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Protestantes alemães em Minas Gerais e no Rio de Janeiro: a
Protestantes alemães em Minas Gerais e no Rio de
Janeiro: a importância do modelo de aculturação
para a história da imigração
German Protestants in Minas Gerais and Rio de Janeiro: the importance of the
acculturation model for the history of immigration
Protestantes alemanes en Minas Gerais y en Rio de Janeiro: la importancia del modelo
de la aculturación para la historia de la inmigración
Roland Spliesgart*
decisão de emigrar e a crise resultada disso, por outro lado, as condições políticas
na Alemanha e no Brasil. Especialmente
no campo da religião podem ser demonstrados vários fenômenos, que comprovam
a aculturação dos protestants no Brasil.
Resumo
A história dos protestantes alemães no
Brasil é tratada normalmente por dois
pontos de vista: pela formação de igreja
ou pelo seu germanismo. Muitas dessas
comunidades são caracterizadas na literatura como abrasileiradas. Esse é o caso
principalmente no Brasil Central, ou seja,
nos estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro. A minha abordagem toma como
ponto de partida o conceito pejorativo de
abrasileirização, para pesquisar os processos de interação e transformação que ele
expressa. Na perspectiva teórica, o conceito de aculturação da Antropologia Social pode ser aplicado de forma produtiva
para o trabalho histórico. Sob aculturação
são compreendidos todos os fenômenos
de modificação cultural, que se resultam
do contato entre dois grupos de diferentes
culturas originárias. Na pesquisa dos migrantes protestantes de origem alemã puderam ser identificados dois fatores que
acentuaram a aculturação: por um lado a
Palavras-chave: Imigração. Protestantismo.
Aculturação.
Graduação em Teologia. Doutor em Ciências
Políticas e Econômicas (Universidade de Bremen). Pós-Doutorado (Habilitation) em Teologia
(Universidade de Munique). Desde 2004, atua
como “Privatdozent” (livre-docente) no Instituto
de História da Igreja (História do Cristianismo
Global) da Faculdade de Teologia Evangélica da
Ludwig-Maximilians-Universität München. O
presente artigo baseia-se em uma aula e é resultado de discussões de um minicurso realizado no PPGH na Unisinos de 19/08 a 22/08/2013,
como professor visitante do exterior, com apoio
financeiro da Capes. Texto e citações traduzidas
do alemão para o português pelo próprio autor.
*
Recebido em 28/03/2013 Aprovado em 20/04/2013
http://dx.doi.org/10.5335/hdtv.14n.1.4167
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Com esse texto, pretendo apresentar
alguns resultados da minha tese de pós-doutorado sobre os “protestantes alemães
em Minas Gerais e no Rio de Janeiro no Império Colonial brasileiro”, sob o título “Verbrasilianerung und Akkulturation” (Abrasileirização e aculturação) (SPLIESGART,
2006a). Ela se insere na linha de pesquisa
da “História global do Cristianismo”, da
Faculdade de Teologia Evangélica da Universidade de Munique, que visa a superar
o eurocentrismo na medida em que a história dos cristãos não é observada e analisada a partir dos centros ocidentais, mas
sim a partir da sua própria dinâmica. Nessa
perspectiva, surgiu a questão da “abrasileirização” (Verbrasilianerung), a qual foi inspirada na teoria da aculturação. Com essa
minha contribuição, pretendo mostrar, nos
exemplos das mencionadas comunidades,
a importância do modelo de aculturação
para a história de imigração.
A Historiografia dos Séculos XIX e XX
Todos os trabalhos, nos séculos XIX e
XX, que tratam da história dos protestantes de
origem alemã orientam-se por dois tipos de
problematizações: um referente ao surgimento de uma estrutura eclesiástica evangélica no
Brasil, na maioria das vezes luterana, e outro
lado vinculado à questão da germanidade dos
migrantes protestantes. Ambas as perguntas
são interligadas, pois, para todos os autores,
está claro o fato de que a igreja evangélica alemã continua sendo a “norma” da história dos
descendentes alemães. Toda a historiografia é
impregnada de uma perspectiva etnocêntrica,
que às vezes chega a ser puro racismo.
Martin Dreher fez uma reavalização,
em 1975, na sua dissertação Kirche und Deutschtum in der Entwicklung der Evangelischen
Kirche Lutherischen Bekenntnisses in Brasilien:1
sua pesquisa sobre a influência da germanidade mostra indícios de uma aspiração da
igreja luterana de se aproximar à sociedade
brasileira (ver DREHER, 1978, p. 222-230).2
Não obstante, Dreher mantém-se preso aos
dois paradigmas historiográficos já citados,
pois por um lado seus principais interesses são o desenvolvimento da estrutra e da
orientação da Igreja e, por outro, a política
da germanidade do Império Alemão após
1886 e 1933, como também as consequências
da política da nacionalização brasileira.
A maioria dos trabalhos históricos sobre o protestantismo dos imigrantes alemães
mostra acentuado interesse na formação de
igrejas no Brasil. Essa perspectiva histórica-institucional leva a que os estudos só notem os imigrantes protestantes quando eles
fundam igrejas e se associam a sínodos. No
centro da observação estão o pastor e os grêmios de direção da igreja. A falta de agentes
professionais é, consequentemente, vista de
forma negativa.3 O alemão Ferdinand Schröder, historiador de igrejas e pastor, escreve
em seu livro Brasilien und Wittenberg sobre
essa primeira fase sem pastores: “Nesse lugar passaram-se 20 anos sem trabalho paroquial, que – como vimos hoje – não se recupera nem em cem anos” (1936, p. 79).
