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TRISTE FIM DE POLICARPO qUARESMA

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TRISTE FIM DE POLICARPO qUARESMA
Análise de obras literárias
TRISTE FIM DE POLICARPO qUARESMA
LIMA BARRETO
Rua General Celso de Mello Rezende, 301 – Tel.: (16) 3603·9700
CEP 14095-270 – Lagoinha – Ribeirão Preto-SP
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SumÁrio
1.
Contexto social e HISTóRICO..................................................... 7
2.Estilo literário da época............................................................ 8
3. O AUTOR...................................................................................................... 10
4. A OBRA......................................................................................................... 13
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5. Exercícios................................................................................................ 26
TRISTE FIM DE
POLICARPO qUARESMA
LIMA BARRETO
Triste fim de Policarpo Quaresma
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1. Contexto social e HISTóRICO
O período a que pertence o Pré-Modernismo coincidiu com o início do regime republicano (a República da Espada, de Deodoro a Floriano) e também com
a sua estabilização, liderado politicamente por dois estados (antigas províncias
na época do Império): São Paulo e Minas Gerais. Era a chamada política do café
com leite (iniciada com o governo civil de Prudente de Moraes).
Perdurando por mais de trinta anos, isto é, de 1894 a 1930, a República Velha
ou oligárquica destacou-se por ser um período de grande desenvolvimento, mas
também de inúmeras revoltas, repartindo assim o país em dois Brasis.
Nas regiões Sudeste e Sul, o trabalho foi intensificado pela imigração (italiana e alemã, por exemplo), substituindo a mão de obra escrava e impulsionando
cidades como São Paulo, que na época imperial, não passava de 35.000 habitantes; já o Nordeste, região massacrada por secas e pela política dos coronéis, não
tinha a mesma sorte. Devido a essa situação, líderes como Antônio Conselheiro
e Padre Cícero convenceram o povo a se revoltar contra qualquer tipo de desmando, surgindo assim as grandes revoltas, como a Guerra de Canudos. Mas não
podemos nos esquecer também de Lampião, Antônio Silvino e Corisco, líderes
do cangaço, que aterrorizaram o Sertão Nordestino.
Mas essas revoltas não foram somente exclusividade da região nordestina.
No Sudeste (São Paulo e Rio de Janeiro) e no Sul (Santa Catarina), o inconformismo também se fez presente.
No Rio, as pessoas se revoltaram contra a vacinação obrigatória do médico sanitarista Oswaldo Cruz. Da Marinha, surgiu a Revolta da Chibata, isto é,
marinheiros exigiam a extinção do castigo corporal, um dos temas tratados por
Adolfo Caminha (1867-1897) em seu romance O Bom Crioulo. Já em São Paulo,
greves operárias, decorrentes da Revolução Bolchevique de 1917, respaldadas pela
formação dos sindicatos, exigiram melhores condições para o trabalhador.
E foi nesse clima de inconformismo sociopolítico que surgiu a figura de
Lima Barreto, escritor extremamente crítico, como poderemos notar na leitura
da análise de Triste fim de Policarpo Quaresma.
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Lima Barreto
2.Estilo literário da época
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Triste fim de Policarpo Quaresma
Coincidindo com a chamada belle époque, o Pré-Modernismo não é propriamente uma escola literária, e sim um período eclético, por apresentar autores de
características diferentes. O nome foi sugerido pelo crítico modernista Tristão
de Ataíde (1893-1983). Ao estudar os autores em destaque entre os anos de 1902
e 1922, percebeu que entre eles não havia uma unidade para a constituição de
uma escola literária.
Para efeito didático, o Pré-Modernismo teve o seu início oficial em 1902,
com a publicação das obras Canaã, de Graça Aranha, e Os sertões, de Euclides da
Cunha, estendendo-se até 1922 com a Semana de Arte Moderna, marco oficial
do Modernismo brasileiro.
Mas por que Pré-Modernismo?
Segundo Tristão de Ataíde, pelo menos uma característica podia ser encontrada entre os maiores representantes do período, característica esta que, de certa
forma, anteciparia o Modernismo brasileiro: a preocupação com os problemas
sociais e culturais do Brasil.
Graça Aranha (1868-1934), após conviver com os alemães e os seus descendentes na cidade capixaba de Porto do Cachoeiro, publicou Canaã, criando
o primeiro romance de ideias da literatura brasileira. Nele, o autor explorou o
duelo ideológico entre dois alemães, Milkau e Lentz. O primeiro pregando a
igualdade de todas as raças; o segundo, a superioridade da raça ariana.
Euclides da Cunha (1866-1909), após participar como correspondente de
guerra do jornal O Estado de S. Paulo, anotou em sua caderneta-de-campo dados
suficientes para a composição da obra Os sertões, cujo tema, a Guerra de Canudos,
era uma “desculpa” para o autor analisar o Brasil da época.
Lima Barreto (1881-1922), um dos mais combativos autores do período,
explorou, por exemplo, o nacionalismo exacerbado (xenofobia) em Triste fim
de Policarpo Quaresma, e o preconceito racial e a perseguição na imprensa em
Recordações do escrivão Isaías Caminha.
Monteiro Lobato (1882-1948) gerou polêmica ao criar o personagem Jeca
Tatu, simbolizando o atraso e a miséria do sertanejo, na obra Urupês. Já em
Cidades mortas, Lobato denunciou a decadência das cidades cafeicultoras do Vale
do Paraíba.
Entretanto, em obras desses autores, encontramos também outras características adotadas mais tarde pelos modernistas como forma de afirmação da
nossa nacionalidade. Por exemplo: a preocupação com uma língua coloquial
próxima da “brasileira”, presente em obras de Lima Barreto, e a redescoberta
de nosso folclore por Monteiro Lobato.
Ainda fazem parte do Pré-Modernismo poetas como Augusto dos Anjos
(1884-1914), Raul de Leôni (1884-1926) e José Albano (1882-1923) que, em suas
poesias, não se preocuparam com questões sociais e políticas.
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Lima Barreto
3. O AUTOR
O mulato Afonso Henriques de Lima Barreto nasceu na cidade do Rio de
Janeiro no dia 13 de maio de 1881, exatamente sete anos antes da abolição dos
escravos.
Filho do tipógrafo João Henriques Barreto, conhecido por traduzir o manual
de tipografia adotado por muitos dos profissionais do ramo, e de uma professora
primária, dona Amália, com quem aprendeu as primeiras letras.
Estudante de engenharia na Politécnica do Rio, interrompeu o curso para
trabalhar, já que precisava sustentar seus irmãos mais novos, Angelina, Carlindo
e Eliézer, pois o seu pai havia enlouquecido e sua mãe morrido.
Aposentou-se ainda jovem da função de amanuense (pequeno funcionário público) devido ao alcoolismo e por apresentar problemas mentais (quando
bêbado, tinha alucinações, vendo-se perseguido por animais, pelo povo e pela
polícia). Por esse motivo, foi, por duas vezes, internado no Hospital dos Alienados, onde escreveu a obra O cemitério dos vivos.
Sobre a loucura, a fala do narrador de Triste fim de Policarpo Quaresma parece
ser a própria voz de Lima Barreto:
Saiu o major mais triste ainda do que vivera toda a vida. De todas as cousas
tristes de ver, no mundo, a mais triste é a loucura; é a mais depressora e pungente.
