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universidade candido mendes pós
UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”
PROJETO A VEZ DO MESTRE
ÉTICA EMPRESARIAL
Delcio Moore Junior
Orientadora
Prof. Ana Claudia Morrissy
Rio de Janeiro
2010
2
UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”
PROJETO A VEZ DO MESTRE
ÉTICA EMPRESARIAL
Apresentação
Candido
de
Mendes
monografia
como
à
requisito
Universidade
parcial
para
obtenção do grau de especialista em Gestão em
Instituição Financeira.
Por: Delcio Moore Junior
3
AGRADECIMENTOS
A Deus por sua infinita bondade que
me deu força nos momentos mais
difíceis.
4
DEDICATÓRIA
Dedico a minha mãe que me ajudou a
formar meu caráter e a minha esposa e
minhas filhas pelo tempo que entreguei
ao projeto.
5
RESUMO
A manutenção de uma cultura ética deve estar assentada em
fundamentos sólidos – em especial o real convencimento dos colaboradores da
empresa sobre a necessidade da ética. Caso contrário, pode-se transformar
em mais uma dentre tantas ondas que se dissipam logo em seguida. A cultura
ética, sentida em sua real dimensão, faz com que as pessoas envolvidas
fiquem mais satisfeitas, confiantes, felizes, produtivas. Além disso, o ambiente
de trabalho fica mais agradável, as pessoas mais coesas e preocupadas em
serem mais justas, mais honestas, mais respeitosas. Um ambiente eticamente
mais saudável acaba por trazer incalculáveis benefícios para a empresa, tanto
interna quanto externamente. A produtividade aumenta e a imagem da
empresa perante a sociedade só tende a melhorar.
Diversas são as razões para que uma organização implemente um
programa de ética. Dentre elas podemos citar: exigências de mercado;
sobrevivência; credibilidade; boa imagem; competitividade; responsabilidade
social; concorrência etc.
Diante disso proporcionaremos uma visão geral sobre Ética partindo da
origem da palavra, seus princípios e a forma com que o Código de Ética vem
sendo implantado nas empresas.
6
METODOLOGIA
A pesquisa será bibliográfica, pois utilizará dados coletados de fonte
primária ou secundária, para conceber o embasamento teórico. As informações
serão coletadas através de publicações (impressas ou em meio eletrônico) e
livros.
7
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO
08
CAPÍTULO I
ÉTICA
10
CAPÍTULO II
GESTÃO ÉTICA
20
CAPÍTULO III
ÉTICA PROFISSIONAL
31
CONCLUSÃO
39
BIBLIOGRAFIA
40
ÍNDICE
41
8
INTRODUÇÃO
Atualmente, nas instituições financeiras, é exigido dos seus funcionários
o cumprimento de metas abusivas na comercialização de produtos e serviços
bancários que muitas das vezes vão de encontro às necessidades de seus
clientes.
A credibilidade de uma instituição é o reflexo da prática efetiva de
valores como a integridade, honestidade, transparência, qualidade do produto,
eficiência do serviço, respeito ao consumidor, entre outros.
Em maior ou em menor grau, todos nós temos uma consciência moral
que nos leva a avaliar as nossas ações, como ações boas ou más, justas ou
injustas, corretas ou não.
Em situações como esta, os indivíduos se defrontam com a necessidade
de pautar o seu comportamento por normas que se julgam mais apropriadas ou
mais dignas de ser cumpridas. Estas normas são aceitas intimamente e
reconhecidas como obrigatórias.
Os valores morais acabam ditando o que devemos fazer em
determinada situação. A convivência com outras pessoas é imprescindível e a
ética tende a regular nossas relações nos diversos grupos, inclusive no
ambiente de trabalho, onde as regras constituem a Ética Profissional. Percebese claramente a necessidade de criar um relacionamento mais ético no mundo
dos negócios para que a empresa possa sobreviver e, obviamente, obter
vantagens competitivas.
9
A sociedade como um todo também se beneficia deste movimento. Eis a
razão da crescente preocupação, entre os empresários, com a adoção de
padrões éticos para suas organizações.
Ter padrões éticos significa ter bons negócios a longo prazo. Bons
negócios dependem essencialmente do desenvolvimento e manutenção de
relações de longo prazo e falhas éticas levam as empresas a perderem clientes
e fornecedores importantes, dificultando o estabelecimento de parcerias, cada
vez mais comuns e vitais nos dias de hoje.
A reputação das empresas e organizações é um fator primário nas
relações comerciais, formais ou informais, quer estas digam respeito à
publicidade, ao desenvolvimento de produtos ou a questões ligadas aos
recursos humanos.
Nas atuais economias nacionais e globais, as práticas empresariais dos
administradores afetam a imagem da empresa para qual trabalham. Assim, se
a empresa quiser competir com sucesso, será importante manter uma sólida
reputação de comportamento ético.
Vale lembrar que o melhor negócio é nunca perder negócios. O grau de
confiança está em jogo diariamente. Um deslize neste campo é mais grave que
um erro técnico. Afinal a técnica pode recuperar um erro. Já a honestidade é
uma obrigação, que se não cumprida precisará de mais provas do que uma
engrenagem funcionando.
O mercado, como expressão da sociedade, está cada dia mais
consciente e crítico das atitudes empresariais, e disposto a "premiar" ou
"condenar" práticas éticas e socialmente responsáveis.
10
A falta de ética não pode ser substituída pela competência na venda e
entrega de um determinado produto ou serviço. Essa competência não tem
sentido se os clientes não confiam na empresa. E um deslize ético rompe
facilmente essa confiança que pode ter sido construída em uma relação de
longuíssimo prazo.
Credibilidade se constrói ou destrói nos detalhes. Leva tempo.
Credibilidade é resultado de ações concretas e não de discursos e
propagandas.
