudar a controlar os alunos e dar limites a eles. Mas todo
esse processo não precisava vir da
escola e sim de casa. Mas se o pai
não faz, o professor deve agir.”
Regina espera que a escola complemente o que é ensinado na casa
dela. “Além disso, acredito que
uma boa instituição escolar deve
investir no professor, para ter mais
estímulo para dar aula. Os alunos
não sabem das consequências se
eles não seguirem o que os mais
velhos orientam.”
A corretora de imóveis Viviane
Samaniego, 45, mãe de dois filhos,
um de 12 e outro de 14 anos, afirmou que os professores devem
agir com rigor e os pais precisam
ser informados de todas as intervenções da escola.
“Os pais devem acompanhar o
que está acontecendo na escola e
como é o comportamento dos filhos. Os professores têm de manter
uma rigidez no sentido de garantir
a qualidade de estudo para todas as
crianças da sala. Quando a escola
consegue uma parceria com os
pais, o mau comportamento se soluciona facilmente.”
O designer Jesimar Júnior, 37,
pai de filhos de 18, 14 e 4 anos, ressaltou que, quando o aluno tem
um pai que se preocupa, o maior
castigo é o pai dentro da escola.
“O colégio ideal para meus filhos
é uma escola com rigor e com professores interessados em educar.
Assim, eles vão saber como lidar
com os alunos.”
Escola como a extensão da casa
Para os administradores Augusto
Cesar Medeiros, 44 anos, e Karen
Maia, 40, as escolas têm se mostrado mais presentes na vida dos filhos
e das famílias. Seus filhos, Enzo, 6, e
Arthur, 9 anos, estudam na escola
Crescer e vivenciam isso.
“A escola dos nossos filhos é rigorosa na medida certa. Cobram sempre que necessário. Mas o que vejo é
o medo de alguns pais de a escola
ser mais rigorosa. Alguns não entendem a necessidade de impor limites aos filhos na escola e em ca-
OUTROS EXEMPLOS
KADIDJA FERNANDES/AT
DIVULGAÇÃO
Disciplina
Apoio
Para as mães de
alunos do colégio estadual Maria Ortiz,
em Vitória, Soraya
Soares, 34, Marineuza Ayres, 36, e Célia
Martins, 40, a disciplina é essencial.
“Todas as escolas
deveriam ser tão rigorosas quanto a
Maria Ortiz. É bom
para o crescimento
dos nossos filhos”,
disse Marineuza.
Família presente na
escola. É isso o que
ocorre com as mães
Marcela de Oliveira
Amoury, Néia Armani
e Vânia Aparecida no
CEPC. Seus filhos
(Vinícius e Victória,
Vitor e Júlia, respectivamente) respeitam
as regras. “Apoiamos
a escola, que não
aceita indisciplina,
corrigindo os alunos”,
disse Marcela.
Colégio e família devem ser parceiros
Uma boa educação só é realizada com crianças e adolescentes
quando a escola e a família andam
juntas, completando-se e apoiando uma a ação da outra. Essa é a
opinião dos especialistas em Educação ouvidos pela reportagem.
A doutora em Educação Edna
Tavares frisou que, quando a família se ausenta da escola, é comum
KADIDJA FERNANDES/AT
FABIANNI
MOREIRA:
“Noções de
cidadania como
cooperação,
respeito e
solidariedade
vão contribuir
para dar
sentido à ideia
de união”
que os filhos tenham desempenho
ruim ou mais fraco em relação a
notas e ao comportamento.
“É importante os pais acompanharem os filhos, buscarem a escola para conversar e, acima de tudo,
dar autonomia para a instituição
escolar agir quando necessário. Se
há confiança da família, a educação se torna mais produtiva.”
A psicopedagoga Fabianni Moreira ressaltou que o papel de ambas as instituições é central para as
crianças perceberem que, fora de
casa, elas também têm compromissos com o mundo que as cerca.
“Noções de cidadania como cooperação, respeito e solidariedade
vão contribuir para dar sentido à
ideia de união.”
O doutor em Educação e professor da Universidade Federal de São
Carlos (UFSCar), São Paulo, Marcos Zorzal, frisou que os pais de-
vem entender que a família e a escola têm funções específicas na
educação das crianças e adolescentes que não devem ser confundidas, mas ambas são insubstituíveis.
“A família tem o papel de iniciar
a socialização e passar o comportamento moral e ético, para que os
filhos aprendam a viver em sociedade não de forma individualista,
consumista, egoísta e competitiva,
mas com responsabilidade e respeito por si e pelos outros.”
Já a escola entra com a formação
para tudo aquilo que ultrapassa o
conhecimento comum. “A escola
tem por função ensinar o que as
crianças não conhecem, mas que
lhes despertará o melhor uso da
inteligência, pensamento lógico,
autodisciplina, atenção, por meio
de conhecimentos científicos, humanísticos, sobre as leis da natureza e humanas.”
sa”, disse Augusto.
Para o casal, a escola deve ser uma
extensão da casa. “A família passa
valores e estabelece limites para as
crianças e espera que a escola dê
continuidade. E se para isso ela precisar ser rigorosa, apoiamos.”
Professores
dizem que é
possível ter
mais rigor
Professores e diretores de escolas afirmam que é possível ter mais
rigor, seja na escola pública ou privada. Eles afirmam que a cobrança
dos alunos é necessária para o
crescimento deles, porém sem
desrespeitar o estudante.
O advogado e professor Alexandre de Souza afirmou que as melhores sanções que o educador pode dar são a resposta nas suas provas e o resultado nos testes.
“Se o aluno está atrapalhando a
aula e não está adiantando o professor chamar sua atenção, devese encaminhá-lo à coordenação,
não deixar voltar para a sala e chamar os pais. Esse reflexo de rebeldia pode ser fruto de algo que vai
mal na vida dele.”
A professora, pedagoga e psicomotricista da Assessoria Educacional Terceiro Passo, de São Paulo, Marcia Paiva, frisou que é necessário deixar o aluno a par de
suas responsabilidades.
“A partir do momento que ele
não cumpre alguma de suas responsabilidades, é preciso mostrar
que há consequências para isso. É
possível privá-lo de algo, como parte do recreio. Mas nada exagerado
e nem deixar sem consequências.”
A diretora da escola Crescer
PHD Vera Zanol ressaltou que as
escolas devem ter sanções socioeducativas para alunos com mau
comportamento. “Primeiro, vem a
orientação, depois advertência
oral. Se não funcionar, suspensão
em casos graves e sempre a família
acompanhando tudo.”
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