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FALA SÉRIO, PROFESSOR! : estratégias linguísticas e discursivas

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FALA SÉRIO, PROFESSOR! : estratégias linguísticas e discursivas
FALA SÉRIO, PROFESSOR! :
estratégias linguísticas e discursivas ditadas pelo mercado editorial
Ana Paula Nunes STEFANI
Fernando Rogério PESARINI
Lucas Lemos VICTOR
Murillo Nunes STEFANI
Orientadora: Profa. Dra. Sheila Fernandes Pimenta e OLIVEIRA
Resumo: O objetivo da investigação é identificar o público-alvo do best-seller Fala sério,
Professor, para verificar as características linguísticas e discursivas que atraem os jovens.
Para tanto, realizamos uma pesquisa bibliográfica sobre leitura, especialmente as leituras de
best sellers que vem ganhando, ao longo dos anos, também os jovens leitores. Ainda, por
meio de pesquisa bibliográfica, teorizamos sobre estratégias linguísticas e discursivas que
envolvem os adolescentes, neste tempo e espaço. Discutimos e caracterizamos a literatura
infanto-juvenil contemporânea, que se adequa às modernidade e às transformações
científicas, culturais e tecnológicas. Desse modo, serão feitas reflexões sobre gêneros
discursivos, na perspectiva de Bakhtin, caracterizados como primários e secundários e
constituídos a partir da temática, do estilo e da estrutura composicional. Abordamos
apontamentos sobre a constituição das gerações pós-modernas, designadas como X, Y e Z.
Em seguida, apresentamos e analisamos a coluna dos livros mais vendidos, da revista Veja,
referentes aos quatros exemplares do mês de setembro do ano de 2012, para demonstrar a
vendagem significativa dos best-sellers. Dessa forma, observamos que a mídia é também
responsável pela divulgação de títulos popularescos. Ao final, é realizada uma análise do
livro “Fala sério, Professor” de Thalita Rebouças, que possui linguagem simples e
acessível aos jovens. Escolhemos este livro, por se tratar de um título renomado na
atualidade e classificado como um best-seller. A autora já vendeu mais de um milhão de
exemplares, em doze títulos, e representa a literatura juvenil contemporânea. Os seus livros
demonstram o que os jovens-leitores gostam de ler, apresentando eventos cotidianos e reais
com os quais se identificam. Rebouças, com seu jeito acessível e extrovertido, é conhecida
hoje como “a escritora mais animada do Brasil”.
Palavras-chave: estratégias linguísticas; mercado editorial; best-sellers; adolescentes;
leitura.
Abstract: The goal of the research is to identify the target audience of the bestseller “Fala
sério, Professsor”, to check the linguistic and discursive features that attract young readers.
Thus, we performed a literature search on reading, transformations and market space that
read "mass" has gained over the years, leading them to consume a certain kind of reading
especially in the matter of best sellers, thus through these studies on current data to address
the means used to reach and engage the target audience of this book market, identifying the
contemporary children's literature, which has been adapting to modernity and
transformations. Thus will be made reflections on genres ranked by Bakhtin as primary and
secondary genres, regarding the topic, state and compositional structure of language
philosophy of Bakhtinian perspective, genres and aspects of the utterances and their
specificities sustain the subsequent analysis linguistic and discourse, than about written
statements about the case bestsellers. Then we present and analyze the spine of the
bestselling books, the magazine "Look", referring to four copies of September of the year
2012, to demonstrate the effect of creating desires and intentions generate consumer that
the media plays in young people. At the end, is an analysis of the book “Fala sério,
Professsor”, of Thalita Rebouças that has simple language and accessible to young people.
We chose this book because it is a title renowned nowadays and ranked as a bestseller
author has sold over 1 million copies in its twelve books and is very contemporary
literature. His books show perfectly that young-readers like to read, presenting everyday
events and real that young people tend to identify themselves, Thalita and affordable way
with his extrovert is known today as "the liveliest writer of Brazil."
Keywords: language strategies; publishing market; bestsellers; adolescents; reading.
Introdução
Hoje em dia, muitos jovens perderam o hábito pela leitura. Sendo assim, o
mercado editorial e os escritores buscam cada vez mais um modo de reaproximar o
adolescente dos livros.
Desse modo, escolhemos a autora de livros infanto-juvenil Thalita Rebouças
que é um sucesso entre os jovens, e analisamos um de seus livros o Fala Sério, Professor!
Observamos a necessidade de identificar as principais características de seu
livro e o porquê do sucesso entre os jovens atualmente. Buscamos respostas em relação aos
principais aspectos do livro, como a linguagem, o discurso. Assim, o objetivo desta
pesquisa é identificar o público-alvo do best-seller Fala Sério, Professor, e o porque do
seu interesse pelo livro, tendo em vista os aspectos discursivos e linguísticos.
A partir destes aspectos, tratamos da relevância da leitura, tendo em vista que
seus hábitos sofreram mudanças no decorrer dos anos. Para tanto, os recursos
metodológicos para a realização desta pesquisa configuram-se em referências
bibliográficas, em reflexões sobre gêneros do discurso do Circulo de Mikhail Bakhtin e
seus comentadores, como José Luis Fiorin e Beth Brait. Com relação aos aspectos da
leitura, utilizamos os autores, Regina Zilberman, Angela Kleiman e Arnaldo Cortina. Nos
aspectos de mercado editorial, utilizamos sites especializados e a revista Veja como
referência para uma análise de mercado.
