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PROJETO CAPACITAÇÃO DE JOVENS

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PROJETO CAPACITAÇÃO DE JOVENS
PROJETO CAPACITAÇÃO DE JOVENS:
Orientações - projeto piloto / 2013
Presidenta da República
Dilma Vana Rousseff
Ministra do Meio Ambiente
Izabella Mônica Vieira Teixeira
Presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
Roberto Ricardo Vizentin
Diretor de Ações Socioambientais e Consolidação Territorial em Unidades de Conservação
João Arnaldo Novaes Júnior
Coordenador Geral de Gestão Socioambiental
Daniel de Miranda Pinto de Castro
Coordenador de Educação Ambiental - Substituto
Rogério Eliseu Egewarth
Coordenação Editorial
Leonardo Silveira Rodrigues
Pedro de Araujo Lima Constantino
Fabiana de Fátima do Prado
Autor
Leonardo Silveira Rodrigues
Capa
Sérgio Lelis
Fotog rafias
Celso Margraf (natureza)
Acervo da Coedu
Realização
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
Está publicação contou com apoio da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit
(GIZ) no âmbito da Cooperação Brasil/Alemanha para o desenvolvimento sustentável
PROJETO CAPACITAÇÃO DE JOVENS:
Orientações - projeto piloto/2013
Brasília, 2013
i
SUMÁRIO
1
APRESENTAÇÃO........................................................................................................................................ 1
2
Objetivo .................................................................................................................................................... 1
3
INTRODUÇÃO............................................................................................................................................ 2
4
ABORDAGEM CONCEITUAL...................................................................................................................... 4
5
METODOLOGIA ......................................................................................................................................... 6
5.1
VERDE PERTO EDUCAÇÃO .................................................................................................................... 6
5.2
UNIDADES DE USO SUSTENTÁVEL .......................................................................................................... 9
5.3
UNIDADES DE PROTEÇÃO INTEGRAL .................................................................................................... 10
6
PASSO A PASSO DA CONSTRUÇÃO PARTICIPATIVA DAS AÇÕES PEDAGOGICAS ............................... 10
6.1
Reuniões de preparação para implementação do Projeto Jovens Protagonistas ......................... 10
6.1.1
REUNIÃO COM A EQUIPE GESTORA DA UC: ...................................................................................... 11
6.1.2
REUNIÃO COM OS JOVENS: ............................................................................................................ 11
6.1.3
REUNIÃO COM OS PAIS E LIDERANÇAS COMUNITÁRIAS: ..................................................................... 15
6.1.4
REUNIÃO COM AS LIDERANÇAS DA ASSOCIAÇÃO DE MORADORES/PRODUTORES DA UC OU ENTORNO:... 15
6.1.5
REUNIÃO FINAL DE ALINHAMENTO ENTRE GESTOR, JOVENS, LIDERANÇAS COMUNITÁRIAS E ASSOCIAÇÃO 15
7 PROJETOS PILOTOS CONSTRUIDOS PARTICIPATIVAMENTE NAS UC: RESERVA EXTRATIVISTA
(RESEX) DO MÉDIO JURUÁ; RESEX DO RIO JUTAÍ E PARQUE NACIONAL (PARNA) DA CHAPADA
DIAMANTINA .................................................................................................................................................. 16
7.1
CONTEÚDOS DAS PROPOSTAS – BIODIVERSIDADE E MUDANÇAS CLIMÁTICAS............................ 17
7.2
UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DE USO SUSTENTÁVEL............................................................... 18
7.2.1
Resex do Médio Juruá................................................................................................................ 18
7.2.2
Resex do Rio Unini ..................................................................................................................... 32
7.3
UC DE PROTEÇÃO INTEGRAL........................................................................................................ 44
7.3.1
Parna Chapada Diamantina ....................................................................................................... 44
8
AVALIAÇÃO DAS AÇÕES PEDAGÓGICAS ............................................................................................... 55
9
CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................................................ 55
10
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................................................ 57
i
1
APRESENTAÇÃO
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade tem como ação básica a
implementação das unidades de conservação (UC) federais, visando à conservação da
biodiversidade e o desenvolvimento socioambiental. É exigência legal e diretriz do órgão que a
implementação destas áreas seja feita de forma participativa, garantindo o envolvimento da
sociedade nos processos de tomadas de decisão. Para isto, uma das ações do Insituto é capacitar os
atores sociais envolvidos com as UC para atuarem ativamente e de forma qualificada na sua gestão.
Para atender esses princípios, e objetivando um documento orientador para capacitação
de jovens, foi desenvolvido o Projeto Piloto de Capacitação de Jovens Lideranças Multiplicadoras
em Unidades de Conservação Federal –Projeto de Capacitação de Jovens- com apoio da Deutsche
Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) no âmbito da Cooperação Brasil/Alemanha
para o desenvolvimento sustentável.
O projeto foi construído no ano de 2012 e teve participação ativa das comunidades da
Resex do Médio Juruá, Resex do Rio Unini e Parque Nacional da Chapada Diamantina, onde os
jovens puderam contribuir com a construção dos módulos do projeto elencando as principais
demandas e necessidades locais. Assim, o próprio processo de construção faz parte do exercício do
protagonismo, que é estimulado do início ao fim da ação, sempre de forma transdisciplinar e crítica.
Esse projeto tem por mote o “viver juntos”: ciência, arte e conhecimento tradicional; homem e
natureza; educação formal e educação não formal; conhecimento, saber e comportamento.
Pode servir como referencial teórico metodológico para a construção de processos
educativos continuados nas Unidades de Conservação, orientando e facilitando os gestores destas na
concepção das atividades pedagógicas com o público jovem.
Este projeto é baseado no Projeto Jovens como Protagonistas do Fortalecimento
Comunitário, executado no biênio 2011/2012 nas unidades de conservação do Médio Solimões/AM:
Reserva Extrativista (Resex) do Baixo Juruá, Resex do Rio Jutaí e Floresta Nacional (Flona) de
Tefé.
Incluso ainda nesse documento estão três propostas pedagógicas construídas de forma
participativa, seguindo o passo a passo e a concepção teórica que são apresentados nas primeiras
sessões do documento.
O presente documento está organizado em três sessões. A primeira sessão apresenta os
objetivos e a abordagem conceitual que norteiam a capacitação; a segunda apresenta a metodologia
adotada e os passo a passo de construção dos projetos piloto; a terceira apresenta os três projetos
piloto construídos com a utilização dessa metodologia e as considerações finais.
2
Objetivo
O presente projeto tem por objetivo:
Elaboração do projeto de capacitação de jovens com o intuito de diagnosticar e
fomentar o surgimento de novas lideranças em áreas protegidas e entorno bem como
promover o fortalecimento comunitário, intentando multiplicar conhecimentos de
biodiversidade, monitoramento e educação ambiental, para fortalecer a gestão participativa.
1
Também objetiva:
• Levar aos jovens moradores das UC envolvidas, um conjunto de informações e vivências
que, por um lado, incremente o nível de informações legais sobre as áreas protegidas
federais e suas ferramentas de gestão, e por outro, auxilie o fortalecimento comunitário e o
diagnóstico de futuras lideranças potenciais para as UC. Assim, o ICMBio e as associações
poderão investir no treinamento e orientação desses jovens.
• Descrever o processo educativo construído coletivamente, explicitando os temas abordados
em cada encontro e os ganhos cognitivos esperados na realização de cada módulo.
• Mostrar como a construção coletiva de processos educativos é um momento importante na
formação de grupo e no estimulo a participação dos jovens nas ações das UC.
• Diagnóstico de jovens que possam atuar no monitoramento da biodiversidade, como apoio
ao ICMBio para monitorar a diversidade biológica in situ das UC por meio de orientações
básicas sobre o programa de monitoramento e sua importância.
• Aproximar os jovens residentes das UC e entorno das atividades da UC, estimulando sua
participação na conservação ambiental como protagonistas e aprendizes.
• Elaborar um ensino educativo dialógico construído a partir de ciências, artes, conhecimento
tradicional e linguagem jurídica, que gere participação social transformadora, protagonismo
juvenil e exercício da cidadania.
• Estimular a compreensão do contexto social, político, cultural, histórico, econômico,
ambiental do território e valorizar a própria cultura além de ampliar o sentimento de
pertencimento ao território.
• Ampliar as noções de ecologia e ambiente; de educação ambiental; de gestão de recursos
naturais; de políticas públicas; de direitos e deveres dos povos tradicionais; de cidadania.
• Valorizar os jovens, futuros líderes e co gestores das UC, e fortalecer sua auto estima.
• Instrumentalizar os jovens para o exercício de organização social e gestão comunitária.
• Qualificar os jovens residentes de UC e de seus entornos para se apropriarem e participarem
dos instrumentos de gestão das UC.
• Apresentar as propostas construídas coletivamente nos encontros realizados nas 3 UC
partícipes desse projeto.
• Indicar possíveis caminhos a serem seguidos para implementação das propostas construídas.
• Servir de referencia para analistas ambientais, gestores e co gestores de UC construírem e
aplicarem processos de educação baseados na metodologia Verde Perto.
3
INTRODUÇÃO
O presente projeto de capacitação tem por público jovens residentes no interior ou no
entorno das unidades de conservação (UC) federais, tanto de uso sustentável quanto de proteção
integral. A escolha desse público teve por motivação o diagnostico de que ocorre baixo
2
envolvimento dos jovens, público estratégico para a gestão participativa continuada, nos assuntos
comunitários e das UC.
O tipo de linguagem adotada na gestão das UC muitas vezes não facilita a comunicação
com os comunitários, resultando momentos de insatisfatória compreensão mútua. O uso do
linguagem técnica do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) pelos
servidores, nem sempre é compreendido pelos comunitários, independente se residentes no
Amazonas, na Bahia ou Mato Grosso. Com a dificuldade de domínio do ferramental jurídico
administrativo utilizado na administração das UC, associado aos interesses inerentes à fase de
transição entre infância e vida adulta, que caracterizam o público jovem, ocorre uma
desmobilização por parte da juventude sobre as questões referentes à gestão participativa das UC e
a colaboração com a conservação ambiental.
Nas palavras de Edgard Morin (2002, pag. 51) “Literatura, poesia, cinema, psicologia,
filosofia deveriam convergir para tornar-se escolas da compreensão. A ética da compreensão
humana constitui, sem duvida, uma exigência chave de nossos tempos de incompreensão
generalizada: vivemos em um mundo de incompreensão entre estranhos, mas também entre
membros de uma mesma sociedade, de uma mesma família, entre parceiros de um casal, entre
filhos e pais.”, essa incompreensão tão atual é muito perceptível nos desafios ambientais, sintomas
de uma crise bem maior que é a crise de paradigma atual vivenciada por nossa civilização. A
separação em “caixinhas de saber” estanques e que não se conversam apenas contribuem para a
manutenção da crise sistêmica. Nessa perspectiva, a abordagem educacional que engloba diferentes
saberes, que engloba arte, cultura e ciência como necessários ao enfrentamento dos desafios atuais é
mais atual do que nossa tradicional educação em disciplinas isoladas, que foi pensada séculos atrás.
Além disso, existe a separação em “caixinhas de poder geracionais”. Os jovens além de
serem colocados em contato com uma linguagem desconhecida, hermética e enfadonha, muitas
vezes não são nem minimamente detentores de algum nível de poder decisório. Eles não são
cativados e seduzidos, por um lado, e não tem efetiva participação nas discussões e decisões
relevantes da administração das comunidades e das UC, por outro lado. Dessa forma a apatia e a
desmobilização dos jovens frente aos assuntos comunitários e aos assuntos das UC passam a ser
uma constante verificada nos mais diversos locais do Brasil.
Os jovens apresentam diversas características inerentes ao momento da vida, que
independem de onde eles vieram e onde residem. Todos tem o desafio da transição da infância para
a vida adulta, com as questões inerentes a essa etapa. A necessidade de participação e
pertencimento ao grupo é outra característica comum a jovens de quaisquer locais. Outra
característica interessante desse grupo é sua propensão para o idealismo e a vontade de “mudar o
mundo”, além de sua energia excessiva e de sua disponibilidade de tempo. Valorizar as capacidades
dos jovens e canalizar a energia e idealismo desse grupo para enfrentamento de desafios sócio
ambientais pode gerar bons frutos no fortalecimento da gestão participativa das UC, e na melhoria
da qualidade de vida das comunidades.
Essas características tornam os jovens um grupo com muitas potencialidades para se
trabalhar visando fortalecimento comunitário, conservação da biodiversidade e participação sócio
político ambiental, em suma na formação cidadã. Criar um grupo coeso com intenção de participar
da conservação ambiental, do monitoramento da biodiversidade e do fortalecimento da gestão
participativa das UC federais é o foco deste trabalho direcionado aos jovens.
Com o foco nos jovens é produzida uma renovação natural das lideranças, o que
favorece a continuidade da participação comunitária na gestão ambiental das UC. Os jovens ao
serem estimulados a participar das decisões sócioambientais nas comunidades, e recebendo
informações e treinamento, trazem novo gás e novas propostas e possibilidades criativas para a
3
gestão ambiental. Ao mesmo tempo aumentam sua autoestima e recebem orientações que os
permite vislumbrar possibilidades de atuação profissional na área sócio ambiental, na gestão das
UC, no monitoramento da biodiversidade, na educação ambiental e em outras áreas de forma mais
ampla. Com esses ganhos, a evasão de jovens das UC e entorno pode ser mitigada e as
comunidades, como um todo, tendem a se fortalecem.
Para conseguir construir esse grupo coeso, fundamental é a percepção do grupo de seu
papel protagonista na ação. O grupo de jovens deve perceber sua relevância e importância desde as
definições de seu processo educativo/cognitivo até seu papel fundamental de atores que fazem parte
das decisões que repercutem na boa administração de suas comunidades e UC.
Logo, fundamental na construção desse projeto é a atuação dos jovens. O projeto será
elaborado com os jovens residentes das UC e de seu entorno. Eles serão estimulados a participar
efetivamente e ativamente na montagem do projeto, dizendo qual sua expectativa, dando idéias e
sugestões, e planejando formas de alcançar os objetivos traçados coletivamente e em grupo. O papel
do grupo de jovens é de protagonistas na construção e realização do projeto.
Para tanto, a metodologia Verde Perto de educação será utilizada como base.
4
ABORDAGEM CONCEITUAL
De acordo com a Política Nacional de Educação Ambiental (Lei no. 9.795 de 1999) a
educação ambiental compreende “processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade
constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a
conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e
sua sustentabilidade.”
Ao ser trabalhada como processo de construção de conhecimentos, habilidades e
atitudes, as competências individuais e coletivas, que englobam o ambiente natural, político,
histórico, econômico, cultural e social, a educação ambiental deve ser pensada como ação
continuada e integrada aos contextos locais, regionais e globais resguardando-se de ser executada
como ação pontual desconectada do todo.
Os processos de educação ambiental continuados incluem também a perspectiva de que
o educando é o sujeito principal de seu processo de aprendizagem. Isso implica em dar condições
para o educando aprender a partir de seus interesses e objetivos, sem que seja alvo de um processo
de dogmatização impositivo de temas que não lhes diz respeito. O protagonismo na ação
pedagógica estimula tanto a participação e interesse do educando nas ações educativas quanto sua
auto estima, ao ver reconhecido na dinâmica pedagógica seus interesses, desejos e necessidades.
Outro ponto relevante da educação ambiental é sua vocação transformadora. De acordo
com Layrargues (2009) a educação ambiental visa a transformação da sociedade por meio do
oferecimento de oportunidades, saberes, técnicas e ferramentas de fortalecimento e empoderamento
dos indivíduos para melhorar suas condições de vida e mitigar seus níveis de vulnerabilidade
ambiental, enfrentando as injustiças ambientais. A educação ambiental deve estar articulada com o
compromisso social.
Este projeto de capacitação é estruturado a partir da metodologia Verde Perto Educação,
uma metodologia de educação ambiental desenvolvida em 2007, na cidade mineira de Conselheiro
Lafaiete. Foi construído por meio de uma parceria estabelecida entre 30 alunos do 2º ano do ensino
médio de um colégio e os integrantes de uma Ong socioambientalista (Rodrigues, 2008). Inspirado
na teoria das inteligências múltiplas de Gardner (1994), na complexidade ambiental de Leff (2003),
4
na educação para o futuro de Morin (2002, 2005) e na pedagogia da autonomia de Freire (1998) é
baseado no tripé: protagonismo juvenil, educação lúdica e transdisciplinaridade. A Verde Perto
busca trazer aos participantes uma reflexão sobre o meio ambiente e as relações do homem com ele,
associando saberes técnicos, científicos, artísticos, culturais, históricos, geográficos e jurídicos,
onde quer que seja realizado.
Ampliar a participação social na gestão de áreas protegidas é um dos desafios para
implementação do Sistema Nacional de Unidades de Conservação - SNUC. Ampliar essa
participação passa necessariamente por trazer os jovens para dentro das discussões. Pois significa
atuar no processo de formação de novas lideranças protagonistas na gestão participativa das
unidades e na manutenção da diversidade biológica nacional (Zimmermann, 2012). Passa por dar
voz e estimular o protagonismo dos jovens nas questões referentes ao meio ambiente que é bem de
uso comum de todos, logo, também dos jovens que devem ter voz ativa e participação estimulada e
reconhecida.
No âmbito das Unidades de Conservação “o desafio é a educação ambiental voltada para
o exercício da cidadania, no sentido do desenvolvimento da ação coletiva para o enfrentamento dos
conflitos e questões socioambientais. Para isso, a educação ambiental deve ter a perspectiva crítica e
libertadora de forma a estimular que comunitários e comunitárias sejam sujeitos ativos da gestão do
território, atuando de forma integrada com o poder público para a conservação do meio ambiente e
valorização de seu território e cultura” (Zimmermann, 2012).
O projeto Jovens como Protagonistas do Fortalecimento Comunitário na Resex do Baixo
Juruá, Resex do Rio Jutaí e Flona Tefé, AM, realizado em 2011-2012, foi uma primeira experiência
de aplicação da metodologia Verde Perto em UC federal (Souza et al, no prelo) e teve por estratégia
aproximar os jovens residentes em UC e em seu entorno da gestão participativa dessas Unidades e
demonstrar as possibilidades de ação e atuação profissional, educativa e cidadã em parceria com as
próprias Unidades de Conservação. Levando seus participantes a vivenciar seu ambiente natural,
cultural, social, histórico e político imediato sob as perspectivas da conservação ambiental, do
conhecimento científico, do fortalecimento comunitário, da ação cidadã, da educação ambiental, da
participação e das artes. É construído com foco no público jovem das UC brasileiras. Tem por meta
incluir educação e conservação ambiental, ciência e artes, protagonismo juvenil e empoderamento
das ações comunitárias na vida dos jovens.
O projeto foi elaborado a partir do pressuposto de que o entendimento do contexto em
que os moradores das UC estão inseridos, o acesso a informações históricas e técnicas sobre as
áreas protegidas e a consciência da importância da organização comunitária, são base para a
emancipação e inclusão social. Tem por meta propiciar maior envolvimento dos moradores das
Unidades, através do envolvimento dos jovens, com as questões comunitárias, fortalecendo as
entidades que os representam, tais como associações, por meio da apropriação e do sentimento de
pertencimento.
Busca ainda facilitar o diálogo entre comunitários e analistas, o que irá fornecer
subsídios para identificação de pontos fracos e fortes na efetividade da gestão participativa por parte
do ICMBio, dos Conselhos Gestores, das Associações e de outras esferas de participação. Além de
promover intercâmbio e união entre moradores de diferentes comunidades, em busca do
fortalecimento comunitário.
Dessa forma, este projeto de Capacitação para Jovens pretende trabalhar o
fortalecimento dos jovens por meio da qualificação desse grupo. A partir dos interesses dos jovens
colocá-los em contato com informações, instrumentos, técnicas, histórias, vivências e experiências
que os qualifique para uma participação mais efetiva, constante e crítica, na gestão de suas
Comunidades, entidades representativas e Unidades de Conservação.
5
5
METODOLOGIA
5.1 VERDE PERTO EDUCAÇÃO
A metodologia Verde Perto Educação (Rodrigues, 2008) se sustenta no tripé:
Protagonismo Juvenil – Os próprios jovens moradores e usuários das UC sugerem e propõe
atividades; Transdisciplinaridade – Assuntos diversos abordados concomitantemente e de forma
integrada nas atividades; e Educação Lúdica – Intercalado às atividades teóricas, e às palestras, são
realizadas atividades lúdicas ligadas ao tema trabalhado, que tem por finalidade atrair os jovens
para participação e retorno às atividades do projeto, uma vez que este é um processo de educação
não formal onde vai quem quer e volta quem gostou.
As oficinas e atividades lúdicas, realizadas após as palestras, são escolhidas pelos
próprios participantes, sendo independentes em cada UC. Os temas dos módulos são escolhidos em
parceria entre os jovens, a equipe gestora e as entidades representativas ou lideranças comunitárias
das comunidades e abordam alguma área do conhecimento / saber necessários ao fortalecimento
comunitário, à ação participativa, ao estímulo do protagonismo juvenil ou à manutenção da
diversidade biológica.
O projeto é estruturado em módulos, e cada módulo normalmente é realizado em um
encontro presencial de jovens, em uma comunidade, com duração de três dias. UC em regiões onde
a logística é mais complicada, podem mesclar dois módulos e trabalhá-los num encontro de cinco
dias. Todas as atividades do projeto são desenvolvidas integralmente nas próprias UC ou em
comunidades do seu entorno. Em alguns casos especiais, os módulos podem acontecer na sede do
município da UC. Os encontros acontecem durante períodos previamente negociados e
estabelecidos de forma a não prejudicar a rotina da escola e das atividades comunitárias, para isso é
importante a coordenação do projeto estar sempre em contato, além dos jovens, com a secretaria
municipal de educação, professores e diretorias das escolas, pais e lideranças comunitárias. A
definição das datas passa por questões logísticas e adequações às agendas das comunidades (de
festejos, colheitas...) respeitando suas atividades econômicas e escolares além das questões
culturais.
Com a definição do tema a ser trabalhado nos módulos a equipe executora busca pessoas
que possam abordar a parte teórica do tema em questão. Podem ser lideranças comunitárias,
técnicos, pesquisadores, servidores públicos e outros, que desenvolvem ações e ou projetos cujas
atividades estão relacionadas ao tema escolhido para o módulo. E para ministrar as oficinas devem
ser convidados artistas que trabalham com a arte escolhida e, de preferência, que tenham
experiência com processos educativos.