De tudo que aconteceu nesses anos – e
aqui quero mostrar alguns exemplos – não
é tomado conhecimento, ou tudo é respectivamente desvalorizado. De uma extrema
perspectiva histórica-institucional são os
trabalhos de Hans-Jürgen Prien, Von den
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deutsch-evangelischen Einwanderergemeinden
zur Evangelischen Kirche Lutherischen Bekenntnisses in Brasilien (1989),4 e de Enrique Krause, Lutherische Synode in Brasilien. Geschichte
und Bekenntnis der Evangelisch-Lutherischen
Synode von Santa Catarina, Paraná und anderen Staaten Brasiliens (1993). Lauro Emilio
Wirth tenta, em sua dissertação escrita na
Universidade de Heidelberg, Protestantismus
und Kolonisation in Brasilien. Der evangelische
Gemeindeverband in Brasilien; Kontextualität,
Ekklesiologie und Institutionalisierung einer
deutschen Einwandererkirche in Santa Catarina
(1992), dar um primeiro passo no sentido de
abranger os fenômenos histórico-sociais em
sua caracterização contextual. Seu objetivo
principal é distinguir a contextualidade das
igrejas dentro do interesse da colonização
alemã e das condições socioeconômicas, políticas e culturais do Brasil, além de questionar a contribuição de cada uma para o desenvolvimento das igrejas (WIRTH, 1992, p. 9).
Num segundo grupo de autores, a
percepção e a descrição dos protestantes
alemães concentram-se quase que exclusivamente ao critério de sua “germanidade”. A
essa visão etnocêntrica-alemã pertencem quase
todos os autores alemães, que aproximadamente desde 1860 se ocuparam com o tema
dos conterrâneos emigrantes. A Evangelische
Gesellschaft für die protestantischen Deutschen
in Amerika (Sociedade Evangélica para os
Alemães Protestantes na América) escreveu,
em 1885, na sua revista Der deutsche Ansiedler (O colono alemão):5
Todo nosso trabalho é uma coisa do reino
de Deus na terra; ele vai oferecer aos conterrâneos espalhados as bênçãos do Evangelho na conservação da cultura e hábitos
alemães, na manutenção da união da igreja
evangélica alemã e escola. Nós fazemos
um trabalho cristão, que ao mesmo tempo
tem uma importância nacional, de acordo
com a particularidade de cada tarefa.
Era-se da opinião de que, “neste país
longe, católico e de pouca luz no espírito, os
contemporâneos alemães seriam uma luz,
um fermento, o sal da vida e uma fonte abençoada para a honra de Deus e para a benção
da nossa igreja e do nosso povo”6 e defendia-se um “processo de germanização”7 da sociedade brasileira. Não se achava isso difícil,
pois se considerava o brasileiro inferior ao
alemão. Segundo o julgamento do diplomata
suíço Johann Jacob von Tschudi,
[...] os brasileiros são moderados, precisavam de pouca coisa para satisfazer suas
necessidades, evitam de um modo geral
trabalho cansativo e passam o tempo de
preferência com canto, dança e músicas
nas vendas... (ou) se deixam levar como
camaradas preguiçosos, como parasitas ou
moradores independentes nas propriedades (1866, p. 72).
Respectiva ao baixo nível cultural,
avaliou-se a religião, no caso, o catolicismo, como “descrença brasileira, superstição
brasileira e comédia brasileira sem moral”
(WIEDEMANN, 1856, p. 77) – e aqui não faço
citação alguma de fonte protestante, mas sim
cito um teólogo católico promovido em Munique, Dr. Theodor Wiedemann, que atuou
por vários anos como padre em Petrópolis.
O pastor Fritz Bliedner manifesta, em
1929, na Evangelischen Diaspora (Diáspora
Evangélica), órgão do Gustav-Adolf-Werk,
no mesmo tom, a sua preocupação sobre os
imigrantes alemães:8 “o que podemos fazer
para evitar o perigo de uma perda do germanismo? Esses esforços têm chance de êxi-
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to? E se não têm, o que podemos fazer para
salvar pelo menos a confissão evangélica,
caso ocorra a abrasileirização?”
Pelo visto, os imigrantes protestantes
haviam se aproximado da cultura brasileira,
o que foi interpretado na Alemanha como
uma completa selvageria. Nesse sentido, a
revista Der deutsche Ansiedler reclama, também, da “progressiva abrasileirização”.9 Respectivamente, a tarefa das obras alemãs deveria ser a “de encontrar meios e caminhos
de fazer novamente dos colonos abrasileirados colonos alemães.”10 Ocorreu assim o que,
segundo o teólogo católico Theodor Wiedemann, se esperava do emigrante alemão: que
“ele deixasse seus hábitos e costumes, para
que ele se tornasse como o brasileiro o queria, isto é, animalesco e com isso apropriado
a substituir o africano preto” (1856, p. 76).
Exatamente nesse ponto se encontra
meu interesse de pesquisa.
Abrasileirização como aculturação: a visão
histórica-antropológica
O discurso da abrasileirização deixou-me curioso: eu quis saber o que se esconde
detrás desse conceito. Minha suposição foi
que o que devia ser combatido como abrasileirização nada mais era do que a adaptação
normal e necessária dos migrantes à nova
sociedade. Com meu estudo, quis fazer uma
mudança radical de perspectiva: eu não quis
mais observar os imigrantes partindo da sua
germanidade. Meu interesse de pesquisa focou totalmente no “lado brasileiro” da vida
dos imigrantes. Isso significa que tive que
analisar o que a Historiografia da Igreja deixou de olhar ou desvalorizou.
De um modo geral, percorro o caminho contrário ao de Martin Dreher e procuro analisar todos os indícios nos quais se
apresentam aspectos de abrasileirização dos
protestantes de origem alemã (ver DREHER,
1978, p. 81, 226). Para isso, retomo várias
pistas, que aparecem no trabalho de Dreher
sem serem pormenorizadas. Com isso, obrigatoriamente, os protestantes do Brasil central no século XIX, que foram considerados
como os mais abrasileirados, se tornaram meu
campo de pesquisa. Meu estudo não se coloca como contradição, mas sim como uma
perspectiva complementária em relação ao
trabalho pioneiro de Dreher.
