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Histórias do Povo Cigano - Direção

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Histórias do Povo Cigano - Direção
Histórias
do
Povo Cigano
Sug estõ es d e A c tivid a d es p ara o Ensino Básic o
D e p arta m e nto d a Ed u c a ç ã o Básic a
Histórias
do
Povo Cigano
Sug estõ es d e Activid a d es p ara o Ensino Básic o
D e p a rt a m e nto d a Edu c a ç ã oBásic a
Haga
doble clic
HÍNDICE
aquí para
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editar el
Introdução
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texto.
aFIC H A 1
Eu, Cigano...
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bA Família
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FIC H A 3
eA Escola
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O Nomadismo
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O Namoro
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5
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29
INTRODUÇÃO
Tendo em vista melhorar a eficácia da resposta educativa aos problemas surgidos da
diversidade dos contextos escolares e assegurar que todos os alunos aprendam mais e
de um modo mais significativo, o Departamento da Educação Básica editou o livro "Eu,
Cigano sempre!" e concebeu agora "Histórias do Povo Cigano", adaptadas a crianças,
contribuindo para a construção de uma escola de qualidade, mais humana, criativa e
inteligente.
Os excertos de histórias aqui apresentados resultam d e uma recolha efectuada em
Lisboa, Porto, Bragança, Évora e Portimão entre Junho e Dezembro de 1998, no âmbito
do Projecto "R O M-SF" (Programa Sócrates), desenvolvido em parceria com o s
Ministérios da Educação da Suécia e Finlândia.
C onscientes da multiplicidade de situações quotidianas, queremos apenas sugerir-lhe
algumas abordagens possíveis, que não se esgotam aqui. Embora não se pretenda um
tratamento exaustivo dest a temática, o(a) professor(a) poderá seleccionar
competências, organizar conteúdos e desenvolver o seu trabalho, segundo a concepção
de estratégias/ actividades diversificadas que criem condições para a transversalidade
das aprendizagens, numa perspectiva de desenvolvimento integral do aluno e de uma
efectiva educação para a cidadania.
5
FICH A 1
EU, CIGANO
IDEIAS-CHAVE: O trajo c igano
TEXT O 1
G osto d e vestir to d as as c ores! O trajo d as cig a n as é
c olorid o! G osto m uito d e v e r u m a mulher b e m
arra nja d a , d e trajo c o m prid o e c o m brin c os e pulseiras.
Q u a nd o m e re form ar e g a nh ar a lgu m dinheiro c erto,
qu ero c o m prar ouro p a r a a minh a mulher. N ã o f a lt a
muito te m p o!
(Arm é nio, 60 a nos, Portim ã o)
TEXT O
2
Há diferenç as gra nd es entre o te m po d e a ntig a m ente e os te m pos d e a gora . Acho que so m os
c a d a vez m enos cig a nos. Já se veste d e tud o, já se faz d e tud o. Por mim n ã o m e im p orto, n ã o
critic o, d esd e que se sinta m b e m... nã o gosto é que se m eta m e m proble m as.
(La ura , 57 a nos, Lisbo a)
7
CURIOSIDADES:
O p ovo C ig a no re g e-se p or leis pró pri as, qu e n ã o est ã o escrit as, m as
que to d os os cig a nos c onhe c e m muito b e m;
Os cig a nos id e ntific a m-se norm alm e nte p elo vestu ário e c ara cterístic as
físic as: a gra nd e m aioria te m a p ele e os olhos b asta nte escuros;
Os cig a nos sã o um povo oriundo d a Índia .
SUGESTÕES DE ACTIVIDADES:
Re c olh a d e teste munhos/histórias d e fa miliares cig a nos;
Desenho d e um a cig a n a;
Dra m atiza ç ã o d e um a c en a d o quotidia no cig a no;
C onstru ç ã o d e u m á lbu m d e turm a (c a d a a luno f a z u m a bre v e
d escriç ã o d ele m esm o, junta nd o a su a foto);
El a b ora ç ã o d e u m p e qu e no proje c to d e inv estig a ç ã o so bre um a
p erson a g e m ou figura cig a n a ilustre.
8
FICH A 2
A FAMÍLIA
IDEIAS-CHAVE: Fa mília numerosa
TEXTO
C asei c o m 14 a nos e fiquei viúva c e do.