Dessa forma os jovens, público alvo do projeto, são apresentados a conhecimentos e
saberes referentes ao tema escolhido por pessoas que atuam profissionalmente na área. Assim estes
jovens entram em contato com conteúdos teóricos e práticos atuais sobre as UC, em suas mais
diversas vertentes e entram em contato com as formas, jargões e conhecimentos referentes ao tema
trabalhado, além de estabelecerem contatos com pessoas que os pode ajudar na sua atuação
protagonista, seja imediatamente, seja no futuro. Além disso, a partir dos contatos com pessoas
qualificadas nas mais variadas áreas do conhecimento, os jovens recebem dicas e orientações
referentes aos seus desafios imediatos, tais como contatos com técnicos, informações referentes a
políticas públicas, materiais de apoio entre outros.
Esses profissionais convidados podem abordar o conteúdo teórico através de palestra,
exposição dialogada, mesa redonda, debate ou quaisquer outros métodos didático pedagógicos
adequados, de caráter não formal, para os participantes do projeto. Podem contar com o auxilio de
6
imagens, vídeos, sons, cerâmicas, organismos, livros textos, e quaisquer outros objetos, ferramentas
ou mecanismos que o responsável técnico julgar necessário para facilitar a aproximação do jovem
com o conteúdo tratado e que não sejam impeditivos do ponto de vista logístico. Por exemplo, em
uma mesa redonda sobre associativismo, o moderador pode levar como material auxiliar o estatuto
e o regimento interno impressos da associação do qual ele faz parte. Assim pode-se construir um
espaço de discussão sobre esses documentos, exercitando de maneira prática o contato dos jovens
com esse tipo de material técnico, tornando mais palpável o tema abordado na mesa redonda. Com
essa estrutura e esse auxilio de imagens, objetos e equipamentos, o público alvo tem acesso a muitas
ferramentas e instrumentos não usualmente presentes em seu cotidiano, e que incrementam e podem
facilitar tanto a explanação do técnico responsável quanto o processo de aprendizagem do
estudante.
Essas atividades teóricas sempre acontecem nas manhãs dos encontros, ao longo dos
dias do módulo trabalhado. Nessas atividades matutinas são incluídas também atividade lúdicas, tais
como dinâmicas, para evitar que o encontro fique maçante, e atividades de grupo, que podem ser
estudos dirigidos, exercícios ou quaisquer outros mecanismos didático pedagógicos necessários no
processo de facilitação do ensino aprendizagem.
Após as atividades teóricas matutinas os jovens entram em contato com oficinas de arte
educação onde os temas teóricos vistos nas palestras ou aulas expositivas são retomados, porém
com a utilização de outras linguagens. As oficinas de arte educação acontecem nas tardes, logo após
as manhãs teóricas. Os jovens são então colocados em contato com alguma técnica artística, dentro
da oficina, e ao longo da oficina são estimulados a retomar os temas teóricos com a utilização da
técnica artística trabalhada. Por exemplo, após uma palestra sobre o contexto ambiental
contemporâneo, pode-se realizar uma oficina de desenho onde os jovens após serem colocados em
contato com técnicas de desenho, são estimulados a utilizar essas técnicas para representar os
assuntos teóricos sobre o contexto ambiental contemporâneo, tratados na manhã anterior.
As oficinas de arte educação têm uma importância fundamental para o alcance dos
resultados pretendidos pelo projeto. Elas têm o triplo objetivo de ressignificar o conteúdo teórico da
palestra, melhorando a eficiência do processo cognitivo do tema abordado, ao mesmo tempo em que
leva conteúdo técnico da própria oficina e propicia a integração e o interesse do grupo de jovens
pelo projeto. Uma oficina de teatro, por exemplo, além de ser utilizada como uma forma de facilitar
e fixar o aprendizado sobre um determinado tema, ela tem a finalidade de apresentar aos jovens
técnicas de teatralização e representação cênica em si.
Assim, o estudante pode representar o que percebeu e apreendeu na exposição do
palestrante utilizando-se de linguagens como a poesia, a representação cênica, desenhos, músicas,
colagens, pinturas, contos, esculturas e demais linguagens de interesse do grupo. Esse mecanismo
vai de encontro à teoria das inteligências múltiplas. Nas palavras de Gardner: “...quando um tópico
é ensinado de formas variadas, cada pessoa assimila melhor algumas delas. Inversamente, se
alguém ficar restrito a uma única forma de conceito e apresentação, sua compreensão tenderá a
ser mais superficial.” (Gardner, 1994). Estruturando o projeto dessa maneira, visamos facilitar e
tornar mais efetiva a apropriação dos conceitos teóricos das palestras com a utilização de diferentes
linguagens para abordá-los. Como outro ganho, essa abordagem tende se mostrar mais cativante e
sedutora, aumentando a eficiência do processo educativo e a participação dos jovens em todo o
projeto, pois torna o processo de ensino aprendizagem mais diversificado e estimulante. Além disso,
a transformação dos temas teóricos em linguagens artísticas, por parte dos jovens, acontece com o
auxilio e a colaboração de instrutores de arte educação que apresentam aos estudantes diferentes
técnicas artísticas que poderão ser apropriadas e utilizadas pelos jovens dali para frente.
Para possibilitar a participação ativa e efetiva do instrutor na transmissão dos conceitos
teóricos é fundamental que o instrutor seja assessorado pelo moderador que faz o papel de tradutor
7
entre os diferentes saberes e linguagens abordados durante o encontro. Além disso, é desejável que
o instrutor tenha contato anterior com o tema a ser abordado na teoria e que acompanhe toda a
atividade teórica das manhãs durante o módulo em que é colaborador. Para tanto solicitamos a cada
um dos palestrantes participantes do projeto que indiquem material teórico sobre sua fala com os
principais conceitos e informações que serão abordados em sua palestra e que constituem suas
atividades profissionais. Esse material teórico é repassado aos instrutores das oficinas com
antecedência de pelo menos uma semana, para dar tempo de o instrutor estudá-lo. A partir desse
contato pretérito com o material teórico, os instrutores das oficinas têm condições de observar com
clareza o que mais aguçou a curiosidade, mais chamou a atenção e mais gerou dúvidas aos jovens
participantes. Dessa forma os instrutores tem tempo e condições de preparar suas oficinas
mesclando espaços de transmissão das técnicas de arte educação com momentos de discussão e
reflexão com os jovens dos conteúdos teóricos abordados nas palestras, facilitando o processo de
ensino aprendizagem.
Vale ressaltar que tanto palestrantes como instrutores de oficinas, antes de atuarem
devem receber as informações necessárias sobre a estrutura do projeto para nivelamento e reflexão
de como seria sua abordagem no processo de ensino aprendizagem. Desde os objetivos e intenções
do projeto, passando pelas características do grupo e pelo histórico da UC onde está sendo realizada
a atividade, culminando com as competências, habilidades e atitudes a serem estimuladas na
execução do módulo de acordo com a coordenação pedagógica do processo educacional. Assim,
teremos uma equipe técnica de cada módulo mais alinhada e harmoniosa.
Um importante mecanismo adotado nas oficinas é o direcionamento de todos os
produtos nela gerados para serem referentes aos conteúdos teóricos do modulo trabalhado. Ou seja,
se o tema do modulo foi manejo de produtos madeireiros, o instrutor da oficina (de poesia, por
exemplo) irá conduzir sua oficina para que os estudantes incluam em suas estrofes associações com
as plantas manejadas e as formas de uso dessas árvores que eles viram na palestra, além de suas
próprias observações pessoais e individuais sobre essa atividade produtiva. Dessa forma é feita a
abordagem de temas e conceitos teóricos com a utilização de outras linguagens.
Essa pluralidade de linguagens visa adaptar vocabulários, métodos e técnicas às
características dos jovens participantes, tendo por meta facilitar a aprendizagem, potencializar os
resultados cognitivos, além de seduzir e encantar o jovem para participar ativa e efetivamente das
ações propostas. Além disso, os jovens participantes serão estimulados a filmar, fotografar,
desenhar, descrever ou realizar quaisquer outros tipos de relatos das atividades do projeto. Visa
aumentar a apropriação e o empoderamento de todo o processo educativo por parte dos jovens.
Com a aquisição desse novo conjunto de conhecimentos os jovens aumentam seu
repertório cognitivo. Com o estímulo às emoções, esse repertório aumentado fica vivamente
presente na vida do jovem e passa a criar ligações mais profundas entre ele e a sua UC, tema de
fundo de todos os assuntos abordados ao longo do processo.
Ao longo de cada módulo temos então: atividades teóricas referentes ao tema do módulo
e oficinas de arte educação, ministradas por monitores artistas, intercalados com dinâmicas e
atividades em grupo. Sempre com a teoria nas manhãs, e com as oficinas nas tardes. Além disso, os
jovens são estimulados a construírem seus momentos de diversão nos intervalos das atividades.
Pode ser futebol, música, nadar em um riacho ou qualquer outra atividade que fortaleça a coesão do
grupo e seja agradável. Essa ação lúdica organizada e executada pelos próprios jovens é mais uma
forma de execução do protagonismo, que se junta ao protagonismo da escolha dos temas e oficinas
a serem trabalhados nos módulos e o protagonismo na organização dos encontros nas partes de
monitoramento de horários, limpeza das áreas de trabalho, produção de alimento, apoio aos
palestrantes e instrutores e toda as atividades associadas a organização plena dos encontros. Essa
mescla de protagonismo na organização do evento como um todo e na construção dos momentos
8
lúdicos auxilia na criação de um forte laço de coesão e percepção de pertencimento ao grupo, uma
característica marcante dessa faixa etária.
Cada módulo conta com um ou mais responsáveis técnicos pela parte teórica e um ou
mais responsáveis técnicos pelas atividades das oficinas de arte educação. Esses profissionais são
orientados pelo moderador das atividades que é o condutor do projeto. É ideal que o moderador
treine, ao longo dos encontros dos projetos, jovens a exercer esse papel de moderação, que
posteriormente poderão replicar a metodologia, além de se qualificarem como oradores e
expositores.
É desejável também que os responsáveis técnicos das atividades teóricas e de arte
educação dos módulos sejam acompanhados por jovens protagonistas de outras comunidades, que
já passaram por esse processo de formação. Esses jovens servem de exemplo vivo dos resultados
obtidos no projeto jovens e, ao mesmo tempo, recebem um novo tipo de qualificação e treinamento
ao serem colocados como membros da equipe organizadora da nova etapa dessa proposta. Mais um
momento no estimulo ao protagonismo juvenil desse grupo de jovens.
Vale ressaltar o papel fundamental do moderador. Esse personagem tem a missão de
facilitar toda a ação pedagógica. Deve ser uma pessoa que gere confiança nos jovens e que consiga
fazer a interlocução com cada um dos três diferentes atores envolvidos no processo educacional:
grupo de jovens; técnicos transmissores de teorias; instrutores de arte educação. Assim, o
moderador deve estar atento aos jovens, suas duvidas e dificuldades, para poder clarear as
informações teóricas, por um lado, e explicitar as dúvidas dos jovens para o técnico que está
apresentando as teorias, por outro lado. O mesmo deve ser feito em relação aos jovens e os
instrutores das oficinas e entre os conteúdos teóricos e os conteúdos das oficinas.
Além disso, esse moderador é quem tem a função de manter conectado todo o processo
educativo, trazendo os módulos já realizados e remetendo aos módulos futuros, de tal forma que
todo o processo se torne fluido e claro para os jovens envolvidos. Outro papel importante do
moderador é poder participar diretamente da avaliação dos encontros, junto aos demais membros da
equipe, avaliando não só o módulo pontual, como todo o processo educativo, e realizando as
adequações e refinamentos de curso a medida que os encontros acontecem.
5.2 UNIDADES DE USO SUSTENTÁVEL
Em UC de Uso Sustentável os encontros serão realizados preferencialmente em alguma
comunidade das próprias UC ou, em alguns casos, na sede do município da UC ou ainda em alguma
comunidade do entorno.
Nesse recorte, a qualificação dos jovens sobre o papel do associativismo é fundamental.
Em UC de uso sustentável o papel das Associações de moradores é de fundamental relevância, pois
sem a associação as comunidades e os comunitários tem dificuldades, ou mesmo impedimentos, em
acessar o direito de uso da terra, enfraquecendo toda e qualquer iniciativa de promoção da gestão
participativa.
Outro ponto relevante de se tratar nesse tipo de categoria são as vantagens de se morar
em UC de uso sustentável, as limitações e as potencialidades colocadas para seus moradores e
usuários.
Um terceiro ponto da ação em UC de uso sustentável são os intercâmbios. Em muitas
UC de uso sustentável, os jovens não conhecem todas as comunidades que compõem a unidade.
Muitas vezes esse desconhecimento da totalidade de sua UC dificulta a visão de todo necessária a
gestão participativa da reserva.
9
Logo, nesse recorte de categoria de UC os focos são para o associativismo e
fortalecimento comunitário, as vantagens e potencialidades na vida em uma UC, os intercâmbios de
trocas de experiências entre comunidades diferentes da mesma UC e entre moradores de diferentes
UC.
5.3 UNIDADES DE PROTEÇÃO INTEGRAL
Nas UC de proteção integral os encontros acontecerão parcialmente em comunidades do
entorno ou em alguma localidade urbana, e parcialmente no interior da própria UC. O foco das
ações nas UC de proteção integral são jovens residentes no entorno das UC, sejam da zona rural,
seja da zona urbana dos municípios circunvizinhos.
É importante que ocorram módulos inteiros ou parcialmente, dentro da UC. Nas UC de
proteção integral deve-se fazer excursões ao seu interior para fortalecer as atividades e a relação
entre o grupo de jovens e a Unidade.
Em muitas localidades de entorno de UC de proteção integral do Brasil, as comunidades
que residem neste entorno tornam-se vulneráveis por verem suas atividades de comercialização,
produção ou subsistência ameaçadas pela relação com o espaço territorial que a UC confere
Ao focar os jovens residentes em comunidades do entorno, pretendemos trazê-los para
participação da gestão da UC como protagonistas e que com isso os jovens possam aumentar suas
possibilidades do ponto de vista da formação educacional / cultural / cientifica, da formação cidadã
e do aumento de vislumbre de suas possibilidades profissionais associadas a conservação do
patrimônio natural.
Nesse recorte, os jovens podem receber instrumentalização que os permita ampliar suas
possibilidades produtivas, profissionais e afetivo culturais por meio de um conhecimento mais
profundo das características da UC e de suas possibilidades e potencialidades para a melhoria do
bem estar a das oportunidades desse jovem.
Ao vislumbrar possibilidades de interface e conexão com a UC, e ao estabelecer canais
de diálogo com os gestores da UC, esses jovens podem ter uma ampliação de suas perspectivas de
ação futura. Em um segundo momento, esses jovens poderão contribuir de forma efetiva na gestão
participativa da Unidade.
Outro ponto relevante nessas categorias é a possibilidade que uma nova relação seja
construída entre os gestores da UC e as comunidades de entorno. Ao apresentar novos olhares e
oportunidades de relação comunidade/UC, cria-se a possibilidade de mitigação de problemas e
conflitos históricos muito presentes entre comunidades e UC de proteção integral no Brasil.
6
6.1
PASSO A PASSO DA CONSTRUÇÃO PARTICIPATIVA DAS AÇÕES
PEDAGOGICAS
Reuniões de preparação para implementação do Projeto Jovens Protagonistas
Ao se definir que a UC tem interesse em realizar ação educativa voltada para jovens, é
fundamental definir quais serão os temas abordados no projeto como um todo.
Para tanto deve-se considerar as perspectivas dos gestores da unidade, dos lideres
comunitários e das entidades organizadas dos moradores da UC ou seu entorno (como associações e
cooperativas) e dos próprios jovens.
10
A partir da mescla de intenções dos gestores da UC com as necessidades das lideranças
comunitárias e com os interesses dos jovens, o projeto é construído, tendo como pontos de
agregação e participação a possibilidade de jovens escolherem o que pretendem aprender (o que
normalmente não é comum em sua vida estudantil) e as perspectivas dos lideres comunitários e pais
dos jovens para o futuro de suas comunidades e filhos.
Com esses atrativos os gestores tem a oportunidade de direcionar toda uma ação de
gestão para um grupo normalmente não focado na gestão da UC que pode culminar em toda uma
nova construção de participantes na gestão das unidades. Além disso, esses novos participantes na
gestão terão acesso a mais informações e conhecimentos referentes a ferramentas de gestão, direitos
e deveres associados a UC e todo um conjunto de informações e saberes não tão presentes nas
populações envolvidas em UC brasileiras, criando condições de surgimento de uma nova geração de
co gestores e, consequentemente, vislumbrando um novo tipo de relação entre moradores de UC e
entorno e as próprias unidades.
Para que seja possível alcançar essas possibilidades, deve-se construir participativamente
a ação pedagógica, envolvendo todos os atores citados acima.
Observação: Fica a critério do gestor a ordem da reunião com pais, jovens e com a
associação. De acordo com as facilidades e possibilidades logísticas se define qual ocorrerá
primeiro. Porém deve-se priorizar as intenções e interesses dos jovens na elaboração da proposta
educativa final, uma vez que eles são o público alvo imediato e prioritário desse projeto de
capacitação.
6.1.1 REUNIÃO COM A EQUIPE GESTORA DA UC:
•
A primeira atividade a ser realizada é a apresentação da metodologia Verde Perto, para a
equipe gestora da UC.
•
Após a apresentação da metodologia, dialogar com a equipe gestora as potencialidades e os
limites da metodologia Verde Perto na formação de jovens lideranças e no fortalecimento
comunitário.
•
Com o nivelamento da equipe sobre o que se consegue realizar com a aplicação dessa
metodologia, definir quais os interesses e quais as prioridades, para a equipe gestora, de
ações direcionadas ao público jovem, incluindo os temas prioritários para os gestores a
serem trabalhados ao longo do projeto com esse público.
•
Tendo definidas as intenções e prioridades da equipe gestora, passamos para as reuniões
com os jovens.
6.1.2 REUNIÃO COM OS J OVENS:
• Antes de mais nada, informar às lideranças comunitárias e aos pais que se pretende realizar
reuniões com o grupo de jovens a fim de se pensar a educação na UC. As reuniões com os
jovens devem acontecer com a anuência dos responsáveis.
• Somente será trabalhado o grupo de jovens se a anuência dos pais e responsáveis de fato
ocorrer.
11
• Tendo a anuência dos pais e responsáveis, realizar o máximo de reuniões possível com os
jovens das comunidades. Nessas reuniões devem estar presentes apenas jovens e o
moderador das reuniões.
• Nas reuniões com os jovens deve-se levantar um conjunto de informações. Mas antes de
fazer a prospecção das informações os jovens devem ser informados que esses encontros
têm por meta a elaboração de uma proposta de educação não formal a ser construída em
parceria entre eles, a administração da UC e as lideranças comunitárias. Deve ficar bem
claro que as opiniões, ideias e interesses deles, serão consideradas e incluídas dentro do
projeto de educação. Eles são protagonistas de seu processo educativo e devem se enxergar
e se assumir como tal.
• Outro ponto importante é deixar claro o que significa educação não formal, quais seus
limites e quais suas potencialidades. Além disso, deve-se deixar bastante claro até onde o
projeto que está sendo construído pode ir. Quais são seus limites e suas possibilidades. Esse
nivelamento é fundamental para que não se criem expectativas irreais que podem se tornar
frustrações em um segundo momento.
• Com o esclarecimento das diferenças entre educação formal e educação não formal deve-se
apresentar aos jovens a metodologia Verde Perto, sua abordagem conceitual e como é feito o
processo de educação a partir dessa perspectiva metodológica de educação não formal.
• Após esses esclarecimentos, esse nivelamento e a definição clara dos papeis que cada um
dos participantes da reunião tem no processo de construção da proposta educacional deve-se
começar a realizar o levantamento de necessidades e interesses dos jovens.
• O papel do moderador nesse momento é sistematizar e tornar claro para todos quais as
necessidades, interesses e possibilidades de ação que existem, de forma latente, naquele
grupo de jovens. Deve ficar bem explicito tudo o que os jovens pensam ser necessário para
uma proposta de educação não formal em sua UC. Nesse momento o moderador deve ir
relatando as falas dos jovens e ir organizando-as, seja em tarjetas seja em computador. O
importante é que após esse diagnostico inicial todos possam visualizar o que foi produzido.
• Deve-se deixar previamente combinado com os jovens que parte dos temas que serão
trabalhados são previamente estabelecidos de acordo com as necessidades da equipe
coordenadora do projeto. Aos jovens cabe a definição de cerca de 70% dos temas dos
módulos (Em um projeto com 10 módulos, os jovens definem 7, os outros são definidos pela
equipe organizadora, considerando as necessidades dos gestores da UC e as intenções das
lideranças comunitárias).
Nesse diagnostico deve-se levantar:
1) Quais os limites e fraquezas da educação que acontece na comunidade onde os jovens
residem (isso pode parecer obvio para o gestor da UC, porém é a opinião dos jovens que
queremos descobrir. Dessa forma é fundamental que o moderador coloque essa questão
e apenas escute e relate o que eles tem a dizer).
12
2) Que sugestões os jovens teriam para enfrentar esses desafios e fraquezas, por eles
levantadas, e quais ações eles imaginam que poderiam ter efeitos práticos para melhorar
sua situação educacional.
3) Que tipo de temas e assuntos deveriam ser tratados na educação nas comunidades e que
normalmente não ocorre dentro da escola formal. De que forma esses temas e assuntos
por eles levantados, em suas opiniões, podem contribuir para o fortalecimento das
comunidades e para a melhoria da vida na comunidade e na relação com a UC.
4) De que maneiras esses temas levantados poderiam ser trabalhados em um processo
educativo e de que maneiras eles gostariam que esses temas fossem abordados dentro da
perspectiva Verde Perto. Há uma diferença nesses dois tópicos, deve-se primeiro
levantar a opinião dos jovens de todas as maneiras possíveis e realizáveis de abordagem
de um dado tema e em seguida diagnosticar quais as maneiras preferidas/prediletas de
abordagem, dentre as possíveis, para a maior parte do grupo reunido.
