...

fatores que influenciam a qualidade da casca

by user

on
Category: Documents
1

views

Report

Comments

Transcript

fatores que influenciam a qualidade da casca
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS
Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde
Departamento de Medicina Veterinária
Curso de Medicina Veterinária em Betim
Ana Cecília Ferreira Diniz Rezende
Artur Oliveira Rocha
FATORES QUE INFLUENCIAM A QUALIDADE DA CASCA DOS OVOS DE
MATRIZES PESADAS E PRINCIPAIS DEFEITOS MACROSCÓPICOS
DESCRITOS: Revisão de Literatura
Betim
2013
Ana Cecília Ferreira Diniz Rezende
Artur Oliveira Rocha
FATORES QUE INFLUENCIAM A QUALIDADE DA CASCA DOS OVOS DE
MATRIZES PESADAS E PRINCIPAIS DEFEITOS MACROSCÓPICOS
DESCRITOS: Revisão de Literatura
Trabalho de conclusão de curso apresentado ao
Curso de Medicina Veterinária em Betim da
Pontifícia Universidade Católica de Minas
Gerais, como requisito parcial para obtenção
do título de Bacharel em Medicina Veterinária.
Orientador: Josiane Tavares de Abreu
Betim
2013
Ana Cecília Ferreira Diniz Rezende
Artur Oliveira Rocha
FATORES QUE INFLUENCIAM A QUALIDADE DA CASCA DOS OVOS DE
MATRIZES PESADAS E PRINCIPAIS DEFEITOS MACROSCÓPICOS
DESCRITOS: Revisão de Literatura
Trabalho de conclusão de curso apresentado ao
Curso de Medicina Veterinária em Betim da
Pontifícia Universidade Católica de Minas
Gerais, como requisito parcial para obtenção
do título de Bacharel em Medicina Veterinária.
_________________________________________
Josiane Tavares de Abreu- Orientadora (PUC Minas)
__________________________________________
Leonardo José Camargos Lara- (UFMG)
_________________________________________
Francilane Rodrigues Gomes (Rivelli Alimentos)
Betim, 17 de junho de 2013
RESUMO
A qualidade da casca dos ovos de matrizes pesadas é um fator extremamente importante
para a qualidade do pinto de um dia, pois ela exerce proteção contra invasão
microbiana, controla a troca de água e gases pelos poros, evita a perda excessiva de
umidade e constitui a fonte de cálcio para o embrião durante o seu desenvolvimento. Ao
longo dos anos a avicultura tenta minimizar a perda de ovos incubáveis devido a
problemas relacionados com a qualidade da casca dos ovos. Vários fatores têm sido
relacionados a estes defeitos, destacando-se a nutrição (cálcio, fósforo, magnésio, zinco,
manganês, eletrólitos, proteínas e aminoácidos, vitamina D), idade da matriz pesada,
genética, manejo dos ovos incubáveis e da matriz pesada, temperatura ambiente,
enfermidades, medicamentos, tipos de ninhos e qualidade de cama. Todos estes fatores
estão direta ou indiretamente ligados à qualidade da casca dos ovos. Dentre os
principais defeitos de casca dos ovos podem ser enumerados casca rugosa, casca áspera
ou com deposição excessiva de cálcio, mole ou sem casca, com trinca externa, trinca
interna ou de útero e sujos, sendo verificado em situações de campo o Brasil uma perda
de ovos incubáveis variando de 1,2 a 4,7% devido principalmente a qualidade de casca
dos ovos.
Palavras-chave: fatores que influenciam na qualidade da casca do ovo, matriz pesada,
defeitos de casca.
ABSTRACT
The quality of eggshell from broiler breeders is an extremely important factor for the
quality of paint a day because it exerts protection against microbial invasion, controls
the exchange of water and gases through the pores, prevents excessive loss of moisture
and forms the a source of calcium for the embryo during development. Over the years
the poultry industry tries to minimize the loss of hatching eggs due to problems with the
quality of eggshell. Several factors have been linked to these defects, especially
nutrition (calcium, phosphorus, magnesium, zinc, manganese, electrolytes, proteins and
amino acids, vitamin D), heavy breeder age, genetics, management of hatching eggs and
heavy matrix at room temperature diseases, medications, types and quality of nests bed.
All these factors are directly or indirectly linked to the quality of shell eggs. The main
defects of shell eggs can be enumerated rough bark, bark rough or excessive deposition
of calcium or soft shelled with external crack, crack or internal uterus and dirty, being
checked in field situations the Brazil loss of hatching eggs ranging from 1.2 to 4.7%
mainly due to quality of eggshell.
Keywords: factors that influence the quality of eggshell quality, broiler breeder, shell
defects.
LISTA DE FIGURAS
Figura1-
Representação esquemática do consumo per capita de carne de frango no
Brasil .......................................................................................................12
Figura 2-
Representação esquemática do oviduto da galinha e suas respectivas
funções ....................................................................................................14
Figura 3 -
Representação esquemática do ovo de galinha e suas estruturas ............16
Figura 4-
Fotomicrografiadas camadas da casca do ovo por meio de microscopia
eletrônica de varredura. Camadas mamilar, paliçada e membranas da
casca em aumento de 200x (A). Camada de cristal vertical e cutícula em
aumento de 2000x ..............................................................................18
Figura 5-
Representação esquemática das reações químicas no processo de
formação da casca do ovo ...................................................................22
Figura 6-
Representação esquemática dos índices de produtividade de ovos, com e
sem defeitos de casca incubados em um incubatórioindustrial ..............23
Figura 7-
Fatores que influenciam a qualidade da cama .........................................53
Figura 8-
Foto de um ovo de galinha com casca enrugada ....................................54
Figura 9-
Foto de um ovo de galinha com depósito de cálcio na casca ..................56
Figura 10-
Foto de um ovo de galinha com casca mole/ semcasca ........................57
Figura 11-
Foto de um ovo de galinha com casca trincada externamente ................58
Figura 12-
Foto de um ovo de galinha com trinca interna na casca .........................59
Figura 13-
Foto de um ovo de galinha com casca manchada por materialfecal ......60
Figura 14-
Foto de um ovo de galinha com casca manchada de sangue ..................61
LISTA DE QUADROS
Quadro 1-
Regiões do oviduto de galinha, com respectivas funções e duração de
permanência do ovo em cada uma delas ................................................15
Quadro 2-
Descrição das estruturas da casca do ovo e suas respectivas
composições.............................................................................................19
Quadro 3-
Correlação de gravidade específica do ovo e qualidade da casca e
penetração bacteriana ...........................................................................27
Quadro 4-
Efeito dos níveis decálcioe idadesobre o pesodo ovoecaracterísticas dos
ovos .................................................................................................30
Quadro 5-
O peso
dos ovosegravidade
cortesuplementadas
específica
comcolecalciferole
do
ovodematrizes
de
25-hidroxicolecalciferol
........................................................................................................34
Quadro 6-
Cor da casca, peso do ovo, gravidade específica, peso da casca, e as
medidas de perda de peso de ovos de ovos a partir de quatro linhagens de
matrizes com 5O-semanas de idade, em um dos três programas de
alimentação ......................................................................................45
Quadro 7-
Efeito da qualidade da casca e mortalidade dos pintos nos primeiros 14
dias de idade ....................................................................................52
Quadro 8-
Porcentagem de eclosão de ovos postos sobre acama ...........................53
LISTA DE TABELAS
Tabela 1-
Índices de fertilidade, eclodibilidade, mortalidade embrionária e
contaminação de ovos de matrizes Ross® e Cobb®com e sem defeito de
casca, expressos em porcentagem ........................................................24
Tabela 2-
Peso específico (g/ml) e porcentagem de casca em relação ao peso do
ovo, de acordo com a idade da matriz (linhagem Cobb®) .....................37
Tabela 3-
Peso médio do ovo, espessura, resistência e porosidade da casca de
acordo com a idade da matriz pesada (linhagem Cobb®).......................38
Tabela 4-
Espessura da casca (mm) em função da região do ovo e da idade da
matriz (linhagem Cobb®) ..................................................................38
Tabela 5-
Porosidade da casca em função da região do ovo e da idade da matriz..39
Tabela 6-
Avaliaçãoultraestrutural da espessura ( m) da casca o ovo de acordo com
as
regiões
e
com
a
idade
da
matriz
(Linhagem
Cobb®)
...........................................................................................................40
Tabela 7-
Percentual das camadas da casca do ovo em relação à espessura total da
casca de acordo com a idade da matriz ................................................. 40
Tabela 8-
Porcentagem de gema, albúmen e casca dos ovos de acordo com a idade
das matrizes .........................................................................................41
Tabela 9-
Penetração de bactérias através da casca em ovos de piso e ninho .........54
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
UBABEF
União Brasileira de Avicultura e Associação Brasileira dos
Exportadores de Carne de Frango
FAO
Organização das Nações Unidas para Alimento e Agricultura
CO2
Dióxido de carbono
CaCO3
Carbonato de cálcio
O2
Oxigênio
ml
mililitros
mg
miligramas
H2O
Água
H+
Hidrogênio
HCO3-
Ácido carbônico ionizado
HCO2
Ácido carbônico
H2CO2
Bicarbonato
Ca++
Cálcio
gr
gramas
1,25 (OH)2-D3
Dihidroxivitamiina D3
UI
Unidade internacional
Kg
quilograma
ppm
parte por milhão
cm2
centímetro quadrado
mm
milímetro
µm
micrômetro
%
percentual
MG
Minas Gerais
DF
Distrito Federal
SUMÁRIO
1.INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 12
2. REVISÃO DE LITERATURA................................................................................... 14
2.1 Formação do ovo......................................................................................................... 16
2.2 Composição do ovo de galinha.................................................................................. 17
2.3 Constituição e formação da casca do ovo.................................................................. 17
2.3.1 Membranas da casca................................................................................................. 18
2.3.2 Camada mamilar ...................................................................................................... 19
2.3.3 Camada em paliçada ................................................................................................ 19
2.3.4 Camada de cristal vertical ........................................................................................ 19
2.3.5 Cutícula .....................................................................................................................20
2.3.6 Poros da casca .......................................................................................................... 20
2.4 A formação da casca do ovo ...................................................................................... 21
2.5 Importância da qualidade da casca do ovo em lotes de matrizes pesadas .............. 22
2.6 Medidas de qualidade da casca do ovo ..................................................................... 25
2.6.1 Espessura .................................................................................................................. 25
2.6.2 Porcentagem da casca em relação ao ovo e peso da casca ..................................... 25
2.6.3 Gravidade específica .................................................................................................26
2.6.4 Microscopia eletrônica ............................................................................................. 27
2.7 Fatores que influenciam a qualidade da casca do ovo ............................................ 27
2.7.1 Nutricionais .............................................................................................................. 28
2.7.1.1 Cálcio ..................................................................................................................... 28
2.7.1.2 Fósforo ................................................................................................................... 30
2.7.1.3 Magnésio ................................................................................................................ 31
2.7.1.4 Zinco ...................................................................................................................... 31
2.7.1.5Manganês ............................................................................................................... 31
2.7.1.6 Proteínas e aminoácidos ....................................................................................... 32
2.7.1.7 Vitamina D ............................................................................................................. 32
2.7.2 Idade da matriz pesada ............................................................................................. 43
2.7.3 Manejo ...................................................................................................................... 41
2.7.3.1 Manejo dos ovos incubáveis .................................................................................. 41
2.7.3.2 Manejo relacionado à matriz pesada .................................................................... 42
2.7.4 Temperatura ambiente ............................................................................................. 43
2.7.5 Genética .................................................................................................................... 44
2.7.6 Enfermidades ............................................................................................................ 48
2.7.7 Medicamentos ........................................................................................................... 49
2.7.8 Tipos de ninhos ......................................................................................................... 50
2.7.9 Qualidade da cama ................................................................................................... 52
2.8 Principais defeitos da casca do ovo ........................................................................... 54
2.8.1 Ovos enrugados ........................................................................................................ 54
2.8.2 Ovos com casca áspera/ deposição de cálcio ........................................................... 54
2.8.3 Ovos com casca mole/ sem casca ............................................................................. 56
2.8.4 Ovos com trinca externa ............................................................................................57
2.8.5 Ovos com trinca interna ou trincado de útero ......................................................... 58
2.8.6 Ovos sujos ................................................................................................................. 60
2.9 Situações reais de três matrizeiros – acompanhamento de estágio ....................... 61
3. CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................................... 63
4. REFÊRENCIAS ........................................................................................................... 64
ANEXO Artigo: Fatores que influenciam a qualidade da casca dos ovos de matrizes
pesadas e principais defeitos macroscópicos descritos: Revisão de literatura.............. 75
12
1. INTRODUÇÃO
Primeiro em volume de exportações e terceiro em produção de carne de frango,
a avicultura brasileira tem se tornado cada vez mais competitiva no mercado mundial.
Em 2012, segundo a UBABEF (2013), o Brasil produziu 12,645 milhões de toneladas
de frango, diminuindo 3,17% em relação ao ano de 2011 exportando cerca de 31% deste
montante.
O sistema de integração entre indústria processadora e produtores, a existência
de menores custos de produção e a incidência de problemas sanitários em outros países,
além da ampla oferta de produtos processados e de fácil preparo, favoreceram o
crescimento da indústria avícola brasileira nos últimos anos. Além disso, o crescimento
demográfico e o crescente consumo per capita de carne de frango também auxiliaram
no aumento da participação deste mercado de carnes perante aos demais. No Brasil, o
consumo per capita em 2012 ficou em torno de 45kg/pessoa, sendo estimado pela FAO
(2006) uma duplicação deste consumo e de outros alimentos até
Figura1- Representação esquemática do consumo per capita de carne de frango no
Brasil
Fonte: UBABEF (2013)
O grande avanço nas áreas de genética, nutrição, ambiência e sanidade
proporcionaram melhorias na qualidade do principal produto da indústria avícola: a
carne de frango de corte. Mas para que este produto seja de boa qualidade,
13
necessariamente, as matrizes e seus ovos também devem ser, pois são as mesmas que
irão produzir ovos embrionados e estes, quando incubados, darão origem aos pintos
destinados ao corte.
Entretanto, mesmo com estes avanços, a indústria enfrenta um grande problema
com a perda de ovos incubáveis, incluindo ovos com casca mais fina, deformados e
trincados, gerando prejuízos significativos às mesmas.
Araújo e Albino(2011) afirmaram que diversas alterações nutricionais, de
sanidade, manejo inadequado, dentre outros fatores, podem afetar a qualidade da casca
dos ovos, a produção de ovos embrionados, e consequentemente do pinto de um dia.
A casca do ovo é um fator que exerce papel fundamental no processo de
incubação, oferecendo proteção contra invasão microbiana, controlando a troca de água
e gases pelos poros, evitando a perda excessiva de umidade, além de constituir a fonte
de cálcio para o embrião durante seu desenvolvimento (BAIÃO e CANÇADO
1997;HUNTON, 2005; BARBOSA et al., 2012b). O êxito dessas funções é dependente
da adequada composição e formação da casca do ovo (BARBOSA et al., 2012b).
Sendo assim, este trabalho, tem como objetivo revisar quais são os principais
fatores que influenciam a qualidade da casca do ovo de matrizes pesadas e os principais
defeitos na mesma.
14
2.REVISÃO DE LITERATURA
2.1.Formação do ovo
O aparelho genital da galinha é composto por um ovário e um oviduto, que se
localizam do lado esquerdo da cavidade abdominal da ave. Durante o período
embrionário, o oviduto e o ovário do lado direito estão inicialmente presentes.
Entretanto, a produção de substâncias inibidoras do ducto de Müller (origem do
oviduto) pelo ovário resulta em regressão do ducto direito e do ovário direito, mas não
do esquerdo (RUTZ; ANCIUTI e PAN, 2005).
No processo de formação do ovo (Figura 2), após a ovulação a gema é captada
pelo infundíbulo e segue em direção à cloaca, passando antes por estruturas como o
magno, istmo e útero. (Figuras 2 e 3, Quadro 1))
Figura 2-Representação esquemática do oviduto da galinha e suas respectivas funções .
Fonte: http://www.wisc.edu/ansci_repro/lec/lec1/female_hist.html, acesso 03 de
agosto de 2012.
15
Quadro 1-Regiões do oviduto de galinha, com respectivas funções e duração de
permanência do ovo em cada uma delas.
Região do
Tempo aproximado da
Oviduto
Permanência do ovo
Funções da região do oviduto
nesta região
1 Infundíbulo
15 minutos
Receber a gema advinda do ovário.
fertilização
Inicio da formação das chalazas
È secretado a albúmen denso (clara) ao redor da
2 Magno
3 horas
3 Istmo
1 hora
gema
Adicionar membranas interna e externa da casca,
assim como água e sais minerais
Adiciona inicialmente um pouco de água,
4Glândula da casca/
Formação da casca
útero
21 horas
5 Vagina/ cloaca
Menos de 1 minuto
Término da formação das chalazas
Recebe o ovo antes da postura
Fonte: COUNTTS e WILSON (2006) (Adaptado).
O ovo da galinha doméstica consiste essencialmente em uma grande célula
reprodutiva individual, a qual contém e está circundada por uma quantidade
relativamente grande de material alimentício, a gema e o albúmen. O ovo tem três
frações distintas: gema (óvulo ou ovo), clara (albúmen) e casca (cutícula, exterior
calcificado e membranas) (NASCIMENTO e SALLE, 2003).
A gema do ovo é uma esfera levemente alongada, circundada pela membrana da
gema ou vitelínica (NASCIMENTO e SALLE, 2003), sendo uma emulsão de água,
lipoproteínas e proteínas, minerais, vitaminas e pigmentos. Nenhuma dessas substâncias
é sintetizada pelo ovário, sendo esta função executada pelo fígado, onde os precursores
da gema são transportados por via hematógena até o mesmo (COTTA, 2002).
16
Figura 3 – Representação esquemática do ovo de galinha e suas estruturas.
Fonte: http://www.portalsaofrancisco.com.br (Adaptado), acesso em 03 de
agosto de 2012.
2.2.Composição interna do ovo
O albúmen é uma solução aquosa de proteínas e minerais. Contém
aproximadamente quatro gramas de proteínas, que são totalmente sintetizadas e
secretadas pelas glândulas do magno (COTTA, 2002). O albúmen não é fisicamente
homogêneo, estando nele presente duas frações: uma solução menos densa –aquosa e
um material mais espesso – gelatinoso (NASCIMENTO e SALLE, 2003). De acordo
com Souza-Soares e Siewerdt (2005), o albúmen contém de 85 a 90% de água, sendo
asproteínas o outro componente principal. Entretanto, também existem pequenas
quantidades de glicoproteínas, glicose e sais minerais.
2.3.Constituição e formação da casca do ovo
A casca do ovo é perfeitamente ordenada, a qual é dividida em camadas e resulta
de uma deposição sequencial de fração orgânica (3,5%) e mineral (96,5%) que ocorre
nos segmentos istmo e útero da galinha, durante um período pré-determinado. Seu
principal componente é a calcita (uma das três formas de carbonato de cálcio) e há
diferentes tipos de matrizes protéicas envolvidas no processo de mineralização da casca
(PARSONS, 1982; NYS et al., 1999). O suprimento de cálcio para sua formação tem
17
origem primariamente via ração e o íon carbonato é originado do gás carbônico (CO2)
produzido pelo metabolismo da ave. A formação do íon carbonato, a partir de CO2 e
H2O, é mediada pela enzima anidrase carbônica encontrada na mucosa do útero da
galinha (BAIÃO e LÚCIO, 2005).
A porção orgânica da casca consiste nas membranas da casca, nos sítios
mamilares de nucleação e na cutícula. A porção calcificada é composta pela camada
mamilar, camada paliçada e camada de cristal vertical (Figura 4) (SPARKS, 1985;
HAMILTON, 1986; HUNTON, 2005).
Figura 4-Fotomicrografia das camadas da casca do ovo por meio de microscopia
eletrônica de varredura. Camadas mamilar, em paliçada e membranas da casca em
aumento de 200x (A). Camada de cristal vertical e cutícula em aumento de 2000x.
