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i Agradecimentos Professora Doutora Helena Neto Ferreira

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i Agradecimentos Professora Doutora Helena Neto Ferreira
Agradecimentos
Professora Doutora Helena Neto Ferreira
Obrigada por ter aceitado orientar este meu percurso e pela generosidade com que
partilhou comigo os seus conhecimentos.
Doutora Fernanda Teixeira
À minha amiga incondicional m uito obrigada pela disponibilidade p ermanente para
me ajudar.
Família
Obrigada à minha querida família, meu suporte físico e emocional, pai Ben, mãe Né,
irmão Pedro, filhos Zézé e Jãojão, destacando-se a ajuda indispensável e constante
do meu marido Jonas.
i
Resumo
As Enterobacteriaceae produtoras de beta-lactamase d e espectro al argado t êm si do
consideradas importantes agentes patogénicos hospitalares durante as últimas décadas.
Hoje em dia a disseminação da resistência na comunidade é uma verdadeira ameaça,
nomeadamente em nichos específicos, como os lares para idosos. A colonização fecal de
pessoas saudáveis, pr incipalmente co m e nzimas do t ipo C TX-M, é um a r ealidade qu e
pode co mprometer o co ntrolo de infecção nos cu idados de sa úde h ospitalares e na
prestação
de
cuidados
continuados. A ssim,
o r astreio d e p ortadores
de
Enterobacteriaceae produtoras de beta-lactamases de espectro alargado na admissão
hospitalar é de gr
ande i mportância na d
etecção d e su rtos nas enfermarias,
particularmente, nas de m aior r isco. O utros genes de r esistência sã o t ambém
disseminados horizontalmente sendo a m ultirresistência uma realidade nesses isolados.
A contribuição de animais, domésticos e selvagens, para a disseminação é outra ligação
que j á foi a bordada n a t ransmissão e ntre espécies de est irpes multirresistentes de
humano para animal e vice-versa. Outra contribuição para a dispersão pode ser os
produtos alimentares.
A co lonização fecal de cr ianças com Enterobacteriaceae produtoras de b eta-lactamase
de espectro alargado é uma realidade já relatada em Portugal que pode comprometer a
admissão pediátrica hospitalar e o tratamento das infecções por estas estirpes.
Esta r ealidade deve se r t omada em co nta n a pr ática cl ínica n a co munidade, co m
consequências nos tratamentos empíricos adequados, nomeadamente nas infecções do
tracto urinário, por estas estirpes, devido à limitação terapêutica. Também na admissão
hospitalar de grupos específicos da população deve-se ter em conta a probabilidade de
colonização f ecal por Enterobacteriaceae produtoras de be ta-lactamase d e es pectro
alargado. Isto é u m novo desafio d a s aúde pública para os m édicos, l aboratórios d e
microbiologia, hospitais e serviços de saúde em geral.
Palavras-chave: Resistência aos antibióticos, beta-lactamases de espectro alargado, disseminação.
ii
Abstract
Extended-spectrum beta-lactamase producing Enterobacteriaceae have been considered
important nos ocomial pathogens during the l ast dec ades. Nowadays community
dissemination of this resistance t hreat i s a r eality namely in p articular ni ches, a s old
people ca re se ttings. F ecal co lonization of healthy p eople, m ostly with CT XM-type
enzymes, is a reality that might compromise effective infection control in acute care
hospitals and long term care facilities and in that way, extended-spectrum beta-lactamase
producing Enterobacteriaceae carriers
screening on hospital admission, might be of
importance in detection of outbreak installation in particular wards. Other resistance genes
are also dispersed most of the times horizontally and multi-resistance is a reality in these
isolates. Contribution of animals, domestic and wild, for dissemination is another link that
has already been addressed showing inter-species transmission of these multiresistant
strains from human to animal and vice versa. Another contribution for dispersion might be
food products.
Fecal colonization of children with Extended-spectrum beta-lactamase producing
Enterobacteriaceae is a reality already reported in Portugal that might compromise
paediatric hospital admission and treatment of infection by these strains.
This reality should b e a ddressed i n c ommunity cl inical pr actice w ith c onsequences in
terms of adequate empirical treatment namely in urinary tract infections, by these strains,
because of restriction of active antibiotics. Also hospital admission of particular population
settings should consider the probability of Extended-spectrum beta-lactamase producing
Enterobacteriaceae fecal colonization. This is a new Public health challenge for clinicians,
microbiology laboratories, hospitals and in general the health care setting.
Keywords: Antibiotic resistance, extended-spectrum beta-lactamases, dissemination.
iii
Índice
Agradecimentos ............................................................................................................................................ i
Resumo ....................................................................................................................................................... ii
Abstract ...................................................................................................................................................... iii
Índice .......................................................................................................................................................... iv
Lista de Abreviaturas e Símbolos .................................................................................................................. v
Introdução ....................................................................................................................................................1
Contribuição do Laboratório de Microbiologia para a detecção de Enterobacteriaceae produtoras de betalactamases de espectro alargado..................................................................................................................2
Contributos para a disseminação de resistência ............................................................................................6
Contributo dos alimentos e da produção animal para a disseminação de estirpes produtoras de ESBLs ....... 15
Contributo dos animais selvagens para a disseminação de estirpes produtoras de ESBLs ........................... 25
Contributo dos animais de estimação para a disseminação de estirpes produtoras de ESBLs ...................... 30
Contributo de diversos ambientes para a disseminação de estirpes produtoras de ESBLs ............................ 31
Disseminação de Enterobacteriaceae produtoras de ESBL na comunidade ................................................. 35
Unidades prestadoras de cuidados de saúde e hospitais, a maior origem de ESBLs .................................... 46
Rastreio na admissão Hospitalar................................................................................................................. 51
Disseminação de Enterobacteriaceae produtoras de ESBL nas crianças...................................................... 56
Tratamento ................................................................................................................................................ 63
Conclusão .................................................................................................................................................. 78
Referências Bibliográficas........................................................................................................................... 79
iv
Lista de Abreviaturas e Símbolos
ACF
AmpC
ATCC
bla
CB
CFU
CLSI
CM
CMY
CRATAS
CSF
CTX
CTX-M
DNA
E. coli-MDR
EGNR
ERIC-PCR
ESBL
ESBLEC
ESBL-KP
EUCAST
FDA
HB
HCF
HSF
ICBAS
ICs
ICU
IFs
intI1
intI2
LTCF
LTCF-B
MBLs
MDR
MIC
MIC50
MIC90
MRSA
NAG
Cuidados intensivos
Beta-lactamase do tipo AmpC
American Type Culture Collection
Genes de beta-lactamase
Bacteremia da comunidade
Unidades formadoras de colónias
Clinical and Laboratory Standards Institute
Amostras de carcaças de galinha não cozinhadas
Beta-lactamase do tipo CMY
Centro de Recepção, Acolhimento e Tratamento de Animais Selvagens
Líquido cefalorraquidiano
Cefotaxima
Beta-lactamase do tipo CTX-M
Ácido desoxirribonucleico
Escherichia coli produtoras de ESBLs resistentes a fluoroquinolonas
Bacilos entéricos de gram negativo
Enterobacterial repetitive intergenic consensus polymerase
Extended-spectrum beta-lactamase
Escherichia coli produtoras de beta-lactamase de espectro alargado
Klebsiella pneumoniae produtoras de ESBLs
European Committee on Antimicrobial Susceptibility Testing
Food and Drug Administration
Bacteremia hospitalar
Amostras de fezes de galinhas saudáveis
Amostras de fezes de suínos saudáveis
Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar
Casos índice
Unidade de cuidados intensivos
Formulas Infantis
Integron Integrase intl1
Integron Integrase intl2
Instituições de cuidados de saúde por tempo prolongado
Bacteremia d e i nstituições prestadoras de c uidados de sa úde por t empo
prolongado
Metalo-beta-lactâmicos
Enterobacteriaceae resistentes a multidrogas
Concentração mínima inibitória
Concentração mínima inibitória para 50% dos isolados
Concentração mínima inibitória para 90% dos isolados
Staphylococus aureus meticilina resistente
N-acetilglucosamina
v
NAL
NAM
NICU
NIs
OXA
PBPs
PCR
PCR-RFLP
PFGE
QSNICH
RAPD
RAPD
SHV
ST
TEM
TMP-SXZ
UTI
L
mg
mL
µg
Ácido nalidíxico
Ácido N-acetilmurâmico
Unidade de cuidados intensivos neonatais
Infecções nosocomiais
Beta-lactamase do tipo OXA
Penicillin-binding proteins
Polymerase chain reaction
Restriction Fragment Length Polymorphism
Pulsed-field gel electrophoresis
Queen Sirikit National Institute of Child Health
Random amplified polymorphic DNA analysis
Análise aleatória amplificada de DNA polimórfico
Beta-lactamase do tipo SHV
Tipo de sequência
Beta-lactamase do tipo TEM
Trimetoprim-sulfametoxazol
Infecção do tracto urinário
Litro
Miligrama
Mililitro
Micrograma
vi
Introdução
A resistência bacteriana aos antibióticos é uma realidade preocupante nos últimos
tempos, particularmente em relação a determinados agentes patogénicos como são as
Enterobactericaeae produtoras de beta-lactamases de espectro alargado. A realidade da
disseminação d esta ameaça de Saúde P ública t em vi ndo a m erecer a a tenção da
comunidade científica i nternacional de forma a c onhecer a r ealidade d a s ua dispersão.
Neste sentido, foi objectivo deste trabalho a recolha da informação internacional
publicada recentemente que possa contribuir para a explicitação das várias contribuições
para a disseminação comunitária deste tipo de isolados, quer provocando infecção quer
colonizando a população.
1
Contribuição
do
Laboratório
de
Microbiologia
para
a
detecção
de
Enterobacteriaceae produtoras de beta-lactamases de espectro alargado
No L aboratório de M icrobiologia s ão processados vários pr odutos, bi ológicos,
alimentares e de outras origens, para identificar e d eterminar o p erfil de susceptibilidade
aos a ntibióticos d o(s) a gente(s) patogénico(s) i solados. D os est udos m icrobiológicos
pretende-se que os resultados obtidos in vitro sejam o m ais próximo possível do que se
passa in vivo, n ão es quecendo q ue falta a i nteracção d o m icrorganismo co m o
hospedeiro que é m uito c omplexa e e stá l onge de s er co mpletamente co mpreendida e
não é pos sível ser simulada laboratorialmente. O que se sabe é q ue a i nteracção entre
estas duas entidades vivas desempenha um importante papel na prática do diagnóstico
microbiológico e no controlo de doenças infecciosas. O Laboratório de Microbiologia
fornece dados sobre resistências as quais às vezes não são as esperadas. Os resultados
obtidos permitem aos clínicos a selecção da terapêutica mais adequada ao tratamento,
substituindo os agentes de largo espectro e de alto custo, por vezes seleccionados
empiricamente, qu e t êm co nsequências indesejáveis quando us ados por p eríodos de
tempo prolongados. A relação das bactérias com o hospedeiro não é de agr essão, mas
sim de sobrevivência e reprodução e alguns conceitos deverão ser clarificados. Um
microrganismo comensal é o que vive no/ou com outro organismo no qual tem benefício
sem causar dano. A colonização é a presença contínua de bactérias durante um período
de tempo, se m agressão nem invasão d os tecidos; ” infecção co ntrolada”, hospedeiro e
microrganismo desenvolvem uma relação de comensalismo. A infecção é provocada por
qualquer microrganismo que causa doença; a maioria dos agentes deriva da própria flora
comensal e /ou co lonizante, h avendo m ultiplicação, i nvasão e
persistência do s
microrganismos no hospedeiro podendo co nduzir a si tuação d e d oença do h ospedeiro
(Murray et al., 2003).
Os bacilos entéricos de gram negativo compreendem um grande número e género
de bac térias muito semelhantes quanto ao seu “habitat”, estrutura e biologia mas que
diferem su bstancialmente q uanto à su a vi rulência, qu adros de doença qu e ca usam e
perfil de susceptibilidade aos antimicrobianos. A necessidade de uma identificação
correcta das estirpes isoladas é pois fundamental para avaliar o prognóstico da doença e
orientar a t erapêutica. A s semelhanças entre o s diversos bacilos entéricos têm co mo
consequência a quase i nexistência de ca racteres exclusivos d e gr upo ( marcadores)
obrigando portanto à necessidade de recorrer ao estudo de um grande número de
caracteres bioquímicos e outros para a sua caracterização. Os bacilos de gram negativo
2
entéricos partilham um grande número de características: são bacilos de gram negativo
não esp orulados, cu jo “ habitat” é o i ntestino, po uco exi gentes nutricionalmente, i sto é,
crescem em m eios simples. D entro d os bacilos ent éricos a família E nterobacteriacea
compreende importantes bactérias patogénicas, patogénicas oportunistas e comensais
distingue-se dos outros grupos por algumas características fundamentais:
-metabolismo energético fermentativo;
-a maior parte são anaeróbios facultativos crescendo em aerobiose e anaerobiose e
fermentam a glicose com ou sem a produção de gás;
-possibilidade de utilização dos nitratos como aceitadores finais de electrões na
cadeia respiratória reduzindo-os a nitritos ou azoto molecular;
-ausência de citocromo oxidase (reacção de pesquisa das oxídases negativa);
-quando são móveis possuem flagelos perítricos (Texto de Apoio às Aulas Teóricas
de Microbiologia Médica do ICBAS, 1993/ 1994).
O t ratamento das i nfecções b acterianas é c ada ve z m ais complicado p orque as
bactérias
desenvolvem r esistência
aos a gentes a ntimicrobianos. E stes
são
frequentemente cl assificados de ac ordo c om o se u m ecanismo de acção pr incipal. O s
principais mecanismos de resistência aos antimicrobianos são:
- interferência com a síntese da parede celular (betalactâmicos e glicopeptídeos);
- inibição da síntese proteica (macrólidos e tetraciclinas);
- interferência com a síntese dos ácidos nucleicos (fluoroquinolonas e rifampicina);
- inibição de uma via metabólica (trimetoprim-sulfametoxazol);
- desorganização da estrutura da membrana citoplasmática (polimixinas e
daptomicina) (Tenover et al., 2006).
3
Os antibióticos beta-lactâmicos têm uma utilização terapêutica generalizada dada a
sua fraca toxicidade, características farmacocinéticas e actividade antimicrobiana. Sendo
dos agentes antimicrobianos mais usados em todo o mundo, não é de estranhar que, nas
últimas décadas após a i ntrodução d e antibióticos de l argo espectro a ntibacteriano, se
tenha
observado r esistência a c
efalosporinas
de t erceira e q
uarta g eração,
monobactamos e carbapenemos, o que constitui actualmente, e p ara futuro, um enorme
problema. A s ce falosporinas p odem di vidir-se em gerações de ac ordo c om o s eu
desenvolvimento no tempo e de espectro de acção, fruto da necessidade de ultrapassar a
resistência que foi surgindo ao longo do tempo devido à evolução das beta-lactamases.
Assim, à medida que se alarga o espectro de acção contra bacilos gram negativo, perdese actividade contra bactérias gram positivo. Alguns exemplos de cefalosporinas:
- 1ª geração: cefadroxil, cefalexina, cefatrizina, cefradina
- 2ª geração: cefaclor, cefeprozil, cefonicida, cefoxitina (cefamicina), cefuroxima
- 3ª geração: cefixima, cefodizima, cefotaxima, ceftazidima, ceftibuteno, ceftriaxona
- 4ª geração: cefepime, cefpiroma
Os antibióticos beta-lactâmicos englobam quatro grandes grupos: as penicilinas, as
cefalosporinas, os m onobactamos e os carbapenemos. T odos t êm em co mum o anel
beta-lactâmico. Os radicais alteram o espectro de acção, a resistência ao suco gástrico
(via oral ou parenteral) e a farmacocinética. Os antibióticos beta-lactâmicos têm como
alvo de acção a parede celular bacteriana. A parede bacteriana envolve a cé lula, dando
corpo ao m icrorganismo, e l ocaliza-se e xternamente à m embrana ci toplasmática. N as
bactérias de gram positivo esta parede é constituída por uma camada grossa de
peptidoglicano. Nas bactérias de gram negativo esta ca mada é mais fina e com uma
membrana externa. Esta membrana apresenta canais formados por proteínas, qu e se
denominam porinas, e por onde entram os compostos hidrofílicos, como os antibióticos
beta-lactâmicos. No caso de bactérias de gram positivo a “barreira” da membrana externa
lipofílica nã o se co loca. O p eptidoglicano é um a m olécula qu e só exi ste n as células
bacterianas. É constituído por unidades repetidas de N -acetilglucosamina (NAG) e ácido
N-acetilmurâmico (NAM), a que está ligada uma cadeia de aminoácidos. Um aminoácido
liga-se com o outro da cadeia adjacente, formando uma rede que envolve a bactéria. As
enzimas que catalisam este “cross-linking” são denominadas “penicillin-binding proteins”
(PBPs), e são elas o alvo específico dos beta-lactâmicos. A inactivação das PBPs leva à
4
inibição da síntese do peptidoglicano, induzindo a lise celular, por isso os beta-lactâmicos
são considerados bacteriolítico (http://www.farbeira.pt/Portals/farbeira/documentos/Artigo
%20Plural%20 GJ%20Silva%20Resist%C3%AAncia.pdf).
5
Contributos para a disseminação de resistência
Os genes de r esistência a dquirida podem tornar a bactéria ca paz d e pr oduzir
enzimas que destroem o fármaco antibacteriano, capaz de expressar sistemas de efluxo
que evitam que o fármaco alcance o alvo, capaz de modificar o alvo de acção do fármaco
ou produzir um caminho metabólico alternativo que contorna a sua acção. A resistência
bacteriana a ant ibióticos beta-lactâmicos pode dever-se a t rês m ecanismos principais:
impermeabilidade, pr odução de b eta-lactamases e al teração d o l ocal d e acç ão. A
resistência a os antibióticos
beta-lactâmicos nos
bacilos de gr am n egativo é
maioritariamente m ediada p or b eta-lactamases. E stas
inactivam os
agentes
antimicrobianos por hidrólise do anel beta-lactâmico. As carboxipeptidases são enzimas
elaboradas por um grande número de microrganismos, particularmente bactérias, e têm
como m issão r omper, d e forma t ransitória, a própria p arede bacteriana para permitir
intercalar blocos de mureína necessários para o crescimento e multiplicação. Por outro
lado exi stem gr andes analogias entre as beta-lactamases e as proteínas fixadoras de
penicilinas (PBPs) o que su gere a existência de um a or igem co mum. F oram des critas,
até à
data, centenas de be ta-lactamases diferentes. A s mais importantes são as
cefalosporinases plasmídicas e as ESBLs - extended-spectrum beta-lactamases (Forbes
et al., 2007).
As beta-lactamases de espectro alargado (ESBLs) são classificadas geralmente de
acordo co m d ois esquemas: a cl assificação m olecular (estrutural) de A mbler e
a
classificação funcional d e B ush-Jacoby-Medeiros. O esquema de Ambler divide as
ESBLs em quatro classes, de A a D. Esta classificação baseia-se na homologia proteica
e não nas características fenotípicas. Na classificação de Ambler, as beta-lactamases da
classe A, C , e D sã o b eta-lactamases de se rina. A s beta-lactamases de cl asse B sã o
metalo-enzimas. A
classificação de B ush-Jacoby-Medeiros é d e acordo co m a
semelhança funcional ( substrato e perfil i nibidor); est e esquema é d e m aior r elevância
para os médicos ou microbiologistas no diagnóstico laboratorial porque são considerados
relevantes clinicamente os
inibidores de b eta-lactamases e os
substratos beta-
lactâmicos. Não há consenso na d efinição das ESBLs. A comummente usada é q ue as
ESBLs são b eta-lactamases capazes de c onferir r esistência à s penicilinas e às
cefalosporinas de pr imeira, s egunda e t erceira geração, e a o az treonamo ( mas não às
cefamicinas ou aos carbapenemos) por hidrólise destes antibióticos, e são inibidas pelo
ácido clavulânico, isto é, degradam os oxiimino-beta-lactâmicos e são inibidas pelo ácido
clavulânico. E sta pr opriedade di ferencia as ESBLs das beta-lactamases tipo A mpC
6
(grupo 1)
produzidas p or or ganismos tais como Enterobacter cloacae em q ue as
cefalosporinas de terceira geração são o seu substrato mas não são inibidas pelo ácido
clavulânico. As cefalosporinas de quarta geração, por exemplo o cefepime, são usadas
no tratamento contra organismos produtores de beta-lactamases AmpC, mas são menos
usadas no tratamento de organismos produtores de ESBLs pois podem ser degradadas
pelas ESBLs. E xistem vá rios tipos de E SBLs: SHV, T EM, C TX-M, O XA e out ras. A s
ESBLs do t ipo SHV ( variável s ulfidril), hi drolisam m elhor a c efotaxima do q ue a
ceftzidima. As primeiras beta-lactamases t ipo T EM ( doente grego chamado T emoniera)
não são ESBLs, como por exemplo as TEM-1, TEM-2, e TEM-13, mas uma mutante, a
TEM-3, é uma ESBL porque tem actividade sobre a cefotaxima. As ESBLs tipo CTX-M
têm uma potente act ividade h idrolítica s obre a ce fotaxima e al ta eficiência hidrolítica
sobre o cefepime sendo actualmente as mais espalhadas mundialmente. O tazobactamo
tem um a act ividade inibidora so bre est as enzimas dez vezes maior do qu e o áci do
clavulânico. A s ESBLs tipo O XA hi drolisam a o xacilina; as primeiras não eram E SBLs
mas apareceram m utantes como as OXA-11, -14, -16 em q ue el as têm um a forte
resistência à cefotaxima e, às vezes, à ceftazidima e ao aztreonamo (Paterson and
Bonomo, 2005).
A a ctual v ersão da cl assificação das b eta-lactamases atingiu um alto nível de
complexidade, t ornando-se menos ac essível aos médicos, pr ofissionais do controlo de
infecção e da gestão hospitalar. Do ponto de vista clínico, uma revisão do esquema de
nomenclatura torna-se necessária. A designação beta-lactamases de espectro alargado
atingiu um público mais amplo ao longo do tempo, mas actualmente está restrita à classe
2be funcional /classe A molecular, enzimas inibidas pelo ácido clavulânico com actividade
contra as cefalosporinas de espectro alargado. Uma nova classificação proposta amplia a
definição de ESBL para outras beta-lactamases importantes adquiridas clinicamente com
actividade co ntra c efalosporinas de es pectro alargado e /ou ca rbapenemos. A cl asse A
clássica de E SBLs foi d esignada n esta classificação por ESBLA, enquanto as ESBLs
OXA e Amp C mediadas por pl asmídeos são classificadas como ESBLs “miscelânea”
(ESBLM). P or úl timo, as carbapenemases foram desi gnadas por E SBLCARBA, a s E SBLs
com actividade hidrolítica contra os carbapenemos. Esta classificação simplificada pode
incentivar novos grupos de profissionais de saúde a participarem no esforço para impedir
a pr opagação d e be ta-lactamases adquiridas. O núm ero cr escente d e be ta-lactamases
altamente eficientes desafia t odos os profissionais de sa úde d e vá rias m aneiras. Os
problemas decorrentes da complexidade da actual terminologia científica poderia ter uma
7
solução relativamente simples através do estabelecimento de uma terminologia de betalactamases simplificada para u so cl ínico e co ntrolo de i nfecção. N a v erdade, est a foi
recentemente sugerida por Livermore, que lançou uma ampla definição de ESBL, em que
se deve mencionar sempre a família da enzima, por exemplo TEM-ESBL ou OXA-ESBL.
Embora est a s eja um a es tratégia a dequada para as publicações ci entíficas, e sta
abordagem ainda exige que os grupos de diversos profissionais de saúde necessitem de
se r elacionar co m os nomes de um gr ande n úmero d e famílias de enzimas. D eve se r
considerado q ue
a r esposta d o c ontrolo d e i nfecção se rá se melhante,
independentemente do t ipo de bet a-lactamase. A ssim, poderia ar gumentar-se qu e,
mesmo c om t ermos mais simplificados é n ecessária uma definição m ais alargada d e
ESBL. Parece ser prudente preservar a designação ESBL uma vez que já é muito
utilizada. Um certo nível de discriminação seria necessário na nova classificação de betalactamases. Para a maioria das classes de ESBL, falta um consenso internacional sobre
os testes fenotípicos e genotípicos apropriados e deve ser uma tarefa prioritária nacional
e i nternacional qu e as comissões de m etodologia t rabalhem em cr iar or ientações. A s
opções de tratamento de isolados que têm várias categorias de beta-lactamases com
beta-lactâmicos, podem variar substancialmente entre as diferentes variantes de enzimas
em cada um dos grupos. Geralmente, isolados que têm ESBLA e ESBLM são resistentes à
maioria dos
beta-lactâmicos, exc epto aos carbapenemos, e nquanto i solados co m
ESBLCARBA em muitos casos, são resistentes a todos os beta-lactâmicos. No entanto, há
uma série de excepções a esta regra geral, e os autores acreditam que a selecção da
terapia não deve ser determinada pela enzima ESBL detectada, mas sim pelo resultado
dos testes de sensibilidade aos antimicrobianos. Possivelmente, o agrupamento de betalactamases num esquema de classificação si mplificada pode excl uir diferenças
importantes entre as várias categorias das enzimas dentro dos grupos. Contudo, esta
proposta dum “esquema pr agmático” n ão se de stina a substituir a classificação act ual,
mas sim a co mplementá-la para o b enefício d os pr ofissionais de s aúde que n ão e stão
directamente env olvidos na pesquisa das
beta-lactamases. O esq uema seria um a
poderosa ferramenta para os profissionais do controlo de infecção e para os cientistas da
saúde pública, visando determinar o impacto clínico e económico de transmissão das
beta-lactamases. P ara os
clínicos de d oenças infecciosas, a cl assificação po deria
fornecer uma e strutura para m elhorar a co mpreensão das inter-relações entre as betalactamases clinicamente i mportantes co m o g rande i mpacto das terapias empíricas e
rotinas de t ratamento, q ue não de vem se r co mbatidas só pel o pes soal do co ntrolo d e
8
infecção. A credita-se que a nova classificação incentivará novos grupos, a f im de tentar
evitar maior disseminação destes determinantes de resistência (Giske et al., 2009).
No final de 2 009, o n úmero d e s equências pr oteicas exclusivas para b etalactamases excedeu 890. Assim, é i mportante ser estabelecido um processo sistemático
para m onitorizar estas enzimas. A cl assificação d as beta-lactamases tem si do
tradicionalmente baseada tanto nas características funcionais das enzimas como na sua
estrutura primária. A forma mais simples de classificação é por sequência proteica, em
que as beta-lactamases são classificadas em quatro classes moleculares, A, B, C e D,
com base na conservação e na distinção dos aminoácidos. As classes A, C e D incluem
enzimas que hi drolisam os substratos, formando um a enzima aci l a través da se rina,
enquanto as beta-lactamases da classe B são metalo-enzimas que utilizam pelo menos
um ião de zinco para facilitar a hi drólise de beta-lactâmicos. E mbora um a ab ordagem
estrutural se ja a m ais fácil e m enos controversa d e cl assificar est a di versidade de
enzimas, um a classificação funcional permite r elacionar es ta v ariedade d e e nzimas n o
seu papel clínico, ou seja, proporcionando resistência selectiva para diferentes classes de
antibióticos beta-lactâmicos. Os grupos funcionais, podem ser mais subjectivos do que as
classes est ruturais, m as auxiliam o m édico e o m icrobiologista n a relação das
propriedades duma enzima específica com o perfil de resistência observado num isolado
clínico. Historicamente, a funcionalidade tem sido o elemento essencial na definição do
papel de uma beta-lactamase em particular em ambientes clínicos. Assim, parece
adequado c ontinuar a a grupar es tas diferentes enzimas de a cordo c om as
suas
propriedades hidrolíticas e de inibição. Idealmente, uma relação forte estrutura - função
deve ser observada entre os diversos grupos de beta-lactamases. O resultado ideal seria
um esq uema d e ca tegorização que co loca t odas as beta-lactamases numa grelha de
classificação ú nica e al inha a estrutura e função. E ste t ipo d e r elacionamento es tá a
começar a ser realizado com os metalo-beta-lactâmicos. No entanto, no momento actual,
muitas beta-lactamases são d escritas a penas co m bas e numa se quência de proteínas,
com pouco da descrição funcional. Portanto, um conjunto de critérios foi proposto para a
descrição de uma nova beta-lactamase, incluindo as informações estruturais e funcionais.
