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ASSOCIAÇÃO FLORESTAL DO VALE DO DOURO NORTE

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ASSOCIAÇÃO FLORESTAL DO VALE DO DOURO NORTE
ASSOCIAÇÃO FLORESTAL DO VALE DO DOURO NORTE
Técnicas de controlo de matos com meios mecânicos motorizados
Fernando Santos
- [email protected] -
MURÇA
Setembro, 2001
2
1- O controlo de matos em áreas florestais.
O controlo de matos em áreas florestais é uma operação que tem vindo a ser
abandonada devido, entre outros aspectos:
- à dificuldade de execução da operação, em grande parte devido ao tipo de
equipamentos utilizados;
- ao crescente desinteresse a que tem sido votadas as áreas florestais, quer as
públicas quer as privadas;
- à falta de incentivos por parte dos organismos oficiais;
- etc.
1.1- Objectivos do controlo de matos
Os principais objectivos do controlo de matos em áreas florestais são:
- a diminuição do risco de incêndio;
- a obtenção de camas para os animais;
- a possibilidade de favorecer o desenvolvimento de espécies de maior interesse
forrageiro;
- etc..
1.2- Tipos de intervenção para controlo de matos
(ver anexo 1)
2- O controlo mecanizado.
O controlo mecanizado dos matos pode ser efectuado por:
- equipamentos manuais motorizados;
- equipamentos accionados por tractores,
- equipamentos automotrizes (rebocados ou com tracção própria).
2.1- Equipamentos manuais motorizados:
Cuidados para protecção do homem e do meio ambiente.
Protecção do homem:
Protecção do meio ambiente:
- não abastecer a máquina com o motor a funcionar;
- afastar-se do local de enchimento de combustível, pois pode-se ter derramado algum;
- limpar regularmente a rede retentora de faíscas;
- etc.
3
2.1.1- Motorroçadoras
A utilização florestal das motorroçadoras é especialmente indicada para áreas de
pequena dimensão ou locais de difícil acesso.
Algumas regras a observar para fixação das motorroçadoras no operador:
- colocação correcta do cinto por forma a que o mosquetão fique posicionado a ± uma
mão travessa, por baixo da anca direita;
- enganche do olhal de suporte do equipamento no mosquetão e aperto do cinto dos
ombros;
- deslocação do olhal de suporte da haste por forma a que o equipamento fique em
equilíbrio e o disco a ± 20 cm do solo.
- na posição de equilíbrio os braços do operador, ao agarrar os punhos, devem formar
um ligeiro ângulo e os pulsos estarem estendidos.
Alguns órgãos de corte; sua utilização.
As facas utilizadas para cortar mata espessa, exemplo das sebes de silvas, são
utilizadas igualmente no corte de brenhas, moitas, etc.
As lâminas circulares são mais utilizadas no corte de arbustos lenhosos e troncos de
pequeno diâmetro.
4
Metodologia a seguir para corte dos matos:
- o método dos quadrados;
- o método das faixas;
- o método das faixas nas encostas.
Metodologia a seguir para corte de pequenas árvores:
- sentido de rotação da lâmina contrário ao dos ponteiros do relógio;
- identificação dos sectores das lâminas com as horas;.
- a utilização do sector da lâmina correspondente às horas da manhã faz que o fluxo do
tronco seja projectado para trás e a árvore cai para a frente. No sector das 3 - 5 horas
acontece o contrário. O sector 12 - 14 h não deve ser utilizado pois há o perigo de
rebate;
- a inclinação transversal da lâmina vs o lado para que tomba lateralmente a árvore.
- para árvores com diâmetros superiores a 7 - 8 cm, mas em que a profundidade do
corte é inferior a este valor, o abate deve ser feito utilizando a técnica do corte duplo ou
por corte de entalhe e de abate.
5
2.1.2- Motoserras.
Corte do material lenhoso em que a utilização da motorroçadora é pouco eficiente.
2.2- Equipamentos accionados por tractores
Tipos de tractores (agrícola ou florestal)
Características dos tractores:
- distribuição de massas,
- protecções (tractor e operador);
- sistemas de locomoção (pneus florestais ou rastos);
- tipo de transmissão (mecânica ou hidrostática);
- outras.
