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PROTOCOLO PARA A PRÁTICA DE HIGIENE DAS MÃOS EM

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PROTOCOLO PARA A PRÁTICA DE HIGIENE DAS MÃOS EM
MINSTÉRIO DA SAÚDE
Anexo 01: PROTOCOLO PARA A PRÁTICA DE
HIGIENE DAS MÃOS EM SERVIÇOS DE SAÚDE*
*Protocolo elaborado pela equipe técnica da Agência Nacional de Vigilância SanitáriaANVISA
Ministério da Saúde/ Anvisa/ Fiocruz
02/04/2013
Protocolo integrante do Programa Nacional de Segurança do Paciente.
HIGIENE DAS MÃOS EM SERVIÇOS DE SAÚDE
1. Finalidade
Instituir e promover a higiene das mãos nos serviços de saúde do país com o intuito de prevenir
e controlar as infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS), visando à segurança do
paciente e dos profissionais de saúde.
2. Abrangência
O protocolo em questão deverá ser aplicado em todas as unidades dos estabelecimentos de
saúdeque prestam cuidados à saúde, seja qual for seu nível de complexidade, no ponto de
assistência. Entende-se por Ponto de Assistência o local onde três elementos estão presentes: o
paciente, o profissional de saúde e a assistência ou tratamento envolvendo o contato com o
paciente ou suas imediações (ambiente do paciente). O conceito envolve a necessidade de
realizar a higiene das mãos nos momentos indicados, exatamente onde o atendimento ocorre.
Isto exige o acesso fácil a um produto de higiene das mãos (como por exemplo, a preparação
alcoólica) que esteja tão próximo quanto possível – ao alcance das mãos no ponto de assistência
ou tratamento do paciente. Os produtos “point-of-care”, no local de atendimento, devem estar
acessíveis sem haver a necessidade de o profissional sair do ambiente do paciente (WHO,
2009a).
A disponibilização de preparação alcoólica para a higiene das mãos no ponto de assistência
ocorre, geralmente, por meio de preparação alcoólica portada pelo profissional (frasco de
bolso), dispensadores fixados na parede, frascos fixados na cama / na mesa de cabeceira do
paciente ou nos carrinhos de curativos / medicamentos levados para o ponto de assistência
(WHO, 2009a; OPAS & ANVISA, 2008a).
3. Definição
“Higiene das mãos” é um termo geral que se refere a qualquer ação de limpeza das mãos para
prevenir a transmissão de micro-organismos e consequentemente evitar que pacientes e
profissionais de saúde adquiram IRAS (WHO, 2009a). De acordo com a Anvisa (BRASIL,
2007; BRASIL, 2009), o termo engloba a higiene simples, a higiene antisséptica, a fricção
antisséptica e a antissepsia cirúrgica das mãos (que não será abordada neste protocolo),
definidas a seguir.
3.1. Higiene simples das mãos: ato de higienizar as mãos com água e sabonete comum, sob
a forma líquida.
3.2. Higiene antisséptica das mãos: ato de higienizar as mãos com água e sabonete
associado a agente antisséptico.
3.3. Fricção antisséptica das mãos com preparação alcoólica: aplicação de preparação
alcoólica nas mãos para reduzir a carga de microrganismos sem a necessidade de
enxague em água ou secagem com papel toalha ou outros equipamentos.
1
4. Intervenções
4.1. Momentos
As mãos devem ser higienizadas nos momentos essenciais e necessários dentro do fluxo de
cuidados assistenciais paraprevenir IRAS causadas por transmissão cruzada pelas mãos,
seguindo os “Meus cinco momentos para a higiene das mãos”(WHO, 2009a), ou seja:
ANTES DE TOCAR O PACIENTE
ANTES DE REALIZAR PROCEDIMENTO LIMPO/ASSÉPTICO
APÓS O RISCO DE EXPOSIÇÃO A FLUIDOS CORPORAIS
APÓS TOCAR O PACIENTE
APÓS TOCAR SUPERFÍCIES PRÓXIMAS AO PACIENTE
A ação correta no momento certo é a garantia de cuidado seguro para os pacientes.
Figura 1. Meus cinco momentos para a higiene das mãos.
Fonte: WHO, 2009a; OPAS &ANVISA, 2008a.
4.2. Recomendações consensuais e sistema de classificação
As recomendações formuladas foram baseadas em evidências descritas nas várias seções das
diretrizes e consensos de especialistas, conforme mostra o Quadro 1 (CDC, 2002; WHO,
2009a).
2
Quadro 1 -Sistema de classificação das recomendações das Diretrizes.
Categoria Critérios
IA
Fortemente recomendada para implementação e fortemente apoiada por estudos
experimentais, clínicos ou epidemiológicos bem elaborados
IB
Fortemente recomendada para implementação e apoiada por alguns estudos
experimentais, clínicos ou epidemiológicos e uma forte fundamentação teórica
IC
Necessária para a implementação, conforme estabelecido por regulamento ou
norma federal e/ou estadual
II
Sugerida para implementação e apoiada por estudos clínicos ou epidemiológicos
sugestivos ou uma fundamentação teórica ou o consenso de um painel de
especialistas
Fonte: (CDC, 2002; WHO, 2009a).
4.2.1. Indicações para a higiene das mãos
As indicações para higiene das mãos envolvem (WHO, 2009a):
a) Higienizar as mãos com sabonete líquido e água quando estiverem visivelmente sujas
ou manchadas de sangue ou outros fluidos corporais (IB) o após uso do banheiro (II);
b) Se a exposição a potenciais patógenos formadores de esporos for fortemente suspeita ou
comprovada, inclusive surtos de C. difficile, é preferível realizar a higiene das mãos
com sabonete líquido e água (IB);
c) Usar a preparação alcoólica como meio preferido para a higiene rotineira das mãos em
todas as outras situações clínicas descritas nos itens D(a) a D(f) listados abaixo, se as
mãos não estiverem visivelmente sujas (IA). Em caso de impossibilidade de obter
preparação alcoólica para a higiene das mãos, higienizar as mãos com sabonete líquido
e água (IB).
d) Realizar a higiene das mãos:
antes e após contato com o paciente (IB);
antes de manusear um dispositivo invasivo para o atendimento ao paciente,
independentemente do uso ou não de luvas (IB);
após contato com fluidos corporais ou excreções, membranas mucosas, pele não
intacta ou curativos (IA);
em caso de deslocamento de um local contaminado do corpo para outro local do
corpo durante atendimento do mesmo paciente (IB);
após contato com superfícies e objetos inanimados (inclusive equipamentos para a
saúde) nas áreas próximas ao paciente (IB);
após remoção de luvas esterilizadas (II) ou de procedimento (IB);
e) Antes do manuseio de medicação ou preparação de alimentos, realizar a higiene das
mãos usando preparação alcoólica para as mãos ou lavar as mãos com sabonete líquido
comum ou associado a antisséptico e água (IB);
f) Sabonete líquido e preparação alcoólica para a higiene das mãos não devem ser
utilizados concomitantemente (II)
O Quadro 2 mostra a correspondência entre as indicações e as recomendações para higiene das
mãos (WHO, 2009a).
3
Quadro 2 - Correspondência entre as indicações e as recomendações para higiene das
mãos.
Os 5 Momentos
1. Antes de tocar o
paciente
2. Antes de realizar
procedimento
limpo/asséptico
3. Após o risco de
exposição a fluidos
corporais
4. Após tocar o paciente
5. Após tocar as
superfícies próximas ao
paciente
Fonte: WHO, 2009a.
Recomendações
Diretrizes da Organização Mundial de Saúde - OMS sobre Higiene das
Mãos em Serviços de Saúde (WHO, 2009a)
D.a) antes e após contato com o paciente (IB)
D.b) antes de manusear um dispositivo invasivo , independentemente do
uso ou não de luvas (IB)
D.d) ao se mover de um sítio anatômico contaminado para outro durante o
atendimento do mesmo paciente (IB)
D.c) após contato com fluidos corporais ou excretas, membranas mucosas,
pele não íntegra ou curativo (IA)
D.d) ao se mover de um sítio anatômico contaminado para outro durante o
atendimento do mesmo paciente (IB))
D.f) após remover luvas esterilizadas (II) ou não esterilizadas (IB)
D.a) antes e após contato com o paciente (IB)
D.f) após remover luvas esterilizadas (II) ou não esterilizadas (IB)
D.e) após contato com superfícies e objetos inanimados (incluindo
equipamentos para a saúde) nas imediações do paciente (IB)
D.f) após remover luvas esterilizadas (II) ou não esterilizadas (IB)
5. Procedimentos Operacionais
5.1. Fricçãoantisséptica das mãos com preparação alcoólica
5.1.1. Finalidade
Reduzir a carga microbiana das mãos (não há remoção de sujidades). A utilização de preparação
alcoólica para higiene das mãos sob as formas gel, espuma e outras (na concentração final
mínima de 70%) ou sob a forma líquida (na concentração final entre 60% a 80%) pode substituir
a higienização com água e sabonete quando as mãos não estiverem visivelmente sujas
(BRASIL, 2010).