Em relação ao método científico, na
minha procura da abrasileirização, o conceito de aculturação, que foi desenvolvido na
Antropologia de Cultura norte-americana
no início da década de 1930,11 ajudou-me
bastante. A clássica definição do conceito do
ano de 1936 diz:
[...] aculturação compreende todos os fenômenos que se resultam quando grupos
de indivíduos com culturas diferentes entram em contato permanente, causando
subsequentemente alterações nos padrões
culturais originais de um ou ambos os grupos (REDFIELD, LINTON, HERSKOVITS,
1936, p. 149).
De acordo com a definição acima, entende-se, sob o conceito de aculturação, todos os fenômenos de transição cultural, que
resultam do permanente e direto contato de
dois grupos, pertencentes a culturas diferentes. Aculturação não foi definida como transição cultural de um só grupo – no sentido
de uma assimilação ou integração –, mas
sim como um acontecimento recíproco, que
altera o modelo de dois grupos. Nesse caso,
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a aculturação (1) não só acontece de maneira
espontânea, ela (2) não precisa se manifestar
da mesma forma em todos os membros de
um grupo. (3) Aculturação é um processo
seletivo, que não atinge todos elementos da
cultura, e ela (4) inclui o perigo de desintegração e pode (5) levar ao contrário, isto é, a
uma recusa da cultura a ser absorvida, caso
haja ameaça de uma deculturação.12
O conceito de aculturação serve de
base a vários estudos da área de Etnologia
(Antropologia Social) (ver LINTON, 1963) e
pesquisas sobre migração (ver HANDLIN,
1959, e outros). No Brasil, essa teoria tornou-se conhecida por meio do abrangente estudo pioneiro do sociólogo alemão Emílio Willems (1980), porém é pouco aplicada.
No meu trabalho, usei “aculturação”
como um conceito neutro, que deveria me
ajudar a observar todos os tipos de contato
com a cultura sem julgamento prévio. Certamente, pude constatar que aculturação
não é um conceito neutro, e sim um conceito positivo: a abrasileirização é o que eu favorizo e apoio. A conclusão do meu trabalho
é a seguinte:
Aculturação é um processo, que ocorreu
continuamente desde o primeiro dia da
imigração. Ela é um fenômeno de relevância para todas as igrejas do tipo do protestantismo de imigração – seja na América
Latina, seja em qualquer outro lugar do
mundo. Last but not least a intenção desse
trabalho é a de dar um impulso a outras
pesquisas sobre fenômenos de aculturação
dentro da história do cristianismo fora da
Europa (SPLIESGART, 2006a, p. 568).
Fatores de aculturação
O processo de aculturação pode abranger todos os aspectos da vida. Ele tem sempre um contexto e é influenciado por fatores
externos – econômicos, políticos e sociais
– como também por fatores internos – psicológicos. Fatores diferentes podem favorecer ou impedir os processos de aculturação.
Mas fatores que dificultam a aculturação
podem, também, levar a mudanças e adaptações, que, por sua vez, podem, dentro de
um novo contexto, ser interpretadas como
aculturação, se bem que, no caso, como aculturação negativa (ver DEVEREUX, 1984).
A seguir, serão apresentados dois fatores relevantes que levam definitivamente
a processos de aculturação: por um lado, o
simples fato da emigração, e, por outro lado,
as condições políticas e sociais da emigração
no Brasil e na Alemanha.
A visão histórico-social: emigração e aculturação
O fato de as pessoas abandonarem seu
país, para emigrarem para um outro continente, causa sempre processos de aculturação. Essa tese deverá ser demostrada no
exemplo das experiências de imigrantes
alemães em Nova Friburgo e Teófilo Otoni,
em três pontos: a) a decisão de emigrar implicita a disposição de uma mudança radical
da própria vida (disposição para a aculturação);
b) a longa viagem, às vezes arriscada para a
própria existência, leva as pessoas a situações de crise, a qual faz que formas antigas
de comportamento apareçam obsoletas. A
crise em si pode ser entendida como um rito
de passagem, que deixa clara a necessidade
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de interagir com coisas novas (crise como “acelerador” da aculturação); c) os desafios no novo
lugar de vida obrigam à adaptação a formas
de comportamento, que são apropriadas ao
novo contexto (pressão de aculturação).
Em 1º de fevereiro de 1823, Jacob Heringer, Philipp Heringer e Carl Heiderich
entregam uma petição à administração pública de Oberstein, na qual pedem uma autorização para emigrarem para o Brasil. Na
petição, consta o seguinte:13
Os súditos assinados se decidiram, porque
eles não conseguem mais alimentar sua família nesta região. Por isso eles assinaram
em Becherbach um contrato com H. Sauerbronn, autorizado pelos Senhores Peter
Weil, Peter e Adolph Saueracker, donos
da propriedade Almada perto de Ilheos
no Brasil, segundo o qual lhes são assegurados 200 alqueires de terras de plantio e
livre alojamento, de modo que um futuro
melhor se lhes apresente, depois de terem
alcançado o lugar determinado. […]. Eles
pedem ao cartório elogiado que lhes conceda a demissão o mais breve possível.
Nesse procedimento burocrático, fica
constada, nos registros, a decisão das pessoas nomeadas de deixarem definitivamente seu país. Como motivos, os emigrantes
citam: (1) sua precária situação econômica
e (2) a perspectiva de uma vida melhor no
Brasil – com terra e casa próprias.
As informações sobre o Brasil eram,
à época, escassas, pois aqueles emigrantes
foram os primeiros a escolheram esse país
como alvo da migração. Mas no Brasil já havia grandes proprietários de terra alemães
– Saueracker e Weyl –, os quais desejavam
estabelecer conterrâneos nas suas propriedades. Para isso, era necessária uma mediação feita por “agentes da imigração”, que
firmavam contratos com os emigrantes, regulamentando determinadas condições.