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Triste fim de Policarpo Quaresma
Lima Barreto foi um jornalista atuante e polêmico, chegando a militar
na imprensa maximalista, influenciado que foi pela Revolução Russa de 1917
e por Karl Marx (1818-1883), teórico do socialismo e revolucionário alemão.
Sem apoio dos intelectuais ricos e brancos, com exceção de Monteiro
Lobato, que publicou um de seus romances, não conseguiu atingir a fama com
que tanto sonhava, vindo a morrer aos 41 anos, pobre e rejeitado, no subúrbio
carioca, em 1922.
Mas Lima Barreto fez escola, influenciando inúmeros autores contemporâneos, dentre eles, João Antônio, autor de Malagueta, perus e bacanaço; Rubem
Fonseca, autor de Feliz ano novo, e o teatrólogo Plínio Marcos, autor de Dois
perdidos numa noite suja.
Cronologia das obraS
Romances
1909 – Recordações do escrivão Isaías Caminha
1915 – Triste fim de Policarpo Quaresma
1915 – Numa e Ninfa
1919 – Vida e morte de M.J. Gonzaga de Sá
1948 – Clara dos Anjos
Contos
1920 – Histórias e sonhos
1952 – Outras histórias e contos argelinos
Sátira e humorismo
1912 – Aventuras do Dr. Bogoloff
1923 – Os bruzundangas
1953 – Coisas do reino de Jambon
Artigos, crônicas e crítica
1923 – Bagatelas
1953 – Feiras e mafuás
1953 – Vida urbana
1956 – Marginália
1956 – Impressões de leitura
1956 – Correspondência
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Memórias
1953 – Diário íntimo
1953 – O cemitério dos vivos
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Lima Barreto
Se repararmos bem nas datas de nascimento e morte de Lima Barreto
(1881-1922), veremos que elas coincidem com o início do Realismo-Naturalismo e
o do Modernismo no Brasil, isto é, com a publicação das obras Memórias póstumas
de Brás Cubas, de Machado de Assis, e O mulato, de Aluísio Azevedo, romances
que introduzem a época realista no Brasil, em 1881, e a Semana de Arte Moderna, marco oficial de nosso Modernismo, em 1922. Dois momentos em que seus
autores fizeram da literatura uma poderosa arma de combate social assim como
o próprio Lima Barreto com seus romances e contos.
Um dos três prosadores que retrataram a cidade do Rio de Janeiro – os
outros dois foram Manuel Antônio de Almeida (1831-1861), das Memórias de um
sargento de milícias, e Machado de Assis (1839-1908), das Memórias póstumas de
Brás Cubas –, Lima Barreto, mulato do subúrbio, não se deixou intimidar, criando uma gama de personagens, divididos, basicamente, em dois grupos distintos: o dos hipócritas e, em número bem menor, o dos idealistas. Ao primeiro,
enquadram-se os militares incompetentes, políticos corruptos, ignorantes que se
passam por sábios, moças casadoiras, dentre outros; ao segundo, os chamados
quixotescos que, numa luta desigual, são alvos de chacotas e perseguições. Dentre eles, podemos destacar Policarpo Quaresma, Ricardo Coração dos Outros e
Olga, de Triste fim de Policarpo Quaresma; Raimundo Flamel, de A nova Califórnia;
Isaías Caminha, de Recordações do escrivão Isaías Caminha, este o alter ego de Lima
Barreto. Mas o interessante é que encontramos traços autobiográficos, não só
nessa obra, mas em várias outras.
Lima Barreto, mulato como Machado de Assis, teve uma trajetória oposta
a do autor de Dom Casmurro. Vindo de uma família remediada (chegou a cursar
por algum tempo engenharia), morreu desprezado pelos intelectuais de sua
época; enquanto Machado de Assis, de família humilde, autodidata (estudou
somente até o quarto ano primário), conheceu em vida a fama de maior escritor
brasileiro. Mas o que levou Lima Barreto (hoje um dos principais nomes de nossa
literatura) a essa rejeição? Uma das causas foi a linguagem adotada em sua prosa
(muito próxima da almejada pelos primeiros modernistas), com vícios e com
uma coloquialidade despudorada, que deixou os chamados “puristas” da língua
portuguesa inconformados. Um desses “puristas”, ou seja, aqueles escritores que
só admitiam a linguagem culta (ou correta, gramaticalmente), foi Coelho Neto
(1864-1934), o “príncipe dos prosadores brasileiros” e um dos mais conhecidos
autores da época, hoje praticamente esquecido.
Quando Mário de Andrade (1893-1945) propôs uma “língua brasileira”
como marca de uma nova nacionalidade, disse que, para isso ser possível,
era preciso, primeiramente, “descoelhonetizar” a língua portuguesa, num
declarado repúdio a Coelho Neto e ao grupo de acadêmicos adeptos daquela
última flor do Lácio, inculta e bela, como escreveu Olavo Bilac (1865-1918),
poeta parnasiano de “sonetos bem rimadinhos, penteadinhos, lambidinhos”,
segundo Lima Barreto.
Quanto ao espaço retratado em sua prosa, Lima Barreto, ao contrário de
Machado de Assis, explorou o mesmo de Manuel Antônio de Almeida: o subúrbio carioca.
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Triste fim de Policarpo Quaresma
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4. A OBRA
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Lima Barreto
Tendo como um dos motivos centrais a Revolta da Armada (batalha em
que o ministro da Marinha do marechal Floriano Peixoto se rebelou e, com
seus marinheiros, tentou tomar o poder), Lima Barreto, no Triste fim de Policarpo
Quaresma, traçou um quadro crítico e satírico da chamada Velha República (ou
a República dos Marechais). Abaixo, podemos perceber o descaso com que o
narrador tratou tal batalha:
E assim sempre. Às vezes eles chegavam bem perto à tropa, às trincheiras, atrapalhando o serviço; em outras, um cidadão qualquer, chegava ao oficial e muito delicadamente
pedia: o senhor dá licença que dê um tiro? O oficial acedia, os serventes carregavam a
peça e o homem fazia a pontaria e um tiro partia.
Com o tempo, a revolta passou a ser uma festa, um divertimento da cidade... Quando
se anunciava um bombardeio, num segundo, o terraço do Passeio Público se enchia. Era
como se fosse uma noite de luar, no tempo em que era do tom apreciá-las no velho jardim
de Dom Luís de Vasconcelos, vendo o astro solitário pratear a água e encher o céu.
Alugavam-se binóculos e tanto os velhos como as moças, os rapazes como as velhas
seguiam o bombardeio como uma representação de teatro: “Queimou Santa Cruz! Agora
é o ‘Aquidabã’! Lá vai”. E dessa maneira, a revolta ia correndo familiarmente, entrando
nos hábitos e nos costumes da cidade.
foco narrativo
Ao adotar o foco narrativo em 3ª pessoa e dotado de onisciência, isto é,
aquele que sabe de tudo, até mesmo do que se passa na cabeça de seus personagens (e para isso, o narrador se vale do discurso indireto livre, como podemos
perceber no trecho abaixo), Lima Barreto construiu um narrador que nutria franca
antipatia pelo marechal Floriano e por todos aqueles que o rodeavam, com exceção do próprio Quaresma, por quem o narrador tinha uma simpatia declarada.
