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1 A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR NA EDUCAÇÃO

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1 A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR NA EDUCAÇÃO
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A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR NA EDUCAÇÃO INFANTIL
Thaisy Lomenso
Aluna do curso de Pedagogia do Instituto Superior de Educação Vera Cruz
Lucia Vinci de Moraes
Orientadora
RESUMO
Este artigo tem por finalidade discutir o tema do brincar na Educação Infantil, visando
acompanhar na prática a aplicação de alguns dos seus elementos: tempo, espaço e o
papel do educador nas atividades lúdicas. A criança brinca para entender o mundo,
assim aprende a falar, ouvir, representar, inventar, imitar, negociar, imaginar, ou seja,
aprende a respeitar as opiniões do outro, a expor suas ideias, tomar decisões, fazer
escolhas e resolver conflitos. Diante da importância do brincar para o
desenvolvimento das crianças, o artigo apresenta como o brincar de qualidade pode ser
concretizado numa escola de Educação Infantil. Para isso, foi selecionada uma
instituição que valoriza o brincar em seu currículo como uma atividade primordial da
primeira infância e por meio da observação direta foram descritos como ocorrem os
elementos tempo, espaço e papel do professor.
Palavras-chave: Brincar. Criança. Educação Infantil.
1 INTRODUÇÃO
Este artigo tem por objetivo discutir a importância do brincar na Educação Infantil, por
meio de elementos da brincadeira que garantem a aprendizagem, nos diversos âmbitos, das
crianças. Para isso, serão abordados os aspectos que constituem o brincar: o tempo, o espaço
e o papel do educador.
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O artigo, inicialmente apresentará a concepção de infância e de criança, seguida da
concepção do brincar, bem como apresentará a relevância do brincar para o desenvolvimento
infantil.
Em seguida, ao fazer uso de dados colhidos numa instituição de educação infantil, o
artigo destacará os elementos do brincar, que devem fazer parte do planejamento do professor,
e, desse modo, garantir a presença de um brincar de qualidade.
A instituição foi escolhida justamente por desenvolver um trabalho pedagógico de
qualidade reconhecida e dar ao brincar a importância que tal atividade deve ter na escola de
educação infantil.
Tendo em vista um ambiente educacional voltado para as crianças, muitos são os
princípios, os fundamentos e as preocupações envolvidas no desenvolvimento infantil. A
escola é o primeiro meio social que insere a criança no mundo, tendo como função formar seu
aluno um sujeito ativo, crítico, reflexivo, autônomo e ético. Ou seja, o papel da escola de
educação infantil é antes de tudo promover a socialização das crianças, tendo o brinquedo e a
brincadeira como formas mais precisas para essa socialização. Além disso, o brincar
desenvolve capacidades como a construção de identidade, autonomia e resolução de conflitos,
e habilidades de origens cognitivas, motoras, físicas, sociais, afetivas e étnicas.
Assim, ao referir-se à cultura do brincar é preciso pensar, em primeira instância, em
transpor os discursos existentes nos estudos e pesquisas para a ação cotidiana, de modo que
haja diálogo entre teoria e prática, sendo necessário trazer o brincar de qualidade para rotina
da escola. Para isso, o trabalho com o grupo de professores deve pautar-se numa visão ampla
do brincar, que contemple no planejamento o espaço, o tempo e o seu papel na atividade
lúdica.
Desse modo, considerando que o brincar é fundamental para o desenvolvimento de
competências e habilidades infantis, o presente artigo traz o brincar e a brincadeira na
educação infantil, considerando as características e os seus elementos na construção das
atividades lúdicas.
2 METODOLOGIA
Serão abordados os aspectos que constituem o brincar: o tempo, o espaço e o papel do
educador, uma vez que esse artigo visa verificar como os elementos do brincar são
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contemplados dentro de uma instituição que tem o lúdico como atividade fundamental para a
criança.
Por meio dos estágios e práticas curriculares realizadas durante o curso de Pedagogia,
essa questão do brincar sempre esteve presente. O interesse nas propostas lúdicas na educação
infantil torna-se fundamental para o professor e o presente artigo pretende abordar a relação
que se estabelecesse entre a teoria e a prática.
Para compreender melhor essa relação sob o ponto de vista das brincadeiras e
aprofundar o assunto, esse artigo pretende refletir sobre como o lúdico está contemplado
dentro do planejamento da rotina escolar. Portanto, com o intuito de ver como a teoria
acontece na prática, procurou-se por uma escola modelo que considera o brincar uma
atividade relevante no seu currículo.
A instituição de educação infantil escolhida faz parte da rede particular do município
de São Paulo, localizada na zona Oeste de São Paulo. Atende uma faixa etária que vai de
crianças desde 1 até 4 anos de idade. Estima-se em torno de 200 alunos matriculados entre os
períodos manhã e tarde e não funciona em período integral. Tem como público alvo a classe
média alta. Existem três professoras nas salas e as turmas variam entre 12 e 22 alunos.
Os dados foram coletados por meio de observação direta durante uma semana de
jornada integral e estão organizados em tabelas que contém as seguintes informações: rotina,
descrição do brincar e tempo, tendo assim, para cada dia da semana, uma tabela.
Segundo Trivinõs (2009, p.153) observar é destacar de um conjunto (objetos, pessoas,
animais, etc.) algo específico e, portanto, a observação direta faz-se uso em uma pesquisa
qualitativa, na qual busca-se evidenciar a existência, ou a possibilidade de existir, alguns
traços exclusivos do fenômeno em estudo, constatando assim, a verificação de hipóteses. No
caso desse artigo, procura-se comprovar que a teoria pode ser aplicada na prática com
qualidade.
Seguida dessa parte, vem uma análise desses dados, na qual será possível refletir sobre
como a teoria está presente na prática, buscando uma forma de constatar como os elementos
do brincar devem ser arranjados para garantir a qualidade do brincar em um ambiente escolar.
3 CONCEPÇÃO DE INFÂNCIA
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Antes do século XVI, a ideia que se tem hoje de criança era inexistente. Não havia
clareza em relação ao período que caracterizava a infância, pois muitos a determinavam como
o período que vai do nascimento dos dentes até os sete anos de idade, segundo Ariès (1978).
A partir dessa idade as crianças eram consideradas como miniadultos, se vestiam como gente
grande e começavam a trabalhar para ajudar os adultos com o que pudessem fazer, como, por
exemplo, as meninas em artesanatos e os meninos em atividades de caça, fazendo com que a
criança assumisse funções de responsabilidade muito cedo, ultrapassando etapas do seu
desenvolvimento.
Deste modo, se por séculos a criança era vista como um ser sem importância, quase
invisível, hoje ela é considerada em todas as suas especificidades, com identidade pessoal e
histórica. Através dessa mudança de paradigma constata-se que a visão que se tem da criança
é algo historicamente construído.
O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (RCNEI) apresenta a
criança como um ser um único que possui identidade e subjetividade própria. A criança tem
desejos, sentimentos, curiosidades, hipóteses, o que a torna protagonista de cada ação,
descoberta, investigação, pesquisa que realiza ao longo de seu crescimento. É por meio de
uma natureza singular que ela vê o mundo e é de um modo peculiar que procura entendê-lo,
pois ao estabelecer interações com outras crianças e com os adultos ela vai revelando o que
compreende da realidade em que vive.
Desse modo, tem-se a criança como um ser atuante e que possui uma cultura, um jeito
próprio de ser. Com isto, a prática educativa deve buscar compreender um ensino que
aproxime-se desse sujeito, em que valoriza-se os aspectos da infância sobre uma perspectiva
de reconhecer a criança como produtora de conhecimento e não como aquela que recebe um
conhecimento organizado segundo a perspectiva do adulto.
A criança, produtora de seu conhecimento, não recebe as informações tal como lhe são
apresentadas. Essas são construídas a partir das ressignificações que fazem das ações dos
adultos, tornando assim sujeitos que criam seu modo e sua forma de entender e compreender
aspectos do mundo, sujeitos construtores de uma cultura própria. Deste modo, a criança é
vista como um ser que possui culturas, e, portanto, brincar é uma atividade aprendida na
cultura que possibilita que elas se constituam como sujeitos em um ambiente em contínua
mudança, onde ocorre constante aquisição de conhecimentos e valores, uma vez que brincar é
inerente ao nascimento.