5) Que tipos de atividades de arte educação, oficinas práticas e atividades culturais seriam
desejáveis e viáveis para facilitar a apreensão e o processo cognitivo dos temas teóricos
sugeridos pelos jovens. Por exemplo: trabalhar o tema “estratégias de produção e
transporte de óleo vegetal” utilizando como complemento às palestras e aulas, filmes de
ações exitosas em outros locais do Brasil, ou ainda a construção de um teatro onde cada
jovem representa um ator social envolvido na produção e comercialização do óleo, de tal
forma que seja exercitado na pratica o papel de cada um dentro dessa atividade
comercial. O papel das atividades de arte educação e das oficinas é traduzir a informação
teórica em outras linguagens para facilitar o processo de apreensão dos conteúdos.
6) Que ações lúdicas complementares os jovens gostariam de incluir nessa proposta
educativa. Seria a definição por parte deles de como seriam seus ‘recreios’. Essa
definição é importante, pois coloca os jovens como um grupo mais coeso que prepara e
realiza juntos suas atividades de descontração e diversão. Fundamental para dar aos
jovens vontade e interesse em permanecer no grupo e retornar sempre ao projeto
(enquanto ele durar). Deve-se ter sempre em mente que esse projeto não “vale nota”, não
oferece um diploma formal e a pessoa participa e retorna se quiser, se estiver
satisfeita/estimulada. Logo o processo de convencimento e sedução dos jovens para
participar e, principalmente, retornar deve ser pensado exaustivamente e deve ser
considerado como fundamental. Uma parte importante disso são as ações lúdicas
complementares, as ações culturais e as atividades de arte educação.
7) Sistematizar todo esse conjunto de informações e definir ordens de prioridade para cada
tema/assunto sugerido, oficinas e atividades culturais desejadas e atividades lúdicas
consideradas.
8) Essa definição de ordem de prioridades deve ser feita pelo grupo de jovens, mas o
moderador deve adequar, de forma dialogada com os jovens qual seria dentro de tudo
que surgiu o “objetivo” e a “meta” da ação pensada, e a partir daí estabelecer quais ações
e ideias constroem da melhor forma o todo harmônico que melhor alcança os objetivos e
intenções do grupo. Além disso, o moderador, dentro desse momento, deve acrescentar
suas sugestões e ideias de temas a serem abordados, a partir de sua visão estratégica
sobre a gestão da UC (previamente conversada com a equipe gestora da UC). O
moderador deve ter suas ações prioritárias, a partir do interesse da gestão, na construção
desse projeto e isso deve ser incluído na proposta final, porém isso só deve ser incluído
no final do processo de construção coletiva, para evitar que as intenções da gestão da UC
13
enviesem a construção dos jovens. Ao mesmo tempo, os jovens devem estar cientes, de
antemão, que os interesses da equipe gestora se somarão aos seus na proposta final do
projeto. O moderador deve mesclar as diferentes visões (dele, da gestão da UC, da
Coordenação de educação ambiental do ICMBio / COEDU, das lideranças comunitárias
e dos jovens) de forma harmoniosa e de forma que nenhuma das visões seja
descaracterizada.
9) Após essa sistematização, construir a ação educativa “O Projeto Jovens Protagonistas”
para apresentar aos pais, lideranças comunitárias e associação comunitária mãe da UC
de uso sustentável, ou da associação de moradores das comunidades do entrono das UC
de proteção integral. Nesse produto final devem estar contidos os objetivos e metas do
projeto, os temas abordados em cada encontro, as oficinas de arte educação e as ações
culturais para cada tema, as atividades lúdicas de cada encontro, o número de temas (e o
número de encontros) pensados inicialmente, o público alvo dos encontros e o período
de duração do projeto.
10) Ao apresentar a pré proposta dos jovens para pais e lideranças, deve-se negociar
combinar com os próprios jovens que as intenções e perspectivas de lideranças, pais, e
associações de moradores podem ser incluídas na versão final do projeto, ampliando seu
alcance e sua efetividade.
Parcerias com pais, comunidades e associação:
• A partir das informações levantadas nesse diagnóstico perguntar e dialogar com os jovens de
que maneiras essa sua ação pode “conversar” com a associação dos moradores e de que
formas pode “conversar” com as lideranças comunitárias.
• Levantar pontos de colaboração entre associação e projeto jovens (por exemplo, a
associação como parceira para logística de encontros); levantar pontos de colaboração entre
comunidades e projeto jovens (por exemplo, na produção dos alimentos para os encontros –
quem cozinha?).
Construção dos argumentos de convencimento para pais, comunidades e associação se tornarem
parceiros do projeto:
• Ver com os jovens de que formas eles visualizam o projeto como uma ação que pode
contribuir para a associação e para a organização/dinâmica nas comunidades. Essas
informações e ideias devem ser utilizadas como argumentação de convencimento para trazer
para o projeto, de forma efetiva, as comunidades e a associação. Se as comunidades não se
convencerem da importância e utilidade prática do projeto, ele fica vulnerável e pode não
avançar. Mas os jovens devem atuar no convencimento dessa importância já como exercício
de protagonismo (mas na conversas previas entre o moderador responsável pela condução
participativa da ação pedagógica, os pais e lideranças são esclarecidos de forma ampla sobre
o apoio da equipe gestora da UC e do ICMBio em relação ao projeto junto aos jovens).
• Por isso é fundamental que eles jovens pensem de forma ampla o que o projeto pode
representar para a coletividade, e não só para eles, tanto de forma imediata, como de longo
prazo. Esse argumento de convencimento deve ser feito com as ideias e sugestões dos
jovens, eles que são os protagonistas da ação, o moderador é o organizador e sistematizador
das ideias deles, mas deve auxiliar os jovens em seus argumentos e acrescentar os
14
argumentos do próprio moderador, como educador, e dos gestores da unidade, que percebem
as vantagens estratégicas do projeto.
• O convencimento deve ser feito após o projeto estar desenhado, incluindo os próprios
interesses estratégicos do moderador e do gestor da unidade. Note que o protagonismo dos
jovens é exercido na construção coletiva do projeto (entre eles e entre eles e o gestor da UC)
e no convencimento de emparceiramento entre eles jovens e a associação e as comunidades.
6.1.3 REUNIÃO COM OS PAIS E LIDERANÇAS COMUNITÁRIAS:
• É fundamental que os pais e a comunidade como um todo sejam parceiros do projeto. Para
isso deve-se apresentar aos pais e às lideranças as idéias dos jovens e o desenho da proposta
de ação educativa que foi construída coletivamente nas reuniões com os jovens.
• Levantar as opiniões da comunidade sobre o projeto jovens protagonistas construído pelo
grupo de jovens.
• Perceber a partir das opiniões da comunidade pontos fortes e pontos a serem melhorados na
proposta que não foram visualizados pelo grupo de jovens (tanto do ponto de vista de
interesses da comunidade quanto de questões logísticas).
• Após essa reunião, avaliar com os jovens possíveis adequações da proposta.
6.1.4 REUNIÃO COM AS LIDERANÇAS DA ASSOCIAÇÃO DE MORADORES/PRODUTORES DA UC OU
ENTORNO:
• A parceria da associação é desejável. Caso a associação se interesse em ser parceira pode
oferecer espaço para o grupo de jovens em suas ações e atividades.
• A associação pode colaborar com questões logísticas, com fortalecimento institucional e em
contrapartida pode explicitar os tipos de interesses e utilidade que percebe em um projeto
com essa proposta.
• Interessante levantar as opiniões e expectativas da associação frente essa ação educativa e
diagnosticar os pontos de interesse e ação em comum entre a associação e o projeto jovens
protagonistas.
• A associação pode sugerir temas a serem abordados dentro do projeto educacional, que
sejam relevantes para o fortalecimento comunitário e para a adesão dos jovens ao cotidiano
da associação.
6.1.5 REUNIÃO FINAL DE ALINHAMENTO ENTRE GESTOR, JOVENS, LIDERANÇAS COMUNITÁRIAS E
ASSOCIAÇÃO
• Essa reunião servirá para a apresentação da proposta final, bem como para o estabelecimento
de agendas, datas, divisão de responsabilidades e de nivelamento sobre tudo que foi
construído entre todos os atores.
• Não necessariamente precisa ser uma reunião com a participação de todos, pode-se contar
com a presença de alguns representantes de cada grupo envolvido.
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• Após esse conjunto de reuniões para a construção participativa das metas e ações do projeto,
com estímulo ao protagonismo juvenil nessa construção, é definida a proposta final (projeto
final). Nesse projeto ficam determinados os temas, objetivos, metas, oficinas e tudo o mais
que é contemplado na metodologia Verde Perto Educação.
A partir daí, com o projeto final pronto, mãos à obra na execução.
7
PROJETOS PILOTOS CONSTRUIDOS PARTICIPATIVAMENTE NAS UC:
RESERVA EXTRATIVISTA (RESEX) DO MÉDIO JURUÁ; RESEX DO RIO
JUTAÍ E PARQUE NACIONAL (PARNA) DA CHAPADA DIAMANTINA
Utilizando o modelo de referência de prospecção de temas e interesses de jovens,
lideranças comunitárias e gestores das UC, foram construídas de forma participativa as propostas
piloto a serem executadas na Resex do Médio Juruá, na Resex do Rio Unini e no Parna da Chapada
Diamantina.
Nesse tópico será apresentado detalhadamente cada um dos projetos piloto construídos
nas UC, com descrição dos temas escolhidos, dos parceiros de execução dos projetos, das formas
como foram levantados os temas e oficinas, das necessidades de profissionais para realização dos
módulos, dos custos estimados de cada um dos projetos piloto, além de uma contextualização das
características básicas das UC envolvidas, descrevendo o porque do interesse dos gestores em se
trabalhar essa ação junto aos jovens.
Além disso, ao longo dessa apresentação serão mostradas as competências, habilidades e
atitudes que se espera estimular na execução do projeto de educação além de se explicitar qual o
foco pedagógico na abordagem dos temas Biodiversidade e Mudanças Climáticas dentro dessa
proposta educativa aqui apresentada.
Os projetos piloto foram construídos contendo, cada um, dez encontros diferentes. Em
cada um desses encontros, que serão realizados com intervalos de aproximadamente 3 meses entre
eles, um diferente assunto teórico é abordado com o apoio de uma diferente oficina de arte
educação. Em nenhum dos módulos ocorre repetição completa de tema e oficina, porém em todos
os encontros ocorre uma retomada do assunto tratado no módulo anterior e uma previa do próximo
módulo.
Além disso, a equipe responsável pela coordenação pedagógica do projeto deve, sempre
que for necessário e adequado, retomar pontos que foram apresentados e discutidos nos módulos
anteriores, alem de fazer alusão ao que ainda será tratado no decorrer do projeto.
Nas conversas de construção coletiva dos projetos, deixa-se claro para os participantes
que o primeiro e o último módulos são previamente definidos. Esses módulos são necessários para
dar o alicerce conceitual/teórico em que as ações do projeto estão embasadas, no caso do módulo
inicial, e para dar o direcionamento de continuidade de ação protagonista dos grupos de jovens que
são criados, no caso do último módulo.
No módulo de apresentação do projeto, a metodologia é apresentada aos participantes.
Nesse momento de introdução, é enfatizado que a participação de cada um dos jovens é motivada
por interesse pessoal. No projeto “vai quem quer”. Outra importante questão trabalhada no módulo
inaugural diz respeito à responsabilidade do projeto. Nossa proposta é que os jovens sejam
protagonistas do fortalecimento comunitário. Para tanto eles devem ser protagonistas da construção
e condução do próprio projeto. Assim, desde o começo os jovens são co responsabilizados para
desenvolvimento de todas as atividades previstas e construídas ao longo do projeto jovens. Nessa
16
atividade inicial é necessária uma abordagem mais ampla da questão ambiental contemporânea,
enfocando aspectos ecológicos, políticos, culturais, econômicos, históricos e jurídicos da situação
ambiental atual no Brasil e no mundo.
Outras duas questões incluídas nessa proposta dizem respeito à informação e
explicitações dos papéis, competências e atribuições dos diferentes órgãos do Estado dentro dos
assuntos tratados no projeto, e os possíveis caminhos para acessar políticas publicas referentes aos
temas tratado no módulo. Essa explicitação de competências e atribuições é necessária para evitar
que os participantes do projeto acionem o ICMBio para resolução de questões que não lhe diz
respeito, tais como saúde ou assistência social, por um lado, e para que os participantes do projeto
criem o hábito de acionar os diferentes setores do poder público a fim de acessar políticas públicas
que gerem melhoria do bem estar nas unidades, exercendo assim efetivamente o protagonismo e a
gestão participativa, por outro lado.
7.1
CONTEÚDOS DAS PROPOSTAS – BIODIVERSIDADE E MUDANÇAS
CLIMÁTICAS
Dentro desse projeto de capacitação tem-se a possibilidade de se trabalhar temas de
relevante interesse na agenda sócio ambiental do governo brasileiro. Duas das ações prioritárias do
governo federal estão o Monitoramento da Biodiversidade e as Mudanças Climáticas Globais.
Nas propostas a serem apresentadas nos tópicos abaixo, esses temas serão trabalhados da
seguinte forma:
Monitoramento da Biodiversidade: Será apresentado aos jovens qual a utilidade das
informações que o monitoramento da biodiversidade oferece. Ao longo de temas como
Biodiversidade, Ecologia e temas afins, serão discutidas formas e usos para informações referentes
à biodiversidade. Por exemplo, como conhecimentos sobre biodiversidade local podem gerar
informações para manejo de recursos naturais, para regras de uso de recursos, para diagnostico de
qualidade ambiental dentre várias outras possibilidades.
Ao se mostrar aos jovens as diversas utilidades que o levantamento de informações
referentes à biodiversidade local apresentam, tem-se a possibilidade de efetivamente conseguir a
adesão desse grupo no apoio ao monitoramento da biodiversidade e na adesão do programa do
ICMBio.
Para que os jovens participem do Programa de Monitoramento da Biodiversidade do
ICMBio, eles devem entender o que é monitorar a biodiversidade, o porque se monitora a
biodiversidade, como essas informações são usadas e de que formas esse sistema pode contribuir
para a gestão das UC e para a melhoria da vida nas comunidades de dentro e do entorno da UC.
Outro ponto a ser trabalhado é mostrar aos jovens como esse sistema pode ser uma
atividade a mais que se pode realizar dentro do seu cotidiano, e que essa atividade tem diversos e
diferentes aplicações e utilidades para sua vida e para a vida de sua comunidade.
Trabalhando-se nesse nível mais basal de nivelamento dos conhecimentos e
importâncias do Programa de Monitoramento da Biodiversidade, quando o ICMBio for buscar
pessoas para colaborar diretamente e efetivamente nesse programa, os jovens já tem noções das
importâncias, necessidades e aplicações desse programa, o que pode aumentar a efetividade na
implementação do Programa nas diferentes UC do Brasil onde ele for colocado em prática.
17
Mudanças Climáticas Globais: Com relação as mudanças climáticas globais, esse tema é
tratado principalmente no módulo de introdução do projeto, onde as questões ambientais
contemporâneas e as diferentes discussões acadêmicas sobre a Crise Ambiental atual são
apresentadas e discutidas com o grupo.
É mostrado, por meio da apresentação de filmes sobre o tema, e de artigos e informações
cientificas, como a ação humana e o desmatamento, contribuem para as transformações dos climas
no âmbito local, regional e global.
Além disso, esse tema também é tratado em módulos específicos, tais como Clima,
Alternativas Agroprodutivas ou Ecologia.
A intenção de se trabalhar as transformações climáticas no âmbito do projeto de
Capacitação de jovens é exercitar a capacidade de conexão entra as condutas individuais e locais
referentes as questões sócio ambientais e o todo da situação sócio ambiental global. Com o
exercício dessa capacidade de conexão entre o todo e as partes, e entre as partes e o todo,
exercitando as capacidades de análise e síntese de problemas e desafios, tende-se a se qualificar os
jovens para serem lideranças com mais estrutura e treinamento teórico no enfrentamento dos
desafios inerentes a gestão participativa do patrimônio natural brasileiro.
7.2 UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DE USO SUSTENTÁVEL
Serão apresentadas a seguir as propostas construídas coletivamente junto aos jovens,
analistas ambientais, lideranças comunitárias e representantes das associações das UC de uso
sustentável Resex do Médio Juruá e Resex do Rio Unini.
Nesse tipo de UC, deve-se trabalhar de forma permanente os intercâmbios e o
associativismo como formas de aumentar a efetividade da ação protagonista na gestão participativa
das UC.
7.2.1 Resex do Médio Juruá
7.2.1.1 Contexto
Em 2009, durante a elaboração do Plano de Manejo da Resex do Médio Juruá a equipe
gestora percebeu a ausência dos jovens e das mulheres nas reuniões de construção deste plano.
A equipe gestora concluiu então que o trabalho com as duas categorias deveria estar na
"estratégia da instituição" pensando na gestão e também nas diversas políticas públicas que existem
hoje dentro do Estado, voltadas para a juventude e para as mulheres.
A percepção da equipe gestora da Resex é de que “Se o Governo quando cria uma
unidade de Uso Sustentável visa manter as pessoas morando lá, o próprio Governo deve oferecer
condições e oportunidades para que as pessoas continuem morando e cuidando da área,
contribuindo com a conservação da biodiversidade e mantendo também a diversidade cultural
presente nas UC de uso sustentável”.
Segundo a legislação ambiental brasileira as Reservas Extrativistas tem como objetivos
proteger os meios de vida e a cultura das populações tradicionais residentes assegurando o uso
sustentável dos recursos naturais da unidade. Dessa forma, ações, atividades e processos formativos
voltados para assegurar a qualificação das pessoas residentes na Resex passam a ser prioridade de
gestão para a equipe gestora da Resex do Médio Juruá.
18
Então, de acordo com o ponto de vista da equipe gestora o projeto de capacitação para
jovens deve ser encarado com estratégia institucional.
Uma característica importante da Resex do Médio Juruá que interfere em sua
configuração diz respeito ao seu processo de formação. As comunidades residentes dessa região do
rio Juruá pleitearam, por meio de organização social, a criação de uma Resex na região. No dia
04/03/1997 foi criada então a Resex com área de 251.577 hectares. Porém, a criação da Resex não
contemplou todas as comunidades evolvidas nos movimentos de criação da UC.
As comunidades localizadas na margem direita do Rio Juruá ficaram de fora da Resex e
mesmo algumas comunidades da margem esquerda não foram incluídas dentro da área demarcada.
Isso não contemplou os interesses do movimento social na região, que ficou insatisfeito. Em 2005 o
estado do Amazonas cria então a RDS Uacari abrangendo as comunidades do Médio Juruá que não
foram contempladas com a criação da Resex federal.
Essa característica reflete na gestão das duas UC, pois apesar de serem de categorias
diferentes e de uma UC ser de âmbito federal e a outra de âmbito estadual, as comunidades da
região se enxergam como Médio Juruá, e não se diferenciam em Resex ou RDS.
Assim, normalmente as atividades desenvolvidas em uma das UC de uma maneira geral
engloba moradores das duas, sem distinção. Essa peculiaridade da formação social local interfere
então na gestão das duas UC.
No caso do projeto jovens, devido a essas características históricas locais, as ações serão
desenvolvidas nas duas UC. As atividades de construção coletiva contaram, inclusive, com a
participação de jovens das duas unidades, e desde o primeiro encontro, ocorreu a participação dos
gestores das duas UC concomitantemente.
7.2.1.2 Reunião de construção dos módulos:
Na Resex do Médio Juruá a construção participativa dos módulos ocorreu entre os dias
29/01 e 31/02/2013 na comunidade São Raimundo.
Neste encontro participaram 38 jovens provenientes de 8 diferentes comunidades de
Resex do Médio Juruá e 36 jovens provenientes de 10 comunidades da RDS Estadual Uacari.
Além dos jovens esse encontro contou com a participação de integrantes da ASPROC
(Associação dos Produtores Rurais de Carauari), do CNS (Conselho Nacional de Populações
Extrativistas), da AMARU (Associação dos Moradores da RDS Uacari), do CEUC (Centro Estadual
de Unidades de Conservação do Amazonas), da FAS (Fundação Amazonas Sustentável) e do
ICMBio.
Previamente foi feita uma apresentação da proposta metodológica para as lideranças da
ASPROC, em sua sede, no município de Carauari. Essa apresentação aconteceu antes da ida a
Resex por questão logística. Nessa conversa a presidência da ASPROC foi convidada a participar
do projeto e a verbalizar que tipos de assuntos percebe ser necessário se trabalhar com os jovens.
Depois de apresentada a proposta, foi solicitado ao pessoal da associação refletisse e apresentasse
sugestões para a construção da ação pedagógica. No dia seguinte, após conversa interna da direção
da associação, e antes da viagem para a Resex, o presidente apresentou temas que achava relevante
a serem trabalhados.
Os temas de interesse da direção da ASPROC foram: Associativismo; O papel do
movimento social no estabelecimento das UC do Médio Solimões; Mobilização social. Esses temas
foram incluídos na proposta final do projeto do Médio Juruá, como será percebido no tópico abaixo.
19
No encontro com os jovens realizados na comunidade São Raimundo, o primeiro passo
tomado foi conversar com as lideranças da comunidade, apresentando a metodologia e solicitando
permissão para realizar a atividade com os jovens. Porém, nessa UC os próprios pais e lideres
comunitários já queriam a implementação desse projeto.
Por meio de intercambio com jovens do Baixo Juruá, onde havia sido realizado o Projeto
Jovens Protagonistas, os pais e lideranças do Médio Juruá haviam solicitado à gestora dessa UC a
adotar também o projeto jovens em sua unidade, uma vez que esses lideres ficaram positivamente
impressionados com a postura e a participação dos jovens do Baixo Juruá em ações comunitárias e
da associação local (ASTRUJ).
Assim, os próprios jovens do Médio Juruá já estavam previamente mobilizados, por
estimulo de lideranças locais e também da gestora UC. Logo, no encontro de construção da
proposta, os jovens já estavam organizados e mobilizados na Comunidade São Raimundo,
especificamente para a construção do projeto. Isso foi um fator facilitador, e tornou a construção da
proposta local bastante efetiva, fluida e rápida.
Com os jovens todos juntos, primeiramente foi apresentado a metodologia Verde Perto,
com auxilio de data show, imagens, vídeos, textos, desenhos, poesias e outros produtos construídos
no Projeto Jovens do Médio Solimões. Assim, foi feito o nivelamento do que se pretende realizar no
Médio Solimões e da forma como serão trabalhados os temas de interesse local.
Após essa apresentação, os jovens foram separados em grupos e nesses grupos eles
colocaram em papel que tipos de temas e oficinas gostariam de trabalhar no projeto na sua UC.
Foram separados 10 grupos e cada grupo teve toda uma tarde para discutir e criar suas propostas.