Desde os dezoito anos, que o tal patriotismo lhe absorvia e por ele fizera a tolice de
estudar inutilidades. Que lhe importavam os rios? Eram grandes? Pois que fossem... Em
que lhe contribuiria para a felicidade saber o nome dos heróis do Brasil? Em nada... O
importante é que ele tivesse sido feliz. Foi? Não. Lembrou-se das suas cousas de tupi, do
folclore, das suas tentativas agrícolas... Restava disso tudo em sua alma uma satisfação?
Nenhuma! Nenhuma!
espaço
Como vimos, Lima Barreto explorou o subúrbio carioca, e não seria diferente em Triste fim de Policarpo Quaresma, que, já nos primeiros capítulos, nos
dá a localização exata de onde mora o protagonista: o bairro suburbano de São
Cristóvão. Há outros espaços retratados, como o sítio Sossego, o hospício, o
cárcere. A seguir, uma interessante descrição dos subúrbios cariocas, retirada do
capítulo “Espinhos e flores”, de Triste fim de Policarpo Quaresma. Nela, podemos
perceber a mescla de casas e pessoas, numa profusão de classes sociais:
Os subúrbios do Rio de Janeiro são a mais curiosa cousa em matéria de edificação da
cidade. A topografia do local, caprichosamente montuosa, influi decerto para tal aspecto,
mais influíram, porém, os azares das construções.
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Triste fim de Policarpo Quaresma
Nada mais irregular, mais caprichoso, mais sem plano qualquer, pode ser imaginado. As casas surgiram como se fossem semeadas ao vento e, conforme as casas, as ruas
se fizeram. Há algumas delas que começam largas como boulevards e acabam estreitas
que nem vielas; dão voltas, circuitos inúteis e parecem fugir ao alinhamento reto com
um ódio tenaz e sagrado.
(...)
Vai-se por uma rua a ver um correr de chalets, de porta e janela, parede de frontal,
humildes e acanhados, de repente se nos depara uma casa burguesa, dessas de compoteiras
na cimalha rendilhada, a se erguer sobre um porão alto com mezaninos gradeados. Passada
essa surpresa, olha-se acolá e dá-se com uma choupana de pau a pique, coberta de zinco
ou mesmo palha, em torno da qual formiga uma população; adiante, é uma velha casa
de roça, com varanda e colunas de estilo pouco classificável, que parece vexada e querer
ocultar-se, diante daquela onda de edifícios disparatados e novos.
Não há nos nossos subúrbios cousa alguma que nos lembre os famosos das
grandes cidades europeias, com as suas vilas de ar repousado e satisfeito, as suas estradas e ruas macadamizadas e cuidadas, nem mesmo se encontram aqueles jardins,
cuidadinhos, aparadinhos, penteados, porque os nossos, se os há, são em geral pobres,
feios e desleixados.
(...)
Há pelas ruas damas elegantes, com sedas e brocados, evitando a custo que a lama
ou o pó lhes empanem o brilho do vestido; há operários de tamancos; há peralvilhos à última moda; há mulheres de chita; e assim pela tarde, quando essa gente volta do trabalho
ou do passeio, a mescla se faz numa mesma rua, num quarteirão, e quase sempre o mais
bem posto não é que entra na melhor casa.
tempo
A história se passa durante o governo do marechal Floriano Peixoto e a
Batalha da Armada (acontecida em 1893), ou seja, época da chamada República
Velha, entre o final do século XIX e o XX. E é durante esse período que Lima
Barreto procurou retratar, de maneira detalhada e com profunda visão satírica,
os costumes sociais e políticos do Rio de Janeiro.
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linguagem
Também já vimos que Lima Barreto não agradou nem um pouco aos intelectuais que ditavam a “boa” literatura da época ao adotar uma linguagem coloquial
(adquirida com a experiência de jornalista), com os seus vícios linguísticos, mas
recheada de humor, ironia e autenticidade, como podemos notar neste trecho:
Era onde estava bem. No meio de soldados, de canhões, de veteranos, de papelada
inçada de quilos de pólvora, de nomes de fuzis e termos técnicos de artilharia, aspirava
diariamente aquele hálito de guerra, de bravura, de vitória, de triunfo, que é bem o
hálito da Pátria.
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Lima Barreto
Lima Barreto antecipou o “português-macarrônico” inventado pelo poeta Juó
Bananére (1892-1933) e utilizado por Antônio de Alcântara Machado (1901-1935)
em obras como Brás, Bexiga e Barra Funda. De Triste fim de Policarpo Quaresma, retiramos a seguinte passagem:
– O padrinho quer substituir o português pela língua tupi, entende o senhor?
– Como?
– Hoje, nós não falamos português? Pois bem: ele quer que daqui em diante falemos tupi.
– Tutti?
– Todos os brasileiros, todos.
– Ma che cousa! Não é possível?
– Pode ser. Os tcheques têm uma língua própria, e foram obrigados a falar alemão,
depois de conquistados pelos austríacos; os lorenos, franceses...
– Per la madonna! Alemão é lingua, agora esse acujelê, ecco!
– Acujelê é da África, papai; tupi é daqui.
– Per Bacco! É o mesmo... Está doido!
– Mas não há loucura alguma, papai.
– Como? Então é cousa de um homem, bene?
– De juízo, talvez não seja; mas de doido, também não.
– Non capisco.
– É uma ideia, meu pai, é um plano, talvez à primeira vista absurdo, fora dos
moldes, mas não de todo doido. É ousado, talvez, mas...
temas
Ao explorar a xenofobia (aversão a aspectos de culturas estrangeiras) como
pano de fundo para tecer uma dura crítica ao comportamento de uma sociedade
hipócrita e pseudointelectual, Lima Barreto construiu uma das mais instigantes
obras da literatura brasileira, que o colocou entre os maiores escritores de todos
os tempos, apesar de, na época, não ter obtido tal projeção.
Durante os lazeres burocráticos, estudou, mas estudou a Pátria, nas suas riquezas
naturais, na sua história, na sua geografia, na sua literatura e na sua política. Quaresma
sabia as espécies de minerais, vegetais e animais que o Brasil continha; sabia o valor do
ouro, dos diamantes exportados por Minas, as guerras holandesas, as batalhas do Paraguai,
as nascentes e o curso de todos os rios. Defendia com azedume e paixão a proeminência
do Amazonas sobre todos os demais rios do mundo. Para isso ia até ao crime de amputar
alguns quilômetros ao Nilo e era com este rival do “seu” rio que ele mais implicava. Ai
de quem o citasse na sua frente! Em geral, calmo e delicado, o major ficava agitado e
malcriado, quando se discutia a extensão do Amazonas em face da do Nilo.
Podemos destacar vários outros temas como:
•Crítica ao academicismo típico dos poetas parnasianos:
A réclame já não bastava; o rival a empregava também. Se ele tivesse um homem
notável, um grande literato, que escrevesse um artigo sobre ele e a sua obra, a vitória
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Triste fim de Policarpo Quaresma
estava certa. Era difícil encontrar. Esses nossos literatos eram tão tolos e viviam tão
absorvidos em cousas francesas...
•Crítica à tradicional burocracia de nossos órgãos públicos.