Figura 1- Tractor agrícola
Figura 2- Tractor florestal
Figura 1- Adaptação de um tractor agrícola aos trabalhos florestais.
Figura 2- Tractor florestal com um destroçador
2.2.1- Corta matos (eixo vertical)
Os corta matos, também designados por destroçadores de eixo vertical, apresentam
como elementos de corte facas ou correntes. As facas fazem um corte “limpo” da vegetação o
6
que permite a sua rápida regeneração; as correntes traçam a vegetação deixando a zona de
contacto destruída o que dificulta a regeneração.
Figura 3- Destroçador com um rotor
Figura 4- Destroçador com dois rotores
Figura 3- Corta matos com um rotor de facas.
Figura 4- Corta matos com dois rotores de facas
2.2.2- Destroçadores (eixo horizontal)
Os destroçadores (trituradores) de eixo horizontal, que têm como peças activas, facas
ou martelos, podem ser móveis ou estacionários.
Este tipo de equipamento destroça completamente a vegetação pois, devido ao sentido
de rotação do seu eixo, o material depois de cortado é transportado junto ao carter sendo, só
depois, projectado para o exterior.
Nos equipamentos móveis a velocidade de deslocamento é muito inferior à dos corta
matos e são bastante mais exigentes em potência o que implica que a sua largura de trabalho
seja relativamente pequena.
Figura 5- Destroçador florestal
Figura 6- Destroçador florestal (tritura pedra)
7
Figura 7- Destroçador estacionário
Figura 8- Mesa de alimentação
Figura 5- Destroçador de material vegetal
Figura 6- Destroçador de matos, ramos, cepos e pedras; pode igualmente ser utilizado
para incorporação de resíduos vegetais no solo.
Figura 7- Destroçador estacionário accionado por tractor (características no anexo 2)
Figura 8- Mesa de alimentação com diferentes tipos de material (características no
anexo 2)
2.3- Equipamentos automotrizes.
Os equipamentos automotrizes podem ser identificados como equipamentos ligeiros e
pesados.
2.3.1- Equipamentos ligeiros
Os equipamentos ligeiros utilizados são unidades com potências de 8 - 14 cv, cujos
elementos de corte podem ser barras de corte com larguras < que 1 m (motoganheiras) ou
discos com diâmetros de 0.5 - 0.6 m (motorroçadoras com rodas) ou tambores com um número
variável de facas (destroçadores estacionários) .
A principal limitação dos equipamentos automotrizes prende-se com a impossibilidade
de os utilizar em zonas inclinadas (> 10 %), pois a lubrificação do motor é afectada.
8
2.3.1.1- Motogadanheiras
As motogadanheiras permitem cortar os matos sem os destroçar. O material a cortar
deve ter um diâmetro inferior a 2 cm e a barra de corte deve ter um comprimento inferior a 1 m;
as motogadanheiras das figuras anexas têm uma barra de corte de 0.8 m e, segundo os
fabricantes, um rendimento médio de 1500 m2/h.
Figura 9- Motogadanheira florestal
Figura 10- Motogadanheira florestal
2.3.1.2- Motorroçadoras com rodas.
As motorroçadoras com rodas são equipamentos com grande mobilidade que utilizam
discos como elementos de corte.
Figura 11- Motorroçadora florestal de
Figura 12- Motorroçadora florestal de rodas com
rodas com facas
disco de corte
Figura 11- Motorroçadora florestal com motor de 12.5 cv, largura de trabalho de 0.55 m
e 4 RT para a frente e para trás. Este equipamento, segundo o construtor, pode
trabalhar até inclinações de 25º sem problemas de lubrificação.
Figura 12- Motorroçadora florestal de concepção compacta, equipada com um motor de
8.5 cv e com uma largura de trabalho de 0.55 m. Segundo o construtor, pode cortar
arbustos com 0.5 - 0.6 m de diâmetro.