Assim, menciona Almeida (2012, p. 33), “dentre as inúmeras possibilidades de
produzir cultura, um dos meios mais presentes na vida da criança é o brincar. É brincando que
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a criança recria o que entende do mundo e transforma em cultura lúdica”. Complementa as
Diretrizes Curriculares para a Educação Infantil:
A criança, centro do planejamento curricular, é sujeito histórico e de direitos que se
desenvolve nas interações, relações e práticas cotidianas a ela disponibilizadas e por
ela estabelecidas com adultos e crianças de diferentes idades nos grupos e contextos
culturais nos quais se insere. Nessas condições ela faz amizades, brinca com água ou
terra, faz-de-conta, deseja, aprende, observa, conversa, experimenta, questiona,
constrói sentidos sobre o mundo e sua identidade pessoal e coletiva, produzindo
cultura. (BRASIL, 2009, p.06)
Essa concepção traz a criança como um sujeito em processo de desenvolvimento, um
ser capaz de protagonizar suas ações e produzir significados a partir delas. Portanto, uma
escola que tem em sua proposta pedagógica a criança como foco na sua concepção, parte do
princípio de que ela se torna um indivíduo participante do seu processo de aprendizagem.
Assim, a escola visa formar o seu aluno como um indivíduo ativo, reflexivo e autônomo nas
suas práticas cotidianas.
4 O BRINCAR
Tem-se a brincadeira como uma atividade que a criança começa desde o seu
nascimento no âmbito familiar, em um primeiro contato com a mãe até se ampliar para os
demais. A criança não nasce sabendo brincar, é nessa relação com os outros que ela vai
constituindo esse entendimento, e assim começa a compreender o brincar como forma de
linguagem.
As crianças pequenas estão envolvidas em um universo da fantasia, no qual o mundo
imaginário e o mundo real muitas vezes se misturam. Ao falar de algo característico da idade
entende-se por algo que tem familiaridade à criança, portanto, nesse caso, uma linguagem que
ela domina: o faz de conta, a imaginação.
Vygotsky (1991) ao tratar do papel do brinquedo no desenvolvimento, expõe a
presença de um mundo ilusório e imaginário no qual os desejos não realizáveis se tornam
possíveis de se realizar, denominando esse mundo como: brinquedo. Tal relação brinquedodesenvolvimento se dá por meio de:
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(...) o brinquedo fornece ampla estrutura básica para mudanças das necessidades e da
consciência. A ação da esfera imaginativa, numa situação imaginária, a criação das
intenções voluntárias e a formação dos planos da vida real e motivações volitivas –
tudo aparece no brinquedo, que se constitui assim, no mais alto nível de
desenvolvimento pré-escolar. A criança desenvolve-se, essencialmente, através da
atividade de brinquedo. Somente neste sentido o brinquedo pode ser considerado
uma atividade condutora que determina o desenvolvimento da criança.
(VYGOTSKY, 1991, p.117).
Assim, Vygotsky traz a brincadeira como um fator relevante para o desenvolvimento
da criança, a qual além de ampliar a sua comunicação via linguagem, também é capaz de, por
meio de uma situação imaginária, desenvolver o pensamento abstrato, ou seja, a essência do
brincar é a criação de uma nova relação entre situações no pensamento e situações reais.
O brinquedo traz a possibilidade da criança conhecer o mundo e estabelecer relações
no universo da fantasia. Isso se torna relevante no processo de conhecimento de si e do outro
quando a criança imita, inventa, representa e cria ao brincar. É por esse caminho que
Vygotsky estabelece que uma situação imaginária fará com que a criança desenvolva a
aprendizagem através do brinquedo, auxiliando assim o seu processo de desenvolvimento.
O faz de conta, também chamado de jogo simbólico, é a primeira oportunidade de
contato das crianças com as regras, sendo também um aprendizado fundamental sobre qual é
o seu papel na sociedade. Além disso, nesse tipo de brincadeira, as crianças têm a
oportunidade de desenvolver a imaginação, o que vai permitir que concretizem um
pensamento sem a necessidade da ação.
Ao construir histórias, as crianças expressam vontades, reforçando sua identidade. O
faz de conta promove o encontro entre um mundo imaginário e o mundo em que vive,
propiciando a ela a oportunidade de ser protagonista das suas próprias ações, por exemplo, ao
experimentar papéis, criar novos temas para seus jogos, resolver seus conflitos e aprender a
dominar as regras. Dessa forma, compreende o mundo que a cerca, contribuindo para a
construção do seu processo de subjetividade, autonomia e socialização.
Segundo o Referencial Curricular Nacional da Educação Infantil, “o fato de a criança
desde muito cedo poder se comunicar por meio de gestos, sons, e mais tarde representar
determinado papel na brincadeira faz com que ela desenvolva sua imaginação.”
Esse jogo que a criança faz, de vai e vem entre o real e a imaginação, constitui para ela
o processo de internalização do mundo em que vive. Isto é, segundo Vygotsky, ela constrói
conhecimento do mundo que a rodeia e vai reconhecer aos poucos a junção entre o mundo
interno e externo, o mundo da fantasia e o da realidade.
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A situação imaginária de qualquer forma de brinquedo já contém regras de
comportamento, embora possa não ser um jogo com regras formais estabelecidas a
priori. A criança imagina-se como mãe e a boneca como criança, e dessa forma,
deve obedecer às regras do comportamento maternal (...), crianças pequenas podem
fazer coincidir a situação de brinquedo e realidade. (VYGOTSKY, 1991, p.108).
Ao brincar, a criança internaliza os diferentes papéis sociais que assume na relação
com os outros. Por exemplo, a criança, na brincadeira, tenta ser o que pensa que uma irmã
deveria ser, enquanto na vida real ela comporta-se sem pensar que ela é a irmã de sua irmã.
Desta forma, a brincadeira faz com que ela entenda e perceba que as irmãs têm entre elas uma
relação diferente daquela que tem com outras pessoas. “O que na vida real passa
desapercebido pela criança, torna-se uma regra de comportamento no brinquedo”
(VYGOTSKY, 1991, p.108).
Portanto, segundo Vygotsky, é no ato de brincar que a criança aprende a atuar no
âmbito cognitivo, dependendo das motivações e tendências internas, ao invés dos incentivos
fornecidos pelos objetos externos, ou seja, ao se inserir no meio social, a criança está
mergulhada em um contexto cultural, facilitando a exploração da imaginação, memória e de
suas experiências vividas.
Além disso, o brincar carrega consigo inúmeras aprendizagens ao longo do
desenvolvimento pessoal, social e cultural das crianças. Assim, as aprendizagens são de
diversos
âmbitos:
cognitivos,
motores,
construção
de
autonomia
e
identidade,
desenvolvimento da linguagem, como meio de comunicação e socialização, construção de
conhecimento, ampliação de repertório de experiências, estímulo de criatividade e
imaginação.
Brincar é uma das atividades fundamentais para o desenvolvimento da identidade e
da autonomia. (...) Nas brincadeiras, as crianças podem desenvolver algumas
capacidades importantes, tais como a atenção, a imitação, a memória, a imaginação.
Amadurecem também algumas capacidades de socialização, por meio da interação,
da utilização e da experimentação de regras e papéis sociais. (LOPES, 2006, p.110).
4.1 O Brincar na Educação Infantil
O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (RCNEI) considera a
brincadeira como uma linguagem infantil que se apropria de uma articulação entre a
imaginação e a imitação da realidade, ou seja, “toda brincadeira é uma imitação transformada,
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no plano das emoções e das ideias de uma realidade anteriormente vivenciada” (BRASIL,
1998, p. 27).
Tem-se, segundo o Referencial, o principal elemento da brincadeira: o papel que as
crianças assumem enquanto brincam, tendo os sinais, os gestos, os objetos e os espaços como
importantes fatores nos atos de criar e de imaginar, pois assim as crianças podem
proporcionar aos seus pensamentos a resolução de problemas que lhes são relevantes e
significativos. Por esse motivo, muitos autores, aqui já citados, defendem que o brincar não é
só um passatempo, mas sim um momento de aprendizagem e desenvolvimento.
A brincadeira favorece a autoestima das crianças nos diversos grupos sociais,
possibilitando que experimentem o mundo e internalizem uma compreensão particular sobre
as pessoas, os sentimentos e os diferentes conhecimentos. Desta forma, segundo Wajskop
(2005) o brincar é uma atividade humana na qual as crianças são introduzidas, constituindo-se
em um modo de assimilar e recriar a experiência sócio-cultural dos adultos.
