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Levantamento Nacional sobre o Uso de Drogas entre Crianças e

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Levantamento Nacional sobre o Uso de Drogas entre Crianças e
UNIFESP CEBRID
CENTRO BRASILEIRO DE INFORMAÇÕES
SOBRE DROGAS PSICOTRÓPICAS
Universidade Federal de São Paulo
Escola Paulista de Medicina
Departamento de Psicobiologia
Levantamento Nacional
sobre o Uso de Drogas
entre Crianças e Adolescentes
em Situação de Rua
nas 27 Capitais Brasileiras
2003
••••••••
Ana Regina Noto
José Carlos F. Galduróz
Solange A. Nappo
Arilton M. Fonseca
Claudia M.A. Carlini
Yone G. Moura
E.A. Carlini
Secretaria Nacional Gabinete de Segurança
Antidrogas
Institucional
LEVANTAMENTO NACIONAL
SOBRE O USO DE DROGAS
ENTRE CRIANÇAS E ADOLESCENTES
EM SITUAÇÃO DE RUA
NAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS
... 2003 ...
UNIFESP
CENTRO BRASILEIRO DE INFORMAÇÕES
SOBRE DROGAS PSICOTRÓPICAS – CEBRID
Departamento de Psicobiologia
Universidade Federal de São Paulo
Escola Paulista de Medicina
LEVANTAMENTO NACIONAL
SOBRE O USO DE DROGAS
ENTRE CRIANÇAS E ADOLESCENTES
EM SITUAÇÃO DE RUA
NAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS
... 2003 ...
Secretaria Nacional Gabinete de Segurança
Antidrogas
Institucional
DESENVOLVIMENTO DO LEVANTAMENTO
RESPONSÁVEIS
Ana Regina Noto
José Carlos F. Galduróz
Solange A. Nappo
E. A. Carlini
COORDENAÇÃO DA COLETA DOS DADOS
Arilton Martins Fonseca
ESTATÍSTICA
Ana Amélia Benedita Silva
APOIO ADMINISTRATIVO FINANCEIRO
Rita de Cássia Euzébio
PROCESSAMENTO DOS DADOS
Sandro Calegari
Vicente Rômulo Monte Pimentel
DIGITAÇÃO
Jane Fontebom Dutra Albino
Raquel Oliveira S. Neves
ANÁLISE DO RELATO DOS PROFISSIONAIS
Yone Gonçalves de Moura
AGRADECIMENTOS ESPECIAIS
A Claudia Masur de Araujo Carlini e Yone Gonçalves de Moura,
pela colaboração no planejamento e na coleta dos dados.
A Silvia H. Koller, Lucas Neiva Silva e Gilson Martins Braga,
pela colaboração no planejamento amostral.
A todas as instituições e profissionais que facilitaram,
apoiaram e/ou participaram do levantamento.
AGRADECIMENTOS MAIS QUE ESPECIAIS
A todas as crianças e adolescentes que, por meio de seus
depoimentos, ofereceram parte de sua história pessoal e, assim,
permitiram a realização deste estudo.
ELABORAÇÃO DA PUBLICAÇÃO
ORGANIZAÇÃO E REDAÇÃO
Ana Regina Noto
Arilton Martins Fonseca
Claudia Masur de Araujo Carlini
Fabio de Carvalho Mastroiani
José Carlos F. Galduróz
Murilo Campos Battisti
Yone Gonçalves de Moura
E. A. Carlini
FOTOS
Déborah Nappi
Sergio Santana Coimbra
APOIO ADMINISTRATIVO
Suely Aparecida Rosa
ORGANIZAÇÃO DAS TABELAS
Thraços Produções
Os desenhos de Djemifem...
Os desenhos apresentados nesta publicação foram produzidos por Djemifem,
17 anos, enquanto contribuía com sua entrevista para o Levantamento.
Foram cerca de 30 minutos de entrevista que, com a agilidade de Djemifem,
renderam sete desenhos muito “vivos”. Os desenhos contam um pouco sobre sua
história e nos convidam a olhar em outras perspectivas para a situação de rua.
PREÂMBULO DO CEBRID
O
CEBRID realizou anteriormente quatro levantamentos sobre o uso de
drogas entre crianças e adolescentes em situação de rua. O primeiro
levantamento foi realizado há quase vinte anos (1987) com financiamento
do Ministério da Saúde, abrangendo três capitais brasileiras (Porto Alegre,
Salvador e São Paulo). O segundo levantamento (1989) contou com apoio
das Nações Unidas, e o terceiro (1993), ampliado para cinco capitais (Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo), foi financiado pela
União Européia. O quarto (1997) voltou a contar com o apoio do governo
brasileiro, dessa vez pelo Ministério da Justiça, tendo sido realizado em seis
capitais (incluindo Brasília).
O significativo consumo de drogas foi observado em todos os anos e em
todas as capitais avaliadas, mas com peculiaridades regionais importantes
em relação ao padrão de uso e tipo de drogas usadas. A realização sistemática desses levantamentos tem permitido avaliar as mudanças ocorridas ao
longo dos anos, fornecendo subsídios para o desenvolvimento de programas
preventivos mais realistas.
Dando continuidade a esse acompanhamento, CEBRID e SENAD, com apoio
financeiro do governo brasileiro e da CICAD (Comissão Interamericana para o
Controle do Abuso de Drogas), decidiram realizar um novo levantamento
no ano de 2003 e, para respeitar ainda mais a nossa diversidade, optaram
por ampliar o levantamento para todas as 27 capitais brasileiras. Pela primeira vez, portanto, torna-se possível avaliar a questão dentro de uma perspectiva nacional.
Apesar de tratar-se de um estudo quantitativo epidemiológico, convidamos os leitores desta publicação a tentar olhar além dos números, entendendo que cada um deles representa uma história de uma criança ou de um
adolescente, cidadão brasileiro, que está inserido em um contexto do qual
fazemos parte. Além disso, a nossa responsabilidade não é apenas de conhecer e aceitar esta realidade, mas principalmente pelos processos de mudança
que podemos começar a construir. Esperamos que esta publicação possa
contribuir de alguma forma para esse processo de mudança.
CEBRID
Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas
PREÂMBULO DA SENAD
F
iel a seu papel de articuladora de políticas e ações que contribuam
para a redução dos riscos e danos associados ao uso indevido de drogas,
a Secretaria Nacional Antidrogas — SENAD — promoveu o Levantamento
Nacional sobre o Uso de Drogas entre Crianças e Adolescentes em Situação
de Rua nas 27 Capitais Brasileiras, estudo realizado pelo Centro Brasileiro
de Informações sobre Drogas Psicotrópicas — CEBRID/UNIFESP.
Embora estudos semelhantes tenham sido realizados pelo CEBRID nos
anos de 1987, 1989, 1993, 1997, foram realizados apenas em seis capitais
brasileiras, sendo esta a primeira vez que se traça um perfil de âmbito nacional da relação dessa população específica com o uso de drogas.
Este levantamento constitui um importante instrumento para orientar
políticas públicas e subsidiar ações que se beneficiam com dados sobre os
índices de consumo de drogas entre crianças e adolescentes em situação de
rua.
É também uma contribuição para que se concretize o artigo 3o do Estatuto da Crianças e do Adolescente — ECA: “a criança e o adolescente gozam
de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana (...) assegurando-se-lhes, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades,
a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e
social, em condições de liberdade e dignidade”.
Essas crianças e adolescentes, privados de seus mais básicos direitos,
são mais vulneráveis ao acesso e ao consumo de drogas e, conseqüentemente, ao desenvolvimento de problemas associados, como situações de violência e problemas de saúde. A realização de estudos para a atualização de
informações científicas e melhor compreensão da complexidade deste
fenômeno pode significar uma nova perspectiva para o enfrentamento dos
problemas dessa população específica. É acender uma luz de esperança de
que as ações intersetoriais a ela destinadas ajudem a lhe oferecer e a possibilidade de um desenvolvimento mais saudável e feliz.
Paulo Roberto Yog de Miranda Uchôa
Secretário Nacional Antidrogas
SUMÁRIO
Introdução .............................................................................................. 13
Objetivos ................................................................................................ 15
Metodologia ........................................................................................... 17
Mapeamento das instituições ....................................................................
Equipes regionais ......................................................................................
Adaptação à diversidade das 27 capitais: saindo das sedes para as ruas ....
Amostragem .............................................................................................
Entrevistas ................................................................................................
Crítica, processamento e análise dos dados ...............................................
17
19
20
21
23
24
PARTE A
1. O uso de drogas na infância e na adolescência em
situação de rua nas capitais brasileiras ............................................. 27
CAPÍTULO
Introdução ................................................................................................
Criança e adolescente em situação de rua: um produto ilegal? ..................
As diferentes situações de rua: entre os sistemas sociais tradicionais e os
fascínios da rua ...................................................................................
O uso de drogas nas trajetórias da rua ......................................................
Sexo e idade estão associados ao uso de drogas em situação de rua? ........
A escola e a situação de rua: as oportunidades perdidas? ..........................
Famílias: entre as limitações e as potencialidades familiares .....................
A violência e a situação de rua .................................................................
Outros comportamentos de risco à saúde em situação de rua ...................
27
28
29
32
34
36
38
40
42
2. As principais drogas usadas e suas especificidades
entre os jovens em situação de rua .................................................... 45
CAPÍTULO
Introdução ................................................................................................
Tabaco ......................................................................................................
Bebidas alcoólicas .....................................................................................
Solventes ...................................................................................................
Maconha ..................................................................................................
Cocaína, crack e merla .............................................................................
Medicamentos psicotrópicos .....................................................................
45
46
48
50
52
54
56
3. O que já fizemos e o que poderemos fazer em relação
ao uso de drogas em situação de rua no Brasil: entre caminhos
e descaminhos ................................................................................... 59
CAPÍTULO
Introdução ................................................................................................
As medidas repressivas e de controle da disponibilidade das drogas
no Brasil: catracas em meio aberto? ....................................................
A informação: sua importância e seus limites na prevenção ......................
Prevenção: resgatando a cidadania com criatividade .................................
Trabalhando com as famílias ....................................................................
59
61
64
66
70
Os serviços de saúde e a situação de rua: uma distância a ser transposta .. 72
A fragilidade da rede de assistência: entre a arbitrariedade e o
compromisso social ............................................................................ 74
A responsabilidade social dos meios de comunicação ............................... 76
PARTE B
BRASIL: Dados globais .......................................................................... 79
REGIÃO NORTE: Dados globais ...........................................................
Belém – Capital do Estado do Pará ...........................................................
Boa Vista – Capital do Estado de Roraima ...............................................
Macapá – Capital do Estado do Amapá ...................................................
Manaus – Capital do Estado do Amazonas ...............................................
Palmas – Capital do Estado do Tocantins .................................................
Porto Velho – Capital do Estado de Rondônia ..........................................
Rio Branco – Capital do Estado do Acre ..................................................
87
91
95
99
103
107
111
83
REGIÃO NORDESTE: Dados globais ....................................................
Aracaju – Capital do Estado de Sergipe ....................................................
Fortaleza – Capital do Estado do Ceará ....................................................
João Pessoa – Capital do Estado da Paraíba .............................................
Maceió – Capital do Estado de Alagoas ....................................................
Natal – Capital do Estado de Rio Grande do Norte .................................
Recife – Capital do Estado de Pernambuco ...............................................
Salvador – Capital do Estado da Bahia ....................................................
São Luís – Capital do Estado do Maranhão ..............................................
Teresina – Capital do Estado do Piauí.......................................................
119
123
129
133
137
141
147
151
155
REGIÃO CENTRO-OESTE: Dados globais ............................................
Brasília – Capital do País ..........................................................................
Campo Grande – Capital do Estado do Mato Grosso do Sul ....................
Cuiabá – Capital do Estado do Mato Grosso ............................................
Goiânia – Capital do Estado de Goiás ......................................................
163
169
173
177
REGIÃO SUDESTE: Dados globais ........................................................
Belo Horizonte – Capital do Estado de Minas Gerais ...............................
Rio de Janeiro – Capital do Estado do Rio de Janeiro ..............................
São Paulo – Capital do Estado de São Paulo .............................................
Vitória – Capital do Estado do Espírito Santo ..........................................
185
189
195
201
REGIÃO SUL: Dados globais .................................................................
Curitiba – Capital do Estado do Paraná ....................................................
Florianópolis – Capital do Estado de Santa Catarina ................................
Porto Alegre – Capital do Estado do Rio Grande do Sul ...........................
209
213
217
115
159
181
205
Bibliografia ............................................................................................. 223
Anexos .................................................................................................... 227
Anexo 1. Carta de apresentação do CEBRID ............................................
Anexo 2. Carta de apresentação da SENAD .............................................
Anexo 3. Termo de Consentimento Livre e Esclarecido ............................
Anexo 4. Exemplo de lista-base ................................................................
Anexo 5. Questionário ..............................................................................
229
230
231
233
235
...............................
...............................
O
consumo de drogas está inserido no cotidiano de grande parte das
crianças e dos adolescentes que vivem em situação de rua. Esta realidade
está associada a uma série de outros comportamentos de risco à saúde e vem
sendo observada em diferentes países, em todos os continentes. Conhecer e
acompanhar as peculiaridades brasileiras desse contexto são alguns dos primeiros passos para que sejam adotadas políticas mais adequadas às nossas
necessidades. Para tanto, o CEBRID tem realizado sistematicamente
levantamentos epidemiológicos entre crianças e adolescentes em situação de
rua em algumas capitais brasileiras e, pela primeira vez, em 2003 esse estudo
ganhou uma dimensão nacional.
No segundo semestre de 2003 foram entrevistadas 2.807 crianças e adolescentes, entre 10 e 18 anos de idade, de todas as 27 capitais brasileiras, que
estavam recebendo assistência de 93 instituições mapeadas no período pesquisado. As dificuldades encontradas para a coleta dos dados foram as mais diversas. A complexidade da situação de rua e a instabilidade dos serviços de
assistência a essa população se somaram ao desafio de estabelecer uma metodologia de pesquisa que abrangesse as peculiaridades de todas as 27 capitais.
Além disso, a coleta dos dados, que até 1997 era realizada apenas em instituições com sedes, teve que ser realizada nas ruas em dez capitais (em 2003).
Essas dificuldades foram superadas graças à dedicação da equipe de trabalho,
composta por 158 pessoas envolvidas no processo de coleta de dados. A presente publicação apresenta detalhes da metodologia utilizada e dos principais
resultados obtidos.
Para facilitar o processo de leitura e/ou consulta foi feita a opção de dividir
a apresentação dos resultados em duas partes.
A primeira parte (Parte A) apresenta os resultados globais e abre discussão
sobre o uso de drogas psicotrópicas em situação de rua no Brasil, traçando
paralelo com outros estudos nacionais e internacionais. São apresentados quadros conceituais e/ou reflexivos, trechos de histórias de crianças e adolescentes
entrevistados, bem como a visão que os profissionais que trabalham com essa
população têm sobre a questão. Essa parte do livro foi elaborada para facilitar
a leitura e a interpretação dos principais resultados do estudo, tendo em vista
os diferentes profissionais que possam se interessar pelo assunto, como educadores, psicólogos, médicos, assistentes sociais, políticos, advogados, jornalistas, pesquisadores, entre outros.
A segunda parte (Parte B) apresenta os dados de cada uma das 5 regiões
brasileiras e das 27 capitais separadamente. Para cada, foi organizado um
conjunto de tabelas e figuras com os principais resultados: as particularidades
........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
INTRODUÇÃO
13
Levantamentos epidemiológicos são pesquisas que buscam
informações quantitativas, a partir
de uma grande amostra de pessoas, para fornecer uma visão panorâmica sobre questões de saúde da
população. As informações geradas são utilizadas para auxiliar no
direcionamento das políticas de
saúde.
A epidemiologia adquire uma relevância especial diante de temas
polêmicos, como o uso de drogas
entre adolescentes, temas estes
que freqüentemente demandam
posicionamentos especulativos e
emocionais, muitas vezes fundamentados em casos particulares.
Nesse sentido, a disponibilidade
de informações mais amplas e realistas possibilita avaliar o contexto
de forma menos tendenciosa, aumentando a chance de serem adotadas políticas mais adequadas
às reais prioridades de saúde.
...............................
...............................
14
Introdução
da amostra e do consumo de droga. Trata-se de um material de consulta, elaborado para profissionais familiarizados com levantamentos epidemiológicos
que tenham interesse em conhecer os dados específicos de cada capital e/ou
região do país. Vale ressaltar que, para interpretar os resultados, é fundamental compreender a metodologia da pesquisa, uma vez que generalizações inadequadas podem conduzir a conclusões distantes da realidade.
Como em qualquer levantamento epidemiológico, os resultados obtidos
neste estudo são de natureza quantitativa. São tabelas e figuras que auxiliam
no conhecimento da realidade de forma panorâmica e numérica. No entanto,
trata-se de um olhar parcial. A realidade é dinâmica e complexa demais para
ser conhecida apenas por meio de números. Nesse sentido, torna-se importante o desenvolvimento de pesquisas qualitativas complementares que enfatizem
a subjetividade e a compreensão dos fenômenos.
1. Estudar entre crianças e adolescentes em situação de rua das 27 capitais
brasileiras, no ano de 2003, os seguintes aspectos:
– Características sociodemográficas, contexto geral da situação de rua e
fatores associados ao risco e à proteção do uso indevido de drogas.
– Prevalência do uso de drogas psicotrópicas, de acordo com os seguintes
parâmetros: tipo de droga; uso na vida, no ano e no mês; freqüência de
uso.
– Comportamentos relacionados ao consumo de drogas: primeira experiência
de uso, formas de aquisição das drogas (lícitas e controladas), atitudes
em relação ao uso e comportamentos de risco.
– Tentativas de mudança e expectativas de vida.
2. Avaliar as tendências temporais do uso de drogas entre crianças e adolescentes em situação de rua, por meio de análises comparativas dos resultados obtidos no ano de 2003, em relação aos levantamentos realizados nos
anos de 1987, 1989, 1993 e 1997.
...............................
...............................
U
ma vez que os estudos prévios realizados entre crianças e adolescentes em
situação de rua revelam elevados índices de uso de drogas e, também,
sugerem que esse cenário não modificou muito ao longo desses anos, torna-se
essencial continuar monitorando e, ainda, ampliando o conhecimento a respeito dessa questão. Nesse sentido, os objetivos do presente levantamento epidemiológico foram:
..........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
OBJETIVOS
15
A situação de rua foi caracterizada em função da periodicidade
e da quantidade de horas permanecidas na rua (ao menos meio período do dia), bem como do contexto de atividades desenvolvidas
na rua (distante do local de moradia e sem supervisão de familiar
ou outro adulto responsável).
Uso de drogas: caracterizado
pela auto-administração e sem indicação médica.
Uso na vida: uso pelo menos uma
vez na vida.
Uso no ano: uso pelo menos uma
vez nos últimos doze meses.
Uso no mês ou recente: uso
pelo menos uma vez nos últimos
trinta dias.
Os levantamentos realizados pelo CEBRID têm como referência as crianças e os
adolescentes em situação de rua assistidos por instituições governamentais ou
não-governamentais. Em todos os anos em que houve estudos, inclusive 2003,
não foram detectados cadastros atualizados dessas instituições e, nesse contexto, a lacuna de informações tem demandado o mapeamento desses serviços
como fase preliminar das pesquisas.
Inicialmente foram consultados órgãos governamentais e organizações nãogovernamentais (ONGs) que centralizavam ações com crianças e adolescentes
em situação de rua, em âmbito federal, estadual e/ou municipal, como Conselho Tutelar, Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua, Secretarias
de Ação Social ou correspondentes. Para seis capitais participantes do levantamento de 1997 (Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, São Paulo, Recife e Rio de
Janeiro) foram também consideradas as instituições mapeadas anteriormente
(CEBRID, 1998). Dessa forma, foi organizada uma primeira lista de instituições
para cada capital.
A partir de então, foi utilizada a metodologia “bola de neve” (Biernacki &
Waldorf, 1981). As primeiras instituições mapeadas (lista inicial) foram visitadas e solicitadas a indicar outras instituições, repetindo o processo de visitas e
indicações até a saturação, ou seja, quando mais nenhuma nova instituição foi
indicada.
Foram selecionadas para o mapeamento apenas as instituições que ofereciam assistência à população-alvo da pesquisa. Foram também incluídas as instituições que, embora estivessem oficialmente localizadas em cidades próximas,
atuavam junto à população da capital. Para algumas capitais (Tabela 1), foram
mapeados os serviços de atuação direta nas ruas (abordagem de rua). Por outro
lado, foram excluídos do mapeamento os abrigos ou as instituições que trabalhavam em regime de reclusão/internato, bem como as instituições de atenção a
crianças e adolescentes em situação de risco social que não incluíam jovens em
situação de rua. Também não foram mapeadas as instituições de atendimento
específico a usuários de drogas e/ou distúrbios psiquiátricos, condições estas
que levariam a um viés na estimativa de uso de drogas.
Todas as instituições levantadas, em um total de 94, foram visitadas. Em
entrevista padronizada com um representante de cada instituição, foi preenchido um questionário sobre os dados gerais do serviço. Essa etapa teve por objetivo verificar o perfil do atendimento realizado (assistência oferecida, objetivos,
etc.), assim como alguns aspectos relevantes para a realização da pesquisa. Em
função da riqueza de informações obtidas nesse processo, os dados foram publicados na forma de um catálogo (CEBRID, 2004).
...............................
...............................
Mapeamento das instituições
..........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
METODOLOGIA
17
A população-alvo da pesquisa
foi constituída por crianças e adolescentes em situação de rua, entre
10 e 18 anos, assistidos por instituições governamentais ou nãogovernamentais.
Estabelecer critérios para definir
população em situação de rua é
uma das grandes dificuldades dos
estudos nessa área, podendo variar
consideravelmente entre as diferentes pesquisas. A definição utilizada neste estudo (pág. 15) é bastante abrangente e inclui desde
jovens trabalhadores com fortes
vínculos familiares até aqueles que
não moram com suas famílias e têm
a “rua” como moradia. Esta abrangência deve ser sempre avaliada na
interpretação dos resultados, uma
vez que o consumo de drogas varia de intensidade de acordo com
cada tipo de situação de rua.
...............................
...............................
18
Metodologia
Para cada instituição, foi solicitada autorização para a realização do levantamento sobre o uso de drogas, após esclarecimento a respeito dos objetivos e dos procedimentos da pesquisa. Foram apresentadas cartas do CEBRID
(Anexo 1) e da SENAD (Anexo 2), bem como colocada à disposição uma cópia
do projeto de pesquisa e do questionário utilizado para entrevista com as crianças e os adolescentes. A autorização foi oficializada com assinatura de um
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Anexo 3). Apenas uma instituição não aceitou participar da pesquisa, totalizando 93 instituições que
aceitaram.
Tabela 1: Número de instituições mapeadas e de entrevistas válidas para o levantamento, em comparação com o
número de habitantes em cada capital.
Capital
Número de
instituições
pesquisadas
Tipo de
abordagem
Número de
entrevistas
válidas
Número de
habitantes
(IBGE – censo 2000)
Aracajú
1
Rua
70
461.534
Belém
2
Sede
165
1.280.614
Belo Horizonte
6
Sede
204
2.238.526
Boa Vista
2
Sede/Rua
68
200.568
Brasília
3
Sede
88
2.051.146
Campo Grande
3
Sede
95
663.621
Cuiabá
7
Sede
134
483.346
Curitiba
2
Sede
161
1.587.315
Florianópolis
1
Rua
18
342.315
Fortaleza
6
Sede
151
2.141.402
Goiânia
5
Sede
41
1.093.007
João Pessoa
4
Sede
33
597.934
Macapá
2
Sede
32
283.308
Maceió
5
Sede
167
797.759
Manaus
6
Sede
232
1.405.835
Natal
3
Sede/Rua
97
712.317
Palmas
1
Rua
118
137.355
Porto Alegre
13
Sede
216
1.360.590
Porto Velho
2
Sede
9
334.669
Recife
2
Sede
64
1.422.905
Rio Branco
2
Sede/Rua
71
253.059
Rio de Janeiro
3
Sede
135
5.857.904
Salvador
4
Sede/Rua
141
2.443.107
São Luís
1
Rua
174
870.028
São Paulo
4
Sede
42
10.434.252
Teresina
1
Rua
61
715.360
Vitória
2
Rua
20
292.304
TOTAL
93
2.807
19
...............................
...............................
Metodologia
As equipes regionais, responsáveis pela coleta dos dados, foram compostas
por um supervisor, um coordenador de campo e um número variável de
entrevistadores. Foram ao todo 158 profissionais envolvidos no levantamento.
Os primeiros procedimentos, atribuídos aos supervisores, envolveram o início
do mapeamento das instituições e a composição das equipes. A partir de então, foram indicados os coordenadores, os quais passaram a assumir a maior
parte das atribuições da coleta de dados. Para tanto, os coordenadores das 27
capitais participaram de treinamento coletivo, realizado em São Paulo.
Nesse encontro, foi oferecida supervisão ao mapeamento e foram padronizados os procedimentos de amostragem, de condução e de registros das entrevistas. Foram também discutidos os objetivos, os conceitos básicos do estudo,
os aspectos éticos, a importância da amostragem e do cuidado no treinamento
dos entrevistadores.
Durante todo o processo de coleta de dados, os coordenadores foram acompanhados e orientados periodicamente pelo CEBRID, por intermédio de um
coordenador geral. Coube também a este coordenador verificar sistematicamente a recepção dos dados, enviados por cada capital, a fim de detectar precocemente eventuais erros que pudessem comprometer o trabalho.
..................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
Equipes regionais
Atribuições de cada
membro da equipe
Os supervisores, a maioria professores universitários ou profissionais com experiência na área de dependência de drogas, foram os
responsáveis pela composição das
equipes locais, mapeamento das
instituições, infra-estrutura e supervisão do processo de coleta dos
dados.
Aos coordenadores de campo
coube auxiliar no mapeamento, no
contato com as instituições, na
seleção e no treinamento dos entrevistadores (em parceria com o
supervisor). Foram também os responsáveis pela amostragem e coordenação de todo o processo de
entrevistas.
Os entrevistadores, em número
variável de acordo com a demanda
da capital, foram os profissionais
que conduziram as entrevistas,
selecionados preferencialmente em
função de experiência prévia em
levantamentos.
Estimativas sobre o número
de crianças e adolescentes
em situação de rua
no Brasil
A população de jovens em situação de rua é muito heterogênea e
flutuante, características estas que
dificultam estudos quantitativos.
Durante a década de 1980, foram
divulgadas estimativas muito elevadas, as quais, sem apoio algum
de pesquisa, indicavam de 100 mil
a 30 milhões de meninos(as) vivendo em situação de rua na América Latina. Pesquisas recentes, realizadas no Brasil, têm mostrado
que estes números são realmente
elevados em algumas capitais brasileiras, embora muito inferiores
aos divulgados até então. Dentre
as cidades pesquisadas, São Paulo
foi a que apresentou os maiores índices, tendo sido contados, no ano
de 1993, 4.520 crianças e/ou adolescentes no período diurno e 895
no noturno (Secretaria da Criança,
Família e Bem-estar Social do Estado de São Paulo, 1993; Rosemberg, 1993; Rosemberg, 1996).
Embora bem mais realistas do que
as suposições da década de 1980,
esses valores ainda podem ser considerados subestimados, em função das peculiaridades das metodologias empregadas. Dessa
forma, infelizmente, ainda continua sendo muito pouco preciso o
conhecimento sobre a amplitude
dessa situação em nosso país.
...............................
..................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
...............................
20
Metodologia
Adaptação à diversidade das 27 capitais:
saindo das sedes para as ruas
Um dos maiores desafios deste levantamento foi iniciado no encontro dos
27 coordenadores. Em discussão coletiva, os coordenadores apresentaram o
panorama geral das instituições atuantes em suas capitais. Foi então constatada uma grande diversidade de situações, muitas delas novas em relação aos
levantamentos anteriores realizados pelo CEBRID.
Até 1997, a coleta dos dados era realizada apenas em instituições com
sedes, condição esta que favorecia a composição da amostra de crianças e
adolescentes a serem entrevistados. No entanto, em 2003, foram localizadas
várias instituições que trabalhavam exclusivamente com abordagens diretas
na rua e, para cinco capitais, esse era o único perfil de instituições mapeadas.
O panorama oposto, apenas sedes, foi observado em três capitais, prevalecendo então, em 19 capitais, uma situação mista (instituições com sede e/ou em
rua). Em São Paulo, por exemplo, onde nos anos anteriores havia diversas
instituições em sede, em 2003 foram localizadas apenas quatro com esse perfil
e, em contrapartida, várias novas com abordagem direta na rua.
Houve, assim, a necessidade de buscar alternativas para a adaptação da
metodologia em campo aberto (rua), especialmente para o processo de amostragem. A proposta de adaptação foi estabelecida em reuniões, estando presentes representantes do CEBRID, a estatística responsável pela amostragem e
os coordenadores de duas capitais, Brasília e Porto Alegre, os quais tinham
experiência em abordagem de rua. Posteriormente, foram feitos dois estudos
piloto, um em Vitória e outro em São Paulo. Em Vitória, em função de ser uma
capital de menor porte, os procedimentos de amostragem foram considerados
viáveis. No entanto, em São Paulo, foi observada situação oposta. O excesso
de pessoas transitando pelas ruas, a postura dos adolescentes nesse ambiente,
muitos inclusive com comportamento alterado evidente (aparentemente em
função do uso de drogas), foram os principais fatores que inviabilizaram qualquer possibilidade de realização do levantamento em rua.
Em função dessas avaliações, foi estabelecido que as equipes das capitais
deveriam trabalhar preferencialmente com instituições em sede, salvo os casos
em que não existisse essa possibilidade ou o número de entrevistas em sede
fosse muito reduzido (Tabela 1). As equipes que conduziram o levantamento
nas ruas foram das seguintes capitais: Boa Vista, Florianópolis, Natal, Palmas,
Rio Branco, Salvador, São Luís, Aracaju, Teresina e Vitória. Na maioria destas, não foram detectados problemas, exceto em uma. Nessa capital, ocorreram interferências de outros adolescentes na condução das entrevistas e,
também, ameaças de policiais exigindo que os entrevistadores abandonassem
o local.
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...............................
Metodologia
A amostra foi composta por crianças e adolescentes em situação de rua, localizados ao longo de um período de uma semana (janela temporal) de trabalho
das instituições mapeadas. O controle da amostra e dos índices de perda foi
feito com a organização de uma lista-base dos jovens que se encontravam nas
instituições (ou “pontos”) no período estudado (Anexo 4). Esses procedimentos foram desenvolvidos no presente estudo para minimizar as dificuldades de
amostragem detectadas nos levantamentos anteriores, tendo sido avaliados e
aprimorados em estudo piloto realizado inicialmente em São Paulo (em instituições com sede) e, posteriormente, em Vitória (em rua). A amostragem e as
entrevistas ocorreram de maneira simultânea, predominantemente entre os meses de outubro e novembro de 2003.
Assim, foram convidados a participar do estudo todas as crianças e todos
os adolescentes, de 10 a 18 anos, assistidos dentro de uma semana de trabalho
de cada uma das 93 instituições. Foi solicitado ao coordenador que fizesse um
balanço da lista-base ao final da semana. Caso não tivesse atingido 80% de
entrevistas da lista, a equipe deveria continuar o trabalho na segunda semana
para “repescagem”. Nessa segunda semana, a lista não foi ampliada , uma vez
que a janela temporal já havia sido encerrada.
Os critérios de exclusão da amostra foram: distúrbios comportamentais
evidentes, comprometimentos cognitivos (dificuldade de entendimento), auditivos ou verbais (dificuldade de comunicação). Os critérios para adiamento da
entrevista foram: casos que apresentassem sinais evidentes de intoxicação,
comportamento agressivo, participação em atividades (oficinas, futebol, entre
outras) ou diante de qualquer outro fator que naquele momento pudesse comprometer a qualidade da entrevista. No entanto, nem todas as entrevistas adiadas puderam ser recuperadas. Essas ocorrências foram anotadas na lista-base
e estão apresentadas na Tabela 2.
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Amostragem
A janela temporal foi estabelecida como um ciclo semanal de trabalho de cada instituição. Foi escolhido o período de uma semana
por ser o menor intervalo de tempo que garante incluir a maior diversidade de rotinas. Para as instituições que trabalhavam todos os
dias, a janela temporal foi composta pelos sete dias seqüenciais,
cobrindo todos os horários de
atendimento: manhã, tarde e/ou
noite. Para uma instituição que trabalhasse, por exemplo, três dias na
semana, a janela temporal foi composta pelos três dias trabalhados
e ainda, para aquelas que trabalhavam uma vez por mês, embora
não existisse um ciclo semanal, a
janela temporal foi estabelecida
com um único dia.
A lista-base, composta para cada
instituição pesquisada ao longo da
janela temporal, incluiu o nome de
todas as crianças e adolescentes
(entre 10 e18 anos) que freqüentaram a instituição e que realmente estavam em situação de rua.
Coube ao coordenador organizar
a lista, como também anotar os casos de recusa, exclusão, interrupção e/ou adiamento.
Para as instituições que trabalhavam com abordagem em rua, a lista-base foi composta por todas as
crianças e adolescentes que estivessem nos “pontos” visitados
pela instituição, ao longo de um
ciclo semanal de trabalho (janela
temporal).
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22
Metodologia
Incompletas
Adiadas e
4
não repescadas
Outras perdas
Total de
entrevistas
válidas
4
0
4
0
70
Belém
169
4
0
0
0
0
165
Belo Horizonte
214
0
9
0
1
0
204
Boa Vista
76
0
0
0
8
0
68
Brasília
99
3
7
1
0
0
88
Campo Grande
101
0
6
0
0
0
95
Cuiabá
143
8
1
0
0
0
134
Curitiba
165
0
4
0
0
0
161
23
1
1
0
3
0
18
156
0
5
0
0
0
151
Goiânia
58
10
2
1
4
0
41
João Pessoa
46
6
5
0
2
0
33
Macapá
33
0
1
0
0
0
32
Maceió
181
1
10
0
0
3
167
Manaus
240
2
3
0
3
0
232
97
0
0
0
0
0
97
Palmas
126
0
4
3
0
1
118
Porto Alegre
242
0
19
0
5
2
216
Porto Velho
09
0
0
0
0
0
9
Recife
66
0
2
0
0
0
64
Rio Branco
73
0
0
2
0
0
71
Rio de Janeiro
146
1
8
1
0
1
135
Salvador
179
0
16
6
7
9
141
São Luís
Florianópolis
Fortaleza
Natal
1
2
3
4
5
2
5
Recusas
0
Aracajú
3
Perdas por
critérios
1
de exclusão
78
Capital
Lista-base
Tabela 2: Ocorrências no processo de amostragem de cada capital. São apresentados os números de crianças e/ou
adolescentes listados (lista-base) e as perdas por critérios de exclusão, recusas, entrevistas incompletas, entre outras.
190
0
6
0
1
9
174
São Paulo
60
0
9
1
6
2
42
Teresina
67
0
4
1
1
0
61
Vitória
27
0
7
0
0
0
20
TOTAL
3.064
36
133
16
45
27
2.807
Entrevistado que durante a entrevista ou no processo de crítica dos dados constatou-se não se enquadrar nos critérios de
inclusão do estudo. Na maioria dos casos, eram jovens que não estavam em situação de rua, mas em situação de risco
social.
Crianças e/ou adolescentes que não aceitaram participar do estudo.
Entrevistas que foram interrompidas, com perda de mais de 30% do questionário.
Entrevistas adiadas que não conseguiram ser “repescadas” (crianças e adolescentes que estavam em atividades,
não deu tempo, entre outros).
Esta categoria inclui, na maioria dos casos, questionários excluídos no processo de crítica dos dados.
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...............................
Metodologia
As entrevistas foram estruturadas a partir de um questionário proposto pela
Organização Mundial da Saúde – OMS (Smart et al., 1981), adaptado para a
realidade brasileira e utilizado nos levantamentos de 1987, 1989, 1993 e 1997
(Carlini-Cotrim et al., 1989; Silva-Filho et al., 1990; Noto et al., 1994; Noto
et al., 1998).
A versão utilizada no presente levantamento foi ampliada (Anexo 5). Foram acrescentadas questões sobre histórico familiar, violência (familiar e
urbana), formas de aquisição das drogas (lícitas ou controladas) e comportamentos de risco associados ao uso de drogas. Em colaboração com a Secretaria
Especial de Direitos Humanos, foram incluídas perguntas sobre os direitos da
infância e da adolescência e sobre a ação policial.
Durante as entrevistas, as perguntas foram formuladas de forma direta
e as respostas registradas pelos entrevistadores previamente treinados.
As entrevistas duraram cerca de 30
minutos e, na medida do possível,
ocorreram em locais isolados para
garantia do anonimato. Foram observados todos os cuidados éticos, como
garantia de anonimato, confidencialidade, liberdade de recusa, bem como
a interrupção a pedido e/ou diante da
presença de terceiros. Aos coordenadores foi solicitado que continuassem
acompanhando os entrevistadores
durante todo o processo de coleta de
dados.
A responsabilidade do Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido foi
assumida por cada uma das instituições pesquisadas (Anexo 3). O projeto com a descrição de todos esses procedimentos foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa
da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo).
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Entrevistas
Treinamento dos
entrevistadores
O cuidado com o registro das informações é um dos aspectos fundamentais para a garantia da qualidade dos dados. Tendo em vista
o elevado número de entrevistadores em 2003, foi elaborado um
material de treinamento em vídeo.
Foram gravadas duas entrevistas
completas, baseadas em histórias
verídicas coletadas em estudo piloto. Durante o treinamento, aos
entrevistadores, após a apresentação do questionário, solicitou-se o
registro das informações da primeira entrevista. Este registro foi
conferido com um questionário
corretamente preenchido. Em seguida, foi repetido o procedimento para a segunda entrevista.
Considerando que, além do preparo técnico, a postura do entrevistador e a forma de condução da
entrevista são aspectos fundamentais, os entrevistadores foram orientados a tentar estabelecer uma
relação empática e de confiança
com o entrevistado. Ainda, foram
feitas simulações de entrevistas,
baseadas em histórias reais, para
a discussão sobre os procedimentos mais adequados por parte do
entrevistador. Cada entrevistador
realizou posteriormente uma entrevista piloto, em situação real, seguida de discussão com os demais
membros da equipe.
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24
Metodologia
Crítica, processamento e análise dos dados
Os questionários foram examinados individualmente antes da digitação, para
a verificação de possíveis equívocos de preenchimento. Os erros encontrados,
passíveis de correção, foram assinalados. Nos casos de incoerências ou erros
mais graves, os questionários foram eliminados. Também foram excluídos os
questionários com mais de 30% de questões em branco. Durante o processo
de digitação, os dados sofreram nova crítica tendo como referência os valores
válidos para cada resposta. Dessa forma, por exemplo, para uma questão com
respostas previstas dentro de um intervalo de 1 a 5, uma resposta 6 seria
rejeitada.
Após a digitação, foram verificados eventuais erros de digitação e/ou incoerências internas por meio de relações lógicas. Assim, por exemplo, um entrevistado que tivesse declarado o uso de maconha no mês (nos trinta dias que
antecederam a entrevista), necessariamente, deveria apresentar resposta positiva quanto ao uso na vida (já ter experimentado pelo menos uma vez na vida)
e uso no ano (no último ano que antecedeu a pesquisa).
A diversidade brasileira e o cuidado na interpretação dos resultados
Este levantamento incluiu uma amostra específica de crianças e adolescentes em situação de rua, assistidos pelas instituições participantes. Nesse
sentido, a avaliação dos resultados deve ser ponderada, especialmente nas
comparações entre as capitais.
O panorama das instituições variou consideravelmente e gerou especificidades nas amostras pesquisadas (Tabela 1, pág. 16). Em São Paulo, por
exemplo, embora seja a maior capital brasileira, foram feitas apenas 42
entrevistas, todas realizadas em instituições com sede. Por outro lado, em
Palmas, a menor capital, foram 118 entrevistas, todas realizadas diretamente nas ruas. Diante dessas especificidades, devem ser evitadas comparações quantitativas sem as devidas contextualizações. Se, por um lado, a
diversidade dificulta comparações, por outro, enriquece a possibilidade de
discussão.
CAPÍTULO
1
CAPÍTULO
2
CAPÍTULO
3
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PARTE A
O uso de drogas na infância e na adolescência em
situação de rua nas capitais brasileiras
As principais drogas usadas e suas especificidades
entre os jovens em situação de rua
O que já fizemos e o que poderemos fazer
em relação ao uso de drogas em situação de rua no
Brasil: entre caminhos e descaminhos
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...............................
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CAPÍTULO 1
27
O uso de drogas na infância
e na adolescência em situação de rua
nas capitais brasileiras*
Introdução
A situação de rua de crianças e adolescentes não é um fenômeno exclusivamente brasileiro, nem dos países em desenvolvimento. Embora os contextos
socioculturais e a postura da população geral possam variar, em maior ou
menor grau, a presença de jovens vivendo em situação de rua é uma questão
mundial (Tyler & Tyler, 1996; Roux & Smith, 1998; Scanlon et al., 1998). O
consumo de substâncias psicoativas, lícitas ou ilícitas, parece acompanhar esse
cenário. Assim como o abuso dessas substâncias é freqüente entre as crianças
e os adolescentes que vivem nessas condições no Brasil, o mesmo ocorre em
outros países, como México, Colômbia, Honduras, Rwanda, África do Sul,
Índia, assim como em países considerados mais desenvolvidos como Estados
Unidos, Canadá, os do Reino Unido, Holanda e Austrália (Swart-Kruger &
Donald, 1996; Auerswald & Eyre, 2002; Tiwari et al., 2002; Roy et al., 2003;
Veale & Dona, 2003).
Existe uma grande diversidade de situações de rua, a maioria das quais
traz consigo muitos aspectos que aumentam a probabilidade de uso de drogas
psicotrópicas. Além dos fatores individuais e familiares, o contexto social da
rua tende a favorecer o consumo. Alguns jovens em situação de rua, no entanto, não consomem psicotrópicos, ou o fazem muito esporadicamente. Assim,
embora seja inegável que as drogas psicotrópicas tenham potencial reforçador, propiciem prazer e/ou alívio do enfrentamento da realidade, responsabilizá-las exclusivamente pelo abuso é desconsiderar a participação ativa de seus
usuários e do contexto no qual se inserem (Trubilin & Zaitsev, 1995; Lowry,
1995; Auerswald & Eyre, 2002).
Torna-se essencial, então, avaliar as condições de vida, bem como os fatores associados ao risco ou à proteção do uso indevido de drogas em situação
de rua. Este capítulo tem por objetivo explorar esses aspectos, com a apresentação e discussão dos dados epidemiológicos das 27 capitais brasileiras. No
entanto, vale mais uma vez ressaltar os cuidados na interpretação dos resultados, uma vez que as amostras não são representativas de todos os jovens em
situação de rua das capitais, mas sim dos que estavam recebendo assistência
de instituições. Os resultados devem então ser analisados com as devidas ponderações, tendo em vista as peculiaridades das redes de assistência em cada
capital.
* Neste capítulo estão apresentados relatos de histórias verídicas de alguns dos entrevistados.
Para garantir anonimato, seus nomes foram alterados.
Fatores associados ao risco
ou à proteção
Esses fatores são assim considerados por aparecerem freqüentemente associados ao uso (ou não-uso)
indevido de drogas. Entre os fatores de caráter individual estão a
auto-estima, a autonomia, a tolerância à frustração, a religiosidade,
os aspectos cognitivos, entre outros. Os sociais incluem questões relacionadas à inserção cultural, condição socioeconômica, vínculo
escolar, vínculos familiares e/ou estabelecimento de uma relação de
cuidado com um adulto de referência (dentro ou fora da família), entre outros.
Embora as expressões mais utilizadas sejam “fatores de risco” e “fatores protetores”, alguns autores
preferem utilizar “fatores associados ao risco ou à proteção”, pois
muitas vezes aquelas expressões
são interpretadas de forma equivocada. Fatores associados ao risco
não podem ser interpretados como
causais ou determinantes, nem
mesmo considerados isoladamente indicativos de abuso de substâncias, uma vez que esta associação
se dá por um somatório de fatores
e/ou circunstâncias (des)favoráveis.
Estes fatores também não são universais, podendo variar entre as populações e os contextos sociais.
(Noto & Moreira, no prelo)
Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA)
O Estatuto da Criança e do Adolescente foi criado no Brasil em 1990.
Ele nasceu da necessidade de leis
especiais que garantissem proteção
às crianças e aos adolescentes e
teve origem na Declaração Universal dos Direitos da Criança, assinada na Assembléia Geral da ONU em
1959. Essa Declaração foi sendo
atualizada ao longo dos anos. A última revisão aconteceu em 1989,
servindo de base para o estatuto
brasileiro, que virou Lei Federal em
1990 (Lei Fed. 8069/90).
O ECA dispõe sobre a proteção integral à criança e ao adolescente.
Considera dever da família, da comunidade, da sociedade em geral
e do Poder Público assegurar, com
absoluta prioridade, a efetivação
dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao
esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência
familiar, para todas as crianças e
adolescentes do Brasil.
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28
Capítulo 1
Criança e adolescente em situação de rua:
um produto ilegal?
Apesar das diferenças entre as capitais, em todas foram localizadas crianças e
adolescentes em situação de rua (Tabela 1, pág. 16). Essa constatação por si
merece atenção, uma vez que no Brasil existe o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) que prevê garantia de condições básicas para o desenvolvimento
durante a infância e a adolescência. Assim, embora o tema central do levantamento seja o consumo de drogas, muitas delas ilícitas, a maior “ilegalidade”
constatada parece ser o contexto social que favorece a situação de rua nas capitais brasileiras.
A situação de rua de jovens é considerada por alguns autores como produto
da interação de inúmeros aspectos socioestruturais, familiares e individuais.
Entre estes, destacam-se a pobreza, a inadequação geral da educação, o rápido
processo de industrialização e urbanização, a falta de capacidade dos órgãos
governamentais para lidar com a questão e, no que diz respeito às famílias, a
falta de controle da natalidade, a multiplicidade de parceiros, a fragilidade
dos vínculos e a tensão no ambiente familiar, além dos inúmeros outros desafios contemporâneos (Alves, 1991; Juárez, 1991; Moura, 1991; Swart-Kruger
& Donald, 1996; Roux & Smith, 1998; Lalor, 1999).
Denunciando a inadequação de vários aspectos do sistema social, a situação de rua de crianças e adolescentes nos remete a uma ampla reflexão sobre
as bases sociais contemporâneas, alicerçadas, por exemplo, na competitividade e na valorização do consumo. Infelizmente, mudanças nessas bases estão
distantes do momento histórico atual, mas merecem ponderação
sempre que a questão vem à tona.
Essa complexidade, no entanto, não pode ser encarada como
fator paralisante, menos ainda como justificativa para que nada
seja feito. Diferentemente, além de ser vista como uma denúncia
social, a situação de rua de jovens deve ser cuidada de forma prioritária pela sociedade como um todo. Algumas intervenções podem melhorar muitos aspectos importantes, como, por exemplo,
o fortalecimento da rede de suporte social, o nível de conscientização da população e o cuidado com aqueles que se encontram em
situação de rua.
No Brasil, embora existam esforços de alguns para mudanças, as iniciativas são muito pontuais e, quando diluídas no conjunto de intervenções, estão longe de dar conta da demanda. Além
disso, as dificuldades de atuação se potencializam com as nossas
desigualdades sociais, de forma ainda mais acentuada nas grandes cidades. Nestas, inclusive, crianças e adolescentes em situação de rua, ou mesmo famílias inteiras nessa situação, parecem
fazer parte da paisagem urbana. A negligência social no Brasil é
uma forma de violência que merece ser urgentemente revista em
nosso país.
As diferentes situações de rua: entre os sistemas sociais
tradicionais e os fascínios da rua
A Tabela 3 apresenta algumas características sociodemográficas dos entrevistados neste levantamento. Trata-se de uma amostra abrangente que inclui diferentes vínculos familiares, escolares e faixas etárias. Portanto, além das diferenças
já mencionadas entre as capitais, também deve ser ponderada a diversidade e a
complexidade das situações de rua dos entrevistados em cada uma delas.
As especificidades muitas vezes são de tal ordem que mereceriam análises
quase biográficas. No entanto, a fim de subsidiar as políticas públicas, os
estudos quantitativos buscam algumas generalizações. Tentar equilibrar as
generalidades e as particularidades tem representado um dos grandes desafios
dos estudos sobre situação de rua. Uma das tentativas de minimizar esse problema tem sido a busca de tipologias, as quais apontam até cinco diferentes
perfis de jovens em situação de rua (Martins, 1996). A maioria dos estudos
define dois perfis principais, denominados jovens “na rua” e “de rua” (Lusk,
1989; Vogel et al., 1991; WHO, 2000). Outros autores, entretanto, levantam
críticas a essa classificação, argumentando, por exemplo, que não se podem
distinguir dois grupos como se fossem “estáticos”, uma vez que a situação de
rua envolve um continuum dinâmico, entre a volta diária à casa e a total
permanência na rua (Neiva-Silva & Koller, 2002).
Apesar da pertinência das críticas apontadas, optamos por tentar contemplar
algumas diversidades, ao menos entre os dois perfis mais estudados na literatura.
Para tanto, utilizamos como diferencial a avaliação subjetiva do entrevistado em
relação ao “morar ou não com família” (Tabelas 4 e 5).
Tabela 3: Características sociodemográficas das 2.807 crianças e adolescentes entrevistados nas 27 capitais brasileiras.
N = 2.807
N
Sexo
Masculino
75,5
687
24,5
10 a 11
418
14,9
12 a 14
1047
37,3
15 a 18
1337
47,6
5
0,2
1453
732
51,8
26,1
Em outro Estado
408
14,5
Não sabe
214
7,6
71
2,5
Feminino
Idade (anos)
Não sabe
Local de nascimento
Situação escolar
Situação familiar
(morar com família)
%
2120
Na capital (onde foi entrevistado)
Em outros municípios do Estado
Nunca estudou
Estuda
1565
55,8
Parou de estudar
1171
41,7
Sim
1932
68,8
Não
875
31,2
29
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O uso de drogas na infância e na adolescência em situação de rua nas capitais brasileiras
Crianças e adolescentes
em situação de rua:
“na rua” e “de rua”
A expressão crianças e adolescentes em situação de rua é fruto de
uma evolução conceitual que partiu de termos populares como menores abandonados. Estudos realizados, especialmente ao longo da
década de 1980, mostraram que, na
verdade, grande parte dessa população não estava “abandonada”
como até então se imaginava. Ao
contrário, muitos ainda mantinham
os vínculos familiares, utilizando a
rua como fonte complementar da
renda da família ou até mesmo
como alternativa de lazer. Nesse
sentido, essa parcela da população
passou a ser denominada na rua,
restringindo o termo de rua àquelas crianças ou adolescentes que
haviam rompido os vínculos familiares. O termo em situação de rua
passou a englobar as duas populações: de rua e na rua (Lusk, 1989;
Alves, 1991; Rosemberg, 1993; WHO,
2000; Gregori, 2000).
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30
Capítulo 1
Tabela 4: Características gerais da situação de rua das 2.807 crianças e adolescentes entrevistados nas 27 capitais
brasileiras, analisados separadamente de acordo com o vínculo familiar.
Mora
com família
Não mora
com família
N = 1.932
N = 875
N
Motivos atribuído para
a situação de rua
968
50,1
229
849
43,9
210
24,0
Relações familiares ruins (conflitos, agressão)
357
18,5
394
45,0
Acompanhar parente ou amigo
Mudança de estrutura familiar (morte de
mãe/pai ou casamento de um deles)
472
24,4
134
15,3
74
3,8
87
9,9
50
2,6
86
9,8
Sozinho, amigo(s), “irmãos de rua”
Irmão
Mãe/pai
“Mãe/pai de rua”
Outros
Casa de parente ou amigo
Na rua
Instituição onde foi entrevistado
Outra instituição
Anos em situação
de rua
Horas por dia na rua
396
20,5
401
45,8
1717
88,8
840
96,0
368
19,0
69
7,9
99
5,1
5
0,6
3
0,2
10
1,1
148
1619
7,7
83,8
61
130
7,0
14,9
361
18,7
662
75,7
49
2,5
139
15,9
35
1,8
78
8,9
325
16,8
108
12,3
Menos de um ano
652
33,7
201
23,0
1 a 5 anos
890
46,1
394
45,0
Mais de 5 anos
Não se lembra
271
116
14,0
6,0
255
23
29,1
2,6
Em branco
3
0,2
2
0,2
1 a 5 horas
1025
53,0
114
13,0
902
46,7
758
86,6
5
0,3
3
0,3
Em branco
............................................................................................................................................................................
26,2
Outros
Mais de 6 horas
Carlos, 13 anos, estava há
mais 2 anos na rua, cursava
a 4a série e morava com sua
família. Disse que começou a
freqüentar a rua para procurar sustento para si e para
sua família. Na rua, onde
ficava de 3 a 5 horas por dia,
vigiava carros, engraxava
sapatos entre outros serviços. Comentou que nunca
usou droga por medo de
fazer mal a saúde. Havia
apenas experimentado vinho,
disse: “a bebida toma conta
da mente da pessoa”. Carlos
gosta de se divertir e brincar.
Seu maior sonho é ser
goleiro.
%
Sustento para si e/ou família
Outros
Onde costuma dormir
N
Diversão, liberdade, falta de outra atividade
Uso de álcool/drogas por adulto responsável
Com quem fica na rua
%
Os motivos e as condições da situação de rua variaram muito entre os
entrevistados dos dois perfis avaliados (Tabela 4). Entre os que moravam com
suas famílias, muitos relataram trabalhar nas ruas para complementar a renda, permanecendo menos horas na rua e, em alguns casos, dividindo o tempo
entre o trabalho e a escola. Entre os que não moravam, as histórias foram
diferentes, muitas vezes com histórico de violência e/ou de abandono, passando a viver a maior parte do tempo distante das referências sociais “tradicionais” e sustentando-se com “bicos” ou com atividades ilícitas. Ainda houve
aqueles que relataram estar na rua em busca de “liberdade”, “aventuras”,
“divertindo-se” com os atrativos da rua ou mesmo por falta de outras atividades (“não tenho nada melhor para fazer”).
As atividades cotidianas também foram bastante diferenciadas entre os
dois perfis de entrevistados (Tabela 5). Aqueles que relataram morar com suas
famílias, na sua maioria, estavam estudando e, comparados aos demais, também apresentaram maior freqüência de brincadeiras, de atividades específicas
Tabela 5: Atividades diárias das 2.807 crianças e adolescentes entrevistados nas 27
capitais brasileiras, analisados separadamente de acordo com o vínculo familiar.
Mora
com família
Não mora
com família
N = 1.932
N
Atividades
gerais
Anda pelas ruas
Atividades
mais
específicas
Vai à igreja
Atividades
produtivas
Outras
2
%
997
51,7
665
75,7
67,1
361
41,1
325
16,9
69
7,8
344
1194
17,8
61,9
107
117
12,2
13,3
Esporte/dança com professor
752
39,0
245
27,9
Produz coisas para vender
101
5,2
34
3,9
Vende objetos, alimentos
495
25,7
120
13,7
734
38,1
417
47,4
158
8,2
323
36,7
Curso profissionalizante
Estuda em escola regular
1
Furta, rouba
32
1,7
65
7,4
Transa por dinheiro
2
Uso ilegal de drogas (uso diário)
Entrega, vende drogas
37
212
1,9
11,0
76
435
8,6
49,5
Pede dinheiro
493
25,6
513
58,4
51
2,6
81
9,2
Viaja para cidades próximas
1
N = 875
N
1293
Brincadeira, diversão
Serviços gerais
Atividades
ilícitas
%
Vigia carros, engraxa sapatos, limpa pára-brisa de carros, malabarismo, distribui panfletos.
Uso ilegal de drogas (uso diário): usa diariamente alguma droga ilegal (maconha, cocaína,
entre outras) ou obtida de forma clandestina (solventes e medicamentos psicotrópicos).
(esporte, dança, cursos profissionalizantes e freqüentar igreja) e algumas atividades produtivas (manufatura e venda de objetos ou alimentos). Por outro
lado, os que relataram não morar com família apresentaram maior freqüência
de atividades inespecíficas (andar pela rua, ir para cidades próximas), e, para
o sustento, predominou serviços gerais (vigiar carros, limpar pára-brisa, malabarismo, entre outros), pedir dinheiro (esmola) e atividades ilegais (furto,
roubo, tráfico de drogas, prostituição). O uso clandestino de drogas (solventes, maconha, cocaína e medicamentos psicotrópicos) também foi mais freqüente no grupo que considerou não morar com sua família.
Esses dados indicam que a classificação das situações de rua, ainda que
estabelecida com um único critério subjetivo (morar com família), permite
verificar diferenças importantes. Cada contexto vem associado a maior ou
menor possibilidade de atividades ilegais, inclusive do consumo de drogas (ilegais ou controladas). Essa associação também tem sido observada em outros
estudos (Forster et al., 1996).
Para este levantamento, essa associação é um aspecto a ser ponderado nas
comparações de consumo de psicotrópicos entre as capitais, uma vez que houve diferenças importantes do perfil dos entrevistados em cada uma delas. Em
São Paulo, por exemplo, praticamente todos os entrevistados não estavam
morando com suas famílias nem estudando. Diferentemente, em Belém, Palmas, Macapá e Rio Branco, cerca de 80% moravam com suas famílias e mais
da metade freqüentava escola.
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O uso de drogas na infância e na adolescência em situação de rua nas capitais brasileiras
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32
Capítulo 1
Um dia, as crianças de rua vão se
dar conta do pesadelo que estão vivendo na real e vão acordar pra
valer. Imagine o que vai acontecer
quando essas crianças pararem de
usar drogas para cair fora e resolverem lutar de fato contra essas
injustiças que estão por aí. Vão virar o mundo pelo avesso.
– Bem que o mundo está precisando dessa virada.
Lídia Aratangy, 1991,
em Doces Venenos
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O uso de drogas nas trajetórias da rua
Apesar da diversidade de trajetórias de situação de rua e dos diferentes históricos de uso de psicotrópicos, o início do consumo parece ter alguns aspectos
comuns para vários dos entrevistados. Para a maioria, o primeiro episódio de
consumo de bebidas alcoólicas e de tabaco ocorreu antes da situação de rua
(Tabela 6). Em relação às demais drogas, na maioria dos casos, o primeiro
episódio ocorreu depois, com o uso de algum solvente e/ou maconha. Esse
perfil foi o predominante nas diferentes capitais.
Quando questionados sobre os motivos atribuídos ao primeiro episódio de
uso de drogas ilícitas (ou controladas), as respostas recaíram sobre a curiosidade e a influência do grupo (Tabela 6). O uso de psicotrópicos faz parte da
“identidade” de alguns grupos e, possivelmente, o desejo de se integrar aos
mesmos seja um dos aspectos mais evidentes no exato momento da decisão.
Mas isso não significa que seja o mais relevante, pois a decisão de usar (ou
não) emerge da interação de vários outros fatores complexos e menos perceptíveis, como a fragilidade da situação de rua, o vínculo familiar, os limites, os
medos, as expectativas e o fascínio pelos desafios.
Além disso, o abuso de psicotrópicos em situação de rua vai muito além do
contexto de início. Dentro de uma perspectiva mais global, a inserção do uso
dessas substâncias (lícitas e ilícitas) envolve inúmeros fatores psicossociais em
associação como as funções e os significados atribuídos ao uso (Tabela 6). A
alteração da percepção da realidade pode adquirir um caráter lúdico, com a
vivência de momentos mágicos, sensações de poder e/ou euforia. Ao aliviar o
enfrentamento da realidade, o uso de drogas também pode representar uma
forma paradoxal de preservação mental. Essas funções se somam ao potencial
reforçador das drogas. Nos casos de dependência, constatam-se outros motivos como, por exemplo, a fissura e o mal-estar da abstinência. Por outro lado,
para alguns casos, também deve ser ponderada a ausência de motivos para
não usar. “Freios” como vínculos familiares, religião, preceitos morais e planejamento de vida, tidos como importantes para muitos jovens não-usuários,
nem sempre fazem sentido para os que estão em situação de rua. Nessa interação de fatores, o consumo de drogas passa a fazer parte do estilo de vida de
muitos grupos, observado ao longo das gerações de crianças e adolescentes em
situação de rua, nas diferentes regiões do mundo (Lucchini, 1991; Forster et
al., 1992; Noto et al., 1997; MacLean et al., 1999).
Dentro de uma perspectiva macrossocial, o consumo de drogas entre essa
população pode ser encarado como um comportamento que denuncia as condições que favorecem a situação de rua. Entram em questão todos os fatores
sociais estruturais anteriormente mencionados, como a pobreza, as condições
da família, da educação, entre outros.
É importante ponderar também que existem diferentes graus de vinculação
com a droga. Apesar de muitos desenvolverem uso freqüente, alguns mantêm
uso eventual e outros sequer vão além do uso experimental. Ainda existem
aqueles que, apesar de viverem em situações consideradas de risco, não chegam a usar qualquer droga ilícita. Além disso, a relação com a droga é dinâmi-
Tabela 6: Primeira experiência com uso de alguma droga ilegal (maconha, cocaína) ou
obtida clandestinamente (solventes e medicamentos psicotrópicos) entre as 2.807 crianças e adolescentes entrevistados nas 27 capitais brasileiras.
(N = 2.807)
Primeiro episódio
Época de uso
Motivo do primeiro
uso
Primeira droga usada
N
%
Antes da situação de rua
537
19,1
Depois da situação de rua
869
31,0
Acompanhar amigo
Curiosidade
Acompanhar familiar
825
821
97
29,4
29,2
3,5
Foi forçado
30
1,1
Procurava “coisa mais forte”
26
0,9
Outros
205
7,3
Solvente
762
27,1
Maconha
574
20,4
57
2,0
9
0,3
Acha legal, gostoso, divertido
556
19,8
Esquecer a tristeza
251
8,9
Porque os amigos usam
248
8,8
Cocaína ou derivados
Medicamentos
Uso recente
Motivos atribuídos
1
para o uso “atual”
Sentir mais solto (desinibido)
198
7,1
Sentir mais forte, poderoso, corajoso
166
5,9
Esquecer a fome, o frio
105
3,7
Porque é fácil conseguir
Não sabe
68
85
2,4
3,0
326
11,6
Outros
1
Perguntado apenas para quem estava usando recentemente alguma droga (uso no mês).
ca, ou seja, o uso pode se intensificar ou cessar, de acordo com uma série de
circunstâncias.