Esse contrato previa que cada família
receberia um pedaço de terra de 400 alqueires (Quadratbrassen) (cerca de 74 hectares)
(Artigo 2), uma casa (Artigo 3), bem como
as ferramentas necessárias para o trabalho,
além de plantas e sementes para o início da
atividade agrária (Artigo 4). Os custos de
viagem corriam por conta dos emigrantes
(Artigo 8). O governo brasileiro prometia
aos colonos alemães isenção de impostos e
taxas nos primeiros oito anos (Artigo 1b),
dando-lhes, também, a garantia da nacionalidade brasileira (Artigo 1a). De um modo
geral, os contratos prometiam “prosperidade e bem-estar” para os emigrantes, assim
como uma vida organizada.
Com isso, fica claro que o principal objetivo dos emigrantes era obter prosperidade
no Brasil. Os meios para se alcançar a prosperidade consistiam no próprio trabalho na
sua propriedade agropecuária. Com base
em relatos de viagem e negociações com os
agentes de emigração, soube-se que alguns
alemães chegaram a conquistar grandes
propriedades de terra, que administravam,
entre outros, com escravos. Por que também
não tentar sua sorte no Brasil e adaptar-se às
novas realidades?
Entre a velha e sofrida existência na
pátria alemã e a nova vida cheia de perspectivas no Brasil, havia, no entanto, uma
viagem difícil e ameaçadora. Inicialmente,
os emigrantes precisavam ir para o local do
porto e lá subir num veleiro de alto-mar, que
os levaria para o Rio de Janeiro.
O pastor Sauerbronn, que, juntamente com as famílias Heringer e Heiderich,
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encontrava-se entre os emigrantes, escreve
numa carta:14
Depois de decorrido 18 dias fomos obrigados a chegar com o barco Den Helder de
novo no porto citado, com mastro central
quebrado, debaixo de terríveis tempestades. O mastro central foi substituído e tivemos que ficar 28 dias. Saindo daqui eram
necessários 12 dias para se chegar ao Canal
da Mancha, onde uma tempestade horrível
nos obrigou a desembarcar na Inglaterra,
no porto de Couse. Depois de termos ficado 11 dias e termos nos abastecidos com
mantimentos, continuamos com a viagem
para as Ilhas Canárias. 54 dias tivemos
que ficar no mar com ventos desfavoráveis
diariamente até a Ilha de Tenerifa, a maior
ilha das Canárias. Um dia antes da nossa
chegada em St. Cruz, capital da ilha de Tenerifa, um pirata africano nos deteu [sic]
que tinha a bordo 100 homens resolutos e
36 canhões.
Quando da chegada ao Rio de Janeiro,
não havia passado o pior; os caminhos para
o lugar de destino teria de ser percorrido a
pé ou sob mulas. Muitos dos imigrantes estavam enfraquecidos por doenças. Um imigrante relembra outras dificuldades durante
a viagem: “Após dois dias de viagem, chegávamos à [sic] Santa Clara [...]. Nós, os recém-chegados, sentíamos o ânimo desfalecer a
cada instante. O prato de feijão carunchado com farinha, que nos era servido todos
o dias, prenunciava o que nos aguardava
daqui por diante” (Memórias... In: ROTHE,
1956, p. 52).
Outro imigrante relata sobre a
acomodação:
Em parte, fomos alojados na assim chamada “caserna”, que, ao mesmo tempo, era a
cadeia pública. O resto foi encaminhado
a uma grande casa, ainda inacabada. [...].
Isso significava que deveríamos ter paciência, e cada qual devia resignadamente
erigir para si, um provisório quartinho
de barro, bambú e cipós, e ali aguardar a
solução do problema. Quem visse aquele
aglomerado de acampamentos diria talvez, que estava aí um bando de ciganos
(Memórias... In: ROTHE, 1956, p. 52).
Resumindo, a viagem tornara-se uma
experiência limite, na qual a própria existência estava ameaçada. Muitos dos antigos
valores morais dos que estavam a bordo ficaram abalados com essa situação. No final
– assim julga a historiadora brasileira Cléia
Schiavo Weyrauch – “o simples fato estar
vivo era já por si só um acontecimento” para
os recém chegados (1997, p. 115). Poder-se-ia, também, descrever a viagem como um
“rito de passagem”: os imigrantes não eram
os mesmos de antes. A crise da viagem tinha questionado a vida anterior e deixado as
pessoas preparadas para o novo. Mas o que
esperava os recém-chegados na nova pátria?
Os imigrantes tiveram de constatar,
em breve, que o que lhes fora prometido no
contrato estava cheio de armadilhas. As famílias Heringer e Heiderich, por exemplo,
que foram estabelecidas em Nova Friburgo,
receberam pedaços de terra cheios de morros, que estavam longe de qualquer ligação
a tráfego – e isso acontecia com a maioria do
seu grupo. A experiência fundamental dos
primeiros anos dessas pessoas no Brasil foi
completamente marcada pela luta pela sobrevivência. O imigrante Bruno Marx, de
Teófilo Otoni, descreve o sentimento da seguinte forma:
Designava-se-lhes uma porção de mata à
beira-rio, e depois, que se houvessem para
sustentar os seus familiares.
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Antes da alimentação, era preciso cuidar
do abrigo! E tinham de dar-se por satisfeitos com uma choupana provisória de ripas
de palmeira e folhagem, erguida numa clareira da mata virgem! (MARX apud ROTHE, 1956, p. 47).
Além disso, havia ameaças, que eram
completamente desconhecidas na Alemanha, como escreve Franz Schaper, também
de Teófilo Otoni:
Essas choças ofereciam pouca segurança
contra serpentes, feras ou indígenas. Estes
últimos faziam frequentes saques, e nós,
para não sermos trucidados, tínhamos de
assistir tudo com boa cara!
A Companhia fornecia alimentos, que eram
distribuídos por um certo Besenstein. Ele
porém desviava muitas mercadorias, e os
infortunados colonos chegavam a padecer
fome (MARX apud ROTHE, 1956, p. 42).