Objetivamos com este estudo demonstrar a possibilidade de aliar lucro a
valores pessoais para que a imagem da empresa seja cada vez melhor perante
uma sociedade cada vez mais exigente.
CAPÍTULO I
ÉTICA
1.1
Origem e conceito
A ética é a teoria ou ciência do comportamento moral dos homens em
sociedade, ou seja, é a ciência de uma forma específica de comportamento
humano.
Moral vem do latim mos ou mores, que significa costume, no sentido de
conjunto de normas ou regras adquiridas por hábito. A moral se refere, assim,
ao comportamento adquirido ou modo de ser conquistado pelo homem.
11
Ética vem do grego ethos, que significa analogamente modo de ser ou
caráter enquanto forma de vida também adquirida ou conquistada pelo homem.
Assim, ethos e mos, caráter e costume, assentam-se num modo de
comportamento que não corresponde a uma disposição natural, mas que é
adquirido ou conquistado por hábito.
É de extrema importância saber diferenciar a Ética da Moral. Estas duas
ciências de conhecimento se diferenciam, mas têm grandes interligações.
A Moral baseia-se em regras que fornecem uma certa previsão sobre os
atos humanos. A Moral estabelece regras, que devem ser assumidas pelo
homem, como uma maneira de garantia do seu bem-viver. A Moral garante
uma identidade entre pessoas que podem até não se conhecer, mas utilizam
uma mesma referencia de moral entre elas.
A Ética é um estudo amplo do que é bom e do que é mau. O objetivo da
Ética é buscar justificativas para o cumprimento das regras propostas pela
Moral. É diferente da Moral, pois não estabelece regras. A reflexão sobre os
atos humanos é que caracterizam o ser humano ético.
A ética teve sua origem ainda na antiguidade quando os filósofos a
compreendiam como um meio de se alcançar o bem estar e a felicidade.
Diversas opiniões sobre o que é bom e o que constitui uma obrigação levaram
os filósofos a se dividirem em duas vertentes:
A universalidade dos princípios éticos que afirmam que existem normas
universais que não se alteram com o tempo e se aplicam a todos os indivíduos.
E a ética da situação que sugerem que o julgamento dos valores éticos
depende das circunstancias e não de uma lei.
12
“É um habito normal achar que todo mundo deve agir
como agimos e que a verdade só esteja conosco, mas tal
forma de entender cria quase sempre distâncias entre as
pessoas, mesmo com as de maior intimidade.” (Sá, 2008,
p.23)
Em suas investigações sobre as questões do bem e do mal, da virtude e
do vício, Aristóteles empregou ética com o sentido de reflexão sobre as
propriedades do caráter. “O homem quando guiado pela ética, é o melhor dos
animais; quando sem ela é o pior de todos.” (Aristóteles 384-322 a.C.). Sem
duvida estas investigações teóricas não deixam de ter conseqüências práticas,
porque, ao se definir o que é bom, se está traçando um caminho geral onde o
individuo pode orientar a sua conduta nas diversas situações particulares.
1.2
Princípios éticos
Ao nascer, já encontramos regras de conduta moral às quais nos
adequamos por meio da educação. Normalmente, não avaliamos essas regras,
mas, simplesmente, as aceitamos ou recusamos.
“O existir é um relacionar-se inicialmente consigo
mesmo, mas, igualmente, com os nossos semelhantes
próximos, classes, sociedade, nação, natureza e também
com o cosmo. Tal fato requer competência que se deriva
de um pleno conhecimento de si e do ser humano, assim
como de uma visão holística sobre o sentido de existir
dentro de um Universo como um todo.” (Sá, 2008, p.20)
13
Para que possamos classificar os atos humanos na perspectiva da ética,
é preciso que sejam preenchidos três requisitos básicos, que se constituem nas
condições transcendentais de qualquer ato na esfera ética, já que, com maior
ou menor intensidade, antecedem e acompanham sua prática.
1.2.1 Liberdade
Os atos humanos devem ser praticados livremente. Só pode ser
avaliado do ponto de vista ético como bom ou mau, justo ou injusto, o ato
praticado com liberdade. A liberdade envolvida no agir ético não é a liberdade
física, política, civil ou econômica. É a liberdade que se dá no âmbito da
consciência. Portanto, a liberdade é a condição primitiva da vida ética.
1.2.2 Consciência ou conhecimento
Os atos humanos devem ser praticados com um grau maior ou menor de
conhecimento do que estamos fazendo. Ainda que, de certo modo, essa
condição já esteja presente na anterior, há situações em que podem ocorrer
erros de avaliação ou falta de consciência do que estamos fazendo ou por
fazer.
“De forma singela poderia admitir-se a “consciência”
como a percepção entre cada pessoa e seu ambiente,
incluindo,
também,
a
já
referida
“pré-consciência”
construída de memórias inseridas no ADN (ou DNA com
se vulgarizou por influência anglo-saxônica) e transferidas
na geração do ser.” (Sá, 2008, p. 17)
14
Há casos em que o ato é praticado com a intenção de fazer o bem,
contudo, por desconhecimento ou por erro de avaliação, acabamos provocando
o mal. Por exemplo: Com base nas informações fornecidas por um médico,
alguém dá um remédio com a intenção de ajudar, mas acaba piorando a
situação do doente.
Há outras situações em que os atos praticados acontecem sem que o
autor tenha consciência daquilo que está fazendo. É o caso do sonâmbulo, da
criança ou dos portadores de algum transtorno mental.
Para que um ato seja realmente livre, é preciso que tenhamos
conhecimento e consciência sobre as implicações éticas do que estamos
fazendo.
1.2.3 Norma
Deve existir uma norma que indique o que deve ou não ser feito em
determinada ocasião. A liberdade absoluta, não dirigida por norma alguma,
está fora dos limites da ética.