A maior parte dos estudos ressalta uma série de vulnerabilidades dos jovens, ou seja, ao enfrentar situações de risco e estresse, muitos desenvolvem
distúrbios de comportamento e desequilíbrio emocional. É importante salientar também que, de maneira diferente, muitos parecem desenvolver resiliência,
superando as dificuldades e/ou lançando mão de estratégias de enfrentamento
menos prejudiciais. Com a resiliência, preservam-se durante o desenvolvimento e tornam-se adultos bem integrados social e emocionalmente. Estudos nessa
linha têm apontado para três principais fatores de proteção: características de
personalidade (autonomia e auto-estima), coesão e ausência de conflitos familiares, e disponibilidade de sistemas externos de apoio que encorajem e reforcem a capacidade da criança para lidar com as circunstâncias da vida (Hutz et
al., 1996). Essas abordagens, ao avaliar e explorar as potencialidades desenvolvidas nas adversidades, são de grande valia para programas preventivos.
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O uso de drogas na infância e na adolescência em situação de rua nas capitais brasileiras
André, 15 anos, estudou até
a 4a série e não morava mais
com sua família. Na rua,
ficava com o“pai ou mãe de
rua”, colegas e “irmãos de
rua”. Comentou que saiu de
casa porque o pai, quando
embriagado, o agredia.
Relatou que começou a
beber e a fumar antes de ir
para rua. O uso de solventes
e maconha foi posterior.
Disse usar drogas porque os
amigos usam, para esquecer
da fome/frio, para se sentir
mais forte/corajoso, para
esquecer das tristezas
e porque acha legal/divertido. Seu maior medo: morrer
na rua. André espera poder
arrumar lugar para morar,
trabalhar, parar de usar drogas e conseguir comida.
Também gostaria de desenhar, pintar e conversar
mais.
Fabio, 14 anos, estudou até
a 3a série e morava com sua
família. Comentou que
começou a ficar na rua pois
em sua casa não havia energia elétrica, “não tinha nada
de legal para fazer”. Disse
que brincava na rua, viajava
para as cidades próximas e,
para conseguir dinheiro,
vigiava carros e engraxava
sapatos. Contou que começou a usar cigarro, cola e
bebidas alcoólicas depois de
ir para a rua, alegando não
ter nada para fazer. Seu
maior medo: a morte dele,
da mãe e dos irmãos. Fabio
disse que gostaria de ser
bombeiro ou jogador
de futebol, bem como
mudar de vida juntamente
com sua mãe e irmãos.
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34
Capítulo 1
Sexo e idade estão associados ao uso de drogas
em situação de rua?
A amostra global estudada foi composta predominantemente por jovens do
sexo masculino (Tabela 3, pág. 29). Essa diferença chegou ao extremo em três
capitais da Região Norte: Porto Velho (100%), Rio Branco (97,2%) e Boa
Vista (97,1%), mas se diluiu em outras capitais, onde jovens do sexo feminino
foram entrevistadas em proporções semelhantes, como em Campo Grande
(46,3% de meninas) e em São Paulo (42,9%). O predomínio de meninos nas
ruas é observado em vários outros estudos, inclusive os internacionais, os quais,
por uma série de questões socioculturais, consideram que os meninos têm mais
fácil acesso à rua (Scanlon et al., 1998; Lucchini, 2003).
As diferenças de gênero (sexo) para o comportamento de uso de drogas não foram homogêneas
entre as capitais pesquisadas. Embora no panorama nacional o uso tenha sido mais intenso entre os
meninos (Figura 1), nem todas as capitais apresentaram essa associação. Algumas mostram situação
inversa. Essa variação também foi observada nos
levantamentos anteriores. No entanto, tendo em vista as vulnerabilidades peculiares a cada gênero em
situação de rua, é muito pouco provável que não
exista relação com o uso de drogas. O mais aceitável é considerar que essas vulnerabilidades variem
de intensidade de acordo com os contextos de cada
capital e/ou condição da população estudada; portanto, merece investigação mais cuidadosa.
A faixa etária, por outro lado, foi um fator que apresentou associação
importante com o consumo de drogas (Figura 2) e que se repetiu para todas as
capitais pesquisadas. Com a idade, aumenta a probabilidade de consumo abusivo. A associação da idade com o uso de drogas também é freqüentemente
constatada entre estudantes (Galduróz et al., 1997).
Na comparação do consumo de drogas entre as capitais, é importante ponderar as faixas etárias das amostras pesquisadas, uma vez que algumas desviaram da média geral (Tabela 3, pág. 29). Brasília, São Paulo, Teresina e Natal
destacaram-se na proporção de adolescentes com 15 a 18 anos de idade (entre
60 e 65%). O oposto foi observado nas amostras de Belém, Curitiba e Rio
Branco, com 25 a 30% dos entrevistados nessa faixa etária.
feminino
masculino
80
61,9
60
56,3
43,8
40
31,1
20
0
uso no mês
uso diário
Figura 1: Consumo de drogas (uso no mês e uso diário) entre os entrevistados do sexo
feminino comparados aos do masculino.
10-11 anos
12-14 anos
15-18 anos
100
78,0
80
60
53,0
49,7
40
30,1
22,7
20
8,6
0
uso no mês
uso diário
Figura 2: Consumo de drogas (uso no mês e uso diário) entre os entrevistados de
diferentes faixas etárias.
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O uso de drogas na infância e na adolescência em situação de rua nas capitais brasileiras
Denise, 16 anos, estudou até
a 8a série e não morava mais
com sua família. Comentou
que saiu de casa em função
das agressões dos pais, inclusive com uso de objetos.
Fazia uso diário de cigarro,
maconha, cola e crack. Seu
maior medo: “pegar doença
de sexo” e ficar grávida.
Denise gostaria de trabalhar,
estudar, conseguir parar de
usar drogas e ter uma casa.
Lucio, 11 anos, estudou até
a 2a série e não morava mais
com sua família. Contou que
saiu de casa por apanhar do
padrasto. Relatou fazer uso
esporádico de cigarro, cola e
disse já ter experimentado
maconha. Seu maior medo:
perder a mãe. Lucio disse
que gostaria de brincar, fazer
esportes, estudar e desenhar.
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Capítulo 1
A escola e a situação de rua: as oportunidades perdidas?
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36
Cerca de metade dos entrevistados das 27 capitais (55,8%) estava inserida no
ensino formal, mas com grandes diferenças regionais. Em Porto Velho, por
exemplo, todos os entrevistados estavam estudando. Em outras capitais, esse
índice também foi elevado, como em João Pessoa (84,8%), Porto Alegre
(82,9%), Macapá (81,3%) e Belém (80,0%). Por outro lado, em São Paulo,
nenhum estava estudando e, em outras capitais, também foram observados
índices muito baixos, como em Recife (4,7%) e Rio de Janeiro (9,6%). Para
quase todas as capitais, foram poucos os entrevistados que nunca haviam estudado, exceto em Maceió (14,4%), Vitória (2%) e Aracaju (7,1%). A maior
parte dos que não estavam estudando, na verdade, haviam parado de estudar.
Vale mais uma vez salientar que este é o perfil dos
jovens assistidos pelas instituições mapeadas nas
capitais, cada qual com sua peculiaridade; portanto, não se pode generalizar os resultados para discutir a da rede de ensino de cada capital.
No entanto, é possível afirmar que a ausência
de vínculo escolar foi um fator que se apresentou
associado ao consumo de drogas em situação de
rua (Figura 3) em praticamente todas as capitais
pesquisadas (exceto em Porto Velho, onde todos
estavam estudando). Esse é um índice, portanto, a
ser ponderado na avaliação do uso de drogas em
cada capital.
Para aqueles que pararam de estudar, os motivos atribuídos para o afastamento variaram entre
os entrevistados e as capitais, mas com alguns aspectos predominantes (mostrados na Tabela 7). Enquanto muitos relataram que a saída de casa e/ou a
necessidade de trabalhar foram os principais motivo para o afastamento da
escola (“quando eu saí de casa não deu mais para ir para a escola”), vários
outros também mencionaram a falta de motivação e o baixo rendimento escolar (“eu não gostava”, “ia mal”, “a professora era chata”) ou, até mesmo, o
fato de terem sido expulsos (“eu aprontava na escola, daí...”). O consumo de
drogas foi relativamente pouco citado como motivo da saída de casa ou da
escola, dados que coincidem com os achados de outras pesquisas brasileiras,
inclusive com os quatro levantamentos realizados anteriormente (Alves, 1991;
WHO, 1993; Noto et al., 1998; Forster et al., 1996; Koller & Hurtz, 1996).
Essas constatações sugerem a importância de a escola estar articulada a
uma rede de suporte social eficiente. Seu papel pode incluir a detecção precoce
de jovens em situação de risco, encaminhamentos, trabalhos conjuntos, entre
outros. Trata-se de uma questão complexa que exige preparo dos educadores,
pois os alunos mais “difíceis”, em geral, são aqueles que merecem um olhar
diferenciado. Posturas indiferentes ou intolerantes da escola, assim como de
várias outras instituições, representam oportunidades perdidas para a prevenção da situação de rua e, conseqüentemente, para o uso indevido de drogas
nessa situação.
estava estudando
nunca havia estudado
havia parado de estudado
100
83,8
81,7
80
60
42,1
40
20
0
uso no mês
Figura 3: Consumo de drogas (uso no mês e uso diário) entre os entrevistados que
estavam estudando (freqüentendo escola) comparados aos que não estavam estudando.
Tabela 7: Contexto de afastamento escolar das 1.171 crianças e adolescentes entrevistados nas 27 capitais brasileiras que relataram ter parado de estudar.
N = 1.171
N
Motivos do afastamento da
escola
Há quanto tempo
Estudou até
%
Não gostava, ia mal
284
24,3
Saiu de casa
261
22,3
Foi expulso
160
13,6
Mudou de local de moradia
134
11,4
Precisou trabalhar
79
6,7
Não tinha dinheiro para uniforme
53
4,5
Escola era longe
47
4,0
Não tinha vaga
28
2,4
Outros
492
42,0
Menos de 1 ano
444
37,9
1-5 anos
515
44,0
Mais de 5 anos
112
9,6
Não lembra
59
5,0
Em branco
41
3,5
780
66,6
768
65,6
57
4,9
124
10,1
a
a
a
a
1 a 4 série
5 a 8 série
Outros
Em branco
37
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O uso de drogas na infância e na adolescência em situação de rua nas capitais brasileiras
Daniel, 14 anos, estudou até
a 3a série. Disse que foi expulso da escola por ter dado
uma facada em um “colega”,
comentou também que não
tinha dinheiro para material,
uniforme etc. Relatou ter
saído de casa por apanhar do
tio, o qual chegou a ameaçálo com arma. Daniel disse
brincar na rua, viajar para
cidades próximas e, para
obter sustento, pedia dinheiro, vendia coisas, olhava
carros e furtava. Disse que
usava várias drogas tais
como: bebidas alcoólicas,
vários tipos de solventes,
maconha, crack, cocaína.
Chegou a fazer uso de chá
de lírio e Benflogin. Seu
maior medo: morrer, pois
“sou muito novo”. Comentou
que gostaria de melhorar sua
relação com a família, conseguir comida, usar menos
drogas e arrumar lugar para
morar.
Sueli, 15 anos, morava com
sua família e estava cursando
a 6a série. Começou a freqüentar a rua (onde ficava
de 2 a 3 horas) “para
passear”. Comentou que faz
uso esporádico de bebidas
alcoólicas e cigarro. Seu
maior medo: que matem sua
mãe. Não soube dizer o que
gostaria que acontecesse de
bom em sua vida.
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38
Capítulo 1
Famílias: entre as limitações e as potencialidades familiares
Conforme anteriormente mencionado, as capitais diferiram muito em relação
ao vínculo familiar dos entrevistados. Em Belém, Campo Grande, Fortaleza,
Palmas, Macapá, Porto Velho, Rio Branco e Teresina, mais de 80% dos entrevistados estavam morando com suas famílias, enquanto para algumas outras
capitais esse índice foi muito inferior (entre 20 e 50%), como em
Maceió, Brasília, Goiânia, Rio de Janeiro, chegando ao extremo
em São Paulo (7,1%).
Em relação à composição da família de origem dos entrevistados, na grande maioria dos casos, estavam presentes apenas a
mãe e os irmãos (alguns casos com irmãos também em situação
de rua), sendo a figura paterna menos freqüente (Tabela 8). Alguns autores, ao observar fenômeno semelhante, consideram que
a ausência da figura paterna envolveria maior vulnerabilidade
ao afastamento precoce dos filhos (Alves, 1991; Aptekar, 1996).
Esse fenômeno ganha maior relevância aos considerarmos o crescente número de famílias monoparentais no Brasil, predominantemente sustentadas por mulheres, muitas das quais com filhos
de diferentes relacionamentos, com sobrecarga de atribuições e
imersas em inúmeros desafios contemporâneos.
Tabela 8: Contexto familiar das 2.807 crianças e adolescentes entrevistados nas 27 capitais brasileiras, analisados
separadamente de acordo com o vínculo familiar.
Mora
com família
N = 1.932
N
Com quem mora/morava
82,7
45,6
601
319
68,4
36,3
Irmãos
1689
87,6
677
77,0
Padrasto
308
16,0
205
23,3
Madrasta
52
2,7
59
6,7
Avó/avô/tios
486
25,2
227
31,5
Pais adotivos
14
0,7
23
2,6
356
18,5
129
14,7
476
1446
24,7
75,0
265
605
30,1
68,8
1-4 pessoas
5 ou mais pessoas
10
0,5
5
0,6
Não
1198
62,1
643
73,2
Sim
706
36,6
203
23,1
22
1,1
33
3,8
304
34,6
Não sabe
Quantas vezes tentou
voltar a viver com
a família
Na: Não se aplica.
%
1596
879
Em branco
Tem irmãos que ficam
na rua
N = 875
N
Mãe
Pai
Outros
Total de pessoas com
quem mora/morava
%
Não mora
com família
Nenhuma
1 a 2 vezes
3 a 4 vezes
5 ou mais vezes
Na
205
23,3
124
234
14,1
26,6
Vale salientar que muitas famílias, embora vivendo em contextos extremamente desfavoráveis, superam as dificuldades ao descobrir e/ou desenvolver
suas potencialidades (De Antoni et al., 1999). O distanciamento da família
está, portanto, associado a uma série de aspectos culturais, da qualidade dos
vínculos, das condições de vida, do grau de conflitos, entre inúmeros outros
fatores não avaliados no presente estudo.
O critério subjetivo de “morar com família” foi um dos principais fatores
associados ao consumo de drogas (Figura 4), em praticamente todas as capitais pesquisadas. Porém foram raros os casos em que a droga foi mencionada
como motivo para o afastamento da família. O mais comum foi o inverso, ou
seja, o consumo de drogas ter se intensificado após a situação de rua.
As relações familiares são consideradas importantes focos de programas
preventivos da situação de rua e do uso indevido de drogas. Os trabalhos com
famílias serão abordados com mais detalhes no Capítulo 3 desta publicação.
estava morando com família (1.928)
não estava morando com família (879)
100
88,6
80
72,6
60
47,7
40
19,7
20
0
uso no mês
uso diário
Figura 4: Consumo de drogas (uso no mês e uso diário) entre os entrevistados que
moravam com suas famílias comparados aos que não moravam.
39
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O uso de drogas na infância e na adolescência em situação de rua nas capitais brasileiras
Elisa, 14 anos, morava com a
família, freqüentava a rua há
mais de 5 anos e estava
cursando a 7a série. Comentou que, de vez em quando,
trabalhava em casa de
família como empregada
doméstica. Relatou ter experimentado bebida alcoólica e
nunca ter feito uso de qualquer outra droga. Elisa gostaria de reformar a casa da
mãe. Sabia que ter moradia
digna e estudo, eram alguns
dos seus diretos.
Janaina, 17 anos, estudou
até a 5a série e não morava
com sua família. Contou que
saiu de casa porque a mãe a
trancava em casa e a agredia
fisicamente, tendo usado
uma faca em um dos episódios. A violência se intensificou com a chegada à família
do novo companheiro da
mãe. Antes de ir para rua,
Janaina disse que havia apenas usado cerveja. Na rua,
começou a usar cigarro,
maconha, cola e mesclado.
Seu maior medo: morrer.
Falou que seu maior sonho
é voltar para casa e ter uma
“mãe de verdade”.
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40
Capítulo 1
Violência e saúde
A violência é definida pela OMS
(Organização Mundial da Saúde)
como “o uso intencional de força
física ou poder, em ameaça ou de
fato, contra uma pessoa, grupo de
pessoas ou comunidade, que resulta ou tem alto potencial de resultar
em ferimento, morte, dano psicológico, problemas de desenvolvimento ou privação”.
Esse tema, que antes era encarado
como uma questão exclusivamente de segurança, passou nas últimas
décadas a ser debatido no campo
da saúde e, inclusive, atualmente é
considerado um dos principais problemas de saúde pública. A OMS
considera a violência um fenômeno passível de prevenção e, em sua
resolução WHA49.25, recomenda
prioridade na abordagem das questões relacionadas à violência, enfatizando a necessidade de avaliar
sua magnitude e suas conseqüências para a saúde em todos os países (WHO, 2002).
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A violência e a situação de rua
As crianças e os adolescentes em situação de rua estão imersos em um grande
contexto de violência. Para muitos, a violência começa na família de origem,
para outros, na rua. O tipo e a intensidade da violência também são variáveis.
Alguns casos são explícitos, com agressões físicas ou verbais. Outros nem tanto. Tão séria quanto as demais formas de violência é a negligência social,
muitas vezes, expressa na hostilidade ou mesmo na indiferença da população,
principalmente nas grandes cidades brasileiras.
No que diz respeito à violência familiar (Tabela 9), foram observados vários históricos de agressão, alguns deles com uso de armas e abuso sexual. As
mães foram as “agressoras” mais mencionadas, seguidas pelos pais e outros
parentes (avós, tios, padrastos, entre outros). É importante considerar que na
maioria das famílias a mãe era o único adulto de referência. Também foi freqüentemente citada a embriaguez ou intoxicação por outras drogas pelos “autores” durante as ocorrências. Esses dados indicam que, para muitos, o convívio
com o consumo de drogas antecede a situação de rua, nesse caso não como
produto, mas como fator que favorece o afastamento das crianças e dos adolescentes de suas famílias.
Quando os jovens passam a viver em situação de rua, a violência acentuase com a ausência dos sistemas de proteção (adultos responsáveis e local de
moradia), acontecendo em diferentes intensidades (Tabela 10), inclusive com
casos de exploração ou abuso (traficantes, “cafetões” ou até mesmo policiais,
comerciantes, entre outros). Alguns episódios extremos ganham visibilidade,
como a chacina da Candelária no Rio de Janeiro, em 1997. Outros nem tanto,
como, por exemplo, constatado em uma das capitais pesquisadas, onde vários
entrevistados mencionaram uma perua do governo que os abandonava no
“lixão” da cidade (local de difícil acesso). Durante o processo de entrevista
nessa capital, os nossos entrevistadores também sofreram ameaças de policiais. Embora existam muitos governantes e profissionais extremamente interessados e comprometidos com a situação de rua, é lamentável constatar que
ainda existem aqueles que reforçam a violência, com atitudes arbitrárias, indiferentes e, muitas vezes, desumanas.
O consumo de drogas está inserido nesse contexto violento. Assim, ampliar o olhar, considerando o possível histórico de violência familiar e/ou comunitária de cada criança e/ou adolescentes em situação de rua, auxilia na
compreensão de muitos comportamentos e sentimentos desses jovens.
Tabela 9: Violência sofrida em ambiente domiciliar pelas 2.807 crianças e adolescentes
entrevistados nas 27 capitais brasileiras.
Tipo de violência
(N = 2.807)
N
%
1
Discussão,
bronca exagerada
Soco, tapa, empurrão
Castigo
Agressão com objeto
Agressão com arma
Abuso sexual
Ameaça
De fato
Ameaça
De fato
Ameaça
De fato
Ameaça
De fato
Tentativa
De fato (sem relação)
Relação sexual forçada
1213
43,2
462
801
251
350
285
490
85
49
48
34
26
16,5
28,5
8,9
12,5
10,2
17,5
3,0
1,7
1,7
1,2
0,9
705
443
62
157
547
1105
504
94
49
25,1
15,8
2,2
5,6
19,5
39,4
18,0
3,3
1,7
55
2,0
Autoria e uso de drogas
2
Autor(es)
Estado de embriaguez
e/ou intoxicação
por outra droga
3
(do autor)
Mãe
Pai
Irmã
Irmão
Outro
Nenhuma (sóbrio)
Bebida alcoólica
Maconha
Cocaína
Outra
1
A maioria dos relatos envolveu mais de um tipo de violência.
Foram relatados casos de violência com mais de uma pessoa identificada como autor.
3
Foram relatados casos associados a mais de uma droga.
2
Tabela 10: Violência sofrida em situação de rua pelas 2.807 crianças e adolescentes
entrevistados nas 27 capitais brasileiras.
Tipo de violência
Discussão,
bronca exagerada
Soco, tapa, empurrão
Castigo
Agressão com objeto
Agressão com arma
Abuso sexual
1
N = 2.807
N
%
1
Ameaça
De fato
Ameaça
De fato
Ameaça
De fato
Ameaça
De fato
Tentativa
De fato (sem relação)
Relação sexual forçada
A maioria dos relatos envolveu mais de um tipo de violência.
1000
35,6
611
1068
48
45
333
583
352
193
190
74
50
21,8
38,0
1,7
1,6
11,9
20,8
12,5
6,9
6,8
2,6
1,8
41
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O uso de drogas na infância e na adolescência em situação de rua nas capitais brasileiras
Fernando, 15 anos, estudou até
a 6a série e freqüenta a rua há
mais de 5 anos. Comentou que
saiu de casa porque o pai usava
drogas e o agredia. Disse que
morava no meio do mato e não
tinha nada para fazer. Na rua já
sofreu agressões diversas por
parte de policiais (deram socos
e bateram com a “corda” do
revólver encharcada com gasolina). Relatou que faz uso de
várias drogas como: maconha,
álcool, cigarro, cocaína, crack,
mesclado, solventes. Também já
havia usado Gardenal e Skank.
Depois de usar drogas,
Fernando já transou sem camisinha, adormeceu com o “saquinho de cola” perto do rosto,
andou pelas ruas sem cuidado
e já provocou os outros.
Na fissura, chegou a roubar
para conseguir a droga. Disse
que usa drogas porque é legal e
porque quer esquecer das
tristezas. Seu maior medo:
morrer. Falou que “gostaria de
ser criança novamente”.
Nadia, 15 anos, estudou até
a 8a série e não morava com
sua família. Estava na rua há
mais de 5 anos e disse que saiu
de casa por maus-tratos constantes por parte da mãe, tio e
padrasto (sofreu estupro por
parte de ambos). Na rua (onde
também foi estuprada) pedia
dinheiro, furtava, roubava,
transava para ter dinheiro e
vigiava carros. Relatou fazer uso
diário de várias drogas como:
álcool, vários tipos de solventes,
tabaco, maconha, mesclado e
crack. Sob efeito de crack,
relatou ter tentado se matar
quatro vezes. Para conseguir a
droga quando está na fissura
chegou a roubar e fez sexo sem
proteção. Disse que usa drogas
para esquecer das tristezas e
que tem HIV. Comentou que já
tentou parar de usar drogas
pedindo ajuda da instituição,
amigos, policiais e para sua
mãe. Nadia gostaria de parar
de usar drogas, ter uma vida
mais calma, voltar a estudar e
resolver seus problemas com a
família podendo, assim, voltar
para casa.
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42
Capítulo 1
Parassuicídio
Ato não fatal no qual uma pessoa
se mutila, ou tenta fazê-lo, ou ingere uma certa quantidade de
substância potencialmente tóxica.
Superior a qualquer dosagem terapêutica prescrita ou amplamente aceita (WHO, 1997).
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Outros comportamentos de risco à saúde em situação de rua
Comportamentos de risco à saúde são freqüentes entre jovens de diferentes
segmentos sociais. Uma proporção significativa de estudantes brasileiros, por
exemplo, engaja-se em comportamentos de risco, principalmente na faixa etária de 15 a 18 anos (Carlini-Cotrim et al., 2000). Entre crianças e adolescentes
em situação de rua, a realidade é intensificada em função de uma série de
fatores como a carência de limites e de sistemas de proteção. O próprio fato de
viver na rua já é em si um risco à saúde.
Além disso, estudos mostram que diversos comportamentos
de risco em situação de rua tendem a se agregar. Ou seja, determinados jovens que assumem alguns riscos, como, por exemplo, o
uso abusivo de drogas, tendem também a se arriscar em outros
aspectos, como tentativas de suicídio, relação sexual de risco e/ou
atividades delituosas. Ao contrário, aqueles que se preservam tendem a repetir o cuidado de forma global (Auerswald & Eyre, 2002).
As tentativas de suicídio foram um dos principais comportamentos de risco avaliados no presente levantamento (Tabela 11).
Entre os entrevistados, 12,6% relataram já ter tentado suicídio,
muitos deles por mais de uma vez. Esse comportamento foi observado com maior freqüência entre as meninas, estando também associado à idade (com maior freqüência entre 15 e 18 anos)
e ao afastamento do vínculo familiar. Também foram observadas
diferenças entre as capitais, com os maiores índices em Goiânia
(36,6%), Recife (29,7%) Campo Grande (22,1%), São Paulo (21,4%) e Rio
de Janeiro (20,7%). Essas tentativas parecem, na verdade, assemelhar-se mais
ao que alguns autores denominam de parassuicídio e estão relacionadas não
necessariamente ao consumo de drogas, mas principalmente à fragilidade emocional e aos estados depressivos. Tentativas de suicídio também têm sido descritas entre jovens em situação de rua em outros países, como Estados Unidos,
Canadá, Austrália e Holanda (Smart & Adlaf, 1991; Kipke et al., 1993; Sibthorpe et al., 1995; Sleegers et al., 1998; Reilly et al., 1994; Lowry, 1996; Kidd
& Kral, 2002).
Vale salientar que tentativas de suicídio não são exclusivas da situação de
rua. Em um estudo realizado entre estudantes brasileiros da rede pública,
também foram observados índices elevados: 8,6% dos estudantes relataram
ter tentado suicídio (no ano que antecedeu a pesquisa), com maior freqüência
entre as meninas e também em associação com o avanço da idade (CarliniCotrim et al., 2000).
Tendo em vista o elevado consumo de drogas entre a população estudada,
o uso injetável (na vida) foi relativamente pouco mencionado (4,3%), mas
valendo destacar as diferenças regionais. Duas capitais, São Luís e Maceió,
destacaram-se pelo número de entrevistados que relataram já ter feito uso
injetável, atingindo, respectivamente, 16,1% e 15,6%, seguidas por Recife
(7,8%) e Rio de Janeiro (7,4%). Para Maceió e São Luís, a principal droga
injetada foi o Benflogin apresentado na forma líquida e/ou diluído com água
de riacho. O compartilhamento de seringas não foi avaliado.
O rebaixamento da crítica e o aumento da impulsividade decorrentes do estado de intoxicação, ou a fissura para o uso, são aspectos que merecem atenção
(Tabela 11). Foram mencionados comportamentos impulsivos (de brigas e/ou
roubo) e outras vulnerabilidades, como o risco de atropelamento durante o estado de intoxicação. Também foram verificados riscos específicos do uso, como a
mistura de drogas ou, até mesmo, adormecer com saquinho de solvente no rosto
(situação que pode levar à morte). Para conseguir dinheiro durante a fissura, o
roubo foi o comportamento mais freqüente. De uma maneira geral, os vários
comportamentos avaliados foram verificados em proporções semelhantes, indicando não existir um comportamento específico de risco, mas uma série deles.
Outros estudos mostram que jovens em situação de rua têm início da vida
sexual precoce. Para alguns, o sexo assume caráter de sobrevivência (conseguir dinheiro), para outros, a busca de prazer ou conforto (Scanlon et al.,
1998). Neste levantamento, em relação especificamente ao comportamento
sexual de risco (transa sem camisinha), a intoxicação apareceu como um estado de vulnerabilidade importante. Embora em menor número, esse comportamento durante a fissura (conseguir dinheiro para comprar droga) também foi
mencionado. Essa vulnerabilidade também tem sido verificada em vários outros países (Bailey et al., 1998; Roy et al., 2003). Outros estudos indicam
também que, em situação de rua, os usuários de drogas costumam ter mais
relações sexuais, maior diversidade de parceiros e usam menos preservativos,
comparados aos não usuários (Auerswald & Eyre, 2002).
Tabela 11: Comportamentos de risco (na vida) associados (ou não) ao consumo de
drogas entre as 2.807 crianças e adolescentes entrevistados nas 27 capitais.
Tentativa de suicídio
Tinha usado droga(s)
pouco antes da
tentativa (suicídio)
Uso injetável
Comportamentos
depois de usar
Comportamentos
em fissura (para
conseguir dinheiro)
Mistura de drogas
1
2
Sim
Não
Sim
Não
Sim
Não
Risco de atropelamento
Foi roubar
Transou sem camisinha
1
“Provocou” os outros
2
Os outros o “prejudicaram”
Adormeceu com saquinho
de solvente no rosto
Roubou
Transou
Transou sem camisinha
Outros
Usou ao mesmo tempo
Misturou fisicamente (ex. mesclado)
(N = 2.807)
N
%
355
12,6
2446
87,1
197
7,0
153
5,5
122
2685
754
620
710
885
803
4,3
95,7
26,9
22,1
25,3
31,5
28,6
502
17,9
457
149
77
552
645
499
16,3
5,3
2,7
19,7
23,0
17,8
Ficou mais bravo, solto e irritou os outros.
Ficou mole e os outros o prejudicaram de alguma forma (roubaram, bateram, etc.).
43
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O uso de drogas na infância e na adolescência em situação de rua nas capitais brasileiras
Sonia, 17 anos, estudou até
a 6a série e não morava com
sua família. Freqüentava a
rua há mais de 2 anos e
contou que saiu de casa em
função dos pais/padrastos
usarem drogas, por apanhar
e pelas discussões constantes. Disse que fazia uso de
cigarro, solventes, maconha,
crack e cocaína. Comentou
que usava drogas por sentirse sozinha e para esquecer
das tristezas. Relatou já ter
tentado se matar duas vezes
jogando-se na frente do
carro. Disse: “estava muito
louca de drogas, cocaína”.
Seu maior medo: ficar
sozinha no mundo. Falou:
“quero encontrar uma pessoa que eu goste e que eu
me de bem”. Sonia gostaria
de trabalhar no Bob’s e voltar
para a casa da vó.
Mara, 12 anos, estudou até
a 4a série e não morava com
a família. Comentou que saiu
de casa por não gostar do
padrasto. Na rua, disse que
ficava sozinha. Relatou fazer
uso de cigarro. Já havia experimentado maconha, solvente e bebida alcoólica.
Contou que já tentou se
matar duas vezes (uma vez
bebeu Baygon e outra tentou
se cortar com uma faca) e
que não havia usado droga
antes das tentativas. Seu
maior medo: perder a mãe e
a irmã. Quando perguntamos
o que poderia acontecer de
bom na sua vida, respondeu:
“queria conhecer o meu pai
verdadeiro”.
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CAPÍTULO 2
45
As principais drogas usadas
e suas especificidades entre os jovens
em situação de rua
Introdução
Todas as drogas psicotrópicas têm potencial de modificar o funcionamento do
sistema nervoso central (SNC) e propriedade reforçadora, ou seja, as pessoas
tendem a sentir vontade de repetir o uso. Por outro lado, as drogas diferem em
uma série de aspectos como em relação à qualidade e à intensidade dos efeitos
(estimulantes, depressores ou perturbadores) e ao potencial para o desenvolvimento da dependência.
A postura da sociedade em relação ao consumo de cada droga também é
variável, estabelecendo, por exemplo, que determinadas drogas sejam “ilegais” (derivadas da maconha e da coca, heroína, entre outras) e outras de
comércio controlado (medicamentos psicotrópicos). Existem drogas aceitas na
cultura brasileira, como o álcool e o tabaco, e ainda aquelas que não fazem
parte de nenhum desses grupos (cola, esmalte, cogumelos, trombeteira, entre
outras). O Brasil é um país com dimensões continentais e apresenta diversidades importantes em relação ao consumo e ao comércio de algumas dessas
drogas. As rotas de tráfico da cocaína e seus derivados determinam a maior ou
menor facilidade de acesso nas diferentes localidades. A eficiência do controle
da venda de medicamentos também não é homogênea. Por outro lado, algumas características são gerais, como, por exemplo, a facilidade da compra de
bebidas alcoólicas e de cigarro (tabaco) no Brasil.
Diante dessas semelhanças e diferenças, alguns aspectos são genéricos e
outros muito particulares de cada droga e de cada capital. Este capítulo tem
por objetivo apresentar as peculiaridades observadas neste levantamento, para
cada uma das principais drogas consumidas entre crianças e adolescentes em
situação de rua, bem como algumas das principais diferenças entre as capitais
(os detalhes das capitais estão apresentados na Parte B desta publicação).
Traça também um paralelo de discussão com dados observados em outros
estudos.
Drogas psicotrópicas, de acordo
com a WHO (1997), são substâncias
ou plantas que atuam no sistema nervoso central (SNC) modificando o comportamento, o humor e a cognição,
possuindo grande propriedade reforçadora, sendo, portanto, passíveis de
auto-administração”. Em outras palavras, essas drogas têm potencial de
provocar dependência.
Classificação das drogas
(Chaloult, 1971)
. Depressoras: são aquelas que
“lentificam” o funcionamento do SNC,
geralmente provocando sonolência e
diminuição dos reflexos. São exemplos
de drogas depressoras o álcool, os solventes, os tranqüilizantes (ansiolíticos)
e a heroína.
. Estimulantes: são aquelas que
“aceleram” o funcionamento do SNC,
podendo provocar ansiedade, agitação motora, vários pensamentos ao
mesmo tempo e insônia. São exemplos a cocaína e seus derivados (crack e merla) e as anfetaminas. A cafeína e a nicotina também são consideradas estimulantes, porém de baixa
potência.
. Perturbadoras (ou alucinógenas):
são aquelas que “perturbam” o funcionamento do SNC , alterando a percepção sensorial (audição, tato, visão,
paladar e olfato) e/ou no conteúdo o
pensamento (delírios). São exemplos,
a maconha, o chá de lírio, certos cogumelos e alguns medicamentos
(como o Artane®).
Dependência de drogas
Estado que demanda o uso de repetidas doses de uma dada substância
para o indivíduo sentir-se bem ou
evitar sensações ruins. A dependência indica que a pessoa tem dificuldade em controlar o uso da substância, mesmo diante de eventuais
conseqüências.
Os fatores que favorecem a dependência são diversos e envolvem aspectos biológicos, psicológicos e socioculturais.
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Capítulo 2
Tabaco
Cigarro (tabaco)
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46
O cigarro comum (tabaco) foi a droga de uso mais freqüente entre as crianças
e adolescentes em situação de rua, não apenas para os parâmetros de uso na
vida, no ano e no mês, mas principalmente a freqüência de consumo e o número de cigarros consumidos por dia (Tabela 12). Essa constatação se repetiu
para quase todas as capitais pesquisadas, mas variando consideravelmente de
intensidade, de acordo com as peculiaridades das amostras pesquisadas em
cada uma delas. As maiores freqüências, por exemplo, foram observadas em
São Paulo, Recife e Rio de Janeiro, nas quais 80 a 90% dos entrevistados
haviam feito uso recente (no mês), e cerca de 70% eram fumantes diários (20
ou mais dias no mês). Por outro lado, os menores índices foram observados
em Belém, Teresina e Rio Branco, com uso no mês em torno de 25% e o uso
diário entre 7 e 17%.
Além disso, o primeiro episódio de consumo de tabaco (cigarro), para
grande parte dos entrevistados, antecedeu a situação de rua. Essa precocidade
do consumo está relacionada à inserção do tabaco na cultura brasileira, valendo ainda salientar que, embora em proporções muito menores das aqui
observadas, o tabaco é uma das drogas mais consumidas pelos adolescentes
brasileiros de maneira geral. No levantamento realizado entre estudantes de
10 capitais brasileiras (1997), o uso freqüente de cigarros (6 ou mais vezes no
mês que antecedeu a pesquisa) foi relatado por 6,2% dos estudantes pesquisados, valor muito superior ao das demais drogas (Galduróz et al., 1997).
Um aspecto avaliado pela primeira vez neste levantamento foi como os
entrevistados adquirem o cigarro (Tabela 12). As formas variaram entre comprar pessoalmente no comércio, principalmente em bar ou venda (34,1%), e/
ou pedir/ganhar de colegas do grupo. Foram raros os casos de entrevistados
que relataram ter que pedir para outro comprar. A facilidade da compra foi
O cigarro comum (tabaco) contém um grande número de substâncias, entre as quais destacam-se a nicotina, o alcatrão e o monóxido
de carbono. De todas essas substâncias, apenas a nicotina é capaz
de provocar a dependência.
Quando tragada, a nicotina é absorvida pelos pulmões e, atuando
no sistema nervoso central, proporciona uma pequena elevação no
humor (estimulação) e diminuição do apetite. Embora a nicotina
seja um estimulante leve, é comum que alguns fumantes relatem
sensação de relaxamento, pois ela proporciona também relaxamento
muscular.
A tolerância e a síndrome de abstinência são os principais sinais
que caracterizam a dependência. A tolerância ocorre quando a pessoa tende a consumir um número cada vez maior de cigarros para
sentir os mesmos efeitos do uso inicial. Já a síndrome de abstinência aparece quando o fumante suspende repentinamente o uso do
cigarro e sente um desejo incontrolável de fumar, acompanhado de
irritabilidade, agitação, prisão de ventre, dificuldade de concentração, sudorese, tontura, insônia e dor de cabeça.
A legislação brasileira proíbe a venda para menores de 18 anos.
afirmada por mais de 90% dos que compravam em padarias, bares, vendas e
supermercados. Essa facilidade foi observada nas 27 capitais, demonstrando o
não cumprimento da lei e a ampla disponibilidade de tabaco para menores de
18 anos em todo o Brasil.
Em comparação com o estudo anterior (1997), os índices de consumo de
tabaco aumentaram entre os entrevistados de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e, em menor intensidade, em Fortaleza e Recife. Porto Alegre foi a única
capital onde foi observada diminuição.
Nesse sentido, de forma geral, as políticas antitabagistas nacionais adotadas nos últimos anos não parecem ter modificado o comportamento de consumo de tabaco entre crianças e adolescentes em situação de rua.
Tabela 12: Consumo de tabaco (cigarro comum) entre as 2.807 crianças e adolescentes
entrevistados nas 27 capitais brasileiras.
(N = 2.807)
N
1
Parâmetros de uso
Época do primeiro
episódio de uso
%
Uso na vida
1787
63,7
Uso no ano
1473
52,5
Uso no mês
1248
44,5
Antes da situação de rua
995
35,4
Depois da situação de rua
782
27,9
10
0,4
1020
36,7
1 a 3 dias
186
6,6
4 a 19 dias
237
8,4
20 dias ou mais
827
29,5
1a5
580
20,7
6 a 10
277
9,9
11 a 20
324
11,5
57
2,0
956
34,1
Não lembra
Nunca fumou
Para os casos de uso no mês (recente)
Freqüência
de uso/mês
Quantidade de
cigarros por dia
Mais de 20
Como consegue
Compra em padaria, bar, venda
Compra em supermercado
224
8,0
Compra em camelô
208
7,4
Compra em outro local
63
2,2
Pede para outro comprar
97
3,5
Pede/ganha de alguém
683
24,3
Outros
117
4,2
47
1
...............................
...............................
..................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
As principais drogas usadas e suas especificidades entre os jovens em situação de rua
Parâmetros de uso: uso na vida
(uso pelo menos uma vez na vida),
uso no ano (uso pelo menos uma
vez nos últimos doze meses) e uso
no mês ou recente (uso pelo menos uma vez nos últimos trinta
dias).
...............................
Capítulo 2
Bebidas alcoólicas
Bebidas alcoólicas
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48
O consumo de bebidas alcoólicas foi um comportamento muito comum entre
os entrevistados (Tabela 13). A freqüência também foi considerável, mas menos intensa do que a observada para o tabaco, solventes e/ou maconha. Essa
constatação se repetiu a maioria das capitais pesquisadas. Embora a cerveja
tenha sido a bebida mais citada, para muitas capitais o vinho foi quase tão
presente e, inclusive, em Rio Branco chegou a ser superior. A pinga também foi
muito mencionada, tendo sido a principal bebida em uma capital (Boa Vista).
O início do consumo, para 43,6% dos entrevistados, ocorreu antes da sua
situação de rua. No entanto, vale ressaltar que a inserção cultural das bebidas
alcoólicas é mais acentuada que a do tabaco, contando com ampla aceitação e
valorização social. No levantamento realizado entre estudantes brasileiros em
1997, 50% das crianças de 10 a 12 anos já haviam consumido algum tipo de
bebida alcoólica, sendo o ambiente familiar um dos principais contextos do
uso inicial.
A freqüência de uso de bebidas alcoólicas entre jovens em situação de rua
não diferenciou muito do observado entre estudantes (1997). Enquanto 15%
dos estudantes relataram uso freqüente (seis ou mais vezes no mês que antecedeu a pesquisa), 22% dos jovens em situação de rua relataram uso semanal
e/ou diário (quatro ou mais dias no mês que antecedeu a pesquisa). Trata-se de
um dado interessante, uma vez que para as demais drogas os índices de uso em
situação de rua foram muito superiores aos da população jovem geral.
Em relação à disponibilidade de bebidas alcoólicas, avaliada pela primeira
vez neste levantamento, uma parcela considerável dos entrevistados relatou
comprar pessoalmente no comércio, especialmente em padaria, bar e/ou venda
O álcool é uma substância psicotrópica presente em bebidas como
cerveja, vinhos e pinga. Após a ingestão de bebidas alcoólicas, inicialmente aparecem os efeitos estimulantes como euforia (inquietação, agitação), desinibição e maior facilidade para falar. Com o passar do tempo começa a fase depressora, com a falta de coordenação
motora, fala pastosa e sonolência. Se o consumo for exagerado, o
efeito depressor pode acentuar-se e provocar coma. A intensidade e
os efeitos do álcool podem variar de pessoa para pessoa, em função
de uma série de fatores, como sexo, idade, metabolismo e freqüência de consumo.
O consumo excessivo e freqüente de álcool propicia o desenvolvimento da dependência. Alguns sinais da dependência são: desen-
volvimento da tolerância, ou seja, necessidade de maiores quantidades para obter os efeitos de uso inicial; aumento da importância
do álcool na vida da pessoa; percepção do “grande desejo” de beber e da falta de controle; síndrome de abstinência (aparecimento
de sintomas desagradáveis, como, por exemplo, tremores, após ter
ficado algumas horas sem beber) e aumento de consumo do álcool
para aliviar os sintomas da síndrome.
O Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece proibição da
venda de bebidas alcoólicas às crianças e aos adolescentes menores de 18 anos. No entanto, o consumo de bebidas alcoólicas é
uma prática freqüente entre adolescentes de diferentes segmentos sociais.
(Tabela 13). A facilidade de aquisição foi relatada por quase todos os entrevistados (95%) que compraram no comércio no mês que antecedeu a pesquisa.
Essa constatação se repetiu em todas as capitais, mostrando que, assim como
para o tabaco, a nossa lei é desacreditada e a disponibilidade de bebidas alcoólicas para menores de 18 anos é uma realidade brasileira.
Em comparação com o estudo anterior entre jovens em situação de rua
(1997), os índices de consumo recente (no mês) de bebidas alcoólicas aumentaram em São Paulo, Porto Alegre, Recife e Brasília, mas mantiveram-se semelhantes ao longo dos anos em Fortaleza e Rio de Janeiro. No entanto, a
intensificação do consumo de bebidas alcoólicas também tem sido observada
entre outros segmentos da população jovem no Brasil (Galduróz, 1997).
Tabela 13: Consumo de bebidas alcoólicas (cerveja, pinga, entre outras) entre as 2.807
crianças e adolescentes entrevistados nas 27 capitais brasileiras.
(N = 2.807)
N
1
Parâmetros de uso
Época do primeiro
episódio de uso
%
Uso na vida
2134
76,0
Uso no ano
1752
62,4
Uso no mês
1208
43,0
Antes da situação de rua
1225
43,6
Depois da situação de rua
872
31,1
37
1,3
673
24,0
1021
36,4
Vinho
553
19,7
Pinga
410
14,6
Não lembra
Nunca tomou qualquer bebida
Para os casos de uso no mês (recente)
Tipos de bebidas
consumidas no mês
Freqüência de
uso/mês
Cerveja
Outra bebida
255
9,1
1 a 3 dias
590
21,0
4 a 19 dias
534
19,0
84
3,0
Compra em padaria, bar, venda
757
27,0
Compra em supermercado
228
8,1
Compra em outro local
103
3,7
Pede para outro comprar
121
4,3
Pede/ganha de alguém
607
21,6
Outros
169
6,0
20 dias ou mais
Como consegue
49
1
...............................
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..................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
As principais drogas usadas e suas especificidades entre os jovens em situação de rua
Parâmetros de uso: uso na vida
(uso pelo menos uma vez na vida),
uso no ano (uso pelo menos uma
vez nos últimos doze meses) e uso
no mês ou recente (uso pelo menos uma vez nos últimos trinta
dias).
...............................
Capítulo 2
Solventes
Solventes ou inalantes
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50
A alta intensidade de inalação de solventes entre crianças e adolescentes em
situação de rua é um dos comportamentos mais peculiares dessa população
(Bucher, 1991; Noto et al., 1994; Forster et al., 1996). Neste levantamento foi
possível avaliar a amplitude dessa prática no Brasil que, embora em graus
variados, repetiu-se em quase todas as capitais pesquisadas. Porto Velho foi a
única capital onde não foi constatado consumo de solventes. Os maiores índices foram observados em São Paulo e Recife, com cerca de 60% dos entrevistados fazendo uso diário (20 ou mais dias no mês).
O tipo de solvente inalado também variou consideravelmente entre as capitais e regiões do país. A cola foi o solvente predominante em 14 capitais
(sendo 12 das Regiões Norte e Nordeste), o thinner em oito (de diferentes
Regiões) e o “loló” em duas (Porto Alegre e Fortaleza). Embora em freqüência
muito pequena, predominou o esmalte em Campo Grande e “lança”, em Vitória. No entanto, vale ressaltar que para a maioria das capitais foram observadas situações mistas, com uso de mais de um tipo de solvente.
O uso diário foi citado por 16,3% dos entrevistados. Em estudo realizado
por Thiesen & Barros (2004), foi avaliada a concentração urinária de ácido
hipúrico (metabólito do tolueno) entre jovens em situação de rua de Porto
Alegre. Os índices detectados foram muito elevados, sugerindo alta exposição
a esse solvente.
Diferentemente do álcool e do tabaco, o consumo inicial de solventes foi,
na maioria dos casos, após a situação de rua (Tabela 14). Embora também
tenham sido constatadas outras formas de aquisição, foi comum o relato da
compra pessoal no comércio (venda, mercado) em todas as capitais (exceto
Porto Velho) e, para a maioria delas (exceto São Paulo e Brasília), foram raros
os casos em que havia a necessidade de outra pessoa comprar. Esses dados
constatam a disponibilidade de solventes, mesmo no comércio formal, para
consumo abusivo entre jovens brasileiros.
Os solventes são substâncias voláteis, isto é, evaporam-se e podem
ser facilmente inaladas. Vários produtos comerciais contêm solventes, como é o caso de esmaltes, colas, tintas, thinners, gasolina, removedores e vernizes. Ainda existem os inalantes fabricados de forma clandestina, como o “cheirinho da loló” e o “lança-perfume”.
Os efeitos, após a inalação, são bastante rápidos (desaparecem em
15 a 40 minutos) e o usuário repete o uso para que as sensações
durem mais tempo. Os efeitos vão desde uma estimulação inicial
seguindo-se uma depressão, podendo também aparecer processos
alucinatórios. Os efeitos dos solventes lembram aqueles do álcool
(exceto as alucinações). O efeito mais predominante é a depressão,
que pode chegar à inconsciência. Esta fase ocorre com freqüência
entre os que usam saco plástico, pois após certo tempo já não conseguem afastá-lo do nariz, aumentando a intensidade da intoxicação. Os solventes podem tornar o coração humano mais sensível à
adrenalina, assim, se uma pessoa inala solvente e logo depois faz
esforço físico, pode ter sérias complicações cardíacas.
A inalação repetida de solventes favorece a apatia, dificuldade de
concentração e déficit de memória. A dependência pode ocorrer,
sendo mais evidentes o desejo de usar e a perda de outros interesses. Em menor intensidade, pode haver desenvolvimento de tolerância e síndrome de abstinência (ansiedade, agitação, tremores,
câimbras nas pernas e insônia).
Existam leis que proíbam a venda de solventes e inalantes à base
de tolueno para menores de 18 anos.
Em comparação aos levantamentos anteriores, foi observado aumento considerável em cinco das seis capitais, especialmente São Paulo e Rio de Janeiro.
Porto Alegre foi a única capital que apresentou diminuição. Esse panorama
sugere que o consumo de solventes entre jovens em situação de rua permanece
tão freqüente ou mais que na década de 1980.
O consumo de solventes entre outros jovens brasileiros, embora em menor
intensidade, também é uma questão relevante. Entre estudantes da rede pública (1997), 13,8% relataram ter ao menos experimentado (uso na vida), valor
muito superior, por exemplo, à maconha — relatada por 7,6% (Carlini et al.,
1988; Galduróz et al., 1997).
Tabela 14: Consumo de solventes (cola, thinner, loló, lança, entre outros) entre as
2.807 crianças e adolescentes entrevistados nas 27 capitais brasileiras.
(N = 2.807)
N
1
Parâmetro de uso
Época do primeiro
episódio de uso
%
Uso na vida
1245
44,4
Uso no ano
1032
36,8
Uso no mês
806
28,7
Antes da situação de rua
474
16,9
Depois da situação de rua
752
26,8
Não lembra
Nunca inalou qualquer solvente
19
0,7
1562
55,6
Para os casos de uso no mês (recente)
Tipos de solvente
1
inalado no mês
Cola
536
19,1
Thinner
332
11,8
290
10,3
Lança
58
2,1
Esmalte
34
1,2
Benzina
23
0,8
6
0,2
2
Loló
2
Outros solventes
Freqüência de uso
no mês
1 a 3 dias
149
5,3
4 a 19 dias
198
7,1
20 dias ou mais
457
16,3
Como consegue
Compra pessoalmente no comércio
343
12,2
Compra pessoalmente em camelô
102
3,6
Compra de outra forma
162
5,8
Pede para outro comprar
116
4,1
Pede/ganha de alguém do grupo
389
13,9
23
0,8
107
3,8
Não quis falar
Outros
51
...............................
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..................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
As principais drogas usadas e suas especificidades entre os jovens em situação de rua
Parâmetros de uso: uso na vida
(uso pelo menos uma vez na vida),
uso no ano (uso pelo menos uma
vez nos últimos doze meses) e uso
no mês ou recente (uso pelo menos uma vez nos últimos trinta
dias).
1
2
A denominação utilizada entre os
entrevistados para determinado
solvente muitas vezes é uma “gíria” específica do grupo. Por exemplo, o produto referido como “loló”
entre os jovens de Porto Alegre,
segundo informações locais, tratase de um removedor (Silvercril® ).
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Capítulo 2
Maconha
Maconha
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52
A maconha também foi uma das drogas de maior consumo entre os jovens em
situação de rua, não apenas nos parâmetros de uso no ano e no mês, mas
também na freqüência de uso (Tabela 15). O consumo dessa droga, embora
em proporções muito variadas, foi observado em todas as capitais pesquisadas. Os maiores índices foram constatados em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Recife, nas quais 50 a 73% dos entrevistados haviam feito uso recente
(no mês) e cerca de 20 a 50% estavam consumindo em 20 ou mais dias no mês.
Os menores índices foram observados em Porto Velho, onde não foi observado uso recente, e em Belém, Teresina, Rio Branco e Macapá, onde o uso no mês
foi em torno de 3 a 10% e o uso diário entre 0 e 2%.
Também foi observado consumo de haxixe em 19 capitais. Embora os detalhes sobre essa droga não tenham sido contemplados no questionário, foi
possível avaliar o uso na vida, que atingiu os maiores em São Paulo (42,9%),
Goiânia (34,1%), Rio de Janeiro (31,9%) e Brasília (26,1%).
A maconha é o nome dado aqui no Brasil a uma planta chamada
cientificamente de Cannabis sativa. O THC (tetrahidrocanabinol) é
uma substância química produzida pela própria maconha, sendo o
principal responsável pelos efeitos da planta.
Os efeitos incluem olhos avermelhados, boca seca e aumento da
freqüência cardíaca. A atuação no cérebro pode propiciar sensação
de bem-estar, calma, relaxamento, diminuição da fadiga e vontade
de rir, enquanto para outras pessoas os efeitos podem pender mais
para um lado desagradável: angústia, medo de perder o controle,
tremores, suor (“má viagem” ou “bode”). Há ainda evidente perturbação na capacidade da pessoa em calcular o tempo e o espaço e
um prejuízo na memória e na atenção.
As pessoas que consomem com muita freqüência podem desenvolver problemas respiratórios (bronquites), assim como ocorre também com o cigarro comum. Sabe-se também que o uso continuado
da maconha interfere na capacidade de aprendizagem e memorização e pode induzir a um estado de amotivação, isto é, as coisas
ficam com menos graça e importância. Este efeito crônico da maconha é chamado de síndrome amotivacional. Além disso, a maconha
pode levar algumas pessoas a um estado de dependência.
A maconha faz parte da lista de substâncias consideradas entorpecentes pelo Ministério da Saúde. A legislação brasileira incrimina
tanto o tráfico como o porte para uso próprio.
Assim como para as demais drogas ilegais, o consumo inicial de maconha
foi, na maioria dos casos, após a situação de rua (Tabela 15). A forma de
aquisição não foi perguntada no levantamento por se tratar de uma droga
ilegal, cujas vias de acesso são sabidamente clandestinas. No entanto, vale
ressaltar que, diante da intensidade do uso, a ilegalidade da maconha não
parece representar um impedimento de acesso para essa população.
Em comparação com os dados observados entre estudantes brasileiros da
rede pública, o consumo de maconha entre jovens em situação de rua foi muito superior. Enquanto7,6% dos estudantes pesquisados em 1997 relataram
uso na vida, entre os em situação de rua o índice foi de 40,4%. A tendência de
aumento, observada entre os estudantes (de 2,8% em 1987 para 7,6% em
1997), ocorreu com menor intensidade entre os em situação de rua, provavelmente em função de diversos fatores, como a elevada prevalência já observada
na década de 1980.
Tabela 15: Consumo de maconha (baseado, haxixe, skank) entre as 2.807 crianças e
adolescentes entrevistados nas 27 capitais brasileiras.
(N = 2.807)
N
1
Parâmetro de uso
Época do primeiro
episódio de uso
%
Uso na vida
1133
40,4
Uso no ano
900
32,1
Uso no mês
714
25,4
Antes da situação de rua
393
14,0
Depois da situação de rua
737
26,3
3
0,1
1674
59,6
Não lembra
Nunca usou maconha
Para os casos de uso no mês (recente)
Freqüência de uso
no mês
Já usou maconha
misturada com
outra coisa?
1 a 3 dias
169
6,0
4 a 19 dias
234
8,3
20 dias ou mais
312
11,1
Não
401
14,3
Sim
314
11,2
53
1
...............................
...............................
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As principais drogas usadas e suas especificidades entre os jovens em situação de rua
Parâmetros de uso: uso na vida
(uso pelo menos uma vez na vida),
uso no ano (uso pelo menos uma
vez nos últimos doze meses) e uso
no mês ou recente (uso pelo menos uma vez nos últimos trinta
dias).
...............................
Capítulo 2
Cocaína, crack e merla
Cocaína, merla e crack
..........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
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54
O consumo de derivados da coca, cocaína, crack e/ou merla, ainda que em uso
experimental (na vida), foi mencionado em todas as capitais brasileiras. As
intensidades variaram muito, tendo sido observados os maiores índices de uso
recente (uso no mês) no Rio de Janeiro (45,2%), São Paulo (31,0%), Boa Vista
(26,5%), Brasília (23,9%) e Recife (20,3%). Por outro lado, em Belém, Teresina e Porto Velho, não houve nenhum relato de uso recente. As diferenças entre
as Regiões do país foram evidenciadas com maior consumo na Região Sudeste
e menor na Norte (tendo Boa Vista como única exceção). As capitais também
variaram em relação ao tipo de derivado mais consumido.
O uso recente de cloridrato de cocaína foi observado em 22 capitais, na
sua forma aspirada. O uso recente de cocaína injetável foi mencionado por
apenas 8 entrevistados (entre os 2.807), com maior a freqüência em Salvador
(3 casos).
O uso recente de crack também foi relatado em 22 capitais. Os maiores
índices ocorreram em São Paulo, Recife, Curitiba e Vitória (entre 15 e 26%),
seguidas de Natal, João Pessoa, Fortaleza, Salvador e Belo Horizonte (entre
8 e 12%). Vale salientar uma peculiaridade de São Paulo, onde predominou o
consumo do crack em mistura com maconha, na forma de cigarro, que os
entrevistados a referiram como “mesclado”.
A merla, embora tenha sido mencionada em 18 capitais (uso na vida), o
uso recente foi relatado em oito delas. As principais foram Brasília (19,3% de
uso recente), Goiânia (17,1%), Maranhão (15,5%) e Boa Vista (10,3%).
O consumo inicial de derivados da coca ocorreu, na maioria dos casos,
após a situação de rua (Tabela 16). A forma de aquisição não foi questionada,
mas a ilegalidade dos derivados da coca (assim como a maconha) não parece
representar um impedimento de acesso para essa população.
A tendência de aumento observada entre os estudantes (de 0,5% em 1987
para 2% em 1997) também foi constatada nos levantamentos entre crianças e
adolescentes em situação de rua (nas seis capitais estudadas anteriormente). Fo-
A cocaína é uma substância extraída das folhas de uma planta encontrada na América do Sul: a Erythroxylon coca. A cocaína é comercializada na forma de um “pó” (cloridrato de cocaína), que pode
ser usado na forma aspirada (cheirada) ou injetada. Existem outros
dois produtos que contêm cocaína na forma de base, o crack e a
merla (mela, mel ou melado), que se volatilizam quando aquecidos
e, portanto, são fumados. A via pulmonar “encurta” o caminho para
chegar ao cérebro e os efeitos surgem rapidamente.
Logo após o uso, a pessoa sente sensação de prazer, euforia e poder.
A “fissura”, muito intensa no caso do crack e da merla, é vontade
incontrolável de sentir os efeitos de “prazer”. O crack e a merla também provocam um estado de excitação, hiperatividade, insônia, per-
da de sensação do cansaço, falta de apetite e de cuidados com a
higiene. Após o uso intenso e repetitivo, o usuário sente cansaço e
depressão. A pressão arterial pode elevar-se e o coração pode bater
muito mais rapidamente (taquicardia) e, em casos extremos, chega à
parada cardíaca.
O aumento da freqüência de uso favorece a “paranóia” e com o
uso crônico pode levar a uma degeneração irreversível dos músculos
esqueléticos, chamada rabdomiólise.
A cocaína faz parte da lista de substâncias consideradas entorpecentes pelo Ministério da Saúde. A legislação brasileira incrimina
tanto o tráfico como o porte.
ram observados, ao longo dos anos, crescimentos em “saltos”, que ocorreram
em épocas diferentes, em quase todas as capitais. Em São Paulo ocorreu entre
1989 e 1993, em Porto Alegre entre 1993 e 1997 e no Rio de Janeiro o consumo,
que já era elevado em 1993, acentuou-se ainda mais entre 1997 e 2003.
Nas duas capitais do Nordeste, Fortaleza e Recife, os índices de consumo
recente, que eram quase insignificantes até 1997 (em torno de 1%), saltaram,
respectivamente, para 10,3% e 20,3% em 2003. Esses dados, embora avaliados em apenas duas capitais, sugerem uma crescente disponibilidade de derivados da coca no Nordeste brasileiro.
Os resultados desta pesquisa confirmam a disponibilidade e o consumo de
derivados de cocaína no Brasil de forma geral. As diferenças regionais entre
Sudeste e Nordeste, que até então eram muito marcantes, já não parecem tão
acentuadas em 2003. O aumento do consumo dos derivados da coca, em especial crack e merla, é uma questão que merece consideração especial, tendo em
vista o alto potencial prejudicial dessas drogas em curto tempo. Além disso,
esses derivados agravam os problemas vividos por crianças e adolescentes em
situação de rua, principalmente por provocar isolamento social, dificultando
consideravelmente o estabelecimento de vínculos, fator essencial para a reinserção social. Em contrapartida, vale salientar a mudança de padrão de consumo de crack em São Paulo para a forma de mesclado. Essa nova forma de
uso foi justificada pelos entrevistados como uma alternativa menos prejudicial
(“o pessoal tava se acabando com o crack puro... o mesclado vicia menos”).
Tabela 16: Consumo de derivados da coca (cocaína, crack, merla) entre as 2.807 crianças e adolescentes entrevistados nas 27 capitais brasileiras.
(N = 2.807)
N
1
Parâmetro de uso
Época do primeiro
episódio de uso
%
Uso na vida
687
24,5
Uso no ano
519
18,5
Uso no mês
353
12,6
Antes da situação de rua
136
4,8
Depois da situação de rua
547
19,5
4
0,1
2120
75,5
147
5,2
8
0,4
Merla
71
2,5
Crack
153
5,5
86
3,1
1 a 3 dias
163
5,8
4 a 19 dias
123
4,4
66
2,4
Não lembra
Nunca usou qualquer derivado da coca
Para os casos de uso no mês (recente)
Tipos de derivados
da coca usados
no mês
Cocaína cheirada (aspirada)
Cocaína injetada
Outra droga derivada da coca
Freqüência de uso
no mês
20 dias ou mais
55
1
...............................