D a ntes a nd a v a a p e dir u m a esm ola p ara d ar
d e c o m er a os m e us filhos. Ag ora cresc era m e
g a nh a m eles o p ã o. A vid a d eles é a nd ar a qui,
a nd ar ali.
O m e u p ai já está muito velhote . Para nos criar
p a d e c e u muito. N a q u ele te m p o tosquia v a
burros e as p esso as d a v a m-lh e quinze ou vinte
esc ud os por c a d a burro qu e tosquia v a . Ele
tra zi a o dinh eirinho e vinh a d ar à minh a m ã e
qu e D e us te m, p ara ela fazer u m a p a n elinh a
d e c o m er p ara todos.
Vivía m os n a ru a . O m eu p ai f a zi a u m as
b arra quinh as d e p a no e d ormía m os a li uns
qu a ntos.
Viv e m os se m pre juntos. Só nos se p a r á m os
p ara c asar.
Te nho seis filhos. N e nhu m d eles foi à esc ola .
M or a m a q ui c o m i g o . Viv e m os s e m p r e
juntinhos.
(Luísa , 57 a nos, Portim ã o)
9
CURIOSIDADES:
A fa mília cig a n a é qu ase se m pre num erosa;
É fre qu e nte o a gre g a d o f a miliar ser c onstituíd o p or m a is d o qu e u m a
g era ç ã o -a vós, p ais, filhos, tios, prim os...;
De pois do c asa m ento, o c asal c ostum a ir viver c o m os p ais do noivo;
O ho m e m é que m to m a as gra nd es d e cisõ es d e fa mília;
Muitas vezes sã o os p ais a d e cidir c o m que m c asa m os filhos.
SUGESTÕES DE ACTIVIDADES:
C o m p ara ç ã o entre a fa mília referid a no texto e a fa mília do aluno;
Lista g e m d e p alavras asso cia d as à vid a fa miliar;
Desenho d a fa mília do aluno;
Dr a m a tiz a ç ã o d e u m a c e n a f a m ili a r;
Explora ç ã o/d e b ate e m p e queno grup o d as se guintes frases:
“F ala m os à cig a no uns c o m os outros”;
“Entre os cig a nos a m ulh er g overn a a c asa e o ho m e m
govern a a vid a .”
10
FICH A 3
A ESCOLA
IDEIAS-CHAVE: Ir / n ã o ir à escola
TEXTO
Aos sete a nos p erdi o m e u p ai e fiqu ei a viver
so m e nte c o m a minh a m ã e . Nesse a no e ntrei
p ara a esc ola , m as fui o brig a d o a d esistires ó
voltei a entrar a os d ez a nos. A professora p e diu
p ara levarm os algum m aterial. C o m o a minh a
m ã e n ã o c onse guiu c o m prá-lo, e u “a p a nh ei”
vergonh a e tive que d eixar a esc ola .
Q u a nd o voltei, a os d ez a nos, j á s a bi a ler e
escrever. E voltei a d esistir p orqu e che g ava
m uito tard e a c asa . Re gressei m a is u m a vez.
M a tric ulei-m e n a esc ola d e Alv ala d e , à noite.
Adorava a quela esc ola! Foi ond e p assa do dois
o u três a nos fiz o se gund o ciclo t a m b é m à
noite.
(Álv aro, 27 a nos, Lisb o a)
11
CURIOSIDADES:
As cri a n ç as cig a n as n ã o g ost a m d e est ar m uito te m p o fe c h a d as n a
sala d e a ula;
G eralm e nte gra nd e p arte d os p ais cig a nos c onsid era qu e o horário
esc olar se inicia muito c e d o. Se o filho disser qu e n ã o qu er ir, o p ai n ã o
insiste;
As cria n ç as cig a n as, p or v ezes, d esiste m d a esc ola p orqu e tê m q u e
to m ar c ont a d os irm ã os m ais novos o u p orqu e os p ais m ud a m d e
resid ê n ci a ;
As m e nin as cig a n as qu a nd o c o m e ç a m a cresc er sa e m d a esc ola
p orque n ã o p o d e m c onviver c o m ra p azes;
A m aioria d os cig a nos m ais velhos n ã o fre quentou a esc ola;
N a esc ola ta m b é m p o d e m os a prend er a c onhe c er a cultura cig a n a .