Fonte: BARBOSAet al (2012a) (Adaptado)
2.3.1. Membranas da casca
Na sequência da formação da casca as primeiras camadas correspondem às
membranas interna e externa que se encontram ligadas exceto na região da câmara de
ar. A membrana interna contorna o albúmen enquanto a externa permanece ligada à
porção calcificada da casca. Ambas têm aspecto de uma cadeia de fibras entrelaçadas
com pequenas protuberâncias (LEACH JR., 1982; PARSONS, 1982).
As membranas são semipermeáveis e permitem a troca de gases e água enquanto
retêm as proteínas do albúmen (BOARD, 1980). De acordo com Krampitz e Grazer
18
(1988), a presença destas estruturas age como um filtro contra a penetração de
microorganismos, além de serem pré-requisitos para a mineralização da casca, visto que
o crescimento dos cristais é iniciado caudalmente a esta região.
Na extremidade de maior diâmetro do ovo encontra-se a câmara de ar que é um
espaço formado entre a membrana interna e externa da casca. A câmara de ar é formada
no momento da postura, quando ocorre o resfriamento do ovo ao passar da temperatura
corporal da ave de aproximadamente 41-42ºC a temperatura ambiente inferior e, devido
a isso, ocorre contração da membrana interna da casca (BENITES et al., 2005).
Segundo Souza e Lima (2007), esta etapa é crítica para a manutenção da qualidade
microbiológica do mesmo, visto que a formação da câmara de ar cria um vácuo que
permite a entrada de microrganismos pelos poros.
Os componentes das estruturas da casca do ovo de galinhas são descrito no
Quadro 2.
Quadro 2- Descrição
da composição das estruturas da casca do ovo de galinha
composições.
ESTRUTURAS DA CASCA DE COMPOSIÇÃO
OVO DE GALINHA
Membranas da casca (interna e Desmosina,
isodesmosina,
externa)
glicoproteínas
Camada mamilar
Mucopolissacarídeos,
colágeno
cristais
e
calcíticos
pequenos
Camada de cones e paliçada
CaCO3, cristais calcíticos grandes
Cutícula
Proteínas, carboidratos e lipídios
Fonte: ITO (1998) (Adaptado).
2.3.2.Camada mamilar
A deposição de carbonato de cálcio na forma de calcita inicia-se em agregados
específicos, os chamados sítios mamilares de nucleação, que são formados nas
membranas da casca e correspondem ao local de remoção de cálcio pelo embrião. Estes
núcleos orgânicos consistem num complexo proteína-mucopolissacarídeo; e a presença
de ovoalbumina, lisozima e ovotransferrina também têm sido relatada nestes locais
19
ligadas à membranas da casca(HINCKE, 1995; PANHELEUX et al.,1999, CHIEN et
al., 2009).
2.3.3.Camada em paliçada
A camada em paliçada estende-se além da base da camada mamilar e termina
alinhada perpendicularmente à superfície da casca, numa fina camada de cristal vertical.
É composta de colunas de cristais romboédricos de calcita com orifícios vesiculares e
em alta magnitude, tem a aparência facetada, sendo também denominada camada
esponjosa (PARSONS, 1982). Assim como a camada de botões mamilares, seu
principal constituinte protéico é a ovocleidina-17, seguida de osteopontina (HUNTON,
2005).
2.3.4.Camada de cristal vertical
A porção calcificada da casca encerra-se na camada de cristal vertical, que é
constituída de fina camada superficial de cristais com calcita verticalmente orientada,
sendo uma extensão da camada em paliçada, porém contendo uma quantidade bem
menor de orifícios vesiculares. A sua posição resulta na orientação da matriz
perpendicular à superfície (SIMONS, 1971; PARSONS, 1982).
Perrottet al. (1981) sugeriram que ocorrem mudanças nas condições de
deposição de cálcio no útero, no momento da formação da camada de cristal vertical,
sendo este fator responsável pela transição das colunas da camada em paliçada para
pequenos policristais, com uma ordenação levemente angulada próxima à superfície,
evidenciada na camada de cristal vertical. Durante e posteriormente à deposição desta
fina camada, os níveis séricos de fosfato se elevam, induzindo a interrupção da
calcificação (FERNANDEZ et al., 1997).
2.3.5.Cutícula
A cutícula é uma camada natural protéica produzida pelo útero e cobre a
superfície externa da casca e também, em diferentes extensões, os canais dos poros
(NASCIMENTO e SALLE, 2003). A cutícula ajuda a prevenir a penetração das
bactérias para o interior do ovo, sendo a sua ausência parcial ou total importantes para o
aumento da contaminação do mesmo por microorganismos (ELGUERA, 1999). Além
disso, ela auxilia na regulação da perda de água e gases no embrião em
desenvolvimento (SOUZA e LIMA, 2007).
20
De acordo com Board e Halls (1973), s cutícula é composta por um complexo
orgânico lubrificante disposto na superfície mineral da casca, no final de sua formação,
momentos antes da postura do ovo, sendo constituída primariamente por proteínas
associadas a uma porção de polissacarídeos e lipídios.
2.3.6.Poros da casca
Os poros são cavidades em forma de funis, amplos na superfície da casca e que
se estreitam, formando canais que penetram nas camadas de cristal, e que terminam em
fissuras adjacentes aos botões mamilares. Os canais destes poros são irregulares,
caracterizados por glóbulos que se afloram ao longo de toda sua extensão. (PARSONS,
1982). Os poros são orifícios (7.000 a 17.000 poros) recobertos pela cutícula, que
permitem
a
difusão
dos
gases
respiratórios,
apresentando-se
distribuídos
desuniformemente pela superfície da casca, não só em quantidade mas também em
tamanho(NASCIMENTO e SALLE, 2003; BENITES et al., 2005). La Scala Jr et al
(2000) encontraram poros variando entre 1 a 10 µm de diâmetro em ovos de matrizes
pesadas da linhagem Cobb® com 28 semanas de idade.
Romanoff e Romanoff (1949), Hunton (1995) e La Scala Jr. (2003) afirmaram
que os poros terminam na membrana externa e interna da casca do ovo, que por sua vez,
faz contato com a membrana corioalantóide. Desta forma, o sangue venoso é drenado e
passa adjacente às membranas da casca por onde o processo de difusão gasosa ocorre.
2.4.A Formação da casca do ovo
Durante as primeiras 4 horas, a calcificação é lenta, sendo que, nesta fase, o ovo
absorve água, alguns sais e glicose do fluido da glândula da casca, aumentando de
tamanho até atingir, aproximadamente, o tamanho que terá no momento da postura. Este
processo de "inchamento" faz com que ocorra a distensão da parede do útero,
funcionando como um estímulo para o início da fase de rápida calcificação (ITO, 1998).
Dez horas após ovulação, enquanto se completa a hidratação do ovo, começam a
se formar cristais de carbonato de cálcio. Sua quantidade cresce linearmente com o
tempo até o estágio de 22 horas pós-ovulação. A velocidade de depósito de casca é de
0,30 a 0,35 g/hora. Isso representa cerca de 130 miligramas de cálcio e 190 miligramas
de íons carbonato depositados por hora (COTTA, 2002).
A taxa de deposição de cálcio atinge seu máximo dentro de 14 horas de
formação do ovo, reduzindo-se durante as duas horas finais. O carbonato de cálcio é o
21
principal formador da casca dos ovos, sendo a fonte de bicarbonato obtida pelo trato
respiratório (RUTZ; ANCIUTI e PAN, 2005).
A Figura 5 demonstra o processo de calcificação por uma reação de
precipitação: no sangue, íons de cálcio livres estão em equilíbrio com o cálcio ligado a
proteínas. À medida que íons livres são transportados para o interior da glândula da
casca, mais íons são fornecidos pela dissociação do cálcio ligado às proteínas ligadas ao
cálcio. Os íons carbonato necessários para a formação da casca são um produto
secundário do metabolismo, o dióxido de carbono produzido pelo metabolismo
respiratório o que é convertido em ácido carbônico pela enzima anidrase carbônica. O
ácido carbônico ioniza-se em etapas, produzindo íons carbonato. Ao entrar no lúmen do
útero, este se une ao cálcio para formação do carbonato de cálcio.
Figura 5- Representação esquemática das reações químicas no processo de formação da
casca do ovo galinha.
Fonte: BAIÃO e LÚCIO (2005)
22
2.5.Importância da qualidade da casca do ovo em lotes de matrizes pesadas
Na indústria de ovos comerciais, a casca fornece a embalagem perfeita de um
importante item alimentar. Assim como para o embrião, a casca fornece proteção contra
a contaminação do conteúdo e, assim, o ovo chega ao consumidor livre de bactérias,
vírus e outros patógenos (HUNTON, 2005). Baião e Lúcio (2005) afirmaram que os
ovos trincados e/ou quebrados representam uma perda que varia de 1,2 a 2,4% do total
de ovos produzidos em uma granja de matrizes pesadas. Porém, os prejuízos
provocados pela má qualidade da casca não podem ser avaliados, simplesmente, pela
porcentagem de ovos trincados e/ou quebrados.Traçando uma média das empresas que
responderam um questionário, pode-se dizer que ovos trincados representam 1,49% do
total de ovos produzidos em três granjas de matrizes pesadas situadas em Minas Gerais
e no Distrito Federal (INFORMAÇÃO PESSOAL, 2013).
Ovos de boa qualidade ou adequados para a incubação são aqueles que têm boa
aparência, forma ovóide, boa textura da casca, bom tamanho, uma cor mais ou menos
marrom e, sobretudo, limpo. Geralmente estes ovos estão associados com alta
eclodibilidade quando as condições de incubação são adequadas (ELGUERA, 1999;
BAIÃO e CANÇADO, 1997).
Santos et al (2007) avaliaram a influência da qualidade da casca do ovo sobre os
índices de produtividade de um incubatório. Foram determinados os índices de
eclodibilidade, mortalidade embrionária, fertilidade e contaminação de 6.992 ovos de
matrizes das linhagens Ross® e Cobb®. Os ovos foram distribuídos em cinco grupos:
1) controle, constituído por 2.000 ovos, postos em ninho, com boa qualidade de casca;
2) trincados, 2.496 ovos, postos em ninho, com casca trincada; 3) deformados, 1.920
ovos, postos em ninho, com casca deformada; 4) trincados lavados, 288 ovos sujos,
postos em cama, com casca trincada, que foram lavados manualmente em água corrente;
5) deformados lavados, com 288 ovos sujos, postos em cama, e lavados na mesma
forma que o grupo 4. Os resultados obtidos demonstraram que os ovos deformados e
deformados lavados foram os que apresentam índices de eclodibilidade mais baixos em
relação ao grupo controle (21,1% e 21,2% respectivamente)(Figura 6). Esses índices
foram significativamente menores que os dos trincados (57,3%) e dos trincados lavados
(42%). Todos os grupos avaliados apresentaram resultados significativamente menores
que os do controle (82,9%). Os resultados de mortalidade embrionária foram mais
baixos no grupo controle (8,0%), seguido pelos trincados (22,2%), trincados lavados
(23,6%), deformados lavados (34,0%) e deformados (45,4%). O índice de contaminação
23
dos ovos do grupo controle (0,3%) foi o mais baixo. Dentre os ovos com defeito, os
trincados apresentaram um índice de 10,9% sendo menor que os deformados (24,3%),
os trincados lavados (26,0%) e os deformados lavados (36,1%), sugerindo que a invasão
de microrganismos nos ovos foi facilitada pelas alterações na formação da casca e por
rachaduras ou trincas presentes na mesma. Contudo, quando à fertilidade (Tabela 1),
não houve diferenças estatísticas entre os grupos controle (95,1%), trincados (97,2%),
deformados (94,7%), trincados lavados (95,8%) e deformados lavados (94,1%), visto
que este índice independe da qualidade da casca.
Figura 6- Representação esquemática dos índices de produtividade de ovos, com e sem
defeitos de casca incubados em um incubatório industrial.
Fonte: Santos et al (2007).
24
Tabela
1-Índices
de
fertilidade,
eclodibilidade,
mortalidade
embrionária
e
contaminação de ovos de matrizes Ross® e Cobb® com e sem defeito de casca,
expressos em porcentagem.
Índices
Controle
Trincados Deformados Trin lavados
Deform lavados
Fertilidade
95,1
97,2
94,7
95,8
94,1
Eclodibilidade
82,9ª
57,3b
21,1c
42,0b
21,2c
Mort. Embrio.
8,0ª
22,2b
45,4c
23,6b
34,0bc
Contaminação
0,3ª
10,9b
24,3c
26,0c
36,1c
Valores com letras diferentes na mesma linha diferem estatisticamente (P<0,001) Mort. Embrio (mortalidade
embrionária)
Fonte: SANTOS et al, (2007) (Adaptado)
2.6. Medidas de qualidade da casca do ovo
A medida de qualidade da casca é tradicionalmente associada com ovos
avariados. O monitoramento da qualidade da casca do ovo por meio dos procedimentos
tradicionais auxilia na identificação dos problemas de casca permitindo verificar se
estes foram devidos às características intrínsecas da casca ou ao manuseio inadequado
dos ovos (BAIÃO e LÚCIO, 2005).
Os métodos e técnicas utilizados para avaliar a qualidade da casca podem ser
divididos em duas categorias: métodos diretos e indiretos. Os métodos diretos são a
mensuração da espessura da casca, a percentagem da casca em relação ao peso do ovo e
o peso da casca por unidade de área, sendo a definição do peso específico do ovo é
considerado método indireto (BAIÃO e CANÇADO, 1997; BAROSA et al, 2012b).
Mais recentemente, o uso de microscopia eletrônica tem fornecido informações
relevantes sobre as camadas da casca (BARBOSA et al, 2012b).
2.6.1. Espessura da casca
A espessura da casca é determinada após a quebra no meio do ovo (região
equatorial), sendo esta seca em estufa a 65ºC por um período de 48 horas. Com uso de
um paquímetro, deve-se fazer medidas em pontos distintos, e obter a média aritmética
(ARAÚJO e ALBINO, 2011). Segundo Baião e Lúcio (2005), a espessura da casca do
25
ovo não é uniforme, sendo normalmente mais grossa na extremidade mais fina do ovo,
mais fina na região equatorial e intermediária na extremidade mais larga.
2.6.2. Porcentagem de casca em relação ao ovo e peso da casca
Quanto maior for o percentual de casca em relação ao peso do ovo melhor será a
sua qualidade (ARAÚJO e ALBINO, 2011).Há uma correlação altamente negativa entre
a porcentagem da casca em relação ao peso do ovo e o número de ovos quebrados,
como também é altamente negativa a correlação entre o peso da casca por unidade de
área e a incidência de ovos danificados. Portanto, dos métodos diretos, a porcentagem
de casca em relação ao peso do ovo e peso da casca são os melhores para predizer a
incidência de ovos trincados e/ou quebrados (BAIÃO e LÚCIO, 2005).
Estes dados são obtidos após a quebra do ovo e secagem da casca em estufa à
65°C/24h ou em meio ambiente por um período de 48 horas. Quando a casca é seca em
estufa, antes de se pesar a casca, deve-se aguardar 30 minutos até esfriamente e
aquisição da umidade ambiente. Em seguida, a casca é pesada em balança eletrônica
com precisão de 0,01g. Para obter este parâmetro divide-se o peso da casca seca pelo
peso do ovo inteiro e multiplica-se por 100 (SILVA, 2011).
2.6.3.Gravidade específica
A medida da gravidade específica do ovo é provavelmente uma das técnicas
mais comumente utilizadas para determinar a qualidade da casca dos ovos, devido a sua
rapidez, praticidade e baixo custo (SALVADOR, 2011).
Araújo e Albino (2011) afirmaram que a densidade da gema mais o albúmen em
ovos frescos são muito próximos à densidade da água. Utilizando um densímetro
podem-se fazer diferentes soluções salinas com densidades variando de 1,050 a 1,100.
Quanto maior a gravidade especifica melhor será a qualidade da casca. Com o passar do
tempo de armazenamento ou após a postura o ovo vai perdendo água e dióxido de
carbono pela casca. Sendo assim, a densidade total do ovo fresco é maior do que a do
ovo armazenado por mais tempo, pois estes últimos contêm maior volume ocupado por
gás que reduz consideravelmente a densidade total.
De acordo com Leeson e Summer (2009) em geral, gravidade específica abaixo
de 1.080 está negativamente correlacionada com a eclodibilidade, embora não haja
nenhuma relação clara entre os valores de gravidade específica superiores a 1.080.
26
Quadro 3-Correlação de gravidade específica do ovo de galinha e qualidade da casca e
penetração bacteriana por unidade de tempo
GRAVIDADE QUALIDADE
PERCENTUAL
ESPECÍFICA
CASCA
DA CASCA
DE
 30 min
PENETRAÇÃO
 60 min
DA
 24 h
1070
Má
34
41
54
1080
Média
18
25
27
1090
Boa
11
16
21
Fonte:ELGUERA (1999) (Adaptado).
2.6.4. Microscopia eletrônica
Barbosa et al (2012b), avaliaram a resistência e ultraestrutura da casca de ovos
de matrizes pesadas da linhagem Cobb e suas membranas, e evidenciaram o conceito
de que as propriedades mecânicas da casca não podem ser definidas apenas pelas
análises citadas anteriormente. A microscopia eletrônica pode auxiliar na compreensão
dos efeitos da qualidade da casca e suas relações entre idade da matriz e rendimento de
incubação.
A estrutura da casca dos ovos foi também avaliada por microscopia eletrônica de
varredura por Stefanello (2012) indicando que a resistência da casca depende da
espessura da camada paliçada, da organização dos cristais de calcita nesta camada e da
densidade de botões mamilares presentes na face interna da mesma.
2.7. Fatores que influenciam na qualidade da casca do ovo
Vários fatores afetam a composição do ovo e a qualidade da casca, como por
exemplo a linhagem, idade da ave, a posição do ovo na sequência de postura, a
temperatura ambiente, a presença de fatores estressantes ou agentes infecciosos, a
disponibilidade de alimento e medicamentos, dentre outros (NASCIMENTO e SALLE,
2003).
2.7.1. Nutricionais
2.7.1.1. Cálcio
Os níveis de cálcio na dieta de matrizes afetam o desenvolvimento embrionário,
principalmente por meio da qualidade da casca. A má qualidade da casca em virtude da
deficiência de cálcio resulta em perda excessiva no peso dos ovos, acompanhada por
27
aumento na mortalidade durante a primeira semana, da contaminação, mau
desenvolvimento ósseo e aumento da mortalidade ao final do período de
incubação(RUTZ et al., 2005).
O cálcio para a formação da casca provém exclusivamente da dieta. Um ovo de
tamanho médio tem aproximadamente 2,5 g de cálcio. O cálcio é transportado pelo
sangue sob duas formas: cálcio iônico e cálcio ligado à vitelogenina (fosfolipoproteína)
(ARAÚJO e ALBINO, 2011). Nas aves fora de postura o nível de cálcio plasmático é
de 10 mg/100ml de sangue, e no período de produção sua concentração chega a 30
mg/100ml ( BAIÃO e CANÇADO, 1997; ARAÚJO e ALBINO, 2011;).
Segundo Baião e Lúcio (1997), as duas formas de cálcio plasmático estão em
equilíbrio dinâmico de tal forma, que qualquer redução na concentração de cálcio livre,
durante a passagem de sangue pelo útero, determina uma imediata transformação de
cálcio ligado à vitelogenina em cálcio livre. O cálcio ionizado é utilizado na formação
da casca do ovo, armazenado nos ossos ou excretado, enquanto que o cálcio ligado à
proteína é incorporado à casca.
O metabolismo de cálcio envolve os seguintes hormônios e vitaminas:
estrógeno, paratormônio, calcitonina e 1,25 (OH)2-D3 – dihidroxivitamina D3. O
estrógeno promove a deposição do cálcio na região medular dos ossos, sendo que a
calcitonina provoca a inibição desta reabsorção e a 1,25 (OH)2-D3 estimula a absorção
de cálcio pelos intestinos (BAIÃO e LÚCIO, 2005; ARAÚJO e ALBINO, 2011).
De acordo com Calderon (1994), duas a três semanas antes do início da
produção, ocorrem nas frangas mudanças fisiológicas no metabolismo do cálcio. A
retenção do cálcio e fósforo da dieta e o conteúdo mineral dos ossos são aumentados. A
formação do osso medular é facilitada, enquanto a excreção pelos rins é aumentada. O
nível de cálcio do sangue é aumentado como resposta ao estrógeno. Apesar de toda essa
preparação para iniciar a produção de ovos, as aves entram em um balanço negativo de
cálcio.