As razões para a diversidade das beta-lactamases são muitas. Pelo menos as variedades
baseadas na serina são enzimas antigas, estimando-se que vêm evoluindo há mais de 2
bilhões de a nos a partir d o m omento an terior à se paração das bactérias em gram
negativo e gram p ositivo. E las são encontradas em bac térias que vi vem n uma grande
variedade de ambientes e, portanto, estão sujeitas a diferentes pressões selectivas.
9
Estas enzimas estão b em est udadas uma ve z que t êm at raído a atenção d e m uitos
investigadores desde q ue foram des critas há 7 0 an os. S ão e nzimas adaptáveis que
evoluíram para e vitarem os co mpostos i nibidores e destinam-se ao at aque d os
antibióticos beta-lactâmicos concebidos para resistir à su a acção. Finalmente, os genes
bla têm lucrado com os diversos mecanismos de transferência horizontal de genes entre
as bactérias que se espalharam p ara novos hos pedeiros e t ornaram-se par te de
plasmídeos multirresistentes hoje co muns em i solados clínicos resultantes da
disseminação “promíscua”. Tendo em conta estes factores, é uma previsão segura que
as beta-lactamases continuarão a evoluir, assim como os sistemas de classificação para
a sua descrição (Bush and Jacoby, 2010).
Algumas bactérias são n aturalmente r esistentes a alguns antibióticos, m as a
resistência bacteriana é nor malmente associada à resistência adquirida pelas bactérias.
Esta pode se r a dquirida através de m utações que o correm n uma b aixa frequência.
Contudo, se a mutação for favorável à sobrevivência da bactéria, aquela manter-se-á nas
gerações seguintes. Este tipo de resistência adquirida ocorre, por exemplo, no bacilo da
tuberculose. No entanto, a forma mais comum de adquirir resistência aos antibacterianos
é através da aquisição de DNA exógeno, a que se chama transferência horizontal de
genes referida p or B ush and J acoby. Os mecanismos são: i ) a t ransformação, em q ue
bactéria adquire D NA d o m eio-ambiente; i i) a transdução, em q ue fagos (vírus que
infectam bactérias) ao recombinar o seu material genético com o DNA bacteriano
adquirem ge nes de resistência bac terianos, t ransportando-os no seu genoma e
transferindo-os para outras bactérias quando as infectam; iii) a conjugação, transferência
de pl asmídeos entre estirpes ou esp écies bacterianas diferentes. Estes são pequenas
moléculas de DNA, não pertencentes ao cromossoma, com replicação autónoma, que
podem conter vários genes de resistência aos antibióticos e de factores de virulência. Os
plasmídeos são co nsiderados elementos genéticos móveis, q ue p or su a v ez podem
integrar o utros elementos m óveis como i ntegrões e/ou transposões contendo g enes de
resistência. Estes podem existir também no cromossoma. Com estes elementos é
possível que genes contidos em plasmídeos possam “saltar” para o cromossoma, e ser
definitivamente i ntegrados no D NA cr omossómico b acteriano, e vice-versa, além d e
terem a capacidade de integrar novos genes de resistência. A mobilidade genética é um
assunto c omplexo, m as deveras interessante par a se c ompreender co mo é f eita a
selecção de diversos genes. Estes elementos genéticos móveis contêm nor malmente
genes que codificam a resistência a diversos grupos de antimicrobianos. Este facto pode
10
significar que a restrição do uso de um dado antimicrobiano nem sempre leva à
erradicação da estirpe resistente, se no mesmo elemento móvel existirem outros genes
de r esistência a o utras classes de a ntibióticos. P or exe mplo, os integrões integram
frequentemente genes de resistência a diversos grupos de beta-lactâmicos e de
aminoglicosídeos. Os genes de resistência aos antibióticos beta-lactâmicos encontram-se
em todos estes elementos genéticos móveis, o que permite explicar o elevado aumento
da resistência a estes antibióticos e disseminação por variadas espécies bacterianas ao
longo dos anos. (http://www.farbeira.pt/Portals/farbeira/documentos/Artigo%20Plural%20
GJ%20Silva%20Resist%C3%AAncia.pdf)
Os plasmídeos são el ementos g enéticos ca pazes de r eplicação autónoma, q ue
podem c odificar funções m uito di ferentes, l ocalizados n o ci toplasma bacteriano,
constituído por DNA, de tamanho muito variável. A maioria dos plasmídeos é transferida
por conjugação (pelo contacto através do “pili sexual” ou ponte de união entre a bactéria
dadora e a receptora). Com o objectivo da célula dadora não perder o plasmídeo, este
duplica-se antes do fenómeno de conjugação, ficando as duas bactérias portadoras do
plasmídeo. A lgumas bactérias possuem p equenos plasmídeos capazes de s erem
transferidos por fagos (transdução). G eralmente co dificam b eta-lactamases i ndutíveis.
Também está descrita a exi stência de plasmídeos de maior t amanho que codificam a
síntese de be ta-lactamases e a resistência a outros antibióticos. Uma bactéria pode ter
mais de um pl asmídeo se mpre q ue e stes per tençam a di
ferentes grupos de
compatibilidade, visto que, ao competirem pela mesma função bioquímica um deles terá
que ser segregado. Os transposões são também determinantes de resistência bacteriana
aos antibióticos. O material genético (DNA) que codifica estas propriedades é capaz de
“saltar” de um plasmídeo para outro plasmídeo, de um plasmídeo para o cromossoma ou
do plasmídeo para um bacteriófago. A sua replicação não precisa de h omologia entre a
célula dadora e receptora. O transposão não só cria o seu próprio lugar de inserção como
o se u “ desprendimento” de um m aterial genético e p osterior “ ligação” a o utro qu e es tá
seguramente catalisado por enzimas codificadas pelo próprio transposão. Ao contrário da
resistência bacteriana a antibióticos adquirida por mutação, que é “pontual” e dificilmente
transferível, a resistência adquirida por um plasmídeo ou transposão pode ser múltipla a
vários antibióticos e é transferível, fundamentalmente por conjugação, a outras bactérias
da mesma ou de diferente espécie. A resistência cromossómica, não transferível, só se
expressará m ediante pr essão se lectiva d o an tibiótico que, ao
eliminar as
células
sensíveis, põe em evidência a população resistente. Genes de resistência a antibióticos,
11
antes associados a plasmídeos ou cromossomas, em forma não transferível, podem unirse a um pl asmídeo t ransferível. I gualmente, um d eterminante de r esistência
“transposável” pode ser unido a um genoma de bacteriófago e di spersar-se desta forma
(Forbes et al., 2007).
A E. coli, um m embro da F amília Enterobacteriaceae, é um ha bitante comum do
intestino dos humanos e a nimais. É o m ais comum d os bacilos de gr am negativo
causadores de i nfecções nosocomiais e ad quiridas na co munidade. A di fusão d a
resistência a os antibióticos tem si do r econhecida em i solados de E. coli de origem
humana, animal e ambiental. Embora a t axa de pr evalência de est irpes de E. coli
resistentes seja significativamente distinta em várias populações e ambientes, o impacto
da resistência aos antimicrobianos é uma realidade (von Baum and Marre, 2005).
O microrganismo resistente é o que adquire resistência a antibióticos aos quais era
anteriormente sensível. A heterogeneidade da expressão da resistência causa problemas
na detecção de estirpes resistentes e dificulta a execução da terapêutica adequada. Cada
antibiótico é ca racterizado p or um espectro n atural d e actividade a ntibacteriana. E ste
espectro co mpreende as
espécies bacterianas que,
no es tado n ativo, t êm o se u
crescimento inibido por concentrações de antibióticos susceptíveis de serem atingidas in
vivo (naturalmente sensíveis). A resistência natural é um carácter constante de todas as
estirpes de uma mesma espécie bacteriana que permite prever a inactividade e ajudar a
identificação. A resistência adquirida é uma característica própria de certas estirpes, no
seio de um a espécie b acteriana s ensível, cu jo pa trimónio g enético foi alterado pe la
mudança ou aq uisição de um
gene. Contrariamente às resistências naturais, são
evolutivas e a sua frequência é, por vezes, dependente da utilização dos antibióticos. A
concentração m ínima i nibitória ( MIC) de um agente a ntimicrobiano é t raduzida como a
menor co ncentração do a gente qu e i nibe o c rescimento do organismo ( visual e /ou
automático). O conhecimento da MIC do agente antimicrobiano, a via de administração e
os níveis clinicamente atingíveis do agente antimicrobiano no local da infecção permitem
a classificação do organismo como susceptível (S), intermediário (I) ou r esistente (R) ao
agente microbiano em questão (Brochura Técnica do Sistema ATB).
A aquisição de novo material genético pelas bactérias sensíveis aos antibióticos a
partir das estirpes bacterianas resistentes, pode ocorrer por conjugação, transformação,
ou t ransdução, co m t ransposões ou pl asmídeos que frequentemente facilitam a
incorporação de genes de resistência múltipla no genoma. O uso de agentes
12
antimicrobianos cria pr essão selectiva p ara o a parecimento d e estirpes resistentes. O s
níveis de r esistência sã o n ormalmente altos para penicilinas de l argo es pectro e
trimetoprim, e baixos para cefalosporinas de 3ª geração e nitrofurantoína. O
aparecimento de resistência às fluoroquinolonas e a pr odução d e beta-lactamases de
espectro alargado ( ESBL) p or est irpes de E. coli multirresistentes tem l evado ao
aumento, n a última d écada, d e l imitações de o pções terapêuticas. U m d os factores de
risco predominantes para a disseminação dos genes e bactérias resistentes é a pressão
selectiva d e a ntibióticos por uso ( abuso) d e ant ibióticos nos humanos, a nimais,
alimentação e agricultura. A maioria dos antibióticos usados na clínica é consumida fora
do hospital o que levou a um impacto substancial no desenvolvimento da resistência nos
patogénicos bacterianos. A grande utilização de antimicrobianos na medicina veterinária
e como promotores de crescimento animal (actualmente banida) originou o aparecimento
de estirpes resistentes a antibióticos na microflora endógena dos animais. A população
humana pode ter ficado colonizada e/ou infectada via contacto, exposição ocupacional ou
pela cadeia al imentar, a dquirindo os genes de resistência da flora b acteriana r esidente
nos animais. A bactéria pode ser intrinsecamente resistente a uma ou mais classes de
agentes antimicrobianos, ou pode adquirir resistência por nova mutação ou por aquisição
de genes de resistência de outros organismos (Tenover, 2006).
A epi demiologia é a ci ência q ue es tuda, qu antitativamente, a di stribuição d os
fenómenos saúde/doença e os factores condicionantes nas populações humanas. O
conhecimento actualizado dos padrões epidemiológicos é fundamental, possibilitando
ajustar as intervenções de prevenção/diagnóstico a subgrupos populacionais de maior
risco.
A pressão selectiva refere-se a condições ambientais, incluindo não apenas o uso
de antibióticos mas também a qualquer outro factor ambiental tal como, a forma como os
pacientes estão relacionados por características epidemiológicas, outras drogas usadas,
ou poluentes ambientais (Baquero et al., 1998). É um co nceito geral que s e r efere a
muitos factores e q ue cr ia um p anorama ambiental p ermitindo, a os organismos com
mutações
novas
ou ca racterísticas
recentemente
adquiridas, so breviverem e
proliferarem. A pr essão selectiva por ant ibióticos é o pr incipal f actor para ex plicar o
aumento da resistência. A prevalência actual da resistência deve ser monitorizada
continuadamente cada ano. O impacto da resistência a um antibiótico e o seu mecanismo
específico, i ncluindo a
transmissão, d eve ser est udado c uidadosamente. T ais
13
informações podem ajudar na orientação das estratégias a seguir para maximizar o
sucesso terapêutico e minimizar o aparecimento de resistência (Siu, 2002).
A resistência embora classicamente atribuída a mutações cromossómicas, está
mais associada a
elementos extracromossómicos adquiridos de o utra bactéria do
ambiente. Estes incluem diferentes tipos de s egmentos móveis de DNA, tais como os
plasmídeos, os
transposões e os
integrões. C ontudo o s mecanismos intrínsecos
normalmente não es pecificados por elementos móveis tais como as bombas de e fluxo
que expulsam vários tipos de antibióticos, são agora reconhecidos como dos principais
contribuidores para a multiresistência bacteriana. Uma vez estabelecida, os organismos
resistentes a multidrogas persistem e espalham-se pelo mundo, causando falhas clínicas
no tratamento de infecções e crises de saúde pública (Alekshun and Levy, 2007).
A diferenciação entre enzimas mediadas por plasmídeos e cromossomas pode ser
difícil devido à possibilidade de translocação de genes entre plasmídeos e cromossomas.
A importância epidemiológica da r esistência cromossómica e pl asmídica é, sem dúvida,
muito di ferente se ndo a pl asmídica a
que o rigina m aior di fusão das resistências
bacterianas o que dá l ugar a numerosos surtos epidémicos por bac térias resistentes
(Forbes et al., 2007).
A t ransferência horizontal p arece s er o m
ecanismo pr incipal para a dquirir
resistência aos antibióticos. Os antibióticos além de se lectores da resistência bacteriana
são t ambém pr omotores da r esistência. A aplicação d e n ovas tecnologias levou a o
desenvolvimento d e nov os antibióticos. C ontudo a ca pacidade d estas novas moléculas
para originar resistência nos microrganismos tem sido largamente ignorada. Talvez seja
tempo d e i ncluir um novo p asso n o d esenvolvimento e est udo das propriedades dos
novos antibióticos: a s ua capacidade de produzir resistência. Este estudo deve ser feito
usando todo o conhecimento di sponível so bre a f isiologia e ge nética bac terianas. Os
novos antibióticos devem se r avaliados pela su a ca pacidade de s eleccionar va riantes
mutantes, de a umentar as taxas de m utação, e de pr omover t rocas genéticas. A s
moléculas devem se r estruturalmente m odificadas para r eduzir, s e possível, estas
capacidades sem di minuir as propriedades antimicrobianas. F inalmente, usando os
conhecimentos mais actualizados sobre as bases genéticas da mutação e recombinação
e do seu papel na aquisição da resistência aos antibióticos, pode-se então tirar partido
das estratégias que as bactérias utilizam para ultrapassar a acção dos antibióticos, para
melhorar os fármacos anti-infecciosos (Blázquez et al., 2002).
14
Contributo dos alimentos e da produção animal para a disseminação de estirpes
produtoras de ESBLs
A resistência aos antibióticos é um pr oblema i mportante d e sa úde p ública a q ual
acaba num surto causado por bactérias patogénicas que não se eliminam por antibióticos
conhecidos. A maioria dos genes que confere resistência é adquirida horizontalmente das
bactérias comensais ou d as bactérias ambientais. A co ntaminação al imentar p or
bactérias resistentes pode se r um a fonte si gnificativa de g enes de r esistência para as
bactérias humanas mas não t em si do r igorosamente ava liada, n em é co nhecido se h á
diferenças entre pr odutos bi ológicos e os de pr odução c onvencional. N um es tudo em
trezentos e n oventa e n ove produtos verificou-se q ue, i ndependentemente do m odo de
produção, os vegetais e frutos crus estavam muito contaminados por bactérias de gram
negativo r esistentes a m últiplos antibióticos. A m aior par te d estas bactérias são
originárias do solo e do ambiente. Este estudo focou-se em bactérias de gram negativo
resistentes a c efalosporinas de t erceira g eração, q ue ca usam um gr ande i mpacto na
saúde humana. Entre elas, existem raras espécies potencialmente patogénicas para
hospedeiros imunocompremetidos. Dos produtos testados, treze por cento tinham
bactérias produtoras de beta-lactamases de espectro alargado, todas identificadas como
Rahnella spp agrupadas em dois filotipos e todas portadoras do gene bla(RAHN). Deste
modo, vegetais e frutos de produção biológica ou convencional constituem uma fonte de
bactérias resistentes e de genes de resistência (Ruimy et al., 2009).
Os alimentos de pr odução a nimal sã o os principais reservatórios de p atogénicos
zoonóticos, e a detecção de produtores de ESBL em estirpes de E. coli e Salmonella tem
aumentado nos
últimos anos. A s ESBLs são ext ensamente de tectadas em vá rias
instituições de saúde mas não são assi m tão f requentes na po pulação b acteriana d os
animais, podendo indicar que estas enzimas são menos prevalentes nos animais que nos
humanos, mas também não têm sido tão procuradas. O aumento da ocorrência de
produtores de E SBLs nos animais tem-se destacado e di scutido d evido à ci rculação
destes factores de resistência entre os patogénicos humanos (Carattoli, 2008).
Durante a monitorização de amostras de leite não pasteurizado de vacas saudáveis
para a pr esença de bac térias resistentes aos antibióticos, um isolado de Klebsiella
pneumoniae era resistente às oxiimino-cefalosporinas e aztreonamo. Descobriu-se uma
beta-lactamase de espectro alargado, codificada cromossomicamente, que f oi descrita
15
anteriormente, chamada SHV-60. É de esperar que esta estirpe se dissemine entre
animais de produção alimentar e assim constitua um reservatório desta estirpe resistente
e que o gene de resistência possa ser transferido causando problemas para o tratamento
dos humanos. Este estudo confirma a hipótese de que alguns dos novos antibióticos a
que as
bactérias zoonóticas patogénicas são r esistentes apareceram em a nimais
destinados à alimentação e foram referenciados pela primeira vez no Japão. Colonização
das tetas de v acas saudáveis com patogénicos zo onóticos resistentes a m ulti-drogas
durante a lactação ou períodos de seca é um dos maiores perigos afectando não só a
indústria leiteira mas também a saúde pública. Recentemente, populações de países em
desenvolvimento foram mal informados através de sessões em muitos sites na internet
que di ziam q ue o l eite em br uto é m ais nutritivo e t em m elhor s abor q ue o l eite
pasteurizado. Fez-se um estudo para monitorizar bactérias resistentes a multi-drogas no
leite em bruto d e v acas saudáveis da C alifórnia t endo em c onta q ue não r eceberam
nenhum a ntibiótico n a comida e que não foram tratadas com antibióticos pelo menos
durante três meses. Às estirpes identificadas foram feitos testes de susceptibilidade aos
antibióticos pelos métodos de difusão em disco e determinação da MIC, de acordo com
as “guidelines” de 2005, do CLSI (Clinical and Laboratory Standards Institute). A estirpe
identificada co mo Klebsiella pneumoniae, KPH UF-100, t em um fenótipo p ouco co mum,
sugerindo a presença d e um a b eta-lactamase de esp ectro al argado qu e degrada as
oxiimino-cefalosporinas e aztreonamo. A determinação da MIC na presença de uma
concentração fixa de ácido clavulânico, 4µg/mL, confirma que este isolado é uma
produtora de ESBL e excluiu a possibilidade da resistência ser devida à presença de uma
beta-lactamase do tipo AmpC ou a efeitos de permeabilidade resultantes de alterações
nas p orinas d a m embrana ext erna. A Klebsiella pneumoniae está e ntre os b acilos de
gram negativo mais encontrados pelos médicos em todo mundo e t em sido considerada
patogénica pulmonar desde que foi descoberta há mais de 100 anos; contudo, a razão
para a preponderância geográfica de manifestações severas de infecções por Klebsiella
pneumoniae, incluindo bacteremias e meningites adquiridas na comunidade, na Ásia, são
desconhecidas. No Japão, tem havido um aumento de infecções causadas por Klebsiella
pneumoniae resistente a m ulti-drogas constituindo um a am eaça n ão s ó por se t ornar
mais difícil se leccionar os antibióticos eficazes para o t ratamento d os pacientes, m as
também por ser uma causa frequente de surtos nosocomiais nos hospitais. Contudo, a
origem de sta b actéria é de sconhecida. E stes r esultados sugerem que s ob ce rtas
condições, as
tetas de animais saudáveis podem se r co lonizadas por bac térias
resistentes a multi-drogas e suscita uma pergunta: Quais são os mecanismos envolvidos
16
na selecção de bactérias resistentes a multi-drogas nas tetas dos animais saudáveis?
Assumiram que a selecção ocorre fora da teta, que a invasão é feita através do esfíncter
da teta e que estas bactérias permanecem num estado latente. Além disso, as fezes e a
urina dos animais contêm quer as bactérias resistentes quer os resíduos de antibióticos
que f icam acu mulados no so lo ha bitado por estas vacas leiteiras. É possível qu e este
ambiente de pressão com antibióticos seleccione alguns grupos de bactérias para
mutações pontuais. Este tipo de ambiente favorece a resistência, transferência de genes
e amplificação de estirpes resistentes que podem colonizar, durante meses, o canal da
teta e a
cisterna, dur ante a lactação ou períodos de seca, sendo um reservatório
daquelas bactérias no l eite br uto, m esmo e m ani mais saudáveis. A dicionalmente,
microrganismos resistentes têm sido encontrados em quintas de produção convencional
ou orgânica, o que demonstra que o fenómeno de disseminação de bactérias resistentes
está nas quintas. É necessária vigilância para avaliar se isto é uma situação única, numa
quinta, ou se a resistência devida a ESBL está presente entre outras populações animais,
no Japão (Hammad et al., 2008).
Poucos estudos têm d emonstrado a presença de Escherichia coli resistentes,
expressando ESBL em alimentos e animais de produção alimentar. Num estudo espanhol
de 2003, a prevalência de resistência de E. coli que expressam ESBL foi de 2,8% nos
isolados testados em ani mais doentes e os genes identificados foram d o t ipo CTX-M,
SHV e TEM. Num estudo dinamarquês de 2000-2002 em isolados de E. coli e Salmonella
spp não foram detectadas ESBLs. Num estudo na Holanda de 2001 a 2002 em isolados
de aves, de produtos de aves e de pacientes (34 isolados de Salmonella spp produtores
de ESBL) havia uma alta prevalência de bla(TEM-52), e E SBLs do tipo CTX-M da cl asse C
de Ambler entre os isolados testados de origem de animal. Nove isolados não
relacionados de origem animal, uma Salmonella spp e oito E. coli do Reino Unido eram
produtores de ESBL. Todas as E. coli tinham mutações de AmpC e na Salmonella spp foi
detectada uma enzima de classe C de Ambler, CMY-2. Como parte de vigilância contínua
de r esistência antimicrobiana n os animais de produção al imentar, n os alimentos e nos
seres humanos foram obtidos isolados de E. coli a partir de ca rne vendida a retalho na
Dinamarca num t otal de 732 amostras de aves, de ca rne bovina e de c arne d e por co,
sendo identificado p ela primeira ve z em 2004 o primeiro i solado d e E. coli produtor d e
ESBL. Esta E. coli resistente foi isolada de carne cortada importada da Alemanha e foi,
também, r esistente às q uinolonas, às su lfonamidas, à t etraciclina e ao t rimetoprim.
Utilizando primers previamente concebidos para os genes do tipo TEM, foi obtido um
17
amplicão de E. coli e por sequenciação foi identificado como bla(TEM-52). Anteriormente, a
bla(TEM-52) foi encontrada com alta prevalência em E. coli nos pacientes hospitalizados em
hospitais canadianos. R ecentemente, i solados bacterianos contendo bla(TEM-52) foram
detectados em Salmonella enterica s erovares Blockley, T homsen, L ondon, E nteritidis,
paratyphi B, Virchow e Typhimurium de aves de capoeira e em pacientes na Holanda e
em pacientes na Escócia. Estes resultados mostram a importância da monitorização da
prevalência da resistência antimicrobiana não só dos animais de produção alimentar, mas
também em ca rne ve ndida a r etalho. P rogramas nacionais para l imitar a s elecção d a
resistência terão de ser co mbinados com medidas internacionais e regulamentos para
assegurar que os consumidores não estão expostos a riscos desnecessários de bactérias
resistentes a antimicrobianos em alimentos comprados a retalho. Além disso, os genes
de r esistência, i dentificados neste es tudo, es tão l ocalizados em el ementos de DNA
móveis e a resistência po de ser t ransferida e ntre as estirpes no intestino hum ano,
originando a redução de op ções de t ratamento antimicrobiano e pr olongamento da
hospitalização (Jensen et al., 2006).
As Escherichia coli produtoras da enzima CTX-M-15 espalharam-se rapidamente no
Reino Unido por volta de 2003, mas outros tipos também apareceram, especialmente a
CTX-M-14. Examinaram-se peitos de galinha criados no Reino Unido (n=62) e importadas
(n= 27), como po tencial f onte de E. coli resistentes à s quinolonas co m g enes bla(CTX-M).
Foram examinadas mais quarenta amostras em que o país de criação não foi possível
identificar. Durante 2006, 1 29 filetes de p eito de g alinhas frescos e congelados foram
comprados em West Midlands. Foram cultivados em meio de CLED contendo 8mg/L de
ciprofloxacina e co m di sco d e 10
µg d e ce fpodoxima. I solados resistentes foram
identificados e tipados por RAPD (random amplified polymorphic DNA analysis); bla(CTX-M)
foi identificada por PCR (polymerase chain reaction) e sequenciação. O país de criação
foi identificado pela embalagem para 89 das 129 amostras compradas. Apenas uma das
62 amostras de galinhas criadas no Reino Unido era portadora de E. coli produtora da
enzima CTX-M-1, enquanto 10 de 27 amostras criadas noutros países tinham E. coli com
enzimas CTX-M, especificamente, 4/10 Brasileiras, 3/4 Brasileiras/Polacas/Francesas, e
2/2 Alemãs têm E. coli com enzimas CTX-M-2. Seis das 40 amostras em que o paí s de
criação não é conhecido têm enzimas CTX-M e 5 são CTX-M-14. As E. coli resistentes às
quinolonas co m várias b eta-lactamases C TX-M, as q uais são c omuns em i nfecções
humanas em t odo o m undo, foram e ncontradas em p eitos de g alinha i mportada,
indicando uma possível fonte para colonização intestinal. O tipo dominante de CTX-M em
18
infecções h umanas no R eino U nido n ão foi encontrado n os isolados de g alinhas,
sugerindo q ue galinhas criadas neste país não são um r eservatório de C TX-M-15. F oi
posta como hipótese que os produtos de galinha importados fossem a grande fonte de
colonização intestinal p or estirpes aviárias de E. coli portadoras de genes de E SBLs
bla(CTX-M). C ozinhar os al imentos não i mpede a
colonização d os intestinos pelos
microrganismos das g alinhas cruas, q uando manuseadas e c ozinhadas em l ocais
domésticos. A c olonização i ntestinal, quando se guida d e uma ca teterização urinária o u
problemas de hi giene pes soal, po de explicar a epidemiologia ac tual dos produtores de
ESBLs, os quais aparecem particularmente nos idosos, nos hospitais e na comunidade
do Reino Unido. As estirpes aviárias podem transferir resistência ou factores de virulência
para os h umanos por E. coli patogénicas, embora isto nã o exp lique a di sseminação
clonal m ultifocal. A C TX-M-15 t em si do ag ora descr ita na ca rne d e f rango ve ndida a
retalho nos EUA em simultâneo com as primeiras descrições de casos na comunidade
com este genótipo. Embora estirpes de E. coli com a enzima dominante CTX-M-15 não
tenha sido encontrada em amostras de carne de galinha no Reino Unido, não se pode
ignorar a possi bilidade d a su a or igem t er co mo f onte os géneros alimentícios. O utra
explicação é que estirpes com CTX-M-15 apareceram devido à emigração ou imigrantes
da Índia, onde a enzima está extremamente disseminada. Contudo vários epicentros de
E. coli clonal c om CT X-M-15, por exemplo U lster ( Irlanda) e S hrewsbury (Inglaterra), e
que nã o t êm gr ande população i migrante, contrariam o ar
gumento de que a
disseminação é m ediada p elos viajantes. Devido à e norme presença d e es tirpes de E.
coli com r esistência a q uinolonas e c om g enes CTX-M n os peitos de frango cr us é
necessário um a vi gilância s ustentada paralela, d as fontes d e c omida cr ua i mportada e
infecções nos humanos, para estabelecer se há uma relação, ou uma mudança gradual
na prevalência de tipos de CTX-M e se genes de resistência e p lasmídeos nos isolados
de comida crua são os progenitores das mudanças na epidemiologia clonal nos isolados
das enzimas CTX-M. Embora a epidemiologia molecular não tenha demonstrado que a
carne crua de aves domésticas é uma fonte das infecções correntes no Reino Unido, esta
carne pode s er uma fonte de colonização fecal com E. coli produtoras de E SBLs por
infecções extra-intestinais (Warren et al., 2008).