SUGESTÕES DE ACTIVIDADES:
Cria ç ã o d e histórias re c orre nd o a du as via g e ns im a gin árias:
“a esc ola id e al”;
“c o m o serei, o qu e f arei d a qui a 25 a nos?”
Re aliza ç ã o d e u m d e b a te so bre as v a nt a g e ns e d esv a nt a g e ns d e
fre qu e nt ar a esc ol a ;
·
Id e ntific a ç ã o/re pro du ç ã o d e sons asso cia d os à esc ola .
12
FICH A 4
O NOMADISMO
IDEIAS-CHAVE: A nd ar d e terra em terra
TEXT O
O t e m p o a ntig o er a m uito b onito!
O s c i g a n os i a m p or a q u e l a s
p ast a g e ns, a c a nt ar, a b ailar.
And a v a m p elo mund o, c o m a
"c asa" às c ostas.
Os m e us p a is tinh a m u m a c arro ç a
e vivia m p or a qui e p or ali, a vend er
c o isin h a s. A c a m p á v a m os n os
c a m p os, e m sítios on d e houvesse
p asto p ara os a nim ais.
Le m bro-m e d e t erm os u m a
c a n astra , c o m um a gra nd e to alh a ,
u m c â ntaro, u m a c a feteira p ara o
c afé e m cim a d e um gra nd e lum e.
E p a lh a no ch ã o c o m o o m e nino
Jesus.
A nossa vid a era esta . And ar d e terra e m terra a vend er d e p orta e m p orta . Vivía m os hoje a qui,
a m a nh ã alé m. N ã o tính a m os um a c asa , p or isso a p a nh áva m os muito frio e muita chuva . M as
eu, a o m esm o te m po, gostava d e a nd ar assim.
(M aria n a , 47 a nos, Portim ã o)
13
CURIOSIDADES:
Antig a m e nte existia um a lei, qu e proibia os cig a nos d e fic ar m ais d e 24
horas no m esm o sítio;
Por tere m sid o u m p ovo nó m a d a , a ind a hoje muitos cig a nos tê m o
h á bito d e d o brar diaria m e nte , os c o b ertores e le n ç óis d a c a m a.
C h a m a m a este h á bito "arm arof a to";
Mesm o vive nd o e m c asas, muit as vezes os cig a nos volt a m a d eslo c arse c o m fre qu ê n cia , p or m otivos profission ais (v e nd a a m bula nte ,
tra b alho sazon al), ou qu a ndo se za ng a m uns c o m os outros.
SUGESTÕES DE ACTIVIDADES:
Pintura d o itin erário d o
p ovo cig a no a t é à
Pe nínsula Ib éric a (m a p a);
Explora ç ã o d o itin erário
se guid o p elo p ovo cig a no
(m a p a );
Análise do provérbio cig ano: "A terra é a minha p átria, o c éu o m eu te cto
e a lib erd a d e a minh a religiã o".
14
FICH A 5
A LÍNGUA
IDEIAS-CHAVE: Rom a ni / C aló
TEXTO
O Ro m a ni é a nossa língu a , m as pouc os cig a nos a sa b e m falar pois c a d a vez se usa m enos.
M esm o d a ntes só f a l á v a m os e m fre nte a os senhores (os n ã o c i g a n os), p a r a q u e n ã o
nos e nte nd esse m . C o m o c onvívio qu e a g ora te m os c o m to d a a
g e nte , d eixou d e f a z e r
f alt a .
Antig a m e nte er a c ois a im p orta nte .
Q u a nd o ví a m o s a G u a r d a d izí a m o s
“v e m aí o arc a nhin ”, cig a n a diz-se
c a lhin . Q u e m f ala a verd a d e , n ã o
m ere c e c a stig o!
Te nho m uit a p e n a qu e se p erc a a
língu a , p orqu e é m uito a ntig a e
p orqu e g osto m uito. Eu m esm o e m
c asa f alo c o m o m e u m arid o e
e nsin o a to d osos m e usfilh os.