É interessante ressaltarmos que, assim como Policarpo Quaresma, Lima
Barreto também se aposentou por invalidez (época em que era amanuense), tendo
conhecido de perto o sistema lento de nossas repartições:
Atualmente era ele o encarregado de tratar da aposentadoria do seu antigo discípulo. É um trabalho árduo, esse de liquidar uma aposentadoria, como se diz na gíria
burocrática. Aposentado o sujeito, solenemente por um decreto, a cousa corre uma dezena
de repartições e funcionários para ser ultimada. Nada há mais grave do que a gravidade
com que o empregado nos diz: ainda estou fazendo o cálculo; e a cousa demora um mês,
mais até, como se se tratasse de mecânica celeste.
•O preconceito não só racial, mas social e às pessoas sem formação acadêmica e também àqueles de formação semissuperior. Não podemos nos esquecer
de que o próprio Lima Barreto era mulato e sem formação superior.
Se não tinha amigos na redondeza, não tinha inimigos, e a única desafeição que
merecera, fora a do doutor Segadas, um clínico afamado no lugar, que não podia admitir
que Quaresma tivesse livros: “Se não era formado, para quê? Pedantismo!”
Aborrecia-se com o rival, por dous fatos: primeiro: pelo sujeito ser preto; e segundo:
por causa das suas teorias.
O marido tinha resistido muito em acompanhá-la até ali. Não lhe parecia bem
aquela intimidade com um sujeito sem título, sem posição brilhante e sem fortuna. Ele
não compreendia como o seu sogro, apesar de tudo um homem rico, de outra esfera,
tinha podido manter e estreitar relações com um pequeno empregado de uma repartição
secundária, e até fazê-lo seu compadre!
•Crítica à falta de apoio do governo ao homem do campo.
Tema também tratado, duramente, por Monteiro Lobato ao criar os personagens Jeca Tatu e Zé Brasil. A seguir, o diálogo entre Olga e Felizardo, empregado
de Policarpo Quaresma no sítio Sossego:
– É grande o sítio de você?
– Tem alguma terra, sim senhora, “sá dona”.
– Você por que não planta para você?
– “Quá sá dona!” O que é que a gente come?
– O que plantar ou aquilo que a plantação der em dinheiro.
– “Sá dona ta” pensando uma cousa e a cousa é outra. Enquanto planta cresce, e
então? “Quá, sá dona”, não é assim.
Deu uma machadada; o tronco escapou: colocou-o melhor no picador e, antes de
desferir o machado, ainda disse:
– Terra não é nossa... E “frumiga”?... Nós não “tem” ferramenta... isso é bom para
italiano ou “alamão”, que governo dá tudo... Governo não gosta de nós...
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Lima Barreto
ENREDO
A obra Triste fim de Policarpo Quaresma divide-se em três partes. A primeira
trata diretamente das questões nacionalistas do major Policarpo Quaresma e da
sua vida de funcionário exemplar. A segunda, da vida de Quaresma em seu sítio
Sossego e a tentativa de sobreviver cultivando a terra, além de seu alistamento
para, ao lado do marechal Floriano Peixoto, participar da batalha da armada. A
terceira trata propriamente da batalha, com a vitória do Exército sobre os marinheiros que se rebelaram, tentando assumir o governo, e do final trágico do
major Quaresma, fuzilado por ser considerado um traidor da Pátria. Mas vamos
ao enredo:
Policarpo Quaresma, subsecretário do Arsenal de Guerra, é um pacato cidadão
(apesar de sua patente de major, não era militar), burocrata exemplar, morador de São
Cristóvão, subúrbio carioca. Homem metódico e de poucos amigos, desde os vinte anos
de idade estudava o Brasil, tornando-se um verdadeiro xenófobo (daí sua característica
quixotesca). Sabia a sua história e geografia; a sua literatura e música; só apreciava pratos
tipicamente nacionais; só se vestia com roupas aqui fabricadas. Irritava-se, por exemplo,
quando alguém supervalorizava algo estrangeiro em detrimento do nacional. Nessa sua
obsessão nacionalista, pretende reformar os nossos costumes a partir do cumprimento,
típico dos índios tupinambás:
Desde dez dias que se entregava a essa árdua tarefa, quando (era domingo) lhe
bateram à porta, em meio de seu trabalho. Abriu, mas não apertou a mão. Desandou a
chorar, a berrar, a arrancar os cabelos, como se tivesse perdido a mulher ou um filho. A
irmã correu lá de dentro, o Anastácio também, e o compadre e a filha, pois eram eles,
ficaram estupefatos no limiar da porta.
– Mas que é isso, compadre?
– Mas, meu padrinho...
Ele ainda chorou um pouco. Enxugou as lágrimas e, depois, explicou com a maior
naturalidade:
– Eis aí! Vocês não têm a mínima noção das cousas da nossa terra. Queriam que
eu apertasse a mão... Isto não é nosso! Nosso cumprimento é chorar quando encontramos
os amigos, era assim que faziam os tupinambás.
Mas Quaresma caiu no descrédito daqueles que conviviam consigo ao
começar a ter aulas de violão com Ricardo Coração dos Outros, já que violão era
instrumento de vadios, e ao propor à câmara dos deputados a troca da língua oficial (do português para o tupi-guarani). Policarpo Quaresma passou a ser alvo de
deboches e chacotas, principalmente na imprensa. A sua situação piorou quando,
por engano, enviou um relatório ao seu superior (quando substituíra o secretário),
escrito em tupi-guarani. Foi internado num hospício, onde permaneceu por seis
meses, recebendo visitas apenas de sua irmã Adelaide; de sua afilhada Olga, uma
das únicas pessoas por quem Quaresma nutria admiração, pois era diferente das
moças casadoiras e submissas da época, e de seu compadre Vicente Coleoni. Após
receber alta, comprou um sítio no arrabalde do Rio de Janeiro, no município de
Curuzu, para viver do cultivo da terra. Planejou uma reforma agrícola, por isso,
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Triste fim de Policarpo Quaresma
não mediu esforços para adquirir todo o material para a empreitada: animais,
máquinas, livros etc. Entretanto, encontrou inúmeras dificuldades, principalmente em combater as saúvas que devastavam as plantações (vale aqui lembrarmos
de uma famosa frase de Macunaíma: Pouca saúde e muita saúva os males do Brasil
são) e a peste que consumiu com a metade de sua criação de patos, gansos e
galinhas. Além disso, temos um interessante retrato da situação campesina: a
falta de apoio aos homens do campo, fazendo com que vivessem em extrema
pobreza. É bom ressaltarmos que essa questão fora brilhantemente tratada por
Monteiro Lobato ao criar o Jeca Tatu. Abaixo o trecho em que Olga, ao visitar o
padrinho em seu sítio, espantou-se com tanta pobreza no campo:
O que mais a impressionou no passeio foi a miséria geral, a falta de cultivo, a
pobreza das casas, o ar triste, abatido de gente pobre. Educada na cidade, ela tinha dos
roceiros ideia de que eram felizes, saudáveis e alegres. Havendo tanto barro, tanta água,
por que as casas não eram de tijolos e não tinham telhas? Era sempre aquele sapê sinistro
e aquele “sopapo” que deixava ver a trama de varas, como o esqueleto de um doente. Por
que ao redor dessas casas, não havia culturas, uma horta, um pomar? Não seria tão fácil,
trabalho de horas? E não havia gado, nem grande nem pequeno. Era raro uma cabra,
um carneiro. Por quê? Mesmo nas fazendas, o espetáculo não era mais animador. Todas
soturnas, baixas, quase sem o pomar olente e a horta suculenta. A não ser o café e um
milharal, aqui e ali, ela não pôde ver outra lavoura, outra indústria agrícola. Não podia ser
preguiça ou indolência. Para o seu gasto, para uso próprio, o homem tem sempre energia
para trabalhar. As populações mais acusadas de preguiça, trabalham relativamente. Na
África, na Índia, na Cochinchina, em toda parte, os casais, as famílias, as tribos plantam
um pouco, algumas cousas para eles. Seria a terra? Que seria? E todas essas questões
desafiavam a sua curiosidade, o seu desejo de saber, e também a sua piedade e simpatia
por aqueles párias, maltrapilhos, mal alojados, talvez com fome, sorumbáticos!...