Nas Orientações Curriculares para a Educação Infantil, o brincar é concebido como
principal modo de expressão da infância, sendo ele a ferramenta por excelência para a criança
aprender a viver, revolucionar seu desenvolvimento e criar cultura. Além disso, por meio da
brincadeira, a criança se apropria da cultura da qual faz parte e, simultaneamente, constrói
novas possibilidades de ação e interação, além de formas inéditas de arranjar os elementos do
ambiente e de sua própria experiência.
Nesse contexto, as situações de faz de conta que as crianças estão frequentemente
emersas na Educação Infantil, possibilitam a experimentação de diferentes papéis sociais, e à
medida que recriam e imitam diversos personagens aprendem mais sobre a relação entre as
pessoas, sobre os outros e sobre si mesmas.
Isso porque, as brincadeiras de faz de conta, por exemplo, permitem que a criança
invente uma situação imaginária na qual ela pode atuar além de sua idade real, favorecendo o
estabelecimento de uma zona de desenvolvimento proximal (ZDP), conforme afirma
Vygotsky (1991). A ZDP é definida pela distância entre dois níveis: nível de desenvolvimento
real, que abrange tudo aquilo que a criança consegue realizar de forma autônoma, todo o
conhecimento já adquirido por ela, e o nível de desenvolvimento potencial, que são as
aprendizagens que estão em andamento. Portanto, a solução de alguns problemas se dá sob a
orientação de um adulto ou um colega que já domina aquele repertório. Sendo assim, aquilo
que está no nível de desenvolvimento potencial hoje, estará no nível de desenvolvimento real
amanhã.
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O brincar em sua essência é uma ação que coordena as experiências das crianças com
aquilo que os objetos evocam como sentimentos num determinado momento, uma vez que
permite que as crianças imaginem, representem e expressem os seus conhecimentos prévios e
dão margens para a absorção de novas aprendizagens. Quando elas têm a oportunidade de
repetir o que já conhecem, ativam a memória, atualizam seus conhecimentos, ampliando-os e
transformando-os por meio de criação de novas situações imaginárias. O brincar dessa forma
torna-se uma atividade interna, na qual as crianças desenvolvem a imaginação e interpretam a
realidade, expressando suas fantasias, prazeres e saberes, podendo pensar e solucionar
problemas diversos.
Ao considerar o brincar na Educação Infantil é de extrema relevância ter em vista a
criança como um sujeito histórico e social, pois a brincadeira traz para as crianças uma
necessidade de se organizar internamente dentro de um ambiente em que se promove a
interação entre elas. Deste modo, para que o brincar, nessa primeira etapa escolar, ocorra de
maneira satisfatória é preciso que se ampliem os conhecimentos socialmente constituídos,
partindo daquilo que as crianças já sabem para uma perspectiva de novas aprendizagens; que
haja um espaço onde possam compartilhar, confrontar e constatar suas hipóteses e ideias com
outras crianças e adultos através da interação entre si, a natureza e a sociedade; que garanta-se
situações de interação e aprendizagem para que as crianças possam desenvolver a autonomia
do ponto de vista cognitivo, afetivo e social; que sejam organizados em um espaço de
socialização para as crianças.
O brincar ganha essa configuração quando, nas escolas de educação infantil, há uma
organização desse lúdico que supõe vários aspectos, tais como tempo, espaço e papel do
professor.
A organização do tempo deve ser pensada no planejamento da rotina. Nele, está
contido alguns fatores que são importantes considerar: a regularidade, a flexibilidade, e a
interação entre diferentes faixas etárias.
Conjuntamente ao tempo, devem ser planejados na rotina, os espaços. Nele,
apresentam-se os cenários que promovem diferentes interações entre as crianças, entre as
crianças e os objetos e entre as crianças e o desenvolvimento. Além de garantir espaços que
possibilitam a realização de atividades coletivas, individuais ou em pequenos grupos. A
organização desses cenários deve se dar de modo convidativo e acolhedor para as crianças, de
modo que desperte nelas a vontade de estar ali brincando e que provoque questões e estimule
curiosidades para a resignificação de antigas e novas aprendizagens nas situações lúdicas.
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Pensar também nos objetos a serem disponibilizados para as crianças faz parte do
planejamento do brincar, pois aumenta a probabilidade do desenvolvimento amplo, criativo e
voluntário da brincadeira. Além de acessíveis às crianças, os materiais devem ser variados
para possibilitar uma diversidade de ações e movimentos e consequentemente de tipos de
brincadeira, como: brinquedos simbólicos, jogos de exercício, jogos de construção, jogos de
regras, materiais não estruturados que propiciem diversos usos e diferentes ações sobre eles,
como tecidos, caixas, sucatas, tábuas, bancos, etc.
É visível nesses três aspectos (planejamento do tempo, espaço/cenário e material) o
papel do educador. As situações orientadas favorecem aprendizagens que permitem que as
crianças trabalhem com diversos conhecimentos. Deste modo, o professor é o mediador entre
as crianças e os objetos de conhecimento, cuja função é garantir e adequar um ambiente rico,
prazeroso, saudável e não discriminatório de experiências educativas e sociais variadas.
Os educadores também devem promover situações de interação, nas quais se considera
que as diferentes formas de sentir, expressar e comunicar a realidade pelas crianças resultam
em diversas respostas que são trocadas entre elas e que garantem parte significativa de suas
aprendizagens.
As instituições de educação infantil devem entender o lúdico como uma atividade
subjetiva e intrínseca da criança, cuja aprendizagem está relacionada às suas próprias
características: participação voluntária e ativa, envolvimento de regras da imaginação,
relacionada às experiências vividas por cada participante, ausência de finalidades externas,
entre outros. Tendo assim, o brincar como um instrumento de aprendizagem, no qual as
escolas devem considerar a criança como sujeito central do seu trabalho pedagógico, e,
portanto, construir um currículo que cada vez mais leva em conta as situações de
aprendizagem por meio do brincar, fazendo com que os educadores possam refletir e
considerar o brincar em seu planejamento nas três vias de trabalho, o seu papel na brincadeira,
os cenários dando contextos ao brincar e o tempo considerado para a atividade lúdica.
Assim, as crianças se desenvolvem em situações de interação social, nas quais
conflitos e negociação de sentimentos, ideias e soluções são elementos indispensáveis,
possibilitando a ampliação das hipóteses infantis.
Portanto, diante dessa perspectiva, a brincadeira é uma importante atividade para as
crianças, uma vez que elas estão em desenvolvimento. A escola faz parte desse crescimento,
de modo que a insere no meio social e a coloca para conviver em grupo desde pequenas,
colocando em prática as suas experiências adquiridas ao longo da sua história costurada pelas
brincadeiras e pelas suas aprendizagens.
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4.2 O Brincar e os seus elementos: espaço, tempo, papel do educador
As Orientações Curriculares da Educação Infantil ancoram-se na ideia de que o tempo
e o espaço nesse segmento escolar devem ser vividos e organizados de modo que se leve em
consideração as demandas das crianças e suas práticas do dia-a-dia, além de que cabe a
instituição de educação infantil proporcionar de forma intencional oportunidades para
aprendizagens e desenvolvimento da criança, que são alimentados pela iniciativa e
curiosidade infantil conhecendo e dando significado ao mundo.
É necessário que as escolas tenham um espaço adequado e tempo suficiente para que
as crianças tenham a liberdade de mudarem de local, de brincadeira, de parceiros quando
quiserem, possam se organizar de diversas maneiras e várias vezes e expor suas ideias, suas
vontades e seus desconfortos.
O espaço do brincar nas escolas de educação infantil deve assegurar a educação numa
perspectiva criadora, em que a brincadeira possibilite o estabelecimento de formas de relação
com o outro, de apropriação e produção de cultura, do exercício da decisão e da criação.
Sempre que as crianças mostram interesse em brincar somente entre elas, o professor tem uma
excelente oportunidade para observar e registrar como elas se organizam no grupo, suas
competências na brincadeira e como acontece esse brincar.
Contudo, como afirma Heaslip (apud Moyles, 2006, p. 122), “para criar um ambiente
de aprendizagem em que as necessidades desenvolvimentais das crianças possam ser
satisfatórias, em que possa ocorrer uma aprendizagem ativa, o brincar parece ser o meio de
aprendizagem natural e mais apropriado”. Isso pelo fato de que o brincar funciona como um
cenário em que se criam condições para que as crianças atuem a partir de experiências
próprias que vão dando formas ao brincar, tendo aí a importância de um planejamento para
que a brincadeira evolua de modo a ampliar e a diversificar o repertório.