Mazzuco et al (1998) afirmaram quea presença de fontes de cálcio com maior
granulometria na dieta proporciona efeitos benéficos sobre a qualidade da casca, pois
estas permanecem por um período de tempo maior no trato digestório sendo absorvidas
à noite e fornecendo o cálcio necessário à formação da casca durante este período que é
justamente o horário que ocorre os primeiros estágios da calcificação da casca do ovo.
28
Apesar dos vários fatores que interferem nas exigências de cálcio para a matriz
pesada, a recomendação de 3% na dieta tem sido adequada para a produção de ovos e a
manutenção da qualidade da casca (ARAÚJO e ALBINO, 2011).
Entretanto, Moreki (2005) estudou o efeito de diferentes níveis de cálcio sobre a
qualidade da casca de ovos de 190 matrizes pesadas da linhagem Ross® criadas no piso.
As aves, em cada dieta experimental foram divididas aleatoriamente em três tratamentos
com 1,5, 2,5 e 3,5% de cálcio (22 aves por tratamento) entre 23 e 35 semanas de idade.,
sendo fotoestimuladas as 22 semanas. As variáveis de qualidade de casca influenciadas
pelos diferentes níveis de cálcio foram espessura da casca, peso da casca e percentual de
casca. Como resultado(Quadro 4), o peso da casca por unidade de superfície (mg/cm2),
peso da casca, porcentagem da casca e espessura da casca foram significativamente
melhorados quando os níveis de cálcio aumentaram de 1.5% para 2,5%. Já o aumento
de cálcio para 3.5% não surtiu efeito quando comparado ao de 2,5%. Os resultados
sugeriram que para o peso máximo de casca, peso da casca por unidade de superfície
(mg/cm2), espessura da casca e percentual de casca os níveis de cálcio na dieta de
reprodutoras pesadas deve ser de pelo menos 2,5%. Além do aumento da idade e do
tamanho do ovo, outro possível fator que contribuiu para a formação de cascas mais
finas foi o declínio da quantidade de cálcio no osso medular com o avançar da idade.
29
Quadro 4- Efeito dos níveis de cálcio e idade sobre o pesodo ovo e características dos
ovos de matrizes pesadas (Ross) entre 23 e 35 semanas de idade
Idade (semanas)
Variáveis
Tratamento
27
30
33
Média
Peso do ovo (g)
1.5% Ca
56.16 ± 0.74
60.07 ± 0.60 61.49 ± 0.61
59.24 ± 0.38a
2.5% Ca
56.35 ± 0.75
60.07 ± 0.57 62.97 ± 0.62
59.80 ± 0.38a
3.5% Ca
55.10 ± 0.73
60.51 ± 0.57 63.39 ± 0.60
59.67 ± 0.37a
Média
55.87 ± 0.43a
60.22 ± 0.33b 62.62 ± 0.35c
Superfície do
1.5% Ca
68.20 ± 0.62
71.54 ± 0.50 72.73 ± 0.51
70.83 ± 0.32a
Ovo (cm 2)
2.5% Ca
68.38 ± 0.63
71.54 ± 0.48 73.95 ± 0.52
71.29 ± 0.32 a
3.5% Ca
67.26 ± 0.62
71.88 ± 0.48 74.29 ± 0.50
71.14 ± 0.31 a
Média
67.95 ± 0.36a
71.65 ± 0.28b 73.66 ± 0.29c
Peso da casca/
1.5% Ca
73.56 ± 1.02
72.20 ± 0.82
unidade de
2.5% Ca
76.82 ± 1.03
78.13 ± 0.78
75.11 ± 0.84
76.69 ± 0.51b
3.5% Ca
75.99 ± 1.00
77.53 ± 0.78
76.27 ± 0.82
76.60 ± 0.50b
Média
75.46 ± 0.59b 75.95 ± 0.46b 73.62 ± 0.48a
área (mg/cm2)
Peso da casca(g) 1.5% Ca
Porcentagem
5.02 ±0.09a
5.16 ±0.07a
5.05 ±0.07a
2.5% Ca
5.26 ±0.09a
5.59 ±0.07b
5.55 ±0.07b
3.5% Ca
5.12 ±0.09a
5.57 ±0.07b
5.67 ±0.07b
1.5% Ca
de casca (%)
69.48 ± 0.84
71.75 ± 0.52a
8.95 ± 0.12
8.61 ± 0.10
8.23 ± 0.10
2.5% Ca
9.33 ± 0.13
9.32 ± 0.09
8.83 ± 0.10
8.59 ± 0.06a
9.16 ± 0.06b
3.5% Ca
9.30 ± 0.12
9.23 ± 0.09
8.95 ± 0.10
9.16 ± 0.06 b
Média
9.19 ± 0.07bc
9.05 ± 0.06c
8.67 ± 0.06a
Médias coma mesma letradentro de uma coluna(tratamento)ou linha(idade) não são significativamente
diferentesparaa
mesma
variável,
em
que
não
houve
interação
significativa(P>0,05)ocorreu.
Médias coma mesma letradentro de uma linha(idade) não são significativamente diferentesparaa mesma variável,
onde uma interação significativa(P <0,05) ocorreu.
Fonte: MOREKI (2005) adaptado
2.7.1.2. Fósforo
O fósforo é depositado no período final de formação do ovo e está presente na
casca em pequena quantidade ( 22 miligramas), não sendo homogeneamente
distribuído, e concentrado-se mais nas extremidades mais nas camadas externas da
casca (ARAÚJO e ALBINO, 2011). Ao contrário do cálcio, o nível de fósforo no
plasma sanguíneo, não tem um mecanismo de regulação eficiente e varia muito com o
nível de fósforo oferecido na dieta. A qualidade da casca pode ser prejudicada tanto
pelo baixo quanto pelo alto nível de fósforo na dieta (BAIÃO e LÚCIO, 2005;
DUARTE e JUNQUEIRA, 2010;ARAÚJO e ALBINO, 2011), diminuindo, em galinhas
jovens, os níveis de fósforo disponíveis menores que 0,25% têm efeitos negativos sobre
30
a produção de ovos e qualidade óssea. Segundo a Associação Mundial de Ciências
Avícolas (World ‘s Poultry Science Association – WPSA) os níveis recomendados de
fósforo na dieta galinhas de produção é de 0,28%. Há evidências de que a necessidade
de fósforo para matrizes pesadas aumenta ligeiramente nos ambientes quentes e que
níveis de fósforo disponíveis abaixo de 0,25% nessas temperaturas aumentam a
mortalidade em galinhas (NYS, 1995).
2.7.1.3. Magnésio
De acordo com Baião e Lúcio (2005), altos níveis de cálcio e fósforo na dieta
aumentam as necessidades de magnésio pelas aves, e uma deficiência deste mineral na
dieta de aves pode diminuir o tamanho do ovo e o peso da casca.
2.7.1.4. Zinco
O zinco é um cofator essencial na atividade da anidrase carbônica, que controla
a transferência de íons bicarbonato do sangue para a glândula da casca. Segundo Baião
e Lúcio (2005), níveis de 70 a 100 ppm nas rações para matrizes pesadas são suficientes
para garantir ovos de boa qualidade. Mas Rutz et al, (2005) descreveram que altos
níveis de zinco na dieta não aumentaram de maneira significativa o contudo desse
mineral nos ovos.
2.7.1.5. Manganês
Este mineral conjuntamente com zinco é cofator de metaloenzimas associadas à
síntese de mucopolissacarídeos e carbonato que compõem a matriz orgânica da casca
dos ovos (SWIATKIEWICZ e KORELESKI, 2008), sendo inclusive um constituinte
desta matriz. A deficiência de manganês compromete a formação da camada mamilar da
casca aumentando a incidência de áreas translúcidas (ARAÚJO e ALBINO, 2011;
BAIÃO e LÚCIO, 2005), sendo o nível de suplementação recomendado de 100mg/kg
de ração podendo atingir até 150mg/kg em rações para reprodutoras (ARAÚJO e
ALBINO, 2011).
31
2.7.1.6. Proteínas e aminoácidos
Souza e Lima (2007) afirmaram que a qualidade da proteína da dieta não deve
ser negligenciada devendo ter aminoácidos bem balanceados, principalmente a
metionina, para a síntese das proteínas que formam a base de sustentação da casca.
Embora contribuindo com menos de 1% do peso da casca do ovo, os componentes
protéicos têm um papel muito importante na calcificação da mesma, participando dos
processos essenciais de sustentação e modelagem da estrutura calcária.
Na fase de postura, o consumo de 18g a 20g de proteína bruta/galinha/dia parece
adequado, assumindo que as necessidades dos aminoácidos essenciais sejam satisfeitas.
Porém, níveis mais elevados (até 25g/ave/dia) podem ser necessários durante o período
do pico de produção, para atingir o máximo rendimento de massa de ovo (BAIÃO e
LÚCIO, 2005).
2.7.1.7. Vitamina D
A vitamina D é sintetizada pela pele a partir do dehidrocolesterol, pela ação dos
raios ultravioleta. Apesar disso, há necessidade de suplementação desta vitamina na
ração das aves. A vitamina D3 da dieta, não está na sua forma ativa, sendo transportada
ao fígado onde sofre uma hidroxilação transformando-se em 25-hidroxicolecalciferol.
Posteriormente, este
metabólito
é transportado aos
rins onde
sofre outra
hidroxilação,passando para a forma ativa de 1,25-dihidroxicolecalciferol. Esta vitamina
tem um papel importante na homeostasia do cálcio e do fósforo (BAIÃO e CANÇADO,
1997). Em galinhas velhas há redução na capacidade de hidroxilação da vitamina D nos
rins, o que poderia ser mais uma causa da baixa qualidade da casca destes ovos
(BAIÃO, 2005). Com o aumento da idade das matrizes pesadas acontece também uma
progressiva diminuição na habilidade do fígado em hidroxilar a vitamina D3 em
25(OH)-D3 (BAR e HURWITZ, 1980).
Segundo Mazzuco et al. (1998), a recomendação desta vitamina na ração de
matrizes em produção, situa-se em torno de 2750 UI/kg.
Entretanto, Torres et al (2009) acompanharam o desempenho produtivo de 640
matrizes pesadas da linhagem Cobb® (durante 32 a 67 semanas) alimentadas com 25hidroxicolecalciferol (25(OH)D3) sendo utilizadas dietas experimentais com 2.000 ou
3.400 UI/kg vitamina D3 ou 2.000 UI de D3 associados 35 ou 69mg/tonelada de
25(OH) de D3. Como resultado (Quadro 5), as matrizes com 35 semanas alimentadas
32
com 3.400 UI de D3 produziram ovos com maior gravidade específica que em
comparação com aqueles ovos de aves alimentados com 2.000 UI de D3 ou 2000 de D3
+ 69 mg de 25(OH)D3. Com 40 semanas, as aves alimentadas 2000 + 35 mg de
25(OH)D3 produziram ovos com gravidade específica mais elevada em comparação
aquelas aves suplementandas com 2000 D3+69 mg25(OH)D3. Sendo assim os autores
não observaram melhorias na qualidade da casca dos ovos quando o 25(OH)D3 foi
adicionado à ração já contendo 2000 UI de vitamina D3.
Quadro 5 - Peso dos ovos e gravidade específica do ovo de matrizes de corte
suplementadas com colecalciferol e 25-hidroxicolecalciferol entre 32 e 67 semanas de
idade
Semanas
2.000D3
3.400D3
2.000D3+
35mg
2.000D3+ 69 mg
25(OH)D3
25(OH)D3
Média
Peso dos ovos (g)
35
64.0±0.34
63.4±0.43
63.7±0.40
63.30.34
63.6±0.19a
40
66.1±0.36
65.9±0.46
66.0±0.42
65.8±0.36
66.0±0.20b
50
69.3±0.42
69.3±0.53
69.7±0.48
69.4±0.42
69.4±0.23c
56
69.5±0.48
70.1±0.61
69.7±0.55
70.3±0.48
69.9±0.26c
60
69.8±0.60
70.8±0.75
69.9±0.69
70.1±0.60
70.1±0.33c
67
71.4±0.45
72.1±0.57
70.7±0.52
72.2±0.45
71.6±0.25d
Média
68.4±0.32
68.6±0.40
68.3±0.37
68.5±0.32
Gravidade específica dos ovos (g/ml)
35
1.083±0.44a
1.085±0.44b
1.084±0.44ab
1.083±0.44a
1.084±0.22A
40
1.083±0.34ab
1.083±0.34ab
1.084±0.34b
1.082±0.34a
1.083±0.17A
56
1.078±0.41
1.078±0.51
1.078±0.51
1.078±0.51
1.078±0.25B
60
1.074±0.43ab
1.073±0.43a
1.076±0.43b
1.075±0.43b
1.075±0.21C
67
1.074±0.42
1.074±057
1.73±0.57
1.074±0.57
1.074±0.28c
Média
1.079±030
1.079±030
1.079±030
1.079±030
Médias seguidas pelas mesmas letras maiúsculas dentro de uma coluna não diferiu (P> 0,05) pelo teste de Bonferroni.
Médias seguidas por letras minúsculas dentro de uma linha não diferiu (P> 0,05) pelo teste de Tukey
Fonte: TORRES et al (2009) (Adaptado)
33
2.7.2. Idade da matriz pesada
A redução na qualidade da casca do ovo, com o aumento da idade da ave é
evidente e, pode ser observado ao nível de campo (BAIÃO e CANÇADO, 1997;
ARAÚJO e ALBINO, 2011). Apesar de não ser um fator nutricional, todos os artifícios
usados para reduzir os efeitos da idade sobre a qualidade da casca estão direta ou
indiretamente relacionados com a nutrição (ARAÚJO e ALBINO, 2011) Ovos de
matrizes mais velhas têm maior frequência de ovos maiores (BAIÃO e CANÇADO,
1997; ARAÚJO et al., 2009) ocorrendo redução da densidade, devido à maior
porosidade da casca, que favorece as trocas gasosas entre o ovo o e meio (MAIORKA et
al, 2003; ARAÚJO et al., 2009).
Com o avanço da idade da ave, ocorre um declínio na produção, aumento no
peso dos ovos, alterações na composição e espessura da casca (MÁCHAL e
SIMEONOVOVÁ, 2002), embora se observe um aumento significativo no tamanho
destes. Este fator parece estar relacionado a uma redução no recrutamento dos folículos
dentro da hierarquia folicular, com maior tempo de maturação dos folículos (RUTZ et
al., 2007).
De acordo com Hamilton (1982) o tamanho e o peso do ovo aumentam com a
idade das aves, mas o peso da casca não aumenta na mesma proporção.Em
consequência, a espessura da casca e sua porcentagem em relação ao peso do ovo
diminuem.Segundo Brake (1996) a diminuição da espessura da casca com o aumento da
idade da ave é devido à maior extensão da superfície desses ovos, com menor deposição
de carbonato de cálcio por unidade de área.
De acordo com Vieira (2001), a perda da qualidade da casca em ovos de
matrizes mais velhas, reduz a eclodibilidade destes e envolve dois sistemas endócrinos,
o da vitamina D e o da produção de estrógenos com o impacto sobre o metabolismo do
cálcio. A deterioração da qualidade da casca de ovos com a idade das matrizes ocorre
junto com a redução na postura de ovos. Concomitantemente, ocorrem reduções nos
níveis séricos de 1,25 (OH)2D3 e no peso dos ossos medulares. Várias razões
contribuem para esta redução na eficiência do metabolismo do cálcio com o avanço da
idade das aves, sendo enumeradas as seguintes: redução da síntese de 1,25 (OH)2D3
devido às reduções na atividade renal da 25(OH)D3-1- hidroxilase; redução da
capacidade de absorção de 1,25 (OH)2D3 pela mucosa intestinal, bem como pelos ossos
corticais e medulares; aumento na velocidade de metabolização de 1,25 (OH)2D3; perda
34
de eficiência da glândula da casca em obter cálcio da circulação sanguínea e depositá-lo
na casca e redução na capacidade de manter a homeostase cálcica, especialmente em
condições de limitação de cálcio nas dietas.
Para reduzir o problema de casca mais frágil, especialmente de aves em final de
produção, Mazzuco et al (1998) indicaram uma suplementação de cálcio, na forma de
farinha de ostra, elevando o nível de cálcio para 4,5% na ração.
Por outro lado, Baião e Lúcio (2005) afirmaram que o uso de fontes de cálcio
menos solúveis ou com granulometria mais grosseira, podem melhorar a qualidade da
casca. O produto mais comumente utilizado é o calcário grosso (granulometria mais
grossa), por ser mais barato do que a farinha de ostra, e possuir bons resultados para a
qualidade da casca.
Além disso, os ovos postos por galinhas mais velhas têm a membrana externa
(base orgânica da calcificação) com uma composição em aminoácidos distinta daqueles
ovos produzidos por aves mais jovens. Esta desigual composição pode ser responsável
por uma estrutura distinta e justificar as diferenças na qualidade das cascas. Outro fator
é a menor atividade da enzima anidrase carbônica em aves mais velhas (ARAÚJO e
ALBINO, 2011; MAIORKA et al, 2003).
Emara (2008) demonstrou também que a idade da galinha tem efeito sobre a
resistência a quebra por compressão, sendo esta menor com avançar da idade do lote.
Rodrigues-Navarro et al. (2002) avaliaram a influência da composição estrutural
e da espessura da casca dos ovos de matrizes novas (30 semanas de idade) e velhas (58
semanas de idade). De maneira geral, os autores concluíram que as cascas dos ovos de
matrizes mais velhas são menos resistentes e mostram grande variabilidade em suas
propriedades estruturais como espessura, morfologia granular e textura cristalográfica
em comparação aos ovos de matrizes mais jovens
Barbosa et al (2012a), também avaliaram a qualidade da casca dos ovos
provenientes de matrizes pesadas de diferentes idade (33 e 63 semanas) obtidos de lotes
da linhagem Cobb®, produzidos no mesmo dia e provenientes da segunda e terceira
coletas na granja. Para cada idade de matriz foi retirada e identificada uma amostra de
50 ovos para as avaliações de peso específico (princípio de Arquimedes) e porcentagem
de casca; uma amostra de 50 ovos para as avaliações de resistência (fratura por
35
compressão), espessura e porosidade da casca (método de Rahn); e uma amostra de 10
ovos para as avaliações ultraestruturais da casca por microscopia eletrônica de
varredura. Os ovos das matrizes com idade de 63 semanas apresentaram menor peso
específico (P<0,05) quando comparados aos ovos das matrizes de 33 semanas. Como a
análise de peso específico é um indicador de qualidade do ovo, estes resultados
demonstraram uma melhor qualidade de casca nos ovos de matrizes mais novas.As
matrizes mais velhas apresentaram menores percentuais de casca em relação ao peso do
ovo (P≤0,005) do que os ovos de matrizes mais novas (Tabela 2).
Tabela 2-Peso específico (g/ml) e porcentagem de casca em relação ao peso do ovo, de
acordo com a idade da matriz (linhagem Cobb®)
Idade
da
matriz Peso
específico
(g/ml Casca (%)
(semanas)
H2O)
33
1,083 a
9,5 a
63
1,080 b
8,6 b
C.V (%)
0,5
4,6
Médias seguidas de letras distintas na coluna são diferentes pelo teste F (P≤0,05).
Fonte: BARBOSA (2012a) (Adaptado)
Menor peso do ovo e do número de poros (Tabela 3) foi encontrado nos ovos de aves
mais jovens (P≤0,001). Nestes, a espessura e a resistência da casca foram maiores (P≤0,001) se
comparada às dos ovos das aves mais velhas. Verificou-se também que, à medida que a ave
aumentou a idade, as características físicas dos ovos revelaram mudanças estruturais que
tornaram a qualidade da casca inferior.
36
Tabela 3-Peso médio do ovo, espessura, resistência e porosidade da casca de acordo
com a idade da matriz pesada (linhagem Cobb®)
Idade da
Peso do
Espessura da
Resistência
Poros da casca
Matriz
ovo (g)
casca (mm)
da casca (g)
por cm² (nº)
33
62,0 B
0,457 A
3193 A
103 B
63
72,4 A
0,435 B
2994 B
126 A
CV(%)
4,9
7,9
17
-
(semanas)
Médias seguidas de letras distintas na coluna são diferentes pelo testes F1 e Mann-Whitney2, respectivamente
(P≤0,001).