9
2.3.1.3- Destroçadores estacionários
Os destroçador estacionários são utilizados para transformar em estilha troncos e
ramos de árvores, arbustos, madeira, papel, cartão, plástico, etc. A estilha é aproveitada como
recurso energético e matéria prima (sistemas de aquecimento, etc.), para compostagem do
solo, compactação de caminhos (pistas de jogging, parques, jardins, caminhos, etc.) e
reciclagem em geral.
Figura 13- Destroçador Senior
Figura 14- Destroçador BC 350
Figura 13- Destroçador estacionário com 24 facas que, segundo o construtor, estilhaça
ramos com diâmetro até 9 cm.
Figura 14- Destroçador estacionário rebocado, com motor Diesel de 24 cv, 32 facas e,
3
segundo o construtor, com uma capacidade de trabalho de 6 - 10 m /h.
2.3.2- Equipamentos pesados
Os equipamentos pesados, devido ao seu elevado custo, são mais utilizados por
alugadores, empreiteiros florestais, etc.
Figura 15
Figura 16 Pro Mac
Figura 15- “Mula mecânica” é um equipamento automotriz de rasto munido de um
destroçador de correntes.
Figura 16- Destroçador accionado por uma retroescavadora e que pode ser equipado
com facas, discos ou martelos; segundo o construtor pode ser utilizada no corte de
10
árvores de 0.1 - 0.3 m de diâmetro; os diferentes modelos têm larguras de trabalho de
0.9 a 1.75 m.
3- Ensaios efectuados nas serras do Marão e Alvão
3.1- Material utilizado
O material de corte utilizado foi uma motogadanheira de barra de corte, uma
motorroçadora com disco de três facas e um corta matos de eixo vertical com correntes.
As principais características deste material são as seguintes.
Motorroçadoras
As motorroçadoras utilizadas são equipamentos “standard”, transportados em
bandoleira e em que os elementos de corte são discos com três facas; foram igualmente
testados discos dentados mas os primeiro têm melhor desempenho no corte dos matos; o
diâmetro destes discos é de 25 cm. Apresenta-se, no anexo 3, as características de um dos
modelos utilizados.
Motogadanheira
A motogadanheira utilizada tinha como principais características as seguintes
- um desafogo, distância do carter ao solo, de 0.19 m;
- uma barra de corte de pequena dimensão (0.85 m);
- uma caixa de velocidades que permite uma velocidades de deslocamento < a 1 km/h.
O desafogo deve ser o suficiente para que o carter não assente no solo, pois, caso
contrário, fica sem tracção. Uma barra de corte de pequena dimensão é fundamental para que
o volume de vegetação a cortar não impossibilite o deslocamento. A possibilidade de o
equipamento se deslocar a uma velocidade baixa é fundamental pois, caso contrário, alguma
vegetação, especialmente a menos lenhosa, tem tendência a tombar não sendo cortada.
Corta matos
O corta matos utilizado, de fabrico nacional, tem uma largura de trabalho de 1.30 m e
como elementos activos três correntes que provocam, por impacto, o corte da vegetação.
Inicialmente utilizámos facas mas, devido aos afloramentos rochosos existentes nos locais de
ensaio, foi necessário proceder à sua substituição por correntes. A utilização destas exige uma
potência 30 a 40% superior à das facas o que conduz, normalmente a uma diminuição do
rendimento em trabalho; a potência aconselhada pelo construtor é de 30 - 40 cv. Apresenta-se,
no anexo 4, as principais características do corta matos.
11
Equipamentos utilizados
3.2- Metodologia seguida
A escolha dos locais dos ensaios foi efectuada em função do tipo de equipamento.
Para o corta matos, accionado por um tractor de rastos de 56 cv e para a motogadanheira, os
locais de ensaio foram escolhidos em zonas pouco declivosas, deixando as de maior declive
para a motorroçadora.
A metodologia usada para cada um dos equipamentos foi a apresentada nos pontos
seguintes.