Sem intenção nenhuma, acaba sendo envolvido na rixa política do pequeno
município, chegando a receber represálias do chefe político.
Ao saber dos conflitos que originaram a Batalha da Armada, enviou ao marechal Floriano Peixoto um telegrama (“Peço energia. Sigo já”.) para, ao seu lado,
combater os marinheiros revoltosos, aquartelados na Baía da Guanabara, que,
sob o comando do ministro da marinha do marechal, tentavam tomar o governo.
Tratada de uma maneira satírica e debochada, a Batalha da Armada foi vista com
descaso pelo narrador, numa crítica à política dos militares. Observemos abaixo que
o patriotismo do contra-almirante Caldas ia até onde lhe era interessante sê-lo:
Caldas andava aborrecido, pessimista. O seu processo ia mal e até agora o governo
não lhe tinha dado cousa alguma. O seu patriotismo se enfraquecia com o diluir-se da
esperança de ser algum dia vice-almirante. É verdade que o governo ainda não organizara
a sua esquadra; entretanto, pelo rumor que corria, ele não comandaria nem uma divisão.
Uma iniquidade! Era velho um pouco, é verdade; mas, por não ter nunca comandado,
nessa matéria ele podia despender toda uma energia moça.
Com a vitória do Exército, o major Policarpo Quaresma foi destacado
para a função de carcereiro, isto é, cuidar dos prisioneiros de guerra na Ilha
das Enxadas. Mas ao descobrir que muitos desses marinheiros estavam sendo
19
Lima Barreto
levados para o fuzilamento, Quaresma escreveu uma carta ao “marechal de ferro” – por quem já havia se decepcionado ao mostrar-lhe o seu memorial para a
prática agrícola e ser chamado de visionário – criticando tal atitude, passando,
então, a ser considerado um traidor da Pátria. Prisioneiro na Ilha das Cobras,
Quaresma teve a total consciência de que tudo o que fizera pelo Brasil fora em
vão. De nada valera estudar o País, em todos os seus aspectos. Tudo indicava que
ele seria também fuzilado. No último parágrafo, Olga, que em vão tentara uma
audiência com o marechal Floriano Peixoto, na esperança de interceder pelo seu
padrinho, constatou a fugacidade das coisas, e esperançosa em dias melhores,
seguiu, serenamente, ao encontro de Ricardo Coração dos Outros:
Saiu e andou. Olhou o céu, os ares, as árvores de Santa Teresa, e se lembrou que,
por essas terras, já tinham errado tribos selvagens, das quais um dos chefes se orgulhava
de ter no sangue o sangue de dez mil inimigos. Fora há quatro séculos. Olhou de novo o
céu, os ares, as árvores de Santa Teresa, as casas, as igrejas; viu os bondes passarem; uma
locomotiva apitou; um carro, puxado por uma linda parelha, atravessou-lhe na frente,
quando já a entrar do campo... Tinha havido grandes e inúmeras modificações. Que fora
aquele parque? Talvez um charco. Tinha havido grandes modificações nos aspectos, na
fisionomia da terra, talvez no clima... Esperemos mais, pensou ela; seguiu serenamente
ao encontro de Ricardo Coração dos Outros.
PERSONAGENS
OS IDEALISTAS
Policarpo Quaresma
Personagem quixotesco, decorrente de sua xenofobia, era conhecedor
profundo de literatura brasileira (possuía uma biblioteca com mais de trinta mil
títulos), história, geografia e da fauna e flora brasileiras. Pacato cidadão, residente
no subúrbio carioca, subsecretário do Arsenal de Guerra, era respeitado por aqueles que o conheciam, mas, ao propor a mudança da língua oficial (do português
para o tupi-guarani), caiu no descrédito popular, tornando-se alvo de pilhérias
e chacotas. Após sua permanência internado em um hospício, tentou viver da
terra, em seu sítio Sossego, mas não conseguiu. Alistou-se para lutar ao lado do
marechal Floriano na famosa Batalha da Armada, que foi ironicamente retratada
pelo narrador. Após a vitória, encarregou-se de tomar conta dos prisioneiros,
mas, ao saber que vários desses marinheiros estavam sendo fuzilados, escreveu
ao marechal criticando tal atitude. Foi preso e fuzilado.
Desde moço, aí pelos vinte anos, o amor à Pátria tomou-o todo inteiro. Não fora
o amor comum, palrador e vazio; fora um sentimento sério, grave e absorvente. Nada
de ambições políticas ou administrativas; o que o Quaresma pensou, ou melhor: o que o
patriotismo o fez pensar, foi num conhecimento inteiro do Brasil, levando-o a meditações
sobre os seus recursos, para depois então apontar os remédios, as medidas progressivas,
com pleno conhecimento de causa.
20
Triste fim de Policarpo Quaresma
Ricardo Coração dos Outros
Seu nome é uma paródia de Ricardo Coração de Leão, rei da Inglaterra que
se envolveu em batalhas e conquistas durante o século XII. Há estudiosos que
acreditam ser o personagem uma homenagem ao poeta e compositor popular
Catulo da Paixão Cearense (1863-1946), autor, entre outras, da modinha Luar do
Sertão. Era professor de violão do major Quaresma. Alvo de forte preconceito, o
violão – tido como ocupação de vadios e vagabundos – teve lugar de destaque na
obra, já que Lima Barreto tentou fazer dele o símbolo do instrumento nacional.
A modinha é a mais genuína expressão da poesia nacional e o violão é o instrumento
que ela pede. Nós é que temos abandonado o gênero, mas ele já esteve em honra, em Lisboa,
no século passado, com o padre Caldas, que teve um auditório de fidalgos.
– Major, o violão é o instrumento da paixão. Precisa de peito para falar... É preciso
encostá-lo, mas encostá-lo com maciez e amor, como se fosse a amada, a noiva, para que
diga o que sentimos...
Diante do violão, Ricardo ficava loquaz, cheio de sentenças, todo ele fremindo de
paixão pelo instrumento desprezado.
Olga
Afilhada de Policarpo Quaresma, Olga, apesar de ter se submetido a um
casamento por conveniência, era diferente das moças da época. Nutria certo idealismo que a colocava no minguado grupo a que pertencia o major Quaresma,
por quem tinha imensa admiração.