Fonte: BARBOSA (2012a) (Adaptado)
A espessura da casca na região da câmara de ar (região basal) revelou ser menor
(P≤0,05) nas matrizes velhas (Tabela 4) quando comparada à das matrizes novas. Nas
demais regiões da casca, não houve diferença (P>0,05) na espessura entre as idades das
matrizes. As regiões da casca do ovo não influenciaram (P>0,05) esta variável tanto em
matrizes novas como em matrizes velhas.
Tabela 4-Espessura da casca (mm) em função da região do ovo e da idade da matriz
(linhagem Cobb®)
Idade da matriz
(semanas)
Regiões da casca do ovo
Apical
Equatorial
Basal
33
0,462 Aa
0,448 Aa
0,462 Aa
63
0,440 Aa
0,429 Aa
0,437 Ba
Médias seguidas de letras distintas, minúsculas na linha e maiúsculas na coluna, são diferentes pelo teste KruskalWallis (P≤0,05).
Fonte: Barbosa (2012a) (Adaptado)
Independentemente
da
idade
da
matriz,
foi
encontrada
menor
(P≤0,05)porosidade na região apical,quando comparada às regiões equatorial e basal,
que foram semelhantes entre si (Tabela 5). Os dados da Tabela 5 sugerem a hipótese de
que a distribuição dos poros pode ocorrer em razão da necessidade funcional. Matrizes
mais velhas apresentaram maior (P≤0,05) número de poros na casca do que matrizes
novas, independentemente da região do ovo (Tabela 3).
37
Tabela 5-Porosidade da casca em função da região do ovo e da idade da matriz
Idade da matriz
Porosidade da casca do
(semanas)
ovo (n° de poros/cm²)
Apical
Média
Equatorial
Basal
33
91
104
114B
103
63
103
130
148A
126
Média
97b
117a
131a
Médias seguidas de letras distintas, minúsculas na linha e maiúsculas na coluna, são diferentes pelo teste KruskalWallis (P≤0,05).
Fonte: Barbosa (2012a) (Adaptado)
Os dados de espessura total de casca e a região calcificada (Tabela 6),
compreendida pelas camadas vertical, paliçada e mamilar, em ovos de matrizes de 33
semanas, foram maiores (P≤0,01) quando estas matrizes foram comparadas àqueles de
com 63 semanas. Esta análise, feita por microscopia eletrônica, confirmou a diferença
significativa encontrada para esta variável por meio da medição pelo micrômetro de
forma manual (Tabela 3). Em relação às camadas da casca, a camada de cristal vertical
foi a única porção da casca em que os ovos das matrizes novas revelaram maior
espessura (P≤0,01) que as matrizes velhas, porém esta diferença não foi suficiente para
alterar os resultados descritos anteriormente.
Tabela 6 –Avaliação
regiões e com a idade da matriz (Linhagem Cobb®)
Idade
Cutícula Camada Camada
Camada
Região
(sem)
Vertical paliçada
Mamilar Calcificada
Membrana Total
casca
33
3,13a
12,85b
264,61a
121,14a
398,60a
80,72a
479,3a
63
2,78b
18,17a
243,97b
111,09b
373,22b
52,32b
425,5b
5,5
2,4
6,7
1,2
10
-
CV(%) 6,7
Médias seguidas de letras distintas na coluna são diferentes pelo teste F (P≤0,01).
Fonte: BARBOSA (2012a) (Adaptado)
38
A proporção das membranas da casca em relação à sua espessura total foi
significativamente maior (P≤0,05) em ovos de matrizes novas (Tabela 7). Estes dados
sugerem um papel relevante das membranas da casca sobre a resistência, comparados às
proporções das camadas calcificadas. A espessura da camada mamilar foi
proporcionalmente semelhante (P>0,05) entre os ovos das duas idades de matrizes, o
que demonstra que a proporção desta camada mantém-se independente da espessura da
casca ou da idade da matriz. Em relação à cutícula, ovos de matrizes com diferentes
idades tiveram a mesma capacidade de depositar esta camada, pois, proporcionalmente,
os resultados entre as idades foram semelhantes (P>0,05).
Tabela 7-Percentual das camadas da casca do ovo em relação à espessura total da casca,
de acordo com a idade da matriz
Idade
Cutícula
(sem)
Camada
Camada
Camada
Membrana
vertical
paliçada
Mamilar s
33
0,65a
2,66b
54,85b
25,12a
16,72a
63
0,65a
4,24a
56,97a
25,93a
12,21b
CV(%)
5,4
6,1
2,5
6,7
9,0
Médias seguidas de letras distintas na coluna são diferentes pelo teste F (P≤0,05).
Fonte: BARBOSA (2012a) (Adaptado)
Rocha et al, (2008) utilizaram ovos de matrizes Cobb® com 31,38 e 43 semanas
de idade em seu estudo, para avaliar a uniformidade da gema e de suas proporções, da
casca e do albúmen em relação ao peso do ovo (Tabela 8).
Tabela 8- Porcentagem de gema, albúmen e casca dos ovos de acordo com a idade das
matrizes
Idade (semanas)
Gema
Albúmen
Casca
31
25,75c
65,18a
9,07b
38
28,00b
62,70b
9,31ª
43
28,93a
61,81c
9,26ª
CV (%)
6,16
2,87
6,96
Médias seguidas de letras distintas na coluna diferem entre si pelo teste SNK (P≤0,01).
Fonte: ROCHA et al (2008) (Adaptado).
39
A porcentagem de gema aumentou e a de albúmen reduziu significativamente
com o aumento da idade da matriz. Das matrizes com 31 semanas resultaram ovos com
menor porcentagem de casca que das matrizes com 38 e 43 semanas de idade (P≤0,01).
Estes dados de porcentagem da casca dos ovos em relação à idade da matriz, estão de
acordo com os demonstrados na Tabela 2 do experimento realizado por Barbosa et al
(2012a), confirmando que as matrizes pesadas mais velhas, possuem menor
porcentagem de casca do ovo em relação às mais novas.
2.7.3. Manejo
2.7.3.1. Manejo dos ovos incubáveis
Partindo do princípio óbvio de que o ovo só quebra quando a resistência da
casca é menor do que a força aplicada sobre a mesma é fácil compreender que a
incidência de ovos trincados e quebrados não depende apenas da qualidade da casca,
mas também do trato que é dado a esses ovos (BAIÃO e CANÇADO, 1997).
Segundo Cobb (2008) somente se conseguem ótimos nascimentos e pintinhos de
boa qualidade quando se mantém o ovo em ótimas condições, desde a postura até a
colocação na máquina incubadora. Se o manejo for insatisfatório, o potencial de
nascimento pode se deteriorar rapidamente. Sendo assim, alguns cuidados devem ser
tomados em relação aos ovos incubáveis, como: prevenir rachaduras nosovos com
manuseio cuidadoso em todos os momentos após a postura incluindo a colocação dos
ovos na bandeja da máquina incubadora ou na bandeja de transporte com o lado menor
(ponta) voltado para baixo; cuidado ao selecionar os ovos; fazer uma boa manutenção
dos ninhos manuais, os quais devem ser forrados com material limpo e seco; coletados
de um galpão pelo menos quatro vezes por dia, sendo recomendado seis coletas durante
o pico de produção, evitando o acúmulo de ovos e consequentemente quebra ou
trincamento destes; coletados usando bandejas plásticas ou em fibra; empilhamento de
até 3 bandejas ou pentes por carregamento; não utilização de cestas ou baldes pois isso
pode resultar em um maior número de ovos rachados e contaminados.
Dentre os fatores que propiciam a perda da cutícula entre outros estão: os
hereditários, mecânicos (lavado e lixado), armazenamento prolongado, superfícies
cobertas de material fecal e o aumento na temperatura de armazenamento dos ovos.
Com a perda da cutícula o ovo fica mais frágil e consequentemente, mais propenso a
traumas (ARAÚJO e ALBINO, 2011)
40
2.7.3.2. Manejo relacionado à matriz pesada
Medidas tomadas em relação à matriz pesada como a debicagem, manejo
alimentar e muda forçada também são fatores que interferem na qualidade da casca do
ovo.
Com relação ao manejo da alimentação, Baião e Lúcio (2005) descreveram que
o processo de formação da casca do ovo tem a duração de aproximadamente 20 horas e
que, dentro de um período de luminosidade diária normal, 80% das aves realizam a
postura antes do meio dia, concluindo-se que a maior parte da deposição de cálcio na
casca ocorre à noite.
Durante o período que não ocorre a formação da casca, o cálcio ingerido é
depositado na região medular do osso, constituindo uma reserva lábil e, durante a noite,
quando ocorre a maior deposição de cálcio à casca, este é utilizado. Portanto o cálcio
para a formação da casca chega ao útero por duas vias, uma direta do intestino e outra
após passar pela região medular dos ossos longos. Esse mecanismo explica por que o
arraçoamento à tarde, o uso de fontes de cálcio menos solúveis ou com granulometria
mais grosseira ou ainda a administração de farinha de ostra (granulometria grosseira)
podem melhor a qualidade da casca. Outro artifício que pode ser usado para melhorar a
qualidade da casca é permitir que as aves tenham acesso ao alimento à noite (BAIÃO e
LUCIO, 2005).
A alteração no declínio natural do desempenho reprodutivo das aves,
especialmente no que diz respeito à produção e qualidade dos ovos, tem sido uma área
de considerável interesse. Uma alternativa para melhora no desempenho reprodutivo das
aves é a utilização do manejo de muda forçada. Existindo uma boa correlação entre o
desempenho de matrizes no período pré e pós muda (RUTZ et al., 2005).
A muda consiste na regressão completa do trato reprodutivo e perda de penas. É
necessário que a muda induza as alterações hormonais que resultam na perda completa
da função reprodutiva. Após sofrer a muda, a ave torna-se endocrinologicamente
semelhante à ave na fase pré-puberal, podendo retornar a produção de ovos após
fotoestímulo e alimentação adequada (RUTZ et al., 2005).
Entretanto, a realização de um segundo ciclo de produção somente se justifica
quando resulta em melhorias na qualidade dos ovos e aumento no lucro para a empresa.
41
Assim, é conveniente considerar a realização da muda forçada somente para lotes que
apresentarem bom desempenho até 64 semanas de idade (DUARTE e JUNQUEIRA,
2010; RUTZ et al., 2005).
Em relação à debicagem seu efeito é indireto onde lotes debicados corretamente
são geralmente mais tranquilos (menor comportamento de fuga de aves pouco
emplumadas), e secundariamente, os danos da casca são minimizados em lotes não
perturbados durante o período de postura (BAIÃO e LÚCIO, 2005; SOUZA e LIMA,
2007).
2.7.4. Temperatura ambiente
A qualidade da casca do ovo pode ser alterada em plantéis submetidos à alta
temperatura ambiente. Um dos problemas pode ser uma ingestão inadequada de ração, o
que pode resultar em piora no peso corporal, na produção, tamanho e qualidade de ovos,
se medidas nutricionais não forem adotadas para assegurar o atendimento das
exigências nutricionais. Em condições de alta temperatura ambiente e redução no
consumo de ração, a energia se torna o primeiro fator limitante para a matriz (SOUZA e
LIMA, 2007).
Com o aumento da temperatura ambiente associado à umidade elevada, observase queda gradativa na qualidade da casca, sendo seu efeito observado a partir de 26ºC,
logo acima da zona de conforto das aves. Nesta situação de desconforto, entra em
funcionamento o sistema de perda de calor, chamado calor sensível, caracterizado pela
hiperventilação e evaporação de água dos pulmões. Esta situação pode levar a alteração
no equilíbrio ácido-básico das aves, e consequentemente, prejudicar a formação e
qualidade dos ovos. A diminuição do CO2, provocada pela ofegação, leva a alcalose
respiratória que interfere no equilíbrio eletrolítico e mineral, podendo resultar em ovos
pequenos e de casca fina. Esta alcalose pode ser compensada pela eliminação de íons
carbonatos pelos rins, explicando assim a redução na qualidade externa dos ovos, pois o
organismo fica em déficit dos elementos que irão compor o carbonato de cálcio na
casca. (BORGES et al., 2003; FRANCO e SAKAMOTO, 2012)
Souza e Lima (2007) afirmam que em condições de estresse calórico extremo, a
matriz transfere suas prioridades fisiológicas da produção de ovos e calcificação da
casca do ovo para a sobrevivência do organismo.
42
2.7.5. Genética
Diferentes linhagens de reprodutoras apresentam qualidades de casca
distintasdevido às diferenças na capacidade de transporte e utilização de nutrientes,
podendo desta forma, influenciar na qualidade da casca (CARVALHO e FERNANDES,
2007).
A seleção para produção de ovos ou peso pode afetar outros parâmetros de
produção ou qualidade, como a casca do ovo, por exemplo. Sendo assim, é necessário
que os programas de seleção genética de poedeiras comerciais e reprodutoras,
monitorem várias características a fim de que a melhora de uma não interfira ou
influencie negativamente em outras características igualmente importantes, como, por
exemplo, a qualidade da casca (CARVALHO e FERNANDES, 2013; ROBERTS,
2004).
A seleção genética para qualidade do ovo se baseia, fundamentalmente, na
espessura da casca, a qual tem uma herdabilidade em torno de 40%. Em princípio seria
fácil a seleção para qualidade da casca, entretanto, esta característica é inversamente
relacionada à produtividade (BAIÃO e LÚCIO, 2005).
Embora as diferentes linhagens não apresentem grandes variações quanto à
resistência da casca quando são considerados lotes mais jovens, variações significativas
podem ser registradas em plantéis mais velhos, quando os ovos são maiores e os
problemas de quebra mais evidentes (SOUZA e LIMA, 2007).
Joseph et al (1999), procuraram determinar se havia associação entre cor da
casca e qualidade da casca dos ovos de reprodutoras pesadas de quatro linhagens
diferentes, submetidas a três programas de alimentação diferentes. As linhagens
estudadas foram: Cobb 500, ShaverStarbro, Avian 24K e Hubbard Hi-Y, às quatro
foram atribuídos códigos de W, X, Y ou Z, por razões de manter anonimato. Os
programas de alimentação foram ad libitum (AL), alimentação lenta (SF) e alimentação
rápida (FF), e os resultados foram obtidos através dos ovos das matrizes quando elas
estavam com 50 semanas de idade (Quadro 6).
43
Quadro 6- Cor da casca, peso do ovo, gravidade específica, peso da casca, e as medidas
de perda de peso de ovos de ovos a partir de quatro linhagens de matrizes com 50
semanas de idade, em um dos três programas de alimentação.
Fonte
Cor
da
Peso
casca
ovo
(ucc)A
g
AL
118.7±1.4a
68.3±0.3a
FF
109.9±1.0b
SF
112.8±1.1b
do
Densidade
do
Peso da casca
Perda de peso dos ovos/dia
ovo
Absol (g)
Relal (%)
Absol (g)
Rel (%)
1.0716±0.0004
5.78±0.04
8.48±0.05b
0.142±0.007
0.207±0.011
66.1±0.2b
1.0718±0.0003
5.72±0.03
8.66±0.04a
0.142±0.005
0.217±0.008
66.1±0.3b
1.0717±0.0003
5.76±0.03
8.72±0.04a
0.147±0.006
0.224±0.009
DIETAB
LINHAGEM
W
101.1±1.5d
68.1±0.4a
1.0705±0.0004bc
5.54±0.04b
8.44±0.06c
0.158±0.007a
0.234±0.012a
X
127.4±1.2a
65.8±0.3c
1.0694±0.0004c
5.47±0.04c
8.32±0.05c
0.155±0.006a
0.237±0.010a
Y
107.4±1.5c
66.6±0.4bc
1.0756±0.0005a
6.02±0.05a
9.05±0.06a
0.126±0.008b
0.189±0.012b
Z
119.2±1.3b
66.8±0.3b
1.0714±0.0004b
5.79±0.04b
8.67±0.05b
0.135±0.006b
0.204±0.010b
INTERAÇÃO
ALxW
102.0±3.2c
70.5±0.8a
1.0701±0.0010b
5.86±0.10ab
8.32±0.12bc
0.170±0.016a
0.240±0.025
ALxX
139.2±2.4a
68.1±0.6b
1.0689±0.0007b
5.47±0.07c
8.04±0.09c
0.130±0.012b
0.191±0.019
ALxY
104.4±3.1c
66.8±0.7b
1.0771±0.0009a
6.07±0.09a
9.09±0.11a
0.134±0.016ab
0.200±0.025
ALxZ
129.3±2.2b
67.6±0.5b
1.0705±0.0007b
5.73±0.07b
8.49±0.08b
0.133±0.011ab
0.198±0.018
FFxW
097.9±2.0c
67.3±0.5a
1.0699±0.0006b
5.59±0.06bc
8.29±0.08c
0.151±0.010b
0.227±0.016b
FFxX
119.3±1.9a
64.7±0.5c
1.0703±0.0006b
5.54±0.06c
8.58±0.07b
0.180±0.010a
0.279±0.015a
FFxY
106.5±2.2b
66.7±0.5ab
1.0756±0.0007a
6.03±0.06a
9.06±0.08a
0.111±0.012c
0.167±0.018c
FFxZ
115.8±2.0a
65.9±0.5bc
1.0715±0.0006b
5.72±0.06b
8.70±0.07b
0.128±0.010bc
0.194±0.15bc
44
SFxW
103.5±2.3c
66.5±0.6a
1.0714±0.0007b
5.78±0.07a
8.70±0.09b
0.154±0.012
0.233±0.019
SFxX
123.9±1.8a
64.7±0.4b
1.0690±0.0006c
5.39±0.06b
8.35±0.07c
0.155±0.09
0.241±0.015
SFxY
111.2±2.5b
66.3±0.6a
1.0743±0.0008a
5.96±0.07a
9.01±0.10a
0.133±0.013
0.201±0.020
SFxZ
112.5±2.3b
67.0±0.6a
1.0722±0.0007b
5.90±0.07a
0.81±0.09ab
0.146±0.012
0.222±0.019
FONTE DE VARIAÇÃO
PROBABILIDADE
Dieta
0.0001
0.0001
0.95
0.43
0.0025
0.77
0.48
Linha
0.0001
0.0001
0.0001
0.0001
0.0001
0.0032
0.0045
DXL
0.0001
0.0089
0.028
0.020
0.0003
0.0272
0.0268
A - Cor da casca é medida como uma intensidade de cinza média na exposição do norte. Os números são
expressos em unidades de cor da casca (UCC)
B - regimes de alimentação: AL = ad libitum; FF = alimentação rápida, SF = alimentação lenta.
a-d- significa dentro de uma coluna e dentro de uma fonte sem sobrescrito comum diferem
significativamente. Os meios interação são comparados dentro de uma dieta (P < 0,05).
Fonte: JOSEPH et al (1999)
Houve variabilidade na cor da casca devido à tensão alimentar. Galinhas
submetidas à dieta AL, produziram ovos de casca mais clara (118,7 unidades de cor de
casca [unidade de cor da casca UCC]) do que as submetidas às dietas FF ou SF (109,9 e
112,8 ucc respectivamente). Os valores médios de cinza foram 127.4, 119.2, 107.4 e
101,1 ucc para as linhagens X, Z, Y e W, respectivamente. A linhagem X produziu a
coloração mais leve de casca e a W a mais escura. Em todos os três programas de
alimentação, a ordem dos ovos mais levemente coloridos ao mais escuro era linhagem
X, Z, Y e W. Como a faixa na cor da casca foi maior por linhagem do que foi por
alimentação (101,1-127,4 vs 109,9-118,7 ucc, respectivamente), parece que a linhagem
teve a maior influência sobre a variação da cor da casca do que a alimentação.