O espaço deve, portanto, ser considerado como um campo de vivências e explorações,
de modo que promova às crianças experiências, expressões e ações, que possibilite a
ampliação de sensações e percepções do mundo que a rodeia, que estimule os interesses dos
alunos. Para isso, o professor deve preocupar-se com a funcionalidade e a estética dos
cenários, de maneira que instigue a curiosidade e a vontade de estar em um ambiente
acolhedor e provocativo em relação às pesquisas e descobertas feitas pelas crianças.
Ao considerar o tempo nas situações lúdicas, a escola deve partir do princípio de que
brincar é uma atividade fundamental da infância, pois auxilia no desenvolvimento de ações
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cognitivas, motoras, físicas, afetivas verbais, e principalmente sociais. Portanto, o tempo
destinado ao lúdico deve ser estruturado no currículo da escola e colocado em prática através
do planejamento dos professores ao longo da rotina.
Muitas escolas veem o brincar como uma função de intervalo entre uma atividade e
outra, e acabam não destinando tempo suficiente para garantir uma brincadeira de qualidade
para os alunos, como por exemplo, planejar situações de faz de conta que ampliem o
repertório das crianças para novas possibilidades de brincadeira. Além disso, muitas são as
crianças que atualmente estão repletas de atividades extracurriculares, como natação, inglês,
balett, futebol, judô, entre outras, que tomam o lugar e o tempo de brincar fora da escola.
Entretanto, garantir o tempo do brincar na escola é relevante para que as crianças possam se
desenvolver e aprender por meio de situações lúdicas oferecidas a elas.
Em segundo plano, o professor deve planejar esse tempo e garantir que se mantenha
uma regularidade dos momentos de brincar na rotina das crianças, mas que possa também ser
um tempo flexível capaz de ser replanejado, por exemplo, quando as crianças deslancham
numa brincadeira e o professor permite um tempo maior para que continuem. Ou, então, o
contrário, quando a brincadeira não está fluindo e o professor pode pensar em outra que seja
mais interessante naquele momento.
Dessa forma, o tempo do brincar na escola se torna ainda mais prazeroso e requerido
pelas crianças. Uma vez que em casa elas não possuem esse tempo e/ou dentro da própria
escola não há tempo para que possam usufruir de um brincar com qualidade e com um tempo
planejado para ele.
Sobretudo, Brougère (apud Almeida 2012, p.34) afirma que “a brincadeira é uma
atividade que se distingue das outras no sentido de que não deve ser considerada de modo
literal. Nela se faz de conta, ou melhor, o que se faz de conta só tem sentido e valor num
espaço e em um tempo delimitado”. Portanto, deve-se considerar as competências e
habilidades aprendidas nas situações lúdicas como modo de formação do desenvolvimento
dos pequenos sujeitos envolvidos ao serem planejados cenários e tempos determinados para
as brincadeiras.
Outra importante questão a ser considerada no planejamento do tempo e espaço é a
interação entre as crianças. Por meio do brincar, elas conhecem mais sobre si e sobre o outro.
Ao se relacionarem com os demais, são capazes de aprender a respeitar decisões e vontades,
controlar seus impulsos, ampliar vocabulário e dividir opiniões e escutar, explicar, ajudar,
questionar e argumentar as suas próprias atitudes e as atitudes dos demais envolvidos, a
resolver conflitos e a compartilhar experiências. Assim, viver em sociedade requer regras de
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convivências que são construídas ao longo do desenvolvimento infantil. Essas interações
acontecem entre criança-criança (da mesma faixa etária e com faixas etárias diferentes, tanto
mais velhas como mais novas), entre criança-adulto e criança-ambiente.
Assim, ressalta Almeida (2012, p. 37) “é preciso garantir tempo e espaço para a
brincadeira na escola, não como prêmio de bom comportamento: só vai brincar quem se
comportou, mas porque o lúdico suscita, desperta, é condição do humano”.
Com relação ao papel do educador, os professores devem, primeiramente, ter a crença
de que o aluno é a figura central do seu trabalho e acreditar na concepção que traz o brincar
como uma atividade essencial da infância. Para isso é preciso que pensem nos ambientes de
brincadeiras, pois assim serão maiores as possibilidades das crianças manifestarem seus
sentimentos, ideias e ações. Desse modo o RCNEI afirma:
(...) cabe ao professor organizar situações para que as brincadeiras ocorram de
maneira diversificada para propiciar às crianças a possibilidade de escolherem os
temas, papéis, objetos e companheiros com quem brincar ou os jogos de regras e de
construção, e assim elaborarem de forma pessoal e independente suas emoções,
sentimentos, conhecimentos e regras sociais. (BRASIL, 1998, p.29, v.1)
Existem dois tipos de intervenções do professor no brincar, direta e indiretamente. Na
primeira situação, a sua participação é como um sujeito ativo na brincadeira, por exemplo,
quando ele está sentado brincando com as crianças de fazer bolos de areia ou quando se torna
o doente em uma brincadeira de médico. Na segunda ocasião, o professor está por trás do
brincar, quando o planeja e quando pauta-se na escuta e na observação, assumindo outros
papéis para que possa ampliar, diversificar e/ou inovar as atividades lúdicas.
Além disso, ao organizar situações para a brincadeira das crianças, o professor deve
levar em conta os conhecimentos prévios de seus alunos, possíveis de se perceber a partir da
observação das vivências das crianças. Por exemplo, saber quais brincadeiras seus alunos
aprenderam fora da escola e de que maneira poderá utilizá-las como um recurso pedagógico
dentro da sala de aula e como ampliar o repertório e propor novas brincadeiras para seus
alunos.
Outra forma da presença do educador nas brincadeiras está centrada em estimular a
imaginação das crianças, o qual deve oportunizar situações em que elas possam despertar as
suas próprias ideias e dar maior autonomia em tomada de decisões e resoluções de conflitos.
Assim, o papel do adulto está contido, também, em saber quais os conceitos, procedimentos e
atitudes as crianças estão lindando por meio das hipóteses que vivenciam simbolicamente.
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Em suma, as características do brincar, segundo Wajskop (2009, p.51), implicam na
elaboração de um planejamento objetivo e organização da rotina diária, do espaço, do tempo,
das atividades e dos materiais que são propostos aos alunos, apontando para as funções dos
educadores no situações lúdicas.
5 O BRINCAR EM UMA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INANTIL
A instituição selecionada para a realização da coleta de dados tem o brincar incluído
no seu currículo. É uma escola localizada na região Oeste de São Paulo, da rede particular. O
objetivo é verificar o quanto os elementos estão presentes na elaboração de um brincar de
qualidade.
Essa pesquisa foi realizada por meio de observação direta. Os dados foram coletados
durante uma semana no período matutino, quando foi acompanhada a jornada integral. Para a
observação, foram considerados os elementos do brincar: o tempo, o espaço e o papel do
educador na atividade lúdica. A coleta de dados está organizada em uma tabela para cada dia
da semana e contempla a rotina, a descrição do brincar e o tempo.
Acompanhou-se uma turma de crianças com 2 anos e meio/3 anos de idade. A sala
conta com 17 crianças e 3 adultos, sendo nomeados aqui por: professora A, professora B e
professora C.
Segunda-feira das 13h às 17h15min
Rotina
Chegada
Atividade
Diversificada
(AD)
Brincar – descrição
Tempo
A classe estava organizada em 3 cantos: mesa com 13:00 às 14:30
quebra-cabeça, casinha com caminhas e banheiras para
os bebês e pistas de carrinhos. As crianças foram
chegando e sendo recebidas pelas professoras (A e B) e
logo se encaminhavam para as brincadeiras de suas
próprias escolhas. No cantinho dos bebês, a professora
A estava brincando com as crianças, intervindo
diretamente ao cuidar dos bebês juntamente com os
alunos que lá estavam, dando banho, comida, colocando
para dormir, cantando músicas para as bonecas pararem
15
de chorar. Outras crianças estavam na mesa do quebracabeça e outras pegaram a pista de trem para montar e
colocar junto ao cantinho dos carrinhos. A professora B
estava mais observando as crianças brincarem e se
revezava entre os dois cantinhos, auxiliando as crianças
que precisavam de ajuda para resolver algum conflito
que surgia entre eles. A professora C tem sua entrada na
sala as 13h15 e auxilia as crianças quando querem ir ao
banheiro.
Transição AD
para Roda
Arrumação da sala.
Roda
A professora B sentou na roda e começou a cantar 14:45 as 15:05
“senta na roda tindolelê” e algumas crianças foram
sentando junto a ela, enquanto a professora A foi
ajudando os outros, que estavam pulando num cantinho
da sala, a irem para a roda. As professoras iniciaram
uma música de boa tarde que canta o nome de todas as
crianças ali presentes (“boa tarde fulano como vai?”).