Em vez do “futuro melhor”, que se
esperava alcançar no Brasil, os imigrantes
estavam submetidos a perigos, que o conceito choque cultural não descreve de maneira suficiente. Além do mais, a situação era
irreversível, pois somente alguns poucos
dispunham de meios financeiros para uma
viagem de retorno. Para vencer as dificuldades da nova realidade, os jeitos e as práticas
aprendidas até então não eram suficientes:
tudo isso exercia uma enorme pressão de
aculturação nos imigrantes, com consequências em todos os âmbitos da vida, inclusive –
e esta é a minha tese – no campo da religião.
Em vista das dificuldades dos imigrantes, coloca-se naturalmente a pergunta: por
que justamente o Brasil foi a meta deles?
A política de migração no Brasil e na Alemanha
A imigração de protestantes alemães
para o Brasil está, também, sob o contexto de
condições políticas. Por um lado, o governo
brasileiro adotava uma posição amistosa em
relação à Alemanha e fomentava sistematicamente a imigração de alemães; por outro,
o Império Alemão (desde 1871) via a emigração para o Brasil, em um primeiro momento, de forma negativa. Mais tarde, mudou-se
essa disposição e houve outras tendências,
que visavam, com a emigração para o Brasil,
à ideia de fundar uma colônia exterior. Em
todos os casos, encontra-se tal opinião acerca
da aculturação dos alemães no Brasil: estes
não deveriam de forma alguma adaptar-se
aos comportamentos brasileiros, mas sim
manter o ser alemão. Essas ideias tiveram efeito nos já atuantes processos de aculturação.
Na história das famílias imigrantes Heringer, Heiderich e Sauerbronn, sobre as quais
foi há pouco relatado, estávamos nos anos de
1823/1824, portanto, no início do Império independente brasileiro. O imperador Dom Pedro I
(1822-1831) era casado com Maria Leopoldina da Áustria (1797-1826), uma das filhas de
Franz I, da Áustria. Seu filho e sucessor Dom
Pedro II governou como imperador brasileiro
até a proclamação da República em 1889 (ver
BERNECKER, 2000, p. 127-132).
Ambos os imperadores do Brasil – juntamente com a elite do país – orientavam-se pela Europa na sua cultura e política.
Por isso, o governo brasileiro esforçava-se,
desde o início, de forma planejada, para convencer europeus, e principalmente alemães,
a imigrarem, por tais motivos econômicos,
políticos e ideológicos:
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a) Com os imigrantes (alemães), queria-se criar uma classe média agrária
e artesanal, pensando-se em obter
uma modernização do resto da sociedade, como também uma dinamização da economia por meio do lavradio da terra, dos novos métodos de
plantio e do know-how técnico-artesanal (BERNECKER, 2000, p. 88).
b)Com o fomento da agricultura na
mão de pequenos camponeses familiares, ligavam-se dois motivos políticos: por um lado, buscava-se criar alternativas à economia latifundiária e,
assim, apresentar à Inglaterra o interesse em abolir a escravidão. Por outro lado, a coroa brasileira esperava
de uma forte classe camponesa apoio
leal para a sua política – como contrapeso aos grandes latifundiários, que
assumiam convicções federalistas.
c) E, não por último, motivos rascistas
tinham importância no fomento da
imigração europeia e, com isso, da
imigração branca, pois os imigrantes
alemães “apresentavam desvantagens em relação aos pretos no que
diz respeito a conhecimento da língua, da força e do tipo de trabalho”
(BARTELT, 1996, p. 298). O recrutamento de imigrantes alemães servia,
assim, como um “branqueamento”
da população brasileira, com o que
se esperava um melhoramento dos
hábitos e costumes.
As expectativas do estado brasileiro
para com os imigrantes alemães eram, consequentemente, grandes. Por outro lado,
motivos religiosos ou confessionais não ti-
nham importância no fomento da imigração
alemã. Na Alemanha, via-se a emigração para
o Brasil de maneira ambígua, principalmente desde a instalação do Império Alemão em
1871. Por um lado, pensava-se em categorias
nacionais e europeias e o Brasil atribuia-se às influências dos USA (BRUNN, 1971,
p. 14). Por outro lado, depois da vitória sobre
a França a consciência nacional alemã subira
tanto, que a recusa a tudo que era galês estendeu-se não só à França, mas a todo campo luso-brasileiro e mediterrâneo. O próprio
Chanceler do Império (Reichskanzler) Otto
von Bismarck tinha pouca compreensão
para com os emigrantes, que “sacudiam sua
pátria como uma saia velha” (apud BRUNN,
1971, p. 127).
Junto a essas atitudes esquépticas, havia, em contrapartida, fortes grupos de interesses, que propagavam, conscientemente,
a emigração para o Brasil (FISCHER, 1992,
p. 290f) e perseguiam, assim, objetivos da
política colonizadora. Com um organizado
“desvio da emigração alemã de massa do
Norte para a América do Sul, eles queriam
alcançar [...] [a] teutonização” (Teutonisierung) (BERNECKER, 2002) de completos territórios e, dessa forma, fundar uma “Nova-Alemanha na América do Sul”. Era-se, aqui
também, da opinião de que os alemães emigrantes deveriam manter sua nacionalidade
na língua e nos costumes. Então, visavam a
evitar que os alemães se assimilassem a outra raça, ou se transformassem em “adubo
para os povos”15 (Völkerdünger), pois a adubação pressupõe uma mistura, que deveria
ser evitada de qualquer forma. Para a realização ideal desses objetivos, ponderaram-se regiões, que eram povoadas por “raças
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inferiores”,16 e, assim, a política de expansão
colonial concentrou-se muito em breve no
Sul do Brasil, onde, no século XIX, encontrava-se a maior parte dos imigrantes, que se
identificavam como alemães, segundo um
conceito nacional-étnico. Nesse particular,
guardava-se a esperança de que as enclaves
alemãs poderiam se tornar estados independentes do Brasil.