...............................
..................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
As principais drogas usadas e suas especificidades entre os jovens em situação de rua
Parâmetros de uso: uso na vida
(uso pelo menos uma vez na vida),
uso no ano (uso pelo menos uma
vez nos últimos doze meses) e uso
no mês ou recente (uso pelo menos uma vez nos últimos trinta
dias).
...............................
Capítulo 2
Medicamentos psicotrópicos
..........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
...............................
56
O consumo de medicamentos foi constatado em algumas capitais específicas,
predominantemente da Região Nordeste do país. Os medicamentos psicotrópicos mais relatados foram o Rohypnol® (flunitrazepam) e o Artane® (triexafenidila). Curiosamente, foi também relatado uso recreacional de medicamentos
de outras categorias farmacológicas, como o Benflogin® (benzidamida), antiinflamatório amplamente utilizado pela população brasileira.
O uso recente (no mês) de Rohypnol® foi relatado em 13 capitais, com os
maiores índices, entre 13 e 22%, em Recife, João Pessoa, Maceió, Fortaleza e
Brasília. No entanto, foram relativamente raros os relatos de uso diário (20 ou
mais dias no mês). Para o Artane®, o uso recente foi constatado em cinco capitais, em especial Recife (26,5%) e Fortaleza (13,2%). O uso recente de Benflogin® foi citado em quatro capitais, em especial São Luís (8%) e Fortaleza (6%).
A aquisição ocorreu predominantemente em comércio clandestino, de forma semelhante ao tráfico de drogas ilegais (Tabela 17). Essa constatação denuncia o desvio de medicamentos e/ou a produção clandestina, merecendo
Medicamentos psicotrópicos
Rohypnol® (flunitrazepam)
O Rohypnol® é o nome “fantasia” de um medicamento à base de
flunitrazepam, um benzodiazepínico usado como hipnótico (para induzir o sono). Os benzodiazepínicos produzem uma depressão da
atividade do cérebro que se caracteriza por: diminuição de ansiedade, indução de sono, relaxamento muscular e redução do estado de
alerta. Os benzodiazepínicos são drogas relativamente seguras, pois
são necessárias grandes doses (20 a 40 vezes mais altas que as
habituais) para trazer efeitos mais graves. Entretanto, se a pessoa
também ingerir bebida alcoólica, a intoxicação torna-se mais séria,
pois há grande diminuição da atividade do cérebro, podendo levar
ao estado de coma.
Os benzodiazepínicos quando usados por alguns meses seguidos
podem levar a um estado de dependência. Como conseqüência, sem
a droga o dependente passa a sentir muita irritabilidade, insônia
excessiva, sudoração, dor pelo corpo todo, podendo, nos casos extremos, apresentar convulsões.
Os benzodiazepínicos são controlados pelo Ministério da Saúde, isto
é, a farmácia só pode vendê-los mediante receita especial do médico,
que fica retida para posterior controle, o que nem sempre acontece.
Artane® (triexafenidila)
O Artane® é o nome “fantasia” de um medicamento à base de triexafenidila, um anticolinérgico usado no tratamento de algumas doenças, como a de Parkinson. As drogas anticolinérgicas são capazes
de, em doses elevadas, produzir delírios e alucinações.
São comuns as descrições pelas pessoas intoxicadas por triexaferidil
de se sentirem perseguidas e/ou terem visões de santos, animais, estrelas, fantasmas, entre outras imagens. Estes delírios e alucinações
dependem bastante da personalidade da pessoa e de sua condição.
Os efeitos são bastante intensos, podendo demorar até 2-3 dias.
As drogas anticolinérgicas são capazes de produzir muitos efeitos
periféricos. As pupilas ficam dilatadas, a boca seca e o coração pode
disparar. Os intestinos ficam paralisados e a bexiga fica “preguiçosa” ou há retenção de urina. Os anticolinérgicos podem produzir,
em doses elevadas, grande elevação da temperatura, que chega às
vezes até 40-41oC, e aumento do batimento cardíaco. Existem pessoas também que descrevem ter “engolido a língua” e quase se
sufocarem por causa disto. Estas drogas não desenvolvem tolerância no organismo e não há descrição de síndrome de abstinência
após a parada de uso contínuo.
Desde 1975, o Artane® (triexifenidila) passou a ter venda controlada (receituário B). Apesar disso, esse medicamento é facilmente
obtido com falsificação das receitas e repassadas aos usuários.
Benflogin® (benzidamida)
O Benflogin® é o nome “fantasia” de um medicamento à base de
benzidamida, um antiinflamatório amplamente comercializado. Esse
medicamento, diferente dos anteriores, não é considerado psicotrópico, por não proporcionar o desenvolvimento de dependência.
É importante destacar que em doses terapêuticas (dose que as pessoas costumam usar para ter o efeito antiinflamatório) o Benflogin®
não tem a capacidade de alterar o comportamento. Porém, quando
utilizado em doses muito elevadas, ou em associação com bebidas
alcoólicas, pode provocar alucinações, isto é, produzir imagens e/ou
sons. O abuso é muito pouco conhecido e estudado.
O Benflogin® não está sujeito ao controle de venda dos psicotrópicos. Portanto, é um medicamento comprado com facilidade nas
farmácias.
maior atenção das autoridades sanitárias, em especial na Região Nordeste.
Também foi constatada compra em farmácias (sem notificação de receita),
indicando também falha no controle da dispensação desses medicamentos.
Em comparação com os anos anteriores nas seis capitais pesquisadas, foi
observado aumento considerável nos índices de uso recente de Artane® em
Recife e em Fortaleza. O consumo de Rohypnol® aumentou em Fortaleza e o
de Benflogin® permaneceu estável. Em São Paulo e em Porto Alegre, embora
na década de 1980 tenham sido detectados índices elevados de consumo de
medicamentos, desde 1993 não são mencionados, assim permanecendo em
2003.
Comparando os dados com os levantamentos realizados entre estudantes,
o consumo de medicamentos entre crianças e adolescentes em situação de rua
é muito diferenciado. Não são apenas as diferenças numéricas e/ou regionais,
mas também o tipo de medicamento usado e as formas de acesso. O consumo
elevado de ansiolíticos talvez seja a única semelhança, mas em contextos completamente diferentes.
Tabela 17: Consumo de medicamentos psicotrópicos (Rohypnol®, Artane®, Benflogin® e
outros) entre as 2.807 crianças e adolescentes entrevistados nas 27 capitais brasileiras.
(N = 2.807)
N
1
Parâmetro de uso
Época do primeiro
episódio de uso
Uso na vida
376
%
13,4
Uso no ano
207
7,4
Uso no mês
141
5,0
Antes da situação de rua
101
3,6
275
9,8
2431
86,6
108
3,8
44
1,6
Benflogin
30
1,1
1 a 3 dias
74
2,6
4 a 19 dias
56
2,0
20 dias ou mais
28
1,0
Compra pessoalmente na farmácia
41
1,5
Pede para outro comprar
23
0,8
Depois da situação de rua
Nunca usou medicamentos
2
Para os casos de uso no mês (recente)
Tipo de medicamento
usado no mês
Rohypnol
®
®
Artane
®
Freqüência de uso
no mês
Como consegue
Pede/ganha de alguém do grupo
49
1,7
Consegue de outra forma
75
2,7
57
1
...............................
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As principais drogas usadas e suas especificidades entre os jovens em situação de rua
Parâmetros de uso: uso na vida
(uso pelo menos uma vez na vida),
uso no ano (uso pelo menos uma
vez nos últimos doze meses) e uso
no mês ou recente (uso pelo menos uma vez nos últimos trinta
dias).
2
Uso de medicamentos sem indicação médica.
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CAPÍTULO 3
59
O que já fizemos e o que poderemos fazer
em relação ao uso de drogas em situação de
rua no Brasil: entre caminhos e descaminhos
“A criança e o adolescente têm direito à proteção à vida e à saúde
mediante a efetivação de políticas sociais públicas que permitam
o nascimento e o desenvolvimento sadio e harmonioso,
em condições dignas de existência.”
Do Direito à Vida e à Saúde. Em: Estatuto da Criança e do Adolescente.
Ministério da Saúde: Título II, Cap. I, Art. 7o, p. 15. Brasília, 1991.
Introdução
Entre as tentativas de minimizar o consumo de drogas, não apenas em situação de rua, intervenções repressivas e de controle foram as que receberam
maior destaque nas últimas décadas. Mas, apesar da ampla utilização, diversos estudos apontam limitações e, até mesmo, algumas complicações sociais
associadas a esse tipo de recursos. Tornou-se essencial pensar a questão dentro
de perspectivas mais amplas, considerando também o bem-estar físico, psicológico e social da população. Nesse contexto, as contribuições da saúde pública passaram a receber crescente visibilidade, por meio de seus dois grandes
pilares: a epidemiologia e a prevenção.
Atualmente, as medidas preventivas são bastante diversificadas, tendo sofrido ao longo dos anos consideráveis avanços, mas a eficácia da maioria delas, no entanto, ainda permanece questionável. Provavelmente, conseguimos
afirmar mais sobre os descaminhos do passado do que sobre os caminhos a
serem trilhados. Esse conhecimento acumulado mostra, por exemplo, que intervenções isoladas tendem a ter baixa efetividade e que não existem fórmulas
mágicas universais, uma vez que cada comunidade e/ou população tem suas
peculiaridades; portanto, necessitando de abordagens compatíveis com seu
contexto sociocultural.
O presente capítulo tem por objetivo discutir criticamente, em face dos
resultados obtidos neste levantamento, as medidas preventivas e outras intervenções adotadas até o momento, para crianças e adolescentes em situação de
rua. Visa também ampliar o olhar para as possibilidades de outros caminhos.
Prevenção ao uso indevido de
drogas diz respeito a intervenções
voltadas para diminuir a probabilidade de consumo e/ou de problemas de saúde associados ao consumo indevido de drogas.
Conversando com os
profissionais da
“linha de frente”
Para compor a amostra de
profissionais, foi sugerido aos
coordenadores que selecionassem ao menos dois profissionais em cada capital,
buscando diversificar as
abordagens e as esferas de
trabalho (saúde, educação,
assistência social, direito e/ou
outras). Foram conduzidas ao
todo 57 entrevistas. As entrevistas foram gravadas e
transcritas literalmente para
análise de conteúdo. As
questões centrais das entrevistas foram: Quais são suas
maiores dificuldades em
relação ao consumo de drogas entre crianças e adolescentes em situação de rua?
Levando em conta a sua
experiência, quais seriam as
suas sugestões para a elaboração de textos informativos
e para políticas públicas em
relação ao consumo de
drogas?
Alguns dos principais temas
abordados pelos profissionais
foram: a fragilidade da rede
de assistência à situação de
rua, a necessidade de capacitação dos profissionais frente
às drogas, as dificuldades do
encaminhamento para tratamento da dependência, bem
como a distância entre a
teoria e a prática das intervenções públicas.
A importância e as dificuldades do trabalho com as famílias foram ressaltadas por
quase todos os profissionais.
O uso de drogas foi mencionado como um fator que
dificulta o trabalho dos educadores para o resgate da
cidadania dos jovens em
situação de rua.
Alguns relatos de profissionais, mais significativos e/ou
representativos, serão apresentados de forma literal ao
longo deste capítulo.
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60
Capítulo 3
As intervenções podem e devem buscar elementos que favoreçam o fortalecimento da autonomia e que propiciem condições para um desenvolvimento
saudável. A discussão a partir de dados brasileiros significa também respeitar
a nossa realidade, aumentando a chance de serem adotadas políticas mais
adaptadas à nossa cultura e às nossas diversidades.
A avaliação epidemiológica é numericamente abrangente, mas limitada em
profundidade. Portanto, as políticas devem também levar em conta pesquisas
qualitativas, as quais visam compreender os comportamentos a partir de crenças, valores e histórias pessoais. Uma pesquisa qualitativa está sendo realizada
no CEBRID1 junto aos jovens em situação de rua e, futuramente, deverá complementar as discussões aqui apresentadas. Este capítulo foi enriquecido, no
entanto, com relatos de profissionais que trabalham com crianças e adolescentes em situação de rua nas capitais brasileiras, sobre as dificuldades em campo
e sugestões para as políticas públicas.
1
A pesquisa qualitativa em andamento é alvo do mestrado de Yone Gonçalves de Moura,
sob orientação de Ana Regina Noto, no Departamento de Psicobiologia da Universidade
Federal de São Paulo.
As medidas repressivas e de controle da disponibilidade
das drogas no Brasil: catracas em meio aberto?
A repressão ao tráfico de drogas, o controle policial voltado ao usuário, a
restrição à venda de bebidas alcoólicas, cigarro, solventes e medicamentos
psicotrópicos são alguns exemplos de tentativas de controle sobre a disponibilidade das drogas em sociedade. Historicamente, essas foram as primeiras
medidas adotadas e as que receberam maior destaque nas últimas décadas em
vários países. Inicialmente, acreditava-se que as
políticas exclusivamente repressivas dariam conta
de diminuir o consumo. No entanto, esse enfoque
minimizou o potencial da demanda social, a qual
encontra brechas no sistema de controle, mantendo o consumo, ainda que clandestinamente. As
políticas exclusivamente repressoras e/ou controladoras parecem assumir papel de catracas em meio
aberto, ou seja, sistemas de controle com grandes
brechas laterais que inutilizam sua função.
Entre crianças e adolescentes em situação de rua,
em especial aqueles em maior grau de exclusão social, as medidas de controle parecem não fazer diferença ou até mesmo ter efeito contrário. Neste
levantamento, foi constatada a facilidade de aquisição de qualquer droga. As drogas mais consumidas diariamente, para muitos, foram o cigarro, os solventes e a maconha, ou seja, cada qual com um
diferente nível de controle social.
Para as drogas lícitas, tabaco e bebidas alcoólicas, os entrevistados relataram comprar livremente no comércio formal, apesar de a legislação atual prever
limite de idade para a venda (Tabela 12, pág. 47 e Tabela13, pág. 49). Para as
drogas controladas, solventes e medicamentos, foi observada dificuldade pouco
maior para a compra no comércio formal, o que, entretanto, parece ser neutralizado pelo comércio clandestino (Tabela 14, pág. 51 e Tabela 17, pág. 57). Para
as drogas ilegais, maconha e derivados da coca, a facilidade não parece ser
muito diferente, exceto o fato de o comércio ocorrer exclusivamente ilegal.
Essa clandestinidade do comércio de drogas ilícitas e/ou controladas favorece o contato das crianças e dos adolescentes com traficantes, os quais algumas vezes incluem jovens no comércio dessas drogas. Nesses casos, a violência
associada ao tráfico ganha relevância e passa a ser mais um fator de risco e
exclusão social.
O processo de substituição também merece ser considerado. O acompanhamento temporal dos levantamentos indica que a restrição do acesso à determinada droga pode diminuir o seu consumo, porém desencadeia um processo,
praticamente imediato, de substituição por outras drogas mais disponíveis.
Um exemplo foi o fenômeno substituição da cola pelo esmalte em São Paulo.
Nos anos de 1987 e 1989 era considerável o consumo de cola nesta capital,
enquanto o uso de esmalte era insignificante (Figura 5). Porém, em 1993, o
consumo de cola praticamente desapareceu, e o esmalte passou a ser o princi-
61
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O que já fizemos e o que poderemos fazer em relação ao uso de drogas em situação de rua no Brasil
pal solvente usado (relatado por 66,5% dos entrevistados). Houve uma intensificação temporária do controle da cola em São Paulo, no início da década de
1990, a qual provavelmente desviou o interesse para o esmalte, produto facilmente adquirido em camelôs. Embora não tenha sido modificada a legislação,
no ano 2003 a situação retornou ao perfil da década de 1980, ou seja, o consumo de cola voltou a ocorrer e em nível ainda mais acentuado. Esse retorno
sugere um fenômeno de “esquecimento” ou a “descrença” na lei e, portanto,
sua baixa eficiência em longo prazo.
Outro exemplo ocorreu com a inclusão do Artane® na Portaria da DIMED
o
n 27/86. Essa portaria determinou que a venda desse medicamento, até então
comprado livremente, somente poderia ser efetuada mediante apresentação e
retenção de uma notificação de receita médica (notificação B). O uso de Artane® em São Paulo foi reduzido à metade; paralelamente, aumentou o consumo
de solventes.
A substituição de drogas, decorrentes de medidas restritivas, é mencionada na literatura internacional em diferentes populações (Westermeyer, 1976;
Schottstaedt & Bjork, 1977; Carlini-Cotrim & Silva-Filho, 1988; Noto et al.,
1994). Esses processos de substituição trazem um desafio para as políticas
100
•
80
•
n
cola
esmalte
•
40
1993
n
n
n
2003
•
20
0
•
n
1997
60
1987
“... porque a droga está em
cada esquina... tem lugares
onde ela é comercializada
com muita liberdade...”
(Belo Horizonte)
“...na maioria dos casos,
todo mundo sabe onde são
os pontos, quem são os fornecedores... o pessoal vende
tranqüilamente...” (Recife)
“...a gente consegue saber
quem é o dono do armazém,
a pessoa que fornece a cola,
a pessoa que fornece o crack
e a própria polícia às vezes
tem essas informações e não
acontece nada...” (Natal)
“...a sociedade é hipócrita,
só considera droga a maconha, cocaína, crack... e o
álcool é legalizado vendido
ai, indiscriminadamente.”
(Salvador)
“... outra coisa é justamente
a falta de fiscalização em
torno dessas farmácias e de
outros estabelecimentos
comerciais...” (Teresina)
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Capítulo 3
Porcentagem de usuários
Relatos dos profissionais
sobre a disponibilidade
das drogas
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62
1988 (Em São Paulo – Lei 6.210 – a comercialização de colas que
contenham Tolueno passa a ser proibida a menores de 18 anos)
Figura 5: Consumo de cola e de esmalte (uso recente) em São Paulo nos anos 1987,
1993, 1997 e 2003.
públicas: o de enfocar não apenas a droga, mas, principalmente, os jovens e o
contexto social. O abuso excessivo de drogas entre crianças e adolescentes em
situação de rua não pode ser visto exclusivamente como um problema em si,
mas também como um sintoma que indica uma série de aspectos sociais, inclusive a omissão da sociedade diante dessas crianças e adolescentes.
A repressão torna-se ainda questionável quando envolve violência contra
os jovens em situação de rua. Além de pouco efetivas, as situações repressivas
muitas vezes acentuam conflitos, desencadeando um clima de estresse ainda
maior, fator este que, paradoxalmente, aumenta a demanda para uso de drogas (Schneider, 1991). Além disso, a repressão distancia ainda mais a polícia
dos jovens. Os policiais deveriam ser os representantes da segurança para a
população como um todo, especialmente para as crianças e os adolescentes em
situação de vulnerabilidade, mas, na prática, essa teoria parece ocorrer às
avessas. Quando questionados se já haviam procurado ajuda da polícia, os
entrevistados responderam: “não confio na polícia”, “não gosto deles”, “tenho vergonha”, “eles me batem”, “eles não dão valor para pivete”, “tenho
medo”, “eles não acreditam no nosso pedido de ajuda, falam para aguardar e
nunca mais voltam”.
63
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O que já fizemos e o que poderemos fazer em relação ao uso de drogas em situação de rua no Brasil
Relatos dos profissionais
sobre o tráfico, a
repressão e a violência
“... na rua elas têm contato
com traficante, com repassadores, com outros usuários
de drogas, com a polícia, que
às vezes é violenta também
com elas...” (João Pessoa)
“... outra questão são os
grupos nos miolos das favelas, onde se vende droga...
as crianças ficam nos arredores por que elas têm o apoio,
têm a cobertura do traficante ali da favela...” (Curitiba)
“... ele praticar atos antisociais faz parte, ele ficar
exposto faz parte, ele ser
maltratado por intervenções
policiais faz parte... nós não
gostamos disso, mais isso é
a dinâmica da rua...”
(Belo Horizonte)
“... a questão da droga não
está só no uso dela e na
comercialização... as pessoas
morrem de medo de trabalhar com menino em conflito
com a lei...” (São Paulo)
“... uma dificuldade... é um
modo de proteção para as
pessoas que queiram denunciar...” (Rio Branco)
“... e prá mim a pior droga
de todas é o álcool... porque
impele os meninos prá rua
porque os pais ou padrasto,
mães ou madrastas, ingerem
e descarregam com violência, com abusos, e termina o
menino fugindo disso...”
(Salvador)
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64
Capítulo 3
Os diferentes níveis
de prevenção:
primária, secundária e terciária
As intervenções de saúde pública são
tradicionalmente caracterizadas por três
níveis de prevenção: primária, secundária e terciária. Para o consumo indevido
de drogas, essa classificação foi transposta da seguinte forma:
. prevenção primária: conjunto de ações
que procura evitar o uso de drogas, visando diminuir a probabilidade de novas pessoas começarem a usar;
. prevenção secundária: conjunto de
ações que procura evitar a ocorrência de
complicações para as pessoas que fazem
uso ocasional de drogas;
. prevenção terciária: conjunto de ações
que, a partir de um uso problemático de
drogas, procura evitar prejuízos adicionais e/ou reintegrar na sociedade os indivíduos com problemas mais sérios.
(WHO, 1992; Noto & Moreira, 2004)
Intervenções universais,
seletivas e indicadas
Nesta classificação estão implícitos os
conceitos de fatores associados à proteção e ao risco, considerando a multiplicidade de fatores envolvidos no uso
abusivo e na dependência de drogas. Enquanto na classificação tradicional (primária, secundária, terciária) o foco é o
grau de envolvimento do indivíduo com
a droga, nesta passa a ser centrado nas
características do indivíduo ou na população, da seguinte forma:
. intervenções universais: programas
destinados à população geral, supostamente sem qualquer fator específico associado ao risco;
. intervenções seletivas: ações voltadas
para populações com um ou mais fatores associados ao risco para o uso indevido de substâncias;
. intervenções indicadas: incluem intervenções voltadas especificamente para
pessoas identificadas como usuárias ou
com comportamentos direta ou indiretamente relacionados ao uso indevido
de substâncias.
Neste referencial de classificação, ao
privilegiar o enfoque na população (ou
no indivíduo), fica implícita a importância da análise das características da população-alvo ao se planejar uma intervenção. Assim, programas universais,
quando aplicados a populações que
apresentam vários fatores de risco, que
demandariam programas seletivos, correm o risco de se tornarem improdutivos ou até contraproducentes.
(Gilvarry, 2000; Noto & Moreira, 2004;
WHO , 2002)
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A informação: sua importância e seus limites na prevenção
A informação de qualidade é um aspecto básico para qualquer programa preventivo. Historicamente, as primeiras intervenções informativas exploraram o
amedrontamento (divulgação apenas dos prejuízos causados pelas drogas),
viés este que foi avaliado como contraproducente em diversos estudos. Posteriormente, começou a ser utilizado o modelo da informação científica não
tendenciosa (informação geral e isenta). Foi concluído, porém, que a informação quando aplicada isoladamente não tem muito sucesso enquanto medida
preventiva, uma vez que, embora ela seja capaz de mudar alguns conceitos da
população-alvo, isso não implica, necessariamente, uma mudança de comportamento (Carlini-Cotrim, 1992; Dorn & Murji, 1992; Noto et al., 1994; Booth et al., 1999).
Essas limitações dos modelos informativos foram confirmadas no presente levantamento. Quando questionada sobre as conseqüências para a saúde,
a grande maioria dos usuários tinha conhecimento
dos danos decorrentes do uso (Tabela 18), como:
“estraga o pulmão”, “emagrece”, “acaba com a pessoa”, “deixa louco”, “faz mal para o coração”.
Muitos já haviam tido problemas graves de saúde.
No entanto, esse conhecimento não parece ter sido
suficiente para promover uma mudança de comportamento.
Por outro lado, a maioria dos não-usuários alegou evitar o uso por saber que “faz mal à saúde”,
sugerindo que o esclarecimento pode ser relevante
para alguns (Tabela 18). O mesmo vale para as informações e as orientações voltadas para a redução de danos entre os usuários. A divulgação de
informações de qualidade é o primeiro passo de
qualquer medida preventiva, porém, acreditar que
esta seja uma intervenção preventiva em si é desconsiderar todo o contexto que envolve a situação de rua.
A transmissão da informação através de pares, ou seja, através de outros
jovens em situação de rua, foi sugerida por alguns dos profissionais entrevistados. Esse modelo também tem sido debatido na literatura internacional, não
apenas para o uso de drogas, mas também para questões de sexualidade e
outros cuidados com a saúde de forma geral (Booth et al., 1999). Os pares
tendem a inspirar maior confiança e credibilidade, além de utilizarem uma
forma de comunicação mais compreensível ao grupo.
Vale salientar que modelos universais de prevenção, como a divulgação de
informações muito gerais, tendem a ser pouco efetivos ou até mesmo inadequados para populações de risco, como as crianças e os adolescentes em situação de rua. Essas populações demandam modelos mais específicos, como os
seletivos e/ou indicados. Portanto, a divulgação de informações de qualidade
deve ser apenas uma das metas em integração com várias outras intervenções.
Tabela 18: Atitudes relacionadas ao consumo de drogas entre as 2.807 crianças e
adolescentes entrevistados nas 27 capitais.
(N = 2.807)
N
1
Drogas e saúde
Faz bem
119
4,2
Faz mal
1902
67,8
230
8,2
Não faz diferença
94
3,3
Não sabe
85
3,0
Acha legal, gostoso, divertido
556
19,8
Sentir mais solto (desinibido)
198
7,1
Sentir mais forte, poderoso, corajoso
166
5,9
Porque é fácil conseguir
68
2,4
Porque os amigos usam
248
8,8
Esquecer a fome, o frio
105
3,7
Esquecer a tristeza
251
8,9
Outros
326
11,6
Não sabe
23
0,8
Família é contra
63
2,2
Amigos, namorado(a) são contra
11
0,4
Religião
22
0,8
Medo da polícia
15
0,5
Por causa da saúde
170
6,1
Medo de “viciar”
106
3,8
57
2,0
130
4,6
70
2,5
438
15,6
Amigos, namorado(a) são contra
24
0,9
Religião
80
2,9
Medo da polícia
63
2,2
Não sabe
Motivos para o uso
Motivos para
2
parar de usar
1
Usou e passou mal
Outros
Motivos para
3
nunca usar
1
Não sabe
Família é contra
Por causa da saúde
675
54,0
Medo de “viciar”
437
15,6
Outros
594
21,2
Perguntado apenas para quem estava usando recentemente alguma droga.
Perguntado apenas para quem havia parado.
3
Perguntado apenas para quem nunca usou qualquer droga.
2
%
65
...............................
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O que já fizemos e o que poderemos fazer em relação ao uso de drogas em situação de rua no Brasil
Relatos dos profissionais
sobre a informação
“... as campanhas que a
gente vê por aí são aterrorizantes... não adianta a gente
aterrorizar mais... o menino... precisa ser informado,
bem informado... sobre os
prejuízos... sobre a relação
que ele está estabelecendo
com aquela substância...”
(São Paulo)
...“ acho que a maior dificuldade são os educadores
caretas... falar sempre do
lado negativo... e, para quem
já usou e quem usa, sabe
que a droga tem um lado
muito legal, se não nenhum
deles usava...” (Porto Alegre)
“... só a informação pura e
simples não resolve... deveria
trabalhar com multiplicadores, com possíveis educadores, envolver algumas
pessoas da comunidade...”
(Vitória)
“... fazer uma interação com
os adolescentes, até mesmo
fazer com que eles sejam
multiplicadores e depois
passem essas informações
para os demais...” (Curitiba)
“... fazer história em quadrinhos, desenho, criar um
personagem envolvendo
todo esse problema é uma
solução...“ (Campo Grande)
“... podia ser com outro tipo
de linguagem, das artes, do
grafitismo, desenhos animados, porque muitos não
sabem ler... uma parte dos
meninos daqui gosta muito
de rap, gosta da música...”
(Recife)
“... política pública é muito
mais do que lançar cartazes,
panfletos e campanhas em
televisão, é qualificar... esses
profissionais...”
(Rio de Janeiro)
...............................
...............................
66
Capítulo 3
Prevenção: resgatando a cidadania com criatividade
O uso de drogas entre crianças e adolescentes em situação de rua é um fenômeno associado às condições de vida dessa população. Assim, a questão deve ser
abordada de forma abrangente, envolvendo programas voltados à qualidade
de vida desses jovens e ao desenvolvimento de seus potenciais (Trubilin &
Zaitsev, 1995; Bandeira et al., 1996; Koller & Hutz, 1996).
Um dos principais resultados do levantamento, inclusive observado nos anteriores, diz respeito às expectativas de vida das crianças e dos adolescentes em
situação de rua (Tabela 19). A grande maioria respondeu ter expectativas básicas relacionadas à cidadania, seja por meio do trabalho (43,4%), do estudo
Tabela 19: Atividades de interesse e expectativas de vida entre as 2.807 crianças e
adolescentes entrevistados nas 27 capitais.
(N = 2.807)
N
Atividades
de interesse
Expectativas de vida
%
Esporte
1295
46,1
Brincadeira
1164
41,5
Estudar/ler/escrever
1103
39,3
Trabalho
989
35,2
Assistir
934
33,3
Música
768
27,4
Passeios
712
25,4
Namoro
670
23,9
Desenho/pintura/artesanato
415
14,8
Descanso/tempo para pensar
285
10,2
Usar drogas
133
4,7
Nada
86
3,1
Roubar
35
1,2
Outros
824
29,4
1219
43,4
Estudar
747
26,6
Conseguir lugar para morar
441
15,7
Melhorar relação com a família
421
15,0
Ocupação melhor do tempo
264
9,4
Resolver problemas pessoais
264
9,4
Conseguir usar menos drogas ou parar
257
9,2
Conseguir comida
TV
Trabalhar
122
4,3
Resolver problema de saúde
98
3,5
Resolver problemas com polícia
24
0,9
Não precisa de ajuda
29
1,0
1670
59,5
Outro
(26,6%) ou simplesmente ter um lugar para morar (15,7%). Essas expectativas,
na verdade, representam os direitos básicos de qualquer criança ou adolescente
brasileiro (ECA).
Em parceria com a Secretaria Especial de Direitos Humanos, foram incluídas algumas perguntas específicas sobre os direitos das crianças e dos
adolescentes (Tabela 20). A maioria dos jovens relatou não conhecer seus direitos (67,9%) e, entre
os que conheciam, foi observada falta de conhecimento sobre as formas de assegurá-los. É interessante observar que muitos já “ouviram falar” no
ECA, mas foram poucos os que responderam conhecer “para que serve”. O Conselho Tutelar foi
bastante conhecido entre os entrevistados (83,7%),
mas um número relativamente pequeno relatou já
ter buscado auxílio (27,5%).
Esses dados indicam que ainda parece existir
uma grande lacuna a ser transposta para que as
crianças e os adolescentes em situação de rua te-
Tabela 20: Direitos humanos, Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e Conselho
Tutelar. Contexto geral do conhecimento e utilização de recursos entre as 2.807 crianças e adolescentes entrevistados nas 27 capitais. (Estas questões foram incluídas por sugestão da Secretaria
Especial de Direitos Humanos)
(N = 2.807)
N
Conhece seus direitos?
Sim
Quem procura para
garantir seus direitos
Não conhece seus direitos
%
895
31,9
1905
67,9
Ninguém
233
8,3
Parente
254
9,0
Amigos
63
2,2
Delegacia
26
0,9
Polícia
17
0,6
162
5,8
Promotor de justiça
35
1,2
Vara da Infância e Juventude
66
2,4
241
8,6
1639
58,4
Conselho Tutelar
Outros
ECA
Já ouviu falar
773
27,5
Conselho Tutelar
Já ouviu falar
2350
83,7
Sabe “para que serve”
1667
59,4
Já buscou ajuda
771
27,5
Resolveu o problema
521
18,6
Sabe “para que serve”
67
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O que já fizemos e o que poderemos fazer em relação ao uso de drogas em situação de rua no Brasil
Alteridade
Capacidade de se pôr no lugar do
outro, buscando compreender as
razões que motivam seus atos (Costa & Silva, 2001).
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68
Capítulo 3
nham seus direitos assegurados em nosso país. Um
enorme caminho já foi percorrido desde a Declaração Universal dos Direitos da Criança (1959), do
ECA no Brasil (1990) e outros grandes movimentos. Em relação especificamente à situação de rua,
vale salientar ainda o Movimento Nacional de
Meninos e Meninas de Rua, que conta com inúmeros voluntários, que trabalham em conjunto em
todo o país (www. mnmmr.org.br). Apesar de todas essas iniciativas, ainda há muito que fazer.
O resgate da cidadania é um dos mais importantes aspectos a serem trabalhados em programas
preventivos em situação de rua. O maior desafio provavelmente é descobrir
formas para que esse resgate aconteça. A maior parte das crianças e dos adolescentes em situação de rua aprendeu a viver em liberdade, sem muitos limites e sem a presença de autoridades impostas. A ambivalência entre o desejo
de liberdade e a vontade de se integrar na sociedade formal talvez seja uma
das questões centrais de muitos jovens. A inserção social, portanto, deve ser
construída gradativamente junto aos próprios jovens, respeitando as diferenças e as necessidades de cada um, de forma que faça sentido para a população-alvo e não apenas para satisfazer os governantes ou aliviar o mal-estar da
população geral. Para essas iniciativas, a alteridade é uma característica fundamental.
Uma vez que a rua passa a ser o circuito de socialização desses jovens, os
programas preventivos devem oferecer um circuito alternativo que ofereça melhores condições de desenvolvimento (Lescher et al., 1999). Outra importante
meta de trabalho é o fortalecimento dos potenciais de cada criança e adolescente, explorando as atividades de interesse e valorizando a cultura local. Existem estudos que apontam as diversas potencialidades das crianças e dos
adolescentes em situação de rua, como a elevada capacidade de maneira com
dificuldades, a criatividade, a inteligência, entre outros, que merecem ser valorizados e potencializados (Koller & Hutz, 1996).
No presente levantamento, as principais atividades de interesse foram a
prática de esportes (46,%), as brincadeiras em geral (46,1%) e os passeios
(41,5%), demonstrando que, embora em situação de rua, sobretudo são crianças e adolescentes e que preservam diversos aspectos saudáveis da infância e
da adolescência (Tabela 19). Esse dado ganha especial relevância se considerarmos que a droga, para muitos, representa uma forma de contato com o
lúdico. Viver momentos mágicos, dar risada, brincar com os desafios, ver
“raios coloridos caindo do céu”, sentir-se “super-homem”, são algumas das
sensações de prazer relatadas pelos entrevistados com o uso de drogas. Portanto, propiciar alternativas de prazer deve ser uma das metas no processo de
trabalho preventivo.
A prática de esportes, por exemplo, além de saudável e prazerosa, pode
resgatar o respeito às regras e aos limites, aspectos essenciais para a vida em
sociedade. Brincar é um direito de toda criança e/ou adolescente previsto pelo
ECA e representa uma das formas de aprender a se relacionar socialmente e de
abrir espaço para a criatividade. A ludicidade tem demonstrado ser um importante instrumento de resgate da cidadania para outras populações em situação de risco social (Costa & Silva, 2003).
No Brasil, existem vários trabalhos com crianças e adolescentes em situação de risco social (não necessariamente em situação de rua). Por exemplo, em
Salvador existe o Projeto Axé e, em São Paulo, os projetos Meninos do Morumbi, Circo Escola e Casa das Crianças, cuja ênfase é a inclusão dos jovens
por meio da música, da dança, da arte circense e/ou da ludicidade (Costa &
Silva, 2001; Noto & Moreira, 2004). Entre os projetos de prevenção indicada
vale mencionar o Projeto Quixote (PROAD/UNIFESP), em São Paulo, e o Consultório de Rua (CETAD/UFBA) em Salvador que, embora trabalhem em perspectiva de saúde global, também oferecem atendimento específico à dependência de
drogas. O Projeto Quixote, por exemplo, utiliza estratégias baseadas no oferecimento de alternativas e desenvolvimento dos potenciais das crianças e dos
adolescentes. As atividades desenvolvidas em ateliês ou oficinas buscam também o estabelecimento de vínculos afetivos. Ao longo desse contato, são observadas as demandas de saúde global a serem atendidas por profissionais de
diferentes áreas, como psicólogos, médicos, cirurgiões-dentistas, assistentes
sociais, advogados, entre outros (Rigato, 2002).
Resgatar a cidadania como um todo pode representar um novo trilho para
a prevenção em situação de rua. Existem muitas histórias pessoais, algumas
delas publicadas, de jovens que, apesar das inúmeras dificuldades, retomaram
os vínculos sociais, estabeleceram novas metas de vida e, paralelamente, reduziram ou cessaram com o consumo de drogas (Ortiz, 2001; Fundação Projeto
Travessia, 2004). Valorizar essas histórias, bem como conhecer sobre os contextos que favoreceram (ou desfavoreceram) o processo de mudança, é um
importante aspecto a ser considerado nos trabalhos preventivos.
69
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O que já fizemos e o que poderemos fazer em relação ao uso de drogas em situação de rua no Brasil
Relatos dos profissionais
sobre resgate da cidadania
“ ... porque a gente pensa
que as pessoas de baixa
renda só precisam de casa,
comida e acabou. E o lazer?
Eles são tão consumidores
quanto a gente...” (Natal)
“... eu acho que a droga só
vai sair da vida deles quando
eles tiverem uma outra vida
... tu não tens como trabalhar a droga, tens que trabalhar a vida, porque a droga
entra nesse contexto... no
momento em que eles percebem outras possibilidades,
eles começam a ver outras
formas de prazer que não o
obtido através das drogas...”
(Porto Alegre)
“...eles sonham com muitas
coisas boas, pensam em
vencer... a gente deveria
propor alguma coisa que
fizesse esses meninos sonharem com os pés no chão...
com coisas concretas, coisas
boas que eles possam visualizar, determinadas situações
como cidadãos mesmo...”
(Fortaleza)
“... eles já vêm de uma exclusão social, da família, em
todos os âmbitos... é difícil
trabalhar a inclusão... os
direitos deles, que eles possam buscar... fazer que eles
acreditsem neles mesmos...”
(Macapá)
“...se eu estou trabalhando
com população de rua, eu
acho que a gente tem que se
adequar à demanda deles e
não forçar o garoto a mudar
instantaneamente de vida
para que eu possa atendêlo...” (São Paulo)
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70
Capítulo 3
Trabalhando com as famílias
O trabalho com as famílias também deve ser priorizado na prevenção. Praticamente todos os profissionais entrevistados ressaltaram a importância da inclusão da família em diferentes perspectivas. Grande parte das famílias vive em
contexto de exclusão social, cada qual com sua história de desafios. Entram
questões complexas como pobreza, desemprego, condições precárias de moradia (Abdelgalil et al., 2004). Essas dificuldades muitas vezes se acentuam com
a ausência dos pais ou de um deles, demandando sobrecarga, geralmente da
mãe, no cuidado da casa e dos filhos (Tabela 8, pág. 38). Embora muitas
famílias demonstrem alta resiliência, superando essas dificuldades e mantendo-se funcionais, outras nem tanto, necessitando de apoio social para o desenvolvimento de suas potencialidades. A valorização das forças familiares e/ou o
oferecimento de suporte social são formas de prevenção à situação de rua e,
conseqüentemente, ao uso abusivo de drogas. Iniciativas como as do Programa de Saúde da Família, iniciado no Brasil no início da década de 1990, podem trazer grandes contribuições no trabalho precoce com famílias em situação
de risco social (Junior, 2003).
Neste levantamento, para muitas crianças ou adolescentes que se afastaram de suas famílias (31,2% – Tabela 3, pág. 29), melhorar a relação familiar
foi uma das principais expectativas. Esse interesse foi também demonstrado
nos relatos sobre as inúmeras tentativas de “voltar para casa” (Tabela 8, pág.
38). Um raciocínio linear seria pensar que, se a família é fator associado à
proteção ao uso excessivo de drogas e, por outro lado, se existe interesse dos
jovens em retomar o vínculo, a prevenção se resumiria em “voltar para a família”. No entanto, isso não é tão simples quanto possa parecer, uma vez que
para a maioria não se trata de encontrar um “endereço perdido”, mas sim o
resgate de um vínculo familiar fragilizado, muitas vezes permeado por histórias
difíceis (Tabela 4, pág. 30 e Tabela 9, pág. 41). Vale lembrar que alguns dos
principais motivos alegados pelos jovens para a saída de casa, em geral, foram
os maus-tratos físicos, os conflitos familiares e a busca de sustento. A situação
de rua, portanto, está associada a uma situação de risco social da família
como um todo e em diferentes níveis. Em um estudo realizado por Juarez
(1991), em Recife, concluiu-se que os jovens que relataram sair de casa por
questões econômicas retornavam com maior facilidade quando comparados
àqueles que saíram por outros motivos familiares, para os quais o rompimento do vínculo pareceu mais acentuado.
A família é um sistema dinâmico e passível de mudanças. Existem relatos
de famílias, com adolescentes em situação de rua, que modificaram sua forma
de lidar com as dificuldades e conseguiram retomar a união e o apoio mútuo
entre seus membros (Fundação Projeto Travessia, 2004). O desenvolvimento
das potencialidades das famílias, no entanto, é realmente um grande desafio,
que envolve esforços das próprias famílias, muitas vezes demanda suporte da
comunidade local e de diferentes setores sociais. Trata-se de um trabalho de
extrema complexidade, mas de fundamental importância, que merece ser priorizado nas políticas públicas.
Ainda vale considerar que, para muitos, a situação de rua foi favorecida
pelo próprio uso de bebidas alcoólicas e/ou outras drogas pelos adultos
responsáveis da família (Tabela 4, pág. 30 e Tabela 9, pág. 41). Nesses casos,
deveriam ser desenvolvidos programas de atenção ao consumo da família como
um todo. Essa necessidade também tem sido apontada por estudos conduzidos
em outros países (McMorris, 2002).
Dessa forma, as políticas públicas devem incluir as questões familiares em
diferentes perspectivas. Variando desde políticas preventivas da situação de
rua, como a garantia de estruturas básicas de apoio aos cuidados das crianças
(creches, escolas em período integral, entre outros), estratégias de detecção
precoce de jovens em situação de risco social, orientação familiar, abordagens
comunitárias até programas de reinserção familiar/social para aqueles que já
estão em situação de rua, inclusive com atenção ao consumo de bebidas alcoólicas e outras drogas na família como um todo.
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O que já fizemos e o que poderemos fazer em relação ao uso de drogas em situação de rua no Brasil
Relatos dos profissionais
sobre a família e
a comunidade
“... então são as mães assumindo as atividades domésticas, de maternidade e
paternidade...“
(Rio de Janeiro)
“... nós fazemos um trabalho
e eles são devolvidos à família... a família libera novamente para as ruas... fica um
trabalho incompleto.” (Manaus)
“ ... muitas vezes, a família
não está preparada. A família tem que ser trabalhada
concomitantemente com a
criança e o adolescente...”
(Belém)
“... você vê que esse pai e
essa mãe também já são
fruto dessa miserabilidade...
é um círculo vicioso... eu
acredito que boas políticas
públicas, principalmente
investindo nas comunidades
periféricas, impediriam que
migrassem tantos meninos
prá rua...” (Salvador)
“... acontece isso... da família ampliada, pai e mãe nem
sempre é possível, mas tio,
vó, padrinho, amigo... é
muito comum, por exemplo,
quando as mães estão presas
e aí a amiga sai de dentro do
presídio, essa amiga toma
conta do filho da outra...”
(São Paulo)
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72
Capítulo 3
Os serviços de saúde e a situação de rua:
uma distância a ser transposta
Foi evidenciada, em todas as capitais pesquisadas, a fragilidade dos serviços
de atenção às crianças e aos adolescentes em situação de rua, bem como a
dificuldade de encaminhamento para tratamento de dependência e outros problemas de saúde. Essa dificuldade é tão presente que, embora não tenha sido
alvo central da pesquisa, foi observada em todas as abordagens do estudo, ou
seja, no próprio levantamento, no mapeamento das instituições e na conversa
com os profissionais.
Ao serem questionados sobre as tentativas de parar ou reduzir o consumo
de alguma droga, dos 2.247 entrevistados que responderam, 1.244 afirmaram
já ter tentado (Tabela 21), dos quais 696 relataram ter tentado sozinhos. Mas
para aqueles que consideraram ter tido alguma ajuda, as instituições de assistência a essa população foram as principais referências. Os serviços de saúde
foram mencionados por apenas 19 (0,7%) entrevistados, demonstrando a enorme distância entre a situação de rua e os serviços de saúde nas capitais brasileiras. Essa distância, no entanto, não é peculiaridade brasileira, uma vez que
tem sido observada em outros países. Parecem entrar em questão várias barreiras, como a descrença dos jovens em relação aos profissionais da saúde, a
pouca familiaridade com os serviços de saúde e, no sentido inverso, os preconceitos dos profissionais em relação à situação de rua, a necessidade de permissão de familiares para algumas intervenções, entre outros (Geber, 1997).
Além disso, muitos profissionais entrevistados relataram não se sentir aptos para encaminhar e/ou lidar com o uso de drogas, indicando a necessidade
de capacitação para tais procedimentos. É importante que os educadores conheçam as complicações e os comportamentos de riscos mais comuns, bem
como saibam identificar as diferenças entre uso, abuso e dependência. Os casos de dependência, por exemplo, demandam encaminhamentos mais específicos e, dependendo da situação, um período de desintoxicação supervisionado.
Os casos de uso esporádico, quando necessário, demandam outros tipos de
abordagens. A orientação segura e o encaminhamento adequado são aspectos
básicos para a efetividade das intervenções.
A adesão do dependente ao tratamento é uma das grandes dificuldades.
No que se refere especificamente aos jovens em situação de rua, um estudo
conduzido por Smart e Ogborne (1994) sugere índices ainda mais elevados de
abandono ao tratamento, decorrentes, especialmente, da carência de estrutura
social/familiar característica dessa população. No entanto, outros estudos mostram que, em situações específicas, a chance de aderência aumenta, como, por
exemplo, quando a intervenção é oferecida em momentos de crise, como a
morte de um amigo, uma doença grave ou uma situação violenta. Essas situações desestruturam o equilíbrio da situação de rua e favorecem o oferecimento
de alternativas. Essas intervenções devem ocorrer muito rapidamente, antes
que o equilíbrio se reinstale (Auerswald & Eyre, 2002). Daí a necessidade de
uma ampla rede de assistência extremamente eficiente e ágil, adaptada às características dessa população.
O Projeto Quixote (São Paulo) e o Consultório de Rua (Salvador), anteriormente mencionados, são dois projetos brasileiros que se destacam pela partici-
Tabela 21: Tentativas de parar ou diminuir o uso de alguma droga, relatadas entre as
2.807 crianças e adolescentes entrevistados nas 27 capitais.
(N = 2.807)
N
Tentou parar
Como tentou
parar
(Quem ajudou?)
%
Sim
1244
44,3
Não
1003
35,7
Tentei sozinho
696
24,8
Alguém da instituição
(educador, assistente social)
261
9,3
Alguém da família
196
7,0
Amigo ou grupo de amigos
113
4,0
Alguém da igreja
74
2,6
Alguém do hospital ou posto de saúde
(médico, enfermeiro)
19
0,7
144
5,1
Outros
pação ativa junto à população jovem na rua, buscando atender às necessidades das crianças e dos adolescentes e respeitando seu contexto social. Projetos
com essas características favorecem a acessibilidade dos jovens aos serviços de
saúde, além de atender a uma série de outras demandas. Iniciativas como essas
devem ser estimuladas e fortalecidas em nosso país.
A valorização da saúde é uma motivação que merece ser observada e explorada pelos serviços de tratamento a essa população. No levantamento, o interesse em cuidar da saúde foi um dos principais motivos alegados para evitar ou
modificar a forma de uso. Esse fator foi o mais ressaltado entre os entrevistados
não-usuários e também entre ex-usuários (Tabela 18). Em São Paulo, a mudança de padrão de uso do crack para mesclado foi mencionada como uma iniciativa do grupo para a preservação da saúde. O interesse em cuidar da saúde
pessoal, muitas vezes, parece surgir em ambivalência, caracterizada pelo número de tentativas de suicídio e outros comportamentos de risco à saúde.
Tendo em vista os diversos comportamentos de risco e as dificuldades para
a reversão do consumo de drogas, torna-se essencial o desenvolvimento de
estratégias de redução de danos. No Brasil, o Ministério da Saúde tem avançado muito nas políticas de redução de danos associados ao uso de drogas, mas
ainda há muito a se avançar no trabalho específico com populações em situação de rua.
Em síntese, os resultados do presente levantamento mostram a importância da área da saúde e, paralelamente, denunciam o difícil acesso aos seus
diversos serviços. Essa discussão merece absoluta prioridade, para que jovens
em situação de rua tenham rápido acesso à saúde e ao tratamento da dependência e/ou às emergências. Sugerem também que, na medida do possível, os
profissionais desta área tenham uma participação mais ativa junto às populações em situação de rua, com o desenvolvimento de estratégias adaptadas às
demandas e que, por meio do respeito e da articulação com outros serviços,
favoreçam não apenas a saúde física, mas também o resgate da auto-estima e
da cidadania.
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O que já fizemos e o que poderemos fazer em relação ao uso de drogas em situação de rua no Brasil
Relatos dos profissionais
sobre os serviços de saúde
“... a falta de estrutura,
principalmente porque antes
de o jovem ir para um abrigo, ele teria primeiro que
passar por um processo de
desintoxicação e um tratamento psicológico...”
(Goiânia)
“Não existem lugares de
internação... lugares com
esse tipo de tratamento para
adolescentes, lugares com
pessoas especializadas que
saibam lidar com esse tipo de
situação... aquele usuário
que passa o dia inteiro usando não vai ao ambulatório...
não tem lugar imediato para
onde tu encaminhar...”
(Porto Alegre)
“... falta um local que trate
especificamente da dependência infanto-juvenil...”
(Boa Vista)
“... mandar essa menina para
um hospital para poder desintoxicar... para a gente
começar a fazer o trabalho
com ela e a família, mas a
gente não consegue vaga...”
(Brasília)
“...a gente ainda sofre de
uma outra coisa junto com
os meninos que é o preconceito... uma pessoa na unidade de saúde que precisa de
atendimento não precisa ser
julgada por ser de periferia,
infratora ou qualquer coisa
que seja. Ela precisa ser
atendida! Eu acredito que
essa é uma dificuldade que a
gente enfrenta... encontrar
um profissional sensibilizado
no serviço, que não faça
julgamento desse menino...”
(Natal)
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74
Capítulo 3
A fragilidade da rede de assistência:
entre a arbitrariedade e o compromisso social
A fragilidade da rede de assistência é, portanto, um fator que contribui consideravelmente para a perpetuação do consumo de drogas no contexto da situação de rua. O restabelecimento dos vínculos sociais oficiais, como a escola e
os serviços de saúde, tem sido apontado como um
dos principais elementos para a recuperação da
qualidade de vida, conseqüentemente, para a prevenção do uso abusivo de drogas. Por outro lado,
o consumo intenso de drogas parece ser exatamente um dos principais fatores que dificultam a reintegração social. Fica estabelecido então um ciclo
de retroalimentação que, para ser rompido, são necessários esforços não apenas da área da saúde,
mas de uma rede de atenção global, envolvendo os
diferentes setores da sociedade (Bandeira et al.,
1996; Carlini-Cotrim, 1998).
Se as instituições de atenção específica à situação de rua são algumas das principais referências
dos jovens, o cuidado com essas instituições é um
aspecto fundamental. Porém, conforme anteriormente mencionado, a prática
parece ser outra. No mapeamento das instituições realizado no presente estudo, a fragilidade dessa rede ficou evidente. Nas seis capitais pesquisadas nos
anos anteriores, foi possível estabelecer comparação temporal. As mudanças
observadas entre os anos estudados foram enormes, por exemplo, das 70 instituições mapeadas no ano de 1997, apenas 11 permaneciam atuantes em 2003.
Muitas haviam sido desativadas entre 1997 e 2003, outras haviam sido substituídas e ainda outras tantas haviam sofrido complexos processos de reestruturação do trabalho. Algumas instituições relataram um histórico de mudanças
fundamentadas na experiência acumulada em campo, a partir de processos
amplos de discussão e reflexão. No entanto, as mudanças, para a maior parte
das instituições, parecem ter ocorrido arbitrariamente em processos estabelecidos, conforme palavras de coordenadores, “de cima para baixo” a partir de
propostas políticas elaboradas “atrás de escrivaninhas de gabinetes”. Esse contexto flutuante determina um constante estado de “recomeço”, que se acentua
com as mudanças de governo. A instabilidade financeira também foi freqüentemente mencionada como uma importante ameaça para a continuidade dos
trabalhos.
Situação extrema foi observada em episódio lamentável em uma das capitais. Em consulta à Secretaria Municipal responsável pelas ações sociais, foi
oficialmente informado que aquela capital não tinha “esse problema” (crianças e adolescentes em situação de rua) graças aos “esforços governamentais da
gestão”. No entanto, durante a pesquisa foram entrevistadas, nas ruas dessa
capital, várias crianças e adolescentes tipicamente em situação de rua, muitos
dos quais relataram sofrer ameaça de “rapa”, uma perua que os abandonava
no “lixão” da cidade (local de difícil acesso). Durante o processo de entrevista
nessa capital, os nossos entrevistadores também sofreram ameaças de policiais.
Estas constatações mostram as diferentes realidades brasileiras, que oscilam entre a arbitrariedade e as iniciativas contextualizadas, que envolvem profissionais comprometidos com a situação. Além disso, fica patente a fragilidade
da rede de atenção a crianças e adolescentes em situação de rua em nosso país.
Esse cenário indica a necessidade urgente de abrir debate, visando ao fortalecimento da rede de atenção, garantindo minimamente a sua estabilidade.
A qualidade dos serviços e a articulação entre eles também são fundamentais. Os segmentos que trabalham diretamente com a situação de rua enfatizam que não se trata apenas de um trabalho de assistência social, mas da
integração das áreas de educação, saúde, habitação, direitos humanos, segurança, entre outras, uma vez que nenhuma instituição sozinha é capaz de dar
conta de uma situação tão complexa (Lescher et al., 1999; MNMMR, 2004).
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O que já fizemos e o que poderemos fazer em relação ao uso de drogas em situação de rua no Brasil
Relatos dos profissionais
sobre a fragilidade da rede
“... nós necessitamos de algo
mais abrangente, principalmente que contemple todas
as esferas de governo: federal, estadual, municipal... há
necessidade realmente dessa
soma de toda essa rede...”
(Cuiabá)
“... o nosso grande drama é
na troca de governo, na
troca da administração...
nisso a experiência brasileira
é péssima... mas, quando
você tem instrumental de
avaliação, você pode dizer:
‘não, não, calma aí’... se nós
tivéssemos instrumentais de
avaliação... não seria assim
sair dando canetada...”
(São Paulo)
“ ... eu acho que os profissionais, de uma maneira geral,
não estão preparados para
lidar com a questão da droga. E isso vai bater onde? Vai
bater nos postos de saúde,
vai bater nos hospitais e vai
bater nas escolas...”
(Rio de Janeiro)
“... uma maior comunicação
entre as instituições que já
existem, realmente criar
redes, mas uma rede de
informações... tem que haver
um entrosamento entre
essas instituições...” (Vitória)
“Eu acho que tem educadores aí que não têm nenhum
preparo... a verba abaixando... o pessoal vai trabalhar
desmotivado... falta também
é um olha de ‘cuidar de
quem cuida’...” (São Paulo)
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Capítulo 3
A responsabilidade social dos meios de comunicação
Relatos dos profissionais
sobre outros temas
“... maior dificuldade é porque a droga é extremamente
sedutora e a gente tem que
competir com ela...”
(Salvador)
“... droga acabou assumindo
o papel de bode expiatório
de tudo que acontece na
sociedade. De bode expiatório da violência, de bode
expiatório do tráfico, de
bode expiatório de tudo é a
droga. É bode expiatório do
menino que mata a avó.
A droga assumiu o papel
assim... o menino de rua
também...” (Rio de Janeiro)
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76
O uso de drogas entre crianças e adolescentes em situação de rua envolve a
complexidade de três vertentes carregadas de preconceitos sociais: a droga, a
adolescência e a situação de rua. Tratar esse tema com a amplitude que ele
merece não é uma tarefa fácil, mas de extrema importância.
Tem sido observada uma tendência de alguns profissionais e veículos jornalísticos em divulgar o tema de forma sensacionalista e descontextualizada.
Muitas vezes, as informações são generalizadas e carregadas de preconceitos.
Essa postura, além de distorcer a realidade e não contribuir em nada, reforça
os estigmas sociais e favorece ainda mais a exclusão social das crianças e dos
adolescentes em situação de rua (Adorno & Silva, 1999).
Alguns estudos brasileiros têm aberto espaços de discussão sobre a responsabilidade social do jornalismo na área de drogas, em especial quando se trata
de crianças e adolescentes (ANDI, 2003; Noto et al., 2003). Com os esforços da
Agência Nacional dos Direitos da Infância, têm sido desenvolvidas pesquisas e
iniciados debates sobre as formas de como a imprensa vem trabalhando questões relativas a infância, nas diferentes temáticas como violência, drogas, educação, entre outras.
O cuidado com a divulgação das informações é, portanto, um importante
aspecto a ser considerado. Uma mídia socialmente responsável pode ser um
precioso instrumento aliado aos programas preventivos, principalmente quando
contribui para minimizar preconceitos e promover a reflexão social. Em sentido oposto, as distorções e os reducionismos da imprensa podem opor-se aos
esforços das pesquisas que, a princípio, buscam a ampliação e o amadurecimento do debate.
BRASIL
R EGIÃO N ORTE
R EGIÃO N ORDESTE
R EGIÃO C ENTRO -O ESTE
R EGIÃO S UDESTE
R EGIÃO S UL
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PARTE B
Belém – Pará (PA)
Boa Vista – Roraima (RR)
Macapá – Amapá (AP)
Manaus – Amazonas (AM)
Palmas – Tocantins (TO)
Porto Velho – Rondônia (RO)
Rio Branco – Acre (AC)
Aracaju – Sergipe (SE)
Fortaleza – Ceará (CE)
João Pessoa – Paraíba (PB)
Maceió – Alagoas (AL)
Natal – Rio Grande do Norte (RN)
Recife – Pernambuco (PE)
Salvador – Bahia (BA)
São Luís – Maranhão (MA)
Teresina – Piauí (PI)
Brasília – Distrito Federal (DF)
Campo Grande – Mato Grosso do Sul (MS)
Cuiabá – Mato Grosso (MT)
Goiânia – Goiás (GO)
Belo Horizonte – Minas Gerais (MG)
Rio de Janeiro – Rio de Janeiro (RJ)
São Paulo – São Paulo (SP)
Vitória – Espírito Santo (ES)
Curitiba – Paraná (PR)
Florianópolis – Santa Catarina (SC)
Porto Alegre – Rio Grande do Sul (RS)
79
Brasil
Dados Globais
Brasil
Tabela 1: Características sociodemográficas de 2807 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados nas 27 capitais brasileiras.
N
%
Sexo
Masculino
Feminino
2120
687
75,5
24,5
Idade
(anos)
9 a 11
12 a 14
15 a 18
Não sabia
418
1047
1337
5
14,9
37,3
47,6
0,2
Situação escolar
(ensino formal)
Nunca havia estudado
Estava estudando
Havia parado de estudar
71
1565
1171
2,5
55,8
41,7
Situação familiar
(morar com a família)
Sim
Não
1932
875
68,8
31,2
para a situação de rua
Diversão, liberdade, falta de outra atividade
Sustento para si e/ou família
Relações familiares ruins (conflitos, agressão)
Acompanhar parente ou amigo
Mudança de estrutura familiar
(morte de mãe/pai ou casamento de um deles)
1197
1059
746
606
161
42,6
37,7
26,6
21,6
5,7
Anos em situação de rua
Menos de 1 ano
1 a 5 anos
Mais de 5 anos
Não se lembrava
Em branco
853
1284
526
139
5
30,4
45,7
18,7
5,0
0,1
Horas na rua por dia
1 a 5 horas
6 horas ou mais
1139
1660
40,6
59,1
Formas de sustento
(as 5 mais citadas)
Vigiava carros
Pedia dinheiro
Vendia coisas
Furtava, roubava
Fazia coisas para vender
1151
1006
615
481
135
41,0
35,8
21,9
17,1
4,8
Outras atividades
Brincadeira / Diversão
Esporte / Arte
Cursos profissionalizantes
Ir à igreja
1654
997
451
394
58,9
35,5
16,1
14,0
Motivos atribuídos
estava morando com família (n = 1932)
não estava morando com família (n = 875)
100
Porcentagem de usuários
80
88,6
80
72,5
60
40
47,7
20
19,7
0
Uso no mês
Uso diário
Figura 1: Uso de drogas psicotrópicas, inclusive álcool e tabaco, entre 1928 crianças e adolescentes que
estavam morando com suas famílias, comparativamente aos 879 que não estavam, entrevistados nas 27
capitais brasileiras. São apresentados os parâmetros uso no mês (ao menos uma vez no mês que antecedeu
a pesquisa) e uso diário (cerca de 20 dias ou mais no mês que antecedeu a pesquisa).
Dados Globais
81
Tabela 2: Uso de cada categoria de drogas psicotrópicas entre 2807 crianças e adolescentes em situação de
rua entrevistados nas 27 capitais brasileiras.