Conversaram sobre estarem todos os alunos hoje e não
ter faltado ninguém. O ajudante do dia ajudou a
professora C a servir água para as crianças. Depois a
professora A conversou com elas sobre o projeto de
ciências que estão vivendo (conceito de transformação).
Discutiram sobre cor da água e a cor da argila.
Transição Roda
para Lanche
A professora B ficou na porta para ir chamando as crianças de 4 15:05 as 15:10
em 4 para irem lavar as mãos. A professora C ficou no banheiro
para ajuda-los, e a professora A permaneceu na roda cantando
algumas músicas.
Lanche
A professora C foi tomar café (15 minutos). E cada uma 15:10 as 15:30
das outras professoras (A e B) sentaram em uma mesa
com as crianças.
A professora C voltou do café e foi arrumar um cenário 15:30 as 16:05
na areia. Colocou alguns materiais como pás, baldes,
peneiras em cima de um caixote. Quando a maioria do
grupo terminou o lanche as professoras disseram que
podiam ir para a areia. A professora A foi com eles e a
professora B ficou com aqueles que terminavam.
Algumas crianças foram para esse espaço arrumado e
outro grupo procurou pela professora B para ela ser o
lobo, que logo correram para a “floresta” fugindo e
procurando lugares para se esconder. Correram (a
professora e as crianças) por toda a escola e ora algumas
crianças viraram lobo com a professora e correram atrás
de outras e ora viraram caçadores e foram atrás do lobo.
Essa brincadeira durou em torno de 10 a 15 minutos e
quando cansaram a professora sugeriu que tomassem
Espaço externo
(areia)
14:30 às 14:45
16
água. A professora A foi para seu café (15 minutos). E a
professora C estava com os que ficaram brincando na
areia. A professora B sugeriu que descansassem um
pouco com uma brincadeira mais calma, juntaram-se
então com os que estavam brincado na areia e com uma
bacia bem grande que encontraram foram fazendo bolos
de sabores escolhidos pelas crianças e cantando
parabéns para os que estavam ali participando da
brincadeira. Colocavam os ingredientes (areia) como
farinha, fermento, chocolate, morango, banana, ovos,
entre outros, que surgiam das crianças. A vela era uma
pá.
Transição Areia
para Descanso
As crianças guardaram os brinquedos e foram sentando na frente 16:05 as 16:10
da sala para tirar areia do sapato e entrar para o descanso.
Descanso
Com um pano grande estendido no chão e com 16:10 as 16:30
almofadas, as crianças deitaram e/ou sentaram. A
professora B foi tomar café (15 minutos), a professora C
trocava fraldas e a professora A cantava músicas
escolhidas pelos alunos. Foi um momento calmo, sem
agitação.
História
A professora A contou a história do “Titotó” e todas as 16:30 as 16:50
crianças estavam atentas e interessadas.
Transição
História para
Roda de saída
Guardaram as almofadas e o pano e pegaram cadeiras para fazer a 16:50 as 17:00
roda de saída.
Saída
Ao fazer a roda de cadeiras as crianças logo pediram a 17:00 as 17:15
brincadeira do “Roda Pião”. As professoras também
sentaram na roda e começaram com o roda pião, onde
uma criança de cada vez escolhe um amigo e juntos
entram na roda ao som da música cantada pelos amigos
“o Fulano e o Ciclano entraram na roda pião, roda pião,
bambeia pião”.
Terça-feira das 13h às 17h15min
Rotina
Chegada
Atividade
Brincar – descrição
Tempo
A classe estava organizada em 3 cantos: mesa de 13:00 às 14:00
massinha, lego, fantasias. As crianças foram chegando e
sendo recebidas pelas professoras (A e B) e logo se
17
Diversificada
(AD)
encaminhavam para as brincadeiras de suas próprias
escolhas. A professora A sentou-se com as crianças que
estavam brincando na mesa de massinha e fizeram
minhocas, cantaram músicas, fizeram comidinhas, bolos
e cantaram parabéns para várias crianças. Outras
crianças pediam ajuda das professoras para colocarem
ou trocarem as fantasias. Algumas procuraram pela
professora B para que ela fizesse desenhos no rosto; o
combinado feito por ela era de que hoje poderiam ser
desenhos na mão e não no rosto; (o lápis é próprio para
desenhar no corpo). As crianças que estavam brincando
com lego, empilhavam-os, dizendo ser torres e castelos e
montavam até cair. A professora C tem sua entrada na
sala as 13h15 e auxilia as crianças quando querem ir ao
banheiro.
Transição AD
para Roda
Arrumação da sala.
Roda
A professora B sentou na roda e começou a cantar 14:15 as 14:30
“senta na roda tindolelê” e algumas crianças foram
sentando junto a ela, enquanto a professora A foi
ajudando os outros a irem para a roda. Cantaram o “Boa
Tarde”. Conversaram sobre quem faltou hoje (uma
criança) e o ajudante do dia serviu água para as crianças.
E a professora C foi arrumar um cenário na areia.
Espaço externo
(areia)
A professora C arrumou o seguinte cenário: pegou uma 14:30 as 15:00
mesa e colocou na areia, e nela colocou uma toalha e
materiais como: pratos, copos de sucatas, pás e baldes;
colocou algumas cadeiras, montando um cenário de
casinha na areia. A princípio as crianças se dirigiram a
esse espaço, porém uma turma logo procurou pela
professora B para brincarem de lobo e caçador. As
professoras A e C ficaram no cenário montado com as
crianças que permaneceram brincando de fazer
comidinhas e ofereciam aos adultos, enquanto a
professora B estava na mesma dinâmica do dia anterior,
correndo atrás das crianças, dizendo ser um lobo
faminto e com vontade de comer barrigas. As crianças
que ela pegava se tornavam lobo com ela até que os
alunos resolvessem virar caçadores e correr atrás dela
para pegá-la. Quando cansaram foram para o
“brinquedão” (uma casinha de madeira com um
escorregador, que se encontra no meio da areia). Lá as
crianças brincaram de escorregar de trem (de duas ou
três crianças), e de subir pelo escorregador e descer pela
escada. A professora B se manteve ao lado para auxiliar
os que precisavam de ajuda para subir e/ou escorregar.
14:00 às 14:15
18
Transição Areia
para Lanche
As professoras chamaram para guardar os brinquedos e a 15:00 as 15:10
professora B sentou-se próxima ao banheiro com algumas crianças
e a professora A e C foram chamando quem faltava para juntar-se
ao grupo. Enquanto esperavam para lavar as mãos e ir ao
banheiro, fizeram uma roda e cantaram algumas músicas
escolhidas pelas crianças. A professora C estava ajudando-os no
banheiro e a lavar as mãos.
Lanche
A professora C foi tomar café. E cada uma das outras 15:10 as 15:30
professoras (A e B) sentaram em uma mesa com as
crianças.
Descanso
Conforme a maioria do grupo terminou o lanche, a 15:30 as 15:55
professora A entrou para o descanso com eles e a
professora B ficou com quem terminava. Com um pano
grande estendido no chão e com almofadas, as crianças
deitaram e/ou sentaram. A professora A foi tomar café, a
professora C trocava fraldas e a professora B cantava
músicas escolhidas pelos alunos. Foi um momento
calmo, sem agitação.
Transição
Descanso para
aula de Música
Guardaram as almofadas e o pano e fizeram uma roda para 15:55 as 16:00
esperar o professor de música chegar.
Aula de
Música
O professor passou alguns vídeos para apreciação das 16:00 as 16:30
crianças, que permaneceram atentas. A professora B foi
para o café.
História
A professora A contou a história do livro “A casa 16:30 as 16:45
sonolenta”. Antes de começar a leitura, ela perguntou se
alguém lembrava dos personagens e as crianças se
mostraram interessadas na conversa e o grupo ouviu
com atenção a história.
Coletiva
Desenho dentro da sala com papel Kraft no chão, 16:45 as 17:00
canetinhas e giz pastel oleoso. As professoras (A, B e C)
sentaram junto e também fizeram desenhos.
Transição
Coletiva para
Roda de saída
Guardaram os materiais e pegaram as cadeiras para fazer a roda.
Saída
Ao fazer a roda de cadeira as crianças logo pediram a 17:05 as 17:15
brincadeira do “Roda Pião”. A professora B sugeriu a
brincadeira do “João roubou pão” e combinaram de que
o roda pião não daria tempo de ir todas as crianças e
ficaria para amanhã.
