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a construção da identidade de uma nação por meio da língua escrita
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A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE DE UMA NAÇÃO POR MEIO
DA LÍNGUA ESCRITA E FALADA
José Ricardo Carvalho (UFS)1
RESUMO
Podemos dizer que a construção da identidade de uma nação está vinculada a língua
falada por este povo. A língua não é apenas um veículo de transmissão de
informação, mas sobretudo instrumento de poder. Em muitos momentos, é possível
observar o domínio de um grupo social sobre outros por meio da força bruta e
imposição de sua língua. Na história da língua portuguesafalada e escrita, é possível
perceber a luta para sendimentar uma forma de falar e de escrever com muitas
disputas e embates. No Brasil as relações de poder se efetivaram por meio de
imposição de uma língua oral e escrita idealizada que exclui as diferenças linguísticas.
Quando os portugueses chegaram nas terras brasileiras, muitas línguas eram faladas
pelas tribos que habitavam nesta região (Auaque, karib, Tupi, o Jê, entre outras). Isso
fez com que os contatos entre os europeus e os índios ocorressem em uma esfera
multilíngüe. Os contatos se acirraram com a chegada dos africanos. Os registros
lingüísticos que circulam na colônia sofrem uma série de modificações, na medida em
que incorporam contribuições das línguas africanas (Nagô, Quimbundo, Congoesa,
Yorubá) e de línguas européias. As novas formas lingüísticas vão sendo transmitidas
aos descendentes dando nova expressão a língua portuguesa. Dessa forma, este
trabalho pretende avaliar o processo de desputa na costituição do idioma português
falado e escrito no Brasil
INTRODUÇÂO
Podemos dizer que a construção da identidade de uma nação está vinculada a
língua falada por este povo. A língua não é apenas um veículo de transmissão de
informação, mas sobretudo, instrumento de poder. Em muitos momentos na história
da humanidade, é possivel observar o domínio de um grupo social sobre outros por
meio da força bruta e imposição de sua língua. Isto acontece porque o modo como a
língua é constituída e assumida por um povo revela seu modo de expressar e de
conceber uma dada visão de mundo construída. Aquele que subjulga outros povos
acaba por tentar regular mecanismos linguísticos expressivos da cultura oponente
para resignificar a realidade de outra forma, entretanto, observa-se a todo instante um
movimento de resistência, fazendo com que a língua não permaneça imóvel diante
dos falantes que as transformam. Sendo assim, a constituição de um idioma está
vinculada às relações de poder entre as diversas instâncias sociais.
No percurso da história da língua portuguesa falada e escrita, é possível
perceber a luta para sendimentar uma forma de falar e de escrever com muitas
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Prof. Dr. do Núcleo de Educação do Campus de Itabaiana (UFS). Pesquisador do GEPIADDE.
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disputas e embates. Este processo tem início, entre os séculos III a.C e V d.C, com a
dominação dos romanos, sobre outros povos, impondo parte do continente europeu
a adotar o latim como língua oficial. A apropriação de uma língua imposta, diferente
daquela falada anteriormente por um determinado povo, tende a sofrer
transformações intensas e até mesmo promover a construção de novos dialetos e
idiomas. Cada grupo, a partir de seus saberes consolidados, e no contato com outras
civilizações, acaba por desenvolver uma dinâmica própria, elaborando uma forma de
realização lingüística.
As relações de poder na Europa vão se reconfigurando na Idade Média,
tomando como ponto de partida o controle do discurso escrito para difundir idéias.
Uma das estratégias para este intento foi a consolidação da latim como língua
hegêmônica e símbolo de poder da Igreja. Os documentos e registros são grafados
em latim, permintindo que poucos tenham acesso às informações. Desta forma,
dificultou-se a democratização dos saberes produzidos pela humanidade em uma
língua diferente, concentrando os registros escritos nas escolas monásticas. Graças a
um amplo processo de resistência, os portugueses, assim como outras nações,
conseguiram adaptar o sistema de escrita latina para a sua língua materna, adotando
novas formas de expressão verbal pela via do discurso escrito. Tal processo pode ser
observado nos registros que temos sob a consolidação da língua portuguesa e a
construção de seu sistema ortográfico.
A Igreja, durante muitos séculos, foi guardiã do saber ocidental acumulado
pela humanidade, fez do Latim uma língua de poder. Para se exercer qualquer função
intelectual ou religiosa nas sociedades feudais era preciso aprender a ler e a escrever a
língua latina nos mosteiros. Dessa forma, a Igreja concentrava em suas mãos uma
grande quantidade de informações que não podiam ser lidas em outra língua que não
fosse à proferida nas escolas monásticas.