5.1.2. Duração do procedimento:
A fricção das mãos com antisséptico deve ter duração de 20 a 30 segundos.
5.1.3. Técnica
Os seguintes passos devem ser seguidos durante a realização da técnica de fricção antisséptica
das mãos com preparação alcoólica (WHO, 2006):
4
5.2. Higienização simples
5.2.1. Finalidade
Remover os micro-organismos que colonizam as camadas superficiais da pele, assim como o
suor, a oleosidade e as células mortas, retirando a sujidade propícia à permanência e à
proliferação de micro-organismos.
HIGIENIZE AS MÃOS COM ÁGUA E SABONETE LÍQUIDO QUANDO ELAS
ESTIVEREM VISIVELMENTE SUJAS! CASO CONTRÁRIO, FRICCIONE AS MÃOS
COM PREPARAÇÃO ALCOÓLICA PARA AS MÃOS.
Entende-se por mãos visivelmente sujas, as mãos que mostram sujidade visível ou que estejam
visivelmente contaminadas por sangue, fluidos ou excreções corporais (WHO, 2009a).
5.2.2. Duração do procedimento
A higienização simples das mãos deve ter duração de 40 a 60 segundos.
5.2.3. Técnica
A técnica de higiene simples das mãos envolve os passos (WHO, 2006):
5
5.3. Higienização antisséptica
5.3.1. Finalidade
Promover a remoção de sujidades e de micro-organismos, reduzindo a carga microbiana das
mãos, com auxílio de um antisséptico.
5.3.2. Duração do procedimento
A higienização antisséptica das mãos deve ter duração de 40 a 60 segundos.
6
5.3.3. Técnica
A técnica de higienização antisséptica é igual àquela utilizada para a higienização simples das
mãos, substituindo-se o sabonete líquido comum por um associado a antisséptico, como
antisséptico degermante (BRASIL, 2007).
6. Estratégia multimodal
Uma melhoria da higienização das mãos bem sucedida e sustentada é alcançada por meio da
implementação de um conjunto de ações para transpor diferentes obstáculos e barreiras
comportamentais. A Estratégia Multimodal da OMS para a Melhoria da Higienização das Mãos
(WHO, 2009a; OPAS & ANVISA, 2008a; OPAS & ANVISA, 2008b) foi proposta para traduzir
na prática as recomendações sobre a higiene das mãos e é acompanhada por uma ampla gama de
ferramentas práticas (kit de ferramentas de implementação) prontas para serem aplicadas nos
serviços de saúde. Todas as ferramentas de higiene das mãos, direcionadas para gestores,
profissionais de saúde e profissionais que atuam no Serviço de Controle de Infecção Hospitalar
(SCIH) e qualidade estão disponíveis no Portal da Anvisa, em: http://bit.ly/wL0d6V.
Os componentes-chave da estratégia são descritos a seguir (WHO, 2009a):
6.1. Mudança de sistema: assegurar que a infraestrutura necessária esteja disponível para
permitir a prática correta de higiene das mãos pelos profissionais de saúde. Isto inclui
dois elementos essenciais:
acesso a um fornecimento contínuo e seguro de água, bem como de sabonete líquido e
papel toalha;
acesso imediato a preparações alcoólicas para a higiene das mãos no ponto de
assistência.
6.2. Educação e treinamento: fornecer capacitação regular a todos os profissionais de
saúde sobre a importância da higiene das mãos, com base na abordagem “Meus 5
Momentos para a Higiene das Mãos” e os procedimentos corretos de higiene das mãos.
6.3. Avaliação e retroalimentação: monitorar as práticas de higiene das mãos e a
infraestrutura, assim como a percepção e conhecimento sobre o tema entre os
profissionais da saúde, e retroalimentando estes resultados (feedback).
6.4. Lembretes no local de trabalho: alertar e lembrar os profissionais de saúde sobre a
importância da higiene das mãos e sobre as indicações e procedimentos adequados para
realizá-la.
6.5. Clima de segurança institucional: criar um ambiente que facilitea sensibilização dos
profissionais quanto à segurança do paciente, e no qual a melhoria da higiene das mãos
constitui prioridade máxima em todos os níveis, incluindo:
7
a participação ativa em nível institucional e individual;
a consciência da capacidade individual e institucional para mudar e melhorar
(autoeficácia) e
parcerias com pacientes e organizações de pacientes.
7. Indicadores
Os seguintes indicadoresde desempenho devem ser utilizados pela Comissão de Controle de
Infecção Hospitalar (CCIH) para a mensuração da melhoria da adesão às práticas de higiene das
mãos (CDC, 2002; WHO, 2009a; BRASIL, 2009):
7.1. Indicador obrigatório: Consumo de preparação alcoólica para as mãos
Monitoramento do volume de preparação alcoólica para as mãos e sabonete associado ou não a
antisséptico utilizado para cada 1.000 pacientes-dia.
7.2. Indicador recomendável: Percentual (%) de adesão
Número de episódios (ações) de higiene das mãos realizados pelos profissionais de
saúde/número de oportunidades havidas (enfermaria, unidade ou serviço).
Nota: o retorno da informação à alta direção e aos profissionais sobre este desempenho deverá
ser providenciada pela CCIH.
8. Cuidados Especiais
8.1. Cuidado com o uso de luvas
As recomendações quanto ao uso de luvas por profissionais de saúde são (WHO, 2009a;
BRASIL, 2009):
Usar luvas somente quando indicado;
Utilizá-las para proteção individual, nos casos de contato com sangue e líquidos
corporais, e contato com mucosas e pele não íntegra de todos os pacientes;
Utilizá-las para reduzir a possibilidade de os micro-organismos das mãos do
profissional contaminarem o campo operatório (luvas cirúrgicas).
Utilizá-las para reduzir a possibilidade de transmissão de micro-organismos de um
paciente para outro nas situações de precaução de contato.
Trocar de luvas sempre que entrar em contato com outro paciente;
Trocar de luvas, também, durante o contato com o paciente se for mudar de um sítio
corporal contaminado para outro, limpo, ou quando estas estiverem danificadas;
Nunca tocar desnecessariamente superfícies e materiais (tais como telefones, maçanetas,
portas) quando estiver com luvas.
8
Nota: O USO DE LUVAS NÃO ALTERA E NEM SUBSTITUI A HIGIENE DAS MÃOS!
8.2. Cuidados com a pele das mãos
Os seguintes aspectos devem ser levados em consideração para garantir o bom estado da pele
(WHO, 2009b):
a higiene com sabonete líquido e água agride mais a pele do que uma fricção das mãos
com preparação alcoólica contendo um agente umectante;
as luvas entalcadas podem causar irritação quando utilizadas simultaneamente com
produtos alcoólicos;
o uso de cremes de proteção para as mãos ajudam a melhorar a condição da pele, desde
que sejam compatíveis com os produtos de higiene das mãos e as luvas utilizadas.
Os seguintes comportamentos devem ser evitados(WHO, 2009b):
uso simultâneo de sabonete líquido e água e produtos alcoólicos;
uso de água quente para lavar mãos com sabonete líquido e água;
calçar luvas com as mãos molhadas, uma vez que isso pode causar irritação;
higienizar as mãos além das indicações recomendadas;
uso de luvas fora das recomendações;
Os seguintes princípios devem ser seguidos(BRASIL, 2007; BRASIL, 2009; WHO, 2009b):
friccionar as mãos até a completa evaporação da preparação alcoólica;
secar cuidadosamente as mãos após lavar com sabonete líquido e água;
manter as unhas naturais, limpas e curtas;
não usar unhas postiças quando entrar em contato direto com os pacientes;
aplicar regularmente um creme protetor para as mãos (uso individual).
9. Referências Bibliográficas
BRASIL. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA – ANVISA.Higienização
das
Mãos
em
Serviços
de
Saúde.
Brasília,
2007.
Disponível
em:<http://www.anvisa.gov.br/hotsite/higienizacao_maos/index.htm>. Acesso em: 21 mar.
2013.
BRASIL. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA – ANVISA. RDC n°. 42,
de 25 de outubro de 2010. Dispõe sobre a obrigatoriedade de disponibilização de preparação
alcoólica para fricção antisséptica das mãos, pelos serviços de saúde do país e dá outras
9
providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 26 out. 2010.