(Ro m a n a , 45 a n os,Év or a )
15
CURIOSIDADES:
Em Portug al e e m Esp a nh a os cig a nos fala m um a varia nte (diale cto) d o
Ro m a ni, ch a m a-se c aló;
Os cig a nos ne m se m pre gosta m d e ensin ar o Ro m a ni/C aló;
O s cig a nos n ã o escre v e m a su a história n e m a su a língu a - c ultura
á gra f a ;
Em C aló m enino n ã o cig a no diz-se la currilho.
SUGESTÕES DE ACTIVIDADES:
C onstruç ã o d e um glossário e m C aló e Português;
De b ate so bre a im p ortâ ncia d a preserva ç ã o d a língu a cig a n a;
·
Re c olh a , junto d e fa mílias cig a n as, d e expressõ es e m ro m a ni/c aló;
Dra m atiza ç ã o d e um a situ a ç ã o entre cig a nos e n ã o cig a nos, utiliza nd o
as resp e ctivas língu as.
16
FICH A 6
A VENDA
IDEIAS-CHAVE: Venda a mbula nte
TEXTO
Aind a c onh e ci a ve nd a d o lisb o et a
no “Reló gio”. Era um a gra nd e feira!
Hoj e c ontinu a m os a ser
ve nd e d ores, c o m o os nossos p ais,
e avós. Tra b alh a m os m uito! É à
vend a que va m os busc ar as nossas
fontes d e re c eit a . É a ve nd a q u e
nos p ermite sobreviver no dia a dia .
É um a vid a difícil. Se n ã o te m os um
lug ar, a nd a m os m ais te m p o a fugir
à p olícia d o qu e a qu ele q u e
est a m os a vend er. Posses p ara
c o m prar u m b o c a dinho d e chã o,
p ou c os tê m. Q u er ve nd a m os, ou
n ã o, t e m os qu e p a g a r se m pre
a quela qu a ntia e a m aior p arte d as
vezes n ã o te m os dinheiro.
O s ho m e ns c o m pra m as m erc a d orias, m as as m ulh eres ajud a m b ast a nte - c o m pra m,
vend e m e aind a to m a m c onta d a c asa e dos filhos.
(Júlio ,2 7 a n os,Lis b o a )
17
CURIOSIDADES:
Por tra diç ã o, to d os os ho m e ns cig a nos se d e dic a m à ve nd a a p artir d o
c asa m e nto;
Para a lé m d a ve nd a exist e m outras profissõ es a n c estrais, asso cia d as
a os cig a nos: c est aria , n e g ó cio d e a nim ais, tosquia , tra b alhos sazon ais,
la to aria , quiro m a n cia (m ulh eres);
Ta m b é m h á cig a nos c o m cursos sup eriores (a dvo g a d os, professores...);
O s cig a nos n ã o ve nd e m à se gund a feira , é o dia d e d esc a nso d e
muitos.
SUGESTÕES DE ACTIVIDADES:
Re c olh a d e teste munhos cig a nos, d esitu a ç õ es d e ve nd a ;
Enum era ç ã o d e pro dutos vendid os p elo p ovo cig a no;
Lista g e m d e feiras re gularm ente fre quenta d as p or cig a nos;
Dra m a tiza ç ã o d e situ a ç õ es d e ve nd a .
18
FICH A 7
A CASA
IDEIAS-CHAVE: Panos, b arracas, casas
TEXTO
Os m eus avós e p ais nunc a tivera m c asa . Vivia m
or a d e b aixo d e p a nos, ora d e b aixo d e árvores,
ora e m b arra c os, c onform e fizesse frio ou c alor.
De vez e m qu a nd o a p are cia a p olícia e d eitava
tudo a b aixo. Era um c aso sério!
Hoje qu ase to d os os cig a nos tê m um a c asa . Uns
a lug a m , outros c o m pra m , outros a C â m ara
d á ... Pa g a m a á gu a , p a g a m a luz, c o m o to d a a
g ente.
Eu, assim que c asei c o m prei logo um a c asinh a .
Um a c asa é muito m elhor d o qu e um a b arra c a .
N ã o p assa m os frio, t e m os asseio e é outra
lim p eza .
De Verã o, qu a ndo está c alor e nos a p ete c e estar
a o fresc o, v a m os (c o m o a ntig a m e nte) p ara a
p onte d o M arc elino. H á u m a á rvore m uito
gra nd e qu e d á p ara o Palá cio d e Q u eluz, e m
b aixo c orre o rio, e ali esta m os nós a o fresquinho.