Havia entre os dous uma grande afeição. Quaresma era um tanto reservado e o
vexame de mostrar os seus sentimentos faziam-no econômico nas demonstrações afetuosas.
Adivinhava-se, entretanto, que a moça ocupava-lhe no coração o lugar dos filhos que não
tivera nem teria jamais. A menina vivaz, habituada a falar alto e desembaraçadamente, não
escondia a sua afeição tanto mais que sentia confusamente nele alguma coisa de superior,
uma ânsia de ideal, uma tenacidade em seguir um sonho, uma ideia, um voo enfim para
as altas regiões do espírito que ela não estava habituada a ver em ninguém do mundo que
frequentava. Essa admiração não lhe vinha da educação. Recebera a comum às moças de
seu nascimento. Vinha de um pendor próprio, talvez das proximidades europeias do seu
nascimento, que a fizera um pouco diferente das nossas moças.
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Vicente Coleoni
Imigrante italiano, fora por muito tempo quitandeiro ambulante, época em
que conheceu o major Quaresma, um freguês assíduo. Passando por dificuldades
financeiras, recebeu ajuda de Quaresma. Com sua quitanda, prosperou, tornouse empreiteiro e enriqueceu. Casou-se, teve uma filha (Olga) e, como forma de
gratidão, fez de Quaresma o padrinho dessa criança.
21
Lima Barreto
Apesar de ter enriquecido, Coleoni tinha em grande conta o seu obscuro compadre.
Havia nele não só a gratidão de camponês que recebeu um grande benefício, como um
duplo respeito pelo major, oriundo de sua qualidade de funcionário e sábio.
Europeu, de origem humilde e aldeã, guardava no fundo de si aquele sagrado respeito dos camponeses pelos homens que recebem a investidura do Estado; e, como, apesar
dos bastos anos de Brasil, ainda não sabia juntar o saber aos títulos, tinha em grande
consideração a erudição do compadre.
Dona Adelaide
Irmã mais velha de Policarpo Quaresma, uns quatro anos, não entendia muito
bem as ideias do irmão, por isso não as aceitava. Segundo o narrador: fria, sem imaginação, de inteligência lúcida e positiva, em tudo formava um grande contraste com o irmão,
mas o acompanhava sempre, sentindo-se na obrigação de cuidar dele.
Dona Adelaide, a irmã de Quaresma, entrou e convidou-os a irem jantar. A sopa
já esfriava na mesa, que fossem!
– O senhor Ricardo há de nos desculpar, disse a velha senhora, a pobreza do nosso
jantar. Eu lhe quis fazer um frango com petit-pois, mas Policarpo não deixou. Disse-me
que esse tal petit-pois é estrangeiro e que eu o substituísse por guando. Onde é que se
viu frango com guando?
Coração dos Outros aventou que talvez fosse bom, seria uma novidade e não fazia
mal experimentar.
– É uma mania de seu amigo, senhor Ricardo, esta de só querer cousas nacionais,
e a gente tem que ingerir cada droga, chi!
OS HIPÓCRITAS
General Albernaz
Um dos muitos militares incompetentes e interesseiros que fizeram parte da
obra. Pai de cinco filhas, Ismênia, Quinota, Zizi, Lalá e Vivi, e de um filho, Lulu,
não media esforços para tentar casá-las e conseguir um pistolão para admitir o
filho na Escola Militar.
O general nada tinha de marcial, nem mesmo o uniforme que talvez não possuísse.
Durante toda a sua carreira militar, não viu uma única batalha, não tivera um comando,
nada fizera que tivesse relação com a sua profissão e o seu curso de artilheiro. Fora sempre
ajudante de ordens, assistente, encarregado disso ou daquilo, escriturário, almoxarife,
e era secretário do Conselho Supremo Militar, quando se reformou em general. Os seus
hábitos eram de um bom chefe de secção e a sua inteligência não era muito diferente dos
seus hábitos. Nada entendia de guerras, de estratégia, de tática ou de história militar; a
sua sabedoria a tal respeito estava reduzida às batalhas do Paraguai, para ele a maior e a
mais extraordinária guerra de todos os tempos.
22
Triste fim de Policarpo Quaresma
Ismênia
Filha do general Albernaz, era o símbolo de “moça casadoira”. Noiva do
Cavalcânti, não morria de amores por ele, mas não podia pensar na ideia de ficar
para “tia”, pois fora criada ouvindo a mãe dizer: – Aprenda a fazer isso, porque
quando você se casar... Foi abandonada pelo noivo após a sua formatura. No
leito de morte, após longo período de demência e definhamento, fez um último
pedido: ser enterrada vestida de noiva.
O enterro foi feito no dia imediato e a casa de Albernaz esteve os dous dias cheia,
como nos dias de suas melhores festas.
Quaresma foi ao enterro; ele não gostava muito dessa cerimônia; mas veio, e foi
ver a pobre moça, no caixão, coberta de flores, vestida de noiva, com um ar imaculado
de imagem. Pouco mudara, entretanto. Era ela mesma; era a Ismênia dolente e pobre de
nervos, com os seus traços miúdos e os seus lindos cabelos, que estavam dentro daquelas
quatro tábuas. A morte tinha fixado a sua pequena beleza e o seu aspecto pueril; e ela ia
para a cova com a insignificância, com a inocência e a falta de acento próprio que tinha
tido em vida.
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Cavalcânti
Noivo de Ismênia, era estudante de odontologia, um curso semissuperior
de dois anos. Tendo seus estudos bancados pelo pai da noiva, Cavalcânti prolongou o curso por quatro anos. Não tendo mais feito de prolongar essa exploração, formou-se. Após a festa, para não marcar o dia do casamento, fugiu para
o interior, deixando Ismênia inconsolável.
Cavalcânti, aquele Jacó de cinco anos, embarcara para o interior, há três ou quatro
meses, e não mandara nem um cartão. A menina tinha aquilo como um rompimento; e ela,
tão incapaz de um sentimento mais profundo,de uma aplicação mais séria de energia mental e física, sentia-o muito, como cousa irremediável que absorvia toda a sua atenção.
Para Ismênia, era como se todos os rapazes casadoiros tivessem deixado de existir.
Genelício
Namorado e futuro marido de Quinota, uma das filhas do general Albernaz, e
empregado do Tesouro, Genelício era o símbolo do “puxa-saquismo”, da bajulação
despudorada e do oportunismo, sempre visando a conseguir um cargo melhor.
Não havia ninguém mais bajulador e submisso que ele. Nenhum pudor, nenhuma vergonha! Enchia os chefes e os superiores de todo incenso que podia. Quando saía,
remancheava, lavava três ou quatro vezes as mãos, até poder apanhar o diretor na porta.
Acompanhava-o, conversava com ele sobre o serviço, dava pareceres e opiniões, criticava
este ou aquele colega, e deixava-o no bonde, se o homem ia para casa. Quando entrava
um ministro, fazia-se escolher como intérprete dos companheiros e deitava um discurso;
nos aniversários de nascimento, era um soneto que começava sempre por – “Salve” – e
acabava também por – “Salve! Três vezes Salve!”.
23
Lima Barreto
Contra-almirante Caldas
O que o general Albernaz fez no Exército, o contra-almirante Caldas fez
na Marinha, ou seja, quase nada, sempre encostado em serviços irrisórios. Sua
história se resume no navio que nunca comandou, o couraçado “Lima Barros”.