Em 200 6 n a T unísia foi a valiada a ocorrência de be ta-lactamases de es pectro
alargado em i solados de Escherichia coli em quarenta amostras de fezes animal e em
trinta e oito amostras de alimentos, para caracterizar o tipo de ESBLs, os seus ambientes
genéticos e os genes de r esistência ass ociados. O s isolados de E. coli produtores de
19
ESBLs foram de tectados em dez d e t rinta e oito amostras de al imentos e n ão foi
detectada nenhuma nas amostras de fezes animal. A diferença observada nos isolados
de E. coli ESBL positivos em amostras de alimentos em relação às amostras de fezes de
animais pode ter várias razões; as amostras de alimentos e as amostras de fezes foram
obtidas de qui ntas diferentes e, p or out ro l ado, a c ontaminação po de oc orrer no
matadouro e durante os processos de t ransformação o u co mercialização alimentar. O s
genes encontrados nos isolados foram os seguintes: bla(CTX-M-1) em cinco, bla(CTX-M-1) mais
bla(TEM-1b) em um, bla(CTX-M-14) mais bla(TEM-1b) em dois, bla(CTX-M-8) em um e bla(SHV-5) em um.
Todos os isolados com ESBLs mostraram padrões não relacionáveis por PFGE (pulsedfield gel electrophoresis). As ESBLs da classe CTX-M foram detectadas pela primeira vez
em estirpes de E. coli de origem alimentar em África (Jouini et al., 2007).
Recentemente, tem sido referida uma alta diversidade de ESBLs na Escherichia coli
em qui ntas de av es domésticas na B élgica sendo as
enzimas CTX-M a f amília
predominante. As estirpes de Salmonella entérica serovar Virchow e Salmonella entérica
serovar Infantis produtora de TEM-52 têm sido também isoladas de aves domésticas na
Bélgica. A presença de ESBLs nos animais de produção alimentar pode representar um
perigo p ara a s aúde humana um a vez que e stas bactérias podem r epresentar um
reservatório de genes d e r esistência d e patogénicos causando doença n os humanos e
nos animais. Portanto para demonstrar o conjunto de genes comuns de ESBLs existentes
entre os i solados dos diferentes hospedeiros, ca racterizaram-se os
plasmídeos,
determinaram a localização e a pos sibilidade de t ransferência de E SBLs bla(TEM-52),
bla(CTX-M-2)
e
bla(CTX-M-15)
presentes
nos
isolados
Enterobacteriaceae de h umanos, d e frangos e
das
diferentes
estirpes
de
de suínos. C atorze es tirpes n ão
relacionadas clonalmente, portadoras de bla(TEM-52), bla(CTX-M-2) ou bla(CTX-M-15) foram
usadas n este es tudo. A s es tirpes d e E. coli humana f oram isoladas em pacientes do
Hospital Universitário de Ghent. Todos os isolados de aves domésticas foram obtidos de
fezes de frangos saudáveis mas os 2 isolados de E. coli eram de suínos com diarreia. A
resistência pl asmídica qu e co difica as ESBLs parece m over-se r apidamente ent re os
diferentes microrganismos e os diferentes ecossistemas. O s organismos portadores de
TEM-52, d e C TX-M-2 ou C TX-M-15 r esistentes às c efalosporinas, podem se r
transmitidos dos alimentos de produção animal para os humanos ou vice-versa, contudo,
permanece pouco claro, principalmente devido ao desconhecimento da maleabilidade e
velocidade de evolução dos plasmídeos que as transportam (Smet et al., 2009).
20
As ESBLs, principalmente as da família CTX-M, têm sido associadas com estirpes
de Escherichia coli de or igem animal na E uropa. U ma ex periência foi r ealizada in vivo
para e studar os
efeitos de dr ogas beta-lactâmicas em ve terinária n a se lecção e
persistência de E. coli produtora de ESBL na flora intestinal de suínos. Vinte suínos foram
aleatoriamente distribuídos em três grupos de tratamento e um grupo de controlo. Todos
os suínos foram i noculados intragastricamente c om 1 010 CFU ( unidades formadoras d e
colónias) de mutantes resistentes ao ácido nalidíxico derivados de estirpes de E. coli
produtoras de C TX-M-1 de su ínos. O s tratamentos com a am oxicilina, a ce ftiofur
(cefalosporina d e 3ª geração), ou a ce fquinoma ( cefalosporina d e 4ª g eração) foram
iniciados imediatamente ap ós inoculação b acteriana. A s fezes foram co lhidas antes da
inoculação e nos dias 4, 8, 15, 22 e 25 após o início do tratamento. O total de coliformes
resistentes foram contados em meio de MacConkey com e se m cefotaxima (CTX). Para
além disso, MacConkey com CTX e ácido nalidíxico (NAL) foi usado para contar o
número de CFU da estirpe inoculada. Foram observadas contagens significativamente
mais altas de coliformes resistentes ao CTX nos três grupos de tratamento vinte e dois
dias após a d escontinuação do t ratamento qu e no gr upo de c ontrolo. A ce ftiofur e a
cefquinoma exercem um maior efeito selectivo que a am oxicilina, e os efeitos persistem
para além do tempo de tratamento recomendado para estas cefalosporinas. As estirpes
inoculadas foram detectadas em apenas nove animais no dia 25. O aumento do número
de co liformes resistentes ao CTX f oi pr incipalmente devido à pr oliferação de e stirpes
produtoras de CTX-M nativas e à possibilidade de outras estirpes adquirirem genes CTXM por transferência horizontal. O tratamento com amoxicilina, ceftiofur, ou cefquinoma
resulta numa selecção de E. coli produtora de CTX-M na flora intestinal dos suínos. Com
a excepção da cefquinoma, observou-se um aumento na contagem de E. coli produtora
de CTX-M que não foi devida à estirpe inoculada mas às estirpes de E. coli presentes na
flora nativa dos suínos. A maioria dos suínos (19/20) era portadora de E. coli produtora
de CTX-M ant es da inoculação, incluindo as variantes CTX-M-1 e C TX-M-14. E mbora
não haj a i nformação di sponível ac erca da co ntribuição d e factores seleccionadores de
patogénicos específicos oriundos de quintas, esta descoberta sugere que pode ser difícil
controlar o r isco d a co lonização animal c om E. coli produtoras de ESBL. A s estirpes
produtoras de CTX-M nativas têm uma predominância ecológica sobre a estirpe
inoculada observada na contagem das placas contendo NAL e por caracterização
genética dos isolados obtidos no fim da experiência. Vários factores podem ter
contribuído para este resultado, tais como factores do hospedeiro ou um possível
enfraquecimento da estirpe inoculada devida à mutação que condiciona a resistência à
21
quinolona, a qual pode ter reduzido a capacidade da estirpe para colonizar os suínos. Foi
observado, anteriormente, q ue um cl one d e E. coli predominante es tá n ormalmente
associado co m um a flora i ntestinal e a co lonização co m estirpes externas é dificultada
devido à competição com a flora nativa adaptada. Em média, a diferença estimada entre
a contagem de
E. coli produtoras de C TX-M nas fezes de suínos tratados com
cefalosporinas e das do grupo de controlo foi cerca de cem vezes mais alto no primeiro
grupo e p ersistiu p elo menos durante vinte e dois dias após o fim do tratamento. Da
mesma forma, os efeitos selectivos exercidos por ceftiofur e cefquinoma persistem para
além do fim do tratamento (o tempo requerido para assegurar que os resíduos da droga
estejam a baixo d o l imite do r esíduo m áximo disponível no s tecidos), q ue s ão n ove e
cinco dias r espectivamente. O t ratamento co m a
amoxicilina i nduz um a umento
significativo na contagem de coliformes resistentes a CTX, existindo uma diferença dez
vezes inferior relativamente à contagem do grupo de controlo, sendo o tempo de
eliminação desta droga de t rinta dias e portanto o r isco d a co ntaminação d a c arne n o
matadouro p arece s er m enor p ara est e m edicamento. E ste estudo in vivo indica
claramente que as cefalosporinas de uso veterinário seleccionam as E. coli produtoras de
ESBLs na flora intestinal dos suínos e isto produz um efeito selectivo que persiste por um
período longo, maior que o tempo de tratamento necessário com estes antimicrobianos.
O t ratamento dos animais com cefalosporinas deve ser limitado e apenas quando os
antimicrobianos de espectro mais estreito não se podem usar devido às resistências ou
por falta de eficácia clínica por drogas antimicrobianas alternativas (Cavaco et al., 2008).
Em vi nte e nov e isolados de E. coli de uma amostragem de oi tenta qui ntas
produtoras de suínos distribuídos em treze pr ovíncias espanholas demonstraram
reduzida susceptibilidade ou r esistência a cefalosporinas de es pectro alargado. Foram
encontradas as seguintes ESBLs: SH V-12 em 12 i solados, C TX-M-1 em t rês i solados,
CTX-M-9 em três isolados e CTX-M-14 em três isolados; os restantes oito isolados não
eram fenotipicamente E SBLs. D iferentes ESBLs e out ros mecanismos associados à
resistência a cefalosporinas de espectro alargado estão muito disseminados em E. coli de
origem fecal de matadouros de suínos em Espanha (Escudero et al., 2010).
Num es tudo r ealizado em ci nco q uintas produtoras de frangos, em I tália, foram
caracterizados
sessenta e s
ete i solados
de
Escherichia
coli
com r eduzida
susceptibilidade à c efotaxima ou à ce ftiofur. F oram i dentificados os genes das betalactamases bla(CTX-M-1), bla(CTX-M-32) e bla(SHV-12). Detectou-se uma considerável diversidade
genética entre os isolados produtores de ESBLs, e foram identificadas estirpes iguais em
22
diferentes quintas e plasmídeos iguais em estirpes geneticamente distintas. A detecção
de plasmídeos com alta mobilidade sugere um potencial reservatório para genes de betalactamases (Bortolaia et al., 2010).
Em Portugal, foi feito um estudo em setenta e seis amostras de fezes de f rangos
obtidas num matadouro. F oi d eterminada a susceptibilidade a dezasseis antibióticos e
oitenta e cinco por cento dos isolados apresentavam um fenótipo multirresistente a pelo
menos quatro famílias de a ntimicrobianos. A s ESBLs dos grupos TEM e C TX-M f oram
detectadas em trinta e um isolados de E. coli. O resultado deste estudo demonstra que o
tracto intestinal de aves domésticas saudáveis é um reservatório de isolados de E. coli
com ESBLs (Costa et al., 2009).
Para investigar a diversidade de integrões e beta-lactamases de espectro alargado
entre Enterobacteriaceae de g alinhas e d e s uínos, em Portugal, e a nalisar a r elação
clonal entre os isolados produtores de ESBLs portugueses de origem animal e humano,
analisaram-se amostras de fezes de suínos saudáveis (HSF, n= 35) carcaças de galinha
não co zinhadas (CM, n=
20) e f
ezes de g alinhas saudáveis (HCF, n=
20). A s
Enterobacteriaceae produtoras de E SBLs foram i dentificadas nas seguintes amostras:
60% d e C M, 10% de H CF e 5, 7% d e H SF, a m aioria co rrespondente a E. coli dos
filogrupos A, D e D 1. As ESBLs TEM-52, S HV-2 e C TX-M-1 foram detectadas em
amostras de galinha e SHV-12 em amostras de suínos. Foi observada alta diversidade
clonal e a maioria d as ESBLs foi transferida ( 67%). N as amostras foram i dentificados
integrões de classe 1 e classe 2, 80% nas CM, 10% nas HCF e 63 % nas HSF, sendo a
classe 1 m ais frequente que a c lasse 2. Este estudo é o pr imeiro de E SBLs e integrões
de galinhas e suínos em Portugal e destaca as bactérias resistentes aos antibióticos e/ou
genes de r esistência q ue o s humanos podem a dquirir at ravés da ca deia al imentar. O s
isolados com susceptibilidade di minuída a cefalosporinas de esp ectro al argado f oram
encontradas em todas as amostras de carne de galinha, em duas amostras de HCF e em
três amostras HSF. Um total de cento e quarenta e nove isolados representativos de
colónias com diferentes morfotipos foi determinada a susceptibilidade aos antibióticos nas
HSF (n=48), nas HCF (n=33) e nas CM (n=68). A resistência a pelo menos um antibiótico
foi o bservada em 1 13 i solados sendo r esistentes à estreptomicina 65%, à s sulfamidas
51% e ao trimetoprim 40%. A maioria dos isolados portadores de ESBLs tem resistência
a est es antibióticos que são us ados na produção animal i ntensiva. A s taxas de
resistência para as sulfamidas e para o trimetoprim foram semelhantes entre isolados de
galinhas e suínos (50% versus 54% para su lfamidas e 43% versus 35% par a
23
trimetoprim). As taxas de resistência para os antibióticos não beta-lactâmicos são mais
frequentemente en contradas entre produtores de E SBLs do qu e ent re isolados não
produtores de ESBLs: estreptomicina (83% versus 63%), sulfamidas (67% versus 49%) e
trimetoprim ( 61% ve rsus 31%). As ESBLs frequentemente i dentificadas nos humanos,
associadas com os hospitais ou a comunidade dos países europeus, têm sido cada vez
mais encontradas entre os animais. A frequente detecção de Enterobacteriaceae
produtoras ESBLs e/ou portadoras d e i ntegrões de cl asse 1 e /ou d e c lasse 2 nas
amostras de fezes de g alinhas e su ínos para produção al imentar, am bos de m arcas
comerciais diferentes, e g alinhas criadas em diferentes quintas de Portugal, c onfirma o
papel dos animais como possível reservatório para a disseminação de genes resistentes
na comunidade. A presença de ESBLs entre amostras de galinha de marcas comerciais
diferentes e de galinhas criadas em diferentes quintas pode ser a razão da contaminação
de algumas linhas g enéticas d e gr ande número de r eprodução q ue s ão ve ndidos pelo
mesmo pr odutor. A s ESBLs sã o m ais frequentemente o bservadas entre E. coli
principalmente p ertencendo a o gr upo filogenético A ( 58,3%), a q ual é ass ociada c om
estirpes comensais de E. coli animal ou humana, de acordo com outros estudos. Contudo
também f oi d etectado E. coli produtora de ESBL do grupo filogenético D , o qual est á
associado a infecções humanas extra-intestinais. Todos os genes de ESBL identificados
neste estudo já foram identificados nos hospitais portugueses, e as ESBLs mais comuns
entre o s animais, T EM-52 e S HV-12, s ão também os t ipos mais frequentes e ntre os
humanos. A bla(TEM-52) também t em si do detectada entre pr odução al imentar e a nimais
selvagens, animais domésticos e humanos saudáveis da Bélgica, da França, da Grécia,
de Portugal ou de Espanha e é associada a um plasmídeo epidémico conjugativo entre
amostras de a nimais em ár eas com al ta pr evalência d este t ipo d e E SBLs. Os outros
genes de E SBL e ncontrados, bla(CTX-M-1), bla(SHV-2) ou bla(SHV-12), es tão l argamente
disseminados entre Enterobacteriaceae de diferentes continentes por di sseminação
plasmídica e cl onal e têm si do r ecentemente detectados em Portugal. A diversidade
clonal dos isolados portadores destes genes sugere que a transmissão horizontal pode
ser a responsável pela recente e rápida disseminação destas variantes no país. Algumas
das ESBLs e integrões que foram encontrados já tinham sido detectados entre
Enterobacteriaceae de diferentes nichos ecológicos em Portugal e n outros países,
sugerindo qu e as suas estruturas genéticas móveis estão di sseminadas. É necessária
uma política mais restrita do uso de antibióticos em veterinária (Cavaco et al., 2008), para
prevenir o ap arecimento e a di sseminação destas estirpes entre a nimais e h umanos,
limitando os futuros problemas de falha terapêutica (Machado et al., 2008).
24
Contributo dos animais selvagens para a disseminação de estirpes produtoras de
ESBLs
Num estudo, de 2006 a 2008, na República Checa e Eslováquia para determinar a
presença de E. coli resistentes aos antibióticos nas fezes de populações de mamíferos
selvagens, e ncontraram n as fezes de j avalis cinco i solados de E. coli multirresistentes
produtores de ESBLs : um isolado com bla(CTX-M-1) e bla(TEM-1), três com bla(CTX-M-1) e um
com bla(TEM-52b). Este estudo demonstra o impacto dos mamíferos selvagens como
reservatórios de estirpes produtoras de ESBLs (Literak et al., 2009).
As E. coli produtoras de ESBLs foram isoladas em oito amostras de setenta e sete
amostras de fezes de javalis em Portugal. Os tipos de ESBLs sequenciados e
identificados por PCR f oram bla(CTX-M-1) em 6 i solados e bla(CTX-M-1) + bla(TEM1-b) em 2
isolados. A dicionalmente foram d etectados genes de r esistência à t etraciclina em 3
isolados, à e streptomicina em 3 i solados, a o cl oranfenicol em 1 i solado e em t odos os
isolados foram detectados genes de resistência à sulfonamida. O gene intl 1 que codifica
a integrase da classe 1 foi detectado em todos isolados de E. coli. Este estudo evidencia
que os javalis podem ser um reservatório de genes de resistência antimicrobiana (Poeta
et al., 2009).
As ESBLs têm si do l argamente distribuídas nas bactérias d e diferentes
ecossistemas, em bora se ja n ecessária m ais
informação, es pecialmente p ara
ecossistemas selvagens. O estudo de Poeta e colaboradores tem como objectivo analisar
os isolados de E. coli portadores de ESBLs em amostras de fezes de gaivotas das Ilhas
Berlengas e também caracterizar o tipo de ESBLs e o grupo filogenético dos isolados. As
Ilhas Berlengas são uma parte da reserva natural das Berlengas, localizada a 5,7 milhas
da costa Portuguesa, e pertencem a uma rede nacional de áreas protegidas. No passado
pescadores habitaram na ilha, que agora é desabitada, embora haja visitas turísticas e
poucas pessoas permanecem nas férias. Diversas espécies de gaivotas fazem os seus
ninhos nesta i lha; n estes últimos anos a p opulação de g aivotas tem aum entado
significativamente e é c onsiderada um a v erdadeira pr aga. A mostras fecais frescas de
cinquenta e sete gaivotas foram obtidas em diferentes áreas das Ilhas Berlengas durante
o mês de Setembro de 2007 e foram testadas para a presença de ESBLs em isolados de
E. coli. Os genes de be ta-lactamases detectados foram os seguintes: bla(TEM-52) em 8
isolados, bla(CTX-M-1) mais bla(OXA-1) em um isolado, bla(CTX-M-14a) em um isolado, e bla(CTX-M25
32)
em um isolado. É interessante que 73% dos isolados com ESBL têm o gene bla(TEM-52)
e 27% têm o gene bla(CTX-M). A alta prevalência de TEM-52 tem sido recentemente
observada em i solados de E. coli de a nimais sa udáveis para pr odução al imentar e
produtos de c arne d e frango de Portugal. É importante realçar a alta prevalência e a
diversidade m oderada d e ESBLs d etectadas n as E. coli das fezes das gaivotas que
habitam numa reserva natural. No caso das Ilhas Berlengas, que não são muito longe da
costa portuguesa, não está excluída a possibilidade destes animais comerem os restos
dos alimentos das pessoas. Este estudo d á um a n ova evidência para a l arga
disseminação de ESBLs nos isolados de E. coli de animais selvagens, como é o caso das
gaivotas (Poeta et al., 2008).
Infecções com bacilos resistentes a multidrogas não ocorrem só nos hospitais mas
também na comunidade. Estudos anteriores demonstraram resistência a multidrogas em
aves selvagens. A costa do Porto em Portugal, incluindo a baixa do Porto, tem uma larga
população de gaivotas (Larus fuscus, Gaivota-d'asa-escura, e L. cachinnans, gaivota de
pernas amarelas). As gaivotas têm si do d escritas como um pr ovável r eservatório d e
bactérias resistentes a m ultidrogas. D urante a déca da passada, beta-lactamases de
espectro
alargado
com
importante
crescimento
epidemiológico,
cefotaximasas ( CTX-M), f oram r elatadas mundialmente em
as
enzimas
Enterobacteriaceae de
humanos; f oram encontradas maioritariamente na Escherichia coli. As razões para o
rápido a parecimento de enzimas de C TX-M em i solados de humanos permanecem
desconhecidas. A dicionalmente E. coli CTX-M posi tivas foram i dentificadas em av es
domésticas, em qui ntas de outros animais, e ani mais selvagens (aves de r apina,
raposas). As estirpes de E. coli podem ser classificadas em quatro grupos f ilogenéticos
(A, B 1, B 2 e D ). Os isolados extra-intestinais virulentos pertencem m aioritariamente a o
grupo B 2, se ndo o de menor extensão o do gr upo D , enquanto a m aioria d as estirpes
comensais pertencem aos
grupos A e B 1. O obj ectivo deste estudo é
avaliar a
disseminação e os tipos de E. coli produtoras de ESBLs nas fezes de aves selvagens nas
praias do P orto. O t ipo d e be ta-lactamases CTX-M é a E
SBL em cr escente
predominância. Este estudo forneceu uma pista adicional de que as gaivotas selvagens
são p ortadoras de E. coli produtoras de E SBLs, em bora num a m enor t axa do que a
referida anteriormente. Os determinantes de ESBLs são TEM-52, CTX-M-1, CTX-M-14a e
CTX-M-32. Outro estudo em aves domésticas referia que a principal CTX-M identificada
era do grupo CTX-M-1 (CTX-M-1, CTX-M-15, C TX-M-32) como f oi enc ontrado pel os
autores. A CTX-M-15 era o principal tipo de CTX-M identificada entre as aves residentes
26
na maioria das praias do Porto, o q ue está de acordo com o facto de a C TX-M-15 ser a
mais prevalente nas E. coli nos pacientes hospitalizados no P orto. E sta obs ervação é
contrária ao estudo de Poeta et al., 2008, em que a m aioria dos animais selvagens era
produtor de TEM-52 numa reserva perto do Porto onde o contacto com os humanos era
menor. Estudos anteriores demonstraram a associação de isolados de E. coli do grupo
B2 e D com infecções extra-intestinais. Os resultados mostram que 37% de t odos os
isolados com E SBLs pertencem a o filogrupo B2 ou D , c om um a t axa su perior à
anteriormente encontrada (27% de todas ESBLs) e esta descoberta pode ser um assunto
de i nteresse para a sa úde h umana. C ontudo, f oi d emonstrado que o t ipo ST131
conhecido c omo o m ais frequentemente isolado nos humanos e f requentemente
associado com produção de CTX-M-15 é muito raro (9%). Os resultados sugerem que as
praias, desta forma, podem ter um papel fundamental na disseminação de determinantes
de resistência e podem ser a fonte de CTX-M-15 relacionadas com as infecções
adquiridas na comunidade. As aves migratórias, tais como as gaivotas que atravessam
grandes extensões da costa europeia entre Portugal e a Escandinávia, podem ser os
reservatórios do aparecimento destes determinantes de resistência (Simões et al., 2010).
No nordeste da República Checa analisou-se a superfície da água de uma lagoa, à
procura d e Escherichia coli e Salmonella resistentes aos antibióticos, com gaivotas
jovens ( Laurus Ridibundus) qu e aí ni dificam. U m t otal de 16% ( n= 87) d e am ostras de
água e 24% (n= 216) de amostras de f ezes de gai votas revelaram Salmonella. A s
Salmonella resistentes a os antibióticos foram i soladas em 12% ( n= 14) n a água e 2 8%
(n=51) nas gaivotas. As Escherichia coli foram isoladas em 83 (95%) amostras de água
da lagoa e 213 (99%) amostras de fezes gaivotas. Os isolados de E. coli num total de
18% ( n= 83) da á gua e 2 8% ( n= 213) d as gaivotas eram r esistentes a os agentes
antimicrobianos testados. O s isolados de E. coli resistentes aos antibióticos co m
integrões de classe 1 foram encontrados em 21% (n= 14) na água e 15% (n= 60) n as
gaivotas. Nos isolados de E. coli das gaivotas com integrões de classe 2 e produtores de
beta-lactamases de espectro alargado c om bla(CTX-M-1), bla(CTX-M-15), bla(SHV-2) e bla(SHV-12)
dos quais 13% eram resistentes aos antimicrobianos. Foram encontrados isolados de E.
coli resistentes aos antibióticos com padrões idênticos (PFGE) nas gaivotas ou na água.
As Salmonella do mesmo serótipo e perfil de PFGE foram encontradas nas gaivotas e na
água. As gaivotas e a água da superfície da lagoa foram analisadas como importantes
reservatórios de E. coli e Salmonella resistentes aos antibióticos, i ncluindo i solados
produtores de beta-lactamases de espectro alargado (Dolejská et al., 2009).