A avaliação de um ato ético deve sempre levar em conta se o ato está
sendo praticado livremente; se há conhecimento e consciência do que estamos
fazendo; se há alguma norma ética indicando como devemos proceder em
determinada situação.
15
1.3
Valores éticos
Por estarem a nós vinculados, os valores éticos também são
riquíssimos. Os valores éticos emergem dos diversos modos como a pessoa se
coloca no mundo, de como se relaciona consigo mesma e como se relaciona
com os outros.
Ser ético significa respeitar os múltiplos modos de ser e aparecer da
pessoa, tanto em sua face individual, no papel de membro da sociedade e nas
atividades profissionais.
Como existe uma grande variedade de dimensões da pessoa, podemos
elaborar uma lista extensa de valores éticos.
Os estudiosos concordam que há alguns valores éticos indispensáveis e
insubstituíveis.
A cada um dos valores corresponde um princípio ético, ou seja, um
imperativo, um comando, um convite à ação. Vejamos quais são:
1.3.1 Justiça
A percepção do valor da justiça baseia-se no profundo respeito ao ser
humano. Para tanto, podemos ir além do que determinam a lei e as
convenções sociais.
16
O valor da justiça está ligado a uma especial consideração pela própria
dignidade, e isso só é possível mediante a probidade, a honradez e a decência.
O valor relativo à justiça relaciona-se com a vontade constante e
perpétua de dar a cada um o que é seu, ou seja, o que lhe é apropriado como
pessoa. Como princípio ético, ser justo, além de respeitar as determinações
legais em favor do outro, é fazer o possível para garantir ao outro os direitos
fundamentais à vida, à liberdade, à verdade, à dignidade.
1.3.2 Honestidade
Ser honesto leva-nos a agir conforme o sentido do dever, mesmo que
venhamos a desagradar o outro.
O valor relativo à honestidade diz respeito ao apreço pelas ações boas.
Significa afirmar a si mesmo na luta em prol de valores nobres e elevados. Por
um lado, pode significar o sacrifício de privilégios e regalias, mas, por outro,
garante a consciência tranqüila e a satisfação pelo que fazemos.
1.3.3 Amor
O amor é um valor iluminador, pois permite perceber outros valores
ligados à nossa dignidade.
“Não existe amor que se perca nem conhecimento
inútil. Existe, sim, o perdido que não sabe amar e o inútil
que não sabe se utilizar do conhecimento. [...] todos os
17
caminhos podem conduzir ao acerto quando a disposição
é acertar.” (Sá, 2007, p.24)
O valor referente ao amor está ligado ao reconhecimento do outro como
pessoa. Como princípio ético, amar significa tratar o próximo com liberdade e
dignidade.
1.3.4 Prudência
O valor da prudência está ligado ao verdadeiro, ao conhecimento, à
razão. Ser prudente não é, simplesmente, evitar os perigos, nem é medo ou
covardia. O valor referente à prudência aponta para a capacidade de
deliberação correta sobre o que é bom ou mau para o homem em determinada
situação. Como princípio ético, ser prudente é optar, firmemente, pelo que é
necessário escolher e pelo que é necessário evitar.
1.3.5 Liberdade
É o poder de cada um de decidir ou agir segundo a própria
determinação. Se nossa autodeterminação implica a limitação da liberdade do
outro, não se trata de liberdade, mas de forma disfarçada de controle ou de
opressão. O valor da liberdade somente acontece quando se dá de forma
mútua.
Segundo Sá (2007) “Apenas quando a liberdade do espírito se associa à
da vontade, o ser humano pode considerar-se realmente livre; mas, enquanto
aquela é natural, esta é dependente.”
18
O valor correspondente à liberdade baseia-se na capacidade de o
homem se determinar diante das limitações, inclusive, daquelas decorrentes do
convívio com os demais.
Como princípio ético, ter liberdade é respeitar o outro como sujeito livre e
capaz de se determinar.
1.3.6 Responsabilidade
Situação de um ser em relação aos atos que ele pratica voluntariamente.
A liberdade sem os limites impostos pela responsabilidade transforma-se
em liberalidade, provocando o caos tanto na esfera pessoal quanto na esfera
do convívio social.
A responsabilidade implica um mínimo de consciência sobre as
conseqüências dos atos praticados ou por praticar. O valor relativo à
responsabilidade trabalha com a correlação que se estabelece entre um ato
livremente praticado e os efeitos que produz sobre os outros e sobre a
realidade em geral.
Como princípio ético, ser responsável significa ser conseqüente, assumir
os benefícios e o ônus decorrentes da condição em que estamos, da função
que ocupamos, de uma decisão tomada.
19
1.3.7 Sinceridade
Qualidade que se expressa sem artifício, sem intenção de enganar,
demonstrando franqueza e lealdade. O valor referente à sinceridade
corresponde ao amor à verdade, diretamente ligado à autenticidade para
consigo mesmo e para com os outros.
Como princípio ético, ser sincero significa evitar tanto a incorreta autoavaliação quanto o falso testemunho e o perjúrio, capazes de levar um inocente
à condenação ou ao desprezo.
1.3.8 Respeito
O valor relativo ao respeito preza a especificidade e a unicidade de cada
pessoa. Como princípio ético, respeitar é reconhecer o outro como diferente,
como alguém dotado de características próprias e capaz de tomar decisões
que, caso não atentem contra a ética, devem ser respeitadas.
Merecemos respeito, independentemente de nossa religião, de nossas
características físicas especiais, de nossas opções sexuais. Onde há respeito,
as diferenças individuais se transformam em riqueza.
O cultivo dos valores e o respeito aos princípios que deles resultam são
imprescindíveis para que possamos falar, seriamente, de ética. De outro modo,
o discurso ético torna-se vazio.