BRASIL. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA – ANVISA. Segurança do
Paciente em Serviços de Saúde – Higienização das Mãos. Brasília, 2009.
CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND REVENTION. Guideline for Hand Hygiene in
Health-Care Settings: recommendations of the Healthcare Infection Control Practices Advisory
Committee and the HICPAC/SHEA/APIC/IDSA Hand Hygiene Task Force. MMWR, v.51, n.
RR-16, p.1-45, 2002.
ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE – ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE
SAÚDE - OPAS/OMS; AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA –
MINISTÉRIO DA SAÚDE – ANVISA/MS. Manual para Observadores. Brasília, DF, 2008a.
ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE – ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE
SAÚDE - OPAS/OMS; AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA –
MINISTÉRIO DA SAÚDE – ANVISA/MS. Guia para Implantação. Um guia para implantação
da Estratégia Multimodal da OMS para a Melhoria da Higienização das Mãos. Brasília, DF,
2008b.
WORLD HEALTH ORGANIZATION - WHO. Hand Hygiene: Why, How and When.
SummaryBrochure on Hand Hygiene. World Alliance for Patient Safety, 2006. p. 1-4.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. WHO Guidelines on Hand Hygiene in Health Care.
First Global Patient Safety Challenge. Clean Care is Safer Care Geneva: WHO Press,
2009a.
270
p.
Disponível
em:
<http://www.who.int/gpsc/5may/background/5moments/en/>Acesso em: 20 mar. 2013.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Hand hygiene technical reference manual: to be
used by health-care workers, trainers and observers of hand hygiene practices.Geneva:
WHO Press, 2009b. 31 p.
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MINSTÉRIO DA SAÚDE
Anexo 02: PROTOCOLO PARA PREVENÇÃO DE
ÚLCERA POR PRESSÃO*
Protocolo elaborado pela equipe técnica do PROQUALIS
Ministério da Saúde/ Anvisa/ Fiocruz
02/04/2013
Protocolo integrante do Programa Nacional de Segurança do Paciente.
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PROTOCOLO PARA PREVENÇÃO DE ÚLCERA POR PRESSÃO
1. Finalidade
Instituir e promover a prevenção da ocorrência de úlcera por pressão (UPP) e outras
alterações da pele.
2. Justificativa
Uma das consequências mais comuns, resultante de longa permanência em hospitais, é o
aparecimento de alterações da pele. Isso é ainda mais prevalente quanto maior for a combinação
de fatores de risco presentes, dentre eles, idade avançada e restrição ao leito.
A manutenção da integridade da pele dos pacientes internados tem por base o
conhecimento de medidas de cuidado relativamente simples. A maioria das recomendações para
avaliação e medidas preventivas podem ser utilizadas de maneira universal, ou seja, tem
validade tanto para a prevenção de úlcera por pressão (UPP) como para quaisquer outras
alterações da pele.
Diferentemente de boa parte das alterações da pele, a UPP tem sido alvo de grande
preocupação para os serviços de saúde, pois a sua ocorrência causa impacto tanto para os
pacientes e para suas famílias quanto para o próprio sistema de saúde com o prolongamento de
internações, riscos de infecção e outros agravos evitáveis.
Segundo dados da National Pressure Ulcer Advisory Panel (NPUAP), EUA, a
prevalência da UPP em hospitais é de 15% e a incidência é de 7%(1). No Reino Unido, casos
novos de UPP acometem de 4% a 10% dos pacientes admitidos em hospital (2). No Brasil,
embora existam poucos trabalhos sobre incidência e prevalência de UPP, um estudo realizado
em um hospital geral universitário evidenciou uma incidência de 39,81%(3).
As taxas de incidência e prevalência na literatura apresentam variações que se devem às
características dos pacientes e do nível de cuidado, diferenciando-se em cuidados de longa
permanência, cuidados agudos e home care:
Cuidados de longa permanência: as taxas de prevalência variam de 2,3% a 28% e as taxas
de incidência de 2,2 % a 23,9% (4).
Cuidados agudos: a taxa de incidência varia de 0,4% a 38% e a prevalência está em torno de
10 a 18%.(4)
Home care: a incidência varia entre 0% e 17% e a prevalência entre 0% e 29%(4).
12
UPPs causam dano considerável aos pacientes, dificultando o processo de recuperação
funcional, frequentemente causando dor e levando ao desenvolvimento de infecções graves.
UPPs também têm sido associadas a tempo de internação prolongado, sepses e mortalidade.
Apesar da maioria das UPPs ser evitável, estima-se que aproximadamente 600 mil pacientes em
hospitais dos EUA evoluam a óbito a cada ano em decorrência de complicações secundárias à
UPP. O custo total estimado do tratamento das UPPs nos EUA é de 11 bilhões de dólares por
ano(5).
3. Abrangência (Âmbito, Ponto de Cuidado, Local de Aplicação)
As recomendações para a prevenção aplicar-se-ão a todos os indivíduos vulneráveis e em
todos os grupos etários. As intervenções são destinadas aos profissionais de saúde
envolvidos no cuidado de pacientes e pessoas vulneráveis, que estão em risco de
desenvolver úlceras por pressão e que se encontram em ambiente hospitalar, em cuidados
continuados, em lares ou em outro lugar, independentemente do seu diagnóstico ou d a s
necessidades de cuidados de saúde(6).
4. Definição
4.1. Úlcera por pressão (UPP) é uma lesão localizada da pele e/ou tecido subjacente,
geralmente sobre uma proeminência óssea, resultante da pressão ou da combinação
entre pressão e cisalhamento(6). O O cisalhamento pressupõe a existência de fricção,
uma vez que é por esta causado(7). Outros fatores contribuintes e de confusão estão
associados à UPP, mas seu papel ainda não foi completamente esclarecido(6).
4.2. Cisalhamento - Deformação que sofre um corpo quando sujeito à ação de forças
cortantes(8).
4.3. O estadiamento das UPPs auxilia na descrição clínica da profundidade observável de
destruição tecidual(5).
4.3.1. Estágio I: Eritema não branqueável (6)
Pele intacta, com rubor não branqueável, numa área localizada, normalmente sobre uma
proeminência óssea. O estágio I pode ser difícil de identificar em indivíduos com tons de
pele escuros, visto que nestes o branqueamento pode não ser visível; a sua cor, porém, pode
ser diferente da pele ao redor. A área pode estar dolorida, dura, mole, mais quente ou
mais fria comparativamente ao tecido adjacente. Este estágio pode ser indicativo de pessoas
“em risco”.
13
4.3.2. Estágio II: perda parcial da espessura da pele (6)
Perda parcial da espessura da derme, que se apresenta como uma ferida superficial
(rasa) com leito vermelho – rosa sem esfacelo. Pode também se apresentar como flictena
fechada ou aberta, preenchida por líquido seroso ou sero-hemático. Apresenta-se como
uma úlcera brilhante ou seca, sem crosta ou equimose*. Este estágio não deve ser usada
para descrever fissuras da pele, queimaduras por abrasão, dermatite associada à
incontinência, maceração ou escoriações.
*Equimose é indicador de lesão profunda.
4.3.3. Estágio III: Perda total da espessura da pele (6)
Perda total da espessura tecidual. O tecido adiposo subcutâneo pode ser visível, mas
não estão expostos os ossos, tendões ou músculos. Pode estar presente algum tecido
desvitalizado (fibrina húmida), mas e s t e não oculta a profundidade da perda tecidual.
Pode incluir lesão cavitária e encapsulamento. A profundidade de uma úlcera de estágio
III varia d e a c o r d o com a localização anatômica. A asa do nariz, orelhas, região
occipital e maléolos não têm tecido subcutâneo (adiposo) e uma úlcera de estágio III pode
ser superficial. Em contrapartida, em zonas com tecido adiposo abundante podem
desenvolver-se úlceras por pressão de estágio III extremamente profundas. O osso e o
tendão não são visíveis ou diretamente palpáveis.
4.3.4. Estágio IV: Perda total da espessura dos tecidos (6)
Perda total da espessura dos tecidos com exposição dos ossos, tendões ou músculos.
Tecido desvitalizado (fibrina húmida) e/ou tecido necrótico podem estar presentes. A
profundidade de uma úlcera por pressão de estágio IV varia com a localização anatômica.
Frequentemente são cavitadas e fistulizadas. A asa do nariz, orelhas, região occipital e
maléolos não têm tecido subcutâneo (adiposo) e estas úlceras podem ser superficiais. Uma
úlcera de estágio IV pode atingir o músculo e/ou estruturas de suporte (i.e. fáscia, tendão
ou cápsula articular), tornando a osteomielite e a osteíte prováveis de acontecer. Existe
osso ou músculo visível ou diretamente palpável.