27
Existem apenas alguns estudos anteriores em que as ESBLs foram detectadas em
estirpes de E. coli nas fezes de animais selvagens, mas não é do conhecimento que
estirpes de E. coli tenham sido isoladas nas fezes de bútios (Buteo buteo). T rinta e t rês
amostras de fezes de bútios de Portugal foram obtidas de Setembro de 2007 a Fevereiro
de 2 008 e foram es tudadas quanto à presença de estirpes de E. coli produtoras de
ESBLs. T odas as amostras de fezes foram o btidas com a co laboração do C RATAS
(Centro de Recepção, A colhimento e T ratamento de Animais Selvagens). Este ce ntro
está l ocalizado n a U niversidade de T rás-os-Montes e Alto D ouro e r ecebe animais
feridos. Nenhum dos bútios tinha sido previamente alimentado por seres humanos ou
tratado com antibióticos. A maioria dos animais habitava no Parque Natural da Peneda
Gerês ou noutras áreas rurais protegidas de Portugal. As amostras de fezes foram
seleccionadas para a presença de ESBLs utilizando o meio de Levine agar suplementado
com 2 m g / L ce fotaxima (Levine-CTX). D uas colónias com m orfologia típica de E. coli
foram seleccionadas e identificadas por métodos bioquímicos clássicos (Gram, catalase,
oxidase, indol, Metil Red-Voges-Proskauer, citrato e ur ease) e p elo sistema API 20E de
cada am ostra fecal. A su sceptibilidade a 16 antibióticos (ampicilina, am oxicilina / áci do
clavulânico, ce foxitina, ce fotaxima, ce ftazidima, azt reonamo, i mipenemo, gentamicina,
amicacina, t
obramicina,
estreptomicina, áci
do n
alidíxico, ci
profloxacina,
trimetoprim/sulfametoxazol, t etraciclina e cl oranfenicol) f oi d eterminada p elo m étodo
difusão em a gar r ecomendado pelo C LSI par a todas as estirpes d e E. coli. A E. coli
ATCC 25922 f oi ut ilizada como um a est irpe d e controlo de qualidade. O s isolados
resistentes às cefalosporinas de t erceira geração (cefotaxima ou ceftazidima) f oram
seleccionados para est udos posteriores (um por am ostra de f ezes, ou doi s se
apresentassem diferentes fenótipos de resistência aos antibióticos). O teste de difusão de
duplo disco ( cefotaxima, c eftazidima e
aztreonamo n a pr esença o u a usência d e
amoxicilina / ácido cl avulânico) foi r ealizado p ara detectar a pr odução de ESBL. A
presença de genes que codificam beta-lactamases do tipo TEM, SHV, OXA e CTX-M f oi
estudado p or P CRs específicos, e am plicões posi tivos foram se quenciados para
determinar o g ene es pecífico do t ipo d e be ta-lactamase. F oram est udados por P CR o
ambiente genético dos genes bla(CTX-M) e sequenciados em todos os isolados que tinham
bla(CTX-M), os genes de resistência a ant ibióticos, a presença dos genes intI1 e intI2 que
codificam as integrases de classe 1 e 2, e a detecção dos grupos filogenéticos de
estirpes de E. coli. As colónias de E. coli foram isoladas em 5 d as 33 (15,2%) amostras
fecais n o m eio de L evine-CTX. F oram o btidos 2 i solados de E. coli de cada amostra
quando mostraram diferentes perfis fenotípicos e genómicos. Os 10 isolados exibiram um
28
fenótipo de resistência para a cefotaxima e/ou ceftazidima, e o t este d e pr odução de
ESBL f oram positivos. O s genes de be ta-lactamase detectados nos isolados f oram os
seguintes: bla(CTX-M-32) + bla(TEM-1) (sete isolados) e bla(CTX-M-1) + bla(TEM-1) (três isolados). A
alta prevalência de bla(CTX-M-32) nos isolados de E. coli comensais dos bútios neste estudo
é notável (15,2%), porque este gene não é frequentemente encontrado em isolados de
animais, tendo sido referido em poucos estudos anteriores. Os isolados contendo CTX-M
eram todos multirresistentes. Todos os isolados produtores de bla(CTX-M-1) pertenciam ao
filogrupo B1. Os isolados produtores de bla(CTX-M-32) pertenciam aos filogrupos: B2 (quatro
isolados), A (dois isolados) ou B1 (um isolado). O filogrupo B2 foi associado em estudos
anteriores com i solados mais virulentos e t ambém t em si do r elacionado co m al guns
mecanismos específicos de resistência, como é o caso da beta-lactamase CTX-M-15. A
possível associação em isolados bla(CTX-M-32) do filogroupo B2 deve ser monitorizada no
futuro. E sta é a pr imeira ve z que i solados de E. coli produtores de CTX-M f oram
detectados nos bútios. O s bútios são p ássaros carnívoros, e p odem vo ar l ongas
distâncias à pr ocura d e c omida e território. É possível que estes hábitos al imentares
possam exp ô-los ao m aterial f ecal de a nimais de quintas ou m esmo de humanos. I sto
poderá explicar a aquisição e di sseminação de bactérias com genes de resistência aos
antibióticos na população d e b útios, m esmo na ausência d a pressão directa p or
antibióticos. Este estudo d estaca q ue as E SBLs são encontradas em ecossistemas
mesmo n aqueles que nã o es tão r elacionados de per to co m os seres humanos ou q ue
contenham uma pressão selectiva por antibióticos. Mais estudos devem ser realizados,
com diferentes tipos de animais selvagens para confirmar a disseminação de ESBLs em
outros ecossistemas e populações animais (Radhouani et al., 2010).
29
Contributo dos animais de estimação para a disseminação de estirpes produtoras
de ESBLs
Existem alguns dados disponíveis de epidemiologia molecular de isolados de
Escherichia coli produtoras de ESBLs de animais de estimação, na China. A detecção e
caracterização dos genes de ESBLs bla(CTX-M), bla(SHV), e bla(TEM) foram realizadas entre
duzentos e quarenta isolados de E. coli, de animais domésticos, saudáveis e doentes, no
sul da China, entre 2007 e 2008. O parentesco clonal das E. coli foi avaliado por PFGE.
Os genes codificadores de ESBLs foram identificados em noventa e sete dos duzentos e
quarenta isolados de E. coli e noventa e seis tinham CTX-M. O tipo mais comum de CTXM foi CTX-M-14 e CTX-M-55 e em três isolados foi identificada a CTX-M-64. Os isolados
produtores de CTX-M-27, 1 5, 65, 2 4, 3, e 9 foram t ambém i dentificados. D ez isolados
tinham dois ou três tipos de CTX-M, sendo a combinação mais frequente a de CTX-M-14
e CTX-M-55. A alta prevalência de ESBLs em E. coli em animais de companhia
demonstra a importância da vigilância molecular na monitorização de estirpes de E. coli
produtoras de CTX-M nestes animais (Sun et al., 2009).
30
Contributo de diversos ambientes para a disseminação de estirpes produtoras de
ESBLs
O trabalho de Machado e colaboradores descreve a oc orrência de E SBLs e
integrões e ntre Enterobacteriaceae de ambientes aquáticos portugueses e analisa a
relação clonal entre os isolados produtores de ESBL do ambiente, de origem humana e
animal. Foram identificadas 16 Enterobacteriaceae produtoras de ESBL (11 de Klebsiella
pneumoniae, 4 de Escherichia coli e 1 de Enterobacter aerogenes) em oito amostras
ambientais obtidas em Portugal. As amostras foram: (i) de águas residuais urbanas
directamente d e l inhas de esg oto a j usante d e qu atro h ospitais localizados na ár ea do
Porto (n=5; 2001-02); (ii) de água do rio Sousa, no norte da Portugal (n=1; 2003) e (iii) de
água d o m ar do Porto (n= 2; 2003- 04). As águas do rio e do mar foram co lhidas de
pontos d e descarga cl andestinos d e fluxos d e água c ontaminada p or c oliformes fecais.
As amostras foram c olhidas em frascos esterilizados e processadas no m esmo di a d a
colheita. As amostras do rio ou marinhas foram submetidas a um processo de filtração e
os filtros foram colocados em placas de M acConkey agar suplementadas com
ceftazidima ( 1 m g/L) o u ce fotaxima ( 1 m g/L). A s amostras de ág uas residuais foram
directamente aplicadas nestas placas (0,1 mL). A caracterização de ESBL foi realizada
pelo teste de sinergismo d e duplo di sco, amplificação e sequenciação d e g enes bla. A
relação clonal foi estabelecida pela análise (randomly amplified polimorphic DNA
fingerprints) RAPD-PCR e / ou PFGE. A relação clonal foi determinada entre as estirpes
ambientais do es tudo e estirpes produtoras de ESBL ext remamente di sseminadas no
hospital (regiões do Norte e Centro, 2002-04) e na comunidade portuguesa (região Norte,
2003-05). O s grupos filogenéticos de E. coli foram i dentificados por P CR m ultiplex. O s
integrões de classe 1, 2 e 3 foram caracterizados por (restriction fragment length
polymorphism) PCR-RFLP e
sequenciação. As características epidemiológicas dos
isolados produtores das ESBL incluem resultados de tipagem e padrões d e r esistência
aos antibióticos não beta-lactâmicos. A diversidade das ESBLs foi identificada a partir de
cinco am ostras de es gotos dos diferentes hospitais evidenciando a presença de T EM116, de di ferentes estirpes de K. pneumoniae colhidas em todos os cinco efluentes
hospitalares, produtoras de SHV-12 ou TEM-10/SHV-27 e T EM-52 de E. coli. A partir do
Rio Sousa, identificaram E. aerogenes produtor de TEM-24 e E. coli produtora de TEM52. A s estirpes produtoras, d e C TX-M-14 e C TX-M-32, as quais são c omummente
recuperadas de am bientes da co munidade e h ospitalares no S ul da E uropa, t ambém
foram i dentificadas em du as amostras de ág uas marinhas costeiras. N enhuma d as
31
ESBLs, excepto TEM-116, detectada na Ria de Aveiro, tinha sido previamente
recuperada a par tir de am ostras ambientais. A K. pneumoniae foi a pr odutora da ESBL
mais encontrada (69%, 11/16). Não foram encontradas relações clonais entre
Enterobacteriaceae produtoras de ESBL de origem animal e aquática. Dois isolados de E.
coli pertencentes ao filogrupo D eram produtores de ESBL (um isolado produtor de CTXM-14 e um d e T EM-52). O s outros dois isolados pertenciam a o filogrupo A ou B1. Em
31% das estirpes (5 / 16) foram transferidos por conjugação os genes bla(ESBL). E mbora
as E. coli produtoras de CTX-M-14 r ecuperadas das águas costeiras não t enham sido
relacionadas cl onalmente co m o utras es tirpes produtoras de C TX-M -14 de hospitais
portugueses ou de voluntários saudáveis, um plasmídeo de bla(CTX-M-14) foi detectado em
amostras a partir das três origens. A maioria das estirpes estudadas continha intI1 e/ou
intI2 (n= 14 / 16 isolados), embora regiões variáveis correspondentes a integrões de
classe 1 ou 2 só tenham sido detectados em cinco isolados. A transferência conjugativa
simultânea de i ntegrões e dos genes das ESBL só foi de tectada em est irpes de K.
pneumoniae com bla(TEM-10), bla(SHV-27) e bla(VIM-2). A ocorrência de estirpes em ambientes
aquáticos e/ou el ementos genéticos ass ociados com ESBLs e M BLs amplamente
disseminados nos h ospitais portugueses é m otivo d e preocupação e su gere
contaminação am biental p or e fluentes hospitalares, em bora a origem co munitária n ão
possa ser descartada. Os resultados sublinham a importância do ambiente aquático para
a disseminação de patogéneos multirresistentes (Machado et al., 2009).
Para determinar a presença de beta-lactamases de espectro alargado produzidas
pelas Enterobacteriaceae em diferentes ambientes, r ecolheram-se diversas amostras
clínicas e amostras de fezes de animais de quintas, água de esgoto e fezes de humanos
portadores e a pós infecção de origem al imentar. F izeram-se su bculturas em m eios de
MacConKey suplementados com cefotaxima para a detecção das ESBLs. A identificação,
padrão de su sceptibilidade e ( enterobacterial r epetitive i ntergenic co nsensus e lements)
ERIC-PCR foram utilizados para a delineação do clone em cada amostra. O consumo de
antibióticos pela co munidade t ambém f oi registado. Foi obs ervada um a prevalência de
1,9% de Enterobacteriaceae produtoras de ESBLs em infecções humanas. A vigilância
transversal d e hum anos portadores fecais na c omunidade r evelou um a pr evalência d e
6,6% co m uma di stribuição s azonal. O e levado uso de antibióticos no inverno coincide
com uma menor prevalência nos portadores. As Enterobacteriaceae produtoras de
ESBLs foram detectadas em 5 amostras de água de esgoto humano, em 8 de 10
amostras em quintas de suínos, 2 em 10 em quintas de coelhos, em todas as 10 quintas
32
de av es domésticas e em 3 d
e 7 38 a mostras de co mida est udadas. A s
Enterobacteriaceae produtoras de E SBLs, p esquisadas nos portadores fecais, foram
detectadas em 19 de 61 amostras de surtos de origem alimentar, todos devidos a
enteropatogénicos, sendo a pr evalência de 4,4% a 66 ,6%. Esta di sseminação de
Enterobacteriaceae produtoras de E SBLs sugere q ue a c omunidade po de s er um
reservatório e a c omida pode se r um c ontributo par a a pr opagação destas estirpes.
Relatórios de infecção ou colonização com estirpes de Enterobacteriaceae produtoras de
ESBLs incidiram principalmente em pacientes hospitalizados ou centros de cuidados de
saúde. Contudo, as Enterobacteriaceae produtoras de ESBLs, também têm sido descritas
em animais e pacientes na comunidade, com e sem doenças crónicas. O pouco que se
sabe ace rca dos mecanismos de di sseminação das ESBLs foi at ravés de um a a nálise
epidemiológica extensiva para determinar a presença de estirpes de Enterobacteriaceae
produtoras de ESBLs em diferentes ambientes: infecções humanas e portadores fecais,
portadores fecais humanos num contexto de su rto d e or igem al imentar, c omida
cozinhada e não cozinhada, quintas de animais para a produção de alimentos, e água de
esgoto humano em Barcelona. As Enterobacteriaceae produtoras de E SBLs são
raramente r elatadas em h umanos em am bientes que n ão estejam r elacionados com o
quadro clínico. Este estudo permite avaliar a prevalência dessas estirpes em ambientes
relacionados com os humanos dentro d e um a ú nica ár ea ge ográfica. A pr evalência de
ESBLs nas estirpes com relevância clínica varia de ano para ano, de região para região e
mesmo de ho spital para hos pital. Em relação aos portadores fecais humanos na
comunidade existe uma distribuição sazonal de Enterobacteriaceae produtoras de ESBLs
sendo a prevalência maior entre Julho e Novembro e a menor entre Fevereiro e Maio. A
água de esgoto humano é usa da como um rápido método de triagem par a det ectar
estirpes resistentes que são representativas das existentes na comunidade. Na realidade,
as 5 amostras analisadas continham Enterobacteriaceae produtoras de E SBLs,
constituindo um reservatório destas estirpes. Os animais, incluindo a produção animal
para a al imentação e os animais domésticos, s ão c ada ve z mais reconhecidos como
reservatórios
de es tirpes
produtoras
de E SBLs. A valiou-se a pr
esença
de
Enterobacteriaceae produtoras de ESBLs em amostras de material fecal, do chão como
representativo dum a qui nta na c omunidade e os resultados demonstraram qu e est as
estirpes estavam mais presentes nas quintas de criação de aves domésticas e suínos do
que nas quintas de criação de coelhos. Os dados disponíveis sugerem que os alimentos
podem contribuir para a disseminação de Enterobacteriaceae resistentes na comunidade.
A incidência foi baixa neste estudo mas deve-se salientar que 79% dos alimentos deste
33
estudo eram c ozinhados. E ste é o primeiro r elatório d e uma es tirpe de K. pneumoniae
produtora de ESBL isolada de alimentos. Observou-se que um aumento do uso de
antibióticos entre O utubro e Dezembro coincide com a di minuição da pr evalência d e
ESBL, que p ode se r devida à a dministração de
amoxicilina/ácido cl avulânico, um
antibiótico qu e é a ctivo s obre algumas estirpes produtoras de E SBL. C ontudo exi stem
outras variáveis como por exemplo hábitos alimentares no verão, em que há um maior
consumo de alimentos crus, que deve também ser tida em consideração. A prevalência
de Enterobacteriaceae produtoras de E SBLs f oi n otável em t odos os ambientes
estudados, sugerindo uma expansão global destas enzimas (Mesa et al., 2006).
34
Disseminação de Enterobacteriaceae produtoras de ESBL na comunidade
A rápida e extensa disseminação de E. coli produtoras de ESBLs na comunidade é
um f enómeno i ntrigante na e pidemiologia co ntemporânea, em qu e os componentes
principais (reservatórios e meios de transmissão) ainda não foram explicados. Enquanto
várias descobertas indirectas sugerem que a aquisição de isolados com ESBLs pode ser
mediada pelos alimentos, sabe-se pouco da dinâmica como estas enzimas se espalham
entre os humanos, um problema que interessa para efeitos de controlo. A prevalência de
portadores fecais de Enterobacteriaceae produtoras de E SBLs em p acientes da
comunidade ( estudados na m aioria dos casos em am ostras fecais de pacientes com
diarreia aguda) e em pessoas saudáveis, tem sido investigada em vários estudos. Nestes
estudos, a E. coli foi a es tirpe m ais encontrada nos isolados (Rodríguez-Baño et al.,
2008b)).
Na Arábia saudita, foram avaliados portadores fecais de organismos produtores de
ESBLs em 2 72 pacientes internados, 1 62 p acientes do am bulatório e 4 26 i ndivíduos
saudáveis assintomáticos. Das 860 culturas de f ezes, 15 2 (17,7%) t inham or ganismos
produtores de ESBLs. Dos isolados com ESBLs 71 (26,1%) eram de pacientes
internados, 25 (15,4%) de pacientes do ambulatório e 56 (13,1%) de indivíduos saudáveis
o que sugere que a comunidade pode ser um reservatório de organismos produtores de
ESBLs (Kader et al., 2007).
Os organismos produtores de beta-lactamases de espectro alargado são
emergentes como uma causa de infecção nos pacientes da comunidade em muitas áreas
do m undo. A m aioria d estes envolve i nfecções do t racto ur inário ca usadas por
Escherichia coli tendo ESBLs do tipo CTX-M. Os factores de risco para estas infecções
incluem i dade av ançada e uso prévio de quinolonas e c efalosporinas. A s alternativas
para o tratamento oral para estas infecções estão limitadas. Estes organismos também
podem causar algumas infecções graves adquiridas na comunidade que causam risco de
vida, t ais como b acteremia p or i nfecção inicial do t racto ur inário ou i nfecção i ntraabdominal. Os pacientes com estas infecções têm a probabilidade de receber um
tratamento empírico inadequado. São necessários mais estudos que abordem os factores
de risco e as opções terapêuticas para estas infecções (Rodríguez-Baño a nd N avarro,
2008c)).
Os dados relativos a
factores d e r isco, ca racterísticas clínicas e
opções
terapêuticas são escassos para as infecções por Escherichia coli produtoras de beta35
lactamases de espectro alargado adquiridas na comunidade. Um estudo de controlo foi
feito para investigar os factores de risco para todos os tipos de infecções adquiridas na
comunidade, causadas por E. coli produtoras de ESBL, em 11 hospitais de Espanha, de
Fevereiro de 2002 a Maio de 2003. Os controlos eram escolhidos aleatoriamente entre os
pacientes do ambulatório em que as amostras clínicas não tinham E. coli produtoras de
ESBL. A s características clínicas dessas infecções foram i nvestigadas nos casos dos
pacientes. F oi es tudado um t otal d e 1 22 ca sos. Foram se leccionados factores de r isco
que incluíram: idade superior a 60 anos; sexo feminino; diabetes mellitus; infecções do
tracto urinário recorrentes; prévios procedimentos invasivos do tracto urinário;
seguimento cl ínico d os pacientes no am bulatório; pr évia utilização de aminopenicilinas,
de cefalosporinas, e de f luoroquinolonas. Noventa e t rês por cento do s casos eram
infecções do tracto urinário em que 6% dos pacientes tinham bacteremia e 10%
precisavam d e hospitalização. A t axa de c ura dos pacientes com ci stite foi 9 3% c om
terapêutica por fosfomicina ( todos os isolados eram su sceptíveis); e ntre os pacientes
tratados com amoxicilina/ácido clavulânico, a taxa de cura foi de 93% para os isolados
susceptíveis (MIC
≤8µg/mL) e 56% para os isolados resistentes
ou intermédio
(MIC≥16µg/mL). Nos pacientes com E. coli produtoras de ESBLs que são a grande causa
de infecções adquiridas na comunidade, particularmente de infecções do tracto urinário
(UTIs), a f osfomicina e a amoxicilina/ácido clavulânico foram efectivos no tratamento de
cistites causadas por isolados susceptíveis. Os objectivos deste estudo multicêntrico
foram: fornecer uma visão abrangente das características epidemiológicas, a relevância
clínica das infecções adquiridas na comunidade causadas por E. coli produtoras de
ESBLs e analisar a eficácia terapêutica do tratamento de UTIs causadas por estes
organismos. O nze h ospitais públicos es panhóis, l ocalizados em 5 áreas di stintas
geograficamente, à mesma distância uns dos outros (Barcelona, Madrid, Maiorca, Sevilha
e Valência) participaram neste estudo. Os laboratórios de microbiologia destes hospitais
recebem am ostras dos doentes hospitalizados, de se rviços de ur gência, d e cl ínicas
especializadas no ambulatório e d e centros de cuidados primários. No total, foi atendida
uma população superior a 4 m ilhões de pessoas. Cada laboratório analisa mais de 90%
das amostras dos centros de saúde das respectivas áreas. Os factores de risco para as
infecções causadas por E. coli produtoras de ESBLs em pacientes do ambulatório foram
investigados num conjunto de pacientes estabelecido previamente para constituírem o
“caso-controlo” em que se suspeitava terem uma infecção adquirida na comunidade. As
amostras podiam se r obtidas em ce ntros de cu idados primários em cl ínicas do
ambulatório ou em serviços de urgência. Um caso índice foi definido como uma pessoa
36
em que a amostra clínica tinha E. coli produtora de ESBL. Para cada caso índice foram
escolhidos 2 controlos aleatoriamente (por computador) daqueles pacientes do
ambulatório em que a amostra clínica foi analisada durante a semana seguinte e que não
tinham E. coli produtora de E SBL. A s seguintes variáveis foram obtidas de todos os
casos índice e dos controlos usando um questionário estruturado: dados demográficos,
doenças de b ase, história d e U TI r ecorrente, a dmissão pr évia em qualquer c entro de
cuidados de saúde de longo termo (incluindo instituições de convalescença) ou unidade
de c uidados intensivos, co nsultas especializadas no ambulatório, presença d e
dispositivos médicos (cateteres, urinário ou va scular), diálise, recurso a ce ntro
especializado em cuidados de saúde, terapia intravenosa no ambulatório, procedimentos
invasivos, ci rurgias, antimicrobianos usados nos úl timos 3 m eses. F oram co nsideradas
infecções associadas aos cuidados de saúde se preenchessem qu alquer um dos
seguintes critérios: h ospitalização n os cuidados intensivos m ais de 4 8 horas durante o
último ano; residência numa instituição de convalescença ou num centro de cuidados de
longo prazo; tratamento de hemodiálise, quimioterapia antineoplásica, terapia intravenosa
em ca sa ou n um ce ntro d e c uidados especializados nos últimos 3 m eses e ci rurgia de
ambulatório ou pr ocedimento e ndoscópico r ealizados nos 3 m eses anteriores. O
significado clínico de E. coli produtora de ESBLs foi investigado no caso dos pacientes. O
tipo de infecção foi classificada usando dados laboratoriais e clínicos. Os pacientes com
culturas positivas de urina e sinais clínicos de UTI foram considerados como tendo UTI; a
localização d a U TI f oi d efinida p or cr itérios cl ínicos. A e ficácia do t ratamento
antimicrobiano foi avaliada nos pacientes com cistites causadas por E. coli produtoras de
ESBL usando os critérios descritos anteriormente; os pacientes foram seguidos durante 4
semanas depois de terminada a terapia. Os isolados produtores de beta-lactamases de
espectro alargado foram estudados nos centros participantes de acordo com as
recomendações do CLSI. Todos os isolados foram enviados para um laboratório de
referência o nde i dentificaram até à espécie e a produção de ESBLs foi confirmada por
microdiluição em caldo; a susceptibilidade aos antibióticos foi avaliada por microdiluição
de acordo com as “guidelines” do CLSI sendo a susceptibilidade da fosfomicina avaliada
por E-test. As infecções adquiridas na comunidade causadas por estirpes produtoras de
ESBLs têm sido reportadas mundialmente, incluindo os Estados Unidos, e continuam a
aumentar, embora se verifiquem diferenças regionais nas taxas. Este é o primeiro estudo
multicêntrico q ue in clui uma detalhada i nvestigação cl ínica e e pidemiológica e p ode
fornecer uma visão abrangente para os problemas colocados pelas E. coli produtoras de
ESBLs como p atogéneos co munitários. E mbora o parentesco cl onal d os i solados n ão
37
tenha sido investigado neste estudo, estudos anteriores mostraram que a maioria das E.
coli era produtora de ESBLs isoladas em pacientes da comunidade em Espanha e eram
clonalmente n ão r elacionadas durante aquele p eríodo. Estes dados confirmam alguns
dos factores de risco enc ontrados em estudos prévios, tais como a idade av ançada,
diabetes mellitus, U TIs recorrentes, uso prévio de fluoroquinolonas o u c efalosporinas.
Aqui, reportaram pela primeira vez, o conhecimento de que anteriores tratamentos com
aminopenicilinas são também um factor de risco como referido por Cavaco et al., 2008,
num estudo in vivo no uso da amoxacilina em suínos. O incluir as aminopenicilinas nos
factores de risco est á relacionado com o f acto de qu e todas as E. coli produtoras de
ESBLs são, por d efinição, r esistentes à am picilina; em E spanha, a frequência de U TIs
causadas por E. coli resistentes à ampicilina e amoxicilina/ácido clavulânico são
aproximadamente 60% e 9% respectivamente. Assim, a aminopenicilina usada em
pacientes previamente co lonizados pode s eleccionar não só estirpes resistentes à
aminopenicilina mas também produtores de ESBLs. O perfil de susceptibilidade dos
isolados confirma que as alternativas orais para tais infecções estão consideravelmente
limitadas; além d as cefalosporinas, p ara as quais estes isolados são i nerentemente
resistentes, a resistência à ciprofloxacina e ao trimetoprim-sulfametoxazol ocorre em 64%
e 57% r espectivamente. Apenas a fosfomicina mostrou actividade consistente in vitro.
Estes resultados e dos estudos anteriores sugerem que a fosfomicina pode ser a terapia
preferida. De acordo com os dados in vitro, a nitrofurantoína pode ser uma opção porque
aproximadamente 70% dos isolados são susceptíveis, embora o fármaco não seja bem
tolerado por alguns pacientes e não deva ser usado em doentes com insuficiência renal.
Outra opção pode s er a am oxicilina/ácido clavulânico; neste estudo, apenas 29% dos
isolados foram resistentes in vitro. C ontudo, a eficácia cl ínica da s combinações betalactâmico/inibidor de bet a-lactamase t em si do questionada. O s dados obtidos sugerem
que p ode se r útil p ara ci stites causadas por i solados com va lores de MIC≤ 8µg/mL.
Infelizmente, a resistência à amoxicilina/ácido clavulânico en tre E. coli produtoras de
ESBLs é frequente em algumas áreas. Este estudo confirma que, os pacientes
predispostos a infecções adquiridas na comunidade, a principal causa é a E. coli
produtora de ESBL. Caso este mecanismo de resistência se propague na E. coli, a ESBL
da c omunidade pode t ornar-se uma preocupação para a saúde pública nos próximos
anos (Rodríguez-Baño et al., 2008a)).