3.2.1- Motorroçadora
Para a motorroçadora foram marcados vários blocos com talhões de 3 X 5 m, com o
maior comprimento segundo as curvas de nível, sendo o corte feito em duas passagens (1.5
*2). O primeiro corte é efectuado para que o material seja depositado fora da área dos talhões
(o mato é cortado da direita para a esquerda) e o 2º na faixa anteriormente cortada. No fim de
cada faixa regressa-se ao início do talhão, fazendo-se, assim, uma pequena pausa no trabalho.
3.2.2-- Motogadanheira
Para a motogadanheira não foi estabelecida nenhuma metodologia particular pois o
objectivo foi determinar a velocidade de deslocamento e o tempo gasto nas cabeceiras para
inverter o sentido de marcha. O corte foi efectuado segundo trajectos perpendiculares às
curvas de nível pois, caso contrário, é necessário que o operador tenha de corrigir a trajectória,
porque o equipamento escorrega para jusante, o que se torna muito penosa a sua condução.
3.2.3- Corta matos
Para os ensaios com o corta matos definiram-se vários blocos com talhões de
20 x 20 m que foram caracterizados em função do seu declive e tipo de vegetação e onde se
realizaram os trajectos perpendiculares às curvas de nível; é importante que o declive
transversal seja o mais baixo possível pois verifica-se uma tendência para o tractor - corta
matos escorregar para jusante.
As determinações incluíram a velocidade de deslocamento do conjunto tractor - alfaia,
tempo de inversão de marcha e o tipo e número de obstáculos encontrados em cada trajecto
que obrigavam a alterações de direcção. Para inversão do sentido de marcha o corta matos era
12
levantado do solo, mantendo-se em funcionamento, pois, caso contrário, a pressão exercida
pelo mato dificulta (impede) a viragem e os esticadores são sujeitos a grandes tensões,
podendo mesmo partir-se. A execução das manobras nas cabeceiras com um raio de curvatura
maior, para a deixar uma ou duas faixas, imediatas à anteriormente cortada, relevou-se sem
interesse, pois é muito difícil definir a largura dessas faixas por forma a aproveitar
integralmente a largura de trabalho da máquina.
3.3- Resultados obtidos
Os principais resultados para cada um dos equipamentos são os apresentados nos
pontos seguintes.
3.3.1- Motorroçadora
Os tempos de trabalho para cortar os talhões de ensaio são muito variáveis, valores
compreendidos entre 130 a 170 s, pois as condições de trabalho, nomeadamente a quantidade
de material a cortar, a presença de obstáculos (árvores, rochas, etc.) a facilidade de
progressão são muito variáveis.
Considerando estes valores e uma eficiência de campo de 40%, o número de horas /
hectare varia entre 60 - 80 horas; a baixa eficiência de campo resulta da frequência dos
abastecimentos e da necessidade de frequentes pausas pois este trabalho é muito
desgastante. A bibliografia indica valores de ± 1000 m2 / dia, mas este valor poder ser reduzido
para metade quando é necessário encordoar o material cortado ou destruir o material que ficou
por cortar
3.3.2- Motogadanheira
Os tempos obtidos a percorrer trajectos de 10 m variaram entre os 38 e 50 s, o que
corresponde a velocidades de 0.26 m/s (0.94 km/h) e 0.20 m/s (0.72km/h), ou seja, uma
velocidade média de 0.23 m/s (0.83 km/h) sendo o tempo médio de viragem 10 s.
Para velocidades de deslocamento compreendidas entre estes valores e uma eficiência
de campo de 60% o rendimento, em horas / hectare, varia entre as 20 e 27 h.
A utilização da motoganheira revelou-se uma solução interessante, pois a qualidade de
trabalho é superior à obtida com as motorroçadoras tem, no entanto, um rendimento em
trabalho bastante baixo. A bibliografia menciona rendimentos de trabalho de 2000 - 3000 m
2
/dia.
3.3.3- Corta matos
Os primeiros ensaios foram efectuados utilizando a 2ª relação de transmissão (RT), a
1800 rpm do motor (540 rpm da TDF) que permite uma velocidade de 1.53 km/h, tendo-se
depois passado para a 3ª RT que permite atingir uma velocidade de 2.25 km/h.