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CAPITULO II
GESTÃO ÉTICA
Os valores éticos precisam ser cultivados em todos os âmbitos da vida
humana: em casa, na rua, na igreja e também no ambiente de trabalho. Todas
as ações éticas no ambiente empresarial devem brotar de um convencimento
sincero por parte dos envolvidos – alta administração, administração,
colaboradores e partes relacionadas. Quando impulsionadas somente por
interesses de outra natureza, como os econômicos ou políticos, tais ações
tendem ao fracasso.
Já para Aguilar (1996) essas ações éticas devem ser iniciadas pela alta
administração. Para este autor,
“... colocar pessoas de bom caráter em posições de
autoridade pode beneficiar a vida da empresa através do
tom moral que elas estabelecem, como papéis a imitar.
Repetidamente, indivíduos em todos os níveis recordam
como seu pensamento sobre ética empresarial foi
modelado por um chefe, não raro o primeiro.” (Aguilar,
1996, p. 133).
2.1 Cultura Organizacional Ética
A empresa que pretende ser socialmente responsável não pode
prescindir da implementação de uma cultura organizacional ética. A cultura
organizacional de uma empresa engloba valores nela cultivados e princípios
por ela adotados. Funciona como uma espécie de guia, sugerindo aos que
21
ingressam ou aos que já se encontram na empresa, como devem pensar e
como devem agir. Por isso, a cultura organizacional também pode ser
classificada como a ideologia da empresa.
De certo modo, a cultura organizacional acaba por moldar um jeito de
fazer as coisas, permitindo que colaboradores de uma empresa sejam
reconhecidos, que determinados padrões de procedimentos sejam instalados e
aceitos.
Os valores e princípios indicam comportamentos que se esperam dos
que dela fazem parte. Os padrões comportamentais estabelecidos ao longo do
tempo exercem forte influência sobre o comportamento dos que atuam na
empresa.
2.2 Ética nas Empresas
Muitos são os interessados em economia, ciência e arte, num mundo
onde o dinheiro, a tecnologia e a beleza aparecem como valores supremos, a
moral tem sido colocada em plano secundário, se é que tem sido considerada
em alguma escala.
Na sociedade moderna, lamentavelmente, o sucesso econômico passou
a ser a medida de todas as coisas. Apenas a riqueza e a beleza contam e
separam os vencedores dos excluídos. O caráter não é conversível em moeda.
Assim, o que é uma boa conduta e que condições devem cumprir as
instituições humanas para moralizar o indivíduo, são questões que não têm
22
despertado interesse ou conquistado espaço num mundo em que a maioria das
pessoas é materialista e individualista e, por isso, pouco responsável e
solidária.
Se a empresa, como espaço social, produz e reproduz esses valores,
ela se torna importante em qualquer processo de mudança de perspectiva das
pessoas; tanto das que nela convivem e participam, quanto daquelas com as
quais essas pessoas se relacionam.
Assim, quanto mais empresas tenham preocupações éticas mais a
sociedade na qual essas empresas estejam inseridas tenderão a melhorar no
sentido de constituir um espaço agradável onde as pessoas vivam realizadas,
seguras e felizes.
A questão é que, embora a empresa como organização possa ser um
agente moral, na verdade quem tem ou deixa de ter comportamento ético são
as pessoas que a dirigem e que nela trabalham. É difícil separar a pessoa da
instituição.
O exemplo mais banal é a participação das empresas em entidades de
qualquer natureza. O representante da empresa nessas entidades é tomado
como se fosse a própria empresa e assim são consideradas suas declarações
e opiniões. Por uma manifestação infeliz, ninguém diz que alguém é um mau
representante da empresa. A referência, no caso, é sempre à empresa
representada. Bons dirigentes e funcionários, por outro lado, difundem a
imagem de sua empresa como sendo boa. Por isso há uma preocupação cada
vez maior das empresas quando designam aqueles que devam representá-las
externamente.
23
O objetivo do tema é colocar a importância da reflexão ética no momento
em que a sociedade brasileira passa por grandes mudanças; no momento em
que as empresas se reformam e se transformam para sobreviver a essas
mudanças e atender melhor seus consumidores. Aliás, se as empresas
agissem sempre com ética os consumidores não estariam livres de problemas
com os produtos e serviços que consomem, mas estariam seguros que tais
ocorrências seriam sempre obra do acaso e não de qualquer ato de má fé.
Assim, hoje, para terem sucesso continuado, o desafio maior das
empresas é ter uma ética interna que oriente suas decisões e permeie as
relações entre as pessoas que delas participam e, ao mesmo tempo, um
comportamento ético inequivocamente reconhecido pela comunidade.
2.3 Ética e sistema econômico.
O sistema econômico é o fator mais determinante de toda a ordem
social. É o principal gerador dos problemas, assim como das soluções éticas. O
fato de o sistema econômico parecer ter vida própria, independente da vontade
dos homens, contribui para ofuscar a responsabilidade ética dos que estão em
seu comando.
O sistema econômico mundial, do ponto de vista dos que o comandam,
é uma vasta e complexa rede de hábitos consentidos e de compromissos
reciprocamente assumidos, o que faz parecer que sua responsabilidade ética
individual não exista.
24
A globalização do sistema econômico cria a ilusão de que ele seja
legítimo. As multidões crescentes de desempregados, famintos e excluídos,
entretanto, são a demonstração dessa ilusão.
A moral dominante do sistema econômico diz que, pelo trabalho,
qualquer indivíduo pode ter acesso à riqueza. A crítica econômica diz que a
reprodução da miséria econômica é estrutural.
A ética diz que, sendo assim, exigem-se transformações radicais e
globais na estrutura do sistema econômico.
2.4 Ética e Economia de Mercado
Há algum tempo, temas relacionados com a ética vêm merecendo
particular atenção. Desde sempre, atribuições de culpa moral fazem parte do
debate público. Não se trata apenas da liberdade formal. Ética de
responsabilidade e ética moral constituem uma unidade.