Ét ã o b o m !S a b e t ã o b e m ir p a r a a q u e l e ri o .
(M a ri a ,65 a n os,Lisb o a )
19
CURIOSIDADES:
Os cig a nos n ã o g ost a m d e viver e m pré dios (a nd ares) m uito altos;
G ost a m d e c asas c o m quint al e c o m esp a ç os a m plos e areja d os,
p or c a usa d a su a forte lig a ç ã o à n a turez a ;
A ctu a lm e nte a m a ior p arte d os cig a nos vive e m b a irros d e
re aloja m e nto.
SUGESTÕES DE ACTIVIDADES:
C onstru ç ã o d e u m a m a qu et a d e u m a c a m p a m e nto cig a no;
D ese nho d e u m a c asa ond e os alunos g ost asse m d e viver;
List a g e m d e vo c a bulário re fere nte à h a bit a ç ã o;
Ela b ora ç ã o d e u m p e qu e no texto so bre as v a nt a g e ns/d esv a nt a g e ns
d e viver nu m a c a m p a m e nto;
Re aliza ç ã o d e u m d e b a te a p artir d os textos pro duzid os p elos alunos.
20
FICH A 8
AS TRADIÇÕES
IDEIAS-CHAVE: Luto / N atal
TEXTO
1
Vestim os luto, usa m os c h a p é u, d eixa m os cresc er a
b arb a qu a nd o nos m orre algu é m m uito che g a d o.
Po d e m os tir a r o luto, p or exe m plo, se algu é m muito
che g a d o fic ar grave m ente d o ente. Tira m os o luto p ara
esp erar o m al e voltar, d e pois, a pô-lo por essa p esso a.
(José, 30 a n os,Év or a )
TEXT O
2
O N a t al é a nossa fest a prin cip al. Antig a m e nte , a nd á v a m os d e feira e m feira , a c h a m ar-nos
uns a os outros, p ara pre p ararm os tud o juntos. Passá v a m os p ala vra : "Este a no v a m os f a zer o
N a t al e m Q uintela". E a p are cia m to d os. C a nt á v a m os, d a n ç á v a m os. C o mí a m os p eru,
b a c alh a u, arroz, m a c arrã o. D e tud o. Junt á v a m o-nos to d os e m três o u qu a tro c urra is qu e o
p ovo nos e m prest a v a .
21
TEXT O
2 (cont.)
Era muito b onito. Havia m ais sa úd e e ale gria , a p esar d e d ormirm os p ela
g e a d a , éra m os m a is felizes. Ag or a é tud o difere nte . Est á tud o m ais
p olític o! C a d a um est á e m su a c asa . Q u e m te m c o m er, c o m e , qu e m
n ã o te m , n ã o c o m e . As cig a n as nov a s só se c onh e c e m à c ont a d o
c a b elo e d a tra vessa qu e usa m p ara o pre nd er. D e resto sã o igu ais às
outras m o ç as.
( O lin d a ,46 a n os,Br a g a n ç a )
22
CURIOSIDADES:
No N atal os cig a nos põ e m a "m esa" no ch ã o, c o m um a to alh a bra nc a;
As p esso as m a is velh as sã o m uito resp eit a d as e ntre os cig a nos. É a os
m a is velhos qu e s ã o p e did os c onselhos e orie nt a ç õ es p ara resolver
pro ble m as. C h a m a-se "tio" a o ho m e m m ais velho e/ou m ais resp eita d o
d a c o munid a d e;
As mulheres cig a n as n ã o entra m sozinh as e m lug ares públic os;
Q u a nd o algum cig a no est á no hospit al, to d os os se us a mig os e f a mília
p erm a ne c e m d a p arte d e fora , dia e noite, até ele sair;
Q u a nd o o m arid o m orre , a cig a n a viúv a te m d e c ortar o c a b elo to d o e
veste-se d e preto p ara se m pre;
As cig a n as qu a nd o cresc e m tê m d e usar saias c o m prid as e n ã o
p o d e m estar sozinh as c o m ra p azes;
N a f a mília cig a n a qu a nd o m orre algu é m qu e h a bit a n a m esm a c asa ,
os f a miliares pint a m-n a d e novo e m ud a m osm óveisd esítio;
O " d i a d o c i g a n o" é f e st e j a d o n o d i a d e S.Jo ã o ;
O s cig a nos tê m m uito ouro, p or g ost are m e p orqu e e m c aso d e
n e c essid a d e p o d e m v e n d ê-lor a pid a m e nt e .