4.3.5. Outros estágios (6):
Inclassificáveis/Não graduáveis: Perda total da espessura da pele ou de tecidos –
profundidade indeterminada
Perda total da espessura dos tecidos, na qual a profundidade atual da úlcera está bloqueada
pela presença de tecido necrótico (amarelo, acastanhado, cinzento, verde ou castanho)
e/ou escara (tecido necrótico amarelo escuro, castanho ou preto) no leito da ferida. Até
que seja removido tecido necrótico suficiente para expor a base da ferida, a verdadeira
profundidade não pode ser determinada; é no entanto uma úlcera de estágio III ou IV.
14
Uma escara estável (seca, aderente, intacta e sem eritema ou flutuação) nos calcâneos,
serve como penso biológico natural e não deve ser removida.
4.4. Suspeita de lesão nos tecidos profundos
Área vermelho escuro ou púrpura localizada em pele intacta e descorada ou flictena
preenchida com sangue, provocadas por danos no tecido mole subjacente pela pressão e
ou forças de torção. A área pode estar rodeada por tecido mais doloroso, firme, mole,
húmido, quente ou frio comparativamente ao tecido adjacente. A lesão dos tecidos
profundos pode ser difícil de identificar em indivíduos com tons de pele escuros. A
evolução pode incluir uma flictena de espessura fina sobre o leito de uma ferida escura.
A ferida pode evoluir adicionalmente ficando coberta por uma fina camada de tecido
necrótico (escara). A sua evolução pode ser rápida expondo outras camadas de tecido
adicionais mesmo com o tratamento adequado.
5. Intervenções
A maioria das UPPs pode ser evitada através da identificação dos pacientes em risco e da
implantação confiável das estratégias de prevenção para todos os pacientes identificados como
de risco(5).
Os seis elementos essenciais de uma estratégia de prevenção de UPP são(5):
5.1. Avaliação de úlcera por pressão na admissão de todos os pacientes
A avaliação de admissão dos pacientes apresenta dois componentes: avaliação do risco de
desenvolvimento de UPP e avaliação da pele para detectar a existência de UPP.
A pronta identificação de pacientes em risco para o desenvolvimento de UPP, através da
utilização de ferramenta validada, permite a adoção imediata de medidas preventivas. A
avaliação do risco deve contemplar os seguintes fatores: mobilidade, incontinência, déficit
sensitivo, estado nutricional (incluindo desidratação). A escala de Braden é a ferramenta
utilizada mais amplamente, dentre as várias disponíveis.
Deve-se utilizar uma ferramenta apropriada nos casos de pacientes pediátricos, como por
exemplo, a escala de Braden Q.
5.2. Reavaliação diária de risco de desenvolvimento de UPP de todos os pacientes
internados
A complexidade e a gravidade dos pacientes internados resultam na necessidade de
reavaliação diária do potencial e do risco de desenvolvimento de UPP. A reavaliação diária
15
permite aos prestadores de cuidado de saúde ajustarem sua estratégia de prevenção conforme
as necessidades do paciente. O grau de risco, conforme especificado em várias ferramentas,
permite que os profissionais implantem estratégias mais customizadas para cada paciente.
5.3. Inspeção diária da pele
Pacientes hospitalizados podem apresentar deterioração da integridade da pele em questão de
horas. Em virtude da rápida mudança dos fatores de risco em pacientes agudamente
enfermos, a inspeção diária da pele é fundamental. Pacientes que apresentam risco de
desenvolvimento de UPP necessitam de inspeção diária de toda a superfície cutânea, da
cabeça aos pés. Deve ser dada atenção especial a áreas de alto risco para desenvolvimento de
UPP, como o sacro, o dorso, as nádegas, os calcanhares, os tornozelos e áreas submetidas à
pressão por dispositivos.
5.4. Manejo da Umidade: manter o paciente seco e com a pele hidratada
Pele úmida é propícia ao desenvolvimento de erupções cutâneas, é vulnerável e tende a se
romper mais facilmente. A pele deve ser limpa sempre que apresentar sujidade e em
intervalos regulares. O processo de limpeza deve incluir a utilização cuidadosa de um agente
de limpeza suave que minimize a irritação e a secura da pele. O tratamento da pele seca com
hidratantes têm-se demonstrado especialmente efetivo na prevenção de UPP.
Deve-se tomar cuidado para minimizar a exposição cutânea à umidade decorrente de
incontinência, transpiração ou secreção de feridas. Quando estas fontes de umidade não
puderem ser controladas, a utilização de fraldas e absorventes é recomendada, com o objetivo
de minimizar o contato da pele com a umidade. Agentes tópicos que atuam como barreiras
contra a umidade e hidratam a pele também podem ser utilizados.
5.5. Otimização da nutrição e da hidratação
A avaliação de pacientes com possível risco de desenvolvimento de UPP deve incluir a
revisão de fatores nutricionais e de hidratação. Pacientes com déficit nutricional ou
desidratação podem apresentar perda de massa muscular e de peso, tornando os ossos mais
salientes e a deambulação mais difícil. Edema e menor fluxo sanguíneo cutâneo geralmente
acompanham os déficits nutricionais e hídricos, resultando em lesões isquêmicas que
contribuem para as lesões na pele. Pacientes mal nutridos podem apresentar uma
probabilidade duas vezes maior de lesões cutâneas.
Líquidos, proteínas e ingesta calórica são importantes aspectos para a manutenção de um
estado nutricional adequado. Suplementos nutricionais podem ser necessários caso a ingesta
não seja suficiente. É recomendado que nutricionistas sejam consultados nos casos de
pacientes com desnutrição grave, a fim de avaliar e propor intervenções mais apropriadas.
16
5.6. Minimizar a pressão
A redistribuição da pressão, especialmente sobre as proeminências ósseas, é a preocupação
principal. Pacientes com mobilidade limitada apresentam risco maior de desenvolvimento de
UPP. Todos os esforços devem ser feitos para redistribuir a pressão sobre a pele, seja pelo
reposicionamento a cada 2 horas ou pela utilização de superfícies de redistribuição de
pressão.
O objetivo do reposicionamento a cada 2 horas é redistribuir a pressão e, consequentemente,
manter a circulação nas áreas do corpo com risco de desenvolvimento de UPP. A literatura
não sugere a frequência com que se deve reposicionar o paciente, mas duas horas em uma
única posição é o máximo de tempo recomendado para pacientes com capacidade circulatória
normal. O reposicionamento de pacientes de risco alterna ou alivia a pressão sobre áreas
suscetíveis, reduzindo o risco de desenvolvimento de úlcera por pressão. Travesseiros e
coxins são materiais facilmente disponíveis e que podem ser utilizados para auxiliar a
redistribuição. Quando utilizados de forma apropriada, podem expandir a superfície que
suporta o peso. Geralmente a pele dos pacientes em risco para UPP rompe-se facilmente
durante o reposicionamento; portanto, deve-se tomar cuidado durante este procedimento.
Superfícies de apoio específicas (como colchões, camas e almofadas) redistribuem a pressão
que o corpo do paciente exerce sobre a pele e os tecidos subcutâneos. Se a mobilidade do
paciente está comprometida e a pressão nesta interface não é redistribuída, a pressão pode
prejudicar a circulação, levando ao surgimento da úlcera.
Pacientes cirúrgicos submetidos à anestesia por período prolongado geralmente apresentam
risco aumentado de desenvolvimento de UPPs; portanto, todos estes pacientes (no momento
pré, intra e pós-operatório) devem receber avaliação de risco e da pele. Os prestadores de
cuidado de saúde devem implantar estratégias de prevenção, como garantir o
reposicionamento do paciente e sua colocação em superfícies de redistribuição de pressão,
para todos aqueles com risco identificado.
Implantar etapas 3-6 para todos os pacientes classificados como de risco nas etapas 1- 2
6. Recomendações consensuais e sistemas de classificação (Evidências)
As recomendações deste protocolo são graduadas com base no número de estudos, na
qualidade da pesquisa e na consistência de achados, tendo sido extraídas de:
Tabela 1. Nível de Evidência para Estudos Individuais(6)
Nível
1
Grandes estudos aleatórios com resultados claros (e baixo risco de erro).
17
2
3
4
5
Pequenos estudos aleatórios com resultados incertos (e risco de erro de moderado a
alto).
Estudos não aleatórios com controles concorrentes ou contemporâneos.
Estudos não aleatórios com controles históricos.
Estudo de caso sem controle. Específicar número de sujeitos.