Por estes motivos é necessário e útil examinar questões de ética e
economia de mercado. Não se trata de limitação unilateral da atividade
econômica por diretrizes éticas, mas do fato do relacionamento entre um
sistema econômico e seus efeitos sobre cidadãos e sociedade representar uma
área de problemas e conflitos. Inicialmente, gostaria de examinar mais de perto
o tema da atividade econômica. Freqüentemente se fala de ordem econômica,
constituição econômica, sistema econômico, de economia de mercado e
economia social de mercado. Precisamos partir primeiro do fato simples que
toda sociedade humana tem de resolver problemas econômicos, oriundos das
25
necessidades da vida. Entretanto, há discrepâncias entre a necessidade e a
satisfação da mesma.
Uma imagem do homem faz parte da atividade econômica humana. Não
é a única imagem do homem, mas uma imagem, uma noção da atividade
humana na economia que precisa ser desenvolvida. É preciso saber quais os
elementos básicos do comportamento econômico do homem que entram em
jogo. Onde homens convivem, é preciso ordenar sua convivência, mormente na
economia e política.
Conseqüentemente podemos falar, para o conjunto da sociedade, de
ordem jurídica do Estado, ordem cultural, ordem econômica e social. A
atividade econômica é baseada na ordem econômica, que abrange o conjunto
de regras e normas necessárias para a estrutura organizacional da economia e
os processos econômicos.
No sentido instrumental, a noção não faz referência a valor por apenas
descrever uma ordem existente da economia nacional. A interdependência se
intensifica precisamente na fase atual do desenvolvimento internacional. A
divisão internacional do trabalho é elemento da maior relevância nas relações
econômicas internacionais.
Numa ordem econômica organizada para a divisão do trabalho ocorre
constantemente a troca de inúmeros bens e serviços por dinheiro. Esta troca
somente se torna possível na presença de instituições apropriadas, os
mercados, da feira da esquina à bolsa de valores. O meio de troca é o dinheiro,
condição da divisão do trabalho na economia.
26
A ordem jurídica comporta juízos de valores, determina direitos
individuais e regras de comportamento da sociedade. Questões como o regime
da propriedade privada, regras de concorrência ou grau de proteção jurídica
são elementos importantes da economia de mercado, o que, entretanto, implica
grande número de problemas éticos.
É realmente uma função das mais importantes de uma ordem
econômica. Resulta outra vez relação entre sistema político e ordem
econômica. Este relacionamento não resulta somente dos requisitos objetivos
da atividade econômica, mas ainda do fato que somente juntas política e
economia podem garantir a estabilidade de uma ordem social. A aprovação da
democracia, o consenso democrático, nasce da sensação de ser tratado com
razoável grau de justiça e de participar em grau razoavelmente equitativo dos
êxitos e resultados de democracia e economia de mercado.
Numa ordem de economia social de mercado, por exemplo, é evidente
que a parte preponderante da propriedade dos meios de produção não pode
pertencer ao Estado.
A ação econômica é livre nas suas decisões econômicas.
A situação é diferente quando a maior parte dos meios de produção se
encontra nas mãos do Estado. Uma ordem econômica também inclui influência
política. A falta de liberdade de consumo e produção limita o desenvolvimento
da personalidade.
A uma ordem econômica ainda cabe atribuição na configuração política
da sociedade. A ordem econômica é parte da ordem social global. Em outras
palavras: a economia social de mercado é a ordem de atividade econômica
num sistema de democracia liberal. Compõe-se de instituições e normas que
27
contribuem à realização de metas econômicas e de política social por
intermédio da atividade econômica.
A ética é reflexão teórica a respeito. Assim sendo, a ação do homem é
determinada substancialmente pela interação. O homem sempre age com
referência a outros e no contexto da sociedade. Surge assim o étos da ação.
Resulta a reflexão a respeito desta situação, que passa a se expressar na
ética. Evidentemente se trata também da relação funcional econômica bem
como das demais relações do econômico com outros elementos da sociedade.
A ética econômica diz respeito ao conteúdo moral de decisões em situações de
interação econômica. Enfim, a ética econômica somente se torna concreta
quando comportamento e ação precisam determinar moralmente problemas e
situações concretos.
Na economia, uma ética do dever pode ter relação com ética de bens ou
ética de virtude. A ética individual precisa ser vista em relação à ética social.
Num caso se trata do próprio indivíduo, num outro, da sociedade. Na ética do
dever trata-se de saber qual a orientação moral a adotar para determinado
comportamento.
Na ética de bens trata-se da decisão moral de saber se determinada
qualidade ou untuosidade de um produto, talvez também seu custo de
fabricação, é compatível com a própria reflexão ética.
Antes de tudo pretende a ética econômica contribuir ao exame da
qualidade ética do sistema de regras que prevalece numa ordem econômica
existente de fato. O decisivo na avaliação ética da economia social de mercado
é saber se ela garante os princípios fundamentais de justiça nas condições de
poder, distribuição e concorrência.
28
Entretanto, é preciso que a ética seja calculável. Economia e ação
econômica não podem prescindir da moral. É legítimo falar de ética da
empresa. Em última análise não se trata apenas do comportamento do
empresário, mas também de ética estrutural. Refere-se à própria empresa.
Para tanto, as indicações que seguem: A ética de virtude é responsabilidade
dos executivos.
Precisam, por exemplo, estudar a aplicação correta da legislação. A
ética de virtude ainda precisa ser vista no contexto da cultura da empresa. O
primeiro se caracterizaria por lógica própria da ética econômica. Trata-se das
finalidades gerais que presidem à configuração concreta da natureza humana.
Na sua formulação, reside neste nível o imperativo segundo o qual "o bem
comum é superior ao bem próprio".
No segundo nível da ética econômica se pergunta pela tendência efetiva
de comportamentos do homem ao lidar com bens inerentes à economia.