13
Com a 2ª RT, para percorrer os 20 m do comprimento do ensaio, seriam teoricamente
necessários 47 s mas, na prática, os valores variaram entre os 55 e 100 s, sendo a média 65 s;
os tempos gastos nas cabeceiras, para inversão do sentido de marcha, variaram entre os 35 e
45 s, sendo a média de 40 s.
Para a 3ª RT para percorrer os 20 m, seriam teoricamente necessários 32 s mas, na
prática, os valores variaram entre os 38 e 44 s, sendo a média 41 s; os tempos gastos nas
cabeceiras, para inversão do sentido de marcha, variaram entre os 34 e 47 s, sendo a média
de 42 s.
Quadro 1- Resultados médios obtidos e determinados nos diferentes talhões.
BLOCO 1
BLOCO 1
BLOCO 2
BLOCO 3
BLOCO 4
Decl.
(%)
12
12
12
10
15
Tp(t)
(s)
47
32
32
32
32
Tp(r)
(s)
65
41
40
44
39
Tp(cb)
(s)
40
47
42
45
34
Efc
(%)
62
53
50
49
54
Vel ®
(km/h)
1.16
1.88
1.81
1.64
1.87
Rend.
(h/ha)
11.18
8.80
8.77
9.51
7.69
Decl- Declive; Tp(t)- Tempo teórico; Tp(r)- Tempo real; Tp(cd)- Tempo gasto nas cabeceiras;
Efc- Eficiência de campo; Vel(r)- Velocidade real; Rend- Rendimento.
Nos três primeiros talhões os trajectos foram efectuados segundo maior declive e, nos
restantes segundo as curvas de nível, pois as árvores estavam alinhadas segundo essas
curvas.
Como se pode verificar dos valores médios apresentados o rendimento é bastante
baixo o que, juntamente com o custo do equipamento, torna esta operação muito dispendiosa;
a presença de árvores sem qualquer alinhamento, caso do talhão nº 3, agrava esta situação.
Comparando os custos das três operações tem-se:
Quadro 2- Comparação dos custo das várias operações
Motogadanheira
Motorroçadora
Corta matos
L.T.
(m)
0.87
1.50
1.30
V.T. C.T.C.
(Km/h) (ha/h)
0.8
0.07
0.2
0.04
1.7
0.22
E.C.
(%)
60
40
50
C.E.C.
(ha/h)
0.04
0.01
0.11
Rend.
(h/ha)
23.08
69.44
9.05
Custo
($/h)
1500
1300
3000
Custo
($/ha)
34621
90278
27149
4- Conclusões.
Relativamente ao trabalho executado nas Serras do Marão e Alvão os resultados
obtidos levam-nos a concluir que a escolha de um equipamento deve ser efectuada tendo em
consideração vários factores nomeadamente a orografia, custos das operação, extensão da
área a tratar, tipo de mato, afloramentos rochosos, etc..
Considerando os equipamentos testados pode-se afirmar que:
- as motorroçadoras são equipamentos de difícil manejo e perigosos, pelo que só
devem ser utilizadas para corte de pequenas áreas ou áreas de difícil acesso. O
14
rendimento em trabalho é bastante baixo e a sua qualidade não é a melhor pois, em
situações de maior densidade de vegetação nem sempre é fácil distinguir o material
cortado do em pé;
- as motoganheiras adaptadas ao corte de matos é uma solução muito interessante
para pequenas áreas mas, em zonas mais acidentadas, torna-se bastante penoso
trabalhar, pois não é fácil manter a trajectória desejada e a lubrificação é prejudicada;
- a utilização de corta matos nas zonas onde é possível, é uma solução com um
rendimento em trabalho aceitável, quando comparado com as outras soluções
mecânicas, especialmente se pudermos utilizar como elementos de corte as facas.
A utilização de qualquer uma das soluções apresentadas, necessária quando se
pretende obter material para as camas para os animais, “fabrico” de estrumes, etc., para
permitir um controlo aceitável da vegetação, deve ser realizada ano sim ano não o que
encarece muito esta operação. A análise da resposta da vegetação às soluções mecânicas
utilizadas não permitiu observar diferenças significativas.