O objectivo do estudo de Arpin e colaboradores é avaliar na comunidade a
prevalência d e Enterobacteriaceae produtoras de ESBLs em França, durante 2006. Os
38
isolados de todas as Enterobacteriaceae de am ostras de ur ina d e p acientes com um a
diminuição de s usceptibilidade p ara as cefalosporinas d e l argo espectro, foram
analisadas
para a
presença de b
isoelectrofocagem, t ransferência
eta-lactamases
por c onjugação,
(testes
de si
nergismo,
amplificação p or P CR, e /ou
experiências de cl onagem e s equenciação). Adicionalmente, co -resistências foram
investigadas por P CR, se quenciação e/ ou cl onagem. A r elação epi demiológica foi
estudada p or P FGE p ara todas es pécies e, a dicionalmente, p ara a Escherichia coli
determinou-se o grupo filogenético, o t ipo d e s equência m ultilocus ( ST) e o antigénio
O25b. A s ca racterísticas dos portadores de E. coli produtora d e CTX-M f oram
comparadas com outros portadores de ESBLs. Setenta e duas Enterobacteriaceae
produtoras de E SBLs foram ob tidas de 7 1 p acientes. A m aioria expressa uma e nzima
CTX-M (n=42 compreendendo 40 E. coli), com uma predominância de CTX-M-15 (n=24);
10 E. coli produtoras de CTX-M-15 pertencem ao m esmo clone (filogrupo B2, ST131,
serótipo O25b). As restantes 30 estirpes possuem um tipo ESBL TEM ou SHV. Os
factores de risco para a aquisição de E SBL eram menos frequentes quando a ESBL foi
do tipo CTX-M, excepto quando houve terapia prévia antimicrobiana. Dezoito por cento
dos pacientes tinham uma verdadeira ESBL adquirida na comunidade, sendo a maioria
das E. coli produtora de CTX-M. Este primeiro estudo francês relata uma prevalência de
ESBL de 1,1% na comunidade francesa durante 2006, principalmente relacionado com a
presença de estirpes de E. coli produtoras de CTX-M (Arpin et al., 2009).
O est udo de C ekanová e c olaboradores tem co mo obj ectivo de terminar a
prevalência de enterobactérias com ESBLs positivas no tracto gastrointestinal de pessoas
da c omunidade da R epública C heca. A s zaragatoas r ectais foram analisadas e as
enterobactérias foram identificadas por sistema automático. Os resultados foram
confirmados por PCR e sequenciados os amplicões positivos de CTX-M. Um total de 579
zaragatoas rectais foram a nalisadas e a pr odução de E SBLs foi fenotipicamente e
genotipicamente confirmada em 7 isolados. A prevalência de ESBLs positiva foi de 1,2%.
Todos os casos foram de estirpes de E. coli produtoras de ESBLs do tipo C TX-M. A
enzima CTX-M-15 foi o tipo mais prevalente neste grupo de isolados. Os resultados estão
de acordo com outros estudos e sugerem que o perfil epidemiológico de enterobactérias
com ESBLs positiva, na República Checa, é idêntico a outros países europeus
(Cekanová et al., 2009).
No es tudo de V inué e c olaboradores, no a no de 2 007, em d uas ci dades
espanholas, foram detectadas 7 Escherichia coli produtoras de ESBLs em 105 isolados
39
de am ostras fecais de pessoas saudáveis. O s isolados com ESBLs tinham CTX-M-14
(n= 2), C TX-M-1 ( n= 2), C TX-M-32 ( n= 1), C TX-M-8 ( n= 1) e T EM-52 ( n= 1). N este es tudo
foram identificadas as variantes bla(CTX-M-14a) e bla(CTX-M-14b). Esta foi a primeira vez que o
gene bla(CTX-M-8) e as ESBLs do gr upo C TX-M-8 f oram e ncontradas na E uropa e em
Espanha respectivamente. A s E. coli fecais nas pessoas saudáveis constituem um
reservatório de ge nes bla(CTX-M) com diferentes elementos genéticos circundantes (Vinué
et al., 2009).
No est udo d e R odríguez-Baño et al., 2 009, foram co mparadas as características
epidemiológicas das Escherichia coli produtoras de beta-lactamase de espectro alargado
(ESBLEC) pr odutoras de C TX-M e S HV ca usadoras de i nfecções adquiridas na
comunidade. F oi r ealizado um e studo m ulticêntrico incluindo t odas as infecções
adquiridas na c omunidade por E SBLEC em quatro áreas geográficas de Espanha. A
caracterização das ESBL foi feita por focagem isoeléctrica, PCR e sequenciação. Todos
os pacientes foram investigados relativamente à dem
anteriores, c omorbilidade, us o de
ografia, c uidados médicos
antibióticos, pr ocedimentos invasivos e t ipo d e
infecção. Foram estudados cento e vinte e dois casos e 95% eram infecções do tracto
urinário. A s E SBLs isoladas nos 1 12 ca sos foram ca racterizadas: 77 i solados er am
produtores de enzi mas CTX-M, 36 i solados eram pr odutores d e e nzimas SHV e 7
isolados eram produtores de enzimas TEM (8 isolados eram produtores de mais do que
uma E SBL). F oram co mparados os pacientes com i solados produtores só d e enzi mas
CTX-M (grupo CTX-M, n=70) com pacientes com isolados produtores só de enzimas SHV
(grupo SHV, n=31). Não houve diferenças quanto à doença de base, a prévios cuidados
médicos, a procedimentos invasivos, ao uso de antibióticos ou ao tipo de infecção mas as
comorbilidades estavam associadas a isolados com SHV enquanto a idade superior a 60
anos estava associada a isolados com CTX-M. As ESBLEC produtoras de SHV são uma
causa significativa de infecções adquiridas na comunidade, em Espanha; a epidemiologia
clínica destes isolados parece ser muito semelhante à das ESBLEC produtoras de CTXM (Rodríguez-Baño et al., 2009).
Em três áreas diferentes de Espanha estudaram a prevalência de portadores fecais
que a umentou si gnificativamente nos últimos anos, a tingindo t axas entre 5 ,5% e 8 ,1%
durante 2 002 e 2 004. A prevalência d e p ortadores fecais foi d e 1 ,4% em Y ork (Reino
Unido) em 2 003, 2,4% n o Líbano e 7 ,0% na Í ndia. U ma t axa el evada de 1 5,4%, foi
encontrada na Arábia Saudita. Ben-Ami et al., 2006, detectaram que 10,8% dos pacientes
estudados na admissão no hospital em Israel eram portadores fecais. Um aumento
40
significativo na prevalência de portadores fecais (0,1% em 2 001 para 1, 7% em 2005)
também f oi obs ervado em crianças saudáveis na B olívia e Peru. A prevalência de
portadores fecais entre p acientes atendidos e m uni dades d e urgência n este e studo
(7,4%) foi se melhante à
dos outros estudos esp anhóis. O i nteressante, é qu e a
prevalência de portadores fecais é significativamente maior nos parentes dos pacientes
diagnosticados com UTI adquirida na comunidade causada por E. coli produtora de
ESBLs (23,8%) e ser parente desses pacientes não foi associado ao aumento do risco
para ser um portador. O risco era maior nos membros do agregado familiar do que nos
outros parentes indicando a aquisição de uma f onte comum ou transmissão pessoa-apessoa dentro das famílias. Foi feito um estudo para determinar os portadores fecais de
E. coli produtora de ESBLs em 53 pacientes da comunidade com UTI devida ao mesmo
organismo, 73 membros de agregados familiares, 32 pacientes sem agregado familiar e
54 pacientes independentes. A relação clonal dos isolados foi investigada usando PCR e
PFGE, e as ESBLs foram ca racterizadas por P CR e se quenciação. A prevalência d e
portadores fecais foi de 67,8% nos pacientes com UTI, 27,4% nos membros do agregado
familiar, 15,6% nos pacientes sem agregado familiar e 7, 4% nos pacientes sem relação.
Entre os parentes, os que comeram a refeição principal fora de casa durante um período
superior a 15 dias no m ês anterior t inham m enos probabilidade de se rem portadores
fecais. Os isolados fecais dos pacientes com UTI eram produtores de CTX-M em 66,6% e
produtores de SHV em 33,3% dos casos, enquanto as percentagens dos outros grupos
de po pulação est udada f oram 40, 0% a 55 ,5% e 50 ,0% a 75,0%, r espectivamente.
Dezanove famílias tinham mais que um membro portador, 8 famílias tinham 2 membros
com isolados relacionados clonalmente, 8 f amílias tinham 2 membros portadores de
diferentes clones produtores das m esmas enzimas e em 3 famílias todos os membros
tinham uma enzima diferente. Este estudo tem várias limitações. Primeiro, não tem um
estudo de relação molecular dos plasmídeos das ESBLs que podia ajudar na
compreensão da dinâmica da disseminação das ESBLs. Segundo, o extenso contacto de
pessoa-a-pessoa entre p arentes não foi investigado aprofundadamente e logo não foi
possível avaliar se diferentes tipos de contacto estão associados com diferentes riscos de
transmissão; t ambém nã o foram r ecolhidos certos dados acerca do agregado familiar
como partilhar casas de banho e hábitos de higiene, o que pode ser determinante para a
condição de portador fecal. T erceiro, o es tudo p ode n ão t er p oder estatístico s uficiente
para detectar alguns factores de risco devido ao número baixo de pessoas colonizadas
em alguns subgrupos e nem todos os parentes foram estudados. Os dados sugerem que
as UTI ad quiridas na c omunidade p or E. coli produtora de E SBLs são uma i nfecção
41
endógena em cerca de metade dos pacientes; a prevalência de portadores fecais com E.
coli produtora de ESBLs é mais frequente nos parentes dos pacientes com UTI que nas
pessoas se m parentesco; a t ransmissão p essoa-a-pessoa e a aquisição p ela m esma
fonte, estão provavelmente relacionadas com os al imentos ou h ábitos alimentares, q ue
pode contribuir para a disseminação das ESBLs no agregado familiar (Rodríguez-Baño et
al., 2008b)).
De Abril de 2004 a J unho de 2005, recorreram ao H ospital Universitário Ramón e
Cajal em M adrid 29 9 paci entes com um a i nfecção ou c olonização d evidas a um
organismo pr odutor de
ESBLs. C inquenta e se is por ce nto eram p acientes da
comunidade, dos quais 95% tinham uma UTI. Foram estudadas 40 amostras clínicas de
40 pacientes (casos índice-ICs) com infecções adquiridas na comunidade (37 infecções
do t racto ur inário, 2 ca sos de b acteremia e u ma i nfecção d e t ecido m ole) de vido a
estirpes de E. coli (n= 39) ou Klebsiella pneumoniae (n= 1) pr odutoras de E SBLs e
também foram estudadas amostras de fezes (uma am ostra d e fezes por IC). Trinta e
quatro d os 40 p acientes er am d o s exo feminino, dos 2 a os 96 a nos d e i dade.
Adicionalmente, 54 amostras fecais de 54 contactos domiciliários de 29 pacientes foram
também estudadas; o número dos contactos domiciliários por cada paciente variou de um
a sete. Setenta e dois por cento (21 de 29) dos pacientes tinham uma estirpe clínica de E.
coli com o mesmo tipo de PFGE como as das suas amostras fecais. Além disso, análises
de PFGE revelaram padrões indistintos entre os isolados de E. coli produtores de ESBLs
dos pacientes (amostra cl ínica o u am ostra fecal) e se us correspondentes contactos
domiciliários para 66% (6 em 9) dos isolados. A caracterização das ESBLs revelou um
predomínio de C TX-M-14 ( 57%) e S HV-12 ( 18,6%), o a parecimento d e E SBLs
pertencentes ao grupo CTX-M-1 (7,1%) e uma pequena representação das enzimas TEM
(5,7%). E sta di stribuição está de ac ordo c om a si tuação e pidemiológica d as estirpes
produtoras de E SBLs na c omunidade, n o m omento d este est udo. É de n otar qu e 2
pacientes e 2 contactos domiciliários estavam co lonizados com 2 est irpes diferentes
produtoras de E SBLs. Este est udo d emonstra um a al ta t axa ( 70%) de c olonização
intestinal de pacientes com infecções adquiridas na comunidade devido a organismos
produtores de ESBLs. A presença destes patogéneos nos intestinos é considerada um
factor de risco para infecções com estas bactérias. Além disso, isto pode explicar a alta
taxa de i solamento d estes organismos em ce rtos locais anatómicos (infecções
abdominais e do tracto urinário) em comparação com as taxas observadas noutros locais
onde não há uma indicação clara da presença da microbiota endógena. É de notar que
42
este resultado de 70% é semelhante ao observado nos pacientes hospitalizados sob alta
pressão selectiva antimicrobiana. Cerca de 50% dos pacientes recebeu tratamento
antimicrobiano (18 pacientes) ou assistência médica fora do hospital (22 pacientes) pelo
menos 2 meses antes de terem infecções por organismos produtores de ESBLs; essas
condições têm sido definidas como factores de risco para a colonização com estes
patogéneos. Uma importante descoberta foi a alta taxa de colonização intestinal (16,7%)
nos membros do agregado familiar d os pacientes com i nfecções adquiridas na
comunidade com organismos produtores de ESBLs. Este valor é maior que o encontrado
anteriormente na mesma área geográfica e noutros países para indivíduos saudáveis e é
ainda maior (42,1%) nos subgrupos dos contactos domiciliares dos pacientes portadores
fecais. E stes resultados revelam a i mportância da c
olonização fecal co mo um
reservatório para a t ransmissão d e b actérias resistentes e o s eu potente p apel co mo
disseminador de genes de resistência aos antibióticos. Este assunto tem sido estudado
em am bientes nosocomiais, n os quais é sa bido q ue para c ada paci ente co m uma
infecção clinicamente grave devido a um organismo produtor de ESBL, pelo menos outro
paciente com colonização intestinal por um produtor de ESBL está na mesma unidade.
Em resumo, f oram obs ervadas taxas altas de co lonização intestinal co m or ganismos
produtores de E SBLs em paci entes da co munidade i nfectados com est as estirpes. O s
contactos do agregado familiar destes pacientes têm taxas altas de colonização intestinal
com organismos produtores de ESBLs, como referiu Rodríguez-Baño et al., 2008b), e que
é maior que a dos pacientes da comunidade e da população em geral. Esses resultados
destacam o facto dos pacientes da comunidade e os contactos do seu agregado familiar
representarem um reservatório para estes organismos e genes correspondentes bla(ESBL).
Este facto a umenta o r isco d e disseminação de stes or ganismos para as pessoas
saudáveis e facilita a aquisição de mecanismos de resistência por bactérias susceptíveis
(Valverde et al., 2008).
Não exi stem da dos abrangentes disponíveis sobre a pr evalência dos factores de
risco e dos genótipos produtores de ESBLs dos residentes na comunidade da China.
Amostras rectais de 270 pessoas de idade foram colhidas em 4 comunidades. A
prevalência d e portadores r ectais de E. coli produtores de ESBL f oi de 7% . Dezanove
isolados produziram ESBLs do tipo CTX-M incluindo CTX-M-14 (11 estirpes), CTX-M-22
(3 e stirpes), C TX-M-79 ( 3 es tirpes), C TX-M-24 ( 1 est irpe) e C TX-M-24 + C TX-M-79 ( 1
estirpe). A E SBL C TX-M-79 foi p ela pr imeira vez detectada n o m undo. A s estirpes
produtoras de ESBL eram clonalmente independentes. O aparecimento de produtores de
43
ESBL est á fortemente as sociado co m o uso d e ant ibióticos nos últimos 3 m eses na
comunidade chinesa (Tian et al., 2008).
Na Turquia investigaram os factores de risco para infecções do tracto urinário
adquiridas na comunidade devido a Escherichia coli ou Klebsiella pneumoniae produtoras
de beta-lactamases de espectro alargado em 62 pacientes que foram seguidos de Agosto
de 2003 a Setembro de 2006. Foi usado um grupo de controlo de 60 pacientes reunindo
as m esmas ca racterísticas m as cu jas estirpes não er am pr odutoras de E SBLs. F oram
investigados como factores de r isco: a i dade, o sexo, o c ancro d a bexiga, a hipertrofia
benigna d a pr óstata, o ca ncro d a pr óstata, a urolitiase, o c ateter ur etral, a ci rurgia
urológica anterior, a diabetes mellitus, o uso de antibióticos e a hospitalização durante os
últimos 3 meses. O conhecimento dos factores de risco para infecções do tracto urinário
adquiridas na co munidade c ausadas p or E. coli ou K. pneumoniae é de g rande
importância na antibioterapia empírica (Yilmaz et al., 2008).
O o bjectivo d o estudo a se guir r eferido foi d eterminar os factores de r isco para
infecções d o t racto urinário a dquiridas na co munidade c ausadas por Escherichia coli
produtoras de ESBLs e a distribuição do tipo de ESBL. Foram pr eenchidos inquéritos
para fazer o di agnóstico dos pacientes com U TI adq uirida na c omunidade em 4 l ocais
geográficos diferentes da T urquia. O s isolados f oram envi ados para um l aboratório
central, a susceptibilidade aos antibióticos foi determinada de acordo com os critérios do
CLSI. F oram us ados PCR e se quenciação de DNA p ara c aracterizar os genes bla(TEM),
bla(CTX-M) e bla(SHV). Um total de 510 pacientes com UTI causadas por bactérias de gram
negativo foi i ncluído n este est udo. F oram de tectadas ESBLs em 1 7 de 269 ( 6,3%)
isolados de E. coli de UTIs não complicadas e 34 de 195 (17,4%) de i solados de E. coli
de U TIs complicadas. Mais de 3 i nfecções do t racto urinário n o a no anterior, o us o de
antibióticos beta-lactâmicos nos últimos 3 meses e doença prostática foram associados
com a presença de ESBL. As percentagens de isolados com resistência simultânea ao
trimetoprim-sulfametoxazol, à ciprofloxacina e à gentamicina foram encontradas em 4,6%
num grupo de ESBL negativo e 39,2% no grupo de ESBL positivo. Quarenta e seis de
cinquenta e um i solados com ESBL positivo ( 90,2%) t inham C TX-M-15. As alternativas
terapêuticas para a s UTI, par ticularmente na co munidade, es tão l imitadas (Azap et al.,
2010).
As infecções causadas por Enterobacteriaceae produtoras de ESBLs são cada vez
mais frequentes e es tão ass ociadas com altas taxas de m ortalidade. A ci rculação d e
44
ESBLs do t ipo C TX-M na co munidade é um a par ticular pr eocupação p orque pode
confundir as medidas “standard” do controlo da infecção. Foram analisados os resultados
de estudos epidemiológicos de infecções causadas por Enterobacteriaceae produtoras de
ESBLs em paci entes não h ospitalizados de 6 c entros na E uropa, Á sia e A mérica d o
Norte. Um total de 983 isolados de pacientes específicos foi revisto: 890 (90,5%) eram E.
coli, 68 (6,9%) eram Klebsiella spp e 25 (2,5%) eram Proteus mirabilis; 339 (34,5%) dos
isolados produziram ESBLs. O tipo mais frequente de ESBL foi CTX-M (65%). As taxas
de co-resistência p ara a ciprofloxacina en tre os isolados produtores de ESBL foi alta,
superior a 70%, mas foi observada uma variação significativa nas taxas, entre os centros,
para a r esistência à g entamicina, à amoxacilina/ácido cl avulânico e ao t rimetoprimsulfametoxazol. O s factores d e r isco eram semelhantes para as i nfecções com
organismos produtores d e ESBL n os diferentes ce ntros p articipantes. Os factores d e
risco mais importantes foram o recente uso de antibióticos, a permanência em instituições
de cuidados de saúde de tempo prolongado, a recente hospitalização, a idade igual ou
superior a 65 anos e o sexo masculino. Contudo, 34% dos isolados produtores de ESBL
(115 de 336 i solados) foram ob tidos de p acientes que não t iveram n enhum t ratamento
recente. Novas abordagens são necessárias para responder a questões como o
tratamento empírico de infecções graves adquiridas na comunidade e para o controlo da
infecção (Ben-Ami et al., 2009).
45
Unidades prestadoras de cuidados de saúde e hospitais, a maior origem de ESBLs
Para avaliar a prevalência e os factores de risco de portadores fecais de
Escherichia coli produtoras de ESBLs resistentes a f luoroquinolonas (E. coli-MDR) entre
os residentes de Lares para Idosos no norte da I rlanda, fez-se um estudo entre Janeiro
de 2 004 e M aio de 2 006, em qu e se l evantaram d ados sobre os
hospitalares, os tratamentos com a ntimicrobianos e as
internamentos
comorbilidades. F izeram-se
culturas das amostras fecais para E. coli-MDR e os isolados e os genes das ESBLs foram
tipados por um laboratório de referência. Dos 294 pacientes incluídos no estudo, 119 das
amostras fecais (40,5%) eram E. coli-MDR. A variação de portadores nos diferentes lares
foi de 0% a 7 5%. A est irpe epidémica A , p ertencente a o S T131 e ao s erótipo O 25:H4
com a enzi ma CTX-M-15, foi encontrada em 58 (49%) isolados; houve uma variação de
0% a 100% entre os lares. Cinquenta e um por cento dos portadores não tinham história
de internamento hospitalar recente e apenas 13,5% tinham infecção ou colonização por
Escherichia coli produtoras de E SBLs. O s dias de u so d e fluoroquinolonas e os dados
sobre infecções urinárias foram as variáveis associadas com o risco de portadores de E.
coli-MDR. O al to ní vel de por tadores fecais com E. coli-MDR nos residentes de Lares
para Idosos demonstra a sua importância como uma população reservatório. Medidas de
saúde pública deverão atender às necessidades para combater a disseminação desses
organismos neste grupo (Rooney et al., 2009).
Para determinar a eficácia da higiene das mãos em locais de prestação de
cuidados de saúde, com a finalidade de reduzir as infecções nosocomiais (NIs), os
autores fizeram um estudo prospectivo medindo as taxas de NIs numa enfermaria de
urologia em Ho Chi Minh City, Vietname, antes e depois da implementação do programa
de higiene das mãos com um descontaminante de base alcoólica. As taxas à adesão da
higiene das mãos da equipa médica e de cu idadores foram registadas em f olhas de
observação normalizada. A incidência das NIs diminuiu 84%, de 13,1% para 2,1%, após
a implementação do programa de higiene das mãos. A produção de beta-lactamase de
espectro alargado foi det ectada em 38, 2% a 5 0% das Enterobacteriaceae isoladas de
amostras clínicas. A pós a i mplementação do programa d e hi giene d as mãos foram
reduzidos o tempo de internamento do paciente e o uso dos antibióticos. O programa de
higiene das mãos foi eficaz na redução da incidência de NIs, di minuindo o tempo de
internamento hospitalar e reduzindo o custo dos tratamentos. Estes programas com
resultados
quantificáveis
podem se r i mplementados
a um
cu sto m ínimo no
46
desenvolvimento dos cuidados de saúde e devem ser promovidos em todos os ambientes
de saúde (Nguyen et al., 2008).
Nos anos 90, p ublicações de E SBLs relatavam va riantes bla(SHV) ou bla(TEM), a s
quais eram esp ecialmente de tectadas em i solados de Klebsiella pneumoniae nas
unidades de cuidados intensivos. A situação tem-se alterado nos últimos anos com o
aparecimento dum
mecanismo de
resistência das
beta-lactamases
CTX-M,
principalmente entre isolados de E. coli (Cantón et al., 2008; Rossolini et al., 2008). Mais
de 65 beta-lactamases di ferentes p ertencentes a 6 gr upos di ferentes foram n otificadas
até à d ata ( Rossolini et al., 2008). Os diferentes ambientes genéticos podem estar
envolvidos na mobilização dos genes bla(CTX-M). O objectivo deste trabalho foi realizar a
caracterização d as beta-lactamases de todos os isolados de E. coli resistentes a
cefalosporinas de es pectro al argado durante um ano ( Abril de 2 003 a M arço de 20 04)
num hospital espanhol, para determinar o ambiente genético dos genes bla(CTX-M) e a su a
possível inclusão nos integrões. Os resultados deste estudo foram comparados com os
dados obtidos anteriormente para os isolados de E. coli no mesmo hospital em 20 02
(Briñas et al., 2005), com a finalidade de acompanhar a evolução das ESBLs e outros
mecanismos de resistência a cefalosporinas de espectro alargado. A origem e o número
dos isolados foram os seguintes: urina (37), ferida cirúrgica e exsudato (10), sangue (4),
aspirado t raqueobrônquico ( 5), p ús (3), bí lis (1) e l iquido ce falorraquidiano ( 1). O s
resultados mostraram um importante aumento na prevalência de ESBLs nos isolados de
E. coli relativamente ao estudo anterior, sendo as ESBLs mais prevalentes as da classe
CTX-M, especialmente as do grupo CTX-M-9 e, em pequena quantidade, também foram
detectadas CTX-M-15 e C TX-M-32. A dicionalmente, as ESBLs do tipo SHV têm
aumentado de importância r epresentando 25% do total d as ESBLs, estando a ocorrer
uma di versidade das variantes SHV, co mo a identificação de uma nova variante S HV102. M ais estudos devem se r r ealizados no futuro p ara acompanhar a evolução das
ESBLs nos isolados de diferentes ambientes, países e continentes (Vinué et al., 2008).
Foram estudadas as variáveis clínicas associadas com o isolamento de Klebsiella
pneumoniae expressando diferentes beta-lactamases de espectro alargado. Os relatórios
clínicos de pacientes com isolados de K. pneumoniae com ESBL positiva, entre os anos
de 1989 e d e 2003 (n=80), foram revistos retrospectivamente. Pacientes com ESBLs do
tipo S HV e T EM f oram i dentificadas mais frequentemente na u nidade de cu idados
intensivos (ICU) (67% e 78%, respectivamente), enquanto CTX-M foram encontradas em
enfermarias (52,2%) ou em pacientes na comunidade (17,4%). A ausência de cateteres
47
urinários ou centrais está associada com CTX-M-10. As infecções relacionadas com
cateter central e bacteremia secundária foram associadas mais frequentemente com
ESBLs dos tipos SHV e T EM, enq uanto i nfecções do t racto ur inário foram ass ociadas
com C TX-M-10. O uso pr évio de aminoglicosídeos foi asso ciado par ticularmente co m
ESBLs do t ipo SHV, en quanto o de am oxacilina/ácido clavulânico e de cefalosporinas
orais foi ass ociado c om C TX-M-10. A f requência do t ratamento em pírico ade quado foi
baixa (22%) e 61% dos pacientes foram tratados de acordo com os resultados dos testes
de s usceptibilidade aos antibióticos. N este es tudo c onstatou-se q ue as características
epidemiológicas dos pacientes diferiam de acordo com o tipo de ESBL, ou seja, ESBLs
do tipo T EM foram e ncontradas principalmente em p acientes jovens na I CU, enquanto
ESBLs do tipo CTX-M-10 foram i soladas de pacientes adultos do ambulatório ou que
haviam sido internados em enfermarias. Os resultados clínicos e a taxa de mortalidade
foram semelhantes aos relatados anteriormente e não foram observadas diferenças entre
os tipos de E SBLs. A evolução co ntínua dos diferentes tipos de E SBL pode a fectar a
epidemiologia f utura e as variáveis clínicas associadas às ESBLs da K. pneumoniae
(Garcia San Miguel et al., 2007).
Khanfar e co laboradores fizeram o pr imeiro es tudo da R egião d o G olfo A rábico
descrevendo a de tecção d e E SBLs em Enterobacteriaceae isoladas em t odo o t ipo de
amostras, de diferentes pacientes com i nfecções n osocomiais e adquiridas n a
comunidade. Dentro da R egião do G olfo Arábico, existe uma alta prevalência de ESBLs
(31,7%) no Kuwait e (41%) nos Emirados Árabes Unidos que foram isoladas em
pacientes hospitalizados. Na Arábia Saudita, as taxas de ESBLs variam de 8,5% a
38,5%. A ssim, em co mparação co m o s dados r egionais, os isolados produtores de
ESBLs (6%) encontrados neste est udo est á no extremo inferior do espectro. Esta
conclusão é semelhante aos dados obtidos dos inquéritos em alguns países da Europa e
da Ásia. Para avaliar a prevalência de estirpes de Escherichia coli e Klebsiella spp
produtoras de E SBLs em i nfecções adquiridas na co munidade e nos ocomiais foi
realizado um es tudo num l aboratório d e m icrobiologia ce ntralizado n uma província
oriental da Arábia Saudita. Os relatórios laboratoriais foram avaliados de Janeiro de 2004
a Dezembro de 2005 e foi determinada a resistência associada ao perfil de antibióticos.