Questões da parceria social, livre negociação salarial, formação de preços
justos e problemas monetários e do crédito são problemas isolados relevantes
para a organização do processo econômico.
Cabe referir-se a mais um aspecto ligado à ética econômica, ou seja, o
de modelos de ética econômica atual. Estes modelos se orientam por uma
imagem do homem. O homem se coloca no centro da atividade econômica.
Uma ética econômica da vida precisa de novas tônicas que vão além
das finalidades e condições convencionais da atividade econômica. Trata-se
hoje também da proteção do meio ambiente natural e da preservação de
ambientes sociais. Na qualidade de pessoa cabe ao homem dignidade
particular. Na ação experimenta sua própria identidade. Decorre daí a liberdade
29
de
decisão,
centrada
não
substancialmente
determinável
Autodeterminação,
consciência
somente
pela
de
si
no
ambiente
necessidade
e
imediato,
ética
responsabilidade
da
própria
mas
ação.
são
características inconfundíveis da dignidade pessoal inerente do homem. Uma
ordem econômica que aceita esta dignidade pessoal também precisa tratar de
problemas da qualidade de vida do homem no contexto econômico. Uma
distribuição extremamente desigual da riqueza econômica é desafio ético. Leva
a questões de justiça na sociedade, que exigem respostas que não
transformam a justiça em matemática, mas formulam condições de vida
derivadas da dignidade pessoal do homem.
2.5 Programa de Ética
Um conjunto de valores éticos é uma importante ferramenta para que
colaboradores tomem decisões empresariais condizentes com os objetivos e
convicções de sua empresa.
Os valores, núcleo da cultura de uma organização, devem servir de
referência para as decisões estratégicas da empresa, em busca de sua
identificação, de sua sobrevivência, da competitividade e da construção de
coesão interna. Ou seja, é muito importante que uma empresa defina um
conjunto de valores e uma linha de pensamento ético. Contudo é comum a
presunção de que, para resolver os problemas da consciência ética da
empresa, bastaria a alta direção fazer uma seleção de valores que por parte da
empresa contempla a criação de princípios e normas, transcritos em um
documento a ser repassado a todos os membros da organização.
Ainda que essa iniciativa seja importante, é preciso ir além para que o
projeto tenha sucesso. No processo de implementação da cultura ética na
30
empresa, dois componentes são indispensáveis: o total comprometimento da
alta administração e a transparência e clareza, tanto da alta direção quanto dos
gestores sobre as razões da seleção de certos valores e princípios e sobre o
modo como estes serão aplicados às rotinas da empresa.
“Com a existência de um alicerce de sensibilidade
ética e gerenciamento eficaz, a alta administração está
em condições de promover a conduta ética em toda a
empresa. As considerações básicas de um programa
ético válido implicam a formulação de políticas e arranjos
organizacionais
que
promovam
a
preocupação
da
empresa com os interesses das diferentes partes afetadas
por suas operações e proporcionem garantias contra
pressões corruptoras dos negócios. (Aguilar, 1996, p. 30)
Como o apoio da alta administração, o papel do líder é de extrema
importância quando se trata de motivar as pessoas para um real envolvimento
com a cultura ética em uma empresa.
As habilidades e competências específicas exigidas para termos um
programa ético na empresa são: envolvimento de todos colaboradores no
processo, manter condições favoráveis para a prática ética desde o início do
processo, confiar e apoiar os colaboradores no caso de dilemas éticos, ser
coerente em situações de adversidade e evitar o moralismo, aceitando os
colaboradores com suas virtudes, características e seus pontos fracos.
Existem vários motivos para se ter uma cultura ética organizacional,
contudo, nenhum deles tem fundamento de natureza estritamente ética.
Introduzir um programa de ética à força ou por razões meramente econômicas
31
é semear sem ter preparado adequadamente o terreno ou aumentar a força
quando se rema na direção errada.
Antes de qualquer coisa, é importante que estejam bem sedimentados
na empresa os princípios da justiça e da razão. Decisões que produzem efeitos
sobre o corpo de colaboradores da empresa são muito importantes para a
criação de um terreno fértil. Essas decisões promovem o gradativo
envolvimento dos colaboradores no programa.
CAPÍTULO III
ÉTICA PROFISSIONAL
A ética profissional é um conjunto de normas e condutas que deverão
ser posta em prática no exercício de qualquer profissão. É a ação reguladora
da ética agindo no desempenho das profissões, fazendo com que o indivíduo
respeite o próximo no exercício de suas atividades profissionais.
A ética profissional estudaria e regularia o relacionamento do profissional
com sua clientela, visando a dignidade humana e a construção do bem-estar
no contexto sócio-cultural onde exerce sua profissão. Ela atinge todas as
profissões e quando falamos de ética profissional estamos nos referindo ao
caráter normativo e até jurídico que regulamenta determinada profissão a partir
de estatutos e códigos específicos.
“A Ética baseia-se em uma filosofia de valores
compatíveis com a natureza e o fim de todo ser humano,
32
por isso, "o agir" da pessoa humana está condicionado a
duas premissas consideradas básicas pela Ética: "o que
é" o homem e "para que vive", logo toda capacitação
científica ou técnica precisa estar em conexão com os
princípios essenciais da Ética.” (MOTTA, 1984, p. 69)
Constata-se então o forte conteúdo ético presente no exercício
profissional e sua importância na formação de recursos humanos.
3.1 Individualismo e Ética Profissional
Parece ser uma tendência do ser humano, como tem sido objeto de
referências de muitos estudiosos, a de defender, em primeiro lugar, seus
interesses próprios e, quando esses interesses são de natureza pouco
recomendável, ocorrem alguns problemas.
Na medida em que as relações econômicas influem na moral dominante
numa determinada sociedade, o sistema econômico no qual a força de trabalho
se vende como mercadoria e no qual vigora a lei da obtenção do maior lucro
possível gera uma moral egoísta e individualista que satisfaz o desejo do lucro.