O trabalho está dividido em quatro partes.
Primeiramente, trabalhamos com os aspectos da leitura, tendo em vista como se
constitui a leitura e as transformações de mercado editorial.
Em um segundo momento, discutimos sobre os gêneros do discurso, baseados
nas concepções do Círculo de Mikhail Bakhtin e de seus comentadores, enfatizando as
características dos best-sellers.
Referenciando os gêneros do discurso, discutimos as gerações X, Y e Z,
principalmente a Y, na qual estão inseridos os sujeitos leitores postulados da pesquisa.
Após as reflexões de Bakhtin, analisamos a revista Veja em sua lista de livros
mais vendidos do mês de setembro de 2012, para demonstrar como a mídia divulga os
textos para leitura e como eles se tornam best-sellers.
Por fim, fizemos uma análise linguística e discursiva do best-seller de Thalita
Rebouças Fala Sério, Professor!, tendo como base os estudos de Bakhtin em relação aos
aspectos discursivos e linguísticos que a autora utiliza.
1 Leitura e mercado editorial
O mercado editorial vem sofrendo transformações ao longo dos anos, sendo
assim a leitura está sempre sofrendo mudanças, ou seja, cada geração se constitui por meio
um estilo, e de acordo com a sociedade, o mercado e suas influências.
É inegável a relevância da leitura para a sociedade, nas questões cultural,
econômica, universitária, profissional e de lazer.
Para Del Priore (2008 apud SILVA, 2012), no período colonial brasileiro, o
jovem não era percebido, não tinha uma identidade.
Del Priore (2008 apud SILVA, 2012) diz que, somente com os jesuítas, é que os
jovens foram percebidos. O objetivo Dos jesuítas era transformar os jovens em indivíduos
responsáveis.
Entre os séculos XVI e XVIII, as escola usavam “compêndios de doutrina
cristã”, cartilhas de alfabetização e também o ensino de religião. Desse modo, os jovens
eram moldados para se tornarem adultos sérios e preparados para exercer funções na
sociedade.
A partir desse momento, os jovens foram ganhando seu espaço na sociedade e
no mercado de uma maneira geral, como seres dignos de cuidados especiais. Com o espaço
gerado, surgiram livros destinados especialmente para esse público.
Hoje em dia, a literatura infanto-juvenil contemporânea vem sempre se
atualizando e tentando se adequar às modernidades e às inovações que acompanham nossos
tempos.
Os livros, atualmente, estão em plena disputa com o ambiente virtual, em
que se destacam os e-books. De maneira não analógica, mas muito tecnológica, a realidade
virtual vem ganhando espaço. A informação em tempo real, a realidade em modo virtual,
todos esses fatores têm prejudicado as editoras. Hoje em dia, a criança cria, imagina,
movimenta-se, com menos frequência, pois a tecnologia desenvolve tudo e traz motivação e
facilidade.
Mesmo com todo esse contratempo, a sociedade ainda tem espaço para um
bom livro e um bom estímulo cognitivo, de maneira analógica. Isto porque quando se entra
em contato com livros, depara-se com situações nunca passadas antes.
Vemos Zilberman (2010), que diz que a literatura brasileira está
experimentando momentos a seu favor. O crescimento de publicações de autores, nascidos
no Brasil, mostra uma diversidade de gêneros em que um escritor brasileiro pode produzir.
Estende-se também às variedades dos modelos desde uma boa ficção à poesia para
imprensa. Isso foi um grande desafio da literatura brasileira na primeira década do século
XXI. Para a imprensa, para o cinema, ou para o público jovem, profissionalizam-se os
criadores de arte, adotando a prática de agentes literários, que têm as relações com editores,
tradutores e divulgadores no campo cultural.
Por fim, a relação leitura e mercado editorial depende de múltiplas variáveis,
desde a faixa etária do leitor, a concorrência com as novas tecnologias, as exigência pela
diversidade de gêneros e suportes de textos, dentre outras. Assim, nas próximas discussões
tratamos de concepções e hábitos de leitura.
2 Reflexões sobre leitura
A leitura é um processo de descoberta, uma tarefa desafiadora, ou mesmo
lúdica. Porém será sempre uma atividade de assimilação de conhecimentos de
interiorização, e de reflexão. Mais que decodificação, a leitura é uma atividade de interação
em que leitor e texto interagem entre si, obedecendo a objetivos e a necessidades
socialmente determinadas. Ler é uma atividade rica e complexa, que envolve não só
conhecimentos fonéticos ou semânticos, mas também culturais e ideológicos.