A média de peso dos ovos foi afetada pela alimentação. Aves submetidas à dieta
AL, produziram ovos mais pesados do que aves que receberam FF ou SF, os valores
foram 68.3, 66.1, e 66,1 g, respectivamente. Presumivelmente este resultado decorre de
uma gema mais pesada nos ovos de galinhas alimentadas com AL. Possivelmente as
matrizes alimentadas AL tinham uma casca mais clara do que os ovos de galinhas em
45
dieta SF ou FF, porque elas tinham um maior peso médio do ovo. Presumindo que
existe uma quantidade finita de pigmento que pode ser depositada sobre um único ovo,
ovos maiores terão menos pigmento por unidade de área (e, portanto, a cor da casca
mais clara) do que um ovo menor tamanho. Gravidade específica do ovo e perda de
peso não diferiu significativamente entre os tipos de alimentação. Relativamente o peso
da casca foi maior no FF e SF (8,66 e 8,72%, respectivamente) em comparação com AL
(8,48%).
Ovos da linhagem X tinham menor gravidade específica, menor peso da casca,
tanto absoluto quanto relativo e maior perda do peso do ovo. A linhagem Y tinha ovos
com maior gravidade específica, maior peso da casca tanto absoluto quanto relativo, e
menor quantidade de perda de peso do ovo. A linhagem possuiu maior efeito sobre a
qualidade da casca do que a dieta, porque a gravidade específica e a perda de peso do
ovo não diferiram pelo tipo de dieta, mas sim pela linhagem.
Nas aves alimentadas com AL, há correlações baixas, mas altamente
significativas ente a cor da casca e a gravidade específica, e em relação entre a cor e
peso da casca (R = -0,2361 e -0,2243, respectivamente). Com isso conclui-se que ovos
grandes postos por essas aves, mostraram um decréscimo na gravidade específica e peso
relativo da casca, além de possuírem a casca mais clara. No programa de alimentação
SF, há correlação entre cor e peso da casca, que foi altamente significativa (R = -0,1676,
P <0,0048). A correlação (R = + 0,1527) apareceu entre cor e peso da casca em apenas
ovos da linhagem W. A correlação entre cor da casca e peso relativo da casca foi
significativo na linhagem X (R = -0.1520, P <.0155).
A gravidade específica está correlacionada negativamente com perda de peso do
ovo e correlacionada positivamente com o peso da casca em todos os três programas de
alimentação nas quatro linhagens. Houve correlação positiva entre perda de peso do ovo
absoluta e relativa e peso relativo da casca para as quatro linhagens nos três programas
de alimentação.
2.7.6. Enfermidades
São inúmeras as doenças que causam queda de produção, porém nem todas
induzem comprometimento da qualidade da casca, a menos que por exemplo, no caso
da doença de Marek, sejam comprometidos órgãos ou tecidos envolvidos com o
46
metabolismo de nutrientes essenciais para o processo de calcificação ou haja perda de
tonicidade. Em condições de campo, não se deve negligenciar o papel da
imunossupressão causada pela Marek e LeucoseLinfóide permitindo a ocorrência de
outras infecções que causam comprometimento da qualidade da casca. (ITO, 2000)
Salle (2009) afirma que algumas doenças como a bronquite infecciosa, síndrome
da queda de postura (EDS 76), doença de Newcastle, influenza aviária, dentre outras,
podem interferir na qualidade externa e interna dos ovos. Em geral, todas as
enfermidades febris alteram de forma direta ou indireta a qualidade da casca, pois
interferem no mecanismo de calcificação da mesma, impedindo ou dificultando a
síntese de CaCO3.
Ito (2000) afirma que a BIG, Newcastle, EDS 76 se caracterizam por apresentar
elevada incidência de alteração de casca, porque estes agentes destroem as células do
istmo e do útero. Pneumovírus, Mycoplasmasp, Corisa e verminoses induzem alterações
de casca mais pelos seus efeitos indiretos sobre consumo, absorção de nutrientes e
desequilíbrios metabólicos.
Qualquer doença que também afete os órgãos relacionados com a absorção de
cálcio, fósforo e vitamina D, pode também comprometer a qualidade da casca. Por
exemplo, uma enterite pode prejudicar a absorção de cálcio; infecções no útero afetam a
deposição de cálcio na casca e uma lesão renal afeta a segunda hidroxilação da vitamina
D (BAIÃO e CANÇADO, 1997).
Além disso, as enfermidades que causam lesões macro e/ou microscópicas no
útero das aves tendem a causar maiores alterações na casca como a produção de ovos
com casca mole, rugosa, sem casca, com casca despigmentada, fina e porosa,
comalterações no formato dos ovos. As quedas na produção podem ser representadas
por oscilações na postura diária podendo alcançar índices de até 50% (MAZZUCO et
al., 1998; SALLE, 2009).
2.7.7. Medicamentos
Segundo SALLE (2009), os organoclorados podem interferir no mecanismo de
calcificação da casca impedindo ou dificultando a síntese de CaCO3, principal
constituinte mineral da casca.
47
Saifet al. (2003) afirmaram que a Nicarbazina reduz a produção e ovos e gera
ovos com casca despigmentada. Já Butcher e Miles (2008) escreveram que este
coccidiostático administrado a matrizes pesadas com uma dose de 5mg por dia, pode
resultar na produção de ovos pálidos em 24 horas, e doses mais elevadas podem
conduzir à uma despigmentação da casca do ovo.
De acordo com Botelho (2011), a Sulfa quando usada indiscriminadamente, em
tempo e doses erradas, pode provocar o aparecimento de casca rugosa e fina. Em
matrizes adultas, há uma diminuição marcada na produção e qualidade da casca do ovo,
ovos castanhos podem ser despigmentada. (SAIF et al, 2003)
2.7.8. Tipos de ninhos
O material do ninho é a primeira superfície que entra em contato com o ovo
recém-posto e a umidade da casca e a temperatura do ovo (42ºC) no momento da
postura favorecem a penetração bacteriana. Não importa o tipo de material do ninho
(maravalha), ele deve ser limpo, seco e livre de matéria fecal. As condições em que se
encontram as aves no aviário determinarão o grau de higiene no ninho (ARAÚJO e
ALBINO, 2003). Segundo Patrício (2003) para evitar as quebras e trincas do ovo, os
ninhos podem ser forrados também de casca de arroz e fibra sintética.
Os ninhos convencionais foram os primeiros a serem usados na avicultura
industrial e ainda são muito utilizados nos dias de hoje, cuja coleta é manual.
Normalmente, esses ninhos são feitos de metal galvanizado, alvenaria ou madeira.
Porém, o de madeira é o que confere maior conforto as aves, já que ninhos de metal
tendem a ser pouco atrativos às aves em locais onde o inverno é rigoroso (menor
temperatura no interior dos ninhos) (PARAGUASSÚ, 2000). Sua vantagem está
relacionada ao baixo custo e as desvantagens à grande dependência de mão-de-obra para
coleta de ovos, a qualidade do ovo poderá ser menor dependendo do número de coletas
realizadas propiciando maior exposição dos ovos aos agentes contaminantes, quando
comparado a ninhos automáticos, necessidade de utilização de maravalha ou outros
materiais e questões sanitárias ligadas aos manejos da cama de ninho e contaminação da
mesma (SANTIN, 1999).
Os ninhos automáticos por sua vez têm ganhado espaço na avicultura industrial
brasileira nos últimos anos. A decisão pela utilização desses ninhos, baseia-se em
fatores como custos com mão-de-obra, manejos das aves ebiosseguridade (não utiliza
48
maravalha ou outro material como cama de ninho). As vantagens da utilização desses
ninhos estão relacionadas principalmente a qualidade do ovo e redução da utilização da
mão-de-obra e sua desvantagem está ligada ao maior custo de implantação como
também ajustes no manejo incluindo o programa de luz (PARAGUASSÚ, 2000;
BARRO, 2005).
O conforto das aves nos ninhos é de suma importância para que essa permaneça
no seu interior. Detalhes relacionados ao comportamento das aves durante a entrada e
permanência no interior dos ninhos, demonstram se os mesmos proporcionam o
conforto e densidade necessários. A altura dos slats melhora o acesso principalmente
para aves pesadas, pois o mesmo mal dimensionado pode dificultar a subida das aves e,
portanto nos ninhos (SBANOTTO, 2007).
Sbanotto (2007) afirma, porém, na prática tem se observado que a utilização de
ninhos automáticos não é tão simples quanto parece. Esses ninhos são obviamente mais
caros para comprar e manter, e, além disso, promovem um aumento de 1-3% da
ocorrência de ovos de cama, quando comparados ao sistema convencional. Por isso, a
necessidade de bom manejo em ninhos automáticos é constante, a fim de torná-los mais
confortáveis e atraentes para as aves e por consequência evitar a postura de ovos na
cama.
Para ninhos convencionais, a literatura descreve a densidade de uma boca
paracada 4,0 aves, enquanto que para automáticos, a variação seria de 5,5 a 6,25 aves
por boca em ninhos individuais e de até 80 aves em equipamentos coletivos
(PARAGUASSÚ, 2000; SBANOTTO, 2007). Sbanotto (2007) relatou que um número
de aves superior a 6,25 em ninhos automáticos, aumenta significativamente o percentual
de ovos de cama.O ninho confortável tem abertura mínima de 35 cm de largura, 35 cm
de altura e 35 cm de fundo. Ninhos com espaços muito superiores a esses facilita a
entrada de várias galinhas ao mesmo tempo, causando a postura múltipla e,
consequentemente, uma maior quebra de ovos. A distribuição dos mesmos no sentido
transversal do galpão facilita a ventilação e a altura ideal do piso ao poleiro é de 45cm a
50 cm (PATRÍCIO, 2003).
O Quadro 7 demonstra as condições dos ovos de acordo com a condição
higiênica dos ninhos, relacionados com contagem bacteriana total, coliformes e
mortalidade dos pintos já eclodidos com 2 semanas
49
Quadro 7-Efeito da qualidade da casca e mortalidade dos pintos nos primeiros 14 dias
de idade
Bactérias
Condição do ovo
totais
Coliformes
% Mortalidade
as 2 semanas
Ovo de ninho limpo
600
123
0.9
Ligeiramente sujo
20 000
904
2.3
Sujos
80 000
1307
4.1
Fonte: Muller (1980) (Adaptado).
2.7.9.Qualidade da cama
Dois pontos fundamentais no que se referem à sanidade do ovo são a sua
produção em ninhos limpos, o que requer um cuidadoso e adequado sistema de manejo,
e a qualidade da cama sobre a qual as aves são mantidas, que também tem grande
influência na higiene do ovo (Figura 7) (ARAÚJO e ALBINO, 2011).
O ambiente onde o ovo é produzido tem grande influência sobre sua qualidade.
A granja deve possuir programas de biosseguridade para evitar possíveis
contaminações. O isolamento, a ventilação, a distribuição dos equipamentos e a
condição da cama são fatores importantes na produção de um ovo de boa qualidade
(PATRÍCIO, 2003).
50
Figura 7-Fatores que influenciam a qualidade da cama
Tipo de bebedouro
Ventilação
Alimento
↑
↖
↗
CAMA
↙
↘
Doenças
Temperatura
ambiente
Fonte: PATRÍCIO (2003) (Adaptado)
Quando os ovos postos sobre a cama são destinados à incubação, serão
higienizados imediatamente. Não usar palha de aço para evitar ranhuras e não facilitar a
penetração das bactérias e fungos para o interior do ovo. A coleta, a armazenagem e a
incubação desses ovos devem ser sempre em separado dos ovos procedentes do ninho,
pois eclodem menos e explodem mais que os ovos de ninho, conforme o Quadro 8, além
da penetração bacteriana ser maior em ovos postos no chão/ cama, em relação aos
postos no ninho (Tabela 9) (MACARI et al, 2003).
Quadro 8-Porcentagem de eclosão de ovos postos sobre a cama
Dias de estocagem
Eclosão
Eclosão padrão
1–4
60,8%
78%
1 -8
54%
78%
6 -13
42,1%
78%
Fonte: PATRÍCIO(2003) (Adaptado)
Tabela 9-Penetração de bactérias través da casca em ovos de piso e ninho
Linha
Reprodutoras pesadas
% de penetração
Ovos de ninho
Ovos de piso
11,9%
20,4%
Fonte: PATRÍCIO(2003) (Adaptado)
51
2.8. Principais defeitos de casca de ovos
2.8.1. Ovos enrugados
Segundo Ito (2000) a causa de ovos enrugados (Figura 8) pode ser devido a
Bronquite Infecciosa das Galinhas e a deficiência de cobre. O resultado pode ser
enrugamento, o que é típico de doenças. Qualquer fator que provoca distúrbios para as
aves 10-14 horas antes da oviposição é susceptível de ter esta falha (GRUPTA, 2008).
Geralmente, representa menos de 1% da produção total (COUNTTS e WILSON, 2006).
Figura 8-Foto de um ovo de galinha com casca enrugada.
Fonte: http://www.thepoultrysite.com/publications/1/egg-quality-handbook (Adaptado),
acesso em 10 de janeiro de 2013.
2.8.2. Ovos com casca áspera/ deposição de cálcio.
Ovos com casca áspera (Figura 9) referem-se às áreas de superfície do ovo com
textura áspera, muitas vezes distribuída de forma desigual ao longo da casca.
Geralmente, acomete menos de 1% da produção total (COUNTTS e WILSON, 2006). É
resultado de pedaços de material calcificado na casca enquanto o ovo está no útero
(GRUPTA, 2008).
52
De acordo com Miles (2000), os lotes de aves mais velhas produzem uma maior
quantidade de ovos com depósitos calcários. A exata etiologia deste problema ainda não
é bem conhecida. Porém, é sabido que o útero de aves velhas apresenta pequenas
partículas calcificadas de secreções do oviduto ou mesmo fragmentos do oviduto que se
aderem à superfície da casca formando esses depósitos. É provável que a origem desses
fragmentos de oviduto calcificadas seja devido a anormalidades dos mecanismos de
início e término da calcificação da casca. A única medica conhecida que reduz a
ocorrência deste fenômeno é a muda forçada a qual causa uma regressão e
“rejuvelhecimento” do trato reprodutivo, limpando o sistema reprodutivo dos
fragmentos calcificados de oviduto.
Depósito de cálcio é um fenômeno bastante comum. O grau de deformação
causada por este desequilíbrio iônico temporário na glândula da casca é variável e
imprevisível. O isolamento dos fatores causais são quase impossíveis de serem
definidos, embora o "stress" pareça desempenhar um papel importante. A análise
ultraestrutural destas cascas, em conjunto com outras técnicas, tais como as análises por
infravermelho e micro análises de raios X, tem demonstrado que a maiorias deste
revestimento extras cuticular é baseadoem fosfato de cálcio. A gradação da deposição
deste materialreflete possivelmente o tempo e a magnitude do fenômeno do estresse e,
portanto, é efetuado quando o ovo se encontra nos últimos estágios da formação da
casca (SOLOMON, 1991).
Figura 9-Foto de um ovo de galinha com depósito de cálcio na casca.
Fonte: http://www.thepoultrysite.com/publications/1/egg-quality-handbook/
(Adaptado), acesso em 10 de janeiro de 2013.
53
2.8.3. Ovos com casca mole/ sem casca
Nos ovos sem casca/ casca mole (Figura 10), somente as membranas da casca
estão presentes envolvendo o albúmen e a gema. O tempo de permanência dos ovos sem
casca no útero é similar aos ovos normais. A época do ano e a temperatura não parecem
exercer nenhuma influencia na produção destes ovos. A muda forçada provoca uma
queda na ocorrência destes, mas em um curto espaço de tempo, os ovos sem casca
reaparecem no lote (MILES, 2000).
São os tipos de defeitos mais comuns encontrados em matrizes mais velhas,
especialmente aquelas que estão chegando ao final da produção e tiveram grande
produção de ovos. É o resultado de menor tempo do ovo dentro do útero (GRUPTA,
2008). Já Ito (2000) afirma que este problema é observado geralmente no início de
produção e em algumas linhagens, porém pode ser causada por doenças infecciosas e
intoxicações por sulfas, olaquindox e micotoxinas.
Figura 10-Foto de um ovo de galinha com casca mole/ sem casca.
Fonte: http://www.thepoultrysite.com/publications/1/egg-quality-handbook/
(Adaptado), acesso em 10 de janeiro de 2013.
54
2.8.4. Ovos com trinca externa
Ovos trincados (Figura 11) podem ser devido tanto a um ovo de casca
inadequada ou manuseio inadequado, que pode ocorrer durante a coleta, classificação
ou transporte. São identificados três tipos principais de trincas: trincas em linha, de
difícil identificação, causadas muitas vezes por colisões entre ovos (GRUPTA, 2008) e
geralmente, atingindo geralmente 1 – 3% da produção total (COUNTTS e WILSON,
http://www.thepoultrysite.com/publications/1/egg-quality-handbook/
2006);
trincas em estrela ou teia de aranha, são rachaduras finas irradiando para fora de
um ponto central de impacto, que muitas vezes está afundado e acomete 1 – 2% da
produção total (COUNTTS e WILSON, 2006); trincas vazadas, que são causadas pelas
próprias aves ou por quaisquer saliências que podem entrar em contato com o ovo
(GRUPTA, 2008),são caracterizadas por grandes trincas e buracos que podem resultar
na quebra da membrana da casca (COUNTTS e WILSON, 2006).
Figura 11-Foto de um ovo de galinha com casca trincada externamente
Fonte:http://www.thepoultrysite.com/publications/1/egg-quality-handbook(Adaptado),
acesso em 10 de junho de 2013.
2.8.5. Ovos com trinca interna / trincado de útero / “cintados”
Trinca interna ou no útero (Figura 12) ocorre quando a casca do ovo é trincada
enquanto o ovo ainda está no útero da galinha, sendo esta área recalcificada, mas
resultando em regiões com grande espessura de casca e áreas com menor espessura de
casca frágil (GRUPTA, 2008). Comumente está relacionado à alta densidade no plantel.
Acredita-se que esses ovos resultem da contração da glândula da casca ainda nos
55
estágios iniciais de sua deposição, sendo posteriormente completada com novas
camadas de CaCO3. Caracterizado por pequenos sulcos de menor densidade na casca,
sendo consideradas áreas frágeis e de fácil ruptura (DORMINEY et al., 1965).
Entretanto Miles (2000) afirma que esta quebra pode ocorrer tanto nas fases
inicial, intermediária ou final de processo de formação da casca. A qualidade do reparo
está na dependência da severidade e do momento em que ocorreu a rachadura. A maior
parte dos ovos “cintados” é produzida por aves velhas
De acordo com Roland e Moore (1980) a maioria dos ovos trincados de útero
(body-checkedegg) são postos entre seis e oito horas da manhã, inferindo que o início
da formação de casca ocorreu entre 16:00 e 20:00 horas do dia anterior, exatamente
ainda no período claro do dia, onde as aves apresentaram maior atividade, ou mesmo
podendo ser submetidas a fatores de estresse, como práticas de manejo. Nesta situação,
a casca ainda frágil, poderia sofrer alguma pressão no interior do oviduto, devido a
movimentos espasmódicos bruscos. O aumento do período de luminosidade do dia e o
maior fornecimento de luz artificial ao anoitecer também aumentam a percentagem de
ovos trincados no oviduto.
Solomon (1991) criou a hipótese de que esses ovos são relacionados ao estresse,
com liberação de adrenalina causando forte contração muscular do útero. Sob tais
circunstâncias, a camada mamilar mostra craqueamento extensos. Afirmaram também
que o ovo é auxiliado em seu movimento em direção à cloaca por ondas peristálticas de
contração muscular. No entanto, não é conhecido se a movimentação do ovopode
resultar no retorno do ovo ao istmo, com por exemplo pela manipulação da ave durante
as fases iniciais de formação da casca. Quando o ovo retorna ao útero, o processo de
formação da casca inicia novamente.
56
Figura 12-Foto de um ovo de galinha com trinca interna na casca.
Fonte: SOLOMON (1991).
2.8.6. Ovos sujos
Os ovos podem sujar após a oviposição de inúmeras formas, incluindo material
fecal (Figura 13), poeira, lama, sangue (Figura 14) e conteúdo de outros ovos.
(COUNTTS e WILSON, 2006)Elevados padrões de higiene, formulação de dietas e
controle de pragas devem ser mantidos para evitar esse tipo de defeito (GRUPTA,
2008).A cama úmida contamina o pé da galinha que leva a sujeira para dentro dos
ninhos. Ovos postos sobre a cama são contaminados e exigem cuidados especiais na
coleta e higiene. Devem ser coletados antes dos ovos de ninho e separado destes
(ARAÚJO e ALBINO, 2011).