Um total de 6750 organismos de gram negativo foi avaliado para o fenótipo-ESBL e as
ESBLs foram detectadas em 6% dos isolados, em que a maioria foi E. coli (83%).
Verificou-se que idade superior a 60 anos era um factor de risco para ter um patogéneo
produtor de ESBL. Os produtores de ESBLs foram significativamente mais elevados nos
48
isolados dos pacientes hospitalizados (15,4%) do q ue n os pacientes da c omunidade
(4,5%). A urina foi a principal fonte de isolados de ESBLs nos pacientes hospitalizados
(46,1%) e n os pacientes da co munidade ( 74,4%). O n úmero de i solados na ur ina
produtores de E SBLs foi m ais alto nos pacientes hospitalizados (10,4%) do q ue nos
pacientes da co munidade ( 4,4%). E ntre os pacientes hospitalizados, 60 % de i nfecções
associadas a ESBLs eram nosocomiais, sendo todos os isolados sensíveis ao imipenemo
mas apresentando al tos níveis de r esistência à g
entamicina, à am
icacina, à
amoxacilina/ácido clavulânico e à ciprofloxacina. Este é o primeiro relatório com dados da
distinção entre infecções nosocomial e adquirida na comunidade por ESBLs, baseados
em cr itérios definidos internacionalmente, na Arábia Saudita. O s autores defendem o
aumento da vi gilância bem c omo os estudos globais multicêntricos/multinacionais para
resolver es te pr oblema em ergente de i nfecções asso ciadas a E SBLs (Khanfar et al.,
2009).
O objectivo do estudo de Mumtaz e colaboradores foi determinar a prevalência dos
bacilos de gr am n egativo pr odutores de E SBLs nos isolados clínicos. E ste est udo
decorreu num hospital do Paquistão durante um período de dois anos (de Março de 2004
a Abril de 20 06). Os isolados de 60 9 baci los ent éricos de gr am ne gativo de várias
amostras foram testadas quanto à produção de ESBLs pelo teste de sinergismo de duplo
disco. F oram analisados 1 76 i solados produtores de E SBLs em amostras d e pacientes
hospitalizados e pacientes do ambulatório. Em 165 isolados produtores de ESBLs foram
analisados o g énero dos pacientes e a i dade dos três meses aos oitenta a nos. O s
isolados produtores de ESBLs foram mais isolados nos pacientes hospitalizados (88,1%)
do que nos pacientes da comunidade (11,9%). A Escherichia coli foi o organismo mais
frequente nos pacientes hospitalizados enquanto a Klebsiella pneumoniae foi a m ais
prevalente nos pacientes da comunidade. As ESBLs foram mais frequentes nos
pacientes do sexo feminino (64,3%), das quais 45,1% eram infecções do tracto urinário,
do que nos pacientes do sexo masculino (35,7%) nos quais foram mais frequentes nas
amostras de pus (54,2%). Os bacilos entéricos de gram negativo (EGNR) produtores de
ESBLs são m ais isolados em p acientes com i dade mais avançada por volta d os 61-70
anos (27,9%) seguida dos 41-50 anos (20%). Outro pico (13,3%) foi também observado
no grupo etário mais jovem entre 11-20 anos. A menor prevalência de 5,5% foi observada
em doi s grupos etários (0-10 e 31-40 an os). No caso dos pacientes femininos, EGNR
produtoras de ESBLs foram mais frequentemente isoladas (29,2%) num grupo etário de
49
meia-idade ( 41-50 an os) se guido por gr upos com m ais idade ( 51-60 e 6 1-70 an os),
(15,1% e 25,5%) (Mumtaz et al., 2007).
50
Rastreio na admissão Hospitalar
Para d eterminar as taxas dos factores de r isco dos portadores e a aq uisição de
Enterobacteriaceae produtoras de ESBLs durante a hos pitalização, f ez-se u m est udo
num hospital de ensino em Jerusalém, com 550 camas, durante um período de 5 meses,
de 1 de Fevereiro a 30 de Junho de 2004. Dos 1985 pacientes admitidos para medicina
geral, naquele período, 167 (8%) foram incluídos neste estudo, dos quais foram obtidas
amostras por zaragatoa rectal na admissão e de 2 em 2 dias ou de 3 em 3 dias até à alta
hospitalar ou morte. Os isolados de Enterobacteriaceae foram testados para ESBLs
positivas, tendo-se identificado 13 (8%) portadores de Enterobacteriaceae produtoras de
ESBLs na admissão. Os factores de risco para os portadores incluíram o se xo feminino,
ser residente em lares e tratamento recente com antibióticos. Durante a hospitalização,
35 ( 21%) dos 167 paci entes ficaram por tadores de Enterobacteriaceae produtoras de
ESBLs. Dos 12 pacientes que ainda estavam no hospital 2 semanas após a admissão, 4
(33%) t ambém ficaram p ortadores de Enterobacteriaceae produtoras de E SBLs. O s
factores de r isco par a a a quisição d e est irpes produtoras de E SBLs incluíram a i dade
superior a 65 anos, ser residente em lares, as alterações cognitivas, o tratamento recente
com antibióticos, a r espiração assistida e a ho spitalização prolongada (Friedmann et al.,
2009).
As Enterobacteriaceae produtoras de beta-lactamases de espectro al argado ( EESBL) estão a aumentar em todo o mundo, mas existem poucos dados acerca da
transmissão paciente-a-paciente e da prevalência entre grupos de risco, na Suíça.
Um estudo prospectivo dum coorte foi realizado com os seguintes objectivos:
1-avaliar a prevalência de E-ESBL, na admissão, entre grupos de risco;
2-avaliar as transmissões nosocomiais cruzadas nos cuidados intensivos
(ACF) versus unidades de cuidados continuados (LTCF);
3-avaliar a prevalência de mutações nos genes das beta-lactamases detectadas.
Foram predefinidos grupos de risco rastreados na admissão ou após estarem em
contacto com pacientes diagnosticados com E-ESBL.
51
Distinguiram-se três categorias de pacientes:
Categoria I - pacientes já identificados como portadores de E-ESBL
Categoria II - pacientes vindos de países com alta prevalência de E-ESBL e,
portanto, prováveis portadores de E-ESBL
Categoria III - companheiros de quarto dos pacientes índice
Foi identificado um total de 93 pacientes com E-ESBL: 62% (31/50) dos pacientes
da categoria I; 18%(22/124) dos pacientes da categoria II; 8 de 177 (4,5%) dos pacientes
da categoria III 5 t inham estirpes idênticas de E-ESBL ou partilhavam o mesmo gene de
beta-lactamase d o se u c aso í ndice. A de nsidade de i ncidência da t ransmissão foi de
0,9/1000 dias de exposição na ACF que é superior à da LTCF (0,4/1000). A CTX-M-15 foi
a beta-lactamase predominante (60%) entre os pacientes índice. O estudo mostra que EESBL são mais encontradas em grupos predefinidos de alto risco para ser portador de EESBL. A maioria dos pacientes (62%) conhecidos como portadores de E-ESBL foi ainda
positiva na readmissão. O tempo médio de intervalo da confirmação de E-ESBL foi quase
de 5 m eses, em bora houvesse c onsiderável va riação do t empo e ntre o pr imeiro e o
último iso lamento de E-ESBL. A ssim, j ustifica-se co locar os portadores de E -ESBL e m
isolamento na admissão. A maioria das estirpes de E -ESBL t em o ge ne da betalactamase CTX-M-15 que se tornou o tipo mais comum na parte ocidental da Suíça. Em
estudos na A lemanha dos últimos três anos, os autores obtiveram resultados
semelhantes aos deste estudo para a taxa de incidência de E-ESBL. Enquanto a alta taxa
de pacientes colonizados permanece positiva na readmissão, confirmando as conclusões
de K ola et al., 2 007, ( 70%), ta xas mais baixas de co lonização foram encontradas nos
EUA. Os factores de risco para os portadores de E-ESBL foram amplamente descritos na
literatura. Os critérios predefinidos de rastreio, baseados em resultados anteriores,
estabelecidos para a a dmissão d os pacientes co nfirmaram qu e c ertos grupos de
pacientes têm maior risco de serem portadores de E-ESBL. Esta observação é
consistente com outros resultados descritos de taxas elevadas de E-ESBL em pacientes
repatriados de países com elevada prevalência de E-ESBL. Foram documentadas 5
transmissões cruzadas entre 31 casos índice e os seus 1 77 co mpanheiros de quarto.
Enquanto o número parece alto (5/31; 16%), a densidade de incidência de transmissão é
baixa ( 0,9/1000 di as de exposição) se o t empo de exposição for tido em co nta. A
probabilidade d e t ransmissão n osocomial cr uzada é m uito d ebatida na l iteratura. F oi
52
confirmada por PFGE que transmissões de E-ESBL na ICU são raras, especialmente por
E. coli produtora de ESBL. Por isto, alguns autores especulam que o aumento de E. coli
produtora de ESBL não est á relacionado com a transmissão cruzada, uma vez que a
transmissão horizontal de E. coli produtora de ESBL é rara fora de uma situação de surto.
Contudo, a transmissão paciente-a-paciente foi considerada importante para a aquisição
de K. pneumoniae. A transmissão de genes de beta-lactamases de espectro alargado por
elementos genéticos móveis de r esistência p ode oco rrer m esmo se os padrões PFGE
aparecem policlonais. D este m odo, análises p or P FGE p odem su bestimar a ve rdadeira
taxa de transmissão de ESBL que pode ser muito mais importante para a E. coli do que
para outras Enterobacteriaceae. A densidade de incidência de transmissão cruzada neste
estudo foi mais alta na ACF do que na LTCF embora o tempo de exposição seja maior na
LTCF. Isto é um tanto inesperado e não é facilmente explicável. Uma possível explicação
pode ser a frequente partilha das casas de banho, uma vez que a maioria das casas de
banho sã o p artilhadas por m uitos pacientes da instituição. P ortanto, n a A CF há m aior
risco de t ransmissão di recta paciente-a-paciente do q ue na LTCF, o nde os pacientes
estão m ais acamados e t êm ca sa de banho pr ivada. M as os pacientes na A CF est ão
expostos a mais intervenções, o que exige várias lavagens e desinfecções das mãos dos
cuidadores, correndo m ais riscos de transmissão das ESBLs. Novos estudos terão de
confirmar esta hipótese e o ideal seria incluir amostras ambientais. O controlo nosocomial
de E-ESBL é ainda um assunto de debate. Certos autores defendem o rastreio na
admissão, o i solamento dos pacientes positivos e a i ntrodução de boa administração de
antibióticos. Porém, outros têm levantado preocupações sobre a eficácia dessas medidas
à l uz de um r eservatório d e i mportância co munitária. D e m omento, não h á d ados
suficientes para justificar o completo abandono das medidas do controlo de infecção no
hospital, dado que as E-ESBL podem causar infecções graves e efeitos adversos. Não foi
feita a triagem universal das E-ESBL na admissão mas puseram em isolamento todos os
casos novos e foi implementado isolamento preventivo entre os pacientes da categoria I.
Ao fazê-lo foram estabelecidas precauções de contacto em quase 100% dos casos. Para
reduzir a necessidade de precauções de contacto entre pacientes nas LTCFs, podem ser
realizadas culturas de vigilância ao l ongo d o t empo. U ma q uestão em d ebate é se o
rastreio deve s er r ealizado ou n ão quando os paci entes estão a ser t ratados com
antibióticos, um a ve z que vá rios agentes podem se leccionar E -ESBL ( penicilinas,
cefalosporinas) aumentando assim a sensibilidade da triagem ou ter como resultado
falsos negativos (carbapenemos). Além disso, não há evidências de qual é o intervalo de
tempo ideal entre os testes de despistagem (Fankhauser et al., 2009).
53
A m elhor es tratégia p ara c ombater a propagação d e E SBL positivos é
desconhecida m as o r astreio de pacientes de r isco po de s er b enéfico. E mbora um
método i deal d e r astreio ai nda n ão t enha si do e ncontrado, o r astreio t em si do l imitado
aos organismos produtores de ESBL. Em 2 006, o C entro Médico da Universidade de
Friburgo enfrentou um aumento dramático no número de pacientes com infecções
devidas a Enterobacteriaceae produtoras de ESBL. Portanto, introduziu-se o rastreio na
admissão em 4 unidades de cuidados intensivos (Intensive Care Units-ICUs) para
determinar a prevalência de pacientes com ESBL positivo nestas unidades de alto risco.
O Centro Médico da Universidade de Friburgo é um hospital universitário de 1600 camas
com todas as especialidades clínicas. Aproximadamente 60.000 pacientes são internados
por ano, representando um total de 440.000 pacientes por dia. Acrescentando às
precauções “standard”, as
precauções de contacto ger almente são recomendados
apenas para paci entes infectados com b actérias ESBL posi tivo. E stas precauções de
contacto incluem a estadia do paciente num quarto individual ou fazendo um coorte com
outros pacientes infectados o u c olonizados, a
utilização d e l uvas e batas p or
trabalhadores de saúde e o rastreio rectal de produtores de ESBL nos companheiros de
quarto. Durante o período de estudo (Agosto a Dezembro de 2007), as 4 ICUs cirúrgicas
(referidas como ICUs A, B, C e D) foram orientadas para rastrear os pacientes portadores
de Enterobacteriaceae ESBL positiva através de culturas de amostras rectais. Os
pacientes que f oram s ubmetidos a um transplante d e ór gão s ão i nternados na I CU A ,
aqueles que se submeteram a cirurgia cardiovascular são admitidos na ICU B, aqueles
que tenham sido submetidos a cirurgia ortopédica ou visceral são internados na ICU C e
os pacientes traumatizados sã o admitidos n a I CU D . A s cu lturas foram r ealizadas n um
meio cromogénico para rastrear Enterobacteriaceae ESBL positiva para todas as
amostras de z aragatoa r ectal. A s colónias que er am produtoras de E SBL foram
confirmadas pelo método de di sco que continha cefotaxima, ceftazidima e cefpodoxima
com ou sem ácido clavulânico e pela utilização de um teste de sinergismo de duplo disco
que continha ceftriaxona e amoxicilina-ácido clavulânico. A s amostras dos vá rios
produtos biológicos foram cultivadas e os testes de r esistência aos antibióticos foram
realizados de acordo com os procedimentos laboratoriais “standard”. De acordo com os
critérios do C LSI se foi detectada r eduzida s usceptibilidade às ce falosporinas nas
Enterobacteriaceae foram pesquisadas as ESBLs nos isolados. O rastreio na admissão
foi realizado em 755 (45%) dos 1.674 pacientes recém-admitidos nas 4 ICUs durante o
período do estudo. A maioria dos pacientes que não foram rastreados esperava-se que
permanecessem na ICU por poucas horas. A taxa de de portadores de ESBL detectada
54
na admissão foi entre 3,0% a 9,0% dos pacientes por ICU. Globalmente, 35 (5%) dos 755
pacientes examinados apresentaram colonização intestinal, mas apenas 6 (17%) dos 35
pacientes já er am co nhecidos como p ortadores de or ganismos de ESBL posi tivos.
Cinquenta e dois (7%) dos 755 pacientes rastreados estavam infectados ou colonizados
com patogéneos produtores de ESBL e 9 (25,7%) de 35 pacientes com colonização rectal
desenvolveram uma i nfecção ( 5 i nfecção urinária, 2 i nfecção de f erida cirúrgica, 1
pneumonia e 1 empiema pleural). As directrizes para o tratamento de doentes infectados
com bactérias produtoras de ESBL variam e não incluem necessariamente o rastreio para
organismos produtores de ESBL. Analisaram a situação em 4 ICU num hospital terciário
Alemão e encontraram uma taxa média de 5% de portadores de ESBL durante o rastreio
de admissão, que é uma taxa semelhante à relatada recentemente nos Estados Unidos.
Nesse estudo, o segundo maior dos Estados Unidos por Reddy et al., 2007, envolvendo
cerca de 1 7.000 p acientes de 4 I CUs, um aumento pr ogressivo na i ncidência da
colonização por Enterobacteriaceae produtoras de ESBL foi relatado durante um período
de estudo de 6 anos. Dados de Israel e da Arábia Saudita indicam taxas de colonização
superiores a 10%, até 26%. A colonização intestinal é um conhecido factor de risco para
infecções por Enterobacteriaceae produtoras de ESBL. Reddy et al., 2007, relataram que
35 (8,5%) dos 413 pacientes colonizados com Enterobacteriaceae produtoras de ESBL
desenvolveram uma bacteriémia. Devido à alta colonização, o risco de desenvolver uma
infecção é considerável e defenderam a introdução do rastreio na admissão de pacientes
com doença grave subjacente por exemplo, para pacientes que tiveram graves traumas,
que se submeteram a cirurgia de grande porte ou a um transplante e/ou que tenham sido
admitidos numa unidade de hematologia, porque são os pacientes que frequentemente
desenvolvem infecções nosocomiais e nos quais um tratamento antibiótico empírico é
vital (Meyer et al., 2009).
55
Disseminação de Enterobacteriaceae produtoras de ESBL nas crianças
Um t otal de 90 am ostras alimentares à base d e l eite ( Fórmulas I nfantis-IFs) f oi
obtido de uma cozinha de leites de um hospital universitário, durante um período d e 4
meses, em 1 999. As condições sanitárias das IFs foram a nalisadas e foi feita a
caracterização fisiológica e os testes de susceptibilidade antimicrobiana dos isolados de
bacilos de gram negativo. As contagens de colónias foram consideradas inaceitáveis para
a maioria das
amostras e as taxas de contaminação f oram relacionadas com o
manuseamento inadequado das IFs. Foram detectados coliformes (crescimento a 35ºC e
45ºC) na maioria das IFs testadas. Klebsiella pneumoniae, Citrobacter freundii, Cedacea
davisae, Klebsiella planticola e Enterobacter cloacae foram os isolados mais frequentes.
Os testes de su sceptibilidade aos a ntimicrobianos demonstraram t axas de r esistência
significativa, particularmente à amoxacilina/ácido clavulânico, à cefoxitina, à c efalotina ou
à am picilina. T ambém foi i solada uma es tirpe de K. pneumoniae produtora d e b etalactamase de espectro alargado (Carneiro et al., 2003).
Em duas cidades distantes do Brasil, entre 2003 e 2004, em dez isolados de
amostras clínicas e de av es domésticas foram identificadas Salmonella entérica serovar
Typhimurium produtora de ESBLs CTX-M-2. Dois isolados são de pacientes pediátricos e
oito d e ave s domésticas ou d o se u am biente. T odos os isolados eram r esistentes a
antibióticos não beta-lactâmicos incluindo a tetraciclina e o trimetoprim-sulfametoxazol. O
gene CTX-M-2 está localizado num plasmídeo transferível que também transporta outros
determinantes de resistência em alguns isolados. Por PFGE, a semelhança genética dos
isolados das amostras clínicas e as das aves de ca poeira v ariou de 8 9% a 1 00%
(Fernandes et al., 2009b)).
Foi i nvestigada a t axa d e r esistência in vitro para vá rios antibióticos em 17 9
isolados de Salmonella spp dos serogrupos D (109), B (52), C1 (10) e C2 (8) isoladas em
crianças. A produção de ESBLs foi estudada em i solados resistentes à ampicilina. As
taxas de resistência para a ampicilina e a amoxicilina/ácido clavulânico foram de 26,3% e
10,6% r espectivamente. A r esistência para a c eftriaxona e a ce ftazidima foi 3,3%. A s
taxas de resistência para o cloranfenicol, o trimetoprim-sulfametoxazol e a ciprofloxacina
foram 4 0,7%, 31,3%, e 2,2%, r espectivamente. A pr odução d e beta-lactamases foi
detectada em 42 i solados e 2 i solados de S. paratyphi B produziam ESBLs. Um isolado
com ESBLs SHV-2 e TEM-1 e o out ro com ESBLs SHV-2a, SHV-5a (SHV-9) e TEM-1.
56
Este é o primeiro relatório de SHV-2a e S HV-5a (SHV-9) e m S. paratyphi B na T urquia
(Budak et al., 2009).
Um inquérito realizado em 2005 a crianças saudáveis na Bolívia e Peru revelou um
aumento significativo das portadoras fecais de estirpes de Escherichia coli resistentes a
cefalosporinas de espectro alargado comparado com um estudo de 2002 (1,7% em 2005
e 0, 1% em 2 002). E ste t rabalho dem onstra que est e aum ento es tá r elacionado,
principalmente, com a di sseminação de determinantes de ESBL do tipo CTX-M entre as
estirpes comensais de E. coli. D os 50 i solados produtores de E SBL em 2 005, 4 4 t êm
CTX-M e 6 t êm SHV (SHV-2 ou SHV-12). Foi detectada uma nova variante de CTX-M-2
denominada CTX-M-56. A caracterização molecular dos isolados produtores de CTX-M e
experiências de genes transferidos su geriram que diferentes mecanismos p odem es tar
envolvidos na disseminação de di ferentes determinantes do grupo CTX-M e r evelaram
que determinantes adicionais de resistência para antibióticos não beta-lactâmicos foram
preferencialmente transportados por plasmídeos codificadores de certas variantes CTX-M
(CTX-M-15 e v ariantes do gr upo C TX-M-2). T rês isolados peruanos com plasmídeos
codificadores conjugativos de CTX-M-15 eram portadores de novos genes de resistência
às fluoroquinolonas. Os resultados deste est udo mostraram que os determinantes de
ESBL em geral e em particular os CTX-M se disseminaram rapidamente entre estirpes de
E. coli comensais em pessoas saudáveis em ambientes de poucos recursos. Na área do
estudo, incluindo ambientes urbanos na Bolívia e Peru, a prevalência de crianças
saudáveis portadoras de estirpes de E. coli ESBL-positiva na s ua m icrobiota co mensal
sofreu um a umento dr amático ( 17 ve zes) ao longo de um período de 3 anos e os que
mais contribuíram foram determinantes do tipo CTX-M. Este fenómeno é um assunto de
preocupação, uma v ez que os comensais podem se r um r eservatório de genes de
resistência, enquanto a colonização intestinal por isolados produtores de ESBL pode ser
uma fonte d e e ntrada d e d eterminantes de ESBL em ambiente hospitalar e r epresenta
um factor de r isco para a i nstalação de i nfecções causadas por est irpes produtoras d e
ESBL em p acientes hospitalizados. E mbora os dados de consumo de antibióticos não
estejam disponíveis, é natural assumir que os portadores de ESBL comensais, crianças
saudáveis de i dade pr é-escolar, r eflectem na m aioria dos
casos a ex posição à
contaminação no ambiente f amiliar em ve z de um aumento da ex posição di recta às
cefalosporinas
de
espectro
alargado
ou
outros
agentes
conhecidos
como
seleccionadores de produtores de ESBL. Para esclarecer melhor este assunto era
interessante avaliar a população adulta nestas mesmas áreas geográficas. O aumento da
57
prevalência de isolados produtores de E SBL foi também associado a um aumento da
diversidade de determinantes circulantes de ESBL, embora o uso de ceftriaxona como o
único agente de rastreio de ESBL é limitado para a detecção de ESBLs com actividade
específica de ceftazidimase. Em c omparação com o levantamento inicial r ealizado em
2002, m embros do gr upo C TX-M-1 (C TX-M-15) t ambém a pareceram n a B olívia,
enquanto membros do grupo de CTX-M-9 (CTX-M-14 e CTX-M-24) apareceram no Peru.
Além do mais as ESBLs produtoras do tipo SHV apareceram nos 2 países. É a primeira
detecção de um gene em 3 isolados peruanos com CTX-M-15 resistentes às
fluoroquinolonas em b actérias comensais de humanos sa udáveis e também o pr imeiro
relatório da presença deste determinante de resistência na América Latina (Pallecchi et
al., 2007).
A ocorrência e a diversidade de enzimas ESBLs foram investigadas em isolados de
Escherichia coli e Klebsiella pneumoniae resistentes aos antibióticos em fezes humanas.
Todos os isolados ESBL positivos foram caracterizados a nível molecular por PCR,
sequenciação e PFGE. Oito isolados de 46 de E. coli resistentes aos antibióticos (6 de
crianças e 2 de adultos) e 4 isolados de 8 K. pneumoniae (todos de adultos) tinham ESBL
positiva pelo teste de sinergismo de duplo disco. Dos 7 isolados que tinham CTX-M-14, 2
tinham CT X-M-24 e CTX-M-28, e 1 t inha CTX-M-9. A dicionalmente, 8 i solados er am
portadores de TEM-1b o u T EM-1c. N enhuma enzima do t ipo S HV foi e ncontrada e ntre
estirpes de E. coli. Em 9 est irpes, os determinantes do plasmídeo bla(CTX-M) eram
transferíveis para a E. coli, por conjugação. Análises por PFGE demonstraram evidente
disseminação clonal e n ão clonal. O estudo mostra a exi stência de portadores fecais de
organismos produtores de determinantes de bla(CTX-M) e evidencia o papel dos comensais
como um reservatório para a sua disseminação. Também documenta a ocorrência de
determinantes de CTX-M entre comensais resistentes aos antibióticos transportados por
crianças e adultos não hospitalizados. Relativamente às crianças jovens, as análises das
amostras de fezes mostraram se r p ortadoras de E. coli resistentes às fluoroquinolonas
(44/189, 23,3%) e um a p orção significativa destes isolados ( 6/44, 13,6%) eram
produtores de ESBL. Este último valor está de acordo com os dados de resistência entre
os isolados clínicos. Em Hong Kong, os dados do laboratório do hospital mostram que 1020% dos isolados de E. coli resistentes às fluoroquinolonas eram ESBL positivas. Entre
os isolados de E. coli produtores de ESBL nas amostras clínicas, aproximadamente 2/3
foram resistentes às fluoroquinolonas. Uma vez que as fluoroquinolonas não são usadas
em crianças jovens a f onte de resistência às fluoroquinolonas e isolados positivos de
58
CTX-M não é clara. A aquisição pela cadeia alimentar e os portadores adultos são alguns
meios possíveis de transmissão. O s resultados realçam a e ndemicidade d os alelos d o
grupo CTX-M-9 nesta região. E m estudos anteriores, alelos do mesmo gr upo f oram
predominantes entre isolados de portadores nas amostras clínicas e em animais de
produção alimentar. Este estudo demonstrou que a maioria dos determinantes de CTX-M
estavam l ocalizados em pl asmídeos transferíveis e al gumas estirpes eram t ambém
portadoras de outros elementos móveis de resistência, incluindo a sequência de inserção,
a transposase e o integrão. C omo su gerido previamente, est es elementos tiveram um
papel importante na translocação e disseminação das CTX-M. Apesar do número limitado
de isolados comensais testados, é interessante que o alelo mais frequente foi o CTX-M14, o qual foi semelhante à si tuação dos isolados clínicos com ESBL positivo. Uma vez
que os voluntários adultos eram am igos e co nhecidos, a pos sibilidade d e t ransmissão
pessoa-a-pessoa de bactérias comensais ou de determinantes de resistência não deve
ser excluída. São necessários estudos epidemiológicos detalhados para abordar a
transmissão de CTX-M em diferentes ambientes escolares e sociais (Ho et al., 2008).