Para Kleiman (2007), para ler e escrever, é necessário que o aluno reconheça e
use componentes relacionados ao domínio do código, como a segmentação em palavras e
frases, a relação entre som e letra, regras ortográficas, o correto uso de maiúsculas, assim
como componentes relativos ao domínio textual, tais como o conjunto de recursos coesivos
de conexão, de relação temporal, de relação causal. Entretanto, tudo é em vão se o aluno
não conseguir atribuir sentidos aos textos que lê e escrever segundo os parâmetros da
situação comunicativa:
Aliás, no ensino da leitura e da produção de textos representativos de determinada
prática social, a facilidade e a dificuldade de aprendizagem não dependem apenas
da relação letra-som, ou da presença ou ausência de dígrafos, encontros
consonantais e outras “dificuldades ortográficas”, ou da presença de elementos
coesivos mais, ou menos conhecidos do aluno. Dependem, sobretudo, do grau de
familiaridade do aluno com os textos pertencentes aos gêneros mobilizados para
comunicar-se em eventos que pressupõem essa prática. As letras, sílabas, palavras
e frases não são unidades perceptíveis quando o sistema passa a ser ensinado a
partir de elementos salientes, tanto verbais como não verbais, que se destacam
nos textos (manchetes, títulos, ilustrações) (SCHUKING apud KLEIMAN, 2007,
p. 7).
Podemos dizer que a leitura está relacionada ao assunto do texto, no qual o
individuo irá ler, independentemente se ele domina as regras ortográficas ou não. Neste
caso, o que mais importa é sua familiaridade com relação à interpretação de uma leitura.
Conforme Cortina (2000), é necessário fazer algumas considerações
preliminares. Em primeiro lugar, entende-se o processo de construção de texto como uma
confluência de vários discursos que se interpõem, mediada por um sujeito da enunciação,
tendo, neste sentido, o texto como um signo semiótico, já que um texto escrito compreende
as formas da sua construção:
Pode-se falar, assim, de duas instâncias que se concretizam no processo de
leitura. Num primeiro nível, todo texto apresenta em sua organização uma
“imagem de leitor”, seu narratório, capaz de compreender a mensagem veiculada
da exata maneira como seu narrador pretendeu expressá-la. Esse “Leitor ideal” é
um actante porque está inscrito no processo formador do discurso e corresponde
ao sujeito imaginário para quem o narrador dirige sua voz. Ele é parte material do
discurso enunciado e pode assumir um contorno mais ou menos definido
conforme seja a intenção do narrador (CORTINA, 2000, p.22).
Podemos dizer que, para cada leitor, uma obra terá seu valor, conforme seu
conhecimento de mundo, experiências, ou seja, para um leitor, uma obra pode ser
considerada relevante e para o outro não.
Também observamos em Cortina (2000), que a leitura é um processo de
interpretação, de maneira que determinado sujeito elabora uma mensagem em uma
determinada língua, em que outro sujeito deverá interpretá-la, de acordo com seu
conhecimento de universo de consciência discursiva, relacionado com o texto lido, e por
meio do qual se cria outro texto. Ao expor para outro sujeito, esse processo anterior irá se
repetir, criando assim um ciclo contínuo que é o motor da comunicação humana.
Pode ser um processo de descoberta, uma tarefa desafiadora, ou mesmo
lúdica. Porém, será sempre uma atividade de assimilação de conhecimentos, de
interiorização, de reflexão. Mais que decodificação, a leitura é uma atividade de interação,
de reflexão. É o local em que o leitor e o texto interagem entre si, obedecendo a objetivos e
a necessidades socialmente determinadas.
A sociologia da leitura aparece inicialmente como um segmento da sociologia
do saber, quando L.L Schuking publica, em 1923, o livro Sociologia da formação do gosto
literário. O principal objetivo do livro é identificar e estudar os diferentes tipos de textos
literários, já que as mudanças de gosto e preferências interferem não apenas na circulação,
mas na forma dos textos, e também em sua produção.
A sociedade dispõe de mecanismos que facilitam ou inibem a difusão de uma
obra ou de um autor; analiso então as agências formadoras de gosto,
revolucionam acima de tudo á critica literária e a escola, concluindo que esta
desempenha o papel mais determinante (SCHUKING apud ZILBERMAN, 2010,
p. 17).
Portanto, o autor de obras literárias depende de fatores sociais para que sua obra
seja difundida em uma sociedade, e não somente de sua qualidade produtiva.
Sendo assim, constatamos que as obras literárias estão em um processo
continuo de transformação, sempre tentando se adaptar às demandas de cada época. A
leitura é um hábito extremamente particular, pois cada leitor se identificará com um estilo.
Atualmente, a mídia exerce um papel de transformação do leitor, ou seja, as literaturas
seguem a demanda e, com isso, os leitores são influenciados indiretamente.
2.1 A influência da mídia na leitura
A mídia nos dias atuais exerce influência no comportamento, no consumo e em
várias decisões das pessoas.
Até que ponto a mídia pode sugerir comportamentos ou criar intenções de
consumo?
A mídia e a literatura, com linguagens distintas, unem-se e constroem um
gênero que tem forma e conteúdo próprios para influenciar o mercado de jovens leitores,
isto quer dizer que as leituras são selecionadas pela mídia, já que a notícia hoje é como uma
mercadoria, e assim a mídia acaba se tornando uma empresa de marketing que dita o que
está na moda fazer, comer, ser, ler, ou seja, as escolhas e os comportamentos estão
diretamente relacionadas com que vemos na mídia.
A maior parte das obras escolhidas para leitura tem grande influência
midiática. A cada dia, os veículos de comunicação agem mais sobre os consumidores,
levando-os a consumir um determinado tipo de literatura. Os leitores deixaram de eleger
obras clássicas e passaram a preferir a literatura de massa, conforme indicação da mídia.
Os livros classificados como best-sellers são bastante lidos principalmente pelo
público adolescente e pelos jovens adultos.