23
SUGESTÕES DE ACTIVIDADES:
El a b ora ç ã o d e u m p a in el e m qu e se evid e n cie m os h á bitos d o p ovo
cig a no, p artind o d a p esquisa e m jorn ais ou revistas;
Re c olh a d e re c eit as d e pra tos d o p ovo cig a no. C o m pila ç ã o e a n álise
so b o p onto d e vista nutricion al. Sele c ç ã o d as m ais e quilibra d as;
Org a niza ç ã o d e um alm o ç o cig a no;
Um dia c o m...*
C onvite a um m enino cig a no p ara ir p assar um dia c o m um n ã o cig a no
e vic e-v ersa ;
Relato d a exp eriência à turm a .
*est a a c tivid a d e d e v erá ser pre c e did a d e u m a se nsibiliz a ç ã o às f a míli as p ara as
questõ es d a cid a d a nia .
24
FICH A 9
O NAMORO E O CASAMENTO
IDEIAS-CHAVE: Fugir, estar pedido, prometido, d a r cabaças
TEXTO 1
Houve um dia e m que ia p ara o tra b alho e ela enc a ntou-m e. C o m e c ei a olh á-la e p ensei: "ela
está tã o b onita!". N a m orá m os dura nte algum te m p o, um a no m ais ou m e nos, d e p ois fugim os
e fic á m os fora dura nte três dias. Tinh a d ezasseis a nos e ela c a torze . Q u a nd o esta m os p e did os
n ã o p o d e m os n a m orar ne m est a r juntos. N ós e nte nd e m os qu e qu ería m os est a r juntos e
fugim os.
(Júli o , 2 7 a n os,Lis b o a )
TEXT O
2
Pe di-m e c o m o m eu m arid o p ara c asar c o m
nove a nos e ele foi logo viver p ara a nossa c asa ,
pois os nossos p ais fizera m um a so cie d a d e.
Aind a hoje o m eu c asa m e nto te m fa m a.
C o m prá m os m uit a c o m id a e c onvid á m os to d a
a g e nte . A fest a foi n a eira , c o m du as b a nd as d e
m úsi c a a to c a r.F oi m uito b o nito!
(Ro m a n a , 4 5 a n os,Év or a )
25
CURIOSIDADES:
Em relação ao namoro
Q u a nd o c o m e ç a m a n a m orar os cig a nos n ã o p o d e m f alar u m c o m o
outro, m a nd a m re c a d os por outra p esso a ; c ostu m a m dizer q u e
n a m ora m c o m os olhos;
O s ho m e ns cig a nos n ã o p o d e m re c usar u m c o m pro misso d e
c asa m e nto/n a m oro;
As mulheres p o d e m re cusar "d a nd o c a b a ç as".
Em relação ao casamento
À c erim ónia p ara c on c e d er a m ulh er cig a n a e m c asa m e nto,
c h a m a-se p e dim e nto ;
Muitos cig a nos p ara a nte cip ar a d a t a d o c asa m e nto fo g e m p ara
long e d a f a m íli a , c h a m a-se fugim ento ;
A fest a d e c asa m e nto d os cig a nos p o d e durar m uitos dias e sã o os
ho m e ns qu e c ozinh a m;
26
Dura nte as fest as d e c asa m e nto as cig a n as usa m m uit as rou p a s
nov as, às vezes feit as p or c ostureiros f a m osos;
Os cig a nos n ã o g ost a m m uito d e c asa m e ntos c o m os n ã o cig a nos;
Para d esf azer u m c asa m e nto cig a no é pre ciso re unir as resp e ctiv as
f a mílias, p ara h a ver u m a c ord o.
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SUGESTÕES DE ACTIVIDADES:
D ese nho so bre o te m a "o c asa m e nto d os cig a nos";
El a b ora ç ã o d e u m fic h eiro c o m alguns c on c eitos usa d os p elos
cig a nos;
Ex: S er pro m etid o é ...