Considerando as diferentes soluções para controlo de matos (anexo 1), a solução
escolhida, desde que não se pretenda a recolha do material, passa, geralmente, por um
sistema de controlo misto, nomeadamente as soluções que se apresentam no quadro seguinte:
Quadro 3- Soluções de controlo misto
Forma de controlo
Operação intermédia
Operação final
Controlo manual
X
queima dirigida
Controlo manual
X
pastoreio da vegetação que nasce
Queima dirigida
X
controlo químico da vegetação que nasce
Pastoreio
X
Controlo químico
+
Controlo químico do material lenhoso
Controlo
químico
com
herbicidas
+
arbusticidas
Fonte: P. Delabraze (1990)
pastoreio +
controlo químico localizado
queima dirigida
X
pastoreio das plantas herbáceas
X
queima dirigida (alimentada pela biomassa
seca criada)
15
Anexo 1- Diferentes tipos de intervenções para controlo de matos nas florestas; aspectos favoráveis e desfavoráveis.
Tipos de intervenção
Controlo manual ( inclui o emprego de
equipamentos transportados pelo operador)
Critérios favoráveis
- realização em todas as condições e todo o ano;
- boa qualidade e selectividade do trabalho;
- pequeno risco de incêndio.
- rapidez de execução se o material for bem escolhido;
- funcionamento durante a maior parte do ano;
- preço interessante em terrenos planos horizontais;
Controlo mecanizado (equipamentos médios - efeitos imediatos sobre o mato;
e pesados)
- corte da vegetação no local sem riscos de incêndio;
- possibilidade de utilizar materiais agrícolas adaptados e reforçados;
- solução simples desde que se disponha do material.
- facilidade e suavidade na aplicação;
- manutenção do solo limpo;
- boa eficácia (produtos específicos)
- facilidade e suavidade na aplicação e rapidez na aplicação;
- condições fenológicas e climáticas muito restritas;
- grande variedade e ligeireza dos equipamentos;
- emprego delicado em situações não controladas;
- espectro lato dos produtos;
- secagem da vegetação aumentando o risco de incêndio;
Penetração foliar - evolução progressiva evitando-se, de imediato, o agrava-mento do risco - possível dificuldade de aprovisionamento de água;
de incêndio;
- reticência psicológicas (amarelecimento das folhas e sua queda posterior)
- respeito pela estrutura superficial do solo;
- geralmente económica.
- facilidade e suavidade na aplicação, rapidez na aplicação e suavidade do - eficácia variável de 2 a 4 anos.
Nanificantes
tratamento;
- permitir a reconstituição florística.
- técnica «todo o terreno»;
- necessidade de especialistas para execução e vigilância;
- rapidez de execução e efeitos imediatos;
- período de execução geralmente reduzido;
- baixo custo;
- pouca selectividade relativa às árvores jovens e de casca fina;
- diminuição importante da vegetação lenhosa
- cobertura morta contínua e suficiente e biomassa aérea reduzida mas bem
distribuída;
- reticências psicológicas.
- reanimação rural;
- necessidade de pastores especializados e conscienciosos;
- reactivação dos meios;
- risco de compactação do solo (solos argilosos);
- efeitos diversos em função dos animais;
- danificação das árvores e sementes;
- cercas móveis eficazes e de baixo custo;
- irregularidade dos recursos ( complementação alimentar );
- troca de actividades (convívio)
- aumento excessivo dos percursos estreitos.
Penetração
radicular
Pesticidas
Fogo controlado
Pastoreio controlado
Critérios desfavoráveis
- baixo rendimento e eficácia variável em função do período de intervenção;
- difícil gestão;
- preço elevado;
- baixa eficácia em gramíneas;
- necessidade de remoção do mato cortado;
- difícil implantação em numerosas situações, devido a aspectos socioeconómicos.