Porém, o sucesso de um best-seller normalmente replica-se em outras áreas. A
mídia pode funcionar como uma aliada, pois os estímulos para induzir a consumir
funcionam.
Dessa forma, pode-se afirmar que um best-seller não é uma categoria de obra,
mas uma circunstância socioeconômica que está em maior ou menor grau ligado à gênese
de produção dela.
2.1.1 Análise da revista Veja
Tendo como objetivo demonstrar o impacto da mídia na escolha dos livros a
serem lidos, ultilizamos a revista semanal Veja, mês de setembro de 2012.
Figura 1 - Livros mais vendidos, por gênero
Fonte: Veja, set. 2013.
Nota-se que na revista Veja a listagem dos livros mais vendidos não é algo que
apresenta muitas mudanças com o decorrer do tempo, pois sabendo que esta listagem
exerce grande influência na escolha da leitura, observamos que muitos livros já estão há
um bom tempo classificados dentre os mais lidos. Os titulos dos livros são classificados em
ficção, não ficção, auto ajuda e esoterismo.
Confirma-se, em dados empíricos, que na Veja durante o mês de setembro o
livro de ficção Cinquenta Tons de Cinza, do escritor E.l James, ficou em primeiro lugar nas
quatro semanas referentes ao mês analisado. No âmbito de autoajuda, o livro Agapinho do
Padre Marcelo Rossi, também manteve-se líder nas quatro semanas.
Muitos livros estão na listagem há muito tempo, apenas trocam de posições
como, por exemplo, O Monge e o Executivo, de James Hunter que vendeu cerca de 3
milhões de cópias no Brasil.
Propomos uma reflexão quando se emprega a expressão “livros lidos”, é claro
que seria impossível saber se realmente foram lidos. Como indicar com precisão o que as
pessoas lêem, numa época em que a cultura da leitura em massa está ai atingindo e
ganhando cada vez mais leitores, com suas artimanhas?
2.2 Sucesso dos best-sellers com a geração atual
Os best-sellers utilizam-se de recursos que atraem o público jovem, e assim
tendem a diminuir o distanciamento do leitor com a leitura.
Os autores entendem a mente dos jovens, pois os contagiam, e eles ficam
completamente envolvidos por essa leitura, com personagens com os quais eles se
identificam ou encontram modelos de como queriam ser.
Gazola (2009) diz que, o jovem se identifica com seus ídolos, para descobrir
quem é. Mas a identificação não é uma atitude permanente. Hoje existe um ídolo, amanhã
outro. São pessoas [ou personagens] que os jovens admiram e buscam imitar. E através
destes ídolos encontram a si mesmos.
No livro estudado Fala Sério, Professor, cujo público-alvo são os adolescentes,
a autora, de uma forma leve aborda temas da adolescência, em que diversos conflitos
tomam conta do indivíduo. Sabendo desses conflitos e mudanças é que a autora
se
aproxima do universo desses jovens leitores.
Com linguagem divertida, Thalita Rebouças já é considerada a “queridinha das
meninas”, trata de temas cotidianos como o relacionamento de uma adolescente com os
pais, amigos, professores e das necessidades supremas na vida de uma garota, conquistar
um namorado ou curtir um feriado.
Os livros por possuírem características comportamentais, são comumente
indicados por professores, ao lado dos clássicos. Dessa forma, parece que a escolha de
leitura tende a mudar também nas escolas.
3 Leitura e gêneros do discurso
No decorrer dos anos, e em cada sociedade, diferentes formatos de textos vem
surgindo. A partir dessas novas formas de escrever e se comunicar as pessoas vem gerando
os novos modelos de discurso e gênero. Bakhtin traça os aspectos dos gêneros e dos
enunciados e suas especificidades.
3.1 Elementos essenciais do discurso
Para Bakhtin (2003), as diversas esferas das atividades humanas estão ligadas ao
uso da linguagem. O emprego da língua é efetuado por meio de enunciados que podem ser
orais ou escritos, concretos e únicos. Esses enunciados refletem as condições e finalidades
de cada uma dessas esferas por meio de seu conteúdo temático, estilo e construção
composicional. Assim, cada uma dessas esferas elabora seus tipos relativamente estáveis de
enunciados, a isso Bakhtin (2003) chama de gêneros do discurso.
Sendo assim, entende-se que há uma grande quantidade de gêneros do discurso,
pois são infinitas as possibilidades da atividade humana.
Para Bakhtin (2003), o homem é um ser sócio-histórico. Isso quer dizer que o
estudo da linguagem só é possível se observar a interação. Portanto, para Bakhtin (2003), o
estudo da língua só acontece no enunciado, quando realmente há interação entre eu e o
outro. Ou seja, a partir dos relacionamentos sociais que é possível realizar um estudo do
enunciado.
O emprego da língua efetua-se em forma de enunciados (orais e escritos)
concretos e únicos, proferidos pelos integrantes desse ou daquele campo da
atividade humana. Esses enunciados refletem as condições específicas e as
finalidades de cada referido campo [...] Evidentemente, cada enunciado particular
é individual, mas cada campo de utilização da língua elabora seus tipos
relativamente estáveis de enunciados, os quais denominamos gêneros do discurso
(BAKHTIN, 2003, p. 261).