Os registros escritos da língua falada no dia-a-dia eram bem pouco usados,
visto que não havia uma preocupação com o ensino da escrita na língua vernácula.
Os textos escritos na língua do povo, produzidos na Idade Média, na verdade não
eram para ser lidos, mas para serem ouvidos. Daí a presença de um sistema de
pontuação que orientasse a entonação das falas escritas no ato da leitura.
Podemos dizer que enquanto o Latim era considerado a língua da sabedoria,
as línguas maternas eram tratadas como expressão de afetividade a ser cantada em
trovas e versos nos momentos de congregação. Para ilustrar as afirmações aqui
apresentadas, tomamos como referência uma crônica escrita nesse período a respeito
da morte do filho do rei de Leão e Castela, Afonso VI.
“Na batalha de Uclés (1008), em que foi derrotado pelos mouros,
Afonso VI, conquistador de Toledo, rei de Leão e Castela,
perdeu um filho querido. A crônica latina em que é narrado este
acontecimento interrompe o texto latino para reproduzir a
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lamentação do rei na sua própria língua materna: ‘Ay meu fillo!
Ay meu fillo, alegria do meu coraçon e lume de meu ollos, solaz
de mia velhece! Ay meu espello em que me soia veer e com que
tomaba gran prazer! Ay meu herdeiro mor. Cavaleiros u me lo
leixastes? Dade-me o meu fillo, Condes!’. Qualquer leitor entende
que o rei de Leão e Castela se estava queixando em galego que
era a sua língua afetiva, a sua língua de criação... ” (SARAIVA,
1999, p. 9)
Com a unificação dos estados e a consolidação das monarquias no final da
Idade Média, inicia-se um amplo processo de valorização das línguas nacionais.
Muitos textos escritos - testamentos, títulos de vendas e obras literárias - deixam de
ser escritos em Latim para serem escritos na língua vulgar. Tal processo ajuda a
consolidar as línguas, tornando-as posteriormente símbolo de identidade das nações.
Depois de muitas lutas internas entre as dinastias rivais, no ano de 1290, o rei
de Portugal D. Diniz fundou a primeira Universidade em Coimbra, decretando o uso
obrigatório da Língua Portuguesa em seu condado. A consolidação da língua escrita
significou, ainda mais, a afirmação da identidade desse povo. Observa-se que os
primeiros escritos não apresentavam uniformidade, visto que não havia uma forma
única de escrever as palavras. Cada usuário da Língua Portuguesa escrevia as palavras
de acordo com sua pronúncia, tendo como referência a escrita latina.
A disposição das letras e a forma como eram escritas palavras em Latim,
muitas vezes, não correspondiam aos sons produzidos na língua portuguesa, surge
então a necessidade de se pensar maneiras de adequar às letras grafadas aos sons que
eram pronunciados na língua vernácula. Os escribas portugueses, influenciados pelo
sistema alfabético de outros países, acrescentaram novas letras ao seu sistema de
escrita, incorporando, em seu código gráfico, outras letras que não estavam
vinculadas ao alfabeto latino. Como nos diz Cagliari (1996, p.84):
“...Ao transpor do latim para o português as idéias ortográficas
latinas da época, era preciso fazer alguns ajustes, uma vez que o
português tinha vogais e consoantes que não se encontravam no
latim. A imaginação criativa das pessoas começou a encontrar
soluções, indo buscar em todas as línguas a que podiam ter
acesso. Assim surgiram os dígrafos com H (talvez por influencia
do Italiano), o Cê-cedilha (por influência do Espanhol) o Jota
(por influência do Francês) e os acentos agudo e circunflexo para
diferenciar qualidades vocálicas do tipo É, Ê, Ó, Ô (certamente
influência do Árabe).”
Através de um longo processo, os usuários da Língua Portuguesa foram
construindo uma forma de grafar convencionalmente a língua vernácula. Havia
muitas divergências sobre o melhor uso das letras na escrita dos vocábulos. De um
lado, encontramos os adeptos da escrita de acordo com a tradição latina; de outro, os
que lutavam pela inovação do sistema de escrita com base no idioma falado. Como
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não existia uma gramática neste período, cada indivíduo escrevia como bem entendia.
Nesse período, é possível encontrar, em um mesmo texto, vocábulos sendo grafados
de três modos diferentes (boõns, bõns, bons), comprovando a falta de estabilidade
no uso das letras para registrar as palavras. Se observarmos a grafia de Caminha,
identificaremos um modo de escrita bastante peculiar no século XVI.