Um representante da igreja a favor da
política expansionista colonial alemã foi o
teólogo protestante Friedrich Fabri, que dirigiu por muitos anos a sociedade de missão
Rheinische Mission, em Barmen, e que escreveu suas ideias na obra Bedarf Deutschland
der Colonien? (1879) (A Alemanha precisa das
colônias?).17
A tentativa de, por meio de emigrantes alemães, ganhar influência sobre outros
países, para assim dominá-los, havia começado no último terço do século XIX e foi linha política oficial no Império Alemão sob
Wilhelm II; hoje denomina-se esse princípio
como “informal imperialism” (BRUNN, 1971,
p. XI). A partir de então, tinha-se uma intensa preocupação com os imigrantes alemães
no Brasil e mandava-se assistência a eles da
Alemanha. Isso se mostra no apoio às escolas de língua alemã, na ajuda para a construção de uma imprensa alemã e em várias
atividades de igrejas, principalmente através das obras protestantes e igrejas regionais
(Landeskirchen).
Todas essas iniciativas para o fomento da germanidade no Brasil tiveram efeitos nos protestantes de origem alemã e nos
seus processos de aculturação (cf. DREHER,
1978). No entanto, é importante constatar
que a “política da germanização” iniciou-se
somente por fim do século XIX. Por isso
chamo esse processo de “germanização secundária”, pois os imigrantes da primeira e
segunda ondas de imigração já viviam, há
várias dezenas de anos, no Brasil e encontravam-se – aqui eu cito, de propósito, as
comunidades do Brasil central – numa troca aberta em relação à sociedade e à cultura brasileiras. A germanização (secundária)
impregnou, no entanto, a percepção de toda
a imigração alemã para o Brasil de forma decisiva, e isso influenciou, também, a percepção das primeiras correntes de imigrantes,
que, nas primeiras décadas, tinham se desenvolvido completamente independentes
da política do império alemão.
Aculturação no campo da religião
Na historiografia sobre as igrejas de
imigração de origem alemã no Brasil, até
hoje, o aspecto da germanidade é, segundo
a minha análise, enfatizado de forma exagerada. Por isso fiz uma troca de perspectiva e analisei as igrejas protestantes alemãs
em Minas Gerais e no Rio de Janeiro não
do ponto de vista de sua germanidade, mas
sim do de sua brasilianidade. A seguir, quero apresentar alguns exemplos de processos de aculturação no campo da religião e
mostrar, com isso, como ocorreram as interações dos protestantes de origem alemã
com o ambiente brasileiro.
Relações cotidianas e religiosidade popular
Para a vida dos imigrantes no Brasil,
era imprescindível manter relações políticas
e econômicas com a população brasileira.
86
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Daí para frente, houve vários contatos na
vida privada, que incluíam amizades, sociedades e até casamentos, que nos primeiros
anos foram casos de exceção (ver SPLIESGART, 2006a, p. 247-286).
A partir disso, houve uma intensa troca no campo da religião (ver SPLIESGART,
2006a, p. 287-332). Tanto na cultura alemã
como na cultura brasileira, eram conhecidas e apreciadas práticas de magia na religiosidade popular: benzedeiros e curadores
cuidavam, nos dois grupos, dos problemas
práticos, de modo que nesse campo também
houve pontos de contato e aproximação
para uma troca mútua (cf. BAHIA, 2011). O
interessante, aqui, é que cada grupo atribuía
ao curandeiro do outro grupo uma competência maior. Quando o respectivo curandeiro chegava aos seus limites, procurava-se o
curandeiro do outro grupo (BAHIA, 2011,
p. 345). Dessa forma, surgiu nesse meio de
protestantes de origem alemã uma religiosidade popular protestante.
tos e batizados. Com isso, estabilizou-se
uma forma de pastorado de leigos. De Julius Waltenberg, de Juiz de Fora, é relatado
que, depois de pronta a escola evangélica,
no início de janeiro de 1861, ele “exerceu a
dupla função de professor e pastor” e dirigia o culto regularmente todo domingo
para os colonos evangélicos (STEHLING,
1979, p. 276). Em Petrópolis, era também
um professor local, o Senhor Jacoby, que de
1859 até 1862 tomava conta da igreja.18
Com isso, os imigrantes protestantes
conseguiram, por um lado, pôr em prática
a tradição luterana do pastorado de todos os
crentes e, por outro, manter a igreja. Assim
eles puderam assegurar a continuidade da
sua identidade protestante na nova pátria e,
ao mesmo tempo, distanciar-se do ambiente
católico. Por outro lado, o desenvolvimento
de uma igreja de leigos deveu-se, exclusivamente, à situação aberta no Brasil, como
também à falta de pastores ordenados e de
estruturas eclesiásticas formais.
Iniciativas de base e pastorado leigo
Iniciativas ecumênicas
Nas primeiras décadas depois de sua
chegada, os imigrantes protestantes não dispunham de uma estrutura de igreja. Apenas
em Nova Friburgo havia um pastor, Oswald
Sauerbronn, pois ele decidira emigrar juntamente com seus membros paroquiais. Nessa
situação, os próprios protestantes começaram a cuidar de seus interesses religiosos
(ver SPLIESGART, 2006, p. 201-206). Tais iniciativas da base levaram a que fossem construídos cemitérios e os primeiros templos.
O mais notável é o fato de que os leigos também celebravam enterros, casamen-
Dos primeiros anos e décadas, existem
vários exemplos de uma prática ecumênica
de base, que considero como típica para a situação do Brasil até o fim do século XIX (ver
SPLIESGART, 2006b, p. 478-499). Os imigrantes de origem alemã em Petrópolis relatam que protestantes e católicos visitavam-se mutuamente nos cultos. Um motivo para
esse fato era que os católicos não tinham
padres que soubessem falar alemão e, assim,
procuravam igrejas protestantes para ouvir
o sermão (REBELO, 1856).
87
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Em Juiz de Fora, imigrantes católicos e
protestantes chegaram a juntar-se para construir uma “capela de oração” e – com o apoio
de professores – celebrar lá, alternadamente,
o culto e a missa (STEHLING, 1979, p. 249).
Para a questão do cemitério também encontraram uma solução ecumênica. Em 1860, foi
inaugurado, pela primeira vez no Brasil, um
cemitério, o Cemitério Nossa Senhora da Glória, no qual foram enterrados, juntos, católicos e protestantes (STEHLING, 1979, p. 250).
