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Destruição de bens

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Destruição de bens
FICHA DOUTRINÁRIA
Diploma:
CIVA
Artigo:
86º
Assunto:
Destruição de bens
Processo:
nº 2995, despacho do SDG dos Impostos, substituto legal do Director - Geral,
em 2012-03-30.
Conteúdo:
Tendo por referência o pedido de informação vinculativa solicitada, ao abrigo
do art° 68° da Lei Geral Tributária (LGT), por « ….A…», presta-se a
seguinte informação.
Tendo por referência o pedido de informação vinculativa solicitada, ao abrigo
do art° 68° da Lei Geral Tributária (LGT), por « ….A…», presta-se a
seguinte informação.
FACTOS APRESENTADOS
1 - De conformidade com o registo de contribuintes a Requerente, sujeito
passivo enquadrado no regime normal de periodicidade mensal por opção,
pelas atividades de Restaurantes Tipo Tradicional e Organização de Feiras,
Congressos e Outros Eventos Similares, CAE's 56101 e 82300,
respetivamente, vem expor e requerer o seguinte:
1.1 - Tem como atividade principal a restauração, podendo exercer
outras atividades no âmbito dos serviços e/ou comerciais afins;
1.2 - Refere duas situações de destruição de matérias-primas/produtos
por impróprios para consumo, devido: i) ao prazo de validade ter
expirado; e, ii) uma descarga elétrica ter provocado o desligamento das
arcas frigoríficas, pondo em causa a qualidade e condições de segurança
alimentar dos vários produtos frescos e congelados que continham.
2 - Neste sentido, pretende informação vinculativa sobre: i) as obrigações
legais a cumprir, relativamente ao processo de destruição das matériasprimas/produtos; ii) regularização das matérias-primas/produtos destruídos
em sede de IVA e o registo do seu valor para efeitos declarativos (Declaração
Periódica de IVA e IES); e, se iii) a perda apurada é fiscalmente aceite.
ENQUADRAMENTO EM SEDE DE IVA
3 - O princípio segundo o qual o IVA opera visa tributar as transmissões de
bens e/ou prestações de serviços de forma proporcional ao preço dos bens e
serviços, qualquer que seja o número de transações ocorridas no processo de
produção e de distribuição antes da fase de tributação.
4 - De harmonia com o preceituado na alínea a) do n.º 1 do artigo 1.º do
Código do IVA (adiante designado por CIVA) estão sujeitas a imposto sobre o
valor acrescentado "as transmissões de bens e as prestações de serviços
efetuadas no território nacional, a título oneroso, por um sujeito passivo
agindo como tal". Portanto, constituem pressupostos de tributação: i) o
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caráter oneroso das referidas operações; ii) serem realizadas no território
nacional, iii) por um sujeito passivo de imposto, agindo nessa qualidade.
5 - Ora, sendo o IVA um imposto geral, que visa tributar todo o consumo
em bens materiais e serviços assume também, entre outras a caraterística de
ser um imposto neutro. A neutralidade do imposto é conseguida através do
exercício de direito à dedução ou do crédito de imposto.
6 - Os sujeitos passivos são devedores do imposto na medida em que
devem faturar o IVA aos seus clientes, mas devido ao sistema de deduções,
não suportam eles próprios, em princípio, o gasto com o imposto, apenas o
consumidor final no termo da cadeia de distribuição suporta, de facto, esse
encargo.
7 - Dado a natureza generalista do imposto a conceitualização das
operações tributáveis: transmissões de bens, prestações de serviços ou
operações que lhe possam ser assimiladas são definições de âmbito alargado.
8 - No seguimento deste princípio, o artigo 86.º do Código do IVA preconiza
que "salvo prova em contrário, presumem-se adquiridos os bens que se
encontrem em qualquer dos locais em que o sujeito passivo exerce a sua
actividade e presumem-se transmitidos os bens adquiridos, importados ou
produzidos que se não encontrem em qualquer desses locais".
9 - Não obstante, este preceito legal presumir a aquisição e transmissão de
bens nas condições aí estipuladas, salvaguarda a sua aplicação genérica
mediante recurso à expressão "salvo prova em contrário", não explicitando,
contudo, o tipo de prova a apresentar nem as situações em que a mesma é
aplicável.