17:00 as 17:05
19
Quarta-feira das 13h às 17h15min
Rotina
Chegada
Atividade
Diversificada
(AD)
Brincar – descrição
Tempo
A classe estava organizada em 4 cantos: dedoches com 13:00 às 14:00
bloquinhos de madeira; salão de beleza com kits de
cabeleireiros (secadores, chapinhas, escovas de cabelo,
espelhos, e colares); mesa com comidinhas, pratos,
talheres e ao lado o fogão e a geladeira; e um pano
estendido com algumas almofadas para tornar o canto de
livros mais aconchegante. As crianças foram chegando e
sendo recebidas pelas professoras (A e B) e logo se
encaminhavam para as brincadeiras de suas próprias
escolhas. A professora A sentou-se com as crianças que
estavam brincando com os dedoches e montou casinhas
e as crianças recontaram algumas histórias. A professora
B ficou no cantinho dos livros com alguns alunos que
queriam ouvir histórias; a professora lia os livros
escolhidos pelas próprias crianças. Enquanto isso,
algumas crianças se penteavam no canto dos
cabeleireiros e ora iam atrás das professoras para
também penteá-las e colocar tiaras, coroas, colares e
passar perfume nelas. A professora C tem sua entrada na
sala as 13h15 e auxilia as crianças quando querem ir ao
banheiro; ela sentou-se na mesa de comidinhas para
brincar com os que estavam por lá, fizerem sopas, salada
de frutas, macarrão, etc.
Transição AD
para Roda
Arrumação da sala.
14:00 às 14:10
Roda
A professora B sentou na roda e começou a cantar 14:10 as 14:20
“senta na roda tindolelê” e algumas crianças foram
sentando junto a ela, enquanto a professora A foi
ajudando os outros irem para a roda. Cantaram o “Boa
Tarde”. Conversaram sobre quem faltou hoje (quatro
crianças) e o ajudante do dia serviu água para as
crianças. Aguardaram a professora de Educação
Corporal chegar.
Aula de
Educação
Corporal
(Educa)
A professora de Educa propôs atividades com bambolês, 14:20 as 14:50
nas quais as crianças se tornavam determinados animais
e quando a música parava elas tinham que procurar uma
casa. As professoras A, B e C participaram da aula.
Transição Educa
para Lanche
Quando a professora de Educa foi embora, as professoras A e B 14:50as 15:00
fizeram uma roda e cantaram a parlenda “Uni duni tê”,conforme a
criança era sorteada ia para o banheiro lavar as mãos com a
professora C.
20
Lanche
A professora C foi tomar café. E cada uma das outras 15:00 as 15:20
professoras (A e B) sentaram em uma mesa com as
crianças.
Espaço externo
(areia)
A professora C voltou do café e foi arrumar um cenário 15:20 as 16:00
na areia. Um circuito com 3 caixotes, uma mesa e um
puff de bolinhas para as crianças pularem. Quando a
maioria do grupo terminou o lanche as professoras
disseram que podiam ir para a areia. A professora B foi
com eles e a professora A ficou com aqueles que
terminavam. A princípio ficaram por um tempo em
torno de 10 a 15 minutos no circuito montado, mais logo
o grupo que está envolvido com a brincadeira de faz de
conta de lobo e caçadores procuraram pela professora B
para ela ir brincar com eles. Porém, ela disse que no
momento teria que ficar perto do circuito, pois a
professora A foi tomar café e a professora C estava com
algumas crianças que quiseram ir ao banheiro. Quando a
professora C voltou, a professora B foi brincar com eles;
as crianças se escondiam por partes da escola e quando o
lobo as achava, elas saiam gritando e fugindo para não
serem pegas. Essa brincadeira durou menos tempo hoje
porque logo quiseram voltar para o circuito.
Transição Areia
para Descanso
As crianças guardaram os brinquedos e foram sentando na frente 16:00 as 16:05
da sala para tirar areia do sapato e entrar para o descanso.
Descanso
Com um pano grande estendido no chão e com 16:05 as 16:25
almofadas, as crianças deitaram e/ou sentaram. A
professora B foi tomar café, a professora C trocava
fraldas e a professora A cantava músicas escolhidas
pelos alunos. Foi um momento calmo, sem agitação.
História
A professora A contou a história “O grande rabanete”. 16:25 as 16:35
Fez uma conversa de antecipação, relembrando com as
crianças o que iria acontecer e quais eram os seus
personagens.
Coletiva
Três tipos de blocos de construção. Um de encaixe, com 16:35 as 16:55
peças grandes, um outro de encaixe com peças menores
e um de empilhar. Um grupo de 5 crianças fez torres
grandes até caírem, outras fizeram casas e pegaram os
fantoches, criando histórias recontadas por elas, como
por exemplo a dos “três porquinhos”.
Transição
Coletiva para
Roda de saída
Guardaram os blocos e os fantoches e pegaram as cadeiras para 16:55 as 17:05
fazer a roda.
21
Saída
Ao fazer a roda de cadeira as crianças logo pediram o 17:05 as 17:15
“Roda Pião”. Como combinado com a professora B no
dia anterior fizeram essa brincadeira.
Quinta-feira das 13h às 17h15min
Rotina
Chegada
Atividade
Diversificada
(AD)
Transição AD
para Roda
Brincar – descrição
Tempo
A classe estava organizada em 3 cantos: mesa com 13:00 às 14:30
massinha e pratos de aniversários, velas e palitos; nenês
com banheirinhas, sucatas de shampoo, paninhos,
esponjas e mamadeiras; bichos grandes de borrachas
com blocos de construção. As crianças foram chegando
e sendo recebidas pelas professoras (A e B) e logo se
encaminhavam para as brincadeiras de suas próprias
escolhas. Um grupo de crianças estava brincando com
os bichos, com a seguinte narrativa: “Vamos amigos,
temos que salvar o outro amigo que está na floresta”.
“Ele está escondido do lobo”, “E fugindo dos
caçadores”. São as mesmas crianças que procuram pela
professora para brincar de lobo na areia. Ainda nesse
cantinho a professora A estava sentada e brincando com
algumas meninas de construir um zoológico. A
professora B estava com outras meninas dando banho e
cuidando dos bebês, lavando o cabelo, o pé, a barriga e
outras partes do corpo sugeridas pelas crianças. A
professora C tem sua entrada na sala as 13h15 e auxilia
as crianças quando querem ir ao banheiro; sentou-se
para brincar na mesa de massinha cantando parabéns e
fazendo bolos e docinhos com as crianças.
Arrumação da sala.
14:30 às 14:45
22
Roda
A professora A sentou na roda e começou a cantar 14:45 as 15:10
“senta na roda tindolelê” e algumas crianças foram
sentando junto a ela, enquanto a professora B foi
ajudando os outros a irem para a roda. As professoras
iniciaram a música do “Boa Tarde”. Conversaram sobre
estarem todos os alunos hoje e não ter faltado ninguém.
O ajudante do dia ajudou a professora C a servir água
para as crianças. Como havia outra turma lavando as
mãos, as professoras fizeram algumas brincadeiras
culturais: pulguinha, Ana Maria ficou de catapora e
caranguejo não é peixe.
Transição Roda
para Lanche
A professora B ficou na porta para ir chamando as crianças de 4 15:10 as 15:15
em 4 para irem lavar as mãos. A professora C ficou no banheiro
para ajudá-los, e a professora A continuou com as brincadeiras.
Lanche
A professora C foi tomar café. Cada uma das outras 15:15 as 15:30
professoras (A e B) sentaram em uma mesa com as
crianças.
Espaço externo
(areia)
A professora C ainda não tinha voltado do café e então a 15:30 as 16:10
professora A sugeriu que as crianças fossem junto
arrumar um cenário na areia. Durante uma conversa no
lanche, combinaram de fazer uma cabana para se
esconderem do lobo. A professora B ficou com aqueles
que terminavam. Quando terminaram foram também
ajudar o restante do grupo a montar a cabana. Logo
procuraram pela professora B para ela ser o lobo.
Algumas crianças também quiseram ser o lobo e então
ela sugeriu que contassem até 10 para que as outras
crianças pudessem se esconder. A professora A foi
tomar café e a professora C foi com eles se esconder.
