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alentejano apesar do nome

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alentejano apesar do nome
lançamento
Gloria
Reynolds,
alentejano apesar
do nome
Presente em Portugal desde 1820,
a família Reynolds retornou ao Alentejo,
onde está produzindo vinhos modernos
e de alta qualidade com as castas
típicas da região
por arthur azevedo
A história da família Reynolds em Portugal
que, na Espanha. Com a bem sucedida operação
começou em 1820, quando Thomas Reynolds,
em terras espanholas, que incluiu outras fábricas
marinheiro e comerciante inglês, chegou ao país,
de rolhas na Espanha e em Portugal, em 1850 a
atraído pelas oportunidades proporcionadas pelo
família decide regressar a Portugal, fixando re-
negócio do vinho. Como era habitual na épo-
sidência em Estremoz, no Alentejo, mas não por
ca, estabeleceu-se no Porto com os dois filhos,
muito tempo. Movido por sua paixão pela aven-
Robert e Thomas. E dali abastecia seu estabe-
tura, Thomas e o filho de mesmo nome resolvem
lecimento comercial em Londres com produtos
se mudar para a Nova Zelândia, de onde nunca
portugueses. Algum tempo depois, em 1838, os
mais regressariam a Portugal.
Reynolds decidem investir na indústria de cortiça
Robert, o outro filho, permaneceu no país e
e constroem uma fábrica de rolhas em Albuquer-
expandiu os negócios, adquirindo novas terras
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e produzindo vinhos de alta qualidade, tradição
de uvas com grande qualidade. A propriedade
que se manteve até o início do século 20. O capítu-
tem cerca de 200 hectares, dos quais 40 estão
lo atual da história dos Reynolds, e a retomada
plantados com vinhedos, localizados no alto de
da tradição familiar na produção de vinhos,
um cerro, o que proporciona perfeita drenagem
começou em 1998. Foi nesse ano que Julian,
e ótima exposição solar. Os solos da região são
filho de Gloria Reynolds, tetraneto de Robert,
basicamente xistosos. As uvas plantadas são as
adquiriu a Herdade da Figueira de Cima, perto
tradicionais da região: Trincadeira, Aragonês e Ali-
de Portaleg re, ao norte do Alentejo. Em 2002,
cante Bouschet, esta última introduzida em Por-
começou a produzir vinhos, batizados com o
tugal mais de um século e meio pela própria
nome de sua mãe, reestabelecendo a presença
família Reynolds.
familiar na região.
Para produzir os vinhos, Julian construiu
uma moderna vinícola, a partir das ruínas de
Clima fresco e solos xistosos
favorecem o cultivo
Os vinhedos da Herdade da Figueira de Cima
estão implantados em Portalegre numa região
fortemente influenciada pelo clima da Serra de
São Mamede, fresco e com grande diferença de
temperatura dia/noite, o que favorece o cultivo
um velho edifício, usado no passado para abrigar o gado. A reconstrução respeitou a estrutura
original, com largas paredes de pedra, tetos de
madeira e chão de ardósia. Mas ninguém se engane: a parte tradicional ter mina aí. O edifício
abriga equipamentos de última geração, como
os modernos “balseiros” (tanques) de fer mentação de carvalho francês, produzidos pela conceituada tanoaria Seguin Moreau.
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“Balseiros” ou barricas,
dependendo do vinho
O processo de vinificação, bastante engenhoso e
sofisticado, é realizado sob a supervisão do mais que
competente Paulo Laureano, um dos mais prestigiados enólogos de Portugal. Basicamente, as uvas passam por mesa de seleção e a seguir são vinificadas
nos balseiros, onde permanecem inicialmente por três
dias, a 8 graus centígrados, em maceração pré-fermentativa a frio. Após esse período, a temperatura
é gradualmente elevada – de início até 22/23 graus,
posteriormente até 27/28 graus. A fermentação alcoólica é finalizada no balseiro e o vinho é, então, transferido para outro balseiro, onde ocorre a decantação
por gravidade e a fermentação maloláctica. Finalizada esta etapa, é classificado e transferido ou para
outro balseiro, ou para barricas de carvalho francês,
também produzidas pela Seguin Moreau.
Segundo Nelson Martins, enólogo-residente da
vinícola que esteve no Brasil para apresentar os vinhos, a decisão sobre o destino do vinho é tomada
levando-se em conta o lote e a varietal específica.
Caso se decida privilegiar a fruta em detrimento
da madeira, o vinho permanece nos balseiros de
10.000 litros. Caso contrário, vai para as barricas,
Gloria Reynolds Tinto 2004 – O topo de linha da vinícola é um corte de Alicante Bouschet (70%) e Trincadeira (30%), com fermentação
nos balseiros e passagem de parte do lote por barricas de carvalho francês, por 12 meses. Complexo e elegante, mostra cor rubi de média
intensidade e aromas de ameixas negras, mescladas a chocolate e torrefação, com delicadas notas minerais. Equilibrado e concentrado,
tem na refrescante acidez e na longa persistência seus melhores atributos.
que podem ser novas ou de segundo e terceiro uso.
Julian Reynolds Reserva 2004 – Uma das melhores surpresas da degustação, é um vinho de alta gama, constituído pelas uvas Alicante
Bouschet (50%), Aragonês (25%) e Trincadeira (25%), com passagem parcial por 12 meses em barricas de carvalho francês. Delicioso
e sedutor, exibe aromas e sabores diferenciados, que remetem a framboesas, chocolate e fino tostado. Na boca, mostra excelente acidez
e álcool equilibrado, taninos finos e maduros, ótima concentração, bom corpo e longa persistência. Já está pronto para ser bebido,
mas tem potencial para mais alguns anos de guarda.
Os vinhos Gloria Reynolds são importados com exclusivida-
Carlos Reynolds 2006 – Vinho de entrada de gama e muito boa relação preço/qualidade, o Carlos Reynolds é um corte de Touriga
Nacional e Alfrocheiro, fermentado nos balseiros de carvalho e sem passagem por barricas. Tem aromas puros de frutas maduras mescladas
a violetas, mostrando na boca excelente acidez, taninos finos e maduros, textura macia, boa concentração, longa persistência e delicado
retro-olfato. Pronto para consumo.
Gloria Reynolds Branco 2006 – 100% Antão Vaz fermentada em barricas de carvalho francês por 30 dias, a temperatura de 15 graus
centígrados. Após a fermentação, estagiou por 8 meses nas mesmas barricas, com bâtonnage semanal. O resultado é simplesmente
brilhante! Um vinho de intensos aromas de frutas maduras (abacaxi), com notas de caramelo e mel, além de sutis toques de carvalho
tostado. Fresco e macio, tem boa concentração, longa persistência e agradável retro-olfato. Ótimo para o verão.
O objetivo é sempre produzir o melhor vinho possível, respeitando-se as características de cada safra.
de para o Brasil pela Casa do Porto (11) 3061-3003.
[email protected]
Equipamentos de
última geração,
como os modernos
balseiros (tanques) de
fermentação de carvalho
francês, são utilizados na
produção dos vinhos
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