57
Figura 13-Foto de um ovo de galinha com casca manchada por material fecal.
Fonte:http://www.alltech.com/sites/default/files/alltech-egg-shell-qualityposter.pdf(Adaptado), acesso em 10 de janeiro de 2013.
Figura 14-Foto de um ovo de galinha com casca manchada de sangue.
Fontehttp://www.thepoultrysite.com/publications/1/egg-quality-handbook
(Adaptado),acesso em 10 de janeiro de 2013 .
2.9. Situações reais de três matrizeiros – acompanhamento de estágio
No matrizeiro A, estima-se que a porcentagem aproximada de perda de ovos por
problemas na qualidade da casca, esteja próxima a 1,5% no verão e 1,2% no inverno,
correspondentes a ovos trincados, perdidos e/ou vazados. Os principais fatores que
influenciam a qualidade da casca dos ovos produzidos por eles são o manejo das aves e
dos ovos e a ambiência. Para melhorar a qualidade da casca, esta empresa tem como
58
foco principal cuidar bem da rotina, como por exemplo, manter ninhos em condições
adequadas (sem danos, furos ou arrombos) sempre com o fundo forrado de material para
reter o impacto do ovo no ninho de metal, seja ele casquinha de arroz ou serragem, e
executar o máximo de coletas de ovos por dia, no mínimo seis coletas, com atenção
especial à coleta de ovos de cama, para este tipo de coleta é disponibilizado um
funcionário somente para esta função, principalmente no início e pico de postura,
devido ao fato das galinhas não estarem acostumadas a botar no ninho ao maior número
de galinhas botando e ovos postos por dia. Nesta fase inicial de produção, as galinhas
costumam a botar com maior frequência na cama. Além disso, é feita também a
disposição dos bebedouros somente nas duas extremidades laterais do galpão para evitar
umedecimento da cama com redução do índice de ovos muito sujos quando a postura
ocorre sobre a mesma. Treinamentos com frequência em relação ao manejo dos ovos na
granja, monitoramento dos dados semanalmente, separando as perdas por origem
(granja, transporte, incubatório), e pelo menos uma vez ao ano, realização de testes de
produtos oferecidos,que visem melhorar a qualidade da casca, como o uso de vitamina
D suplementada na ração, probióticos via água e ácido orgânico via ração são realizados
(INFORMAÇÃO PESSOAL, 2013).
No matrizeiro B há um aproveitamento para incubação de 96,5% de ovos
produzidos e perdas de 3,5% de ovos produzidos, sendo que as perdas de ovos trincados
são em média de 1,2%. Contudo, a empresa não soube informar se os ovos trincados são
por problemas de casca, manejo inadequado, manuseio e/ou transporte. Para minimizar
os problemas relacionados à casca, a empresa investe pesado em nutrição, com matériaprima de qualidade, qualidade de mistura, níveis de nutrientes adequados, utilização de
calcário grosso 50% na ração. Com relação às doenças, a empresa tem investido em
biosseguridade e vem buscando um programa vacinal ideal para sua realidade, além do
uso de promotores de crescimento para manter a qualidade intestinal. Quanto ao
manejo, há cinco coletas de ovos por dia, sendo três pela manhã e duas no decorrer da
tarde; intensificando o número de coletas de ovos no chão (principalmente nas primeiras
semanas de produção) e diminui a altura dos ninhos; além de manutenção de certa
quantidade de palha nos mesmo. Há, constantemente, treinamento dos colaboradores e
estabelecimento de metas, monitorias, cobranças e motivação das pessoas envolvidas.
Ainda, há investimentos em aquisição e manutenção de ventiladores e nebulizadores,
além de análises microbiológicas e físico-químicas da água fornecida às galinhas,
59
provenientes, preferencialmente de poços artesianos (INFORMAÇÃO PESSOAL,
2013).
No matrizeiro C há um aproveitamento de ovos para incubação em torno de
95,3% e, consequentemente, o % de ovos perdidos gira em torno de 4,7%. Desse
percentual de ovos perdidos, 2,08% está ligado à problemas com qualidade da casca dos
ovos. A empresa afirma que os maiores problemas relacionados à casca são as trincas e,
consequentemente desidratação do embrião. Tentando minimizar estes problemas, a
empresa trabalha a nutrição, diminuindo o tamanho dos ovos, aumenta os níveis de
cálcio e fósforo e usa fitase. Em lotes de determinada linhagem, há incremento do
produto Panbonis® (aditivo nutricional de vitamina D3) uma vez que a qualidade da
casca dos ovos tende a cair após 50 semanas (INFORMAÇÃO PESSOAL, 2013).
60
3. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ovos com boa qualidade de casca, são essenciais para gerar pintos de corte de
qualidade, contribuindo assim para um bom índice de produtividade. A relação entre
nutrição, idade da matriz pesada, manejo das aves e ovos, temperatura ambiente,
genética, enfermidades, medicamentos, tipos de ninhos equalidade de cama se tornaram
fatores evidentemente influenciadores à qualidade da casca de ovos de matrizes pesadas.
A utilização de métodos eficazes de avaliação da mesma auxilia na identificação dos
problemas da casca, permitindo assim rastrear a origem destes defeitos.
Vários defeitos de casca de ovos podem ocorrer em um matrizeiro, porém os
mais comuns de serem observados são os ovos enrugados, com casca áspera/ deposição
de cálcio, ovos com casca mole/ sem casca, com trinca interna ou externa, e ovos sujos.
Pesquisadores vêm desenvolvendo estudos para tentar minimizar a ocorrência destes
ovos, trabalhando nos fatores citados a cima que podem influenciam na qualidade da
casca, com o intuito de melhorar cada dia mais a qualidade da mesma.
61
4.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ARAÚJO, W. A. G; ALBINO, L. F. T. Incubação comercial. Transworld Research
Network.
p.
–
105
138,
2011.Disponível
em:
<http://issuu.com/ResearchSignpost/docs/araujo_e-book/23>. Acesso em: 10 nov. 2012
ARAÚJO, W. A. G; ALEBRANTE, L; CASTRO, A. D. Fatores capazes de afetar os
índices de eclosão.Revista Eletrônica Nutritime, v.6, n. 5, p.1072 – 1087, 2009.
Disponível
em:
<http://www.nutritime.com.br/arquivos_internos/
artigos/098V6N5P1072_1087SET2009_.pdf>. Acesso em: 03 set. 2012
BAIÃO, N. C.; CANÇADO, S. V. Fatores que afetam a qualidade da casca do
ovo.Caderno Técnico da Escola de Veterinária UFMG, Belo Horizonte: EV-UFMG.
n.21, p.43 – 59, 1997.
BAIÃO, N. C.; LÚCIO, C. G.. Nutrição de matrizes pesadas. In MACARI, M.;
MENDES, A. A. Manejo de matrizes de corte. 1. ed.Campinas: Fundação APINCO
de Ciência e Tecnologia Avícolas, p. 197-212. 2005.
BAR, A.; HURWITZ, S. Relationships between cholecalciferol metabolism and growth
in chicks as modified by age, breed and diet.The Journal of Nutrition. v. 111, p.399 –
404, 1980
BARBOSA, V. M. Efeitos do momento de transferência para o nascedouro e da
idade da matriz pesada sobre o status fisiológico de embriões e pintos, rendimento
da incubação e desempenho da progênie. 2011. 117f. Tese (Doutorado) – Escola de
Veterinária, Universidade Federal de Minas Gerais, MG.
BARBOSA, V. M. et al. Avaliação da qualidade da casca dos ovos provenientes de
matrizes pesadas com diferentes idades. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e
Zootecnia,
v.
64,
n.
4,
p.
1036
–
1044,
2012a.
Disponível
<http://www.scielo.br/pdf/abmvz/v64n4/v64n4a33.pdf>. Acesso em: 03 set. 2012a.
em:
62
BARBOSA, V. M.et al. Resistência e ultraestrutura da casca e suas membrana.
Revista Avicultura Industrial. São Paulo, v. 103, n. 1214, p. 58 – 63, 2012b.
BARRO, D. R. Manejo de matrizes pesadas - Equipamentos In: MACARI, M.;
MENDES, A. A. Manejo de matrizes de corte. Campinas, FACTA, p. 145-169, 2005.
BENITES, C. I.; FURTADO, P. B. S.; SEIBEL, N. F. Características e aspectos
nutricionais do ovo. In: SOUZ-SOARES, L. A.; SIEWERDT, F. Aves e ovos. Pelotas:
UFPEL,p. 57-64, 2005.
BOARD, R. G. The avian eggshell- a resistance network.Journal of Applied
Bacteriology. v. 48, p. 303 – 313, 1980.
BOARD, R. G.; HALLS, N. A.Thecuticule: a barrier to liquid and particle penetration
of the shell of the hen’s egg. British Poultry Science, v. 14, p. 69 – 97, 1973.
BORGES, S. A.; MAIORKA, A.; SILVA, A. V. F. Fisiologia do estresse calórico e a
utilização de eletrólitos em frangos de corte.Revista Ciência Rural. v. 33, n. 5, p. 975 –
981, set-out, 2003
BOTELHO,
M.
A.
F.
Coccidiose
aviária.
2011.
Disponível
em:
<
file:///C:/Users/Dell/AppData/Local/Temp/Rar$EXa0.790/Coccidiose%20aviaria.htm>.
Acesso em: 28mai 2013
BRAKE, J. T. Optimización del almacenaje de huevos fértiles. Avicultura
Profesional.v. 14, p. 26 – 31, 1996.
BRIZ, R. C. Avances de la investigación sobre la calidad del huevo. Selecciones
Avícolas, v. 38, n. 3, p. 133 – 144, 1996. Disponívelem: <http://ddd.uab.
cat/pub/selavi/selavi_a1996m3v38n3/selavi_a1996m3v38n3p133.pdf>Acessoem:
nov. 2012.
10
63
BUTCHER, G. D.; MILES, R. D. Factores causing por pigmentation of Brownshelledeggs. 2008. Disponívelem: <http://edis.ifas.ufl.edu/pdffiles/VM/VM04700.pdf>.
Acessoem: 29 mai de 2013
CALDERON, C. Efectos nutricionales sobre la calidad de la cáscara. In:
CONFERÊNCIA APINCO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIAS AVÍCOLAS, 1994.
Santos. Anais...Campinas, FACTA, 1994. p. 35 – 66.
CARVALHO, F. B.; STRINGHNI, J. H.; JARDIM FILHO, R. M.; LEANDRO, N. S.
M.; CAFÉ, M. B.; DEUS, H. A. S. B. Qualidade interna e da casca para ovos de
poedeiras comerciais de diferentes linhagens e idades.Revista Animal Brasileira.v. 8,
n. 1, p.25 – 29, jan-mar, 2007
CARVALHO, L. S. S.; FERNANDES, E. A. Formação e qualidade da casca de ovos de
reprodutoras e poedeiras comerciais. Revista Medicina Veterinária.v. 7, n.1, p.35 –
44, 2013.
CHIEN, Y. C.; HINCKE, M.T.; McKEE, M. D. Avian eggshell structure and
osteopontin .Cells Tissues Organs. v. 189, p. 38 – 43, 2009.
COBB. Guia de Manejo de Incubação. Philippines: Cobb-Vantress. 46p. (Informação
técnica). 2008
CONSIDINE, M. Optimizing eggshell quality in layers and breeders by better
nutrition.1988.Diponível
em:
<http://www.peck.co.nz/active/
PECK98New/Papers/eggshellnz.html>. Acesso em: 10 nov. 2012
COTTA, T. Produção de pintinhos. Viçosa: Aprenda fácil editora, p 59 – 89. 2002.
COUNTTS, J. A.; WILSON, G. C. Optimum egg quality – a practical
approach.2006.Disponível
em:
<http://www.thepoultrysite.com/ourbooks/1/egg-
quality-handbook/>. Acesso em: 24 abr. 2013
64
DORMINEY, R.W.; JONES, J.E.; WILSON, H.R. Influence of cage size and
frightening on incidence of body checked eggs. Poultry Science, v. 44, p. 307 – 308,
jan. 1965.
DUARTE, K. F.; JUNQUEIRA, O. M. Manejo e alimentação de aves e suínos. In
REGINA, R. in: Nutrição animal, principais ingredientes e manejo de aves e suínos.
São Paulo: Fundação Cargill, p. 250 – 411, 2010.
ELGUERA, M. A. Relação entre o manejo de reprodutoras de carne e qualidade dos
ovos incubáveis. In: SIMPÓSIO TÉCNICO SOBRE MATRIZES DE FRANGO DE
CORTE, 2, 1999, Chapecó. Anais...Disponível em: <http://docsagencia.cnptia.
embrapa.br/suino/anais/anais9910_elguera.pdf>. Acessoem: 03 set. 2012.
EMARA, O. K. A. Use of scanning electron microscopy techniques for predicting
variations in eggshell quality of chickens. 2008. 252f. Dissertação (Mestrado)Department of Poultry Production, Faculty of Agriculture, Ain Shams, Alabassya.
FERNANDEZ, M. S.; ARAYA, M.; ARIAS, J. L. Eggshells are shaped by a precise
spatio-temporal arrangement of sequentially deposited macromolecules. Matrix
Biology, v. 16, p. 13 – 20, 1997.
FRANCO, J. R. G.; SAKAMOTO, M. I.Qualidade dos ovos: Uma visão geral dos
fatores
que
a
influenciam.
2012.
Disponível
em:
<https://www.google.com/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=3&cad=rja&v
ed=0CD0QFjAC&url=http%3A%2F%2Fpt.engormix.com%2FMAavicultura%2Fadministracao%2Fartigos%2Fqualidade-dos-ovos-visao-t897%2F124
p0.htm&ei=5ldtUbqeEJLq8gTAuYGADA&usg=AFQjCNFL5N6H9mkdwDql6OUKjL
m3lrZJHA&bvm=bv.45175338,d>Acesso em: 20 abr. 2013
FOOD AND AGRICULTURE ORGANIZATION OF THE UNITED NATIONS
(FAO).World agriculture: towards 2030/2050. Rome, 2006. Disponível em:
<http://www.fao.org/fileadmin/user_upload/esag/docs/Interim_report_AT2050web.pdF
>. Acesso em: 10 nov. 2012
65
GONZÁLES, E. A qualidade da casca do ovo. Revista Alimentação Animal. n. 16.
set/dez 1999. Disponível em: <http://www.bichoonline.com.br/artigo.aspx?ida=117>.
Acesso em: 18 abr. 2013.
GRUPTA,
L.
Analysing
eggshell
quality.
2008.
Disponível
<http://www.thepoultrysite.com/articles/979/maintaining-egg-shell-quality>.
em:
Acesso
em: 24 abr. 2013.
HAMILTON, R. M. G. Methods and factors that affect the measurement of egg shell
quality. Poultry Science, v. 61, p. 2022 – 2039, 1982.
HAMILTON, R. M. G. The microstructure of the hen’s egg shell: a short review. In:
Food microstructure. Chicago: AMFO’Hare, 1986. p. 00-110.
HINCKE, M. T. Ovalbumin is a component of the chicken eggshell matrix. Connective
Tissue Research, v. 31, p. 227 – 233, 1995.
HUNTON, P. Understanding the architecture of the egg shell. World’s Poultry Science
Journal, v. 51, p. 141 – 147, 1995.
HUNTON, P. Research on eggshell structure and quality: An historical overview.
Brazilian Journal of Poultry Science. v. 7, n. 2, p. 67 – 71. apr-jun. 2005
INFORMAÇÃO PESSOAL, Informações de três empresas, obtidas através de um
questionário apresentando às mesmas. 2013
ITO, N. M. K. Enfermidades que comprometem a qualidade da casca. IN: Simpósio
Goiano de Avicultura, 2000, Goiânia. Anais...Goiânia, ASSOCIAÇÃO GOIANA DE
AVICULTURA, 2000, p. 147-158.
ITO, R. I. Aspectos nutricionais relacionados à qualidade da casca de ovos. In: VII
Simpósio Técnico de Produção de Ovos - APA, Anais...São Paulo, APA, 1998. p. 119138.
66
JOSEPH, N. S.; ROBINSON, N. A.; RENEMA, R. A.; ROBINSON, R. E. Shell quality
and color variation in broiler breeders eggs. Journal Applied Poultry Science.v. 8, p.
70-74, 1999
JUNQUEIRA, O. M. Avanços recentes nas exigências de fósforo para poedeiras. In:
CONFERÊNCIA APINCO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA AVÍCOLAS, 1993,
Santos. Anais...Campinas, FACTA, 1993, p. 167-170.
KRAMPITZ, G.; GRAZER, G. Molecular mechanisms of biomineralization in
theformation of califiedshells. Angewandte Chemie Internacional Edition, v. 27, p.
1145 – 1156, 1988.
LA SCALA JR., N. Aspectos físicos da incubação. In: MACARI, M.; GONZALES,
E.Manejo da incubação.2. ed. Campinas: FACTA, 2003. p. 97-124.
LA SCALA JR., N.; BOLELI, I. C.; RIBEIRO, L. T. et al. Poresizedistribution in
chickeneggs as determinedbymercuryporosimetry.BrazilianJournal o PoultryScience,
v.2, n.2, p.177 – 181, 2000.
LEACH JR., R. M. Biochemistry of theorganic matriz of theeggshell.
PoultryScience, v. 61, p. 2040-2047, 1982
LEESON, S.; SUMMER, J. D.Broiler Breeder Production. University Books, p. 284326. 2009
LUQUETTI, B. C.; GONZALEZ, E.; BRUNO, L. D. G. et al. Eggtraits and
physiological
neonatal
chickparametersfrombroilerbreeder
at
differentages.RevistaBrasileira de Ciência Avícola, v. 6, p. 13 – 17, 2004.
MAZZUCO, H.; ROSA, P. S.; JAENISCH, F. R. R. Problemas de casca de ovos:
identificando as causas. Concórdia. SC: Embrapa Aves e Suínos, 1998, Boletim
técnico.
Disponível
em:
<:
67
http://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/58288/1/doc48.pdf>. Acesso em:
18 abr. 2013.
MAIORKA, A. et al. in: Idade da matriz e qualidade do pintainho. In MACARI, M.;
GONZALES, E. Manejo da incubação. 2. ed. Jaboticabal: Fundação APINCO de
Ciência e Tecnologia Avícolas, 2003. Cap. 4, p. 361 - 377.
MÁCHAL, L.; SIMEONOVOVA, J.The relationship of shortening a strength of
eggshell to some egg quality indicators and egg production in hens of diferent initial
laying lines. Archive Tierz. Archive Animal Breeding. v.3. p.287 – 296, 2002
MILES, R. D. Fatores nutricionais relacionados à qualidade da casca dos ovos. In:
Simpósio Goiano de Avicultura, 2000, Goiânia. Anais...Goiânia, ASSOCIAÇÃO
GOIANA DE AVICULTURA, 2000, p. 165-173.
MOREKI, J. C. The influence of calcium intake by broiler breeder on bone
development and egg characteristics.2005, 233f.tese (philosophiae doctor).University
of the Free State, África do Sul
NASCIMENTO, V. P.; SALLE, C. T. P. O ovo.In: MACARI, M.; GONZALES, E.
Manejo da incubação. 2. ed.. Campinas: Fundação APINCO de Ciência e Tecnologia
Avícolas, p.34-50. 2003.
NYS. Y.; HINCKE, M. T.; ARIAS, J. L. et al. Avian eggshell mineralization. Poultry
and Avian Biology Review, v. 10, n. 3, p. 143 – 166, 1999.
NYS, Y. Influence of nutritional factors on eggshell quality at high environmental
temperature. In: BRIZ, R.C. Egg and egg products quality. World Poultry Science
Association, n. 4,p. 209-220, 1995
68
PANHELEUX , M,; BRAIN, M.; FERNANDEZ, M. S. et al. Organic matriz
composition and ultrastructure of eggshell: a comparative study. British Poultry
Science, v. 40, p. 240 – 252, 1999.
PARAGUASSÚ,
A.C.S.
Otimização
de
Equipamentos:
reprodutoras.
In
CONFERÊNCIA APINCO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIAS AVÍCOLAS, FACTA,
Campinas, 2000 v. 1, p. 135 – 154, 2000.
PARSONS, A. H. Structure of the eggshell. Poultry Science, v. 61, p. 2013 – 2021,
1982.