Em doi s hospitais de T aipé r eviram da dos retrospectivamente dum p eríodo d e 5
anos de crianças com r efluxo vesicoureteral. O o bjectivo d o e studo de C heng e
colaboradores foi a nalisar a r esistência a ntimicrobiana das infecções do t racto urinário
nas crianças a receber profilaxia antibiótica por causa de refluxo vesicoureteral primário.
Os pacientes receberam tratamento profilático com o cotrimoxazol, a cefalexina, o
cefaclor ou uma profilaxia com uma sequência de diferentes antibióticos (monoterapia
alternativa). Foram registados os dados demográficos, o grau do refluxo vesicoureteral, a
antibioterapia profilática, os resultados da sensibilidade aos antibióticos da pr imeira
infecção ur inária e o a parecimento d as UTIs seguintes. T rezentos e vi nte e qu atro
pacientes foram submetidos a profilaxia antibiótica (109 com cotrimoxazol, 100 com
cefalexina, 44 com cefaclor e 71 com monoterapia alternativa) num hospital e 96 crianças
foram s ubmetidas à pr ofilaxia c om c otrimoxazol noutro hospital. A i nfecção por
Escherichia coli foi muito menos frequente nas crianças que fizeram antibiótico profilático,
comparado co m os seus episódios iniciais de i nfecção d o t racto ur inário, n os dois
hospitais. A susceptibilidade antimicrobiana para a maioria dos antibióticos diminuiu com
a pr ofilaxia co m c efalosporinas em i nfecções urinárias recorrentes. A di minuição d a
susceptibilidade t ambém foi gr ande p ara a pr ofilaxia co m uma se quência d e diferentes
antibióticos. Contudo, a susceptibilidade antimicrobiana diminuiu muito pouco nos grupos
que fizeram pr ofilaxia c om co trimoxazol. Este est udo põ e em evi dência q ue o
59
cotrimoxazol é a propriado p ara a pr ofilaxia en quanto as cefalosporinas não o são. A s
crianças que receberam cefalosporinas de 1ª ou 2ª geração como antibioterapia
profilática têm uma maior tendência para ficarem infectadas com organismos produtores
de ESBL ou com um uropatogéneo resistente, que não a E. coli. Embora a prevalência da
resistência endémica esteja aumentada entre a flora de gram negativo, o cotrimoxazol é
ainda o a gente pr eferido para a pr ofilaxia para r efluxos vesicoureterais (Cheng et al.,
2008).
As infecções p ediátricas co m b actérias produtoras de E SBLs têm si do p ouco
descritas. P rocurou-se determinar a pr oporção de i solados produtores de E SBLs e a
incidência de i nfecção ou c olonização c om es tes organismos no h ospital p ediátrico
terciário, em Salt Lake City, durante 5 anos e adicionalmente avaliou-se as características
das crianças infectadas. Identificaram-se todas as Escherichia coli ou Klebsiella spp de
crianças mais novas do que 18 anos entre Janeiro de 2003 e Dezembro de 2007. Foram
revistos os relatórios médicos d as crianças i nfectadas; das culturas d e 2 967 E. c oli, K.
pneumoniae e K. oxytoca, 26 i solados produtores de E SBLs eram de 1 6 cr ianças. A s
taxas de produção de E SBL entre os isolados aumentaram significativamente de 0,53%
na pr imeira metade par a 1,4% n a segunda metade do est udo. A incidência de um a
infecção pr imária co m E SBL t ambém a umentou si gnificativamente d e 0,14/10000
pacientes para 0 ,31/10000. A m aioria d as crianças infectadas ou co lonizadas por
organismos produtores de ESBL eram doentes crónicos, frequentemente hospitalizados,
ou c om um a hi stória de i nfecção r ecorrente. Contudo, 4 cr ianças infectadas t inham
menos de 5 meses de idade e foram avaliadas num ambiente de ambulatório. Enquanto a
maioria do s pacientes pertenciam a grupos de r isco par a i nfecções resistentes aos
antibióticos, t ambém foram a fectados lactentes em am biente d e am bulatório. O s
lactentes não tinham sido considerados, anteriormente, co mo uma população de risco
(Blaschke et al., 2009).
Nas enfermarias pediátricas num hospital em Istambul foi detectada uma alta taxa
(48,6%) de Klebsiella pneumoniae produtora de ESBLs (ESBL-KP) dos isolados clínicos.
Implementaram m edidas reforçadas do c ontrolo de i nfecção e i nstituíram um programa
prospectivo de vigilância com um estudo de caso-controlo para determinar os factores de
risco de colonização intestinal por ESBL-KP. Fizeram culturas durante um período de 1
ano d e z aragatoas rectais dos p acientes, de a mostras do am biente e d as mãos dos
trabalhadores de saúde. Os isolados de ESBL-KP foram tipados por PFGE. As
características clínicas d os pacientes q ue foram co lonizados c om E SBL-KP du rante a
60
permanência no hospital foram comparadas com as dos pacientes que não tinham ESBLKP. Quarenta (18,5%) de 216 pacientes ficaram colonizados com ESBL-KP. Os factores
de risco mais frequentes para a colonização foram a ventilação mecânica e uma
hospitalização su perior a 1 4 di as. A g enotipagem dos
isolados indicava pr ovável
transmissão paci ente-a-paciente; contudo, não se pôde determinar a rota desta
propagação. Durante o período do est udo, a t axa de 1, 6% de infecções clínicas por
ESBL-KP por 500 pacientes admitidos teve uma diminuição em comparação com a t axa
de 7% do ano anterior. As medidas reforçadas do controlo de infecção, a administração
antimicrobiana e o r astreio d e por tadores rectais foram asso ciados com a di minuição
substancial de colonização por ESBL-KP nas unidades pediátricas (Demir et al., 2008).
Na Á frica O cidental i nvestigaram a disseminação d e pr odutores de E SBLs nos
indivíduos que vivem em locais remotos que, até agora, parecem ter sido poupados. No
Senegal, procurou-se a aldeia mais remota e isolada para avaliar os portadores fecais de
Enterobacteriaceae produtoras de ESBLs, nas crianças em que a probabilidade de terem
tomado a ntibióticos fosse n ula. K agnoube, um a al deia n o S enegal O riental, foi o l ocal
escolhido p elos i nvestigadores p orque er a a m ais inacessível d urante a es tação d as
chuvas. Tinha 60 habitantes vivendo nas suas cabanas tradicionais e partilhando a água
do poço por não haver nenhum rio perto. O centro de saúde mais próximo estava a 100
km de di stância. O s habitantes tomavam, ocasionalmente, a penas drogas alopáticas.
Neste estudo incluíram-se 20 crianças saudáveis, 11 r aparigas e 9 rapazes com idades
de 1 a 11 anos. Foram obtidas amostras de fezes que foram imediatamente inoculadas
em meios de co nservação e envi adas para F rança. Duas das 20 crianças eram
portadoras fecais de um clone de E. coli multirresistente produtora de CTX-M-15,
demonstrando a di sseminação d e beta-lactamases de espectro al argado, mesmo nas
comunidades isoladas (Ruppé et al., 2009).
Num hospital do Egipto onde a Klebsiella pneumoniae produtora de ESBL era uma
importante causa de infecções nosocomiais na unidade de cuidados intensivos neonatais
(NICU), efectuaram um estudo com o objectivo de determinar a i ncidência da Klebsiella
pneumoniae produtora de ESBL na NICU. A frequência da aquisição de g enes SHV-1 e
SHV-2 nos isolados, os factores de risco associados e os resultados clínicos dos bebés
infectados, foi realizado por um estudo prospectivo de vigilância durante o período de um
ano. Em todos os recém-nascidos admitidos na NICU obtiveram-se amostras de sangue,
de urina, de líquido cefalorraquidiano, de zaragatoas de feridas e da garganta e amostras
de aspirados de tubos endotraquiais de recém-nascidos em que nunca houve suspeita de
61
sepsis. Os isolados bacterianos foram identificados morfologicamente, por coloração de
Gram e t estes bioquímicos “standard”. A susceptibilidade antimicrobiana foi determinada
por métodos de difusão em agar com disco e a confirmação fenotípica de pr odução de
ESBL foi feita por teste de sinergismo de duplo disco e E -test. A detecção genética dos
genes S HV-1 e SHV-2 n os isolados de Klebsiella pneumoniae foi f eita por P CR e
sequenciação. Um total de 980 culturas foi obtido de 380 recém-nascidos e 372 amostras
colhidas do ambiente. Em vinte e sete culturas (7%) isolaram-se Klebsiella pneumoniae,
sendo 18 (67%) produtoras de ESBL. Os 18 isolados (100%) tinham SHV-2 e ap enas 8
isolados (44%) tinham o gene SHV-1. Os factores de risco para a Klebsiella pneumoniae
produtora de ESBL foram a ventilação mecânica, o peso inferior a 1500g, a
hospitalização superior a 15 di as, a nutrição parenteral total e o uso prévio de oxiiminobeta-lactâmicos. As culturas ambientais (n=372) tinham Klebsiella pneumoniae produtora
de ESBL em 9 i solados: 4 de tubos de sucção, 2 de incubadoras e 3 das mãos dos
prestadores de cuidados de saúde. A Klebsiella pneumoniae produtora de ESBL estava
associada ao aumento da mortalidade e à hospitalização prolongada nos recém-nascidos
que sobreviveram (Abdel-Hady et al., 2008).
Foi realizado um estudo para det erminar a prevalência de Escherichia coli e
Klebsiella pneumoniae produtoras de ESBL nos cuidados intensivos neonatais (NICU) na
Índia e para identificar os factores de risco associados com aquisição destes organismos.
Foi avaliado o estado dos 253 recém-nascidos admitidos, tendo 238 ficado num sistema
de vi gilância act iva. A Klebsiella pneumoniae produtora d e ESBL foi r esponsável p or 7
infecções e 5 1 c olonizações, e nquanto a Escherichia coli produtora de E SBL f oi
responsável p or 9 i nfecções e 88 c olonizações. O s isolamentos dos dois organismos
verificaram-se em t rinta r ecém-nascidos. O pr olongamento da estadia na NICU f oi u m
factor d e r isco i mportante. O i mipenemo e a amicacina podem s er su geridos como os
fármacos de escolha para o tratamento (Shakil et al., 2009).
62
Tratamento
As taxas de r esistência estão a aum entar e ntre os vários patogéneos de gr am
negativo problemáticos que frequentemente são responsáveis por graves infecções
nosocomiais, i
ncluindo
Acinetobacter
spp,
Pseudomonas
aeruginosa
e
Enterobacteriaceae produtoras de ESBL. A presença de estirpes multirresistentes destes
organismos tem sido associada com o internamento hospitalar prolongado, o aumento de
custos dos cuidados de saúde e o aum ento d a mortalidade especialmente quando a
terapia a ntimicrobiana i nicial nã o act uou so bre o pat ogéneo ca usador d a i nfecção.
Inversamente, co m al tas taxas de t erapias antimicrobianas iniciais apropriadas, as
infecções causadas por patogéneos de gram negativo multirresistentes não influenciam
negativamente os
resultados dos tratamentos dos
pacientes ou os
custos. E stas
observações, demonstram a importância de uma rápida e eficaz abordagem para tratar
as infecções graves nosocomiais, p articularmente quando s e s uspeita d e p atogéneos
multirresistentes. E las também a pontam p ara a
necessidade de um
esforço
multidisciplinar par a co mbater a r esistência, qu e dev e i ncluir o m elhoramento d a
administração a ntimicrobiana, o aumento dos recursos para o co ntrolo d e i nfecção e o
desenvolvimento de novos agentes antimicrobianos com actividade contra os patogéneos
de gr am n egativo m ultirresistentes. O s estudos clínicos põem em evi dência que os
pacientes infectados por est irpes resistentes de pa togéneos de gr am negativo t êm
aumentado a mortalidade, o tempo de internamento hospitalar e os custos hospitalares.
Esta evidência ressalta a necessidade para que os hospitais comecem a reagir de forma
pró-activa para combater as crescentes taxas de resistência. Embora a resistência seja
um factor importante, é necessário reconhecer que outros problemas também contribuem
para r esultados ineficazes e cu stos altos. P rimeiro e m ais importante, é a s elecção d a
terapia antimicrobiana i nicial a ntes d os resultados dos t estes d e s usceptibilidade. O s
pacientes que n ão r ecebem terapia i nicial adequada têm piores resultados clínicos, os
internamentos são mais prolongados e os custos são mais elevados. Em segundo lugar,
os laboratórios cl ínicos esforçam-se para d ar os
testes de se nsibilidade o m ais
rapidamente p ossível. F inalmente, os esforços dos administradores hospitalares para
diminuir os custos podem levar à dispensa de pessoal chave envolvido na supervisão do
controlo d e i nfecção diário. É ne cessária a co operação entre os
administradores hospitalares, os patrocinadores, os
médicos, os
legisladores e as empresas
farmacêuticas para encontrar formas de evitar novos aumentos de resistência aos
antibióticos e limitar os custos associados (Slama, 2008).
63
Os organismos produtores de E SBL t êm fascinado os cientistas e frustrado os
médicos e os microbiologistas há mais de 20 anos. Em muitos casos de ESBLs, a sua
estrutura tem sido deduzida e foi adquirido um grande conhecimento na relação entre a
estrutura e a função destas enzimas. No entanto, do ponto de vista clínico ainda se pode
ver surtos de infecção nos hospitais ou noutras unidades de cuidados de saúde. É
amplamente relatado, que também há importantes problemas em relação aos organismos
produtores de E SBL n a co munidade. E ste é um pr oblema ext remamente i mportante a
partir de uma perspectiva global que ameaça o uso de muitos antibióticos pelos pacientes
da comunidade. Diestra et al., 20 08, f oram reconhecidos pela sua avaliação da
epidemiologia molecular da Klebsiella pneumoniae e da Escherichia coli produtoras de
ESBL em onze hospitais es panhóis. A pesar de n ão d ar um q uadro c ompleto, a
perspectiva é suficientemente am pla par a f ornecer algumas informações interessantes.
As infecções por K. pneumoniae que estão normalmente limitadas a uma única instituição
mas que, dados relatados previamente, sugerem que pode ocorrer a disseminação de K.
pneumoniae produtoras de ESBL a nível inter-hospitalar, inter-regional e até mesmo intercontinental. Num estudo numa única instituição, Harris et al., 2007, tentaram quantificar a
importância da t ransmissão de paciente-a-paciente n a aquisição d e K. pneumoniae
produtora de E SBL. N as unidades de cu idados i ntensivos, dos p acientes q ue ficaram
colonizados com K. pneumoniae produtoras de ESBL, 52% foi por transmissão pacientea-paciente co mprovado por se melhantes PFGE e i nternamento si multâneo h ospitalar.
Este estudo utilizou culturas perianais e os resultados demonstraram a necessidade de
mais estudos para avaliar a utilidade e a relação custo-eficácia da vigilância activa para a
K. pneumoniae produtora de ESBL e a prevenção de contaminação por contacto. Pelo
contrário, D iestra et al., 2 008, encontraram m aior di versidade cl onal de E. coli. E ste
resultado n ão é i nesperado, p orque exi stem es tudos pontuais que d emonstraram que
podem ocorrer surtos hospitalares por E. coli produtoras de ESBL. A razão pela qual a K.
pneumoniae produtora de ESBL origina mais surtos de infecções do que a E. coli não foi
totalmente explorada. Enquanto dezenas de estudos de cientistas se debruçam sobre a
patogénese bacteriana, a atenção da comunidade científica deve ser orientada para as
razões pelas quais algumas estirpes são mais “adaptadas” ao hospital do qu e outras. A
capacidade de di minuir a colonização bacteriana das mãos, das superfícies inanimadas
dentro do am biente hospitalar e d os utensílios médicos será um i mportante p asso na
redução de infecções hospitalares adquiridas. A última informação interessante adquirida
deste estudo foi o tipo de espectro de ESBL. Como já foi observado em todo o mundo, o
tipo CT X-M de E SBLs é claramente predominante. I sto parece s er ve rdade d entro d os
64
hospitais e na comunidade. Alguns tipos de SHV dominantes continuarão a ser
importantes como a SHV-12 enquanto as ESBLs do tipo TEM são quase inexistentes nos
hospitais espanhóis. Um dos impactos dos organismos produtores de E SBL é o seu
efeito no uso de an tibioterapia em pírica. Normalmente, um a resposta individual e
institucional aos produtores de ESBL leva ao a umento do u so de carbapenemos ou das
combinações de bet a-lactâmicos/inibidor de
aconselhável co
mplementar a vi
gilância da
beta-lactamase. F uturamente, se ria
epidemiologia m
olecular
de
Enterobacteriaceae produtoras de E SBL co m a vigilância das K. pneumoniae e d as E.
coli resistentes aos carbapenemos e aos inibidores de beta-lactamase (Paterson, 2008).
Este est udo de C hazan e c olaboradores avaliou 1 546 episódios de bacteremias
durante dois períodos, de 2001 a 2002 e de 2005 a 2006, num hospital comunitário em
Israel. Foram avaliadas três situações e comparadas para cada período: bacteremia da
comunidade (CB), bacteremia hospitalar (HB) e bacteremia de instituições prestadoras de
cuidados de saúde por tempo prolongado (LTCF-B). Como era de esperar, os isolados
das CB foram, em geral, mais susceptíveis aos antimicrobianos do que os das HB. Foi
observado um l igeiro aumento na t axa d e m ortalidade nas H B pr ovavelmente
relacionadas a comorbilidades e a doenças graves de base. O tracto urinário continuou a
ser a pr incipal ca usa d e bacteremia e a E. coli o principal agente patogénico isolado
durante o est udo, e xcepto para as HB n o pr imeiro per íodo em q ue h ouve um l igeiro
predomínio de Staphylococcus aureus (surto esp orádico). N ão foi su rpresa que as
bacteremias primárias e as relacionadas com catéteres foram as fontes de maior
importância n as HB. O s bacilos de gr am n egativo ( ±60%) f oram um a c ausa m ais
frequente de bacteremia d o q ue os cocos de gram p ositivo ( ±29%), ao c ontrário d o
constante a umento d e c ocos de gram positivo no s isolados de b acteremias a nível
mundial. E stas diferenças devem-se pr ovavelmente às características do hospital: s er
periférico, estar or ientado para a c omunidade e a falta da co mplexidade terciária q ue
normalmente são a causa do aumento de organismos de gram positivo. Outra descoberta
interessante foi o aum ento da susceptibilidade para o t rimetoprim-sulfametoxazol (TMPSXZ) ob servado entre os
isolados de Klebsiella spp (HB); no en tanto, devido à
susceptibilidade ao T MP-SXZ da E. coli permanecer em ± 75% ( nas três situações
estudadas) per mite o s eu us o n o t ratamento empírico na su speita de i nfecção p or
microrganismo de gram negativo. Entre as E. coli não produtoras de ESBLs foi observada
uma di minuição si gnificativa n as taxas de su sceptibilidade à c efalotina ( LTCF-B), à
amoxicilina/ácido clavulânico, à piperacilina (CB e HB) e à piperacilina/tazobactamo (HB).
65
O último resultado é preocupante e esperado porque levanta dúvidas acerca da eficácia
da piperacilina/tazobactamo n o t ratamento em pírico das b acteremias nosocomiais por
gram negativos, mesmo nos pacientes sem factores de risco para estirpes produtoras de
ESBLs. Pelo contrário, um resultado positivo foi a diminuição nas taxas de resistência de
Klebsiella spp não produtoras de ESBLs para as cefalosporinas de segunda e de terceira
geração e ao aztreonamo nas CB e HB no segundo período do estudo. As E. coli e as
Klebsiella spp produtoras de ESBLs são ag ora relativamente frequentes em locais de
prestação d e cu idados de sa úde b em co mo na co munidade. H ouve um a r edução n a
prevalência de E. coli e de Klebsiella spp produtoras de E SBLs, r elativamente às
encontradas anteriormente. E stá so b gr ande su pervisão n o hos pital o uso
de
antimicrobianos em g eral e em particular os agentes de l argo es pectro. Um f ormulário
detalhado de antibióticos d e ac ordo c om o s protocolos l ocais faz parte da política d o
controlo d e i nfecção e
foi apl icada s em al terações durante o per íodo d o est udo.
Adicionalmente, o uso d a ce ftazidima é m uito l imitado; est e facto p ode se r um a d as
razões para a baixa observada na taxa de ESBLs. Este estudo forneceu uma descrição
completa e detalhada de todos os episódios de bacteremia que ocorreram na instituição.
Os resultados, co ntudo, devem se r i nterpretados no co ntexto d as diversas limitações.
Primeiro, nã o foram ava liadas as comorbilidades nem a se veridade da d oença na
admissão. A ssim, não po demos explicar o a umento d a m ortalidade n as HB de 2005 a
2006. A segunda limitação foi a falta de dados dos pacientes LTCF-B c omo um grupo
separado quando hospitalizados e a he terogeneidade dessas instituições em termos de
número de camas, tipo de pacientes e políticas de tratamento. Terceiro, o hospital está
localizado na periferia de Israel e a falta de enfermarias de alta complexidade torna os
resultados não representativos da situação do país. De acordo com os dados, concluiu-se
que nesta região as bactérias de gram negativo são as mais isoladas nas hemoculturas.
É preocupante o aumento da resistência às quinolonas, mesmo se no momento não tem
significado estatístico. Se a prevalência de organismos resistentes continua a aumentar
como o pr evisto, o
tratamento em pírico com antibióticos, a f alha t erapêutica e
a
mortalidade a umentam, m esmo nos p acientes admitidos da co munidade. A vi gilância
contínua da e pidemiologia l ocal e d a r esistência a ntimicrobiana é i ndispensável para
infecções tratadas empiricamente bem como a implementação de medidas de controlo da
resistência (Chazan et al., 2009).
Num hospital pediátrico na Coreia do Sul com uma alta prevalência de produção de
ESBL en tre Escherichia coli e Klebsiella pneumoniae foi r ealizado um est udo p ara
66
examinar o impacto da mudança da política de antibióticos na prevalência das ESBLs. O
uso de cefalosporinas de espectro alargado foi restringido e o uso de combinações betalactâmicos/inibidor de beta-lactamase foi encorajado a partir de 2002. Todas as estirpes
de Escherichia coli e de Klebsiella pneumoniae isoladas de líquidos biológicos estéreis de
1999 a 20 05 f oram an alisadas para a detecção de b eta-lactamase e a prevalência d e
produção de ESBL. Foram comparadas em 3 per íodos: pr é-intervenção ( 1999-2001),
período transitório (2002-2003) e pós-intervenção (2004-2005). Num total de 252 estirpes
de Escherichia coli (n= 128) e de Klebsiella pneumoniae (n= 124), a pr evalência de
produtoras de ESBL diminuiu de 39,8% (41/103) para 22,8% (18/79). Esta diminuição da
produção de ESBL foi mais evidente para a Klebsiella pneumoniae (64,1% para 25,6%)
do que para a Escherichia coli (25% para 19,4%). As taxas de mortalidade de doenças
invasivas ca usadas p or Escherichia coli ou po r Klebsiella pneumoniae mantiveram-se
inalteradas. A
substituição d as ce falosporinas d e
espectro al argado p or
a
piperacilina/tazobactamo diminuiu grandemente a prevalência da produção de ESBLs das
Escherichia coli e das Klebsiella pneumoniae neste hospital de cr ianças onde as ESBLs
eram endémicas. O impacto da mudança da política de antibióticos foi mais evidente na
Klebsiella pneumoniae do que na Escherichia coli (Lee et al., 2007).
Nos isolados clínicos de bactérias de gram negativo resistentes às cefalosporinas
obtidos de p acientes de Q ueen S irikit N ational I nstitute of C hild H ealth ( QSNICH),
Banguecoque, Tailândia, de 2006 a 2007, foram avaliados os perfis de susceptibilidade
aos antimicrobianos para determinar in vitro a a ctividade de v ários agentes incluindo o
ertapenemo, o i mipenemo, o m eropenemo, a fosfomicina, a n etilmicina, a c olistina e a
piperacilina/tazobactamo. Aqueles que eram resistentes a todas as cefalosporinas foram
avaliados por t estes de susceptibilidade em disco e por E-test. Foram testadas as 55
estirpes de E. coli e de Klebsiella pneumoniae produtoras de ESBL. Os resultados
mostraram uma ex celente ac tividade in vitro dos fármacos estudados contra Klebsiella
pneumoniae produtoras de ESBL com uma percentagem de susceptibilidade de 100 para
o er tapenemo, d e 1 00 p ara o i mipenemo, de 1 00 p ara o m eropenemo, d e 8 9,8 p ara a
fosfomicina e de 9 2,7 para a co listina. A pi peracilina/tazobactamo i nibiu 6 8,2% de
isolados de K. pneumoniae. Todos os fármacos, excepto a netilmicina, tiveram uma boa
actividade co ntra E. coli produtoras de E SBL co m 10 0% d e se nsibilidade p ara os
carbapenemos, a fosfomicina, a co listina e 95,8% par a a pi peracilina/tazobactamo. O s
carbapenemos, a f osfomicina e a co listina exibiram um a ex celente act ividade in vitro
contra as
E.
coli
ea s
Klebsiella
pneumoniae
produtoras
de
ESBL. A
67
piperacilina/tazobactamo exibiu uma boa actividade in vitro contra as E. coli produtoras
de ESBL, mas não para as Klebsiella pneumoniae produtoras de ESBL (Punpanich et al.,
2008).
As estirpes de bacilos de gram negativo produtoras de ESBLs são, frequentemente,
a principal causa de septicemia com evolução clínica e t erapêutica complicadas. Este
estudo f oi realizado na Índia par a investigar a prevalência das ESBLs nas bactérias
isoladas de septicemias neonatais e o padrão de sensibilidade aos antimicrobianos.
Foram co lhidas 243 amostras de s angue de paci entes que se su speitava t erem
septicemia. Além dos testes de susceptibilidade aos antimicrobianos todos os isolados de
gram negativo foram submetidos a testes fenotípicos de produção de ESBLs e entre 115
amostras positivas, 84 eram de bacilos de gram negativo e foram detectadas ESBLs em
26 ( 32%). D os isolados de gram n egativo n enhum er a r esistente ao imipenemo ou à
piperacilina/tazobactamo, e m ais de 80% eram susceptíveis à cefoperazona/sulbactamo
e à ne tilmicina independentemente da pr esença de ESBLs ser positiva ou negativa. Foi
observado anteriormente que a taxa de prevalência das ESBLs varia com a l ocalização
geográfica dentro do mesmo país. A produção de ESBL nos casos de septicemia neste
hospital (hospital de r eferência terciário) foi mais alta do q ue num estudo feito no sul da
Índia (13,5%) mas foi muito mais baixo do que um estudo feito em Lucknow, no centro da
Índia ( 86,6%). C omo m enos de 39% do s isolados produtores de E SBLs foram
susceptíveis à gentamicina, o uso empírico de amicacina nestes casos é preferível.
Também foi o bservado q ue um n úmero c onsiderável d e pr odutores de E SBL era
“sensível” a uma ou mais cefalosporinas quando testadas in vitro. Este estudo demonstra
que a d etecção d e E SBLs deve se r feita por r otina e que o uso de c efalosporinas de
terceira geração deve ser desencorajado (Bhattacharjee et al., 2008).