"...afeiçam deles he seerem pardos maneira dauermelhados de
boõns rrostros e bons narizes bem feitos. / amdam nuus sem
nenhuua cubertura, nem estiman nhuua coussa cobrir nem
mostrar suas vergonhas, estam açerqua disso com tamta
inocemçia como teem em mostrar orrostro. / traziam ambos os
beiços de baixo furados e metidos por êles senhos osos doso
brancos de compridam dhuua maão travessa e de grossura dhuua
fuso dalgodam e aguda na põta coma furador. / mete nos pela
parte de dentro do beiço e hóquei lhes fica antre obeiço eos
demtes he feito coma rroque denxadrez e em tal maneira o
trazem aly emcaxado que lhes nom da paixão nem lhes torua
afala nem comer nem beber.."
A CONSTRUÇÃO DA LÍNGUA BRASILEIRA: NOVAS EXPRESSÕES E
OUTRAS CONTRIBUIÇÕES CULTURAIS
No Brasil as relações de poder, por meio da imposição de uma língua oral e
escrita idealizada, se efetivam no percurso da história. Quando os portugueses
chegaram nas terras brasileiras no ano de 1500, muitas línguas eram faladas pelas
tribos que por aqui habitavam (Auaque, karib, Tupi, o Jê, entre outras). Isso fez com
que os contatos entre os europeus e os índios ocorressem em uma esfera multilíngüe.
Os contatos se acirraram com a chegada dos jesuítas no Brasil.
“O Padre Manuel da Nóbrega incentivou os estudos do tupi, mas
nunca pôde aprendê-lo, por ser gago. Numa carta datada de
1549, escreveu: trabalhamos de saber a língua deles, e nisto o
Padre Navarro nos leva vantagem a todos. Temos determinado
de ir viver às aldeias, quando estivermos mais assentados e
seguros e aprender com eles a língua e il-los (sic) doutrinando
pouco a pouco. Trabalhei por tirar em sua língua as orações e
algumas práticas de Nosso Senhor e não posso achar língua
(intérprete) que m’o saiba dizer, porque são eles tão brutos que
nem vocábulos têm. Espero de as tirar o melhor que puder com
um homem (Diogo Álvares, o Caramuru), que nesta terra se criou
de moço”. (PEAD, 2004)
No século XVI, havia no Brasil muitas línguas faladas pelos índios, os
jesuítas, em seu processo de catequese, buscaram a identificação de aspectos comuns
entres as diversas línguas. Eles observaram que do tronco lingüístico tupi-guarani
muitas língua indígenas foram derivadas. Da junção de aspectos destas duas línguas,
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formulou-se língua falada por toda costa brasileira denominada Nheengatu.
Segundo historiadores, o Nheengatu, ao lado do Português, foi a língua mais falada e
escrita no Brasil, entre os séculos XVI e XVIII, visto que a educação neste período
encontrava-se nas mãos dos missionários.
Diferente da Europa, onde os estudos eram realizados por meio do Latim,
nas missões, inicia-se o processo educacional expresso pela língua indígena. Os
jesuítas elaboram gramáticas, dicionários, traduções de orações, hinos e peças teatrais
na língua dos índios. Data de 1595 a publicação de Arte de Gramatica da Lingoa mais
usada na costa do Brasil feyta pelo padre Ioseph de Anchieta da Cõpanhia de IESU .
Os registros lingüísticos que circulam na colônia sofrem uma série de
modificações, na medida em que incorporam contribuições das línguas africanas
(Nagô, Quimbundo, Congoesa, Yorubá) e de línguas européias. As novas formas
lingüísticas vão sendo transmitidas aos descendentes. À medida que ocorre esse
processo de miscigenação, o Nheengatu se consolida como marca de identidade dos
habitantes que aqui moravam. Tal língua passa a ser interditada quando os jesuítas
são expulsos do Brasil pela Coroa portuguesa no ano de 1759. Desejando unificar e
garantir o poder político da colônia, sob um viés absolutista, o Marquês de Pombal
decreta a proibição do Nheengatu nas escolas e em todos os registros escritos da
esfera pública. As cidades que tivessem nomes indígenas deveriam trocá-los para
nomes expressos no idioma português.
Apesar de a língua geral ser considerada um dialeto proibido, em muitas
regiões do interior, onde a Coroa não tinha maior controle político, prevaleceu a
oralização da língua geral. Neste processo houve a mistura do Nheengatu com o
português fazendo emergir uma forma tipicamente brasileira de falar, o dialeto
caipira.
Para se expressar por meio do português imposto pela Coroa, tanto índios,
como africanos e mestiços tiveram de ajustar a sintaxe e a articulação dos fonemas de
sua língua à pronúncia da Língua Portuguesa. De acordo com Martins (2003, p. 5), os
índios tinham dificuldade para pronunciar o R e o L no final das palavras e por isso
faziam a sua supressão. Para oralizar as palavras ‘animal’, ‘quintal’, ‘cantar’, ‘fugir’ e
‘querer’ eliminavam o som final, dizendo então: ‘animá’ ‘cantá’, ‘fugi’, e ‘querê’.