N
%
Uso no mês**
N
%
Tabaco
1473
52,5
1248
44,5
Álcool
1752
62,4
1208
43,0
1511
1107
660
518
53,8
39,4
23,5
18,5
1021
553
410
255
36,4
19,7
14,6
9,1
1032
36,8
806
28,7
727
73
423
129
472
64
19
25,9
2,6
15,1
4,6
16,8
2,3
0,7
536
34
290
58
332
23
6
19,1
1,2
10,3
2,1
11,8
0,8
0,2
Maconha
900
32,1
714
25,4
Cocaína e derivados
519
18,5
353
12,6
268
26
125
242
107
9,5
0,9
4,5
8,6
3,8
147
8
71
153
85
5,2
0,3
2,5
5,5
3,0
Cerveja
Vinho
Pinga
Outra bebida
Solventes
Cola
Esmalte
Loló
Lança-perfume
Thinner
Benzina
Outros solventes
Cocaína cheirada
Cocaína injetada
Merla
Crack
Outra droga derivada da coca
Medicamentos
207
7,4
141
5,0
Rohypnol®
Artane®
Benflogin®
167
60
53
5,9
2,1
1,9
108
44
30
3,8
1,6
1,1
Chá
79
2,8
37
1,3
Outras
90
3,2
40
1,4
**uso no ano: ao menos uma vez no ano que antecedeu a pesquisa
**uso no mês: ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa
Tabela 3: Freqüência do uso de drogas psicotrópicas no mês que antecedeu a pesquisa entre 2807 crianças
e adolescentes em situação de rua entrevistados nas 27 capitais brasileiras.
“Quase todos os dias”
(20 ou mais dias)*
N
%
“Alguns dias”
(4 a 19 dias)**
N
%
“Poucos dias”
(1 a 3 dias)***
N
%
Tabaco
827
29,5
237
8,4
186
6,6
Álcool
84
3,0
534
19,0
590
21,0
Solventes
457
16,3
198
7,1
149
5,3
Maconha
312
11,2
234
8,3
169
6,0
Cocaína e derivados
66
2,4
123
4,4
163
5,8
Medicamentos
28
1,0
56
2,0
74
2,6
Chá
5
0,2
12
0,4
21
0,7
Outras
7
0,2
22
0,7
12
0,4
***uso diário: cerca de 20 ou mais dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso pesado)
***uso semanal: cerca de 4 a 19 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso moderado)
***uso mensal: cerca de 1 a 3 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso leve)
Brasil
Uso no ano*
82
Brasil
Tabela 4: Formas de aquisição das drogas psicotrópicas (no mês que antecedeu a pesquisa) entre 2807
crianças e adolescentes em situação de rua entevistados nas 27 capitais brasileiras.
N
%
Tabaco
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
1007
97
683
35,9
3,5
24,3
Álcool
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
788
121
607
28,1
4,3
21,6
Solventes
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
418
116
389
107
14,9
4,1
13,9
3,8
Medicamentos
Comprou pessoalmente na farmácia
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
41
23
49
75
1,5
0,8
1,7
2,7
Tabela 5: Comportamentos de risco associados ao uso de drogas psicotrópicas, na vida (ocorreu ao
menos uma vez na vida), entre 2807 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados nas 27
capitais brasileiras.
N
%
Ficou mais bravo, solto e irritou os outros
885
31,5
Ficou mole e os outros te prejudicaram (roubaram, bateram)
803
28,6
Andou pelas ruas sem cuidado, com risco de ser atropelado
754
26,9
Transou sem camisinha
710
25,3
Foi roubar
620
22,1
Já adormeceu com o saquinho de solvente perto do rosto
502
17,9
Já usou drogas injetáveis
122
4,3
Tabela 6: Tentativas de parar ou diminuir o uso de alguma droga psicotrópica entre 2807 crianças e
adolescentes em situação de rua entrevistados nas 27 capitais brasileiras.
N
Já tentou parar
Sim
Não
Como tentou parar
(quem ajudou)
Tentei sozinho
Alguém de instituição (educador, assistente social)
Alguém da família
Tentei com um amigo
Alguém de igreja
Alguém de hospital ou posto de saúde (médico, enfermeiro)
Outros
%
1244
1003
44,3
35,7
696
261
196
113
74
19
144
24,8
9,3
7,0
4,0
2,6
0,7
5,1
Tabela 7: Expectativa de vida de 2807 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados nas 27
capitais brasileiras. Estão apresentadas as sete expectativas mais citadas.
N
Trabalhar
%
1219
43,4
747
26,6
Conseguir lugar para morar
441
15,7
Melhorar sua relação com a família
421
15,0
Estudar
Ocupar melhor o tempo (recreações, esportes etc.)
264
9,4
Resolver problemas pessoais
264
9,4
Conseguir usar menos drogas ou parar de usar
257
9,2
83
Região Norte
Dados Globais
Região Norte
Tabela 1: Características sociodemográficas de 695 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados nas capitais da Região Norte.
N
%
Sexo
Masculino
Feminino
534
161
76,80
23,20
Idade
(anos)
9 a 11
12 a 14
15 a 18
Não sabia
117
276
300
2
16,8
39,7
43,2
0,3
Situação escolar
(ensino formal)
Nunca havia estudado
Estava estudando
Havia parado de estudar
15
487
193
2,2
70,1
27,8
Situação familiar
(morar com a família)
Sim
Não
563
132
81,0
19,0
Motivos atribuídos
para a situação de rua
Diversão, liberdade, falta de outra atividade
Sustento para si e/ou família
Relações familiares ruins (conflitos, agressões)
Acompanhar parente ou amigo
Mudança de estrutura familiar
(morte de mãe/pai ou casamento de um deles)
336
368
177
172
39
48,3
52,9
25,5
24,7
5,6
Anos em situação de rua
Menos de 1 ano
1 a 5 anos
Mais de 5 anos
Não se lembrava
285
302
56
52
41,0
43,5
8,1
7,5
Horas na rua por dia
1 a 5 horas
6 horas ou mais
Não fica
385
308
2
55,4
44,3
0,3
Formas de sustento
(as 5 mais citadas)
Vigiava carros
Pedia dinheiro
Vendia coisas
Furtava, roubava
Fazia coisas para vender
377
205
209
90
45
54,2
29,5
30,1
12,9
6,5
Outras atividades
Brincadeira / Diversão
Esporte / Arte
Cursos profissionalizantes
Ir à igreja
419
337
146
146
60,3
48,5
21,0
21,0
estava morando com família (n = 563)
não estava morando com família (n = 132)
100
93,2
Porcentagem de usuários
84
80
60
53,8
40
43,9
20
13,3
0
Uso no mês
Uso diário
Figura 1: Uso de drogas psicotrópicas, inclusive álcool e tabaco, entre 563 crianças e adolescentes que
estavam morando com suas famílias, comparativamente aos 132 que não estavam, entrevistados nas
capitais da Região Norte. São apresentados os parâmetros uso no mês (ao menos uma vez no mês que
antecedeu a pesquisa) e uso diário (cerca de 20 dias ou mais no mês que antecedeu a pesquisa).
Dados Globais
85
Tabela 2: Uso de cada categoria de drogas psicotrópicas entre 695 crianças e adolescentes em situação de
rua entrevistados nas capitais da Região Norte.
N
%
Uso no mês**
N
%
Tabaco
347
49,9
277
39,9
Álcool
369
53,1
263
37,8
316
163
136
66
45,5
23,5
19,6
9,5
230
72
88
26
33,1
10,4
12,7
3,7
185
26,6
125
18,0
167
14
29
10
59
11
2
24,0
2,0
4,2
1,4
8,5
1,6
0,3
117
5
10
5
19
4
0
16,8
0,7
1,4
0,7
2,7
0,6
0
141
20,3
102
14,7
70
10,1
44
6,3
46
2
35
15
0
6,6
0,3
5,0
2,2
0
30
0
16
6
0
4,3
0,0
2,3
0,9
0,0
Medicamentos
4
0,6
1
0,1
Rohypnol®
Artane®
Benflogin®
3
1
0
0,4
0,1
0
1
0
0
0,1
0
0
8
1,2
4
0,6
12
1,7
8
1,2
Cerveja
Vinho
Pinga
Outra bebida
Solventes
Cola
Esmalte
Loló
Lança-perfume
Thinner
Benzina
Outros solventes
Maconha
Cocaína e derivados
Cocaína cheirada
Cocaína injetada
Merla
Crack
Outra droga derivada da coca
Chá
Outras
**uso no ano: ao menos uma vez no ano que antecedeu a pesquisa
**uso no mês: ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa
Tabela 3: Freqüência do uso de drogas psicotrópicas no mês que antecedeu a pesquisa entre 695 crianças
e adolescentes em situação de rua entrevistados nas capitais da Região Norte.
“Quase todos os dias”
(20 ou mais dias)*
N
%
“Alguns dias”
(4 a 19 dias)**
N
%
“Poucos dias”
(1 a 3 dias)***
N
%
Tabaco
124
17,8
56
8,1
96
13,8
Álcool
10
1,4
88
12,7
165
23,7
Solventes
43
6,2
29
4,2
51
7,3
Maconha
25
3,6
27
3,9
50
7,2
4
0,6
14
2,0
26
3,7
Cocaína e derivados
Medicamentos
0
0
0
0
1
0,1
Chá
0
0
3
0,4
1
0,1
Outras
2
0,3
0
0
7
1,0
***uso diário: cerca de 20 ou mais dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso pesado)
***uso semanal: cerca de 4 a 19 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso moderado)
***uso mensal: cerca de 1 a 3 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso leve)
Região Norte
Uso no ano*
86
Região Norte
Tabela 4: Formas de aquisição das drogas psicotrópicas (no mês que antecedeu a pesquisa) entre 695
crianças e adolescentes em situação de rua entevistados nas capitais da Região Norte.
N
%
Tabaco
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
211
30
162
30,4
4,3
23,3
Álcool
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
187
33
156
26,9
4,7
22,4
Solventes
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
60
13
77
8
8,6
1,9
11,1
1,2
Medicamentos
Comprou pessoalmente na farmácia
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
0
0
0
1
0
0
0
0,1
Tabela 5: Comportamentos de risco associados ao uso de drogas psicotrópicas, na vida (ocorreu ao menos
uma vez na vida), entre 695 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados nas capitais da
Região Norte.
N
%
Ficou mais bravo, solto e irritou os outros
175
25,2
Ficou mole e os outros te prejudicaram (roubaram, bateram)
156
22,4
Andou pelas ruas sem cuidado, com risco de ser atropelado
155
22,3
Transou sem camisinha
142
20,4
Foi roubar
94
13,5
Já adormeceu com o saquinho de solvente perto do rosto
68
9,8
9
1,3
Já usou drogas injetáveis
Tabela 6: Tentativas de parar ou diminuir o uso de alguma droga psicotrópica entre 695 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados nas capitais da Região Norte.
N
%
Já tentou parar
Sim
Não
195
258
28,1
37,1
Como tentou parar
(quem ajudou)
Tentei sozinho
Alguém de instituição (educador, assistente social)
Alguém da família
Tentei com um amigo
Alguém de igreja
Alguém de hospital ou posto de saúde (médico, enfermeiro)
Outros
107
53
46
21
17
1
8
15,4
7,6
6,6
3,0
2,4
0,1
1,2
Tabela 7: Expectativa de vida de 695 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados nas capitais
da Região Norte. Estão apresentadas as sete expectativas mais citadas.
N
%
Trabalhar
430
61,9
Estudar
293
42,2
Conseguir lugar para morar
83
11,9
170
24,5
Ocupar melhor o tempo (recreações, esportes etc.)
100
14,4
Resolver problemas pessoais
124
17,8
61
8,8
Melhorar sua relação com a família
Conseguir usar menos drogas ou parar de usar
87
Belém
Capital do Estado do Pará
Belém
•
1.280.614 habitantes
(IBGE – censo 2000)
coordenação
Fernanda Therezinha de Jesus
Martins de Souza
supervisão
José Maria de Souza
entrevistadores
Processo de mapeamento e coleta de dados
Foram mapeados em Belém vários núcleos municipais
de assistência a crianças e adolescentes em situação de
rua. Para o levantamento foram selecionados sete núcleos que preenchiam os critérios de inclusão. Todos com
trabalhos realizados em sede.
Nestes núcleos foram realizadas 169 entrevistas, das quais
quatro foram excluídas da amostra durante o processo
de crítica dos dados (vide motivos de exclusão Tabela 2,
pág. 22).
Total de entrevistas válidas: 165
Resultados
comparados aos da amostra global brasileira (27 capitais)
Características sociodemográficas da amostra
pesquisada (Tabela 1):
A amostra pesquisada em Belém se diferenciou muito da
amostra global das 27 capitais brasileiras. Houve predomínio de uma faixa etária menor (70,9% entre 9-14 anos),
maior número de jovens morando com família (86,1%), estudando (80,0%) e com menor tempo em situação de rua
(73,3% ficando menos de 6 horas/dia; 58,2% há menos de
um ano). Por outro lado, esse perfil não se diferenciou
tanto ao da amostra global das capitais da Região Norte.
Uso de drogas em geral (Figura 1):
Diante das características da amostra pesquisada, nesta capital foi observada uma menor porcentagem de jovens que
relataram consumo de drogas. No entanto, quando analisados os índices de uso especificamente dos jovens que não
estavam morando com suas famílias (N=23), foi observada
maior semelhança ao perfil da amostra global (para este
subgrupo).
........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
Jairo Augusto de Castro
Márcia Smith Mesquita
As principais drogas mencionadas – uso no mês
(Tabelas 2 e 3):
As bebidas alcoólicas (especialmente a cerveja) e o tabaco
foram as drogas com maiores índices de uso no mês, mas
em freqüência esporádica (1-3 dias/mês). Entre os solventes/inalantes, destacou-se o consumo de cola (19 casos de
uso no mês) com freqüência de uso elevada (17 jovens usando 20 ou mais dias/mês). Os índices de uso de drogas
ilícitas (maconha e derivados da coca) foram muito menores dos observados na amostra global. Não foi relatado consumo de medicamentos psicotrópicos.
Outros resultados (Tabelas 4, 5, 6):
Os valores observados para as formas de aquisição, comportamentos de risco associados ao consumo e tentativas
de parar ou diminuir o uso, foram semelhantes aos da
amostra global (proporcionalmente ao número de usuários de drogas).
Expectativas de vida (Tabela 7):
Assim como nas demais capitais, entre a maioria dos entrevistados, foram observadas várias expectativas básicas de
vida (trabalhar, estudar, conseguir lugar para morar, resolver problemas pessoais, entre outras). Muitas dessas expectativas são, na verdade, direitos de todas as crianças e adolescentes brasileiros.
Região Norte
Equipe
Belém
Tabela 1: Características sociodemográficas de 165 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Belém.
N
%
Sexo
Masculino
Feminino
103
62
62,4
37,6
Idade
(anos)
9 a 11
12 a 14
15 a 18
Não sabia
43
74
48
0
26,1
44,8
29,1
0
Situação escolar
(ensino formal)
Nunca havia estudado
Estava estudando
Havia parado de estudar
2
132
31
1,2
80,0
18,8
Situação familiar
(morar com a família)
Sim
Não
142
23
86,1
13,9
Diversão, liberdade, falta de outra atividade
Sustento para si e/ou família
Relações familiares ruins (conflitos, agressões)
Acompanhar parente ou amigo
Mudança de estrutura familiar
(morte de mãe/pai ou casamento de um deles)
52
75
20
86
8
31,5
45,5
12,1
52,1
4,8
Anos em situação de rua
Menos de 1 ano
1 a 5 anos
Mais de 5 anos
Não se lembrava
96
41
7
21
58,2
24,9
4,2
12,7
Horas na rua por dia
1 a 5 horas
6 horas ou mais
121
44
73,3
26,7
Formas de sustento
(as 5 mais citadas)
Vendia coisas
Vigiava carros
Pedia dinheiro
Fazia coisas para vender
Transava por dinheiro
73
47
15
9
3
44,2
28,5
9,1
5,5
1,8
Outras atividades
Brincadeira / Diversão
Esporte / Arte
Cursos profissionalizantes
Ir à igreja
117
82
19
61
70,9
49,7
11,5
37,0
Motivos atribuídos
para a situação de rua
estava morando com família (n = 142)
não estava morando com família (n = 23)
100
Porcentagem de usuários
88
100,0
80
82,6
60
40
32,4
20
0,7
0
Uso no mês
Uso diário
Figura 1: Uso de drogas psicotrópicas, inclusive álcool e tabaco, entre 142 crianças e adolescentes que
estavam morando com suas famílias, comparativamente aos 23 que não estavam, entrevistados em Belém. São apresentados os parâmetros uso no mês (ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa) e
uso diário (cerca de 20 dias ou mais no mês que antecedeu a pesquisa).
Belém
89
Tabela 2: Uso de cada categoria de drogas psicotrópicas entre 165 crianças e adolescentes em situação de
rua entrevistados em Belém.
N
%
Uso no mês**
N
%
Tabaco
54
32,7
44
26,7
Álcool
61
37,0
45
27,3
54
20
11
9
32,7
12,1
6,7
5,5
43
9
6
4
26,1
5,5
3,6
2,4
23
13,9
20
12,1
21
0
0
0
10
0
0
12,7
0
0
0
6,1
0
0
19
0
0
0
5
0
0
11,5
0,0
0
0
3,0
0
0
Maconha
8
4,8
5
3,0
Cocaína e derivados
3
1,8
0
0
1
0
2
0
0
0,6
0
1,2
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
Medicamentos
0
0
0
0
Rohypnol®
Artane®
Benflogin®
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
Chá
0
0
0
0
Outras
0
0
0
0
Cerveja
Vinho
Pinga
Outra bebida
Solventes
Cola
Esmalte
Loló
Lança-perfume
Thinner
Benzina
Outros solventes
Cocaína cheirada
Cocaína injetada
Merla
Crack
Outra droga derivada da coca
**uso no ano: ao menos uma vez no ano que antecedeu a pesquisa
**uso no mês: ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa
Tabela 3: Freqüência do uso de drogas psicotrópicas no mês que antecedeu a pesquisa entre 165 crianças
e adolescentes em situação de rua entrevistados em Belém.
“Quase todos os dias”
(20 ou mais dias)*
N
%
“Alguns dias”
(4 a 19 dias)**
N
%
“Poucos dias”
(1 a 3 dias)***
N
%
Tabaco
11
6,7
1
0,6
32
19,4
Álcool
1
0,6
5
3,0
39
23,6
Solventes
17
10,3
1
0,6
1
0,6
Maconha
1
0,6
0
0
4
2,4
Cocaína e derivados
0
0
0
0
0
0
Medicamentos
0
0
0
0
0
0
Chá
0
0
0
0
0
0
Outras
0
0
0
0
0
0
***uso diário: cerca de 20 ou mais dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso pesado)
***uso semanal: cerca de 4 a 19 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso moderado)
***uso mensal: cerca de 1 a 3 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso leve)
Região Norte
Uso no ano*
90
Belém
Tabela 4: Formas de aquisição das drogas psicotrópicas (no mês que antecedeu a pesquisa) entre 165
crianças e adolescentes em situação de rua entevistados em Belém.
N
%
Tabaco
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
33
10
15
20,0
6,1
9,1
Álcool
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
27
21
16
16,4
12,7
9,7
Solventes
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
8
5
6
5
4,9
3,0
3,6
3
Medicamentos
Comprou pessoalmente na farmácia
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
0
0
0
0
0
0
0
0
Tabela 5: Comportamentos de risco associados ao uso de drogas psicotrópicas, na vida (ocorreu ao menos
uma vez na vida), entre 165 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Belém.
N
Ficou mais bravo, solto e irritou os outros
%
22
13,3
Ficou mole e os outros te prejudicaram (roubaram, bateram)
22
13,3
Andou pelas ruas sem cuidado, com risco de ser atropelado
17
0,3
Transou sem camisinha
13
7,9
Foi roubar
0
0
Já adormeceu com o saquinho de solvente perto do rosto
4
2,4
Já usou drogas injetáveis
0
0
Tabela 6: Tentativas de parar ou diminuir o uso de alguma droga psicotrópica entre 165 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Belém.
N
%
Já tentou parar
Sim
Não
28
38
17,0
23,0
Como tentou parar
(quem ajudou)
Tentei sozinho
Alguém de instituição (educador, assistente social)
Alguém da família
Tentei com um amigo
Alguém de igreja
Alguém de hospital ou posto de saúde (médico, enfermeiro)
Outros
11
6
8
2
6
0
1
6,7
3,6
4,8
1,2
3,6
0
0,6
Tabela 7: Expectativa de vida de 165 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Belém.
Estão apresentadas as sete expectativas mais citadas.
N
%
Trabalhar
118
71,5
Estudar
112
67,9
Conseguir lugar para morar
22
13,3
Melhorar sua relação com a família
18
10,9
Ocupar melhor o tempo (recreações, esportes etc.)
16
9,7
Resolver problemas pessoais
30
18,2
8
4,8
Conseguir usar menos drogas ou parar de usar
91
Boa Vista
Capital do Estado de Roraima
•
Boa Vista
200.568 habitantes
(IBGE – censo 2000)
coordenação
Elisângela Silva da Costa
supervisão
Maria Socorro Batista dos Santos
entrevistadora
Processo de mapeamento e coleta de dados
Foram mapeadas em Boa Vista duas instituições que ofereciam assistência a crianças e adolescentes em situação
de rua, uma em sede e outra em praças. Ambas incluídas
neste levantamento.
Nestas duas instituições foram realizadas 68 entrevistas
(14 em sede e 54 em praças).
Total de entrevistas válidas: 68
Resultados
comparados aos da amostra global brasileira (27 capitais)
Características sociodemográficas da amostra
pesquisada (Tabela 1):
A amostra pesquisada em Boa Vista não se diferenciou
muito da amostra global das 27 capitais brasileiras, nem
das capitais da Região Norte, com exceção do extremamente baixo número de jovens do sexo feminino (apenas 2,9%).
Uso de drogas em geral (Figura 1):
Quando analisados separadamente os subgrupos dos
que estavam morando com família (n=53) x os que não
estavam (n=15), os índices de uso de droga foram semelhantes ao perfil da amostra global.
........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
Thais Conceição Silva
As principais drogas mencionadas – uso no mês
(Tabelas 2 e 3):
O tabaco foi a droga com os maiores índices de uso no
mês (em freqüência diária), seguido pelas bebidas alcoólicas. Entre as bebidas, além da cerveja, destacou-se o
elevado consumo de pinga (índices muito superiores
aos da amostra global). Entre os solventes/inalantes, predominou o consumo de cola (15 casos de uso no mês).
Destacaram-se nesta capital os elevados índices de uso
de drogas ilícitas, maconha (26 casos de uso no mês) e
derivados da coca (18 casos no mês), superiores aos observados na amostra global e aos das demais capitais da
Região Norte. Entre os derivados da coca, além do cloridrato de cocaína, foram observados casos de uso de merla
(13 casos no ano e 7 no mês) e crack (4 casos no ano e 3
no mês). Não foi relatado consumo de medicamentos
psicotrópicos.
Outros resultados (Tabelas 4, 5, 6):
Os valores observados para as formas de aquisição, comportamentos de risco associados ao consumo e tentativas de parar ou diminuir o uso, foram relativamente
semelhantes aos da amostra global.
Expectativas de vida (Tabela 7):
Assim como nas demais capitais, entre a maioria dos entrevistados, foram observadas várias expectativas básicas de vida (trabalhar, estudar, melhorar a relação familiar, resolver problemas pessoais, entre outras). Muitas
dessas expectativas são, na verdade, direitos de todas as
crianças e adolescentes brasileiros.
Região Norte
Equipe
92
Boa Vista
Tabela 1: Características sociodemográficas de 68 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Boa Vista.
N
%
Sexo
Masculino
Feminino
66
2
97,1
2,9
Idade
(anos)
9 a 11
12 a 14
15 a 18
Não sabia
8
24
36
0
11,8
35,3
52,9
0
Situação escolar
(ensino formal)
Nunca havia estudado
Estava estudando
Havia parado de estudar
2
41
25
2,9
60,3
36,8
Situação familiar
(morar com a família)
Sim
Não
53
15
77,9
22,1
Diversão, liberdade, falta de outra atividade
Sustento para si e/ou família
Relações familiares ruins (conflitos, agressões)
Acompanhar parente ou amigo
Mudança de estrutura familiar
(morte de mãe/pai ou casamento de um deles)
48
34
27
8
1
70,6
50,0
39,7
11,8
1,5
Anos em situação de rua
Menos de 1 ano
1 a 5 anos
Mais de 5 anos
Não se lembrava
27
31
7
3
39,7
45,6
10,3
4,4
Horas na rua por dia
1 a 5 horas
6 horas ou mais
30
38
44,1
55,9
Formas de sustento
(as 5 mais citadas)
Vigiava carros
Pedia dinheiro
Vendia coisas
Furtava, roubava
Fazia coisas para vender
47
28
10
22
9
69,1
41,2
14,7
32,4
13,2
Outras atividades
Brincadeira / Diversão
Esporte / Arte
Cursos profissionalizantes
Ir à igreja
51
35
15
9
75,0
51,5
22,1
13,2
Motivos atribuídos
para a situação de rua
estava morando com família (n = 53)
não estava morando com família (n = 15)
Figura 1: Uso de drogas psicotrópicas, inclusive álcool e tabaco, entre 53 crianças e adolescentes que
estavam morando com suas famílias, comparativamente aos 15 que não estavam, entrevistados em Boa
Vista. São apresentados os parâmetros uso no mês (ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa)
e uso diário (cerca de 20 dias ou mais no mês que antecedeu a pesquisa).
Boa Vista
93
Tabela 2: Uso de cada categoria de drogas psicotrópicas entre 68 crianças e adolescentes em situação de
rua entrevistados em Boa Vista.
N
%
Uso no mês**
N
%
Tabaco
40
58,8
33
48,5
Álcool
46
67,6
33
48,5
33
35
34
14
48,5
51,5
50,0
20,6
21
19
25
4
30,9
27,9
36,8
5,9
28
41,2
18
26,5
21
2
3
3
16
0
0
30,9
2,9
4,4
4,4
23,5
0
0
15
0
2
2
5
0
0
22,1
0
2,9
2,9
7,4
0
0
Maconha
32
47,1
26
38,2
Cocaína e derivados
23
33,8
18
26,5
14
0
13
4
0
20,6
0
19,1
5,9
0
11
0
7
3
0
16,2
0,0
10,3
4,4
0
Medicamentos
0
0
0
0
Rohypnol®
Artane®
Benflogin®
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
Chá
6
8,8
4
5,9
Outras
5
7,4
4
5,9
Cerveja
Vinho
Pinga
Outra bebida
Solventes
Cola
Esmalte
Loló
Lança-perfume
Thinner
Benzina
Outros solventes
Cocaína cheirada
Cocaína injetada
Merla
Crack
Outra droga derivada da coca
**uso no ano: ao menos uma vez no ano que antecedeu a pesquisa
**uso no mês: ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa
Tabela 3: Freqüência do uso de drogas psicotrópicas no mês que antecedeu a pesquisa entre 68 crianças e
adolescentes em situação de rua entrevistados em Boa Vista.
“Quase todos os dias”
(20 ou mais dias)*
N
%
“Alguns dias”
(4 a 19 dias)**
N
%
“Poucos dias”
(1 a 3 dias)***
N
%
Tabaco
26
38,2
4
5,9
3
4,4
Álcool
3
4,4
16
23,5
14
20,6
11,8
Solventes
1
1,5
9
13,2
8
Maconha
10
14,7
12
17,6
4
5,9
1
1,5
9
13,2
8
11,8
Cocaína e derivados
Medicamentos
0
0
0
0
0
0
Chá
0
0
3
4,4
1
1,5
Outras
0
0
0
0
4
5,9
***uso diário: cerca de 20 ou mais dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso pesado)
***uso semanal: cerca de 4 a 19 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso moderado)
***uso mensal: cerca de 1 a 3 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso leve)
Região Norte
Uso no ano*
94
Boa Vista
Tabela 4: Formas de aquisição das drogas psicotrópicas (no mês que antecedeu a pesquisa) entre 68
crianças e adolescentes em situação de rua entevistados em Boa Vista.
N
%
Tabaco
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
28
2
26
41,2
2,9
38,2
Álcool
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
24
3
19
35,3
4,4
27,9
Solventes
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
12
1
11
2
17,6
1,5
16,2
2,9
Medicamentos
Comprou pessoalmente na farmácia
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
0
0
0
0
0
0
0
0
Tabela 5: Comportamentos de risco associados ao uso de drogas psicotrópicas, na vida (ocorreu ao menos
uma vez na vida), entre 68 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Boa Vista.
N
Ficou mais bravo, solto e irritou os outros
%
24
35,3
Ficou mole e os outros te prejudicaram (roubaram, bateram)
19
27,9
Andou pelas ruas sem cuidado, com risco de ser atropelado
24
35,3
Transou sem camisinha
22
32,4
Foi roubar
19
27,9
Já adormeceu com o saquinho de solvente perto do rosto
17
25,0
3
4,4
Já usou drogas injetáveis
Tabela 6: Tentativas de parar ou diminuir o uso de alguma droga psicotrópica entre 68 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Boa Vista.
N
%
Já tentou parar
Sim
Não
22
18
32,4
26,5
Como tentou parar
(quem ajudou)
Tentei sozinho
Alguém de instituição (educador, assistente social)
Alguém da família
Tentei com um amigo
Alguém de igreja
Alguém de hospital ou posto de saúde (médico, enfermeiro)
Outros
11
10
8
4
2
0
1
16,2
14,7
11,8
5,9
2,9
0
1,5
Tabela 7: Expectativa de vida de 68 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Boa Vista.
Estão apresentadas as sete expectativas mais citadas.
N
%
Estudar
23
33,8
Melhorar sua relação com a família
22
32,4
Trabalhar
20
29,4
Resolver problemas pessoais
14
20,6
Conseguir usar menos drogas ou parar de usar
12
17,6
Ocupar melhor o tempo (recreações, esportes etc.)
7
10,3
Resolver problemas com a polícia
4
5,9
95
Macapá
Capital do Estado do Amapá
•
Macapá
283.308 habitantes
(IBGE – censo 2000)
coordenação
Michele Maleamá S. Cruz
entrevistadores
Processo de mapeamento e coleta de dados
Foram mapeadas em Macapá várias instituições que ofereciam assistência a crianças e adolescentes em situação
de rua, tanto em sede quanto na rua. Para o levantamento foram selecionadas duas instituições que preenchiam os critérios de inclusão. Ambas com trabalhos em
sede.
Nestas instituições foram realizadas 32 entrevistas.
Total de entrevistas válidas: 32
Resultados
comparados aos da amostra global brasileira (27 capitais)
Características sociodemográficas da amostra
pesquisada (Tabela 1):
A amostra pesquisada em Macapá se diferenciou da
amostra global das 27 capitais brasileiras. Foi entrevistada uma maior proporção de jovens morando com família (81,3%), estudando (81,3%) e com menos horas/dia
em situação de rua (84,4% ficando menos de 6 horas/
dia). Por outro lado, esse perfil não se diferenciou tanto
ao da amostra global da Região Norte.
Uso de drogas em geral (Figura 1):
Foi observada uma porcentagem semelhante à amostra
global de jovens que relataram consumo de drogas no
mês, mas em menor freqüência.
........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
Abimael Peres Santos
Andréia Moreira Carneiro
Breno Correa de Oliveira
Gleyse de Nazaré Teixeira
Gonçalves
As principais drogas mencionadas – uso no mês
(Tabelas 2 e 3):
As bebidas alcoólicas (especialmente a cerveja) e o tabaco foram as drogas com maiores índices de uso no mês,
com predomínio de freqüência esporádica (1-3 dias/mês).
Entre os solventes/inalantes, destacou-se o consumo de
cola (7 casos de uso no mês). Os índices de uso de drogas
ilícitas (maconha e derivados da coca) foram menores
dos observados na amostra global. Não foi relatado consumo de medicamentos psicotrópicos.
Outros resultados (Tabelas 4, 5, 6):
Os valores observados para as formas de aquisição, comportamentos de risco associados ao consumo e tentativas de parar ou diminuir o uso, foram relativamente
semelhantes aos da amostra global.
Expectativas de vida (Tabela 7):
Assim como nas demais capitais, entre a maioria dos entrevistados, foram observadas várias expectativas básicas de vida (trabalhar, estudar, melhorar a relação familiar, resolver problemas pessoais, entre outras). Muitas
dessas expectativas são, na verdade, direitos de todas as
crianças e adolescentes brasileiros.
Região Norte
Equipe
Macapá
Tabela 1: Características sociodemográficas de 32 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Macapá.
N
%
Sexo
Masculino
Feminino
25
7
78,1
21,9
Idade
(anos)
9 a 11
12 a 14
15 a 18
Não sabia
1
14
16
1
3,1
43,8
50,0
3,1
Situação escolar
(ensino formal)
Nunca havia estudado
Estava estudando
Havia parado de estudar
0
26
6
0
81,3
18,8
Situação familiar
(morar com a família)
Sim
Não
26
6
81,3
18,8
Diversão, liberdade, falta de outra atividade
Sustento para si e/ou família
Relações familiares ruins (conflitos, agressões)
Acompanhar parente ou amigo
Mudança de estrutura familiar
(morte de mãe/pai ou casamento de um deles)
26
9
15
12
0
81,3
28,1
46,9
37,5
0,0
Anos em situação de rua
Menos de 1 ano
1 a 5 anos
Mais de 5 anos
Não se lembrava
9
18
3
2
28,1
56,3
9,4
6,3
Horas na rua por dia
1 a 5 horas
6 horas ou mais
27
5
84,4
15,6
Formas de sustento
(as 5 mais citadas)
Vigiava carros
Vendia coisas
Pedia dinheiro
Fazia coisas para vender
Transava por dinheiro
19
15
13
5
2
59,4
46,9
40,6
15,6
6,3
Outras atividades
Brincadeira / Diversão
Esporte / Arte
Cursos profissionalizantes
Ir à igreja
28
29
3
15
87,5
90,6
9,4
46,9
Motivos atribuídos
para a situação de rua
estava morando com família (n = 26)
não estava morando com família (n = 6)
100
Porcentagem de usuários
96
100,0
80
60
61,5
40
20
3,8
16,7
0
Uso no mês
Uso diário
Figura 1: Uso de drogas psicotrópicas, inclusive álcool e tabaco, entre 26 crianças e adolescentes que
estavam morando com suas famílias, comparativamente aos 6 que não estavam, entrevistados em Macapá. São apresentados os parâmetros uso no mês (ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa) e
uso diário (cerca de 20 dias ou mais no mês que antecedeu a pesquisa).
Macapá
97
Tabela 2: Uso de cada categoria de drogas psicotrópicas entre 32 crianças e adolescentes em situação de
rua entrevistados em Macapá.
N
%
Uso no mês**
N
%
Tabaco
18
56,3
17
53,1
Álcool
25
78,1
21
65,6
23
17
6
10
71,9
53,1
18,8
31,3
19
10
4
4
59,4
31,3
12,5
12,5
7
21,9
7
21,9
7
2
0
0
2
0
0
21,9
6,3
0
0
6,3
0
0
7
2
0
0
1
0
0
21,9
6,3
0
0
3,1
0
0
Maconha
7
21,9
3
9,4
Cocaína e derivados
2
6,3
2
6,3
0
0
2
0
0
0
0
6,3
0
0
0
0
2
0
0
0
0
6,3
0
0
Medicamentos
0
0
0
0
Rohypnol®
Artane®
Benflogin®
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
Chá
1
3,1
0
0
Outras
0
0
0
0
Cerveja
Vinho
Pinga
Outra bebida
Solventes
Cola
Esmalte
Loló
Lança-perfume
Thinner
Benzina
Outros solventes
Cocaína cheirada
Cocaína injetada
Merla
Crack
Outra droga derivada da coca
**uso no ano: ao menos uma vez no ano que antecedeu a pesquisa
**uso no mês: ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa
Tabela 3: Freqüência do uso de drogas psicotrópicas no mês que antecedeu a pesquisa entre 32 crianças e
adolescentes em situação de rua entrevistados em Macapá.
“Quase todos os dias”
(20 ou mais dias)*
N
%
“Alguns dias”
(4 a 19 dias)**
N
%
“Poucos dias”
(1 a 3 dias)***
N
%
Tabaco
1
3,1
6
18,8
10
31,3
Álcool
0
0
5
15,6
16
50,0
Solventes
1
3,1
2
6,3
4
12,5
Maconha
0
0
0
0
3
9,4
Cocaína e derivados
0
0
0
0
2
6,3
Medicamentos
0
0
0
0
0
0
Chá
0
0
0
0
0
0
Outras
0
0
0
0
0
0
***uso diário: cerca de 20 ou mais dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso pesado)
***uso semanal: cerca de 4 a 19 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso moderado)
***uso mensal: cerca de 1 a 3 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso leve)
Região Norte
Uso no ano*
98
Macapá
Tabela 4: Formas de aquisição das drogas psicotrópicas (no mês que antecedeu a pesquisa) entre 32
crianças e adolescentes em situação de rua entevistados em Macapá.
N
%
Tabaco
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
16
2
12
50,0
6,3
37,5
Álcool
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
20
2
11
62,5
6,3
34,4
Solventes
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
0,7
0
6
0
Medicamentos
Comprou pessoalmente na farmácia
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
0
0
0
0
21,9
0
18,8
0
0
0
0
0
Tabela 5: Comportamentos de risco associados ao uso de drogas psicotrópicas, na vida (ocorreu ao menos
uma vez na vida), entre 32 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Macapá.
N
%
8
25,0
Ficou mole e os outros te prejudicaram (roubaram, bateram)
9
28,1
Andou pelas ruas sem cuidado, com risco de ser atropelado
13
40,6
Transou sem camisinha
Ficou mais bravo, solto e irritou os outros
12
37,5
Foi roubar
6
18,8
Já adormeceu com o saquinho de solvente perto do rosto
5
15,6
Já usou drogas injetáveis
0
0
Tabela 6: Tentativas de parar ou diminuir o uso de alguma droga psicotrópica entre 32 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Macapá.
N
Já tentou parar
Sim
Não
Como tentou parar
(quem ajudou)
Tentei sozinho
Alguém de instituição (educador, assistente social)
Alguém da família
Tentei com um amigo
Alguém de igreja
Alguém de hospital ou posto de saúde (médico, enfermeiro)
Outros
%
19
9
59,4
28,1
8
5
9
8
1
0
3
25,0
15,6
28,1
25,0
3,1
0
9,4
Tabela 7: Expectativa de vida de 32 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Macapá.
Estão apresentadas as sete expectativas mais citadas.
N
%
Trabalhar
21
65,6
Estudar
13
40,6
Ocupar melhor o tempo (recreações, esportes etc.)
6
18,8
Melhorar sua relação com a família
6
18,8
Resolver problemas pessoais
6
18,8
Conseguir lugar para morar
3
9,4
Conseguir usar menos drogas ou parar de usar
2
6,3
99
Manaus
Capital do Estado do Amazonas
Manaus •
405.835 habitantes
coordenação
Denis Alvaci Conceição
Supervisão
Veremity Santos Pereira
entrevistadores
Processo de mapeamento e coleta de dados
Foram mapeadas em Manaus várias instituições que ofereciam assistência a crianças e adolescentes em situação
de rua, tanto em sede quanto na rua. Para o levantamento foram selecionadas seis instituições que preenchiam os critérios de inclusão. Todas com trabalhos em
sede.
Nestas instituições foram realizadas 234 entrevistas, das
quais duas foram excluídas da amostra durante o processo de crítica dos dados (vide motivos de exclusão Tabela 2, pág. 22).
Total de entrevistas válidas: 232
Resultados
comparados aos da amostra global brasileira (27 capitais)
Características sociodemográficas da amostra
pesquisada (Tabela 1):
A amostra pesquisada em Manaus não se diferenciou
muito da amostra global das 27 capitais brasileiras, nem
das capitais da Região Norte.
Uso de drogas em geral (Figura 1):
Diferentemente da amostra global, os índices de uso de
drogas no mês foram semelhantes entre subgrupos dos
que estavam morando com família (n=170) comparados
aos que não estavam (n=62).
........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
Emerson Diniz de Souza
Izabel Pereira Garcia
Kelry Cristiany Felix Trindade
Marcela Andréa Pereira
Moraes
Vera Lúcia Marque Ferreira
As principais drogas mencionadas – uso no mês
(Tabelas 2 e 3):
O tabaco foi a droga com os maiores índices de uso no
mês (em freqüência variada), seguido pelas bebidas alcoólicas (especialmente a cerveja e em freqüência predominante de 1-3 dias/mês). Entre os solventes/inalantes, predominou o consumo de cola (44 casos de uso no
mês). Os índices de uso de drogas ilícitas (maconha e
derivados da coca) foram menores dos observados na
amostra global. O consumo de medicamentos psicotrópicos foi pouco relatado (apenas 1 caso de uso de Rohypnol ® no mês).
Outros resultados (Tabelas 4, 5, 6):
Os valores observados para as formas de aquisição, comportamentos de risco associados ao consumo e tentativas de parar ou diminuir o uso, foram relativamente
semelhantes aos da amostra global.
Expectativas de vida (Tabela 7):
Assim como nas demais capitais, entre a maioria dos entrevistados, foram observadas várias expectativas básicas de vida (trabalhar, estudar, melhorar sua relação familiar, resolver problemas pessoais, entre outras). Muitas
dessas expectativas são, na verdade, direitos de todas as
crianças e adolescentes brasileiros.
Região Norte
Equipe
(IBGE – censo 2000)
Manaus
Tabela 1: Características sociodemográficas de 232 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Manaus.
N
%
Sexo
Masculino
Feminino
157
75
67,7
32,3
Idade
(anos)
9 a 11
12 a 14
15 a 18
Não sabia
37
65
130
0
15,9
28,0
56,0
0
Situação escolar
(ensino formal)
Nunca havia estudado
Estava estudando
Havia parado de estudar
10
161
61
4,3
69,4
26,3
Situação familiar
(morar com a família)
Sim
Não
170
62
73,3
26,7
Diversão, liberdade, falta de outra atividade
Sustento para si e/ou família
Relações familiares ruins (conflitos, agressões)
Acompanhar parente ou amigo
Mudança de estrutura familiar
(morte de mãe/pai ou casamento de um deles)
166
99
102
36
22
71,6
42,7
44,0
15,5
9,5
Anos em situação de rua
Menos de 1 ano
1 a 5 anos
Mais de 5 anos
Não se lembrava
65
137
21
9
28,0
59,0
9,1
3,9
Horas na rua por dia
1 a 5 horas
6 horas ou mais
Em branco
133
97
1
57,3
41,8
0,4
Formas de sustento
(as 5 mais citadas)
Pedia dinheiro
Vigiava carros
Vendia coisas
Furtava, roubava
Fazia coisas para vender
121
91
68
44
20
52,2
39,2
29,3
19,0
8,6
Outras atividades
Brincadeira / Diversão
Esporte / Arte
Cursos profissionalizantes
Ir à igreja
142
82
106
49
61,2
35,3
45,7
21,1
Motivos atribuídos
para a situação de rua
estava morando com família (n = 170)
não estava morando com família (n = 62)
100
Porcentagem de usuários
100
80
60
54,7
58,5
40
20
22,6
11,2
0
Uso no mês
Uso diário
Figura 1: Uso de drogas psicotrópicas, inclusive álcool e tabaco, entre 170 crianças e adolescentes que
estavam morando com suas famílias, comparativamente aos 62 que não estavam, entrevistados em Manaus. São apresentados os parâmetros uso no mês (ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa)
e uso diário (cerca de 20 dias ou mais no mês que antecedeu a pesquisa).
Manaus
101
Tabela 2: Uso de cada categoria de drogas psicotrópicas entre 232 crianças e adolescentes em situação de
rua entrevistados em Manaus.
N
%
Uso no mês**
N
%
Tabaco
144
62,1
104
44,8
Álcool
137
59,1
87
37,5
123
34
40
9
53,0
14,7
17,2
3,9
81
11
18
3
34,9
4,7
7,8
1,3
74
31,9
47
20,3
68
5
19
5
16
1
0
29,3
2,2
8,2
2,2
6,9
0,4
0
44
1
4
2
3
0
0
19,0
0,4
1,7
0,9
1,3
0
0
Maconha
52
22,4
32
13,8
Cocaína e derivados
25
10,8
13
5,6
15
1
16
3
0
6,5
0,4
6,9
1,3
0
8
0
7
2
0
3,4
0
3,0
0,9
0
Medicamentos
4
1,7
1
0,4
Rohypnol®
Artane®
Benflogin®
3
1
0
1,3
0,4
0
1
0
0
0,4
0
0
Chá
1
0,4
0
0
Outras
4
1,7
2
0,9
Cerveja
Vinho
Pinga
Outra bebida
Solventes
Cola
Esmalte
Loló
Lança-perfume
Thinner
Benzina
Outros solventes
Cocaína cheirada
Cocaína injetada
Merla
Crack
Outra droga derivada da coca
**uso no ano: ao menos uma vez no ano que antecedeu a pesquisa
**uso no mês: ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa
Tabela 3: Freqüência do uso de drogas psicotrópicas no mês que antecedeu a pesquisa entre 232 crianças
e adolescentes em situação de rua entrevistados em Manaus.
“Quase todos os dias”
(20 ou mais dias)*
N
%
“Alguns dias”
(4 a 19 dias)**
N
%
“Poucos dias”
(1 a 3 dias)***
N
%
Tabaco
29
12,5
34
14,7
41
17,7
Álcool
3
1,3
24
10,3
60
25,9
Solventes
5
2,2
9
3,9
32
13,8
Maconha
4
1,7
4
1,7
24
10,3
Cocaína e derivados
1
0,4
4
1,7
8
3,4
Medicamentos
0
0
0
0
1
0,4
Chá
0
0
0
0
0
0
Outras
0
0
0
0
2
0,9
***uso diário: cerca de 20 ou mais dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso pesado)
***uso semanal: cerca de 4 a 19 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso moderado)
***uso mensal: cerca de 1 a 3 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso leve)
Região Norte
Uso no ano*
102
Manaus
Tabela 4: Formas de aquisição das drogas psicotrópicas (no mês que antecedeu a pesquisa) entre 232
crianças e adolescentes em situação de rua entevistados em Manaus.
N
%
Tabaco
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
71
7
59
30,6
3,0
25,4
Álcool
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
60
3
58
25,9
1,3
25,0
Solventes
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
13
3
28
1
5,6
1,3
12,1
0,4
Medicamentos
Comprou pessoalmente na farmácia
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
0
0
0
1
0
0
0
0,4
Tabela 5: Comportamentos de risco associados ao uso de drogas psicotrópicas, na vida (ocorreu ao menos
uma vez na vida), entre 232 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Manaus.
N
Ficou mais bravo, solto e irritou os outros
%
69
29,7
Ficou mole e os outros te prejudicaram (roubaram, bateram)
71
30,6
Andou pelas ruas sem cuidado, com risco de ser atropelado
64
27,6
Transou sem camisinha
49
21,1
Foi roubar
45
19,4
Já adormeceu com o saquinho de solvente perto do rosto
24
10,3
4
1,7
Já usou drogas injetáveis
Tabela 6: Tentativas de parar ou diminuir o uso de alguma droga psicotrópica entre 232 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Manaus.
N
Já tentou parar
Sim
Não
Como tentou parar
(quem ajudou)
Tentei sozinho
Alguém de instituição (educador, assistente social)
Alguém da família
Tentei com um amigo
Alguém de igreja
Alguém de hospital ou posto de saúde (médico, enfermeiro)
Outros
%
63
142
27,2
61,2
36
17
10
6
6
0
2
15,5
7,3
4,3
2,6
2,6
0
0,9
Tabela 7: Expectativa de vida de 232 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Manaus.
Estão apresentadas as sete expectativas mais citadas.
N
%
Trabalhar
170
73,3
Estudar
105
45,3
Melhorar sua relação com a família
93
40,1
Resolver problemas pessoais
55
23,7
Ocupar melhor o tempo (recreações, esportes etc.)
39
16,8
Conseguir lugar para morar
39
16,8
Conseguir usar menos drogas ou parar de usar
26
11,2
103
Palmas
Capital do Estado do Tocantins
coordenação
137.355 habitantes
(IBGE – censo 2000)
Maria Nadir da Conceição Santos
Supervisão
Osmailde Souza Lacerda
entrevistadores
Processo de mapeamento e coleta de dados
O Conselho Tutelar foi o único serviço mapeado em Palmas que oferecia assistência a crianças e adolescentes em
situação de rua. Todas as entrevistas foram realizadas
nas ruas, com o apoio do Conselho Tutelar, em oito regiões diferentes da capital.
Foram realizadas 92 entrevistas, das quais quatro foram
excluídas da amostra durante o processo de crítica de
dados (vide motivos de exclusão Tabela 2, pág. 22).
Total de entrevistas válidas: 118
Resultados
comparados aos da amostra global brasileira (27 capitais)
Características sociodemográficas da amostra
pesquisada (Tabela 1):
A amostra pesquisada em Palmas se diferenciou da amostra global das 27 capitais brasileiras, por ter sido entrevistada uma maior proporção de jovens morando com família (86,4%). Por outro lado, esse perfil não se diferenciou
da amostra global das capitais da Região Norte.
Uso de drogas em geral (Figura 1):
Quando analisados separadamente os subgrupos dos
que estavam morando com família (n=102) e os que não
estavam (n=16), os índices de uso de drogas foram semelhantes ao perfil da amostra global.
........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
Simone Rosa de Oliveira
Janete Sales de Carvalho
As principais drogas mencionadas – uso no mês
(Tabelas 2 e 3):
O tabaco foi a droga com os maiores índices de uso no
mês (e em freqüência diária), seguido pelas bebidas alcoólicas. Entre as bebidas, além da cerveja, destacou-se
o elevado consumo de pinga (índices superiores aos da
amostra global). Entre os solventes/inalantes, predominou o consumo de cola (25 casos de uso no mês). O
índice de uso de maconha no mês (26,3%) foi semelhante ao da amostra global brasileira e o de derivados da
coca foi inferior (5,9%). Não foi relatado consumo de
medicamentos psicotrópicos.
Outros resultados (Tabelas 4, 5, 6):
Os valores observados para as formas de aquisição, comportamentos de risco associados ao consumo e tentativas de parar ou diminuir o uso, foram relativamente
semelhantes aos da amostra global.
Expectativas de vida (Tabela 7):
Assim como nas demais capitais, entre a maioria dos entrevistados, foram observadas várias expectativas básicas de vida (trabalhar, ocupar melhor o tempo, melhorar a relação familiar, estudar, conseguir lugar para morar,
entre outras). Muitas dessas expectativas são, na verdade,
direitos de todas as crianças e adolescentes brasileiros.
Região Norte
Equipe
• Palmas
Palmas
Tabela 1: Características sociodemográficas de 118 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Palmas.
N
%
Sexo
Masculino
Feminino
105
13
89,0
11,0
Idade
(anos)
9 a 11
12 a 14
15 a 18
Não sabia
13
56
49
0
11,0
47,5
41,5
0
Situação escolar
(ensino formal)
Nunca havia estudado
Estava estudando
Havia parado de estudar
0
73
45
0
61,9
38,1
Situação familiar
(morar com a família)
Sim
Não
102
16
86,4
13,6
Diversão, liberdade, falta de outra atividade
Sustento para si e/ou família
Relações familiares ruins (conflitos, agressões)
Acompanhar parente ou amigo
Mudança de estrutura familiar
(morte de mãe/pai ou casamento de um deles)
24
98
11
15
7
20,3
83,1
9,3
12,7
5,9
Anos em situação de rua
Menos de 1 ano
1 a 5 anos
Mais de 5 anos
Não se lembrava
52
52
4
10
44,0
44,0
3,4
8,5
Horas na rua por dia
1 a 5 horas
6 horas ou mais
37
81
31,4
68,6
Formas de sustento
(as 5 mais citadas)
Vigiava carros
Vendia coisas
Pedia dinheiro
Furtava, roubava
Fazia coisas para vender
106
30
21
17
2
89,8
25,4
17,8
14,4
1,7
Outras atividades
Brincadeira / Diversão
Esporte / Arte
Cursos profissionalizantes
Ir à igreja
52
94
0
10
44,1
79,7
0
8,5
Motivos atribuídos
para a situação de rua
estava morando com família (n = 102)
não estava morando com família (n = 16)
100
Porcentagem de usuários
104
100,0
100,0
80
60
51,0
40
30,4
20
0
Uso no mês
Uso diário
Figura 1: Uso de drogas psicotrópicas, inclusive álcool e tabaco, entre 102 crianças e adolescentes que
estavam morando com suas famílias, comparativamente aos 16 que não estavam, entrevistados em Palmas. São apresentados os parâmetros uso no mês (ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa) e
uso diário (cerca de 20 dias ou mais no mês que antecedeu a pesquisa).
Palmas
105
Tabela 2: Uso de cada categoria de drogas psicotrópicas entre 118 crianças e adolescentes em situação de
rua entrevistados em Palmas.
N
%
Uso no mês**
N
%
Tabaco
67
56,8
61
51,7
Álcool
65
55,1
58
49,2
63
28
36
20
53,4
23,7
30,5
16,9
56
10
31
10
47,5
8,5
26,3
8,5
43
36,4
26
22,0
40
2
6
2
13
10
1
33,9
1,7
5,1
1,7
11,0
8,5
0,8
25
1
3
1
5
4
0
21,2
0,8
2,5
0,8
4,2
3,4
0
Maconha
34
28,8
31
26,3
Cocaína e derivados
11
9,3
7
5,9
10
1
1
6
0
8,5
0,8
0,8
5,1
0
7
0
0
0
0
5,9
0
0
0
0
Cerveja
Vinho
Pinga
Outra bebida
Solventes
Cola
Esmalte
Loló
Lança-perfume
Thinner
Benzina
Outros solventes
Cocaína cheirada
Cocaína injetada
Merla
Crack
Outra droga derivada da coca
Medicamentos
0
0
0
0
Rohypnol®
Artane®
Benflogin®
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
Chá
0
0
0
0
Outras
2
1,7
2
2,0
**uso no ano: ao menos uma vez no ano que antecedeu a pesquisa
**uso no mês: ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa
Tabela 3: Freqüência do uso de drogas psicotrópicas no mês que antecedeu a pesquisa entre 118 crianças
e adolescentes em situação de rua entrevistados em Palmas.
“Quase todos os dias”
(20 ou mais dias)*
N
%
“Alguns dias”
(4 a 19 dias)**
N
%
“Poucos dias”
(1 a 3 dias)***
N
%
Tabaco
43
36,4
11
9,3
6
5,1
Álcool
3
2,5
30
25,4
25
21,2
Solventes
16
13,6
5
4,2
5
4,2
Maconha
9
7,6
10
8,5
12
10,2
Cocaína e derivados
1
0,8
0
0
6
5,1
Medicamentos
0
0
0
0
0
0
Chá
0
0
0
0
0
0
Outras
2
1,7
0
0
1
0,8
***uso diário: cerca de 20 ou mais dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso pesado)
***uso semanal: cerca de 4 a 19 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso moderado)
***uso mensal: cerca de 1 a 3 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso leve)
Região Norte
Uso no ano*
106
Palmas
Tabela 4: Formas de aquisição das drogas psicotrópicas (no mês que antecedeu a pesquisa) entre 118
crianças e adolescentes em situação de rua entevistados em Palmas.
N
%
Tabaco
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
53
8
42
44,9
6,8
35,6
Álcool
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
47
4
41
39,8
3,4
34,7
Solventes
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
18
2
25
0
15,3
1,7
21,2
0
Medicamentos
Comprou pessoalmente na farmácia
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
0
0
0
0
0
0
0
0
Tabela 5: Comportamentos de risco associados ao uso de drogas psicotrópicas, na vida (ocorreu ao menos
uma vez na vida), entre 118 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Palmas.
N
Ficou mais bravo, solto e irritou os outros
%
39
33,1
Ficou mole e os outros te prejudicaram (roubaram, bateram)
26
22,0
Andou pelas ruas sem cuidado, com risco de ser atropelado
30
25,4
Transou sem camisinha
42
35,6
Foi roubar
18
15,3
Já adormeceu com o saquinho de solvente perto do rosto
13
11,0
2
1,7
Já usou drogas injetáveis
Tabela 6: Tentativas de parar ou diminuir o uso de alguma droga psicotrópica entre 118 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Palmas.
N
%
Já tentou parar
Sim
Não
42
34
35,6
28,8
Como tentou parar
(quem ajudou)
Tentei sozinho
Alguém de instituição (educador, assistente social)
Alguém da família
Tentei com um amigo
Alguém de igreja
Alguém de hospital ou posto de saúde (médico, enfermeiro)
Outros
29
12
7
1
2
1
0
24,6
10,2
5,9
0,8
1,7
0,8
0
Tabela 7: Expectativa de vida de 118 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Palmas.
Estão apresentadas as sete expectativas mais citadas.
N
%
Trabalhar
72
61,0
Ocupar melhor o tempo (recreações, esportes etc.)
30
25,4
Melhorar sua relação com a família
25
21,2
Estudar
22
18,6
Conseguir lugar para morar
15
12,7
Resolver problemas pessoais
15
12,7
9
7,6
Conseguir usar menos drogas ou parar de usar
107
Porto Velho
Capital do Estado de Rondônia
coordenação
334.669 habitantes
Najla Teles Hijazi
(IBGE – censo 2000)
Supervisão
João Rodrigues da Silva
entrevistadora
Processo de mapeamento e coleta de dados
Foram mapeadas em Porto Velho duas instituições que
ofereciam assistência a crianças e adolescentes em situação de rua. Ambas com trabalhos realizados em sede.
Nestas duas instituições foram realizadas nove entrevistas
Total de entrevistas válidas: 09
Resultados
comparados aos da amostra global brasileira (27 capitais)
Características sociodemográficas da amostra
pesquisada (Tabela 1):
A amostra pesquisada em Porto Velho, além de muito
pequena, se diferenciou muito da amostra global das 27
capitais brasileiras. Além de não terem sido entrevistadas jovens do sexo feminino, todos os entrevistados estavam estudando e apenas um não estava morando com
família.
........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
Gisele de Paula Pereira
Uso de drogas em geral (Figura 1):
O único entrevistado que não morava com família, relatou consumo da tabaco e cerveja no mês (o tabaco diariamente). Para os demais (n=8), os índices de uso de
drogas foram inferires ao observado na amostra global.
As principais drogas mencionadas – uso no mês
(Tabelas 2 e 3):
O tamanho da amostra foi muito pequeno para avaliar
cada tipo de droga separadamente. A ausência de relatos de uso de solventes e de drogas ilícitas pode, na
verdade, devido ao baixo número de entrevistas.
Outros resultados (Tabelas 4, 5, 6):
O tamanho da amostra foi muito pequeno para avaliar
as formas de aquisição, comportamentos de risco associados ao consumo e tentativas de parar ou diminuir o
uso.
Expectativas de vida (Tabela 7):
Trabalhar foi a principal expectativa dos entrevistados.
O tamanho da amostra foi muito pequeno para avaliar
as demais.
Região Norte
Equipe
Porto Velho •
Porto Velho
Tabela 1: Características sociodemográficas de 9 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados
em Porto Velho.
N
%
Sexo
Masculino
Feminino
9
0
100,0
0
Idade
(anos)
9 a 11
12 a 14
15 a 18
Não sabia
0
6
3
0
0
66,7
33,3
0
Situação escolar
(ensino formal)
Nunca havia estudado
Estava estudando
Havia parado de estudar
0
9
0
0
100,0
0
Situação familiar
(morar com a família)
Sim
Não
8
1
88,9
11,1
Diversão, liberdade, falta de outra atividade
Sustento para si e/ou família
Relações familiares ruins (conflitos, agressões)
Acompanhar parente ou amigo
Mudança de estrutura familiar
(morte de mãe/pai ou casamento de um deles)
6
4
1
0
0
66,7
44,4
11,1
0
0
Anos em situação de rua
Menos de 1 ano
1 a 5 anos
Mais de 5 anos
Não se lembrava
0
4
2
3
0
44,4
22,2
33,3
Horas na rua por dia
1 a 5 horas
6 horas ou mais
0
9
0
100,0
Formas de sustento
(as 5 mais citadas)
Vendia coisas
Vigiava carros
Pedia dinheiro
Furtava, roubava
Entregava / vendia drogas
6
6
1
0
0
66,7
66,7
11,1
0
0
Outras atividades
Brincadeira / Diversão
Esporte / Arte
Cursos profissionalizantes
Ir à igreja
6
6
3
1
66,7
66,7
33,3
11,1
Motivos atribuídos
para a situação de rua
estava morando com família (n = 8)
não estava morando com família (n = 1)
100
Porcentagem de usuários
108
100,0
100,0
80
60
40
37,5
20
12,5
0
Uso no mês
Uso diário
Figura 1: Uso de drogas psicotrópicas, inclusive álcool e tabaco, entre 8 crianças e adolescentes que estavam morando com suas famílias, comparativamente aos 1 que não estavam, entrevistados em Porto
Velho. São apresentados os parâmetros uso no mês (ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa)
e uso diário (cerca de 20 dias ou mais no mês que antecedeu a pesquisa).
Porto Velho
109
Tabela 2: Uso de cada categoria de drogas psicotrópicas entre 9 crianças e adolescentes em situação de rua
entrevistados em Porto Velho.
Uso no mês**
N
%
N
%
Tabaco
4
44,4
2
22,2
Álcool
7
77,8
3
33,3
5
6
1
1
55,6
66,7
11,1
11,1
3
1
0
0
33,3
11,1
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
Maconha
0
0
0
0
Cocaína e derivados
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
Medicamentos
0
0
0
0
Rohypnol®
Artane®
Benflogin®
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
Chá
0
0
0
0
Outras
0
0
0
0
Cerveja
Vinho
Pinga
Outra bebida
Solventes
Cola
Esmalte
Loló
Lança-perfume
Thinner
Benzina
Outros solventes
Cocaína cheirada
Cocaína injetada
Merla
Crack
Outra droga derivada da coca
**uso no ano: ao menos uma vez no ano que antecedeu a pesquisa
**uso no mês: ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa
Tabela 3: Freqüência do uso de drogas psicotrópicas no mês que antecedeu a pesquisa entre 9 crianças e
adolescentes em situação de rua entrevistados em Porto Velho.