Protestantes e escravidão
Enquanto, no caso do Pastor Friedrich
Sauerbronn, em Nova Friburgo, somente
existem suspeitas de que ele teria interesse
na economia de escravos, no caso do Pastor
Voges, em Três Forquilhas - RS, e de alguns
outros pastores no Sul do Brasil, isso é explicitamente comprovado. Ele possuía doze
escravos, com os quais fazia vários negócios,
juntamente ao seu sacerdócio (ver WITT,
2002; SPLIESGART, 2006b). Possuir escravos significava ter status na sociedade brasileira daquele tempo, de modo que não é de
se admirar que os imigrantes que desejavam
alcançar prosperidade ambicionassem por
esses símbolos.
No que se refere a Nova Friburgo, pode-se comprovar que vários imigrantes possuíam um e outros, até mais de um escravo
(ver SPLIESGART, 2006b, p. 335-387). Isso
significa que esses imigrantes não faziam
uma economia intensiva de latifúndio, mas
que tinham uma ajuda na casa e na lavoura. Os escravos e seus filhos foram batizados
protestantes na igreja. Depois da abolição da
escravatura, houve, esporadicamente, pares/
casais protestantes de escravos. As relações
dos patrões para com os escravos, na maioria, do sexo feminino, eram diversificadas.
Provavelmente, os colonos alemães engravidavam com frequência as escravas, o que, na
maior parte das vezes, vinha à tona quando
as crianças, depois do batismo, tornavam-se
livres. No campo religioso, pode-se supor
que, por meio dos protestantes afro-brasileiros, chegaram a penetrar nas igrejas influências da religiosidade de origem africana. Se
o sincretismo, a mistura de religião africana
com cristã, é referida até hoje como um fenômeno exclusivamente do catolicismo latino-americano, a mesma suposição deve valer
para o protestantismo.
Missão protestante
No decorrer do meu trabalho, encontrei uma outra pista interessante e singular:
o fato de que as igrejas de imigrantes alemães tomaram iniciativas para a missão da
população brasileira católica (SPLIESGART,
2006a, p. 455-477). Por um lado, havia pessoas no meio das igrejas, que, por contatos
pessoais, aproximavam-se das comunidades, por casamento ou relações de trabalho,
e, por fim, tornavam-se protestantes. Ainda
quando as relações não eram voluntárias,
como no caso da escravidão, os escravos
continuavam leais à crença protestante mesmo depois de sua libertação. Por outro lado,
havia alguns pastores que não se dedicavam
somente ao trabalho com os protestantes
alemães, tendo assumido a missão como sua
tarefa. Sabe-se do pastor Leonhard Hollerbach, de Teófilo Otoni, que ele fez viagens
missionárias até o Nordeste e que pregava
88
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para latifundiários brasileiros e seus escravos, engajando-se muito a favor da abolição
da escravidão.
Mostra-se, com isso, que as igrejas protestantes alemãs atuavam com suas iniciativas dentro da sociedade brasileira e estavam
interagindo com ela. O exemplo da atividade
missionária do pastor Hollerbach comprova
que o limite clássico entre protestantismo de
imigração e protestantismo de missão não
pode ser traçado de maneira rigorosa, como
parece à primeira vista.
João Batista, no interior de Nova Friburgo,
num lugar chamado Amparo, ao qual, pouco a pouco, todos os protestantes aderiram.
Esse grupo acabou tendo a função de igreja
popular nessa região.
Com isso, os protestantes imigrantes
participaram do processo – típico do Brasil
– da formação de uma nova religião sincretista. Eles não foram de maneira alguma os
defensores dos princípios da reforma e da
ortodoxia luterana, como desejavam os pastores luteranos e as autoridades da igreja.
Uma comunidade espírita
Abstract
O Brasil é um país que adotou, primeiramente, as formas mais peculiares de
religião (da África e da Europa) e, depois,
modificou-as rapidamente, formando com
os diferentes elementos novas concepções
de religião. Assim, das religiões locais dos
escravos africanos, que pertenciam a variados grupos culturais, surgiu a religião brasileira do Candomblé, que, por sua vez, foi
praticada sob o manto do catolicismo e que
contribuiu para o surgimento de um catolicismo popular sincretista.
Da Europa vieram para o Brasil, por
meio de escritos do francês Alan Kardec,
novas ideias do chamado Novo Espiritismo,
uma mistura de religião, filosofia e ciência.
Aqui, o espiritismo se alastrou rapidamente
e tornou-se, como Kardecismo, uma reconhecida e propagada comunidade religiosa.
Os protestantes imigrantes em Nova Friburgo também eram extremamente receptivos
a essas ideias espiritistas (ver SPLIESGART,
2006a, p. 389-421). Em 1888, um grupo de
protestantes fundou o Grupo Espírita São
The history of the protestants of German
origin in Brazil is normally discussed
along two lines: the process of church-institutionalization and Germanness.
The older literature characterized many
of these parishes as brazilianized. This is
particularly the case in middle Brazil, in
the states of Minas Gerais and Rio de Janeiro. My own approach takes the pejorative designation of,brazilianisation’ as
a starting point in order to shed light on
processes of interaction and transformation. From a theoretical perspective, the
concept of acculturation can be applied to
historical questions in a productive way.
Acculturation refers to all phenomena of
cultural change, which occur while two
groups of persons from different cultures come in contact with one another. In
my research on protestant immigrants of
German origin in Brazil in the 18th and
19th centuries two reinforcing factors of
acculturation could be identified: first,
the decision to emigrate and the crisis it
caused; second, the political conditions
in Germany and Brazil. Particularly in
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the area of religion many instances of acculturation among these German protestants in Brazil could be identified.
Notas
Em português, DREHER. Martin. Igreja e germanidade: estudo crítico da história de Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil. São Leopoldo, 1984.