PATRÍCIO, I. S. Manejo do ovo incubável da granja ao incubatório. In: MACARI, M.;
GONZALES, E. Manejo da incubação. 2. ed.. Campinas: Fundação APINCO de
Ciência e Tecnologia Avícolas, p.163-179. 2003.
PERROTT, H. R.; SCOTT, V. D.; BOARD, R. G. Crystal orientation in the shell of
the domestic fowl: an electron diffraction study. Calcified Tissue International, v. 33,
p. 119-124, 1981.
PINES, M.The involvement of matrix proteins in eggshell formation.Aust.Poutry
Science Symp.v. 19, p. 130-133, 2007
RAHN, H. Changes in shell conductance, pores and physical dimensions of egg and
shell during the first breeding cycle of turkey hens. Poultry Science, v. 60, p. 2536 –
2541, 1981.
ROBERTS, J. R. Factors affecting igg internal quality and egg shell quality in laying
hens.Journal of Poultry Science. v. 41, p. 161 – 177. 2004
ROCHA, J. S. R; LARA, L. J. C; BAIÃO, N. C. CANÇADO, S. V.; BAIÃO, L. E. C.;
SILVA, T. R. Efeito da classificação dos ovos sobre o rendimento de incubação e os
pesos do pinto e do saco vitelino. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e
Zootecnia, v. 60, n. 4, p. 979-986, 2008.
69
RODRIGUES-NAVARRO, A.; KALIN. O; NYS, Y. et al. Influence of the
microstructure on the shell strength of eggs laid by hens of different ages. British
Poultry Science, v. 43, p. 395 – 403, 2002.
ROLAND, D.A.; MOORE, C.H. Effect of photoperiod on the incidence of bodychecked and misshapen eggs. Poultry Science. Champaign, v. 59, n. 12, p. 2703 –
2707, 1980.
ROMANOFF, A. L; ROMANOFF, A. J.The avian egg. New York: John Wiley and
Sons, p. 918, 1949.
ROSA, P. S.; AVILA, V. S. Variáveis relacionadas ao rendimento da incubação de
ovos em matrizes de frangos de corte.(Comunicado técnico)Concórdia: Embrapa
Suínos Aves, p. 1 – 3, 2000.
RUTZ, F. et al. Avanços na fisiologia e desempenho reprodutivo de aves domésticas.
Revista Brasileira de Reprodução Animal, Belo Horizonte, v. 31, n. 3, p. 307 – 317,
jul-set. 2007
RUTZ, F.; ANCIUTI, M. A.; PAN, E. A. Fisiologia e manejo reprodutivo de aves. in
MACARI, M.; MENDES, A. A. Manejo de matrizes de corte. 1. ed.Campinas:
Fundação APINCO de Ciência e Tecnologia Avícolas, p 75-122. 2005.
SAIF, Y. M.; BARNES, H. J.; GLISSON, J. R.; FADLY, A. M.; McDOUGALD, L. R.;
SWAYNE, D. E. Diseases of Poultry. 11th ed. Iowa: Iowa State Press, p. 1134 – 1137.
2003.
SALLE, C. T. P.; MORAES, H. L. S. Prevenção de doenças / Manejo profilático /
Monitoria. In: BERCHIERI JR, A.; SILVA, E. N.; DI FÁBIO, J.; SESTI, L.
ZUANAZE, M. A. F. Doenças das aves. 2. ed. Campinas: Fundação APINCO de
Ciência e Tecnologia Avícolas, p. 01 -17.2009.
70
SALVADOR, E. L. Qualidade interna e externa de ovos de poedeiras comerciais
armazenados em diferentes temperaturas e períodos de estocagem. 2011. 97f.
Dissertação (Magister Science) - Universidade Federal de Alagoas U. A. Centro de
Ciências Agrárias, Programa de Pós-Graduação em Zootecnia, Rio Largo. Disponível
em:
<http://www.ufal.edu.br/unidadeacademica/ceca/pos-graduacao/
zootecnia/arquivos-com-dissertacoes/edivania-de-lima-salvador>. Acesso em: 03 set.
2012.
SANTIN, A. R. Automação de Granjas de Matrizes: Principais Dificuldades na
Adaptação de novos sistemas. Conferência APINCO de Ciência e Tecnologia
Avícolas FACTA, Campinas/SP, v. 2 p. 140, 1999.
SANTOS, J. R. G.; FORNARI, C. M.; TÉO, M. A. Influência da qualidade da casca
do ovo sobre índices de produtividade de um incubatório industrial. Revista
Ciência
Rural,
v.
37,
n.
2,
mar-abr,
2007.
Disponível
em:
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-84782007000200035>.
Acesso em: 18 fev 2013
SBANOTTO, P. Minimizing floor and slat egg problems. v. 1, n.1, 2007. Disponível
em:
<http://www.thepoultrysite.com/articles/814/minimizing-floor-and-slat-egg-
problems>. Acesso em: 28 de setembro de 2008.
SIMONS, P. C. M. Utrastructure of the hen eggshell and its physiological
interpratation. 1971. Tese (Ph. D)-Landbou whoge school, Wageningen.
SILVA. R. C. F. Desempenho e qualidade de ovos de galinhas infectadas por
infectadas por Mycoplasmasynoviae. Dissertação (Mestrado em Medicina Veterinária)
Niterói: Universidade Federal Fluminense, 2011.
SOLOMON, S. E. Egg and eggshell quality.1. ed. London: Wolfe Publishing Limited,
p. 149. 1991.
SOUZA, A. V. C.; LIMA, C. A. R. Fatores que Afetam na Qualidade da Casca do
Ovo.
Poli-nutri
Alimentos,
2007.Disponível
in:
71
<http://www.polinutri.com.br/upload/artigo/190.pdf>. Acesso em: 03 de setembro de
2012.
SOUZA-SOARES, L. A., SIEWERDT, F. Aves e Ovos. Pelotas: UFPEL, 2005.138 p.
Disponível em: <http://biblioteca.unibh.br/bibliotecavirtual/94062.pdf>. Acesso em: 03
set. 2012.
SPARKS, N. H. C The hen’s eggshell: a resistance network.1985.Tese (Ph.D)University of Bath, Great-Britain.
SPARKS, N. H. C. Shell accessory materials: structure and function. In: Micobiology
of the avian. London: Chapman and Hall, p. 25-42, 1994.
STEFANELLO, C. Microminerais orgânicos em dietas para poedeiras comerciais.
Dissertação (MestradoemZootecnia) Maringá: UniversidadeEstadual de Maringá, 2012.
SWIATKIEWICZ, S.; KORELESKYI, J.The effect of zinc and manganese source in
the diet for laying hens on eggshell and bones quality.Veterinary Medicina. p. 555 –
563, 2008.
TORRES, C. A.;VIEIRA, S. L.; REIS, R. N.; FERREIRA, A. K.; SILVA, P. X.;
FURTADO, F. V. F. Productive performance of broiler breeder hens fed 25hydroxycholecalciferol. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 38, n.7, p. 1286-1290,
2009.
UNIÃO
BRASILEIRA
DE
AVICULTURA.
2013.
Disponível
em:<
http://www.ubabef.com.br/>. Acesso em: 15 mai. 2013
VIEIRA, S. L. Idade da matriz, amanho do ovo e desempenho do pintinho. In:
CONFERÊNCIA APINCO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIAS AVÍCOLAS, 2001.
Campinas. Anais...Campinas, FACTA, p. 117 – 123, 2001
72
ANEXO: ARTIGO
FATORES QUE INFLUENCIAM A QUALIDADE DA CASCA DOS OVOS DE
MATRIZES PESADAS E PRINCIPAIS DEFEITOS MACROSCÓPICOS
DESCRITOS: Revisão de Literatura
FACTORS AFFECTING THE QUALITY OF SHELL EGGS BOILER BREEDERS AND
MAIN FAULTS MACROSCOPIC DESCRIBED: Literature Review
Ana Cecília Ferreira Diniz Rezende1; Arur Oliveira Rocha1; Josiane Tavares de Abreu2
1
2
Graduando do Curso de Medicina Veterinária da PUC Minas Betim
Professor do Departamento de Medicina Veterinária da PUC Minas, Rua do Rosário
1.081,
Bairro
Angola,
CEP
32.630-000,
Betim,
Minas
Gerais,
Brasil,
[email protected]
RESUMO: A qualidade da casca dos ovos de matrizes pesadas é um fator
extremamente importante para a qualidade do pinto de um dia, pois ela exerce proteção
contra invasão microbiana, controla a troca de água e gases através dos poros, evita a
perda excessiva de umidade e constitui a fonte de cálcio para o embrião durante o seu
desenvolvimento. Ao longo dos anos a avicultura tenta minimizar a perda de ovos
incubáveis devido a problemas relacionados com a qualidade da casca dos ovos. Vários
fatores têm sido relacionados a estes defeitos. Todos estes fatores estão direta ou
indiretamente ligados à qualidade da casca dos ovos. Devido ao fato do Brasil ser o
líder em exportações de carne de frango e o terceiro maior produtor mundial, a cadeia
produtiva do frango de corte deve gerar produtos com excelência em qualidade,
portanto, a casca dos ovos de matrizes pesadas deve ser de boa qualidade para gerar
aves de corte rentáveis e produtivas.
Palavras-chave:qualidade da casca do ovo, matriz pesada, defeitos de casca.
ABASTRACT: The quality of shell eggs from broiler breeders is an extremely
important factor for the quality of paint a day because it exerts protection against
microbial invasion, controls the exchange of water and gases through the pores,
prevents excessive loss of moisture and is a source of calcium for the embryo during
development. Over the years the poultry industry tries to minimize the loss of hatching
eggs due to problems with the quality of shell eggs. Several factors have been linked to
these defects. All these factors are directly or indirectly linked to the quality of shell
eggs. Due to the fact that Brazil is the leading exporter of chicken meat and the third
73
largest producer, production chain broiler should generate products with excellence in
quality, hence the eggshell of broiler breeders should be of good quality broilers
generate profitable and productive.
Keywords: eggshell quality, broiler breeder, shell defects.
INTRODUÇÃO
Primeiro em volume de exportações e terceiro em produção de carne de frango,
a avicultura brasileira tem se tornado cada vez mais competitiva no mercado mundial.
Em 2012, segundo a União Brasileira de Avicultura – UBABEF (2013), o Brasil
produziu 12,645 milhões de toneladas de frango, diminuindo 3,17% em relação ao ano
de 2011 e exportou 31% deste montante.
Com o crescimento da população mundial e o crescente consumo per capita de
carne de frango, o índice de consumo em 2012 no Brasil ficou em torno de 45 kg/pessoa
(UBABEF, 2013). Segundo a FAO (2006), o consumo de carnes e outros alimentos
devem dobrar até 2050.
O grande avanço nas áreas de genética, nutrição, ambiência e sanidade
proporcionaram melhorias na qualidade do principal produto da indústria avícola: a
carne de frango de corte. Mas para que este produto seja de boa qualidade,
necessariamente, as matrizes e seus ovos também devem ser, pois são as mesmas que
irão produzir ovos embrionados e estes, quando incubados, darão origem aos pintos
destinados ao corte. Sendo assim a qualidade dos ovos de matrizes pesadas, deve ser
avaliada também pelo melhoramento genético, para gerar produtos saudáveis e
competitivos.
Entretanto, mesmo com estes avanços, a indústria enfrenta um grande problema
com a perda de ovos incubáveis, incluindo ovos com casca mais fina, deformados e
trincados, gerando prejuízos significativos às mesmas.
A casca do ovo é um fator que exerce papel fundamental no processo de
incubação, oferecendo proteção contra invasão microbiana, controlando a troca de água
e gases através dos poros, evitando a perda excessiva de umidade, além de constituir a
fonte de cálcio para o embrião durante seu desenvolvimento (BAIÃO e CANÇADO
74
1997;HUNTON, 2005; BARBOSA et al., 2012b). O êxito dessas funções é dependente
da adequada composição e formação da casca do ovo. (BARBOSA et al., 2012b)
Sendo assim este presente trabalho, tem como objetivo revisar quais são os
principais fatores que influenciam na qualidade da casca do ovo de matrizes pesadas e
os defeitos mais comuns da casca.
REVISÃO DE LITERATURA
Na indústria de ovos comerciais, a casca fornece a embalagem perfeita de um
importante item alimentar. Assim como para o embrião, a casca fornece proteção contra
a contaminação do conteúdo e, assim, o ovo chega ao consumidor livre de bactérias,
vírus e outros patógenos (HUNTON, 2005). Baião e Lúcio (2005) afirmaram que os
ovos trincados e/ou quebrados representam uma perda que varia de 1,2 a 2,4% do total
de ovos produzidos em uma granja de matrizes pesadas. Porém, os prejuízos
provocados pela má qualidade da casca não podem ser avaliados, simplesmente, pela
porcentagem de ovos trincados e/ou quebrados.Traçando uma média das empresas que
responderam um questionário, pode-se dizer que ovos trincados representam 1,49% do
total de ovos produzidos em três granjas de matrizes pesadas situadas, duas em Minas
Gerais e outra no Distrito Federal. (INFORMAÇÃO PESSOAL, 2013)
Vários fatores afetam a composição do ovo e a qualidade da casca, como por
exemplo a linhagem, idade da ave, a posição do ovo na sequência de postura, a
temperatura ambiente, a presença de fatores estressantes ou agentes infecciosos, a
disponibilidade de alimento e medicamentos, dentre outros. (NASCIMENTO eSALLE,
2003)
Cálcio
Os níveis de cálcio na dieta de matrizes afetam o desenvolvimento embrionário,
principalmente por meio da qualidade da casca. A má qualidade da casca em virtude da
deficiência de cálcio resulta em perda excessiva no peso dos ovos, acompanhada por
aumento na mortalidade durante a primeira semana, aumento de contaminação, mau
desenvolvimento ósseo e aumento da mortalidade no final do período de
incubação.(RUTZ, ANCIUTI e PAN, 2005)
O cálcio para a formação da casca provém exclusivamente da dieta. Um ovo de
tamanho médio tem aproximadamente 2,5 g de cálcio. O cálcio é transportado pelo
sangue sob duas formas: cálcio iônico e cálcio ligado à vitelogenina (fosfolipoproteína)
75
(ARAÚJO e ALBINO, 2011). Nas aves fora de postura o nível de cálcio plasmático é
de 10 mg/100ml de sangue, e no período de postura sua concentração chega a 30
mg/100ml.( BAIÃO e CANÇADO, 1997;ARAÚJO e ALBINO, 2011;)
Mazzucoetal (1998) afirmaram quea presença de fontes de cálcio com maior
granulometria na dieta proporciona efeitos benéficos sobre a qualidade da casca, pois
estas permanecem por um período de tempo maior no trato digestório sendo absorvidas
à noite e fornecendo o cálcio necessário à formação da casca, durante a noite, as aves
interrompem o consumo da ração e é justamente nesse horário que ocorrem os primeiros
estágios da calcificação da casca do ovo.
Apesar dos vários fatores que interferem nas exigências de cálcio para a matriz
pesada, a recomendação de 3% na dieta tem sido adequada para a produção de ovos e a
manutenção da qualidade da casca (ARAÚJO e ALBINO, 2011).
Fósforo
O fósforo que é depositado no período final de formação do ovo e está presente
na casca em pequena quantidade ( 22miligramas). Esta pequena quantidade não está
homogeneamente distribuída, pois se concentra mais nas camadas externas da casca
(ARAÚJO e ALBINO, 2011). Ao contrário do cálcio, o nível de fósforo no plasma
sanguíne, não tem um mecanismo de regulação eficiente e varia muito com o nível de
fósforo oferecido na dieta. A qualidade da casca pode ser prejudicada tanto pelo baixo
como pelo alto nível de fósforo na dieta. (BAIÃO e LÚCIO, 2005; DUARTE e
JUNQUEIRA, 2010;ARAÚJO e ALBINO, 2011)
A qualidade da casca diminui na presença de elevados níveis de fósforo
disponíveis. Em galinhas jovens, no entanto, os níveis de fósforo disponíveis menores
que 0,25% têm efeitos negativos sobre a produção de ovos e qualidade óssea. Sendo
assim, a Associação Mundial de Ciências Avícolas (World ‘s Poultry Science
Association – WPSA) recomenda níveis de fósforo na dieta de 0,28% durante todo o
ciclo de produção.
Há evidências de que a necessidade de fósforo para matrizes
aumenta ligeiramente nos ambientes quentes e que níveis de fósforo disponíveis abaixo
de 0,25% nessas temperaturas aumentam a mortalidade em galinhas. (NYS, 1995)
O fósforo também afeta a qualidade de casca sendo, a quantidade indicada é de
37 mg/dia/ave.(GONZÁLES, 1999)
76
Vitamina D
A vitamina D é sintetizada pela pele a partir do dehidrocolesterol, pela ação dos
raios ultravioleta. Apesar disso, há necessidade de suplementação desta vitamina na
ração das aves. A vitamina D3 da dieta, não está na sua forma ativa, sendo transportada
ao fígado onde sofre uma hidroxilação transformando-se em 25-hidroxicolecalciferol.
Posteriormente, este metabólito é transportado aos rins onde sofre outra hidroxilação,
passando para a forma ativa 1,25-dihidroxicolecalciferol. Esta vitamina tem um papel
importante na homeostasia do cálcio e do fósforo (BAIÃO e CANÇADO, 1997).Em
galinhas velhas há redução na capacidade de hidroxilação da vitamina D nos rins, o que
poderia ser mais uma causa da baixa qualidade da casca dos ovos (BAIÃO, 2005). Com
o aumento da idade das matrizes pesadas acontece uma progressiva diminuição na
habilidade do fígado em hidroxilar a vitamina D3 em 25(OH)-D3. (BAR e HURWITZ,
1980)
Segundo Mazzucoet al. (1998), a recomendação desta vitamina na ração de
matrizes em produção, situa-se em torno de 2750 UI/kg.
Idade da matriz pesada
Com o avanço da idade da ave, ocorre um declínio na produção, aumento no
peso dos ovos, alterações na composição e espessura da casca (MÁCHAL e
SIMEONOVOVÁ, 2002), embora se observe um aumento significativo no tamanho dos
ovos. Este fator parece estar relacionado ao aumento da incidência da atresia folicular,
postura interna, e redução no recrutamento dos folículos dentro da hierarquia folicular.
Folículos pré-ovulatórios de matrizes velhas maturam mais lentamente e ovulam
quando atingem tamanho maior quando comparado com aves jovens. (RUTZ et al.,
2007)
De acordo com Hamilton (1978), o tamanho e o peso do ovo aumentam com a
idade das aves, mas o peso da casca não aumenta na mesma proporção.Em
consequência, concluiu-se que à medida que a ave envelhece, a espessura da casca e sua
porcentagem em relação ao peso do ovo diminuem.Segundo Brake (1996) a diminuição
da espessura da casca com o aumento da idade da ave é devido à maior extensão da
superfície desses ovos, com menor deposição de carbonato de cálcio por unidade de
área. Baião e Cançado (1997) afirmaram que os ovos aumentam cerca de 20% do seu
tamanho quando a matriz é mais velha.
77
A deterioração da qualidade da casca de ovos com a idade das matrizes ocorre
junto com a redução na postura de ovos. Concomitantemente, ocorrem reduções nos
níveis séricos de 1,25 (OH)2D3 e no peso dos ossos medulares. Várias razões
contribuem para esta redução na eficiência do metabolismo do cálcio com o avanço da
idade das aves. Estas são síntese de 1,25 (OH)2D3 devido às reduções na atividade renal
da 25(OH)D3-1- hidroxilase; redução da capacidade de absorver 1,25 (OH)2D3 pela
mucosa intestinal, bem como pelos ossos corticais e medulares; aumento na velocidade
de metabolização de 1,25 (OH)2D3; perda de eficiência da glândula da casca em obter
cálcio da circulação sanguínea e depositá-lo na casca; redução na capacidade de manter
a homeostase cálcica, especialmente em condições de limitação de cálcio nas dietas.
(VIEIRA, 2011)
Baião e Lúcio (2005) afirmaram que o uso de fontes de cálcio menos solúveis ou
com granulometria mais grosseira, podem melhorar a qualidade da casca. O produto
mais comumente utilizado é o calcário grosso (granulometria mais grossa), por ser mais
barato do que a farinha de ostra, e possuir bons resultados para a qualidade da casca.