“Quase todos os dias”
(20 ou mais dias)*
N
%
Tabaco
2
22,2
Álcool
0
0
Solventes
0
0
Maconha
0
0
Cocaína e derivados
0
Medicamentos
Chá
Outras
“Alguns dias”
(4 a 19 dias)**
N
“Poucos dias”
(1 a 3 dias)***
%
N
0
0
0
0
1
11,1
2
22,2
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
***uso diário: cerca de 20 ou mais dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso pesado)
***uso semanal: cerca de 4 a 19 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso moderado)
***uso mensal: cerca de 1 a 3 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso leve)
%
Região Norte
Uso no ano*
110
Porto Velho
Tabela 4: Formas de aquisição das drogas psicotrópicas (no mês que antecedeu a pesquisa) entre 9 crianças
e adolescentes em situação de rua entevistados em Porto Velho.
N
%
Tabaco
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
2
0
2
22,2
0
22,2
Álcool
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
1
0
1
11,1
0
11,1
Solventes
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
0
0
0
0
0
0
0
0
Medicamentos
Comprou pessoalmente na farmácia
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
0
0
0
0
0
0
0
0
Tabela 5: Comportamentos de risco associados ao uso de drogas psicotrópicas, na vida (ocorreu ao menos
uma vez na vida), entre 9 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Porto Velho.
Ficou mais bravo, solto e irritou os outros
N
%
1
11,1
Ficou mole e os outros te prejudicaram (roubaram, bateram)
0
0
Andou pelas ruas sem cuidado, com risco de ser atropelado
1
11,1
Transou sem camisinha
1
11,1
Foi roubar
1
11,1
Já adormeceu com o saquinho de solvente perto do rosto
0
0
Já usou drogas injetáveis
0
0
Tabela 6: Tentativas de parar ou diminuir o uso de alguma droga psicotrópica entre 9 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Porto Velho.
N
%
Já tentou parar
Sim
Não
4
1
44,4
11,1
Como tentou parar
(quem ajudou)
Tentei sozinho
Alguém de instituição (educador, assistente social)
Alguém da família
Tentei com um amigo
Alguém de igreja
Alguém de hospital ou posto de saúde (médico, enfermeiro)
Outros
3
0
0
0
0
0
0
33,3
0
0
0
0
0
0
Tabela 7: Expectativa de vida de 9 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Porto
Velho. Estão apresentadas as sete expectativas mais citadas.
N
%
Trabalhar
5
55,6
Estudar
1
11,1
Ocupar melhor o tempo (recreações, esportes etc.)
1
11,1
Conseguir lugar para morar
1
11,1
Resolver problemas pessoais
0
0
Melhorar sua relação com a família
0
0
Conseguir usar menos drogas ou parar de usar
0
0
111
Rio Branco
Capital do Estado do Acre
coordenação
•
Rosa Luiza Lima Matias
Rio Branco
Supervisão
253.059 habitantes
Creso Machado Lopes
(IBGE – censo 2000)
entrevistadores
Processo de mapeamento e coleta de dados
Foram mapeadas em Rio Branco duas instituições que
ofereciam assistência a crianças e adolescentes em situação de rua, uma em sede e outra na rua. Ambas foram
incluídas neste levantamento.
Nestas instituições foram realizadas 73 entrevistas (nove
entrevistas em sede e 62 entrevistas na rua), das quais
duas foram excluídas da amostra durante o processo de
crítica dos dados. (vide motivos de exclusão Tabela 2,
pág. 22).
Total de entrevistas válidas: 71
Resultados
comparados aos da amostra global brasileira (27 capitais)
Características sociodemográficas da amostra
pesquisada (Tabela 1):
A amostra pesquisada em Rio Branco se diferenciou
muito da amostra global das 27 capitais brasileiras. Além
do baixo número de jovens do sexo feminino (n=2),
houve predomínio de uma faixa etária menor (73,3%
entre 9-14 anos), maior número de jovens morando com
família (87,3%), estudando (63,4%) e com menor tempo em situação de rua (52,1% ficando menos de 6 horas/
dia; 50,7% há menos de um ano).
Por outro lado, esse perfil não se diferenciou tanto ao da
amostra global das capitais da Região Norte.
........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
Andréa Ramos da Silva
Relben Ferreira da Silva
Marcos Venicius Malvera de
Lima
Uso de drogas em geral (Figura 1):
Diante das características da amostra pesquisada, nesta
capital foi observada uma menor porcentagem de jovens que relataram consumo de drogas. No entanto,
quando analisados os índices de uso especificamente
dos jovens que não estavam morando com suas famílias
(N=9), foi observada maior semelhança ao perfil da amostra geral (para este subgrupo).
As principais drogas mencionadas – uso no mês
(Tabelas 2 e 3):
As bebidas alcoólicas (especialmente a cerveja e vinho) e
o tabaco foram as drogas com maiores índices de uso no
mês. Entre os solventes/inalantes, destacou-se o consumo de cola (7 casos de uso no mês). Os índices de uso de
drogas ilícitas (maconha e derivados da coca) foram
muito menores dos observados na amostra global. Não
foi relatado consumo de medicamentos psicotrópicos.
Outros resultados (Tabelas 4, 5, 6):
Os valores observados para as formas de aquisição, comportamentos de risco associados ao consumo e tentativas de parar ou diminuir o uso, foram semelhantes aos
da amostra global (proporcionalmente ao número de
usuários de drogas).
Expectativas de vida (Tabela 7):
Assim como nas demais capitais, entre a maioria dos entrevistados, foram observadas várias expectativas básicas de vida (trabalhar, estudar, melhorara a relação familiar, entre outras). Muitas dessas expectativas são, na
verdade, direitos de todas as crianças e adolescentes brasileiros.
Região Norte
Equipe
Rio Branco
Tabela 1: Características sociodemográficas de 71 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Rio Branco.
N
%
Sexo
Masculino
Feminino
69
2
97,2
2,8
Idade
(anos)
9 a 11
12 a 14
15 a 18
Não sabia
15
37
18
1
21,1
52,1
25,4
1,4
Situação escolar
(ensino formal)
Nunca havia estudado
Estava estudando
Havia parado de estudar
1
45
25
1,4
63,4
35,2
Situação familiar
(morar com a família)
Sim
Não
62
9
87,3
12,7
Diversão, liberdade, falta de outra atividade
Sustento para si e/ou família
Relações familiares ruins (conflitos, agressões)
Acompanhar parente ou amigo
Mudança de estrutura familiar
(morte de mãe/pai ou casamento de um deles)
14
49
1
15
1
19,7
69,0
1,4
21,1
1,4
Anos em situação de rua
Menos de 1 ano
1 a 5 anos
Mais de 5 anos
Não se lembrava
36
19
12
4
50,7
26,8
16,9
5,6
Horas na rua por dia
1 a 5 horas
6 horas ou mais
37
34
52,1
47,9
Formas de sustento
(as 5 mais citadas)
Vigiava carros
Vendia coisas
Pedia dinheiro
Furtava, roubava
Entregava / vendia drogas
61
7
6
6
1
85,9
9,9
8,5
8,5
1,4
Outras atividades
Brincadeira / Diversão
Esporte / Arte
Cursos profissionalizantes
Ir à igreja
23
9
0
1
32,4
12,7
0
1,4
Motivos atribuídos
para a situação de rua
estava morando com família (n = 62)
não estava morando com família (n = 9)
100
Porcentagem de usuários
112
100,0
80
77,8
60
40
20
21,0
12,9
0
Uso no mês
Uso diário
Figura 1: Uso de drogas psicotrópicas, inclusive álcool e tabaco, entre 62 crianças e adolescentes que
estavam morando com suas famílias, comparativamente aos 9 que não estavam, entrevistados em Rio
Branco. São apresentados os parâmetros uso no mês (ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa)
e uso diário (cerca de 20 dias ou mais no mês que antecedeu a pesquisa).
Rio Branco
113
Tabela 2: Uso de cada categoria de drogas psicotrópicas entre 71 crianças e adolescentes em situação de
rua entrevistados em Rio Branco.
N
%
Uso no mês**
N
%
Tabaco
20
28,2
16
22,5
Álcool
28
39,4
16
22,5
15
23
8
3
21,1
32,4
11,3
4,2
7
12
4
1
9,9
16,9
5,6
1,4
10
14,1
7
9,9
10
3
1
0
2
0
1
14,1
4,2
1,4
0
2,8
0
1,4
7
1
1
0
0
0
0
9,9
1,4
1,4
0
0
0
0
Maconha
8
11,3
5
7,0
Cocaína e derivados
6
8,5
4
5,6
6
0
1
2
0
8,5
0
1,4
2,8
0
4
0
0
1
0
5,6
0
0
1,4
0
Medicamentos
0
0
0
0
Rohypnol®
Artane®
Benflogin®
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
Chá
0
0
0
0
Outras
0
0
0
0
Cerveja
Vinho
Pinga
Outra bebida
Solventes
Cola
Esmalte
Loló
Lança-perfume
Thinner
Benzina
Outros solventes
Cocaína cheirada
Cocaína injetada
Merla
Crack
Outra droga derivada da coca
**uso no ano: ao menos uma vez no ano que antecedeu a pesquisa
**uso no mês: ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa
Tabela 3: Freqüência do uso de drogas psicotrópicas no mês que antecedeu a pesquisa entre 71 crianças e
adolescentes em situação de rua entrevistados em Rio Branco.
“Quase todos os dias”
(20 ou mais dias)*
N
“Alguns dias”
(4 a 19 dias)**
“Poucos dias”
(1 a 3 dias)***
%
N
%
N
%
Tabaco
12
16,9
0
0
4
5,6
Álcool
0
0
7
9,9
9
12,7
Solventes
3
4,2
3
4,2
1
1,4
Maconha
1
1,4
1
1,4
3
4,2
Cocaína e derivados
1
1,4
1
1,4
2
2,8
Medicamentos
0
0
0
0
0
0
Chá
0
0
0
0
0
0
Outras
0
0
0
0
0
0
***uso diário: cerca de 20 ou mais dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso pesado)
***uso semanal: cerca de 4 a 19 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso moderado)
***uso mensal: cerca de 1 a 3 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso leve)
Região Norte
Uso no ano*
114
Rio Branco
Tabela 4: Formas de aquisição das drogas psicotrópicas (no mês que antecedeu a pesquisa) entre 71
crianças e adolescentes em situação de rua entevistados em Rio Branco.
N
%
Tabaco
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
8
1
6
11,3
1,4
8,5
Álcool
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
8
0
10
11,3
0
14,1
Solventes
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
2
2
1
2
2,8
2,8
1,4
2,8
Medicamentos
Comprou pessoalmente na farmácia
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
0
0
0
0
0
0
0
0
Tabela 5: Comportamentos de risco associados ao uso de drogas psicotrópicas, na vida (ocorreu ao menos
uma vez na vida), entre 71 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Rio Branco.
N
Ficou mais bravo, solto e irritou os outros
%
12
16,9
Ficou mole e os outros te prejudicaram (roubaram, bateram)
9
12,7
Andou pelas ruas sem cuidado, com risco de ser atropelado
6
8,5
Transou sem camisinha
3
4,2
Foi roubar
5
7,0
Já adormeceu com o saquinho de solvente perto do rosto
5
7,0
Já usou drogas injetáveis
0
0
Tabela 6: Tentativas de parar ou diminuir o uso de alguma droga psicotrópica entre 71 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Rio Branco.
N
Já tentou parar
Sim
Não
Como tentou parar
(quem ajudou)
Tentei sozinho
Alguém de instituição (educador, assistente social)
Alguém da família
Tentei com um amigo
Alguém de igreja
Alguém de hospital ou posto de saúde (médico, enfermeiro)
Outros
%
17
16
23,9
22,5
9
3
4
0
0
0
1
12,7
4,2
5,6
0
0
0
1,4
Tabela 7: Expectativa de vida de 71 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Rio
Branco. Estão apresentadas as sete expectativas mais citadas.
N
%
Trabalhar
24
33,8
Estudar
17
23,9
Melhorar sua relação com a família
6
8,5
Resolver problemas de saúde
4
5,6
Conseguir usar menos drogas ou parar de usar
4
5,6
Resolver problemas pessoais
4
5,6
Conseguir comida
3
4,2
115
Região Nordeste
Dados Globais
Região Nordeste
Tabela 1: Características sociodemográficas de 958 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados nas capitais da Região Nordeste.
N
%
Sexo
Masculino
Feminino
752
206
78,5
21,5
Idade
(anos)
9 a 11
12 a 14
15 a 18
Não sabia
134
346
476
2
14,0
36,1
49,7
0,2
Situação escolar
(ensino formal)
Nunca havia estudado
Estava estudando
Havia parado de estudar
43
437
478
4,5
45,6
49,9
Situação familiar
(morar com a família)
Sim
Não
659
299
68,7
31,2
para a situação de rua
Diversão, liberdade, falta de outra atividade
Sustento para si e/ou família
Relações familiares ruins (conflitos, agressões)
Acompanhar parente ou amigo
Mudança de estrutura familiar
(morte de mãe/pai ou casamento de um deles)
264
497
186
203
51
27,6
51,9
19,4
21,2
5,3
Anos em situação de rua
Menos de 1 ano
1 a 5 anos
Mais de 5 anos
Não se lembrava
Em branco
253
411
238
53
3
26,4
42,9
24,8
5,5
0,3
Horas na rua por dia
1 a 5 horas
6 horas ou mais
179
779
18,7
81,3
Formas de sustento
(as 5 mais citadas)
Pedia dinheiro
Vigiava carros
Vendia coisas
Furtava, roubava
Transava por dinheiro
449
422
223
190
60
46,9
44,1
23,3
19,8
6,3
Outras atividades
Brincadeira / Diversão
Esporte / Arte
Cursos profissionalizantes
Ir à igreja
561
304
51
103
58,6
31,7
5,3
10,8
Motivos atribuídos
estava morando com família (n = 659)
não estava morando com família (n = 299)
100
94,6
Porcentagem de usuários
116
80
75,9
60
53,1
40
26,9
20
0
Uso no mês
Uso diário
Figura 1: Uso de drogas psicotrópicas, inclusive álcool e tabaco, entre 659 crianças e adolescentes que
estavam morando com suas famílias, comparativamente aos 299 que não estavam, entrevistados nas
capitais da Região Nordeste. São apresentados os parâmetros uso no mês (ao menos uma vez no mês que
antecedeu a pesquisa) e uso diário (cerca de 20 dias ou mais no mês que antecedeu a pesquisa).
Dados Globais
117
Tabela 2: Uso de cada categoria de drogas psicotrópicas entre 958 crianças e adolescentes em situação de
rua entrevistados nas capitais da Região Nordeste.
N
%
Uso no mês**
N
%
Tabaco
492
51,4
434
45,3
Álcool
618
64,5
437
45,6
540
408
293
190
56,4
42,6
30,6
19,8
370
201
192
100
38,6
21,0
20,0
10,4
413
43,1
352
36,7
321
25
225
69
111
15
3
33,5
2,6
23,5
7,2
11,6
1,6
0,3
278
15
163
30
89
8
2
29,0
1,6
17,0
3,1
9,3
0,8
0,2
Maconha
314
32,8
262
27,4
Cocaína e derivados
151
15,8
99
10,3
62
11
42
90
17
6,5
1,1
4,4
9,4
1,8
35
6
28
61
9
3,7
0,6
2,9
6,4
0,9
Medicamentos
174
18,2
125
13,0
Rohypnol®
Artane®
Benflogin®
137
58
50
14,3
6,1
5,2
93
44
29
9,7
4,6
3,0
Chá
30
3,1
16
1,7
Outras
48
5,0
22
2,2
Cerveja
Vinho
Pinga
Outra bebida
Solventes
Cola
Esmalte
Loló
Lança-perfume
Thinner
Benzina
Outros solventes
Cocaína cheirada
Cocaína injetada
Merla
Crack
Outra droga derivada da coca
**uso no ano: ao menos uma vez no ano que antecedeu a pesquisa
**uso no mês: ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa
Tabela 3: Freqüência do uso de drogas psicotrópicas no mês que antecedeu a pesquisa entre 958 crianças
e adolescentes em situação de rua entrevistados nas capitais da Região Nordeste.
“Quase todos os dias”
(20 ou mais dias)*
N
%
“Alguns dias”
(4 a 19 dias)**
N
%
“Poucos dias”
(1 a 3 dias)***
N
%
Tabaco
302
31,5
91
9,5
45
4,7
Álcool
39
4,1
194
20,3
204
21,3
Solventes
221
23,1
84
8,8
49
5,1
Maconha
111
11,6
98
10,2
53
5,5
Cocaína e derivados
19
2,0
29
3,0
49
5,1
Medicamentos
37
3,8
60
6,2
76
7,9
Chá
4
0,4
4
0,4
8
0,8
Outras
5
0,5
7
0,7
10
1,0
***uso diário: cerca de 20 ou mais dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso pesado)
***uso semanal: cerca de 4 a 19 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso moderado)
***uso mensal: cerca de 1 a 3 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso leve)
Região Nordeste
Uso no ano*
118
Região Nordeste
Tabela 4: Formas de aquisição das drogas psicotrópicas (no mês que antecedeu a pesquisa) entre 958
crianças e adolescentes em situação de rua entevistados nas capitais da Região Nordeste.
N
%
Tabaco
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
349
34
223
36,4
3,5
23,3
Álcool
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
292
39
211
30,5
4,1
22,0
Solventes
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
190
48
164
63
19,8
5,0
17,1
6,6
Medicamentos
Comprou pessoalmente na farmácia
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
38
22
42
68
4,0
2,3
4,4
7,1
Tabela 5: Comportamentos de risco associados ao uso de drogas psicotrópicas, na vida (ocorreu ao menos
uma vez na vida), entre 958 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados nas capitais da
Região Nordeste.
N
Ficou mais bravo, solto e irritou os outros
%
325
33,9
Ficou mole e os outros te prejudicaram (roubaram, bateram)
368
38,4
Andou pelas ruas sem cuidado, com risco de ser atropelado
286
29,9
Transou sem camisinha
278
29,0
Foi roubar
237
24,7
Já adormeceu com o saquinho de solvente perto do rosto
254
26,5
75
7,8
Já usou drogas injetáveis
Tabela 6: Tentativas de parar ou diminuir o uso de alguma droga psicotrópica entre 958 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados nas capitais da Região Nordeste.
N
%
Já tentou parar
Sim
Não
Em branco
468
318
172
48,9
24,3
18,0
Como tentou parar
(quem ajudou)
Tentei sozinho
Alguém de instituição (educador, assistente social)
Alguém da família
Tentei com um amigo
Alguém de igreja
Alguém de hospital ou posto de saúde (médico, enfermeiro)
Outros
261
82
76
38
17
4
62
27,2
8,6
7,9
4,0
1,8
0,4
6,5
Tabela 7: Expectativa de vida de 958 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados nas capitais
da Região Nordeste. Estão apresentadas as sete expectativas mais citadas.
N
%
Trabalhar
390
40,7
Estudar
208
21,7
Conseguir lugar para morar
166
17,3
89
9,3
Melhorar sua relação com a família
Ocupar melhor o tempo (recreações, esportes etc.)
76
7,9
Resolver problemas pessoais
64
6,7
Conseguir usar menos drogas ou parar de usar
60
6,3
119
Aracaju
Capital do Estado de Sergipe
Equipe
•
coordenação
Aracaju
461.534 habitantes
(IBGE – censo 2000)
Maria de Fátima Vieira
supervisão
Pedro Pacheco
entrevistadores
O Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua foi
o único serviço mapeado em Aracaju que oferecia assistência a crianças e adolescentes em situação de rua. Todas as entrevistas foram realizadas nas ruas, com o apoio
do MNMMR, em duas regiões diferentes da capital.
Foram realizadas 70 entrevistas.
Total de entrevistas válidas: 70
Resultados
comparados aos da amostra global brasileira (27 capitais)
Características sociodemográficas da amostra
pesquisada (Tabela 1):
A amostra pesquisada em Aracajú não se diferenciou
muito da amostra global das 27 capitais brasileiras, exceto pela maior proporção de jovens que relataram passar
mais horas/dia em situação de rua (85,7%com 6 ou mais
horas/dia).
Uso de drogas em geral (Figura 1):
Quando analisados separadamente os subgrupos dos
que estavam morando com família (n=42) e os que não
estavam (n=28), os índices de uso de drogas foram semelhantes ao perfil da amostra global.
As principais drogas mencionadas – uso no mês
(Tabelas 2 e 3):
As bebidas alcoólicas (cerveja, vinho e pinga) e o tabaco
(em freqüência diária) foram as drogas com maiores
índices de uso no mês. Os índices de uso de solventes
foram superiores aos observados na maioria das capitais,
sendo a cola o solvente mais usado. Os índices de uso de
maconha (20 casos de uso no mês) foram relativamente
semelhantes aos da amostra global. Para os derivados da
coca, os índices foram menores, com 3 casos de uso no
mês (os três haviam usado cocaína cheirada e crack). O
consumo recente de Rohypnol® foi relatado por 6 entrevistados.
Outros resultados (Tabelas 4, 5, 6):
Os valores observados para as formas de aquisição, comportamentos de risco associados ao consumo e tentativas de parar ou diminuir o uso, foram relativamente
semelhantes aos da amostra global.
Expectativas de vida (Tabela 7):
Assim como nas demais capitais, entre a maioria dos entrevistados, foram observadas várias expectativas básicas de vida (trabalhar, conseguir lugar para morar, estudar, entre outras). Muitas dessas expectativas são, na
verdade, direitos de todas as crianças e adolescentes brasileiros.
Região Nordeste
Processo de mapeamento e coleta de dados
........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
Charles Diego Lins Alcantara
Cinttya Polyana Mendes Souto
Maria José Vieira
Aracaju
Tabela 1: Características sociodemográficas de 70 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Aracaju.
N
%
Sexo
Masculino
Feminino
59
11
84,3
15,7
Idade
(anos)
9 a 11
12 a 14
15 a 18
Não sabia
10
33
27
0
14,3
47,1
38,6
0
Situação escolar
(ensino formal)
Nunca havia estudado
Estava estudando
Havia parado de estudar
5
28
37
7,1
40,0
52,9
Situação familiar
(morar com a família)
Sim
Não
42
28
60,0
40,0
Diversão, liberdade, falta de outra atividade
Sustento para si e/ou família
Relações familiares ruins (conflitos, agressões)
Acompanhar parente ou amigo
Mudança de estrutura familiar
(morte de mãe/pai ou casamento de um deles)
32
65
12
24
7
45,7
92,9
17,1
34,3
10,0
Anos em situação de rua
Menos de 1 ano
1 a 5 anos
Mais de 5 anos
Não se lembrava
22
26
21
1
31,4
37,1
30,0
1,4
Horas na rua por dia
1 a 5 horas
6 horas ou mais
10
60
14,3
85,7
Formas de sustento
(as 5 mais citadas)
Pedia dinheiro
Vigiava carros
Furtava, roubava
Vendia coisas
Transava por dinheiro
54
41
21
14
5
77,1
58,6
30,0
20,0
7,1
Outras atividades
Brincadeira / Diversão
Esporte / Arte
Cursos profissionalizantes
Ir à igreja
45
17
0
24
64,3
24,3
0
34,3
Motivos atribuídos
para a situação de rua
estava morando com família (n = 42)
não estava morando com família (n = 28)
100
Porcentagem de usuários
120
100,0
80
78,6
60
57,1
40
26,2
20
0
Uso no mês
Uso diário
Figura 1: Uso de drogas psicotrópicas, inclusive álcool e tabaco, entre 42 crianças e adolescentes que
estavam morando com suas famílias, comparativamente aos 28 que não estavam, entrevistados em Aracaju. São apresentados os parâmetros uso no mês (ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa) e
uso diário (cerca de 20 dias ou mais no mês que antecedeu a pesquisa).
Aracaju
121
Tabela 2: Uso de cada categoria de drogas psicotrópicas entre 70 crianças e adolescentes em situação de
rua entrevistados em Aracajú.
N
%
Uso no mês**
N
%
Tabaco
41
58,6
34
48,6
Álcool
50
71,4
42
60,0
44
37
21
6
62,9
52,9
30,0
8,6
36
20
14
5
51,4
28,6
20,0
7,1
32
45,7
30
42,9
28
3
11
2
3
1
0
40,0
4,3
15,7
2,9
4,3
1,4
0
25
2
7
0
4
0
0
35,7
2,9
10,0
0
5,7
0
0
22
31,4
20
28,6
4
5,7
3
4,3
4
0
0
3
0
5,7
0
0
4,3
0
3
0
0
3
0
4,3
0
0
4,3
0
Medicamentos
9
12,9
6
8,6
Rohypnol®
Artane®
Benflogin®
9
0
1
12,9
0
1,4
6
0
0
8,6
0
0
Chá
0
0
0
0
Outras
3
4,3
0
0
Cerveja
Vinho
Pinga
Outra bebida
Solventes
Cola
Esmalte
Loló
Lança-perfume
Thinner
Benzina
Outros solventes
Maconha
Cocaína e derivados
Cocaína cheirada
Cocaína injetada
Merla
Crack
Outra droga derivada da coca
**uso no ano: ao menos uma vez no ano que antecedeu a pesquisa
**uso no mês: ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa
Tabela 3: Freqüência do uso de drogas psicotrópicas no mês que antecedeu a pesquisa entre 70 crianças e
adolescentes em situação de rua entrevistados em Aracajú.
“Quase todos os dias”
(20 ou mais dias)*
N
%
“Alguns dias”
(4 a 19 dias)**
N
%
“Poucos dias”
(1 a 3 dias)***
N
%
Tabaco
26
37,1
8
11,4
3
4,3
Álcool
4
5,7
23
32,9
15
21,4
Solventes
17
24,3
9
12,9
4
5,7
Maconha
8
11,4
8
11,4
4
5,7
Cocaína e derivados
0
0
2
2,9
1
1,4
Medicamentos
0
0
5
7,1
1
1,4
Chá
0
0
0
0
0
0
Outras
0
0
0
0
0
0
***uso diário: cerca de 20 ou mais dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso pesado)
***uso semanal: cerca de 4 a 19 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso moderado)
***uso mensal: cerca de 1 a 3 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso leve)
Região Nordeste
Uso no ano*
122
Aracaju
Tabela 4: Formas de aquisição das drogas psicotrópicas (no mês que antecedeu a pesquisa) entre 70
crianças e adolescentes em situação de rua entevistados em Aracaju.
N
%
Tabaco
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
30
4
25
42,8
5,7
35,7
Álcool
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
29
5
27
41,4
7,1
38,6
Solventes
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
14
4
19
1
20,0
5,7
27,1
1,4
Medicamentos
Comprou pessoalmente na farmácia
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
3
1
4
2
4,3
1,4
5,7
2,9
Tabela 5: Comportamentos de risco associados ao uso de drogas psicotrópicas, na vida (ocorreu ao menos
uma vez na vida), entre 70 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Aracaju.
N
Ficou mais bravo, solto e irritou os outros
%
27
38,6
Ficou mole e os outros te prejudicaram (roubaram, bateram)
32
45,7
Andou pelas ruas sem cuidado, com risco de ser atropelado
26
37,1
Transou sem camisinha
26
37,1
Foi roubar
18
25,7
Já adormeceu com o saquinho de solvente perto do rosto
35
50,0
3
4,3
Já usou drogas injetáveis
Tabela 6: Tentativas de parar ou diminuir o uso de alguma droga psicotrópica entre 70 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Aracaju.
N
%
Já tentou parar
Sim
Não
27
31
38,6
44,3
Como tentou parar
(quem ajudou)
Tentei sozinho
Alguém de instituição (educador, assistente social)
Alguém da família
Tentei com um amigo
Alguém de igreja
Alguém de hospital ou posto de saúde (médico, enfermeiro)
Outros
21
1
11
2
0
0
1
30,0
1,4
15,7
2,9
0
0
1,4
Tabela 7: Expectativa de vida de 70 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Aracaju.
Estão apresentadas as sete expectativas mais citadas.
N
%
Trabalhar
32
45,7
Conseguir lugar para morar
26
37,1
Estudar
25
35,7
Conseguir comida
23
32,9
Melhorar sua relação com a família
6
8,6
Ocupar melhor o tempo (recreações, esportes etc.)
5
7,1
Resolver problemas pessoais
4
5,7
123
Fortaleza
Capital do Estado do Ceará
Fortaleza
•
2.141.402 habitantes
(IBGE – censo 2000)
Equipe
coordenação
Selene Regina Mazza
supervisão
Luciane Ponte e Silva
Processo de mapeamento e coleta de dados
Foram mapeadas em Fortaleza várias instituições que ofereciam assistência a crianças e adolescentes em situação
de rua, tanto em sede quanto na rua. Para o levantamento foram selecionadas seis instituições que preenchiam os
critérios de inclusão. Todas com trabalhos em sede.
Nestas instituições foram realizadas 151 entrevistas.
Total de entrevistas válidas: 151
Resultados
comparados aos da amostra global brasileira (27 capitais)
Características sociodemográficas da amostra
pesquisada (Tabela 1):
A amostra pesquisada em Fortaleza se diferenciou um
pouco da amostra global das 27 capitais brasileiras. Foi
entrevistada uma maior proporção de jovens do morando com família (81,5%), mas passando mais horas/dia
em situação de rua (93,4% ficando 6 ou mais horas/dia).
Uso de drogas em geral (Figura 1):
Quando analisados separadamente os subgrupos dos
que estavam morando com família (n=151) e os que não
estavam (n=28), os índices de uso de drogas foram semelhantes ao perfil da amostra global.
As principais drogas mencionadas – uso no mês
(Tabelas 2 e 3):
O tabaco foi a droga com os maiores índices de uso no
mês (e em freqüência diária), seguido pelas bebidas alcoólicas (especialmente a cerveja e a pinga). Entre os
solventes/inalantes, predominou o consumo de “loló”
(42 casos de uso no mês) e de cola (35 casos), ambos em
elevada freqüência (24 casos com uso diário). Para a
maconha e derivados da coca, os índices foram próximos da média brasileira, com 36 relatos de uso de maconha no mês e 16 de derivados da coca (sendo 14 relatos
de uso de crack). Diferente da maioria das capitais, foi
observado um considerável consumo de medicamentos
psicotrópicos no mês, incluindo o Rohypnol ® (23 relatos), Artane® (20 relatos) e Benflogin® (9 relatos)
........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
Ricardo Ângelo de Andrade Souza
Patrícia Pinheiro Marques
Lúcia Ponte e Silva
Mariza Araújo Teles Ponte
Outros resultados (Tabelas 4, 5, 6):
Os valores observados para as formas de aquisição, comportamentos de risco associados ao consumo e tentativas de parar ou diminuir o uso, foram relativamente
semelhantes aos da amostra global.
Expectativas de vida (Tabela 7):
Assim como nas demais capitais, entre a maioria dos
entrevistados, foram observadas várias expectativas básicas de vida (trabalhar, estudar, conseguir lugar para
morar, entre outras). Muitas dessas expectativas são, na
verdade, direitos de todas as crianças e adolescentes
brasileiros.
Comparação com os levantamentos anteriores: 19891993-1997 (Tabela 8 e Figura 2):
Em comparação com os levantamentos anteriores, foram observados índices relativamente semelhantes para
a maioria das drogas pesquisadas (tabaco, bebidas alcoólicas, solventes e maconha e Rohypnol ®). No entanto, vale ressaltar os índices de uso de derivados da
coca em 2003, muito superiores aos observados nos anos
anteriores (nos quais os relatos de uso eram pontuais).
Também merece destaque a retomada do consumo de
Artane® e Benflogin ® em 2003 (eram também consideráveis em 89 e 93, mas haviam praticamente desaparecido em 97).
Região Nordeste
entrevistadores
Fortaleza
Tabela 1: Características sociodemográficas de 151 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Fortaleza.
N
%
Sexo
Masculino
Feminino
96
55
63,6
36,4
Idade
(anos)
9 a 11
12 a 14
15 a 18
Não sabia
24
74
53
0
15,9
49,0
35,1
0
Situação escolar
(ensino formal)
Nunca havia estudado
Estava estudando
Havia parado de estudar
1
96
54
0,7
63,6
35,8
Situação familiar
(morar com a família)
Sim
Não
123
28
81,5
18,5
Diversão, liberdade, falta de outra atividade
Sustento para si e/ou família
Relações familiares ruins (conflitos, agressões)
Acompanhar parente ou amigo
Mudança de estrutura familiar
(morte de mãe/pai ou casamento de um deles)
43
62
21
36
5
28,5
41,1
13,9
23,8
3,3
Anos em situação de rua
Menos de 1 ano
1 a 5 anos
Mais de 5 anos
Não se lembrava
40
77
29
5
26,5
51,0
19,2
3,3
Horas na rua por dia
1 a 5 horas
6 horas ou mais
10
141
6,6
93,4
Formas de sustento
(as 5 mais citadas)
Vigiava carros
Vendia coisas
Pedia dinheiro
Furtava, roubava
Fazia coisas para vender
52
52
45
23
9
34,4
34,4
29,8
15,2
6,0
Outras atividades
Brincadeira / Diversão
Esporte / Arte
Cursos profissionalizantes
Ir à igreja
117
75
6
0
77,5
49,7
4,0
0
Motivos atribuídos
para a situação de rua
estava morando com família (n = 151)
não estava morando com família (n = 28)
100
96,4
Porcentagem de usuários
124
80
78,6
60
40
44,7
20
18,7
0
Uso no mês
Uso diário
Figura 1: Uso de drogas psicotrópicas, inclusive álcool e tabaco, entre 123 crianças e adolescentes que
estavam morando com suas famílias, comparativamente aos 28 que não estavam, entrevistados em Fortaleza. São apresentados os parâmetros uso no mês (ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa) e
uso diário (cerca de 20 dias ou mais no mês que antecedeu a pesquisa).
Fortaleza
125
Tabela 2: Uso de cada categoria de drogas psicotrópicas entre 151 crianças e adolescentes em situação de
rua entrevistados em Fortaleza.
N
%
Uso no mês**
N
%
Tabaco
67
44,4
58
38,4
Álcool
97
64,2
55
36,4
86
53
57
23
57,0
35,1
37,7
15,2
47
9
36
9
31,1
6,0
23,8
6,0
49
32,5
44
29,1
37
2
46
17
13
0
2
24,5
1,3
30,5
11,3
8,6
0
1,3
35
0
42
8
12
0
1
23,2
0
27,8
5,3
7,9
0
0,7
Maconha
40
26,5
36
23,8
Cocaína e derivados
23
15,2
16
10,6
14
2
0
18
0
9,3
1,3
0
11,9
0
9
0
0
14
0
6,0
0
0
9,3
0
Medicamentos
39
25,8
30
19,9
Rohypnol®
Artane®
Benflogin®
32
24
14
21,2
15,9
9,3
23
20
9
15,2
13,2
6,0
7
4,6
2
1,3
11
7,2
6
4,0
Cerveja
Vinho
Pinga
Outra bebida
Solventes
Cola
Esmalte
Loló
Lança-perfume
Thinner
Benzina
Outros solventes
Cocaína cheirada
Cocaína injetada
Merla
Crack
Outra droga derivada da coca
Chá
Outras
**uso no ano: ao menos uma vez no ano que antecedeu a pesquisa
**uso no mês: ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa
Tabela 3: Freqüência do uso de drogas psicotrópicas no mês que antecedeu a pesquisa entre 151 crianças
e adolescentes em situação de rua entrevistados em Fortaleza.
“Quase todos os dias”
(20 ou mais dias)*
N
%
“Alguns dias”
(4 a 19 dias)**
N
%
“Poucos dias”
(1 a 3 dias)***
N
%
Tabaco
35
23,2
16
10,6
8
5,3
Álcool
2
1,3
27
17,9
26
17,2
Solventes
24
15,9
16
10,6
4
2,6
Maconha
17
11,3
19
12,6
0
2
1,3
2
1,3
12
7,9
6,6
14
9,3
Cocaína e derivados
Medicamentos
10
0
16
10,6
Chá
0
0
0
0
2
1,3
Outras
2
1,3
2
1,3
2
1,3
***uso diário: cerca de 20 ou mais dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso pesado)
***uso semanal: cerca de 4 a 19 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso moderado)
***uso mensal: cerca de 1 a 3 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso leve)
Região Nordeste
Uso no ano*
126
Fortaleza
Tabela 4: Formas de aquisição das drogas psicotrópicas (no mês que antecedeu a pesquisa) entre 151
crianças e adolescentes em situação de rua entevistados em Fortaleza.
N
%
Tabaco
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
41
6
44
27,1
4,0
29,1
Álcool
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
22
8
34
14,6
5,3
22,5
Solventes
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
26
2
34
5
17,2
1,3
22,5
3,3
Medicamentos
Comprou pessoalmente na farmácia
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
15
2
20
33
9,9
1,3
13,2
21,9
Tabela 5: Comportamentos de risco associados ao uso de drogas psicotrópicas, na vida (ocorreu ao menos
uma vez na vida), entre 151 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Fortaleza.
N
Ficou mais bravo, solto e irritou os outros
%
42
27,8
Ficou mole e os outros te prejudicaram (roubaram, bateram)
43
28,5
Andou pelas ruas sem cuidado, com risco de ser atropelado
31
20,5
Transou sem camisinha
28
18,5
Foi roubar
38
25,2
Já adormeceu com o saquinho de solvente perto do rosto
27
17,9
5
3,3
Já usou drogas injetáveis
Tabela 6: Tentativas de parar ou diminuir o uso de alguma droga psicotrópica entre 151 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Fortaleza.
N
%
Já tentou parar
Sim
Não
58
59
38,4
39,1
Como tentou parar
(quem ajudou)
Tentei sozinho
Alguém de instituição (educador, assistente social)
Alguém da família
Tentei com um amigo
Alguém de igreja
Alguém de hospital ou posto de saúde (médico, enfermeiro)
Outros
35
10
5
6
1
2
6
23,2
6,6
3,3
4,0
0,7
1,3
4,0
Tabela 7: Expectativa de vida de 151 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Fortaleza. Estão apresentadas as sete expectativas mais citadas.
N
%
Trabalhar
26
17,2
Estudar
14
9,3
Conseguir lugar para morar
11
7,3
Melhorar sua relação com a família
10
6,6
Conseguir usar menos drogas ou parar de usar
7
4,6
Resolver problemas pessoais
6
4,0
Não precisa de ajuda
2
1,3
Fortaleza
127
Tabela 8: Uso de drogas psicotrópicas entre crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em
Fortaleza nos anos de 1989, 1993, 1997 e 2003. É apresentado o parâmetro de uso no mês (ao menos uma
vez no mês que antecedeu a pesquisa).
1989 (n = 121)
N
1993 (n = 98)
N
1997 (n = 83)
%
N
2003 (n = 151)
%
N
%
Tabaco
53
44,0
56
57,0
29
34,9
58
38,4
Álcool
30
25,0
24
24,5
30
36,1
55
36,4
Solvente
26
21,5
24
24,5
10
12,0
44
29,1
Maconha
29
24,0
30
30,6
15
18,1
36
23,8
Cocaína e derivados
1
0,8
1
1,0
1
1,2
16
10,6
Artane®
20
16,5
19
19,4
1
1,2
20
13,2
Rohypnol®
19
15,7
20
20,4
7
7,4
23
15,2
100
1989 (n = 121)
1993 (n = 98)
1997 (n = 83)
2003 (n = 151)
Região Nordeste
Porcentagem de usuários
%
80
60
40
20
0
Tabaco
Álcool
Solventes
Maconha
Cocaína
Artane®
Rohypnol®
e derivados
Figura 2: Uso de drogas psicotrópicas entre crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em
Fortaleza nos anos de 1989, 1993, 1997 e 2003. É apresentado o parâmetro de uso no mês (ao menos uma
vez no mês que antecedeu a pesquisa).
129
João Pessoa
Capital do Estado da Paraíba
Equipe
coordenação
Claudia Larissa de Sousa
supervisão
597.934 habitantes
Processo de mapeamento e coleta de dados
Foram mapeadas em João Pessoa várias instituições e
ONGs que ofereciam assistência a crianças e adolescentes em situação de rua, tanto em sede quanto na rua.
Para o levantamento foram selecionadas quatro instituições que preenchiam os critérios de inclusão. Todas com
trabalhos em sede.
Nas quatro instituições foram realizadas 39 entrevistas,
das quais seis foram excluídas da amostra durante o processo de crítica dos dados (vide motivos de exclusão Tabela 2, pág. 22).
Total de entrevistas válidas: 33
Resultados
comparados aos da amostra global brasileira (27 capitais)
Características sociodemográficas da amostra
pesquisada (Tabela 1):
A amostra pesquisada em João Pessoa não se diferenciou muito da amostra global das 27 capitais brasileiras,
exceto pela maior proporção de jovens que relataram
estar estudando (84,8%).
Uso de drogas em geral (Figura 1):
Quando analisados separadamente os subgrupos dos
que estavam morando com família (n=22) e os que não
estavam (n=11), os índices de uso de drogas foram semelhantes ao perfil da amostra global.
........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
(IBGE – censo 2000)
Ednilza Pereira de Farias Dias
entrevistadores
Alexandre de Sousa Carlos
Charlene de Oliveira Pereira
Marclineide Nóbrega de
Andrade
Tarciana Vieira da Costa
Tatiana Filizola Dantas
Carneiro
Ricardo Henrique de Sousa
Araújo
As principais drogas mencionadas – uso no mês
(Tabelas 2 e 3):
As bebidas alcoólicas (cerveja, vinho e pinga) e o tabaco
(em freqüência diária) foram as drogas com maiores
índices de uso no mês. Entre os solventes/inalantes, predominou o consumo de cola (7 casos) e em elevada
freqüência (6 casos com uso diário). Para a maconha e
derivados da coca, os índices foram pouco inferiores a
média brasileira, com 6 relatos de uso de maconha no
mês e 3 de derivados da coca (os 3 de crack). Diferente
da maioria das capitais, foi observado um considerável
consumo de medicamentos psicotrópicos no mês, incluindo o Rohypnol ® (7 relatos) e Artane® (2 relatos).
Outros resultados (Tabelas 4, 5, 6):
Os valores observados para as formas de aquisição, comportamentos de risco associados ao consumo e tentativas de parar ou diminuir o uso, foram relativamente
semelhantes aos da amostra global.
Expectativas de vida (Tabela 7):
Assim como nas demais capitais, embora em menor freqüência, foram observadas expectativas básicas de vida
(trabalhar, conseguir lugar para morar e melhorar a relação familiar). Dois entrevistados (6,1%) ressaltaram como
expectativa o desejo de parar e/ou diminuir o consumo
de drogas.
Região Nordeste
• João Pessoa
João Pessoa
Tabela 1: Características sociodemográficas de 33 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em João Pessoa.
N
%
Sexo
Masculino
Feminino
27
6
81,8
18,2
Idade
(anos)
9 a 11
12 a 14
15 a 18
Não sabia
5
15
13
0
15,2
45,5
39,4
0
Situação escolar
(ensino formal)
Nunca havia estudado
Estava estudando
Havia parado de estudar
0
28
5
0
84,8
15,2
Situação familiar
(morar com a família)
Sim
Não
22
11
66,7
33,3
3
9
3
6
1
9,1
27,3
9,1
18,2
3,0
Diversão, liberdade, falta de outra atividade
Sustento para si e/ou família
Relações familiares ruins (conflitos, agressões)
Acompanhar parente ou amigo
Mudança de estrutura familiar
(morte de mãe/pai ou casamento de um deles)
Motivos atribuídos
para a situação de rua
Anos em situação de rua
Menos de 1 ano
1 a 5 anos
Mais de 5 anos
Não se lembrava
9
17
7
0
27,3
51,5
21,2
0
Horas na rua por dia
1 a 5 horas
6 horas ou mais
14
19
42,4
57,6
Formas de sustento
(as 5 mais citadas)
Vigiava carros
Pedia dinheiro
Furtava, roubava
Vendia coisas
Entregava / vendia drogas
20
13
3
1
1
60,6
39,4
9,1
3,0
3,0
Outras atividades
Brincadeira / Diversão
Esporte / Arte
Cursos profissionalizantes
Ir à igreja
22
27
6
1
66,7
81,8
18,2
3,0
estava morando com família (n = 22)
não estava morando com família (n = 11)
100
Porcentagem de usuários
130
100,0
90,9
80
60
40
50,0
20
22,7
0
Uso no mês
Uso diário
Figura 1: Uso de drogas psicotrópicas, inclusive álcool e tabaco, entre 22 crianças e adolescentes que
estavam morando com suas famílias, comparativamente aos 11 que não estavam, entrevistados em João
Pessoa. São apresentados os parâmetros uso no mês (ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa)
e uso diário (cerca de 20 dias ou mais no mês que antecedeu a pesquisa).
João Pessoa
131
Tabela 2: Uso de cada categoria de drogas psicotrópicas entre 33 crianças e adolescentes em situação de
rua entrevistados em João Pessoa.
N
%
Uso no mês**
N
%
Tabaco
20
60,6
13
39,4
Álcool
24
72,7
14
42,4
20
18
8
9
60,6
54,5
24,2
27,3
12
5
3
5
36,4
15,2
9,1
15,2
13
39,4
7
21,2
12
1
10
5
6
0
0
36,4
3,0
30,3
15,2
18,2
0
0
7
0
4
2
3
0
0
21,2
0
12,1
6,1
9,1
0
0
10
30,3
6
18,2
6
18,2
3
9,1
0
1
0
5
0
0
3,0
0
15,2
0
0
0
0
3
0
0
0
0
9,1
0
Medicamentos
12
36,4
9
27,3
Rohypnol®
Artane®
Benflogin®
10
3
1
30,3
9,1
3,0
7
2
0
21,2
6,1
0
Chá
2
6,1
1
3,0
Outras
1
3,0
0
0
Cerveja
Vinho
Pinga
Outra bebida
Solventes
Cola
Esmalte
Loló
Lança-perfume
Thinner
Benzina
Outros solventes
Maconha
Cocaína e derivados
Cocaína cheirada
Cocaína injetada
Merla
Crack
Outra droga derivada da coca
**uso no ano: ao menos uma vez no ano que antecedeu a pesquisa
**uso no mês: ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa
Tabela 3: Freqüência do uso de drogas psicotrópicas no mês que antecedeu a pesquisa entre 33 crianças e
adolescentes em situação de rua entrevistados em João Pessoa.
“Quase todos os dias”
(20 ou mais dias)*
N
“Alguns dias”
(4 a 19 dias)**
%
N
%
“Poucos dias”
(1 a 3 dias)***
N
%
Tabaco
11
33,3
2
6,1
0
0
Álcool
2
6,1
4
12,1
8
24,2
Solventes
6
18,2
1
3,0
0
0
Maconha
2
6,1
2
6,1
2
6,1
Cocaína e derivados
0
0
1
3,0
2
6,1
Medicamentos
1
3,0
2
6,1
5
15,2
Chá
0
0
0
0
1
3,0
Outras
0
0
0
0
0
0
***uso diário: cerca de 20 ou mais dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso pesado)
***uso semanal: cerca de 4 a 19 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso moderado)
***uso mensal: cerca de 1 a 3 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso leve)
Região Nordeste
Uso no ano*
132
João Pessoa
Tabela 4: Formas de aquisição das drogas psicotrópicas (no mês que antecedeu a pesquisa) entre 33
crianças e adolescentes em situação de rua entevistados em João Pessoa.
N
%
Tabaco
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
10
0
9
30,3
0
27,3
Álcool
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
8
1
5
24,2
3,0
15,2
Solventes
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
3
0
1
3
9,1
0
3,0
9,1
Medicamentos
Comprou pessoalmente na farmácia
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
1
0
4
4
3,0
0
12,1
12,1
Tabela 5: Comportamentos de risco associados ao uso de drogas psicotrópicas, na vida (ocorreu ao menos
uma vez na vida), entre 33 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em João Pessoa.
N
Ficou mais bravo, solto e irritou os outros
%
11
33,3
Ficou mole e os outros te prejudicaram (roubaram, bateram)
11
33,3
Andou pelas ruas sem cuidado, com risco de ser atropelado
11
33,3
Transou sem camisinha
4
12,1
Foi roubar
9
27,3
Já adormeceu com o saquinho de solvente perto do rosto
4
12,1
Já usou drogas injetáveis
1
3,0
Tabela 6: Tentativas de parar ou diminuir o uso de alguma droga psicotrópica entre 33 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em João Pessoa.
N
%
Já tentou parar
Sim
Não
24
6
72,7
18,2
Como tentou parar
(quem ajudou)
Tentei sozinho
14
Alguém de instituição (educador, assistente social)
3
Alguém da família
2
Tentei com um amigo
1
Alguém de igreja
0
Alguém de hospital ou posto de saúde (médico, enfermeiro) 0
Outros
6
42,4
9,1
6,1
3,0
0
0
18,2
Tabela 7: Expectativa de vida de 33 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em João
Pessoa. Estão apresentadas as sete expectativas mais citadas.
N
%
Trabalhar
6
18,2
Conseguir usar menos drogas ou parar de usar
2
6,1
Melhorar sua relação com a família
1
3,0
Conseguir lugar para morar
1
3,0
Estudar
0
0
Resolver problemas pessoais
0
0
Conseguir comida
0
0
133
Maceió
Capital do Estado de Alagoas
Equipe
coordenação e supervisão
Maria de Fátima Vieira
entrevistadores
Processo de mapeamento e coleta de dados
Foram mapeadas em Maceió várias instituições que ofereciam assistência a crianças e adolescentes em situação
de rua, tanto em sede quanto em rua. Para o levantamento foram selecionadas cinco instituições que preenchiam os critérios de inclusão. Todas com trabalhos em
sede.
Nestas instituições foram realizadas 171 entrevistas, das
quais quatro foram excluídas da amostra durante o processo de crítica dos dados (vide motivos de exclusão Tabela 2, pág. 22).
Total de entrevistas válidas: 167
Resultados
comparados aos da amostra global brasileira (27 capitais)
Características sociodemográficas da amostra
pesquisada (Tabela 1):
A amostra pesquisada em Maceió se diferenciou da amostra global das 27 capitais brasileiras. Foi entrevistada uma
maior proporção de jovens que haviam parado de estudar (58,1%), que não moravam com família (52,6%) e
passavam mais horas/dia em situação de rua (86,8% ficava 6 ou mais horas/dia).
Uso de drogas em geral (Figura 1):
Quando analisados separadamente os subgrupos dos
que estavam morando com família (n=79) e os que não
estavam (n=88), os índices de uso de drogas foram semelhantes ao perfil da amostra global.
........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
(IBGE – censo 2000)
Emilia de Fátima Silva de
Matos
Maria José Vieira
Cinttya Polyanna Mendes
Souto
Charles Diego Lins Alcántara
As principais drogas mencionadas – uso no mês
(Tabelas 2 e 3):
O tabaco foi a droga com os maiores índices de uso no
mês (e em freqüência diária), seguido pelas bebidas alcoólicas (especialmente cerveja, pinga e vinho). Os índices de uso de solventes/inalantes foram muito superiores aos da amostra global, com predomínio da cola (80
casos de uso no mês) e do “loló” (47 casos), ambos em
elevada freqüência (60 casos com uso diário). O consumo recente de maconha foi mencionado por 31 entrevistados (21 com uso diário). Para os derivados da coca,
os índices foram inferiores aos da média brasileira, com 6
relatos de uso no mês (inclusive com dois casos de uso
injetável e 4 de crack) Diferente da maioria das capitais,
foi observado um considerável consumo de medicamentos psicotrópicos no mês, especialmente o Rohypnol®
(29 relatos), Benflogin® (6 relatos) e Artane® (3 relatos).
Outros resultados (Tabelas 4, 5, 6):
Os valores observados para as formas de aquisição, comportamentos de risco associados ao consumo e tentativas de parar ou diminuir o uso, foram relativamente
semelhantes aos da amostra global. Vale salientar o maior
índice de uso injetável (26 entrevistados já haviam injetado alguma droga ao menos uma vez na vida).
Expectativas de vida (Tabela 7):
Assim como nas demais capitais, entre a maioria dos entrevistados, foram observadas várias expectativas básicas de vida (trabalhar, conseguir lugar para morar,
estudar,entre outras). Muitas dessas expectativas são, na
verdade, direitos de todas as crianças e adolescentes brasileiros.
Região Nordeste
• Maceió
797.759 habitantes
Maceió
Tabela 1: Características sociodemográficas de 167 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Maceió.
N
%
Sexo
Masculino
Feminino
118
49
70,7
29,3
Idade
(anos)
9 a 11
12 a 14
15 a 18
Não sabia
29
51
87
0
17,4
30,5
52,1
0
Situação escolar
(ensino formal)
Nunca havia estudado
Estava estudando
Havia parado de estudar
24
46
97
14,4
27,5
58,1
Situação familiar
(morar com a família)
Sim
Não
79
88
47,3
52,6
Diversão, liberdade, falta de outra atividade
Sustento para si e/ou família
Relações familiares ruins (conflitos, agressões)
Acompanhar parente ou amigo
Mudança de estrutura familiar
(morte de mãe/pai ou casamento de um deles)
58
74
41
64
23
34,7
44,3
24,6
38,3
13,8
Anos em situação de rua
Menos de 1 ano
1 a 5 anos
Mais de 5 anos
Não se lembrava
46
74
41
6
27,5
44,3
24,6
3,6
Horas na rua por dia
1 a 5 horas
6 horas ou mais
22
145
13,2
86,8
Formas de sustento
(as 5 mais citadas)
Pedia dinheiro
Vigiava carros
Furtava, roubava
Vendia coisas
Transava por dinheiro
97
63
41
27
23
58,1
37,7
24,6
16,2
13,8
Outras atividades
Brincadeira / Diversão
Esporte / Arte
Cursos profissionalizantes
Ir à igreja
70
62
1
24
41,9
37,1
0,6
14,4
Motivos atribuídos
para a situação de rua
estava morando com família (n = 79)
não estava morando com família (n = 88)
100
94,3
Porcentagem de usuários
134
80
75,0
60
40
49,4
35,4
20
0
Uso no mês
Uso diário
Figura 1: Uso de drogas psicotrópicas, inclusive álcool e tabaco, entre 79 crianças e adolescentes que
estavam morando com suas famílias, comparativamente aos 88 que não estavam, entrevistados em Maceió. São apresentados os parâmetros uso no mês (ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa) e
uso diário (cerca de 20 dias ou mais no mês que antecedeu a pesquisa).
Maceió
135
Tabela 2: Uso de cada categoria de drogas psicotrópicas entre 167 crianças e adolescentes em situação de
rua entrevistados em Maceió.
N
%
N
98
Álcool
103
61,7
76
45,5
82
60
58
28
49,1
35,9
34,7
16,8
60
35
46
12
35,9
21,0
27,5
7,2
98
58,7
90
53,9
84
7
60
12
11
3
0
50,3
4,2
35,9
7,2
6,6
1,8
0
80
4
47
6
4
2
0
47,9
2,4
28,1
3,6
2,4
1,2
0
Maconha
59
35,3
52
31,1
Cocaína e derivados
12
7,2
6
3,6
9
3
0
7
0
5,4
1,8
0
4,2
0
4
2
0
4
0
2,4
1,2
0
2,4
0
Medicamentos
40
24,0
32
19,2
Rohypnol®
Artane®
Benflogin®
37
4
10
22,2
2,4
6,0
29
3
6
17,4
1,8
3,6
Chá
8
4,8
6
3,6
Outras
8
4,8
5
3,0
Solventes
Cola
Esmalte
Loló
Lança-perfume
Thinner
Benzina
Outros solventes
Cocaína cheirada
Cocaína injetada
Merla
Crack
Outra droga derivada da coca
88
%
Tabaco
Cerveja
Vinho
Pinga
Outra bebida
58,7
Uso no mês**
52,7
**uso no ano: ao menos uma vez no ano que antecedeu a pesquisa
**uso no mês: ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa
Tabela 3: Freqüência do uso de drogas psicotrópicas no mês que antecedeu a pesquisa entre 167 crianças
e adolescentes em situação de rua entrevistados em Maceió.
“Quase todos os dias”
(20 ou mais dias)*
N
%
“Alguns dias”
(4 a 19 dias)**
N
%
“Poucos dias”
(1 a 3 dias)***
N
%
Tabaco
64
38,3
10
6,0
14
8,4
Álcool
15
9,0
21
12,6
39
23,4
Solventes
60
35,9
17
10,2
14
8,4
Maconha
21
12,6
15
9,0
16
9,6
0
0
2
1,2
4
2,4
Cocaína e derivados
Medicamentos
6
3,6
9
5,4
21
12,6
Chá
3
1,8
1
0,6
2
1,2
Outras
2
1,2
1
0,6
2
1,2
***uso diário: cerca de 20 ou mais dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso pesado)
***uso semanal: cerca de 4 a 19 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso moderado)
***uso mensal: cerca de 1 a 3 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso leve)
Região Nordeste
Uso no ano*
136
Maceió
Tabela 4: Formas de aquisição das drogas psicotrópicas (no mês que antecedeu a pesquisa) entre 167
crianças e adolescentes em situação de rua entevistados em Maceió.
N
%
Tabaco
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
66
8
40
39,5
4,8
24,0
Álcool
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
47
6
41
28,1
3,6
24,6
Solventes
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
41
7
40
25
24,5
4,2
24,0
15,0
Medicamentos
Comprou pessoalmente na farmácia
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
10
5
12
23
6,0
3,0
7,2
13,8
Tabela 5: Comportamentos de risco associados ao uso de drogas psicotrópicas, na vida (ocorreu ao menos
uma vez na vida), entre 167 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Maceió.
N
Ficou mais bravo, solto e irritou os outros
%
62
37,1
Ficou mole e os outros te prejudicaram (roubaram, bateram)
85
50,9
Andou pelas ruas sem cuidado, com risco de ser atropelado
69
41,3
Transou sem camisinha
74
44,3
Foi roubar
44
26,3
Já adormeceu com o saquinho de solvente perto do rosto
71
42,5
Já usou drogas injetáveis
26
15,6
Tabela 6: Tentativas de parar ou diminuir o uso de alguma droga psicotrópica entre 167 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Maceió.
N
Já tentou parar
Sim
Não
Como tentou parar
(quem ajudou)
Tentei sozinho
Alguém de instituição (educador, assistente social)
Alguém da família
Tentei com um amigo
Alguém de igreja
Alguém de hospital ou posto de saúde (médico, enfermeiro)
Outros
%
107
42
64,1
25,1
53
25
17
6
8
1
20
31,7
15,0
10,2
3,6
4,8
0,6
12,0
Tabela 7: Expectativa de vida de 167 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Maceió.
Estão apresentadas as sete expectativas mais citadas.
N
%
Trabalhar
74
44,3
Conseguir lugar para morar
57
34,1
Estudar
50
29,9
Resolver problemas pessoais
20
12,0
Melhorar sua relação com a família
19
11,4
Conseguir usar menos drogas ou parar de usar
12
7,2
6
3,6
Ocupar melhor o tempo (recreações, esportes etc.)
137
Natal
Capital do Estado de Rio Grande do Norte
• Natal
712.317 habitantes
(IBGE – censo 2000)
Equipe
coordenação
Ana Paula Queiroz da Silva
supervisão
Maria Dalva Araújo
Processo de mapeamento e coleta de dados
Foram mapeadas em Natal três instituições que ofereciam assistência a crianças e adolescentes em situação de
rua, duas em sede e uma na rua. As três instituições foram incluídas neste levantamento.
Nestas instituições foram realizadas 97 entrevistas (24
entrevistas em sede e 73 entrevistas na rua).
Total de entrevistas válidas: 97
Resultados
comparados aos da amostra global brasileira (27 capitais)
Características sociodemográficas da amostra
pesquisada (Tabela 1):
A amostra pesquisada em Natal não se diferenciou muito da amostra global das 27 capitais brasileiras.
Uso de drogas em geral (Figura 1):
Quando analisados separadamente os subgrupos dos
que estavam morando com família (n=72) e os que não
estavam (n=25), os índices de uso de drogas foram semelhantes ao perfil da amostra global.
........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
Santana Maria de Freitas
Verônica Maria da Costa
Dantas
As principais drogas mencionadas – uso no mês
(Tabelas 2 e 3):
O tabaco foi a droga com os maiores índices de uso no
mês (e em freqüência diária), seguido pelas bebidas alcoólicas (especialmente cerveja, pinga e vinho). Ambos
em proporções menores das observadas na amostra global. Entre os solventes/inalantes, predominou o consumo de cola e “loló”. Os índices de uso de drogas ilícitas
(maconha e derivados da coca) foram semelhantes aos
observados na amostra global, com 21 relatos de uso de
maconha no mês e 13 de derivados da coca (11 deles
com uso de crack). O consumo de medicamentos psicotrópicos foi relativamente pouco relatado (apenas 4 casos de uso de Rohypnol ® no mês) em comparação a
muitas das outras capitais no Nordeste.
Outros resultados (Tabelas 4, 5, 6):
Os valores observados para as formas de aquisição, comportamentos de risco associados ao consumo e tentativas de parar ou diminuir o uso, foram relativamente
semelhantes aos da amostra global. Vale salientar o maior
índice de uso injetável (26 entrevistados já haviam injetado alguma droga ao menos uma vez na vida).
Expectativas de vida (Tabela 7):
Assim como nas demais capitais, entre a maioria dos entrevistados, foram observadas várias expectativas básicas de vida (trabalhar, estudar, conseguir lugar para
morar, entre outras). Muitas dessas expectativas são, na
verdade, direitos de todas as crianças e adolescentes brasileiros.
Região Nordeste
entrevistadores
Natal
Tabela 1: Características sociodemográficas de 97 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Natal.
N
%
Sexo
Masculino
Feminino
82
15
84,5
15,5
Idade
(anos)
9 a 11
12 a 14
15 a 18
Não sabia
10
27
59
1
10,3
27,8
60,8
1,0
Situação escolar
(ensino formal)
Nunca havia estudado
Estava estudando
Havia parado de estudar
2
49
46
2,1
50,5
47,4
Situação familiar
(morar com a família)
Sim
Não
72
25
74,2
25,8
Diversão, liberdade, falta de outra atividade
Sustento para si e/ou família
Relações familiares ruins (conflitos, agressões)
Acompanhar parente ou amigo
Mudança de estrutura familiar
(morte de mãe/pai ou casamento de um deles)
54
66
23
7
4
55,7
68,0
23,7
7,2
4,1
Anos em situação de rua
Menos de 1 ano
1 a 5 anos
Mais de 5 anos
Não se lembrava
20
42
18
16
20,6
43,3
18,6
16,5
Horas na rua por dia
1 a 5 horas
6 horas ou mais
38
59
39,1
60,9
Formas de sustento
(as 5 mais citadas)
Vigiava carros
Pedia dinheiro
Furtava, roubava
Vendia coisas
Transava por dinheiro
53
52
16
14
11
54,6
53,6
16,5
14,4
11,3
Outras atividades
Brincadeira / Diversão
Esporte / Arte
Cursos profissionalizantes
Ir à igreja
48
13
3
2
49,5
13,4
3,1
2,1
Motivos atribuídos
para a situação de rua
estava morando com família (n = 72)
não estava morando com família (n = 25)
100
92,0
Porcentagem de usuários
138
80
72,0
60
40
36,1
20
16,7
0
Uso no mês
Uso diário
Figura 1: Uso de drogas psicotrópicas, inclusive álcool e tabaco, entre 72 crianças e adolescentes que
estavam morando com suas famílias, comparativamente aos 25 que não estavam, entrevistados em Natal.