Bakhtin (2003) classifica os gêneros em primários e secundários. Os gêneros
discursivos primários são simples, estão presentes na modalidade oral, ou seja, são réplicas
do diálogo cotidiano. Os gêneros discursivos secundários como os romances, dramas,
pesquisas científicas, gêneros publicitários são mais elaborados. Conforme Bakhtin (2003,
p. 264), “a diferença entre gêneros primários e secundários (ideológicos) é extremamente
grande e essencial, e é por isso mesmo que a natureza do enunciado deve ser descoberta e
definida por meio da análise de ambas as modalidades.” Sendo assim, constatamos que
Bakhtin, classifica os gêneros, porém não os qualifica como melhor ou pior, apenas divideos para uma melhor compreensão.
Bakhtin também afirma que a relação do estilo com o gênero se revela também
na questão dos estilos de linguagem ou funcionais. Em cada campo de linguagem, são
empregados gêneros que correspondem às condições específicas de dado campo e a esses
gêneros correspondem determinados estilos.
O estilo é indissociável de determinadas unidades temáticas e – o que é de
especial importância – de determinadas unidades composicionais: de
determinados tipos de construção do conjunto, de tipos do seu acabamento, de
tipos de relação do falante com outros participantes da comunicação discursiva –
com os ouvintes, os leitores, os parceiros, o discurso do outro, etc. O estilo
integra a unidade de gênero do enunciado como seu elemento (BAKHTIN, 2003,
p. 266).
Bakhtin ainda afirma que, onde há estilo, há gênero: “A passagem do estilo de
um gênero para outro não só modifica o som do estilo nas condições do gênero que não lhe
é próprio como destrói ou renova tal gênero” (2003, p. 268).
Para Fiorin (2006), a unidade temática não é um assunto específico de um texto,
mas é um domínio de sentido de que se ocupa o gênero. A unidade composicional é o modo
de organizar o texto, de estruturá-lo. O ato estilístico é uma seleção de meios linguísticos.
Estilo é, pois, uma seleção de recursos lexicais, fraseológicos e gramaticais em função da
imagem do interlocutor e de como se presume sua compreensão responsiva ativa do
enunciado.
Bakhtin ainda afirma que, onde há estilo, há gênero: “A passagem do estilo de
um gênero para outro não só modifica o som do estilo nas condições do gênero que não lhe
é próprio como destrói ou renova tal gênero” (2003, p. 268).
Segundo Brait (2007), o estilo está indissoluvelmente ligado ao enunciado bem
como às formas típicas de enunciados que são os gêneros. Ou seja, o enunciado reflete, em
qualquer que seja a esfera da comunicação, a individualidade de quem fala ou escreve:
[...] Uma dada função, seja ela científica, técnica, religiosa, oficial, cotidiana,
somadas às condições específicas de cada uma das esferas da comunicação,
geram um dado gênero, ou seja, um dado tipo de enunciado, relativamente estável
do ponto de vista temático, composicional e estilístico [...] (BRAIT,2007, p. 80).
Cada um de nós, ao longo de nosso dia-a-dia, deparamo-nos com uma
infinidade de tipos de discursos . Produzimos e lemos em todos os momentos da nossa vida
textos escolares, literários, jornalísticos, pessoais, oficiais, e ainda reconhecemos em cada
um as suas características próprias. Ou seja, cada tipo de discurso nos remete a um estilo,
ou gênero e que, conforme nossos conhecimentos, definimos sua predominância.
O discurso se manifesta por meio de textos, ou seja, materializa-se na forma
escrita. Os gêneros do discurso, portanto, estão entre nos e variam em alguns aspectos
caracterizando seu gênero.
Um dos elementos essenciais nos estudos do gênero do discurso é o sujeito. Por
isso, a seguir, apresentamos uma discussão sobre o sujeito contemporâneo, mais
especificamente, os jovens das gerações X, Y e Z.
3.2 Geração: X, Y e Z
Fazem parte da geração X, os nascidos entre 1961 e 1981.
Entre as principais características dos indivíduos da geração X, encontramos a
busca
da
individualidade
sem
a
perda
da
convivência
em
grupo,
maturidade e escolha de produtos de qualidade, respeito a família menor que o de outras
gerações e procura da liberdade. Eles viveram em uma época difícil, em que a tecnologia
ainda estava engatinhando e que as mudanças nem se comparavam com as dos dias atuais,
onde dificilmente teriam, as facilidades de comunicação com que a geração Y convive no
seu dia a dia.
A Geração Y, também chamada geração do milênio ou geração da Internet
nascidos entre 1980 e 1995. Essa geração desenvolveu-se numa época de grandes avanços
tecnológicos e prosperidade econômica. Os pais, não querendo repetir o abandono das
gerações anteriores, encheram os filhos de presentes, atenções e atividades, fomentando a
autoestima. Eles cresceram vivendo em ação, estimulados por atividades, fazendo tarefas
múltiplas. Acostumados a conseguirem o que querem não se sujeitam às tarefas subalternas
de início de carreira e lutam por salários ambiciosos desde cedo. É comum que os jovens
dessa geração troquem de emprego com freqüência, em busca de oportunidades que
ofereçam mais desafios e crescimento profissional.
Eles são diferentes não deixam de ir às festas, mas se viram para recuperar esse
tempo e dedicá-los aos estudos.