Após os grupos definirem suas propostas de temas, todas as propostas de todos os
grupos foram apresentadas em plenário e afixadas em um painel. Com as propostas afixadas e
visualizadas por todos os participantes do encontro, foi feita a mesclagem de propostas afins,
construindo-se assim, de forma dialogada, a proposta final e coletiva dos módulos.
Como exemplo de mesclagem de propostas afins podemos citar 3 diferentes propostas
que surgiram e se tornaram um único tema: saúde bucal, prevenção de doenças sexualmente
transmissíveis e gravidez na adolescência foram misturadas transformando-se no módulo Saúde,
Prevenção de Doenças e Planejamento Familiar.
Realizando essas adequações chegou-se a proposta final apresentada abaixo:
7.2.1.3 Módulos construídos em Carauari:
1) Contexto da questão ambiental contemporânea no mundo e no Brasil e criação do
Sistema Nacional de Unidades de Conservação:
Responsável Técnico: Educador ambiental ou profissional afim.
Esse módulo tem a incumbência de apresentar o projeto, mostrar na pratica a abordagem
metodológica e servir de alicerce conceitual para o processo educativo a ser trabalhado ao longo de
todos os encontros.
Assim, é trabalhado no primeiro módulo a situação da questão ambiental atual no mundo
e no Brasil, situando o momento histórico em que se insere a chamada crise ambiental e todos seus
aspectos.
20
Dessa forma é construída uma linha do tempo que aborda a história das discussões
ambientais no mundo e no Brasil, e como essas discussões contribuíram para o surgimento dos
órgãos ambientais nos âmbitos internacionais, nacionais, estaduais e municipais além do surgimento
do SISNAMA (sistema nacional de meio ambiente).
Nessa linha do tempo são abordados as mudanças tecnológicas vivenciadas nos últimos
séculos, as transformações do nível de consumo de recursos naturais, a capacidade de
transformação dos recursos naturais em produtos de consumo, o aumento populacional, o aumento
dos produtos descartáveis. Contidos nessas mudanças históricas são incluídos os conceitos de
Injustiça ambiental, crise ambiental como sintoma de crise de civilização e vulnerabilidade
ambiental
A questão do consumismo, da cultura dos produtos e matérias descartáveis e suas
relações com os rejeitos. Os rejeitos que viram lixo e os rejeitos que viram oportunidades também
são enfocados por serem permanente fonte de preocupação das comunidades. Logo são tratados
temas como destinação de resíduos correta e incorreta.
Outra linha de temas abordados são os que dizem respeito ao desflorestamento, a
eliminação das matas ciliares, diminuição das áreas de florestas e matas, pressões nos ambientes
naturais, efeitos dos desmatamentos na vida das pessoas, pressão nos ambientes naturais e nos
recursos naturais.
A partir de toda essa construção histórica são apresentadas e discutidas as situações que
confluíram para a construção de uma política nacional de meio ambiente / legislação ambiental – e
os motivos que levaram a construção das Unidades de Conservação no mundo e no Brasil.
A partir dessa contextualização é apresentado o SNUC (sistema nacional de unidades de
conservação). Nesse ponto colocamos como objetivo a reflexão da vida dentro de uma UC e em seu
entorno, e levantamos junto aos participantes pontos positivos e pontos a serem melhorados das UC,
em suas perspectivas.
Papéis e competências: Explicitar as responsabilidades, atribuições e competências
legais do Ministério do Meio Ambiente, das autarquias executivas de Meio Ambiente, das
Secretarias estadual e municipal de Meio Ambiente, do Ministério Público, das Associações de
moradores, das comunidades e dos comunitários dentro do tema abordado no módulo.
Atividade de grupo: Linha do tempo das transformações ambientais nas UC.
Texto: A carta da Terra (disponível em www.cartadaterra.com).
Vídeo: A história das coisas; A ilha das flores (disponíveis em www.youtube.com).
Oficina: Desenho.
2) A história das UC de Uso Sustentável do Médio Juruá:
Responsável Técnico: Mesa redonda com a participação de representantes de cada um
dos grupos envolvidos na criação das UC.
Quais motivos históricos levaram a criação das UC de uso sustentável do Médio Juruá?
Como e quando foram criadas as UC? Como se relacionam, historicamente, as duas UC (reserva
21
extrativista do médio Juruá e reserva de desenvolvimento sustentável Uacari)? Porque foram criadas
duas UC de categorias diferentes, vizinhas uma a outra, e não uma única UC com área maior?
Quais as opiniões dos diversos atores envolvidos sobre a criação das UC? –
IBAMA/CNPT, comunidades que viviam dentro da área, prefeituras, estado do Amazonas,
movimento social, moradores.
Quais as dificuldades vivenciadas pelos participantes da criação da Resex e da RDS no
momento da criação das UC e como essas dificuldades evoluíram após a criação das unidades.
Qual o papel, a história e a importância dos movimentos sociais no médio Juruá e quais
as conquistas obtidas pelas UC de uso sustentável foram fruto das ações dos movimentos sociais.
Quais as características das UC do Médio Juruá – cultura, origens dos moradores, tipos
de produção agroextrativistas de ontem e de hoje. Apresentar uma abordagem detalhada da Resex
ontem.
Papéis e competências: Explicitar as responsabilidades, atribuições e competências
legais do Ministério do Meio Ambiente, das autarquias executivas de Meio Ambiente federais e
estaduais, das Secretarias estadual e municipal de Meio Ambiente, das Universidades, das
Associações de moradores, das comunidades e dos comunitários dentro do tema abordado no
módulo.
Atividade de grupo: A UC hoje. Como é a vida dentro da Resex? Pontos positivos,
pontos a serem melhorados e desafios. Projeções para o futuro dos jovens que vivem nas UC (suas
perspectivas).
Oficina: Historia da cultura do médio Juruá, oficina cultural.
3) A gestão participativa nas Unidades de Uso Sustentável:
Responsável Técnico: Analista ambiental e liderança comunitária.
Quais as possibilidades contidas na legislação (SNUC, dentre outras) que oferecem
oportunidade de participação na administração da UC? Como os jovens podem participar da gestão
de suas unidades?
Conhecer o plano de manejo e acordo de gestão da Resex do Médio Juruá, para entender
as regras de convivência e uso dos recursos (vantagens, possibilidades e limites) nas unidades de
conservação Resex e RDS.
Entender o papel do conselho gestor, suas atribuições e deveres. O conselho gestor é
uma entidade importante na administração das unidades e suas reuniões são abertas.
Debater: Qual é o papel do conselho? Qual é o papel do conselheiro?
Entender qual é o papel do ICMBio/SDS e o papel das associações de moradores na
administração da UC. (Trabalhar o artigo 23 do SNUC sobre a gestão participativa).
Os jovens podem aproveitar esse grupo já estabelecido e participar das suas reuniões,
pois, a tendência é que no futuro eles sejam os próximos conselheiros. Dessa forma, preparar esse
22
grupo de jovens para serem excelentes conselheiros, por meio de um entendimento mais profundo
do funcionamento, das atribuições e das responsabilidades do conselho.
Vislumbrar outros instrumentos de gestão, como acordos de pesca, termos de
compromisso, e demais instrumentos possíveis, e apresentar aos jovens outros caminhos possíveis
de gestão participativa.
Discutir com os jovens quais são as principais ameaças às UC do Médio Juruá nas suas
perspectivas. Por exemplo: pressão nos recursos naturais, diminuição de biodiversidade, situações
sociais, entre outras.
A partir da atividade de grupo do módulo anterior (visão de futuro) mostrar como a
participação no conselho pode ser a ferramenta de realização desse futuro desejado.
Papéis e competências: Explicitar as responsabilidades, atribuições e competências
legais do Ministério do Meio Ambiente, das autarquias executivas de Meio Ambiente federais e
estaduais, das Secretarias estadual e municipal de Meio Ambiente, dos integrantes do Conselho
Gestor, do Ministério Público, das Associações de moradores, das comunidades e dos comunitários
dentro do tema abordado no módulo.
Textos: Material impresso sobre Conselho Gestor e demais Ferramentas de Gestão.
Atividade de grupo: Representação teatralizada de uma reunião de conselho.
Oficina: Artes plásticas.
4) Violência doméstica e preconceito:
Responsável Técnico: Psicólogo ou assistente social (preferencialmente profissionais de
Carauari que já trabalham com essa temática).
Discutir as diferentes formas de violência presentes nas comunidades – a violência
doméstica direcionada a mulheres e crianças em forma de agressões físicas; a violência doméstica
em forma de tratamento desigual entre homens e mulheres e entre adultos e crianças.
A violência comunitária na forma dos diferentes preconceitos – étnicos, sexuais, de
geração.
Discutir formas de enfrentar as diferentes violências para melhorar a vida na
comunidade, e diminuir todas as diferentes violências presentes nas relações sociais humanas.
Esse tema, de relevante interesse para o grupo de jovens locais, tende a ser um
importante exercício de diagnostico e resolução de conflito. Posteriormente torna-se uma
experiência que tende a ampliar as capacidades de perceber e trabalhar conflitos que
necessariamente surgem em um processo de gestão participativo de uma UC.
Espaço de treinamento prático para jovens perceberem e aprenderem a lidar com
conflitos.
Papéis e competências: Explicitar as responsabilidades, atribuições e competências
legais do Ministério da Assistência Social, do Ministério Público, das Secretarias estadual e
23
municipal de Assistência Social, do Conselho Municipal de Assistência Social, das Associações de
moradores, das comunidades e dos comunitários dentro do tema abordado no módulo.
Atividade de grupos: Provocar a discussão sobre a postura das diferentes comunidades
frente aos jovens e o consequente efeito dessa postura frente a participação desse jovem nos
assuntos comunitários. Desnudar o conflito geracional latente.
Oficina: Teatro.
5) Saúde, prevenção de doenças e planejamento familiar:
Responsável Técnico: Médico ou enfermeiro.
Orientação técnica sobre doenças sexualmente transmissíveis - como se prevenir. Como
evitar doenças de origem sexual. Conhecer quais são as DST e quais os seus sintomas.
Planejamento familiar, prevenção de gravidez na infância e adolescência que afetam
jovens entre 09 e 18 anos, e é problema comum nas comunidades da região.
Drogas – palestras para orientar e prevenir os jovens a não entrar no mundo das drogas.
Orientações de como ajudar a tirar os jovens das drogas.
Saúde bucal e prevenção das doenças bucais, das caries e das placas bacterianas.
A higiene pessoal na prevenção das doenças.
Nesse módulo são trabalhados temas referentes a prevenção de problemas de saúde. A
abordagem desses temas é de relevância para o fortalecimento das comunidades e,
consequentemente, para a gestão participativa das UC, uma vez que um dos motivos que levam a
evasão de jovens das comunidades é a falta de condições de saúde nessas localidades.
A prevenção por meio de cuidados com higiene e comportamento podem ser adequados
instrumentos de melhoria de vida para as comunidades e seu consequente fortalecimento.
Papéis e competências: Explicitar as responsabilidades, atribuições e competências
legais do Ministério da Saúde, do Ministério Público, das Secretarias estadual e municipal de
Saúde, do Conselho Municipal de Saúde, das Associações de moradores, das comunidades e dos
comunitários dentro do tema abordado no módulo.
Oficina: música e dança para melhorar a vida e estimular a saúde.
6) Organização comunitária, formação de lideranças e associativismo:
Responsável Técnico: Liderança comunitária ou líder de associação e representante do
movimento social.
A vida nas comunidades demanda organização. Muitas comunidades tornam-se
fragilizadas por falta de organização, deixando de ter acesso a informações e recursos que podem
trazer melhorias para a vida comunitária. Desorganizada uma comunidade fica mais vulnerável ao
álcool, as drogas e a violência em todas as suas esferas. Retomar os módulos passados e relacionar a
organização comunitária com a prevenção de problemas de saúde e de violência.
24
Apresentar diferentes caminhos para a organização das comunidades – momentos de
discussão dos assuntos comunitários, organização dos espaços físicos das comunidades, inclusão
dos jovens nos assuntos e decisões comunitárias como forma de treinamento permanente para que
os jovens, no seu momento, assumam seus papeis de lideres comunitários. Vantagens do tratamento
igualitário entre homens e mulheres nas discussões comunitárias, e combate a quaisquer tipos de
violência e preconceito e suas relações com a organização comunitária.
Treinamento em resolução de conflitos e em administração participativa de todos os
assuntos que dizem respeito aos moradores das comunidades.
Atividade de grupo: Identificar pontos e questões que podem ser mais bem organizados
na comunidade e dar sugestões de adequação (cada grupo foca os problemas da sua comunidade).
Qual a importância do associativismo no fortalecimento comunitário? Diferenças entre
associativismo formal e associativismo informal.
Como o associativismo pode ser um estímulo a ação cidadã dos jovens na vida político /
social das comunidades e dos municípios?
Como funciona a gestão / administração de uma associação?
Como melhorar de vida a partir das produções que já existem nas comunidades?
Como a organização comunitária e as associações formais podem acessar as políticas
públicas disponibilizadas pelo Governo.
A partir do associativismo, mostrar aos jovens a importância dos movimentos sociais,
dando exemplos práticos de como essa participação social pode gerar efeitos de melhoria de vida
das pessoas que residem dentro de UC.
A partir dessa ação com os jovens, pretende-se trabalhar sua autoestima e fortalecer sua
voz na vida das comunidades e associações.
Papéis e competências: Explicitar as responsabilidades, atribuições e competências
legais das Associações de moradores, dos associados, das comunidades, e dos comunitários dentro
do tema abordado no módulo.
Atividade de grupo: Estudar e apresentar com outra linguagem, que pode ser jornal
mural, o estatuto da associação de moradores de sua UC.
Oficina: Poesia.
7) A biodiversidade do Médio Juruá:
Responsável Técnico: Biólogo, educador ambiental ou profissional afim. (dois
profissionais diferentes).
O que é a tão falada biodiversidade?
A biodiversidade da região do médio Juruá – conhecer a biodiversidade regional é uma
forma de se conhecer as riquezas e potencialidades para a melhoria do bem estar das comunidades.
25
Plantas e seus usos – medicinal, alimentar, estético e outros. As plantas medicinais e
seus usos. Quais são? Para que servem? Como usá-las? Buscar uma pessoa que tenha conhecimento
tradicional sobre usos de plantas para fins medicinais no rio Juruá. (acordar no módulo anterior que
os jovens pesquisem e levem para este módulo plantas medicinais que conhecem já prensadas,
indicando para que serve cada uma).
Capacitação de jovens para utilização da biodiversidade, para geração de renda e
melhoria da qualidade de vida nas comunidades. Aprender mais sobre gestão ambiental e entender
melhor quais as vantagens e qual a importância do monitoramento da biodiversidade.
Mostrar como as informações sobre a biodiversidade podem fortalecer a UC e podem
servir de base para decisões que afetam a vida nas comunidades em prol da melhoria do bem estar.
Promover um embasamento do que se trata o monitoramento da biodiversidade, que informações
essa atividade produz e o que isso pode representar de oportunidade para os jovens e para as
comunidades.
Animais e suas relações com os homens – caça e pesca, animais perigosos e
peçonhentos, animais que atraem turistas e cientistas, animais para serem contemplados e para
escutar o canto.
Conceitos básicos de endemismos, fitofisionomias, biodiversidade local e regional,
diferentes tipos de habitas, micro habitats, micro climas, serviços ambientais. Organismos nativos,
organismos endêmicos e organismos exóticos.
Possibilidades profissionais associadas à biodiversidade - Restauração ambiental, viveiro
de mudas, fitomedicina, observação de aves, polinização e dispersão de sementes, alimentos locais,
turismo de biodiversidade, produção de óleos, diferentes formas de manejo.
Vantagens e ganhos para os jovens de se conhecer a fundo a biodiversidade do médio
Juruá. A partir de um conhecimento mais amplo sobre a biodiversidade, os jovens podem ser
instrumentalizados no acesso a oportunidades de melhoria de vida, e de diminuição das
desigualdades e vulnerabilidades ambientais.
Como utilizar a natureza sem prejudicar o meio ambiente, como usar os recursos
naturais sem degradar a natureza; Impactos potencias da perda da biodiversidade. Como preservar o
meio ambiente? Qual seria a forma adequada de viver na floresta, utilizar seus recursos e não
degradar toda essa riqueza? Como levantar informações de acompanhamento das transformações
locais nos recursos da biodiversidade?
Entender melhor os conceitos de sustentabilidade e aprender formas adequadas de
interação com o meio ambiente da comunidade e de seu entorno que mantenham as riquezas
ambientais e florestais. Trabalhar os conceitos de limites de exploração dos recursos, seus tempos
de renovação e os momentos mais adequados para a transformação e utilização de cada um dos
diversos recursos naturais utilizados pelas famílias das comunidades. Biodiversidade e os serviços
ambientais.
Podemos ter como produto a construção de hortas comunitárias com plantas medicinais
e a produção de livretos sobre as formas de uso de cada uma das plantas na horta e sua utilidade
medicinal.
Atividade: Saco de quê? Frutas, mandiocas, pimentas, espécies mais utilizadas nas
comunidades, sementes. Apresentar em uma exposição, variedades de algum organismo (pimenta,
por exemplo), e discutir com os jovens se eles conhecem este organismo, se na comunidade deles
26
existem variedades desse organismo. Estimular a discussão sobre as variedades biológicas
encontradas dentro de uma mesma espécie.
Atividade: O que da biodiversidade animal local é utilizada na alimentação? Direcionar
esse momento para o mote: “Não caçar animais que não garantam uma refeição”.
Atividade de grupo: No médio Juruá quais as espécies (biodiversidade) utilizadas na
alimentação, na remedição, nas construções variadas, no manejo? Quais organismos servem como
fonte de renda? Quais as perspectivas e possibilidades de utilizar esses organismos para melhoria da
vida sem prejudicar a espécie? Construir um “painel” das espécies usadas no Médio Juruá e quais as
suas utilidades.
Papéis e competências: Explicitar as responsabilidades, atribuições e competências
legais do Ministério do Meio Ambiente, do Ministério Público, das Secretarias estadual e municipal
de Meio Ambiente, do Conselho Municipal de Meio Ambiente, das Universidades, dos Institutos de
Pesquisa, das ONGs, das Associações de moradores, das comunidades e dos comunitários dentro do
tema abordado no módulo.
Atividade de grupo: Identificar usos sustentáveis e usos insustentáveis de recursos
naturais no médio Juruá.
Oficina: Fotografia.
8) Artesanato no Médio Juruá:
Responsável Técnico: Técnico em artesanato.
Capacitação que possa suprir as necessidades de conhecimento técnico para os
moradores visando a mostrar possíveis formas de melhoria da qualificação dos jovens. Esse
treinamento pode se tornar melhoria para o bem estar das comunidades como um todo.
Artesanato como mais uma ferramenta para manter a floresta de pé e manejada.
Capacitação técnica para o uso da biodiversidade de forma a melhorar o bem estar mantendo a
sustentabilidade.
Artesanato com madeira, sementes e fibras, aprendendo diversas possibilidades de uso
que esses diferentes recursos apresentam. Além disso, aprendendo formas de beneficiamento da
madeira, das sementes e das fibras, sem explorar de forma inadequada esse recurso, e trabalhando
de maneira legal, a comunidade como um todo ganha. Isso deve ser explicado, explicitado, debatido
e enfatizado.
Trazer profissionais qualificados que trabalham com artesanato para apresentar aos
jovens as variadas possibilidades dessa atividade, criando mais uma forma de geração de renda
possível para a comunidade. Aprender a trabalhar o que tem na natureza no entorno das
comunidades.
Nesse módulo é interessante levar aos participantes exemplos de diversos diferentes
tipos de artesanato produzidos na Amazônia. Por meio de fotografias e de produtos do artesanato
apresentar como as mais diversas comunidades das mais variadas regiões amazônicas transformam
sementes, cocos, fibras, em arte. A partir desse conhecimento mais amplo de diferentes formas de
artesanato existentes, estimular o grupo a construir suas próprias formas de fazer artesanato,
valorizando suas riquezas e características locais.
27
A partir da possibilidade do artesanato, abrir outra linha de manejo dos produtos do
entorno das comunidades que podem ser direcionados para a produção artesã.
Papéis e competências: Explicitar as responsabilidades, atribuições e competências
legais do Ministério da Cultura, das Secretarias estadual e municipal de Cultura, do Conselho
Municipal de Cultura, das Associações estaduais e municipais de artesãos, dos Sindicatos de
Artesãos, das Associações de moradores, das comunidades e dos comunitários dentro do tema
abordado no módulo.
Atividade: Fazer um levantamento dos tipos de produtos com potencial para artesanato
que as comunidades possuem.
Oficina: Artesanato.
9) As águas e o saneamento básico:
Responsável Técnico: Engenheiro sanitarista ou técnico afim (se possível o Dr. Ricardo
Bernardo UnB – responsável pelo projeto do São Raimundo). Dois profissionais – um pra
sanitarismo outro para água como recurso hídrico.
Água como fonte de bem estar. Dessedentação animal, agricultura, produções variadas.
As fontes da água potável para a comunidade, os mananciais, as fontes de poluição das águas.
Água como fonte de doenças. Ausência de higiene e de saneamento básico. Falta de
água potável. Tipos de doença de veiculação hídrica e cuidados para evitá-las.
Qual o tipo de água deve ser usada pelos seres humanos para matar sede, cozinhar,
tomar banho, limpar pratos e talheres, limpar a casa, nadar e se divertir. Os diferentes usos das
águas e as necessidades de qualidade para cada um dos usos.
Tratamento de esgoto, destinação de esgoto, tratamento de água, rio como destino do
esgoto domestico, os esgotos a céu aberto, transformações do ambiente pelos seres humanos e a
saúde ambiental, doenças de veiculação por falta de tratamento de água e esgoto.
Vulnerabilidade ambiental, justiça ambiental e as relações desses conceitos com o
saneamento básico e com o acesso a água de qualidade.
Quais as formas mais adequadas de saneamento básico para as comunidades das UC de
uso sustentável? Formas mais adequadas de captação e tratamento de água, formas mais adequadas
de destinação e tratamento de esgoto domestico, formas mais adequadas de manutenção dos espaços
comunitários. Higiene comunitária e melhoria de qualidade de vida.
Perspectiva macro dos rios da Amazônia como fonte de sanidade e equilíbrio ambiental
planetário – Dimensionar isso mostrando a importância da bacia no Amazonas, na Amazônia, no
Brasil, no mundo. – vídeo e mapas.