Os lobos foram a procura deles e quando acharam foi
uma gritaria e correria de lobos atrás dos caçadores. A
brincadeira se inverteu e os caçadores quiseram pegar os
lobos. Quando cansaram, foram para debaixo da cabana
e brincaram de fazer buracos na areia, esconder os pés ,
e outras crianças foram em busca de materiais como
baldes e pás para fazerem bolos. A professora B estava
na cabana com eles enquanto a professora C estava
observando as crianças que estavam circulando pelo
espaço externo, brincando ou no brinquedão ou na
“floresta”.
Transição Areia
para Descanso
As crianças guardaram os brinquedos e foram sentando na frente 16:10 as 16:15
da sala para tirar areia do sapato e entrar para o descanso.
Descanso
Com um pano grande estendido no chão e com 16:15 as 16:35
almofadas, as crianças deitaram e/ou sentaram. A
professora B foi tomar café, a professora C trocava
23
fraldas e a professora A cantava músicas escolhidas
pelos alunos. Foi um momento calmo, sem agitação.
História
A professora A contou a história dos “Três Porquinhos” 16:35 as 16:50
e todas as crianças estavam atentas e interessadas.
Transição
História para
Roda de saída
Guardaram as almofadas e o pano, pegaram cadeiras para fazer a 16:50 as 17:00
roda de saída.
Saída
Ao fazer a roda de cadeiras, as crianças logo pediram a 17:00 as 17:15
brincadeira do “Roda Pião”. Fizeram essa e em seguida
a da “Comida Brasileira”.
Sexta-feira das 13h às 17h15min
Rotina
Chegada
Atividade
Diversificada
(AD)
Transição AD
para Roda
Brincar – descrição
Tempo
A classe estava organizada em 3 cantos: uma cabana 13:00 às 14:30
dentro na sala com fantasias penduradas em um varal,
pistas de carrinhos e canto de ferramentas. As crianças
foram chegando e sendo recebidas pelas professoras (A
e B) e logo se encaminhavam para as brincadeiras de
suas próprias escolhas. Inicialmente, as crianças
brincaram de se esconder nas cabanas e dar susto nas
professoras. As crianças procuravam pelos adultos para
colocar e tirar fantasias. Ao vestir-se de princesa, uma
criança fingiu estar desmaiada esperando pelo príncipe
encantado, um menino que viu a cena logo procurou por
uma capa de príncipe, pediu para a professora B colocar
e foi até ela para dar um beijo e despertá-la.
Apareceram outras crianças também vestidas de
princesas que entraram nessa brincadeira também.
Algumas crianças que estavam brincando de carrinhos
fizeram pistas bem grandes e enfileiraram os carrinhos
no posto de gasolina e outras criavam caminhos pela
estante de livros e em cima da estante de brinquedos. Os
que estavam com ferramentas estavam consertando
carros, mesas e estantes, com martelos, serrotes,
furadeiras e chapéus de trabalhadores.
Arrumação da sala.
14:30 às 14:45
24
Roda
A professora B sentou na roda e começou a cantar 14:45 as 15:05
“senta na roda tindolelê” e algumas crianças foram
sentando junto a ela, enquanto a professora A foi
ajudando os outros a irem para a roda. As professoras
iniciaram a música do “Boa Tarde” Conversaram sobre
estarem todos os alunos hoje e não ter faltado ninguém.
O ajudante do dia ajudou a professora C a servir água
para as crianças. A professora A pegou o calendário e
mostrou que no final de semana o portão da escola
ficaria fechado e não teria aula, conversaram que eram
dias para passear, ir no parque, na pracinha, no teatro,
etc.
Transição Roda
para Lanche
A professora B ficou na porta para ir chamando as crianças de 4 15:05 as 15:10
em 4 para irem lavar as mãos. A professora C ficou no banheiro
para ajudá-los, e a professora A cantou algumas músicas
escolhidas pelas crianças.
Lanche
A professora C foi tomar café. Cada uma das outras 15:10 as 15:30
professoras (A e B) sentaram em uma mesa com as
crianças.
Espaço externo
(areia)
A professora C voltou do café e foi arrumar um cenário 15:30 as 16:05
na areia. Colocou alguns materiais como pás, baldes,
peneiras em cima de um caixote. Quando a maioria do
grupo terminou o lanche as professoras disseram que
podiam ir para a areia. A professora B foi com eles e a
professora A ficou com aqueles que terminavam.
Algumas crianças foram para esse espaço arrumado e
outro grupo procurou pela professora B para ela ser o
lobo, mas hoje ela combinou com eles que essa
brincadeira poderia ser feita entre eles ou que poderiam
brincar de outras coisas, pois ela acha que por um lado é
interessante manter essa brincadeira que se repete todos
os dias, mais que também eles precisam ampliar o
repertório de brincadeiras, podendo combinar alguns
dias de brincar de lobo e outros para eles inventarem
outras brincadeiras. Então, esse grupo foi para um canto
da areia e começam uma brincadeira de capitão.
Vassouras que se transformam em espadas, pás que
viram “armas” (como as próprias crianças nomearam).
Em certo momento, cada um se encostava na parede e
dizia “estou preso, me ajuda!”, para que então outro
capitão pudesse pegá-lo pela mão e salvá-lo dos
malvados (os vilões que eram personagens imaginários,
não tinha uma criança para concretizar esse papel).
Quando eram salvos, saiam correndo dizendo “Vamos
capitão, vamos! Vamos correr e prender eles e atirar
para eles morrerem!”. A professora A foi para o café e a
professora C estava com as crianças que estavam no
brinquedão, pulando do murinho da “floresta” e com
25
aqueles que preparavam festas de aniversários com
bolos de areia e velas de pá, cantando parabéns. A
professora B estava apenas acompanhando, observando
e intervindo o menos possível na brincadeira de capitão.
Transição Areia
para Descanso
As crianças guardaram os brinquedos e foram sentando na frente 16:05 as 16:10
da sala para tirar areia do sapato e entrar para o descanso.
Descanso
Com um pano grande estendido no chão e com 16:10 as 16:30
almofadas, as crianças deitaram e/ou sentaram. A
professora B foi tomar café, a professora C trocava
fraldas e a professora A cantava músicas escolhidas
pelos alunos. Foi um momento calmo, sem agitação.
História
A professora A contou a história do “João e Maria” e 16:30 as 16:50
todas as crianças estavam atentas e interessadas. E as
professoras colocaram a caixa de livros para as crianças
“lerem”.
Transição
História para
Roda de saída
Guardaram as almofadas, o pano, e os livros. Pegaram cadeiras 16:50 as 17:00
para fazer a roda de saída
Saída
Ao fazer a roda de cadeiras as crianças logo pediram a 17:00 as 17:15
brincadeira do “Roda Pião”. Fizeram essa e em seguida
a da “Comida Brasileira”.
6 ANÁLISE DOS DADOS COLETADOS
Diante da questão apresentada acima, é possível verificar, por meio dos dados
coletados, que de fato, na escola em questão, o brincar aparece em diversas situações da rotina
como uma atividade organizada para que sejam levados em consideração os critérios que lhe
garantem qualidade.
É possível entender que as atividades diversificadas contemplam um brincar com sua
principal configuração. As instituições de educação infantil devem compreender o lúdico
como uma atividade subjetiva e intrínseca, cuja aprendizagem está relacionada às suas
próprias características: participação voluntária e ativa, envolvimento de regras da
imaginação, relacionada às experiências vividas por cada participante e ausência de
finalidades externas.
26
Deste modo, verifica-se o brincar de qualidade logo no primeiro momento da rotina,
quando os cantos, na hora da chegada, são organizados para receber as crianças.
As atividades diversificadas são uma forma de englobar os três elementos estudados
nesse artigo, pois por meio da AD, a professora prepara cenários com brincadeiras propostas
aos seus alunos, tem um tempo destinado a ela com fundamentos próprios para promover
situações do lúdico e através do planejamento dos cantinhos a serem montados está posto, de
maneira indireta, um dos papéis do educador. Ainda, sobre esse momento de atividades
diversificadas, Oliveira descreve:
Tem sido muito valorizada a organização de áreas de atividade diversificada, os
“cantinhos” – da casinha, do cabeleireiro, do médico ou dentista, do supermercado,
da leitura, do descanso – que permitem a cada criança interagir com pequeno
número de companheiros, possibilitando-lhe melhor coordenação de suas ações e a
criação de um enredo comum na brincadeira, o que aumenta a troca e
aperfeiçoamento da linguagem. (OLIVEIRA, 2002, p. 195).
Por meio das observações realizadas, percebe-se que durante a AD, as crianças se
agrupam por centros de interesses e constroem a brincadeira com narrativas complementares,
quando, por exemplo, os meninos estão brincando com os bichos de borrachas como mostra o
trecho das anotações da tabela de quinta-feira: “vamos amigos, temos que salvar o outro
amigo que está na floresta”, “ele está escondido do lobo”, “e fugindo dos caçadores”.