A verdade é que o universitário Y não é menos estudioso nem menos dedicado
que o universitário de gerações anteriores, como muitos querem fazer crer. Os
críticos geralmente confundem a facilidade de que eles dispõem, propiciada pelo
avanço sem precedentes da tecnologia da informação nos últimos anos, e a falta
de horários fixos e tradicionais para tais realizações como sinônimos de desleixo
e desinteresse. Algumas pessoas das gerações anteriores não compreendem que
os universitários da era da internet precisam de bem menos tempo do que eles
quando eram estudantes para realizar uma tarefa com o mesmo grau de
dificuldade (CALLIARI, MOTTA, 2012, p. 51).
Para os ípsolons, a vida social e a estudantil são conciliáveis, mas para isso, é
necessário que tudo seja feita da forma que eles querem, pois eles que fazem seus horários,
mesmo que esses sejam um pouco fora do atual.
Os jovens são superficiais, não gostam de textos densos, eles apreciam uma
leitura leve, assim o jovem pode desempenhar outras atividades juntamente com essa
leitura ´´leve``, pois essa geração chama atenção das gerações anteriores pela capacidade
de fazer tudo ao mesmo tempo (é o jovem multitarefa).
Para Calliari e Motta (2012), os jovens Y costumam passar nove horas
trabalhando, cinco na navegando na internet, cinco no Facebook,ou no MSN, e três ouvindo
música, além de gastar duas horas jogando videogame, mais duas vendo tevê, mais duas
enviando torpedos, ou falando ao celular, três horas estudando e oito horas dormindo.
Com base nisso podemos observar como um dia para geração Y equivale por
dois, pois se somarmos isso chegamos a 46 horas:
Não há dúvida de que os recursos tecnológicos são os grandes
viabilizadores dessa capacidade de realizar múltiplas tarefas ao mesmo tempo.
Porém, cientes de que recursos estão a disposição de todos, sabemos também que
a intimidade com tais meios é atributo de poucos, dentre eles o grupo inteiro dos
íposilons (CALLIARI, MOTTA, 2012, p. 10).
O fato é que essa geração tem facilidade em administrar as tecnologias e fazer
delas aliadas, seja no trabalho, na vida pessoal e social, pois essa geração foi a que cresceu
com a tecnologia e, sem dúvida, foi a mais beneficiada por ela, a intimidade com os novos
recursos permitiu-lhe explorar e ampliar a sua capacidade.
A geração Z é a geração de pessoas nascidas a partir de 1995.
As pessoas da Geração Z são conhecidas por serem nativas digitais, estando
muito familiarizadas com o mundo virtual, compartilhamento de arquivos, telefones móveis
e mp3 players, não apenas acessando a internet de suas casas, e sim pelo celular, ou seja,
extremamente conectadas à rede.
Uma grande marca dessa geração é zapear. O Z, em comum, essa juventude
muda de um canal para outro na televisão. Vai da internet para o telefone, do telefone para
o vídeo e retorna novamente à internet. Também troca de uma visão de mundo para outra,
na vida.
Outra característica marcante da Geração Z são problemas de interação social.
Muitos deles sofrem com a falta de expressividade na comunicação verbal, o que acaba por
causar diversos problemas principalmente com a Geração Y, anterior a sua.
Desde o século passado, a forma classificar gerações de épocas específicas e
nomeá-las tem sido um hábito, cada vez mais comum. Diferentemente de separar por
idades, sexo ou renda, a classificação por gerações se apresenta mais correta para definir
alguém, mesmo com o passar dos anos, pois ela permance com suas denominações,
independentemente de mudanças pessoas, de faixa etárias ou econômicas.
Grande parte do público leitor de best-sellers são da geração Z, pois eles
gostam de praticidade, são impacientes e esses livros não contém uma linguagem
rebuscada, assim permite uma leitura sem muitos desafios.
4 Thalita Rebouças e Fala sério, professor
O jeito extrovertido e simpático de Thalita Rebouças lhe rendeu muitos fãs
depois do trabalho reconhecido, pois sua escrita é totalmente voltada ao público “teen” e
vem agradando leitores de todas as faixas etárias.
Sua carreira é marcada pelo contato com o publico jovem, a quem ela atende
em feiras de livros e procura autografar todos os livros que lhe são solicitados. A autora
estreita a relação entre ela e os leitores, e para os jovens leitores o conhecer, o saber que o
livro que ele apreciou é de uma pessoa normal, é estimulante.
Com a meta de "Provar aos jovens que ler é bacana" (REBOUÇAS, 2004)
aborda em seus livros assuntos que acontecem frequentemente com adolescentes,
caracterizados pelo uso de gírias, criando identificação de pensamentos que os leitores
“teens” têm com a escritora, conseguindo cumpri-la com facilidade com seus treze
exemplares: Traição entre amigas, Fala sério, Mãe!, Fala sério, Professor!, Fala sério,
Amor!, Fala sério, Amiga!, Fala sério, Pai!, Fala Sério, Professor!, Tudo por um Pop Star
Tudo por um namorado, Tudo por um feriado, Uma fada veio me visitar, Ela disse, Ele
disse, Era uma vez minha primeira vez, Fala sério Filha! A vingança dos pais, teve
também os livros da série Fala Sério!, publicados em Portugal adaptado a Que Cena!, entre
outros.