Papéis e competências: Explicitar as responsabilidades, atribuições e competências
legais do Ministério do Planejamento, Ministério da Saúde, Ministério do Meio Ambiente, do
Ministério Público, das Secretarias estadual e municipal de Planejamento, das Secretarias estadual e
municipal de Obras, das Associações de moradores, das comunidades e dos comunitários dentro do
tema abordado no módulo.
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Atividade: Exercício de futurologia: Como as hidrelétricas desplanejadas podem afetar
toda a sanidade ambiental oferecida pelos corpos d água limpos. Quais outras fontes de riscos e
ameaças que os rios sofrem? (perguntar aos jovens e acrescentar o que não foi levantado por eles).
Que alternativas para evitar a degradação dos rios?
Atividade de grupo: Identificar pontos de vulnerabilidade ambiental no médio Juruá;
identificar grupos que sofrem injustiça ambiental no médio Juruá.
Oficina: Pinturas e produção de pigmentos (tintas) naturais.
10) O protagonismo juvenil na gestão do patrimônio natural das UC do Médio Juruá:
Responsável Técnico: Técnico de redação de projetos e captação de recursos de alguma
ONG.
Mostrar aos jovens formas, caminhos e ferramentas que favoreçam a participação deles
na administração da UC.
Ensinar a fazer projetos, mostrar como preencher formulários e ofícios, apresentar fontes
de financiamento e fomento de projetos e ensinar como acessar esses recursos.
Construir junto aos jovens, dando orientações, projeto de seu interesse para pleitear o
acesso a alguma política pública relevante para esse grupo.
Papéis e competências: Explicitar as responsabilidades, atribuições e competências
legais das Associações de moradores, dos associados, das comunidades, e dos comunitários dentro
do tema abordado no módulo.
Oficina: Construção de projetos e de captação de recursos.
29
Tabela I – Competências, Habilidades e Atitudes estimuladas nos encontros do Médio Juruá
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
C
H
A
C
H
A
C
H
A
C
H
A
C
H
A
C
H
A
C
H
A
C
H
A
C
H
A
C
H
A
Perceber a relação entre a cultura e a chamada crise ambiental.
Comunicar por meio da linguagem pictórica.
Refletir sobre sua conduta cotidiana em relação ao seu ambiente
imediato.
Compreender o contexto histórico do território; participação do
movimento social no contexto.
Reconhecer a diversidade e a riqueza cultural do Médio Juruá.
Valorizar a cultura local; expressar sua expectativas e visão de
futuro sobre a vida na Resex.
Compreender os instrumentos de gestão participativa.
Comunicar por meio das artes plásticas.
Participar da gestão das UC e acompanhar as reuniões de
conselho.
Respeitar as diferenças de gênero, de idade, de etnia, de religião
e de ideias; conhecer seus direitos e deveres; exercer cidadania.
Entender as diferenças entre pessoas para exercer o diálogo;
comunicar por linguagem teatral.
Respeitar plenamente as diferentes pessoas e idéias.
Noções de prevenção de doenças e planejamento familiar.
Expressar por meio das linguagens musical e corporal.
Exercer a higiene pessoal e participar da higiene da comunidade.
Adquirir noções básicas de organização social, gestão
comunitária e gerenciamento de conflitos.
Organizar dos grupos de jovens; protagonismo juvenil.
Exercer o protagonismo juvenil nas atividades das comunidades
e das associações.
Entender o conceito de biodiversidade; reconhecer a riqueza
biológica de sua localidade.
Perceber diferenças entre organismos silvestres e ecossistemas.
Valorizar a biodiversidade da região.
Noções básicas dos diferentes tipos de artesanato existentes no
Amazonas.
Transformar recursos naturais em instrumentos artísticos e de
comunicação.
Reconhecer a importância dos recursos naturais para a melhoria
da qualidade de visa; manejar os recursos naturais.
Adquirir noções básicas sobre hidrografia, usos da água e
sanitarismo.
Produzir pigmentos e tintas com material natural.
Respeitar os limites do uso da água e os riscos de causar
prejuízos a jusante.
Compreender os mecanismos de financiamento públicos
pertinentes à sua atividade.
Acessar políticas públicas pertinentes às suas necessidades
comunitárias; elaborar projetos.
Exercer o protagonismo juvenil nas ações de gestão ambiental da
região e nas ações comunitárias.
CONTEÚDOS
PROCEDIMENTOS
METODOLÓGICOS
MATERIAL DE ENSINO-APRENDIZAGEM
A questão ambiental: do mundo ao Brasil / O
Sistema Nacional de Unidades de Conservação.
Palestra; Atividades em grupo; Exibição de
vídeo seguido de debate; Dinâmicas;
Oficina de desenho.
Projetor de vídeo multimeios; Papel sulfite; Lápis de cor; Giz
de cera; DVD com o vídeo "A História das Coisas" e "A Ilha
das Flores"; Texto didático sobre o SNUC; Roteiro das
atividades de grupo; Papel metro.
A história das UC de uso sustentável do Médio
Juruá.
Mesa redonda; Atividades em grupo;
Dinâmicas; Oficina de história da cultura
do Médio Juruá.
Projetor de vídeo multimeios; Textos base sobre cultura
regional; Papel em branco; lápis.
A gestão participativa nas unidades de uso
sustentável.
Palestra; Teatro representando reunião de
conselho; Estudo de texto; Dinâmicas;
Oficina de artes plásticas.
Projetor de vídeo multimeios; Texto didático sobre
ferramentas de gestão; Papelão; Papel sulfite; Cola; Tesoura;
Tintas atóxicas; Lápis de cor; Giz de cera.
Violência doméstica e preconceito.
Palestra; Debate; Atividades em grupo;
Dinâmicas; Oficina de teatro.
Projetor de vídeo multimeios; Textos de leis sobre direitos e
deveres e sobre preconceito e violência doméstica; Material
cenográfico.
Saúde, prevenção de doenças e planejamento
familiar.
Palestra; Dinâmicas; Oficina de música e
dança.
Projetor de vídeo multimeios; Aparelho de som;
Instrumentos musicais.
Organização comunitária, formação de lideranças
e associativismo.
Mesa redonda; Exibição de vídeo;
Atividades de grupo; Dinâmicas; Oficina
de poesia.
Projetor de vídeo multimeios; DVD com vídeo sobre
exemplos de organizações sociais bem sucedidas; Papel em
branco; Lápis de escrever.
A biodiversidade do Médio Juruá.
Palestra; Exibição de fotografias;
Atividades de grupo; Dinâmicas; Oficina
de fotografia.
Projetor de vídeo multimeios; Papel fotográfico.
Artesanato no Médio Juruá.
Palestra; Exposição de artesanatos de
outras regiões amazônicas; Dinâmicas;
Oficina de artesanato.
Projetor de vídeo multimeios; Fibras; madeiras caídas;
Produtos naturais do entorno da comunidade; Cola; Tesoura.
As águas e o saneamento básico.
Palestra; Dinâmica; Exibição de vídeo;
Trabalhos em grupo; Debate; Oficina de
pigmentos naturais.
Projetor de vídeo multimeios; DVD com vídeo sobre o uso
da água; Mapas com hidrografia; Fixadores atóxicos de
pigmentos; Papel metro; Materiais para produção de
pigmentos naturais (ver com instrutor da oficina).
O protagonismo juvenil na gestão do patrimônio
natural das UC do Médio Juruá.
Mesa redonda; Exibição de vídeo; EDG;
Oficina de elaboração de projetos e
captação de recursos.
Projetor de vídeo multimeios; Roteiro do EDG; DVD com
vídeo sobre exemplos de organizações sociais bem sucedidas.
30
7.2.1.4 Parcerias
• Conselho Nacional de Populações Extrativistas – CNS – parceiro das ações na Amazônia, apoio
ao projeto e sugestão de temas e atividades;
• Secretaria de Desenvolvimento Sustentável do Estado do Amazonas – SDS – parceiro local,
gestores da RDS e colaboradores do projeto;
• Associação dos Produtores Rurais de Carauari – ASPROC – associação dos moradores da Resex,
apoio ao projeto e sugestão de temas e atividades;
• Reserva de Desenvolvimento Sustentável Estadual Uacari – participa diretamente do projeto, por
meio de seus jovens moradores.
• Associação de Moradores de RDS Uacari – AMARU - associação dos moradores da RDS, apoio
ao projeto e sugestão de temas e atividades;
• Fundação Amazonas Sustentável – FAS – parceiro local, colaborador financeiro e de logística do
projeto.
7.2.1.5 Custos do Projeto
Material/Pagamento
Valor Unitário
Unidade de escala R$
Combustível – diesel
Combustível – gasolina
Palestrantes
Instrutores
Passagem de avião –
Manaus/Carauari
Aluguel de barco
Alimentação
Material de escritório**
Total por encontro
Total do Projeto (10 módulos)
Quantidades
litro
3,00
500
litro
diária
diária
4,30
250,00
250,00
300
2
2
Ida e volta
diária
unidade
unidade
--------
1.600,00
350,00
8,00
10,00
--------
5
5
100
100
--------
Dias Valor R$
-----1.500,00
-----1.290,00
3
1.500,00
3
1.500,00
-----8.000,00
2
3.500,00
3
2.400,00
-----1.000,00
3 19.690,00
197.900,00
** Material adquirido uma única vez.
Observações. Nem todos os palestrantes serão contratados em Manaus. Existem módulos
onde os responsáveis técnicos serão contratados em Carauarí, o que barateia os custos, por não ter que
se comprar passagem.
Nem todos os módulos contarão com mais de um palestrante, o que também diminui os
valores devido as diárias.
Os valores acima descritos são os máximos por módulo, o que não representam a realidade
de todos os módulos, principalmente devido os preços da passagem aérea.
Outro ponto a ser considerado são as possibilidades de diluição dos custos entre o ICMBio e
a SDS, gestora da RDS Uacari, e até mesmo a FAS, colaboradora da SDS.
Caso na negociação interinstitucional seja colocada contrapartida em recursos financeiros,
cada módulo pode com custo de metade do valor acima descrito.
31
7.2.2 Resex do Rio Unini
7.2.2.1 Contexto
A bacia do Rio Unini, localizada na margem direita do Rio Negro, é bem preservada, com
muitas riquezas naturais. Nesta bacia existem 3 UCs, uma reserva extrativista – Resex do Rio Unini, na
margem esquerda do rio Unini, um parque nacional – Parna do Jaú, na margem direita do Rio, e uma
reserva de desenvolvimento sustentável estadual – RDS Amanã, nas cabeceiras do Rio.
A Reserva Extrativista do Rio Unini possui uma área aproximada de 833.352 hectares, foi
criada em 21 de junho de 2006, a partir das reivindicações das populações ribeirinhas do rio Unini. A
Reserva Extrativista do Rio Unini é a primeira unidade de conservação de uso sustentável propositiva a
ser criada na bacia do rio Negro.
Com a ponte que liga Manaus a Iranduba, recém-inaugurada, espera-se que a pressão sobre
os recursos cresça nessas 3 UC. Há 20 anos atrás, haviam estrangeiros que faziam pesca esportiva de
tucunaré, o que impactou seriamente a população da espécie. Com a criação da Resex do Rio Unini, foi
vetada a pesca esportiva. Atualmente, existe uma pressão de demanda pela pesca esportiva na região que
pode aumentar com a ponte e assim, voltar a ser uma prática comum na região.
Com o atual momento de enfraquecimento da Associação, ou pela influência de uma má
administração desta organização, a pesca esportiva desregulada pode se tornar um risco real para a UV e
pode levar ao surgimento de focos de conflito, uma vez que esta atividade não é desejada pelos
moradores da Resex.
Outro risco real e atual é a possibilidade de extinção da associação por falta de renovação de
lideranças. A falta de renovação de lideranças está tão séria que por falta de atores para assumir a
associação e pelo cansaço da atual liderança, está sendo aventada a possibilidade da associação ser
desfeita. O risco disso acontecer é os moradores perderem o vínculo institucional para acessar políticas
públicas e o direito de uso das terras.
Nessas circunstâncias, os jovens não tem participado dos enfrentamentos desses riscos e
desafios, seja por evasão da Resex para acesso aos estudos, seja por não ter voz ativa nas decisões
comunitárias. Ao se focar nos jovens um instrumento de gestão, pode-se ter a oportunidade de qualificar
pessoas que poderão aumentar a participação social na gestão da UC e de forma mais qualificada e
tecnificada do que as atuais lideranças, que pouco tiveram acesso a processos formativos.
Com o foco nos jovens, tem-se a possibilidade de estimular a adesão desse grupo na gestão
participativa, indicando caminhos e possibilidades de vida com qualidade dentro da UC, estimulando a
integração dos jovens nos processos de decisão no âmbito das comunidades e da reserva como um todo.
7.2.2.2 Reunião de construção dos módulos:
Na Resex do Rio Unini a construção participativa dos módulos ocorreu durante uma
expedição realizada pela Fundação Vitória Amazônica – FVA – em parceria com o ICMBio, entre os
dias 20/02 e 25/02/2013 que percorreu 9 das 10 comunidades do Rio Unini. A comunidade não visitada
participou da atividade de construção coletiva, pois seus moradores se encontravam em uma
comunidade vizinha.
Em cada comunidade os jovens se reuniram com a chefe da Resex, o educador ambiental da
FVA e o consultor, e apresentaram suas curiosidades, demandas e interesses. No total, participaram
desse conjunto de atividades 53 jovens e mais de 80 crianças.
Antes das conversas com os jovens a proposta era apresentada para as lideranças das
comunidades e para os pais e responsáveis desses jovens. Somente com a anuência dos pais, lideranças e
demais responsáveis, eram realizadas as atividades de construção coletiva da proposta educativa.
32
Nessas atividades os jovens eram previamente apresentados à metodologia Verde Perto por
meio de conversa com o consultor, apoiada por apresentação de produtos, imagens e vídeos construídos
no Projeto Jovens do Médio Solimões. Porém diferente do encontro no Médio Juruá, onde foi tudo feito
de uma vez, no Unini, ocorreram diversos encontros com os jovens, em cada comunidade. Assim as
informações levantadas sobre os interesses de temas e oficinas levantados pelos jovens, foram
mesclados pelo consultor, levando em consideração aspectos logísticos e aspectos de afinidade de temas
e vantagens didático pedagógicas de mistura de assuntos. Por dificuldades logísticas, a proposta final do
projeto só foi apresentada aos jovens e lideranças locais 10 dias após a expedição, na reunião da
assembléia geral dos moradores da UC.
7.2.2.3 Módulos:
1) Contexto da questão ambiental contemporânea no mundo e no Brasil e criação do
Sistema Nacional de Unidades de Conservação:
Responsável Técnico: Educador ambiental ou profissional afim.
Esse módulo tem a incumbência de apresentar o projeto, mostrar na pratica a abordagem
metodológica e servir de alicerce conceitual para o processo educativo a ser trabalhado ao longo de
todos os encontros.
Assim, é trabalhado no primeiro módulo a situação da questão ambiental atual no mundo e
no Brasil, situando o momento histórico em que se insere a chamada crise ambiental e todos seus
aspectos.
Dessa forma é construída uma linha do tempo que aborda a história das discussões
ambientais no mundo e no Brasil, e como essas discussões contribuíram para o surgimento dos órgãos
ambientais nos âmbitos internacionais, nacionais, estaduais e municipais além do surgimento do
SISNAMA (sistema nacional de meio ambiente).
Nessa linha do tempo são abordados as mudanças tecnológicas vivenciadas nos últimos
séculos, as transformações do nível de consumo de recursos naturais, a capacidade de transformação dos
recursos naturais em produtos de consumo, o aumento populacional, o aumento dos produtos
descartáveis. Contidos nessas mudanças históricas são incluídos os conceitos de Injustiça ambiental,
crise ambiental como sintoma de crise de civilização e vulnerabilidade ambiental
A questão do consumismo, da cultura dos produtos e matérias descartáveis e suas relações
com os rejeitos. Os rejeitos que viram lixo e os rejeitos que viram oportunidades também são enfocados
por serem permanente fonte de preocupação das comunidades. Logo são tratados temas como destinação
de resíduos correta e incorreta.
Outra linha de temas abordados são os que dizem respeito ao desflorestamento, a eliminação
das matas ciliares, diminuição das áreas de florestas e matas, pressões nos ambientes naturais, efeitos
dos desmatamentos na vida das pessoas, pressão nos ambientes naturais e nos recursos naturais.
A partir de toda essa construção histórica são apresentadas e discutidas as situações que
confluíram para a construção de uma política nacional de meio ambiente / legislação ambiental – e os
motivos que levaram a construção das Unidades de Conservação no mundo e no Brasil.
A partir dessa contextualização é apresentado o SNUC (sistema nacional de unidades de
conservação). Nesse ponto colocamos como objetivo a reflexão da vida dentro de uma UC e em seu
entorno, e levantamos junto aos participantes pontos positivos e pontos a serem melhorados das UC, em
suas perspectivas.
Papéis e competências: Explicitar as responsabilidades, atribuições e competências legais do
Ministério do Meio Ambiente, das autarquias executivas de Meio Ambiente, das Secretarias estadual e
33
municipal de Meio Ambiente, do Ministério Público, das Associações de moradores, das comunidades e
dos comunitários dentro do tema abordado no módulo.
Atividade de grupo: Linha do tempo das transformações ambientais nas UC.
Texto: A carta da Terra (disponível em www.cartadaterra.com).
Vídeo: A história das coisas; A ilha das flores (disponíveis em www.youtube.com).
Oficina: Desenho.
2) A História do Rio Unini:
Responsável Técnico: Arqueólogo, historiador, analista ambiental e lideranças comunitárias.
Palestra: A Ocupação humana no Rio Unini. Primeiro uma abordagem da ocupação antiga,
sob a perspectiva arqueológica, e utilizando os registros de cerâmica como referencia. Segundo uma
abordagem da ocupação dos moradores atuais, com uma perspectiva da história do último século.
Mesa redonda: Com a participação de representantes de cada um dos grupos envolvidos na
criação da UC, tratando do movimento de construção da Resex.
O Rio Unini do passado: Há quanto tempo o Rio Unini é ocupado por populações humanas?
Qual o significado das cerâmicas encontradas nas comunidades? Quais os grupos humanos encontrados
nessa região ao longo dos tempos?
Realizar conexões entre a história da ocupação humana nas Américas e a ocupação do Rio
Unini no âmbito arqueológico; e conexões da história do Brasil e do Mundo e a ocupação recente do Rio
Unini no âmbito da história contemporânea.
Quais as características ambientais interferem e interferiram nas ocupações humanas do Rio
Unini? De que forma as cachoeiras do Unini interferiram nos processos de ocupação do rio no passado
antigo e no passado recente?
Como se deu a ocupação atual no Rio Unini? Quem são as pessoas que residem no Unini?
De onde vieram? Quais as suas características e atividades? – cultura, origens dos moradores, tipos de
produção agroextrativistas de ontem e de hoje.
Como se deu o histórico de surgimento das UC do Rio Unini? Quais foram seus efeitos,
vantagens, limitações e potencialidades na vida dos residentes do Rio? Como se deu a participação das
comunidades no estabelecimento de cada uma das três UC que compõem esse rio?
Esse módulo tem o papel de contextualizar a ocupação e a vida no Rio Unini com o contexto
planetário atual de globalização e interconexão entre os povos. Tem a importância de valorizar a auto
estima e a cultura locais, mostrando sua riqueza e importância e contribuindo para que os jovens se
percebam como detentores de uma cultura e uma historia ricas e que deve ser valorizada, reconhecida e
fortalecida.
Com esse fortalecimento, o sentimento de pertencimento local pode ser ampliado,
culminando em uma maior participação por parte dos jovens na conservação de seu ambiente sócio
ambiental.
Papéis e competências: Explicitar as responsabilidades, atribuições e competências legais do
Ministério do Meio Ambiente, das autarquias executivas de Meio Ambiente, das Secretarias estadual e
34
municipal de Meio Ambiente, do Ministério Público, do IPHAN, das Universidades, das Associações de
moradores, das comunidades e dos comunitários dentro do tema abordado no módulo.
Atividade de grupo: projeções para o futuro dos jovens que vivem no Unini (suas
perspectivas).
Atividade de apoio: Exibição de fotos de cidades e ambientes de cada um dos continentes –
história do mundo – realizada por historiador; Vídeo: Exibição comentada do filme Baraka (contido em:
www.youtube.com), que fala sobre o mundo e suas transformações.
Oficina: Construção de fantoches e teatro de fantoches.
3) A gestão participativa nas Unidades de Uso Sustentável:
Responsável Técnico: Analista ambiental e Liderança comunitária.
Quais as possibilidades contidas na legislação (SNUC, por exemplo), instruções normativas,
demais instrumentos de gestão, oferecem oportunidade de participação na administração da UC? Como
os jovens podem participar da gestão de suas unidades?
Conhecer o plano de manejo e acordo de gestão da Resex do Rio Unini, para entender as
regras de uso e convivência (vantagens, possibilidades e limites) nas unidades de conservação do Rio
Unini.
Entender o papel do conselho gestor, suas atribuições e deveres. O conselho gestor é uma
entidade importante na administração das unidades e suas reuniões são abertas. Entender também o
papel do ICMBio e o papel dos moradores na administração da UC.
Os jovens podem aproveitar esse grupo já estabelecido e participar das suas reuniões, pois, a
tendência é que no futuro eles sejam os próximos conselheiros. Dessa forma, preparar esse grupo de
jovens para serem excelentes conselheiros, por meio de um entendimento mais profundo do
funcionamento, das atribuições e das responsabilidades do conselho.
Conhecer outras ferramentas de gestão participativa, como acordos de pesca, termos de
compromisso etc.
Papéis e competências: Explicitar as responsabilidades, atribuições e competências legais do
Ministério do Meio Ambiente, das autarquias executivas de Meio Ambiente, das Secretarias estadual e
municipal de Meio Ambiente, do Ministério Público, das Associações de moradores, das comunidades e
dos comunitários dentro do tema abordado no módulo.
Atividade de grupo: representação de uma reunião de conselho.
Oficina: artes plásticas.
4) Saúde e funcionamento do corpo humano:
Responsável Técnico: Profissional da Saúde – médico ou enfermeiro.
Corpo humano e seu funcionamento. Características da fisiologia humana. Noções básicas do
funcionamento dos órgãos e localização anatômica dos principais órgãos no corpo humano.
35
Características da formação humana. Diferenças na formação e na fisiologia de meninos e
meninas e os cuidados de higiene que devem ser tomados afim de se ter mais saúde e de se prevenir
doenças.