2
Martin Dreher escreve, respectivamente, que o
objetivo principal da sua geração se resume no
seguinte lema: “Chega de sermos designados
como a igreja de alemães”. (1999, p. 70).
3
Respectivamente, as fontes mais importantes são
protocolos de reuniões de grêmios da comunidade, como também correspondências entre pastores e direção da igreja.
4
Em português: PRIEN, Hans-Jürgen. Formação da
Igreja Evangélica no Brasil: das comunidades teuto-evangélicas de imigrantes até a Igreja Evangélica
de Confissão Luterana no Brasil. Petrópolis, 2001.
5
Zum neuen Jahre. Ein Wort der Verständigung
über die Aufgaben der “Ev. Gesellschaft” im allgemeinen und die des “Deutschen Ansiedlers”
im besonderen. Der deutsche Ansiedler. 23. Jg., Januar 1885, p. 1-5, hier S. 2.
6
DEDEKIND, Max. Das Jahresfest der Evangelischen Gesellschaft für die protestantischen Deutschen in Amerika. Der deutsche Ansiedler. 47. Jg.,
September 1909, p. 129-134, aqui p. 134.
7
Das Deutschtum im Auslande und die inneren
Bedingungen seines nationalen Zusammenhaltes
und Verstandes. Der deutsche Ansiedler. 27. Jg.,
März 1889, p. 20: “Germanisierungsprozeß”.
8
BLIEDNER, Fritz. Zur Lage unserer deutschen
evangelischen Gemeinden in Brasilien. Die evangelische Diaspora. 11. Jg., Heft 1, Februar 1929, p.
41-47, aqui p. 42.
9
Jung=Deutschland in Brasilien ohne Kirche und
Schule. Der deutsche Ansiedler. 34. Jg., Juni 1896, p.
44-46, aqui 44.
10
Jung=Deutschland in Brasilien ohne Kirche und
Schule. Der deutsche Ansiedler. 34. Jg., Juni 1896,
p. 45.
11
Esse conceito foi utilizado pela primeira vez pelo
etnólogo J. W. POWELL. Introduction to the Study of indian Languages. Washington, 1880, p. 46
(veja DUPRONT, 1965, p. 34, observação 2). Willems (1980, p. 20-24) relaciona-se explicitamente
aos resultados do grupo do Social Science Research
Council. Uma subcomissão do Social Science Research Councils, ao qual pertenciam Robert Redfield,
Melville Herskovits e Ralph Linton, desenvolveu
por conseguinte a concepção de Aculturação (acculturation).
12
Motivos de fundo foram as experiências e exigências políticas da sociedade norte-americana, que,
1
Keywords: Immigration. Protestantism.
Acculturation.
Resumen
La historia de los protestantes alemanes
en Brasil es tratada normalmente por
dos puntos de vista: pela formación de la
iglesia o por su germanismo. Muchas de
estas comunidades son caracterizadas
en la literatura como abrasileiradas. Ese es
el caso principalmente en el Brasil Central, o sea, en los estados Minas Gerais y
Rio de Janeiro. Mi abordaje tiene como
punto de partida el concepto peyorativo de abrasileirização, para investigar
los procesos de interacción y transformación que el expresa. En la perspectiva teórica, el concepto de aculturación
de la Antropología Social puede ser
aplicado de forma productiva para el
trabajo histórico. Bajo aculturación son
comprendidos todos los fenómenos de
modificación cultural, que resultan del
contacto entre dos grupos de diferentes
culturas originarias. En la investigación
de los migrantes protestantes de origen
alemana pudieron ser identificados dos
factores que acentuaran la aculturación:
por un lado la decisión de emigrar y la
crises resuelta de esto, por otro lado, las
condiciones políticas en Alemania y en
Brasil. Especialmente en el campo de la
religión pueden ser demostrados varios
fenómenos, que comprueban la aculturación de los protestantes en Brasil.
Palabras clave: Inmigración. Protestantismo. Aculturación.
90
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por um lado, hospedou uma grande onda de migrantes e que, por outro, via-se à frente de uma
população indígena, que, contra as expectativas,
não se integrava ao modelo branco de civilização.
Veja, para a história do conceito da aculturação,
Heinz (1993, p. 44-51) e Rudolph (1964). Até esse
tempo, partia-se, nos EUA, do pressuposto de
que todos os grupos culturais – migrantes europeus, índios e afro-americanos – eram absorvidos
através da assimilação na cultura anglo-saxônica,
quer dizer, desapareceriam sob a renúncia da
identidade de origem. A tese da assimilação foi
tanto dogma político como convicção fundamental na pesquisa antropológica. Atrás desse ponto
de vista estava a convicção inquebrável de que
culturas continuariam a evoluir num sentido otimista do progresso, ou seja, que os assim chamados povos primitivos se anexariam espontaneamente à civilização superior.
13
Unterthäniges Gesuch von Jacob Heringer, Philipp Heringer und Carl Heiderich an das Amt
Oberstein. 1. Februar 1823. In: HEPP (1987, S.
251-3.4).
14
SAUERBRONN, Friedrich. Brief an Verwandte und Bekannte in Becherbach. 10.9.1824. In:
FRANZMANN (1985, p. 247F).
15
O conceito origina-se do historiador Heinrich
von Treitschke (veja BRUNN, 1971, p. 117).
16
Assim é a opinião de Ernst von Halles (veja
BRUNN, 1971, p. 120).
17
Teólogo protestante Friedrich Fabri foi um dos
representantes mais importantes das ideias colonizadoras na Alemanha. Fabri foi influenciado pela orientação social-crítica conservativa
da Inneren Mission, formada na direção de um
“imperialismo social”, que considerava a migração de massa como “necessidade político-social”
(BADE, 1975, p. 30). A dissertação de Klaus Bade,
em 1975, Friedrich Fabri und der Imperialismus in
der Bismarckzeit, tematiza a importância de Fabri
no contexto dos interesses coloniais alemães de
forma mais explícita.
18
Festschrift der Deutsch=Evangelischen Gemeinde in
Petropolis, 1913, p. 6.
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