Além disso, esses dois momentos, um em que a professora planeja os cantinhos de
brincadeiras no seu semanário e outro, em que ela deixa com que as crianças possam fazer
também as escolhas do que querem brincar, são situações relevantes ao contemplar o brincar,
pois o educador pensa em brincadeiras, mas também oportuniza ocasiões de decisões para
serem tomadas pelas próprias crianças. Por exemplo, na tabela de quinta-feira, no momento
da areia, no trecho “a professora C ainda não tinha voltado do café e então a professora A
sugeriu que as crianças fossem juntos arrumar um cenário na areia. Durante uma conversa
no lanche, combinaram de fazer uma cabana na areia para se esconderem do lobo”. Situação
em que a professora montou o cenário através de uma escolha dos alunos.
Sendo assim, fica claro como as teorias sobre o espaço do brincar são colocadas em
prática, uma vez que se tem um modelo de como a professora planeja e reflete sobre como
aumentar as possibilidades de atividades lúdicas através da observação e da escuta, como uma
das formas de assumir o seu papel na brincadeira, como exemplificado pelas tabelas de
segunda-feira, no momento da AD onde “a professora B estava mais observando as crianças
brincarem e se revezava entre os dois cantinhos, auxiliando as crianças que precisavam de
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ajuda para resolver algum conflito que surgia entre eles”; e na sexta-feira, no momento da
areia, onde “a professora B estava apenas acompanhando, observando e intervindo o menos
possível na brincadeira de capitão”.
Dessa maneira, uma das funções do educador é a de observador, pois como diz Arce:
(...) Froebel explica que, se o adulto observar, por exemplo, o jogo e a fala de uma
criança, poderá compreender o nível de desenvolvimento no qual ela se encontra.
Isso significa que a observação das atividades espontâneas da criança, como a
brincadeira e a fala, é de grande importância para o êxito da atividade educativa.
(ARCE, 2004, p.13).
A observação auxilia o professor no saber interpretar as situações de brincadeiras,
levantando elementos que o ajudarão na continuação das suas propostas lúdicas e atividades
dirigidas, tais como: os principais interesses das crianças, as dificuldades encontradas, as
competências demonstradas na brincadeira, etc. Além disso, ajuda o professor a alimentar a
brincadeira dos alunos com a ampliação de repertórios, possibilitando que ele traga novos
elementos para complementar as brincadeiras, por meio de cenários, histórias, materiais, entre
outros.
A brincadeira de lobo das crianças com a professora B surgiu de um interesse muito
grande do grupo por esse personagem através das histórias contadas e lidas pelas professoras.
Por isso, vinda dessa escuta, elas planejaram cenários em que havia cabanas, fantasias e
espadas de jornais, confeccionadas nos momentos de AD junto com as crianças, para que elas
pudessem virar lobos e as demais se esconder ou virarem porquinhos. Essas situações foram
planejadas para a brincadeira acontecer dentro da sala, entretanto, esse faz de conta se
expandiu para o espaço externo da areia, possibilitando melhores ações, como correr, pular,
gritar e permitir que outros personagens também apareçam como, os caçadores, ou bichos
bravos prontos para espantar o lobo. Desse modo, essa brincadeira tornou-se de grande
significado para as crianças, e também foi planejada para alguns momentos da areia, onde as
crianças simbolizam os materiais como pás e vassourinhas como objetos para caçar o lobo.
Portanto, a observação das atividades lúdicas faz parte do papel do professor, pois, por
exemplo, ao observar o interesse das crianças pela brincadeira de lobo, as professoras A e B
puderam pensar em planejamentos para alimentar, ampliar e diversificar o contexto dessa
brincadeira, através de montagem de cenários e cabanas, construções de espadas ou
disponibilização de outros objetos para se tornarem “armas” (como nomeiam os próprios
alunos). A contação de histórias que tem esse personagem tão “querido” por essa turma
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possibilitou às crianças ora se tornarem porquinhos, ora chapeuzinho vermelho, ora
caçadores, ora cabritinhos, entre diversos outros personagens da literatura infantil.
Em relação ao tempo, percebe-se que no currículo dessa escola há uma concepção
forte sobre o brincar. Pois acreditam na importância do brincar para o desenvolvimento
infantil e por isso apresenta a sua rotina baseada no tempo destinado para as atividades
lúdicas, para que assim se possa garantir na Educação Infantil um brincar com qualidade.
Como mostra a coleta de dados, o tempo de brincadeiras está proposto nas ADs, nos
momentos de areia e nas propostas coletivas, cujos horários são permanentes e flexíveis para
que mudanças das e nas brincadeiras possam acontecer.
O tempo é um importante fator para que se possa garantir um brincar de qualidade
uma vez que se é destinado um planejamento para ele. Isso porque não é no intervalo de uma
atividade ou outra que acontecem as situações lúdicas. Há diversos momentos para que as
brincadeiras ocorram de forma “livre” pelas crianças, mesmo que haja um planejamento e um
cenário montado. Isto é, por exemplo, nas ADs quando já tem os cantinhos organizados para
receber as crianças e a escolha é delas de onde vão brincar, nos momentos de coletiva quando
a brincadeira acontece de forma mais dirigida, e inclusive na hora destinada a areia, quando as
professoras organizam um cenário mas que nem sempre é usado pelas crianças, que tem livre
arbítrio para explorarem a escola inteira nesse momento.
Após a coleta de dados, é possível constatar que na Educação Infantil, o brincar tem
um papel de suma importância. É através dele que as crianças aprendem por meio de
oportunidades que lhes são oferecidas em repetir o que já conhecem, de modo que ativam a
memória, atualizam seus conhecimentos, ampliando-os e transformando-os por meio da
criação de novas situações imaginárias. Assim, o brincar interpreta a realidade expressando
suas fantasias, prazeres e saberes, dando chance para elas refletirem e solucionarem
problemas diversos. A atividade lúdica é, então, uma das ações contribuintes para o
desenvolvimento da autonomia, da identidade e da sociabilidade.
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nesta pesquisa, constata-se que é possível e bastante relevante considerar o brincar no
currículo de Educação Infantil, pois o lúdico deve ganhar um espaço e um tempo planejados
para seus próprios fins. Garantir um espaço de brincadeira na instituição é garantir a educação
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numa perspectiva de um lugar de socialização, de construção de relação com o outro, de
apropriação e produção da cultura, de exercício de decisão e escolhas e de ampliação de
imaginação e criatividade.
Desse modo, a recriação de significados é elemento integrante da brincadeira e dá
condições para que o indivíduo se constitua e se desenvolva em um ambiente de contínua
mudança. Uma vez que a criança é produtora do seu próprio conhecimento e para isso é
fundamental que o espaço e o tempo permitam esse desenvolvimento por meio de ações
observadas, registradas e planejadas pelo professor, sendo ele o responsável por construir
cenários, considerar o tempo e disponibilizar os materiais adequados para cada brincadeira.
As crianças têm o direito de ter um brincar de qualidade dentro das instituições de
educação básica, considerando os espaços planejados para elas, os objetos e materiais
propostos e disponibilizados e o tempo proporcionado para as situações lúdicas, dando aos
alunos a liberdade de expressão para ir e vir nas suas brincadeiras, de forma a ajudá-las a
desenvolver identidade, autonomia e conhecimento.
Além disso, a importância do brincar na educação infantil está relacionada ao
favorecimento do desenvolvimento físico, cognitivo, moral, motor e afetivo das crianças. Por
isso, ele deve ser contemplado na rotina das crianças de 0 a 6 anos.
Portanto, o brincar é inerente a cultura da infância e para que seja garantido com
qualidade, é necessário, primeiro de tudo, que a escola tenha em sua concepção as atividades
lúdicas como principais fundamentos para o desenvolvimento infantil. Depois de partir de
uma visão da escola, os professores devem acreditar no brincar como uma atividade que
possibilita a resignificação de antigos e novos conhecimentos, a construção de identidade e
autonomia, e resolução de conflitos. Dessa forma, é necessário que o educador planeje as
situações de brincar e, sobretudo os cenários e o tempo delimitado para que se possa oferecer
um brincar de qualidade para seus alunos, além de estar ciente dos diversos papéis que
assume nas atividades lúdicas e ciente sobre a importância do brincar para o desenvolvimento
de capacidades e habilidades construídas enquanto as crianças brincam.
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