Os demais livros que Thalita Rebouças escreveu seguem uma escrita voltada ao
público infanto-juvenil, sendo todos muito bem produzidos, estruturados e com vocabulário
próprio da idade, atingindo não só o público “teen”, mas também leitores de todas as
idades.
A narrativa, segue uma história que apresenta eventos cotidianos com as
personagens que, na série Fala Sério!, são protagonizados pela personagem Malu, uma
adolescente com a qual todos os leitores se identificam com seu jeito extrovertido de se
portar nos demais eventos citados nos livros. Como por exemplo, no livro Fala Sério,
Amiga!, com humor e leveza a jovem relembra alguns fatos que compõem assuntos que
fazem parte de qualquer amizade. Além de se identificarem com a personagem,
reconhecem que alguns fatos que acontecem frequentemente com a mesma, também
acontece com alguns leitores.
4.1 Thalita Rebouças – a autora
Thalita Rebouças Teixeira (Rio de Janeiro, 10 de novembro de 1974) é uma
jornalista e escritora brasileira que escreve livros direcionados ao público adolescente.
Sua carreira começou em 1999, quando seu marido, Carlos Luz, que já tinha
livros publicados pela Editora Record, comentou com sua editora que Thalita escrevia. Seu
marido, Carlos Luz, que também é escritor, já tinha livros publicados pela Editora Record.
Com a mudança da editora foram solicitados novos originais para apresentar. Ele tinha
“Um Caso de Cativeiro” (1999) que escreveram juntos. Os editores gostaram do texto, o
livro foi editado e encomendaram um livro em que a faixa etária de leitores deveria ser de
18 a 25 anos (jovens adultos), mas, teve reconhecimento mais significativo pelo público
infanto-juvenil com seu primeiro livro, “Traição Entre Amigas” (2000). Constatou que sua
escrita agradava mais o público adolescente. Ela só ficou conhecida do grande público em
2003, quando passou a publicar seus livros pela editora Rocco.
Em 2005, começou a assinar a coluna Fala Sério! na última página da Revista
Atrevida.
Fez faculdade de Direito durante dois anos, mas após este período resolveu
cursar jornalismo. Trabalhou como jornalista no Gazeta Mercantil, Lance!, entre outros.
Como assessora de imprensa, trabalhou na FSB, no Rio de Janeiro, no Guarujá e em Nova
Iorque. Thalita também fez várias participações em programas na TV Globo, sempre
relacionadas ao público adolescente e onde fez o quadro EE de Bolsa, do Esporte
Espetacular e comanda o quadro teen “Fala sério, Video Show!” no programa Vídeo Show.
Em 2009, ela deu o primeiro passo rumo à sua carreira internacional, lançando
seus primeiros livros em Portugal. Sua carreira é marcada pela paixão, pela interação com o
público e pela participação intensa em feiras de livros, autografando sempre todos os dias
durante as bienais do Rio de Janeiro e de São Paulo.
No YouTube (2010), há vários vídeos que mostram sua simpatia, o entusiasmo
do público com a escritora, além de entrevistas que ela concedeu a programas de TV, como
De frente com Gabi, Programa do Jô e Altas Horas.
Segundo o blog O Livreiro (2011), em julho de 2011, a escritora ultrapassou a
marca de 1 milhão de exemplares vendidos de seus doze livros, e informa em seu site que
em 2012, se tudo correr bem, seus livros serão editados em outros países da Europa e da
América Latina.
Em entrevista com Marília Gabriela na emissora SBT (2012), declara “em 2012, se
tudo ocorrer bem, meus livros serão editados em outros países da Europa e América
Latina”.
4.2 Fala sério, professor!: análise linguística e discursiva
O livro conta a história de Malu, uma jovem que passa por várias situações na
escola, com os professores que marcaram sua vida. Uma trajetória que se inicia aos três
anos de idade e termina aos vinte e dois. As histórias do livro apresentam muitas situações
em que os jovens se identificam, porque provavelmente já passaram por momentos
semelhantes. Os professores do colégio, da academia, do curso de inglês, do shiatsu, do
teatro, particular, o professor bonito, o durão, o amigo, o meio doido, o que não ri, o que
não perdoa cola.
O best–seller “Fala Sério, Professor”, de Thalita Rebouças, é um livro que tem
por características, a linguagem simples e acessível ao público jovem.
O livro possui cento e sessenta e seis páginas, subdivididas em trinta e um
capitulo, sendo eles, em média, de duas a quatro páginas.
Os capítulos foram produzidos em ordem cronológica da idade da personagem,
exceto o primeiro em que Malu faz uma introdução de sua história, já com a idade de vinte
e dois anos, e conta suas aventuras e suas experiências com professores ao longo da vida.
A ordem cronológica é iniciada como o título “3 anos” e o subtítulo “ Primeiro dia
de aula”, que com o nome já diz, foi o tempo em que Malu frequenta pela primeira vez, a
escola.
Cada capítulo está relacionado com a idade de Malu em cada momento de sua
história. Finalizando aos “22 anos” com o subtítulo “A vida continua”, no qual Malu
finaliza, reconhecendo os valores e a importância do professor na vida de uma pessoa, e o
efeito que isso traz da mesma maneira que trouxe para própria Malu.
Figura 2 - Sumário do Livro
Fonte: Rebouças, 2006, p. 3.
A divisão em capítulos é feita, de acordo com as fases da vida pelas quais a
personagem passa com seus professores e o ambiente escolar em geral.