Os relatórios médicos de r ecém-nascidos admitidos de J aneiro de 2 002 a
Dezembro de 2003 no hospital Chris Hani Baragwanath na África do Sul que tiveram
culturas positivas de sa ngue e/ ou l íquido ce falorraquidiano ( CSF), p or Klebsiella spp
produtora de E SBL ( Klebs-ESBL), foram r evistos por ca usa da cl ínica, da gestão e d a
informação sobre o êxito do tratamento, para determinar os factores associados com a
mortalidade e avaliar se o uso empírico selectivo do meropenemo está associado com a
alta m ortalidade. C erca de um a c entena de pacientes teve hemocultura positiva (n=97)
e/ou C SF p ositiva ( n= 9) p or K lebs-ESBL. A t axa de mortalidade f oi de 30% e ent re
aqueles que começaram empiricamente com a pi peracilina/tazobactamo e a am icacina
(n=48), com o m eropenemo (n=40) e aq ueles que não começaram com o meropenemo
68
ou com a pi peracilina/tazobactamo e a
amicacina foi de 25%, 32% e
42%
respectivamente. Os não sobreviventes eram os mais jovens e tinham problemas cardiorespiratórios ou necessitaram de ventilação inicial assistida, e não lhes administraram os
antibióticos como o meropenemo ou a piperacilina/tazobactamo e a amicacina. Enquanto
o us o empírico d os carbapenemos nas se psis nosocomiais p ode se r apropriado n as
áreas onde as Klebs-ESBL são prevalentes, a sua utilização pode ser restrita a pacientes
com compromisso cardio-respiratório ou sepsis severa sem um aumento da mortalidade
(Velaphi et al., 2009).
Um est udo n a r egião norte da c osta ocidental por tuguesa ( Minho) teve c omo
finalidade d eterminar o p erfil m olecular e a s usceptibilidade aos antimicrobianos de
estirpes produtoras de ESBLs. Durante um período de 2 anos, nas bactérias isoladas de
pacientes hospitalizados e não ho spitalizados foram de terminadas as concentrações
mínimas inibitórias (MICs) por m étodos de m icrodiluição de ac ordo c om o C LSI. A lém
disso, a identificação f enotípica das ESBLs foi co nfirmada por E-test. Foram ut ilizados
vários métodos de i dentificação m olecular dos
genes de beta-lactamase (bla),
envolvendo P CR e es tratégias de se quenciação. As estirpes produtoras de E SBLs
(n= 193) foram isoladas de urina (n= 127), de expectoração (n = 42), de lavado
broncoalveolar (n= 14), de sangue (n= 7) e de líquido ascítico (n= 3). Os isolados
produtores de E SBL mais frequentes f oram de E. coli (67,9%; n= 131) se guida p or
Klebsiella pneumoniae (30,6%; n= 59) e de 0, 5%; n= 1 par a a Klebsiella oxytoca, o
Enterobacter aerogenes e o Citrobacter freundii. As ESBLs detectadas foram do tipo TEM
(40,4%), CTX-M (36,8%) e SHV (22,8%). As TEM-52 e TEM-24 foram as mais frequentes
(20,2% e 12,9%, respectivamente) mas também foram detectadas as TEM-10 (4,1%) e
TEM-116 (2,1%). Dentro da família CTX-M, o grupo CTX-M-9 estava representado pelo
CTX-M-9 ( 13,5%) e C TX-M-14 ( 8,4%). No grupo C TX-M-1, o t ipo C TX-M-15 foi o m ais
frequente (12,4%), seguido de CTX-M-1 (2,1%), CTX-M-3 (0,5%) e CTX-M-32 (0,5%).
Quanto aos tipos CTX-M, parece que a CTX-M-14 está muito difundida no noroeste da
Península Ibérica. A Klebsiella pneumoniae tem uma enzima CTX-M-15 que foi descrita
pela primeira vez em Portugal na área de Lisboa em 2005, mas esta enzima CTX-M-15
também foi recentemente encontrada no norte de Portugal, noutro membro de
Enterobacteriaceae, i solada d e i nfecções da c orrente sa nguínea d e se te p acientes em
dois hospitais diferentes. Esta foi a primeira vez que C. freundii foi descrito como produtor
de C TX-M-32 em P ortugal. D as enzimas SHV a m ais frequente foi a SHV-12 ( 12,4%),
seguida por SHV-5 (8,8%) e SHV-2 (2,1%). Alguns isolados produziram mais de um tipo
69
de ESBL: TEM-52/CTX-M-14 (0,5%); TEM-116/CTX-M-14 (0,5%) e TEM - 116/CTX-M-15
(0,5%). A s MICs m ostraram qu e os isolados produtores de E SBLs foram na m aioria
susceptíveis aos carbapenemos (100%) e à
am icacina ( 99,5%), pel o co ntrário,
apresentaram t axas baixas de s usceptibilidade ao ce fepime e às quinolonas. De f acto,
98,9% das estirpes produtoras de ESBLs foram resistentes ao cefepime e 85,4% eram
resistentes à quinolonas (ciprofloxacina e n orfloxacina). No geral, a alta r esistência às
quinolonas foi mais evidente nos membros da família CTX-M (98,1%) do que nos tipos
TEM ou SHV (80,8% e 72,1%, respectivamente). A literatura recente refere que o inóculo
afecta o comportamento do c efepime, no e ntanto nã o deve ser apontada como única
explicação uma ve z que a d eterminação d a M IC é r ealizada co m c oncentrações de
inóculo “standard” de 0,5 de McFarland. Neste estudo, apenas duas K. pneumoniae com
SHV-2 er am su sceptíveis ao ce fepime. I sto parece i nteressante por que um es tudo
recente mostrou que o cefepime foi administrado com sucesso a t rês pacientes (dois do
sexo feminino e um masculino) com idade entre 47 anos e 87 anos tendo uma estirpe de
gram negativo produtora de ESBL. Contudo, outros estudos em todo o mundo descrevem
a alta resistência ao cefepime entre os gram negativos produtores de ESBL. O trabalho
mostrou uma grande diversidade de enzimas ESBL que ocorrem no norte de Portugal e o
tipo m ais prevalente ai nda é o T EM, m as o C TX-M est á em r ápido cr escimento. O
surgimento de produtores de ESBL resistentes ao cefepime em Portugal é um motivo de
preocupação. O descontrolado us o d e ce falosporinas pode t er um papel i mportante na
aquisição de m ecanismos de r esistência, p articularmente na produção d e E SBL. O
estabelecimento de políticas para monitorizar a utilização de antimicrobianos nos
hospitais e farmácias comunitárias, bem como a implementação de estratégias de defesa
da sa úde p ública e prevenção d e r esistência aos antimicrobianos parece se r ur gente
(Fernandes et al., 2009a)).
Durante a última década, bactérias produtoras de ESBL adquiridas na comunidade
e em par ticular a Escherichia coli produtora de ESBL d o t ipo C TX-M di sseminaram-se
mundialmente. Este or ganismo é m ais frequentemente i solado d o t racto urinário m as
também t em si do i solado d e h emoculturas. Os tratamentos com ce falosporinas e
fluoroquinolonas são os m aiores factores d e r isco para o a parecimento d e estirpes
produtoras de E SBLs. A dicionalmente, a r esistência associada a ou tras classes de
agentes antimicrobianos é f requentemente o bservada nos produtores de
CTX-M,
limitando as opções terapêuticas. Os carbapenemos devem ser escolhidos para tratar as
infecções sistémicas graves causadas por ba ctérias produtoras de E SBL, m as a
70
prevenção da disseminação e a a dequada gestão destas infecções continua a ser difícil
(Zahar et al., 2009).
A disseminação de ESBL nas enterobactérias nosocomiais e adquiridas na
comunidade é um gr ande desafio para os m édicos devido ao facto de as o pções
terapêuticas para estes organismos estarem limitadas. O surgimento de Escherichia coli
produtora de ESBL na comunidade, associada com a disseminação da E SBL CTX-M, é
uma das mais significativas mudanças epidemiológicas nas doenças infecciosas nos
últimos anos. A epidemiologia destas infecções é complexa e combina a exp ansão de
elementos genéticos móveis com a disseminação cl onal. U ma t erapêutica em pírica
inadequada para infecções severas causadas por est es organismos está associada a o
aumento da m ortalidade. O s carbapenemos são as drogas escolhidas para i nfecções
graves causadas por organismos produtores de ESBL mas o seu uso em excesso causa
preocupação (Rodriguez-Baño and Pascoal, 2008).
Estudos de epidemiologia molecular sugeriram que o súbito aumento mundial de E.
coli produtoras de CTX-M-15 é pr incipalmente d evido a um ú nico clone ( ST131) e q ue
viajar para áreas de alto risco, tais como a Índia, po de des empenhar um pa pel na
disseminação deste clone em diferentes continentes. Um tratamento empírico com
antibióticos para estes organismos resistentes deve se r c onsiderado para os pacientes
com sepsis na comunidade envolvendo o tracto urinário, especialmente se o paciente
viajou r ecentemente para ár eas de al to r isco. Se esta am eaça d e s aúde pública for
ignorada, é p ossível qu e num futuro pr óximo os médicos sejam forçados a us ar na
comunidade os carbapenemos como pr imeira e scolha par a o t ratamento em pírico de
infecções se veras associadas a i nfecções do t racto ur inário originárias da c omunidade
(Peirano and Pitout, 2010).
O er tapenemo es tá i ndicado p ara o t ratamento de i nfecções complicadas intraabdominais, da pel e e do t racto urinário, bem como d a pn eumonia adquirida na
comunidade, para a qual existem antibióticos mais baratos e de espectro mais estreito. É
activo co ntra b actérias de gram negativo pr odutoras de E SBL, m as ai nda não e xistem
relatórios da s ua e ficácia cl ínica. Avaliou-se o
uso do er tapenemo em i nfecções
bacterianas durante 1 3 m eses e a t axa d e r esposta cl ínica foi de 9 2%. Assim, o
ertapenemo tem um p apel n o t ratamento d e pr imeira l inha n estas infecções. O
ertapenemo é um carbapenemo com actividade antibacteriana de largo espectro mas não
é act ivo co ntra Enterococcus spp, Staphylococcus aureus metacilina r esistentes,
71
Acinetobacter baumannii e Pseudomonas aeruginosa. Houve uma excelente eficácia do
ertapenemo n o tratamento d as bacteremias por gr am n egativo pr odutores de E SBLs,
comparado com o imipenemo ou o meropenemo. Noutro estudo retrospectivo 20% dos
pacientes com bacteremia p or K. pneumoniae não r esponderam a o i mipenemo. N o
entanto, d ada a p ossibilidade de r esistência ao er tapenemo, es pecialmente n a K.
pneumoniae, a s ua actividade in vitro deve se r co mprovada por t estes de l aboratório
antes do u so cl ínico. A lém di sso, co mo o e rtapenemo nã o é act ivo co ntra a
P.
aeruginosa, um patogénico nosocomial virulento, a sua utilização na terapia empírica das
infecções hospitalares deve ser desencorajada. Este estudo retrospectivo não conseguiu
provar qu e o ertapenemo pr edispôs à infecção bacteriana se cundária ou colonização
porque 11 dos 14 casos foram tratados com antibióticos de espectro mais estreito antes
do us o do ertapenemo. A lém di sso, se is casos recidivaram ap ós o t ratamento de
infecções urinárias mas havia, além da antibioterapia, outro factor adicional em metade
dos casos que era a presença de cateter urinário. A substituição do imipenemo ou
meropenemo pelo ertapenemo, sem comprometer o tratamento do paciente em infecções
bacterianas comprovadas, é uma vantagem devido à redução de custos, em virtude de o
ertapenemo s er m uito m ais barato. E ste estudo r etrospectivo n ão permitiu c omparar o
ertapenemo co m o i mipenemo ou m eropenemo por que o ertapenemo f oi usado par a
substituir o imipenemo ou meropenemo após o resultado do antibiograma. Além disso, o
número de pacientes com bac teriemia p or gram negativo pr odutores de E SBL er a
pequeno (33%) enquanto 41% tinham UTIs. Um grande estudo envolvendo mais casos
de bacteremia e pacientes com doenças de grande severidade vai ajudar a esclarecer a
eficácia cl ínica d a er tapenemo. Este é o primeiro r elatório so bre a eficácia cl ínica do
ertapenemo p or i nfecções de b actérias de gr am n egativo produtoras de E SBL. O
ertapenemo t em um papel c omprovadamente útil no tratamento d e pr imeira l inha de
infecções por bactérias de gram negativo produtoras de ESBL (Teng et al., 2007).
Foram i niciados estudos retrospectivos de p acientes co m b acteriemia por bacilos
de gr am ne gativo pr odutores de E SBLs, tratados com er tapenemo. Q uarenta e s ete
pacientes com b acteriemia p or gr am n egativos resistentes a m ultidrogas (79%
produziram ESBL das quais 53% eram Klebsiella pneumoniae e 26% eram Escherichia
coli) foram tratados com ertapenemo por um período médio de 11 dias em que a idade
média dos pacientes era de 70 anos; o choque séptico ocorreu em 19% e a ventilação
mecânica foi necessária em 17%. A infecção urinária representou 61% e a hepatobiliar
15%. A resposta clínica favorável ocorreu em 96% e a mortalidade foi de 4%. A terapia
72
com ertapenemo é promissora na bacteremia por gram negativos produtores de ESBLs e
com o uso crescente de carbapenemos no hospital de Singapura, a bacteremia por E. coli
foi de 22% e por K. pneumoniae 12%. O imipenemo e o meropenemo são o tratamento
de escolha para bacteriemias por gram negativo produtores de ESBLs. Este estudo põe
em evi dência que o er tapenemo foi e ficaz em 47 e pisódios de b acteremia p or gr am
negativo resistentes a multidrogas. O ertapenemo f oi o único antibiótico eficaz em 38%
dos casos e pode ser preferível ao i mipenemo ou ao meropenemo por ser mais barato,
ter viabilidade no am bulatório em an tibioterapia parenteral e o be nefício de di minuir a
resistência aos carbapenemos do A. baumannii e da P. aeruginosa (Lye et al., 2008).
A tigeciclina é um antimicrobiano de largo espectro e é a primeira glicilciclina a ser
comercializada no Reino Unido. É activa contra algumas bactérias resistentes, incluindo
Staphylococus aureus meticilina resistente (MRSA) e bactérias que produzem ESBLs. A
tigeciclina f oi licenciada par a tratamentos intravenosos nos adultos com infecções do
tecido mole e pele e infecções intra-abdominais complicadas, sendo um complemento útil
para os agentes antibacterianos disponíveis para tratar tais infecções. A tigeciclina é um
derivado da tetraciclina estruturalmente relacionada com a minociclina. O grupo das
tetraciclinas, i nibe a sí ntese proteica b acteriana ao ní vel d o r ibossoma b acteriano. E m
estudos experimentais, em comparação com a minociclina ou a tetraciclina, a tigeciclina
ligou-se c om m aior a finidade à s subunidades ribossomais 30S e 70S o q ue i nibiu a
síntese proteica mais eficientemente. A tigeciclina é um antibacteriano de largo espectro
com actividade bacteriostática contra muitos patogéneos clinicamente relevantes. Este
fármaco n ão é v ulnerável a d ois mecanismos de r esistência que l imitam o es pectro de
actividade das tetraciclinas, ou seja, as proteínas de protecção ribossomais Tet (M) e as
bombas de e fluxo activas T et ( A) - (E) ( bombas q ue sã o difundidas em
Enterobacteriaceae) ou T et ( K) ( bombas de e stafilococos). A t igeciclina é m ais activa
contra cocos de gram positivo do que contra bacilos de gram negativo. As espécies de
gram positivo susceptíveis incluem o S. aureus, MRSA, o S. agalactiae, o S. pyogenes, o
S. pneumoniae penicilina-resistente e os enterococos vancomicina resistentes. P ara a s
bactérias de gr am negativo, a si tuação é co mplicada, t anto pela m aior va riabilidade n a
susceptibilidade das bactérias, como pelas diferentes concentrações mínimas inibitórias
usadas para d efinir e sta s usceptibilidade, n a E uropa e nos EUA. Os organismos
susceptíveis i ncluem a E. coli, a Klebsiella oxytoca e a K. pneumoniae mas agentes
patogénicos, t ais como o Proteus spp, a Morganella spp e a Providencia spp, sã o
geralmente
menos
susceptíveis
à
tigeciclina
do
que
outros
membros
das
73
Enterobacteriaceae. A resistência adquirida tem sido detectada em poucos organismos,
incluindo a K. pneumoniae, o Enterobacter aerogenes e o Enterobacter cloacae. A
tigeciclina também é activa contra os Bacteroides fragilis e os organismos de gram
negativo produtores de ESBLs. A Pseudomonas aeruginosa é inerentemente resistente à
tigeciclina. Após a administração intravenosa, a tigeciclina liga-se às proteínas (71-89%)
e é bem distribuída na maioria dos tecidos; fica concentrada na bílis, na vesícula biliar, no
cólon e nos pulmões. A t ítulo de c omparação, as concentrações séricas são b aixas
(cerca de 0,6 a 0,7 mg / L), o que pode limitar o uso da droga na suspeita ou presença de
bacteriemia. A pe netração d a t igeciclina n o l íquido ce falorraquidiano é pobre, p elo q ue
esta droga está contra-indicada no tratamento da meningite. Menos de 20% da droga é
metabolizada antes da excreção, que é principalmente na bílis. Os efeitos indesejáveis da
tigeciclina, mais frequentemente relatados em ensaios publicados, foram gastrointestinais
(náuseas, vómitos, diarreia), ocorrendo em cerca de 20% dos pacientes. Entretanto, as
taxas de abandono devido a efeitos indesejados foram semelhantes para a tigeciclina e
as terapias comparáveis ( 4,9% vs 4 ,2%). T al c omo acontece com as tetraciclinas, a
tigeciclina p ode i nterferir co m o des envolvimento ósse o o u de ntário, e assim dev e se r
evitada, s e possível, em cr ianças e n as mulheres grávidas. A t igeciclina t ambém po de
compartilhar outros efeitos indesejáveis co muns às tetraciclinas. A ex periência su gere
que a droga é tão e ficaz como a associação da vancomicina com o aztreonamo, em
doentes com i nfecções complicadas da p ele e t ecidos moles, e c omo a a ssociação d o
imipenemo com a cilastatina, nos pacientes com infecções intra-abdominais complicadas
(BMJ Group, 2008).
A ac tividade in vitro da tigeciclina foi avaliada em isolados de patogéneos de
pacientes com pneumonia adquirida na comunidade, em 29 países. Neste estudo 2
isolados de K. pneumoniae produtores de E SBL foram su sceptíveis à t igeciclina. A
excelente actividade in vitro da tigeciclina contra estes isolados clínicos confirma a sua
grande utilidade contra patogéneos associados a pneumonias adquiridas na comunidade
(Bradford et al., 2008).
As enterobactérias que produzem mais de uma ESBL são pouco frequentes, mas já
começaram a se r m ais descritas. Estes isolados são geralmente r esistentes às
fluoroquinolonas e são frequentemente resistentes a outros antibióticos como o
trimetoprim / s ulfametoxazol ( cotrimoxazol) e aos aminoglicosídeos. F oi e studada a
actividade in vitro da tigeciclina, usando o método de E-test, em 2 8 i solados de
enterobactérias epidemiologicamente não-relacionadas determinado por PFGE (18 de E.
74
coli, 9 de Klebsiella pneumoniae e 1 de Klebsiella oxytoca) que produziram duas ou mais
ESBLs. As ESBLs foram inicialmente detectadas de acordo com os critérios fenotípicos
recomendados pelo CLSI e foram caracterizadas por focagem isoeléctrica, PCR e
sequenciação. As actividades do imipenemo, da ciprofloxacina, da gentamicina e do
cotrimoxazol também foram testadas pelo método de diluição em agar de acordo com as
orientações do CLSI. A maioria dos isolados foi obtida a partir de amostras de urina (18
isolados; 6 4,3%), d e i nfecções do t racto r espiratório ( 5 i solados; 17,9%), d e feridas (3
isolados; 10,7%) e de sangue (2 isolados; 7,1%). As combinações de ESBL estudadas
foram as seguintes: CTX-M-14 + TEM-116, 8 de E. coli e 1 de K. pneumoniae; SHV-12 +
TEM-116, 3 de E. coli; CTX-M-15 + TEM-116, 2 de E. coli; CTX-M-14 + SHV-12, 1 de E.
coli; CTX-M-9 + TE M-116, 1 de E. coli; S HV-2 + T EM-4, 1 de K. pneumoniae; S HV-5 +
TEM-116, 1 de K. pneumoniae; CTX-M-13 + SHV-12, 1 de K. oxytoca; CTX-M-14 + TEM116 + SHV-2, 4 de K. pneumoniae; CTX-M-14 + TEM-116 + SHV-12, 1 de E. coli e 1 de
K. pneumoniae; CTX-M-9 + TEM-116 + SHV-5, 1 de E. coli e 1 de K. pneumoniae e CTXM -15 + TEM-116 + SHV-12, 1 de E. coli. Os resultados da susceptibilidade de acordo
com os
critérios da F ood a nd D rug A dministration ( FDA) ( susceptível,
≤ 2µg/mL;
intermediário, 2 -8µg/mL; r esistente,≥ 8µg/mL), e com os critérios do European
Committee o n Antimicrobial Susceptibility Testing ( EUCAST) ( susceptível,
≤ 1µg/mL;
intermediário, 1-2µg/mL; resistentes,> 2µg/mL). A actividade da tigeciclina contra E. coli
foi a seguinte: concentração mínima inibitória para 50% dos isolados (MIC50), 0,25 mg/L;
MIC para 90% dos isolados (MIC90), 1 mg /L; intervalo da MIC 0,25-2 mg/L; e taxa de
susceptibilidade, 94,4% (EUCAST) /100% (FDA). A sua actividade contra K. pneumoniae
foi a seguinte: MIC50, 1 mg/L; MIC90, 4 mg/L; intervalo da MIC 0,5 - 4mg/L; e taxa de
susceptibilidade, 55,6% (EUCAST) /66,7% (FDA). A MIC da tigeciclina para o isolado da
K. oxytoca foi de 0,5 mg / L. Estes resultados são semelhantes aos publicados por outros
autores sobre a E. coli e a Klebsiella spp produtoras de CTX-M ou outras ESBLs. Não
houve diferenças nas MICs da tigeciclina entre os isolados produtores de duas ou três
ESBLs. A resistência aos aminoglicosídeos manteve-se em cerca d e 1 0%, m as quase
20% d os isolados foram r esistentes à amoxicilina/ácido cl avulânico. A r esistência ao
cotrimoxazol foi de 39,9% e à ciprofloxacina foi superior a 60%. Estudos anteriores sobre
a act ividade da t igeciclina co ntra as e nterobactérias produtoras de E SBLs mostraram
resultados de su sceptibilidade se melhantes à tigeciclina ( 97,5%), à am oxicilina/ácido
clavulânico ( 81%) e
ao i mipenemo ( 100%), m as a t axa d e su sceptibilidade à
ciprofloxacina f oi m uito m aior ( 64,9% vs 36,9% nest e est udo). A ssim, a t igeciclina
mantém bo a a ctividade co ntra enterobactérias com m ais de um a ESBL. Segundo os
75
critérios da FDA, não teriam encontrado nenhum isolado resistente. Segundo os critérios
da EU CAST, a E. coli iria m ostrar uma pr oporção m uito b aixa de i solados r esistentes,
mas cerca de 50% de K. pneumoniae seriam resistentes. A tigeciclina pode ser uma boa
alternativa co ntra a s infecções em que as enterobactérias podem estar env olvidas, em
áreas com alta prevalência de isolados produtores de ESBLs, tendo em conta a elevada
proporção de co
-resistência a o
utros
antibióticos
habitualmente us ados, as
fluoroquinolonas e os aminoglicosídeos. N o e ntanto, d eve-se t er em co nta q ue a s
infecções em que as bactérias produtoras de ESBL estão envolvidas são infecções
principalmente do tracto urinário bem como os isolados com mais de uma ESBL (quase
65% n este estudo), uma v ez q ue a excr eção da t igeciclina é pr incipalmente biliar, c om
baixas concentrações urinárias. Além disso, embora a E. coli apresente uma taxa muito
elevada de susceptibilidade, as estirpes de K. pneumoniae ou de Enterobacter spp
mostram uma maior proporção de isolados resistentes (Vázquez et al., 2008).
Kelesidis e colaboradores procuraram rever a eficácia de actividade microbiológica
e clínica da tigeciclina para Enterobacteriaceae resistentes a m ultidrogas ( MDR),
incluindo a quelas resistentes aos b eta-lactâmicos devido à m anifestação de b etalactamases de esp ectro al argado (ESBLs), enzi mas AmpC e carbapenemases. Foram
identificados 2 6 es tudos m icrobiológicos e 1 0 estudos cl ínicos. O grau d e a ctividade
microbiológica da tigeciclina contra 576 isolados de Enterobacter spp MDR foi moderado.
Em estudos clínicos, 69,7% de 33 pacientes tratados com tigeciclina houve eficácia
contra a i nfecção ca usada p or Enterobacteriaceae resistentes a o c arbapenemo o u
produtoras de ESBL ou MDR. A tigeciclina é activa microbiologicamente contra a maioria
dos isolados de E. coli produtoras de E SBL ou M DR e par a a gr ande m aioria de
Klebsiella spp produtoras de ESBL ou MDR. A síntese dos dados de estudos relevantes
mostrou que a tigeciclina tem actividade in vitro, de acordo com a F DA, contra mais de
90% d e i solados de E. coli ou de Klebsiella spp caracterizados co mo M DR ou p ela
produção d e ESBLs, por b eta-lactamases AmpC ou p or di minuição d a su sceptibilidade
aos carbapenemos. No caso dos isolados de Klebsiella spp, as taxas de susceptibilidade
foram mais baixas segundo as orientações da EUCAST. Os relatórios clínicos disponíveis
sobre a ut ilização da tigeciclina para o tratamento de infecções causadas por
Enterobacteriaceae resistentes referem-se a um número limitado de pacientes. Uma vez
que a t igeciclina pode se r um d os poucos agentes activos microbiologicamente c ontra
Enterobacteriaceae MDR, são necessários estudos sobre a eficácia clínica da tigeciclina
76
nas infecções causadas por estes patogéneos, em especial nas bacteremias e infecções
complicadas do tracto urinário (Kelesidis et al., 2008).
77
Conclusão
A disseminação comunitária de Enterobacteriaceae produtoras de beta-lactamases
de espectro alargado, é uma realidade que tem vindo a ser descrita a nível internacional
e na cional, co ndicionando a t erapêutica d as infecções da c omunidade, fazendo-a
aproximar da realidade anteriormente típica do ambiente hospitalar.
A colonização f ecal de
populações pertencentes a ni chos particulares da
comunidade, particularmente a população idosa, cria novos desafios, em termos de
controlo d e i nfecção em i nstituições de cu idados a i dosos, bem co mo poderá di tar a
necessidade de r astreio pré-admissão hospitalar aquando de agudizações de patologias
crónicas típicas desta faixa et ária da p opulação. A s situações de al tas precoces,
características da act ual organização d a pr estação d e c uidados de sa úde, co m
recuperação posterior em unidades de cuidados continuados, terão o consequente
impacto de p ortadores fecais de Enterobacteriaceae produtoras de be ta-lactamases de
espectro al argado, na ec ologia b acteriana de stas unidades e na di sseminação à
comunidade em geral.
Esta realidade dev erá se r tida em conta na or ganização ger al da pr estação de
cuidados de saúde, nomeadamente na prevenção de instalação e controlo de surtos de
infecções nosocomiais por bactérias multirresistentes aos antibióticos, bem como na sua
posterior disseminação comunitária.
Esta é já considerada uma nova ameaça em termos de Saúde Pública, nos nossos
dias.
78
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