- manutenção dos equipamentos;
- intervenção limitada em encostas: (< 30% segundo as curvas de nível e < 60%
segundo o maior declive);
- dificuldade em trabalhar em terrenos pedregosos, húmidos e zonas com grande
densidade de árvores;
- pouco eficaz com as gramíneas;
- os equipamentos pesados compactam o solo;
- demasiados protótipos;
- equipamentos nem sempre disponíveis (geralmente caros)
- possibilidade de arrastamento para as zonas adjacentes;
- nocivo para determinadas árvores.
Fonte: P. Delabraze (1990)
16
Anexo 2- Características técnicas dos destroçadores estacionários das figuras 7 e 8.
Características técnicas do destroçador da figura 7:
Características técnicas do destroçador da figura 8:
17
Anexo 3- Especificações técnicas da motorroçadora Husqvarna 250 RX
Motor:
- cilindrada, cm 3
- diâmetro do cilindro, mm
- curso do pistão, mm
- regime ao "ralenti", rpm
- regime máximo, rpm
- rotação na lança, rpm
- potência máxima (a 9000 rpm)
Sistema de ignição:
- vela de ignição
- distância entre eléctrodos, mm
Sistema de lubrificação:
- tipo de carburador
- volume do depósito
Peso:
- peso s/ combustível,
Níveis sonoros:
- cabeça de recorte (1)
- lâmina (1)
- cabeça de recorte (2)
- lâmina (2)
48.7
44
32
2700
13500
10000
2.4 kW
Champion
RCJ 7Y
0.5
Walbro HAD
86
0.8
8.9
Níveis de vibração (3):
- punho esquerdo / direito (4)
- punho esquerdo / direito (5)
- punho esquerdo / direito (6)
- punho esquerdo / direito (7)
Equipamento de corte:
- orifício central lâminas (mm)
- lâmina p/ relva - faca p/ relva
- cabeça de recorte
- lâmina de serra
4.4 / 6.0
2.6 / 2.5
4.4 / 6.0
2.9 / 3.0
20
Maxi 200
∅ 200, 22 dentes
Acessórios:
- lâmina p/ relva - faca p/ relva
- lâmina de serra
- facas de plástico
- cabeçote de recorte
- cúpula de apoio
104
98
113
110
Fonte: Catálogo Husqvarna.
(1) Nível de pressão sonora equivalente, junto ao ouvido do utilizador, medido conforme
prEN 31806 e ISO 7917. DB(A).
(2) Nível de efeito sonoro equivalente, medido conforme prEN 31806 e ISO 10884, dB(A)
(3) Níveis de vibração no punho, medidos conforme prEN31806 e ISO 7916, m/s2
(4) No cabeçote de recorte e ao ralenti.
(5) No cabeçote de recorte e à rotação máxima.
(6) Na lâmina e ao ralenti
(7) Na lâmina e à rotação máxima
1- Disco 2- engrenagem angular 3- ponto de lubrificação 4- tubo 5- acelerador 6- contacto de paragem 7- bloqueio do
acelerador 8- ajuste do punho 9- direcção 10- encaixe da correia de suporte 11- tubo de protecção do veio de transmissão 12estrangulador 13- filtro de ar 14- protecção do cilindro 15- depósito de combustível 16- manípulo de arranque
18
Anexo 4- Principais características do corta matos.
Principais características do corta matos:
- descentramento mecânico;
- munhões CAT I ou II;
- caixa de engrenagens em banho de óleo;
- patins reguladores da altura de corte e de protecção das peças activas;
- patim estabilizador traseiro;
- cadeados traseiros de protecção;
- três facas loucas ou três correntes substituíveis;
- velocidade da T.D.F. - 540 r.p.m.;
- transmissão por cardan com embraiagem.
Equipamento opcional:
- cadeados dianteiros de protecção;
- roda estabilizadora.
- rotor com três facas.
Relativamente às características técnicas tem:
- largura de trabalho - 1.30 m;
- massa - 280 kg;
- potência aconselhada - 30/40 cv.
A largura efectiva de trabalho, medida de diâmetro da circunferência efectuada pelas
correntes, é de 1.26 m.
Corta matos
Fonte: Catálogo Herculano
Fly UP