Tabela 2. Escala de força de evidência para cada recomendação(6)
Força da evidência
A recomendação tem por base uma evidência científica direta, proveniente de
estudos controlados, adequadamente desenhados e implementados, em úlceras por
pressão em humanos (ou em humanos em risco de úlcera por pressão), que fornecem
resultados estatísticos que sustentam de forma consistente a recomendação (são
exigidos estudos de nível 1).
A recomendação tem por base evidência científica direta de estudos clínicos,
adequadamente desenhados e implementados, em úlceras por pressão em humanos (ou
em humanos em risco de úlceras por pressão), que fornecem resultados estatísticos que
sustentam a recomendação de forma consistente (estudos de nível 2, 3, 4 e 5).
A recomendação tem por base uma evidência indireta (i.e.,
estudos em sujeitos humanos saudáveis, humanos com outro tipo de feridas crônicas,
modelos animais) e/ou a opinião de peritos.
A
B
C
Tabela 3: Classificação de Nível de evidência por cada recomendação(9)
Nível
I
Resultados geralmente consistentes na maioria dos múltiplos estudos aceitáveis.
II
Recomendação fundamentada em um único estudo aceitável, ou resultados fracos ou
inconsistentes em múltiplos estudos aceitáveis.
III
Evidências científicas limitadas, que não atingem todos os critérios de aceitabilidade
dos estudos, ou ausência de estudos de boa qualidade diretamente aplicáveis. Isto inclui
a opinião de especialistas.
7. Procedimento Operacional
7.1. Avaliação e Reavaliação de Risco
Evidência: Use uma abordagem estruturada de avaliação de risco para identificar indivíduos em
risco de desenvolver UPP (Nível de Evidência C)(6).
Todo paciente deverá ser avaliado sistematicamente na admissão. Essa avaliação deve
levar em consideração as fragilidades, vulnerabilidades e fatores de risco para o
desenvolvimento de alterações da pele. Devem ser utilizadas escalas preditivas, com elevado
grau de confiabilidade e especificidade.
18
A avaliação do risco para desenvolvimento de UPP deverá ser executada através da
Escala de Braden Q, para crianças de 1 a 5 anos, e Escala de Braden, para pacientes com mais
de 5 anos
As escalas de Braden e Braden Q caracterizarão o paciente sem risco, com risco baixo,
moderado, alto ou muito alto para desenvolver UPP. A classificação do risco dá-se de maneira
inversamente proporcional à pontuação, ou seja, quanto maior o número de pontos, menor é a
classificação de risco para a ocorrência dessa lesão.
As escalas preditivas são, entretanto, um parâmetro que deve ser utilizado em
associação à avaliação clínica do enfermeiro. Assim, qualquer que seja o escore alcançado na
escala, a avaliação clínica deverá ser soberana perante a existência de fatores de risco para UPP
e de comorbidades inerentes ao desenvolvimento desta lesão cutânea. Um plano de cuidados
específicos para prevenção de alterações cutâneas, portanto, deve ser implementado(10).
A avaliação e a prescrição de cuidados com a pele é uma atribuição do enfermeiro,
sendo a participação da equipe multiprofissional na prevenção das alterações uma importante
contribuição para a prescrição e o planejamento dos cuidados com o paciente em risco. Poderão
ser necessários ajustes nutricionais, intervenções para auxiliar a mobilização ou mobilidade dos
pacientes, entre outras medidas – consultar anexos específicos da assistência da Nutrição,
Fisioterapia e Terapia Ocupacional.
7.2. Avaliação da pele
Evidência: Examine a pele do paciente cuidadosamente para identificar a existência de UPP
(Nível de Evidência C)(6).
Durante a admissão ou a readmissão, examine a pele do paciente cuidadosamente para
identificar alterações da integridade cutânea e úlceras por pressão existentes. Para uma
apropriada inspeção da pele, deve-se ter especial atenção às áreas corporais de maior risco para
UPP e regiões corporais com presença de sondas, tubos e drenos(10) .
A identificação das lesões da pele, como úlcera por pressão, devem ser feitas de acordo
com a definição e classificação internacional(11) , sendo que a avaliação por um enfermeiro
especialista ou médico pode auxiliar no diagnóstico diferencial. Fazer a distinção entre os tipos
de lesões (úlcera por pressão, úlcera arterial, úlcera venosa, úlcera neuropática e dermatites)
melhora o tratamento e gerenciamento do cuidado(10).
Evidência: Pode ser necessário o aumento da frequência da inspeção em razão da piora do
estado clínico do paciente (Nível de evidência B) (6).
19
A inspeção da pele deve ocorrer em intervalos pré-definidos, cuja periodicidade é
proporcional ao risco identificado. É necessário o registro apropriado e pontual das alterações
encontradas.
7.3. Medidas preventivas para úlcera por pressão conforme fatores preditivos
Após a identificação dos fatores preditivos e dos pacientes em risco para o
desenvolvimento de úlcera por pressão, o enfermeiro deve instituir cuidados essenciais com a
pele para a manutenção da integridade cutânea e a prevenção de úlcera por pressão.
7.3.1. Higienização e Hidratação da pele
Limpe a pele sempre que estiver suja ou sempre que necessário. É
recomendada a utilização de água morna e sabão neutro para reduzir a
irritação e o ressecamento da pele (12).
Use hidratantes na pele seca e em áreas ressecadas, principalmente após
banho, pelo menos 1 vez ao dia (Nível de Evidência B). A pele seca
parece ser um fator de risco importante e independente no
desenvolvimento de úlceras por pressão(6).
Durante a hidratação da pele, não massagear áreas de proeminências
ósseas ou áreas hiperemiadas. A aplicação de hidratante deve ser realizada
com movimentos suaves e circulares (Nível de Evidência B)(6).
A massagem está contra-indicada na presença de inflamação aguda e onde
existe a possibilidade de haver vasos sanguíneos danificados ou pele
frágil. A massagem não deverá ser recomendada como uma estratégia de
prevenção de úlceras por pressão (Nível de Evidência B)(6,12).
7.3.2. Manejo da umidade
Proteger a pele da exposição à umidade excessiva através do uso de
produtos de barreira, de forma a reduzir o risco de lesão por pressão. As
propriedades mecânicas do estrato córneo são alteradas pela presença de
umidade, assim como a sua função de regulação da temperatura (Nível de
Evidência C)(6). (6)
Controlar a umidade através da determinação da causa. Usar absorventes
ou fraldas)(6).
Quando possível, oferecer uma comadre ou papagaio nos horários de
mudança de decúbito(12).
Observação: Além da incontinência urinária e fecal, a equipe de enfermagem deve ter atenção a
outras fontes de umidade, como extravasamento de drenos sobre a pele, exsudato de feridas,
20
suor e extravasamento de linfa em pacientes com anasarca que são potencialmente irritantes
para a pele.
7.3.3. Nutrição
Notificar todos os indivíduos em risco nutricional ou em risco para úlcera
por pressão ao nutricionista a fim de instituir as medidas nutricionais
específicas (avaliar a necessidade calórica, vitamínica, minerais e demais
nutrientes) para a prevenção de UPP.
Avaliar e comunicar o nutricionista e a equipe médica sobre a presença de
sinais clínicos de desnutrição ou que podem predispor alterações no
estado nutricional: edema, perda de peso, disfagia, inapetência,
desidratação, entre outros. Na vigência de baixa aceitação alimentar
(<60% das necessidades nutricionais entre cinco a sete dias), discutir com
a equipe a possibilidade de sondagem (6).
Avaliar junto ao nutricionista e à equipe médica a necessidade de oferecer
suplementos nutricionais, com alto teor protéico, além da dieta habitual, a
indivíduos em risco nutricional e de úlcera por pressão (Nível de
evidência A).
O nutricionista deverá avaliar a necessidade de instituir as medidas
específicas nutricionais para a prevenção de UPP (vide anexo específico
para nutrição).
7.3.4. Materiais e equipamentos para redistribuição de pressão
a) Uso de colchões e camas na prevenção de UPP
Use colchões de espuma altamente específica em vez de colchões
hospitalares padrão, em todos os indivíduos de risco para desenvolver
UPP (Nível de evidência A)(6).
A seleção de uma superfície de apoio adequada deve levar em
consideração fatores como o nível individual de mobilidade na cama, o
conforto, a necessidade de controle do microclima, bem como o local e as
circunstâncias da prestação de cuidados (6,8). Todos os pacientes
classificados como “em risco” deverão estar sob uma superfície de
redistribuição de pressão (Nível de evidência C).
Não use colchões ou sobreposições de colchões de células pequenas de
alternação de pressão com o diâmetro <10cm (Nível de evidência C)(6).