O conhecimento desta moral tem de se basear nos dados e nas conclusões da
economia política a respeito desse modo de produção, ou sistema econômico.
O valor ético do esforço humano é variável em função de seu alcance
em face da comunidade. Se o trabalho executado é só para auferir renda, em
geral, tem seu valor restrito. Por outro lado, nos serviços realizados com amor,
visando ao benefício de terceiros, dentro de vasto raio de ação, com
consciência do bem comum, passa a existir a expressão social do mesmo.
33
Aquele que só se preocupa com os lucros, geralmente, tende a ter
menor consciência de grupo. Fascinado pela preocupação monetária, a ele
pouco importa o que ocorre com a sua comunidade e muito menos com a
sociedade.
O egoísmo desenfreado de poucos pode atingir um número expressivo
de pessoas e até, através delas, influenciar o destino de nações, partindo da
ausência de conduta virtuosa de minorias poderosas, preocupadas apenas
com seus lucros.
Sá (2008) revela o quanto dependemos uns dos outros:
“Dependemos dos que nos cercam e estes, de nós,
também. Não são poucas as vezes em que precisamos
apelar para a boa vontade de terceiros, e o importante é
que sempre sejamos bem aceitos.” (Sá, 2008, p.28)
Sabemos que a conduta do ser humano pode tender ao egoísmo, mas,
para os interesses de uma classe, de toda uma sociedade, é preciso que se
acomode às normas, porque estas devem estar apoiadas em princípios de
virtude.
Como as atitudes virtuosas podem garantir o bem comum, a Ética tem
sido o caminho justo, adequado, para o benefício geral.
34
3.2 Classes Profissionais
Uma classe profissional caracteriza-se pela homogeneidade do trabalho
executado, pela natureza do conhecimento exigido preferencialmente para tal
execução e pela identidade de habilitação para o exercício da mesma. A classe
profissional é, pois, um grupo dentro da sociedade, específico, definido por sua
especialidade de desempenho de tarefa.
A questão, pois, dos grupamentos específicos, sem dúvida, decorre de
uma especialização, motivada por seleção natural ou habilidade própria, e hoje,
constitui-se em inequívoca força dentro das sociedades.
A formação das classes profissionais decorreu de forma natural, há
milênios, e se dividiram cada vez mais. Historicamente, atribui-se à Idade
Média a organização das classes trabalhadoras, notadamente as de artesãos,
que se reuniram em corporações.
A divisão do trabalho é antiga, ligada que está à vocação e cada um
para determinadas tarefas e às circunstâncias que obrigam, às vezes, a
assumir esse ou aquele trabalho; ficou prático para o homem, em comunidade,
transferir tarefas e executar a sua.
A união dos que realizam o mesmo trabalho foi uma evolução natural e
hoje se acha não só regulada por lei, mas consolidada em instituições
fortíssimas de classe.
35
3.3 Código de Ética Profissional
Cabe sempre, quando se fala em virtudes profissionais, mencionarmos a
existência dos códigos de ética profissional.
As relações de valor que existem entre o ideal moral traçado e os
diversos campos da conduta humana podem ser reunidos em um instrumento
regulador.
Um código de ética é um acordo explícito entre os membros de um
grupo social: uma categoria profissional, um partido político, uma associação
civil etc. Seu objetivo é explicitar como aquele grupo social, que o constitui,
pensa e define sua própria identidade política e social; e como aquele grupo
social se compromete a realizar seus objetivos particulares de um modo
compatível com os princípios universais da ética. É uma espécie de contrato de
classe e os órgãos de fiscalização do exercício da profissão passam a controlar
a execução dos códigos.
Tudo resulta de critérios de condutas de um indivíduo perante seu grupo
e o todo social.
Tem como base as virtudes que devem ser exigíveis e respeitadas no
exercício da profissão, abrangendo o relacionamento com usuários, colegas de
profissão, classe e sociedade.
O processo de produção de um código de ética deve ser ele mesmo já
um exercício de ética. Caso contrário, nunca passará de um simples código
moral defensivo de uma corporação.
36
A
formulação
de
um
código
de
ética
deve,
pois,
envolver
intencionalmente todos os membros do grupo social que ele abrangerá e
representará. Isso exige um sistema ou processo de elaboração "de baixo para
cima", do diverso ao unitário, construindo-se consensos progressivos, de tal
modo que o resultado final seja reconhecido como representativo de todas as
disposições morais e éticas do grupo.
A elaboração de um código de ética, portanto, realiza-se como um
processo ao mesmo tempo educativo no interior do próprio grupo. E deve
resultar num produto tal que cumpra ele também uma função educativa e
exemplar de cidadania diante dos demais grupos sociais e de todos os
cidadãos.
Um código de ética não tem força jurídica de lei universal. Mas deveria
ter força simbólica para tal. Embora um código de ética possa prever sanções
para os descumprimentos de seus dispositivos, estas sanções dependerão
sempre da existência de uma legislação, que lhe é juridicamente superior, e por
ela limitado. Por essa limitação, o código de ética é um instrumento frágil de
regulação dos comportamentos de seus membros. Essa regulação só será
ética se e quando o código de ética for uma convicção que venha do íntimo das
pessoas.
Isso aumenta a responsabilidade do processo de elaboração do código
de ética, para que ele tenha a força da legitimidade. Quanto mais democrático
e participativo esse processo, maiores as chances de identificação dos
membros do grupo com seu código de ética e, em conseqüência, maiores as
chances de sua eficácia.
37
O interesse no cumprimento do código passa, entretanto a ser de todos.
O exercício de uma virtude obrigatória torna-se exigível de cada profissional,
como se uma lei fosse, mas com proveito geral.