São apresentados os parâmetros uso no mês (ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa) e uso
diário (cerca de 20 dias ou mais no mês que antecedeu a pesquisa).
Natal
139
Tabela 2: Uso de cada categoria de drogas psicotrópicas entre 97 crianças e adolescentes em situação de
rua entrevistados em Natal.
N
%
Uso no mês**
N
%
Tabaco
33
34,0
30
30,9
Álcool
53
54,6
28
28,9
47
23
25
22
48,5
23,7
25,8
22,7
26
9
13
9
26,8
9,3
13,4
9,3
36
37,1
25
25,8
25
0
27
5
0
0
0
25,8
0
27,8
5,2
0
0
0
22
0
11
2
0
0
0
22,7
0
11,3
2,1
0
0
0
Maconha
24
24,7
21
21,6
Cocaína e derivados
18
18,6
13
13,4
6
0
2
15
0
6,2
0
2,1
15,5
0
2
0
1
11
0
2,1
0
1,0
11,3
0
Medicamentos
8
8,2
4
4,1
Rohypnol®
Artane®
Benflogin®
8
0
0
8,2
0
0
4
0
0
4,1
0
0
Chá
3
3,1
2
2,1
Outras
3
3,1
0
0
Cerveja
Vinho
Pinga
Outra bebida
Solventes
Cola
Esmalte
Loló
Lança-perfume
Thinner
Benzina
Outros solventes
Cocaína cheirada
Cocaína injetada
Merla
Crack
Outra droga derivada da coca
**uso no ano: ao menos uma vez no ano que antecedeu a pesquisa
**uso no mês: ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa
Tabela 3: Freqüência do uso de drogas psicotrópicas no mês que antecedeu a pesquisa entre 97 crianças e
adolescentes em situação de rua entrevistados em Natal.
“Quase todos os dias”
(20 ou mais dias)*
N
%
“Alguns dias”
(4 a 19 dias)**
N
%
“Poucos dias”
(1 a 3 dias)***
N
%
Tabaco
21
21,6
4
4,1
5
5,2
Álcool
2
2,1
15
15,5
11
11,3
Solventes
21
21,6
1
1,0
3
3,1
Maconha
9
9,3
7
7,2
5
5,2
Cocaína e derivados
6
6,2
4
4,1
3
3,1
Medicamentos
0
0
1
1,0
3
3,1
Chá
0
0
2
2,1
0
0
Outras
0
0
0
0
0
0
***uso diário: cerca de 20 ou mais dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso pesado)
***uso semanal: cerca de 4 a 19 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso moderado)
***uso mensal: cerca de 1 a 3 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso leve)
Região Nordeste
Uso no ano*
140
Natal
Tabela 4: Formas de aquisição das drogas psicotrópicas (no mês que antecedeu a pesquisa) entre 97
crianças e adolescentes em situação de rua entevistados em Natal.
N
%
Tabaco
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
28
3
21
28,9
3,1
21,6
Álcool
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
26
2
17
26,8
2,1
17,5
Solventes
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
20
4
15
3
20,6
4,1
15,5
3,1
Medicamentos
Comprou pessoalmente na farmácia
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
2
1
3
0
2,1
1,0
3,1
0
Tabela 5: Comportamentos de risco associados ao uso de drogas psicotrópicas, na vida (ocorreu ao menos
uma vez na vida), entre 97 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Natal.
N
Ficou mais bravo, solto e irritou os outros
%
26
26,8
Ficou mole e os outros te prejudicaram (roubaram, bateram)
34
35,1
Andou pelas ruas sem cuidado, com risco de ser atropelado
25
25,8
Transou sem camisinha
39
40,2
Foi roubar
22
22,7
Já adormeceu com o saquinho de solvente perto do rosto
19
19,6
2
2,1
Já usou drogas injetáveis
Tabela 6: Tentativas de parar ou diminuir o uso de alguma droga psicotrópica entre 97 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Natal.
N
%
Já tentou parar
Sim
Não
29
35
29,9
36,1
Como tentou parar
(quem ajudou)
Tentei sozinho
Alguém de instituição (educador, assistente social)
Alguém da família
Tentei com um amigo
Alguém de igreja
Alguém de hospital ou posto de saúde (médico, enfermeiro)
Outros
15
6
5
5
1
0
0
15,5
6,2
5,2
5,2
1,0
0
0
Tabela 7: Expectativa de vida de 97 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Natal.
Estão apresentadas as sete expectativas mais citadas.
N
%
Trabalhar
62
63,9
Estudar
16
16,5
Ocupar melhor o tempo (recreações, esportes etc.)
9
9,3
Conseguir lugar para morar
9
9,3
Melhorar sua relação com a família
7
7,2
Resolver problemas de saúde
5
5,2
Conseguir usar menos drogas ou parar de usar
3
3,1
141
Recife
Capital do Estado de Pernambuco
• Recife
1.422.905 habitantes
(IBGE – censo 2000)
Equipe
coordenação
Diane Neves Varisco
supervisão
Evaldo Melo de Oliveira
Processo de mapeamento e coleta de dados
Foram mapeadas em Recife várias instituições que ofereciam assistência a crianças e adolescentes em situação de
rua, tanto em sede quanto em rua. Para o levantamento
foram selecionadas três instituições que preenchiam os
critérios de inclusão. Todas com trabalhos em sede.
Nestas instituições foram realizadas 64 entrevistas.
Total de entrevistas válidas: 64
Resultados
comparados aos da amostra global brasileira (27 capitais)
Características sociodemográficas da amostra
pesquisada (Tabela 1):
A amostra pesquisada em Recife se diferenciou da amostra global das 27 capitais brasileiras. Foi entrevistada uma
proporção muito maior de jovens que haviam parado
de estudar (92%) e passavam mais horas/dia em situação
de rua (95,3% ficando 6 ou mais horas/dia). Também
foram observados maiores índices de entrevistados que
não estavam morando com família (43,8%) e que estavam há mais tempo em situação de rua (42,2% há mais
de 5 anos)
Uso de drogas em geral (Figura 1):
As especificidades da amostra acompanharam maiores
índices de uso de drogas (comparado à amostra global).
No entanto, chama atenção a elevada proporção de usuários entre os que estavam morando com família (n=28),
dado que contrasta com a menor prevalência observada
neste grupo para as demais capitais.
As principais drogas mencionadas – uso no mês
(Tabelas 2 e 3):
Os solventes foram as drogas com os maiores índices de
uso no mês (em proporções muito acima do observado
na amostra global. Entre estes, predominou o consumo
de cola (51 casos de uso no mês) e de “loló” (25 casos),
ambos em elevada freqüência (41 casos com uso diário).
........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
Marcílio Cavalcanti Lima
Adalberto Ferreira de Lima
Lara Liane Varisco Mendes
Bezerra
O uso de tabaco (em freqüência diária) e de bebidas
alcoólicas (cerveja, vinho e a pinga) foi relatado em proporções muito superiores à média. Para a maconha e
derivados da coca, os índices também foram superiores,
com 32 relatos de uso de maconha no mês e 13 de derivados da coca (os 13 com uso de crack). Diferente da
maioria das capitais, foi observado um considerável consumo de medicamentos psicotrópicos no mês, especialmente o Artane® (17 relatos) e o Rohypnol® (14 relatos).
Outros resultados (Tabelas 4, 5, 6):
Embora em proporções mais elevadas (em decorrência
do elevado número de usuários), os valores observados
para as formas de aquisição, comportamentos de risco
associados ao consumo e tentativas de parar ou diminuir o uso, foram relativamente semelhantes aos da
amostra global.
Expectativas de vida (Tabela 7):
Assim como nas demais capitais, entre a maioria dos entrevistados, foram observadas várias expectativas básicas de vida (trabalhar, estudar, conseguir lugar para
morar, entre outras). Muitas dessas expectativas são, na
verdade, direitos de todas as crianças e adolescentes brasileiros.
Comparação com os levantamentos anteriores: 19931997 (Tabela 8 e Figura 2):
Em comparação com os levantamentos anteriores, foram observados índices relativamente semelhantes para
tabaco, bebidas alcoólicas, maconha e Rohypnol®. No
entanto, vale ressaltar os índices de uso de derivados da
coca em 2003, muito superiores aos observados nos anos
anteriores (nos quais os relatos de uso eram pontuais).
Também merece destaque a retomada do consumo de
Artane® em 2003 (que era considerável em 93, mas haviam diminuído em 97). O consumo de solventes observado em 2003 também foi superior ao dos dois levantamentos anteriores.
Região Nordeste
entrevistadores
Recife
Tabela 1: Características sociodemográficas de 64 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Recife.
N
%
Sexo
Masculino
Feminino
41
23
64,1
35,9
Idade
(anos)
9 a 11
12 a 14
15 a 18
Não sabia
6
26
31
1
9,4
40,6
48,4
1,6
Situação escolar
(ensino formal)
Nunca havia estudado
Estava estudando
Havia parado de estudar
2
3
59
3,1
4,7
92,2
Situação familiar
(morar com a família)
Sim
Não
36
28
56,3
43,8
Diversão, liberdade, falta de outra atividade
Sustento para si e/ou família
Relações familiares ruins (conflitos, agressões)
Acompanhar parente ou amigo
Mudança de estrutura familiar
(morte de mãe/pai ou casamento de um deles)
5
7
20
10
3
7,8
10,9
31,3
15,6
4,7
Anos em situação de rua
Menos de 1 ano
1 a 5 anos
Mais de 5 anos
Não se lembrava
14
16
27
7
21,8
25,0
42,2
10,9
Horas na rua por dia
1 a 5 horas
6 horas ou mais
3
61
4,7
95,3
Formas de sustento
(as 5 mais citadas)
Pedia dinheiro
Furtava, roubava
Vigiava carros
Vendia coisas
Transava por dinheiro
49
32
11
8
5
76,6
50,0
17,2
12,5
7,8
Outras atividades
Brincadeira / Diversão
Esporte / Arte
Cursos profissionalizantes
Ir à igreja
25
7
2
1
39,1
10,9
3,1
1,6
Motivos atribuídos
para a situação de rua
estava morando com família (n = 36)
não estava morando com família (n = 28)
100
97,2
Porcentagem de usuários
142
92,9
86,1
80
82,1
60
40
20
0
Uso no mês
Uso diário
Figura 1: Uso de drogas psicotrópicas, inclusive álcool e tabaco, entre 36 crianças e adolescentes que
estavam morando com suas famílias, comparativamente aos 28 que não estavam, entrevistados em Recife. São apresentados os parâmetros uso no mês (ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa) e
uso diário (cerca de 20 dias ou mais no mês que antecedeu a pesquisa).
Recife
143
Tabela 2: Uso de cada categoria de drogas psicotrópicas entre 64 crianças e adolescentes em situação de
rua entrevistados em Recife.
N
%
Uso no mês**
N
%
Tabaco
55
85,9
54
84,4
Álcool
45
70,3
39
60,9
42
31
24
28
65,6
48,4
37,5
43,8
34
23
13
20
53,1
35,9
20,3
31,3
59
92,2
56
87,5
54
6
29
5
7
0
0
84,4
9,4
45,3
7,8
10,9
0
0
51
5
25
3
6
0
0
79,7
7,8
39,1
4,7
9,4
0
0
Maconha
36
56,3
32
50,0
Cocaína e derivados
20
31,3
13
20,3
7
1
0
20
0
10,9
1,6
0
31,3
0
6
1
0
13
0
9,4
1,6
0
20,3
0
Medicamentos
26
40,6
20
31,3
Rohypnol®
Artane®
Benflogin®
19
20
0
29,7
31,2
0
14
17
0
21,9
26,6
0
Chá
0
0
0
0
Outras
4
6,3
2
3,1
Cerveja
Vinho
Pinga
Outra bebida
Solventes
Cola
Esmalte
Loló
Lança-perfume
Thinner
Benzina
Outros solventes
Cocaína cheirada
Cocaína injetada
Merla
Crack
Outra droga derivada da coca
**uso no ano: ao menos uma vez no ano que antecedeu a pesquisa
**uso no mês: ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa
Tabela 3: Freqüência do uso de drogas psicotrópicas no mês que antecedeu a pesquisa entre 64 crianças e
adolescentes em situação de rua entrevistados em Recife.
“Quase todos os dias”
(20 ou mais dias)*
N
%
“Alguns dias”
(4 a 19 dias)**
N
%
“Poucos dias”
(1 a 3 dias)***
N
%
Tabaco
42
65,6
11
17,2
1
1,6
Álcool
5
7,8
17
26,6
17
26,6
Solventes
41
64,1
10
15,6
5
7,8
Maconha
14
21,9
10
15,6
8
12,5
Cocaína e derivados
3
4,7
4
6,3
6
9,4
Medicamentos
6
9,4
9
14,1
10
15,6
Chá
0
0
0
0
0
0
Outras
1
1,6
1
1,6
0
0
***uso diário: cerca de 20 ou mais dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso pesado)
***uso semanal: cerca de 4 a 19 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso moderado)
***uso mensal: cerca de 1 a 3 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso leve)
Região Nordeste
Uso no ano*
144
Recife
Tabela 4: Formas de aquisição das drogas psicotrópicas (no mês que antecedeu a pesquisa) entre 64
crianças e adolescentes em situação de rua entevistados em Recife.
N
%
Tabaco
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
41
6
31
64,0
9,4
48,4
Álcool
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
24
5
18
37,5
7,8
28,1
Solventes
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
33
9
9
4
51,6
14,1
14,1
6,3
Medicamentos
Comprou pessoalmente na farmácia
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
5
4
2
24
7,8
6,3
3,1
37,5
Tabela 5: Comportamentos de risco associados ao uso de drogas psicotrópicas, na vida (ocorreu ao menos
uma vez na vida), entre 64 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Recife.
N
Ficou mais bravo, solto e irritou os outros
%
37
57,8
Ficou mole e os outros te prejudicaram (roubaram, bateram)
49
76,6
Andou pelas ruas sem cuidado, com risco de ser atropelado
43
67,2
Transou sem camisinha
28
43,8
Foi roubar
38
59,4
Já adormeceu com o saquinho de solvente perto do rosto
42
65,6
5
7,8
Já usou drogas injetáveis
Tabela 6: Tentativas de parar ou diminuir o uso de alguma droga psicotrópica entre 64 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Recife.
N
%
Já tentou parar
Sim
Não
54
9
84,4
14,1
Como tentou parar
(quem ajudou)
Tentei sozinho
Alguém de instituição (educador, assistente social)
Alguém da família
Tentei com um amigo
Alguém de igreja
Alguém de hospital ou posto de saúde (médico, enfermeiro)
Outros
22
9
14
4
2
1
9
34,4
14,1
21,9
6,3
3,1
1,6
14,1
Tabela 7: Expectativa de vida de 64 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Recife.
Estão apresentadas as sete expectativas mais citadas.
N
%
Trabalhar
26
40,6
Estudar
16
25,0
Conseguir lugar para morar
16
25,0
Conseguir usar menos drogas ou parar de usar
10
15,6
Melhorar sua relação com a família
7
10,9
Resolver problemas pessoais
4
6,3
Conseguir comida
2
3,1
Recife
145
Tabela 8: Uso de drogas psicotrópicas entre crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em
Recife nos anos de 1993, 1997 e 2003. É apresentado o parâmetro de uso no mês (ao menos uma vez no
mês que antecedeu a pesquisa).
1993 (n = 124)
1997 (n = 51)
2003 (n = 64)
N
N
N
Tabaco
108
Álcool
%
87,0
34
66,7
54
%
84,4
101
81,5
21
41,2
39
60,9
Solvente
89
71,8
31
60,8
56
87,5
Maconha
71
57,3
18
35,3
32
80,0
Cocaína e derivados
1
0,8
1
2,0
13
20,3
Artane®
37
29,8
5
9,8
17
26,6
Rohypnol®
40
32,2
11
21,6
14
21,9
100
1993 (n = 124)
1997 (n = 51)
2003 (n = 64)
Região Nordeste
Porcentagem de usuários
%
80
60
40
20
0
Tabaco
Álcool
Solventes
Maconha
Cocaína
Artane®
Rohypnol®
e derivados
Figura 2: Uso de drogas psicotrópicas entre crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em
Recife nos anos de 1993, 1997 e 2003. É apresentado o parâmetro de uso no mês (ao menos uma vez no
mês que antecedeu a pesquisa).
147
Salvador
Capital do Estado da Bahia
Equipe
coordenação
Patrícia Rachel de Aguiar
Gonçalves
supervisão
George H. Gusmão Soares
• Salvador
2.443.107 habitantes
Processo de mapeamento e coleta de dados
Foram mapeadas em Salvador várias instituições que ofereciam assistência a crianças e adolescentes em situação de
rua, tanto em sede quanto na rua. Para o levantamento
foram selecionadas quatro instituições que preenchiam os
critérios de inclusão, duas em sede e duas na rua.
Nestas instituições foram realizadas 156 entrevistas (23
em sede e 118 na rua), das quais 15 foram excluídas da
amostra durante o processo de crítica dos dados (vide
motivos de exclusão Tabela 2, pág. 22).
Total de entrevistas válidas: 141
Resultados
comparados aos da amostra global brasileira (27 capitais)
Características sociodemográficas da amostra
pesquisada (Tabela 1):
A amostra pesquisada em Salvador não se diferenciou
muito da amostra global das 27 capitais brasileiras, exceto pela maior proporção de jovens que relataram passar
mais horas/dia (88,7% ficava 6 ou mais horas/dia) e estar
há mais tempo em situação de rua (34,7% há mais de
5 anos).
Uso de drogas em geral (Figura 1):
Quando analisados separadamente os subgrupos dos
que estavam morando com família (n=103) e os que não
estavam (n=38), os índices de uso de drogas foram relativamente semelhantes ao perfil da amostra global.
........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
(IBGE – censo 2000)
Ana Iza Benigno dos Santos
Ana Rita Cordeiro de Andrade
Eduardo Santos Dias
Fernanda Alves Cohim Silva
Larissa Baldoino da Paixão
Luana Dourado Figueira
Mariana Bartolo Frazon
Milena de Oliveira Pérsico
Rita de Cássia Nascimento
Valéria Coutinho Cerqueira Lima
Wellington de Jesus Sousa
As principais drogas mencionadas – uso no mês
(Tabelas 2 e 3):
As bebidas alcoólicas (cerveja, vinho, pinga e outras) e o
tabaco (em freqüência diária) foram as drogas com
maiores índices de uso no mês. Entre os solventes/inalantes (com índices inferiores ao observado na amostra
global), predominou o consumo de cola (27 casos de
uso no mês). Para maconha e derivados da coca, os índices foram semelhantes à média brasileira, com 43 relatos
de uso de maconha no mês e 18 de derivados da coca
(12 deles com uso de crack). O consumo de medicamentos psicotrópicos foi relativamente pouco relatado (apenas 2 casos de uso de Rohypnol ® no mês e 1 de Artane ®)
em comparação a muitas das outras capitais no Nordeste.
Outros resultados (Tabelas 4, 5, 6):
Os valores observados para as formas de aquisição, comportamentos de risco associados ao consumo e tentativas de parar ou diminuir o uso, foram relativamente
semelhantes aos da amostra global.
Expectativas de vida (Tabela 7):
Assim como nas demais capitais, embora em menor freqüência, foram observadas expectativas básicas de vida
(trabalhar, estudar, conseguir lugar para morar, entre
outras). Muitas dessas expectativas são, na verdade, direitos de todas as crianças e adolescentes brasileiros.
Região Nordeste
entrevistadores
Salvador
Tabela 1: Características sociodemográficas de 141 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Salvador.
N
%
Sexo
Masculino
Feminino
124
17
87,9
12,1
Idade
(anos)
9 a 11
12 a 14
15 a 18
Não sabia
22
54
65
0
15,6
38,3
46,1
0
Situação escolar
(ensino formal)
Nunca havia estudado
Estava estudando
Havia parado de estudar
6
71
64
4,3
50,4
45,4
Situação familiar
(morar com a família)
Sim
Não
103
38
73,0
27,0
Diversão, liberdade, falta de outra atividade
Sustento para si e/ou família
Relações familiares ruins (conflitos, agressões)
Acompanhar parente ou amigo
Mudança de estrutura familiar
(morte de mãe/pai ou casamento de um deles)
32
54
14
24
2
22,7
38,3
9,9
17,0
1,4
Menos de 1 ano
1 a 5 anos
Mais de 5 anos
Não se lembrava
Em branco
32
49
48
11
1
22,7
34,8
34,7
7,8
0,7
Horas na rua por dia
1 a 5 horas
6 horas ou mais
16
125
11,3
88,7
Formas de sustento
(as 5 mais citadas)
Pedia dinheiro
Vigiava carros
Furtava, roubava
Vendia coisas
Fazia coisas para vender
50
46
14
43
12
35,5
32,6
9,9
30,5
8,5
Outras atividades
Brincadeira / Diversão
Esporte / Arte
Cursos profissionalizantes
Ir à igreja
75
31
8
5
53,2
22,0
5,7
3,5
Motivos atribuídos
para a situação de rua
Anos em situação de rua
estava morando com família (n = 103)
não estava morando com família (n = 38)
100
94,7
Porcentagem de usuários
148
80
60
60,5
60,2
40
25,2
20
0
Uso no mês
Uso diário
Figura 1: Uso de drogas psicotrópicas, inclusive álcool e tabaco, entre 103 crianças e adolescentes que
estavam morando com suas famílias, comparativamente aos 38 que não estavam, entrevistados em Salvador. São apresentados os parâmetros uso no mês (ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa) e
uso diário (cerca de 20 dias ou mais no mês que antecedeu a pesquisa).
Salvador
149
Tabela 2: Uso de cada categoria de drogas psicotrópicas entre 141 crianças e adolescentes em situação de
rua entrevistados em Salvador.
N
%
N
70
Álcool
110
78,0
78
55,3
98
87
40
45
69,5
61,7
28,4
31,9
70
46
26
26
49,6
32,6
18,4
18,4
43
30,5
28
19,9
38
4
5
10
6
4
0
27,0
2,8
3,5
7,1
4,3
2,8
0
27
3
3
3
2
2
0
19,1
2,1
2,1
2,1
1,4
1,4
0
Maconha
58
41,1
43
30,5
Cocaína e derivados
28
19,9
18
12,8
15
3
0
20
17
10,6
2,1
0
14,2
12,1
10
3
0
12
9
7,1
2,1
0
8,5
6,4
Medicamentos
8
5,7
3
2,1
Rohypnol®
Artane®
Benflogin®
7
4
1
5,0
2,8
0,7
2
1
0
1,4
0,7
0
Chá
4
2,8
2
1,4
Outras
9
6,4
3
2,1
Solventes
Cola
Esmalte
Loló
Lança-perfume
Thinner
Benzina
Outros solventes
Cocaína cheirada
Cocaína injetada
Merla
Crack
Outra droga derivada da coca
59
%
Tabaco
Cerveja
Vinho
Pinga
Outra bebida
49,6
Uso no mês**
41,8
**uso no ano: ao menos uma vez no ano que antecedeu a pesquisa
**uso no mês: ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa
Tabela 3: Freqüência do uso de drogas psicotrópicas no mês que antecedeu a pesquisa entre 141 crianças
e adolescentes em situação de rua entrevistados em Salvador.
“Quase todos os dias”
(20 ou mais dias)*
N
%
“Alguns dias”
(4 a 19 dias)**
N
%
“Poucos dias”
(1 a 3 dias)***
N
%
Tabaco
38
27,0
10
7,1
11
7,8
Álcool
4
2,8
35
24,8
39
27,7
Solventes
9
6,4
10
7,1
9
6,4
Maconha
21
14,9
14
9,9
8
5,7
3
2,1
4
2,8
10
7,1
Cocaína e derivados
Medicamentos
0
0
0
0
2
1,4
Chá
1
0,7
0
0
1
0,7
Outras
0
0
1
0,7
2
1,4
***uso diário: cerca de 20 ou mais dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso pesado)
***uso semanal: cerca de 4 a 19 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso moderado)
***uso mensal: cerca de 1 a 3 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso leve)
Região Nordeste
Uso no ano*
150
Salvador
Tabela 4: Formas de aquisição das drogas psicotrópicas (no mês que antecedeu a pesquisa) entre 141
crianças e adolescentes em situação de rua entevistados em Salvador.
N
%
Tabaco
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
50
2
20
35,5
1,4
14,2
Álcool
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
52
5
32
36,9
3,5
22,7
Solventes
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
19
5
13
1
13,5
3,5
9,2
0,7
Medicamentos
Comprou pessoalmente na farmácia
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
1
0
1
1
0,7
0
0,7
0,7
Tabela 5: Comportamentos de risco associados ao uso de drogas psicotrópicas, na vida (ocorreu ao menos
uma vez na vida), entre 141 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Salvador.
N
Ficou mais bravo, solto e irritou os outros
%
48
34,0
Ficou mole e os outros te prejudicaram (roubaram, bateram)
37
26,2
Andou pelas ruas sem cuidado, com risco de ser atropelado
33
23,4
Transou sem camisinha
29
20,6
Foi roubar
22
15,6
Já adormeceu com o saquinho de solvente perto do rosto
20
14,2
4
2,8
Já usou drogas injetáveis
Tabela 6: Tentativas de parar ou diminuir o uso de alguma droga psicotrópica entre 141 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Salvador.
N
%
Já tentou parar
Sim
Não
68
60
48,2
42,6
Como tentou parar
(quem ajudou)
Tentei sozinho
Alguém de instituição (educador, assistente social)
Alguém da família
Tentei com um amigo
Alguém de igreja
Alguém de hospital ou posto de saúde (médico, enfermeiro)
Outros
43
8
6
6
3
0
9
30,5
5,7
4,3
4,3
2,1
0
6,4
Tabela 7: Expectativa de vida de 141 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Salvador. Estão apresentadas as sete expectativas mais citadas.
N
%
Trabalhar
51
36,2
Estudar
26
18,4
Conseguir lugar para morar
15
10,6
9
6,4
Melhorar sua relação com a família
Ocupar melhor o tempo (recreações, esportes etc.)
9
6,4
Resolver problemas pessoais
8
5,7
Conseguir usar menos drogas ou parar de usar
3
2,1
151
São Luís
Capital do Estado do Maranhão
São Luís
•
870.028 habitantes
(IBGE – censo 2000)
Equipe
coordenação
Wladimir França Gama
supervisão
Paulo Roberto Aranha de
Macedo
Processo de mapeamento e coleta de dados
Foi mapeado em São Luís apenas um serviço de assistência a crianças e adolescentes em situação de rua. Todas as
entrevistas foram realizadas nas ruas em quatro regiões
diferentes da capital.
Foram realizadas 183 entrevistas, das quais nove foram
excluídas da amostra durante o processo de crítica dos
dados (vide motivos de exclusão Tabela 2, pág. 22).
Total de entrevistas válidas: 174
Resultados
comparados aos da amostra global brasileira (27 capitais)
Características sociodemográficas da amostra
pesquisada (Tabela 1):
A amostra pesquisada em São Luis não se diferenciou
muito da amostra global das 27 capitais brasileiras, exceto pela maior proporção de jovens que relataram passar
mais horas/dia em situação de rua (79,9% ficava 6 ou
mais horas/dia).
Uso de drogas em geral (Figura 1):
Quando analisados separadamente os subgrupos dos
que estavam morando com família (n=130) e os que não
estavam (n=44), os índices de uso de drogas foram relativamente semelhantes ao perfil da amostra global.
........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
Eliana Rodrigues
Marcela Coelho Raposo
Marcia Cristina Sousa Neves
Rosalina Maria Dualibe Ferreira
As principais drogas mencionadas – uso no mês
(Tabelas 2 e 3):
As bebidas alcoólicas (cerveja, vinho e pinga) e o tabaco
(em freqüência diária) foram as drogas com maiores
índices de uso no mês. Entre os solventes/inalantes, predominou o consumo de thinner (51 casos de uso no
mês), cola (26 casos) e “loló” (20 casos). Para maconha e
derivados da coca, os índices foram semelhantes à média brasileira, com 48 relatos de uso de maconha no mês
e 27 de derivados da coca (todos com consumo de merla). Diferente da maioria das capitais (exceto Nordeste),
foi observado considerável consumo de medicamentos
psicotrópicos no mês, especialmente o Benflogin® (14
relatos) e o Rohypnol® (4 relatos). Esta capital foi a que
apresentou o maior índice de consumo de Benflogin ®
(segundo informações locais, usado injetável).
Outros resultados (Tabelas 4, 5, 6):
Os valores observados para as formas de aquisição, comportamentos de risco associados ao consumo e tentativas de parar ou diminuir o uso, foram relativamente
semelhantes aos da amostra global. Vale salientar o maior
índice de uso injetável (28 entrevistados já haviam injetado alguma droga ao menos uma vez na vida).
Expectativas de vida (Tabela 7):
Assim como nas demais capitais, embora em menor freqüência, foram observadas expectativas básicas de vida
(trabalhar, estudar, conseguir lugar para morar, entre
outras). Muitas dessas expectativas são, na verdade, direitos de todas as crianças e adolescentes brasileiros.
Região Nordeste
entrevistadores
São Luís
Tabela 1: Características sociodemográficas de 174 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em São Luís.
N
%
Sexo
Masculino
Feminino
153
21
87,9
12,1
Idade
(anos)
9 a 11
12 a 14
15 a 18
Não sabia
19
54
101
0
10,9
31,1
58,0
0
Situação escolar
(ensino formal)
Nunca havia estudado
Estava estudando
Havia parado de estudar
3
77
94
1,7
44,3
54,0
Situação familiar
(morar com a família)
Sim
Não
130
44
74,7
25,3
para a situação de rua
Diversão, liberdade, falta de outra atividade
Sustento para si e/ou família
Relações familiares ruins (conflitos, agressões)
Acompanhar parente ou amigo
Mudança de estrutura familiar
(morte de mãe/pai ou casamento de um deles)
27
112
37
10
4
15,5
64,4
21,3
5,7
2,3
Anos em situação de rua
Menos de 1 ano
1 a 5 anos
Mais de 5 anos
Não se lembrava
Em branco
51
86
31
5
1
29,3
49,4
17,8
2,9
0,5
Horas na rua por dia
1 a 5 horas
6 horas ou mais
35
139
20,1
79,9
Formas de sustento
(as 5 mais citadas)
Vigiava carros
Vendia coisas
Pedia dinheiro
Furtava, roubava
Entregava / vendia drogas
109
30
71
31
5
62,6
17,2
40,8
17,8
2,9
Outras atividades
Brincadeira / Diversão
Esporte / Arte
Cursos profissionalizantes
Ir à igreja
114
45
19
14
65,5
25,9
10,9
8,0
Motivos atribuídos
estava morando com família (n = 130)
não estava morando com família (n = 44)
100
Porcentagem de usuários
152
90,9
80
77,3
60
62,3
40
30,8
20
0
Uso no mês
Uso diário
Figura 1: Uso de drogas psicotrópicas, inclusive álcool e tabaco, entre 130 crianças e adolescentes que
estavam morando com suas famílias, comparativamente aos 44 que não estavam, entrevistados em São
Luís. São apresentados os parâmetros uso no mês (ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa) e
uso diário (cerca de 20 dias ou mais no mês que antecedeu a pesquisa).
São Luís
153
Tabela 2: Uso de cada categoria de drogas psicotrópicas entre 174 crianças e adolescentes em situação de
rua entrevistados em São Luís.
N
%
N
91
Álcool
113
64,9
85
48,9
98
88
53
22
56,3
50,6
30,5
12,6
69
49
34
9
39,7
28,2
19,5
5,2
72
41,4
63
36,2
37
2
31
12
56
7
1
21,3
1,1
17,8
6,9
32,2
4,0
0,6
26
1
20
5
51
4
1
14,9
0,6
11,5
2,9
29,3
2,3
0,6
Maconha
58
33,3
48
27,6
Cocaína e derivados
40
23,0
27
15,5
7
1
40
2
0
4,0
0,6
23,0
1,1
0
1
0
27
1
0
0,6
0
15,5
0,6
0
Medicamentos
28
16,1
16
9,2
Rohypnol®
Artane®
Benflogin®
10
0
23
5,7
0
13,2
3
0
14
1,7
0
8,0
Chá
6
3,4
3
1,7
Outras
2
1,1
1
0,6
Solventes
Cola
Esmalte
Loló
Lança-perfume
Thinner
Benzina
Outros solventes
Cocaína cheirada
Cocaína injetada
Merla
Crack
Outra droga derivada da coca
83
%
Tabaco
Cerveja
Vinho
Pinga
Outra bebida
52,3
Uso no mês**
47,7
**uso no ano: ao menos uma vez no ano que antecedeu a pesquisa
**uso no mês: ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa
Tabela 3: Freqüência do uso de drogas psicotrópicas no mês que antecedeu a pesquisa entre 174 crianças
e adolescentes em situação de rua entrevistados em São Luís.
“Quase todos os dias”
(20 ou mais dias)*
N
%
“Alguns dias”
(4 a 19 dias)**
N
%
“Poucos dias”
(1 a 3 dias)***
N
%
Tabaco
55
31,6
25
14,4
3
1,7
Álcool
5
2,9
42
24,1
39
22,4
Solventes
39
22,4
17
9,8
8
4,6
Maconha
18
10,3
20
11,5
10
5,8
5
2,9
10
5,7
11
6,3
Cocaína e derivados
Medicamentos
2
1,1
8
4,6
6
3,4
Chá
0
0
1
0,6
2
1,1
Outras
0
0
0
0
1
0,6
***uso diário: cerca de 20 ou mais dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso pesado)
***uso semanal: cerca de 4 a 19 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso moderado)
***uso mensal: cerca de 1 a 3 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso leve)
Região Nordeste
Uso no ano*
154
São Luís
Tabela 4: Formas de aquisição das drogas psicotrópicas (no mês que antecedeu a pesquisa) entre 174
crianças e adolescentes em situação de rua entevistados em São Luís.
N
%
Tabaco
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
69
5
25
39,6
2,9
14,4
Álcool
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
66
6
31
37,9
3,4
17,8
Solventes
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
29
13
26
10
16,6
7,5
14,9
5,7
Medicamentos
Comprou pessoalmente na farmácia
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
6
8
1
2
3,4
4,6
0,6
1,1
Tabela 5: Comportamentos de risco associados ao uso de drogas psicotrópicas, na vida (ocorreu ao menos
uma vez na vida), entre 174 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em São Luís.
N
Ficou mais bravo, solto e irritou os outros
%
67
38,5
Ficou mole e os outros te prejudicaram (roubaram, bateram)
68
39,1
Andou pelas ruas sem cuidado, com risco de ser atropelado
43
24,7
Transou sem camisinha
43
24,7
Foi roubar
39
22,4
Já adormeceu com o saquinho de solvente perto do rosto
32
18,4
Já usou drogas injetáveis
28
16,1
Tabela 6: Tentativas de parar ou diminuir o uso de alguma droga psicotrópica entre 174 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em São Luís.
N
%
Já tentou parar
Sim
Não
92
51
52,9
29,3
Como tentou parar
(quem ajudou)
Tentei sozinho
Alguém de instituição (educador, assistente social)
Alguém da família
Tentei com um amigo
Alguém de igreja
Alguém de hospital ou posto de saúde (médico, enfermeiro)
Outros
52
15
13
6
1
0
6
29,9
8,6
7,5
3,4
0,6
0
3,4
Tabela 7: Expectativa de vida de 174 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em São Luís.
Estão apresentadas as sete expectativas mais citadas.
N
%
Trabalhar
77
44,3
Estudar
33
19,0
Conseguir usar menos drogas ou parar de usar
30
17,2
Melhorar sua relação com a família
23
13,2
Conseguir comida
16
9,2
Conseguir lugar para morar
13
7,5
Resolver problemas pessoais
13
7,5
155
Teresina
Capital do Estado do Piauí
Teresina
•
715.360 habitantes
(IBGE – censo 2000)
Equipe
coordenação
Izabel Aragão de Sousa Santos
supervisão
Lúcia Cristina Santos Rosa
entrevistadores
Foram mapeados em Teresina dois serviços que ofereciam assistência a crianças e adolescentes em situação de
rua. Apenas um deles aceitou participar desse levantamento. Todas as entrevistas foram realizadas nas ruas em
quatro regiões diferentes da capital.
Foram realizadas 62 entrevistas, das quais uma foi excluída da amostra durante o processo de crítica dos dados
(vide motivos de exclusão Tabela 2, pág. 22).
Total de entrevistas válidas: 61
Resultados
comparados aos da amostra global brasileira (27 capitais)
Características sociodemográficas da amostra
pesquisada (Tabela 1):
A amostra pesquisada em Teresina não se diferenciou
muito da amostra global das 27 capitais brasileiras, exceto pela maior proporção de jovens com mais de 14 anos
(65,5%) e que relataram morar com família (85,2%).
Uso de drogas em geral (Figura 1):
Para os jovens que moravam com família (n=52), o índice de uso de drogas no mês foi inferior ao observado na
amostra global. Por outro lado, para aqueles que não
moravam com família, o uso de drogas no mês, inclusive
diariamente (100%), foi superior ao global.
As principais drogas mencionadas – uso no mês
(Tabelas 2 e 3):
As bebidas alcoólicas (cerveja e pinga) e o tabaco (em
freqüência diária) foram as drogas com maiores índices
de uso no mês (embora em proporções inferiores aos da
amostra global). Entre os solventes/inalantes (também
com índices inferiores), predominou o consumo de thinner (7 casos de uso no mês), cola (5 casos) e “loló” (4
casos). Os índices de uso de maconha (4 casos de uso no
mês) também foram menores em relação ao global. Não
foram observados quaisquer relatos de uso de derivados
da coca (Teresina foi uma das únicas capitais sem casos
de uso). O consumo recente de Rohypnol® foi relatado
por 5 entrevistados e o de Artane ® por apenas um.
Outros resultados (Tabelas 4, 5, 6):
Os valores observados para as formas de aquisição, comportamentos de risco associados ao consumo e tentativas de parar ou diminuir o uso, foram relativamente
semelhantes aos da amostra global.
Expectativas de vida (Tabela 7):
Assim como nas demais capitais, embora em menor freqüência, foram observadas expectativas básicas de vida
(trabalhar, estudar, conseguir lugar para morar, entre
outras). Muitas dessas expectativas são, na verdade, direitos de todas as crianças e adolescentes brasileiros.
Região Nordeste
Processo de mapeamento e coleta de dados
........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
Eulina Barbosa Nery
Sandra Valéria Sousa Cruz
Teresina
Tabela 1: Características sociodemográficas de 61 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Teresina.
N
%
Sexo
Masculino
Feminino
52
9
85,2
14,8
Idade
(anos)
9 a 11
12 a 14
15 a 18
Não sabia
9
12
40
0
14,8
19,7
65,6
0
Situação escolar
(ensino formal)
Nunca havia estudado
Estava estudando
Havia parado de estudar
0
39
22
0
63,9
36,1
Situação familiar
(morar com a família)
Sim
Não
52
9
85,2
14,8
Diversão, liberdade, falta de outra atividade
Sustento para si e/ou família
Relações familiares ruins (conflitos, agressões)
Acompanhar parente ou amigo
Mudança de estrutura familiar
(morte de mãe/pai ou casamento de um deles)
10
48
15
22
2
16,4
78,7
24,6
36,1
3,3
Menos de 1 ano
1 a 5 anos
Mais de 5 anos
Não se lembrava
19
24
16
2
31,2
39,3
26,2
3,3
Horas na rua por dia
1 a 5 horas
6 horas ou mais
31
30
50,8
49,2
Formas de sustento
(as 5 mais citadas)
Vendia coisas
Vigiava carros
Pedia dinheiro
Furtava, roubava
Transava por dinheiro
34
27
18
9
8
55,7
44,3
29,5
14,8
13,1
Outras atividades
Brincadeira / Diversão
Esporte / Arte
Cursos profissionalizantes
Ir à igreja
45
27
6
32
73,8
44,3
9,8
52,5
Motivos atribuídos
para a situação de rua
Anos em situação de rua
estava morando com família (n = 52)
não estava morando com família (n = 9)
100
Porcentagem de usuários
156
100,0
100,0
80
60
40
32,7
20
1,9
0
Uso no mês
Uso diário
Figura 1: Uso de drogas psicotrópicas, inclusive álcool e tabaco, entre 52 crianças e adolescentes que
estavam morando com suas famílias, comparativamente aos 9 que não estavam, entrevistados em Teresina. São apresentados os parâmetros uso no mês (ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa) e
uso diário (cerca de 20 dias ou mais no mês que antecedeu a pesquisa).
Teresina
157
Tabela 2: Uso de cada categoria de drogas psicotrópicas entre 61 crianças e adolescentes em situação de
rua entrevistados em Teresina.
N
%
Uso no mês**
N
%
Tabaco
17
27,9
15
24,6
Álcool
23
37,7
20
32,8
23
11
7
7
37,7
18,0
11,5
11,5
16
5
7
5
26,2
8,2
11,5
8,2
11
18,0
9
14,8
6
0
6
1
9
0
0
9,8
0
9,8
1,6
14,8
0
0
5
0
4
1
7
0
0
8,2
0
6,6
1,6
11,5
0
0
Maconha
7
11,5
4
6,6
Cocaína e derivados
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
Medicamentos
5
8,2
5
8,2
Rohypnol®
Artane®
Benflogin®
5
3
0
8,2
4,9
0
5
1
0
8,2
1,6
0
Chá
0
0
0
0
Outras
0
0
0
0
Cerveja
Vinho
Pinga
Outra bebida
Solventes
Cola
Esmalte
Loló
Lança-perfume
Thinner
Benzina
Outros solventes
Cocaína cheirada
Cocaína injetada
Merla
Crack
Outra droga derivada da coca
**uso no ano: ao menos uma vez no ano que antecedeu a pesquisa
**uso no mês: ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa
Tabela 3: Freqüência do uso de drogas psicotrópicas no mês que antecedeu a pesquisa entre 61 crianças e
adolescentes em situação de rua entrevistados em Teresina.
“Quase todos os dias”
(20 ou mais dias)*
N
%
“Alguns dias”
(4 a 19 dias)**
N
%
“Poucos dias”
(1 a 3 dias)***
N
%
Tabaco
10
16,4
5
8,2
0
0
Álcool
0
0
10
16,4
10
16,4
Solventes
4
6,6
3
4,9
2
3,3
Maconha
1
1,6
3
4,9
0
0
Cocaína e derivados
0
0
0
0
0
0
Medicamentos
2
3,3
1
1,6
2
3,3
Chá
0
0
0
0
0
0
Outras
0
0
0
0
0
0
***uso diário: cerca de 20 ou mais dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso pesado)
***uso semanal: cerca de 4 a 19 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso moderado)
***uso mensal: cerca de 1 a 3 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso leve)
Região Nordeste
Uso no ano*
158
Teresina
Tabela 4: Formas de aquisição das drogas psicotrópicas (no mês que antecedeu a pesquisa) entre 61
crianças e adolescentes em situação de rua entevistados em Teresina.
N
%
Tabaco
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
14
0
8
22,9
0
13,1
Álcool
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
18
1
6
29,5
1,6
9,8
Solventes
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
5
4
7
5
8,2
6,6
11,5
8,2
Medicamentos
Comprou pessoalmente na farmácia
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
2
2
4
2
3,3
3,3
6,6
3,3
Tabela 5: Comportamentos de risco associados ao uso de drogas psicotrópicas, na vida (ocorreu ao menos
uma vez na vida), entre 61 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Teresina.
N
Ficou mais bravo, solto e irritou os outros
%
5
8,2
Ficou mole e os outros te prejudicaram (roubaram, bateram)
9
14,8
Andou pelas ruas sem cuidado, com risco de ser atropelado
5
8,2
Transou sem camisinha
7
11,5
Foi roubar
7
11,5
Já adormeceu com o saquinho de solvente perto do rosto
4
6,6
Já usou drogas injetáveis
1
1,6
Tabela 6: Tentativas de parar ou diminuir o uso de alguma droga psicotrópica entre 61 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Teresina.
N
Já tentou parar
Sim
Não
Como tentou parar
(quem ajudou)
Tentei sozinho
Alguém de instituição (educador, assistente social)
Alguém da família
Tentei com um amigo
Alguém de igreja
Alguém de hospital ou posto de saúde (médico, enfermeiro)
Outros
%
9
25
14,8
41,0
6
5
3
2
1
0
5
9,8
8,2
4,9
3,3
1,6
0
8,2
Tabela 7: Expectativa de vida de 61 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Teresina.
Estão apresentadas as sete expectativas mais citadas.
N
%
Trabalhar
36
59,0
Estudar
28
45,9
Ocupar melhor o tempo (recreações, esportes etc.)
18
29,5
Conseguir lugar para morar
18
29,5
Conseguir comida
9
14,8
Melhorar sua relação com a família
7
11,5
Resolver problemas pessoais
6
9,8
159
Região Centro-Oeste
Dados Globais
Região Centro-Oeste
Tabela 1: Características sociodemográficas de 358 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados nas capitais da Região Centro-Oeste.
N
%
Sexo
Masculino
Feminino
251
107
70,1
29,9
Idade
(anos)
9 a 11
12 a 14
15 a 18
Não sabia
39
126
192
1
10,9
35,2
53,6
0,3
Situação escolar
(ensino formal)
Nunca havia estudado
Estava estudando
Havia parado de estudar
3
197
158
0,8
55,0
44,1
Situação familiar
(morar com a família)
Sim
Não
222
136
62,0
38,0
Diversão, liberdade, falta de outra atividade
Sustento para si e/ou família
Relações familiares ruins (conflitos, agressões)
Acompanhar parente ou amigo
Mudança de estrutura familiar
(morte de mãe/pai ou casamento de um deles)
214
58
176
55
24
59,8
16,2
49,2
15,4
6,7
Anos em situação de rua
Menos de 1 ano
1 a 5 anos
Mais de 5 anos
Não se lembrava
Em branco
90
191
61
15
1
25,1
53,4
17,0
4,2
0,2
Horas na rua por dia
1 a 5 horas
6 horas ou mais
Em branco
145
210
3
40,5
58,7
0,8
Formas de sustento
(as 5 mais citadas)
Vigiava carros
Pedia dinheiro
Furtava, roubava
Vendia coisas
Entregava / vendia drogas
125
112
64
52
22
34,9
31,3
17,9
14,5
6,1
Outras atividades
Brincadeira / Diversão
Esporte / Arte
Cursos profissionalizantes
Ir à igreja
193
125
68
72
53,9
34,9
19,0
20,1
Motivos atribuídos
para a situação de rua
estava morando com família (n = 222)
não estava morando com família (n = 136)
100
94,1
Porcentagem de usuários
160
80
64,7
60
54,1
40
20
14,0
0
Uso no mês
Uso diário
Figura 1: Uso de drogas psicotrópicas, inclusive álcool e tabaco, entre 222 crianças e adolescentes que
estavam morando com suas famílias, comparativamente aos 136 que não estavam, entrevistados nas
capitais da Região Centro-Oeste. São apresentados os parâmetros uso no mês (ao menos uma vez no mês
que antecedeu a pesquisa) e uso diário (cerca de 20 dias ou mais no mês que antecedeu a pesquisa).
Dados Globais
161
Tabela 2: Uso de cada categoria de drogas psicotrópicas entre 358 crianças e adolescentes em situação de
rua entrevistados nas capitais da Região Centro-Oeste.
N
%
Uso no mês**
N
%
Tabaco
200
55,9
159
44,4
Álcool
272
76,0
206
57,5
246
181
99
89
68,7
50,6
27,7
24,9
174
110
66
39
48,6
30,7
18,4
10,9
Cerveja
Vinho
Pinga
Outra bebida
Solventes
117
32,7
75
20,9
64
20
12
8
83
21
7
17,9
5,6
3,4
2,2
23,2
5,9
2,0
29
8
4
2
62
5
1
8,1
2,2
1,1
0,6
17,3
1,4
0,3
143
39,9
104
29,1
95
26,5
58
16,2
43
9
42
21
41
12,0
2,5
11,7
5,9
11,5
17
1
24
6
28
4,7
0,3
6,7
1,7
7,8
Medicamentos
24
6,7
13
3,6
Rohypnol®
Artane®
Benflogin®
24
1
1
6,7
0,3
0,3
13
0
0
3,6
0
0
Chá
16
4,5
7
2,0
Outras
10
3,8
1
0,3
Cola
Esmalte
Loló
Lança-perfume
Thinner
Benzina
Outros solventes
Maconha
Cocaína e derivados
Cocaína cheirada
Cocaína injetada
Merla
Crack
Outra droga derivada da coca
**uso no ano: ao menos uma vez no ano que antecedeu a pesquisa
**uso no mês: ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa
Tabela 3: Freqüência do uso de drogas psicotrópicas no mês que antecedeu a pesquisa entre 358 crianças
e adolescentes em situação de rua entrevistados nas capitais da Região Centro-Oeste.
“Quase todos os dias”
(20 ou mais dias)*
N
%
“Alguns dias”
(4 a 19 dias)**
N
%
“Poucos dias”
(1 a 3 dias)***
N
%
Tabaco
101
28,2
37
10,3
21
5,9
Álcool
19
5,3
89
24,9
98
27,4
Solventes
34
9,5
22
6,1
19
5,3
Maconha
43
12,0
34
9,5
27
7,5
Cocaína e derivados
17
4,7
18
5,0
24
6,7
Medicamentos
1
0,3
5
1,4
7
2,0
Chá
1
0,3
2
0,6
4
1,1
Outras
0
0
1
0,3
0
0
***uso diário: cerca de 20 ou mais dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso pesado)
***uso semanal: cerca de 4 a 19 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso moderado)
***uso mensal: cerca de 1 a 3 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso leve)
Região Centro-Oeste
Uso no ano*
162
Região Centro-Oeste
Tabela 4: Formas de aquisição das drogas psicotrópicas (no mês que antecedeu a pesquisa) entre 358
crianças e adolescentes em situação de rua entevistados nas capitais da Região Centro-Oeste.
N
%
Tabaco
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
122
14
80
34,1
3,9
22,3
Álcool
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
125
27
97
34,9
7,5
27,1
Solventes
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
36
26
31
12
10,1
7,3
8,7
3,4
Medicamentos
Comprou pessoalmente na farmácia
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
2
1
7
4
0,6
0,3
2,0
1,1
Tabela 5: Comportamentos de risco associados ao uso de drogas psicotrópicas, na vida (ocorreu ao menos
uma vez na vida), entre 358 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados nas capitais da
Região Centro-Oeste.
N
Ficou mais bravo, solto e irritou os outros
%
135
37,7
Ficou mole e os outros te prejudicaram (roubaram, bateram)
80
22,3
Andou pelas ruas sem cuidado, com risco de ser atropelado
99
27,7
Transou sem camisinha
102
28,5
Foi roubar
93
26,0
Já adormeceu com o saquinho de solvente perto do rosto
53
14,8
Já usou drogas injetáveis
16
4,5
Tabela 6: Tentativas de parar ou diminuir o uso de alguma droga psicotrópica entre 358 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados nas capitais da Região Centro-Oeste.
N
Já tentou parar
Como tentou parar
(quem ajudou)
%
Sim
Não
Em branco
198
119
41
55,3
33,2
11,4
Tentei sozinho
Alguém de instituição (educador, assistente social)
Alguém da família
Tentei com um amigo
Alguém de igreja
Alguém de hospital ou posto de saúde (médico, enfermeiro)
Outros
118
39
27
17
16
4
20
33,0
10,9
7,5
4,7
4,5
1,1
5,6
Tabela 7: Expectativa de vida de 358 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados nas capitais
da Região Centro-Oeste. Estão apresentadas as sete expectativas mais citadas.
N
Trabalhar
%
131
36,6
Estudar
93
26,0
Melhorar sua relação com a família
82
22,9
Ocupar melhor o tempo (recreações, esportes etc.)
65
18,2
Conseguir lugar para morar
60
16,8
Conseguir usar menos drogas ou parar de usar
54
15,1
Resolver problemas pessoais
49
13,7
163
Brasília
Capital do País
Equipe
coordenação
Gilson Martins Braga
supervisão
Maria de Fátima Olivier Sudbrack
2.051.146 habitantes
Processo de mapeamento e coleta de dados
Foram mapeadas em Brasília várias instituições que ofereciam assistência a crianças e adolescentes em situação
de rua, tanto em sede quanto na rua. Para o levantamento foram selecionadas três instituições que preenchiam os critérios de inclusão. Todas com trabalhos realizados em sede.
Nestas três instituições foram realizadas 92 entrevistas,
das quais quatro foram excluídas da amostra durante o
processo de crítica dos dados (vide motivos de exclusão
Tabela 2, pág. 22).
Total de entrevistas válidas: 88
Resultados
comparados aos da amostra global brasileira (27 capitais)
Características sociodemográficas da amostra
pesquisada (Tabela 1):
A amostra pesquisada em Brasília se diferenciou da amostra global das 27 capitais brasileiras. Houve predomínio
de jovens que não estavam estudando (77,3%), que não
estavam morando com família (77,3%) e com maior período na rua (92,0% ficando 6 ou mais horas/dia).
Uso de drogas em geral (Figura 1):
As especificidades da amostra justificam os maiores índices de uso de drogas (comparado à amostra global). No
entanto, chama a atenção a elevada proporção de usuários entre os que estavam morando com família (n=20),
diferente do observado para a maioria das capitais.
........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
(IBGE – censo 2000)
entrevistadores
Ana Gabriela Fortunato Costa
Bruno Moraes Soares
Maria Terezinha da Silva
Shirley Rocha Cezar Rizzi
As principais drogas mencionadas – uso no mês
(Tabelas 2 e 3):
O consumo de tabaco apresentou prevalência superior
ao da amostra global, de uso no mês (n=65) e em freqüência diária (n=55). Entre as bebidas, além da cerveja,
destacou-se o elevado consumo de vinho e pinga. Os
solventes/inalantes também foram muito mencionados
(n=52), especialmente o thinner, com considerável número de usuários diários (n=26). O uso recente de maconha foi mencionado por 46 entrevistados, sendo 22 com
uso diário. Entre os derivados da coca, prevaleceu o consumo de merla (n=17). O consumo recente de Rohypnol ® foi mencionado por 12 entrevistados.
Outros resultados (Tabelas 4, 5, 6):
Os valores observados para as formas de aquisição, comportamentos de risco associados ao consumo e tentativas de parar ou diminuir o uso, foram relativamente
semelhantes aos da amostra global.
Expectativas de vida (Tabela 7):
Assim como nas demais capitais, entre a maioria dos entrevistados, foram observadas várias expectativas básicas de vida (estudar, trabalhar, conseguir lugar para
morar, entre outras). Muitas dessas expectativas são, na
verdade, direitos de todas as crianças e adolescentes brasileiros.
Comparação com o levantamento anterior: 1997
(Tabela 8 e Figura 2):
Em comparação com o levantamento de 1997, foram
observados em 2003 índices maiores de consumo de praticamente todas as drogas pesquisadas (exceto Artane®,
para o qual não houve relato de uso no mês).
Região Centro-Oeste
Distrito Federal
Brasília
Tabela 1: Características sociodemográficas de 88 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Brasília.
N
%
Sexo
Masculino
Feminino
70
18
79,5
20,5
Idade
(anos)
9 a 11
12 a 14
15 a 18
Não sabia
5
29
54
0
5,7
33,0
61,4
0
Situação escolar
(ensino formal)
Nunca havia estudado
Estava estudando
Havia parado de estudar
3
20
65
3,4
22,7
73,9
Situação familiar
(morar com a família)
Sim
Não
20
68
22,7
77,3
Diversão, liberdade, falta de outra atividade
Sustento para si e/ou família
Relações familiares ruins (conflitos, agressões)
Acompanhar parente ou amigo
Mudança de estrutura familiar
(morte de mãe/pai ou casamento de um deles)
18
20
29
13
10
20,5
22,7
33,0
14,8
11,4
Anos em situação de rua
Menos de 1 ano
1 a 5 anos
Mais de 5 anos
Não se lembrava
26
41
21
0
29,5
46,6
23,9
0
Horas na rua por dia
1 a 5 horas
6 horas ou mais
7
81
8,0
92,0
Formas de sustento
(as 5 mais citadas)
Vigiava carros
Pedia dinheiro
Furtava, roubava
Vendia coisas
Entregava / vendia drogas
59
48
12
11
5
67,0
54,5
13,6
12,5
5,7
Outras atividades
Brincadeira / Diversão
Esporte / Arte
Cursos profissionalizantes
Ir à igreja
21
20
13
8
23,9
22,7
14,8
9,1
Motivos atribuídos
para a situação de rua
estava morando com família (n = 20)
não estava morando com família (n = 68)
100
97,1
Porcentagem de usuários
164
80
75,0
60
72,1
60,0
40
20
0
Uso no mês
Uso diário
Figura 1: Uso de drogas psicotrópicas, inclusive álcool e tabaco, entre 20 crianças e adolescentes que
estavam morando com suas famílias, comparativamente aos 68 que não estavam, entrevistados em Brasília. São apresentados os parâmetros uso no mês (ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa) e
uso diário (cerca de 20 dias ou mais no mês que antecedeu a pesquisa).
Brasília
165
Tabela 2: Uso de cada categoria de drogas psicotrópicas entre 88 crianças e adolescentes em situação de
rua entrevistados em Brasília.
N
%
Uso no mês**
N
%
Tabaco
72
81,8
65
73,9
Álcool
74
84,1
58
65,9
65
55
41
11
73,9
62,5
46,6
12,5
46
34
24
2
52,3
38,6
27,3
2,3
64
72,7
52
59,1
27
3
9
2
59
10
6
30,7
3,4
10,2
2,3
67,0
11,4
6,8
17
0
3
0
49
3
1
19,3
0
3,4
0
55,7
3,4
1,1
Maconha
62
70,5
46
52,3
Cocaína e derivados
35
39,8
21
23,9
15
2
27
8
0
17,0
2,3
30,7
9,1
0
7
1
17
2
0
8,0
1,1
19,3
2,3
0
Medicamentos
21
23,9
12
13,6
Rohypnol®
Artane®
Benflogin®
21
1
0
23,9
1,1
0
12
0
0
13,6
0
0
10
11,4
5
5,7
4
5,0
1
1,1
Cerveja
Vinho
Pinga
Outra bebida
Solventes
Cola
Esmalte
Loló
Lança-perfume
Thinner
Benzina
Outros solventes
Cocaína cheirada
Cocaína injetada
Merla
Crack
Outra droga derivada da coca
Chá
Outras
**uso no ano: ao menos uma vez no ano que antecedeu a pesquisa
**uso no mês: ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa
Tabela 3: Freqüência do uso de drogas psicotrópicas no mês que antecedeu a pesquisa entre 88 crianças e
adolescentes em situação de rua entrevistados em Brasília.
“Quase todos os dias”
(20 ou mais dias)*
N
%
“Alguns dias”
(4 a 19 dias)**
N
%
“Poucos dias”
(1 a 3 dias)***
N
%
Tabaco
55
62,5
8
9,1
2
2,3
Álcool
7
8,0
31
35,2
20
22,7
Solventes
26
29,5
16
18,2
10
11,4
Maconha
22
25,0
14
15,9
10
11,4
4
4,5
4
4,5
14
15,9
Cocaína e derivados
Medicamentos
1
1,1
5
5,7
6
6,8
Chá
0
0
2
2,3
3
3,4
Outras
0
0
1
1,1
1
0
***uso diário: cerca de 20 ou mais dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso pesado)
***uso semanal: cerca de 4 a 19 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso moderado)
***uso mensal: cerca de 1 a 3 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso leve)
Região Centro-Oeste
Uso no ano*
166
Brasília
Tabela 4: Formas de aquisição das drogas psicotrópicas (no mês que antecedeu a pesquisa) entre 88
crianças e adolescentes em situação de rua entevistados em Brasília.
N
%
Tabaco
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
57
8
26
64,8
9,1
29,5
Álcool
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
38
9
20
43,1
10,2
22,7
Solventes
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
25
21
21
1
28,4
23,9
23,9
1,1
Medicamentos
Comprou pessoalmente na farmácia
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
1
1
7
4
1,1
1,1
8,0
4,5
Tabela 5: Comportamentos de risco associados ao uso de drogas psicotrópicas, na vida (ocorreu ao menos
uma vez na vida), entre 88 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Brasília.
N
Ficou mais bravo, solto e irritou os outros
%
36
40,9
Ficou mole e os outros te prejudicaram (roubaram, bateram)
28
31,8
Andou pelas ruas sem cuidado, com risco de ser atropelado
37
42,0
Transou sem camisinha
32
36,4
Foi roubar
30
34,1
Já adormeceu com o saquinho de solvente perto do rosto
24
27,3
2
2,3
Já usou drogas injetáveis
Tabela 6: Tentativas de parar ou diminuir o uso de alguma droga psicotrópica entre 88 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Brasília.
N
%
Já tentou parar
Sim
Não
66
18
75,0
20,5
Como tentou parar
(quem ajudou)
Tentei sozinho
Alguém de instituição (educador, assistente social)
Alguém da família
Tentei com um amigo
Alguém de igreja
Alguém de hospital ou posto de saúde (médico, enfermeiro)
Outros
44
1
7
4
4
1
4
50,0
1,1
8,0
4,5
4,5
1,1
4,5
Tabela 7: Expectativa de vida de 88 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Brasília.
Estão apresentadas as sete expectativas mais citadas.