Outro aspecto marcante no processo de apropriação do português, foi a dificuldade
de os índios pronunciarem as consoantes dobradas.
Daí que, no dialeto caipira, “orelha” tenha se tornado
“orêia” (uma consoante em vez de três; quatro vogais em
vez de três), “coalho” seja “coaio”, “colher” tenha virado
”cuié”, “os olhos” sejam “o zóio”... E no Nordeste ainda se
ouve a suave “fulô” no lugar da menos suave “flor”. Uma
abundância de vogais em detrimento das consoantes, até
mesmo com a introdução de vogais onde não existiam.
Exatamente o contrário da evolução da sonoridade da
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língua de Portugal, em que predominam os ásperos sons
das consoantes. No Brasil, a língua portuguesa ficou mais
doce e mais lenta, mais descansada, justamente pela enorme
influência das sonoridades da língua geral, o
nheengatu. (MARTINS, 2003).
Todo processo de apropriação cultural envolve transformações entre os
agentes que apresentam saberes diferentes. Neste sentido, todo saber lingüístico
constituído nas terras brasileiras se consolidou a partir das interações e das trocas
constantes entre os usuários das línguas que eram faladas no país. É possível
observar a forte contribuição dos índios na formação do vocabulário e no modo
suave de pronunciar o idioma oficial. Outra influência marcante na constituição da
língua falada no interior do Brasil foi a da cultura negra. Seguindo o paradigma da
língua africana, os negros que aqui chegavam, ao se apropriarem do português,
imprimiam modificações no modo de construírem as frases expressas. De acordo
com estudos lingüísticos, muitas das línguas africanas como o Nagô e o
Quimbundo tinham um sistema de flexão diferente da Língua Portuguesa. Como
em suas línguas não ocorriam flexão de número e nem de verbo, eles transferiram
esse conhecimento para a sua forma de falar o português. Ressalta-se, também, as
aglutinações de artigos no plural com um vocábulo comum da língua. Veja nos
exemplos a seguir: 1º - aglutinação de sons: zoreia, zunha, zoío (as orelhas, as unhas,
os olhos), donde formações como zoiá (=olhar); 2º a flexão do verbo: eu canto, mas
tu, ele, nós, eles canta;3º - flexão de número: as muié chegou.
Como vemos, a Língua Portuguesa falada no Brasil sofreu diversas
transformações. Muitos autores da literatura brasileira defendendo a existência de
uma língua genuinamente brasileira. Tal proposta é justificada, na medida em que o
contato do português com outras línguas no percurso da história fez da língua
falada no Brasil diferente da falada em Portugal.
Em muitos momentos, os alunos quando estudam a língua materna em
nossas escolas não reconhecem o idioma ditado nas gramáticas como a língua
corrente utilizada no seu dia-a-dia. Estes alunos estranham determinadas
construções frasais e a ortografia de determinadas palavras consagradas em
Portugal. A linguagem escrita apresentada nas gramáticas demonstra-se distante da
forma como a língua oral se apresenta no cotidiano. É preciso compreender que
todo processo de apropriação de novos elementos lingüísticos distante da realidade
imediata implica em mudanças graduais que não correspondem a cópia de um
modelo, visto que língua é viva e dinâmica. A gramática, de certa maneira,
apresenta-se como instrumento de opressão que impõe a forma da classe
dominante como a fala correta.
De acordo com estáticas recentes, a Língua portuguesa é falada e grafada por
mais de 200 milhões de pessoas no mundo. Ela se apresenta como língua oficial no
Brasil, Portugal, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e
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Príncipe compondo assim, a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa),
Além destes países, o idioma se mantém como língua de pequenos grupos em Macau,
Goa e Timor.
No século XX ocorreram muitas tentativas de unificar a ortografia da língua
portuguesa entre os países que se expressam através deste idioma, entretanto as
diferenças de pronúncia, modo de realização das construções frasais, vocabulário, e
forma de grafar as palavras apresentam muitas singularidades do ponto de vista
lingüístico. A organização de um acordo impõe uma série de concessões dos diversos
grupos que se comunicam através do idioma. Em termos econômicos, a unificação
representa uma maior expansão do mercado editorial, visto que o alcance de
materiais impressos com uma padronização ortográfica favorece o intercâmbio entre
os países que falam a Língua Portuguesa. Por outro lado, homogeneíza-se o que há
de mais vivo e singular na língua de um povo, a sua diversidade. Unificar um sistema
ortográfico significa estabelecer um decreto, obrigando todos os países escreverem
de uma nova forma, em que o padrão será determinado por um modelo de língua
arbitrário e idealizado.
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