Use uma superfície de apoio ativo (sobreposição ou colchão) para os
pacientes com maior risco de desenvolvimento de úlceras por pressão,
21
quando o reposicionamento manual frequente não é possível (Nível de
Evidência B)(6).
Sobreposições ativas de alternação de pressão e colchões de redistribuição
de pressão têm uma eficácia semelhante em termos de incidência de
úlceras por pressão (Nível de Evidência A)(6).
b) Uso de superfícies de apoio para a prevenção de úlcera por pressão nos
calcâneos
Os calcâneos devem ser mantidos afastados da superfície da cama (livres
de pressão) (Nível de evidência C)(6).
Os dispositivos de prevenção de UPP nos calcâneos devem elevá-los de
tal forma que o peso da perna seja distribuído ao longo da sua parte
posterior, sem colocar pressão sobre o tendão de Aquiles. O joelho deve
ter ligeira flexão (Nível de evidência C)(6).
Use uma almofada ou travesseiro debaixo das pernas (região dos gêmeos)
para elevar os calcâneos e mantê-los flutuantes (Nível de evidência B)(6).
Observação: A hiperextensão do joelho pode causar obstrução da veia poplítea, que pode
predispor a uma trombose venosa profunda(6).
c) Uso de superfície de apoio para prevenir úlceras por pressão na posição
sentada
Use um assento de redistribuição de pressão para os pacientes com
mobilidade reduzida e que apresentam risco de desenvolvimento de
úlceras por pressão quando estes estiverem sentados em uma cadeira
(Nível de evidência B). Almofadas de ar e espuma redistribuem melhor a
pressão, já as almofadas de gel e de pele de carneiro causam maior
pressão(6).
7.3.5. Mudança de decúbito ou reposicionamento
a) A mudança de decúbito deve ser executada para reduzir a duração e a
magnitude da pressão exercida sobre áreas vulneráveis do corpo (Nível de
evidência A). (6)
b) A frequência da mudança de decúbito será influenciada por variáveis
relacionadas ao indivíduo (tolerância tecidual, nível de atividade e
mobilidade, condição clínica global, objetivo do tratamento, condição
individual da pele, dor (Nível de evidência C) e pelas superfícies de
redistribuição de pressão em uso (Nível de evidência A)(6).
22
c) Avaliar a pele e o conforto individuais. Se o indivíduo não responde ao
regime de posicionamentos conforme o esperado, reconsiderar a
frequência e método dos posicionamentos (Nível de evidência C)(6).
d) A mudança de decúbito mantém o conforto, a dignidade e a capacitação
funcional do indivíduo (Nível de evidência C)(6).
e) Reposicionar o paciente de tal forma que a pressão seja aliviada ou
redistribuída. Evitar sujeitar a pele à pressão ou forças de torção
(cisalhamento). Evitar posicionar o paciente diretamente sobre sondas,
drenos e sobre proeminências ósseas com hiperemia não reativa. O rubor
indica que o organismo ainda não se recuperou da carga anterior e exige
um intervalo maior entre cargas repetidas (Nível de evidência C)(6).
f) O reposicionamento deve ser feito usando 30º na posição de semi-Fowler
e uma inclinação de 30º para posições laterais (alternadamente lado
direito, dorsal e lado esquerdo), se o paciente tolerar estas posições e a sua
condição clínica permitir. Evitar posturas que aumentem a pressão, tais
como o Fowler acima dos 30º, a posição de deitado de lado a 90º, ou a
posição de semi-deitado (Nível de Evidência C)(6,12).
g) Se o paciente estiver sentado na cama, evitar elevar a cabeceira a ângulo
superior a 30º, evitando a centralização e o aumento da pressão no sacro e
no cóccix (Nível de Evidência C)(6).
h) Quando sentado, se os pés do paciente não chegam ao chão, coloque-os
sobre um banquinho ou apoio para os pés, o que impede que o paciente
deslize para fora da cadeira (Nível de Evidência C). A altura do apoio
para os pés deve ser escolhida de forma a fletir ligeiramente a bacia para
frente, posicionando as coxas numa inclinação ligeiramente inferior à
posição horizontal(6).
i)
Restrinja o tempo que o indivíduo passa sentado na cadeira sem alívio de
pressão (Nível de Evidência B). Quando um indivíduo está sentado numa
cadeira, o peso do corpo faz com que as tuberosidades isquiáticas fiquem
sujeitas a um aumento de pressão. Quanto menor a área, maior a pressão
que ela recebe. Consequentemente, sem alívio da pressão, a UPP surgirá
muito rapidamente(6).
7.3.6. Medidas preventivas para fricção e cisalhamento
a) Elevar a cabeça da cama até no máximo 30º e evitar pressão direta nos
trocanteres quando em posição lateral. Limitar o tempo de cabeceira
elevada e não elevar acima de 30º, pois o corpo do paciente tende a
23
escorregar, ocasionando fricção e cisalhamento (Nível de Evidência C).
(6,12)
b)
A equipe de enfermagem deve usar forro móvel ou dispositivo mecânico
de elevação para mover pacientes acamados durante transferência e
mudança de decúbito. Sua utilização deve ser adequada para evitar o risco
de fricção ou forças de cisalhamento.
Deve-se verificar se nada foi
esquecido sob o corpo do paciente, para evitar dano tecidual (Nível de
Evidência C)(6,12).
c) Utilizar quadro balcânico para estimular o paciente a movimentar-se na
cama, quando necessário(12).
d) Avaliar a necessidade do uso de materiais de curativos para proteger
proeminências ósseas, a fim de evitar o desenvolvimento de úlcera por
pressão por fricção(12).
e) Observação: Apesar da evidência de redução de cisalhamento no
posicionamento da cabeceira até 30º, para os pacientes em ventilação
mecânica e traqueostomizados com ventilação não invasiva, é
recomendado decúbito acima de 30º para a prevenção de PAV
(pneumonia associada à ventilação).
7.4. Medidas preventivas para úlcera por pressão conforme classificação de risco
Os fatores de risco identificados na fase de avaliação fornecem informações para o
desenvolvimento do plano de cuidados. Segue abaixo as recomendações das medidas
preventivas conforme a classificação do risco: (12,13)
7.4.1. Risco baixo (15 a 18 pontos na escala de Braden)
 Cronograma de mudança de decúbito;
 Otimização da mobilização;
 Proteção do calcanhar;
 Manejo da umidade, nutrição, fricção e cisalhamento, bem como uso
de superfícies de redistribuição de pressão.
7.4.2. Risco moderado (13 a 14 pontos na escala de Braden)

Continuar as intervenções do risco baixo;

Mudança de decúbito com posicionamento a 30°.
7.4.3. Risco alto (10 a 12 pontos na escala de Braden)
Continuar as intervenções do risco moderado;
Mudança de decúbito frequente;
24
Utilização de coxins de espuma para facilitar a lateralização a 30º.
7.4.4.
Risco muito alto (≤ 9 pontos na escala de Braden)
Continuar as intervenções do risco alto;
Utilização de superfícies de apoio dinâmico (pequena perda de ar) se
possível;
Manejo da dor.
8. Estratégias de monitoramento e indicadores
Sugerem-se 3 indicadores de processo (1-3) e um indicador de resultado para a prevenção
da UPP
8.1. % Pacientes submetidos à avaliação de risco para UPP na admissão (5)
8.2. % Pacientes de risco recebendo cuidado preventivo apropriado para UPP(5).
8.3. % Pacientes recebendo avaliação diária para risco de UPP(5).
8.4. Incidência de UPP
9. Referências bibliográficas
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Virani, T et all. Risk Assessment and Prevention of Pressure Ulcers. RNAO, Toronto: 2005.
26
MINSTÉRIO DA SAÚDE
Anexo 03:PROTOCOLO PARA CIRURGIA
SEGURA*
*Protocolo elaborado pela equipe técnica do PROQUALIS
Ministério da Saúde/ Anvisa/ Fiocruz
02/04/2013
Protocolo integrante do Programa Nacional de Segurança do Paciente.
27
PROTOCOLO PARA CIRURGIA SEGURA
1. Finalidade
A finalidade deste protocolo é reduzir a ocorrência de incidentes e a mortalidade cirúrgica,
possibilitando a adequada realização de procedimento cirúrgico, no local correto e no paciente
correto, através do uso adequado da Lista de Verificação da Segurança Cirúrgica desenvolvida
pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
2. Justificativa
O volume anual de cirurgias de grande porte foi estimado entre 187 e 281 milhões, a partir de
dados de 56 países, o que representa, aproximadamente, uma operação para cada 25 seres
humanos por ano (1).. Na últimas décadas as técnicas cirúrgicas foram bastante aperfeiçoadas,
aumentando as oportunidades de tratamento de patologias complexas. No entanto, esses avanços
também aumentam de modo expressivo o potencial de ocorrência de erros que podem resultar
em dano para o paciente e levar à incapacidade ou à morte(2).