Mandado de um lado para outro, à cata de seu navio, não sabia que este tinha
ido a pique, durante a Guerra do Paraguai.
Todos o tinham na conta de parvo, de um comandante de opereta que andava à
cata do seu navio pelos quatro pontos cardeais. Deixaram-no “encostado”, como se diz na
gíria militar, e ele levou quase quarenta anos para chegar de guarda-marinha a capitão de
fragata. Reformado no posto imediato, com graduação do seguinte, todo o seu azedume
contra a Marinha se concentrou num longo trabalho de estudar leis, decretos, alvarás,
avisos, consultas, que se referissem a promoções de oficiais. Comprava repertórios de
legislação, armazenava coleções de leis, relatórios, e encheu a casa de toda essa enfadonha
e fatigante literatura administrativa.
Dr. Armando Borges
Marido de Olga, formado em medicina, era como tantos outros, ambicioso,
interesseiro e preconceituoso. de tão fútil que era, certo dia entrou em desespero
por sair de casa sem o seu anel de doutor. Apesar de viver com a fortuna de seu
sogro, sempre queria mais, pretendendo empregos públicos com bom salário e
pouco trabalho. não tinha boa convivência com a mulher.
Naquela carreira atropelada para o nome fácil, ele não deu pelas modificações da
mulher. Ela dissimulava os seus sentimentos, mais por dignidade e delicadeza, que mesmo por qualquer outro motivo; e a ele faltavam a sagacidade e finura necessárias para
descobri-los sob o seu esconderijo.
Inocêncio Bustamante
Assim como o contra-almirante Caldas, o major Bustamante, apesar de interesseiro, era servil e humilde e também vivia de demandas, não passando um dia sequer
sem ir ao quartel-general para ver o andamento de seu requerimento e de outros. A
sua patente era honorária e foi-lhe concedida por ser voluntário da pátria.
Num pedia inclusão no Asilo dos Inválidos, noutro honras de tenente-coronel,
noutro tal ou qual medalha; e, quando não tinha nenhum, ia ver o dos outros.
Não se pejou mesmo de tratar do pedido de um maníaco que, por ser tenente honorário e também da Guarda Nacional, requereu lhe fosse passada a patente de major, visto
que dous galões mais outros dous fazem quatro – o que quer dizer: major.
Dr. Campos
Era médico, fazendeiro e chefe político do pequeno município de Curuzu,
onde Quaresma comprara o sítio Sossego. Interesseiro e ardiloso como uma raposa,
não conseguia convencer o major a ser seu aliado e a participar das falcatruas “eleitoreiras”. Como vingança, obrigou Quaresma a cumprir certas leis municipais.
24
Triste fim de Policarpo Quaresma
O doutor não se zangou. Pôs mais unção e maciez na voz, aduziu argumentos: que
era, para o partido, o único que pugnava pelo levantamento da lavoura. Quaresma foi
inflexível; disse que não, que lhe eram absolutamente antipáticas tais disputas, que não
tinha partido e mesmo que tivesse não iria afirmar uma cousa que ele não sabia ainda se
era mentira ou verdade.
Campos não deu mostras de aborrecimento, conversou um pouco sobre cousas
banais e despediu-se com o ar amável, com a jovialidade mais sua que era possível.
(...)
Em virtude das posturas e das leis municipais, rezava o papel, o Senhor Policarpo
Quaresma, proprietário do sítio “Sossego” era intimidado, sob as penas das mesmas
posturas e leis, a roçar e capinar as testadas do referido sítio que confrontavam com as
vias públicas.
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Marechal Floriano Peixoto
O presidente da República, conhecido como “marechal de ferro”, foi alvo de
sátira e crítica por parte do narrador; não só ele, mas todo o governo foi descrito
de maneira degradante, um verdadeiro retrato do Brasil daquela época.
O palácio tinha um ar de intimidade, de quase relaxamento, representativo e eloquente. Não era raro ver-se pelos divãs, em outras salas, ajudante de ordens, ordenanças,
contínuos, cochilando, meio deitados e desabotoados. Tudo nele era desleixo e moleza.
Os cantos dos tetos tinham teias de aranha; dos tapetes, quando pisados com mais força,
subia uma poeira de rua mal varrida.
Notem que o marechal foi descrito de maneira desoladora tanto física
quanto moralmente:
Era vulgar e desoladora. O bigode caído; o lábio inferior pendente e mole a que se
agarrava uma grande “mosca”; os traços flácidos e grosseiros; não havia nem o desenho
do queixo ou olhar que fosse próprio, que revelasse algum dote superior. Era um olhar
mortiço, redondo, pobre de expressões, a não ser de tristeza que não lhe era individual,
mas nativa, de raça; e todo ele era gelatinoso – parecia não ter nervos.
Com uma ausência total de qualidades intelectuais, havia no caráter do marechal
Floriano uma qualidade predominante: tibieza de ânimo, e no seu temperamento, muita
preguiça. Não a preguiça comum, essa preguiça de nós todos; era uma preguiça mórbida,
como que uma pobreza de irrigação nervosa, provinda de uma insuficiente quantidade
de fluido no seu organismo. Pelos lugares que passou, tornou-se notável pela indolência
e desamor às obrigações dos seus cargos.
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Lima Barreto
5. Exercícios
1. Unicamp-SP
– O Quaresma está doido.
– Mas... o quê? Quem foi que te disse?
– Aquele homem do violão. Já está na casa de
saúde...
– Eu logo vi, disse Albernaz, aquele requerimento era de doido.
– Mas não é só, general, acrescentou Genelício.
Fez um ofício em tupi e mandou ao ministro.
O diálogo acima, travado entre Genelício e Albernaz, menciona personagens
e episódios importantes do romance Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima
Barreto. Em função dele, responda às questões abaixo:
a)Quem é o homem do violão?
b)Por que Genelício o chama assim?
2. Unicamp-SP
Com relação ao mesmo texto da questão anterior, responda: a que requerimento se
refere Albernaz para justificar sua opinião sobre a saúde mental de Policarpo?
3. Fuvest-SP
No romance Triste fim de Policarpo Quaresma, o nacionalismo exaltado e delirante
da personagem principal motiva seu engajamento em três diferentes projetos,
que objetivam “reformar” o país. Esses projetos visam, sucessivamente, aos
seguintes setores da vida nacional:
a) escolar, agrícola e militar.
b) linguístico, industrial e militar.
c) cultural, agrícola e político.
d) Linguístico, político e militar.
e) cultural, industrial e político.
4. UFMG
Leia o trecho a seguir, do romance Triste fim de Policarpo Quaresma, da autoria de
Lima Barreto:
Quem examinasse vagarosamente aquela grande coleção de livros haveria de espantar-se ao perceber o espírito que presidia a sua reunião.
Na ficção, havia unicamente autores nacionais ou tidos como tais: o Bento Teixeira,
da Prosopopeia; o Gregório de Matos, o Basílio da Gama, o Santa Rita Durão, o José de
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Triste fim de Policarpo Quaresma
Alencar (todo), o Macedo, o Gonçalves Dias (todo), além de muitos outros. (...) Podia-se
afiançar que nem um dos autores nacionais ou nacionalizados de oitenta para lá faltava
nas estantes do major.