Quanto tempo o ser humano vive? Expectativa de vida e suas relações com higiene, nutrição
e prevenção de doenças. Mudanças históricas da expectativa de vida dos seres humanos. Diferenças
entre a expectativa de vida da geração dos avôs dos jovens e a dos próprios jovens. Fatores históricos,
sociais, científicos e tecnológicos que alteraram a expectativa de vida das atuais populações humanas no
Brasil.
Diferenças regionais de expectativa de vida e seus motivos. A partir das noções de diferenças
nos níveis de expectativa de vida entre as diferentes regiões do Brasil, estimular os jovens a questionar o
porque dessas diferenças e a buscar melhorias na sua condição de saúde, inclusive por meio de uma
cobrança maior junto ao poder público sobre questões sanitárias e de saúde.
Saúde bucal e prevenção de doenças bucais, como cárie e placa bacteriana. Relação da
higiene bucal com a qualidade de vida, a prevenção de doenças e a expectativa de vida.
Saúde e prevenção de doenças. Informações de medicina preventiva que podem ser úteis aos
jovens das comunidades. Cuidados diários de higiene e de prevenção que podem fazer diferença na
qualidade de vida das pessoas da comunidade.
Entender melhor as doenças tropicais. Saber quais os mosquitos e carapanãs são os
responsáveis por transmissão de doenças tropicais. Quais os tipos de remédios naturais, encontrados nas
comunidades, são os mais adequados para prevenir as doenças tropicais e para combater as doenças
tropicais. Quais os remédios e tratamentos da medicina alopática são mais adequados para essas
doenças.
Nesse tópico deve-se colocar o grupo em contato com os conceitos de diversidade biológica,
a partir da diversidade de mosquitos da região. Mostrar imagens de mosquitos e carapanãs e trabalhar
em cima da relação entre a diversidade total de mosquitos e carapanãs com a diversidade de mosquitos e
carapanãs que transmitem alguma doença tropical.
Relacionar a saúde, a higiene e a prevenção de doenças com a organização comunitária.
Estimular os jovens a assumirem o protagonismo para a prevenção de doenças.
Papéis e competências: Explicitar as responsabilidades, atribuições e competências legais do
Ministério da Saúde, do Ministério Público, das Secretarias estadual e municipal de Saúde, do Conselho
Municipal de Saúde, das Associações de moradores, das comunidades e dos comunitários dentro do
tema abordado no módulo.
Debate: Como se dá a relação entre a saúde, a prevenção de doenças e a gestão participativa
das UC. Existe uma relação?
Oficina: Esportes – educação física / regras de futebol / iniciação a capoeira.
5) Nutrição e prevenção de doenças:
Responsável Técnico: Nutricionista.
Como os alimentos que podem fazer bem a saúde? Como os alimentos podem fazer mal a
saúde?
36
Quais as propriedades nutricionais dos alimentos mais consumidos no Unini. Como construir
uma dieta nutricionalmente equilibrada? Quais são as características de uma refeição sadia, equilibrada e
balanceada nutricionalmente? O que são vitaminas, sais minerais, carboidratos, lipídeos e proteínas?
Como deve ser a distribuição de quantidades desses diferentes nutrientes em uma refeição? Quais as
principais fontes alimentares das comunidades do Unini?
De que formas os diferentes alimentos podem prevenir doenças? De que formas uma
alimentação desequilibrada pode gerar doenças? Quais os principais problemas uma alimentação não
balanceada pode produzir na saúde das pessoas? Como os recursos vegetais podem se tornar chás,
infusões, e outros remédios naturais?
A dieta alimentar saudável varia de acordo com a idade? De que maneira?
Nesse encontro pode-se iniciar o processo de instrumentalização para o monitoramento da
biodiversidade do Rio Unini, com foco nos vegetais. Podemos trabalhar a diversidade de frutos e plantas
de uso alimentar e medicinal. Pode-se aproveitar para levantar as informações referentes a época de
floração e frutificação das plantas, as tendências de aumento e diminuição de produção e os demais
conceitos ecológicos e biológico por trás das distribuições e abundancias das plantas de uso alimentar e
médico da região. (acordar no módulo anterior que os jovens pesquisem e levem para este módulo
plantas medicinais que conhecem já prensadas, indicando para que serve cada uma).
Papéis e competências: Explicitar as responsabilidades, atribuições e competências legais do
Ministério da Saúde, do Ministério Público, das Secretarias estadual e municipal de Saúde, do Conselho
Municipal de Saúde, CONAB - Conselho Nacional de Abastecimento, das Associações de moradores,
das comunidades e dos comunitários dentro do tema abordado no módulo.
Atividade: Pode-se ter como produto a construção de hortas comunitárias com plantas
medicinais e a construção de livretos sobre as formas de uso de cada uma das plantas na horta e sua
utilidade medicinal.
Oficina: culinária com os recursos alimentares locais (diferentes usos para os frutos, plantas e
peixes da região).
6) Artesanato nas comunidades:
Responsável Técnico: Artesão.
Capacitação técnica para o uso da biodiversidade de forma a melhorar o bem estar mantendo
a sustentabilidade.
Artesanato com coco, sementes e barro, aprendendo a fazer desses recursos objetos de arte
e decoração, tanto de espaços quanto de decoração pessoal.
Trazer profissionais qualificados que trabalham com artesanato para apresentar aos jovens as
variadas possibilidades dessa atividade, criando mais uma forma de geração de renda possível para a
comunidade. Aprender a trabalhar o que tem na natureza no entorno das comunidades.
Nesse módulo é interessante levar aos participantes exemplos de diversos e diferentes tipos
de artesanato produzidos na Amazônia. Por meio de fotografias e de produtos do artesanato apresentar
como as mais diversas comunidades das mais variadas regiões amazônicas transformam sementes,
cocos, fibras, em arte. A partir desse conhecimento mais amplo de diferentes formas de artesanato
existentes, estimular o grupo a construir suas próprias formas de fazer artesanato, valorizando suas
riquezas e características locais.
37
A partir da possibilidade do artesanato, abrir outra linha de manejo dos produtos do entorno
das comunidades que podem ser direcionados para a produção artesã.
Outro momento de estimulo ao monitoramento da biodiversidade. Por meio dos produtos
escolhidos, como as sementes, perceber as épocas adequadas de acesso aos recursos e realizar o manejo
do que for utilizar para evitar quaisquer riscos de sobrexploração de recursos naturais.
Papéis e competências: Explicitar as responsabilidades, atribuições e competências legais do
Ministério da Cultura, das Secretarias estadual e municipal de Cultura, do Conselho Municipal de
Cultura, das Associações estaduais e municipais de artesãos, dos Sindicatos de Artesãos, das
Associações de moradores, das comunidades e dos comunitários dentro do tema abordado no módulo.
Oficina: Artesanato – Com Coco (anéis, pulseiras, brincos e colares) / Com Semente / Com
Barro.
7) Ecologia do Rio Unini
Responsável Técnico: Ecólogo ou Biólogo.
Outro espaço de instrumentalização para o monitoramento da biodiversidade. Nesse módulo
pode-se trabalhar os conceitos ecológicos relativos a distribuição das espécies, abundância, riqueza e
diversidade. Relacionar esses conceitos com o manejo dos recursos naturais, e os tempos de renovação
dos recursos.
Abordar a utilidade de se levantar informações sobre os recursos naturais renováveis sobre o
ponto de vista ecológico, acompanhando ao longo do tempo as variações nos tamanhos das populações
dos organismos e como essas informações podem ser úteis para elaboração de planos de manejo e
utilização dos recursos, e para a gestão participativa da UC.
Abordar a utilidade de se conhecer noções de ecologia para realizar a conservação da
biodiversidade.
Levantar junto ao grupo de jovens os conhecimentos de ecologia que eles já possuem, mas
que não sabem que possuem. Valorizar os conhecimentos empíricos de ecologia do grupo, valorizando
sua auto estima, e relacionando com os conceitos técnico científicos sobre o mesmo assunto.
Abordar as relações entre os diferentes tipos de habitats e os diferentes tipos de organismos
neles encontrados. Para essa diferenciação pode-se utilizar os corpos d`água de cor Preta VS os de cor
Branca. A partir da diferenciação dos tipos de água, trabalhar em cima da diversidade de peixes,
considerando os peixes que só vivem em um tipo de água e os peixes que tem adaptações para viver em
qualquer tipo de água.
Papéis e competências: Explicitar as responsabilidades, atribuições e competências legais do
Ministério do Meio Ambiente, do Ministério Público, das Secretarias estadual e municipal de Meio
Ambiente, do Conselho Municipal de Meio Ambiente, das Universidades, dos Institutos de Pesquisa,
das ONGs, das Associações de moradores, das comunidades e dos comunitários dentro do tema
abordado no módulo.
Vídeo: Documentários da BBC sobre características ecológicas das florestas tropicais e outro
bioma (www.youtube.com).
Atividade: Fazer o levantamento e diferenciação dos tipos de fitofisionomias e dos tipos de
espécies de plantas que acontecem na várzea VS as que ocorrem na Terra Firme.
38
Oficina: Pintura e produção de pigmentos naturais.
8) A biodiversidade do Rio Unini:
Responsável Técnico: Biólogo ou profissional afim.
O que é a tão falada biodiversidade?
A biodiversidade do Rio Unini – conhecer a biodiversidade regional é uma forma de se
conhecer as riquezas e potencialidades para a melhoria do bem estar das comunidades.
Plantas e seus usos – medicinal, alimentar, estético e outros (retomar o que foi tratado no
módulo de nutrição e prevenção de doenças).
Capacitação de jovens para utilização da biodiversidade, para geração de renda e melhoria da
qualidade de vida nas comunidades. Aprender mais sobre gestão ambiental e entender melhor quais as
vantagens e qual a importância do monitoramento da biodiversidade.
Mostrar como as informações sobre a biodiversidade podem fortalecer a UC e podem servir
de base para decisões que afetam a vida nas comunidades em prol da melhoria do bem estar. Promover
um embasamento do que se trata o monitoramento da biodiversidade, que informações essa atividade
produz e o que isso pode representar de oportunidade para os jovens e para as comunidades.
Animais e suas relações com os homens – caça e pesca, animais perigosos e peçonhentos,
animais que atraem turistas e cientistas, animais para serem contemplados e para escutar o canto.
Conhecer melhor as aves e pássaros do Rio Unini e os demais animais da região
Noções básicas de biologia reprodutiva de animais e plantas: Como nascem as plantas e os
bichos? Como uma semente vira uma árvore?
Conceitos básicos de endemismos, fitofisionomias, biodiversidade local e regional, diferentes
tipos de habitas, micro habitats, micro climas, serviços ambientais. Organismos nativos, organismos
endêmicos e organismos exóticos.
Possibilidades profissionais associadas à biodiversidade - Restauração ambiental, viveiro de
mudas, fitomedicina, observação de aves, polinização e dispersão de sementes, alimentos locais, turismo
de biodiversidade, produção de óleos, diferentes formas de manejo.
Vantagens e ganhos para os jovens de se conhecer a fundo a biodiversidade do Rio Unini. A
partir de um conhecimento mais amplo sobre a biodiversidade, os jovens podem ser instrumentalizados
no acesso a oportunidades de melhoria de vida, e de diminuição das desigualdades e vulnerabilidades
ambientais.
Como utilizar a natureza sem prejudicar o meio ambiente, como usar os recursos naturais
sem degradar a natureza; Impactos potencias da perda da biodiversidade. Como preservar o meio
ambiente? Qual seria a forma adequada de viver na floresta, utilizar seus recursos e não degradar toda
essa riqueza? Como levantar informações de acompanhamento das transformações locais nos recursos
da biodiversidade? (relacionar com o módulo de ecologia).
Entender melhor os conceitos de sustentabilidade e aprender formas adequadas de interação
com o meio ambiente da comunidade e de seu entorno que mantenham as riquezas ambientais e
florestais. Trabalhar os conceitos de limites de exploração dos recursos, seus tempos de renovação e os
momentos mais adequados para a transformação e utilização de cada um dos diversos recursos naturais
utilizados pelas famílias das comunidades. Biodiversidade e os serviços ambientais.
39
Papéis e competências: Explicitar as responsabilidades, atribuições e competências legais do
Ministério do Meio Ambiente, do Ministério Público, das Secretarias estadual e municipal de Meio
Ambiente, do Conselho Municipal de Meio Ambiente, das Universidades, dos Institutos de Pesquisa,
das ONGs, das Associações de moradores, das comunidades e dos comunitários dentro do tema
abordado no módulo.
Atividade: Saco de quê? Frutas, mandiocas, pimentas, espécies mais utilizadas nas
comunidades, sementes. Apresentar em uma exposição, variedades de algum organismo (pimenta, por
exemplo), e discutir com os jovens se eles conhecem este organismo, se na comunidade deles existem
variedades desse organismo. Estimular a discussão sobre as variedades biológicas encontradas dentro de
uma mesma espécie.
Atividade: O que da biodiversidade animal local é utilizada na alimentação? Direcionar esse
momento para o mote: “Não caçar animais que não garantam uma refeição”.
Atividade de grupo: No Rio Unini quais as espécies (biodiversidade) utilizadas na
alimentação, na remedição, nas construções variadas, no manejo? Quais organismos servem como fonte
de renda? Quais as perspectivas e possibilidades de utilizar esses organismos para melhoria da vida sem
prejudicar a espécie? Construir um “painel” das espécies usadas no Rio Unini e quais as suas utilidades.
Atividade de grupo: Identificar usos sustentáveis e usos insustentáveis de recursos naturais
no Rio Unini.
Oficina: jogos e brincadeiras.
9) Organização comunitária, formação de lideranças, cooperativismo e associativismo:
Responsável Técnico: Liderança comunitária ou líder de associação e representante do
movimento social.
A vida nas comunidades demanda organização. Muitas comunidades tornam-se fragilizadas
por falta de organização, deixando de ter acesso a informações e recursos que podem trazer melhorias
para a vida comunitária.
Apresentar diferentes caminhos para a organização das comunidades – momentos de
discussão dos assuntos comunitários, organização dos espaços físicos das comunidades, inclusão dos
jovens nos assuntos e decisões comunitárias como forma de treinamento permanente para que os jovens,
no seu momento, assumam seus papeis de lideres comunitários. Tratamento igualitário, considerando e
respeitando as diferenças, entre homens e mulheres nas discussões comunitária, e combate a quaisquer
tipo de violência e preconceito.
Reflexões e instrumentalização na gestão de conflitos e em administração participativa de
todos os assuntos que dizem respeito aos moradores das comunidades.
Qual a importância do associativismo no fortalecimento comunitário? Diferenças entre
associativismo formal e associativismo informal. Como o associativismo pode ser um estímulo a ação
cidadã dos jovens na vida político / social das comunidades e dos municípios? Como funciona a gestão /
administração de uma associação?
Como melhorar de vida a partir das produções que já existem nas comunidades?
A partir do associativismo, trazer os jovens para os movimentos sociais, mostrando como
essa participação social é importante para a melhoria de vida das pessoas que residem dentro de UC.
40
A partir dessa ação com os jovens, iremos aumentar sua autoestima e fortalecer sua voz na
vida das comunidades e associações.
Qual o papel da Cooperativa do Rio Unini? Quais as diferenças entre cooperativa e
associação? O que elas tem em comum?
Debate: A Amoru e a Comaru fazem a mesma coisa? Elas podem ser parceiras? O membro
de uma pode ser membro da outra também? Vale a pena participar de ambas?
Papéis e competências: Explicitar as responsabilidades, atribuições e competências legais das
Associações de moradores, dos associados, das Cooperativas, dos cooperados, das comunidades, e dos
comunitários dentro do tema abordado no módulo.
Atividade de grupo: identificar pontos e questões que podem ser melhor organizados na
comunidade e dar sugestões de adequação (cada grupo fala da sua própria comunidade).
Atividade de grupo: estudar e apresentar com outra linguagem o estatuto da associação de
moradores de sua UC (pode ser jornal mural).
Oficina: dança e música
.
10) O protagonismo juvenil na gestão do patrimônio natural da Resex:
Responsável Técnico: Técnico de redação de projetos e captação de recursos de alguma
ONG.
Mostrar aos jovens formas, caminhos e ferramentas que favoreçam a participação deles na
administração da UC.
Ensinar a fazer projetos, mostrar como preencher formulários e ofícios, apresentar fontes de
financiamento e fomento de projetos e ensinar como acessar esses recursos.
Construção de projeto de acesso ao Programa Nacional de Inclusão Digital – a partir do
protagonismo acessar a qualificação e treinamento em informática, tema escolhido pelos jovens do
Unini.
Oficina: construção de projetos e de captação de recursos.
41
Tabela II – Competências, Habilidades e Atitudes estimuladas nos encontros do Rio Unini
C
H
A
C
H
A
C
H
A
C
H
A
C
H
A
C
H
A
C
H
A
C
H
A
C
H
A
C
H
A
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
Perceber a relação entre a cultura e a chamada crise ambiental.
Comunicar por meio da linguagem pictórica.
Refletir sobre sua conduta cotidiana em relação ao seu ambiente
imediato.
Compreender a história das ocupações humanas na bacia do Unini.
Comunicar por meio de linguagem teatral, utilizando fantoches.
Valorização da história do seu povo e de seus ancestrais.
Compreender os instrumentos de gestão participativa.
Comunicar por meio das artes plásticas.
Participar da gestão das UC e acompanhar as reuniões de conselho.
Noções de prevenção de doenças; noções básicas da anatomia e da
fisiologia humana.
Utilizar o esporte como forma de organizar grupo de jovens.
Exercer a higiene pessoal e participar da higiene da comunidade.
Noções de nutrição e prevenção de doenças por meio da alimentação.
Reconhecer outras maneiras de preparo de alimentos encontrados na
comunidade.
Utilizar melhor os recursos alimentares locais como forma de prevenção
de doenças.
Noções básicas dos diferentes tipos de artesanato existentes no
Amazonas.
Transformar recursos naturais em instrumentos artísticos e de
comunicação.
Reconhecer a importância dos recursos naturais para a melhoria da
qualidade de visa; manejar os recursos naturais.
Adquirir noções básicas de ecologia, meio ambiente, educação
ambiental, biologia e gestão de recursos naturais.
Perceber diferenças entre tipos de ambientes, tipos de características
ecológicas e tipos de adaptações dos organismos ao ambiente natural.
Valorizar as riquezas naturais e a diversidade ecológica da região.
Entender o conceito de biodiversidade; reconhecer a riqueza biológica de
sua localidade.
Perceber diferenças entre organismos silvestres e ecossistemas.
Valorizar a biodiversidade da região.
Adquirir noções básicas de organização social, gestão comunitária e
gerenciamento de conflitos; papel das associações e das cooperativas.
Organizar dos grupos de jovens; protagonismo juvenil.
Exercer o protagonismo juvenil nas atividades das comunidades e das
associações.
Compreender os mecanismos de financiamento públicos pertinentes à sua
atividade.
Acessar políticas públicas pertinentes às suas necessidades comunitárias;
elaborar projetos.
Exercer o protagonismo juvenil nas ações de gestão ambiental da região
e nas ações comunitárias.
CONTEÚDOS
PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
A questão ambiental: do mundo ao
Brasil / O Sistema Nacional de
Unidades de Conservação.
Palestra; Atividades em grupo; Exibição de
vídeo seguido de debate; Dinâmicas; Oficina
de desenho.
A história do Rio Unini.
A gestão participativa nas unidades de
uso sustentável.
Mesa redonda; Palestra; Atividades em grupo;
Dinâmicas; Exibição de vídeo; Oficina
construção de fantoches e de teatro de
fantoches.
Palestra; Teatro representando reunião de
conselho; Estudo de texto; Dinâmicas; Oficina
de artes plásticas.
MATERIAL DE ENSINO-APRENDIZAGEM
Projetor de vídeo multimeios; Papel sulfite; Lápis de cor;
Giz de cera; DVD com o vídeo "A História das Coisas" e
"A Ilha das Flores"; Texto didático sobre o SNUC;
Roteiro das atividades de grupo; Papel metro.
Projetor de vídeo multimeios; DVD com vídeo Baraka;
Papel sulfite; Lápis de cor; Giz de cera; Papel metro;
Cola; Tesoura; Fita adesiva; Papel crepom.
Projetor de vídeo multimeios; Texto didático sobre
ferramentas de gestão; Papelão; Papel sulfite; Cola;
Tesoura; Tintas atóxicas; Lápis de cor; Giz de cera.
Saúde e funcionamento do corpo
humano.
Palestra; Dinâmicas; Debate; Atividades de
grupo; Oficina de educação física.
Projetor de vídeo multimeios; Livreto com regras de
futebol.
Nutrição e prevenção de doenças.
Palestra; Dinâmicas; Plantio de plantas de uso
medicinal na comunidade; Atividades de
grupo; Oficina de culinária.
Projetor de vídeo multimeios; Material de cozinha (da
própria comunidade); Recursos alimentares locais.
Artesanato nas comunidades.
Palestra; Exposição de artesanatos de outras
regiões amazônicas; Dinâmicas; Oficina de
artesanato.
Projetor de vídeo multimeios; Fibras; sementes; Produtos
naturais do entorno da comunidade; Cola; Tesoura.
Ecologia do Rio Unini.
Palestra; Exibição de vídeos; Atividades de
grupo; Dinâmicas; Oficina de produção de
pigmentos naturais.
Projetor de vídeo multimeios; DVD com documentários
da BBC sobre ecologia; Materiais para produção de
pigmentos naturais (ver com instrutor da oficina).
A biodiversidade do Rio Unini.
Palestra; Exibição de fotografias; Atividades
de grupo; Dinâmicas; Oficina de jogos e
brincadeiras.
Projetor de vídeo multimeios.
Organização comunitária, formação
de lideranças, associativismo e
cooperativismo.
Mesa redonda; Exibição de vídeo; Atividades
de grupo; Dinâmicas; Oficina de dança e
música.
Projetor de vídeo multimeios; DVD com vídeo sobre
exemplos de organizações sociais bem sucedidas;
Aparelho de som; Instrumentos musicais.
O protagonismo juvenil na gestão do
patrimônio natural da Resex.
Mesa redonda; Exibição de vídeo; EDG;
Oficina de elaboração de projetos e captação
de recursos.
Projetor de vídeo multimeios; Roteiro do EDG; DVD com
vídeo sobre exemplos de organizações sociais bem
sucedidas.