Barbosa et al (2012a), também avaliaram a qualidade da casca dos ovos
provenientes de matrizes pesadas de diferentes idade (33 e 63 semanas) obtidos de lotes
de matrizes pesadas da linhagem Cobb®, produzidos no mesmo dia e provenientes da
segunda e terceira coletas na granja. Para cada idade de matriz foi retirada e identificada
uma amostra de 50 ovos para as avaliações de peso específico (princípio de
Arquimedes) e porcentagem de casca; uma amostra de 50 ovos para as avaliações de
resistência (fratura por compressão), espessura e porosidade da casca (método de Rahn);
e uma amostra de 10 ovos para as avaliações ultraestruturais da casca por microscopia
eletrônica de varredura. Os ovos das matrizes com idade de 63 semanas apresentaram
menor peso específico (P<0,05) quando comparados aos ovos das matrizes de 33
semanas. Como a análise de peso específico é um indicador de qualidade do ovo, estes
resultados demonstraram uma melhor qualidade de casca nos ovos de matrizes mais
novas.As matrizes mais velhas apresentaram menores percentuais de casca em relação
ao peso do ovo (P≤0,005) do que os ovos de matrizes mais novas
Menor peso do ovo e do número de poros (Tabela 1) foi encontrado nos ovos de
aves mais jovens (P≤0,001). Nestes, a espessura e a resistência das cascas foram
maiores (P≤0,001) se comparadas às dos ovos das aves mais velhas. Verificou
78
tambémque, à medida que a ave aumentou a idade, as características físicas dos ovos
revelaram mudanças estruturais que tornaram a qualidade da casca inferior.
Tabela 1-Peso médio do ovo, espessura, resistência e porosidade da casca de acordo
com a idade da matriz pesada (linhagem Cobb®)
Idade da
Peso do
Espessura da
Resistência
Poros da casca
Matriz
ovo (g)
casca (mm)
da casca (g)
por cm² (nº)
33
62,0 B
0,457 A
3193 A
103 B
63
72,4 A
0,435 B
2994 B
126 A
CV(%)
4,9
7,9
17
-
(semanas)
Médias seguidas de letras distintas na coluna são diferentes pelo testes F 1 e Mann-Whitney2,
respectivamente (P≤0,001).
Fonte: BARBOSA (2012a) (Adaptado)
A espessura da casca na região da câmara de ar (região basal) revelou ser menor
(P≤0,05) nas matrizes velhas quando comparada à das matrizes novas. Nas demais
regiões da casca, não houve diferença (P>0,05) na espessura entre as idades das
matrizes. As regiões da casca do ovo não influenciaram (P>0,05) esta variável tanto em
matrizes novas como em matrizes velhas.
Manejo dos ovos incubáveis
Segundo Cobb (2008)somente se conseguem ótimos nascimentos e pintinhos de
boa qualidade quando se mantém o ovo em ótimas condições, desde a postura até a
colocação na máquina incubadora. Se o manejo for insatisfatório, o potencial de
nascimento pode se deteriorar rapidamente. Sendo assim, alguns cuidados devem ser
tomados em relação aos ovos incubáveis, como: prevenir rachaduras nosovos com
manuseio cuidadoso em todos os momentos após a postura incluindo a colocação dos
ovos na bandeja da máquina incubadora ou na bandeja de transporte com o lado menor
(ponta) voltado para baixo; cuidado ao selecionar os ovos; fazer uma boa manutenção
dos ninhos manuais, os quais devem ser forrados com material limpo e seco; coletados
de um galpão pelo menos quatro vezes por dia, sendo recomendado seis coletas durante
o pico de produção, evitando o acúmulo de ovos e consequentemente quebra ou
trincamento destes; coletados usando bandejas plásticas ou em fibra; empilhamento de
79
até 3 bandejas ou pentes por carregamento; não utilização de cestas ou baldes pois isso
pode resultar em um maior número de ovos rachados e contaminados.
Dentre os fatores que propiciam a perda da cutícula entre outros estão: os
hereditários, mecânicos (lavado e lixado), armazenamento prolongado, superfícies
cobertas de material fecal e o aumento na temperatura de armazenamento dos ovos.
Com a perda da cutícula o ovo fica mais frágil e consequentemente, mais propenso a
traumas. (ARAÚJO e ALBINO, 2011)
Temperatura ambiente
Com o aumento da temperatura ambiente associado à umidade elevada, observase queda gradativa na qualidade da casca, sendo seu efeito observado a partir de 26ºC,
logo acima da zona de conforto das aves. Nesta situação de desconforto, entra em
funcionamento o sistema de perda de calor, chamado calor sensível, caracterizado pela
hiperventilação e evaporação de água dos pulmões. Esta situação pode levar a alteração
no equilíbrio ácido-básico das aves, e consequentemente, prejudicar a formação e
qualidade dos ovos. A diminuição do CO2, provocada pela ofegação, leva a alcalose
respiratória que interfere no equilíbrio eletrolítico e mineral, podendo resultar em ovos
pequenos e de casca fina. Esta alcalose pode ser compensada pela eliminação de íons
carbonatos pelos rins, explicando assim a redução na qualidade externa dos ovos, pois o
organismo fica em déficit dos elementos que irão compor o carbonato de cálcio na
casca. (BORGES et al., 2003; FRANCO e SAKAMOTO, 2012)
Genética
Diferentes linhagens de reprodutoras apresentam qualidades de casca distintas
devido às diferenças na capacidade de transporte e utilização de nutrientes, podendo
desta
A seleção genética para qualidade do ovo se baseia, fundamentalmente, na
espessura da casca, a qual tem uma herdabilidade em torno de 40%. Em princípio seria
fácil a seleção para qualidade da casca, entretanto, esta característica é inversamente
relacionada à produtividade. (BAIÃO e LÚCIO, 2005)
Embora as diferentes linhagens não apresentem grandes variações quanto à
resistência da casca quando são considerados lotes mais jovens, variações significativas
podem ser registradas em plantéis mais velhos, quando os ovos são maiores e os
problemas de quebra mais evidentes. (SOUZA e LIMA, 2007)
80
Enfermidades
São inúmeras as doenças que causam queda de produção, porém nem todas
induzem comprometimento da qualidade da casca, a menos que por exemplo, no caso
da doença de Marek, sejam comprometidos órgãos ou tecidos envolvidos com o
metabolismo de nutrientes essenciais para o processo de calcificação ou haja perda de
tonicidade. Em condições de campo, não se deve negligenciar o papel da
imunossupressão causada pela Marek e LeucoseLinfóide permitindo a ocorrência de
outras infecções que causam comprometimento da qualidade da casca. (ITO, 2000)
Algumas doenças como a bronquite infecciosa, síndrome da queda de postura
(EDS 76), doença de Newcastle, influenza aviária, dentre outras, podem interferir na
qualidade externa e interna dos ovos. Em geral, todas as enfermidades febris alteram de
forma direta ou indireta a qualidade da casca, pois interferem no mecanismo de
calcificação da mesma, impedindo ou dificultando a síntese de CaCO3(carbonato de
cálcio). (SALLE, 2009)
Além disso, as enfermidades que causam lesões macro e/ou microscópicas no
útero das aves tendem a causar maiores alterações na casca como a produção de ovos
com casca mole, rugosa, sem casca, com casca despigmentada, fina e porosa, com
alterações no formato dos ovos. As quedas na produção podem ser representadas por
oscilações na postura diária podendo alcançar índices de até 50%. (MAZZUCO et al.,
1998; SALLE, 2009)
Medicamentos
Segundo SALLE (2009), os organoclorados podem interferir no mecanismo de
calcificação da casca impedindo ou dificultando a síntese de CaCO3, principal
constituinte mineral da casca.
Saifet al. (2003) afirmaram que a Nicarbazina reduz a produção e ovos e gera
ovos com casca despigmentada. Já Butcher e Miles (2008) escreveram que
estecoccidiostático administrado a matrizes pesadas com uma dose de 5mg por dia,
pode resultar na produção de ovos pálidos em 24 horas, e doses mais elevadas podem
conduzir à uma despigmentação da casca do ovo.
De acordo com Botelho (2011), a Sulfa quando usada indiscriminadamente, em
tempo e doses erradas, pode provocar o aparecimento de casca rugosa e fina. Em
81
matrizes adultas, há uma diminuição marcada na produção e qualidade da casca do ovo,
ovos castanhos podem ser despigmentada. (SAIF et al, 2003)
Qualidade da cama
Dois pontos fundamentais no que se referem à sanidade do ovo são a sua
produção em ninhos limpos, o que requer um cuidadoso e adequado sistema de manejo,
e a qualidade da cama sobre a qual as aves são mantidas, que também tem grande
influência na higiene do ovo. A cama úmida contamina o pé da galinha que leva a
sujeira para dentro dos ninhos. Ovos postos sobre a cama são contaminados e exigem
cuidados especiais na coleta e higiene. Devem ser coletados antes dos ovos de ninho e
separado destes (ARAÚJO e ALBINO, 2011).
O ambiente onde o ovo é produzido tem grande influência sobre sua qualidade.
A granja deve possuir programas de biosseguridade para evitar possíveis
contaminações. O isolamento, a ventilação, a distribuição dos equipamentos e a
condição da cama são fatores importantes na produção de um ovo de boa qualidade.
(PATRÍCIO, 2003)
Quando os ovos postos sobre a cama são destinados à incubação, serão
higienizados imediatamente. Não usar palha de aço para evitar ranhuras e não facilitar a
penetração das bactérias e fungos para o interior do ovo. A coleta, a armazenagem e a
incubação desses ovos devem ser sempre em separado dos ovos procedentes do ninho,
pois eclodem menos e explodem mais que os ovos de ninho, além da penetração
bacteriana ser maior em ovos postos no chão/ cama, em relação aos postos no ninho
(MACARI et al, 2003)
Principais defeitos da casca dos ovos de matrizes pesadas
Os defeitos de casca mais comumente encontrados nos matrizeiros são: ovos
enrugados (Bronquite Infecciosa das Galinhas, deficiência de cobre), ovos sem
casca/casca mole (matrizes mais velhas, doenças infecciosas e intoxicações), ovos
trincados internamente (alta densidade e estresse) e externamente (casca e manuseio
inadequados), ovos sujos (umidade de cama, ninhos sujos), ovos com casca
áspera/depósito de cálcio (anormalidades na calcificação da casca, estresse)
82
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ovos com boa qualidade de casca, são essenciais para gerar pintos de corte de
qualidade, contribuindo assim para um bom índice de produtividade. A relação entre
nutrição, idade da matriz pesada, manejo das aves e ovos, temperatura ambiente,
genética, enfermidades, medicamentos, tipos de ninhos e qualidade de cama se tornaram
fatores evidentemente influenciadores à qualidade da casca de ovos de matrizes pesadas.
Vários defeitos de casca de ovos podem ocorrer em um matrizeiro, porém os
mais comuns de serem observados são os ovos enrugados, com casca áspera/ deposição
de cálcio, ovos com casca mole/ sem casca, com trinca interna ou externa, e ovos sujos.
Pesquisadores vêm desenvolvendo estudos para tentar minimizar a ocorrência destes
ovos, trabalhando nos fatores citados a cima que podem influenciam na qualidade da
casca, com o intuito de melhorar cada dia mais a qualidade da mesma.
REFERÊNCIAS
ARAÚJO,
W.
A.
G;
ALBINO,
comercial.TransworldResearchNetwork.p.
105
L.
–
F.
138,
T.
Incubação
2011.Disponívelem:
<http://issuu.com/ResearchSignpost/docs/araujo_e-book/23>. Acesso em: 10 nov. 2012
BAIÃO, N. C.; CANÇADO, S. V. Fatores que afetam a qualidade da casca do
ovo.Caderno Técnico da Escola de Veterinária UFMG, Belo Horizonte: EV-UFMG.
n.21, p.43 – 59, 1997.
BAIÃO, N. C.; LÚCIO, C. G.. Nutrição de matrizes pesadas. In MACARI, M.;
MENDES, A. A. Manejo de matrizes de corte. 1. ed.Campinas: Fundação APINCO
de Ciência e Tecnologia Avícolas, p. 197-212. 2005.
BAR, A.; HURWITZ, S. Relationships between cholecalciferol metabolism and growth
in chicks as modified by age, breed and diet.TheJournalofNutrition. v. 111, p.399 –
404, 1980
BARBOSA, V. M. et al. Avaliação da qualidade da casca dos ovos provenientes de
matrizes pesadas com diferentes idades. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e
83
Zootecnia,
v.
64,
n.
4,
p.
1036
–
1044,
2012a.
Disponível
em:
<http://www.scielo.br/pdf/abmvz/v64n4/v64n4a33.pdf>. Acesso em: 03 set. 2012a.
BARBOSA, V. M.et al. Resistência e ultraestrutura da casca e suas
membrana.Revista Avicultura Industrial. São Paulo, v. 103, n. 1214, p. 58 – 63, 2012b.
BRAKE, J. T. Optimizacióndelalmacenaje de huevosfértiles. Avicultura Profesional.
v. 14, p. 26 – 31, 1996.
BORGES, S. A.; MAIORKA, A.; SILVA, A. V. F. Fisiologia do estresse calórico e a
utilização de eletrólitos em frangos de corte.Revista Ciência Rural. v. 33, n. 5, p. 975 –
981, set-out, 2003
BOTELHO,
M.
A.
F.
Coccidiose
aviária.
2011.
Disponível
em:
<
file:///C:/Users/Dell/AppData/Local/Temp/Rar$EXa0.790/Coccidiose%20aviaria.htm>.
Acessoem: 28 mai 2013
BUTCHER, G. D.; MILES, R. D. Factores causing por pigmentation of Brownshelledeggs. 2008. Disponívelem: <http://edis.ifas.ufl.edu/pdffiles/VM/VM04700.pdf>.
Acessoem: 29 mai de 2013
CARVALHO, L. S. S.; FERNANDES, E. A. Formação e qualidade da casca de ovos de
reprodutoras e poedeiras comerciais.RevistaMedicinaVeterinária.v. 7, n.1, p.35 – 44,
2013.
COBB. Guia de Manejo de Incubação. Philippines: Cobb-Vantress. 46p. (Informação
técnica). 2008
DUARTE, K. F.; JUNQUEIRA, O. M. Manejo e alimentação de aves e suínos. In
REGINA, R. in: Nutrição animal, principais ingredientes e manejo de aves e suínos.
São Paulo: Fundação Cargill, p. 250 – 411, 2010.
ELGUERA, M. A. Relação entre o manejo de reprodutoras de carne e qualidade dos
ovos incubáveis. In: SIMPÓSIO TÉCNICO SOBRE MATRIZES DE FRANGO DE
CORTE, 2, 1999, Chapecó. Anais...Disponível em: <http://docsagencia.cnptia.
embrapa.br/suino/anais/anais9910_elguera.pdf>. Acesso em: 03 set. 2012.
84
FRANCO, J. R. G.; SAKAMOTO, M. I.Qualidade dos ovos: Uma visão geral dos
fatores
que
a
influenciam.
2012.
Disponível
em:
<https://www.google.com/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=3&cad=rja&v
ed=0CD0QFjAC&url=http%3A%2F%2Fpt.engormix.com%2FMAavicultura%2Fadministracao%2Fartigos%2Fqualidade-dos-ovos-visao-t897%2F124
p0.htm&ei=5ldtUbqeEJLq8gTAuYGADA&usg=AFQjCNFL5N6H9mkdwDql6OUKjL
m3lrZJHA&bvm=bv.45175338,d>Acesso em: 20 abr. 2013
FOOD AND AGRICULTURE ORGANIZATION OF THE UNITED NATIONS
(FAO).World agriculture: towards 2030/2050. Rome, 2006. Disponível em:
<http://www.fao.org/fileadmin/user_upload/esag/docs/Interim_report_AT2050web.pdF
>. Acesso em: 10 nov. 2012
GONZÁLES, E. A qualidade da casca do ovo. Revista Alimentação Animal. n. 16.
set/dez 1999. Disponível em: <http://www.bichoonline.com.br/artigo.aspx?ida=117>.
Acessoem: 18 abr. 2013.
HAMILTON, R. M. G. Methods and factors that affect the measurement of egg shell
quality.Poultry Science, v. 61, p. 2022 – 2039, 1982.
HUNTON,
P.
Research
on
eggshell
structure
and
quality:
An
historical
overview.Brazilian Journal of Poultry Science. v. 7, n. 2, p. 67 – 71. apr-jun. 2005
ITO, N. M. K. Enfermidades que comprometem a qualidade da casca. IN: Simpósio
Goiano de Avicultura, 2000, Goiânia. Anais...Goiânia, ASSOCIAÇÃO GOIANA DE
AVICULTURA, 2000, p. 147-158.
MÁCHAL, L.; SIMEONOVOVA, J. The relationship of shortening a strength of
eggshell to some egg quality indicators and egg production in hens of diferent initial
laying lines.ArchiveTierz. Archive Animal Breeding. v.3. p.287 – 296, 2002
MAZZUCO, H.; ROSA, P. S.; JAENISCH, F. R. R. Problemas de casca de ovos:
identificando as causas. Concórdia. SC: Embrapa Aves e Suínos, 1998,
85
Boletimtécnico.
Disponívelem:
<:
http://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/58288/1/doc48.pdf>. Acessoem: 18
abr. 2013.
NASCIMENTO, V. P.; SALLE, C. T. P. O ovo. In: MACARI, M.; GONZALES, E.
Manejo da incubação. 2. ed.. Campinas: Fundação APINCO de Ciência e Tecnologia
Avícolas, p.34-50. 2003.
NYS, Y. Influence of nutritional factors on eggshell quality at high environmental
temperature. In: BRIZ, R.C. Egg and egg products quality. World Poultry Science
Association, n. 4,p. 209-220, 1995
PATRÍCIO, I. S. Manejo do ovo incubável da granja ao incubatório. In: MACARI, M.;
GONZALES, E. Manejo da incubação. 2. ed.. Campinas: Fundação APINCO de
Ciência e Tecnologia Avícolas, p.163-179. 2003.
RUTZ, F.; ANCIUTI, M. A.; PAN, E. A. Fisiologia e manejo reprodutivo de aves. in
MACARI, M.; MENDES, A. A. Manejo de matrizes de corte. 1. ed.Campinas:
Fundação APINCO de Ciência e Tecnologia Avícolas, p 75-122. 2005.
RUTZ, F. et al. Avanços na fisiologia e desempenho reprodutivo de aves
domésticas.Revista Brasileira de Reprodução Animal, Belo Horizonte, v. 31, n. 3, p.
307 – 317, jul-set. 2007
SAIF, Y. M.; BARNES, H. J.; GLISSON, J. R.; FADLY, A. M.; McDOUGALD, L. R.;
SALLE, C. T. P.; MORAES, H. L. S. Prevenção de doenças / Manejo profilático /
Monitoria. In: BERCHIERI JR, A.; SILVA, E. N.; DI FÁBIO, J.; SESTI, L.
SOUZA, A. V. C.; LIMA, C. A. R. Fatores que Afetam na Qualidade da Casca do
Ovo.
Poli-nutriAlimentos,2007.Disponível
in:
<http://www.polinutri.com.br/upload/artigo/190.pdf>. Acesso em: 03 de setembro de
2012.
86
SWAYNE, D. E. DiseasesofPoultry. 11th ed. Iowa: Iowa State Press, p. 1134 – 1137.
2003.
TORRES, C. A.;VIEIRA, S. L.; REIS, R. N.; FERREIRA, A. K.; SILVA, P. X.;
FURTADO,
F.
V.
F.
Productive
performance
ofbroilerbreederhensfed
25-
hydroxycholecalciferol. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 38, n.7, p. 1286-1290,
2009.
UNIÃO
BRASILEIRA
DE
AVICULTURA.
2013.Disponívelem:<
http://www.ubabef.com.br/>. Acesso em: 15 mai. 2013
VIEIRA, S. L. Idadeda matriz, amanho do ovo e desempenho do pintinho. In:
CONFERÊNCIA APINCO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIAS AVÍCOLAS, 2001.
Campinas. Anais...Campinas, FACTA, p. 117 – 123, 2001
Fly UP