De História do Brasil, era farta a messe: os cronistas Gabriel Soares, Gandavo;
e Rocha Pita, Frei Vicente do Salvador, Armitage, Aires do Casal, Pereira da Silva,
Handelmann (Geschichte von Brasilien), Melo Morais, Capistrano de Abreu, Southey,
Varnhagen, além de outros mais raros e menos famosos. Então no tocante a viagens e
explorações, que riqueza! Lá estavam Hans Staden, o Jean de Léry, o Saint-Hilaire, o
Martius, o Príncipe de Neuwied, o John Mawe, o von Eschwege, o Agassiz, Couto de
Magalhães e se se encontravam também Darwin, Freycinet, Cook, Bougainville e até o
famoso Pigafetta, cronista de viagem de Magalhães, é porque todos esses últimos viajantes
tocavam no Brasil, resumida ou amplamente.
Com base no trecho, pode-se afirmar:
a)A prática da autorreferência, presente na passagem, constitui-se em uma das
características fundamentais do romance de Lima Barreto.
b)A paródia dá à personagem do Major Quaresma a condição de um especialista
em assuntos nacionais.
c)O uso do processo intertextual tem por objetivo dar a conhecer, através da
paródia, o caráter da personagem Policarpo Quaresma.
d)O uso dos parênteses em torno da palavra todo ilustra a prática do pastiche
na obra de Lima Barreto.
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5.
Ainda com relação ao trecho anterior, responda ao que se pede.
a)Por que o major Quaresma tinha uma predileção por Gonçalves Dias e José
de Alencar?
b) A que movimento literário eles pertencem? Cite uma obra de cada.
6. UMC-SP
– Leia o fragmento retirado do romance Triste fim de Policarpo Quaresma, de
Lima Barreto.
Havia um ano a esta parte que se dedicava ao tupi-guarani. Todas as manhãs, antes
que a “Aurora, com seus dedos rosados abrisse caminho ao louro Febo”, ele se atracava até
ao almoço com o Montoya, Arte y diccionario de la lengua guaraní ó más bien tupí,
e estudava o jargão caboclo com afinco e paixão. Na repartição, os pequenos empregados,
amanuenses e escreventes, tendo notícia desse seu estudo do idioma tupiniquim, deram
não se sabe por que em chamá-lo – Ubirajara. Certa vez, o escrevente Azevedo, ao assinar
o ponto, distraído, sem reparar quem lhe estava às costas, disse em tom chocarreiro: “Você
já viu que hoje o Ubirajara está tardando?”
27
Lima Barreto
Quaresma era considerado no Arsenal: a sua idade, a sua ilustração, a modéstia e
honestidade de seu viver impunham-no ao respeito de todos. Sentindo que a alcunha lhe
era dirigida, não perdeu a dignidade, não prorrompeu em doestos e insultos. Endireitou-se, concertou o pince-nez, levantou o dedo indicador no ar e respondeu:
– Senhor Azevedo, não seja leviano. Não queira levar ao ridículo aqueles que trabalham em silêncio, para a grandeza e a emancipação da Pátria.
Faça o que se pede.
a)Esse fragmento de texto revela o comportamento patriótico de Quaresma.
Comente-o.
b)Quaresma é alvo de gracejos em seu ambiente de trabalho. Aponte o tipo de
brincadeira a ele dirigido e o motivo dessa situação.
c)Nesse trecho, Lima Barreto recorre a expressões que permitem ao leitor situar-se no tempo. Retire do texto dois exemplos desse recurso.
d)Pelo texto, podemos ter uma noção da personalidade do major Quaresma.
Comente.
7. PUC-RS
Lima Barreto é autor que inova pela linguagem de expressão _________________
e pela forma como registra _________________, através de personagens que
_________________ as diferenças sociais e os conchavos políticos.
a) acadêmica – o Rio de Janeiro – evidenciam
b) artística – Recife – reforçam
c) simples – o Rio de Janeiro – denunciam
d)clara – São Paulo – rejeitam
e) erudita – Recife – valorizam
8.
Todas as obras a seguir pertencem a Lima Barreto, exceto:
a) A paixão segundo G.H.
b)Recordações do escrivão Isaías Caminha.
c)O homem que sabia javanês.
d)Clara dos Anjos.
e)Os bruzundangas.
9. UFJF-MG
Leia atentamente o fragmento de texto abaixo:
E, bem pensando, mesmo na sua pureza, o que vinha a ser a Pátria? Não teria levado
toda a sua vida norteado por uma ilusão, por uma ideia a menos, sem base, sem apoio,
por um Deus ou uma Deusa cujo império de esvaía?
Barreto, Lima. Triste fim de Policarpo Quaresma. Rio de Janeiro: Ediouro, s/d., p.131.
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Triste fim de Policarpo Quaresma
No fragmento transcrito percebe-se:
a)o desdém de Policarpo Quaresma pela ideia de pátria ou de nação.
b)a recusa de Policarpo em aderir à ideia de patriotismo ou defesa do país.
c)a intransigência de Policarpo Quaresma em relação aos que queriam vender
a pátria e os princípios.
d)a consciência de Policarpo a respeito do idealismo abstrato que sempre o leva
à ação.
e) a indecisão de Policarpo Quaresma diante da necessidade de servir ao governo
florianista.
AOL-11
10. UFJF-MG
O personagem Policarpo Quaresma, do romance de que se transcreveu o trecho
(questão anterior), é:
a) venal, sempre disposto a se vender por qualquer aceno.
b) quixotesco, buscando soluções ideais e abstratas para problemas concretos.
c) desiludido, mantendo-se indiferente a todos os acontecimentos a sua volta.
d)psicótico, levando ao extremo soluções sangrentas para qualquer problema,
preocupado apenas com seus livros, suas músicas e suas danças.
e) apático.
29
Lima Barreto
Gabarito
1.
a)O homem do violão é o professor de música popular brasileira do major Quaresma,
Ricardo Coração dos Outros.
b) Há nítido preconceito em chamá-lo assim,
já que violeiro era sinônimo de vadiagem.
2. O personagem se refere ao requerimento
escrito por Quaresma à Câmara dos Deputados pedindo a mudança da língua oficial,
isto é, do português para o tupi-guarani,
alegando ser esta a verdadeira língua nacional e aquela uma língua emprestada.
Alvo de chacotas e gozações, Quaresma foi
internado no hospício.
3. C
4. C
5.
a)Porque são autores extremamente nacionalistas.
b)Pertencem ao Romantismo: de Gonçalves
Dias, I-Juca Pirama, Os timbiras e Primeiros
cantos; de José de Alencar, Iracema, O guarani
e Ubirajara.
6.
a)O major Quaresma passou a estudar com
afinco a língua tupi-guarani, julgando-a a
legítima língua nacional e considerando o
português uma língua emprestada.
b)Seus subalternos, ao descobrirem que o
major Quaresma estudava o tupi-guarani,
apelidaram-no, sarcasticamente, de Ubirajara, numa alusão ao romance indianista de
José de Alencar.
c)As palavras amanuense e arsenal são típicas
do final do século XIX e início do XX.
d)O major Quaresma é modesto, honesto,
prudente, sério e digno.
7. C
8. A
9.D
10.B
30
Fly UP