10 - Com o intuito de clarificar o âmbito da citada expressão, a Direcção de
Serviços do IVA, através do Ofício-Circulado n.º 32 264, de 24.10.1986
definiu os procedimentos a adoptar, no que se refere à prova da não
transmissão de bens que tenham sido inutilizados deteriorados ou destruídos,
em virtude de defeitos de fabrico ou obsolescência (ponto 3).
11 - Assim, estabelece no subponto 3.1 "não existe obrigação legal de
proceder a qualquer prévia diligência ou participação junto dos serviços da
Administração Fiscal […]. Crê-se, no entanto, que os sujeitos passivos terão
vantagem em ter na sua posse elementos justificativos das faltas nas suas
existências dos bens destruídos ou inutilizados, como forma mais segura de
elidir a presunção no citado artigo 80.º1 1, pelo que, nos casos em que
procedam a essa destruição ou inutilização, lhes é recomendável proceder à
prévia comunicação desses factos - indicando o dia e a hora - aos serviços
competentes, a fim de que os agentes de fiscalização possam, se assim o
entenderem, exercer o devido controle", complementando, no subponto 3.2
"em qualquer caso, os sujeitos passivos, no seu próprio interesse poderão
elaborar e conservar um auto de destruição ou inutilização dos bens objecto
de abate, testemunhado pelas pessoas estranhas ou não à empresa que
presenciaram aquele acto".
12 - Do expendido decorre que, o sujeito passivo deverá ter em sua posse
elementos justificativos da destruição ou inutilização dos bens (ativos
biológicos, produtos ou mercadorias), de modo a que a Inspecção Tributária,
no âmbito de procedimento inspetivo, verifique da relevância dos elementos
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Atualmente artigo 86.º.
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apresentados e, consequentemente, se os mesmos constituem prova
suficiente para ilidir a presunção prevista no preceito legal sob análise.
13 - No que concerne à dedução do IVA suportado na aquisição dos bens
inutilizados/destruídos é entendimento desta Direção de Serviços, que o
imposto é dedutível, se a inutilização for considerada um gasto, para efeitos
do IRC.
14 - De salientar ainda
regularização à dedução do
inutilização dos bens não for
o imposto, assumindo, neste
que, no caso sob análise não há qualquer
imposto suportado na aquisição, ou seja, se a
aceite para efeitos de IRC a Requerente suporta
contexto, a função de consumidor final.
15 - Acresce referir que, as regularizações, cujo âmbito e conteúdo estão
definidos no artigo 78.º do CIVA, destinam-se a corrigir o imposto, a favor do
sujeito passivo ou do Estado, já entregue ou já deduzido num determinado
período, devido à ocorrência dos factos nele mencionados, após a entrega da
declaração periódica.
16 - Embora, no caso vertente, a dedução do imposto contido nos bens
destruídos possa já ter ocorrido, o que releva para efeitos de aplicação deste
normativo são as realidades patrimoniais nele identificadas. Ora, como a
destruição/inutilização não é facto nele previsto, não pode, por essa razão,
beneficiar do mecanismo de regularização.
17 - Por último, e quanto ao esclarecimento sobre se "a perda apurada é
fiscalmente aceite", informa-se que o mesmo deverá ser solicitado à Direcção
de Serviços do IRC por ser a unidade orgânica competente nesta matéria.
Refira-se a este propósito que nas "Instruções de preenchimento do pedido
de informação vinculativa, Quadro III - Área Tributária" consta de forma
explícita "cada pedido só pode corresponder a uma área tributária. Se as
informações vinculativas pretendidas respeitarem a mais de um imposto,
devem ser solicitadas em separado".
CONCLUSÃO
18 - Face ao exposto, e nos temos do artigo 68.º da Lei Geral Tributária,
prestam-se os seguintes esclarecimentos: a) O imposto suportado na
aquisição dos bens destruídos/inutilizados é dedutível se a inutilização for
considerada um gasto, para efeitos do IRC; b) No caso de
destruição/inutilização de bens a dedução do imposto suportado na
respectiva aquisição não é passível de regularização.
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