N
%
Estudar
23
26,1
Trabalhar
22
25,0
Conseguir lugar para morar
22
25,0
Conseguir usar menos drogas ou parar de usar
14
15,9
Melhorar sua relação com a família
5
5,7
Resolver problemas pessoais
3
3,4
Não precisa de ajuda
1
1,1
Brasília
167
Tabela 8: Uso de drogas psicotrópicas entre crianças e adolescentes em situação de
rua entrevistados em Brasília nos anos de 1997 e 2003. É apresentado o parâmetro
de uso no mês (ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa).
1997 (n = 83)
N
2003 (n = 88)
%
N
Tabaco
50
52,1
65
73,9
Álcool
52
54,2
58
65,9
Solvente
28
29,2
52
59,1
Maconha
21
21,9
46
52,3
Cocaína e derivados
19
17,7
21
23,9
2
2,1
0
0
2
2,1
12
13,6
Artane®
Rohypnol
®
1997 (n = 114)
100
2003 (n = 88)
80
60
40
20
0
Tabaco
Álcool
Solventes
Maconha
Cocaína
Artane®
Rohypnol®
e derivados
Figura 2: Uso de drogas psicotrópicas entre crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em
Brasília nos anos de 1997 e 2003. É apresentado o parâmetro de uso no mês (ao menos uma vez no mês que
antecedeu a pesquisa).
Região Centro-Oeste
Porcentagem de usuários
%
169
Campo Grande
Capital do Estado do Mato Grosso do Sul
Equipe
coordenação
Oriene de Moura David
supervisão
Helena Demétrio Gasparini
entrevistadora
Campo Grande •
Sílvia Mara Anache Bandeira
663.021 habitantes
Foram mapeadas em Campo Grande várias instituições
que ofereciam assistência a crianças e adolescentes em
situação de rua. Para o levantamento foram selecionadas três instituições que preenchiam os critérios de inclusão. Todas com trabalhos realizados em sede.
Nestas instituições foram realizadas 95 entrevistas.
Total de entrevistas válidas: 95
Resultados
comparados aos da amostra global brasileira (27 capitais)
Características sociodemográficas da amostra
pesquisada (Tabela 1):
A amostra pesquisada em Campo Grande se diferenciou
da amostra global das 27 capitais brasileiras. Foi entrevistada uma maior proporção de jovens do sexo feminino (46,3%), morando com família (87,4%), estudando
(73,7%) e com menos horas/dia em situação de rua
(69,5% ficando menos de 6 horas/dia).
Uso de drogas em geral (Figura 1):
Foi observada uma menor proporção de jovens relatando uso diário de drogas (comparado à amostra global).
As principais drogas mencionadas – uso no mês
(Tabelas 2 e 3):
As bebidas alcoólicas (cerveja, vinho, pinga, entre outras) foram as drogas com maiores índices de uso no
mês. O Tabaco, embora muito mencionado, obteve
menores índices de uso (comparado à amostra global).
Diferentemente da maioria das capitais, o consumo de
solventes foi relativamente pequeno (7 relatos de uso
no mês). Para a maconha e derivados da coca, os índices
foram mais próximos da média brasileira. Foram 16 relatos de uso de maconha no mês e 14 de derivados da coca
(predominantemente uso de “pasta base”). Não foi relatado consumo de medicamentos psicotrópicos.
Outros resultados (Tabelas 4, 5, 6):
Os valores observados para as formas de aquisição, comportamentos de risco associados ao consumo e tentativas de parar ou diminuir o uso, foram relativamente
semelhantes aos da amostra global.
Expectativas de vida (Tabela 7):
Assim como nas demais capitais, entre a maioria dos entrevistados, foram observadas várias expectativas básicas de vida (trabalhar, ocupar melhor o tempo, melhorar
a relação familiar, entre outras). Muitas dessas expectativas são, na verdade, direitos de todas as crianças e adolescentes brasileiros.
Região Centro-Oeste
Processo de mapeamento e coleta de dados
........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
(IBGE – censo 2000)
Campo Grande
Tabela 1: Características sociodemográficas de 95 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Campo Grande.
N
%
Sexo
Masculino
Feminino
51
44
53,7
46,3
Idade
(anos)
9 a 11
12 a 14
15 a 18
Não sabia
14
26
55
0
14,7
27,4
57,9
0
Situação escolar
(ensino formal)
Nunca havia estudado
Estava estudando
Havia parado de estudar
0
70
25
0
73,7
26,3
Situação familiar
(morar com a família)
Sim
Não
83
12
87,4
12,6
Diversão, liberdade, falta de outra atividade
Sustento para si e/ou família
Relações familiares ruins (conflitos, agressões)
Acompanhar parente ou amigo
Mudança de estrutura familiar
(morte de mãe/pai ou casamento de um deles)
83
7
60
19
4
87,4
7,4
63,2
20,0
4,2
Anos em situação de rua
Menos de 1 ano
1 a 5 anos
Mais de 5 anos
Não se lembrava
25
57
13
0
26,3
60,0
13,7
0
Horas na rua por dia
1 a 5 horas
6 horas ou mais
66
29
69,5
30,5
Formas de sustento
(as 5 mais citadas)
Vendia coisas
Vigiava carros
Furtava, roubava
Entregava / vendia drogas
Transava por dinheiro
13
11
10
10
6
13,7
11,6
10,5
10,5
6,3
Outras atividades
Brincadeira / Diversão
Esporte / Arte
Cursos profissionalizantes
Ir à igreja
70
40
35
18
73,7
42,1
36,8
18,9
Motivos atribuídos
para a situação de rua
estava morando com família (n = 83)
não estava morando com família (n = 12)
100
Porcentagem de usuários
170
100,0
80
60
55,4
40
20
25,0
8,4
0
Uso no mês
Uso diário
Figura 1: Uso de drogas psicotrópicas, inclusive álcool e tabaco, entre 83 crianças e adolescentes que
estavam morando com suas famílias, comparativamente aos 12 que não estavam, entrevistados em Campo Grande. São apresentados os parâmetros uso no mês (ao menos uma vez no mês que antecedeu a
pesquisa) e uso diário (cerca de 20 dias ou mais no mês que antecedeu a pesquisa).
Campo Grande
171
Tabela 2: Uso de cada categoria de drogas psicotrópicas entre 95 crianças e adolescentes em situação de
rua entrevistados em Campo Grande.
N
%
Uso no mês**
N
%
Tabaco
51
53,7
31
32,6
Álcool
79
83,2
54
56,8
72
56
31
41
75,8
58,9
32,6
43,2
42
29
22
18
44,2
30,5
23,2
18,9
16
16,8
7
7,4
8
5
0
1
5
3
1
8,4
5,3
0
1,1
5,3
3,2
1,1
2
4
0
0
1
0
0
2,1
4,2
0
0
1,1
0
0
Maconha
25
26,3
16
16,8
Cocaína e derivados
22
23,2
14
14,7
13
6
0
7
18
13,7
6,3
0
4,7
18,9
5
0
0
2
13
5,3
0
0
2,1
13,7
Medicamentos
0
0
0
0
Rohypnol®
Artane®
Benflogin®
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
Chá
1
1,1
0
0
Outras
2
2,1
0
0
Cerveja
Vinho
Pinga
Outra bebida
Solventes
Cola
Esmalte
Loló
Lança-perfume
Thinner
Benzina
Outros solventes
Cocaína cheirada
Cocaína injetada
Merla
Crack
Outra droga derivada da coca
**uso no ano: ao menos uma vez no ano que antecedeu a pesquisa
**uso no mês: ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa
Tabela 3: Freqüência do uso de drogas psicotrópicas no mês que antecedeu a pesquisa entre 95 crianças e
adolescentes em situação de rua entrevistados em Campo Grande.
“Quase todos os dias”
(20 ou mais dias)*
N
%
“Alguns dias”
(4 a 19 dias)**
N
%
“Poucos dias”
(1 a 3 dias)***
N
%
Tabaco
7
7,4
12
12,6
12
12,6
Álcool
2
2,1
25
26,3
27
28,4
Solventes
2
2,1
2
2,1
3
3,2
Maconha
5
5,3
9
9,5
2
2,1
Cocaína e derivados
5
5,3
8
8,4
1
1,1
Medicamentos
0
0
0
0
0
0
Chá
0
0
0
0
0
0
Outras
0
0
0
0
0
0
***uso diário: cerca de 20 ou mais dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso pesado)
***uso semanal: cerca de 4 a 19 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso moderado)
***uso mensal: cerca de 1 a 3 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso leve)
Região Centro-Oeste
Uso no ano*
172
Campo Grande
Tabela 4: Formas de aquisição das drogas psicotrópicas (no mês que antecedeu a pesquisa) entre 95
crianças e adolescentes em situação de rua entevistados em Campo Grande.
N
%
Tabaco
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
17
0
27
17,9
0
28,4
Álcool
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
20
8
47
21,1
8,4
49,5
Solventes
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
3
0
5
0
3,2
0
5,3
0
Medicamentos
Comprou pessoalmente na farmácia
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
0
0
0
0
0
0
0
0
Tabela 5: Comportamentos de risco associados ao uso de drogas psicotrópicas, na vida (ocorreu ao menos
uma vez na vida), entre 95 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Campo Grande.
N
Ficou mais bravo, solto e irritou os outros
%
34
35,8
Ficou mole e os outros te prejudicaram (roubaram, bateram)
12
12,6
Andou pelas ruas sem cuidado, com risco de ser atropelado
20
21,1
Transou sem camisinha
16
16,8
Foi roubar
13
13,7
Já adormeceu com o saquinho de solvente perto do rosto
7
7,4
Já usou drogas injetáveis
6
6,3
Tabela 6: Tentativas de parar ou diminuir o uso de alguma droga psicotrópica entre 95 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Campo Grande.
N
%
Já tentou parar
Sim
Não
46
38
48,4
40,0
Como tentou parar
(quem ajudou)
Tentei sozinho
Alguém de instituição (educador, assistente social)
Alguém da família
Tentei com um amigo
Alguém de igreja
Alguém de hospital ou posto de saúde (médico, enfermeiro)
Outros
25
12
11
4
3
1
6
26,3
12,6
11,6
4,2
3,2
1,1
6,3
Tabela 7: Expectativa de vida de 95 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Campo
Grande. Estão apresentadas as sete expectativas mais citadas.
N
%
Trabalhar
47
49,5
Ocupar melhor o tempo (recreações, esportes etc.)
37
38,9
Melhorar sua relação com a família
32
33,7
Resolver problemas pessoais
24
25,3
Resolver problemas de saúde
23
24,2
Conseguir usar menos drogas ou parar de usar
23
24,2
Estudar
14
14,7
173
Cuiabá
Capital do Estado do Mato Grosso
Equipe
coordenação
Mara Ilza Cavalcanti Portela
Cuiabá •
supervisão
Delma P. Oliveira de Souza
483.346 habitantes
(IBGE – censo 2000)
entrevistadores
Foram mapeadas em Cuiabá várias instituições que ofereciam assistência a crianças e adolescentes em situação
de rua, tanto em sede quanto na rua. Para o levantamento foram selecionadas sete instituições que preenchiam os critérios de inclusão. Todas com trabalhos realizados em sede.
Nestas sete instituições foram realizadas 142 entrevistas,
das quais oito foram excluídas da amostra durante o
processo de crítica dos dados (vide motivos de exclusão
Tabela 2, pág. 22).
Total de entrevistas válidas: 134
Resultados
comparados aos da amostra global brasileira (27 capitais)
Características sociodemográficas da amostra
pesquisada (Tabela 1):
A amostra pesquisada em Cuiabá não se diferenciou
muito da amostra global das 27 capitais brasileiras, nem
das capitais da Região Centro-Oeste.
Uso de drogas em geral (Figura 1):
Quando analisados separadamente os subgrupos dos
que estavam morando com família (n=102) e os que não
estavam (n=32), os índices de uso de drogas foram semelhantes ao perfil da amostra global.
As principais drogas mencionadas – uso no mês
(Tabelas 2 e 3):
As bebidas alcoólicas (cerveja, vinho, pinga, entre outras) foram as drogas com maiores índices de uso no
mês. O Tabaco, embora muito mencionado, obteve
menores índices de uso (comparado à amostra global).
Diferentemente da maioria das capitais, o consumo de
solventes foi relativamente pequeno (7 relatos de uso
no mês). Para a maconha e derivados da coca, os índices
foram mais próximos da média brasileira. Foram 28 relatos de uso de maconha no mês e 16 de derivados da coca
(predominantemente uso de “pasta base”). Não foi relatado consumo de medicamentos psicotrópicos.
Outros resultados (Tabelas 4, 5, 6):
Os valores observados para as formas de aquisição, comportamentos de risco associados ao consumo e tentativas de parar ou diminuir o uso, foram relativamente
semelhantes aos da amostra global.
Expectativas de vida (Tabela 7):
Assim como nas demais capitais, entre a maioria dos entrevistados, foram observadas várias expectativas básicas de vida (trabalhar, estudar, melhorar sua relação familiar, entre outras). Muitas dessas expectativas são, na
verdade, direitos de todas as crianças e adolescentes brasileiros.
Região Centro-Oeste
Processo de mapeamento e coleta de dados
........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
Camila Oliveira de Souza
Danilo Oliveira de Souza
Cuiabá
Tabela 1: Características sociodemográficas de 134 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Cuiabá.
N
%
Sexo
Masculino
Feminino
99
35
73,9
26,1
Idade
(anos)
9 a 11
12 a 14
15 a 18
Não sabia
19
52
62
1
14,2
38,8
46,3
0,7
Situação escolar
(ensino formal)
Nunca havia estudado
Estava estudando
Havia parado de estudar
0
89
45
0
66,4
33,6
Situação familiar
(morar com a família)
Sim
Não
102
32
76,1
23,9
Diversão, liberdade, falta de outra atividade
Sustento para si e/ou família
Relações familiares ruins (conflitos, agressões)
Acompanhar parente ou amigo
Mudança de estrutura familiar
(morte de mãe/pai ou casamento de um deles)
103
19
75
17
8
76,9
14,2
56,0
12,7
6,0
Anos em situação de rua
Menos de 1 ano
1 a 5 anos
Mais de 5 anos
Não se lembrava / branco
28
75
16
15
20,9
56,0
11,9
11,2
Horas na rua por dia
1 a 5 horas
6 horas ou mais
64
70
47,8
52,2
Formas de sustento
(as 5 mais citadas)
Pedia dinheiro
Vigiava carros
Furtava, roubava
Vendia coisas
Transava por dinheiro
48
38
30
20
10
35,8
28,4
22,4
14,9
7,5
Outras atividades
Brincadeira / Diversão
Esporte / Arte
Cursos profissionalizantes
Ir à igreja
87
48
10
35
64,9
35,8
7,5
26,1
Motivos atribuídos
para a situação de rua
estava morando com família (n = 102)
não estava morando com família (n = 32)
100
Porcentagem de usuários
174
87,5
80
60
56,3
40
48,0
20
9,8
0
Uso no mês
Uso diário
Figura 1: Uso de drogas psicotrópicas, inclusive álcool e tabaco, entre 102 crianças e adolescentes que
estavam morando com suas famílias, comparativamente aos 32 que não estavam, entrevistados em Cuiabá.
São apresentados os parâmetros uso no mês (ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa) e uso
diário (cerca de 20 dias ou mais no mês que antecedeu a pesquisa).
Cuiabá
175
Tabela 2: Uso de cada categoria de drogas psicotrópicas entre 134 crianças e adolescentes em situação de
rua entrevistados em Cuiabá.
N
%
Uso no mês**
N
%
Tabaco
51
38,1
38
28,4
Álcool
93
69,4
71
53,0
85
55
17
22
63,4
41,0
12,7
16,4
64
40
14
10
47,8
29,9
10,4
7,5
20
14,9
7
5,2
18
8
2
2
4
2
0
13,4
6,0
1,5
1,5
3,0
1,5
0
5
1
0
1
3
0
0
3,7
0,7
0
0,7
2,2
0
0
Maconha
36
26,9
28
20,9
Cocaína e derivados
26
19,4
16
11,9
11
1
4
3
23
8,2
0,7
3,0
2,2
17,2
2
0
0
1
15
1,5
0
0
0,7
11,2
Medicamentos
0
0
0
0
Rohypnol®
Artane®
Benflogin®
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
Chá
3
2,2
1
0,7
Outras
1
0,7
0
0
Cerveja
Vinho
Pinga
Outra bebida
Solventes
Cola
Esmalte
Loló
Lança-perfume
Thinner
Benzina
Outros solventes
Cocaína cheirada
Cocaína injetada
Merla
Crack
Outra droga derivada da coca
**uso no ano: ao menos uma vez no ano que antecedeu a pesquisa
**uso no mês: ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa
Tabela 3: Freqüência do uso de drogas psicotrópicas no mês que antecedeu a pesquisa entre 134 crianças
e adolescentes em situação de rua entrevistados em Cuiabá.
“Quase todos os dias”
(20 ou mais dias)*
N
%
“Alguns dias”
(4 a 19 dias)**
N
%
“Poucos dias”
(1 a 3 dias)***
N
%
Tabaco
20
14,9
14
10,4
4
3,0
Álcool
8
6,0
25
18,7
38
28,4
Solventes
0
0
2
1,5
5
3,7
Maconha
11
8,2
7
5,2
10
7,5
6
4,5
4
3,0
6
4,5
Cocaína e derivados
Medicamentos
0
0
0
0
0
0
Chá
0
0
0
0
1
0,7
Outras
0
0
0
0
0
0
***uso diário: cerca de 20 ou mais dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso pesado)
***uso semanal: cerca de 4 a 19 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso moderado)
***uso mensal: cerca de 1 a 3 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso leve)
Região Centro-Oeste
Uso no ano*
176
Cuiabá
Tabela 4: Formas de aquisição das drogas psicotrópicas (no mês que antecedeu a pesquisa) entre 134
crianças e adolescentes em situação de rua entevistados em Cuiabá.
N
%
Tabaco
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
31
3
15
23,1
2,2
11,2
Álcool
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
54
7
22
40,3
5,2
16,4
Solventes
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
3
1
3
0
2,2
0,7
2,2
0
Medicamentos
Comprou pessoalmente na farmácia
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
0
0
0
0
0
0
0
0
Tabela 5: Comportamentos de risco associados ao uso de drogas psicotrópicas, na vida (ocorreu ao menos
uma vez na vida), entre 134 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Cuiabá.
N
Ficou mais bravo, solto e irritou os outros
%
46
34,3
Ficou mole e os outros te prejudicaram (roubaram, bateram)
21
15,7
Andou pelas ruas sem cuidado, com risco de ser atropelado
29
21,6
Transou sem camisinha
41
30,6
Foi roubar
35
26,1
Já adormeceu com o saquinho de solvente perto do rosto
10
7,5
5
3,7
Já usou drogas injetáveis
Tabela 6: Tentativas de parar ou diminuir o uso de alguma droga psicotrópica entre 134 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Cuiabá.
N
%
Já tentou parar
Sim
Não
66
50
49,3
37,3
Como tentou parar
(quem ajudou)
Tentei sozinho
Alguém de instituição (educador, assistente social)
Alguém da família
Tentei com um amigo
Alguém de igreja
Alguém de hospital ou posto de saúde (médico, enfermeiro)
Outros
41
16
7
8
5
1
5
30,6
11,9
5,2
6,0
3,7
0,7
3,7
Tabela 7: Expectativa de vida de 134 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Cuiabá.
Estão apresentadas as sete expectativas mais citadas.
N
%
Trabalhar
48
35,8
Estudar
43
32,1
Melhorar sua relação com a família
34
25,4
Ocupar melhor o tempo (recreações, esportes etc.)
21
15,7
Resolver problemas pessoais
18
13,4
Conseguir lugar para morar
13
9,7
Conseguir comida
12
9,0
177
Goiânia
Capital do Estado de Goiás
Equipe
coordenação
Tânia Maria da Silva
entrevistadores
1.093.007 habitantes
Processo de mapeamento e coleta de dados
Foram mapeadas em Goiânia várias instituições que ofereciam assistência a crianças e adolescentes em situação
de rua, tanto em sede quanto na rua. Para o levantamento foram selecionados cinco instituições que preenchiam os critérios de inclusão. Todas com trabalhos realizados em sede.
Nestas cinco instituições foram realizadas 52 entrevistas,
das quais 11 foram excluídas da amostra durante o processo de crítica dos dados (vide motivos de exclusão Tabela 2, pág. 22).
Total de entrevistas válidas: 41
Resultados
comparados aos da amostra global brasileira (27 capitais)
Características sociodemográficas da amostra
pesquisada (Tabela 1):
A amostra pesquisada em Goiânia não se diferenciou
muito da amostra global das 27 capitais brasileiras, exceto pela proporção um pouco maior de jovens que haviam parado de estudar (56,1%), que não estavam morando com família (58,5%) e com maior período na rua
(73,2% ficando 6 ou mais horas/dia).
Uso de drogas em geral (Figura 1):
Quando analisados separadamente os subgrupos dos
que estavam morando com família (n=17) e os que não
estavam (n=24), os índices de uso de drogas foram semelhantes ao perfil da amostra global.
........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
(IBGE – censo 2000)
Márcia Felicidade Mariano
Rosangela Araújo Schittini
Luciano da Ressurreição
Santos
As principais drogas mencionadas – uso no mês
(Tabelas 2 e 3):
O tabaco foi a droga com os maiores índices de uso no
mês (em freqüência diária), seguido pelas bebidas alcoólicas (especialmente a cerveja, com freqüência predominante de 1-3 dias/mês). Entre os solventes/inalantes,
predominou o consumo de thinner e cola. Os índices de
uso de drogas ilícitas (maconha e derivados da coca)
foram pouco superiores aos observados na amostra global, com 14 relatos de uso de maconha no mês e 7 de
derivados da coca (todos com uso de merla). O consumo
de medicamentos psicotrópicos foi pouco relatado (apenas 1 caso de uso de Rohypnol no mês).
Outros resultados (Tabelas 4, 5, 6):
Os valores observados para as formas de aquisição, comportamentos de risco associados ao consumo e tentativas de parar ou diminuir o uso, foram relativamente
semelhantes aos da amostra global.
Expectativas de vida (Tabela 7):
Assim como nas demais capitais, entre a maioria dos entrevistados, foram observadas várias expectativas básicas de vida (trabalhar, estudar, conseguir lugar para
morar, entre outras). Muitas dessas expectativas são, na
verdade, direitos de todas as crianças e adolescentes brasileiros.
Região Centro-Oeste
• Goiânia
Goiânia
Tabela 1: Características sociodemográficas de 41 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Goiânia.
N
%
Sexo
Masculino
Feminino
31
10
75,6
24,4
Idade
(anos)
9 a 11
12 a 14
15 a 18
Não sabia
1
19
21
0
2,4
46,3
51,2
0
Situação escolar
(ensino formal)
Nunca havia estudado
Estava estudando
Havia parado de estudar
0
18
23
0
43,9
56,1
Situação familiar
(morar com a família)
Sim
Não
17
24
41,5
58,5
Diversão, liberdade, falta de outra atividade
Sustento para si e/ou família
Relações familiares ruins (conflitos, agressões)
Acompanhar parente ou amigo
Mudança de estrutura familiar
(morte de mãe/pai ou casamento de um deles)
10
12
12
6
2
24,4
29,3
29,3
14,6
4,9
Menos de 1 ano
1 a 5 anos
Mais de 5 anos
Não se lembrava
11
18
11
1
26,8
43,9
26,8
2,4
1 a 5 horas
6 horas ou mais
Em branco
8
30
3
19,5
73,2
7,3
Formas de sustento
(as 5 mais citadas)
Vigiava carros
Furtava, roubava
Pedia dinheiro
Vendia coisas
Entregava / vendia drogas
17
12
10
8
4
41,5
29,3
24,4
19,5
4,8
Outras atividades
Brincadeira / Diversão
Esporte / Arte
Cursos profissionalizantes
Ir à igreja
15
17
10
11
36,6
41,5
24,4
26,8
Motivos atribuídos
para a situação de rua
Anos em situação de rua
Horas na rua por dia
estava morando com família (n = 17)
não estava morando com família (n = 24)
100
91,7
Porcentagem de usuários
178
80
75,0
60
58,8
40
20
11,8
0
Uso no mês
Uso diário
Figura 1: Uso de drogas psicotrópicas, inclusive álcool e tabaco, entre 17 crianças e adolescentes que
estavam morando com suas famílias, comparativamente aos 24 que não estavam, entrevistados em Goiânia. São apresentados os parâmetros uso no mês (ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa) e
uso diário (cerca de 20 dias ou mais no mês que antecedeu a pesquisa).
Goiânia
179
Tabela 2: Uso de cada categoria de drogas psicotrópicas entre 41 crianças e adolescentes em situação de
rua entrevistados em Goiânia.
N
%
Uso no mês**
N
%
Tabaco
26
63,4
25
61,0
Álcool
26
63,4
23
56,1
24
15
10
15
58,5
36,6
24,4
36,6
22
7
6
9
53,7
17,1
14,6
22,0
17
41,5
9
22,0
11
4
1
3
15
6
0
26,8
9,8
2,4
7,3
36,6
14,6
0
5
3
1
1
9
2
0
12,2
7,3
2,4
2,4
22,0
4,9
0
Maconha
20
48,8
14
34,2
Cocaína e derivados
12
29,3
7
17,1
4
0
11
3
0
9,8
0
26,8
7,3
0
3
0
7
1
0
7,3
0
17,1
2,4
0
Medicamentos
3
7,3
1
2,4
Rohypnol®
Artane®
Benflogin®
3
0
1
7,3
0
2,4
1
0
0
2,4
0
0
Chá
2
4,9
1
2,4
Outras
1
2,4
0
0
Cerveja
Vinho
Pinga
Outra bebida
Solventes
Cola
Esmalte
Loló
Lança-perfume
Thinner
Benzina
Outros solventes
Cocaína cheirada
Cocaína injetada
Merla
Crack
Outra droga derivada da coca
**uso no ano: ao menos uma vez no ano que antecedeu a pesquisa
**uso no mês: ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa
Tabela 3: Freqüência do uso de drogas psicotrópicas no mês que antecedeu a pesquisa entre 41 crianças e
adolescentes em situação de rua entrevistados em Goiânia.
“Quase todos os dias”
(20 ou mais dias)*
N
“Alguns dias”
(4 a 19 dias)**
%
N
%
“Poucos dias”
(1 a 3 dias)***
N
%
Tabaco
19
46,3
3
7,3
3
7,3
Álcool
2
4,9
8
19,5
13
31,7
Solventes
6
14,6
2
4,9
1
2,4
Maconha
5
12,2
4
9,8
5
12,2
Cocaína e derivados
2
4,9
2
4,9
3
7,3
Medicamentos
0
0
0
0
1
2,4
Chá
1
2,4
0
0
0
0
Outras
0
0
0
0
0
0
***uso diário: cerca de 20 ou mais dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso pesado)
***uso semanal: cerca de 4 a 19 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso moderado)
***uso mensal: cerca de 1 a 3 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso leve)
Região Centro-Oeste
Uso no ano*
180
Goiânia
Tabela 4: Formas de aquisição das drogas psicotrópicas (no mês que antecedeu a pesquisa) entre 41
crianças e adolescentes em situação de rua entevistados em Goiânia.
N
%
Tabaco
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
17
3
12
41,5
7,3
29,3
Álcool
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
13
3
8
31,7
7,3
19,5
Solventes
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
5
4
2
3
12,2
9,8
4,9
7,3
Medicamentos
Comprou pessoalmente na farmácia
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
1
0
0
0
2,4
0
0
0
Tabela 5: Comportamentos de risco associados ao uso de drogas psicotrópicas, na vida (ocorreu ao menos
uma vez na vida), entre 41 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Goiânia.
N
Ficou mais bravo, solto e irritou os outros
%
19
46,3
Ficou mole e os outros te prejudicaram (roubaram, bateram)
19
46,3
Andou pelas ruas sem cuidado, com risco de ser atropelado
13
31,7
Transou sem camisinha
13
31,7
Foi roubar
15
36,6
Já adormeceu com o saquinho de solvente perto do rosto
12
29,3
3
7,3
Já usou drogas injetáveis
Tabela 6: Tentativas de parar ou diminuir o uso de alguma droga psicotrópica entre 41 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Goiânia.
N
%
Já tentou parar
Sim
Não
20
13
48,8
31,7
Como tentou parar
(quem ajudou)
Tentei sozinho
Alguém de instituição (educador, assistente social)
Alguém da família
Tentei com um amigo
Alguém de igreja
Alguém de hospital ou posto de saúde (médico, enfermeiro)
Outros
8
10
2
1
4
1
5
19,5
24,4
4,9
2,4
9,8
2,4
12,2
Tabela 7: Expectativa de vida de 41 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Goiânia.
Estão apresentadas as sete expectativas mais citadas.
N
%
Trabalhar
14
34,1
Estudar
13
31,7
Conseguir lugar para morar
12
29,3
Melhorar sua relação com a família
11
26,8
Conseguir usar menos drogas ou parar de usar
8
19,5
Ocupar melhor o tempo (recreações, esportes etc.)
7
17,1
Conseguir comida
5
12,2
181
Região Sudeste
Dados Globais
Região Sudeste
Tabela 1: Características sociodemográficas de 401 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados nas capitais da Região Sudeste.
N
%
Sexo
Masculino
Feminino
304
97
75,8
24,2
Idade
(anos)
9 a 11
12 a 14
15 a 18
Não sabia
49
140
212
0
12,2
34,9
52,9
0
Situação escolar
(ensino formal)
Nunca havia estudado
Estava estudando
Havia parado de estudar
9
149
243
2,2
37,2
60,6
Situação familiar
(morar com a família)
Sim
Não
203
198
50,6
49,3
Diversão, liberdade, falta de outra atividade
Sustento para si e/ou família
Relações familiares ruins (conflitos, agressões)
Acompanhar parente ou amigo
Mudança de estrutura familiar
(morte de mãe/pai ou casamento de um deles)
115
94
122
40
8
28,7
23,4
30,4
10,0
2,0
Anos em situação de rua
Menos de 1 ano
1 a 5 anos
Mais de 5 anos
Não se lembrava
132
172
93
4
32,9
42,9
23,2
1,0
Horas na rua por dia
1 a 5 horas
6 horas ou mais
Em branco
155
245
1
38,7
61,1
0,2
Formas de sustento
(as 5 mais citadas)
Pedia dinheiro
Vigiava carros
Furtava, roubava
Vendia coisas
Fazia coisas para vender
170
123
101
85
28
42,4
30,7
25,2
21,2
7,0
Outras atividades
Brincadeira / Diversão
Esporte / Arte
Cursos profissionalizantes
Ir à igreja
200
98
49
34
49,9
24,4
12,2
8,5
Motivos atribuídos
para a situação de rua
estava morando com família (n = 203)
não estava morando com família (n = 198)
100
96,0
Porcentagem de usuários
182
80
79,8
60
40
45,8
28,1
20
0
Uso no mês
Uso diário
Figura 1: Uso de drogas psicotrópicas, inclusive álcool e tabaco, entre 203 crianças e adolescentes que
estavam morando com suas famílias, comparativamente aos 198 que não estavam, entrevistados nas
capitais da Região Sudeste. São apresentados os parâmetros uso no mês (ao menos uma vez no mês que
antecedeu a pesquisa) e uso diário (cerca de 20 dias ou mais no mês que antecedeu a pesquisa).
Dados Globais
183
Tabela 2: Uso de cada categoria de drogas psicotrópicas entre 401 crianças e adolescentes em situação de
rua entrevistados nas capitais da Região Sudeste.
Uso no ano*
N
%
Uso no mês**
N
%
Tabaco
260
64,8
232
57,9
Álcool
252
62,8
154
38,4
207
197
55
94
51,6
49,1
13,7
23,4
126
88
30
52
31,4
21,9
7,5
13,0
191
47,6
160
39,9
120
8
79
25
158
12
3
29,9
2,0
19,7
6,2
39,4
3,0
0,7
86
4
50
12
124
5
0
21,4
1,0
12,5
3,0
30,9
1,2
0
Maconha
194
48,4
161
40,1
Cocaína e derivados
131
32,7
105
26,2
89
4
6
55
49
22,2
1,0
1,5
13,7
12,2
55
1
3
38
48
13,7
0,2
0,7
9,5
12,0
Medicamentos
3
0,7
2
0,5
Rohypnol®
Artane®
Benflogin®
2
0
1
0,5
0
0,2
1
0
1
0,2
0
0,2
Chá
19
4,7
8
2,0
Outras
12
3,0
4
1,0
Cerveja
Vinho
Pinga
Outra bebida
Solventes
Cola
Esmalte
Loló
Lança-perfume
Thinner
Benzina
Outros solventes
Cocaína cheirada
Cocaína injetada
Merla
Crack
Outra droga derivada da coca
Tabela 3: Freqüência do uso de drogas psicotrópicas no mês que antecedeu a pesquisa entre 401 crianças
e adolescentes em situação de rua entrevistados nas capitais da Região Sudeste.
“Quase todos os dias”
(20 ou mais dias)*
N
%
“Alguns dias”
(4 a 19 dias)**
N
%
“Poucos dias”
(1 a 3 dias)***
N
%
Tabaco
187
46,6
36
9,0
9
2,2
Álcool
11
2,7
87
21,7
56
14,0
Solventes
97
24,2
44
11,0
17
4,2
Maconha
90
22,4
52
13,0
20
5,0
Cocaína e derivados
21
5,2
39
9,7
45
11,2
Medicamentos
0
0
2
0,5
0
0
Chá
0
0
2
0,5
6
1,5
Outras
0
0
1
0,2
3
0,7
***uso diário: cerca de 20 ou mais dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso pesado)
***uso semanal: cerca de 4 a 19 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso moderado)
***uso mensal: cerca de 1 a 3 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso leve)
Região Sudeste
**uso no ano: ao menos uma vez no ano que antecedeu a pesquisa
**uso no mês: ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa
184
Região Sudeste
Tabela 4: Formas de aquisição das drogas psicotrópicas (no mês que antecedeu a pesquisa) entre 401
crianças e adolescentes em situação de rua entevistados nas capitais da Região Sudeste.
N
%
Tabaco
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
196
9
147
48,9
2,2
36,7
Álcool
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
107
5
80
26,7
1,2
20,0
Solventes
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
86
25
68
13
21,4
6,2
17,0
3,2
Medicamentos
Comprou pessoalmente na farmácia
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
1
0
0
2
0,2
0
0
0,5
Tabela 5: Comportamentos de risco associados ao uso de drogas psicotrópicas, na vida (ocorreu ao menos
uma vez na vida), entre 401 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados nas capitais da
Região Sudeste.
N
%
Ficou mais bravo, solto e irritou os outros
135
33,7
Ficou mole e os outros te prejudicaram (roubaram, bateram)
108
26,9
Andou pelas ruas sem cuidado, com risco de ser atropelado
116
28,9
Transou sem camisinha
123
30,7
Foi roubar
120
29,9
Já adormeceu com o saquinho de solvente perto do rosto
87
21,7
Já usou drogas injetáveis
16
4,0
Tabela 6: Tentativas de parar ou diminuir o uso de alguma droga psicotrópica entre 401 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados nas capitais da Região Sudeste.
N
%
Já tentou parar
Sim
Não
232
119
57,9
29,7
Como tentou parar
(quem ajudou)
Tentei sozinho
Alguém de instituição (educador, assistente social)
Alguém da família
Tentei com um amigo
Alguém de igreja
Alguém de hospital ou posto de saúde (médico, enfermeiro)
Outros
124
63
23
19
20
5
39
30,9
15,7
5,7
4,7
5,0
1,2
9,7
Tabela 7: Expectativa de vida de 401 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados nas capitais
da Região Sudeste. Estão apresentadas as sete expectativas mais citadas.
N
Trabalhar
%
140
34,9
84
20,9
Estudar
76
19,0
Melhorar sua relação com a família
46
11,5
Conseguir usar menos drogas ou parar de usar
35
8,7
Ocupar melhor o tempo (recreações, esportes etc.)
17
4,2
Resolver problemas pessoais
12
3,0
Conseguir lugar para morar
185
Belo Horizonte
Capital do Estado de Minas Gerais
Equipe
coordenação
Angela Maria Dias Duarte
Baptista
supervisão
• Belo Horizonte
2.238.526 habitantes
Foram mapeadas em Belo Horizonte várias instituições
que ofereciam assistência a crianças e adolescentes em
situação de rua, tanto em sede quanto na rua. Para o
levantamento foram selecionadas sete instituições que
preenchiam os critérios de inclusão. Todas com trabalhos realizados em sede. Uma das instituições não aceitou participar do estudo.
Nas seis instituições que participaram, foram realizadas
204 entrevistas.
Total de entrevistas válidas: 204
Resultados
comparados aos da amostra global brasileira (27 capitais)
Características sociodemográficas da amostra
pesquisada (Tabela 1):
A amostra pesquisada em Belo Horizonte não se diferenciou da amostra global das 27 capitais brasileiras, exceto pelo número de horas/dia (66,7% com menos de 6
horas/dia).
Uso de drogas em geral (Figura 1):
Foi observada uma porcentagem relativamente semelhante à amostra global de jovens que relataram consumo de drogas, tanto entre os que estavam morando
com família (n= 142) quanto entre os que não estavam
(n= 62).
Elisio de Oliveira Saraiva Junior
Flavia Roberta Gomes Almeida
Luzia Guimarães de Paula
As principais drogas mencionadas – uso no mês
(Tabelas 2 e 3):
O tabaco foi a droga com os maiores índices de uso no
mês (e em freqüência diária), seguido pelas bebidas alcoólicas. Entre as bebidas, além da cerveja, destacou-se
o consumo de vinho e pinga. Entre os solventes/inalantes, predominou o consumo de thinner (44 casos de uso
no mês) e a elevada freqüência de uso (26 casos com uso
diário). O consumo de maconha no mês foi relatado por
45 entrevistados (18 com uso diário). Em relação aos
derivados da coca, destacou-se o consumo de crack (19
casos de uso no mês) e cloridrato “cheirado” (13 casos),
valores proporcionalmente superiores ao observado na
amostra global. Não foi relatado consumo recente de
medicamentos psicotrópicos.
Outros resultados (Tabelas 4, 5, 6):
Os valores observados para as formas de aquisição, comportamentos de risco associados ao consumo e tentativas de parar ou diminuir o uso, foram relativamente
semelhantes aos da amostra global.
Expectativas de vida (Tabela 7):
Assim como nas demais capitais, entre a maioria dos entrevistados, foram observadas várias expectativas básicas de vida (trabalhar, conseguir lugar para morar, estudar, melhorar a relação familiar, entre outras). Muitas
dessas expectativas são, na verdade, direitos de todas as
crianças e adolescentes brasileiros.
Região Sudeste
Processo de mapeamento e coleta de dados
........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
(IBGE – censo 2000)
Arnaldo Madruga Fernandes
entrevistadores
Belo Horizonte
Tabela 1: Características sociodemográficas de 204 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Belo Horizonte.
N
%
Sexo
Masculino
Feminino
158
46
77,5
22,5
Idade
(anos)
9 a 11
12 a 14
15 a 18
Não sabia
37
68
99
0
18,1
33,3
48,5
0
Situação escolar
(ensino formal)
Nunca havia estudado
Estava estudando
Havia parado de estudar
3
128
73
1,5
62,7
35,8
Situação familiar
(morar com a família)
Sim
Não
142
62
69,6
30,4
Diversão, liberdade, falta de outra atividade
Sustento para si e/ou família
Relações familiares ruins (conflitos, agressões)
Acompanhar parente ou amigo
Mudança de estrutura familiar
(morte de mãe/pai ou casamento de um deles)
99
72
52
15
2
48,5
35,3
25,5
7,4
1,0
Menos de 1 ano
1 a 5 anos
Mais de 5 anos
Não se lembrava
81
87
34
2
39,7
42,7
16,7
1,0
1 a 5 horas
6 horas ou mais
Em branco
136
67
1
66,7
32,8
0,5
Motivos atribuídos
para a situação de rua
Anos em situação de rua
Horas na rua por dia
Formas de sustento
(as 5 mais citadas)
Vigiava carros
Vendia coisas
Pedia dinheiro
Furtava, roubava
Fazia coisas para vender
60
54
44
27
25
29,4
26,5
21,6
13,2
12,3
Outras atividades
Brincadeira / Diversão
Esporte / Arte
Cursos profissionalizantes
Ir à igreja
131
62
33
25
64,2
30,4
16,2
12,3
estava morando com família (n = 142)
não estava morando com família (n = 62)
100
95,2
Porcentagem de usuários
186
80
69,4
60
40
35,2
20
13,4
0
Uso no mês
Uso diário
Figura 1: Uso de drogas psicotrópicas, inclusive álcool e tabaco, entre 142 crianças e adolescentes que
estavam morando com suas famílias, comparativamente aos 62 que não estavam, entrevistados em Belo
Horizonte. São apresentados os parâmetros uso no mês (ao menos uma vez no mês que antecedeu a
pesquisa) e uso diário (cerca de 20 dias ou mais no mês que antecedeu a pesquisa).
Belo Horizonte
187
Tabela 2: Uso de cada categoria de drogas psicotrópicas entre 204 crianças e adolescentes em situação de
rua entrevistados em Belo Horizonte.
Uso no ano*
N
%
Uso no mês**
N
%
Tabaco
94
46,1
76
37,3
Álcool
129
63,2
70
34,3
110
100
21
39
53,9
49,0
10,3
19,1
60
41
10
13
29,4
20,1
4,9
6,4
63
30,9
46
22,5
24
1
28
4
59
4
0
11,8
0,5
13,7
2,0
28,9
2,0
0
9
0
14
1
44
1
0
4,4
0
6,9
0,5
21,6
0,5
0
Maconha
63
30,9
45
22,0
Cocaína e derivados
37
18,1
28
13,7
24
1
2
27
0
11,8
0,5
1,0
13,2
0
13
0
0
19
0
6,4
0
0
9,3
0
Medicamentos
1
0,5
0
0
Rohypnol®
Artane®
Benflogin®
1
0
0
0,5
0
0
0
0
0
0
0
0
13
6,4
5
2,5
4
2,0
1
0,5
Cerveja
Vinho
Pinga
Outra bebida
Solventes
Cola
Esmalte
Loló
Lança-perfume
Thinner
Benzina
Outros solventes
Cocaína cheirada
Cocaína injetada
Merla
Crack
Outra droga derivada da coca
Chá
Outras
Tabela 3: Freqüência do uso de drogas psicotrópicas no mês que antecedeu a pesquisa entre 204 crianças
e adolescentes em situação de rua entrevistados em Belo Horizonte.
“Quase todos os dias”
(20 ou mais dias)*
N
%
“Alguns dias”
(4 a 19 dias)**
N
%
“Poucos dias”
(1 a 3 dias)***
N
%
Tabaco
50
24,5
24
11,8
3
1,5
Álcool
6
2,9
39
19,1
25
12,3
Solventes
26
12,7
16
7,8
3
1,5
Maconha
18
8,8
21
10,3
7
3,4
6
2,9
12
5,9
10
4,9
Cocaína e derivados
Medicamentos
0
0
0
0
0
0
Chá
0
0
2
1,0
3
1,5
Outras
0
0
1
0
0
0,5
***uso diário: cerca de 20 ou mais dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso pesado)
***uso semanal: cerca de 4 a 19 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso moderado)
***uso mensal: cerca de 1 a 3 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso leve)
Região Sudeste
**uso no ano: ao menos uma vez no ano que antecedeu a pesquisa
**uso no mês: ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa
188
Belo Horizonte
Tabela 4: Formas de aquisição das drogas psicotrópicas (no mês que antecedeu a pesquisa) entre 204
crianças e adolescentes em situação de rua entevistados em Belo Horizonte.
N
%
Tabaco
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
64
0
49
31,4
0
24,0
Álcool
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
51
0
43
25,0
0
21,1
Solventes
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
30
4
25
7
14,7
2,0
12,3
3,4
Medicamentos
Comprou pessoalmente na farmácia
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
1
0
0
0
0,5
0
0
0
Tabela 5: Comportamentos de risco associados ao uso de drogas psicotrópicas, na vida (ocorreu ao menos
uma vez na vida), entre 204 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Belo Horizonte.
N
Ficou mais bravo, solto e irritou os outros
%
50
24,5
Ficou mole e os outros te prejudicaram (roubaram, bateram)
50
24,5
Andou pelas ruas sem cuidado, com risco de ser atropelado
47
23,0
Transou sem camisinha
47
23,0
Foi roubar
38
18,6
Já adormeceu com o saquinho de solvente perto do rosto
33
16,2
4
2,0
Já usou drogas injetáveis
Tabela 6: Tentativas de parar ou diminuir o uso de alguma droga psicotrópica entre 204 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Belo Horizonte
N
%
Já tentou parar
Sim
Não
91
73
44,6
35,8
Como tentou parar
(quem ajudou)
Tentei sozinho
Alguém de instituição (educador, assistente social)
Alguém da família
Tentei com um amigo
Alguém de igreja
Alguém de hospital ou posto de saúde (médico, enfermeiro)
Outros
52
32
13
5
14
4
6
25,5
15,7
6,4
2,5
6,9
2,0
2,9
Tabela 7: Expectativa de vida de 204 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Belo
Horizonte. Estão apresentadas as sete expectativas mais citadas.
N
%
Trabalhar
85
41,7
Conseguir lugar para morar
39
19,1
Estudar
36
17,6
Melhorar sua relação com a família
26
12,7
Ocupar melhor o tempo (recreações, esportes etc.)
13
6,4
Conseguir usar menos drogas ou parar de usar
8
3,9
Resolver problemas pessoais
6
2,9
189
Rio de Janeiro
Capital do Estado do Rio de Janeiro
Equipe
coordenação
Izabel Martins
supervisão
João Carlos Dias
entrevistadora
Rio de Janeiro
5.857.904 habitantes
Processo de mapeamento e coleta de dados
Foram mapeadas no Rio de Janeiro várias instituições
que ofereciam assistência a crianças e adolescentes em
situação de rua, tanto em sede quanto na rua. Para o
levantamento foram selecionadas três instituições que
preenchiam os critérios de inclusão. Todas com trabalhos realizados em sede.
Nestas instituições foram realizadas 138 entrevistas, das
quais três foram excluídas da amostra durante o processo de crítica dos dados (vide motivos de exclusão Tabela 2, pág. 22).
Total de entrevistas válidas: 135
Resultados
comparados aos da amostra global brasileira (27 capitais)
Características sociodemográficas da amostra
pesquisada (Tabela 1):
A amostra pesquisada no Rio de Janeiro se diferenciou
da amostra global das 27 capitais brasileiras. Houve predomínio de jovens que não estavam estudando (88,1%),
que não estavam morando com família (65,9%) e com
maior período na rua (89,7% ficando 6 ou mais horas/
dia).
Uso de drogas em geral (Figura 1):
As especificidades da amostra justificam os maiores índices de uso de drogas comparado à amostra global. No
entanto, chama a atenção a elevada proporção de usuários entre os que estavam morando com família (n=46),
dado que contrasta com a menor prevalência observada
neste grupo para as demais capitais.
........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
(IBGE – censo 2000)
As principais drogas mencionadas – uso no mês
(Tabelas 2 e 3):
O perfil de uso de drogas também se diferenciou da
amostra global. O consumo de tabaco apresentou prevalência muito superior, de uso no mês (n=109) e em freqüência diária (n=99). A maconha foi a segunda droga
mais consumida (80 casos de uso mês, 50 dos quais com
consumo diário), valores estes superiores às demais capitais. Os solventes/inalantes também foram muito mencionados, em grande variedade (thinner, cola e loló) e com
elevado número de consumidores diários (n=42). Para as
bebidas alcoólicas os índices foram mais semelhantes aos
da amostra global.
Entre os derivados da coca, além do cloridrato “cheirado” (n=35), 43 entrevistados mencionaram outras formas de uso (predominantemente a mistura de “pó” fumado em mistura com maconha ou haxixe). Os índices
também superaram muito ao observado na maioria das
demais capitais. Foram apenas 2 os casos de uso de medicamentos psicotrópicos.
Outros resultados (Tabelas 4, 5, 6):
Os valores observados para as formas de aquisição, comportamentos de risco associados ao consumo e tentativas de parar ou diminuir o uso, foram relativamente
semelhantes aos da amostra global.
Expectativas de vida (Tabela 7):
Assim como nas demais capitais, entre a maioria dos entrevistados, foram observadas várias expectativas básicas
de vida (trabalhar, conseguir lugar para morar, estudar,
entre outras). Muitas dessas expectativas são, na verdade,
direitos de todas as crianças e adolescentes brasileiros.
Comparação com os levantamentos anteriores: 19931997 (Tabela 8 e Figura 2):
A comparação dos levantamentos indicou aumento do
consumo de várias drogas pesquisadas: tabaco, solventes, maconha e derivados da coca. Diminuíram apenas
os índices de consumo de bebidas alcoólica.
Região Sudeste
•
Letícia Costa Barbosa
Fernanda Canavêz
Cláudia Durce Alvernaz
Paulo Mittelman
Helena Bastos
Ana Maria Ferreira de Araújo
Mirla Ferreira
Eliane Vieira Pereira
Rio de Janeiro
Tabela 1: Características sociodemográficas de 135 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados no Rio de Janeiro.
N
%
Sexo
Masculino
Feminino
104
31
77,0
23,0
Idade
(anos)
9 a 11
12 a 14
15 a 18
Não sabia
5
54
76
0
3,7
40,0
56,3
0
Situação escolar
(ensino formal)
Nunca havia estudado
Estava estudando
Havia parado de estudar
3
13
119
2,2
9,6
88,1
Situação familiar
(morar com a família)
Sim
Não
46
89
34,1
65,9
Diversão, liberdade, falta de outra atividade
Sustento para si e/ou família
Relações familiares ruins (conflitos, agressões)
Acompanhar parente ou amigo
Mudança de estrutura familiar
(morte de mãe/pai ou casamento de um deles)
10
14
51
16
4
7,4
10,4
37,8
11,9
3,0
Anos em situação de rua
Menos de 1 ano
1 a 5 anos
Mais de 5 anos
Não se lembrava
39
63
32
1
28,9
46,7
23,7
0,7
Horas na rua por dia
1 a 5 horas
6 horas ou mais
14
121
10,3
89,7
Formas de sustento
(as 5 mais citadas)
Pedia dinheiro
Furtava, roubava
Vigiava carros
Vendia coisas
Entregava / vendia drogas
78
47
32
15
5
57,8
34,8
23,7
11,1
3,7
Outras atividades
Brincadeira / Diversão
Esporte / Arte
Cursos profissionalizantes
Ir à igreja
39
22
14
8
28,9
16,3
10,4
5,9
Motivos atribuídos
para a situação de rua
estava morando com família (n = 46)
não estava morando com família (n = 89)
100
94,4
Porcentagem de usuários
190
80
82,6
76,1
80,9
60
40
20
0
Uso no mês
Uso diário
Figura 1: Uso de drogas psicotrópicas, inclusive álcool e tabaco, entre 46 crianças e adolescentes que
estavam morando com suas famílias, comparativamente aos 89 que não estavam, entrevistados no Rio de
Janeiro. São apresentados os parâmetros uso no mês (ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa) e uso diário (cerca de 20 dias ou mais no mês que antecedeu a pesquisa).
Rio de Janeiro
191
Tabela 2: Uso de cada categoria de drogas psicotrópicas entre 135 crianças e adolescentes em situação de
rua entrevistados no Rio de Janeiro.
Uso no ano*
N
%
Uso no mês**
N
%
Tabaco
116
85,9
109
80,7
Álcool
83
61,5
51
37,8
62
66
13
35
45,9
48,9
9,6
25,9
39
27
4
23
28,9
20,0
3,0
17,0
83
61,5
69
51,1
55
1
50
15
68
6
2
40,7
0,7
37,0
11,1
50,4
4,4
1,5
39
1
36
9
55
3
0
28,9
0,7
26,7
6,7
40,7
2,2
0
Maconha
91
67,4
80
59,3
Cocaína e derivados
68
50,4
61
45,2
48
3
0
9
44
35,6
2,2
0
6,7
32,6
35
1
0
5
43
25,9
0,7
0
3,7
31,9
Medicamentos
2
1,5
2
1,5
Rohypnol®
Artane®
Benflogin®
1
0
1
0,7
0
0,7
1
0
1
0,7
0
0,7
Chá
4
3,0
2
1,5
Outras
7
5,2
3
2,2
Cerveja
Vinho
Pinga
Outra bebida
Solventes
Cola
Esmalte
Loló
Lança-perfume
Thinner
Benzina
Outros solventes
Cocaína cheirada
Cocaína injetada
Merla
Crack
Outra droga derivada da coca
Tabela 3: Freqüência do uso de drogas psicotrópicas no mês que antecedeu a pesquisa entre 135 crianças
e adolescentes em situação de rua entrevistados no Rio de Janeiro.
“Quase todos os dias”
(20 ou mais dias)*
N
%
“Alguns dias”
(4 a 19 dias)**
N
%
“Poucos dias”
(1 a 3 dias)***
N
%
Tabaco
99
73,3
7
5,2
3
2,2
Álcool
2
1,5
30
22,2
19
14,1
Solventes
42
31,1
19
14,1
8
5,9
Maconha
50
37,0
19
14,1
11
8,1
Cocaína e derivados
10
7,4
23
17,0
28
20,7
Medicamentos
0
0
2
1,5
0
0
Chá
0
0
0
0
2
1,5
Outras
0
0
2
1,5
1
0,7
***uso diário: cerca de 20 ou mais dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso pesado)
***uso semanal: cerca de 4 a 19 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso moderado)
***uso mensal: cerca de 1 a 3 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso leve)
Região Sudeste
**uso no ano: ao menos uma vez no ano que antecedeu a pesquisa
**uso no mês: ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa
192
Rio de Janeiro
Tabela 4: Formas de aquisição das drogas psicotrópicas (no mês que antecedeu a pesquisa) entre 135
crianças e adolescentes em situação de rua entevistados no Rio de Janeiro.
N
%
Tabaco
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
93
6
66
68,8
4,4
48,9
Álcool
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
39
3
20
28,8
2,2
14,8
Solventes
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
33
10
23
35
24,4
7,4
17,0
25,9
Medicamentos
Comprou pessoalmente na farmácia
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
0
0
0
2
0
0
0
1,5
Tabela 5: Comportamentos de risco associados ao uso de drogas psicotrópicas, na vida (ocorreu ao menos
uma vez na vida), entre 135 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados no Rio de Janeiro.
N
Ficou mais bravo, solto e irritou os outros
%
57
42,2
Ficou mole e os outros te prejudicaram (roubaram, bateram)
40
29,6
Andou pelas ruas sem cuidado, com risco de ser atropelado
52
38,5
Transou sem camisinha
56
41,5
Foi roubar
58
43,0
Já adormeceu com o saquinho de solvente perto do rosto
33
24,4
Já usou drogas injetáveis
10
7,4
Tabela 6: Tentativas de parar ou diminuir o uso de alguma droga psicotrópica entre 135 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados no Rio de Janeiro.
N
%
Já tentou parar
Sim
Não
94
36
69,6
26,7
Como tentou parar
(quem ajudou)
Tentei sozinho
Alguém de instituição (educador, assistente social)
Alguém da família
Tentei com um amigo
Alguém de igreja
Alguém de hospital ou posto de saúde (médico, enfermeiro)
Outros
49
22
3
5
4
1
22
36,3
16,3
2,2
3,7
3,0
0,7
16,3
Tabela 7: Expectativa de vida de 135 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados no Rio de
Janeiro. Estão apresentadas as sete expectativas mais citadas.
N
%
Trabalhar
39
28,9
Conseguir lugar para morar
30
22,2
Estudar
25
18,5
Conseguir usar menos drogas ou parar de usar
16
11,9
Melhorar sua relação com a família
9
6,7
Resolver problemas pessoais
4
3,0
Não precisa de ajuda
3
2,2
Rio de Janeiro
193
Tabela 8: Uso de drogas psicotrópicas entre crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados no
Rio de Janeiro nos anos de 1993, 1997 e 2003. É apresentado o parâmetro de uso no mês (ao menos uma
vez no mês que antecedeu a pesquisa).
1993 (n = 110)
1997 (n = 89)
N
N
2003 (n = 135)
%
N
%
Tabaco
57
52,0
49
55,1
109
80,7
Álcool
37,8
54
49,0
38
42,7
51
Solvente
8
7,3
9
10,1
69
51,1
Maconha
22
20,0
35
39,3
80
59,3
Cocaína e derivados
13
11,8
15
16,8
61
45,2
1
0,9
1
1,1
0
0
1
0,9
0
0
1
0,7
1997 (n = 89)
2003 (n = 135)
Artane®
Rohypnol
®
100
Porcentagem de usuários
%
1993 (n = 110)
80
60
40
20
0
Tabaco
Álcool
Solventes
Maconha
Cocaína
Artane®
Rohypnol®
e derivados
Região Sudeste
Figura 2: Uso de drogas psicotrópicas entre crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados no
Rio de Janeiro nos anos de 1993, 1997 e 2003. É apresentado o parâmetro de uso no mês (ao menos uma
vez no mês que antecedeu a pesquisa).
195
São Paulo
Capital do Estado de São Paulo
Equipe
coordenação e supervisão
Cláudia Masur de Araújo Carlini
entrevistadores
•
São Paulo
10.434.252 habitantes
Foram mapeadas em São Paulo várias instituições que
ofereciam assistência a crianças e adolescentes em situação de rua, tanto em sede quanto na rua. Para o levantamento foram selecionadas quatro instituições que
preenchiam os critérios de inclusão. Todas com trabalhos realizados em sede.
Nestas instituições foram realizadas 46 entrevistas, das
quais quatro foram excluídas da amostra durante o processo de crítica dos dados (vide motivos de exclusão Tabela 2, pág. 22).
Total de entrevistas válidas: 42
Resultados
comparados aos da amostra global brasileira (27 capitais)
Características sociodemográficas da amostra
pesquisada (Tabela 1):
A amostra pesquisada em São Paulo se diferenciou muito da amostra global das 27 capitais brasileiras. Além do
número de entrevistas ter sido menor do que a expectativa para essa capital (vide metodologia), foi entrevistada uma maior proporção de jovens do sexo feminino
(42,9%), de 15 a 18 anos (64,3%), com mais de cinco
anos em situação de rua (45,2%). Quase a totalidade de
entrevistados relatou não morar com família (92,9%),
não estudar (100%) e passar seis ou mais horas/dia na
rua.
Uso de drogas em geral (Figura 1):
As especificidades da amostra justificam os maiores índices de uso de drogas (comparado à amostra global).
As principais drogas mencionadas – uso no mês
(Tabelas 2 e 3):
O perfil de uso de drogas também se diferenciou.
O consumo de tabaco apresentou prevalência superior,
de uso no mês (n=38, 90,5%) e em freqüência diária
(n=32). Os solventes/inalantes também foram muito
mencionados (n=38), especialmente a cola e o thinner,
com elevado número de consumidores diários (n=23). O
uso recente de maconha foi mencionado por 31 entrevistados, sendo 20 com uso diário. Entre os derivados da
coca, prevaleceu o consumo de crack (n=11), usado predominantemente na forma fumada em mistura com
maconha (mesclado). Não foi relatado consumo recente
de medicamentos psicotrópicos.
Outros resultados (Tabelas 4, 5, 6):
Os valores observados para as formas de aquisição, comportamentos de risco associados ao consumo e tentativas de parar ou diminuir o uso, foram relativamente
semelhantes aos da amostra global.
Expectativas de vida (Tabela 7):
Assim como nas demais capitais, entre a maioria dos entrevistados, foram observadas várias expectativas básicas
de vida (trabalhar, estudar, conseguir lugar para morar,
entre outras). Muitas dessas expectativas são, na verdade,
direitos de todas as crianças e adolescentes brasileiros.
Comparação com os levantamentos anteriores: 19871989-1993-1997 (Tabela 8 e Figura 2):
Em comparação com levantamentos anteriores, foram
observados índices mais elevados de consumo de várias
drogas pesquisadas: tabaco, bebidas alcoólicas, solventes e maconha.
Foi confirmado, em 2003, o considerável índice de uso
de crack (nesse ano usado na forma de mesclado) e o
desaparecimento de casos de uso recreativo de medicamentos psicotrópicos (já detectado na década de 1990).
Região Sudeste
Processo de mapeamento e coleta de dados
........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
(IBGE – censo 2000)
Arilton Martins Fonseca
Lúcio Garcia de Oliveira
Mirtes Veiga de Almeida
Salema
Yone Gonçalves de Moura
Zila van der Meer Sanchez
São Paulo
Tabela 1: Características sociodemográficas de 42 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em São Paulo.
N
%
Sexo
Masculino
Feminino
24
18
57,1
42,9
Idade
(anos)
9 a 11
12 a 14
15 a 18
Não sabia
1
14
27
0
2,4
33,3
64,3
0
Situação escolar
(ensino formal)
Nunca havia estudado
Estava estudando
Havia parado de estudar
1
0
41
2,4
0
97,6
Situação familiar
(morar com a família)
Sim
Não
3
39
7,1
92,9
Diversão, liberdade, falta de outra atividade
Sustento para si e/ou família
Relações familiares ruins (conflitos, agressões)
Acompanhar parente ou amigo
Mudança de estrutura familiar
(morte de mãe/pai ou casamento de um deles)
5
1
16
6
2
11,9
2,4
38,1
14,3
4,8
Anos em situação de rua
Menos de 1 ano
1 a 5 anos
Mais de 5 anos
Não se lembrava
7
16
19
0
16,7
38,1
45,2
0
Horas na rua por dia
1 a 5 horas
6 horas ou mais
2
40
4,8
95,2
Formas de sustento
(as 5 mais citadas)
Pedia dinheiro
Furtava, roubava
Vigiava carros
Vendia coisas
Fazia coisas para vender
37
26
21
11
8
88,1
61,9
50,0
26,2
19,0
Outras atividades
Brincadeira / Diversão
Esporte / Arte
Cursos profissionalizantes
Ir à igreja
23
14
2
1
54,8
33,3
4,8
2,4
Motivos atribuídos
para a situação de rua
estava morando com família (n = 3)
não estava morando com família (n = 39)
100
100,0
92,3
Porcentagem de usuários
196
80
60
66,7
66,7
40
20
0
Uso no mês
Uso diário
Figura 1: Uso de drogas psicotrópicas, inclusive álcool e tabaco, entre 3 crianças e adolescentes que estavam morando com suas famílias, comparativamente aos 39 que não estavam, entrevistados em São Paulo.