Ac eit ar o p e did o signific a ...
O fugim e nto é ...
Se tivesse m que org a nizar um c asa m ento cig a no o que faria m? Listar as
várias fases e ne c essid a d es d a org a niza ç ã o d o c asa m ento cig a no.
C onvit e a u m cig a no p ara vir à turm a f a l a r so bre o n a m oro e o
c asa m e nto.
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A MÚSICA
FICH A 10
IDEIAS-CHAVE: Romba
TEXT O 1
F o r m á m o s o g ru p o a o q u a l d e m o s o n o m e d e " O s
S e t e R e is", p orq u e é r a m oss e t e .To c á v a m os m úsi c a
a q u e n ós c h a m a m os"ro m b e iros p ortu g u e s e s", o u
sej a , músic a cig a n a p ortugu esa . Assim c o m o os
esp a nhóis to c a m a esp a nhola d a nós to c a m os a
ro m b a . O esp a nhol é m a is clássic o, nós to c a m os
outro g é n ero d e músic a q u e p o r a c a s o t e m m uit o
su c esso e mEsp a nh a .
(Jo ã o M a nu e l, 4 0 a n os,Port o)
TEXT O
2
C a nt a r, c a nt a rs e m pr e g ost e i.M a s a g or a j á n ã o c a nto .
Nos a c a m p a m e ntosc a nt á v a m os, d a n ç á v a m os, o sr a p a z e st o c a v a m vi o l a e e us a b i a t a nt a s
m úsi c a s!M e s m o a ssi m n ã o g ost o d e a c a m p a m e nt os, g ost o m a is d e viv e rnu m a c a s a .Éo utr a
vid a !
(N a tivid a d e , 72 a nos,Lisb o a)
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TEXT O
3
Vou cantar uma canção:
"And a la c urrilh a
qu e tu já m e d eixaste ,
a nd a la c urrilh a
qu e tu já m e a b a nd on aste .
O c o m b oio a m eric a no
Q u a nd o a pit a , f a z c alor
Há m a is d e u m a se m a n a
Q u e n ã o vejo o m e u a m or.
An d a la c urilh a
Q u e tu já m e d eixaste ..."
(Lú cia , 10 a n os,Év or a )
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CURIOSIDADES:
Há muitos cig a nos músic os, e m todo o mundo;
Os cig a nos a prend e m a to c ar, c a ntar e d a nç ar muito c e do;
A prim eira c oisa qu e as m ã es cig a n as e nsin a m a os b e b és é "b a ter os
p eitilhos" (estalar os d e d os); a se guir é b ater p alm as à m a neira cig a n a;
Às vezes qu a nd o u m cig a no c o m e ç a a c a nt ar o u to c ar, a p are c e m
outros cig a nos e faz-se um a gra nd e festa .
SUGESTÕES DE ACTIVIDADES:
C o m pila ç ã o d e p o e m as, c a n ç õ es, a divinh as, etc. rel a cion a d os c o m
os cig a nos;
Org a niza ç ã o d e um c onvívio c o m d a nç as e c a ntares cig a nos;
Re aliza ç ã o d e u m a b a nd a d ese nh a d a c ole ctiv a so bre as fest as
cig a n as.
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FICHA TÉCNICA
TÍTULO
HIST Ó RIAS D O P O V O CI G AN O
Sugestões de Actividades para o Ensino Básico
EDITOR
Ministério da Educação
Departamento da Educação Básica
Núcleode O rganização Pedagógica e
Apoios Educativos
Av . 2 4 d e Ju l h o , 1 4 0 1 3 9 9 - 0 2 5 Lisboa
http:/ /www.deb.min-edu.pt
RECOLHA DE HISTÓRIAS
Adozinda Melo
Antónia Fidalgo
C arlos da Silva
GRUPO DE TRABALHO
Antónia Fidalgo
Jesuina Ribeiro
Lina Marques
M. da Luz Pignatelli
CAPA,GRAFISMO
e ILUSTRAÇÃO
Manuela Lourenço
IMPRESSÃO
Euro-scanner
DEPÓSITOLEGAL
173716 / 01
ISBN
972-742-145-8
TIRAGEM
5 0 0 0 expl.
DATA
Dezembro, 2 0 0 1
ProgramaSócrates
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