42
7.2.2.4 Parcerias
• Conselho Nacional de Populações Extrativistas – CNS – parceiro das ações na Amazônia,
apoio ao projeto e sugestão de temas e atividades;
• Secretaria de Desenvolvimento Sustentável do Estado do Amazonas – SDS – gestores da
RDS do Amanã, tem posição neutra na região do Rio Unini, mas podem ser parceiros;
• Associação dos Moradores do Rio Unini – AMORU – encontra-se enfraquecida, as
lideranças estão há mais de quatro anos na diretoria e sentem-se esgotadas, não há
perspectivas de renovação no curto prazo – apoiadores entusiastas da ação.
• Cooperativa Mista Agroextrativista do Rio Unini – CAUMARU – é recente e foi criada
para legitimar os comunitários nas suas respectivas atividades econômicos
agroextrativistas, e dar suporte aos trâmites contábeis, ainda em fase de consolidação,
está em processo de troca de diretoria – é apoiador da ação.
• Fundação Vitória Amazônica – FVA – Parceria local, co gestora das UCs Resex do Rio
Unini e Parna Jaú. Apoiadora do projeto, contribuiu com a logística da expedição de
levantamento dos temas a serem trabalhados no Unini. Pode facilitar as ações do projeto
com apoio logístico e de recursos humanos. Deve ser feita uma negociação mais refinada
de sua participação, principalmente no que diz respeito ao monitoramento da
biodiversidade, atividade que já desenvolvem na região.
• Parque Nacional do Jaú – Parna Jaú – apoiador colaborador do projeto no Rio Unini.
Pretende mesclar suas ações de Educação Ambiental já previstas, como a expedição –
Caravana da Educação – com as ações do projeto jovens. Pode contribuir na captação de
recursos para o desenvolvimento das atividades previstas no Processo Educativo
proposto.
7.2.2.5 Custos do Projeto
Material/Pagamento
Valor Unitário
Unidade de escala R$
Combustível – diesel
Combustível – gasolina
Palestrantes
Instrutores
Passagem de ônibus –
Manaus/Novo Airão
Aluguel de barco
Alimentação
Material de escritório**
Total por encontro
Total do Projeto (10 módulos)
Quantidades
litro
3,00
500
litro
diária
diária
3,90
250,00
250,00
1.000
2
2
Ida e volta
diária
unidade
unidade
--------
100,00
350,00
8,00
10,00
--------
5
3
100
100
--------
Dias Valor R$
-----1.500,00
-----3.900,00
3
1.500,00
3
1.500,00
-----500,00
2
2.100,00
3
2.400,00
-----1.000,00
3 12.370,00
124.700,00
** Material adquirido uma única vez.
Observações: Os custos do projeto podem ser diminuídos caso ocorra a adequação das
agendas com as excursões da FVA.
Outra forma de diminuição de gastos é a utilização de barco de outra unidade, como o barco
do PARNA Jaú.
43
Existe grupo de médicos e enfermeiros voluntários que atuma na região do Médio e Baixo
Rio Negro, e podem realizar o módulo de saúde, barateando ainda mais os custos do projeto.
Os custos apresentados são os de gasto total, sem contrapartida ou apoio de parceiros.
7.3 UC DE PROTEÇÃO INTEGRAL
Será apresentada a seguir a proposta construída coletivamente junto aos jovens, analistas
ambientais, lideranças comunitárias, professores e representantes de ONG ambientalista da UC de
proteção integral Parna da Chapada Diamantina.
Nesse tipo de UC, deve-se trabalhar de forma permanente as vivências em campo dentro da
UC como forma de aumentar a efetividade da ação protagonista na gestão participativa das UC, e
enfatizar as possibilidades de relação proativa entre a gestão da unidade e as comunidades de entorno,
nos aspectos profissionais, turísticos e educativo/científicos.
7.3.1 Parna Chapada Diamantina
7.3.1.1 Contexto
Comunidades do Guiné (município de Mucugê/BA) e do Pau-Ferrado (município de
Ibicoara/BA), no entorno do Parque Nacional da Chapada Diamantina
A comunidade rural do Guiné tem seu histórico de formação e ocupação do território
alicerçado na pecuária extensiva de corte. Após a criação do Parque Nacional, em 1985, os espaços
tradicionalmente utilizados pelos pecuaristas como pastos extensivos nativos, estratégicos para a
sobrevivência do gado durante os meses de estiagem da região, foram integralmente abrangidos pela
unidade de conservação e, portanto, tornaram-se impossibilitados legalmente para este uso.
Nos anos de 2001 e 2002 foram realizadas operações de fiscalização para a retirada do gado
que continuava sendo arrebanhado no interior do Parque Nacional, acarretando em comoção social e
econômica na comunidade do Guiné.
Nos anos de 2006, 2007 e 2008 alguns representantes dos pecuaristas do Guiné procuraram a
equipe gestora do PNCD para a construção de uma solução possível ao problema econômico decorrente
da impossibilidade de recursarem o gado nas áreas do interior do Parque Nacional. A alternativa
paliativa encontrada foi a articulação realizada pelo PNCD junto a empresas de agronegócio da região
para que o gado dos pecuaristas do Guiné utilizasse, durante a estação da seca, as áreas de pousio
praticado pelo agronegócio, vizinho a região, como pasto.
Não se concebe que esta solução seja definitiva e, portanto, outras alternativas para a
pecuária e para o desenvolvimento socioeconômico da comunidade do Guiné parecem ser necessárias
para o arrefecimento deste conflito ambiental pela utilização das áreas de vegetação nativa do interior do
PNCD.
Já na região da comunidade do Pau-Ferrado o contexto é outro. Essa região situa-se entre os
municípios de Ibicoara e Mucugê, ambos no entorno do PNCD. Trata-se de área cuja cobertura original
era, em grande parte, de florestas da Mata Atlântica. Desde meados da década de 1970 a floresta da
região foi sendo substituída, predominantemente, por lavouras de café – algumas de médio porte, mas,
sobretudo, pequenas propriedades de agricultores familiares.
Mesmo após a criação do PNCD (em 1985) e também após o ingresso dos primeiros
analistas ambientais na unidade de conservação (em 2002) esse processo continuou, sendo bastante
impulsionado nos anos em que o preço de mercado do café atingia altos valores
44
Predominantemente, as áreas desmatadas para o plantio do café são de pequeno porte, sendo
muito comuns as áreas de menos de quatro hectares, denotando, portanto, que se trata de proprietários
ou posseiros agricultores familiares, alguns funcionários de grandes empresas do agronegócio, outros
agricultores autônomos, e em geral, em ambos os casos, estas terras foram adquiridas após anos de
grande esforço de economia financeira para, finalmente, realizarem o sonho da “roça própria”.
Tanto pela legislação pertinente à Mata Atlântica, quanto pelos impactos ambientais sobre o
PNCD, esta prática de substituição da floresta (original ou em estados sucessionais) por roças de café é
inadequada.
Por outro lado, adjacente à região de floresta e de ocupação para o café há um
empreendimento de agronegócio de proporções gigantescas, que representa, historicamente, uma força
de redefinição da paisagem socioambiental-agrícola destes municípios. Dessa forma, o cultivo de café
em pequenas propriedades familiares tem sido a derradeira forma de manutenção de um modo de vida
camponês na região, sem mencionar os efeitos psicológicos e sociais decorrentes da auto-percepção de
ser dono da sua própria força de trabalho.
No ano de 2011 houve operações de fiscalização do ICMBio que resultaram em dezenas de
autuações e áreas embargadas, iniciando uma comoção sócio-econômica em parte da região.
O conflito identificado na comunidade do Guiné acarreta, sob o aspecto ambiental,
potencialmente em uma maior incidência de incêndios florestais na região (incluindo no interior do
Parque Nacional, que são o maior obstáculo para a conservação da biodiversidade desta unidade de
conservação), e, sob o aspecto social, em uma significativa vulnerabilidade econômica, expondo parte
da comunidade aos riscos da migração em busca de alternativas de emprego e renda fora da sua região.
O conflito identificado no Pau-Ferrado, no aspecto ambiental, tem levado à extinção dos
últimos remanescentes da Mata Atlântica da região e, para a comunidade, representa um grande temor
frente à ilegalidade desta atividade e aos riscos de grandes (e, às vezes, irreversíveis) prejuízos
financeiros para agricultores já bem vulneráveis economicamente, pois o investimento que os
agricultores realizam na compra de suas terras representa, em geral, a economia de toda uma vida. Além
disso, o potencial risco das mudanças micro-climáticas decorrente dos desmatamentos realizados
prejudica tanto a biodiversidade, quanto a própria atividade cafeicultora – dependente dessas condições
para uma boa produtividade e qualidade.
A partir dos conflitos existentes entre a utilização dos recursos ambientais pelas comunidades
e as limitações decorrentes da legislação e/ou da existência do Parque Nacional, a equipe gestora se
interessou em adotar o projeto de capacitação de jovens como inauguração de uma ação de gestão
voltada para jovens que visa inaugurar um meio de comunicação com as comunidades envolvidas,
visando melhorar a relação com o Parque Nacional da Chapada Diamantina com os comunitários,
tornando-os co-promotores da conservação da biodiversidade e do desenvolvimento sócio-econômico.
Para isso se pretende: estabelecer uma linha de diálogo e interlocução entre os gestores do
Parque e os grupos de jovens; proporcionar condições para que os jovens da região se organizem em
grupos qualificados e atuantes; utilizar o conflito territorial existente entre o Parque Nacional e as
comunidades como ponto de partida palpável para a gestão participativa do PNCD; estimular a
participação protagonista / cidadã dos jovens nas ações comunitárias, municipais e territoriais.
7.3.1.2 Reunião de construção dos módulos:
1.
Guiné
Na comunidade do Guiné, a equipe gestora do PARNA entrou em contato com o professor
que toca a agenda ambiental na região e apresentou uma descrição inicial por telefone da proposta de
trabalhar educação com jovens da comunidade.
45
Com isso o professor reuniu 27 jovens, e dois professores na sede da associação de
moradores da comunidade para apresentação da proposta por parte do analista e do consultor.
A conversa de apresentação da metodologia e o convite aos jovens para participar da
construção coletiva da proposta se deu em uma manhã, e foi solicitado aos jovens que conversassem
entre si para propor linhas de ação e temas a serem trabalhados na sua comunidade.
Quatro dias depois o consultor retornou a comunidade e passou parte de dois dias reunido
com os jovens e o professor ambientalista, na associação de moradores, transformando seus interesses
na proposta final.
Como o grupo era pequeno a transformação das propostas dos jovens na versão final do
Guiné ocorreu de forma dialógica, utilizando o computador e o data show para criar os módulos
imediatamente. Com três reuniões (duas manhãs e uma tarde) de duas horas, todas as intenções foram
alinhadas.
Ao final da proposta foi dito aos jovens que a versão final da Chapada Diamantina sairia da
mesclagem da proposta deles com a dos jovens do Pau Ferrado.
Para realização da mescla de módulos, utilizou-se a mesma lógica de afinidade de temas
apresentada na descrição de construção do Médio Juruá, apresentada nesse documento.
2.
Pau Ferrado
No Pau Ferrado o processo foi o mesmo adotado no Guiné. Uma reunião previa de
apresentação da proposta, realizada pelo analista ambiental e o consultor, junto aos jovens, um membro
de uma ONG ambientalista local e um professor. Após 4 dias, em que os jovens foram estimulados a
pensar propostas e sugestões de temas e atividades, foram realizadas mais 3 reuniões, em dois dias, para
refinamento e construção da versão final.
As diferenças ficaram por conta da participação da ONG Bicho do Mato, que atua na região
e foi de grande apoio na mobilização e participação junto aos jovens. Outra diferença foi que ao termino
da apresentação de todas as intenções de temas e oficinas dos jovens, foi feita a mesclagem e amarração
final usando como base o documento construído no Guiné.
Assim, ao término das três reuniões no Pau Ferrado, foi construída a versão final da proposta
de ação do PARNA Chapada Diamantina para o projeto de capacitação para jovens.
7.3.1.3 Módulos:
1) Contexto da questão ambiental contemporânea no mundo e no Brasil e o Sistema Nacional
de Unidades de Conservação:
Responsável Técnico: Educador ambiental ou profissional afim.
Esse módulo tem a incumbência de apresentar o projeto, mostrar na pratica a abordagem
metodológica e servir de alicerce conceitual para o processo educativo a ser trabalhado ao longo de
todos os encontros.
Assim, é trabalhado no primeiro módulo a situação da questão ambiental atual no mundo e
no Brasil, situando o momento histórico em que se insere a chamada crise ambiental e todos seus
aspectos.
Dessa forma é construída uma linha do tempo que aborda a história das discussões
ambientais no mundo e no Brasil, e como essas discussões contribuíram para o surgimento dos órgãos
46
ambientais nos âmbitos internacionais, nacionais, estaduais e municipais além do surgimento do
SISNAMA (sistema nacional de meio ambiente).
Nessa linha do tempo são abordados as mudanças tecnológicas vivenciadas nos últimos
séculos, as transformações do nível de consumo de recursos naturais, a capacidade de transformação dos
recursos naturais em produtos de consumo, o aumento populacional, o aumento dos produtos
descartáveis. Contidos nessas mudanças históricas são incluídos os conceitos de Injustiça ambiental,
crise ambiental como sintoma de crise de civilização e vulnerabilidade ambiental
A questão do consumismo, da cultura dos produtos e matérias descartáveis e suas relações
com os rejeitos. Os rejeitos que viram lixo e os rejeitos que viram oportunidades também são enfocados
por serem permanente fonte de preocupação das comunidades. Logo são tratados temas como destinação
de resíduos correta e incorreta.
Outra linha de temas abordados são os que dizem respeito ao desflorestamento, a eliminação
das matas ciliares, diminuição das áreas de florestas e matas, pressões nos ambientes naturais, efeitos
dos desmatamentos na vida das pessoas, pressão nos ambientes naturais e nos recursos naturais.
A partir de toda essa construção histórica são apresentadas e discutidas as situações que
confluíram para a construção de uma política nacional de meio ambiente / legislação ambiental – e os
motivos que levaram a construção das Unidades de Conservação no mundo e no Brasil.
Poluição industrial e agroindustrial no entorno do Parna Chapada Diamantina. Destinação de
resíduos corretas e incorretas, captação de águas regularizadas e irregulares, relação com as matas
ciliares, filtro de ar ou emissão de gases contaminantes, diferentes tipos de poluição industrial.
A partir dessa contextualização é apresentado o SNUC (sistema nacional de unidades de
conservação). Nesse ponto colocamos como objetivo a reflexão da vida dentro de uma UC e em seu
entorno, e levantamos junto aos participantes pontos positivos e pontos a serem melhorados das UC, em
suas perspectivas.
Papéis e competências: Explicitar as responsabilidades, atribuições e competências legais do
Ministério do Meio Ambiente, das autarquias executivas de Meio Ambiente, das Secretarias estadual e
municipal de Meio Ambiente, do Ministério Público, das Associações de moradores, das comunidades e
dos comunitários dentro do tema abordado no módulo.
Atividade de grupo: Linha do tempo das transformações ambientais nas comunidades.
Texto: A carta da Terra (disponível em www.cartadaterra.com).
Vídeo: A história das coisas; A ilha das flores (disponíveis em www.youtube.com).
Saída de campo: Caminhada curta na fronteira do Parna; Locais de emissão de resíduos da
agroindústria local.
Oficina: Desenho.
2) A história do Parque Nacional da Chapada Diamantina:
Responsável Técnico: Analista ambiental e lideranças comunitárias locais.
Quais motivos históricos levaram a criação do Parna Chapada Diamantina? Como e quando
foi criado o parque.
Quais as opiniões dos diversos atores envolvidos sobre a criação do parque? – IBAMA,
comunidades do entorno, comunidades que viviam dentro, prefeituras, estado da Bahia.
47
Características do Parna Chapada – incêndios e fogo. Abordagem detalhada do Parna ontem
e hoje. O parque nacional hoje. Como é a vida no entorno do parque?
Responsável Técnico: Analista ambiental.
Mostrar quem são os responsáveis pela administração do Parna. Qual o papel da equipe
gestora. Qual o papel das comunidades do entorno do parque na gestão dessa área. Quais as funções do
ICMBio na administração do parque. O que se pode, o que não se pode e o que se deve fazer na área do
parque. Quais são os objetivos do parque, e o que se administra. Desafios da gestão e como os jovens
podem contribuir na gestão participativa.
A partir desse modulo, falar das “coisas” que são administradas pelo Parque. Suas riquezas
naturais e como cada um dos elementos desse patrimônio natural tem sua relevância e importância na
vida das comunidades do entorno, em seu bem estar e em sua segurança ambiental. Como esse
patrimônio equilibrado e preservado é fonte de segurança e justiça ambiental.
Papéis e competências: Explicitar as responsabilidades, atribuições e competências legais do
Ministério do Meio Ambiente, das autarquias executivas de Meio Ambiente, das Secretarias estadual e
municipal de Meio Ambiente, do Ministério Público, das prefeituras municipais do entorno do Parna,
das Associações de moradores, das comunidades e dos comunitários dentro do tema abordado no
módulo.
Atividade de grupo: Diagnostico de pontos a serem melhorados na Chapada. Quando o
parque pode ser fonte de injustiça? Como evitar isso?
Saída de campo – local onde se visualiza todo o parque (de norte a sul).
Atividade: Projeções para o futuro dos jovens que vivem no entorno do parque (suas
perspectivas).
Oficina: Teatro.
3) A biodiversidade da Chapada Diamantina:
Responsável Técnico: Biólogo ou profissional afim.
O que é a tão falada biodiversidade?
Diferentes plantas e animais. Plantas e seus usos – medicinal, alimentar, estético e outros.
Animais e suas relações com os homens – caça e pesca, animais perigosos e peçonhentos, animais que
atraem turistas e cientistas.
Endemismos, biomas, fitofisionomias, biodiversidade, animais de cada bioma, plantas de
cada bioma, biomas que população reconhece VS biomas que a ciência reconhece; as sempre vivas.
Biodiversidade local e regional. Micro habitats, micro climas.
Possibilidades profissionais associadas à biodiversidade - Restauração ambiental, viveiro de
mudas, fitomedicina, observação de aves, polinização e dispersão de sementes, alimentos locais.
Biodiversidade e pesquisa. Biodiversidade e turismo. Bioremediação, fitofármacos, curas naturais e
princípios ativos.
Plantas nativas, plantas endêmicas e plantas exóticas.
Impactos potencias da perda da biodiversidade. Biodiversidade e serviços ambientais.
48
Vantagens e ganhos para os jovens de se conhecer a biodiversidade da Chapada. A partir de
um conhecimento mais amplo sobre a biodiversidade, os jovens são instrumentalizados no acesso a
oportunidades de melhoria de vida, e de diminuição das desigualdades e vulnerabilidades ambientais.
Vantagens e possibilidades para a vida dos jovens de se aprender a fazer monitoramento da
biodiversidade.
Papéis e competências: Explicitar as responsabilidades, atribuições e competências legais do
Ministério do Meio Ambiente, do Ministério Público, das Secretarias estadual e municipal de Meio
Ambiente, do Conselho Municipal de Meio Ambiente, das Universidades, dos Institutos de Pesquisa,
das ONGs, das Associações de moradores, das comunidades e dos comunitários dentro do tema
abordado no módulo.
Saída de campo – Projeto Sempre Vivas em Mucugê.
Saída de campo – Fragmento de Mata Atlântica nativa do Pau Ferrado (mata do italiano ou
mata de Nelson ou mata de João Pereira).
Oficina: Fotografia.
4) A diversidade cultural da Chapada Diamantina:
Responsável Técnico: Profissional de turismo e pesquisador de cultura da Chapada.
Historia dos municípios, ocupações produtivas, tipos de produções culturais, festejos
sagrados e profanos, artes do município.
Exposição das principais características históricas, biológicas, ecológicas, geológicas,
culturais, geográficas, hidrológicos a fim de se ampliar a vivência cultural e turística das experiências na
Chapada incrementando conhecimento para os jovens do ponto de vista educacional e cognitivo.
As pinturas rupestres – a vida na Chapada dos nossos antepassados. Conhecer a historia
antiga da Chapada, as ocupações humanas, o que trouxe os antepassados pra cá, o que significam as
pinturas rupestres, objetos arqueológicos.
Papéis e competências: Explicitar as responsabilidades, atribuições e competências legais do
Ministério da Cultura, das Secretarias estadual e municipal de Cultura, do Conselho Municipal de
Cultura, das Universidades, do IPHAN, das Associações de moradores, das comunidades e dos
comunitários dentro do tema abordado no módulo.
Saída de campo – Locais de garimpo, pinturas rupestres, comunidades antigas.
Oficina: Pintura e pigmentos naturais.
5) Os atrativos turísticos da Chapada Diamantina:
Responsável Técnico: Profissional de turismo e pesquisador de cultura da Chapada.
Historia dos municípios, ocupações produtivas, tipos de produções culturais, festejos
sagrados e profanos, artes do município.
Exposição das principais características históricas, biológicas, ecológicas, geológicas,
culturais, geográficas, hidrológicos a fim de se ampliar a vivência cultural e turística das experiências na
Chapada incrementando conhecimento para os jovens do ponto de vista educacional e cognitivo.
49
As pinturas rupestres – a vida na Chapada dos nossos antepassados. Conhecer a historia
antiga da Chapada, as ocupações humanas, o que trouxe os antepassados pra cá, o que significam as
pinturas rupestres, objetos arqueológicos.
Nesse módulo deve se fazer uma interface com os temas trabalhados nos dois módulos
anteriores, indicando como informações culturais e bioecológicas podem incrementar os atrativos
turísticos regionais, e como os guias podem melhorar sua atuação profissional agregando conhecimentos
de cultura e biodiversidade locais
Papéis e competências: Explicitar as responsabilidades, atribuições e competências legais do
Ministério do Turismo, das Secretarias estadual e municipal de Turismo, do Conselho Municipal de
Turismo, das entidades e conselhos de classe de Turismo, das Associações de guias turísticos, das
Associações de moradores, das comunidades e dos comunitários dentro do tema abordado no módulo.
Saída de campo – locais de garimpo, pinturas rupestres, comunidades antigas.
Oficina: pintura e pigmentos naturais.
6) As águas da Chapada Diamantina, Saneamento básico e urbanização:
Responsável Técnico: Ambientalista e Sanitarista ou urbanista.
Todas as águas do parque. Principais rios, córregos e bacias hidrográficas. Tipos de águas e
associação com os tipos de solo e geologia. Relação da bacia hidrográfica com os solos e a geologia.