São apresentados os parâmetros uso no mês (ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa) e uso
diário (cerca de 20 dias ou mais no mês que antecedeu a pesquisa).
São Paulo
197
Tabela 2: Uso de cada categoria de drogas psicotrópicas entre 42 crianças e adolescentes em situação de
rua entrevistados em São Paulo.
Uso no ano*
N
%
Uso no mês**
N
%
Tabaco
39
92,9
38
90,5
Álcool
32
76,2
26
61,9
27
27
19
19
64,3
64,3
45,2
45,2
20
19
14
16
47,6
45,2
33,3
38,1
38
90,5
38
90,5
38
6
1
6
24
2
1
90,5
14,3
2,4
14,3
57,1
4,8
2,4
38
3
0
2
18
1
0
90,5
7,1
0
4,8
42,9
2,4
0
Maconha
34
81,0
31
73,8
Cocaína e derivados
22
52,4
13
31,0
15
0
4
15
5
35,7
0
9,5
35,7
11,9
6
0
3
11
5
14,3
0
7,1
26,2
11,9
Medicamentos
0
0
0
0
Rohypnol®
Artane®
Benflogin®
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
Chá
1
2,4
0
0
Outras
1
2,4
0
0
Cerveja
Vinho
Pinga
Outra bebida
Solventes
Cola
Esmalte
Loló
Lança-perfume
Thinner
Benzina
Outros solventes
Cocaína cheirada
Cocaína injetada
Merla
Crack
Outra droga derivada da coca
Tabela 3: Freqüência do uso de drogas psicotrópicas no mês que antecedeu a pesquisa entre 42 crianças e
adolescentes em situação de rua entrevistados em São Paulo.
“Quase todos os dias”
(20 ou mais dias)*
N
%
“Alguns dias”
(4 a 19 dias)**
N
%
“Poucos dias”
(1 a 3 dias)***
N
%
Tabaco
32
76,2
3
7,1
2
4,8
Álcool
3
7,1
16
38,1
7
16,7
Solventes
23
54,8
8
19,0
6
14,3
Maconha
20
47,6
11
26,2
0
0
Cocaína e derivados
4
9,5
4
9,5
5
11,9
Medicamentos
0
0
0
0
0
0
Chá
0
0
0
0
0
0
Outras
0
0
0
0
0
0
***uso diário: cerca de 20 ou mais dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso pesado)
***uso semanal: cerca de 4 a 19 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso moderado)
***uso mensal: cerca de 1 a 3 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso leve)
Região Sudeste
**uso no ano: ao menos uma vez no ano que antecedeu a pesquisa
**uso no mês: ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa
198
São Paulo
Tabela 4: Formas de aquisição das drogas psicotrópicas (no mês que antecedeu a pesquisa) entre 42
crianças e adolescentes em situação de rua entevistados em São Paulo.
N
%
Tabaco
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
33
3
28
78,6
7,1
66,7
Álcool
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
14
2
14
33,3
4,8
33,3
Solventes
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
22
10
14
16
52,4
23,8
33,3
38,1
Medicamentos
Comprou pessoalmente na farmácia
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
0
0
0
0
0
0
0
0
Tabela 5: Comportamentos de risco associados ao uso de drogas psicotrópicas, na vida (ocorreu ao menos
uma vez na vida), entre 42 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em São Paulo.
N
Ficou mais bravo, solto e irritou os outros
%
24
57,1
Ficou mole e os outros te prejudicaram (roubaram, bateram)
12
28,6
Andou pelas ruas sem cuidado, com risco de ser atropelado
14
33,3
Transou sem camisinha
16
38,1
Foi roubar
20
47,6
Já adormeceu com o saquinho de solvente perto do rosto
19
45,2
2
4,8
Já usou drogas injetáveis
Tabela 6: Tentativas de parar ou diminuir o uso de alguma droga psicotrópica entre 42 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em São Paulo.
N
%
Já tentou parar
Sim
Não
36
5
85,7
11,9
Como tentou parar
(quem ajudou)
Tentei sozinho
Alguém de instituição (educador, assistente social)
Alguém da família
Tentei com um amigo
Alguém de igreja
Alguém de hospital ou posto de saúde (médico, enfermeiro)
Outros
17
8
6
9
2
0
7
40,5
19,0
14,3
21,4
4,8
0
16,7
Tabela 7: Expectativa de vida de 42 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em São Paulo.
Estão apresentadas as sete expectativas mais citadas.
N
%
Conseguir lugar para morar
14
33,3
Trabalhar
13
31,0
Estudar
12
28,6
Melhorar sua relação com a família
11
26,2
Conseguir usar menos drogas ou parar de usar
11
26,2
Conseguir comida
6
14,3
Ocupar melhor o tempo (recreações, esportes etc.)
4
9,5
São Paulo
199
Tabela 8: Uso de drogas psicotrópicas entre crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em
São Paulo nos anos de 1987, 1989, 1993, 1997 e 2003. É apresentado o parâmetro de uso no mês (ao menos
uma vez no mês que antecedeu a pesquisa).
1989
(n = 108)
1993
(n = 138)
1997
(n = 114)
N
N
N
N
%
%
%
%
2003
(n = 42)
N
%
Tabaco
102
86,0
81
75,0
103
74,5
58
50,9
38
90,5
Álcool
61
51,0
56
52,0
49
35,5
37
32,4
26
61,9
Solvente
71
59,7
47
43,5
70
50,7
46
40,3
38
90,5
Maconha
52
43,7
27
25,0
43
31,1
38
33,3
31
73,8
Cocaína e derivados
13
10,9
5
4,6
41
29,7
29
25,4
13
31,0
Artane
22
18,5
11
10,2
1
0,7
0
0
0
0
Rohypnol®
11
9,2
7
6,5
0
0
1
0,9
0
0
®
100
Porcentagem de usuários
1987
(n = 119)
1987 (n = 119)
1989 (n = 108)
1993 (n = 138)
1997 (n = 114)
2003 (n = 42)
80
60
40
20
0
Tabaco
Álcool
Solventes
Maconha
Cocaína
Artane®
Rohypnol®
e derivados
Região Sudeste
Figura 2: Uso de drogas psicotrópicas entre crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em
São Paulo nos anos de 1987, 1989, 1993, 1997 e 2003. É apresentado o parâmetro de uso no mês (ao menos
uma vez no mês que antecedeu a pesquisa).
201
Vitória
Capital do Estado do Espírito Santo
Equipe
coordenação
Roney Welinton D. Oliveira
supervisão
Ester Mayuki Nakamura Palacios
Vitória
292.304 habitantes
Processo de mapeamento e coleta de dados
Foram mapeados em Vitória dois serviços que ofereciam
assistência a crianças e adolescentes em situação de rua.
Ambos foram incluídos neste levantamento. Todas as
entrevistas foram realizadas nas ruas em diferentes regiões da capital.
Foram realizadas 20 entrevistas.
Total de entrevistas válidas: 20
Resultados
comparados aos da amostra global brasileira (27 capitais)
Características sociodemográficas da amostra
pesquisada (Tabela 1):
A amostra pesquisada em Vitória não se diferenciou
muito da amostra global das 27 capitais brasileiras, mas
teve como peculiaridades o pequeno número de entrevistas com jovens do sexo feminino (apenas duas), menor faixa etária (50% com menos de 15 anos), maior
número de horas na rua (85% com seis ou mais horas/
dia) e ausência de relatos de práticas de esportes, arte,
cursos, entre outros.
Uso de drogas em geral (Figura 1):
Foi observada uma porcentagem relativamente semelhante à amostra global de jovens que relataram consumo de drogas, tanto entre os que estavam morando
com família (n= 12) quanto entre os que não estavam
(n= 8).
........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
(IBGE – censo 2000)
Livia Carla Silva de Melo
Rahaela Schmitd Ferreira
As principais drogas mencionadas – uso no mês
(Tabelas 2 e 3):
O tabaco foi a droga com os maiores índices de uso no
mês (e em freqüência diária), seguido pelas bebidas alcoólicas (especialmente a cerveja). Em relação aos solventes/inalantes, foram 7 os relatos de uso no mês (de
thinner), 6 deles com frequência diária. O uso recente de
maconha foi mencionado por 5 entrevistados (2 com
uso diário) e o de derivados da coca foram 3 casos (os 3
haviam usado crack no mês). Não foi relatado consumo
recente de medicamentos psicotrópicos.
Outros resultados (Tabelas 4, 5, 6):
Os valores observados para as formas de aquisição, comportamentos de risco associados ao consumo e tentativas de parar ou diminuir o uso, foram relativamente
semelhantes aos da amostra global.
Expectativas de vida (Tabela 7):
Assim como nas demais capitais, entre a maioria dos entrevistados, foram observadas várias expectativas básicas de vida (trabalhar, estudar, conseguir lugar para
morar, entre outras). Muitas dessas expectativas são, na
verdade, direitos de todas as crianças e adolescentes brasileiros.
Região Sudeste
•
entrevistadores
Vitória
Tabela 1: Características sociodemográficas de 20 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Vitória.
N
%
Sexo
Masculino
Feminino
18
2
90,0
10,0
Idade
(anos)
9 a 11
12 a 14
15 a 18
Não sabia
6
4
10
0
30,0
20,0
50,0
0
Situação escolar
(ensino formal)
Nunca havia estudado
Estava estudando
Havia parado de estudar
2
8
10
10,0
40,0
50,0
Situação familiar
(morar com a família)
Sim
Não
12
8
60,0
40,0
Diversão, liberdade, falta de outra atividade
Sustento para si e/ou família
Relações familiares ruins (conflitos, agressões)
Acompanhar parente ou amigo
Mudança de estrutura familiar
(morte de mãe/pai ou casamento de um deles)
1
7
3
3
0
5,0
35,0
15,0
15,0
0,0
Anos em situação de rua
Menos de 1 ano
1 a 5 anos
Mais de 5 anos
Não se lembrava
5
6
8
1
25,0
30,0
40,0
5,0
Horas na rua por dia
1 a 5 horas
6 horas ou mais
3
17
15,0
85,0
Formas de sustento
(as 5 mais citadas)
Vigiava carros
Pedia dinheiro
Vendia coisas
Furtava, roubava
Fazia coisas para vender
10
11
5
1
0
50,0
55,0
25,0
5,0
0
Outras atividades
Brincadeira / Diversão
Esporte / Arte
Cursos profissionalizantes
Ir à igreja
7
0
0
0
35,0
0
0
0
Motivos atribuídos
para a situação de rua
estava morando com família (n = 12)
não estava morando com família (n = 8)
100
Porcentagem de usuários
202
100,0
80
87,5
60
40
25,0
20
8,3
0
Uso no mês
Uso diário
Figura 1: Uso de drogas psicotrópicas, inclusive álcool e tabaco, entre 12 crianças e adolescentes que
estavam morando com suas famílias, comparativamente aos 8 que não estavam, entrevistados em Vitória.
São apresentados os parâmetros uso no mês (ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa) e uso
diário (cerca de 20 dias ou mais no mês que antecedeu a pesquisa).
Vitória
203
Tabela 2: Uso de cada categoria de drogas psicotrópicas entre 20 crianças e adolescentes em situação de
rua entrevistados em Vitória.
Uso no ano*
N
Uso no mês**
%
N
%
Tabaco
11
55,0
9
45,0
Álcool
8
40,0
7
35,0
8
4
2
1
40,0
20,0
10,0
5,0
7
1
2
0
35,0
5,0
10,0
0
7
35,0
7
35,0
3
0
0
0
7
0
0
15,0
0
0
0
35,0
0
0
0
0
0
0
7
0
0
0
0
0
0
35,0
0
0
Maconha
6
30,0
5
25,0
Cocaína e derivados
4
20,0
3
15,0
2
0
0
4
0
10,0
0
0
20,0
0
1
0
0
3
0
5,0
0
0
15,0
0
Medicamentos
0
0
0
0
Rohypnol®
Artane®
Benflogin®
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
Chá
1
5,0
1
5,0
Outras
0
0
0
0
Cerveja
Vinho
Pinga
Outra bebida
Solventes
Cola
Esmalte
Loló
Lança-perfume
Thinner
Benzina
Outros solventes
Cocaína cheirada
Cocaína injetada
Merla
Crack
Outra droga derivada da coca
Tabela 3: Freqüência do uso de drogas psicotrópicas no mês que antecedeu a pesquisa entre 20 crianças e
adolescentes em situação de rua entrevistados em Vitória.
“Quase todos os dias”
(20 ou mais dias)*
“Alguns dias”
(4 a 19 dias)**
“Poucos dias”
(1 a 3 dias)***
N
%
N
%
N
%
Tabaco
6
30,0
2
10,0
1
5,0
Álcool
0
0
2
10,0
5
25,0
Solventes
6
30,0
1
5,0
0
0
Maconha
2
10,0
1
5,0
2
10,0
Cocaína e derivados
1
5,0
0
0
2
10,0
Medicamentos
0
0
0
0
0
0
Chá
0
0
0
0
1
5,0
Outras
0
0
0
0
0
0
***uso diário: cerca de 20 ou mais dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso pesado)
***uso semanal: cerca de 4 a 19 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso moderado)
***uso mensal: cerca de 1 a 3 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso leve)
Região Sudeste
**uso no ano: ao menos uma vez no ano que antecedeu a pesquisa
**uso no mês: ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa
204
Vitória
Tabela 4: Formas de aquisição das drogas psicotrópicas (no mês que antecedeu a pesquisa) entre 20
crianças e adolescentes em situação de rua entevistados em Vitória.
N
%
Tabaco
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
6
0
4
30,0
0
20,0
Álcool
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
3
0
3
15,0
0
15,0
Solventes
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
1
1
6
0
5,0
5,0
30,0
0
Medicamentos
Comprou pessoalmente na farmácia
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
0
0
0
0
0
0
0
0
Tabela 5: Comportamentos de risco associados ao uso de drogas psicotrópicas, na vida (ocorreu ao menos
uma vez na vida), entre 20 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Vitória.
N
%
4
20,0
Ficou mole e os outros te prejudicaram (roubaram, bateram)
6
30,0
Andou pelas ruas sem cuidado, com risco de ser atropelado
3
15,0
Transou sem camisinha
4
20,0
Foi roubar
4
20,0
Já adormeceu com o saquinho de solvente perto do rosto
2
10,0
Já usou drogas injetáveis
0
0
Ficou mais bravo, solto e irritou os outros
Tabela 6: Tentativas de parar ou diminuir o uso de alguma droga psicotrópica entre 20 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Vitória.
N
Já tentou parar
Sim
Não
Como tentou parar
(quem ajudou)
Tentei sozinho
Alguém de instituição (educador, assistente social)
Alguém da família
Tentei com um amigo
Alguém de igreja
Alguém de hospital ou posto de saúde (médico, enfermeiro)
Outros
%
11
5
55,0
25,0
6
1
1
0
0
0
4
30,0
5,0
5,0
0
0
0
20,0
Tabela 7: Expectativa de vida de 20 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Vitória.
Estão apresentadas as sete expectativas mais citadas.
N
%
Trabalhar
3
15,0
Estudar
3
15,0
Conseguir lugar para morar
1
5,0
Conseguir comida
1
5,0
Melhorar sua relação com a família
0
0
Resolver problemas pessoais
0
0
Conseguir usar menos drogas ou parar de usar
0
0
205
Região Sul
Dados Globais
Região Sul
Tabela 1: Características sociodemográficas de 395 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados nas capitais da Região Sul.
N
%
Sexo
Masculino
Feminino
279
116
70,6
29,4
Idade
(anos)
9 a 11
12 a 14
15 a 18
Não sabia
79
159
157
0
20,0
40,3
39,7
0
Situação escolar
(ensino formal)
Nunca havia estudado
Estava estudando
Havia parado de estudar
1
295
99
0,3
74,7
25,1
Situação familiar
(morar com a família)
Sim
Não
281
114
70,6
28,6
Diversão, liberdade, falta de outra atividade
Sustento para si e/ou família
Relações familiares ruins (conflitos, agressões)
Acompanhar parente ou amigo
Mudança de estrutura familiar
(morte de mãe/pai ou casamento de um deles)
268
42
85
136
39
67,8
10,6
21,5
34,4
9,9
Anos em situação de rua
Menos de 1 ano
1 a 5 anos
Mais de 5 anos
Não se lembrava
Em branco
93
208
78
15
1
23,5
52,7
19,7
3,8
0,2
Horas na rua por dia
1 a 5 horas
6 horas ou mais
275
118
69,6
29,9
Formas de sustento
(as 5 mais citadas)
Vigiava carros
Pedia dinheiro
Vendia coisas
Furtava, roubava
Fazia coisas para vender
104
70
46
36
11
26,3
17,7
11,6
9,1
2,8
Outras atividades
Brincadeira / Diversão
Esporte / Arte
Cursos profissionalizantes
Ir à igreja
281
133
137
39
71,1
33,7
34,7
9,9
Motivos atribuídos
para a situação de rua
estava morando com família (n = 281)
não estava morando com família (n = 114)
100
95,6
Porcentagem de usuários
206
80
82,5
60
40
39,1
20
14,2
0
Uso no mês
Uso diário
Figura 1: Uso de drogas psicotrópicas, inclusive álcool e tabaco, entre 281 crianças e adolescentes que
estavam morando com suas famílias, comparativamente aos 114 que não estavam, entrevistados nas
capitais da Região Sul. São apresentados os parâmetros uso no mês (ao menos uma vez no mês que
antecedeu a pesquisa) e uso diário (cerca de 20 dias ou mais no mês que antecedeu a pesquisa).
Dados Globais
207
Tabela 2: Uso de cada categoria de drogas psicotrópicas entre 395 crianças e adolescentes em situação de
rua entrevistados nas capitais da Região Sul.
Uso no ano*
N
%
Uso no mês**
N
%
Tabaco
174
44,1
146
37,0
Álcool
241
61,0
148
37,5
202
158
77
79
51,1
40,0
19,5
20,0
121
82
34
38
30,6
20,8
8,6
9,6
Cerveja
Vinho
Pinga
Outra bebida
Solventes
126
31,9
94
23,8
55
6
78
17
61
5
4
13,9
1,5
19,7
4,3
15,4
1,3
1,0
26
2
63
9
38
1
3
6,6
0,5
15,9
2,3
9,6
0,3
0,8
108
27,3
85
21,5
72
18,2
47
11,9
28
0
0
61
0
7,1
0
0
15,4
0
10
0
0
42
0
2,5
0,0
0
10,6
0
Medicamentos
2
0,5
0
0
Rohypnol®
Artane®
Benflogin®
1
0
1
0,3
0
0,3
0
0
0
0
0
0
Chá
6
1,5
2
0,5
Outras
8
1,8
5
1,3
Cola
Esmalte
Loló
Lança-perfume
Thinner
Benzina
Outros solventes
Maconha
Cocaína e derivados
Cocaína cheirada
Cocaína injetada
Merla
Crack
Outra droga derivada da coca
**uso no ano: ao menos uma vez no ano que antecedeu a pesquisa
**uso no mês: ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa
Tabela 3: Freqüência do uso de drogas psicotrópicas no mês que antecedeu a pesquisa entre 395 crianças
e adolescentes em situação de rua entrevistados nas capitais da Região Sul.
N
Tabaco
%
“Alguns dias”
(4 a 19 dias)**
N
%
“Poucos dias”
(1 a 3 dias)***
N
%
113
28,6
17
4,3
15
3,8
5
1,3
76
19,2
67
17,0
Solventes
62
15,7
19
4,8
13
3,3
Maconha
43
10,9
23
5,8
19
4,8
5
1,3
23
5,8
19
4,8
Álcool
Cocaína e derivados
Medicamentos
0
0
0
0
0
0
Chá
0
0
1
0,3
2
0,5
Outras
0
0
3
0,7
1
0,3
***uso diário: cerca de 20 ou mais dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso pesado)
***uso semanal: cerca de 4 a 19 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso moderado)
***uso mensal: cerca de 1 a 3 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso leve)
Região Sul
“Quase todos os dias”
(20 ou mais dias)*
208
Região Sul
Tabela 4: Formas de aquisição das drogas psicotrópicas (no mês que antecedeu a pesquisa) entre 395
crianças e adolescentes em situação de rua entevistados nas capitais da Região Sul.
N
%
Tabaco
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
129
10
71
32,7
2,5
18,0
Álcool
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
77
17
63
19,5
4,3
15,9
Solventes
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
46
4
49
11
11,6
1,0
12,4
2,8
Medicamentos
Comprou pessoalmente na farmácia
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
0
0
0
0
0
0
0
0
Tabela 5: Comportamentos de risco associados ao uso de drogas psicotrópicas, na vida (ocorreu ao menos
uma vez na vida), entre 395 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados nas capitais da
Região Sul.
N
Ficou mais bravo, solto e irritou os outros
%
115
29,1
Ficou mole e os outros te prejudicaram (roubaram, bateram)
91
23,0
Andou pelas ruas sem cuidado, com risco de ser atropelado
98
24,8
Transou sem camisinha
65
16,5
Foi roubar
76
19,2
Já adormeceu com o saquinho de solvente perto do rosto
40
10,1
6
1,5
Já usou drogas injetáveis
Tabela 6: Tentativas de parar ou diminuir o uso de alguma droga psicotrópica entre 395 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados nas capitais da Região Sul.
N
Já tentou parar
Sim
Não
Como tentou parar
(quem ajudou)
Tentei sozinho
Alguém de instituição (educador, assistente social)
Alguém da família
Tentei com um amigo
Alguém de igreja
Alguém de hospital ou posto de saúde (médico, enfermeiro)
Outros
%
151
189
38,2
47,8
86
24
24
18
4
5
15
21,8
6,1
6,1
4,6
1,0
1,3
3,8
Tabela 7: Expectativa de vida de 395 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados nas capitais
da Região Sul. Estão apresentadas as sete expectativas mais citadas.
N
Trabalhar
%
128
32,4
77
19,5
Conseguir lugar para morar
48
12,2
Melhorar sua relação com a família
34
8,6
Conseguir usar menos drogas ou parar de usar
31
7,8
Ocupar melhor o tempo (recreações, esportes etc.)
24
6,1
Resolver problemas pessoais
15
3,8
Estudar
209
Curitiba
Capital do Estado do Paraná
Equipe
coordenação
Otávio José Marques da Silva
supervisão
Lia Rieck
entrevistadores
•
Rinaldo Francisco Villarinho
Rosangela Batista
Curitiba
1.587.315 habitantes
Foram mapeadas em Curitiba duas instituições que ofereciam assistência a crianças e adolescentes em situação
de rua. Ambas com trabalhos realizados em sede.
Nestas duas instituições foram realizadas 161 entrevistas.
Total de entrevistas válidas: 161
Resultados
comparados aos da amostra global brasileira (27 capitais)
Características sociodemográficas da amostra
pesquisada (Tabela 1):
A amostra pesquisada em Curitiba não se diferenciou
muito da amostra global das 27 capitais brasileiras, mas
apresentou algumas especificidades. Foi entrevistada
uma proporção maior de jovens do sexo feminino, menor faixa etária (71,4% com menos de 15 anos), morando com família (70,8%), estudando (67,1%) e com menos horas/dia na rua (73,9%).
Uso de drogas em geral (Figura 1):
As especificidades da amostra justificam os menores índices de uso de drogas (comparado à amostra global).
No entanto, quando analisados separadamente, os subgrupos dos que estavam morando com família (n= 114)
e os que não estavam (n= 47), os índices foram relativamente semelhantes ao perfil da amostra global.
As principais drogas mencionadas – uso no mês
(Tabelas 2 e 3):
O tabaco foi a droga com os maiores índices de uso no
mês (e em freqüência diária), seguido pelas bebidas alcoólicas. Entre as bebidas, além da cerveja, destacou-se
o consumo de vinho. Entre os solventes/inalantes, predominou o consumo de thinner (34 casos de uso no
mês) e em elevada freqüência de uso (19 casos com uso
diário). O consumo de maconha no mês foi relatado por
34 entrevistados (12 com uso diário). Em relação aos
derivados da coca, destacou-se o consumo de crack (26
casos de uso no mês), proporcionalmente superior ao
observado na amostra global. Não foi relatado consumo recente de medicamentos psicotrópicos.
Outros resultados (Tabelas 4, 5, 6):
Os valores observados para as formas de aquisição, comportamentos de risco associados ao consumo e tentativas de parar ou diminuir o uso, foram relativamente
semelhantes aos da amostra global.
Expectativas de vida (Tabela 7):
Assim como nas demais capitais, entre a maioria dos entrevistados, foram observadas várias expectativas básicas de vida (trabalhar, estudar, usar menos drogas, conseguir lugar para morar, entre outras). Muitas dessas
expectativas são, na verdade, direitos de todas as crianças e adolescentes brasileiros.
Região Sul
Processo de mapeamento e coleta de dados
........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
(IBGE – censo 2000)
Curitiba
Tabela 1: Características sociodemográficas de 161 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Curitiba.
N
%
Sexo
Masculino
Feminino
99
62
61,5
38,5
Idade
(anos)
9 a 11
12 a 14
15 a 18
Não sabia
39
76
46
0
24,2
47,2
28,6
0
Situação escolar
(ensino formal)
Nunca havia estudado
Estava estudando
Havia parado de estudar
0
108
53
0
67,1
32,9
Situação familiar
(morar com a família)
Sim
Não
114
47
70,8
29,2
Diversão, liberdade, falta de outra atividade
Sustento para si e/ou família
Relações familiares ruins (conflitos, agressões)
Acompanhar parente ou amigo
Mudança de estrutura familiar
(morte de mãe/pai ou casamento de um deles)
126
14
38
88
17
78,3
8,7
23,6
54,7
10,6
Anos em situação de rua
Menos de 1 ano
1 a 5 anos
Mais de 5 anos
Não se lembrava
46
97
16
2
28,6
60,2
9,9
1,2
Horas na rua por dia
1 a 5 horas
6 horas ou mais
Em branco
119
41
1
73,9
25,5
0,6
Formas de sustento
(as 5 mais citadas)
Vigiava carros
Pedia dinheiro
Furtava, roubava
Vendia coisas
Entregava / vendia drogas
37
24
18
17
6
23,0
14,9
11,2
10,6
3,7
Outras atividades
Brincadeira / Diversão
Esporte / Arte
Cursos profissionalizantes
Ir à igreja
123
8
78
18
76,4
5,0
48,4
11,2
Motivos atribuídos
para a situação de rua
estava morando com família (n = 114)
não estava morando com família (n = 47)
100
91,5
Porcentagem de usuários
210
80
80,9
60
40
33,3
20
12,3
0
Uso no mês
Uso diário
Figura 1: Uso de drogas psicotrópicas, inclusive álcool e tabaco, entre 114 crianças e adolescentes que
estavam morando com suas famílias, comparativamente aos 47 que não estavam, entrevistados em Curitiba. São apresentados os parâmetros uso no mês (ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa) e
uso diário (cerca de 20 dias ou mais no mês que antecedeu a pesquisa).
Curitiba
211
Tabela 2: Uso de cada categoria de drogas psicotrópicas entre 161 crianças e adolescentes em situação de
rua entrevistados em Curitiba.
Uso no ano*
N
%
Uso no mês**
N
%
Tabaco
73
45,3
60
37,3
Álcool
94
58,4
50
31,1
74
67
33
19
46,0
41,6
20,5
11,8
31
29
13
10
19,3
18,0
8,1
6,2
58
36,0
37
23,0
31
6
13
3
53
3
0
19,3
3,7
8,1
1,9
32,9
1,9
0
11
2
9
2
34
1
0
6,8
1,2
5,6
1,2
21,1
0,6
0
Maconha
48
29,8
34
21,1
Cocaína e derivados
35
21,7
27
16,8
11
0
0
32
0
6,8
0
0
19,9
0
2
0
0
26
0
1,2
0
0
16,1
0
Medicamentos
1
0,6
0
0
Rohypnol®
Artane®
Benflogin®
1
0
0
0,6
0
0
0
0
0
0
0
0
Chá
6
3,7
2
1,2
Outras
1
0,6
1
0,6
Cerveja
Vinho
Pinga
Outra bebida
Solventes
Cola
Esmalte
Loló
Lança-perfume
Thinner
Benzina
Outros solventes
Cocaína cheirada
Cocaína injetada
Merla
Crack
Outra droga derivada da coca
**uso no ano: ao menos uma vez no ano que antecedeu a pesquisa
**uso no mês: ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa
Tabela 3: Freqüência do uso de drogas psicotrópicas no mês que antecedeu a pesquisa entre 161 crianças
e adolescentes em situação de rua entrevistados em Curitiba.
N
%
“Alguns dias”
(4 a 19 dias)**
N
%
“Poucos dias”
(1 a 3 dias)***
N
%
Tabaco
49
30,4
6
3,7
5
3,1
Álcool
2
1,2
26
16,1
22
13,7
Solventes
19
11,8
10
6,2
8
5,0
Maconha
12
7,5
12
7,5
10
6,2
3
1,9
19
11,8
5
3,1
Cocaína e derivados
Medicamentos
0
0
0
0
0
0
Chá
0
0
1
0,6
2
1,2
Outras
0
0
1
0,6
0
0
***uso diário: cerca de 20 ou mais dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso pesado)
***uso semanal: cerca de 4 a 19 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso moderado)
***uso mensal: cerca de 1 a 3 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso leve)
Região Sul
“Quase todos os dias”
(20 ou mais dias)*
212
Curitiba
Tabela 4: Formas de aquisição das drogas psicotrópicas (no mês que antecedeu a pesquisa) entre 161
crianças e adolescentes em situação de rua entevistados em Curitiba.
N
%
Tabaco
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
52
3
32
32,3
1,9
19,9
Álcool
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
22
0
33
13,7
0
20,5
Solventes
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
21
0
26
12
13,0
0
16,1
7,5
Medicamentos
Comprou pessoalmente na farmácia
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
0
0
0
0
0
0
0
0
Tabela 5: Comportamentos de risco associados ao uso de drogas psicotrópicas, na vida (ocorreu ao menos
uma vez na vida), entre 161 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Curitiba.
N
Ficou mais bravo, solto e irritou os outros
%
51
31,7
Ficou mole e os outros te prejudicaram (roubaram, bateram)
32
19,9
Andou pelas ruas sem cuidado, com risco de ser atropelado
41
25,5
Transou sem camisinha
25
15,5
Foi roubar
36
22,4
Já adormeceu com o saquinho de solvente perto do rosto
16
9,9
2
1,2
Já usou drogas injetáveis
Tabela 6: Tentativas de parar ou diminuir o uso de alguma droga psicotrópica entre 161 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Curitiba.
N
%
Já tentou parar
Sim
Não
49
97
30,4
60,2
Como tentou parar
(quem ajudou)
Tentei sozinho
Alguém de instituição (educador, assistente social)
Alguém da família
Tentei com um amigo
Alguém de igreja
Alguém de hospital ou posto de saúde (médico, enfermeiro)
Outros
27
9
5
1
1
1
6
16,8
5,6
3,1
0,6
0,6
0,6
3,7
Tabela 7: Expectativa de vida de 161 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Curitiba.
Estão apresentadas as sete expectativas mais citadas.
N
%
Trabalhar
68
42,2
Estudar
59
36,6
Conseguir usar menos drogas ou parar de usar
23
14,3
Conseguir lugar para morar
21
13,0
Ocupar melhor o tempo (recreações, esportes etc.)
19
11,8
Melhorar sua relação com a família
11
6,8
5
3,1
Resolver problemas pessoais
213
Florianópolis
Capital do Estado de Santa Catarina
Equipe
coordenação e supervisão
Tadeu Lemos
entrevistadores
Fernanda Lemos Pelandré
Jaira Freixiela Adamczyk
•
Florianópolis
342.315 habitantes
Foram mapeadas em Florianópolis duas instituições que
ofereciam assistência a crianças e adolescentes em situação de rua. Uma em sede e a outra na rua. A instituição
com sede encontrava-se em reforma, assim o estudo foi
realizado apenas na rua.
Foram realizadas 19 entrevistas, das quais uma foi excluída da amostra durante o processo de crítica dos dados
(vide motivos de exclusão Tabela 2, pág. 22).
Total de entrevistas válidas: 18
Resultados
comparados aos da amostra global brasileira (27 capitais)
Características sociodemográficas da amostra
pesquisada (Tabela 1):
A amostra pesquisada em Florianópolis não se diferenciou da amostra global das 27 capitais brasileiras, exceto
pelo pequeno número de entrevistas com jovens do sexo
feminino (apenas uma).
Uso de drogas em geral (Figura 1):
Foi observada uma porcentagem relativamente semelhante à amostra global de jovens que relataram consumo de drogas, tanto entre os que estavam morando
com família (n= 13) quanto entre os que não estavam
(n= 5).
As principais drogas mencionadas – uso no mês
(Tabelas 2 e 3):
O tabaco foi a droga com os maiores índices de uso no
mês (e em freqüência diária), seguido pelas bebidas alcoólicas (especialmente a cerveja). Em relação aos solventes, foram relativamente poucos os relatos de uso
(apenas dois casos de uso no mês). O uso recente de
maconha foi mencionado por 5 entrevistados (3 com
uso diário) e o de derivados da coca foram 2 casos (um
deles relatou uso de crack no mês).
Não foi relatado consumo recente de medicamentos
psicotrópicos.
Outros resultados (Tabelas 4, 5, 6):
Os valores observados para as formas de aquisição, comportamentos de risco associados ao consumo e tentativas de parar ou diminuir o uso, foram relativamente
semelhantes aos da amostra global.
Expectativas de vida (Tabela 7):
Assim como nas demais capitais, entre a maioria dos entrevistados, foram observadas várias expectativas básicas de vida (trabalhar, estudar, conseguir lugar para
morar, entre outras). Muitas dessas expectativas são, na
verdade, direitos de todas as crianças e adolescentes brasileiros.
Região Sul
Processo de mapeamento e coleta de dados
........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
(IBGE – censo 2000)
Florianópolis
Tabela 1: Características sociodemográficas de 18 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Florianópolis.
N
%
Sexo
Masculino
Feminino
17
1
94,4
5,6
Idade
(anos)
9 a 11
12 a 14
15 a 18
Não sabia
2
7
9
0
11,1
38,9
50,0
0
Situação escolar
(ensino formal)
Nunca havia estudado
Estava estudando
Havia parado de estudar
0
8
10
0
44,4
55,6
Situação familiar
(morar com a família)
Sim
Não
13
5
72,2
27,8
Diversão, liberdade, falta de outra atividade
Sustento para si e/ou família
Relações familiares ruins (conflitos, agressões)
Acompanhar parente ou amigo
Mudança de estrutura familiar
(morte de mãe/pai ou casamento de um deles)
2
8
2
0
1
11,1
44,4
11,1
0,0
5,6
Anos em situação de rua
Menos de 1 ano
1 a 5 anos
Mais de 5 anos
Não se lembrava
8
6
3
0
44,5
33,3
16,7
0
Horas na rua por dia
1 a 5 horas
6 horas ou mais
8
10
44,4
55,6
Formas de sustento
(as 5 mais citadas)
Vigiava carros
Pedia dinheiro
Vendia coisas
Furtava, roubava
Transava por dinheiro
12
4
2
1
1
66,7
22,2
11,1
5,6
5,6
Outras atividades
Brincadeira / Diversão
Esporte / Arte
Cursos profissionalizantes
Ir à igreja
10
8
0
7
55,6
44,4
0
38,9
Motivos atribuídos
para a situação de rua
estava morando com família (n = 13)
não estava morando com família (n = 5)
100
Porcentagem de usuários
214
100,0
80
60
40
60,0
46,2
20
23,1
0
Uso no mês
Uso diário
Figura 1: Uso de drogas psicotrópicas, inclusive álcool e tabaco, entre 13 crianças e adolescentes que
estavam morando com suas famílias, comparativamente aos 5 que não estavam, entrevistados em Florianópolis. São apresentados os parâmetros uso no mês (ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa)
e uso diário (cerca de 20 dias ou mais no mês que antecedeu a pesquisa).
Florianópolis
215
Tabela 2: Uso de cada categoria de drogas psicotrópicas entre 18 crianças e adolescentes em situação de
rua entrevistados em Florianópolis.
Uso no ano*
Uso no mês**
N
%
N
%
Tabaco
9
50,0
8
44,4
Álcool
8
44,4
5
27,8
8
3
0
1
44,4
16,7
0
5,6
5
3
0
1
27,8
16,7
0
5,6
2
11,1
2
11,1
2
0
0
2
2
1
0
11,1
0
0
11,1
11,1
5,6
0
1
0
0
2
0
0
0
5,6
0
0
11,1
0
0
0
Maconha
5
27,8
5
27,8
Cocaína e derivados
3
16,7
2
11,1
2
0
0
2
0
11,1
0
0
11,1
0
1
0
0
1
0
5,6
0
0
5,6
0
Medicamentos
0
0
0
0
Rohypnol®
Artane®
Benflogin®
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
Chá
0
0
0
0
Outras
1
5,6
1
5,6
Cerveja
Vinho
Pinga
Outra bebida
Solventes
Cola
Esmalte
Loló
Lança-perfume
Thinner
Benzina
Outros solventes
Cocaína cheirada
Cocaína injetada
Merla
Crack
Outra droga derivada da coca
**uso no ano: ao menos uma vez no ano que antecedeu a pesquisa
**uso no mês: ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa
Tabela 3: Freqüência do uso de drogas psicotrópicas no mês que antecedeu a pesquisa entre 18 crianças e
adolescentes em situação de rua entrevistados em Florianópolis.
N
%
Tabaco
6
Álcool
1
Solventes
0
Maconha
3
Cocaína e derivados
1
Medicamentos
Chá
Outras
“Alguns dias”
(4 a 19 dias)**
“Poucos dias”
(1 a 3 dias)***
N
%
N
33,3
2
11,1
0
0
5,6
2
11,1
2
11,1
0
2
11,1
0
0
16,7
1
5,6
1
5,6
5,6
1
5,6
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
1
5,6
0
0
***uso diário: cerca de 20 ou mais dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso pesado)
***uso semanal: cerca de 4 a 19 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso moderado)
***uso mensal: cerca de 1 a 3 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso leve)
%
Região Sul
“Quase todos os dias”
(20 ou mais dias)*
216
Florianópolis
Tabela 4: Formas de aquisição das drogas psicotrópicas (no mês que antecedeu a pesquisa) entre 18
crianças e adolescentes em situação de rua entevistados em Florianópolis.
N
%
Tabaco
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
8
0
2
44,4
0
11,1
Álcool
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
3
2
1
16,7
11,1
5,6
Solventes
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
1
0
0
2
5,6
0
0
11,1
Medicamentos
Comprou pessoalmente na farmácia
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
0
0
0
0
0
0
0
0
Tabela 5: Comportamentos de risco associados ao uso de drogas psicotrópicas, na vida (ocorreu ao menos
uma vez na vida), entre 18 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Florianópolis.
N
%
6
33,3
Ficou mole e os outros te prejudicaram (roubaram, bateram)
3
16,7
Andou pelas ruas sem cuidado, com risco de ser atropelado
2
11,1
Transou sem camisinha
2
11,1
Foi roubar
4
22,2
Já adormeceu com o saquinho de solvente perto do rosto
2
11,1
Já usou drogas injetáveis
1
5,6
Ficou mais bravo, solto e irritou os outros
Tabela 6: Tentativas de parar ou diminuir o uso de alguma droga psicotrópica entre 18 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Florianópolis.
N
Já tentou parar
Sim
Não
Como tentou parar
(quem ajudou)
Tentei sozinho
Alguém de instituição (educador, assistente social)
Alguém da família
Tentei com um amigo
Alguém de igreja
Alguém de hospital ou posto de saúde (médico, enfermeiro)
Outros
%
10
3
55,5
16,7
6
3
3
0
0
0
0
33,3
16,7
16,7
0
0
0
0
Tabela 7: Expectativa de vida de 18 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Florianópolis. Estão apresentadas as sete expectativas mais citadas.
N
%
Trabalhar
3
16,7
Estudar
3
16,7
Conseguir lugar para morar
3
16,7
Melhorar sua relação com a família
3
16,7
Ocupar melhor o tempo (recreações, esportes etc.)
2
11,1
Conseguir usar menos drogas ou parar de usar
1
5,6
Conseguir comida
0
0
217
Porto Alegre
Capital do Estado do Rio Grande do Sul
Equipe
coordenação
Lucas Neiva-Silva
supervisão
Silvia Helena Koller
Helena Barros Tannhauser
entrevistadores
• Porto Alegre
1.360.590 habitantes
Foram mapeadas em Porto Alegre várias instituições que
ofereciam assistência a crianças e adolescentes em situação de rua, tanto em sede quanto na rua. Para o levantamento foram selecionadas 13 instituições que preenchiam os critérios de inclusão. Todas com trabalhos em
sede.
Nestas instituições foram realizadas 218 entrevistas, das
quais duas foram excluídas da amostra durante o processo de crírtica dos dados (vide motivos de exclusão
Tabela 2, pág. 22).
Total de entrevistas válidas: 216
Resultados
comparados aos da amostra global brasileira (27 capitais)
Características sociodemográficas da amostra
pesquisada (Tabela 1):
A amostra pesquisada em Porto Alegre não se diferenciou muito da amostra global das 27 capitais brasileiras,
exceto pela maior proporção de entrevistados que estavam estudando (82,9%) e com menos horas/dia na rua
(68,5% com menos de 6horas/dia).
Uso de drogas em geral (Figura 1):
Foi observada uma porcentagem relativamente semelhante à amostra global de jovens que relataram consumo de drogas, tanto entre os que estavam morando
com família (n= 154) quanto entre os que não estavam
(n= 62).
As principais drogas mencionadas – uso no mês
(Tabelas 2 e 3):
As bebidas alcoólicas (especialmente a cerveja) e o tabaco (em freqüência diária) foram as drogas com maiores
índices de uso no mês. Entre os solventes/inalantes, destacou-se o consumo de um produto denominado de
“loló” (54 casos de uso no mês) com freqüência de uso
elevada (43 jovens usando 20 ou mais dias/mês), mas
que, segundo informações locais, trata-se, na verdade,
de um removedor a base de tolueno. Os índices de uso
de drogas ilícitas (maconha e derivados da coca) foram
relativamente semelhantes aos observados na amostra
global. No entanto, vale mencionar o consumo de crack
(15 casos de uso no mês).
Não foi relatado consumo recente de medicamentos
psicotrópicos.
Outros resultados (Tabelas 4, 5, 6):
Os valores observados para as formas de aquisição, comportamentos de risco associados ao consumo e tentativas de parar ou diminuir o uso, foram relativamente
semelhantes aos da amostra global.
Expectativas de vida (Tabela 7):
Assim como nas demais capitais, entre a maioria dos entrevistados, foram observadas várias expectativas básicas de vida (trabalhar, conseguir lugar para morar, melhorar a relação familiar, estudar, entre outras). Muitas
dessas expectativas são, na verdade, direitos de todas as
crianças e adolescentes brasileiros.
Comparação com os levantamentos anteriores: 19871989-1993-1997 (Tabela 8 e Figura 2):
Comparado aos anos anteriores, foram observados menores índices de uso recente de tabaco e de solventes.
Para a maconha e as bebidas alcoólicas, o consumo foi
relativamente semelhante.
Foram confirmadas, em 2003, algumas constatações já
observadas na década de 90, como o aumento do consumo de derivados da coca e o desaparecimento de casos de uso recreativo de medicamentos psicotrópicos.
Região Sul
Processo de mapeamento e coleta de dados
........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
(IBGE – censo 2000)
Carmela Tubino, Carolina Seibel Chassot,
Cláudia Galvão Mazoni, Elder Cerqueira
Santos, Felipe Chitoni Bücker, Flávia
Cardozo de Mattos, Geraldine Fontana,
Iana Stadulne Aquino, Joana Plentz
Marquardt, Júlia Becker, Kátia Bones
Rocha, Lene Lima Santos, Lúcia M. Costa
Bohmgahren, Maristela Ferigolo,
Normanda A. de Morais,
Renata Reis Barros, Simone dos Santos
Paludo
Porto Alegre
Tabela 1: Características sociodemográficas de 216 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Porto Alegre.
N
%
Sexo
Masculino
Feminino
163
53
75,5
24,5
Idade
(anos)
9 a 11
12 a 14
15 a 18
Não sabia
38
76
102
0
17,6
35,2
47,2
0
Situação escolar
(ensino formal)
Nunca havia estudado
Estava estudando
Havia parado de estudar
1
179
36
0,5
82,9
16,7
Situação familiar
(morar com a família)
Sim
Não
154
62
71,3
28,7
Diversão, liberdade, falta de outra atividade
Sustento para si e/ou família
Relações familiares ruins (conflitos, agressões)
Acompanhar parente ou amigo
Mudança de estrutura familiar
(morte de mãe/pai ou casamento de um deles)
140
20
45
48
21
64,8
9,3
20,8
22,2
9,7
Anos em situação de rua
Menos de 1 ano
1 a 5 anos
Mais de 5 anos
Não se lembrava
39
105
59
13
18,0
48,6
27,3
6,0
Horas na rua por dia
1 a 5 horas
6 horas ou mais
Em branco
148
67
1
68,5
31,0
0,5
Formas de sustento
(as 5 mais citadas)
Vigiava carros
Pedia dinheiro
Vendia coisas
Furtava, roubava
Fazia coisas para vender
55
42
27
17
6
25,5
19,4
12,5
7,9
2,8
Outras atividades
Brincadeira / Diversão
Esporte / Arte
Cursos profissionalizantes
Ir à igreja
148
117
59
14
68,5
54,2
27,3
6,5
Motivos atribuídos
para a situação de rua
estava morando com família (n = 154)
não estava morando com família (n = 62)
100
98,4
Porcentagem de usuários
218
85,5
80
60
40
42,9
20
14,9
0
Uso no mês
Uso diário
Figura 1: Uso de drogas psicotrópicas, inclusive álcool e tabaco, entre 154 crianças e adolescentes que
estavam morando com suas famílias, comparativamente aos 62 que não estavam, entrevistados em Porto
Alegre. São apresentados os parâmetros uso no mês (ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa)
e uso diário (cerca de 20 dias ou mais no mês que antecedeu a pesquisa).
Porto Alegre
219
Tabela 2: Uso de cada categoria de drogas psicotrópicas entre 216 crianças e adolescentes em situação de
rua entrevistados em Porto Alegre.
Uso no ano*
N
%
Uso no mês**
N
%
Tabaco
92
42,6
78
36,1
Álcool
139
64,4
93
43,1
120
88
44
59
55,6
40,7
20,4
27,3
85
50
21
27
39,3
23,1
9,7
12,5
66
30,6
55
25,5
22
0
65
12
6
1
4
10,2
0
30,1
5,6
2,8
0,5
1,9
14
0
54
5
4
0
3
6,5
0,0
25,0
2,3
1,9
0
1,4
Maconha
55
25,5
46
21,3
Cocaína e derivados
34
15,7
18
8,3
15
0
0
27
0
6,9
0
0
12,5
0
7
0
0
15
0
3,2
0,0
0
6,9
0
Medicamentos
1
0,5
0
0
Rohypnol®
Artane®
Benflogin®
0
0
1
0
0
0,5
0
0
0
0
0
0
Chá
0
0
0
0
Outras
5
2,3
3
1,4
Cerveja
Vinho
Pinga
Outra bebida
Solventes
Cola
Esmalte
Loló
Lança-perfume
Thinner
Benzina
Outros solventes
Cocaína cheirada
Cocaína injetada
Merla
Crack
Outra droga derivada da coca
**uso no ano: ao menos uma vez no ano que antecedeu a pesquisa
**uso no mês: ao menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa
Tabela 3: Freqüência do uso de drogas psicotrópicas no mês que antecedeu a pesquisa entre 216 crianças
e adolescentes em situação de rua entrevistados em Porto Alegre.
N
%
“Alguns dias”
(4 a 19 dias)**
N
%
“Poucos dias”
(1 a 3 dias)***
N
%
Tabaco
58
26,9
9
4,2
10
4,6
Álcool
2
0,9
48
22,2
43
19,9
Solventes
43
19,9
7
3,2
5
2,3
Maconha
28
13,0
10
4,6
8
3,7
Cocaína e derivados
1
0,5
3
1,4
14
6,5
Medicamentos
0
0
0
0
0
0
Chá
0
0
0
0
0
0
Outras
0
0
1
0,5
2
0,9
***uso diário: cerca de 20 ou mais dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso pesado)
***uso semanal: cerca de 4 a 19 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso moderado)
***uso mensal: cerca de 1 a 3 dias no mês que antecedeu a pesquisa (uso leve)
Região Sul
“Quase todos os dias”
(20 ou mais dias)*
220
Porto Alegre
Tabela 4: Formas de aquisição das drogas psicotrópicas (no mês que antecedeu a pesquisa) entre 216
crianças e adolescentes em situação de rua entevistados em Porto Alegre.
N
%
Tabaco
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
69
7
37
31,9
3,2
17,1
Álcool
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
52
15
29
24,0
6,9
13,4
Solventes
Comprou pessoalmente no comércio
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
24
4
23
20
11,1
1,9
10,6
9,3
Medicamentos
Comprou pessoalmente na farmácia
Pediu para outro comprar
Pediu / ganhou de alguém
Outras fontes
0
0
0
0
0
0
0
0
Tabela 5: Comportamentos de risco associados ao uso de drogas psicotrópicas, na vida (ocorreu ao menos
uma vez na vida), entre 216 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Porto Alegre.
N
Ficou mais bravo, solto e irritou os outros
%
58
26,9
Ficou mole e os outros te prejudicaram (roubaram, bateram)
56
25,9
Andou pelas ruas sem cuidado, com risco de ser atropelado
55
25,5
Transou sem camisinha
38
17,6
Foi roubar
36
16,7
Já adormeceu com o saquinho de solvente perto do rosto
22
10,2
3
1,4
Já usou drogas injetáveis
Tabela 6: Tentativas de parar ou diminuir o uso de alguma droga psicotrópica entre 216 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Porto Alegre.
N
%
Já tentou parar
Sim
Não
92
89
42,6
41,2
Como tentou parar
(quem ajudou)
Tentei sozinho
Alguém de instituição (educador, assistente social)
Alguém da família
Tentei com um amigo
Alguém de igreja
Alguém de hospital ou posto de saúde (médico, enfermeiro)
Outros
53
12
16
17
3
4
9
24,5
5,6
7,4
7,9
1,4
1,9
4,2
Tabela 7: Expectativa de vida de 216 crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em Porto
Alegre. Estão apresentadas as sete expectativas mais citadas.
N
%
Trabalhar
57
26,4
Conseguir lugar para morar
24
11,1
Melhorar sua relação com a família
20
9,3
Estudar
15
6,9
Resolver problemas pessoais
10
4,6
Conseguir usar menos drogas ou parar de usar
7
3,2
Não precisa de ajuda
3
1,4
Porto Alegre
221
Tabela 8: Uso de drogas psicotrópicas entre crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em
Porto Alegre nos anos de 1987, 1989, 1993, 1997 e 2003. É apresentado o parâmetro de uso no mês (ao
menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa).
1989
(n = 55)
1993
(n = 95)
1997
(n = 97)
2003
(n = 216)
N
N
N
N
N
%
%
%
%
%
Tabaco
42
72,0
31
56,5
58
61,0
61
62,9
78
36,1
Álcool
27
46,5
30
54,5
45
47,5
29
29,9
93
43,1
Solvente
31
53,4
13
23,6
44
44,2
44
75,4
55
25,5
Maconha
17
29,3
9
16,4
23
24,2
22
22,7
46
21,3
2
3,4
1
1,8
3
3,1
10
10,3
18
8,3
Artane
5
8,6
2
3,6
0
0
0
0
0
0
Rohypnol®
1
1,7
0
0
0
0
0
0
0
0
Cocaína e derivados
®
100
Porcentagem de usuários
1987
(n = 58)
1987 (n = 58)
1989 (n = 55)
1993 (n = 95)
1997 (n = 97)
2003 (n = 216)
80
60
40
20
0
Tabaco
Álcool
Solventes
Maconha
Cocaína
Artane®
Rohypnol®
e derivados
Região Sul
Figura 2: Uso de drogas psicotrópicas entre crianças e adolescentes em situação de rua entrevistados em
Porto Alegre nos anos de 1987, 1989, 1993, 1997 e 2003. É apresentado o parâmetro de uso no mês (ao
menos uma vez no mês que antecedeu a pesquisa).
...............................
223
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ANEXOS
ANEXO 1
Carta de apresentação do CEBRID
UNIFESP
Universidade Federal de São Paulo
Escola Paulista de Medicina
Departamento de
Psicobiologia
CEBRID
Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas
São Paulo, 26 de setembro de 2003.
Ilmo(a). Coordenador(a)
Nome da Instituição
Capital - Estado
Prezado(a) Senhor(a),
Voltamos a contatar esta instituição para solicitar apoio para a realização do Levantamento
sobre o uso de drogas entre crianças e adolescentes em situação de rua em 27 capitais brasileiras
– 2003. O estudo está sendo realizado pelo CEBRID, em convênio com a SENAD; conta com a
colaboração da Secretaria Nacional de Direitos Humanos e, em sua segunda etapa, deverá contar
com o apoio financeiro da OEA (Organização dos Estados Americanos).
No primeiro momento, ao longo dos meses de Agosto e Setembro, realizamos um mapeamento de instituições que assistem crianças e adolescentes em situação de rua nas 27 capitais.
A partir de Outubro estaremos iniciando as entrevistas e, para tanto, vimos por meio desta solicitar
autorização para entrevistar os jovens entre 10 e 18 anos assistidos por sua instituição.
Cumpre ainda salientar que o estudo foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa da
UNIFESP e, de acordo com as diretrizes internacionais, é prevista a formalização do consentimento
de participação. O coordenador regional do estudo deverá apresentar o documento em duas vias, e
fornecer os esclarecimentos ou apresentar os documentos que a instituição julgar necessários.
Agradecemos antecipadamente.
Atenciosamente,
Dr. E. A. Carlini
Diretor do CEBRID
Rua Botucatu, 862 – Edifício Ciências Biomédicas - 1º andar - CEP 04023-062 - São Paulo – SP - Brasil
Tel.: (55) (011) 5539.0155
FAX (55-11) 5084-2793
site: http://www.cebrid.epm.br
e-mail: [email protected]
...............................
229
...............................
230
ANEXO 2
Carta de apresentação da SENAD
ANEXO 3
UNIFESP
Universidade Federal de São Paulo
Escola Paulista de Medicina
Departamento de
Psicobiologia
CEBRID
Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
Projeto: LEVANTAMENTO SOBRE O USO DE DROGAS ENTRE CRIANÇAS E ADOLESCENTES EM SITUAÇÃO DE RUA EM VINTE E SETE CAPITAIS BRASILEIRAS - 2003
Objetivo: O presente projeto tem por objetivo avaliar o consumo de drogas entre crianças e adolescentes em situação de rua no Brasil, a fim de subsidiar programas de saúde.
Procedimentos: O estudo será realizado entre os jovens em situação de rua, de 10 a 18 anos. A
participação no projeto envolve uma entrevista individual e anônima com cerca de 30 minutos, com
perguntas sobre características demográficas, consumo de drogas e conceitos relacionados. Vale
ressaltar que o relato é anônimo e as informações prestadas serão usadas exclusivamente para
finalidade de pesquisa. O conjunto de informações será analisado de forma global (por capital) e
publicado em relatório impresso, a ser distribuído e discutido entre os profissionais da área. A participação é voluntária, podendo ser interrompida pelo entrevistado a qualquer momento.
Em qualquer etapa do estudo você terá acesso aos profissionais responsáveis pela pesquisa para o
esclarecimento de eventuais dúvidas. Os principais investigadores são Ana Regina Noto e José Carlos
F. Galduróz, que podem ser encontrados no CEBRID (Rua Botucatu, 862 - 1º andar – 04023-062 –
São Paulo – SP – tel. (11) 5539.0155 ramal 125). O responsável pela pesquisa em sua capital (_______)
é _________________________(tel. _______________________). Caso você tenha alguma dúvida ou consideração sobre a ética da pesquisa, entre em contato com o Comitê de Ética em
Pesquisa (Rua Botucatu, 572 - 1º andar CJ 14 – 04023-062 – São Paulo - SP – tel. (11) 5571.1062 –
fax (11) 5539.7162 – e-mail: [email protected]).
Rua Botucatu, 862 – Edifício Ciências Biomédicas - 1º andar - CEP 04023-062 - São Paulo – SP - Brasil
Tel.: (55) (011) 5539.0155 FAX (55-11) 5084-2793
site: http://www.cebrid.epm.br
e-mail: [email protected]
...............................
231
...............................
232
Anexo 3
UNIFESP
Universidade Federal de São Paulo
Escola Paulista de Medicina
Departamento de
Psicobiologia
CEBRID
Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas
CONSENTIMENTO
Eu,__________________________________________________________________ acredito ter sido
suficientemente informado a respeito da pesquisa “Levantamento sobre o consumo de drogas entre
crianças e adolescentes em situação de rua em 27 capitais brasileiras”, discuti com
_______________________________ sobre a minha decisão em autorizar a participação dos jovens desta instituição.
Ficaram claros para mim quais são os propósitos do estudo, os procedimentos a serem
realizados; as garantias de confidencialidade e de esclarecimentos pertinentes.
Concordo voluntariamente em consentir a participação dos jovens assistidos por esta instituição, sabendo que poderei retirar o meu consentimento a qualquer momento, antes ou durante o
mesmo sem penalidades ou prejuízos.
____________________, ______ de ________________ de 2003.
_________________________________________________________
Assinatura do responsável
Instituição: _______________________________________________
Declaro que obtive de forma apropriada e voluntária este Consentimento livre e esclarecido, para a
participação da referida instituição neste estudo.
____________________________________________
____________________________
Coordenador do Estudo na Capital
Rua Botucatu, 862 – Edifício Ciências Biomédicas - 1º andar - CEP 04023-062 - São Paulo – SP - Brasil
Tel.: (55) (011) 5539.0155 FAX (55-11) 5084-2793
site: http://www.cebrid.epm.br
e-mail: [email protected]
25.
24.
23.
22.
21.
20.
19.
18.
17.
16.
15.
14.
13.
12.
11.
10.
9.
8.
7.
6.
5.
4.
3.
2.
1.
N:Não Estava
NOME e idade
Ok:entr. realizada
Dia
LISTA
T:não deu Tempo
___/___
___/___
R:Recusa
2º dia:
1º dia:
___/___
4º dia:
___/___
6º dia:
Período:
1ª semana
Nº do lote
final
Balanço
D:Dificuldade entend. ou comunicação
de __/__ a __/__
Repescagem
Balanço da
I:entr. Interrompida
___/___
7º dia:
C:Comport. alterado
___/___
5º dia:
A:estava em Atividade
___/___
3º dia:
Estado
LOTE: ______/________
Período da janela temporal (1ª semana) de ____/____ a ____/____ 2003
Ocorrências ao longo da janela temporal (1ª semana)
Instituição:_____________________________________________________
LEMBRETE: listar apenas crianças e adolescentes, entre 10 e 18 anos, que passem parte do tempo na rua.
LISTA-BASE DA SEMANA (em sede)
...............................
233
ANEXO 4
Número de perdas por outros motivos:___________
Número de perdas por dificuldades (de entendimento ou comunicação):__________
Número de perdas por recusa:_________________
Total de perdas:_____________________________
Perdas
Número de entrevistas realizadas na segunda semana (repescagem): ______________
Número de entrevistas realizadas na janela temporal (1ª semana):_________________
Total de entrevistas realizadas (1ª + repescagem): _____________________
Entrevistas realizadas
Número de crianças e adolescentes listados (lista-base): _____________________
FECHAMENTO DA INSTITUIÇÃO:________________________________________________
...............................
234
Anexo 4
ANEXO 5
...............................
235
...............................
236
Anexo 5
Anexo 5
...............................
237
...............................
238
Anexo 5
Anexo 5
...............................
239
...............................
240
Anexo 5
Anexo 5
...............................
241
...............................
242
Anexo 5
Anexo 5
...............................
243
...............................
244
Anexo 5
Anexo 5
...............................
245
...............................
246
Anexo 5
Projeto gráfico e capa: CLR Balieiro Editores
Fotolito, impressão e acabamento: Gráfica Ave-Maria
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Levantamento nacional sobre o uso de drogas entre crianças e
adolescentes em situação de rua nas 27 capitais brasileiras, 2003
[organização e redação Ana Regina Noto... [et al.]; fotos Déborah
Nappi, Sergio Santana Coimbra]. -- São Paulo : CEBRID -- Centro
Brasileiro de Informações Sobre Drogas Psicotrópicas, 2004.
Outros organizadores: Arilton Martins Fonseca, Claudia Masur de
Araujo Carlini, Fabio de Carvalho Mastroiani, José Carlos F. Galduróz,
Murilo Campos Battisti, Yone Gonçalves de Moura, E. A. Carlini
Apoio: SENAD - Secretaria Nacional Antidrogas -- CICAD Comissão Interamericana de Controle do Abuso de Drogas -- AFIP Associação Fundo de Incentivo à Psicofarmacologia.
Bibliografia.
1. Adolescentes - Uso de drogas 2. Capitias (Cidades) - Brasil 3.
Crianças - Uso de drogas 4. Crianças de rua - Brasil 5. Drogas - Abuso
- Levantamento I. Noto, Ana Regina. II. Fonseca, Arilton Martins. III.
Carlini, Claudia Masur Araujo. IV. Mastroiani, Fabio de Carvalho. V.
Galduróz, José Carlos F. VI. Battisti, Murilo Campos. VII. Moura, Yone
Gonçalves de. VIII. Carlini, E.A.
04-7542
CDD-362.290830981
Índices para catálogo sistemático:
1. Brasil : Crianças e adolescentes em situação de rua : Uso de
drogas : Levantamento nas capitais : Problemas
sociais 362.290830981
2. Uso de drogas : Levantamento nas capitais brasileiras :
Problemas sociais 362.290830981
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