Revisão sistemática realizada em 2008 sobre a ocorrência de eventos adversos em pacientes
internados revelou que 1 em cada 150 pacientes hospitalizados morreu em consequência de um
incidente. O mesmo estudo encontrou que quase dois terços dos eventos adversos ocorridos em
ambiente hospitalar foram associados ao cuidado cirúrgico (3). As taxas de eventos adversos em
Cirurgia Geral variam, segundo diferentes estudos e métodos de avaliação, entre 2% e 30%(4).
Os problemas associados à segurança cirúrgica são bem reconhecidos nos países desenvolvidos,
mas menos estudados nos países em desenvolvimento. Há relatos internacionais de recorrentes e
persistentes ocorrência de cirurgias em locais errados, como nos pulmões e no cérebro, e de
pacientes que tiveram o rim, a glândula adrenal, a mama ou outro órgão sadio removido. A
atenção que tais eventos invariavelmente atraem na mídia abala a confiança do público nos
sistemas de saúde e nos profissionais de saúde que prestam o cuidado. Estima-se que as
cirurgias em local errado e no paciente errado ocorrem em cerca de 1 em 50.000 – 100.000
procedimentos nos Estados Unidos (EUA), equivalendo a 1.500 – 2.500 eventos adversos deste
tipo por ano (5)(6). Uma análise de eventos sentinelas relatados pela Joint Commission (JC), dos
EUA, entre 1995 e 2006, apontou que 13% dos eventos adversos relatados deviam-se a cirurgias
em sítios errados (7). A literatura corrobora com a suposição de que a cirurgia em local errado é
mais comum em certas especialidades, particularmente na cirurgia ortopédica. Em um estudo
com 1.050 cirurgiões da mão, 21% relataram ter realizado pelo menos uma cirurgia em local
errado em suas carreiras (8). Uma análise dos acionamentos de seguros para erro médico que
ocorreram após cirurgias ortopédicas mostraram que 68% derivaram de cirurgias em locais
errados(9).
A Lista de Verificação de Segurança Cirúrgica desenvolvida pela OMS apresenta 19 passos e
estrutura-se em etapas: uma prévia à indução anestésica, outra prévia à incisão cirúrgica e outra
que acontece antes de o paciente sair da sala cirúrgica. Existem evidências relevantes de que a
Lista de Verificação de Segurança Cirúrgica reduz complicações e salva vidas. Estudo realizado
em oito países encontrou uma redução de 11% para 7% da ocorrência de complicações em
pacientes cirúrgicos e uma queda de mortalidade de 1,5% para 0,8%. Um estudo holandês
28
mostra uma queda nas complicações entre pacientes cirúrgicos de 15,4% para 10,6% e da
mortalidade também de 1,5% para 0,8%. A Lista de Verificação foi aprovada por 25 países que
declararam ter mobilizado recursos para sua implementação e, em novembro de 2010, 1.788
hospitais no mundo haviam relatado estar a utilizando ativamente(10).
Nos últimos quatro anos, com o suporte da Agency for Healthcare Research and Quality
(AHRQ), dos EUA, um grupo de especialistas das áreas de qualidade do cuidado e segurança do
paciente, com um painel internacional com 21 stakeholders e demais pesquisadores, conduziram
uma abrangente e rigorosa revisão sistemática sobre a evidência científica do que denominaram
de Estratégias para a Segurança do Paciente (Patient Safety Strategies - PSSs). Indicaram a
implementação de 22 estratégias (soluções) que apresentam evidências suficientemente robustas
para melhorar a segurança. A implementação da Lista de Verificação de Segurança Cirúrgica
aparece nesta revisão como fortemente recomendada (11).
3. Abrangência
O protocolo deverá ser aplicado em todos os locais dos estabelecimentos de saúde em que
sejam realizados procedimentos, quer terapêuticos, quer diagnósticos, que impliquem em
incisão no corpo humano ou em introdução de equipamentos endoscópios, dentro ou fora do
centro cirúrgico, por qualquer profissional de saúde.
4. Definições
4.1. Incidente: evento ou circunstância que poderia ter resultado, ou resultou, em dano
desnecessário ao paciente (12).
4.2. Segurança do paciente: conjunto de ações que visa a redução, a um mínimo aceitável,
de risco de dano desnecessário associado ao cuidado em saúde(12).
4.3. Lista de Verificação: Lista formal utilizada para identificar, agendar, comparar e
verificar um grupo de elementos(13).
4.4. Demarcação de Lateralidade: demarcação do local ou locais a serem operados. Isto é
particularmente importante em casos de lateralidade (distinção entre direita e esquerda),
estruturas múltiplas (p.ex. dedos das mãos e dos pés, costelas) e níveis múltiplos (p.ex.
coluna vertebral).
4.5. Condutor da Lista de Verificação - profissional de saúde (médico ou profissional da
enfermagem), que esteja participando da cirurgia e seja o responsável por conduzir a
aplicação da lista de verificação, seguindo orientação da instituição de saúde.
4.6. Segurança Anestésica - inspeção formal do equipamento anestésico, e checagem dos
medicamentos e do risco anestésico do paciente antes da realização de cada cirurgia.
29
4.7. Equipe cirúrgica - equipe composta por cirurgiões, anestesiologistas, profissionais de
enfermagem, técnicos e outras pessoas da sala de operação envolvidas na cirurgia.
5. Intervenção
Muitos fatores concorrem para que um procedimento cirúrgico seja realizado de forma segura:
profissionais capacitados, ambiente, equipamentos e material adequados para a realização do
procedimento, conformidade com a legislação vigente, entre outros.
Este protocolo trata especificamente da utilização sistemática da Lista de Verificação de
Segurança Cirúrgica como uma estratégia para reduzir o risco de incidentes cirúrgicos. Baseiase na Lista de Verificação de Segurança Cirúrgica e no Manual desenvolvidos pela OMS(14)
A Lista de Verificação divide a cirurgia em três fases, antes da indução anestésica, antes da
incisão cirúrgica e antes do paciente sair da sala de operação, cada uma correspondendo a um
momento específico do fluxo normal de um procedimento cirúrgico.
30
Todas as instruções contidas neste protocolo deverão ser adequadas à realidade de cada
instituição, respeitando-se os princípios de cirurgia segura.
Para a utilização desta Lista de Verificação, uma única pessoa deve ser responsável por
conduzir a verificação dos itens nela contidos.
Em cada fase, o condutor da Lista de Verificação deve confirmar se a equipe completou suas
tarefas antes de prosseguir. Caso algum item checado não esteja conforme, a verificação deve
ser interrompida e o paciente mantido na sala de cirurgia até a solução da não conformidade.
Antes da indução anestésica, a pessoa que conduz a Lista de Verificação revisará verbalmente
com o paciente (sempre que possível) que sua identificação tenha sido confirmada, que o
procedimento e local da operação estejam corretos e que o consentimento para cirurgia e a
anestesia tenham sido dados. O condutor confirmará visualmente que o sítio cirúrgico seja o
correto e tenha sido demarcado e que um oxímetro de pulso esteja no paciente e funcionando. O
condutor também revisará verbalmente com o anestesiologista, o risco de perda sanguínea do
paciente, dificuldades nas vias aéreas, histórico de reação alérgica e se uma verificação
completa de segurança anestésica foi concluída.
Antes da incisão cirúrgica (Pausa Cirúrgica), cada membro da equipe se apresentará pelo nome
e função. Neste momento, a equipe fará uma pausa imediatamente antes da incisão cirúrgica
para confirmar que estão realizando a cirurgia certa no paciente certo, no sítio cirúrgico certo e
então, verbalmente, revisará uns com os outros, os elementos críticos de seus planos para a
cirurgia, usando as questões da Lista de Verificação como guia. Também confirmarão que
antimicrobianos profiláticos foram administrados nos últimos 60 minutos da incisão cirúrgica e
que os exames de imagens necessários estão visíveis.
Antes do paciente sair da sala de operação, a equipe revisará em conjunto a cirurgia realizada, a
conclusão da contagem de compressas, instrumentais e a identificação de qualquer amostra
cirúrgica obtida. Também revisará qualquer funcionamento inadequado de equipamentos ou
questões que necessitem serem solucionadas. Finalmente, a equipe revisará o plano de cuidado e
as preocupações a respeito da abordagem pós-operatória e da recuperação pós-anestésica antes
da remoção do paciente da sala de operação.