Principais nascentes. Águas superficiais e águas subterrâneas. Tipos de rios: temporários VS perenes.
Água como fonte de bem estar. Dessedentação animal, agricultura, produções variadas. As
fontes da água potável para a comunidade, os mananciais, as fontes de poluição das águas.
Água como fonte de doenças. Ausência de higiene e de saneamento básico. Falta d água na
Chapada.
Água como foco de conflito. Desafios da gestão das águas no Parque. Os jovens e as águas
da Chapada.
O turismo e as águas da Chapada. Potencialidades positivas e negativas. Conflitos e ganhos
atuais, fazendo interface com o módulo anterior.
Tratamento de esgoto, destinação de esgoto, tratamento de água, rio como destino do esgoto
domestico, asfaltamento e esgoto a céu aberto, urbanização e saúde ambiental, doenças de veiculação de
falta de tratamento de água e esgoto.
Vulnerabilidade ambiental, justiça ambiental e as relações desses conceitos com a
urbanização e o saneamento básico
Planejamento espacial, zoneamento e participação social nos planejamentos dos espaços
públicos.
Papéis e competências: Explicitar as responsabilidades, atribuições e competências legais do
Ministério do Planejamento, Ministério da Saúde, Ministério do Meio Ambiente, do Ministério Público,
das Secretarias estadual e municipal de Planejamento, das Secretarias estadual e municipal de Obras, das
Associações de moradores, das comunidades e dos comunitários dentro do tema abordado no módulo.
Atividade: As diferentes águas da Chapada. Comparar visualmente (e cheiro) as águas de
diferentes rios da Chapada.
50
Saída de campo: Corpos d água do Parna.
Oficina: documentário, maquetes.
7) O clima da Chapada:
Responsável Técnico: Climatologista.
As transformações do clima da Chapada nas últimas décadas. Macro clima VS micro clima.
O papel da ação humana no clima local. Desmatamento, barramentos de corpos d água, agricultura
intensiva, pecuária extensiva.
Alterações climáticas na Chapada e o aumento da vulnerabilidade ambiental. Alterações
climáticas afetando os regimes das águas, e a produção agropecuária – fontes de conflitos potenciais e
atuais.
Climas mais adequados para as diferentes regiões, diferenças de temperaturas entre os
diferentes municípios da chapada.
Regime de chuvas de hoje VS o regime de chuvas de antigamente, as chuvas passaram a ser
imprevisíveis o que afetou as lavouras, mudanças climáticas globais VS mudanças climáticas locais,
comparações de imagens de satélite de tempos diferentes de Guiné, de Mucugê, do Pau Ferrado e de
Ibicoara.
O que os jovens precisam saber sobre os climas da Chapada e que ações devem tomar para
manter a sanidade microclimática e o bem estar das comunidades.
Papéis e competências: Explicitar as responsabilidades, atribuições e competências legais do
Governo Federal, do Ministério do Meio Ambiente, do Ministério Público, das Secretarias estadual e
municipal de Meio Ambiente, dos Institutos de Pesquisa, das Universidades, das Associações de
moradores, das comunidades e dos comunitários dentro do tema abordado no módulo.
Saída de campo: locais que você percebe diferenças de temperatura (pasto e mata).
Oficina: Música, dança e corporalidade.
8) Alternativas agropecuárias adequadas a região:
Responsável Técnico: Agroecologista e agrônomo.
Tipos de técnicas agrícolas, agrofloresta, permacultura, consórcio de produção, coivara,
técnicas sustentáveis para mata atlântica, tipos de plantas mais adequadas para produzir no Pau Ferrado
e no Guiné, qualidade de produção, levantamento das técnicas mais usadas atualmente no Pau Ferrado e
no Guiné, técnicas mais adequadas para o Pau Ferrado e para o Guiné.
Formas de potencializar a produção agrícola na região, considerando os tipos de cultivos
mais adequados ao solo e ao clima e as técnicas de agregação de valor por meio de cultivos de qualidade
superior.
Mostrar como diferentes formas de produção agropecuárias podem ter características de
contribuição com a biodiversidade e as condições climáticas ou podem causar diminuição da
biodiversidade e causar efeitos danosos aos ambiente natural.
Papéis e competências: Explicitar as responsabilidades, atribuições e competências legais do
Governo Federal, do Ministério do Desenvolvimento Agrário, do Ministério da Agricultura Pecuária e
Abastecimento, do Ministério Público, das secretarias estadual e municipal de Produção, dos Institutos
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de Pesquisa, das Universidades, da EMBRAPA, das Associações de produtores rurais, das Associações
de moradores, das comunidades e dos comunitários dentro do tema abordado no módulo.
Atividade: Divulgação das técnicas mais adequadas para os produtores do Pau Ferrado e do
Guiné, com campanha construída pelos jovens.
Saída de campo – na agrofloresta da fazenda de Nelson comparando com a agrofloresta de
Ibicoara.
Oficina: Comunicação e jornalismo.
9) Fortalecimento das comunidades pela organização e participação social:
Responsável Técnico: Membro de associação ou cooperativa e líder comunitário.
Incluir e considerar as práticas localizadas: agricultura familiar, fontes de crédito, acesso a
políticas públicas, melhoria das estruturas básicas de vida, combate ao fogo, gestão participativa e seus
espaços de participação e instrumentos de gestão.
Nesse módulo, traremos aos jovens exemplos de ações e atividades participativas existentes
em suas regiões e como essas ações e atividades podem ser incorporadas pelos jovens visando sua
melhoria de vida e a melhoria de vida de suas comunidades.
Papéis e competências: Explicitar as responsabilidades, atribuições e competências legais das
Associações de moradores, dos associados, das comunidades, e dos comunitários dentro do tema
abordado no módulo.
Oficina: Levantamento e pesquisa de ações, atividades e espaços participativos na Internet.
10) O protagonismo juvenil na gestão do patrimônio natural da Chapada.
Responsável Técnico: Técnico de redação de projetos e captação de recursos de alguma
ONG.
Mostrar aos jovens formas, caminhos e ferramentas que favoreçam a participação deles na
administração do Parna.
Ensinar a fazer projetos, mostrar como preencher formulários e ofícios, apresentar fontes de
financiamento e fomento de projetos e ensinar como acessar esses recursos.
Oficina: de construção de projetos e de captação de recursos.
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Tabela III – Competências, Habilidades e Atitudes estimuladas nos encontros da Chapada Diamantina
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
C
H
A
C
H
A
C
H
A
C
H
A
C
H
A
C
H
A
C
H
A
C
H
A
C
H
A
Perceber a relação entre a cultura e a chamada crise
ambiental.
Comunicar por meio da linguagem pictórica.
Refletir sobre sua conduta cotidiana em relação ao
seu ambiente imediato.
Compreender o contexto histórico do território;
instrumentos de gestão participativa.
Comunicar por meio da linguagem teatral.
Respeitar e valorizar o seu corpo e a alteridade.
Entender o conceito de biodiversidade; reconhecer a
riqueza biológica de sua localidade.
Perceber diferenças entre organismos silvestres e
ecossistemas.
Valorizar a biodiversidade da região.
Compreender o contexto cultural local e sua
diversidade.
Transformar recursos naturais em instrumentos
artísticos e de comunicação.
Valorizar a cultura local.
Conceber o potencial turístico de sua região como
alternativa geradora de renda.
Expressar o seu imaginário.
Proteger os atributos que tornam sua região um
atrativo turístico.
Adquirir noções básicas sobre hidrografia, usos da
água e sanitarismo.
Organizar elementos espacialmente.
Respeitar os limites do uso da água e os riscos de
causar prejuízos a jusante.
Adquirir noções básicas sobre climatologia.
Relacionar as influências humanas no clima.
Refletir sobre as consequências das práticas
cotidianas com o clima.
Adquirir noções básicas de agroecologia e técnicas
agropecuárias alternativas; conceber tais técnicas
como possibilidades de atividades rentáveis.
Sintetizar conhecimentos adquiridos; correlacionar
técnicas agroecológicas com a manutenção da
biodiversidade.
Divulgar os conhecimentos adquiridos.
Compreender os mecanismos de financiamento
públicos pertinentes à sua atividade.
Acessar políticas públicas pertinentes às suas
necessidades comunitárias; elaborar projetos.
Exercer o protagonismo juvenil nas ações de gestão
ambiental da região e nas ações comunitárias.
CONTEÚDOS
PROCEDIMENTOS
METODOLÓGICOS
A questão ambiental: do mundo ao Brasil / O
Sistema Nacional de Unidades de
Conservação.
Palestra; Atividades em grupo; Exibição de
vídeo seguido de debate; Dinâmicas;
Oficina de desenho.
Projetor de vídeo multimeios; Papel sulfite; Lápis de cor;
Giz de cera; DVD com o vídeo "A História das Coisas" e
"A Ilha das Flores"; Texto didático sobre o SNUC;
Roteiro das atividades de grupo; Papel metro.
A história do Parque Nacional da Chapada
Diamantina e sua gestão.
Mesa redonda; Palestra; Atividades em
grupo; Saída de campo; Exibição
fotográfica; Oficina de teatro.
Projetor de vídeo multimeios; Texto didático sobre
ferramentas de gestão; Roteiro dos EDG; Material
cenográfico.
A biodiversidade da Chapada Diamantina.
Palestra; Exibição de fotografias; Saída de
campo; Oficina de fotografia.
Projetor de vídeo multimeios; Binóculos; Lupas; Guias de
campo; Papel fotográfico.
A diversidade cultural da Chapada
Diamantina.
Palestra; EDG; Saída de campo; Teatro de
fantoches; Exibição fotográfica; Oficina de
pintura e produção de pigmentos naturais e
pintura com dedo (inspirado nas pinturas
rupestres).
Projetor de vídeo multimeios; Roteiro dos EDG; Fixadores
atóxicos de pigmentos; Papel metro; Materiais para
produção de pigmentos naturais (ver com instrutor da
oficina).
Os atrativos turísticos da Chapada Diamantina.
Exposição dialogada em saída de campo;
Exibição fotográfica; Oficina de contos,
causos e histórias.
Projetor de vídeo multimeios; Binóculos; Mapas; Papel
em branco; lápis.
Palestra; Saída de campo; Exibição de
vídeo; Trabalhos em grupo; Debate;
Oficina de confecção de maquetes.
Projetor de vídeo multimeios; DVD com vídeo sobre o uso
da água; Mapas com hidrografia; Cola atóxica; Tinta
atóxica (preferencialmente os pigmentos produzidos por
eles); Jornal velho; Papelão; Réguas; Tesouras.
Clima e a Chapada Diamantina.
Mesa redonda sobre percepção do clima;
Exibição de vídeo; Atividade de campo;
EDG; Oficina de música, dança e
corporalidade.
DVD com excertos dos vídeos "Uma Verdade
Inconveniente" e "Mudanças Climáticas" (do Greenpeace
Brasil); Material teórico sobre a série histórica das
medições pluviométricas da região; Roteiro de EDG.
Alternativas agropecuárias adequadas à região.
Palestra; Debate; Saída de campo; Exibição
de vídeo; Oficina de comunicação e
jornalismo.
Projetor de vídeo multimeios; DVD com vídeo sobre
agroecologia.
Mesa redonda; Exibição de vídeo; EDG;
Oficina de elaboração de projetos e
captação de recursos.
Projetor de vídeo multimeios; Roteiro do EDG; DVD com
vídeo sobre exemplos de organizações sociais bem
sucedidas.
As águas da Chapada Diamantina.
Saneamento básico e urbanização.
Fortalecimento das comunidades por meio da
organização e participação social.
O protagonismo juvenil e a conservação da
sociobiodiversidade da Chapada.
MATERIAL DE ENSINO-APRENDIZAGEM
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7.3.1.4 Parcerias
• Secretaria Municipal de Educação de Ibicoara – por meio dos professores e diretoria da escola
municipal do Pau Ferrado foi construída a parceria. Mobilizadores dos jovens e da comunidade,
legitima o processo de aproximação entre PNCD e comunidade, além de oferecer o espaço da
escola para realização de algumas atividades.
• Secretaria Municipal de Educação de Mucugê – por meio dos professores e diretoria da escola
municipal do Guiné foi construída a parceria. Mobilizadores dos jovens e da comunidade,
legitima o processo de aproximação entre PNCD e comunidade, além de oferecer o espaço da
escola para realização de algumas atividades.
• ONG Bicho do Mato – Atuam no município de Ibicoara e na comunidade do Pau Ferrado,
apóiam o projeto e oferecem material humano para execução de alguns módulos.
• Brigada Voluntária de Combate a Incêndios Florestais do Guiné – Colaboradores permanentes
do PNCD no combate aos incêndios. Grupo de jovens que favorece a interlocução entre o PNCD
e os moradores do Guiné.
• Associação de Moradores do Pau-Ferrado – Se interessaram pela proposta e como apoio
ofereceram o centro comunitário para realização dos encontros além de oferecer espaço para os
instrutores pernoitarem e se alimentar. Ofereceram também pessoas para cozinhar as refeições
durante os encontros.
• Associação de Moradores do Guiné – Se interessaram pela proposta e como apoio ofereceram o
centro comunitário para realização dos encontros.
• Ministério Público Estadual – Promotoria Regional de Meio Ambiente do Alto Paraguaçu – O
promotor regional demonstrou interesse em apoiar sinalizou a intenção de direcionar recursos
financeiros de compensação ambiental para a execução do projeto. Em contra partida quer
apresentar a ação como resultado das atividades do Ministério Público.
• Artistas de Caeté-Açu (Vale do Capão – município de Palmeiras) – Entusiastas do projeto,
oferecem mão de obra qualificada para realização das oficinas de arte educação.
7.3.1.5 Custos do Projeto
Material/Pagamento
Valor Unitário
Unidade de escala R$
Combustível – diesel
Combustível – gasolina
Palestrantes
Instrutores
Passagem de ônibus –
Salvador/Palmeiras
Alimentação
Material de escritório**
Total por encontro
Total do Projeto (10 módulos)
Quantidades
litro
3,00
100
litro
diária
diária
3,30
250,00
250,00
100
2
2
Ida e volta
unidade
160,00
8,00
3
100
unidade
--------
10,00
--------
100
--------
Dias Valor R$
-----300,00
-----330,00
3
1.500,00
3
1.500,00
-----480,00
3
2.400,00
-----1.000,00
6.510,00
3
66.100,00
** Material adquirido uma única vez.
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Observações: Os gastos estão superestimados, uma vez que na Chapada Diamantina é
possível economizar com alimentação por meio de parceria com as prefeituras. Alguns instrutores e
palestrantes também não são esse preço, por serem moradores locais, e não terem gastos com passagem.
8
AVALIAÇÃO DAS AÇÕES PEDAGÓGICAS
O processo de avaliação do Verde Perto se dá de forma continuada e é realizado em três
momentos.
1) Ao final de cada encontro é feita uma avaliação oral, onde todos os participantes do encontro,
incluindo palestrantes, monitores e equipe gestora. Forma-se um círculo e cada participante do
encontro fala os pontos positivos daquele encontro; os pontos negativos do encontro; e dá
sugestões de coisas que gostaria de que fossem inclusas no próximo encontro. Todas essas falas
são anotadas em tarjetas e colocadas em quadro de avaliação. Devem ser consideradas para os
próximos encontros.
Após essa avaliação coletiva ocorre uma avaliação da equipe organizadora, incluindo os
palestrantes e instrutores do módulo, onde são relatadas as percepções de cada um da equipe
referentes a apreensão dos conteúdos, dificuldades de transmissão dos assuntos e temas que
foram mais facilmente absorvidos.
Além disso, todos os produtos gerados ao longo dos encontros são arquivados pela equipe
coordenadora do projeto e vão sendo avaliados se transformam em informação arquivada sobre a
evolução cognitiva dos participantes do projeto. Esses produtos demonstram o que foi
apreendido do ponto de vista de conteúdos.
2) Logo ao final dos dez módulos, todos os produtos gerados ao longo do projeto são avaliados em
sequencia, pela coordenação do projeto, para a realização do panorama mais amplo de ganho
cognitivo de cada um dos participantes.
Esse material torna-se fonte de informação da evolução de aprendizagem dos jovens e é
transformado em relatório final do projeto.
Além dessa avaliação de apropriação de conteúdos, é realizado o acompanhamento do grau de
adesão e coesão do grupo, avaliando se esse conjunto de participantes da ação educativa
efetivamente se tornou um grupo de jovens.
Outro ponto avaliado é a mudança na atuação dos jovens do projeto nas atividades comunitárias,
das entidades representativas e ou na gestão da UC.
3) Após o final do projeto, uns meses depois, deve-se verificar se a partir do projeto ocorreu
continuidade de ações e desdobramentos. Papel dos analistas ambientais. Devem acompanhar o
que os jovens tem feito, se criaram projetos novos, se aderiram as Associações de moradores, se
passaram a frequentar as reuniões de Conselho, se utilizam outras ferramentas de gestão
participativa, se passaram a colaborar de alguma forma na gestão da UC, se passaram a assumir
cargos de direção e quaisquer outros indicativos de assunção de responsabilidades de lideranças.
Além disso o analista deve quantificar o numero de jovens que passaram a atuar de forma
protagonista e comparar com os que não seguiram na ação protagonista, afim de se ter um painel
de eficiência do projeto jovens na mudança do comportamento deles e em seu nível de
participação.
9
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Cada encontro, tanto nas UC de Uso Sustentável quanto nas de Proteção Integral, terá
duração de três a cinco dias, de acordo com a logística e com as possibilidades dos jovens de
participação. As atividades ocorrerão sempre da seguinte forma: Atividades teóricas nas manhãs e
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oficinas de arte educação nas tardes, onde os assuntos teóricos são retrabalhados com a utilização de
outras linguagens.
As atividades de grupo e as saídas de campo são intercaladas entre os dias com atividades
teóricas e oficinas, por exemplo: atividade teórica com oficina no primeiro dia; saída de campo e
atividade em grupo no segundo dia; atividade teórica com oficina e encerramento do módulo no terceiro
dia.
A previsão de inicio de execução dos módulos é entre abril e maio de 2013 com previsão de
término ao final de 2014. Os encontros para realização dos módulos podem em intervalos de 2 a 3
meses.
A definição da quantidade de 10 módulos a serem trabalhados, que foi colocado nas
propostas piloto apresentadas nesse documento, foi motivada pelos resultados obtidos no Projeto Jovens
como Protagonistas do Fortalecimento Comunitário realizado no Médio Solimões.
A diferença de resultados obtidos no Médio Solimões foi significativa e totalmente associada
ao numero de encontros. Na Flona Tefé, onde foram realizados 12 encontros presenciais, os jovens
assumiram cargos na Associação de moradores (dos 10 atuais membros da diretoria, 8 são jovens que
participaram do projeto); solicitaram uma cadeira de jovens no conselho consultivo da Flona, e
conseguiram a cadeira especial de jovens; criaram a campanha amigos da Flona Tefé de divulgação da
importância da Flona para os municípios de Tefé e Alvarães por meio de palestras em escolas e
entrevistas na rádio Rural de Tefé; e além disso tudo, um dos jovens protagonistas da Flona pleiteou o
cargo de diretor nacional de juventude do CNS (Conselho Nacional de Populações Extrativistas) e foi
eleito.
Em Juruá, onde ocorreram nove encontros, os jovens passaram a participar ativamente das
atividades da Associação dos moradores, seja fazendo serviços de escritório, seja colaborando
ativamente na venda do Pirarucu e dos peixes miúdos manejados, seja auxiliando na proteção das praias
de quelônios e lagos de peixes; criaram um programa de divulgação da Resex nas escolas e na rádio de
Juruá; estão realizando encontros de jovens nas comunidades da Resex para promover a adesão de mais
jovens ao grupo.
Já na Resex do Rio Jutaí o projeto praticamente não teve continuidade, uma vez que a
quantidade de encontros foi bem inferior. Apenas cinco encontros ocorreram em Jutaí e o grupo não
criou a adesão e a maturidade necessárias para dar continuidade as ações na sua UC.
Nesse momento os jovens de Juruá e de Tefé se ofereceram para colaborar com os jovens de
Jutaí para pensarem e executarem ações de continuidade do grupo de jovens local, afim de se fortalecer
a participação dos jovens de Jutaí na gestão de sua UC.
Dessa forma, sugere-se fortemente que a quantidade de encontros para o projeto de
Capacitação de Jovens não seja inferior a nove, para que haja tempo o suficiente de coesão de grupo e
de amadurecimento dos jovens para assumirem papéis de responsabilidade maior.
Ao final do projeto, no término do último módulo, é desejável que haja um momento de
celebração pelo fim dessa etapa. Nessa celebração os jovens devem ter a oportunidade de apresentar
todos os seus produtos, construções artísticas e literárias para seus pais e para as lideranças
comunitárias.
Essa celebração tem o triplo papel de festejar o término de uma etapa, reafirmar a coesão do
grupo e valorizar os jovens estimulando sua auto estima por meio de sua apresentação de material
produzido a pais, responsáveis, amigos e demais familiares.
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10 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: Saberes necessários à prática educativa. São
Paulo: Paz e Terra. 1998.
JUNQUEIRA, V. & NEIMAN, Z. (org.). Educação Ambiental e conservação da
biodiversidade. Barueri/SP: Manole, 2007.
GARDNER, H. Estruturas da Mente: a teoria das inteligências múltiplas. Rio de Janeiro:
Artmed, 1994.
KISIL, R. 2004. Elaboração de projetos e propostas para organizações da sociedade civil.
São Paulo: Global.
LEFF, Enrique (org) et al. A complexidade ambiental. São Paulo: Cortez, 2003.
LOUREIRO, C. F. B.; LAYRARGUES, P. P.; CASTRO, R. S. (Orgs.). Repensar a educação
ambiental – um olhar crítico. São Paulo: Cortez, 2009.
MORIN, Edgar. A cabeça bem-feita. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002.
MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. São Paulo: Editora Cortez,
10ª ed. 2005.
NEUMANN, L. T. V. 2004. Desenvolvimento comunitário baseado em talentos e recursos
locais – ABCD. São Paulo: Global; IDIS.
RODRIGUES, L. S. 2008. Promovendo Educação Ambiental por Meio das Inteligências
Múltiplas: O Programa Verde Perto. Brasília. Anais IV Encontro Nacional da Anppas.
ZIMMERMANN, A. 2012. Programa de capacitação para gestão participativa em Resex e
RDS. Ministério do Meio Ambiente.
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Fly UP