A capa do livro é chamativa, com cores fortes e desenho para que possa chamar a
atenção do público jovem.
Figura 3 - Capa
Fonte: Rebouças, 2006.
A linguagem do livro é desenvolvida de maneira simples e direta, permitindo a
interação com os leitores da geração “y”, que são jovens nascidos a partir de 1995 (mil
novecentos e noventa e cinco), que se desenvolveram dentro de uma revolução tecnológica,
desde pequenos e são capacitados a desenvolverem atividades multitarefas tendo como seu
braço direito a tecnologia. Esses jovens são atraídos por atividades rápidas e modernas.
Nesse sentido, o livro traz características importantes como as frases curtas,
inseridas em textos curtos e objetivos, nos quais a personagem desenvolve histórias de seus
conflitos que são contados, em duas páginas, já concluindo com uma resolução imediata.
Nota-se uma leitura leve e descontraída, onde os leitores multitarefas podem
desempenhar outras atividades sem perder o foco tanto da leitura quanto das outras
atividades.
Na página a seguir, do capítulo intitulado “4 anos” da página 15 (quinze),
constatamos que a autora utiliza recursos linguísticos como a gíria, informalidade, o uso do
travessão indicando diálogos, paralelos ao seus discurso na história, e dessa maneira, ela
consegue aproximar-se dos jovens deixando-os à vontade com a leitura, pois eles se
identificam com o assunto que é comum no meio dos jovens.
Figura 4 - Fragmento do capítulo “4 anos”.
Fonte: Rebouças, 2006, p.15.
Thalita Rebouças, ao escrever, demonstra aos jovens seus conflitos internos
relacionados ao processo de mudança do infanto-juvenil, para a adolescência, temas como o
namoro, que veremos a seguir, em que as coisas simples se tornam intensas para um
adolescente.
Figura 5 - Fragmento do capítulo “13 anos”.
Fonte: Rebouças, 2006, p.75.
O livro identifica histórias contadas durante todo processo de um adolescente, do
começo até o final. Dessa maneira, a autora consegue ampliar seu público para adolescentes
que estão terminando sua adolescência e entrando para fase adulta. Vemos, no trecho a
seguir, a jovem Malu entrando na autoescola, momento esse marcado pelo começo da
responsabilidade de um adulto.
Figura 6 - Fragmento do Capítulo “4 anos”.
Fonte: Rebouças, 2006, p.15.
Podemos analisar que todo o processo da escrita demonstra descontração, e a
maneira viva de um jovem ver a vida.
Conclusão
Retomando o objetivo desta pesquisa que é analisar a constituição da linguagem
e do discurso de estudantes/adolescentes, por meio da leitura de best-sellers, pode-se
apresentar as seguintes considerações.
- 24 - A partir das discussões feitas durante o trabalho e da análise do best seller
Fala sério, Professor, constatamos as estratégias linguísticas e discursivas ditadas pelo
mercado editorial.
Com base nos dados colhidos em nossa pesquisa, pudemos observar a
influência da mídia de formar opiniões e criar desejos de consumo no caso de livros, a Veja
exerce sobre seus leitores, pois, mencionando os livros mais lidos, gera curiosidade no
leitor, assim consequentemente eles serão sempre os mais vendidos.
Conforme os nossos estudos em relação à leitura infanto-juvenil, certificamos
que os jovens estão perdendo cada vez mais o interesse pela leitura, sendo assim, os
escritores, em busca de cativar esses leitores estão se adequando ao jeito e a forma de ler
dessa nova geração. Esse novo público está ligado à era digital e acostumado com
informações rápidas e práticas. Desse modo, o mesmo não tem paciência para uma leitura
mais rebuscada, como obras clássicas literárias. A nova geração está sempre em busca de
uma leitura simples, identificando-se com um vocabulário fácil e temas que pertencem ao
seu cotidiano.
O livro de Thalita Rebouças, Fala Sério, Professor, adequa-se completamente
ao que os jovens leitores esperam ler, pois os capítulos são curtos, o tema é contemporâneo,
a capa chama atenção do leitor, as letras têm um tamanho legível e a obra contém muitos
diálogos entre as personagens tornando a leitura dinâmica e prazerosa.
Notamos que o mercado editorial possui várias artimanhas para cativar o seu
público-alvo, e o livro de Thalita Rebouças é marcado por uma linguagem de fácil leitura,
com gírias, os assuntos abordados são temas que fazem parte do cotidiano e da vida dos
adolescentes.
Com os estudos em relação a Bakhtin, e os gêneros do discurso e a sua
relevância, identificamos que o discurso neste caso se manifesta com o uso do gênero
secundário(escrito), com recursos do gênero primário (oralidade), ou seja o livro Fala
sério, Professor, é escrito de maneira direta conforme os jovens falam, é mais fácil acessar
os jovens por meio da oralidade.
Por fim, concluímos quo o best-seller Fala Sério, Professor, de Thalita
Rebouças, inclui os jovens no mundo da leitura e isso por si só é benéfico, pois a partir da
leitura, eles podem ter interesse em ler outros livros de outros gêneros.
Referências
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Paulo: Martins Fontes, 2003. p. 261–306.
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Biografia
Thalita
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ZILBERMAN, Regina. Desafios da literatura brasileira na primeira década do século XXI.
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