6. Procedimento operacional
6.1. Antes da indução anestésica
A etapa - antes da indução anestésica - requer a presença do anestesiologista e da equipe de
enfermagem. Segue o detalhamento de cada um dos procedimentos desta etapa:
6.2. O paciente confirmou sua identificação, sítio cirúrgico, procedimento e
consentimento.
O condutor da Lista de Verificação confirma verbalmente com o paciente sua identificação, o
tipo de procedimento planejado, o sítio cirúrgico e que o consentimento para cirurgia foi
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confirmado. Quando a confirmação pelo paciente não é possível, como no caso de crianças ou
pacientes incapacitados, um tutor ou familiar pode assumir esta função.
Os Termos de Consentimento Informados - cirúrgico e anestésico - devem ser assinados pelo
paciente ou seu representante legal, após os esclarecimentos feitos por médico membro da
equipe cirúrgica, antes do encaminhamento do paciente para o local de realização do
procedimento cirúrgico.
6.3. Sítio demarcado/ não se aplica
A identificação do sítio cirúrgico deve ser realizada por médico membro da equipe cirúrgica
antes do encaminhamento do paciente para o local de realização do procedimento cirúrgico.
Sempre que possível, tal identificação deverá ser feita com o paciente acordado e consciente,
que confirmará o local da intervenção. A instituição deve ter processos definidos por escrito
para como lidar com exceções, como, por exemplo, recusa documentada do paciente, de modo a
garantir a segurança cirúrgica.
O condutor deve confirmar se o cirurgião fez a demarcação do local da cirurgia no corpo do
paciente naqueles casos em que o procedimento cirúrgico envolve lateralidade, múltiplas
estruturas ou múltiplos níveis. Nestes casos a demarcação deve ser realizada no corpo do
paciente em local que indica a estrutura a ser operada com emprego de caneta dermográfica. O
símbolo a ser utilizado deve ser padronizado pela instituição e deve permanecer visível após
preparo da pele e colocação de campos cirúrgicos. Devem-se evitar marcas ambíguas como x,
podendo ser utilizado, por exemplo, o sinal de alvo para este fim.
6.4. Verificação de segurança anestésica concluída
O condutor completa a próxima etapa solicitando ao anestesiologista que confirme a conclusão
da verificação de segurança anestésica.
6.5. Oxímetro de pulso no paciente e em funcionamento
Antes da indução anestésica, o condutor confirma que um oxímetro de pulso foi posicionado no
paciente e que está funcionando corretamente.
6.6. O paciente é sabidamente alérgico?
O condutor deve perguntar se o paciente possui uma alergia conhecida, mesmo se o condutor
saiba a respeito da alergia. Em caso de alergia, deve confirmar se o anestesiologista tem
conhecimento se a alergia em questão representa um risco para o paciente. Se algum membro da
equipe cirúrgica tem conhecimento sobre uma alergia que o anestesiologista desconhece, esta
informação deve ser comunicada.
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6.7. O paciente tem uma via aérea difícil e risco de aspiração?
O condutor deve confirmar verbalmente com o anestesiologista se este avaliou objetivamente
se o paciente possui uma via aérea difícil. O risco de aspiração também deve ser levado em
consideração como parte da avaliação da via aérea.
6.8. 7. O paciente apresenta risco de perda sanguínea > 500 ml (7 ml/kg em crianças)?
O condutor pergunta ao anestesiologista se o paciente tem risco de perder mais de meio litro de
sangue durante a cirurgia a fim de assegurar o reconhecimento deste risco e garantir a
preparação para essa eventualidade.
7. Antes da incisão cirúrgica (Pausa Cirúrgica)
A Pausa Cirúrgica é uma pausa momentânea feita pela equipe logo antes da incisão cutânea a
fim de confirmar que as várias verificações essenciais para a segurança cirúrgica foram
empreendidas e que envolveram toda equipe.
7.1. Confirmar que todos os membros da equipe se apresentaram pelo nome e função
O condutor solicitará que cada pessoa na sala se apresente pelo nome e função. Nas equipes
cujos membros já estão familiarizados uns com os outros, o condutor pode apenas confirmar
que todos já tenham sido apresentados, mas quando ocorrer a presença de novos membros ou
funcionários que tenham se revezado dentro da sala de operação desde a última cirurgia estes
devem se apresentar.
7.2. O cirurgião, o anestesiologista e a equipe de enfermagem confirmam verbalmente a
identidade do paciente, o sítio cirúrgico e o procedimento a ser realizado.
Imediatamente antes da incisão cirúrgica, é conduzida uma nova confirmação pela equipe
cirúrgica do nome do paciente, do procedimento cirúrgico a ser realizado, do sítio cirúrgico e,
quando necessário, do posicionamento do paciente.
7.3. Eventos Críticos Previstos
O condutor da Lista de Verificação conduz uma rápida discussão com o cirurgião,
anestesiologista e enfermagem a respeito de riscos graves e planejamentos operatórios.
7.4. Revisão do cirurgião: quais são as etapas críticas e possíveis eventos críticos, duração
da cirurgia, perda sanguínea prevista?
O cirurgião informa à equipe quais são as etapas críticas e os possíveis eventos críticos e a perda
sanguínea prevista.
33
7.5. Revisão da equipe de anestesiologia: há alguma preocupação específica sobre o
paciente?
O anestesiologista deve revisar em voz alta o planejamento e as preocupações específicas para
ressuscitação cardiopulmonar. Informar também a sua intenção ou não de usar sangue,
componentes e hemoderivados; quaisquer comorbidades e características do paciente passíveis
de complicação (como doença pulmonar ou cardíaca, arritmias, distúrbios hemorrágicos, etc.).
7.6. Revisão da equipe de enfermagem: a esterilização foi confirmada (incluindo os
resultados dos indicadores)? Há questões relacionadas a equipamentos ou quaisquer
outras preocupações?
O instrumentador ou o técnico que disponibiliza o equipamento para a cirurgia deve confirmar
verbalmente que a esterilização foi realizada e que um indicador de esterilização mostrou
esterilização bem sucedida.
7.7. A profilaxia antimicrobiana foi realizada nos últimos 60 minutos antes da incisão da
pele?
O condutor perguntará em voz alta se os antimicrobianos profiláticos foram administrados
durante os últimos 60 minutos antes da incisão da pele. O membro da equipe responsável pela
administração de antimicrobianos (geralmente o anestesiologista) deve realizar a confirmação
verbal.
7.8. Os exames de imagem necessários estão visíveis?
O condutor deve perguntar ao cirurgião se exames de imagem são necessários para a cirurgia.
Em caso afirmativo, o condutor deve confirmar verbalmente que os exames necessários para
realização segura do procedimento cirúrgico estão na sala e expostos de maneira adequada para
uso durante a cirurgia.
8. Antes do paciente sair da sala de operação
8.1. O nome do procedimento registrado
O condutor deve confirmar com o cirurgião e a equipe exatamente qual procedimento
foi realizado.
8.2. Que as contagens de instrumentais, compressas e agulhas estejam corretas (ou
não se aplicam)?
O profissional de enfermagem ou o instrumentador deve confirmar verbalmente a conclusão
das contagens finais de compressas e agulhas. Nos casos de cirurgia com cavidade aberta, a
conclusão da contagem de instrumental também deve ser confirmada.
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8.3. Como a amostra está identificada (incluindo o nome do paciente)?
O profissional de enfermagem deve confirmar a identificação/etiquetagem correta de
qualquer amostra patológica obtida durante o procedimento pela leitura em voz alta do
nome do paciente, descrição da amostra com indicação anatômica do local de origem da
amostra e quaisquer indicações orientadoras.
8.4. Há algum problema com os equipamentos para serem resolvidos?
O condutor deve assegurar que os problemas com equipamentos que tenham ocorrido
durante a cirurgia sejam identificados, relatados e documentados pela equipe.
8.5. O cirurgião, o anestesiologista e o profissional de enfermagem revisam as medidas
fundamentais para a recuperação pós-operatoria do paciente
O cirurgião, o anestesiologista e o profissional de enfermagem devem revisar o plano de
recuperação pós-operatória, focando particularmente em questões anestésicas ou cirúrgicas
que possam interferir nesta recuperação.
9. Estratégias de monitoramento e indicadores
Percentual de pacientes que recebeu antibioticoterapia no momento adequado;
Número de cirurgias em local errado;
Número de cirurgias em paciente errado;
Número de procedimentos errados;
Taxa de mortalidade cirúrgica intrahospitalar ajustada ao risco.
Taxa de adesão à Lista de Verificação.
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