Cria-se a necessidade de uma mentalidade ética e de uma educação
pertinente que conduza à vontade de agir, de acordo com o estabelecido. Essa
disciplina da atividade é antiga, já encontrada nas provas históricas mais
remotas, e é uma tendência natural na vida das comunidades.
É inequívoco que o ser tenha sua individualidade, sua forma de realizar
seu trabalho, mas também o é que uma norma comportamental deva reger a
prática profissional no que concerne a sua conduta, em relação a seus
semelhantes.
Toda comunidade possui elementos qualificados e alguns que
transgridem a prática das virtudes; seria utópico admitir uniformidade de
conduta.
A disciplina, entretanto, através de um contrato de atitudes, de deveres,
de estados de consciência, e que deve formar um código de ética, tem sido a
solução, notadamente nas classes profissionais que são egressas de cursos
universitários (contadores, médicos, advogados, etc.).
“Pode-se constatar que a imensa maioria das
empresas, tanto dos Estados Unidos quanto da União
Européia, têm seus próprios códigos de ética. Essa
proliferação de códigos de ética, todavia, não significa
que,
nas
empresas,
organismos,
associações,
profissionais ou entidades que os exibem, seja respeitada
38
a ética. Significa apenas uma demonstração de boa
vontade,
junto
com
o
reconhecimento
teórico
da
necessidade da ética.” (Coimbra, 2002 p.117)
Uma ordem deve existir para que se consiga eliminar conflitos e
especialmente evitar que se macule o bom nome e o conceito social de uma
categoria.
Se muitos exercem a mesma profissão, é preciso que uma disciplina de
conduta ocorra. Porém isso não quer dizer que ela será respeitada por todos,
mas sim um avanço no que diz respeito à conscientização dos profissionais em
relação à ética.
39
CONCLUSÃO
A ética, como a moralidade, não se situa no campo puramente abstrato
das idéias. Fundamenta-se no campo apreciativo dos valores.
A sociedade cria determinados valores e as ações humanas começam
desde logo a se cristalizar em regras que se orientam para a obtenção e
realização dos mesmos. Hoje em dia, a ética se detém, sobretudo, na pesquisa
e no estudo dos valores morais. Estes determinam o impulso moral e impelem
à ação dos indivíduos. Somente aquelas atitudes e coisas que levam ao
aperfeiçoamento e ao bem comum do grupo é que possuem valor moral. Todas
as vezes que o homem se encontra num dilema se deve ou não fazer isto ou
aquilo são os valores pró ou contra o bem comum do grupo que determinam as
suas escolhas.
Agir corretamente, hoje, não é só uma questão de consciência, mas um
dos quesitos fundamentais para quem quer ter uma carreira longa, respeitada e
sólida. A importância da ética nas empresas cresceu a partir da década de 80,
com a redução das hierarquias e a conseqüente autonomia dada às pessoas.
A ética como um todo é essencial, pois, através do seu cumprimento a
empresa demonstra a sua responsabilidade dentro e com a sociedade. Ética,
além de ser a ciência que estuda o comportamento moral das pessoas na
sociedade, é um investimento. Um investimento que traz bons frutos em longo
prazo. Assim, na elaboração e utilização de um código de ética, não se pode
perder de vista a prática contínua para que a estrutura formal de políticas e
procedimentos se mantenham correlacionados e articulados sob o campo de
visão pacificadora da ética, de forma incisiva e progressivamente crescente.
40
BIBLIOGRAFIA
Aguilar, Francis J. A ética nas empresas. Rio de Janeiro, Editor Jorge Zahar,
1996.
Coimbra, José de Ávila Aguiar. Fronteiras da Ética. São Paulo, Ed. Senac,
2002.
Moore GE. Princípios Éticos. São Paulo: Abril Cultural, 1975
Motta, Nair de Souza. Ética e vida profissional. Rio de Janeiro, Âmbito Cultural
Edições, 1984.
Sá, Antonio Lopes de. Consciência ética. Curitiba, Ed. Juruá, 2008.
Sá, Antonio Lopes de. Ética e valores humanos. Curitiba, Ed. Juruá, 2007
Sá, Antonio Lopes de. Ética profissional. 2ª edição, São Paulo, Ed. Atlas, 1998.
Srour, Robert Henry. Ética empresarial 2ª edição, Rio de Janeiro, Ed. Campus,
2003.
41
ÍNDICE
FOLHA DE ROSTO
02
AGRADECIMENTO
03
DEDICATÓRIA
04
RESUMO
05
METODOLOGIA
06
SUMÁRIO
07
INTRODUÇÃO
08
CAPÍTULO I
ÉTICA
1.1 CONCEITO E ORIGEM
10
1.2 PRINCÍPIOS ÉTICOS
12
1.2.1 LIBERDADE
13
1.2.2 CONSCIÊNCIA OU CONHECIMENTO
14
1.2.3 NORMA
15
1.3 VALORES ÉTICOS
15
1.3.1 JUSTIÇA
15
1.3.2 HONESTIDADE
16
1.3.3 AMOR
16
1.3.4 PRUDÊNCIA
17
1.3.5 LIBERDADE
17
1.3.6 RESPONSABILIDADE
18
42
1.3.7 SINCERIDADE
19
1.3.8 RESPEITO
19
CAPÍTULO II
GESTÃO ÉTICA
2.1 CULTURA ORGANIZACIONAL ÉTICA
20
2.2 ÉTICA NAS EMPRESAS
21
2.3 PROGRAMA DE ÉTICA
23
2.4 ÉTICA E ECONOMIA DE MERCADO
24
2.5 PROGRAMA DE ÉTICA
29
CAPÍTULO III
ÉTICA PROFISSIONAL
3.1 INDIVIDUALISMO E ÉTICA PROFISSIONAL
32
3.2 CLASSES PROFISSIONAIS
34
3.3 CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL
35
CONCLUSÃO
39
BIBLIOGRAFIA
40
ÍNDICE
41
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